1822-1888: aspectos culturais de aceitação do protestantismo no Brasil. Protestantismo no Brasil Monárquico. missionário e profeta. 4. Co-autor: ---------Orientador: Marcello Otávio Neri de Campos Basile. HAHN. Robert Kalley: médico.Conclusão: Considerações finais. RIBEIRO. 2. 1989. Duncan Alexander.Desenvolvimento: “A querela de Kalley”.Referências Bibliográficas: CARDOSO.br. REILY.1ª Jornada de Iniciação Científica do PET-História UFRRJ Ficha de Incrição de Trabalho A Legislação do Brasil Império e a estratégia missionária de Robert Kalley Autor: Pedro Henrique Cavalcante de Medeiros. . 1984. 1973. São Paulo: Pioneira. e-mail: phcmedeiros@yahoo. História documental do protestantismo no Brasil. São Bernardo do Campo: edição do autor. 3. História do culto protestante no Brasil. Carl Joseph. a história da inserção do protestantismo no Brasil e em Portugal. 2001. Telefone: (21) 3106-5469. Boanerges.Introdução. São Paulo: ASTE.com. São Paulo: ASTE. Douglas Nassif. 1.

no Rio de Janeiro. Entre as estratégias evangelísticas adotadas destacam-se o culto doméstico e a escola dominical. . Houve muitos obstáculos para a efetivação do protestantismo no povo brasileiro. Desde então o protestantismo pode se expandir no Brasil. Robert Reid Kalley. 2001:86-94). Dentre os obstáculos que os missionários protestantes tiveram de enfrentar em seus projetos evangelísticos. Mesmo agindo de forma sutil os representantes católicos os perseguem. Houve muitos obstáculos para o êxito dessas missões. destaca-se a legislação brasileira que protegia o culto católico como religião oficial. Nesse contexto chega ao Rio de Janeiro em 1855 o casal Kalley. Muito sutilmente eles conseguem propagar a fé protestante sem ferir as leis do país. com um projeto inovador de evangelização protestante em um país com várias restrições à prática religiosa dos cultos acatólicos. Entre esses obstáculos. procurar legalmente a legitimidade para a sua missão. legislação e planos de evangelização. Palavras-chave: Protestantismo de missão. Dentre as investidas protestantes ocorridas durante o reinado de Dom Pedro II. em Portugal (CARDOSO. Ele iniciou um projeto evangelístico que iria se tornar o marco da inserção dos protestantes no Brasil. destacavase a legislação brasileira em vigor. destaca-se a evangelização do Pr. fizeram com que o protestantismo crescesse e se firmasse desde o Império. Robert Kalley toma uma decisão. alcançando sucesso. ∗ Graduando em História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Instituto Multidisciplinar em Nova Iguaçu (UFRRJ-IM). A experiência lhe ensinou a trabalhar em terras onde a liberdade religiosa não existia. Sabendo identificar e utilizar as oportunidades que lhe surgiram. um escocês que chegou ao Brasil em 1855 após perseguição sofrida na ilha de Madeira.A LEGISLAÇÃO DO BRASIL IMPÉRIO E A ESTRATÉGIA MISSIONÁRIA DE ROBERT KALLEY Pedro Henrique Cavalcante de Medeiros∗ Resumo: O século XIX foi o século das missões protestantes no Brasil. Introdução O século XIX foi o século das missões protestantes no Brasil.

O uso do culto doméstico não se restringiu apenas a ele. A escola dominical foi iniciada no mesmo ano em que o casal Kalley chegou ao Brasil. o que antes era entendido apenas como um culto familiar. também havia aulas de higiene. além de ter sempre a preocupação de evangelizar dentro dos limites da lei. 2001:113). em Petrópolis.) o reino de Deus” (CARDOSO.141). como a escolha do local onde ele iria morar: uma mansão que se situava nas proximidades da residência do Imperador Dom Pedro II. no momento em que eles chegaram à Petrópolis (agosto de 1855). localizada nessa cidade. ou seja. 2001:136-140). preparando-o para a sociedade e para e (sic. Segundo Cardoso. Sarah era fruto desse fenômeno. 2001:104. 1989:140. Ashbel Green Simonton. desde a sua missão em Madeira. e o objetivo de sua escola era “investir no homem como um todo. esse acreditava que a pregação deveria ser mais expansiva. Essa escola começou a ser frequentada por filhos das famílias Webb e Carpenter . o seu objetivo era dar melhores condições de vida para crianças resgatadas da marginalidade. moral e civismo. e não se tinha apenas estudos bíblicos. mas apenas em cultos domésticos. esse ocorrido fez com que algumas de suas atitudes fossem muito bem pensadas. 2001:117). mesmo antes de sair daquela mansão. Quando foi fundada. Esse cuidado na propagação do evangelho vai gerar atritos com o missionário que o seguiu. alugada pelo o embaixador americado senhor Webb. em casas particulares sem forma exterior de templo.2 A querela de Kalley Robert Kalley havia sido expulso de Madeira. o culto dos acatólicos torna-se tolerado. nota 157). utilizando o culto doméstico e a escola dominical (HAHN. O embaixador. O culto doméstico porque a partir da Constituição de 1824 em seu artigo quinto. logo ficaria desocupada (outubro de 1855). isso demonstrava o seu desejo de se aproximar da elite imperial e assim facilitar de algum modo o seu empreendimento missionário. mas foi passado para os seus ministros também. mais ousada (CARDOSO. a escola dominical tinha uma função fortemente social. A mansão Gernheim. 2001:112). gentilmente a cedeu para Sarah e Robert iniciarem as aulas da escola bíblica dominical (CARDOSO. o conceito de culto doméstico havia sido renovado. assim as Igrejas Kalleyanas começaram a se expandir (CARDOSO. Iniciada por Raikes na Inglaterra durante a Revolução Industrial. a partir desse momento se entende como um espaço privilegiado para a prática de evangelização e local para se prestar culto a Deus (CARDOSO.

3 (ingleses). e assevera que não estava fazendo nada que contrariasse a legislação. denunciou a sua missão a legação britânica. Assim se configou o plano evangelístico de Kalleyano. e do Barão de Santa Maria. entretanto algumas semanas depois. 2001:122). basenando-se no décimo segundo artigo do Tratado de Comércio e Navegação de 1810 que proibia aos súditos ingleses de fazer proselitismo. demonstrando com esse ato. grande estadista do Império. quais sejam: a senhora Gabriela Augusta Carneiro Leão e sua filha Henriqueta. no qual ninguém podia ser perseguido por motivo religioso. e com o parecer desses. Ora. segundo Cardoso. Mesmo tendo feito esse batismo em um culto doméstico. Caetano Alberto Soares. O . 2001:123). Isso revela que ele estava se baseando no texto do artigo 179. O núncio papal.103). a que risco o brasileiro estava submetido se quisesse seguir outra religião senão a do Estado. ele apresenta a sua defesa à delegação britânica. ele teria conseguido despertar a ira da liderança católico romana (CARDOSO. o Dr. o evangelista consultou três dos maiores juristas da época. representada pelo senhor William Stuart. Pessoa de Mello e o Dr. o conhecimento que tinha da legislação brasileira em vigor no Império. 2001:131). Pretendemos no presente trabalho fazer uma breve análise dessa querela. antes mesmo da abolição ele já se mostrava um abolicionista ferrenho (REILY. Qual seria o interesse em dar aulas para negros? Que negros seriam esses. Ele questiona quais seriam os limite da tolerância religiosa garantida legalmente. Muito sutilmente ele consegue realizar a evangelização do povo brasileiro sem ferir as regras (CARDOSO. todo o trabalho evangelístico nesse momento foi centrado nas pessoas de baixo estrato social (CARDOSO. mas uma coisa é certa. irmã e sobrinha do Marquês de Paraná. e punia os culpados com a extradição. Ele conseguiu se manter sem muitos problemas com a justiça imperial até o batismo de duas damas da corte. inciso V da Constituição de 1824.). Kalley iniciou uma classe para negros (Ibid. 1984:102. Nabuco. representado pelo senhor Paranhos. e soube usar esse conhecimento a seu favor. Urbano S. Além disso. Diante do exposto. libertos. conquanto que respeitasse a religião oficial. o senhor Dr. favorável ao seu pleito. Havia questões perguntando sobre a liberdade dos brasileiros de seguirem a religião que quisessem. se os brasileiros eram protegidos constitucionalmente em questão de religião. escravos? Nesse trabalho não pretendemos analisar essas questões. O pastor apresenta algumas questões a esses juristas.

segundo o inciso oitavo da Constituição: “Ninguem poderá ser preso sem culpa formada”. ninguém poderia ser perseguido por publicar suas idéias. embora Cardoso diga que os motivos da expulsão foram econômicos e sociais (CARDOSO. Havia questão sobre a condenação de alguém sem culpa formada. E por sua vez a legação britânica responde ao núncio papal. portando esse parecer favorável. ele recebeu um parecer favorável às suas questões. E o que deveria ser entendido por atitudes públicas? Ora. segundo a Constituição. e. 2001:86-94). Mas a lei proibia a punição de alguém sem culpa formada. ele temia que novamente pudesse ser expulso de um país por motivos religiosos. 1989:147. o seu plano não tinha nada de ilegal. Outra dúvida era sobre a prática do culto doméstico. se pregasse contra os preceitos da Igreja Católica de acordo com o artigo 277 do Código Criminal de 1830. regulamentado o que se devia entender por “ofensa a moral. Após ter pedido esclarecimento.148). 2001:109). Uma oportunidade foi aberta. segundo o texto do inciso sétimo do artigo 179 da Constituição: “Todo o Cidadão tem em sua casa um asylo inviolavel”. a entrada era franqueada a todos os que quisessem frequentá-la.4 único perigo. alegando que não estava cometendo nenhum crime. E. Afinal. e outros missionários aproveitaram para empreenderem os seus projetos no Brasil. o que estava sendo feito era público ou privado? Era privado no sentido de que tudo era realizado dentro de uma casa. pois o cidadão Robert Kalley não havia cometido nenhum crime. O missionário soube usar esse fato como legitimidade para continuar o seu trabalho e incentivou outros . ou seja. o culto doméstico era garantido aos acatólicos. enviou uma resposta a legação britânica. e era público por evangelizar todos os que fossem visitar a casa. questionando qual o motivo de se estar perturbando a legação britânica. conquanto que não atacassem a religião oficial (RIBEIRO. seria se alguém usasse de sua escolha para ofender a moral pública. à religião e aos bons costumes”. pelo que se entende. e isso incluía os protestantes. Considerações finais A conjuntura em que ocorreu essa querela era favorável à causa protestante (CARDOSO. O protestantismo pôde. Para esse pioneiro na evangelização protestante do país. "o precedente estava estabelecido e uma decisão legal obtida. e essa era tida como asilo inviolável. Nas palavras de Hahn. dentro destes limites. viver e crescer no país já desde os seus primeiros anos” (HAHN. 1973:33).

História documental do protestantismo no Brasil. HAHN. Douglas Nassif. missionário e profeta. São Bernardo do Campo: edição do autor. Boanerges. 1989. 1984. São Paulo: ASTE. . REILY. 2001. Protestantismo no Brasil Monárquico. São Paulo: Pioneira. Referências Bibliográficas: CARDOSO. Robert Kalley: médico. a história da inserção do protestantismo no Brasil e em Portugal. São Paulo: ASTE. 1973. Carl Joseph. RIBEIRO. História do culto protestante no Brasil. 2001:139). 1822-1888: aspectos culturais de aceitação do protestantismo no Brasil. Duncan Alexander.5 missionários a expandirem as suas missões (CARDOSO.