Jovens imigrantes: Um percurso marcado pelo mérito

por Célia Rosa Fotografias de Gerardo Santos, Jorge Amaral e Rui Coutinho/GlobalImagens Alexei é moldavo, Ekaterina é russa, Oleksandr, Yuliya, Daryna e Volodymyr são ucranianos. Os seis são filhos de imigrantes da Europa de Leste. Chegaram há dez anos e entraram na escola sem saber uma palavra de português. Passado pouco tempo eram os melhores alunos. Agora são estudantes de Medicina. Têm entre 19 e 22 anos, são filhos de imigrantes de Leste e vivem em Portugal há cerca de dez anos. Estudaram em escolas portuguesas, onde entraram a meio do percurso escolar e sem conhecerem a língua, mas revelaram-se ótimos alunos. Tão bons que, no final do ensino secundário, tiveram mais de 18 valores de média final e entraram todos no curso de Medicina. Esta é a história dos irmãos Daryna e Volodymyr Lavriv e dos seus colegas Oleksandr Maksimov e Yuliya Kuzmyn. Vieram os quatro da Ucrânia e estudam na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FML). E também de Ekaterina Kucheruk e Alexei Buruin, ela da Rússia, ele da Moldávia, alunos da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Nova de Lisboa. O segredo do sucesso? Eles revelam-no: boas bases escolares e trabalho diário. Os pais valorizam muito a formação e a escola portuguesa é menos exigente do que as escolas dos países deles. Alexei Buruin: «Fiz a escolha acertada» Até ao momento da candidatura, Alexei hesitou entre Medicina e Engenharia Eletrotécnica. Foi o desejo de ajudar os outros, fazer o bem e ser parte ativa nessa mudança que falou mais alto. «Vou ser médico, vou fazer diagnósticos e tratar pessoas mas também quero fazer investigação. Fiz a

escolha acertada», diz Alexei Buruin, 20 anos, aluno do segundo ano de Medicina da Universidade Nova de Lisboa. A entrada na universidade voltou a afastá-lo da família, que mora em Portimão. Agora Alexei vive em Lisboa. Partilha um apartamento com um colega ucraniano, também em Medicina. «Uma renda barata, é um favor de uns amigos portugueses que têm ajudado os meus pais desde que chegaram.» Desta vez, na hora da separação, não houve lágrimas nem sofrimento. «Os pais sempre me incentivaram a estudar, foi o curso natural das coisas. Também foi para isto que saíram da Moldávia e eu estou-lhes muito grato por tudo.» Há 12 anos, quando os pais emigraram para Portugal, Alexei ficou com a família, tal como a sua irmã Magdalena. Vieram dois anos depois, com a escolaridade já iniciada. «Para mim foi tudo muito fácil. Os meus pais já tinham casa e trabalho mas faltava regularizar a situação e por precaução inscreveram-nos num externato, o Ti-Té, onde fui muito bem acolhido. Entrei para o quarto ano e como o moldavo também é uma língua latina e o alfabeto é o mesmo, passados três meses já sabia ler e escrever em português. Na matemática foi ainda mais simples, tudo o que dei no quarto ano tinha aprendido antes na Moldávia.» Depois veio a escola pública. Primeiro a Escola Nuno Mergulhão, a seguir a Secundária Manuel Teixeira Gomes. «Não era um cromo mas esforçava-me por ter boas notas. Tenho a impressão de que o ensino em Portugal é menos exigente do que na Moldávia e penso que os professores são menos respeitados, o que não acho bem.» Alexei diz que os pais partilham a mesma convicção. A mãe era enfermeira no centro de saúde de Telenesti, uma aldeia a cerca de noventa quilómetros da capital, Kishinev, e onde a família morava. O pai, engenheiro agrónomo, coordenava a distribuição dos terrenos agrícolas pelos camponeses. Tinham uma vida desafogada. Mas o desmoronar da União Soviética conduziu a Moldávia à pobreza e os campos, outrora férteis e cultivados, deram lugar terras abandonadas, a aldeias desertificadas e envelhecidas. Atualmente, a mãe trabalha num centro de estética que ela mesma abriu em Portimão e o pai é motorista. De dois em dois anos, Alexei vai Moldávia. Passa lá as férias. Mas já não se imagina a viver no país. «É mais fácil projetar a minha vida profissional num local onde se fale inglês e onde haja condições para fazer investigação. Portugal poderá ser uma opção se a situação do país não se complicar.» Ekaterina Kucheruk: «Na Rússia é uma vergonha reprovar» A mãe é ucraniana, o pai é estónio e Ekaterina Kucheruk, 21 anos, é russa. Até aos 10 viveu em Kaliningrado (pequeno enclave russo rente ao mar Báltico, que faz fronteira com a Lituânia e com a Polónia). Depois, veio para Portimão, no Algarve, onde viveu quase um ano. Entretanto, passou seis meses em Madrid. Desde 2002, vive em Portugal. «Voltámos para ficar e eu, que já tinha feito o quinto ano na Rússia, repeti-o na Escola Nuno Mergulhão, em Portimão. É uma grande confusão, mas ainda seria maior se contasse todos os países da ex-União Soviética por onde passei.» Ekaterina nasceu em 1990, um ano antes do desmoronamento da URSS, e é a única filha de um casal que viu ruir tudo à sua volta. O pai, agora com 43 anos, era militar do Exército Vermelho e a mãe, que tem formação em engenharia meteorológica, sempre que podia acompanhava o marido nas missões. Mas o mundo deles mudou. E entre o desmembramento da União Soviética e a criação da Federação Russa, os pais de Ekaterina acabaram por vir para Portugal. Hoje, o pai trabalha como carpinteiro e a mãe faz serviços domésticos. Apesar da mudança, Ekaterina concluiu o ensino secundário com uma média de 18,1 valores e agora é aluna do segundo ano de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas, em Lisboa. «Os pais protegeram-me sempre e nesse sentido não houve grande instabilidade. Na escola senti dificuldades nas disciplinas em que era preciso conhecer a língua, mas foi só no início. Bastou-me estudar. O que me surpreendeu foi ter colegas do quinto ano que não sabiam a tabuada e também me admirou a

resignação dos alunos que reprovavam. Dos professores também. Na Rússia é uma vergonha chumbar e se um aluno tem dificuldades, todos têm de se esforçar mais para que seja bemsucedido.» Tal como os colegas, também a jovem russa tem a ideia de que a escola portuguesa é pouco exigente: «Eu também só senti necessidade de estudar todos os dias desde que estou na faculdade.» Ekaterina vive em Lisboa e vai a casa dos pais, no Algarve, uma vez por mês. O resto do tempo passa-o a estudar e todos os domingos trabalha num café em Telheiras: «Quero ter algum dinheiro para mim sem sobrecarregar mais os meus pais. Eles merecem tudo!» Yuliya Kuzmyn: «A escola portuguesa não estimula a criação de hábitos de trabalho» O primeiro ano em Portugal não correu de feição para Yuliya Kuzmyn. Em 2003, a Escola D. Horácio Bento Gouveia, na Madeira, não a aceitou como aluna porque ela não falava português. Os pais recorreram ao que sabiam que funcionava. Compraram livros e puseram-na a estudar em casa. A ela e à irmã. No ano seguinte, já com 13 anos, entrou no sétimo ano. Quase nove anos passados, Yuliya, 21 anos, está no terceiro ano da FML e não pensa voltar para a Ucrânia, onde nasceu e onde gosta de ir passar as férias. Desde pequena que Yuliya se imagina médica. «Quero ser obstetra ou pediatra. A obstetrícia é uma especialidade feliz e a pediatria tem a magia das crianças. São as áreas que mais me tocam do ponto de vista humano. Sei que é difícil entrar porque há poucas vagas, mas vou lutar por uma delas.» Neste caso, lutar significa trabalhar e é isso que Yuliya faz. «Há sempre matérias para estudar, relatórios e aulas práticas para preparar. Na época dos exames chego a estudar 17 horas por dia. Levanto-me cedo e para não me distrair vou para a biblioteca por volta das 09h30 e só volto a casa à noite, depois das 20h00. A seguir janto e estudo até à uma, duas ou três da manhã. Tem de ser», diz ela. O curso de Medicina é muito trabalhoso, mas o que Yuliya estranha é que em Portugal só no ensino superior seja exigido esforço aos alunos. «Ao contrário do que estava habituada na Ucrânia, quando cheguei à Madeira foi uma surpresa não ter trabalhos de casa diários a todas as disciplinas e os professores não exigiam nem incentivavam os alunos a estudar a matéria de uma aula para a outra. Também não tínhamos testes-surpresa. Aqui, a escola não estimula a criação de hábitos de trabalho. Penso que o ensino em Portugal é demasiado facilitado.» O coração de Yuliya está dividido entre o país onde nasceu e o país que a acolheu, mas a razão falou mais alto. «No primeiro ano de faculdade, foi-me recusada a bolsa de estudo porque não era portuguesa, não era cidadã da UE nem refugiada. Não tinha direito. Foi nessa altura que tratei da papelada e pedi a nacionalidade portuguesa.» O processo demorou, mas este ano já pode contar com o apoio a que tem direito e que é decisivo para se manter em Lisboa. Ainda assim também recorreu a um empréstimo bancário: «Os meus pais saíram da Ucrânia para conseguirem dar formação às filhas e trabalham imenso, mas o que ganham não é suficiente para me manter deslocada de casa. E para agravar, o meu pai agora está desempregado. A crise chegou à Madeira!» Daryna e Volodymyr Lavriv: «Somos portugueses de corpo e alma» Os irmãos Daryna e Volodymyr, de 19 e 20 anos, chegaram no verão de 2001, a tempo do primeiro dia de aulas na escola do primeiro ciclo de Fonte do Oleiro, uma pequena povoação no concelho de Porto de Mós, em Leiria. Hoje são alunos da FMUL. Ela entrou neste ano letivo, está no primeiro ano. Ele leva um ano de avanço, está no segundo. «Não combinámos, foi uma casualidade escolhermos o mesmo curso», diz Daryna num português irrepreensível.

Os dois têm bem guardado na memória o dia da chegada a Portugal. Sabiam pouco do país, mas gostaram da luz, do calor e do azul do mar da Nazaré. E estavam de novo com os pais, que tinham partido dois anos antes. Daryna e Volodymyr adaptaram-se muito bem e o desconhecimento da língua foi o obstáculo a ultrapassar. «Não sabíamos português mas vínhamos muito bem preparados nas outras matérias, especialmente na matemática», diz ela. O irmão concorda e afirma que o que aprendeu até ao terceiro ano na Ucrânia lhe serviu até ao quinto em Portugal. E dois anos depois, já tinha cincos nos testes de português.» E no final do 1segundo ano ganhou um concurso literário organizado pela Câmara Municipal de Ourém. Volodymyr diz que já escreve melhor em português e a verdade é que já não se sente ucraniano. «Sinto-me português, tenho nacionalidade portuguesa, partilho os costumes e valores portugueses. Sou português. Gosto de fado, de sardinhas e de bacalhau, de Eça e de Pessoa. Também leio Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos. E sinto saudade e sou contra o acordo ortográfico. Ser português também é isto, não é?» Daryna partilha alguns dos sentimentos e gostos do irmão - a sardinha é que não! - e também optou pela nacionalidade portuguesa. «Tenho mais referências de Portugal do que da Ucrânia. Estudo cá, os meus amigos são de cá, falo português com todas pessoas. Ucraniano só com os pais. Somos portugueses de corpo e alma, como vocês dizem.» Em Lisboa, os irmãos não se veem com muita frequência. Vivem em apartamentos diferentes, que partilham com colegas, e além dos encontros rápidos na faculdade só se reúnem nas férias, altura em que continuam a estudar ou trabalham em cafés e restaurantes. O trabalho não os assusta. Daryna entrou na faculdade com média de 18,98 valores. «Não foi difícil mas tive de estudar. Hoje faço o mesmo, Medicina é um curso muito interessante mas muito trabalhoso.» Como grande parte dos imigrantes originários do Leste da Europa, os pais de Daryna e Volodymyr tinham boa formação e boas profissões. A mãe era bailarina, o pai é engenheiro de eletricidade e alta tensão. Cá, a mãe trabalha numa fábrica de costura, mas também dá aulas de dança em coletividades na região de Porto de Mós, onde a família comprou casa e mora desde que chegou a Portugal. Entretanto, a crise económica e financeira que afeta Portugal já deixou lastro nesta família. «O pai trabalhava na indústria de moldes mas a fábrica fechou e teve de partir para França. Voltou a emigrar», afirma Volodymyr. Não fosse o nome, Volodymyr passava bem por português. A irmã não. Loira, tez branca, olhos azuis e aparência eslava, até conta que já se sentiu discriminada pela cor do cabelo. «Em pequena, na escola, todos olhavam para mim como se fosse uma loira burra. Houve uma altura em que quis pintar o cabelo, a minha mãe é que não deixou. Ainda bem!» Quando acabar o curso Daryna quer entrar na especialidade de obstetrícia e ginecologia. Volodymyr sonha ser cirurgião cardiotorácico. Oleksandr Maksimov: «Sou um cidadão do mundo» Quando Oleksandr Maksimov chegou a Portugal foi para o quinto ano da Escola 2+3 de Terrugem, em Sintra. Tinha 11 anos. Os pais viviam em Albogas, uma aldeia entre Sintra a Loures. A mãe, com formação em planeamento florestal, foi a primeira pessoa da família a emigrar. Trabalhava na restauração. O pai, engenheiro mecânico, veio depois, para ser mecânico de automóveis. À chegada, não falar a língua foi a única contrariedade que Oleksandr e o irmão, ano e meio mais velho e estudante do Instituto Superior Técnico, encontraram. Mas as dificuldades foram facilmente superadas com o apoio da escola, que se organizou para lhes dar aulas extra, e com a ajuda dos pais, que se muniram de livros e dicionários de português e fizeram listas de palavras para os filhos aprenderem. «Era por temas. A mãe escrevia vinte palavras novas por dia, tínhamos de memorizálas e saber o seu significado. Mais tarde, comprou livros, líamos e tínhamos de procurar o significado dos nomes que não conhecíamos», recorda Oleksandr.

Quando chegou à Escola Secundária de Caneças, já conhecia bem a língua e as dificuldades eram coisa do passado. De tal modo, no final do 1segundo ano, ganhou dois prémios de mérito: o da escola, atribuído pelo Ministério da Educação, e o da Junta de Freguesia de Almargem do Bispo, para o melhor aluno da povoação. E, claro, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Está no segundo ano do curso. Tal como os colegas, Oleksandr estuda todos os dias, tem boas notas e ainda tem tempo para ajudar os pais (estão a reconstruir a casa que compraram) e para trabalhar nos fins de semana e nas férias. Para ele, «é tudo natural». O que ele estranhava era ver colegas dentro da sala de aula a comportarem-se como se estivessem no recreio. Mas esse tempo já passou e agora o que o preocupa é o futuro. «Adoro Portugal, já tenho a nacionalidade, como todos da minha família. O país é lindo fiz o InterRail e fiquei encantado -, acolhedor, gosto da comida, só é um pouco quente no verão. O que me preocupa neste país é a má gestão, parece-me que o dinheiro não é muito bem gerido. Olhe a Escola Secundária de Caneças... está a ser reconstruída mas não havia necessidade. Portugal precisa de saber o que é prioritário», afirma. Os serviços de saúde do país também o impressionam. «Nunca estive doente, mas vejo imensas filas. Depois, os médicos não são pontuais e quem tem de ir a uma consulta tem de faltar um dia ao trabalho e isso não consigo entender. Quando precisei do atestado médico para me inscrever na faculdade, marquei consulta e esperei quase duas horas até ser atendido. Não pode ser...» Quando Oleksandr for médico quer ter comportamentos diferentes. Aqui ou no país onde trabalhar. «No final do curso tenho o sonho de ir para o Canadá, onde a qualidade de vida é melhor e há uma maior proximidade com a natureza. Além do clima, claro, lá é mais frio e isso agrada-me.» Os bosques e as estações do ano bem definidas são as boas memórias que ele guarda do país onde nasceu: «Voltei à Ucrânia três vezes, tenho lá avós, tios, primos, e é bom passar lá as férias. Mas já não me imagino a viver assim. Agora sou português e como demonstra a história do país e sobretudo os Descobrimentos, ser português é ser um cidadão do mundo.» Cada vez mais imigrantes Estudar Medicina e ser médico é um sonho de muitos ao alcance de poucos. Sobretudo em Portugal, onde a média de entrada no curso é superior a 18 valores. Ainda assim, no ano letivo passado, o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) contabilizava 127 estudantes com nacionalidade estrangeira a estudar nas faculdades de Medicina do país, entre eles quatro ucranianos, cinco russos, um romeno, quatro moldavos e um búlgaro. De fora desta estatística ficam os alunos que se nacionalizaram portugueses - é o caso de cinco dos seis estudantes com quem falámos. Caldas de Almeida, diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, diz que já está longe o tempo em que a Medicina era um curso elitista. «A diversidade social e geográfica dos estudantes de Medicina é grande e o facto de os filhos dos imigrantes também cá estarem é um sinal da grande mudança social e da democratização do país e da sociedade.» Rosário Farmhouse, alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural. «Edução para todos» Foi surpreendida quando soube que há muitos jovens dos países de leste a estudar Medicina? Nem por isso. As crianças e os jovens de Leste têm hábitos de estudo muito mais exigentes do que os nossos, portugueses. Estudam mais horas, com profundidade, método, têm objetivos definidos e são muito competitivos. Eles dizem com orgulho que a sua profissão é ser estudante e isso significa saber as matérias e ter bons resultados. Com os hábitos de trabalho que têm podiam entrar em qualquer curso.

Há uns anos, falar de alunos imigrantes era o mesmo que dizer insucesso e abandono escolar. A diferença entre os estudantes vindos do Leste e os dos países africanos de expressão portuguesa está na escolaridade dos pais? Sabe-se que o fator mais determinante para o mérito escolar das crianças e jovens é a família. Há um estudo do Ministério da Educação [ME] que demonstra que entre crianças do mesmo meio, com dificuldades económicas e sociais idênticas, umas têm sucesso, outras não, e a explicação está na família. Em regra, os estudantes que vieram de países da Europa de Leste têm pais altamente qualificados, com altas expetativas sobre os filhos. O que é natural - nenhum pai ou mãe quer para os filhos menos do que aquilo que já conseguiu. Como avalia o trabalho das escolas portuguesas para garantir a integração? _Têm feito um grande caminho. Em 1991, o ME criou o projeto Entreculturas para ajudar os professores e toda a comunidade educativa a lidar com a diversidade cultural na escola. Como gerir uma sala de aula diversa; que dicas dar aos professores e aos alunos para que sejam plenamente aceites; desenvolver o português como língua não materna - um projeto que deveria ser alargado a mais escolas. Mais vale uma espécie de ano zero, em que as crianças aprendem a língua e apreendem a cultura portuguesa e serão mais bem-sucedidas em termos escolares. O desafio de diversidade começou no pós-25 de Abril, com a vinda de crianças dos PALOP, e prossegue. Hoje, as escolas estão mais bem apetrechadas, mas ainda há barreiras e obstáculos a ultrapassar. Também é para isso que existe o ACIDI [Ato-Comissariado para a Integração e o Diálogo Intercultural]. Dos alunos entrevistados pela Notícias Magazine, uma não foi aceite na escola quando chegou. Ainda podia acontecer hoje? Fico chocada e espero que já não se passe. Nos anos 2000, 2001, 2002, tivemos grande afluência de imigrantes de repente e algumas escolas não tinham o conhecimento nem os mecanismos necessários para integrar as crianças, mas deviam tê-los procurado. O ACIDI tem gabinetes em Lisboa e no Porto que ajudam a desbloquear essas situações. Em Portugal, o acesso à educação e à saúde está garantido para todas as pessoas, independentemente de terem uma situação regular ou não.
http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=2442313

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful