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Universidade do Vale do Paraíba Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento

ALESSANDRO GERSON MOURA IZZO DE OLIVEIRA

RUDIMENTOS SOBRE O CICLO MAGNÉTICO SOLAR Breve revisão do comportamento magnético do Sol

São José dos Campos, SP 2011

Alessandro Gerson Moura Izzo de Oliveira

RUDIMENTOS SOBRE O CICLO MAGNÉTICO SOLAR Breve revisão do comportamento magnético do Sol

Monografia Mestrado

apresentada em Física e

ao

Programa

de para

Astronomia

aprovação na disciplina de Seminários em Física e Astronomia, requisito para obtenção do título de Mestre.

Professor Responsável: Prof. Dr. Paulo Roberto Fagundes

São José dos Campos, SP 2011

......................................16 4.................................................................. Método dos precursores......................... Raios Cósmicos.........................................21 ..........................................2.........................................12 3................................................................................................. Bibliografia....................................................................... Introdução.............................................................................9 3................................................................INDICE Lista de figuras..................................1................iii 1............................................................................. Ciclo Solar..............................................3 3............................................... Fluxo Solar...........................2...20 6. Método da Extrapolação.......ii Abstract..16 4...................................................... Conclusão.................................................................................................................................3.................. Método sobre Modelo.. Métodos Preditivos.......................19 5............................9 3......................................................... Manchas Solares........................1.18 4........................................................ Métodos Observacionais..............................14 4.....................................................................1 2.........................3...............................i Resumo......................

................8 Mancha solar...........................................................................11 Gráfico de manchas solares e raios cósmicos...........................4 Camadas internas do sol...9 Gráfico de borboleta..........6 Diagrama do dínamo solar................................................5 Imagem obtida do MDI.............................. umbra e penumbra................................................................................................13 Gráfico do fluxo solar......15 i .....................................................................................................................................................................LISTA DE FIGURAS Imagem do Sol.....................

que só muito recentemente fizeram-se disponíveis. Como consequência direta das pretensões desta pesquisa foi preciso discutir o fenômeno das manchas solares e o conceito do dínamo solar. mais especificamente de seu tempo de duração. Alguns estudos consideram-no estranhamente prolongado enquanto outros entendem que este é apenas um fenômeno recorrente. ii . a fim de compreender as implicações científicas do mais recentemente mínimo registrado. comparando-o com o mínimo de Maunder.Resumo Este trabalho busca explicar de maneira sucinta e rudimentar os estágios do ciclo magnético do Sol e seus pontos de máximo e mínimo através da revisão de literatura científica anterior. e que só chamou atenção da comunidade científica graças as atuais técnicas observacionais tais como satélites e rádio telescópios. estabelecer algumas das diversas metodologias de detecção que permitiram e permitem o acompanhamento da evolução magnética da estrela que mais próxima está da Terra. para que se possa ter um panorama real e crítico bem fundamentado ao discutir sobre as atuais e futuras condições do Sol.

establish some of the different detection methodologies that allow and enable monitoring the magnetic evolution of the star that is nearest the Earth. and argue that gained attention from the scientific community thanks to current observational techniques. Some studies consider this minimum oddly extended while others believe this is just a recurring phenomenon. As a direct consequence of the pretensions of this research was necessary to discuss the phenomenon of sunspots and solar dynamo concept. more specifically your duration.Abstract This paper seeks to explain succinctly and rudimentary the stages of the Sun's magnetic cycle and his maximum and minimum by reviewing previous literature in order to understand the scientific implications of the most recently minimum. iii . like the Maunder Minimum. in order to have a real status and well-reasoned critical to discuss the current and future conditions of the Sun. such as satellite and radio telescopes which have very recently made themselves available.

fonte da alimentação da raça humana. por acharem que objetos tão grandiosos não podem ter tão pouca significância em sua vida cotidiana. ainda que não faça parte de qualquer comunidade científica. mas também afetam o clima terrestre que por sua vez rege as plantações e a criação de animais para o abate. inevitavelmente um dia entrará em colapso aniquilando completamente todo este planeta. enquanto a especulação quanto à própria natureza desses corpos foi suficientemente grande para atribuir a eles os nomes e poderes de suas divindades. E o mesmo astro que permitiu a vida florescer sobre a Terra. e vulneráveis estamos aos eventos celestes e seus protagonistas. dedicando particular atenção aos elementos da abóboda celeste. A preocupação em descrever o caminho que os corpos astronômicos percorrem pelo firmamento influenciou a construção de alguns dos mais importantes monumentos históricos. em parte. nenhum corpo celeste é de maior importância para a Terra que o Sol. com toda certeza. cada vez mais tecno-dependente. como inutilizar seus circuitos que permitem a uma humanidade.1. Ao confrontar o campo magnético terrestre a emanações solares são capazes de produzir espetáculos majestosos como a aurora boreal e a aurora austral. As radiações que a Terra recebe do Sol podem tanto gerar energia para abastecer satélites essenciais à telecomunicação. Constam cuidadosos registros das atividades solares. organizar a estrutura de seus governos e sociedades. Introdução Desde que adquiriu senciência o ser humano teve sua atenção chamada pelos elementos que compõem o meio ambiente. tem acesso a muito mais dados sobre a natureza e o papel dos objetos astronômicos. Com isso em mente fica óbvio que qualquer estudo sério sobre a natureza do Sol e a maneira pela qual se deu sua evolução no passado e o pela qual ela progredirá no futuro tem grande interesse científico. E. já por civilizações da antiguidade ainda que apenas a olho nu e com motivações sobrenaturais. contudo algumas pessoas ainda retêm resquícios da crença nas influências mágicas das estrelas e dos planetas. O homem contemporâneo. entretanto com o surgimento do racionalismo e a contínua evolução dos instrumentos de observação houve um proporcional aumento 1 . Talvez. mas se esta realmente for a razão ela advém do fato de ignorar o quão dependente somos.

ferramenta da heliosismologia. Tanto Schwabe. impossíveis de obter de outra forma). o Boulder Sunspot Number (número de manchas solares de Boulder) e o American Sunspot Number (número de manchas solares americano) estabelecido pela American Associaton of Variable Star Observers ( Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis). É fato que as técnicas de observação evoluíram muito desde o século XIX: desenvolvemos filtros e equipamentos altamente sofisticados para examinar o Sol. A extração de gelo das calotas polares e o estudo da espessura dos anéis de árvore traçam a história do Sol com base na influência que teve sobre nossa atmosfera e a captação de raios cósmicos nos permite traçar novos paralelos sobre as emanações do astro central do sistema solar.na acuidade e relevância dos dados obtidos até que no fim no século 18 começam a haver menções sobre um comportamento periódico do Sol que culminam num artigo publicado no ano de 1844. de Heinrich Schwabe no qual ele demonstra haver um ciclo de atividade solar. Mas apesar de toda sofisticação as manchas solares ainda possuem um papel central na física solar e assim um registro cuidadoso do número de manchas solares é feito hoje não por um. Novas metodologias de análise e pesquisas de correlações buscam examinar as minucias dos mais diversos aspectos do “clima” solar. As manchas vêm do comportamento caótico dos campos magnéticos do Sol e é quando se apresentam em grande número que se afirma que o sol está no ponto máximo de 2 . tanto da Terra quanto do espaço (dentre estes aparelhos vale destacar o MDI (Michelson Doppler Imager). A este trabalho logo se seguiu o de Wolf. Dentre os mais importantes é interessante citar: o International Sunspot Number (número internacional de manchas solares). pesquisador que fez enormes contribuições elaborando estimativas para a quantidade de manchas solares ocorridas 90 anos de antes de seus estudos tendo por base os dados astronômicos de antigos observadores e completando possíveis lacunas com extrapolações baseadas em registros de atividade geomagnética. As manchas são fenômenos derivados diretamente do comportamento magnético solar sendo. portanto sua melhor indicação. quanto Wolf focaram seus trabalhos no estudo de manchas solares e não sem razão. fundamentando suas conclusões em dados coletados em 18 anos de pesquisa. instalado na sonda espacial SOHO (Solar Heliospheric Observatory) que fornece dados novos. mas por várias índices que graças a internet se encontram acessíveis a qualquer pessoa que se interessar em conhecêlos.

sendo que se há algo de previsível na natureza é sua imprevisibilidade. Em segundo transmitir ao eventual leitor o fascínio que os fenômenos solares exercem sobre este autor o que leva ao terceiro propósito que seria estimular a pesquisa sobre o tema a fim de conquistar sempre um maior conhecimento que nos cerca. Estes elementos permitiram visualizar com extrema fidelidade uma incomum fulguração solar (sun flare) que ocorreu no dia sete de junho do ano de 2011 advinda do interior de uma mancha solar em uma bela demonstração da natureza imprevisível do Sol. mas mesmo que seja o caso é a primeira vez que se pode observar um mínimo prolongado. Contudo. a luz dos modernos métodos de análise e com um instrumental tecnológico tão avançado. 2. E o Sol já deu mostras disso. Alguns teóricos já argumentam que os períodos de mínimo prolongado podem ser fenômenos recorrentes. Com todas estas questões em mente este trabalho assume. E isso se repetiu mais vezes embora com menor intensidade e mesmo agora o astro-rei passa por um período incomumente longo de pouca atividade. sintetizar os esforços revisionistas do autor em conhecer a física solar embasando um senso crítico válido acerca do tema e das questões pendentes sobre o astro-rei.seu ciclo. Embora sustentando o ciclo de onze anos o magnetismo solar passou por um período de 70 anos no qual a quantidades de manchas. o que estabelece um período de vinte e dois anos para a região polar retome a mesma polaridade magnética. O Ciclo Solar 3 . os mínimos ocorrem após o desparecimento das manchas quando o campo magnético do Sol assume uma simetria similar ao campo magnético terrestre o que ocorre em intervalos sucessivos de onze anos. Ao final do ciclo das manchas as polaridades magnéticas do Sol estão invertidas em relação ao início do ciclo. era muito pequena. se o ciclo solar é contínuo e constante não é despropositado dispender esforços de pesquisa em algo repetitivo e recorrente? A resposta a esta pergunta reside no paradoxal propósito da ciência: montar modelos preditivos para a natureza. portanto três propósitos: Primero. mesmo em momento de máximos.

9% da massa de todo o sistema solar. o restante de sua massa são elementos mais pesados como o carbono. na verdade afirmar que o Sol é o principal é elemento do sistema solar é um eufemismo dado que sua massa é cerca de 99. Figura 1 .9%). o resultado é um plasma superaquecido que ao se movimentar faz com que forças eletromagnéticas tomem parte da ação. nitrogênio e o oxigênio.A. Apesar disso seu “título de rei” não é de forma alguma injustificado. enquanto sua massa (cerca de 2.0×1030 Kg) é comparada a massa dos demais elementos dos cosmo. De maneira sintética: o astro-rei é um dos tipos mais comuns de estrelas que existe no universo. gerando um campo 4 .Fonte direta ou indireta de praticamente toda energia utilizada neste mundo. É também considerado uma estrela anã que figura na sequência principal do diagrama de Hertzprung-Russel.Imagem do Sol obtida por câmera de Ultravioleta Extremo (EIT) para radiações de comprimento de onda de 304 Å (fonte: NASA/SOHO/ESA) Como em qualquer outra estrela. o Sol é palco da batalha entre as forças fundamentais da natureza: a imensa gravidade de sua massa tenta agregar o que as forças nucleares liberadas pela continua fusão do hidrogênio em hélio tentam espalhar. o Sol pode ser classificado como uma estrela ordinária do tipo espectral G2 e de classe de luminosidade V que já existe a aproximadamente 4. sua estrutura é basicamente formada por hidrogênio (90%) e hélio (9.5 bilhões de anos. a exemplo da polegada) a distancia da Terra ao Sol (aproximadamente 150 milhões de quilômetros ou 8 minutos-luz) é considerado 1 Unidade Astronômica (U.) de distância. Assim como os reis humanos do passado cujas dimensões eram base de medida para os demais elementos do reino (algumas dessas unidades persistem até hoje.

como o próprio nome sugere. está a zona radiativa (radiative zone) onde a energia. portanto nem todas possuem a mesma estrutura que a solar. a cromosfera e a coroa. mas é importante que se saiba que a estruturação de uma estrela depende de sua massa e. A fotosfera (photosphere) é uma fina camada de onde provem a maior parte da radiação no comprimento de onda do visível e 5 . É conveniente que se entenda os elementos internos e externos que formam o Sol. Mais próxima ao núcleo. os campos da superfície assumem configurações extremamente complexas de entrelaçamento produzindo pontos de magnetismo tão intenso que são capazes de inibir a emissão radiativa Sol resfriando e obscurecendo localmente a camada superficial do sol.eletromagnético global e oscilante que passa de simétrico para caótico e novamente a simétrico produzindo intensa atividade na superfície solar no processo. Estes pontos são as manchas solares. Além da zona convectiva temos a atmosfera solar que por sua vez é composta por três outras camadas: a fotosfera. se propaga por radiação e mais externamente encontra-se a zona convectiva (convection zone) onde a energia se move acompanhando as correntes de convecção do plasma. Figura 2 – Representação artística do Sol onde pode se observar as camadas internas que o formam. No período em que a atividade magnética está em seu pico. bem como sua atmosfera (fonte: NASA) Na figura 2 percebe-se que o Sol é composto por diversas camadas sendo que a mais interna delas é o núcleo (inner core) região onde se dão as reações nucleares.

esta técnica faz uso de um aparelho denominado Michelson Doppler Imager (MDI) que está a bordo da sonda SOHO (Solar Heliospheric Observatoty) para observar o modo como ondas sonoras reverberam no interior do Sol. ela pode ser vista a olho nu no auge de um eclipse solar total quando a parte mais luminosa do Sol fica oculta pela lua. Normalmente obscurecida pela fotosfera. No entanto técnicas recentes como a heliosismologia permitiram conhecer melhor o âmago solar. Por fim. De modo análogo a um exame médico de ultrassonografia. e mais uma vez destacando o caráter nobre do Sol. pois a radiação que consegue atravessar é obscurecida pela intensa radiância das camadas exteriores. mas só é satisfatoriamente percebida ao utilizar durante a observação um filtro H-α (filtro que capta uma estreita faixa de radiação centrada nas emissões com comprimento de onda de 656 nm).consequentemente é o que um observador a olho nu consegue perceber do Sol. já que o campo magnético do Sol é profundamente influenciado por ambos os movimentos. entre outras. A fotosfera é de fato de grande interesse. (Crédito: NASA/SOHO/ESA) . Na figura 3 é 6 Figura 3 – Diagrama ilustrando dados obtidos em 2 meses de análise do MDI/SOHO. A fim de conhecer o comportamento cíclico do magnetismo solar é preciso entender como o plasma flui em seu interior e em sua superfície. que como já mencionado. uma vez que nela além da granulação ocorrem as manchas solares. São nas partes ativas da coroa que surgem as fulgurações (flares) solares. Segundo. são as mais fiéis indicadoras da situação magnética do Sol. Nesta camada observam-se várias estruturas como fáculas. o mesmo não se dá quanto ao interior do Sol. proeminências. espículos. A cromosfera (chromosphere) é aproximadamente vinte vezes mais extensa que a fotosfera. há a coroa (corona). Primeiro porque a fotosfera é parcialmente opaca bloqueando radiações advindas de regiões inferiores. Entretanto enquanto estudar a atmosfera solar é relativamente fácil graças a enorme quantidade de radiação por ela emitida. Maio e Junho de 1996.

Além deste fluxo interno. Nesta velocidade. devido ao empuxo. um dínamo solar. O problema consiste em demonstrar de forma cabal que existe um movimento capaz de sustentar um campo magnético oscilante como o do Sol. Esta teoria apesar de aceita ainda não conta com o consenso da comunidade científica. Existem ainda duas questões pendentes sobre a teoria do dínamo: a primeira questão é o problema cinético do dínamo. O movimento rotacional do sol aliado a fluidez de sua camada externa cria o que se convencionou chamar rotação diferencial do Sol. há outro fluxo que contribui no ciclo solar. O cisalhamente prossegue e dá origem a um campo toroidal (b) que quando atinge intensidade suficiente emerge. existentes no Sol. são capazes manter tal movimento. mesmo com o raio reduzido dos polos uma volta ao redor do Sol levaria 36 dias. Teoriza-se que a ação conjunta dos dois fluxos crie um mecanismo similar ao dínamo de Faraday. este é o problema magnetohidrodinâmico do dínamo. A partir de onde segue em direção aos polos para então voltar a submergir. Neste sentido as contribuições da heliosismologia têm muito importantes.possível observar um diagrama traçado com dados obtidos desse instrumento. O Sol não possui uma superfície sólida como a Terra. As combinações específicas podem ser vistas como as bem ajustadas cristas de maior intensidade no diagrama. A imagem (a) ilustra o cisalhamento que a rotação diferencial provoca no campo dos polos (poloidal) e que ocorre nas camadas inferiores da zona convectiva. O diagrama da figura 4 resume o funcionamento do dínamo solar. chegando a 870 Km/h. Apesar destas considerações a teoria do dínamo é a mais promissora e sólida sobre o magnetismo do astro-rei. A segunda questão seria identificar quais forças. A velocidade de rotação do plasma que fica próximo ao equador é de quase 7200 Km/h. a especificidade destas combinações depende da estrutura interna solar. no tempo equivalente a 26 dias terrestres. Graças a estes dados foi possível estabelecer que na parte mais profunda da zona convectiva o plasma flui dos polos em direção ao equador aonde emerge para a região mais externa. Contudo nos polos a velocidade é bem menor. No diagrama a esfera vermelha corresponde a camada radiativa e a esfera azul a superfície do sol. para superfície sofrendo um 7 . o que faria com que completasse uma volta ao redor do Sol. mas como a Terra executa um movimento de rotação ao redor seu próprio eixo. Apenas sons com específicas combinações de comprimento de onda e período ressoam no interior solar.

Na superfície o decaimento das manchas solares faz com que o campo magnético se espalhe (f). Figura 4 – Diagrama ilustrativo da teoria do dínamo solar (fonte: NASA) Desde que se estabeleceu um registro confiável do número de manchas solares. a corrente da zona convectiva (meridional) leva o fluxo magnético para as zonas polares (g). revertido em relação ao inicial (h). O atual ciclo. por volta de 1760. É neste ponto que surgem as manchas solares. O novo campo poloidal passa a sofrer cisalhamento (i) e o ciclo solar recomeça. tem se mostrado inusitado desde o início: começou com um período prolongado de mínimo e tem mostrado sinais de ser um ciclo longo e pouco intenso.entrelaçamento das linhas de campo também causado pela rotação diferencial (c). com poucas manchas solares mesmo quando em seu estado de maior 8 . ou seja. Ao atingir os polos parte do fluxo é levada para as regiões mais internas aonde é transportada em direção ao equador dando origem a um novo campo poloidal. O fluxo magnético continua aumentando e mais linhas de campo emergem (d. O campo polar reverte. passou-se a numerar os ciclos solares. o de número 24.e).

pois o fato é que o Sol é um laboratório in situ cuja dinâmica apenas começamos a compreender. por forças de empuxo magnético. entretanto os ocidentais. Métodos Observacionais 3. em direção à superfície gerando algo como um “buraco” na fotosfera.agitação magnética. diminuindo a emissão radiativa da área onde se formam.1 Manchas Solares Os mais antigos registros de manchas solares estão na China e tem mais de 2000 anos. Figura 5 – À esquerda: Mancha solar na superfície granulada da fotosfera do Sol. 3. 2010]. atingindo seu auge populacional no momento de maior atividade magnética do Sol. não há o que analisar. Sem emissões. Outros indicadores. À direita: a mesma mancha com as áreas de umbra e penumbra em destaque. no entanto. uma vez que sua aparência é escura justamente pelo fato dos intensos campos magnéticos inibirem o processo convectivo. no início do século 17. Resta aos pesquisadores observar com o maior cuidado e precisão possíveis. contudo este buraco é de pouco ajuda no estudo das regiões mais internas da estrela. apontam para um ciclo de grande atividade. Fonte: NASA 9 . As manchas são consequências diretas do complexo ciclo magnético solar. ficaram espantados ao perceber que havia “pontos escuros” no Sol quando apontaram suas lunetas em direção a ele [Hathaway. As manchas surgem quando os campos magnéticos toroidais internos atingem uma intensidade suficientemente grande para serem erguidos.

Duas ou mais manchas podem dividir a mesma penumbra formando um grupo de manchas. mas igualmente comum é o fato de que cada par de manchas possua um par simétrico no hemisfério oposto. 10 . Quando começam a aparecer o esperado é que as manchas estejam de entre 20° e 25° e com o decorrer do ciclo magnético lentamente se direcionem. Se observarmos atentamente o item (f) da figura 4. que é muito mais facilmente percebido. de disposição radial e um pouco mais brilhante. Tanto que ao estabelecer uma relação matemática que indicasse o número de manchas solares (R).1% até 1% foram plotadas em vermelho. Dado este fato e a simetria das manchas é possível plotar um diagrama. podemos perceber que é comum as manchas solares se apresentarem aos pares no mesmo hemisfério solar devido ao loop formado pelas linhas de campo magnético. g é o número de grupos de manchas observados e n é o número de manchas individuais observadas.As manchas normalmente são compostas de duas regiões distintas: a umbra e a penumbra. de manchas com área de 0. Este fato foi percebido por Rudolf Wolf ao tentar determinar o número de manchas solares que há no Sol. O diagrama da figura 6 foi plotado com pontos pretos para indicar manchas com área superficial menor que 0. denominado diagrama de Maunder ou “diagrama de Borboleta” devido a sua semelhança com as asas de uma borboleta. normalmente guiadas pela mancha líder (comumente a primeira mancha a surgir). ao equador se espalhando para então decair. nela k corresponde a uma constante que depende basicamente tipo de equipamento utilizado na observação. o fez levando em consideração o número de grupo observados: (1) A equação (1) mostra como pode-se calcular o número de Wolf. hoje conhecido como número de Wolf. Como a própria denominação indica a umbra é a região mais escura da mancha enquanto a penumbra é uma região filamentosa. enquanto manchas maiores que 1% foram plotadas em amarelo. Não tão evidente.1% da área visível do Sol.

graças a sonda SOHO. mesmo nos momentos de pico do ciclo. durante um ciclo de baixa atividade que aos poucos dava sinais de estar abandonando sua situação de mínimo. em geral na forma de luz e calor. uma mini “era do gelo”. Assim é compreensível que se tente fazer uma correlação entre o clima na Terra e o número de manchas solares observadas. Indica a posição das manchas solares na superfície solar. Um exemplo claro pode ser visto na espetacular fulguração emitida dia no dia sete de junho de 2011. 2010 Como já mencionado uma grande densidade populacional de manchas indica uma intensa atividade magnética do sol. embora detalhes dessa relação ainda estejam em discussão. embora isso não indique a intensidade com que podem ocorrer fulgurações (flares). Para entender o quão drástica foi a queda. Alguns pesquisadores tentam ligar o mínimo de Maunder a um dos invernos mais frios que a Europa sentiu. e embora intensa foi uma exceção no período em que aconteceu. quando os registros das manchas solares ou não eram precisos. um dos casos mais notórios dessa relação se dá com assim chamado “Mínimo de Maunder” quando a atividade solar decaiu drasticamente. basta indicar que em situação normal o número de manchas solares. entretanto uma parte é absorvida pela Terra.Figura 6 – Diagrama de Maunder ou Diagrama de Borboleta. fenômeno que pode ser observado a olho nu em altas latitudes nas formas das auroras boreal e austral. contudo a relação ainda é muito controversa. ou 11 . Principalmente pelo fato do Mínimo de Maunder ter ocorrido de 1645 até 1710. chegam a algumas centenas enquanto durante o período que se deu o mínimo de Maunder o número não chegava a uma dezena. ou ejeções de massa coronal (CME). Fonte: Hathaway. Essas liberações de energia do sol acabam atingindo a Terra depois de alguns dias e a maior parte da radiação é desviada pelo campo magnético terrestre. em momentos máxima atividade do Sol. Uma fulguração como a que ocorreu jamais pode ser apreciada em tantos detalhes como agora. normalmente indica a frequência com que ocorrem.

dando novos rumos a física das partículas. muito embora a contribuição croniana seja muito menor que a joviana. os RC galácticos que são em sua maioria prótons e outros átomos ionizados. segundo por ser o mais facilmente observado. Existem índices diários. ou seja. o entendimento dos raios cósmicos pode viabilizar melhores métodos para as viagens espaciais. muito embora as técnicas e os equipamentos para aprimorar acuidade dos números tenham evoluído bastante. Depois pelo fato de corpúsculos extragalácticos chegarem ao planeta com tanta energia após a enorme distância percorrida (ainda que considerado o efeito relativístico). A contagem das manchas solares ainda é o melhor indicador do estágio magnético do Sol por duas razões principais: primeiro é o indicador estudado por mais tempo e. Emissões advindas de diversos pontos da Via Láctea. um componente anômalo que inicialmente eram átomos neutros até serem acelerados pelo choque de terminação ao penetrarem na helioisfera e elétrons provindos do campo magnético de Júpiter e Saturno. Raios Cósmicos A Terra não está sujeita apenas as intemperes que provem do Sol. mensais e anuais das manchas solares acessíveis a qualquer pessoa e de grande fidelidade. Convencionou-se chamar estas emissões de raios cósmicos.simplesmente não existiam tendo que ser completos por estimativas calculadas um século depois do ocorrido. cuja medida é feita pela visualização da imagem do disco solar. A radiação cósmica é basicamente composta por três tipos de partículas. Os RC são perigosos para seres biológicos e inviabilizariam a vida na Terra não fosse a ação simultânea de três barreiras protetoras: (1) A atmosfera terrestre. mas estes raios tem que 12 . Raios cósmicos (RC) são na verdade partículas eletricamente carregadas com energia cinética superior a 1 MeV. portanto aquele que se tem melhor compreensão. Estas partículas são de grande interesse científico. chegam ao sistema solar e atingem causando a ionização de partículas da atmosfera. Os RC que penetram a atmosfera do planeta são chamados raios cósmicos primários. primeiro pois várias das partículas subatômicas foram criadas graças a raios cósmicos.2. 3. e se especula que até mesmo de fora dela. que estão acessíveis a qualquer pessoa que se interesse pelo assunto.

com 13 . ou mesmo a existência da espécie humana. É a radiação cósmica secundária. Figura 7 – O gráfico azul e o eixo vertical da esquerda indicam o número de manchas solares observadas no Sol. menos perigosas que as originais e que por vezes chegam à superfície. Fonte: www. Graças a isso os raios cósmicos estão diretamente relacionados com a atividade dos cosmonuclídeos 14C e 10 Be aprisionados em blocos de gelo polar é possível reconstruir o comportamento magnético do sol em épocas anteriores a registros.climate4you. (3) O vento solar e as turbulências da heliosfera.atravessar várias camadas de gás cada vez mais denso colidindo no processo e formando novas partículas. a heliosfera está sujeita principalmente a atividade magnética do Sol. Talvez a mais importante barreira protetora é também a mais menosprezada. as mudanças geradas pelo campo magnético nos RC que atingem a Terra não só ocorrem como são suficientemente expressivas para criar uma correlação entre o clima terrestre e a situação magnética solar. Partículas carregadas sofrem a ação de forças ao entrarem em campos magnéticos. (2) A magnetosfera terrestre. enquanto o gráfico vermelho e o eixo vertical da direita indicam a quantidade de raios cósmicos detectados por hora.

É importante que se entenda que a heliosfera (atmosfera do Sol) vai bem além da coroa. é obtido através de dados obtidos no radio telescópio de Ottawa. tem-se bem menos que 1% da massa do Sol. Canadá que são mais tarde repassados a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos que disponibilizam os dados. E quanto mais intenso esse campo. Esta radiação pode ser medida em radio telescópios e vários se referem a ela como fluxo de 10. isto é. Também é possível perceber que tal como as manchas solares os raios cósmicos também passam por um ciclo de onze anos causado pelas oscilações do campo magnético solar. tanto pela sua contagem direta quanto pelos efeitos que causam na atmosfera e ficaram registrados nas alterações que causaram no clima e deste planeta.7 cm uma referencia ao comprimento de onda da radiação medida. mais ele interfere nos raios cósmicos permitindo que apenas um percentual pequeno efetivamente chegue a Terra.3. do cinturão de asteroides. dos gigantes gasosos e planetas como a Terra juntamente com seus satélites e/ou anéis enfim todos os demais elementos componentes do sistema solar. onde uma unidade equivale a algo entre 10 W/m2 e 22 W/m2. 3. 14 . Fluxo Solar Outra variável diretamente ligada a atividade do ciclo solar é o fluxo solar que nada mais é que a medida das ondas de radio de frequência 2. Um índice. ultrapassando mesmo os limites do sistema solar. medido em unidade de fluxo solar (SFU). O gráfico da figura 7 mostra claramente a relação inversa que existe entre os raios cósmicos que chegam a terra e a intensidade da atividade magnética solar indicada pelos números de manchas solares observadas. Na verdade o campo magnético da heliosfera se estende por uma distância maior que 250 UA no plano polar e 500 UA no plano polar.8 Ghz e que provem do Sol. Se o fato parecer espantoso basta entender que o Sol é praticamente todo o sistema solar sendo responsável por 99. Estes argumentos justificam a teoria de que os raios cósmicos também são excelentes indicadores da situação magnética do Sol.9% da massa deste. se somarmos a massa dos planetasanões.

As menores medidas são de aproximadamente 60 unidades de fluxo e já atingiu picos de mais de 300 unidades de fluxo. Entretanto é importante que se tenha em mente que qualquer método preditivo nunca realmente pode ser completamente comprovado apenas pode se estabelecer um vinculo de confiança conforme os dados empíricos o comprovam. Fonte: Nasa A figura 8 mostra um gráfico obtido através do fluxo 10. Neste capitulo abordou-se os metodologia pelos quais se busca coletar dados sobre o ciclo solar. É possível perceber a existência do ciclo de onze anos. 15 . devido ao equipamento do qual faz uso. o fluxo solar se mostrou um método bastante confiável para estimar o comportamento magnético do Sol. demonstrando sua confiabilidade e o tipo de dados que podem vir a fornecer. Apesar de relativamente recente.7 cm. utilizando os dados coletados para extrapolar previsões.Figura 8 – Medidas do fluxo solar de 1947 a 2000. No próximo capitulo abordar-se-á os esforços pelos quais se busca determinar o comportamento magnético do sol para datas futuras.

pois trata de um único ciclo por vez. ignorando várias evidências de que o Sol tem uma memória magnética.4 Métodos Preditivos Primeiro cabe estabelecer o que se pretende prever: Em se tratando de ciclos solares o objetivo seria determinar de antemão a magnitude do máximo solar e se possível o momento em que ele irá ocorrer. ajustando valores obtém-se a equação: 16 . Métodos de Extrapolação. Nesta linha de pensamento o método mais simples a adotar seria uma regressão linear entre o número de manchas detectadas durante o mínimo (Rmin) e o número de manchas detectadas no máximo (Rmax) que se segue a este mínimo. uma margem de erro. ou seja. no qual cada ciclo é observado como uma unidade simples. mas o que estaria ocorrendo três anos antes desse mínimo. que explica como cada etapa do processo ocorre e não só prevê mas justifica cada evento ocorrido.1 Método dos Precursores O método dos precursores tende a ser o mais simples. ainda que teórico. Trata-se então todos os 23 ciclos do sol (não contando o atual e usando os ciclos registrados de maneira confiável) como uma sucessão e eventos isolados. que se distinguem entre si por alguma flutuação estatística. E por fim o método de modelo. em outras palavras. três tipos de métodos preditivos se destacam: O método de precursores. 4. que se fundamenta em entender o funcionamento do Sol. para criar um modelo. mas semelhante aos ciclos que o antecederam. mas também é o mais reducionista. o comportamento do ciclo atual é de fato afetado pelo que ocorreu em ciclos anteriores. Utilizando este método o melhor ajuste determina a equação: (2) Contudo alguns pesquisadores afirmam que o melhor método para calcular o máximo não seria observar o mínimo. Nessa linha. quando se considera que o atual ciclo é o resultado evolutivo de todos os ciclos que o antecederam.

Embora a correlação obtida por Taltov seja extraordinariamente boa. A intensidade magnética dos polos atinge seu máximo no período de mínimo das manchas solares. Tal como uma pessoa pode interferir na corrente de ar que uma pessoa recebe ao prostrar-se diante dela. Na tentativa de correlacionar vários desses fatores Tlatov (apud Petrovay. Contudo é importante salientar que o ajuste de dados neste caso esta longe do perfeito já que o sol afeta o campo magnético terrestre de duas maneiras: pela ejeção de massa coronal e pela variação na intensidade do vento solar causada quando a órbita da Terra cruza com a de outros planetas. técnica conhecida como método de precursores do campo polar. a maneira pela qual ele obteve a equação não ficou completamente clara. dando indicativos claros para elaborar uma relação matemática entre sua intensidade e o estágio do ciclo solar. na verdade esta técnica já tem inúmeras variações que utilizam a intensidade do campo magnético não só dos polos. Por exemplo. que como já mencionado anteriormente é profundamente afetada pelas intemperes magnéticas do sol. 17 . um outro precursor adotado é o campo magnético dos polos.(3) A consideração de vários elementos indicativos pode tornar a equação mais adequada aos dados e fornecer um melhor ajuste preditivo. mas também em outras regiões do sol e até mesmo outras estruturas solares para determinar a intensidade do máximo que está por ocorrer. Entre eles se pode citar as oscilações na magnetosfera da Terra. 2010) chega a equação: ( ) (4) Nesta equação é a época em que os polos revertem no ciclo n. Existem ainda outros precursores para serem utilizados. Enquanto a primeira influência é perfeita para obtenção de relação matemática a segunda é um complexo fator a se levar em consideração nos cálculos. entretanto os critérios adotados para significância de cada elemento na composição da fórmula podem tornar o método obscuro e difícil compreensão.

mas todos compartilham a incerteza de seus predecessores. Métodos não-lineares em compensação não tentam simplificar a questão dos ciclos solares mas o trabalho envolvido em sua determinação é hercúleo. no qual se busca por tentativa e erro. o que acarreta quase que necessariamente na elaboração de uma série temporal como solução do problema. este leva em consideração todo o conjunto de ciclos para estabelecer o comportamento de ciclos futuros. O resultado é uma série de picos. mas tal como o método dos mínimos quadrados esta abordagem também já deu indícios de não ser um confiável. na qual se assume que o ciclo solar pode ser interpretado como uma função periódica de longo prazo com um ou mais períodos distintos. Seria necessário identificar as dimensões incorporadas no problema.2 Métodos de Extrapolação Ao contrário do método de precursores. Provavelmente o primeiro método que vem a cabeça de quando se sugere um modelo preditivo seria a decomposição em uma série de Fourier. A técnica já se mostrou falha ao tentar predizer o máximo do ciclo 15 estimando aproximadamente 60 manchas quando na verdade puderam ser observadas 105 manchas. ajustar a série de ciclos solares a uma curva senoidal. Pode-se ainda citar os métodos da máxima entropia e de analise de espectro singular. aplicar o método dos mínimos quadrados. por exemplo. a outra maneira seria aceitar que existem elementos caóticos no comportamento cíclico do sol e então analisa-lo sobre a óptica de métodos não lineares. com significado físico duvidoso. aplicar séries harmônicas quando não se conhece o mecanismo de funcionamento do sistema estudado. o método de precursores apresenta dificuldades inerentes a qualquer metodologia reducionista: 4. e então subtrair o resultado dos dados até que o resíduo e o ruído branco sejam indistinguíveis.Em suma embora prático. Existem várias maneiras de executar uma análise espectral pode-se. para então determinar o atrator do sistema e finalmente equacionar o problema utilizando 18 . A extrapolação pode ser feita segundo duas linhas principais: uma análise espectral. indicando um pico de 60 para o ciclo 21 quando o valor observado foi praticamente o dobro disso. Em suma. é uma tarefa árdua e de resultado duvidoso.

Consiste fundamentalmente através de identificar o funcionamento do mecanismo solar para então prever seu funcionamento. Uma variante do modelo do dínamo. 19 . mas como é relativamente nova ainda justifica estudos e pesquisas. mas esta tarefa está longe de ser considerada trivial. Gizzatullina et al. Na verdade esta técnica já se mostrou falha no passada. (Kurths e Ruzmaikin. e uma dimensão incorporada de 3 a 4. mas mesmo ele apresenta incongruências a serem resolvidas. e os novos instrumentos de medida tem fornecido dados valiosos para estruturar um modelo que realmente corresponda a cadeia de eventos físicos que ocorre no Sol. Os contras deste método são claros: não há consenso sobre como o mecanismo solar funciona. trata o Sol como um oscilador não-linear. 2010) e os dados até este ponto não são suficientes para atestar sua eficácia. com um atrator de dimensão de 3 a 4. 4. apud Petrovay. ou se concentram em um elemento específico vem sendo continuamente elaborados e se mostram cada vez mais promissores uma vez que a heliosismologia. portanto mais complexo. Os primeiros estudos indicam uma série temporal de intervalos de 2 a 5 anos.ajustes paramétricos ou não-paramétricos. nas quais se usa um processo de interconecções programadas que formam uma rede que imita os neurônios biológicos para obter dados. Método dos Modelos Talvez o método mais completo e. O processo de treinamento consiste em indicar a rede as escolhas erradas e força-la a encontrar um algoritmo que se ajuste bem aos dados que já se tem para então usar esse algoritmo como elemento de previsão. O modelo mais aceito é o do dínamo. Apesar de sua simplicidade é um tem mostrado conveniente correspondência com a realidade. Modelos que levam em consideração todo o funcionamento do sol. Ainda no método da extrapolação vale citar uma abordagem nova e promissora que faz uso de inteligência artificial para estabelecer predições fundamentando seus cálculos em redes neurais.3. Um campo fértil para pesquisadores investirem.

bem como predizer sua evolução. Conclusão Um pesquisador que decidir investir na física solar encontrará um campo fértil. desde que de maneira criteriosa. O estudo aprofundado do mecanismo do dínamo solar pode ainda estabelecer novas alternativas energéticas. que não podemos desmontar e está a aproximadamente 144 milhões de quilômetros de distância.5. Dedicando suas vidas para conhecerem a fundo a estrela que os criou e os saúda todos os dias de manhã. efeitos e consequências de um motor intrincado e complexo. como um novo motor espacial por exemplo. 20 . Estudar o Sol também é entender melhor a história deste planeta e da civilização humana e de como ela reagiu aos desafios climáticos que enfrentou. eletrônicos e computacionais que são extremamente suscetíveis as variações que o Sol pode causar na Terra. mas com uma larga base sobre a qual se apoiar para elaborar seus estudos. para obter informações sobre ele. dá ao cientista a capacidade de se preparar para tais eventos lidando com a situação da maneira mais correta possível. geração por geração. fornecer energia para cidades e países. A predição tira o cientista do papel de mero observador passivo. Para tanto. vale o esforço de pesquisa. cujas aplicações vão desde as mais pragmáticas. E ainda que se ignorasse todas estas conclusões. Na evolução do planeta os efeitos dos ciclos solares podem ter variado de belas exibições de luzes em altas latitudes (as auroras boreal e austral) até mini idades do gelo na Europa medieval. é necessário entender as causas. até as mais utópicas. Basta lembrar que a sociedade e os indivíduos que a compõem são irremediavelmente dependentes de sistemas elétricos. um indício significativo da importância do ciclo solar está os esforços empregados por renomados cientistas. contudo. São particularmente interessantes os esforços empregados para predizer o comportamento do Sol e todo nova metodologia que puder ser agregada. com muitas perguntas e nem tantas respostas. Ainda que não possa influenciar nos eventos que ocorrem no Sol e afetam a Terra.

Postdan.H.6. Estudo de um modelo α-ω-β para o dínamo solar. 1. PENN. D. n. Brazilian Journal of Geophysics. NORDEMANN.. v. 2008 REZENDE. 70. HATAWAY. 83p. v. Postdan. n.. Referências Bibliográficas ALBREGTSEN. Solar cycle variations and cosmic rays. 6. p. POTGIETER. 18.. Acesso em 05 de junho de 2011. The Solar Cycle.B. Alemanha. v. 2006. S. Solar Cycle Variation of sunspot Intensity. MALTBY. p-269-283. São José dos Campos: INPE. F. SP. European Site and US Site.nascom. J. Porto Alegre.. 6. Dissertação para o mestrado em matemática aplicada. M. 7.C. P. M. CECATTO. ¿Son las manchas solares diferentes durante este mínimo solar ?. L. Alemanha. LIVINGSTON. 1981. 2000 21 . Estudo comparativo dos parâmetros ionosféricos obtidos por sondadores digitais na estações de São Luís (MA) e Cachoeira Paulista (SP).1 – 31. 2010. O Sol.R. Living Review in solar physics.R.. p. 2009 PETROVAY. 1.R. n. n. F. 207 – 218. K. São José dos Campos. 71.. Disponível em: < http://sohowww. p 257-264.. Journal of Atmospheric and Solar-Terrestrial Physics. Solar Physics. EOS. M.J. Solar Cycle Prediction. INPE. C. Registros da atividade solar nos anéis de crescimento de árvores em São Francisco de Paula – RS (Brasil).. n.. v. Instituto de matemática – UFRS.gov/>. 2006. 2010. N. 90. D. W. n. RIGOZO. AZEVEDO. NARDIN.nasa. Living Review in solar physics. 30. SOHO: Solar and Heliospheric Observatory.

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