As Microssociologias Georges Lapassade

Neste texto, Lapassade vai buscar um instrumental metodológico que auxilia em uma melhor compreensão da vida nos grupos, nas organizações e nas instituições para, ao mesmo tempo, intervir no sentido de sua transformação.

ESTRUTURA DO LIVRO
PARTE 1 TEORIAS MICROSSOCIOLÓGICAS

1. O interacionismo simbólico 2. Moreno, Lewin, Gurvitch 3. A fenomenologia social e a etnometodologia 4. A análise institucional (AI)

5. A observação participante 6. A pesquisa-ação

PARTE 2 DISPOSITIVOS

PARTE 3 CRÍTICA DOS FUNDAMENTOS DA SOCIOLOGIA
7. Tradição positivista em sociologia 8. Dois paradigmas

Conceitos introdutórios e contextualizaçao da obra
• Microssociologia (comparaçao entre niveis de analise: psicologia, Identidade, macrossocial, estrutura social…) • Psicossociologia, psicologia social • Antropologia e Etnografia • Reflexividade: “o antropólogo é alguém implicado em seu terreno a ponto de ser um dos construtores do terreno que ele estuda” (p.8). > pesquisa-açao, observaçao participante, não neutralidade, crítica à uma perspectiva de investigaçao social baseada em experimentaçao laboratorial.

• Socioanálise (a análise institucional em situação de intervenção sob demanda de um cliente) • Autogestao e autoanalise • Etnografia “exótica” e etnografia da escola (cultura dos jovens> cotidiano) • Análise Interna (exterioridade da instituiçao, etnografia…) • Crítica ainda mais profunda ao papel do especialista: análise institucional feita pelos próprios agentes. “É preciso ajudar os dirigentes dos estabelecimentos (e os atores) a construírem, para si, instrumentos para analisar a escola” (p. 13). Retomando rapidamente o trabalho dos T-Groups, o autor reafirma sua crença na autogestão pedagógica. Essa crença se baseia na ideia de que: “São as próprias pessoas que devem fazer a nova pesquisa-ação” (p. 13). • T-Groups: grupos de treinamento. Contexto da demanda: Pedagogia, gestao institucional, recursos humanos..., mas que convergem num objetivo terapeutico ou de aprendizado acerca do comportamento humano (ou do proprio grupo)

PARTE 1 TEORIAS MICROSSOCIOLÓGICAS .

criticos ao condutivismo (watson). teorias do self. ao behaviorismo e ao positivismo..O interacionismo simbólico Escola de Chigado (teoricos influenciados por Wundt. não o contrário. um instrumento desenvolvido pelo individuo para fazer possivel a solucao racional dos problemas. tomar o lugar do outro. O gesto verbal e o mecanismo atraves do qual se verifica esta evoluçao. Diferenciaçao Eu – mim na formaçao do self teoria de papeis. Herbert Blumer: interaçao simbólica Exercicio de delimitaçao do fenomeno humano.) George Herbert Mead. interaçoes que assumem o nivel institucional. Inatismo vs socio-histórico A mente é um produto da linguagem. .. diferenciaçao do comportamento animal e produçao de níveis teóricos que separam o humano de outros animais) as pessoas são produtoras de suas próprias ações e significações. A mente e um produto social.

são necessários às interações entre as pessoas e são. no decorrer de suas interações.. pelos indivíduos.• Símbolos significativos: nao produzidos por reacoes instintivas. atribuídos aos acontecimentos sociais. independentemente dos atores. .. • Símbolo: estímulo que tem um significado e um valor para as pessoas. As situações são criadas pelos membros. mas são. A definição da situação é a sua instituição. e cada pessoa o internaliza a partir de suas interaçoes particulares • Definição da situação: os significados sociais não são inerentes às instituições ou aos objetos sociais tomados em si mesmos.]. Os atores (papéis) sociais são “condenados” a interpretar continuamente o que se passa no contexto social local [. ao contrário. ao mesmo tempo – reflexivamente – produtos dessas interações.

mediadas pela noçao do outro generalizado. Por ser produtora e mantida pelas noçoes de outro generalizado.Self: construção de identidades. O eu (moi) objetivo é a parte do si que os outros percebem. (visao não essencialista do sujeito) . deve ser concebida sempre como inacabada e em movimento. Dois aspectos: O eu (je) subjetivo é o iniciador da ação – ele a percebe e ao mesmo tempo a constrói. Identidade emerge das interaçoes sociais.

mas reivindica uma autonomia.]. opondo-se à “outra sociologia”.. em vez de tentar descrever e analisar as formas de raciocínio dos atores sociais • A microssociologia interacionista não se define por um estudo feito de um nível da sociedade. mas o interacionismo comportamental impõe imediatamente ao mundo cotidiano conceitos organizadores e formas hipotéticas de raciocínio.• Interacionismo comportamental e o interacionismo fenomenológico: ambos ‘consideram a vida cotidiana como o fundamento da realiadade sociológica humana [.. .

Oposições entre a macro e a microssociologia: • determinismo social (macrossociologia) vs liberdade humana (microssociologia) • generalizações. a partir dos fenômenos sociais particulares (macro) vs explicar a vida social em sua complexidade e em todos seus detalhes (micro)? • dados empíricos (macro) vs coerência interna (micro)? • O sociólogo deve produzir ‘documentos’ do que se passa realmente a partir das ‘teorias’ dos membros (macro) ou elaborar seu discurso com base nas interpretações propostas pelos membros (micro)? • sociedade nacional ou internacional (macro). vs observações pertinentes a grupos e a organizações sociais de pequenas dimensões (ou mesmo de traços concernentes a uma só pessoa) (micro)? .

Resistencia? • A significação (meaning). que são vistas como aquilo sobre o qual a sociedade em seu conjunto está construída. O que mestre e alunos retêm como sendo realmente significativo numa lição. • A liberdade.Princípios básicos da microssociologia interacionista. . A atividade cotidiana não é totalmente imposta: há sempre autonomia e liberdade naquilo que se faz. • Levar em conta as atividades cotidianas.

.Princípios básicos da microssociologia interacionista. mas são constantemente modificados. ou seja. A atividade cotidiana é feita de interações de cada um com os outros. • As interações. há uma interpretação do comportamento dos envolvidos na interação. • A negociação. assim como o são as interações. nesse campo há negociações e renegociações. Os significados atribuídos pelos atores às próprias ações e aos atos dos outros não são definitivamente estabelecidos.

uma teoria da sociedade. por exemplo. Oposição entre a espontaneidade criadora dos grupos sociais e o rigor das condutas e das culturas. . Lewin. na obra de Reich. “Essa filosofia encontrou. pois foi por aí que Moreno começou. inicialmente. como. Gurvitch • A sociometria de Moreno • Sociometria: técnica capaz de quantificar as interações sociais. sua fonte na prática e na teorização do psicodrama. ou uma filosofia social. quando ele contrapõe a energia livre e a energia ligada e mostra.Moreno. Ela se encontra em outra fontes equivalentes. tanto a base das neuroses individuais quanto a das sociedades autoritárias do fascismo. na constituição da “couraça de caráter”.

3. é preciso. a medida e a compreensão qualitativa”. ao mesmo tempo. medidas quantitativas. distinguir três tendências: 1. no máximo. Quer “medir” o “social”. A propósito dessa medição. . Alguns se ocupam da “medição” e não levam em consideração o caráter qualitativo do que deve ser medido 2. nesse domínio. Outros se interessam pela espontaneidade social e pelo momento social e não admitem nenhuma possibilidade de aplicar. tentam utilizar.• Microssociologia: estudo de um pequeno grupo ou. enfim. de um estabelecimento. com Moreno. Outros. Ele tende a autonomizar esse objeto .

Características da abordagem de Moreno • Criar dispositivos experimentais artificiais para organizar as experimentações microssociológicas. para além de serem observadores participantes. • A ideia de uma “revolução sociométrica” poderia ser atingida através do trabalho de pequenos grupos. . • Os investigadores devem ser atores participantes.

Essa é a razão pela qual – utilizando uma expressão emprestada do psicoterapeuta Carl Rogers – se diz que esse dinamizador pratica no grupo uma ‘pedagogia não-diretiva’” (p. por outro. implicando uma teorização importante. • Conceitos de campo de grupo. no entanto. uma microssociologia de laboratório. dar-lhes lições. • O conceito de dinâmica de grupo designava. Group).Kurt Lewin e a dinâmica de grupo • Teoria dos grupos restritos. Um psicossociólogo está presente para ajudá-las a formular o sentido dessa experiência. • Técnica de formação. . por um lado. criou a pesquisa-ação que implicava uma técnica original de formação dos interventores sociais. Trata-se de um grupo formado por pessoas que se reúnem durante um certo número de horas. 30). de inspiração topológica. de campo social. o training group (abreviadamente T. no início. para analisar os processos de constituição e de funcionamento do grupo que estão organizando. sem. e.

36).A microssociologia de Georges Gurvitch • microssociologia seria um nível ou patamar da sociedade global (“formas de sociabilidade”) • censura os defensores da sociometria. . pois eles se esquecem do “primado ontológico da sociedade global”. Esse estudo encontra seu devido lugar numa concepção de vida social que não pára em suas formas estabilizadas e empenha-se em extrair o que esta vida contém de espontaneidade. de invenção” (p. • Microssociologia: estudo das interações constitutivas do social num certo nível. de criatividade.

e de uma “sociedade já feita”. • . Os institucionalistas franceses tomavam o termo como próximo da “sociedade sendo feita”. que seus efeitos se perpetuassem. • .“instituição”: devido à polissemia do termo. que deveria trabalhar a sociedade constantemente. • Permanece uma tensao entre o enfoque nos momentos de efervecencia e as forças de cristalizaçao. Gurvitch dizia que era inutilizável para um trabalho científico. em ebulição e com condutas criadoras. com seu sistema de normas já estabilizado (que atrairia os sociólogos por sua própria cristalização.“revolução permanente”: tomado de empréstimo a Marx e a Trotsky. . e se aproximava de Émile Durkheim sobre o entendimento de que “instituição” designava um aspecto social da “sociedade já feita”. pela “timidez conformista”). não se trata de algo ininterrupto.Espontaneidade social e reificação • “sociedade sendo feita”. mas que uma “revolução” não poderia parar. espontaneidade social que caracteriza a ordem do microssocial.

.As formas de sociabilidade • São as “múltiplas maneiras de estar ligado como todo e dentro do todo”. Aproxima-se das relações interpessoais. • . como se elas fossem toda a realidade social. Esse trabalho pode ser comparado “àquele da microfísica dos elétrons. esquecendo-se do Nós.sociabilidade por fusão parcial dentro do Nós. • . por oposição à “macrofísica regida pelas regularidades fundadas sobre o cálculo das probabilidades”.sociabilidade por oposição parcial. das ondas e dos quanta”.

a atitude natural. • . como as tiíficações e as categorizações . Os três componentes essenciais da fenomenologia social são: • .o estoque de conhecimentos (comuns) à nossa disposição para compreender nosso mundo-vida e os que o habitam conosco. • .certos processos do conhecimento comum.A fenomenologia social • Estudo da atitude natural do homem em seu mundo-vida e da maneira pela qual este é por ele constituído.

Os elementos desse estoque acessível não contêm seu modo de emprego. a cada momento. . Esse saber social toma o mundo como evidente por si ou. • “Pode-se resumir a contribuição da fenomenologia social pela apresentação pontual de um saber social que está fundado sobre um interesse prático e concreto do mundo (as pessoas na sua vida cotidiana não são pressionadas pelas regras da ‘racionalidade científica’). como diz Schütz. 42).A fenomenologia social • “As práticas ditas do ‘raciocínio de senso comum’ intervêm no levantamento metódico dos elementos do estoque de conhecimentos em função das necessidades de uma dada stuação. ‘suspende a dúvida’ sobre esse mundo” (p. socialmente ditribuído e tácito. 40). Possuem uma estrutura aberta que necessita. de decisões raciocinadas concernentes ao seu uso” (p.

consequentemente. mas sem lhes prestar atenção. 43). mas o estudo (logia) dos etnométodos. constitutivos do raciocínio sociológico prático” (p. Designa processos que são utilizados na vida cotidiana. enfoque nos senso comum . • Sociologia não profissional.A etnometodologia • Etnometodologia não um método (ou uma metodologia) para a etnologia. continuamente. para comunicar e interpretar o social ‘para todos os fins práticos’ e que são.

A etnometodologia • igulamente o do interacionismo simbólico: a etnometodologia tem por objeto a atividade metódica dos membros na produção e na manutenção da ordem social” • Como as pessoas utilizam as normas para interpretar o social nas suas interações? • A etnometodologia deve: tornar a situação familiar estudada “antropologicamente estranha”. . nada deve ser visto como evidente.

Corpus contingente. (realidade social local enquanto correlata com práticas locais de produção do social) Linguagem comum. (conjunto da linguagem cotidiana) Reflexividade. Aquele que domina a linguagem comum do grupo. Categorizações.A etnometodologia • • • • • • • As noções fundamentais Indexicalidade. Técnica de perturbação deliberada do real cotidiano. . (Relação circular entre os elementos constitutivos) Breaching (ou making trouble). (linguagem compartilhada de um grupo determinado) Membro.

Eles representam ou encarnam localmente a noção subjacente (o modelo que permite interpretá-los) e. A relação entre o “modelo” e o(s) “documento”(s) é. reflexiva” .A etnometodologia • método documental de interpretação: procedimento cognitivo que consiste em procurar um modelo único (pattern) subjacente ao conjunto de fenômenos concretos. contribuem para sua manutenção. ou exemplos desse modelo. consequentemente. portanto. permitindo interpretá-los. Esses fatos concretos são percebidos como sendo os documentos.

A Análise Institucional • A psicoterapia institucional • A psicossociologia • A autogestão pedagógica A segunda fase • A bionergia: técnicas dos grupos de encontro e do “potencial humano”. A introdução desses métodos foi necessária por causa das intervenções socioanalíticas que eram agressivas e provocavam “descargas emocionais” que os socioanalistas não sabiam administrar .

o que retoma a ideia de uma autogestão da análise nos T. de especialista. . tornando-se esse somente um eventual recurso para o grupo. Group. A consequencia disso é que não se necessita.A Análise Institucional A segunda fase • A análise interna: Efeito Al Capone e efeito Goffman: A análise interna pressupõe que cada um pode ser analista. para dirigir a análise coletiva.

Mostrar os procedimentos pelos quais o social se reúne localmente e. portanto. se institui nas e pelas práticas institucionais dos membros. As práticas desviantes são muitas vezes provocadas pela própria instituição escolar e pelos professores. mas descreve o desvio como sendo resultado de uma construção interativa e localizada. .A Análise Institucional Para a AI. os “provocadores de desvios”. os analisadores desviantes contribuem para revelar a ordem estabelecida descrita como coercitiva e arbitrária. A análise interacionista também vê na desvio um revelador social das normas prescritas.

na verdade. enquanto. a raciocinar de maneira mais “clássica”. na situação analisada”. da implicação do pesquisador no seu trabalho. mas presente. a AI traz um novo e importante esclarecimento quando evidencia uma dimensão institucional escondida. como já foi visto. . ela se preocupa essencialmente – é de fato a base de seu paradigma – com a relação entre o instituído e o instituinte. do diário de pesquisa. Inversamente.CONCLUSAO • “À convergência das microssociologias em torno de uma concepção construtivista de uma ordem social que se institui. • a abordagem interacionista enfatiza a construção social desse desvio. acrescenta-se uma convergência metodológica. em termos de relações com a norma instituída. em nível das abordagens qualitativas. ali onde a AI tendia.

PARTE 2 DISPOSITIVOS .

1. A implicação do pesquisador na observação participante A implicação periférica (distanciamento suspeito. definiçao de papeis). É uma pesquisa de interações sociais intensas entre pesquisador e sujeitos. impossibilidade de análise). A implicação completa (participaçao observante. onde os observadores mergulham pessoalmente na vida das pessoas. A negociação de acesso ao campo (Relaçao de Confiança) 2. A implicação ativa (mantem um distanciamento mas participa das atividades do grupo. O observador participante externo (pesquisador) e o observador participante interno . por oportunidade ou conversao) 3.A observação participante Técnica fundamental da investigação etnográfica.

6. Técnicas anexas a) conversação corrente.A observação participante 4. Observação declarada e observação não-declarada Em geral. b) entrevista etnográfica (elaborar um relato de vida. o pesquisador se identifica. 7. “Crítica” à implicação Como conciliar a implicação com o necessário “distanciamento”? O etnógrafo corre o risco de descrever o mundo social numa linguagem profana e não na da ciência ou da sociologia. c) documentos oficiais e pessoais. mas pode dissimular. . conhecimento dos acontecimentos que não são diretamente observáveis e coletar descrições de uma categoria de situações ou pessoas). Participação e distancimento (é preciso encontrar “um equilíbrio sutil entre o distanciamento e a participação”) 5.

Mas.A observação participante 8. Não se trata de uma construção de sociólogo. ou seja. mas é assumido por cada qual participante do grupo. o sistema de regras interiorizadas. . 10. Investigação padrão e observação participante A investigação por meio de questionário e a observação participante têm em comum o fato de partirem da realidade social. O trabalho de campo pode ser ele mesmo o objeto de uma sociologia. A “cultura” e o paradigma interpretativo A observação participante procura descrever a “cultura” do grupo estudado. Um encontro social. a aplicação de questionários poderia garantir a objetividade do pesquisador. reconstituir a ordem cultural normativa. há diferenças: a observação participante não pode fornecer dados objetivos. 9.

e assim sucessivamente. A etnografia não é somente a negociação de acesso ao campo. prática desse plano de intervenção e avalização dos primeiros resultados. Observação participante e pesquisa-ação (O conhecimento construído na observação participante torna-se instrumento de mudança na pesquisa-ação) Da intervenção à observação participante • • • • • • Socioanálise e etnografia Pontos de convergência: a noção de intervenção não é específica. etc. na contabilidade. . mas o fato de que a negociação seja permanente. Suas fases: plano de pesquisa. planejamento sobre uma nova etapa a partir dessa base.A pesquisa-ação A pesquisa-ação clássica • A contribuição de Kurt Lewin (visavam a modificar atitudes de comportamentos em alguns setores da atividade social). Socioanálise: a encomenda é objeto de uma análise que vai se prolongar até o fim da intervenção. e seja objeto de uma análise contínua. até o término da investigação. podendo haver pedido de autoria na gestão.

está em constante relação dialética com a prática. O conhecimento.A pesquisa-ação A “nova pesquisa-ação” • Uma análise interna das práticas (Na “nova pesquisaação”. em resposta a um problema levatnado concretamente. “Práxis designa a ação associada a uma estratégia. e na qual o autor está envolvido”. em situação. . assim adquirido. são os que já passaram pela pesquisa e se tornam pesquisadores e conduzem sua pesquisa desde dentro: eles fazem a “análise interna” de sua prática) • A práxis (designa uma ação informada e implicada.

Distinguir idéias e interpretações que são sistematicamente deformadas pela ideologia das que não o são (a distorção das próprias idéias pode ser superada). Esforçar-se por identificar o que. Empregar as cateogrias interpretativas dos docentes e de outros participantes do processo educativo. e a questão de sua verdade será resolvida pela prática. bloqueia a mudança racional e seja capaz de propor interpretações teóricas das situações que permita os participantes do processo educativo superarem tais bloqueios. 3. objetividade e verdade. Romper as concepções de racionalidade. na ordem social existente. .A pesquisa-ação A “nova pesquisa-ação” Cinco exigências 1. Fundamentar-se no reconhecimento explícito de que ela é prática. 2. 5. 4.

PARTE 3 CRÍTICA DOS FUNDAMENTOS DA SOCIOLOGIA .

• A Etnometodologia busca inserir uma dimensao reflexiva no trabalho sociológico. mas tenta extrair os pressupostos desse trabalho.Crítica dos fundamentos da sociologia • Trata-se de um exame dos fundamentos. . A etnometodologia não propõe novo método para praticar a sociologia.

a “vida interior” é do domínio privado e não poderia ser objeto de pesquisa para a sociologia”. influência sobre a psicologia social experimental (anos 1940-1960). para os positivistas. Mas. . de valores mostram. • A sociologia positivista aplicada: Sociologia americana: estrutural-funcionalismo e quantificação. a importância da subjetividade na vida social.Tradição positivista em sociologia • A orientação positivista: “As noções de cultura. de ideologias. de crenças. sem dúvida.

existe uma sociedade ‘verdadeira’. tratados. implicitamente. um invisível por trás do visível que se deixa ver na vida diária. Esses materiais foram trabalhados. que os investigados já são ‘analistas profanos’ de sua sociedade. Duas grandes orientações da pesquisa empírica em sociologia: a orientação quantitativa e a orientação qualitativa. para passar do material inicial – as respostas obtidas. tratamento das respostas com o instrumento matemático e estatístico. Mais ainda: todo esse trabalho admite. enquanto atores sociais. Estabelecer uma amostra estatística da população a estudar. Tratamento dos “dados”. Mas esse tratamento dos mateirais pressupõe que os investigados. mas não-visível. • • . as declarações fornecidas – à situação de ‘dados sociológicos’ “Para o sociólogo. apóiam-se em percepções formadas e já modeladas pelas suas experiências sociais. Os ‘dados’ extraídos dos contatos entre investigadores não são materiais brutos. de cifras e percentuais.As técnicas da sociologia padrão. • Construção de uma amostra e aplicação de um questionário. questionário com respostas fixadas. Resultados apresentados em forma de tabelas.

a seguir. no começo. Anunciam-se. dito científico. . O ponto de partida teórico é. então. suas explicações são formuladas em termos de causalidade. seus pontos de vista acerca da realidade que o circunda. do pesquisador. É preciso assegurar-se de que as palavras do investigado têm valor de verdade. que ele esteja em condições de controlar os riscos de distorção e de garantir a validade dos dados coletados. • A análise dedutiva e os indicadores sociais. Espera-se dele. modificado. Uma relação de causa e efeito é colocada como princípio explicativo. suas convicções. “A ‘sociologia quantitativa’ está fundada sobre um modelo de análise dedutiva. Essa interação interfere no procedimento. suas atitudes. definições operacionais de conceitos teóricos. finalmente. a partir das hipóteses iniciais. uma hipótese a testar – anunciada no início de uma investigação – é derivada de uma teorização prévia.Críticas à Tradição positivista em sociologia • Um encontro social: “A investigação é a ocasião de um encontro social. a observações cujos resultados são confrontados com os que foram previstos. Procede-se. de modo preciso. que expressem. confirmado ou rejeitado em função dos resultados da investigação assim efetuada”.

ao contrário. na qual podem entrar Weber. como goffman. que a teoria sociológica se divide em duas tendências fundamentais: uma normativa.. Com todas as suas deficiências. Parsons e as escolas marxistas. e uma outra tendência individualístico-interpretativa. essa oposição assinala uma distinção fundamental que separa os teóricos da sociedade: há os que consideram a sociedade como uma realidade objetiva e determinante e os que. à qual pertencem Durkheim. . e as correntes da sociologia qualitativa [. Simmel e teóricos independentes.Paradigma normativo e paradigma interpretativo • “Poder-se-ia dizer. simplificando. fazem dessa sociedade um problema aberto e insolúvel”.]..

ou livremente.. Ele constitui. mais ou menos de forma criativa. Isso sempre se aplica a todos os fins práticos. certas regras e dispõe de procedimentos. em contrapartida. Essa manipulação das normas segue. as “normas” *.+.. mas como o lugar no qual os atores manipulam. o objeto da sociologia qualitativa”. evidentemente. que rege a “manipulação das normas”. Mas esse mundo das regras cotidianas.Paradigma normativo e paradigma interpretativo • O exemplo do desvio e seu tratamento: a vida cotidiana não aparece como o campo de aplicação ou de execução de uma consciência coletiva. . é ignorado pela sociologia convencional.

ao contrário. atribuídas aos acontecimentos sociais pelos indivíduos no decorrer de suas interações” (pp. exibindo os sinais da cientificidade. independentemente dos atores.• Dois tratamentos do social: Sociólogos positivistas: a sociologia tem por tarefa primordial instituir-se como uma ciência. 145-146). . Elas são. apresentar as ações e as reações do ator social no contexto de sua vida diária. Para outros: o importante é descrever as atividades cotidianas. • A profissão de sociólogo: “A ideia básica é que as significações sociais não são inerentes às instituições ou aos objetos sociais tomados em si mesmos.

independentemente dos atores. ATRIBUÍDAS AOS ACONTECIMENTOS SOCIAIS PELOS INDIVÍDUOS NO DECORRER DE SUAS INTERAÇOES. ao contrário. Elas sao.O Projeto da Microssociologia As significaçoes sociais nao sao inerentes às instituiçoes ou aos objetos sociais tomados em si messmos. .

VER O QUE ELES VEEM. OS SOCIOÒLOGOS ANTIPOSITIVISTAS VAO BUSCAR CONHECER O QUE OS ATORES MESMOS CONHECEM. . O QUE PARA ELES E IMPORTANTE E O QUE NAO É. APROPRIAR-SE DE SEU VOCABULARIO.O Projeto da Microssociologia • EM VEZ DE ESCOLHEREM O QUE E PRECISO OBSERVAR E DESCREVER. COMPREENDER O QUE ELES COMPREENDEM. DE SEU MODO DE VER O MUNDO. A PARTIR DE SEUS PRÓPRIOS INTERESSES CIENTÍFICOS.

Esse esforço está no cerne do projeto da microssociologia. estabelecer o que os atos delas significavam para elas mesmas naquele momento.O Projeto da Microssociologia Os atores sociais estao “condenados” a continuamente procurar interpretar o que se passa no contexto social local onde atuam. Para ter acesso a isso. a dar um sentido aos atos dos outros para a eles responder. Ele vai tentar identificar os motivos que as pessoas tinham para fazer o que fizeram. Essa “definiçao da situaçao” pelos membros de enraíza em suas biografias. o sociólogo vai se esforçar em adquirir um “conhecimento de membro”. . na comunicaçao verbal e nao-verbal. na própria situaçao.

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