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I Congresso Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental - I COBESA

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ANÁLISE DO DESPERDÍCIO DE ÁGUA EM ESCOLAS DA REDE PÚBLICA NA CIDADE DE UBERLÂNDIA-MG.

Marcio Ricardo Salla (1) Professor Adjunto, Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Federal de Uberlândia/MG Fernanda Ribeiro Garcia de Oliveira (2) Graduada em Arquitetura e Urbanismo – UNITRI - Uberlândia/MG André Luiz de Oliveira (3) Professor Adjunto, Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Federal de Uberlândia/MG

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RESUMO

Este artigo abordou o elevado consumo de água em escolas municipais e estaduais na cidade de Uberlândia/MG relacionado com vazamentos em bacias sanitárias e válvulas de descarga. Foram selecionadas escolas que, dentro de cada categoria, apresentaram um maior consumo de água, sendo três da categoria EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil), quatro da categoria EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) e duas da categoria EE (Escola estadual). As escolas escolhidas foram visitadas e tiveram seus sanitários averiguados com o propósito de verificar o modelo das bacias sanitárias e se as

mesmas apresentavam algum tipo de vazamento. Através da análise dos resultados pode-se inferir que parte

do elevado consumo de água encontrado esteja relacionado com vazamento em bacias sanitárias na maioria

das escolas; bacias sanitárias que não atendem a nova normatização que diz que as mesmas devam possuir volume de descarga reduzido, funcionamento com descarga contínua para as escolas que possuem mictórios; entupimento freqüente das bacias sanitárias. Com isso, faz-se necessário a realização de intervenções por parte dos órgãos competentes para sanar os vazamentos, como substituição dos equipamentos por outros que tenham consumo mais racional de água.

PALAVRAS-CHAVE: Desperdício de água, vazamento em vaso sanitário.

INTRODUÇÃO

Considerando o cenário mundial, a preocupação com as questões ambientais é cada vez maior devido aos inúmeros desastres naturais que assolam os países de forma diferenciada, no entanto, sem distinção de classe sócio-econômica, localização, etnia e outras características que identificam determinada região.

As atividades antrópicas desordenadas e com descaso ao meio ambiente reforçam as possibilidades de catástrofes ambientais, como se tem visto. São recorrentes os noticiários que retratam tais acontecimentos em distintas localidades, que dependendo do tipo e intensidade, poderiam ter seus efeitos reduzidos ou até mesmo anulados.

Neste sentido, na tentativa de minimizar a parcela das atividades antrópicas na incidência destas catástrofes os governos e instituições buscam novas alternativas de gerenciamento do uso da água na tentativa de preservá-la para as gerações futuras. Assim, de acordo com Silva et al (1999, apud LINS e RIBEIRO) o gerenciamento da demanda e da oferta refere-se a qualquer ação de benefício que reduza o consumo de água superficial ou subterrânea, compatível com a proteção e melhoria na qualidade da água. Consiste, portanto, em medidas, incentivos ou práticas que produzam o uso eficiente de água pela sociedade pela modificação dos hábitos do usuário, sem prejuízo dos atributos de higiene e conforto, resultando em redução do consumo final.

O gerenciamento integrado – demanda e oferta – deve promover a interação efetiva do ciclo hidrossocial

com o ciclo hidrológico, desenvolvendo processos cooperativos institucionais com enfoque sistêmico,

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preditivo e adaptativo, com igual ênfase em medidas estruturais e não-estruturais (TUNDISI, 2003 apud LINS E RIBEIRO).

Para Arreguín (1991, apud LINS e RIBEIRO) “o uso eficiente da água significa otimizar seu uso com a participação efetiva dos usuários e com um alto sentido de equidade social. A idéia do uso eficiente, conservação e economia de água deve fazer parte da conduta dos usuários, sendo básica para o desenvolvimento sustentável, assegurando que haja recursos suficientes para as futuras gerações”.

Diante do exposto, considerando a economia de água como parte integrante da gestão dos recursos hídricos, este trabalho representa grande contribuição uma vez que tem como objetivo a análise da relação entre o elevado consumo de água em escolas municipais e estaduais na cidade de Uberlândia/MG e problemas de vazamentos em seus equipamentos de utilização de água, especificamente, válvulas de descarga das bacias sanitárias.

METODOLOGIA

Com base em dados em pesquisa realizada no município de Uberlândia-MG, que constatou haver um elevado consumo de água por aluno*dia e em Oliveira, 2002 que cita: “As bacias sanitárias são freqüentemente apontadas como as responsáveis pelo maior índice de consumo de água em edifícios”, este artigo tem como objetivo verificar se nas escolas previamente selecionadas (do estudo referido no município de Uberlândia-MG) os vasos sanitários podem ser associados como um dos fatores responsável pelo elevado consumo de água.

Do estudo realizado por Oliveira, 2009 no município de Uberlândia-MG foram selecionadas escolas que dentro de cada categoria apresentou um maior consumo de água, assim, sendo três escolas para a categoria EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil), quatro escolas para a categoria EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) e duas escolas para a categoria EE (Escola estadual).

Após a escolha das escolas as mesmas foram visitadas e tiveram seus sanitários averiguados com o propósito de verificar o modelo de suas bacias sanitárias e se as mesmas apresentavam algum tipo de vazamento. Depois de concluir a inspeção das bacias sanitárias os dados foram agrupados e computados.

RESULTADOS

A Norma NBR 5626:1998 – Instalação Predial de Água Fria – determina que o uso da água e energia devam ser eficientes: “O projeto da instalação predial de água fria deve ser elaborado de modo a implicar no uso mais eficiente possível de água e energia nela utilizados (valores mínimos necessários e suficientes para o bom funcionamento da instalação e para a satisfação das exigências dos usuários).

Segundo a norma, a água nas instalações prediais de água fria deve ter o seu uso em quantidades mínimas o suficiente para garantir o desempenho da instalação e a aprovação dos usuários. Mas ao realizar a inspeção das bacias sanitárias nas escolas selecionadas, na sua grande maioria o que se observou foi um desperdício de água. De acordo com a Figura 1, nas três escolas da categoria EMEI visitadas em todas elas foi possível detectar vazamento em algumas das suas bacias sanitárias, o mesmo ocorrendo com as escolas inseridas nas outras duas categorias, EMEF e EE.

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Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental - I COBESA Figura 1 – Porcentagem de vazamento nas

Figura 1 – Porcentagem de vazamento nas escolas com as seguintes categorias: (a) EMEI; (b) EMEF; (c) EE.

Observando-se a Figura 1 é possível verificar que a maioria das escolas apresentou um percentual de vazamento nos vasos sanitários muito elevado, onde aproximadamente 80 a 90% de suas bacias sanitárias apresentaram vazamentos, seja nos furos da argola ou no funcionamento da própria válvula de descarga.

A análise destes dados leva a acreditar que uma parcela da água potável nestes prédios públicos está tendo o seu uso final indevido, ou seja, está sendo desperdiçado. Pois segundo Ilha et al (2002) “Considera-se desperdício toda água que esteja disponível em um sistema hidráulico e seja perdida antes de ser utilizada para uma atividade final, ou quando utilizada para uma atividade final de forma excessiva”. Assim sendo, os vazamentos podem ser relacionados como índices de desperdício.

Outra questão a ser abordada é o modelo do vaso sanitário, pois uma bacia sanitária que necessite de uma quantidade muito grande de água para conseguir remover e transportar os dejetos humanos também gera preocupação com relação ao consumo excessivo de água, outra forma de desperdício.

Algumas das escolas visitadas já apresentam vasos que para transportar e remover os dejetos humanos consomem em torno de seis litros de água. Este tipo de bacia vem atender um dos objetivos do Programa Setorial de Qualidade (PSQ) pertencente ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) que, objetivando o uso racional da água, propôs que fossem desenvolvidas bacias sanitárias que atingissem a meta de volume máximo de descarga, em torno de 6 litros (ILHA et al, 2002, p. 48).

Assim, tem-se desde o ano de 2002 as bacias de volume de descarga reduzido (VDR) que consomem em média 6,8 litros de água e que vieram para substituir as que necessitavam de até 30 litros para que fosse realizada uma limpeza adequada dos dejetos (VIMIEIRO, 2005, p. 25). Tendo em vista a significativa redução de descarga, de até 30 litros para aproximadamente 6,8 litros pode-se considerar que ocorre uma significativa economia de água, principalmente considerando-se prédios públicos como as escolas.

Na Figura 2 pode-se visualizar a porcentagem de bacias sanitárias encontradas em cada uma das escolas que atendem a esse novo volume de descarga de 6,8 litros de água por fluxo, chamadas de bacias sanitárias com VDR (volume de descarga reduzido).

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Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental - I COBESA Figura 2 - Porcentagem de bacias sanitárias

Figura 2 - Porcentagem de bacias sanitárias encontradas em cada uma das escolas que atendem a esse novo volume de descarga de 6,8 litros de água por fluxo, chamadas de bacias sanitárias com VDR (volume de descarga reduzido), sendo: (a) EMEI; (b) EMEF; (c) EE.

Através da análise dos dados apresentados na Figura 2 é possível atribuir que parte do consumo elevado de água nestas escolas possa ser devido também ao tipo de bacia sanitária que as mesmas possuem, com exceção das escolas EMEI 3, EMEF 3 e EE1 que apresentaram a maioria ou se não, a totalidade de seus vasos sanitários do tipo VDR, todas as demais possuem em sua maioria ou totalidade bacias sanitárias que consomem uma quantidade de água superior a 6,8 litros de água por fluxo.

A norma NBR 5626/98 afirma que: “Atenção especial deve ser prestada às situações de não utilização, ou de baixa freqüência de utilização de mictórios, evitando-se assim o desperdício de água através de sistemas de limpeza automáticos ou mistos. Em particular, destacam-se os seguintes períodos de não utilização: período noturno, finais de semana, época de férias, faixas de utilização entre horários de pico, entre outros” (FREIRE E PRADO).

Durante a verificação dos sanitários das escolas foi encontrado em duas delas um outro tipo de aparelho sanitário destinado aos sanitários de uso masculino e do qual trata a norma acima, o mictório tipo calha ou mictório coletivo e nos dois casos com descarga contínua. Na EMEF 1, uma funcionária pertencente ao quadro dos serviços gerais relatou que a descarga dos mictórios (a escola tem dois sanitários masculinos) é acionada no início da manhã e só é fechada no final do dia. Já na EMEF 4 foi relatado, também por uma funcionária dos serviços gerais que a descarga dos mictórios (também em número de dois) permanece aberta 24 horas por dia.

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De acordo com Freire e Prado, a descarga contínua presente nos mictórios “consiste de um tubo perfurado percorrendo toda a extensão do mictório gotejando continuamente, não necessitando da intervenção do usuário para que se tenha a descarga, em contrapartida, permanece gotejando mesmo quando o mictório não está em uso”. Nas duas escolas mencionadas, EMEF 1 e EMEF 4, o tipo de descarga encontrada nos mictórios é exatamente como descrito acima, ou seja, ocorre um grande desperdício de água o que também pode contribuir para o elevado consumo de água que estas escolas possuem.

Silva et al (2008, p. 43) quando fazem referência à qualidade de operação nas redes hidráulicas diz: “A principal recomendação é não submeter às redes hidráulicas a condições para as quais elas não tenham sido projetadas”.

Outro tipo de problema relatado pelos funcionários das escolas e que pode ser verificado em duas delas, é o entupimento dos vasos sanitários. O uso indevido dos vasos sanitários (alunos jogam papéis, absorventes e outros tipos de lixo) ocasiona seu entupimento e conseqüentemente, o acionamento repetido da válvula de descarga com a intenção de desobstruí-lo, o que também leva ao uso indevido da água e colabora com o aumento do volume de água consumido pela escola.

CONCLUSÕES

Através da análise dos resultados pode-se inferir que parte do elevado consumo de água encontrado nas escolas selecionadas esteja relacionado com os seguintes problemas: a maioria das escolas apresentou vazamento em suas bacias sanitárias; na maioria das escolas foi encontradas bacias sanitárias que não atendem a nova normatização que diz que as mesmas devam possuir volume de descarga reduzido, ou seja, que consigam eliminar os dejetos com aproximadamente 6,8 litros de água por fluxo; nas escolas que possuem mictórios os mesmo funcionam com descarga contínua; o entupimento das bacias sanitárias é freqüente.

Sob este prisma, faz-se necessário a realização de intervenções por parte dos órgãos competentes para sanar os problemas relacionados aos vazamentos e substituição dos equipamentos por outros especiais existentes no mercado e que economizam água. Além disto, o desenvolvimento de projetos ambientais que insiram no âmbito escolar a importância da preservação e conservação dos recursos hídricos é de suma relevância, visto que o espaço escolar é destinado à formação de novos cidadãos. Cidadãos conscientes de seu papel e importância na sociedade e no meio ambiente.

REFERÊNCIAS

1. FREIRE, C. do C. A. e PRADO, R. T. A. O emprego de dispositivos automáticos em aparelhos sanitários para o uso racional da água. Disponível em: http://publicacoes.pcc.usp.br/. Acessado em:

13/02/10.

2. LINS, G. M. de L. e RIBEIRO, M. M. R. Gestão da demanda de água em centros urbanos no semi- árido nordestino. Disponível em: www.hidro.ufcg.edu.br/twiki/pub/GDA. Acessado em: 26/02/10.

3. MARINOSKI, A. K. Aproveitamento de água pluvial para fins não potáveis em instituições de ensino: estudo de caso em Florianópolis–SC. Florianópolis, SC. Disponível em:

www.equipeadoletta.com.br. Acessado em: 12/02/10. 2007.

4. SILVA, G. S. da; TAMAKI, H. O.; LOUREIRO, R.S. e GONÇALVES, O.M. Eliminação de vazamentos em redes externas no contexto de programas de uso racional da água – Estudo de caso:

Universidade de São Paulo. Ambiente Construído, Porto Alegre, v.8, n. 2, p. 41-52, abr./jun. Disponível em: www6.ufrgs.br/seermigrando/ojs. Acessado em: 26/02/10. 2008.