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Sess˜ao 1: Generalidades

Uma equa¸c˜ao diferencial ´e uma equa¸c˜ao envolvendo derivadas. Fala-se em derivada de uma
fun¸c˜ao. Portanto o que se procura em uma equa¸c˜ao diferencial ´e uma fun¸c˜ao. Em lugar de
come¸car definindo de conceitos, vamos fazer isto j´a dentro de exemplos.
Exemplo 1. Resolver a equa¸c˜ao diferencial
y

= xy . (1)
O que se procura aqui ´e uma fun¸c˜ao y = y(x) de uma vari´avel x, cuja derivada em qualquer ponto
satisfaz a equa¸c˜ao (1). Dizemos que x ´e a vari´avel independente e y ´e a vari´avel dependente. A
equa¸c˜ao (1) pode ser reescrita como
dy
dx
= xy .
Nesta equa¸ c˜ao pode-se separar as vari´aveis: deixar de um lado da igualdade todos os termos em
x e dx e do outro lado todos os termos em y e dy:
dy
y
= xdx ou y = 0.
A fun¸c˜ao constante y = 0 ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial (1). As demais s˜ao obtidas
integrando
_
dy
y
=
_
xdx ,
que nos d´a
ln |y| +C
1
=
x
2
2
+C
2
.
Note que ´e desnecess´ario considerar as duas constantes de integra¸c˜ao, elas podem ser agrupadas
numa s´o,
ln |y| =
x
2
2
+
_
C
2
−C
1
_
.
Chamando de C = C
1
−C
2
, temos
ln |y| =
x
2
2
+C ,
ou, tomando exponencial,
|y| = e
x
2
2
+C
= e
C
e
x
2
2
.
Portanto y = ±e
C
e
x
2
2
. Mas se C ´e uma constante arbitr´aria, ±e
C
tamb´em ´e, pode assumir
qualquer valor n˜ao nulo. Chamando D = ±e
C
, temos que
y = De
x
2
2
(2)
Figura 1
representa uma fam´ılia de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao dife-
rencial (1). Note que a solu¸c˜ao particular y = 0
tamb´em estar´a contida na fam´ılia (2), se permitir-
mos que D assuma tamb´em o valor 0. Portanto
(2) representa a fam´ılia de todas as solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao diferencial (1), sendo por isto isto chamada
de solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial (1). Um
esbo¸co da fam´ılia de curvas (2) ´e dado ao lado. Neste
exemplo pode-se notar um fato que ´e t´ıpico: por
um ponto do plano passa uma e somente uma curva
da fam´ılia (2). Portanto se `a equa¸c˜ao diferencial
(1) acrescentarmos uma condi¸c˜ao do tipo y(a) = b,
chamada de condi¸c˜ao inicial, formando o que se
chama de um problema de valor inicial, teremos uma
e somente uma solu¸c˜ao. Isto se deve ao fato que, ao impor a condi¸c˜ao inicial y(a) = b, geomet-
ricamente isto significa que, dentre todas as curvas da fam´ılia de solu¸c˜oes, estamos querendo
aquela que passe pelo ponto de coordenadas (a, b). Por exemplo, considerando o problema de
valor inicial (PVI)
y

= xy , y(2) = 3 ,
substituindo a condi¸c˜ao inicial em (2), temos 3 = De
2
. Portanto D = 3 e
−2
. Logo a solu¸c˜ao
do PVI ´e
y = 3 e
−2
e
x
2
2
.
Observa¸c˜ oes: 1. Daqui para a frente, toda a vez que estivermos resolvendo uma equa¸c˜ao
diferencial pelo m´etodo de separa¸c˜ao de vari´aveis, ao integrarmos os dois lados, nunca mais
colocaremos uma constante de integra¸c˜ao de cada lado, pois, como vimos no exemplo acima,
elas poder˜ao ser agrupadas em uma s´o.
2. O procedimento descrito acima para resolver a equa¸c˜ao diferencial (1) ´e um procedimento
mecˆanico, que se presta para os c´alculos pr´aticos, mas que, `a primeira vista, pode parecer meio
m´agico. No entanto, ´e um m´etodo que pode ser usado sem reservas, pois como mostraremos a
seguir, sempre que o desejarmos ele pode ser tornado rigoroso.
Consideremos novamente a equa¸c˜ao diferencial (1)
y

= xy .
Ela equivale a
y

y
= x ou y = 0.
Note que, pela Regra da Cadeia (para derivar fun¸c˜oes compostas),
_
ln |y|
_

=
1
y
y

=
y

y
,
de modo que a equa¸c˜ao diferencial original pode ser escrita como
_
ln |y|
_

= x .
Logo ln |y| =
_
xdx −
x
2
2
+C. A partir daqui, continuamos como no exemplo acima.
2
Exemplo 2 – Crescimento Populacional. Suponhamos que se tenha uma popula¸c˜ao (de
bact´erias, por exemplo). Indiquemos por N = N(t) o n´ umero de indiv´ıduos no instante t.
´
E
claro que N varia aos saltos, pois s´o assume valores inteiros. Mas em um modelo matem´atico
fazemos sempre descri¸c˜oes aproximadas. A realidade em geral ´e muito complicada. Num mo-
delo matem´atico levamos em conta apenas alguns aspectos desta realidade, tentando isolar os
aspectos mais relevantes. Com este esp´ırito, em nosso modelo vamos supor que N = N(t) varie
continuamente com o tempo. Vamos inclusive derivar N em rela¸c˜ao a t. A derivada N

(t) =
dN
dt
representa a taxa de crescimento da popula¸c˜ao. Sabemos, da Biologia, que a taxa de crescimento
de uma popula¸c˜ao em um dado instante ´e diretamente proporcional ao n´ umero de indiv´ıduos
neste instante. Em s´ımbolos
dN
dt
= λN, (3)
onde λ > 0 ´e uma constante que s´o depende da esp´ecie de bact´erias que se est´a observando
(depende do tempo que cada c´elula leva para se dividir). A equa¸c˜ao diferencial (3) tamb´em
pode ser resolvida por separa¸c˜ao de vari´aveis.
dN
N
= λdt ou N = 0.
A fun¸c˜ao constante N = 0 ´e uma solu¸c˜ao particular de (3), embora n˜ao seja relevante no caso
da popula¸c˜ao. Por integra¸c˜ao,
_
dN
N
= λ
_
dt ,
ou seja, ln N = λt +C. Aplicando a exponencial, N = e
C
e
λt
. Mas e
C
representa uma constante
E
T
s
N
0
t
N
arbitr´aria. O significado n˜ao muda se usarmos
qualquer outra letra para represent´a-la. Podemos
inclusive usar novamente a letra C. Assim, a
solu¸c˜ao geral de (3) ´e
N = Ce
λt
.
Se for conhecida a popula¸c˜ao N
0
no instante ini-
cial t = 0, isto ´e, se tivermos uma condi¸c˜ao inicial
N(0) = N
0
, determinamos C = N
0
,
N = N
0
e
λt
.
Conclu´ımos que, segundo este modelo, a popula¸c˜ao cresce exponencialmente. Neste exemplo
novamente observamos que em cada ponto do plano passa uma e somente uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao
diferencial. Portanto acrescentando uma condi¸c˜ao inicial, ou equivalentemente, ao exigir que a
curva solu¸c˜ao passe por um determinado ponto, teremos uma ´ unica solu¸c˜ao para o PVI.
Obs. O fenˆomeno do decaimento radiativo pode ser modelado pela mesma equa¸c˜ao diferencial.
Se N = N(t) denota agora a quantidade de material radiativo em uma certa amostra, N decai
a uma taxa, em cada instante t, proporcianal `a quantidade existente de material no instante t.
Mas como N diminui, temos N

< 0. Assim a equa¸c˜ao diferencial ´e
dN
dt
= −λN .
Fazendo uma an´alise semelhante `a feita acima, encontramos a solu¸c˜ao geral
N = C e
−λt
.
3
Exemplo 3. Resolver a equa¸c˜ao diferencial
y

+y = 0 . (4)
Esta ´e uma equa¸c˜ao diferencial de 2
a
ordem. Por defini¸c˜ao, a ordem de uma equa¸c˜ao diferencial
´e a ordem da derivada mais alta que aparece na equa¸c˜ao. Ao resolver (4) estamos procurando
uma fun¸c˜ao y, cuja derivada segunda seja y

= −y. Pela experiˆencia acumulada do C´alculo,
conhecemos duas fun¸c˜oes que satisfazem a esta condi¸c˜ao, y
1
= y
1
(x) = cos x e y
2
= y
2
(x) =
sen x. Estas s˜ao duas solu¸c˜oes particulares da equa¸c˜ao diferencial (4). A partir delas podemos
construir toda uma fam´ılia de solu¸c˜oes,
y = C
1
cos x +C
2
sen x . (5)
Por exemplo, y = 2 cos x − 5 sen x faz parte desta fam´ılia.
´
E imediato verificar que qualquer
fun¸c˜ao da forma (5) ´e uma solu¸c˜ao de (4). De fato, se
y = C
1
cos x +C
2
sen x ,
ent˜ao
y

= −C
1
sen x +C
2
cos x
e, portanto,
y

= −C
1
cos x −C
2
sen x = −y .
O que n˜ao ´e nada ´obvio e ser´a mostrado mais tarde ´e que vale a rec´ıproca, toda solu¸c˜ao da
equa¸c˜ao diferencial (4) faz parte da fam´ılia (5), isto ´e, (5) ´e a fam´ılia de todas as solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao diferencial (4). Por esta raz˜ao, (5) ´e chamada de solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial (4).
Note que esta fam´ılia envolve duas constantes arbitr´arias, sendo por isto de um tipo “maior”,
do que a solu¸c˜ao geral de uma equa¸c˜ao diferencial de 1
a
ordem, que envolve uma constante
arbitr´aria. De uma maneira geral, o n´ umero de constantes arbitr´arias envolvidas na solu¸c˜ao
geral de uma equa¸c˜ao diferencial ´e igual `a ordem da equa¸c˜ao diferencial.
Exemplo 4 – Sistema Massa–Mola. Consideremos o sistema mecˆanico mostrado na figura,
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh
h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤
¤¤h
hh¤¤ ¤
¤¤
g g
r r
x(t) 0
m
k

F
'
formado por uma massa m presa a uma mola de
constante de elasticidade k e que realiza oscila¸c˜oes
livres (sem for¸ca externa), n˜ao amortecidas (sem
atrito) em torno de uma posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Colo-
camos a coordenada 0 na posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Em
cada instante t a massa ocupa a posi¸c˜ao de abscissa
x = x(t). A ´ unica for¸ca que age sobre a massa ´e a
for¸ca restauradora el´astica F. O sentido desta for¸ca ´e contr´ario ao do deslocamento x e seu
m´odulo ´e diretamente proporcional ao m´odulo do deslocamento.
F = −k x .
Por outro lado, pela 2
a
lei de Newton, a for¸ca ´e igual a massa vezes a acelera¸c˜ao,
F = m
d
2
x
dt
2
.
Igualando estas duas expres˜oes para a for¸ca, obtemos a equa¸c˜ao diferencial
m
d
2
x
dt
2
+k x = 0 ,
4
ou seja,
d
2
x
dt
2

2
x = 0 , com ω
2
=
k
m
. (6)
Podemos verificar que x
1
= x
1
(t) = cos ωt e x
2
= sen ωt s˜ao duas solu¸c˜oes particulares de (6).
Do mesmo modo que no exemplo 3, podemos, a partir delas, construir uma fam´ılia de solu¸c˜oes
x = x(t) = C
1
x
1
(t) +C
2
x
2
(t) = C
1
cos ωt +C
2
sen ωt . (7)
Nossa intui¸c˜ao f´ısica nos diz que para prever a posi¸c˜ao da massa em um instante t futuro,
precisamos conhecer dois dados, a posi¸c˜ao e a velocidade iniciais. Chegamos assim ao chamado
problema de valor inicial
_
¸
_
¸
_
x


2
x = 0
x(0) = x
0
x

(0) = v
0
(8)
que consiste da equa¸c˜ao diferencial de 2
a
ordem (6) e duas condi¸c˜oes iniciais. A solu¸c˜ao geral (7)
corresponde `as infinitas oscila¸c˜oes que nosso sistema massa–mola pode realizar. As condi¸c˜oes
iniciais permitem determinar as constantes C
1
e C
2
. De fato, fazendo t = 0 em (7) econtramos
C
1
= x
0
. Derivando (7) e fazendo t = 0 em (7), econtramos C
2
=
v
0
ω
= v
0
_
m
k
.
Assim, a equa¸c˜ao diferencial (6) tem uma infinidade de solu¸c˜oes, mas o problema de valor inicial
(8) tem uma s´o solu¸c˜ao,
x(t) = x
0
cos
_
t
_
k
m
_
+v
0
_
m
k
sen
_
t
_
k
m
_
. (9)
Observa¸c˜ao. Vamos aproveitar para fazer uma observa¸c˜ao muito ´ util nas aplica¸c˜oes. Olhando
a express˜ao (7) para a solu¸c˜ao geral, fica dif´ıcil ter uma id´eia geom´etrica da fam´ılia de fun¸c˜oes
por ela representadas. Por isto, vamos transformar a express˜ao (7). Seja P o ponto do plano
cujas coordenadas cartesianas s˜ao P =
_
C
2
, C
1
_
. O ponto P tem coordenadas polares, digamos,
C e ϕ, dadas por
C =
_
C
2
1
+C
2
2
e ϕ = arctan
C
1
C
2
.
Temos
C
1
= C sen ϕ e C
2
= C cos ϕ .
Substituindo em (7) temos
x(t) = C cos ωt sen ϕ +C sen ωt cos ϕ
ou seja,
x(t) = C sen
_
ωt +ϕ
_
. (10)
A conclus˜ao ´e que (7) e (10) s˜ao duas maneiras diferentes de expressar a solu¸c˜ao geral da
equa¸c˜ao diferencial (6). Este exemplo ilustra o fato que podem existir diferentes maneiras de
expressar a solu¸c˜ao geral. A express˜ao (10) para a solu¸c˜ao geral ´e muito mais conveniente para
ter uma descri¸c˜ao geom´etrica para a solu¸c˜ao geral. A constante ϕ corresponde a uma transla¸c˜ao
horizontal. O fator C simplesmente modifica a amplitude. Portanto qualquer solu¸c˜ao x(t) ´e
obtida da sen´oide x = sen ωt atrav´es de um deslocamento horizontal e da multiplica¸c˜ao por
uma constante C.
Classifica¸c˜ao das Equa¸c˜oes Diferenciais
5
– A ordem de uma equa¸c˜ao diferencial ´e a maior ordem de deriva¸c˜ao envolvida.
Exemplo: y

−2xy

+ 4y = e
x
´e uma equa¸c˜ao diferencial de 2
a
ordem.
– Uma equa¸c˜ao diferencial ´e ordin´aria (EDO) se a fun¸c˜ao procurada for de uma vari´avel.
Exemplo: Todos vistos at´e agora.
– Uma equa¸c˜ao diferencial ´e parcial (EDP) se a fun¸c˜ao procurada for uma fun¸c˜ao de v´arias
vari´aveis e, conseq¨ uentemente, a equa¸c˜ao envolver derivadas parciais.
Exemplo: A Equa¸c˜ao de Laplace u
xx
+u
yy
= 0, ´e uma equa¸c˜ao diferencial parcial de 2
a
ordem.
Alguns exemplos de solu¸c˜oes particulares da equa¸c˜ao de Laplace s˜ao u
1
(x, y) = x
2
−y
2
, u
2
(x, y) =
xy, u
3
(x, y) = x
3
− 3xy
2
, u
4
(x, y) = e
x
cos y, u
5
(x, y) = e
x
sen y, u
6
(x, y) = ln
_
x
2
+ y
2
_
,
u
7
(x, y) = arctan
_
y
x
_
, u
8
(x, y) = Ax +by +C, u
9
(x, y) =
x
x
2
+y
2
.
O objetivo de dar esta lista de algumas solu¸c˜oes particulares da equa¸c˜ao de Laplace ´e mostrar
que existem solu¸c˜oes dos mais diversos tipos. A estrutura da fam´ılia das solu¸c˜oes ´e muito mais
complexa do que nos exemplos vistos de equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias.
Nota¸c˜ao
No exemplo baixo mostramos 3 nota¸c˜oes usuais para a mesma EDO:
(i)
_
x −y
2
_
y

= x
2
y
(ii)
_
x −y
2
_
dy
dx
= x
2
y
(iii) x
2
y dx +
_
y
2
−x
_
dy = 0
Observa¸c˜ao. N˜ao precisamos nos preocupar com o sentido de cada um dos s´ımbolos dx e dy
isoladamente. Apenas convecionamos que o significado da express˜ao (iii) acima ´e o que se obt´em
ao dividir tudo por dx.
6

sendo por isto isto chamada ca de solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial (1). pode parecer meio a a a a m´gico. estamos querendo ılia co aquela que passe pelo ponto de coordenadas (a. teremos uma e somente uma solu¸˜o. Neste c ılia e exemplo pode-se notar um fato que ´ t´ e ıpico: por um ponto do plano passa uma e somente uma curva da fam´ (2). sempre que o desejarmos ele pode ser tornado rigoroso. Ela equivale a y =x y ou y = 0. Portanto D = 3 e−2 . ao integrarmos os dois lados. considerando o problema de valor inicial (PVI) y = xy . como vimos no exemplo acima. b). ao impor a condi¸˜o inicial y(a) = b. A partir daqui. mas que. Note que. 2 2 . substituindo a condi¸˜o inicial em (2). Por exemplo. y(2) = 3 . O procedimento descrito acima para resolver a equa¸˜o diferencial (1) ´ um procedimento ca e mecˆnico. ` primeira vista. pela Regra da Cadeia (para derivar fun¸˜es compostas). toda a vez que estivermos resolvendo uma equa¸˜o c˜ ca diferencial pelo m´todo de separa¸˜o de vari´veis.representa uma fam´ de solu¸˜es da equa¸˜o difeılia co ca rencial (1). temos 3 = D e2 . ca elas poder˜o ser agrupadas em uma s´. co ln |y| = 1 y . Isto se deve ao fato que. x2 + C. pois. Observa¸oes: 1. a o 2. Daqui para a frente. nunca mais e ca a colocaremos uma constante de integra¸˜o de cada lado. formando o que se ca chama de um problema de valor inicial. Logo a solu¸˜o ca ca do PVI ´ e x2 y = 3 e−2 e 2 . geometca ca ricamente isto significa que. No entanto. y = y y de modo que a equa¸˜o diferencial original pode ser escrita como ca ln |y| Logo ln |y| = x dx − =x. Portanto e (2) representa a fam´ ılia de todas as solu¸˜es da co equa¸˜o diferencial (1). continuamos como no exemplo acima. ca Figura 1 chamada de condi¸˜o inicial. Um ca ca esbo¸o da fam´ de curvas (2) ´ dado ao lado. que se presta para os c´lculos pr´ticos. pois como mostraremos a a e e seguir. Portanto se ` equa¸˜o diferencial ılia a ca (1) acrescentarmos uma condi¸˜o do tipo y(a) = b. Note que a solu¸˜o particular y = 0 ca tamb´m estar´ contida na fam´ (2). Consideremos novamente a equa¸˜o diferencial (1) ca y = xy . ´ um m´todo que pode ser usado sem reservas. dentre todas as curvas da fam´ de solu¸˜es. se permitire a ılia mos que D assuma tamb´m o valor 0.

Portanto acrescentando uma condi¸˜o inicial. A realidade em geral ´ muito complicada. Sabemos. Vamos inclusive derivar N em rela¸˜o a t. ou equivalentemente. ca ´ ca Obs. tentando isolar os a aspectos mais relevantes. (3) dt onde λ > 0 ´ uma constante que s´ depende da esp´cie de bact´rias que se est´ observando e o e e a (depende do tempo que cada c´lula leva para se dividir). Conclu´ ımos que. ao exigir que a ca curva solu¸˜o passe por um determinado ponto. A derivada N (t) = ca dt representa a taxa de crescimento da popula¸˜o. N ou seja. N decai a uma taxa. encontramos a solu¸˜o geral a a ca N = C e−λ t . Assim a equa¸˜o diferencial ´ ca e dN = −λ N . se tivermos uma condi¸˜o inicial e ca N (0) = N0 . pois s´ assume valores inteiros.Exemplo 2 – Crescimento Populacional. ln N = λ t + C. Neste exemplo ca novamente observamos que em cada ponto do plano passa uma e somente uma solu¸˜o da equa¸˜o ca ca diferencial. isto ´. Mas em um modelo matem´tico o a fazemos sempre descri¸˜es aproximadas. N = N0 eλ t . Indiquemos por N = N (t) o n´mero de indiv´ e u ıduos no instante t. A equa¸˜o diferencial (3) tamb´m e ca e pode ser resolvida por separa¸˜o de vari´veis. Num moco e delo matem´tico levamos em conta apenas alguns aspectos desta realidade. Podemos a inclusive usar novamente a letra C. N = eC eλ t . Por integra¸˜o. Em s´ ımbolos dN = λ N. embora n˜o seja relevante no caso ca e ca a da popula¸˜o. E claro que N varia aos saltos. O significado n˜o muda se usarmos a a qualquer outra letra para represent´-la. teremos uma unica solu¸˜o para o PVI. Aplicando a exponencial. 3 . Com este esp´ ırito. dt Fazendo uma an´lise semelhante ` feita acima. a solu¸˜o geral de (3) ´ ca e N = Ceλ t . a popula¸˜o cresce exponencialmente. por exemplo). o ca Se N = N (t) denota agora a quantidade de material radiativo em uma certa amostra. ca a dN = λ dt N ou N = 0. ca ca dN = λ dt . em cada instante t. Mas eC representa uma constante N T arbitr´ria. proporcianal ` quantidade existente de material no instante t. segundo este modelo. temos N < 0. determinamos C = N0 . O fenˆmeno do decaimento radiativo pode ser modelado pela mesma equa¸˜o diferencial. que a taxa de crescimento ca de uma popula¸˜o em um dado instante ´ diretamente proporcional ao n´mero de indiv´ ca e u ıduos neste instante. Assim. em nosso modelo vamos supor que N = N (t) varie dN continuamente com o tempo. a Mas como N diminui. da Biologia. A fun¸˜o constante N = 0 ´ uma solu¸˜o particular de (3). Suponhamos que se tenha uma popula¸˜o (de ca ´ bact´rias. N0 s E t Se for conhecida a popula¸˜o N0 no instante inica cial t = 0.

isto ´. Por defini¸˜o. y = −C1 cos x − C2 sen x = −y . c e ca F =m d2 x . Resolver a equa¸˜o diferencial ca y +y =0. E imediato verificar que qualquer fun¸˜o da forma (5) ´ uma solu¸˜o de (4). se ca e ca y = C1 cos x + C2 sen x . (5) ´ chamada de solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial (4). De fato. cuja derivada segunda seja y = −y. A partir delas podemos a co ca construir toda uma fam´ de solu¸˜es. Por outro lado. dt2 4 . n˜o amortecidas (sem c a ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h ¤h m atrito) em torno de uma posi¸˜o de equil´ ca ıbrio. De uma maneira geral. o e o F = −k x . Coloh¤ h¤ h¤ h¤ h¤ h¤ h¤ h¤ h¤r h¤ gr g camos a coordenada 0 na posi¸˜o de equil´ ca ıbrio. ca a e ca ca Note que esta fam´ envolve duas constantes arbitr´rias. y1 = y1 (x) = cos x e y2 = y2 (x) = co ca sen x. ca e a ca Exemplo 4 – Sistema Massa–Mola. que envolve uma constante ca ca arbitr´ria. dt2 Igualando estas duas expres˜es para a for¸a. Consideremos o sistema mecˆnico mostrado na figura. Estas s˜o duas solu¸˜es particulares da equa¸˜o diferencial (4). ent˜o a y = −C1 sen x + C2 cos x e. ca e a conhecemos duas fun¸˜es que satisfazem a esta condi¸˜o. ılia co y = C1 cos x + C2 sen x . Em x(t) 0 cada instante t a massa ocupa a posi¸˜o de abscissa ca x = x(t). Ao resolver (4) estamos procurando e ca uma fun¸˜o y. portanto. pela 2a lei de Newton. O que n˜o ´ nada ´bvio e ser´ mostrado mais tarde ´ que vale a rec´ a e o a e ıproca. toda solu¸˜o da ca equa¸˜o diferencial (4) faz parte da fam´ (5). obtemos a equa¸˜o diferencial o c ca m d2 x +kx = 0 . (5) ´ Por exemplo. a for¸a ´ igual a massa vezes a acelera¸˜o.Exemplo 3. a ordem de uma equa¸˜o diferencial e ca ´ a ordem da derivada mais alta que aparece na equa¸˜o. Pela experiˆncia acumulada do C´lculo. ılia a do que a solu¸˜o geral de uma equa¸˜o diferencial de 1a ordem. O sentido desta for¸a ´ contr´rio ao do deslocamento x e seu c a c e a m´dulo ´ diretamente proporcional ao m´dulo do deslocamento. A unica for¸a que age sobre a massa ´ a ´ c e for¸a restauradora el´stica F . (4) ca ca Esta ´ uma equa¸˜o diferencial de 2a ordem. a formado por uma massa m presa a uma mola de 'F constante de elasticidade k e que realiza oscila¸˜es co k livres (sem for¸a externa). Por esta raz˜o. (5) ´ a fam´ de todas as solu¸˜es da ca ılia e e ılia co equa¸˜o diferencial (4). sendo por isto de um tipo “maior”. y = 2 cos x − 5 sen x faz parte desta fam´ ılia. o n´mero de constantes arbitr´rias envolvidas na solu¸˜o a u a ca geral de uma equa¸˜o diferencial ´ igual ` ordem da equa¸˜o diferencial.

Vamos aproveitar para fazer uma observa¸˜o muito util nas aplica¸˜es. construir uma fam´ de solu¸˜es ılia co x = x(t) = C1 x1 (t) + C2 x2 (t) = C1 cos ωt + C2 sen ωt . Classifica¸˜o das Equa¸˜es Diferenciais ca co 5 e C2 = C cos ϕ . A constante ϕ corresponde a uma transla¸˜o ca e ca ca horizontal.ou seja. com ω 2 = . podemos. digamos. (7) Nossa intui¸˜o f´ ca ısica nos diz que para prever a posi¸˜o da massa em um instante t futuro. ca precisamos conhecer dois dados. Seja P o ponto do plano a cujas coordenadas cartesianas s˜o P = C2 . fazendo t = 0 em (7) econtramos C1 = x0 . . Olhando ca ca ´ co a express˜o (7) para a solu¸˜o geral. d2 x k + ω2x = 0 . De fato. A express˜o (10) para a solu¸˜o geral ´ muito mais conveniente para ca a ca e ter uma descri¸˜o geom´trica para a solu¸˜o geral. Por isto. C = C1 + C2 C2 Temos C1 = C sen ϕ Substituindo em (7) temos x(t) = C cos ωt sen ϕ + C sen ωt cos ϕ ou seja. Chegamos assim ao chamado ca problema de valor inicial   x + ω2x = 0  x(0) = x0 (8)   x (0) = v0 que consiste da equa¸˜o diferencial de 2a ordem (6) e duas condi¸˜es iniciais. fica dif´ ter uma id´ia geom´trica da fam´ de fun¸˜es a ca ıcil e e ılia co por ela representadas. As condi¸˜es a co co iniciais permitem determinar as constantes C1 e C2 . (6) 2 dt m Podemos verificar que x1 = x1 (t) = cos ωt e x2 = sen ωt s˜o duas solu¸˜es particulares de (6). O ponto P tem coordenadas polares. a equa¸˜o diferencial (6) tem uma infinidade de solu¸˜es. (9) Observa¸˜o. Portanto qualquer solu¸˜o x(t) ´ ca e obtida da sen´ide x = sen ωt atrav´s de um deslocamento horizontal e da multiplica¸˜o por o e ca uma constante C. a co Do mesmo modo que no exemplo 3. econtramos C2 = v0 = v0 m . A solu¸˜o geral (7) ca co ca corresponde `s infinitas oscila¸˜es que nosso sistema massa–mola pode realizar. ω k Assim. x(t) = C sen ωt + ϕ . o ca x(t) = x0 cos t k m + v0 m sen t k k m . a partir delas. mas o problema de valor inicial ca co (8) tem uma s´ solu¸˜o. vamos transformar a express˜o (7). O fator C simplesmente modifica a amplitude. dadas por C1 2 2 e ϕ = arctan . (10) A conclus˜o ´ que (7) e (10) s˜o duas maneiras diferentes de expressar a solu¸˜o geral da a e a ca equa¸˜o diferencial (6). Este exemplo ilustra o fato que podem existir diferentes maneiras de ca expressar a solu¸˜o geral. Derivando (7) e fazendo t = 0 em (7). a posi¸˜o e a velocidade iniciais. a C e ϕ. C1 .

ca e a ca a Exemplo: Todos vistos at´ agora. y) = ex sen y. u2 (x. a u ca Exemplo: A Equa¸˜o de Laplace uxx + uyy = 0. N˜o precisamos nos preocupar com o sentido de cada um dos s´ ca a ımbolos dx e dy isoladamente. conseq¨entemente.– A ordem de uma equa¸˜o diferencial ´ a maior ordem de deriva¸˜o envolvida. u (x. a equa¸˜o envolver derivadas parciais. Apenas convecionamos que o significado da express˜o (iii) acima ´ o que se obt´m a e e ao dividir tudo por dx. ´ uma equa¸˜o diferencial parcial de 2a ordem. ca e ca Alguns exemplos de solu¸˜es particulares da equa¸˜o de Laplace s˜o u1 (x. y) = x 4 5 6 y x u7 (x. e – Uma equa¸˜o diferencial ´ parcial (EDP) se a fun¸˜o procurada for uma fun¸˜o de v´rias ca e ca ca a vari´veis e. y) = ex cos y. xy. u (x. u9 (x. y) = co ca a 3 − 3xy 2 . y) = 2 x x + y2 O objetivo de dar esta lista de algumas solu¸˜es particulares da equa¸˜o de Laplace ´ mostrar co ca e que existem solu¸˜es dos mais diversos tipos. y) = ln x2 + y 2 . co a Nota¸˜o ca No exemplo baixo mostramos 3 nota¸˜es usuais para a mesma EDO: co (i) x − y 2 y = x2 y (ii) x − y 2 dy = x2 y dx (iii) x2 y dx + y 2 − x dy = 0 Observa¸˜o. 6 . . u (x. ca e ca x ´ uma equa¸˜o diferencial de 2a ordem. y) = Ax + by + C. Exemplo: y − 2xy + 4y = e e ca – Uma equa¸˜o diferencial ´ ordin´ria (EDO) se a fun¸˜o procurada for de uma vari´vel. A estrutura da fam´ das solu¸˜es ´ muito mais co ılia co e complexa do que nos exemplos vistos de equa¸˜es diferenciais ordin´rias. u3 (x. u8 (x. y) = arctan . y) = x2 −y 2 .