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INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO

PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR MÓDULO: TECNOLOGIA DA EDUCAÇÃO

PROFESSORA MS. REGINA SUZI SOARES PROFESSOR ESP. MARCOS R. ESCATAMBULO rgsuzi@hotmail.com escatambulo@gmail.com

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TEXTO 1 - GESTÃO INOVADORA DA ESCOLA COM TECNOLOGIAS José Manuel Moran
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As condições de gerenciamento da muitas das escolas públicas são precárias. Infra-estrutura deficiente, professores mal preparados, classes barulhentas. É difícil falar em gestão inovadora nessas condições. Mesmo reconhecendo essa dificuldade organizacional estrutural, a competência de um diretor de escola pode suprir boa parte das deficiências. Conheço alguns diretores notáveis na sua capacidade de liderar, de motivar, de encontrar soluções para driblar o orçamento precário. Em uma escola pública da periferia de São Paulo um diretor manteve nos últimos anos a mesma equipe de professores e funcionários, problema de difícil solução nas escolas – a grande mudança de professores de um ano para outro. Você sentia no contato com a equipe que havia liberdade, confiança e amizade. O incentivo do gestor para que os professores aprendessem, se aperfeiçoassem, inovassem era constante. O diretor procurava apoio econômico em pequenas empresas vizinhas à escola. Organizava festas com a Associação de Pais para arrecadar fundos para manter os computadores, a Internet, para melhorar a infra-estrutura. A escola estava aberta à comunidade com atividades de lazer e de aperfeiçoamento.[1] Assim como em escolas com problemas sérios encontramos professores que conseguem comunicar-se de forma significativa com seus alunos e ajudá-los a aprender, também há gestores que superam as limitações organizacionais e contribuem para transformar a escola em um espaço criador, em uma comunidade de aprendizagem utilizando as tecnologias possíveis. Tecnologias na gestão escolar Quando falamos em tecnologias costumamos pensar imediatamente em computadores, vídeo, softwares e Internet. Sem dúvida são as mais visíveis e que influenciam profundamente os rumos da educação. Vamos falar delas a seguir. Mas antes gostaria de lembrar que o conceito de tecnologia é muito mais abrangente. Tecnologias são os meios, os apoios, as ferramentas que utilizamos para que os alunos aprendam. A forma como os organizamos em grupos, em salas, em outros espaços isso também é tecnologia. O giz que escreve na lousa é tecnologia de comunicação e uma boa organização da escrita facilita e muito a aprendizagem. A forma de olhar, de gesticular, de falar com os outros isso também é tecnologia. O livro, a revista e o jornal são tecnologias fundamentais para a gestão e para a aprendizagem e ainda não sabemos utilizá-las adequadamente. O gravador, o retroprojetor, a televisão, o vídeo também são tecnologias importantes e também muito mal utilizadas, em geral. Quando uma escola pobre diz que não tem tecnologias isso é, em parte correto, porque sempre estamos utilizando inúmeras tecnologias de informação e de comunicação, mais ou menos sofisticadas. Na escola combinamos tecnologias presenciais (que facilitam a pesquisa e a comunicação estando fisicamente juntos) e virtuais (que, mesmo estando distantes fisicamente, nos permitem acessar informações e nos mantêm juntos de uma outra forma). Agora vamos falar das tecnologias de gestão administrativa e pedagógica, principalmente através do computador e da Internet. Programas integrados de gestão administrativo-pedagógica Um diretor, um coordenador tem nas tecnologias, hoje, um apoio indispensável ao gerenciamento das atividades administrativas e pedagógicas. O computador começou a ser utilizado antes na secretaria do que na sala de aula. Neste momento há um esforço grande para que esteja em todos os ambientes e de forma cada vez mais integrada. Não se pode separar o administrativo e o pedagógico: ambos são necessários. Numa primeira etapa privilegiou-se o uso do computador para tarefas administrativas: cadastro de alunos, folha de pagamento. Depois, os computadores começaram a ser instalados em um laboratório e se criaram algumas atividades em disciplinas isoladas, em implementação de projetos. As redes administrativa e pedagógica, nesta primeira etapa, estiveram separadas e ainda continuam funcionando em paralelo em muitas escolas. Encontramo-nos, neste momento, no começo da integração do administrativo e do pedagógico do ponto de vista tecnológico. Existem no mercado programas de gestão tecnológica que têm como princípio integrar todas as informações que
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Especialista em mudanças na educação presencial e a distância. Texto publicado em VIEIRA, Alexandre (org.). Gestão educacional e tecnologia. São Paulo, Avercamp, 2003. Páginas 151-164. Disponível em <http://www.eca.usp.br/prof/moran/gestao.htm. Acesso em: 27 abr. 2012.

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dizem respeito à escola. Eles possuem um banco de dados com todas as informações dos alunos, famílias, professores, funcionários, fornecedores e, do ponto de vista pedagógico, bancos de informações para as aulas, para as atividades de professores, dos alunos, bibliotecas virtuais, etc. Todo esse conjunto de informações costuma circular primeiro numa rede interna, chamada Intranet, à qual alunos, professores e pais podem ter acesso, em diversos níveis, por meio de senhas. Num segundo momento, a Intranet se conecta com a Internet, abre-se para o mundo através de uma página WEB, uma página na Internet, que tem como finalidade imediata a divulgação da escola - marketing -, e como finalidade principal, facilitar a comunicação entre todos os participantes da comunidade escolar. Gestão administrativa Os principais colégios e universidades do Brasil utilizam esses programas integrados de gestão. Diminuem a circulação de papéis, formulários, ofícios, tão comuns nas escolas públicas e convertem todas as informações em arquivos digitais que vão sendo catalogados, organizados em pastas eletrônicas por assunto, assim como o fazemos na secretaria, só que ficam armazenados num computador principal, chamado servidor.[2] A inscrição dos alunos é feita via computador. O cadastro do aluno e da sua família pode ser atualizado a qualquer momento. O programa gera o número de matrícula do aluno, se for paga, emite um boleto para pagamento no banco ou pela Internet. Emite boletins dos alunos com as notas ou conceitos e observações. Em outro diretório, tem o cadastro dos professores, com todos os dados relevantes de cada um organizado em pastas eletrônicas, que podem ser atualizadas a qualquer momento. Pode-se avançar, numa segunda etapa, para automatização do controle da freqüência de alunos e professores, principalmente nas grandes cidades, nas escolas com número grande de classes: o programa registra num cartão magnético a entrada e saída de alunos e professores através de catracas eletrônicas. Alguns colégios particulares e universidades têm, em lugar do cartão eletrônico, um controle chamado biométrico, que registra e confere as digitais do dedo polegar de cada membro da escola. O próximo passo, adotado por alguns bancos, é o do controle através do nosso olhar, da íris dos nossos olhos. Mas isso chegará às escolas dentro de alguns anos, quando for mais barato. Há uma outra área importante de informatização, do ponto de vista administrativo, que é o controle financeiro, de entradas e saídas de dinheiro: receita e despesa. O programa integra também todas as despesas e permite fazer projeções sobre o tempo que levará para equilibrar receita e despesa, se vai haver déficit ou superávit. Permite também que professores e funcionários possam fazer seus pedidos de materiais: livros, cadernos, software... on-line, isto é, diretamente pela rede, através do computador. Gestão pedagógica O administrativo está a serviço do pedagógico e ambos têm de estar integrados, de forma que as informações circulem facilmente – com as restrições de acesso necessárias –, para visualizar qualquer informação que precisarmos checar ou para fazer previsões necessárias. Nos últimos anos tem aumentado muito a quantidade e tem havido também grandes avanços na qualidade das informações disponíveis on-line para a comunidade escolar e para o público em geral. Os grandes colégios estão se transformando em verdadeiros portais de informação, com áreas dedicadas aos professores, outras aos alunos, aos pais e ao público em geral. A Internet é um espaço virtual de comunicação e de divulgação. Hoje é necessário que cada escola mostre sua cara para a sociedade, que diga o que está fazendo, os projetos que desenvolve, a filosofia pedagógica que segue, as atribuições e responsabilidades de cada um dentro da escola. É a divulgação para a sociedade toda. É uma informação aberta, com possibilidade de acesso para todos em torno de informações gerais. Há um segundo nível de comunicação do colégio pela Internet, que é com a comunidade local: com as famílias dos alunos, com as associações, empresas, grupos organizados, igrejas e outras instituições que estejam localizadas perto da escola. Cada vez é mais importante que a escola se integre na comunidade local, que crie laços com pessoas e grupos significativos, que traga os pais para o colégio, que abra seus espaços para atividades de lazer e culturais, principalmente nos fins de semana e nas férias. E a página na Internet pode ser um espaço privilegiado de informação e de comunicação. Não basta só informar quais atividades existem, mas criar caminhos de comunicação, principalmente através de e-mail, listas de discussão[3], fóruns[4] e chats[5]. Num terceiro nível, a página da escola focaliza diretamente os professores, os alunos e os funcionários, isto é, a comunidade de ensino-aprendizagem. Há áreas de informação e de comunicação. De informação, são importantes a Biblioteca Virtual, com bases de dados com livros digitalizados, artigos, endereços na Internet, comentados, banco de imagens e sons.

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Cada professor pode ter uma página pessoal com suas disciplinas, atividades, projetos e materiais específicos. Pode haver também áreas de comunicação como listas de discussão, fóruns e chats. Os alunos têm acesso à Biblioteca Virtual, onde há também atividades e projetos relacionados à série em que se encontram e a cada área de aprendizagem. Geralmente a área do aluno na Internet é dividida por níveis: educação infantil, primeira a quarta série, quinta a oitava, ensino médio. Em cada série há uma área para acesso a materiais de cada professor, a comunicação com professores e até plantão de dúvidas (atendimento on-line). Os alunos também podem divulgar suas produções principais: pesquisas, projetos, visitas. Os alunos também podem comunicar-se por e-mail, listas de discussão, chats com professores e com outros colegas. Pedagogia da gestão pedagógica Cada escola tem uma situação concreta, que interfere em um processo de gestão com tecnologias. Se atende a uma comunidade de classe alta ou de periferia, mesmo com os mesmos princípios pedagógicos, terá que adaptar o seu projeto de gestão a sua realidade. Na implantação de tecnologias o primeiro passo é garantir o acesso. Que as tecnologias cheguem à escola, que estejam fisicamente presentes ou que professores, alunos e comunidade possam estar conectados. Mesmo ainda distantes do ideal temos avançado bastante nos últimos anos na informatização das escolas. Mas a demanda por novos laboratórios, por conexões mais rápidas, por novos programas é incessante e isso deixa também amedrontado o gestor, porque não sabe se o investimento vale a pena diante da rapidez com que surgem novas soluções ou atualizações tecnológicas. Neste campo não convém ir na última moda (a última versão sempre é a mais cara e uma semelhante, um mínimo inferior, costuma custar muito menos) nem esperar muito, porque já estamos atrasados nos processos de informatização escolar. O segundo passo na gestão tecnológica é o domínio técnico. É a capacitação para saber usar, é a destreza que se adquire com a prática. Se o professor só toca no computador uma vez por semana demorará muito mais para dominálo que se tivesse um computador sempre a disposição dele. O terceiro passo é o do domínio pedagógico e gerencial. O que podemos fazer com essas tecnologias para facilitar o processo de aprendizagem, para que alunos, professores e pais acessem mais facilmente as informações pertinentes. Nesta etapa costumamos utilizar as tecnologias como facilitação do que já fazíamos antes. Por exemplo: se fazíamos a ficha de cada aluno manualmente, agora adquirimos um programa que automatiza o registro desse aluno e o acesso a essas informações a qualquer momento. É um avanço, mas ainda estamos fazendo as mesmas coisas que antes, só de uma forma mais fácil. O quarto passo é o das soluções inovadoras que seriam impossíveis sem essas novas tecnologias. No exemplo anterior, com a Internet, podemos não só facilitar o registro do aluno, mas o acesso remoto, o acesso do pai às notas dos alunos, a comunicação de alunos de várias escolas do mundo inteiro, a integração telemática dos pais e da comunidade na escola ou da escola em várias comunidades. A integração da gestão administrativa e pedagógica se faz de forma muito mais ampla com os computadores conectados em redes. Bibliografia AZEVÊDO, Wilson. A vanguarda (tecnológica) do atraso (pedagógico): impressões de um educador online a partir do uso de ferramentas de courseware. Disponível em <www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/vanguarda.html>. Acesso em: 18/01/2003. _______________. Comunidades virtuais precisam de animadores da inteligência coletiva: entrevista concedida ao portal da UVB (Universidade Virtual Brasileira). Disponível em: <www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/entruvb.html>. Acesso em: 04/12/2002. BELLONI, Maria Luisa. Educação a distância. Campinas: Autores Associados, 1999. MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos & BEHRENS, Marilda. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 7a ed. São Paulo: Papirus, 2003. PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002. SILVA, Marcos (Org.). Educação Online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. São Paulo: Loyola, 2003. [1] Coloco as informações num passado próximo, porque o diretor se aposentou recentemente e uma das sua preocupações era se o próximo diretor conseguiria manter as conquistas obtidas. [2] Não sou especialista na análise das soluções técnicas, mas observo que há dois caminhos que as organizações seguem atualmente para buscar soluções de gerenciamento de dados:

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1) No primeiro, procuram algumas empresas com soluções testadas, geralmente sistemas proprietários que rodam no WindowsNT. Um deles é o Lyceum da empresa Techne (www.techne.com.br). Outro é o TIA, utilizado pela PUCSP e Universidade Mackenzie, entre outras instituições. Uma terceira solução utilizada em escolas particulares e pela Secretaria de Educação do Paraná é o software Nota 10 da empresa Sigma (www.sigma.com.br). A empresa Poliedro de Brasília tem o software Polischool (www.poliedro.com.br). A empresa Wise Consultoria tem o programa W@E Net (www.waenet.com.br). Também existe o programa UniversoEscol@ com soluções integradas (www.eduk.com.br/). A vantagem é que as soluções podem ser implementadas rapidamente e as empresas dão assistência técnica, mas o custo final costuma ser alto. Mais informações sobre outros programas de gestão escolar estão na página do Professor Joaquim Uchoa em www.comp.ufla.br/~joukim/ensino/infoeduc/programas.html 2) O segundo caminho é buscar soluções baseadas na plataforma livre Linux, que são mais baratas e possibilitam que as escolas não fiquem presas a uma única empresa. Recomendo a leitura do texto Pesquisa e Desenvolvimento com Software Livre da Revista Eletrônica da Unicamp, que está na Internet, no endereço: www.revista.unicamp.br/infotec/linux/linux20-1.html As grandes universidades, as Secretarias de Educação, como a de São Paulo, desenvolvem ou implementam seus sistemas de gerenciamento de dados. O ideal seria que as universidades públicas divulgassem suas soluções e as disponibilizassem para as organizações educacionais, principalmente as públicas. [3] Lista de discussão permite que grupos de pessoas se comuniquem entre si continuamente: a mensagem que um envia chega a todas as outras e todo mundo pode responder, comentar ou colocar novas mensagens que chegam por correio eletrônico e que também podem ficar disponíveis numa página na Internet (como em www.grupos.com.br ou em http://br.groups.yahoo.com/). [4] O fórum é uma ferramenta que roda numa página na Internet e que permite a professores e alunos discutir alguns tópicos do curso através de mensagens que são colocadas na página a qualquer momento, e que podem ser acessadas também a qualquer tempo e de qualquer lugar por quem entra naquela página. [5] O chat ou sala de bate-papo é um espaço que roda numa página na Internet e que permite a comunicação simultânea de professores e alunos, que podem discutir suas dúvidas, apresentar projetos, fazer avaliação a distância. TEXTO 2 – DESAFIOS PARA A GESTÃO ESCOLAR COM O USO DE NOVAS TECNOLOGIAS Mariluci Alves Martino A escola e a gestão do conhecimento Entender as instituições educacionais pressupõe compreendê-las e colocá-las em relação com os novos paradigmas acerca das funções do conhecimento, da relação escola–sociedade, e das interações produzidas nesses contextos. A importância do conhecimento nos processos de reprodução social nos coloca desafios que não estamos acostumados a enfrentar. Pensar a escola na sociedade do conhecimento pressupõe a elaboração de um novo paradigma educacional. Trata-se não só de adquirir o conhecimento, mas de assegurar a sua reprodução, circulação, generalização aos diversos setores da sociedade. De certa forma, assim como na primeira metade do século o debate essencial girava em torno da propriedade dos meios de produção, que assegurava um monopólio econômico e político à burguesia, hoje o controle do conhecimento está no centro do debate econômico e político. Nesse sentido, no quadro de uma sociedade do conhecimento que trabalha com subsistemas diferenciados que evoluem de forma dinâmica e articulada, necessitamos de formas diferenciadas e flexíveis de gestão. A introdução das tecnologias vem colocar em xeque a concepção predominante de escola enquanto agência institucional detentora da primazia do saber. Com acesso às informações, tanto em diversidade quanto em qualidade, a escola poderá integrar-se em uma expressiva produção cultural, internacionalizando as manifestações culturais exprimindo assim seu caráter contemporâneo, multiculturalista. Assim, o regional não deixa de se afirmar, mas é re-significado pelas trocas simbólicas das manifestações artísticas, dos padrões lingüísticos, de religiões, de comportamentos e sentimentos diversos, num processo de simbiose entre o singular e o universal. A escola, nesse aspecto, torna-se potencialmente um espaço de conexão das experiências culturais, não mais restritas à comunidade local, mas abertas inclusive àquelas extras fronteiras. Dessa forma, a discussão sobre a sociedade do conhecimento, tão difundida hoje em dia entre políticos, burocratas, educadores e empreendedores, amplia seu significado consideravelmente. A sociedade do conhecimento de hoje não está representada apenas no crescimento de determinados setores especializados como ciência, tecnologia ou

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educação, não é apenas um recurso para o trabalho e a produção, mas permeia todas as partes da vida econômica e social, caracterizando a própria forma com que as grandes empresas e muitos outros tipos de organizações operam. Assim sendo, a sociedade do conhecimento tem três dimensões. Em primeiro lugar, engloba uma esfera científica, técnica e educacional ampliada; em segundo, envolve formas complexas de processamento e circulação de conhecimento e informações em uma economia baseada nos serviços e, em terceiro lugar, implica transformações básicas da forma como as organizações empresariais funcionam de modo a poder promover a inovação contínua em produtos e serviços, criando sistemas, equipes e culturas que maximizem a oportunidade para a aprendizagem mútua e espontânea. Nesse contexto, a instituição escola, como ambiente de aprendizagem, também entra em crise. Dentro deste complexo e dialético processo de socialização que a escola cumpre nas sociedades contemporâneas, é necessário aprofundar a análise para compreender quais são os objetivos explícitos ou latentes do processo de socialização e mediante que mecanismos e procedimentos ocorrem. De certa maneira o desafio está em entender que as transformações dos espaços do conhecimento não se podem dar apenas de dentro dos espaços da educação. Exigem ampla participação e envolvimento de segmentos empresariais, dos sindicatos, dos meios de comunicação, das áreas acessíveis da política, dos movimentos comunitários, dos segmentos abertos, das igrejas, etc, na gradual definição dos nossos caminhos para a sociedade do conhecimento. Nesse contexto, ensinar é um desafio que, às vezes, ultrapassa as condições dos professores e as possibilidades da escola, especialmente dada as deficiências da mesma em relação a revolução informacional. Repensar a gestão científica da escola Pensar a gestão científica da escola nos remete a um debate sobre a articulação da escola com o mundo, com a vida. Essa perspectiva teórica consiste na recusa de qualquer tipo de determinismo tecnológico e econômico que conduza a apresentar a escola como mero instrumento de ensino-aprendizagem, de fato a instituição escolar deve ampliar a experiência para fora do raio de ação. A esta visão agrega-se a proposta de que a escola deve ser repensada como um espaço de possibilidades de mudança, em que os professores e toda a comunidade interna tornam conscientes suas necessidades subjetivas, intersubjetivas e objetivas, podendo produzir conjuntamente sua profissionalidade. Contudo a organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e entre professores e alunos, de modo a se implantar uma cultura colaborativa. Nesse espaço há de destacar o papel da direção e coordenação pedagógica para apoiar e sustentar esses espaços de reflexão, investigação, negociação e tomadas de decisões colaborativas. Essa visão mais ampla do trabalho escolar evidencia a figura do gestor e a importância de seu papel como responsável pelos resultados finais – personagem central na condução do processo educativo no âmbito da escola. No entanto, torna-se evidente que não basta prepará-los para suas tarefas estritamente burocráticas às novas tecnologias. É preciso mais do que isso. É necessário que eles atentem para o significado desse trabalho, como meio para realização dos objetivos educacionais de natureza pedagógica, razão ultima da existência da escola. Compreender as tarefas administrativas a partir do trabalho pedagógico, de suas exigências e das novas demandas educacionais é condição fundamental para que se redirecione o fazer administrativo, de modo a facilitar a introdução das mudanças necessárias na prática docente e no desenvolvimento das propostas pedagógicas da escola. Portanto é preciso ter em mente que a escola sozinha, isolada, não consegue desenvolver uma proposta educativa mais ampla que responda satisfatoriamente às novas demandas. O que se compreende a partir daí, é a necessidade de se repensar a educação e a escola num processo permanente de construção de pontes entre o mundo da escola e o universo que a cerca. Tudo isso vai ter impacto nas formas de se fazer políticas públicas e na própria ação do Estado. A ação das políticas públicas tem que se dar num contexto ampliado, sistêmico e integrado, o que vai implicar na formação de parcerias, de atores tanto públicos quanto privados, regionais, locais, econômicos, sociais, culturais, os quais poderão desenvolver projetos experimentais que, progressivamente, podem se estabilizar. Isso implica, certamente, em conferir à escola maior poder de decisão, pressupõe também o desenvolvimento de uma cultura de participação e um comprometimento que, por sua vez exige um redimensionamento dos papéis tradicionalmente executados, bem como a utilização efetiva de órgãos colegiados existentes na escola. As tecnologias delineando o aprendizado organizacional O uso de tecnologias poderá permitir à escola uma participação mais efetiva com a comunidade, e aqui podemos entender por comunidade não só os pais, mas também todos aqueles que não usufruem diretamente dos serviços escolares, como a população moradora local. Permitirá também que diferentes grupos, pessoas, e instituições façam leituras e interpretações diversas sobre os fenômenos educativos, o que enriquece os debates e a prática educativa,

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como por exemplo, as questões de cidadania, responsabilidade social e cooperação são conceitos que começam a fazer parte dessas discussões. Isto contribuirá para o processo de democratização, uma vez que cada segmento, que participa do debate – seja empresa, comunidade de pais ou moradores dos arredores das escolas – interprete os novos sentidos (e crie outros) da instituição escolar. Sendo assim, o uso integrado dos vários artefatos tecnológicos para acesso à informação, permitem ampliar a relação entre escola, ONG’s, empresas, sindicatos, representações de classe, etc. e por outro lado, na possibilidade de coordenação das ações entre as próprias escolas, e esses atores, na construção de projetos comuns, poderá ainda emergir uma outra perspectiva para a educação, criar laços sociais e dar sentido às ações dessas instituições. Argumentamos que a reconceitualização de um modelo de gestão educacional pressupõe a construção de uma metodologia de definição das demandas, a partir de estudos sobre os cenários do desenvolvimento social e econômico em cada região. Exige também uma atitude para organizar a assimilação produtiva de um conjunto de instrumentos que as novas tecnologias poderão oferecer. Outro aspecto importante é a conectividade instantânea, que permitirá, por exemplo, que um professor de geografia possa buscar mapas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O professor de história poderá obter as pinturas históricas dos campos de batalhas, levantar dados estatísticos históricos e ainda ficar conectado com sistemas mundiais. No entanto para que isso ocorra, será preciso rever os conceitos de ensinar e aprender, definindo os papéis que cabem a alunos e professores, identificando as formas de viabilizar a construção do conhecimento pelo aluno e tornar a aprendizagem significativa. No conjunto, as propostas são excepcionalmente coerentes, e mostram que o processo é viável ao se colocar a educação em nível de prestação de serviços. Assim discutir o aprendizado organizacional de forma ampliada exige também introduzir mudanças de todo o tipo, desde alterações conceituais e estruturais, como por exemplo, o que a escola qualifica por infra-estrutura: biblioteca, TV, vídeos, sala de conferência, e outros recursos, de modo a promover a facilidade para o funcionamento dessas tecnologias. Para isso é preciso que a escola forme um núcleo articulador para introdução das novas tecnologias, que discuta essas questões. Tal recomendação implica uma ação coordenada com outros espaços que hoje trabalham o conhecimento. Por outro lado, torna-se necessário também, levar em conta que é freqüentemente difícil um professor tomar estas iniciativas, sem o respaldo da instituição onde trabalha. Em outros termos, não basta a adaptação da atitude e das práticas pedagógicas: é preciso organizar a escola, as diversas instituições para que isto seja possível. A escola pode celebrar convênios com emissoras de televisão para ter acesso a uma série de programas interessantes, poderá realizar teleconferências com membros da comunidade sobre os problemas locais. Podem entrevistar on line especialistas científicos sobre um problema que um professor está discutindo no momento com alunos. Enfim, o potencial é imenso, há experiências numerosas nesse sentido, e devemos tomar medidas renovadoras com urgência. Assim, a proposta de uma escola renovada, pressupõe uma mudança cultural, envolvendo os dirigentes e seus colaboradores no processo de formação contínua, visando conscientizá-los da necessidade de rever o seu papel frente às novas responsabilidades que lhes cabem. Questões: 1. Quais os conhecimentos que a escola identifica como já existentes em sua unidade, que podem encadear o desenvolvimento de uma cultura de aprendizagem organizacional? 2. De que forma a sua escola pode organizar-se para desenvolver um entrelaçamento social, visando o desenvolvimento de ações conjuntas, em regime de colaboração e co-responsabilidade com outros atores sociais? 3. Após essa análise, verifique como as tecnologias poderão auxiliar no desenvolvimento dessas ações. Este texto foi produzido para o curso Gestão Escolar e Tecnologias. MARTINO, M. Desafios para a gestão escolar com o uso de novas tecnologias. São Paulo, PUC-SP, 2004.

TEXTO 3 – TECNOLOGIAS INDEPENDENTES E DEPENDENTES Neste século a sociedade atual encontra-se em um processo de transição na busca de uma civilização mais harmoniosa, que se preocupe com as próximas gerações e se responsabilize por elas. Nesse sentido a educação e a tecnologia é utilizada como uma forma de proporcionar ao sujeito a construção de conhecimento. Isto pressupõe levar nossos alunos a: PENSAR, REFLETIR, ORGANIZAR, SOCIALIZAR, AMPLIAR. A tecnologia é um conjunto de conhecimentos especializados, com princípios científicos que se aplicam a um

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determinado ramo de atividade, modificando, melhorando, aprimorando os “produtos” oriundos do processo de interação do ser humano com a natureza e com os demais seres humanos. (BRITO; PURIFICAÇÃO, 2008). De acordo com Leite (2010) as Tecnologias podem ser classificas em independentes e dependentes. As Tecnologias Independentes se referem aquelas utilizadas em sala de aula como: Álbum seriado, Flip chart, Cartão-relâmpago, Cartaz, Ensino por fichas, Estudo dirigido, Flanelógrafo, Gráfico, História em quadrinhos, Ilustração/gravura, Instrução programada, Jogo, Jornal e Jornal Escolar, Livro didático, Livro infantojuvenil, Mapa e globo, Mural, Quadro-de-giz, Sucata, Texto. As Tecnologias dependentes são: Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Audio-conferência, Blog, Chat ou bate-papo, Correio eletrônico, Computador, Comunidades virtuais de Aprendizagem , (CVA), DVD, FAQs, Vídeo, Vídeoconferência, Webquest, Wiki, Fórum de discussão, Internet e suas ferramentas, Lista de discussão, Lousa eletrônica ou digital, Mídia sonora, Página Instrucional, Podcasting, Site, Slide.

TEXTO 4 - USO DA TECNOLOGIA NA GESTÃO EDUCACIONAL Mariane Teixeira Priscila Balbina de Oliveira
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Resumo:Este artigo aborda a importância da gestão educacional na atualidade, tendo o gestor como facilitador da apropriação das tecnologias da informação da comunicação (TICs) por parte dos membros envolvidos em um processo multidisciplinar de construção de conhecimento, onde as novas tecnologias passam a ser uma ferramenta didática fundamental no ensino superior. Discute-se como as novas tecnologias utilizadas pelos docentes, com o apoio da direção da instituição podem auxiliar no ensino-aprendizagem numa região com alunos com dificuldades cognitivas por falta de uma educação de base eficiente. A metodologia usada foi um estudo de caso no curso de Tecnologia de Secretariado na Fatec de Itaquaquecetuba. Palavras-chave: Gestão Educacional, Tecnologia da Informação e comunicação. Abstract: This article discusses the importance of education management today, considering the manager as the facilitator of the use of the information technology communication by the members involved in a multidisciplinary process of knowledge construction, in which new technologies become a fundamental teaching tool in higher education. It discusses how new technologies used by teachers, with support from the direction of the institution, may assist in the teaching-learning process in a region with students with cognitive difficulties due to lack of effective basic education. The methodology used was a case study in the Secretarial course of Fatec Itaquaquecetuba. Keywords: Educational Management, Information Technology and Communication.

Introdução A gestão educacional na atualidade envolve prioritariamente pessoas, mas as Tecnologias de Informação e Comunicação podem atuar como facilitadores dos processos nas escolas e do entendimento pelo aluno por serem fontes ricas de informação uma vez que segundo [1] Cortella (2001) “ a qualidade na Educação passa, necessariamente, pela quantidade”. A tecnologia tem o poder de atrair a atenção de jovens e, ao mesmo tempo, de apresentar-se como um monstro para alguns educadores. Esse olhar deve ser mudado com a ajuda dos gestores educacionais. Diante disto a problemática deste trabalho está em como gestão educacional e docentes utilizando as novas tecnologias podem auxiliar no ensino-aprendizagem numa região com alunos com dificuldades cognitivas por falta de uma educação de base eficiente.

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Fatec Itaquaquecetuba Tel: (11) 4647-5226

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Os objetivos traçados foram verificar a importância da gestão da faculdade instalando e realizando a manutenção de novos equipamentos; a utilização e quais tecnologias são utilizadas pelo corpo docente e os resultados verificados pelos docentes. O trabalho pedagógico coletivo tem sido o foco na educação multidisciplinar efetiva. O envolvimento de professores, alunos, funcionários, direção, pais e comunidade é muito importante para a formação de uma escola geradora de autonomia, que segundo [2] Bruno (1998) deve estar mais adequada aos interesses de seus organizadores e que deve ser um espaço para atuação das novas tecnologias. Não se pode conceber vida moderna sem o uso de tecnologia. Ela está presente em nosso dia a dia e pode ser grande aliada, tanto no trabalho quanto nos estudos, nos auxiliando a organizar rotinas e processos, promovendo acesso e disseminação de informações. Na Educação, a tecnologia é ferramenta que, quando bem utilizada pelo professor, produz excelentes resultados. Ela auxilia no planejamento de aulas mais dinâmicas, na aplicação de exercícios práticos, tanto em sala de aula quanto fora dela, na ampliação do conhecimento de mundo e na geração de autonomia por parte dos alunos. O gestor escolar moderno tem a função de estimular o uso da tecnologia em sua escola, de estender essa prática aos atos administrativos e pedagógicos e de ampliar seu alcance em benefício da comunidade onde a escola esta inserida. No entanto, para [3]Lima (2007): “a criação de ambientes informatizados na organização para apoio à gestão do conhecimento deverá considerar os processos pelos quais são feitas as trocas de informação e a cultura de colaboração existente”. Não há como promover mudanças sem o envolvimento e a sedução de todos os participantes em prol do estabelecimento de uma cultura de colaboração. Não há como promover a colaboração sem o diálogo e a troca de experiências entre professores, funcionários, pais, alunos, gestores e comunidade. A gestão para o uso de tecnologias visa a disseminação de informações, considerando a escola como um sistema, um organismo vivo que aprende e que ensina, que muda à medida que passa por conflitos, toma decisões e adquire novos conhecimentos. Para [3,4] Lima (2007) pode-se dizer que a: “apropriação da tecnologia pelas escolas é um processo de aprendizagem organizacional caracterizado pela solução que seus atores dão a conflitos múltiplos. O conhecimento tecnológico deve caminhar paralelamente à decisão do coletivo em utilizar os recursos à disposição”. Cabe ao gestor escolar permitir e potencializar o processo de apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs por parte de todos os membros do processo educativo, possibilitando, conforme ressalta [5] Almeida e Rubin (2004): “a criação de comunidades colaborativas de aprendizagem que privilegiam a construção do conhecimento, a comunicação, a formação continuada e a gestão articulada entre as áreas administrativa, pedagógica e informacional da escola”. Só assim há uma relação profunda com o saber, que provoca mudanças na forma de atuação daqueles que participam da rede colaborativa então estabelecida. Entretanto, fazer com que as TICs sejam incorporadas na atuação de todos requer um trabalho intenso de conscientização sobre sua importância, a começar pelo próprio gestor, que pode utilizá-la no controle e organização dos atos administrativos e pedagógicos, obtendo subsídios para a tomada de decisões, pois tem acesso fácil e amplo às informações. A inserção das tecnologias na escola pode gerar resistência e rejeições quando mal trabalhada, mas também pode provocar mudanças benéficas se for feita de maneira a envolver e motivar a todos para a sua utilização eficaz, uma vez que para [5,6] Almeida e Rubin (2004): “são as pessoas que utilizam os espaços disponíveis na Web que concretizam a interação potencializada pela tecnologia, tecem redes de significados e rompem com as paredes da sala de aula, integrando o ambiente escolar à comunidade que cerca à sociedade da informação e a outros espaços produtores de conhecimento”. Desta maneira, fica garantida não só a construção do conhecimento, mas também sua dissemininação nos mais diversos meios sociais e culturais, visando ao cumprimento dos objetivos educacionais de natureza pedagógica. Pode-se dizer que não há incorporação efetiva das TICs na escola se não houver uma revisão nos conceitos de ensinar e aprender, se não se promover uma ampla revisão nos papéis assumidos por cada elemento que a compõe, se não viabilizarmos a aprendizagem autônoma e significativa. Os ambientes virtuais são fortes aliados da Educação, pois desde a década de 80 quando apareceram os vídeos cassete e até os dias de hoje com lousas eletrônicas, redes sociais, etc. A questão da interação, acessibilidade e integração fazem parte das salas de aula. Essa evolução toda também significa que para o professor acompanhar tudo isso é difícil, não ser só um simples usuário e apresentar-se como um agente de interação entre as novas tecnologias e a educação e o aluno é uma tarefa árdua, porém para preparar o aluno para os novos cenários tecnológicos é necessário que o professor se atualize e mude suas ferramentas. Tal ação foi estudada na Fatec de Itaquaquecetuba no curso de Tecnologia de Secretariado.

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Tecnologia e Educação Nos dias de hoje percebemos o quanto a tecnologia altera a sociedade, a cultura e até alterando a ordem do conhecimento, mas é preciso salientar que esses acontecimentos já datam de várias décadas, sendo assim verificamos que as TIC´s produzem transformações principalmente no encontro com as práticas pedagógicas, onde temos novas linguagens através das mídias eletrônicas e digitais. [7] (WELDEL,2008) As mídias invadem hoje a casa de todos, não conhecê-las nos tornam pessoas isoladas na sociedade, primeiro apareceram os televisores, rádios, DVDs, computadores, a internet, celulares e redes sociais. Tal realidade chama a atenção dos jovens e muitas vezes parecem ser mais interessantes do que estar em uma sala de aula com o velho giz e lousa verde. Mas mesmo diante deste quadro muitos professores ainda resistem à quebra de paradigmas com aulas inovadoras, têm medo de que os computadores possam substituí-los, quando na verdade são ferramentas essenciais para despertar o interesse do aluno pelo aprendizado. O importante [7] diz Weldel (2008): “é que o professor possa desenvolver a capacidade dos alunos para produzir e decodificar as mensagens dos meios de comunicação em massa.” Através do aprendizado pelas mídias o aluno se sente parte da sociedade e integrado, uma vez que consegue compreender de maneira mais fácil e reproduzir o que aprendeu através de outras ou das mesmas ferramentas utilizando em outras aulas ou no dia-a-dia, isso eleva a auto-estima do aluno e o anima a continuar a participar das aulas. As tecnologias não devem ser inseridas na escola apenas como exigência do mercado, mas como parte dos projetos pedagógicos para conhecer as novas linguagens e trazer o novo mundo à realidade do aluno. “Com o advento das tecnologias de informação, em especial a internet, foi possível modificar a forma de acessar, recuperar e transmitir informações, ocasionando um significativo aumento de novas metodologias e ferramentas aplicadas ao ensino,estabelecendo assim, uma nova cultura, uma nova realidade.” [8] (SANTOS, 2005). A utilização das tecnologias não devem ser só estimuladas na sala de aula mas devem ir além dos muros das escolas e universidades, pois se tem um rico material disponível na internet para pesquisa, além dos acervos das bibliotecas virtuais disponibilizados, o professor deve utilizar tais recursos para complementar a aula e facilitar o entendimento do alunos. A pesquisa deve ser estimulada, já que agora com alguns clicks é possível ver uma nova geografia, conhecer culturas diferentes e novas línguas sem sair da cadeira. “Métodos participativos deverão substituir a mera transmissão de conhecimentos. O professor passa a ser um estimulador, coordenador e parceiro do processo de ensino e aprendizagem e não mais um mero transmissor de um conhecimento fragmentado.” [7](WELDEL,2008) Nos dias de hoje é necessário que o professor tenha domínio técnico e pedagógico para lidar com as novas tecnologias, de tal forma que o aluno consiga construir conhecimento, mas também deve ficar atento quando tais tecnologias atrapalham o andamento da aula. Na construção do conhecimento o professor pode construir mídias com seus alunos, assuntos online, além de poder ter uma interatividade maior com o aluno. Por isso devemos lembrar que esses alunos da geração digital estão cada vez menos passivos a mensagem fechada, pois no dia-a-dia, utilizando as mídias conseguem construir e mudar as informações, portanto tal interatividade deve aparecer nas escolas para que o aluno se interesse por este mundo que também tem tecnologia. [7] (WELDEL,2008). A teoria construtivista, mostra que a aprendizagem é um processo de construção de informações pelo discente que nos dias de hoje tem mais facilidade na construção dos saberes através da tecnologia, isso pode melhorar a qualidade do aprendizado quando as ferramentas são bem utilizadas pelos docentes. Portanto neste estudo observamos as ferramentas utilizadas pelos docentes e o envolvimento e a participação dos discentes quanto as tecnologias utilizadas. Metodologia Neste estudo foi utilizado o método de estudo de caso, um dos diversos métodos de pesquisa, que se utiliza de diversos métodos ou técnicas de pesquisa para a coleta de dados [9] (GIL,2009).Para [10]Yin(2010) o estudo de caso é utilizado para investigar um fenômeno contemporâneo, em organizações, instituições, processos,etc., para auxiliar na tomada de decisão e conhecer a fundo a realidade. Foi utilizado um questionário com perguntas de múltipla escolha e abertas foram abordados os 9 professores do curso de Tecnologia de Secretariado, um curso recente na instituição, pois até a presente data só temos até o 3º semestre com um total de aproximadamente 80 alunos. Resultados

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São 9 professores que ministram aulas, dentre estes: 3 são especialistas, 5 são mestres e 1 é doutor. Cinco professores não têm experiência profissional e atuam em média a 2 anos como professores, este item em comparação com as tecnologias utilizadas mostra o interesse dos professores, mesmo sem uma experiência fora da área de educação, onde a probabilidade de conhecimento da tecnologia é maior. Quanto às tecnologias utilizadas em sala de aula o resultado foi o seguinte: através dos grupos do Google. deixar a aula mais atrativa, além do inicio da formação de uma videoteca pela coordenadora. sa eletrônica, cuja tecnologia permite gravar as informações escritas na lousa e outros recursos, este recurso facilitador é utilizado por todos os professores. -show e computadores com internet, 6 professores utilizam vídeos do Youtube. E todos utilizam os recursos multimídia disponíveis nas salas de aula. em aula. ofessores apenas 2 são professores de informática e utilizaram recursos como criação de páginas da Web, vídeos criados pelos alunos e a ferramenta Skype como uma via de comunicação para o novo profissional de secretariado. Com a utilização destes novos recursos em sala de aula os professores relataram que:

Esses resultados são percebidos no dia-a-dia por todos os professores, pois, num filme o aluno pode contextualizar com sua realidade, os comentários e discussões realizadas após as atividades auxiliam na interação e na resolução de possíveis dúvidas, os resultados são percebidos nas avaliações, pelas explicações dadas pelos alunos, além da redução de faltas e a atenção dada ao aluno a aula. Embora os índices socioeconômicos da região não sejam favoráveis para continuação do uso das tecnologias em casa, o incentivo a educação através da tecnologia ocorre através de todo o corpo docente do curso buscando preparar o profissional para o futuro, disponibilizando até os laboratórios em períodos após a aula para que os alunos possam aprender mais. Conforme SEADE – Fundação Sistema Nacional de Análise de Dados, Itaquaquecetuba é um município com 400.098 (2010) habitantes, com uma taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais de 9,19% (2000) e com uma população de 25 anos e mais com menos de 8 anos de estudo 71,92% (2000). Num estudo apresentado pelo SEADE com dados de 2002, o município, mostrou que houve um aumento da riqueza de 2000 para 2002, onde a renda per capita era de R$ 1.962,00 e foi para R$ 2.171,00 em 2002. Entretanto quanto aos índices de escolaridade demonstram que o município ocupa uma das últimas posições no ranking de escolaridade 637ª posição em 2002 referentes ao Estado de São Paulo. Destacamos alguns índices desta pesquisa como: os responsáveis pelas residências estudaram no máximo 5,2 anos e possuem idade média de 41 anos. A proporção de pessoas de 18 a 19 anos com ensino médio completo é de 22,4%. Este retrato da base educacional deficitária e da situação socioeconômica tem reflexo nas dificuldades apresentadas pelos alunos em utilizar as novas tecnologias, pois de acordo com o relato dos professores os iniciantes têm dificuldades e muitas vezes desconhecem muitas ferramentas utilizadas. A idade dos alunos da instituição varia entre 18 anos e 50 anos e muitos de acordo com seus relatos em sala de aula não têm computadores em casa e utilizam os recursos necessários nas Lan Houses da região. Mas percebe-se que uma vez que aprendem utilizar tais tecnologias utilizam em sua vida acadêmica como em: relatórios, seminários, edições de filmes, recursos para socialização e troca de informações sobre trabalhos, etc. Discussão e conclusões As tecnologias da Informação e da Comunicação surgiram para facilitar a vida de todos os membros das instituições de ensino, mas é necessário vencer a barreira do medo de mudanças e encará-las como ferramentas necessárias, que, quando utilizadas por todos, podem resultar em melhoria no ensino, mesmo que a região seja carente e

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apresente dificuldades no aprendizado, além da agilidade nos processos pedagógicos e técnicos administrativos. O estudo da utilização das TICs na Fatec de Itaquaquecetuba no curso de Tecnologia de Secretariado, nos proporcionou um olhar mais atento para o processo de interação entre o professor e as novas tecnologias. O professor deve buscar aprimoramento, a instituição deve fornecer equipamentos e treinamentos, para que a gestão educacional e as novas tecnologias formem um novo caminho no processo de ensino-aprendizagem, pois verificamos que mesmo que os alunos só tenham contato com as novas tecnologias quando iniciam o ensino superior é possível incluí-los, ampliar o seu conhecimento e promover interação entre professor, tecnologia e aluno. Embora o professor deva ser mais treinado, percebe-se um interesse crescente pela utilização de laboratórios de informática, novas tecnologias no ambiente escolar e a satisfação do aluno principalmente no curso de secretariado quando verificamos o número de evasão e a satisfação do aluno.Mas ainda é possível ampliar esse estudo ou discussão, pensando futuramente em quais tecnologias são adequadas a cada realidade e deficiência do aluno ou região e a satisfação do mesmo. Referências [1] CORTELLA, Mario Sergio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. 4ªed. São Paulo: Cortez – Instituto Paulo Freire, 2001.p. 14. [2] BRUNO, Eliane Bambini Gorgueira. “O trabalho Coletivo como Espaço de Formação”. In: GUIMARÃES, Ana Archangelo et al. O Coordenador Pedagógico e a Educação Continuada. 10ªed. São Paulo: Edições Loyola, 1998. p. 13. [3,4] LIMA, E. Escolas aprendem com a tecnologia. São Paulo, PUC-SP, 2004. [5,6] ALMEIDA, M. e RUBIM, L. O papel do gestor escolar na incorporação das TIC na escola: experiências em construção e redes colaborativas de aprendizagem. São Paulo: PUC-SP, 2004. [7] WELDEL, F. (org);DIMMI, A., et al. Tecnologia e educação: as midias na prática docente. Rio de Janeiro:Wak Ed., 2008. [8] SANTOS,E. M.; RESENDE, J.T.V; KOTSKO, E.G.SILVA. Perfil dos Acadêmicos do curso de ciências licenciatura plena de acordo com as tecnologias de informação. Revista Ambiência Guarapuava, PR v.1 n.1 p. 47-57 jan./jun. 2005. Disponível em: www.unicentro.br/editora/revistas/ambiencia/v1n1/artigo%2047-57.pdf. Acesso em 01/08/2010. [9] GIL, A. C. Estudo de Caso. São Paulo: Atlas,2009. [10] YIN, R.K. Estudo de Caso:planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2010.

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