Farmacoeconomia

2012

Ano lectivo 2011/2012

“Estudo de avaliação do custo incremental Auto-monitorização de INR versus controlo Laboratorial ou Monitorização no centro de Saúde em Portugal”

a monitorização mensal permite que cerca de 50% dos doentes estejam dentro dos parâmetros alvo. a percentagem de doentes que realiza esta automonitorização é ainda muito pequena em comparação com a percentagem de doentes cujo controlo é feito em laboratórios de análises clínicas. de INR. visto que a terapêutica anticoagulante oral com antagonistas a vitamina K. tornando necessário o reajustamento sucessivo da dose. isto é. É de notar a importância desta análise dado que este fármaco tem uma janela terapêutica muito estreita. O INR é um índice internacional normalizado. de modo a obter um equilíbrio que evite eventos hemorrágicos sem reduzir a eficácia terapêutica. monitorização em Centro de Saúde ou através de auto-monitorização realizada pelo doente ao domicílio. mais concretamente em relação à varfarina. Já no que diz respeito ao tipo de monitorização. No entanto.INTRODUÇÃO O artigo analisado. Este reajustamento da dose é regularizado em função da monitorização do tempo de coagulação.5. Os resultados de estudos recentes mostram uma tendência para maiores benefícios da auto-monitorização.5±0. Nota: 18 . já com uma monitorização semanal dá-se um aumento para 83%. surge na necessidade de controlar os custos da monitorização do INR. esta pode ser feita de várias formas: monitorização em laboratório. avaliado a partir do INR que se deve encontrar no valor d 2. maior frequência de monitorização do INR e maior sensibilidade nos ajustes da terapêutica. “Estudo de avaliação do custo incremental Auto-monitorização de INR versus controlo Laboratorial ou Monitorização no centro de Saúde em Portugal”. a melhor adesão ao tratamento. A manutenção do INR dentro dos valores alvo. como a varfarina. está associada com o tipo e frequência de monitorização. Em relação à frequência. este artigo mostra um estudo que visa avaliar o custo efectividade (custo incremental) da auto-monitorização versus monitorização laboratorial (laboratório de análises clínicas) ou monitorização em centro de saúde. entre os quais. A eficácia da terapêutica anticoagulante oral está directamente relacionada com a capacidade de manter os valores do INR neste intervalo indicado. tem vindo a aumentar nos últimos anos. a partir deste dá-se a padronização mundial de um resultado obtido durante o teste que avalia a tendência da coagulação do sangue. o que resulta numa redução de 1/3 das mortes e de 55% de ocorrência de eventos tromboembólico e também uma diminuição de eventos hemorrágicos major. Assim.

Na análise considerou-se a evolução de uma coorte hipotética (com base em probabilidades) de doentes sujeitos a tratamento com a varfarina durante um período de cinco anos com monitorização do INR pelas três alternativas. seguindo-se a perspectiva da sociedade. Incapacidade permanente após hemorragia major e Incapacidade permanente após trombose. V-morte. Para cada ciclo anual foram considerados sete estádios de saúde mutuamente exclusivos: I-sem evento. qual se consideraram apenas custos directos. houve registo de valores de probabilidade aumentados (relativamente aos valores-padrão) para as seguintes situações/estádios: Hemorragia major(normal e abaixo do normal). III-hemorragia major – IIIa-incapacidade temporária. já que o estudo foi efectuado na perspectiva da sociedade). anos vida. Utilizou-se um painel de Delbecq para se definir a prática clínica associada à monitorização.MATERIAL E MÉTODOS Foi. Para os três tipos de monitorização verificou-se uma probabilidade maior para haver um valor de INR normal. desenvolvendo-se um modelo de decisão analítica tipo Marko: análise comparativa de custos (apenas custos directos. então. efectuado um estudo de custo-efectividade e de custo-utilidade. ‘morte após hemorragia major’ e ‘morte’ foram assinalados valores elevados de probabilidade. IIIb-incapacidade permanente. os três tipos (monitorização em laboratório. . acompanhamento dos doentes e tratamento das complicações que poderão advir. normal e abaixo do normal). É de referir que para os estádios ‘morte após trombose’. No que concerne à monitorização do tempo de protrombina. Trombose major( acima do normal. em centros de saúde e auto-monitorização) apresentaram valores de probabilidades dentro dos intervalos padrão.nº de anos de vida com qualidade que uma determinada pessoa pode ter) entre as três opções de monitorização do INR. sendo que a monitorização em laboratório de análises clínicas é a que está em prática corrente. CUSTOS Realizou-se uma análise de custo-efectividade da monitorização do tempo de protrombina. qualidade vida (QALY. No que toca à análise da probabilidade de transição entre estádios. IV-trombose – IVa-incapacidade temporária. II-hemorragia minor. IVbincapacidade permanente.

uma vez que esta apresenta custos inferiores. Nota: 17 . seguimento e tratamento.Aos resultados somaram-se dados de utilidade. No cálculo dos custos de monitorização em CS. Em suma. os custos referentes à hospitalização e os custos totais associados à monitorização. metade das vezes. obtiveram-se os seguintes resultados: A hipótese auto-medicação foi a que apresentou valores mais promissores no que toca a anos de vida e QALYS. esta avaliação seria executada sem recurso a consulta médica. Finalmente. verificou-se que é imprescindível elucidar o doente acerca da determinação e utilização do aparelho em questão. Em contrapartida. A alternativa monitorização em laboratório de análises clínicas mostrou ser a mais benéfica. a frequência com que o doente realiza uma determinação de INR. determinou-se que o doente faria 13 avaliações e que. quando comparada com as restantes (Traz mais vantagens no que respeita a anos de vida e QALYS). a auto-monitorização arrecada o primeiro lugar em detrimento da monitorização em laboratório. respectivamente). Na situação de custos associados à monitorização em laboratório de análises clínicas estipulou-se que o doente faria 13 avaliações por ano e 12 consultas de seguimento e medicação (em média). (valores inferiores aos obtidos quando se recorre à monitorização em laboratório que apresenta valores de 704€/QALY e 697€/ano. Os custos inerentes à ‘elucidação’ serão os mesmos dispensados por um serviço domiciliário. No que concerne a custos directos: há maior vantagem em recorrer à monitorização em centro de saúde. a alternativa Monitorização em laboratório é a que se apresenta ser mais dispendiosa. Sendo que a auto-monitorização terá um custo efectividade por QALY de 542€/QALY e um custo de efectividade por ano de vida ganho igual a 538€/ano de vida. em média por ano. os custos associados à monitorização dos valores de INR. para a situação de auto-medicação. Nota: 17 RESULTADOS Para um período de estudo de cinco anos. Estipulou-se que o doente faria 28 avaliações. O ajuste de medicação é feito com recurso ao telefone. para o modelo analisado.

DISCUSSÃO: A terapia anticoagulante é bastante importante para ajudar a prevenir e tratar o troembolismo nervoso. já que representam menos custos directos e maiores ganhos em anos de vida e em QALY’s. coágulos sanguíneos associados com a substituição da válvula cardíaca e fibrilação auricular. uma vez que estas se revelam vantajosas relativamente à monotorização em laboratório de analises clínicas. Sendo necessária uma dose diferente para cada individuo que deve ser corrigida no menor espaço de tempo possível de modo a manter os valores de INR dentro dos valores alvo este estudo demonstra ser bastante importante pois consegue transmitir a ideia que a automonotorização como monotorização em centro de saúde são vantajosas relativamente à monotorização em laboratório de analises clínicas. Nota final: 17 . Nota: 17 CONCLUSÃO: A terapia anticoagulante. uma vez que representam menores custos directos e maiores ganhos em anos de vida e em QALY’s. sendo uma terapia bastante importante para boa parte da população portuguesa deve existir tanto como auto-monotorização como monotorização em centro de saúde. O seu impacto está relacionado com a capacidade de manter o tempo de coagulação sanguínea.

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