Sindrome metabólica?

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A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo, caracterizada por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares, relacionados com resistência à insulina e obesidade abdominal. É importante assinalar a associação da SM com doença cardiovascular, aumentando a mortalidade geral em cerca de 2 vezes e a cardiovascular em 3 vezes. As sociedades médicas sugerem alguns métodos para detecção dos indivíduos portadores de síndrome metabólica. O Consenso sobre SM (2004) sugeriu que os indivíduos portadores de três ou mais dos seguintes critérios devam ser considerados como portadores de síndrome metabólica: 1. Obesidade abdominal (visceral), medida ao nível médio do abdômem: cintura > 102 cm em homens e > 88 cm em mulheres; 2. Hipertrigliceridemia: > 150 mg/dL 3. HDL colesterol: < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres; 4. Hipertensão arterial sistêmica > 130/85 mmHg; 5. Glicemia de jejum: > 110 mg/dL (recentemente, a Associação Americana de Diabetes sugeriu que os valores de normalidade para glicemia de jejum fossem reduzidos para, no máximo, 99 mg/dL, sendo possível que esse critério seja adotado também para síndrome metabólica em um próximo consenso da ATP III). Recentemente a International Diabetes Federation (IDF, http://www.idf.org/, maio 2005), sugeriu como critérios:

- Obesidade central cujos limites possa variar conforme a etnia. Assim para europeus sugeriu para medida da circunferência da cintura os valores de 94cm para homens e 80cm para mulheres, para asiáticos 90 e 80cm e para japoneses 85 e 90cm respectivamente homens e mulheres. E dois ou mais dos seguintes critérios:

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- Hipertrigliceridemia: > 150 mg/dL ou estar em tratamento específico - HDL colesterol: < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres ou estar em tratamento específico; - Hipertensão arterial sistêmica > 130/85 mmHg ou tratamento de hipertensão diagnosticado previamente. - Glicemia de jejum > 100mg/dL ou diabetes tipo 2 diagnosticado previamente Outros clínicos e laboratoriais tem sido associados à SM, síndrome de ovário policístico, acanthosis migrican, doença hepática gordurosa não alcóolica, microalbuminúria, estados pró-trombóticos, estados pró-inflamatórios e de disfunção endotelial.

Sua associação. A experiência nos ensina que quanto maior é o número de critérios (ou regras) para definir uma determinada entidade clínica. não é possível de ser realizado em termos práticos. que em última análise procuram descortinar a resistência à insulina através de manifestações clínicas e/ou laboratoriais a ela associadas. seria ter como critério básico para SM uma avaliação indubitável de resistência à insulina como o “clamp” hiperinsulinêmico euglicêmico o que. o da International Diabetes Federation (IDF) que se propõe a encerrar a discussão e estabelecer o critério definitivo. critério formal. Apenas fazendo uma comparação. O ideal. esta tentativa de quantificar o risco cardiovascular através da caracterização de SM é semelhante às tentativas que duraram anos (e talvez no momento os números sejam conclusivos) para definir níveis de colesterol prognósticos de risco cardiovascular. HOMA. e aí está a outra razão para a existência dos diversos critérios. Sabedores deste fato e também de que os outros critérios utilizados (medida de insulina plasmática. menor é a acurácia dos mesmos para defini-la. vamos dizer. portanto. Vamos então ao âmago da questão. infelizmente. Claro está que os componentes da Síndrome Metabólica (dislipidemia. Este elo comum é – para a maioria dos estudiosos – a resistência à insulina. confere seguramente muito maior risco. Já no critério da IDF o critério obrigatório é a obesidade central. que freqüentemente está associada à resistência à insulina (sendo que a glicemia de jejum alterada passa a ser um dos critérios facultativos). Porque esta necessidade de definir Síndrome Metabólica? A primeira razão é que a Síndrome – que agrega várias alterações – constitui-se num fator de risco provável para doenças cardiovasculares. obesidade etc) já por si mesmo são fatores reconhecidos de risco cardiovascular. diabetes melito. glicemia de jejum acima de 110mg/dl é apenas um dos componentes (nenhum é obrigatório) sendo que 3 componentes são necessários para definir SM. visto que é obrigatória a presença de ou o diabetes melito tipo 2 ou a glicemia de jejum alterada – condições nas quais a resistência à insulina é a regra – ou a própria “resistência à insulina” avaliada de alguma maneira. hipertensão arterial. Já a resistência à insulina não é citada.Análise Crítica dos Critérios para Síndrome Metabólica Acessos: 3795  Em plena efervescência da discussão sobre qual o melhor critério para definir Síndrome Metabólica (SM) – o da Organização Mundial da Saúde (OMS) (mais utilizado pelos endocrinologistas) ou o do ATPIII OU NCEP (mais utilizado pelos cardiologistas) – surge um novo critério. Pelo critério da ATPIII. No critério da OMS a resistência à insulina é. Ressalte-se que tanto os valores de glicemia de jejum alterada como os valores da circunferência de circunferência de cintura baixaram nos critérios do IDF quando comparados com os de ATPIII . entretanto. etc) também não são práticos e totalmente fidedignos. Outra característica fundamental da SM é que as alterações associadas apresentam um elo comum. devemos buscar outra maneira para tentar caracterizar resistência à insulina.

intestino grosso. etc). particularmente visceral. próstata. achados de necropsia demonstraram estágios iniciais de aterosclerose. semelhante ao encontrado nos adultos. o melhor critério? Resposta: não sabemos. vem assumindo no meio científico). Níveis elevados de triglicérides e HDL baixo. HDL baixo (< 50mg/dL nos homens e < 40mg/dL nas mulheres). A prevalência de hipertensão arterial nesta população tem aumentado na medida em que sobe o Índice de Massa Corporal (IMC). então. será a verificação por grandes estudos clínicos de morbidade e mortalidade (e não só cardiovascular. relacionadas com Síndrome Metabólica definida pelos diversos critérios. Obviamente pelos critérios da IDF serão arrolados mais indivíduos com a chamada Síndrome Metabólica que nos outros 2 critérios (menor glicemia e menor circunferência da cintura que no critério da ATPIII. no estudo Bogalusa. glicemia . para o diagnóstico de Síndrome Metabólica (SM). bem definidos. que inevitavelmente surgirão! Diagnóstico e Prevalência da Síndrome Metabólica em Crianças e Adolescentes Acessos: 3473 Artigos comentados: Weiss e cols N Engl J Med 2004. vamos tratar das doenças (e me alegra verificar o papel importante que a obesidade. 350:2362-2374 Ferrantini e cols Circulation 2004 110:2494-2497 Silva e cols Diabetes Care 2005. E esperar outros critérios. Leva em conta a presença de 3 ou mais dos seguintes fatores: hipertrigliceridemia (>150mg/dL). Fatores de risco para doenças cardiovasculares são freqüentes em obesos nesta faixa etária. O mais importante. Até lá. vêm sendo detectados com uma freqüência cada vez maior. existem pelo menos dois conjuntos de critérios.(100mg/dl versus 110mg/dl e 80cm para mulheres e 94cm para homens versus 88cm e 102cm respectivamente – IDF X ATPIII). Qual é. as associações da intolerância à glicose e da resistência à insulina com a obesidade infantojuvenil são evidentes. Dados sugestivos de disfunção endotelial já foram observados em crianças. perfil lipídico. 28:716-718 A obesidade infanto-juvenil tem aumentado de forma alarmante nas últimas décadas. Para os indivíduos adultos. Apesar desta prevalência não ser universal. no meu entender. hipertensão arterial (PAS>130mmHg e PAD>85mmHg). mas por outras doenças como câncer de mama. e menores níveis de hipertensão arterial que no critério da OMS). bem como. útero. Um deles foi formulado pelo ATPIII (The Adult Treatment Panel III) do Programa Norte-Americano de Educação em Colesterol (NCEP). aproximadamente 30% dos novos casos de DM tipo 2 ocorrerem em adolescentes obesos. Nos Estados Unidos.

dependendo dos parâmetros utilizados e da população avaliada. Recentemente. ajustados de acordo com sexo. para crianças e adolescentes. Desta forma. interleucina 6. uma alteração metabólica e 9. CA acima do 75º percentil. sendo 439 obesos.6%). foi publicado um estudo sobre a prevalência de SM e de resistência à insulina em 99 adolescentes brasileiros. ainda não estão bem estabelecidos. no Third National Health and Nutrition Examination Survey III. Neste trabalho. No entanto. Weiss e colaboradores. Para o diagnóstico de SM. idade e raça e.4%) de todas as crianças com idade ≥ 12 anos apresentaram. intolerância à glicose. Nenhuma das crianças e dos adolescentes com peso normal ou com sobrepeso preencheu os critérios para SM. Ferrantini e colaboradores determinaram a prevalência de SM em 1960 adolescentes americanos.7% dos obesos graves. Consideraram crianças com SM aquelas que apresentaram 3 ou mais das seguintes alterações: IMC > 97º percentil e PAS ou PAD> 95º percentil. para que o screening e o tratamento dos indivíduos de risco possam ser feitos precocemente. No entanto. glicemia de jejum >110mg/dL.1% nos obesos. porém. os autores substituíram o IMC por circunferência abdominal. Aproximadamente 2/3 (63. Incluíram ainda. aumento da circunferência abdominal (CA>102cm nos homens e >88cm nas mulheres). Adaptaram para esta faixa etária.5). Quatro ou mais anormalidades foram encontradas em 35 adolescentes (1. até 32%. a prevalência da obesidade pode variar de 4%. triglicérides > 95º percentil e HDL< 5º percentil. os parâmetros e seus valores de corte foram: triglicérides >100mg/dL.consideraram obesos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) valoriza também o Índice de Massa Corporal (IMC). HDL <50mg/dL (exceto em meninos. em adolescentes obesos.adotando como normas. por entenderem que esta medida antropométrica correlaciona-se melhor com a gordura visceral. pelo menos. insulina e calcularam o HOMA-IR de todos os participantes do estudo. estudaram meninos e meninas com idade entre 4 a 19 anos. é importante que. As alterações metabólicas valorizadas foram: triglicérides > 130mg/dl. Silva e colaboradores . as normas do NCEP e da OMS. estas variáveis não foram utilizadas para o diagnóstico de SM. as curvas de IMC e os valores de pressão arterial adaptados à população brasileira .de jejum elevada (>110mg/dL) e. sejam quais forem os parâmetros adotados para o diagnóstico.2% preenchiam os critérios para SM.7% dos indivíduos moderadamente obesos e em 49. proteína C reativa. É indiscutível que a SM é altamente prevalente entre as crianças e adolescentes obesos. com os dados coletados entre 1988-94. critérios internacionais sejam estabelecidos. O diagnóstico de SM foi feito em 31. Nenhum dos adolescentes com IMC normal ou com sobrepeso apresentou o número necessário de fatores para o diagnóstico da síndrome. glicemia de jejum alterada ou DM tipo 2 (os 3 últimos parâmetros classificados de acordo com a Associação Americana de Diabetes). considerado <45mg/dL). idade e altura. intolerância a glicose (glicemia de 2hs entre 140 e 200mg/dL). A presença da SM ocorreu em 38. Os autores também dosaram adiponectina. na população infantil geral. 31 com sobrepeso e 20 com IMC normal. a presença de resistência à insulina (HOMA IR >2. com urgência. . ajustada de acordo com sexo e idade e PAS > 90º percentil de acordo com sexo. como um dos critérios para SM. os adolescentes com IMC > 97ºpercentil e hipertensos. A prevalência de 3 ou mais fatores foi de 6% no grupo total de indivíduos e de 26. HDL colesterol ≤ 35mg/dL.2% das crianças com IMC ≥ 85º percentil. os critérios diagnósticos e seus pontos de corte considerados de risco. ajustados de acordo com sexo e idade. aqueles com PAS ou PAD >95º percentil.