You are on page 1of 2

1. No campo cultural, muito se falou sobre o uso “correto” dos pronomes na escritas das palavras.

Oswald de Andrade defende em Pronominais: Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro 2. Em Macunaíma, o personagem criado por Mário de Andrade ironiza os paulistanos:

Ora sabereis que sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra.

3. Noel Rosa, valoriza o nosso idioma (o brasileiro), ele criava marchinhas como forma de protesto que contagiavam as pessoas, de certa forma politizava as pessoas. Modernismo (João Jonas Veiga Sobra) Aos poucos, Noel ganhou o respeito dos sambistas e o reconhecimento popular. Sem contato direto com movimentos de vanguarda, ele fez, na música, a aproximação da poesia com a linguagem coloquial. Na literatura, Oswald de Andrade fazia o mesmo, como em Pronominais ("Deixa disso meu camarada / Me dá um cigarro"), e assim Manuel Bandeira, como em Evocação do Recife : ("Vinha da língua errada do povo / Língua certa do povo / Porque ela é que fala gostoso o português do Brasil"). Noel foi propagador desses princípios caros ao Modernismo. Usava expressões da Lapa e da Penha e, em Não tem Tradução , mostrou-se consciente do debate metalinguístico: "Tudo aquilo que o malandro pronuncia / com voz macia / é brasileiro / Já passou de português". Aqui, valoriza o samba e a variante popular do idioma. "O cinema falado é o grande culpado da transformação / Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez / Lá no morro, se eu eu fizer uma falseta / A Risoleta desiste logo do francês e do inglês / A gíria que o nosso morro criou / Bem cedo a cidade aceitou e usou". Não tem Tradução opõe-se à invasão cultural e alfineta quem, seduzido pela moda importada, abre mão da linguagem brasileira. Na gradação "nosso morro criou", "a cidade aceitou" e "deixou de sambar", se vê preocupado com a "mania de exibição". Tenta resgatar a linguagem cotidiana, a ideia do malandro artista e do samba sem tradução. Faz um registro da vida moderna e das tradições locais. Conversa de Botequim é um poema-piada típico do Modernismo, rimando "vez" com número de telefone, usando elementos não poéticos ("Osório", "escritório", "guarda-chuva", "bicheiro") e descrevendo uma conversa coloquial bem ao gosto modernista: "Telefone ao menos uma vez / Para 34-4333 / E ordene ao seu Osório / Que me mande um guarda-chuva / Aqui pro nosso escritório".

escreveu seu nome na MPB. e t juntam-se a rapidez promovida pelas aliterações de g e m . galhofo e elaborado. Já em Gago apaixonado. b . Fez de seu lar e escritório o botequim e da vida cotidiana a mais pura poesia popular. há um prolongamento das palavras num ritmo insólito e divertido. Noel foi assim. duro. d . Como se vê nestas páginas. terno. Num curto tempo. próximo dos poemas-piadas modernistas: "Mu-mu-mulher. em mim fi-fizeste um estrago / Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago / Não po-posso com a cru-crueldade da saudade / Que que malmaldade. O poeta usa a gradação da gagueira à medida que se mostra mais tenso e apaixonado. vi-vivo sem afa-fago".Poema-piada A canção traz um isomorfismo impecável: verbo e som juntos em um mesmo processo conceitual e melódico. Aos versos sincopados e quebrados devido às aliterações de p . "Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d'água bem gelado". .