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Projeto Ser Humano

Mediunidade
Relacionamento com Espíritos
Isto pode parecer algo essencialmente
religioso: a religião Espírita.
Mas, não é somente isso como vamos ver.
É o caminho pra espiritualidade do ser
humano.

Sobre o Espiritismo

Tema 07 - Sobre a comunicação dos
Espíritos

Introdução
“O trabalho com nossa sensibilidade é algo
que coloca em questão nosso conceito de
humanidade e o de porquê somos
humanos.”

Somos joguetes, irresistivelmente, dos
Espíritos?
Somos conduzidos por nossas
próprias ilusões?
A criança pensa como criança.
Quando adultos, pensamos como
adultos e nos divertimos com as idéias de
quando éramos crianças.
A imagem ideal sobre como nos
conduzimos na vida motivados pelos
conteúdos do pensamento, é a imagem da
Pipa solta ao lufar do vento. Ela pega a
direção da brisa mais suave, e do vento mais
forte. Segue sempre o pulsar da vida como
algo impulsivo, fascinante, realizador ou
destruidor da própria integridade.
Somos pensamento puro mesmo
quando estamos ao sabor dos impulsos de
vida. Os instintos enriquecem nossos
pensamentos com os lufares poderosos da
vida orgânica, e por isso, é muito comum
que os escolhamos em muitas situações e

que nos ocupemos em satisfazer nossas
paixões. Nos deixamos levar ao sabor das
atividades físicas. Muito mais rápidas e
avassaladoras.
Com o despertar progressivo do
entendimento, da capacidade de produção
pessoal da razão e da afetividade, e de
interferir nos acontecimentos que se nos
disponibilizam, conduzindo seus resultados à
construção de nossos interesses espirituais,
na Natureza e nas relações em sociedade
vamos trocando as condutas impulsivas por
condutas refletidas por nossos interesses
ideais. Saímos e nos afastamos da
extremidade de origem, do casamento íntimo
com as impressões orgânicas, e nos
aproximamos dos comportamentos
meditados e intencionados, com as
características humanas que vão nos
constituindo. Distinguindo-nos.
Esse trabalho é feito de comum
acordo com pessoas – encarnadas e
desencarnadas – que convivem conosco e
que, por isso mesmo, trocam conosco
impressões, memórias, ilusões e projetos de

vida, que progressivamente se tornam
comuns a todos nós, para a construção de
um futuro negociado com recursos que a
Natureza se nos oferece e com as
co mpe tê nci as d e ntro d o Pro je to d e
Humanização que vamos conquistando.
Os Espíritos não comandam nossa
vida. Distribuímos potenciais de comandos
conforme nossos interesses e hábitos. Mas,
na medida em que escolhas vão sendo
referidas, a razão se torna ferramenta
necessária, e o pensar próprio passa a ser
valorizado e a ser desenvolvido.
Então, é hora de observar, avaliar,
julgar e decidir conveniências.
Passamos a habitar como cidadãos o
mundo do pensamento puro ou o dos
Espíritos.
Quando livres do corpo continuamos
nossos diálogos com os demais em
condições e situações próximas.
Continuamos a vida que se torna muito
influente em nossos afazeres.

Como encarnados, usamos a
sensibilidade para equilibrar as repercussões
do que pensamos em comum e para
construirmos algo como comportamento.
Desenvolvemos a sensibilidade
(sentido) da razão, ou da razão do Espirito.

Projeto Ser Humano
Os seres que se manifestam designam-se a
si mesmos, como dissemos, pelo nome de
Espíritos ou de Gênios, e dizem ter
pertencido, alguns pelo menos, a homens
que viveram na terra. Constituem eles o
mundo espiritual, como nós constituímos,
durante a nossa vida, o mundo corporal.

Sobre a comunicação dos Espíritos
Formação Espírita de médiuns
Textos da Filosofia Espírita interessantes ao
estudo da mediunidade

Resumo da Doutrina dos Espíritos
in O Livro dos Espíritos, na Introdução, de
Allan Kardec

- Os Espíritos exercem sobre o
mundo moral e mesmo sobre o mundo físico ,
u m a ação incessante. Eles agem sobre a
matéria e sobre o pensamento, e constituem
uma das forças da natureza , causa eficiente
de uma multidão de fenômenos até agora
inexplicados ou mal explicados, e que não
encontram uma solução racional.
- As relações dos Espíritos com os
homens são constantes. Os bons Espíritos
n o s convidam ao bem, nos sustentam nas
provas da vida e nos ajudam a suportá-las
com coragem e resignação; os maus nos
convidam ao mal; é para eles um prazer vernos sucumbir e nos assemelharmos ao seu
estado.
- O s E s p í r i t o s se manifestam
espontaneamente ou pela evocação .
Podemos evocar todos os Espíritos: os que
animaram homens obscuros ou os dos
personagens mais ilustres, qualquer que
seja a época em que tenham vivido; os de
n o s s o s parentes, de nossos amigos ou
inimigos, e deles obter, por comunicações
escritas ou verbais, conselhos, informações

sobre a situação em que se acham no
espaço, seus pensamentos a nosso respeito,
assim como as revelações que lhes seja
permitido fazer-nos.

In O Evangelho, Segundo o
Espiritismo, de Allan Kardec, Cap. XXI,
“Haverá falsos cristos e falsos profetas”:
item 5. (Prodígios dos falsos profetas)
“Levantar-se-ão falsos Cristos e falsos
profetas que farão grandes prodígios e
coisas de espantar para seduzir os próprios
escolhidos. ” E s s a s p a l a v r a s d ã o o
verdadeiro sentido do termo prodígio. Na
acepção teológica, os prodígios e os
milagres são fenômenos excepcionais, fora
das leis da Natureza. As leis da Natureza
sendo obra unicamente de Deus, pode sem
dúvida derrogá-las se isso lhe apraz, mas o
simples bom senso diz que não pode ter
d a d o a seres inferiores e perversos um
poder igual ao seu, e ainda menos o direito
d e desfazer o que ele fez. Jesus não pode

ter consagrado um tal princípio. Se,
pois,segundo o sentido que se dá a essas
palavras, o Espírito do mal tem o poder de
fazer tais prodígios, que os próprios eleitos
sejam por ele enganados, disso resultaria
que, podendo fazer o que Deus faz, os
prodígios e os milagres não são privilégios
exclusivos dos enviados de Deus , e não
provam nada, uma vez que nada distingue
os milagres dos santos dos milagres dos
demônios. É preciso, pois, procurar um
sentido mais racional para essas palavras.

Comentário Livre
Comentário sobre a comunicação dos
Espíritos
Para o projeto que realizamos, que se
resume no incentivo ao despertamento do
potencial de humanidade que guardamos em
nossa intimidade essencial e da atividade
perceptual, a partir do sentido da razão, aqui

são interessantes duas afirmativas Espíritas:
primeira, h á c o m u n i c a ç õ e s o c u l t a s ,
encobertas, imperceptíveis por sentidos
físicos, mas, detectadas pela razão, e pela
análise de suas influências nos
acontecimentos de nossa vida; segunda, há
as comunicações ostensivas, pela palavra
falada, escrita, pelos ruídos, através da visão
e do tato; através de pessoas que
denominamos médiuns ostensivos.
No segundo caso, chamamos essas
pessoas que recebem influências ostensivas
dos Espíritos, médiuns; as demais, que
apenas são sensíveis à manifestações
ocultas, intuitivas, de apenas sensitivos.
Contudo, Allan Kardec orienta que a rigor,
todos somos médiuns. Estamos todos em
contato e sendo influenciados em nossos
sentidos e em nossos entendimentos por
idéias estranhas aos nossos hábitos e
modos de pensar e alheias. As decorrências
disso vamos ver adiante em nossos estudos.
Consequência racional e dentro da
ma io r l ó gi c a fi l o só f ic a d e sta s d u as
afirmativas é que todos somos sensíveis ao

pensamento dos Espíritos, encarnados e
desencarnados: também somos Espíritos e
também somos pensamentos pensantes, o
tempo todo. A forma e a qualidade
instrucional como essa relação mental se
manifesta é que sofre características
individuais de desempenho. Mas, como fato
da Natureza, somos Espíritos em qualquer
co n d i çã o d e v i d a , e st a m o s l i g a d o s
mentalmente e trocando ideias, e
enriquecendo nosso pensamento com
nossas e com idéias alheias. Todas essas
idéias buscamos de forma consciente ante
os desafios do entendimento em diversas
situações de aprendizado de vida, ou as
buscamos involuntariamente mas
espontaneamente quando de algo nos
ocupamos. Quando com algo nos havemos
e sobre isso tomamos decisão, desfiamos
escolhas.
Nas coisas mais simples e
aparentemente sem importância, sem
repercussão notável na vida... nas coisas
mais impressionantes quando buscamos
idéias novas, criativas, quando sabemos que
estamos sendo instigados a nos superar

como pessoas comuns... buscamos idéias,
buscamos referências, buscamos modelos,
nos apegamos à esperança de realização a
partir de algum pensamento solucionador. É
quando nos agregamos, entramos em
comunidade de consumo e do pensamento
filosófico.
Com isso, podemos afirmar,
prosseguindo nos raciocínios, que todos os
Espíritos em quaisquer condições, errantes
ou encarnados, nos comunicamos
ocultamente, nos domínios do pensamento
ou ostensivamente ao usarmos energias
mais densas que induzem sensações físicas.
Em qualquer etapa da vida, em idade física
como na infância, na adolescência, na
maturidade e na velhice, esse contato é
direto e íntimo sempre, porque se dá em
pe n same n to , at ra vés de i n fl u ên ci as
oportunizadas por hábitos, ocupações,
intencionalidades, sempre livremente.
Como Espíritos que jamais deixamos
de ser, nossa curta permanência
aprisionados ao corpo não significa o
abandono das sensibilidades espirituais, da

mobilidade espiritual, e de certa liberdade
quando os laços com o corpo se alongam ou
relaxam em certas ocasiões. Encarnados
continuamos a viver a vida espiritual, pois
que nossas emanações de energia espiritual
se prolongam além do corpo; formam essa
aura de energias com características bem
pessoais de prolongamentos, de
luminosidade e de organização de campo.
Nossos pensamentos se projetam também
no tempo e no espaço com tanta liberdade
quanto seja o nosso discernimento espiritual,
e o quanto nossas capacitações estiverem
desenvolvidas.
O sono é situação de liberdade do
Espírito e do pensamento, o relaxamento e a
meditação afrouxam a nossa prisão física;
doenças que enfraquecem as forças físicas
l i b e r a m se n s a çõ e s e s p i r i t u a i s m a i s
ostensivas.
A mediunidade é condição orgânica,
pois que o médium é provido por seu
organismo de condição adequada no
sistema nervoso liberando o Espírito às
comunicações com o mundo espiritual.

E consequência mais crucial é que,
independente de onde estivermos, em casa,
em oração; fora de casa no trabalho, no
e st u d o ; n a s re l a çõ e s a m i st o sa s o u
agressivas; em todas essas condições, em
todas as situações de vida, as nossas
manifestações sensitiva e a mediúnica estão
sempre presentes, agindo, interferindo na
qualidade de nossas percepções e por isso
mesmo, do relacionamento, e influenciando
as ofertas de comportamento.
Usar essa possibilidade a nosso favor
é algo racional e inteligente. Ignorar é viver
ao sabor da qualidade e intensidade dessas
interferências mais ostensivas e das
influências subliminares. Por isto, por esta
permissividade nos parece de comum que a
vida se torna ao sabor da sorte, o acaso
toma papel decisivo no destino de nossas
coisas. A interferência de Espíritos, bons
gênios, nos incentivos ao bem, estão
presentes nas obras criativas, nas
descobertas dos cientistas, nas artes, na
composição de doutrinas dos pensadores.
Há relatos de todo homem de pensamento

da companhia de gênios que os têm ajudado
a montar doutrinas a respeito de temas que
desafiam o entendimento nosso, do homem
comum. A consciência do processo pode
fazer pra nossa vida enorme ganho.

Aplicação de Conceitos

Orientações Práticas
Os conceitos, como conceitos de vida.
A manifestação mediúnica tem algo
que é característica única e por isso é-nos
possível sua identificação facilmente: vamos
associar a comunicação espiritual ao
impulso criativo.
Torna-se criativo o ato de pensar
porque, diante de nossa condição pessoal
de busca de idéias ante à satisfação de
desafios de vida, e sendo real a irradiação
do pensamento, ele é a absorção de outro
pensamento, de idéias de outro indivíduo, o
que, com certeza sugere idéias por nós não

percebidas, não pensadas em situação de
isolamento.
Nosso pensamento nesse momento é
enriquecido por sugestões novas e por
opções que não estavam ali até o momento.
Não eram vistos por alguma atividade da
razão. Então, como uma voz oculta, algo
provindo da busca consciente dos fatos,
chega novo, inusitado, estranho, e mesmo
contrário ao nosso pensar habitual.
Recebemos uma onda criativa,
repentinamente, e sem explicação visível ou
lógica de momento, a não ser que
busquemos essa explicação na possibilidade
de nosso relacionamento com os Espíritos.
Para isto é necessário que usemos a razão.
E ssa rel a çã o se e sta be l e ce com a
habitualidade. A repetição, o cultivo dessa
relação vai fortalecendo sua qualidade, e o
reconhecimento da identidade dos Espíritos
que nos respondem através dela. Sem
nomes, às vezes nomes fictícios, mas com
sugestiva e inquestionável qualidade de
temas, e de formatos de conduta, se dá o
prosseguimento da conversa mediúnica em

diversas ocasiões e a estabelecemos
regularmente.
A qualidade dessa relação pode ser
positiva, se os resultados são construções
convenientes ao nosso progresso, e ao
progresso geral daqueles que vivem
conosco. As boas ideias resultam em
benefícios produtivos aos esforços de nosso
entendimento, e de nossa contribuição à
melhoria do estado das coisas físicas e
culturais. As boa ideias são cultivadas por
homens bons, probos e conscienciosos.
Mas podem ser adversas, nos
levando a sucumbir diante de fracassos,
contrariedades, escândalos. O objetivo
dessas orientações absurdas e ilusões é
para que caiamos no desânimo, na omissão
das atividades de progresso. Desiludidos da
própria performance, desanimados com as
consequências do próprio procedimento em
diversas instâncias de vida, Espíritos
estouvados, levianos e mesmo maldosos,
desejam ver reproduzido o mesmo estado
desabonador com as pessoas que tentam
influenciar e interferir nas atividades de vida.

Analisar a qualidade dessas idéias é
condição para que escolhamos qual fonte de
influência desejamos selecionar para nos
apoiar em nossas atividades de vida. A
reflexão é ferramenta para apoiar nossas
decisões e escolhas. Para o bem e para a
lesão à Lei somos ajudados igualmente, e a
intenção com que entramos em qualquer
atividade de vida é como oração que evoca
Espíritos afins. Como se organizássemos
uma quadrilha, uma equipe, para a
realização de um projeto.
Quando não nos iludimos, quando
não nos fascinamos pelo simples fenômeno
mediúnico - que é fascinante - endeusando
Espíritos pelo simples motivo de serem
Espíritos, e não os tratamos como deuses,
temos a liberdade de medir, avaliar, vigiar
nossas condições pessoais para separar as
comunicações boas, das nocivas; para
avaliar as idéias estranhas ao nosso pensar
rotineiro; se são adequadas aos nossos
afazeres ou se devem ser recusadas; se,
como a boa árvore indicada pelos bons
frutos que produz, estamos fazendo o bem.

Os resultados em nós podem nos dizer o
que estamos fazendo a favor ou contra a Lei
de Progresso.
Na dúvida quanto à competência
pessoal, é interessante fazermos isso em
grupo, registrar nossas preocupações e
dividir a discussão delas com outras pessoas
de confiança, que possam nos trazer mais
contribuições para que evitemos enganos e
entusiasmos passageiros.
Estudar sempre, não nos isolarmos.
Aprendermos a registrar e a
questionar toda a qualidade de idéias que
penetram em nosso pensamento e que se
tornam oferta de conduta pra nossa escolha.
Causa e efeito são a essência lógica
dos fatos, tal como para compreendermos
como o fruto surge da atividade da árvore.
José Fernando Vital
vital.pai.family@gmail.com
www.scribd.com/espacotempo2461

in, O Evangelho, Segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, Cap. XXI:
7. Os fenômenos espíritas, longe de dar
crédito aos falsos Cristos e aos falsos
profetas, como alguns exageram em dizê-lo,
vêm ao contrário lhes dar um último golpe.
Não peçais ao Espiritismo milagres nem
prodígios, porquanto declara ele
formalmente que não os produz, como a
física, a química, a astrologia, a geologia,
vieram revelar as leis do mundo material, ele
vem revelar outras leis desconhecidas, as
que regem as relações do mundo corporal e
do mundo espiritual, e que, como suas
primogênitas da Ciência, não são menos leis
naturais; em dando a explicação de uma
certa ordem de fenômenos incompreendidos
até hoje, destrói o que restava ainda no
domínio do maravilhoso. Aqueles, pois, que
estivessem tentados em explorar esses
fenômenos em seu proveito, em se fazendo
passar por messias de Deus, não poderiam
enganar por muito tempo a credulidade, e

seriam logo desmascarados. Aliás, como foi
dito, só esses fenômenos não provam nada:
a missão se prova pelos efeitos morais que
não é dado a qualquer um produzir. Esse é
um dos resultados do desenvolvimento da
ciência espírita; em perscrutando a causa de
certos fenômenos, ela ergue o véu sobre
muitos mistérios. Os que preferem a
obscuridade à luz são os únicos
interessados em combatê-las; mas a
verdade é como o Sol: dissipa os mais
densos nevoeiros.