UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho”

Campus de Ilha Solteira
Departamento de Engenharia Mecânica

A IMPORTÂNCIA DO CONTROLE DE CUSTOS PARA A GESTÃO DO CONTROLE DE QUALIDADE

Disciplina :Administração Docente: Prof. Ércio Proença Discentes:
Ana Adalgiza G. Maia Antony Satoshi Hidehara José Carlos Bento Jr.

RA:
200613031 200224060 200424794

Ilha Solteira, 12 de Novembro de 2010.

Referências Bibliográficas_______________________________________________________14 .Itens do Custo de qualidade_______________________________________________________7 5.Introdução____________________________________________________________________3 2.Implantação de um Programa de Custos de Qualidade _________________________________4 4.Sumário 1.Classificação dos Custos de Qualidade______________________________________________4 3.

Uma das principais vantagens do controle de qualidade total é que ele reduz os custos proveniente de falhas internas e externas. O estudo dos custos da qualidade é de relevante importância na competitividade empresarial. ou até de lucro nas vendas. diminuição de set-up e lead-up. Um dos principais responsáveis surge quando houve a modificação das relações consumidor. modificaram drasticamente a questão de custos nas empresas.1. um maior controle dos custos de qualidade é essencial para a sobrevivência das empresas no mercado. também os custos das falhas internas e externas. o programa de qualidade não funciona. Em algumas empresas. Este aperfeiçoamento aumenta o lucro para empresa.produtor através da criação de regularizações em favor dos consumidores. Tendo então a palavra qualidade inserida em bens e serviços prestados. Ou seja. E. aumento da fatia do mercado. a partir do controle de qualidade. com o decorrer do tempo. Um valor deixado para trás era que o estabelecimento de um padrão de qualidade maior exigiria um aumento de custos. ou seja. ele passou a englobar além dos custos necessário para se obter a qualidade esperada. Isto foi deixado para trás principalmente com o surgimento de o mercado se tornou cada vez mais exigente. se torna um desperdício de esforços e dinheiro. planejamento de recursos da manufatura. o que não ocorre mais. pois atualmente é reconhecido como até um sistema de gestão empresarial da qualidade total. A consequência final é a redução substancial no custo da qualidade e aumento no nível da qualidade.Introdução Com a evolução dos sistemas produtivos ocorridos a partir da era Fordista-Taylorista onde foram implantadas novas tecnologias com o objetivo de obter uma maior satisfação dos clientes. E. e com isto abordagens como a qualidade total do produto foram as principais responsáveis pelo surgimento destas práticas produtivas. tornando o sistema da qualidade uma das oportunidades mais atrativas disponíveis com referência ao retorno sobre o investimento. pois não causa percepção aos clientes. podemos entender por custos de qualidade: “as despesas incorridas pela empresa. Algumas técnicas como Just-in-time. produção otimizada. para o atendimento e a manutenção do nível satisfatório e econômico da qualidade e confiabilidade do produto ”(Rontondaro. como também os custos de prevenção são menores que os de avaliação.1996) Antigamente o conceito de custo de qualidade simplesmente era relacionado com o total de custos que podem ser evitados na qualidade. porque no mercado atual onde os preços são ditados pela concorrência existente para se obter então o . porque se acreditava que isto não poderia ser mensurável. entre outros. Outro problema encontrado em mensurar os custos da qualidade foi diretamente a falta de métodos de cálculo.

da falta de clareza quanto à definição dos objetivos a serem alcançados com o sistema de custos e à sua adequação à política da empresa ou até meso ocorrer dos obstáculos internos que surgem no momento da implantação do sistema de custo na organização. até a compreensão das características dos diversos métodos disponíveis. A relação entre o crescimento econômico e custo da qualidade mostra que estes devem se tornar devem se tornar os dois elementos principais para o planejamento estratégico da empresa e também de suas decisões gerenciais para a empresa se tornar competitiva e obter poder econômico no mercado. baseada no uso dos recursos (materiais. Dificuldades Conceituais Com relação às questões conceituais.Implantação de um programa de custo da qualidade A implantação de um programa de custo da qualidade encontra dificuldades em sua implementação derivadas de questões de abrangência conceitual. 3.Classificação dos Custos de Qualidades Os custos de qualidade são classificados em: − Custo de prevenção. devemos analisar cada uma delas com a objetividade de implementar um programa de custo da qualidade. verificamos a divisão deste conceito em duas. que é o conceito real de custo. equipamentos e tecnologia) e na . − Custo de falhas externas.aumento do lucro é necessário um aumento da eficiência dos processos internos. Compreendendo as questões envolvidas na implantação que são as dificuldades conceituais (a). Temos que o custo de falhas internas somadas ás falhas externas somente diminuem quando as atividades de prevenção e de avaliação aumentam. porque quando aumentamos estas últimas as falhas internas e externas diminuem devido a uma política diferente adotada pela empresa. dificuldades na definição de objetivos (b) e dificuldades na implantação (c). 2. mão-de-obra. relacionadas desde o envolvimento do conceito de custo e uma visão gerencial acerca deste. − Custo de falhas internas. − Custo de avaliação.

O primeiro aspecto a ser considerado. promovendo uma postura participativa e um entendimento sobre a importância da gestão de custos para a empresa. constituídos pelas áreas funcionais e instrumentos de controle da empresa. e finalmente o reconhecimento de que um sistema de custos ultrapassa o conceito teórico e prático. p. A atuação desses subsistemas implicará um planejamento. evidenciando que a ocorrência de custo não deverá ser encarada negativamente pela empresa. Fase II – Processamento dos dados . evidenciamos as fases da contabilidade de custos em uma empresa. se dá em forma de subsistemas de apoio. (Leone – 1989. consiste na interpretação diferenciada entre dados e informações de custos. torna-se necessário que a empresa compreenda que os custos têm sua origem no uso dos recursos colocados à disposição da produção planejada. possibilitando uma nova leitura sobre os custos. desta forma obtendo informações capazes de apoiar a tomada de decisões estratégicas da empresa. Fase I – Coleta de dados O trabalho de coleta e seleção de dados internos e externos. Figura 1. 212). treinamento. mas sim que esses custos estão presentes sempre que haja atividade econômica e produção. Desta forma é relevante a visão de custos sob a ótica de um sistema de informações gerenciais estratégico. manutenção e impostos). A próxima etapa é promover a integração entre as diversas áreas operacionais dentro da empresa. quantitativos e monetários. As fases da contabilidade de custos.exigência que estes recursos demandam pela sua remuneração (salários. Na figura 1. e o conceito utilizado para os custos sob a visão apenas monetária que eles representam. organização e integração entre os setores. A partir dos distintos conceitos.

sistemas voltados a decisões de forma a permitir a realização de analise de custos fixos. obtendo o custo total mínimo. Os métodos de custeio atualmente são apresentados sob duas correntes. Dificuldade na definição de objetivos A definição dos objetivos constitui para a empresa um importante fator de integração das pessoas e de unificação do seu entendimento em relação a consumir recursos. organização. modelados especialmente para a empresa. pois representam os resultados de um trabalho de processamento num modelo de sistema elaborado para atender às necessidades gerenciais específicas da empresa. um controle rígido do custo e das despesas gerais e a minimização do custo em áreas como pesquisa e desenvolvimento. deve estar ciente de uma perseguição vigorosa de redução de custo pela experiência. da confrontação. transformando-os em informações compatíveis definidas na arquitetura dos sistemas de custos. para que o sistema de custo produza relatórios gerenciais confiáveis. analise e interpretação dos dados. Estes sistemas baseiam-se em princípios contábeis. Embora a empresa não possa ignorar os aspectos . será executada a operação de acumulação. como o just-in-time. mão-de-obra empregada e custos indiretos de fabricação. eficientes e uteis para todas as distintas áreas funcionais da empresa. da competência. atingir objetivos e metas. Os sistemas de custeio tradicionais focam os custos em três elementos: materiais utilizados na produção. lucro e margem de contribuição. Por outro lado. assistência e publicidade. se a organização enfatizar uma estratégia de diferenciação. A gestão estratégica de custos baseia-se na implantação de tecnologias avançadas de gestão. Caso a organização opte por uma estratégia de liderança em custo. e sistemas para controle. gerenciamento da qualidade total e planejamento dos recursos de manufatura. critérios e métodos de custeio. sistemas de custeio tradicionais e gestão estratégica de custos.Nesta fase. estará buscando a geração de algo que possa ser visto no mercado como único. do custo histórico como base de valor. como os princípios da realização. O objetivo é sintetizar sistemas de apuração de custos. resultado de contatos iniciais das distintas áreas. e da longevidade da empresa no mercado. Fase III – Informação Os dados gerados pelo sistema de custos representam em importantes elementos do sistema de informação gerencial. da consistência e da relevância. Esta corrente tem como finalidade auxiliar a empresa a atingir seus objetivos com o menor consumo de recursos. A materialização do programa necessitará de uma cuidadosa seleção e combinação dos princípios.

deverão estar dotados de maior flexibilidade. estes deixam de representar o alvo estratégico principal. Para a implementação é necessário o apoio total da alta direção da empresa. Os aspectos comportamentais geralmente representam barreiras à entrada do sistema de custos na empresa. A trajetória estratégica escolhida pela organização terá influência decisiva na seleção do método de custeio a ser implantado. de forma a absorver as novas condutas requeridas. como abordagem técnica específica. neste caso.relativos a custos. Outro fator relacionado é a falta de uma introdução a esses novos conceitos. característica imprescindível para sua adequação a um ambiente cuja tônica deverá ser a inovação. sensibilização das relações humanas e adequação da tecnologia de processamento de dados empregada pela empresa. Dificuldades na Implantação A implantação de um sistema de gestão requer cuidados básicos. . Consciente dessas situações é fundamental que a direção da empresa como a equipe responsável pela implantação do sistema de gestão de custos assumam uma postura pró-ativa até que a organização absorva convenientemente a nova tecnologia de gestão. os sistemas de gestão em geral e particularmente os de custos. devido à falta de divulgação apropriada dos objetivos gerais de sua implantação. conscientização de que este não gera informações por si só e de que ser constantemente revistos e atualizado. analise dos custos e benefícios das informações geradas pelo sistema.

São considerados custos de prevenção: .Análise de novos produtos. . . de forma a evitar gastos provenientes de erros no sistema produtivo.2-Controle de custos de qualidade.4.Planejamento da qualidade.Controle do projeto. na empresa ou mesmo no mercado consumidor. Tais custos tem como objetivo controlar a qualidade dos produtos. . . Já os custos da falha de controle são devidos a falhas que podem ser detectadas na linha de produção.Itens dos custos da qualidade Pode-se classificar as diferentes definições dos custos da qualidade como: Fig.Planejamento e administração dos sistemas de qualidade.Treinamento e educação. Os custos de controle são determinantes para a qualidade do produto.Controle de processo. Assim temos a classificação dos custos da qualidade segundo o modelo de Feigenbaum: Custos de Prevenção: são todos os custos incorridos para evitar que falhas aconteçam. . . .Análise e aquisição de dados.Relatórios sobre a qualidade. .

.Perda de rendimento. . . .Demonstração de qualidade.Esperas. .Material consumido nos testes. .Inspeção de Matéria-prima. .Disposição de produtos.Outros.Refugo(sucata). . antes da entrega: .Paradas. laboratórios.Retrabalho. .Retestes.Operações de laboratório. .Análise de falhas. .Inspeção e testes finais. .Manutenção e setup. .Desvalorização. relatórios de qualidade. Custos de Avaliação: relacionados à avaliação da qualidade e auditoria do produto e serviços conforme especificações: . .Custos administrativos da qualidade.Custos de controle de compras. .Aprovações de órgãos externos como governo. .Testes de produção.Avaliação de estoques..Custos de preparação para inspeção e teste.Visitas técnicas a clientes. . . seguro.Manutenção do sistema de qualidade . . .Envio dos produtos testados para a produção. . . . . Falhas internas: são todos aqueles incorridos devido a algum erro do processo produtivo.Testes de equipamento.

portanto. . Através do . Desta maneira. Assim. Falhas externas: decorrentes de falhas no produto ou serviço quando estes se encontram no mercado e/ou são adquiridos pelo consumidor final. devem ser eliminados. estreitando a relação entre os mesmos.Multas por parada da linha de produção do cliente. classifica custos de inspeção como custos não desejáveis e que. Um sistema de custos da qualidade é uma ferramenta gerencial e portanto. deve ser projetado para fornecer informações que auxiliarão a gerência no planejamento e controle da qualidade. Outra definição de custos de qualidade presente na literatura é a utilização da análise de valor na classificação de custos da qualidade.Material devolvido. . do contrário não são justificados. . Assim. Ostrenga classifica os custos de prevenção como custos que agregam valor.Outros custos internos.Atendimento a reclamações. custos da qualidade são redefinidos como custos das atividades que não agregam valor e devem ser eliminados.Outros custos externos. e todos os demais custos da qualidade (inspeção. .Garantia. falhas internas e falhas externas) como custos que não agregam valor. Além disso. Neste contexto. que podem comprometer a imagem da empresa: . direciona a empresa às necessidades do cliente. a utilização de medidas eficazes para a qualidade torna-se necessário para garantir o sucesso de programas de melhoria.Concessões dadas aos clientes. . todos os gastos devem ter como objetivo atender as expectativas dos clientes em todas as áreas da organização. pois aponta as áreas que necessitam maior atenção e que possibilitam maior retorno para a organização.Custos de responsabilidade civil.Serviço de atendimento ao cliente. . Ao se fazer o trabalho correto logo na primeira vez. . custos da qualidade é uma excelente ferramenta de suporte para a qualidade.Falhas do fornecedor. sob esta ótica.. Importância da Utilização de Custos da Qualidade em Programas de Melhoria Os investimentos em qualidade e programas de melhoria devem trazer retorno financeiro para a empresa. descontos. Por esse motivo. dispensa-se as necessidades de inspeção com serviços e produtos finais. .

o que leva a maiores custos devido a falta de controle. A figura 3 mostra que quanto mais cedo a empresa detecta e previne erros. a realidade mostra que empresas gastam muito pouco com a prevenção da qualidade. Os custos da falta de controle crescem no tempo. menor é o seu custo com os mesmos. pode-se ganhar 4 dólares na diminuição de falhas internas e externas. investimentos no controle da qualidade devem prevenir falhas internas e externas. Em média.3-Crescimento de custos conforme a linha de produção. Assim. Heldt afirma que para cada dólar gasto na prevenção e avaliação da qualidade. Fig. se erros e defeitos não são detectados. a distribuição dos custos da qualidade na indústria moderna se apresenta conforme mostra a figura 4. .gerenciamento dos processos críticos. Porém. pode-se transformar as perdas da falta de controle em lucros para a organização.

deveria preocupar a direção. Usando medidas mais precisas para a qualidade.Fig. em média. Além disso. enquanto que custos de controle variam de 20 a 25% − 20 a 30% das vendas anuais de uma empresa são dissipados nos custos da qualidade ruins. estudos realizados chamam atenção para a necessidade de avaliar-se a qualidade nas organizações sob a ótica de custos.4-Distribuição média dos custos de qualidade na indústria moderna. Os custos de falha de controle representam 65 a 70% do total dos custos da qualidade. O custo da má qualidade das áreas administrativas varia entre 20 a 30% dos gastos totais destes departamentos. caso tenham outra alternativa. falhas internas e externas − Os ganhos com a eliminação das falhas podem ser multiplicados por quatro. − 2. Qualquer valor de custos da qualidade que exceda 6% das vendas (sem levar em conta os custos da má qualidade das áreas administrativas). A média é que. correspondem a 20% das vendas. sem a necessidade de aumentar as vendas − 1. três clientes nunca voltarão a comprar da empresa. Corradi Heldt Harrington . Crosby Feigenbaum − Estima que os desperdícios nas empresas industriais. enquanto nas prestadoras de serviços chegam a alcançar 40% dos gastos operacionais − 1. − 2. ou seja. de cada 10 reclamações solucionadas. − 3. Um programa de qualidade pode eliminar totalmente estas perdas. chegou a conclusão de que as empresas tem perdas de produtividade que variam de 15 a 40%. A tabela 1 resume os ganhos e perdas dos custos da não qualidade sob a ótica dos principais autores: Tabela 1-Ganhos e Perdas dos Custos de não qualidade.

Programas de custos da qualidade são importantes. Os principais autores da qualidade. . custos da qualidade é uma ferramenta que deverá assegurar esta correlação. o aumento da qualidade dos processos industriais e de serviço no sentido de atender às necessidades dos consumidores deverá trazer como consequência o desenvolvimento econômico da organização.Essas informações apontam grandes oportunidades de melhorias para as empresas. colocam que existe uma correlação direta entre qualidade e lucratividade. possibilitando-as aumentar sua lucratividade sem a necessidade de aumentar as vendas. Além disso. como Deming e Crosby. pois suportam a análise de lucratividade das empresas. Assim.

" MIT Sloan Management Review 39.2006. -Administração da Produção.1990. -Feigenbaum.Referências Bibliográficas -Martins.2009. 4 (1998) .-Sistemas de Gestão de custos: Dificuldades na Implantação. -Garvin. P. David A. 2ª Edição. no.G.5. "The Processes of Organization and Management.-Total Quality Control. Editora Saraiva -Pompermayer.B.C.