You are on page 1of 3

ALEXEI KONDRATIEV'S LOREKEEPERS COURSE 1.0 Faixa Três - Seção Cinco - B A Crença nas Fadas.

Todas as comunidades célticas tradicionais tinham a sensação de estarem rodeadas por seres sobrenaturais quase invisíveis, porém altamente influentes, que precisavam tanto ser evitados quanto aplacados no curso da vida cotidiana. Referem-se variadamente a estes seres como _daoine si_ ("povo da fortaleza das fadas", Irlandês), _sioga_ , _sitheagan_ e _sheeaghyn_ (diminutivos do termo precedente, Irlandês, Escocês Gaélico e Manquês respectivamente), _daoine maithe_ ("povo bom", Irlandês), _y tylwyth teg_ ("a tribo justa", Galês), _bendith y mamau_ ("a bênção das mães", Galês), _an bobel vyghan_ ("o povo pequeno", Córnico) ou _boudigo•_ ("pequenos seres", Bretão) [todos eles são traduzidos para o inglês como "fairies"(fadas)]: muitos dos nomes são apotropaicos em forma, na intenção de lisonjear as fadas a fim de evitar incorrer em sua ira ou atrair sua indesejada atenção. É dito que as fadas “levam” pessoas (especialmente crianças -- às vezes deixando deformados em seu lugar) para seu próprio mundo, muitas vezes de forma permanente. Encontrar o anfitrião feérico na forma invisível é frequentemente um sinal de morte iminente. É dito que certas colinas (especialmente antigos túmulos funerários) são a habitação local das fadas, onde elas vivem em suas próprias sociedades, sob governantes específicos (tais como Finbhearra em Cnoc Mea, Aoibheall em An Charraig Liath, ou Aine na área de Loch Goir). Apesar de sempre percebidas como perigosas, as fadas, se receberem oferendas e tratadas com respeito, podem ser benéficas aos humanos. Espíritosda-casa irão ajudar a fazer o trabalho doméstico e proteger a casa. Fadas-do-campo (como o manquês _fenodyree_) vão auxiliar espiritualmente ao trabalho da colheita. Claramente há uma relação entre as fadas e o mundo dos mortos. Não somente são lugares de antigos sepultamentos comumente associados com habitantes feéricos, como as pessoas muitas vezes veem os pais ou amigos mortos em meio à multidão. Alguns aspectos da crença nas fadas são definitivamente reflexos do culto aos ancestrais. Outros aspectos sugerem uma ligação com os espíritos da Terra. A distinção entre os espíritos da Terra e os mortos (que voltaram para a Terra) não é muito exato na tradição céltica. Uma fada com uma distinta função é aquela geralmente chamada simplesmente de _bean si_ ("mulher fada" -- anglicizada como "banshee"), e sua equivalente galesa a _cyhiraeth_. Cada uma dessas fadas é individualmente associada a uma família aristocrática, e adverte a morte iminente de um membro da família com seu pranto. Uma comparação com figuras similares da tradição escandinava (as _disir_) indica que ela é um espírito ancestral feminino. Enquanto a maioria das pessoas tenta evitar as fadas, alguns indivíduos têm uma afinidade especial por elas e procuram-nas ativamente. Essas pessoas então desempenham um papel quase-xamânico como “médicos de fadas” (_daoine feasa_ em gaélico, _dynion hysbys_ em galês), usando as fadas como mensageiros para verificarem a causa de doenças e revelarem curas, e bem como para restaurarem bens roubados ou perdidos e desmascarar criminosos. Outros Curadores e Videntes.

As habilidades atribuídas aos “médicos de fadas” -- ver coisas escondidas, saber as propriedades secretas das plantas, prever eventos -- podem ser encontradas entre uma gama muito mais ampla de pessoas nas comunidades célticas, onde elas não são necessariamente explicadas como dons das fadas. Alguns indivíduos têm poderes únicos de cura que podem ser exercidos através de uma mera imposição de mãos. Outros cultivam um conhecimento sistemático do herbalismo, frequentemente remetendo para uma tradição eclética fortemente influenciada por um saber herbal medieval aprendido-emlivros com sua doutrina de “assinaturas”, mas também algumas vezes incorporando as crenças nativas anteriores a respeito das plantas locais e seus atributos mágicos ou divinos. Algumas pessoas possuem um dom congênito de “segunda visão” (_dà shealladh_ em gaélico escocês, onde tais tradições são particularmente muito difundidas) -- a habilidade de ver eventos que estão no futuro ou que estão acontecendo à distância. Geralmente essas visões ocorrem espontaneamente e sem aviso, mas alguns videntes têm técnicas rituais para invocar seus talentos à vontade quando se pede para checarem sobre o bem estar de alguém que está longe de casa. Para aqueles que não tenham herdado talentos especiais para cura ou clarividência, feitiços podem ser aprendidos para facilitar tais operações magicamente. Muitos encantos existem para se livrar de verrugas ou abscessos ou para acalmar a dor -- muitas vezes envolvendo uma visualização da doença deixando o corpo na forma de uma coisa viva. Há também várias técnicas disponíveis para a divinação -- às vezes baseadas em vidência na água após uma invocação apropriada, às vezes em observar as posições de objetos que se movem aleatoriamente (como castanhas no fogo), especialmente nos momentos liminares do ano ou dia. O objeto de adivinhação mais comum é o prognóstico de casamento: numa tradição de casamentos arranjados, a ansiedade sobre um eventual parceiro de vida não é incomum. Um tipo especializado de cura envolve a habilidade de suspender maldições ou dissolver os efeitos de bruxaria hostil. Indivíduos com esse talento são avidamente procurados pelos membros de suas comunidades e podem adquirir um prestígio considerável: existe uma tradição deste tipo particularmente rica na Cornualha. Lugares Sagrados. Todas as comunidades célticas tradicionais tem uma forte noção spiritual do lugar: a orientação nunca é aleatória, coisas devem ser colocadas “direito” para alcançar seu propósito. Alguns lugares com características naturais marcantes ou uma longa história de associação com uma figura histórica ou mitológica são sentidos como fontes de um poder especial ou como pontos privilegiados de contato com o Outromundo, onde as petições para as divindades e ancestrais poderiam ser enviadas com a máxima eficácia, e as bênçãos em retorno recebidas. O mais importante; tais sítios foram o foco de peregrinações que podiam atrair visitantes de uma vasta área; algumas delas sobrevivem sob o patronato dos santos cristãos, mas aspectos dos rituais envolvidos neles sugerem que tiveram origem précristã. Entre as mais notáveis estão as peregrinações de Cruach Phadraig, "Purgatório de São Patrício" em Loch Eirne, e Sta. Gobnait em Baile Mhúirne. De natureza relacionada está _Tro-Minic'hi_ ("Tromanie", literalmente "monastério redondo") em Locronan na Bretanha, que envolve a circumambulação de um território inteiro, com gestos rituais em ambos lugares pré-cristãos e cristãos. Outro tipo de lugar sagrado é o poço sagrado ou a nascente sagrada. O local onde a água, previamente oculta no mundo secreto Abaixo, atravessa para o nosso mundo tem a mais forte concentração dos poderes divinos da água, e em tempos antigos, como vimos, tal

lugar já era o foco de muito da atividade ritual. Os mitos de origem dos poços foram transformados para que possam ser atribuídos aos santos cristãos, mas os protocolos básicos que regem sua utilização não mudaram muito com a chegada do cristianismo. Muitas vezes, após o contato real com a água, os peregrinos deixam tiras de tecido numa árvore (geralmente um espinheiro branco) próxima ao poço, bem como fichas de seus pedidos ou aterramentos das doenças que estão descartando. Ritos de Passagem. Nas comunidades tradicionais, a divisão adequada do trabalho é considerada como de suprema importância, a fim de assegurar que cada indivíduo possa contribuir com a comunidade com a máxima eficiência. Isso significa que as crianças têm que aprender desde a tenra idade que papéis serão esperados delas de acordo com seu gênero e posição social. Frequentemente isso é dramatizado através de rituais que são encenados em pontos da vida quando tais papéis estão prestes a serem assumidos. Após a cristianização, estes ritos de passagem tendem a coincidir com a iniciação aos sacramentos da Igreja (batismo, confirmação, casamento, últimos ritos), mas as associações folclóricas deles com frequência retêm elementos de sua interpretação pré-cristã. A natureza exata dos ritos vai variar muito de uma comunidade para a outra, mas elas tendem a seguir a mesma lógica da integração social progressiva: uma cerimônia de nomeação, pela qual uma criança é reconhecida como um membro plenamente “humano” da comunidade, com laços de parentesco definidos; a afirmação de gênero de uma criança em crescimento, com a simultânea atribuição a ela de um papel de gênero (i.e., substituindo as saias do jovem rapaz por calças); a suposição de papéis de adultos, geralmente na puberdade, com a iniciação simbólica às tarefas adultas, normalmente por parentes adultos do mesmo sexo; casamento, que traz consigo novas responsabilidades e um papel mais político central na comunidade; e os ritos funerários, pelo que os falecido é pranteado e o espírito dele(a) guiado a sua nova morada no mundo dos mortos, devidamente separado do mundo dos vivos. Por Alexei Kondratiev Copyright © 2010 Todos os Direitos Reservados Retirado de: http://www.celtic-nation.org/Lorekeeper_3-5b.htm Tradução: Renata Gueiros