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Laboratório de Engenharia Química I

Cinética Homogênea.
Olga Pinheiro Garcia.
Experimento realizado em 30 / 03 / 2011.

Introdução
A interação entre componentes químicos normalmente resulta em variações de energia, podendo ceder ou receber calor para o ambiente. A quantidade de calor transferido é um parâmetro importante para caracterização de determinados processos ou substâncias, por exemplo, para calcular o calor de uma reação ou estimar a capacidade calorífica de um composto. Um instrumento simples e bastante comum, utilizado para medir o calor transferido em um processo físico ou químico, é o calorímetro. Existem diversos tipos de calorímetro, mas o mais frequentemente encontrado segue o esquema da Figura 1.

determinada quantidade (m1) de um líquido de calor específico conhecido (c) a temperatura T1 e adicionarmos outra quantidade conhecida (m2) do mesmo líquido a uma temperatura diferente, T2, será possível determinar a capacidade térmica do calorímetro (CC) a partir da Equação 1. ( ) ( ) ( ) Normalmente, utiliza-se água como o líquido de calor específico conhecido, colocando inicialmente no calorímetro uma quantidade à temperatura ambiente e, depois, acrescentando outra quantidade aquecida ou resfriada. A entalpia de reação entre um ácido AH e uma base BOH é denominada calor de neutralização. Ácidos e bases fortes em solução aquosa encontram-se completamente dissociados, então: Ou, resumidamente: Portanto, o calor de neutralização de ácidos e bases fortes é numericamente igual ao calor de dissociação da -1 água, ou -55,9 kJ.mol a 298K. No entanto, para eletrólitos fracos, o ácido, ou a base, ou ambos não estão completamente dissociados, então o calor de neutralização é menor que para os eletrólitos fortes. A diferença entre os valores é o calor de dissociação do(s) eletrólito(s) fraco(s). O calor de neutralização pode ser medido em um calorímetro, medindo-se a temperatura da solução presente no calorímetro antes e durante a reação. A capacidade térmica do sistema é a soma da capacidade térmica da solução com a capacidade térmica do calorímetro. Já a capacidade térmica da solução, é igual à massa de solução (msol) multiplicada por seu calor específico (csol). Assim, a entalpia molar de neutralização é dada por:

Figura 1 – Esquema de um calorímetro adiabático [3].

Este calorímetro permite isolar termicamente do meio ambiente o sistema a ser estudado, sendo fundamentalmente constituído de um frasco de Dewar, um termômetro, um agitador e uma rolha. Em um processo de transferência de calor que ocorra dentro do calorímetro, o calor liberado aquecerá não só o líquido, mas também os componentes do calorímetro. Portanto, para medição do calor liberado por um processo, primeiramente é necessário conhecer a capacidade calorífica do calorímetro, CC, ou seja, qual o calor necessário para aquecer o calorímetro inteiro em uma unidade de temperatura. O cálculo de CC pode ser feito ao realizar um processo cuja quantidade de calor liberado ou absorvido seja conhecida, controlando a temperatura rigorosamente. Assim, se tivermos no copo do calorímetro uma

Onde ΔT é a variação de temperatura no sistema e n é o número de moles que reagiram. Outro fenômeno que pode ser estudado com o uso de um calorímetro é o calor de mistura. Calor de mistura é a variação de entalpia que acontece quando dois compostos são misturados sem ocorrência de reação química, e depende da natureza e da concentração das substâncias misturadas. É necessário, porém, distinguir dois tipos de calor de mistura: calor integral e diferencial. Calor integral de mistura, ΔH, é o calor liberado, ou absorvido, quando se prepara, por mistura de dois componentes puros, uma

calculando a sua capacidade calorífica através da mistura de água quente com água a temperatura ambiente.K) mfria (g) mquente (g) Tfria (°C) Tquente (°C) Tf (°C) Cc (J/K) Duplicata 1 4. O Gráfico 1 ilustra o comportamento destas variáveis. considerando que. Para tanto.184 300 100 30 79 38 889. durante e depois da mistura. pode-se relacionar as duas grandezas a partir da Equação 3: | | Métodos  1ª parte: Calibração do calorímetro Colocou-se 350 ml (medidos em uma proveta) de água à temperatura ambiente dentro do calorímetro e medir a temperatura de equilíbrio.184 300 100 30 78 38 836. Esta prática ilustrou com clareza a utilização e aplicação do calorímetro adiabático. A água aquecida fornece calor ao sistema formado pelo calorímetro mais a água fria.8M. Sabe-se que a relação entre a concentração de um reagente e o tempo pode ser expressa em termos de: Tabela 1 – Valores utilizados no experimento e capacidade calorífica do calorímetro obtida. toda a água oxigenada teria sido consumida. Δh2 é | ̅ |. foi necessário inicialmente calibrar o calorímetro.  Materiais Calorímetro Serpentina de aquecimento Béquer Pipeta Pêra Proveta Ácido acético (CH3COOH) Hidróxido de sódio (NaCl) Ácido clorídrico (HCl) Clorofórmio(CHCl3) Água (H2O) Acetona (CH3(CO)CH3) Departamento de Engenharia Química – UFPE cH2O (J/g. é possível calcular o calor diferencial para uma dada concentração. Desta forma. e ΔH é M.1 Duplicata 2 4. calculou-se a concentração de H2O2 a cada tempo. Agitou-se a mistura e anotou-se a temperatura a cada 10 segundos. Utilizando os conceitos de propriedades parciais molares para um sistema binário. calculando também o calor diferencial de solução.  2ª parte: Calor de Neutralização Foi adicionado no calorímetro 300 mL de hidróxido de sódio a uma concentração de 0. significando que existe uma forte associação entre os dois componentes da mistura.1M. o gráfico de Δh em função de x pode apresentar um máximo. Resultados e Discussão 1ª parte: Determinação da ordem de reação e constante de velocidade O experimento foi realizado em treplicata à temperatura ambiente. a entalpia parcial molar ou calor diferencial. consecutivamente. tal que esta concentração não varie apreciavelmente a pressão e temperatura constantes. Mediu-se a cada cinco segundos suas temperaturas. conhecendo-se o calor integral em função da fração molar do soluto (x1). acompanhando sua evolução temporal antes. mediu-se o calor de neutralização de diversos ácidos com NaOH. Essa medição foi realizada duas vezes. A solução foi agitada moderadamente e foi registrada a temperatura. Em um sistema binário. Em seguida. Sabendo que a cada viragem era acrescentado mais 10mL de tiossulfato de sódio 0. misturas de acetona e clorofórmio com as frações mássicas variando de 0.  3ª parte: Calor de Mistura Colocou-se no calorímetro. chega-se a: |̅ | No caso de calor de mistura. tem-se: ̅̅̅̅ Por Gibbs-Duhen: ∑ Assim. A concentração em que este máximo ocorre representa a proporção molar dos componentes desta associação. Já o calor diferencial de solução.Laboratório de Engenharia Química I solução de concentração c. é o calor absorvido ou liberado quando 1 mol de soluto é dissolvido em uma quantidade infinita de solução de concentração c. além de medir o calor de mistura de acetona com clorofórmio. Foi anotada a cada cinco segundos ate que permanecesse constante. Agitou-se levemente e iniciou-se rapidamente a leitura da temperatura das soluções.2M. em seguida por uma de ácido fosfórico e depois por uma de ácido sulfúrico. ̅̅̅̅ ̅̅̅̅ Portanto. O procedimento foi repetido outras três vezes trocando o ácido clorídrico por uma solução de ácido acético. a entalpia de dissolução ou calor integral. bastante importante para diversos processos químicos. Neste experimento.1 a 0. Δh. acrescentou-se 50 ml de água aquecida a uma temperatura determinada.9. foi adicionado ao calorímetro 100 mL da solução de ácido clorídrico a uma concentração de 0. ao final. Logo após.8 2 . temos: [ ] ̅̅̅ [ ] ∑ ̅̅̅̅ Onde: Em um sistema binário.

teve-se a oportunidade de perceber que. A medição do calor de neutralização demonstrou que. Cap. provando a existência do calor de dissociação. Nelson L.com/2010/06/elaboraciony-calibracion-de-un. SOBRINHO. Referências Bibliográficas Daniels. Experimental Physical Chemistry. 2011. Introdução à Instrumentação Industrial. mesmo sem reação química propriamente dita. Recife.blogspot. 2 Departamento de Engenharia Química – UFPE 3 . A determinação da capacidade calorífica do calorímetro foi bem sucedida. Acesso em: 04 abr. o que se reflete em uma variação de energia na forma de liberação de calor. VIII. da Motta. UFPE. instrumento bastante utilizado na indústria química. pode-se observar a utilização de um calorímetro adiabático. 1998. 2 Retirado de: <http://fqmegablog. MEDEIROS.Laboratório de Engenharia Química I Conclusões Neste experimento. mas observou-se que a baixa precisão do termômetro e a diferença de 1°C no momento de calibrar o calorímetro podem gerar grandes diferenças no valor da capacidade térmica obtida. Maurício A. Departamento de Engenharia Química. existem interações entre compostos que são misturados. McGraw-Hill. Na terceira parte do experimento. de fato.html>. eletrólitos mais fracos apresentam menores entalpias de neutralização.

Gráfico A6 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação do calor de neutralização do ácido fosfórico com hidróxido de sódio. duplicata 1. Gráfico A1 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação da capacidade calorífica do calorímetro. Gráfico A3 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação do calor de neutralização do ácido clorídrico com hidróxido de sódio. Departamento de Engenharia Química – UFPE 4 . Gráfico A4 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação do calor de neutralização do ácido acético com hidróxido de sódio. duplicata 2. Gráfico A7 – Calor diferencial de mistura em função da fração molar de acetona. Gráfico A2 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação da capacidade calorífica do calorímetro.Laboratório de Engenharia Química I Anexo Gráfico A5 – Variação da temperatura em função do tempo na determinação do calor de neutralização do ácido sulfúrico com hidróxido de sódio.