T E C N O C I Ê N C I A S /A R T I G O S

6. As Memórias são analisadas com profundidade por Clarete P.da Silva, em seu livro. 7. Devo as informações aqui utilizadas ao mestrado de Nelson Sanjad, N os jardins de São José: uma história do Jardim Bot â n i co do Grão Pará, 1796-1873, IG-Unicamp. 2001. 8. Segundo N. Sanjad, op. cit. o jardim estava inte g rado a um pro j eto mais amplo de urbanização e saneamento de Belém, o que mostra a importância atribuída por Portugal à cidade. 9. Ver listagem das plantas em N. Sanjad, op.cit. pp.91- 92. 10. So b re inst i tu i ç õ es brasileiras do século XIX, ver Simon Sc hwa rtzmann, Form ação da comunidade científi ca no Bra s i l, S. Pa u l o, Cia.Ed.Nacional, 1979; José Murillo de Carvalho, A escola de Minas de O u ro Preto, o peso da glória, S. Pa u l o, Cia.Ed.Nacional, 1978; Silvia Figueirôa, As ciências geológicas no Brasil: uma história social e institucional, 1875 -1 93 4, S. Pa u l o, Ed. Hucitec, 1997; Maria Marg a ret Lopes, O Brasil descobre a pesquisa científica. Os museus e as ciências naturais no século XIX, S. Paulo, Hucitec, 1997; Maria Amélia M. Dantes (org.), Espaços da ciência no Brasil. 1800-1930, Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 2001. 11. So b re a atuação de inst i tu i ç õ es cient í fi cas bra s i l e i ras na área da a g r i cu l tu ra, ver Heloisa M.B. Domingues, “Ciência: um caso de polít i ca. As relações ent re as ciências naturais e a agricu l tu ra no Brasil — Império”, douto rado, S.Pa u l o, FFLCH-USP, 1996. Quanto à re m o d el ação das inst i tuições nos anos 1870, co n s i d e ra m osque esse processo mostra como os gove r n a ntes e inte l e c tuais bra s i l e i ro aco m pa n h as vam o que ocorria na Eu ropa. Assim, as facu l d a d es de medicina e engenharia pro cu raram inco r p o rar em seus currículos, aulas ex p er i m e nta i s, marca registrada do sistema unive rsitário alemão, ent ã o, m u i toprest i g i a d o. 12. Esta questão esteve ba sta nte prese nte em co n g resso rea l i zado no Rio de Janeiro em 2000, cujos anais foram publicados por Alda Heizer e Antonio A.P. Videira: Ciência, civilização e império nos trópicos, Rio de Janeiro, Ed. Access. 2001. 13. So b re inst i tu i ç õ es de vários esta d os bra s i l e i ros, ver Ana Maria A. Alves, O Ipiranga apropriado. Ciência, política e poder. O Museu Paulista. 1893-1922, S.Paulo, Ed. Iluminuras, 2001; Beatriz Teixeira Weber, As artes de curar. Medicina, religião, magia e positivismo na República R i o - G ra n d e n se — 1889-1 928, Bauru/Sa nta Maria, EDUSC/ UFSM, 1999; André Luís Mattedi Dias, “Engenheiros, mulheres, mate m á t icos. Inte resses e disputas na profi ss i o n a l i za ção da mate m á t i ca na Bahia (1896-1968)”, doutorado, FFLCH-USP, 2002. 14. Sobre serviços de saúde pública do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, ver Jaime Benchimol (coord.), Manguinhos do sonho à vida. A ciência na Belle Époque, Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 1990; M. Alice R. Ribeiro, História sem fim... Inventário da saúde pública. São Paulo, 1880-1930, S.Paulo, Ed. Unesp, 1993. Além de B. Weber, op. cit. e M.A. Dantes (org.), op. cit. 15. No início do século XIX, a observação clínica de sintomas ainda era a base do conhecimento médico sobre doenças. Já com a microbiologia, o diagnóstico passa a ser feito em laboratório, bem como a produção de medicamentos.

AS DIFERENTES MANEIRAS DE SE ESTUDAR A INVENÇÃO CIENTÍFICA*
Carlos José Saldanha Machado

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urante as duas últimas décadas do século XX, o qual poderíamos chamar, sem nenhum exagero, de século das turbulências, a questão da invenção científica passou a ocupar as preocupações do meio acadêmico, sobretudo europeu e anglo-saxão. À imagem das próprias ciências que se prestam a múltiplos usos e definições, em função das tradições histórico-culturais de cada país, as abordagens adotadas são as mais diversas. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo dar uma visão de conjunto de algumas das diferentes maneiras de se estudar a invenção científica praticadas por filósofos, sociólogos, hist o r i a d o res, antropólogos e psicólogos. O fio condutor da leitura dos textos dos autores escolhidos está centrado na identificação das re spostas que são dadas para a seguinte questão: como se inventa uma idéia científica nova? Inicialmente, as diferentes tradições filosóficas procuraram definir em que consiste a especificidade do saber científico em relação às outras atividades humanas. Os filósofos basearam suas reflexões, com freqüência, nas teorias estabelecidas. Foi assim que, se apegando ao modelo da ciência da natureza, a re volução galileana, De sc a rtes (1, 2) pro c u rou construir sua Ma t h esis Un i ve r s a l i s. O que o i n t e re s s a va nas matemáticas era o método que elas praticavam permitindo chegar à cert eza. Refletindo, então, sobre as operações do espírito, por meio das quais o matemático alcança a cert eza, De sc a rtes chega a extrair os preceitos do método racional cuja ambição é a de chegar ao ponto mais impessoal do espírito. A única operação do espírito que nos assegura plenamente a ve rdade é a intuição evidente. A intuição é a própria visão de uma evidência, sendo a evidência o que salta aos olhos. A evidência é aquilo que eu não posso duvidar, de maneira que a dúvida torna-se o fundamento do método. É na subjetividade que D s c a rtes encontra os fundamene tos do conhecimento. Por sua vez, a questão fundamental colocada por Kant (3, 4), relativa ao status da metafísica — “a metafísica é possível como ciência?” — que determinará o critério de cientificidade do conhecimento, tem como referência a física newtoniana e seu sucesso. Kant atém-se a extrair da teoria de seu tempo os fundamentos operacionais que a tornou possível. Ao crer na verdade dessa nova teoria, ele identifica a estrutura de nossos espíritos à validade a priori de nossas teorias: o julgamento sintético a priori, estruturalmente conforme aos dados da experiência, garante o crescimento do conhecimento. Kant remete a possibilidade da ciência à racionalidade do sujeito. Esta concepção da ciência não coloca questões sobre a invenção no conhecimento porque invenção e conhecimento são dois conceitos superpostos. Inventar e conhecer são uma e única coisa. A reflexão

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a qualificação da pessoa como sendo o inventor é problemáaté mesmo heróico.T E C N O C I Ê N C I A S /A R T I G O S sobre o conhecimento tem início a partir de teorias científicas novas estudar a ciência enquanto está sendo feita. Os indivíduos estão totalmente absorvidos no social n ova sociologia das ciências. que são as inslada à imaginação. emerge no final dos anos 1970. aos fantasmas e aos prejulgamentos de um indivícrições literárias (16). o “ato criativo”. É a rede ou as redes que a pessoa representa que normas estabelecidas e refunda a ciência. conCOMO SENDO O tra sua vontade. à invenção um caráter de acontecimento singular. em termos de ator-rede. a priori. ao mesmo tempo em que o estatuto do ator permanece pesquisa. Eles se fixaram. Segundo. que o ponto de vista do ganhase interessar pelo processo da concepção científica habilitando o dor seja imposto com base no argumento de que ele era o mais raciopapel das práticas. Trata-se de nal que os outros. do coletivo e dos procedimentos (14). é então colocado fora do cação de toda uma série de condições materiais e coletivas. O material de suas análises é o estudo das controvérsias com ciências (12). cuja forma teórica mais acabada é a sociologia da trabase num mesmo princípio metodológico: a recusa de tomar o pardução ou teoria das redes (13). é resdas inscrições dos objetos científicos para compreender o pro c e s s o pondida com um pergunta mais abrangente: por que todo mundo de descoberta. Contudo. cujas qualidades são construídas na no sistema de recompensa. mas uma ruptura é instaurada por parte de um processo corriqueiro. fora de toda chama “processos cognitivos” não é outra coisa senão um trabalho explicação racional. as ou. por isso mesmo. com a psicologia da criação (8). racional. sem nenhuma especificidade. Pr i m e i ro. ainda não presente. Um ator é um ponto na ato permanece um mistério. Não obstante ser irracional e misteriosa. mas por que um Procurando dar conta da questão deixada de lado pela sociologia dos saber construído a um momento particular é mais eficaz que um cientistas. uma nova sociologia das outro. por isso explicável e banal. nos mecanismos de distribuição e de p rova. intersecção de dois movimentos: conectar. o pensamento indiviPopper (5. Para os primeiros. A invenção como processo intelectual é assimiconcreto sobre objetos construídos e exteriorizados. é a próquestão da invenção por duas razões principais. o ato criador INVENTOR É tornar-se passível de decomposição e re p ro d u ç ã o alguns “filósofos da criatividade”. Sociólogos e antropólogos passam a tido do mais forte e de aceitar. nas normas. Eles deixam a historiografia de lado e se lançam na 30 . aquela que dá ênfase nos procedimentos. e de rejeitar a origem das (Galileu por Descartes. alguns montar e associar novas redes. não mais como um indivíduo pode tivo consiste em revelar o que já está objetivamente presente. debruçando-se sobre a questão da e o conteúdo da ciência nunca é abordado. mas precisa ser apagada para que a ciência se torne visíve l . o ato invendescoberta e compre e n d e r. conseqüências decorrentes dessa relação são oposdesloca à vontade. As fontes da inovação são múltiplas e indeterminadas porAntes de prosseguirmos. impuro. que permitem e favorecem a produção de novos conheciproblemático. Um ato fundador rompe com as tica. A realização desses ENFIM. Esta epistemologeográfico localizado é igualmente um instantâneo arbitrário. i n ventar uma teoria mais racional que as outras. Contudo. 6. na perspecJá a sociologia dos cientistas ou sociologia clássica das ciências (11) t i va dos primeiros. A mesmo. no entanto. Esses sociólogos introduzem na cena acadêmica uma nova trabalho de criação da ciência e propondo uma nova definição do problemática. e a novidade ou a introdução por um ato de pensamento Para a nova sociologia das ciências. Contudo. Para os segundos. Newton por Kant). A ciência está inscrita na natureza do conhecimento invenção que se torna “verdade revelada”) é uma construção social. ela é o motor da uma narrativa particular ou o fruto de um processo de atribuição mudança. compreender como se inventa e por que este indivíduo inventa. A possibilidade da ciênidéias novas por considerá-la fora de seus propósitos. ficamos sem sujeito que conhece. desPor sua vez. A invenção como o resultado de um momento históricoA validade não tem mais nada a ver com a origem. gia dá. O que se campo da racionalidade científica e. os sociólogos juntam-se. é impossível. à perspectiva dos cognitivistas e de c r i a d o r”. queira dos processos cognitivos convida. a banalidade dos processos cogninão inventa? t i vos é suficiente para explicar as descobertas. ao Alguns historiadores anglo-saxões (18) passaram a se interessar pela invés daquele. Essa origem é cia é procurada no espírito do sujeito. A estudos chegam a colar questões sobre o psiquismo QUALIFICAÇÃO m ovimentos torna-se o resultado de uma capacide toda e qualquer pessoa ao invés do psiquismo dade estratégica. Em ambos os modelos. DA PESSOA “dos inventores” e. com os defensores da criatividade (10). 7) entre o contexto da descoberta e o contexto da justidual resulta de uma forma particular de apresentação e de simplifificação. um mito. Também. Mas esse a qualifica como tal (17). O contexto da descoberta. a em ação pelos cientistas na elaboração de um fato científico fazem dinâmica da ciência é pensável. Com os cognitivistas (9). A aparição de uma idéia nova tas. ator. a dimensão banal e corritorna-se o fruto de um mecanismo intelectual. o invenção. Enfim. a sociologia da tradução nos convida a repensar o lugar do reconhecimento constitutivos da invenção. ao invés do “ato De um certo modo. interpelar as condições da da psicologia da criação e o da sociologia dos cientistas. uma vez que tudo é flutuante na dinâmica da história. A descoberta (a de sua origem. a singularidade de um momento ou de um ato foca seus estudos sobre o meio e as formas de organização social da d e s a p a rece. reabilitando o papel dos não-humanos no mentos. porque a pria questão do encerramento de uma controvérsia e do estabelecivalidade das teorias científicas é garantida pela pureza e racionalidade mento de um acordo que é problemática (15). ele se PROBLEMÁTICA. O pensamento criativo individual torna-se d u o. convém observar que a filosofia ignorou a que. como desafio. a acompanhar o trabalho de constru ç ã o questão do porquê dessa pessoa inventar e aquela outra não. Além disso. as operações intelectuais postas s o b re qualquer coisa. arbitrária.

“Crea t i v i ty” i n The American psyc h o l o g i st. M.362. Conjectures et réfutations. Bourdieu. 10. N. Popper. Paris. com Popper. C.Meidel Publishing Compagny. Dordrecht. 8. Descartes. Critique du jugement. Hutchinson. Bourdieu. 1974. E. n°15. Discours de la methode–pour bien conduire sa raison et chercher la verite dans les sciences (plus) la dioptrique–les meteores et la geometrie qui sont des essais de cette met h o d e. Le sens pratique. 50. Paris. Kaplan. 1950. um sujeito esvaziado para se obter mais objetividade. 1989. 1928. K. “Quelques aspects d’une étude psychologique des milieux de recherche”. Pa r i s. Ca m b r i d g e . Lemaine. 1953. New York: Collier Books. R.. R..T E C N O C I Ê N C I A S /A R T I G O S c o m p reensão.Meidel Publishing Compagny. R. R. Rio de Janeiro.. segundo a intensidade da controvérsia. A e Claude. Maslow. F. C. Vidal. 1970. La connaissance objective. A. 1973. F. com Bourdieu. Guilfo rd J. D. 1956. Bulletin de psychologie. pp.412.282. 1976. 1963... eles nos mostram a que ponto a produção de um saber é uma negociação no interior dos laboratórios e.45 4. Paris. La logique de la découverte scientifique. in The Psychological Bulletin. The sociology of science..362. D. E. Editions de minuit. The social pro cess of sc i e nt i fic investigation. 6. “The social process of invention and discovery: the role of individual and society in sc i e nt i fic discovery”. in Scientific Creativity. Vidal.. i n Sc i e n ceand the social order. ACFET/INTERFACES. podemos dizer que ao procurar uma resposta para a questão que nos preocupa. Models of discovery. 1973. quem diz discussão.. Simon.. 1985. Guilford. Callon. o sujeito num campo. descoberta e inovação científica: os olhares das academias.. Models of discovery. P. l Simon. 198 4. e também Bachelard (19-22). Paris. 1972.392. J. 1953. D. Au se r v i ce de la créativité dans l’e nt re p r i se: la pensée l a t é ra l e.Y Wiley. 7. Robert Laffont. Sol. The psychology of science. 1931. Payot. 53.. Moles. in The psychological Bulletin. descobrimos com Descartes e Kant um sujeito purificado (a validade é em si ou encontra-se num jogo de correspondência com a natureza). J. B. 509. qual seja. 1977.). 1970..P. Une anthologie de la sociologie des sc i e n ce de la langue anglaise. 512-612. 196 6 . Dord re c ht. Guilford. Christe n sen. “Materials for the study of creative thinking”. Callon. Knorr (Eds).. Paris. n° 5. “The mes u re m e nt of individual differe n ces in originality” in Psychological Bulletin vol.. in K. A. Entreprise moderne d’édition. H. Science in action: How to fo l l ow sc i e ntists and engineers through so c i ety. 1987. La Découverte. Simon. Dordrecht.D. Guilford. K. Vol. Callon.392. A rc h . Paris. 3. com os diferentes protagonistas. 1977. Savoir et imaginer.. 1979. “Quelques aspects d’une étude psychologique des milieux de recherche”. 1963. J. 1973. Techn iq u es et méthodes de créativité appliquée ou le dialogue du poète et du logicien. M. La science telle qu’elle se fait. pp. Its recognition and developpement. Maslow. De Bo n o. PUF. com a psicologia. Flammarion. 12. quem diz negociação. R. G. A e Claude. p. 1962. IV. Lemaine. e.. n° 5. 1931. n°4. Para concluir. London: Harper and Row Publishers. Editions Complexe. R.. ao mesmo tempo. 444. 1963. diz discussão e. P. Latour. “Materials for the study of creative thinking”. 1973. Como conseqüência dessa orientação teórico-metodológica. P. psychology of science. La s découverte. P.. 1987. D.. Pa r i s. Paris. essa negociação é capaz de mobilizar um contexto social mais amplo. 509. 198 4. 28.. Harvard University Press. 196 6 . Paris Fayard. Actes de la recherche en sciences sociales. Socio. London: N. 1956. C r é ativité et méthodes d’innova t i o n . Flammarion. Paris: Fayard. de forma bem esquemática. Ao restituírem os diferentes pontos de vista dos atores. 50. 53 n°4. como se inventa uma idéia científica nova... “Le champ scientifique”. Critique de la raison pure. com Me rton. Mas. 1963. 192-224. L’ i n sta nt créatif. pp. Models of discovery.P. Wilson.. diz múltiplas interpretações do real. Guilford. J. J. Paris: Fayard. Vidal. esses historiadores recusaram a adoção de um relativismo ampliado posto que. E. 9. University Press of Chicago. Paris. Paris. “Struggles and negociations to define what is problematic and what is not : the socio-logics of translation”. Merton. Vidal. Re i d e l Publishing Company. Wilson. as análises sobre esse tema desenvolvidas mais detalhadamente no livro Invenção. Payot. um sujeito relativizado ao nível dos não-humanos..Ed Unive rsita i re. Paris. pesquisador e responsável pela Cooperação Técnica e Desenvolvimento de Projetos do Museu da Vida/ Casa de Oswaldo Cruz / Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).M A . Moles. J. Paris. pp.“The structure of intellect” in Psychological Bulletin. Carlos José Saldanha Machado é doutor em antropologia pela Sorbonne.. F. n° 2-3. pp.. The 11. J. De Bo n o. Pa r i s. B. e Latour. Kant. 1980. P. Sol. 444. H. F. “L’unité des arts et des sc i e n ces: la psychologie de la pensée et de la découverte”.. R.“The structure of intellect” in Psychological Bulletin. Méditations métaphysiques.P . Dordrecht. 28.370.. das razões de suas escolhas. E. Bulletin de Psychologie. pp.45 4. pp. para eles. R... M. A. P. 1974. 237. Simon. Paris. pp. * Esse artigo resume. H. Ent re p r i se moderne d’édition. La science et ses réseaux. Flammarion. Savoir et imaginer. 1980. “The relation of creativity to sociological variables in research organisation”. R. G.P. Guilfo rd. Descartes. 1977. La croissance du savoir scientifique. 1984. D. 1977.. Hutchinson.. 13. todos os saberes não se equivalem. “The mes u re m e nt of individual differe n ces in o r i g i n a l i ty” inPsyc h o l o g i ca Bulletin vol. Vrin.. 120-142. Editora E-Papers (no prelo). B. p p. Eu ro p.412. Christe n sen. Merton. 1944. 4.. C r é ativité et méthodes d’innova t i o n . London: Harper and Row Publishers. R.370. Barber. P. com a teoria das redes. vol. enfim. Chicago. Paris. Popper. 1950. o sujeito numa comunidade.Ed Unive rsita i re. 5. 1977.. Techn iq u es et méthodes de créativité appliquée ou le dialogue du poète et du logicien.. se é conduzido a retraçar o continuum das interações que modelam os s a b e res. Popper. “Crea t i v i ty” i n The American Psyc h o l o g i st. a criação de um sujeito lisonjeado — um gênio. pp. E. 512-612.. Pa r i s.. Assim. E. 252-271. 2.. L’ i n sta nt créatif. 31 . Robert Laffont.Meidel Publishing Compagny. 1987. K. Au se r v i ce de la créativité dans l’e nt re p r i se: la pensée l a t é ra l e. Kant. D.P . (orgs. 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Sage. 22. 1992. Pickering. La Découverte. ou mesmo moral. Cambridge University Press. ao tema da eqüidade e do acesso da modernidade e do progresso às populações do planeta. degradado. é associada a pouca idade. The Unive rsity of Chicago Press. Callon. Paris. ou.Lo g i cs of Tra n s l a t i o n”. Quer dizer.. Stock. que subjaz à própria idéia aludida anteriormente: juventude ou ve l h i c e depende do tipo de vida que se leva. A frase é do conhecido pintor espanhol Pablo Picasso e expressa. no mínimo. e Fujimura. B. mas a própria sobrevivência de grandes contingentes. Em suma. de se exe rcer o senhorio sobre a vida e a natureza. La psychanalyse du feu. ao tema da distribuição mais ampliada dos resultados das pesquisas geradas em laboratório. 1983. que atravessa toda a história de nossa espécie. M. uma aparente contradição. L’intuition de l’instant. contudo. por absoluta falta de alimentos. por si só. Quanto ao tema da longevidade. M. Clarke. pp. Hist. PUF. não apenas a longevidade. 17. recorrente. para que envelhecer num mundo inóspito.. Paris. Mas há também um outro sentido. “Against putting the phenomena first: the discovery of the weak neutral current”. da nutrição e da saúde.87-117. É também ética. G. The social process of scientific investigation. Questão. G. Afinal. S. S. 1988. the shaping of scientific knowledge among gentlemanly specialists. 16. os avanços no campo da engenharia genética e da biotecnologia — na chamada tecnociência — sugerem que tal possibilidade de maior controle sobre a vida e o corpo seja realmente um fato: limites biológicos vêm sendo superados a cada dia. seja este científico. i n K. em prol de algum consenso. n°2. (eds. 15. The uses of experiment. a questão meramente cronológica. 1980. Bachelard. G. oculto. 1989. como se pode leva r muito tempo para ser jovem? Ju ventude ou velhice são coisas vistas como independentes da vontade humana. 20. Hobbes et Boyle entre science et politique. M. G. Schaffer. Paris. Bachelard. vol 15. La formation de l’esprit scientifique. Markle. J. i n Gooding. Latour.). sempre mais em voga. o fulcro da p reocupação com a longevidade. e Peterson. Handbook of science and technology studies. ENVELHECER OU NÃO ENVELHECER? EIS A QUESTÃO Michelangelo Giotto Santoro Trigueiro L e va-se muito tempo para ser jovem. que coloca em cena. Gallimard.. La vie de laboratoire. Dordrecht. de modo geral. as controvérsias ainda estão muito ativas e nada indica que serão estabilizadas. Princeton Univers i ty Press. Rudwick. D. Paris. normalmente. do desejo humano. Stud. 1992. 21. Os riscos advindos da degradação ambiental constituem.T E C N O C I Ê N C I A S /A R T I G O S 14. (eds. Princeton. pp. “Glassworks: Newton’s prims and the uses of experiment”. Le nouvel esprit scientifique. Paris. e Schaffer. Chica g o. 1985. La science et ses réseaux.. A. Léviathan et la pompe à air. Vrin. 1989. assim.. não estão alheias à antiga pretensão. numa palavra.. nesse contexto. Atualmente. Callon. T. E.. se a condição do usufruto em torno dos benefícios provenientes da nova onda científica e tecnológica ainda não está sequer encaminhada? Refiro-me. Sci. e novas descobertas apontam para um mundo inteiramente inusitado e repleto de conquistas no campo da medicina. The great devonian controversy. Paris.. 1984. 1995. 32 . Reidel Publishing Company. 1984. C. 1994. vazio? Mas a discussão é de maior escopo. dos grandes dilemas humanos. se a qualidade da vida não for minimamente aceitável.. esta.).104. A idéia de juve ntude.. sem menosprezar a questão em foco — a respeito da possibilidade de aumentar o tempo de vida dos indivíduos. sob o risco permanente da desnutrição e da morte prematura. Cambridge. S. “Struggles and Negociations to Define What Is Problematic and What Is Not : the So c i o . Bachelard. prox i m amente. os da sobrevivência e.. Bachelard.. La Découverte. 1938. London.. E. S. Pinch. A. La découverte. Shapin S. são condições da própria vida. ainda. mediante a aplicação de novos conhecimentos científicos e tecnológicos — cabe insistir na agenda. pois. 19. os atinentes à problemática ambiental — também esta uma preocupação com a sobrevivência mais abrangente do planeta. 67.D.. e Sc h a ffer. Jasonoff. G. 18. The right tools for the job: at work in twentieth ce ntury life sc i e n ces. J. Knorr (Eds). melhor ainda. o que fazer com tanto tempo em adição? Não envelhecer para quê. Paris. Phil..