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Escola Sá de Miranda Ano Letivo 2011-2012 Apontamentos de Filosofia Tema – Os valores: análise e compreensão da experiência valorativa Conceito

e tipo de valores Valor é uma qualidade potencial resultante da apreciação que um indivíduo ou uma sociedade faz acerca de um objeto, de uma ação, ou de um ser real e ideal em função da presença ou da ausência de algo que é desejável ou digno de estima.

O conceito de valor é polissémico, isto é, tem várias acepções ou significados: a) Pode ter um significado técnico. Por exemplo, o valor de um produto (conceito fundamental em economia política em que o valor é estabelecido no decorrer do processo de troca). Ou então o valor de uma incógnita como no caso de uma equação matemática. b) Pode ter um significado afectivo. Por exemplo, o valor das coisas que nos merecem estima, designadamente um objeto sem valor económico mas com valor sentimental (um relógio que era do nosso avô). c) Pode ter um significado moral. Por exemplo, quando atribuímos valor a um comportamento. É o caso da coragem em frente ao perigo, da solidariedade perante aqueles que passam privações, de um gesto de carinho com quem está desanimado, etc. Tábua de valores (elaborada por Max Scheler e reformulada por Ortega y Gasset) 1. Valores úteis a. Capaz/incapaz b. Caro/barato c. Abundante/escasso d. Necessário/supérfluo 2. Valores vitais a. São/doente b. Seleto/vulgar c. Enérgico/inerte d. Forte/débil

em oposição ao bom. etc. há valores fundamentais que permanecem tais como o valor da vida. Valores espirituais a. Valores religiosos a. estabelecemos uma espécie de escala que vai dos valores de menor importância para os que consideramos superiores. Sagrado/profano Divino/demoníaco Supremo/derivado Milagroso/mecânico Características dos valores a. d. Absolutividade e relatividade: há valores a que atribuímos um sentido impositivo de caráter absoluto. Morais ou éticos  Bom/mau  Bondoso/maldoso  Justo/injusto  Escrupuloso/desleixado  Leal/desleal c. Estéticos  Belo/feio  Gracioso/tosco  Elegante/deselegante  Harmonioso/desarmonioso 4. assim. em oposição ao belo (pólo positivo) encontramos sempre o feio (pólo negativo). em oposição ao sagrado. na medida em que são princípios orientadores necessários para a ação como é o caso dos valores éticos indispensáveis para possibilitar a coexistência . o mau. b. Apesar de cada época estabelecer os seus cânones e referências ideais. numa polaridade positiva e noutra negativa. da fraternidade. o profano. Intelectuais  Conhecimento/erro  Exato/aproximado  Evidente/provável b. Hierarquização: os valores apresentam-se ordenados segundo uma hierarquia pois há entre eles relações de dependência que implicam o estabelecimento de prioridades. Historicidade: as avaliações diferem de acordo com o tempo e com os condicionamentos culturais. c. Nas diversas situações existenciais que vivemos. independentemente do tempo e do lugar em que se realizam. tendo uns mais força impositiva que outros. Polaridade: os valores apresentam-se sempre desdobrados. d. os valores apresentam sempre um sentido imperativo. o valor da justiça.3. com uma dupla face. b. c.

é importante invocar uma nova reflexão que faça ver como os direitos pressupõem deveres. sem os quais o seu exercício se transforma em arbítrio. água potável. por um lado. o ideal de beleza predominante no Renascimento é muito diferente do ideal atual de beleza. Hoje. põe-se em perigo o verdadeiro desenvolvimento dos povos. desvinculados de um quadro de deveres que lhes confira um sentido completo. enlouquecem e alimentam uma espiral de exigências praticamente ilimitada e sem critérios. frequentemente deparam-se com fortes obstáculos para maturar uma responsabilidade no âmbito do desenvolvimento integral próprio e alheio. Estes delimitam os direitos porque remetem para o quadro antropológico e ético cuja verdade é o âmbito onde os mesmos se inserem e. De facto. Por este motivo. Considerar o aumento da população como a primeira causa do subdesenvolvimento é errado. muitas pessoas tendem a alimentar a pretensão de que não devem nada a ninguém. inclusive do ponto de vista . de carácter arbitrário e libertino. deste modo. A concepção dos direitos e dos deveres no desenvolvimento deve ter em conta também as problemáticas ligadas com o crescimento demográfico. A partilha dos deveres recíprocos mobiliza muito mais do que a mera reivindicação de direitos. Então os governos e os organismos internacionais podem esquecer a objectividade e «indisponibilidade» dos direitos. os direitos do homem encontram o seu fundamento apenas nas deliberações duma assembleia de cidadãos. porque diz respeito aos valores irrenunciáveis da vida e da família. Quando isto acontece. A relação está no facto de que os direitos individuais. podem ser alterados em qualquer momento e. Assiste-se hoje a uma grave contradição: enquanto. se não mesmo à transgressão e ao vício. Se. assim. Por isso. ou seja. sobretudo aos olhos dos países mais carecidos de desenvolvimento. o dever de os respeitar e promover atenua-se na consciência comum. pelo contrário. Textos complementares Texto 1 «A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício. a não ser a si mesmas. os deveres reforçam os direitos e propõem a sua defesa e promoção como um compromisso a assumir ao serviço do bem. não descambam no arbítrio. a assumirem por sua vez deveres. nas sociedades opulentas e a falta de alimento. por outro existem direitos elementares e fundamentais violados e negados a boa parte da humanidade. Semelhantes posições comprometem a autoridade dos organismos internacionais. mas também um dever. pois são específicos de uma sociedade. Aparece com frequência assinalada uma relação entre a reivindicação do direito ao supérfluo. instrução básica. se reivindicam presumíveis direitos. Por exemplo. A exasperação dos direitos desemboca no esquecimento dos deveres. Considerando-se titulares só de direitos. sujeitos a um tempo histórico e a uma cultura determinada. Trata-se de um aspecto muito importante do verdadeiro desenvolvimento. É que os renascentistas não eram anoréticos. cuidados médicos elementares em certas regiões do mundo do subdesenvolvimento e também nas periferias de grandes metrópoles. Há valores relativos. querendo vê-los reconhecidos e promovidos pelas estruturas públicas.com os outros. estes pedem que a comunidade internacional assuma como um dever ajudá-los a serem «artífices do seu destino».

tendo como única preocupação defender os interessados de eventuais contágios ou do «risco» procriador. Deste modo. Em ambos os casos. Nesta perspectiva. e. de declínio precisamente por causa da diminuição da natalidade. justamente graças ao grande número e às capacidades dos seus habitantes. torna-se uma necessidade social.económico: basta pensar. que tem a peito o verdadeiro desenvolvimento do homem. Grandes nações puderam sair da miséria. e mesmo económica. preocupando-se também com os seus problemas económicos e fiscais. § 43-44. A tudo isto há que contrapor a competência primária das famílias neste campo. uma real contribuição para o desenvolvimento integral. Isto equivaleria a empobrecer e negligenciar o significado profundo da sexualidade. na considerável diminuição da mortalidade infantil e no alongamento médio da vida que se regista nos países economicamente desenvolvidos. ser reconhecido e assumido responsavelmente tanto pela pessoa como pela comunidade. consequentemente. A diminuição dos nascimentos. pelo contrário. situando-se por vezes abaixo do chamado «índice de substituição». aumenta os seus custos. em alguns casos. no âmbito das quais as pessoas acabam por sofrer várias formas de violência. problema crucial para as sociedades de proeminente bemestar. Além disso. fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher. nações outrora prósperas atravessam agora uma fase de incerteza e. as famílias de pequena e. que deve. a responsabilidade impede que se considere a sexualidade como uma simples fonte de prazer ou que seja regulada com políticas de planificação forçada dos nascimentos. A Igreja. recomenda-lhe o respeito dos valores humanos também no uso da sexualidade: o mesmo não pode ser reduzido a um mero facto hedonista e lúdico. Bento XVI. Na . estamos perante concepções e políticas materialistas. A abertura moralmente responsável à vida é uma riqueza social e económica. relativamente ao Estado e às suas políticas restritivas. reduz a disponibilização de trabalhadores qualificados. põe em crise também os sistemas de assistência social. que constitui. e também uma apropriada educação dos pais. por um lado. Texto 2 À medida que toma consciência da sua dimensão moral. os Estados são chamados a instaurar políticas que promovam a centralidade e a integridade da família. para além do mais. contrai a acumulação de poupanças e. por outro. do mesmo modo que a educação sexual não se pode limitar à instrução técnica. a correspondência de tais instituições às exigências mais profundas do coração e da dignidade da pessoa. os recursos financeiros necessários para os investimentos. São situações que apresentam sintomas de escassa confiança no futuro e de cansaço moral. pequeníssima dimensão correm o risco de empobrecer as relações sociais e de não garantir formas eficazes de solidariedade. no respeito da sua natureza relacional. Pelo contrário. continuar a propor às novas gerações a beleza da família e do matrimónio. Obviamente é forçoso prestar a devida atenção a uma procriação responsável. às vezes. A Caridade na Verdade. restringe a reserva aonde ir buscar os «cérebros» para as necessidades da nação. nos sinais de crise que se observam nas sociedades onde se regista uma preocupante queda da natalidade. Com efeito. célula primeira e vital da sociedade. o ser humano vai formando e ordenando uma tábua de valores a qual será tanto mais sólida e coerente quanto mais madura e esclarecida for a sua liberdade e a sua responsabilidade.

isto é. o ser humano. sensual) proporciona quase instantaneamente os resultados que se desejam ver alcançados. tanto na teoria como na prática). De facto. dos mais para os menos importantes) está miseravelmente pervertida ou adulterada. a formar anarquicamente (sem qualquer organização. Por isso não admira que a relação personalizada e o contacto face-a-face seja cada vez mais desvalorizado. a ética e a religião para um plano de inferioridade tornando-se até dispensáveis. respectivamente. computadores no regaço. auriculares nas orelhas. parece que não conseguem passar sem «próteses» no seu próprio corpo: auscultadores nos ouvidos. a não ser pela própria pessoa) da consciência. enquanto ser moral e racional. está aos poucos a neutralizar as nossas virtudes e a comprometer as nossas potencialidades genuinamente humanas. pela energia subtil da consciência. materialista. Por exemplo. Mas o mais grave é que este vale pouco (que para essas pessoas pagãs vale muito) chega a inflacionar-se de tal maneira até que se chega a uma situação limite insustentável em que somos obrigados. define a qualidade das coisas. Uma amizade. O que seduz a maioria das pessoas não são ideais de Espírito. o que vale pouco custa pouco a alcançar. são frequentes na nossa aventura terrena e sinal da nossa fragilidade física. «atabalhoadamente». Alguns defendem a posição de que o progresso científico-tecnológico relegou a filosofia . no ter e no prazer) não só desvirtua a nobreza do ser humano como o faz assemelhar-se à mais pura e instintiva animalidade. em que o absurdo impera. Estas vivências. em pouco tempo. demora anos e anos a espiritualizar-se. «ao calhas») uma tábua de valores prende-se com objectivos hedonistas (que buscam apenas os prazeres sensuais) e utilitários (fazem-se amizades a pensar nos benefícios que ela me pode trazer). uma pessoa que se entregue à droga fica de tal modo dependente dessa substância que. A aplicação massificada desses admiráveis modelos teóricos e técnicos.verdade.). a tornar-se divinamente autêntica e altruísta (contrário de egoísta. mas é a droga que a consome e a transforma num farrapo humano. ideais de Sabedoria e de Verdade porque a opção por estes valores não produz resultados imediatos ou instantâneos. que pensa mais nos outros do que em si própria). cada vez mais robotizados (automatizados). ou. já não é ela que consome droga. etc. o que é mais grave. atribuindo a estas coisas um valor de acordo com a sua importância antropológica ou existencial. a apelidá-lo de anti valor. A aposta prioritária nas realidades materiais e hedonistas (realidades que só reconhecem valor. na sua matriz grega. tornando-se uma realidade rara no contexto das relações humanas. por exemplo. a hierarquia dos valores (a ordenação dos valores por ordem de importância. As conquistas feitas pelo ser humano nos domínios da ciência e da técnica são de louvar e de incentivar até ao ponto em que delas nos tornarmos desgraçados escravos. Pelo contrário. na actualidade. O sentido teológico da existência – visão originariamente cristã – está terrivelmente ameaçado e comprometido. a humanizar-se. Pois eu considero justamente o contrário: a filosofia. A definição objectiva dos valores e seu escalonamento hierárquico são uma função transcendente (muito importante. não se constrói num curto espaço de tempo nem a partir de um fugaz impulso erótico (mera atracção física). Por exemplo. hoje. os jovens e os adultos. O que leva as multidões. psicológica e moral. divina) e inalienável (que não pode ser feito por mais ninguém. está no apogeu da . retrógradas ou fora de moda. É claro que a opção por este estilo de vida (pagão. despersonalizadas. então. Contudo. de acordo com critérios de escolha acentuadamente materialistas e ateus (que negam Deus.

frequentes vezes. o que é mais grave. a liberdade. Pelo contrário. ter fé é dar um salto no escuro confiando no Verbo Iluminador e estendendo esta sinergia (energia que irradia) aos outros. Nunca poderemos acender uma fogueira se ela não permitir a circulação do ar no seu interior. julgou que esta realidade antropológica e divina (a . dos media. porque vivemos numa sociedade orientada por critérios economicistas. urge recolocar o problema do sentido da existência. Da mesma forma. a honestidade. de sonhos mas também de ideais e de certezas. o belo. da vontade do poder sobre a humildade do servir. na esperança de uma existência mais autêntica e mais pura. a cultura da prova e da verificação são realidades tão reais quanto ameaçadoras e surreais. o bem. a alma. são essas infra-estruturas que condicionam e determinam a natureza das consciências individuais. cheia de angústias. iluminados. tende a considerar apenas as realidades susceptíveis de confirmação empírica e racional. com os olhos na razão. o silenciamento daquela) e pragmáticos. o marxismo nunca esteve tão efervescente e tão próximo de nós: as pessoas estão convencidas de que é a base económica e produtiva que determina o seu estatuto social e. do dinheiro sobre a dignidade. a comodidade da mentira sobre a frontalidade da Verdade. as modernas sociedades capitalistas enfatizam a lógica do ter sobre o ser. no invisível. suave mas ardente do Espírito. a doutrina revelada na tradição judaico-cristã sempre se apoiou no mistério. esta filosofia (identificada com a ciência). De facto. a semente da fé não frutificará se não for cuidadosamente regada e se não se abrir à fecundidade da voz do Espírito que habita. no insondável. Era a atitude daqueles que. a justiça. a nossa costela helénica entra em conflito com a tradição judaico-cristã de que somos herdeiros e até mensageiros e profetas. Por exemplo. a arché. Ora. que mais tarde seria eudeusada (venerada) pelo positivismo e pelo iluminismo dos séculos XVIII. em última instância. só acreditam no que vêem e dizem que a fé é própria das crianças que ainda não despertaram para a razão. XIX e XX (manifestada na crença cega no progresso). Por outro lado. de dúvidas. identificando a substância que estaria na origem do Universo. visando. Os que trabalham na filosofia – ela não cessa de nos pregar rasteiras. perspectiva singularmente cristã (porque não fazia acepção de pessoas tratando toda a gente com a mesma dignidade. estes cientistas e filósofos são semelhantes a São Tomé que só acreditou na aparição de Jesus aos discípulos depois de ter metido o dedo nas Suas Divinas Chagas e não pelo relato dos Apóstolos…) Isto é. Pilatos. subtil. excluindo as que não se enquadrarem nestes redutores critérios epistemológicos ou científicos. Efectivamente. laicistas (visão do Estado Moderno que separa a Igreja do Estado. no nosso íntimo. de inquietações. viam para além das aparências. quando interrogava Jesus no Pretório. Realidades como o amor. A atitude de fé consiste numa sintonia crescente da nossa inteligência e da nossa sensibilidade com o Sopro terno. A cultura do audiovisual. Muitos são os exemplos que dão forma a este modelo de pesquisa racional autónoma. ou elemento primordial a partir do qual se formaria o cosmos. Os gregos sempre tentaram investigar o princípio constitutivo da realidade. atribuindo-lhe inclusive uma filiação divina). hoje em dia. Deus. Paralelamente. estes pensadores. o espírito não passam de fantasias e de divagações próprias dos filósofos e dos crentes as quais não se podem provar nem pela razão nem pela experiência. decompondo os nossos frágeis raciocínios – podem constatar que. a religião.sua antiga e longa História. na fé. no oculto. nossos companheiros nesta aventura terrena. O saber deles era uma verdadeira arqueologia pois tentaram sondar as origens do real.

lamenta-se que não tem tempo. divorciada da existência concreta. dilui-se) muitas vezes na acção concreta – só o homem pode dignificar e humanizar as coisas porque só nele podem operar a clarividência da razão e a bondade do coração em saudável harmonia. Em função disto é que podemos ou devemos aferir (julgar.. É que nem sempre os fins justificam os meios. A criação de uma cultura espiritual. A vida humana está pulverizada (saturada. pressupõe a existência de uma aristocracia do espírito. Qualquer doutrina ética que se preze tem obrigatoriamente que definir com rigor e clareza o que entende ou toma por bem. Este sentido peculiarmente aristocrático não significa que os valores só existam para uma elite. livre e responsável porquanto não suporta constrangimentos.Verdade) seria conceitualizável ou definível. que o ser humano se pode considerar e assumir como criador de valores. através das mais variadas estratégias visuais e acústicas. É que a criatura humana marca presença de muitas maneiras. mas não só…. temporária ou definitivamente. quem não é por mim é contra mim. cheios de significado e fantasticamente actuantes. e é aristocrático na medida em que rejeita qualquer promiscuidade ou acosmia social o que não quer dizer. muito abafada e a este sufoco não é. Daí que o grande criador seja sempre individual (as multidões são frequentes vezes irracionais e muito emotivas). Como diz Jesus Cristo. sempre abertos à transcendência. O grande equívoco do pensamento filosófico grego de propensão sofística. antes explicitam o quão exigentes eles são de alcançar. adaptando à sua vida modelos cristãos de vivência. o ser humano só está bem onde não está. o ser humano queixa-se pelo que tem. contudo. com certeza. como medida de todas as coisas. numa palavra. o que usufrui é sempre pouco. assente em valores autênticos e perenes. e este «estar» não deve ser entendido num sentido unicamente físico.. Como facilmente se depreende – esta logicidade (coerência) escamoteia-se (perde-se. que se envaideça com a nobreza interior de que Deus o fez depositário. Os valores superiores que constituem o fim legítimo da Humanidade exigem uma humanização dos meios. razão-fé. excluímos logo à partida qualquer modalidade de indiferença ou de neutralismo ético. Não há possibilidade de assumirmos uma postura de indiferença porque a própria indiferença é já uma atitude com um significado antropológico bem explícito. foi ter considerado o homem como microcosmos privilegiado. É a partir desta simbiose inteligência-coração. Solicitado pelos mais diversificados agentes socioculturais. A cultura espiritual está. Descobrir a sua essência significa vertê-la para a existência. mas o Seu interlocutor respondeu-lhe com um sábio e eloquente silêncio. muito longe disso. ciência-sabedoria. Ao tomarmos o ser humano como criador axiológico por excelência. averiguar) da legitimidade ou incongruência (falta de coerência) de certos meios mesmo que estes sejam eleitos para a prossecução de fins benéficos. cheia de) de meios que se tornaram maleficamente (advérbio de mal) fins em si mesmos. avaliar. mesmo estando fisicamente ausente. . dando a entender que a Verdade atinge-se pela coerência de vida e não apenas pela pura reflexão. o que se traduz na capacidade de assumirmos compromissos com os outros baseados em valores humanistas. cuja importância é multidimensionada no ecrã mágico. alheio o culto pagão das aparências e dos bens supérfluos.

Historicismo – doutrina segundo a qual os fenómenos históricos são únicos. Estoicismo – escola filosófica fundada por Zenão de Cício (filósofo grego. exclusão e transcendência da noção de tempo.). Também pode significar. Paraíso. a verdade. assim como de toda e qualquer mudança. no desenvolvimento do processo histórico. resistência ao sofrimento. 335-264 a. para opor aos males e agruras da vida. Hedonismo – sistema moral que considera o prazer como o supremo bem que a vontade deve atingir. Céu – lugar onde estão Deus. que preconizava a indiferença à dor e a firmeza de ânimo. Materialismo – doutrina segundo a qual toda a realidade se reduz à matéria que basta para explicar os fenómenos vitais. Inferno – estado ou lugar. segundo a doutrina católica. austeridade na virtude. figurativamente. mortos em pecado mortal. daqueles que. sofrem uma pena eterna. sociais e culturais. C. bem-aventurança eterna. por conseguinte. os anjos bons e os justos. . Eternidade – qualidade do que é eterno. de estar sempre sob as luzes da ribalta. psíquicos.Cultura de vida Homem espiritual ↓ Crença em valores absolutos Fé na verdade Crença no espírito Estoicismo Discrição ou sobriedade Paciência Caridade Eternidade Razão Silêncio/contemplação Sabedoria Céu Perdão Luz Ser Liberdade Alegria ≠ Cultura de morte Homem mundano ↓ Relativismo Ceticismo Materialismo Hedonismo Exibicionismo Agitação/imediatismo Inveja Tempo/Historicismo Instinto Ruído/confusão Ignorância Inferno Retaliação Trevas Ter Necessidade Euforia Relativismo – doutrina segundo a qual a ideia de bem e de mal varia segundo os tempos e as sociedades. devendo cada época ser estudada e interpretada em conformidade com os seus próprios princípios e ideias. Exibicionismo – gosto de aparecer em público. Ceticismo – doutrina filosófica que afirma que o homem é incapaz de alcançar a certeza e. Inveja – sentimento de desgosto pelo bem alheio. ausência de princípio e de fim. Também pode referir-se à teoria segundo a qual existem grandes leis. Imediatismo – vontade frenética de ver resultados imediatos. de realização inelutável.