CAPÍTULO 2

LIGAS DE FERRO-CARBONO II
2-1 TRANSFORMAÇÃO DA AUSTENITA PARA BAINITA. Se um aço ao carbono eutetóide é temperado a partir da região austenítica para alguma temperatura intermediária entre 250 e 550 ºC e é isotermicamente transformado, uma estrutura chamada bainita é formada (Fig. 2-1). Bainita é assim chamada depois de E. C. Bain, que foi um dos primeiros investigadores a explorar esse tipo de transformação. A reação bainítica nas ligas de Fe-C não é completamente entendida e é um assunto de controvérsias. Além disso, é difícil de estudar os aços ao carbono desde que é tão complexo e ocorre tão rapidamente. A bainita pode ser definida em termos da sua microestrutura como o produto da reação eutetóide não lamelar, em contraste com a perlita que é o produto da reação eutetóide lamelar. Em um aço ao carbono eutetóide, a bainita, como a perlita, é uma mistura de duas fases, ferrita e cementita (Fe3C). A reação da austenita para bainita tem uma natureza dupla. Ela tem algumas características de nucleação e crescimento similar a transformação da austenita para perlita, enquanto em outros caminhos mostra características da transformação da austenita para a martensita. A bainita formada entre 350 a 550 ºC é chamada bainita superior, e a que é formada entre 250 a 350 ºC é chamada bainita inferior.

Figura 2-1 Diagrama de transformação isotérmica para um aço eutetóide indicando o caminho resfriamento para a formação da bainita.

Bainita Superior A bainita superior é formada a uma faixa de temperatura intermediária no diagrama de transformação isotérmica (350 a 550 ºC) de um aço ao carbono eutetóide. Em aços ao carbono próximos da composição eutetóide, a bainita consiste de uma estrutura de duas fases, ferrita e cementita, como mostrado na Fig. 2-2. Entretanto, a cementita é formada preferivelmente de “bastões”, como no caso da perlita, tendo a forma de lamelas.

Figura 2-2 Microestrutura da bainita superior de um aço eutetóide com 0.8% C de uma transformação isotérmica a 445 ºC. (Réplica de micrografia eletrônica; X10,000.)

Trabalhos experimentais sobre a bainita superior feitos por Shackleton and Kelly levaram a concluir que a cementita e a ferrita nucleiam independentemente da austenita. Eles encontraram o passo de controle de taxa na formação da bainita superior que é difusão do carbono na austenita. Então a cementita nucleada na austenita crescerá e rejeitará a região de carbono ao redor então a austenita pode se transformar em ferrita. Se a ferrita é nucleada primeiro ela irá rejeitar o carbono à frente do avanço na interface ferrita-austenita, e permite que a cementita se forme na austenita em frente ao crescimento da interface austenita-ferrita. Desse modo, a nucleação da ferrita irá tomar o lugar imediatamente adjacente a cementita (ou vice versa). Bainita Inferior A bainita inferior nos aços ao carbono é formada a temperatura abaixo de 350 ºC e a sua aparência tem uma pequena diferença da bainita superior (figura 2-3). Desde que as taxas de difusão são baixas, a temperaturas entre 250 e 350 ºC, o carboneto de ferro na bainita inferior é precipitado internamente nas placas de ferrita. Em contraste com a martensita, que precipita carbonetos em duas ou mais orientações, a bainita inferior precipita carbonetos predominantemente em uma orientação, que é cerca de 55º do eixo longitudinal da ferrita. Também, em contraste com aços martensíticos de alto carbono, a bainita inferior não mostra características de maclação.

Figura 2-3 Microestrutura da bainita inferior de um aço eutetóide com 0.8% C de uma transformação isotérmica a 315 ºC. (Réplica de micrografia eletrônica; X10,000.)

Acredita-se que o mecanismo que opera a formação da bainita inferior é idêntico ao produzido na formação e revenido da martensita. Isto é, a ferrita supersaturada é formada da austenita por um processo de cisalhamento e subseqüentemente a cementita é precipitada dentro da ferrita. Efeitos de Alívio na Superfície A nucleação e crescimento das placas de bainita em uma liga de aço de 0.66% C e 3.3% Cr usando um microscópio de estágio quente a 350 ºC tem sido estudado por Speich. A formação da bainita nesta liga depois de vários intervalos de tempo é mostrado na micrografia da Fig. 2-4. Micrografias óticas e eletrônicas em uma alta resolução mostram a morfologia da bainita formada (figura 2-5). O desenvolvimento progressivo das placas de bainita é indicativo de uma nucleação e tipo de mecanismo de crescimento similar a reação da austenita para perlita. Entretanto neste caso, placas de bainita são formadas. As placas de bainita são aleatórias e acicular (como agulhas), e algumas vezes assemelham as placas martensíticas produzidas em aços de alto carbono. O efeito de alívio na superfície causado pela superfície inclinada das placas de bainita são produzidos durante a reação bainítica. Este efeito de alívio na superfície é similar ao produzido durante a transformação martensítica em Fe-C e sugere um mecanismo de cisalhamento (veja Fig. 1-35). Entretanto, o exato mecanismo da reação bainítica ainda não está totalmente claro e requerirá mais pesquisas.

Figura 2-4 Micrografia de estágio quente da formação da bainita de um aço com 0.66% C – 3.3% Cr a 350 ºC depois de (a) 14.8 min, (b) 16.2 min, (c) 17.2 min, e (d) 19.2 min. O contraste da superfície é devido ao efeito de alívio na superfície. (X350.)

Figura 2-5 Micrografias óticas e eletrônicas da bainita formada de um aço com 0.66% C – 3.3 Cr a 350 ºC. (a) Micrografia ótica a X700 e (b) e (c) micrografia eletrônica a X 16,000.

2-2 TRANSFORMAÇÃO ISOTÉRMICA DE AÇOS AO CARBONO NÃO EUTETÓIDES O diagrama de transformação isotérmica tem sido determinado para aços ao carbono não eutetóides. O diagrama de transformação isotérmica para um aço ao carbono hipoeutetóide com 0.47% C é mostrado na Fig 2-6. Várias diferenças entre este diagrama de transformação isotérmica e o diagrama para aços ao carbono eutetóides são evidenciadas (Fig 1-15). A principal diferença é que o diagrama tinha sido deslocado para esquerda para um aço hipoeutetóide, tanto que não é possível temperar um aço da região austenítica e produzir uma estrutura completamente martensítica.

Figura 2-6 Diagrama de transformação isotérmica para um aço hipoeutetóide contendo 0.47% C e 0.57% Mn (temperatura de austenitização: 843 ºC)

A Segunda principal diferença é que outra linha de transformação é adicionada na parte superior do diagrama de transformação isotérmica de uma aço eutetóide para o começo da formação de ferrita proeutetóide. A temperaturas entre 723 e 765 ºC, somente ferrita proeutetóide pode ser produzida pela transformação isotérmica. Se uma amostra de um aço com 0.47% C é temperada a 690ºC de uma temperatura austenítica de 843 ºC e transformada isotermicamente, uma estrutura quase em equilíbrio consistindo de ferrita proeutetóide e perlita grossa (uma parte esferoidizada) é produzida (Fig. 2-7a). Se outra amostra desse aço é temperada para uma temperatura abaixo de 650 ºC e transformada isotermicamente, a quantia de ferrita proeutetóide é suprimida e a quantia de perlita é aumentada (Fig. 2-7b). De certo para esta mudança ser possível, a quantia de ferrita na perlita é correspondentemente aumentada igualmente a quantia de ferrita proeutetóide é diminuída. Isto ocorre desde que a reação é uma transformação de não equilíbrio irreversível. Têmpera em temperaturas abaixo de 538ºC em uma transformação parcialmente isotérmica o aço produz nódulos de perlita com alguma bainita superior (Fig. 2-7c). Têmpera a 425ºC em uma transformação parcialmente isotérmica produz uma estrutura essencialmente de bainita inferior (Fig 2-7d). Uma têmpera rápida diretamente da martensita irá produzir uma estrutura martensítica com uma pequena quantias de ferrita e perlita.

Figura 2-7 Microestrutura de um aço hipoeutetóide com 0.47% C depois de uma transformação isotérmica com segue: (a) depois da transformação completada a 690 ºC [a estrutura mostra ferrita proeutetóide (branco) e perlita grossa]; (b) depois da transformação completada a 650 ºC [a estrutura mostra ferrita proeutetóide (branco) e perlita (preto)]; (c) após transformação parcial a 538 ºC [a estrutura mostra nódulos de perlita (preto) com algumas agulhas de bainita superior e martensita (branco)]; (d) depois de uma transformação parcial a 425 ºC [a estrutura mostra bainita inferior (preto) e martensita (branco)].

Diagramas de transformação isotérmica tem também sido feitos para aços ao carbono hipereutetóides. Eles são similares aos hipoeutetóides exceto que a fase proeutetóide é a cementita e antes era a ferrita . Um diagrama de transformação isotérmica para um aço hipereutetóide com 1.13 % C é mostrado na Fig 2-8. Como no caso dos aços hipoeutetóides, temperando um aço hipereutetóide numa transformação isotérmica irá produzir uma estrutura com vários constituintes.

Figura 2-8 Diagrama de transformação isotérmica de um aço hipereutetóide contendo 1.13% Carbono e 0.30% Manganês.

2-3 TRANSFORMAÇÕES NO RESFRIAMENTO CONTÍNUO DE AÇOS BAIXO CARBONO

Diagrama de transformação em resfriamento contínuo para aços eutetóides Na maioria dos casos de tratamento térmico industrial, um aço não é isotermicamente transformado a alguma temperatura acima daquela de início da formação martensítica, mas é continuamente resfriado da temperatura austenítica para a temperatura ambiente. Assim no resfriamento contínuo de um aço baixo carbono eutetóide, a transformação da austenita para perlita ocorre em uma faixa de temperaturas preferivelmente que uma única temperatura isotérmica. Como resultado, a microestrutura resultante após resfriamento contínuo será complexa desde que é formada dentro de uma faixa de temperaturas, a qual muda a cinética da reação. O diagrama de transformação isotérmica não pode ser usado diretamente para prever quais produtos serão formados por resfriamento contínuo. Experimentalmente notou-se que, para um aço eutetóide, o diagrama de resfriamento contínuo fica deslocado para temperaturas despresivelmente mais baixas e maiores tempos em relação ao diagrama isotérmico. Este deslocamento é ilustrado pelo diagrama de resfriamento contínuo para aço-carbono eutetóide mostrado na figura 2-9. Diferentes taxas de resfriamento a partir da região de temperatura de austenitização são representadas no diagrama de resfriamento contínuo de um aço baixo carbono eutetóide, conforme mostrado na figura 2-10.

Figura 2-9 diagrama de resfriamento contínuo para aço eutetóide baixo carbono

Figura 2-10 variação na estrutura de um aço-carbono eutetóide por resfriamento contínuo em diferentes taxas.

Considere o resfriamento contínuo de amostras finas nas taxas de A a E mostradas na figura 2-10. A curva de resfriamento A representa o resfriamento lento de um aço, sendo este obtido pelo resfriamento no interior de um forno. A microestrutura depois de resfriamento até a temperatura ambiente seria perlita grossa lamelar. A curva de resfriamento B representa resfriamento mais rápido, sendo este obtido removendo o aço do forno à temperatura de austenitização e permitindo o resfriamento ao ar. Uma estrutura de perlita fina seria obtida neste caso. Resfriamento na curva C inicia com a formação de perlita fina, mas o tempo é insuficiente para completar a transformação austenita-perlita. Assim a austenita restante que não foi transformada em perlita em alta temperatura se transforma em martensita à baixas temperaturas iniciando a cerca de 200ºC. Já que a transformação neste caso toma lugar em dois estágios, esta é chamada de transformação de divisão. A estrutura resultante seria então uma mistura de perlita fina e martensita, mostrada na figura 2-11. Uma rápida taxa de resfriamento, como aquela da curva D, produz uma estrutura inteiramente martensítica. Uma taxa de resfriamento um pouco menor, como àquela da curva E, representa a mais lenta taxa de resfriamento sem obter perlita na estrutura resultante. Esta taxa de resfriamento é chamada taxa de resfriamento crítico. Resfriamento a uma taxa menor que àquela da curva E não irá produzir um aço totalmente duro (martensítico).

Figura 2-11 microestrutura obtida por resfriamento contínuo de um aço eutetóide causada por transformação de separação.

Outro ponto importante a ser notado no diagrama de transformação em resfriamento contínuo de um aço baixo carbono eutetóide é que a linha de transformação perlítica se estende de um lado ao outro e acima das linhas de transformação da bainita. Assim, uma estrutura martensítica ou perlítica será formada, e não bainítica. No entanto, pequenas quantidades de bainita podem ser formadas pelo resfriamento a uma razão a qual produz uma transformação de divisão. Para se obter uma estrutura totalmente bainítica, o aço eutetóide deveria ser primeiramente resfriado rapidamente a alguma temperatura acima daquela de transformação martensítica (Ms), e então ser transformado isotermicamente para bainita.

Transformação em resfriamento contínuo para um aço baixo carbono hipoeutetóide O diagrama de resfriamento contínuo para um aço baixo carbono hipoeutetóide (0,38%C) está mostrado na figura 2-12 a e b. Na figura 2-12 b, a dureza das transformações dos produtos de várias taxas de resfriamentos estão demonstradas. A microestrutura desta ligas, depois do resfriamento a cada taxa em que a dureza é indicada, estão mostradas na fig. 2-13.

Figura 2-12 a- diagrama de resfriamento contínuo de aço carbono com 0,3% C (0,7% Mn, 0,25% Si). O diagrama isotérmico esta mostrado nas linhas tracejadas. b- diagrama de resfriamento contínuo com taxas selecionadas de resfriamento decrescendo da esquerda para direita. Os valores de dureza DPH estão indicados dentro dos círculos para cada curva de resfriamento. A microestrutura desses aços resfriados nas taxas indicadas estão demonstrados na fig. 2-13 a à f .

Figura 2-13 Microestruturas de amostras de aços 0,38% C depois de resfriadas continuamentes a taxas indicadas na fig. 2-12. A taxa de resfriamento é crescente de a à f e cada amostra está identificada por um número de PDH.

Resfriando à taxa mais lenta indicada pela curva DPH (Diamond pyramid hardness) com valor 139, a estrutura mais mole é obtida, a qual é uma mistura de ferrita proeutetóide e perlita em quantidades quase iguais (fig. 2-13 a). Esta estrutura é similar àquela obtida pelo resfriamento lento (forno) deste tipo de aço. Um pequeno aumento na taxa de resfriamento causa refino da perlita e diminuição na formação de ferrita, causando aumento na dureza (fig. 2-13 b). Aumentando a taxa de resfriamento ainda mais drasticamente se reduz a quantidade de ferrita proeutetóide. A ferrita proeutetóide agora contorna os contornos de grão da matriz austeníticos, com alguma ferrita “Widmanstatten” começando a formar (fig. 2-13 c).

Aumentando a taxa de resfriamento ainda mais faz com que uma transformação mista aconteça (figs. 2-12 b e 2-13 d ). A taxa de resfriamento é tão rápida que pouca ferrita proeutetóide é formada. Na verdade, perlita (fase escura) contorna o contorno de grão da matriz austenítica formada. Alguma bainita é formada, como indicado pela estrutura acicular. As área brancas são martensítas, a qual foi formada quando alguma austenita restante não transformada até a temperatura Ms foi alcançada. Aumentando a taxa de resfriamento ainda mais aumenta a quantidade de martensita formada, e ainda causa uma transformação mista (fig.2-13 e). Algumas ferritas proeutetóide e perlita são formadas nos contornos de grão da matriz martensítica. Pequenas quantidades de bainita aciculada são também observada. Note que a dureza das amostras aumentou devido a grande porcentagem de martensita. Finalmente, na última microestrutura (fig. 2-13 f), a estrutura é quase toda martensítica. No entanto, uma pequena quantidade de perlita e bainita são observadas nos contornos de grãos da matriz austenítica.

2-4 RECOZIMENTO CARBONO

E

NORMALIZAÇÃO

EM

AÇOS

BAIXO

Trabalho a frio e recozimento A maioria das ligas de engenharia deve possuir uma adequada combinação de resistência e ductilidade. Ductilidade em metais e ligas permite a estes que sejam deformados plasticamente por diversos processos de fabricação dentro das necessidades da forma sem fraturar. Durante deformação plástica, ou trabalho a frio, a principal razão para o aumento da resistência é a maior geração e rearranjo das discordâncias, os quais caracterizam o encruamento do material em questão. Para tornar metais trabalhados a frio dúcteis, estes são recozidos à temperaturas adequadas. Durante o recozimento, a estrutura altamente distorcida retorna parcial ou completamente para uma estrutura mais dúctil contendo menor quantidade de discordâncias. Os dois tipos mais comuns de processos de recozimento aplicáveis a aços comerciais são recozimento total e recozimento de processo. Recozimento total: No recozimento total, aços hipoeutetóides e eutetóides são aquecidos cerca de 25 oC acima de sua temperatura Ac3 (superior a crítica),mantendo o tempo necessário para o recozimento, e então resfriado lentamente até a temperatura ambiente. O tipo mais comum de recozimento total utiliza um forno caixa onde grandes bobinas de laminas de aço são aquecidas e resfriadas lentamente. Figura 2-14 indica a taxa de temperatura no diagrama Fe-Fe3C comumente usado no recozimento total. Alguns tipos de aços são aquecidos rapidamente e recozidos continuamente. Este processo de recozimento contínuo para aços tira é mais econômico para alguns grau de aços, mas este produz um tamanho de grão mais finos e diferentes propriedades mecânicas que os aços recozidos em caixa. Esta diferentes estruturas serão discutidas mais tarde. Recozimento de processo: É usualmente aplicado para aços hipoeutetóides com até 0,3%C. O aço é aquecido a uma temperatura abaixo da temperatura “crítica”, geralmente cerca de 550 oC a 650 oC, mantidos pelo tempo necessário e então resfriados sob a taxa desejada (fig. 2-14). Este processo é freqüentemente chamado de alívio de tensão ou recuperação desde que este trabalho a frio parcialmente amolece aços de baixo carbono por alívio interno de tensões de trabalho a frio.

Figura 2-14 extensão das temperaturas comumente usadas para recozimento de aços ao carbono.

Mudanças microestruturais durante o recozimento Durante o recozimento as mudanças que acontecem na microestrutura podem ser subdivididos nos seguintes processos: 1. Recuperação: Neste processo, o metal encruado é aquecido a uma temperatura tal que as discordâncias possam ser rearranjadas em configurações de menor energia. 2. Recristalização: Quando um metal encruado é aquecido a uma temperatura alta o suficiente, chamada temperatura de recristalização, novos grãos livres de tensão são formados pela migração de contornos de alto ângulo com alta mobilidade. 3. Crescimento de grão: Recozimento prolongado de uma estrutura recristalizada promove a formação de uma estrutura de grãos mais estável. Neste processo, grãos maiores crescem à custa dos menores. Visto que os processos de recuperação e recristalização são particularmente importantes no processos de laminação de chapas planas, produtos tais como chapas de baixo carbono e tiras, o tratamento destes objetos se restringe a ligas de Fe-C baixo carbono.

Encruamento Encruamento aumenta a resistência de ferros e aços devido ao aumento da densidade de discordâncias e pelos rearranjos as mesmas. Quando um ferro recozido ou aço baixo-carbono é deformado plasticamente cerca de 5%, as discordâncias entrelaçadas começam a formar parede de células na célula deformada (fig.2-15a). Conforme a deformação plástica continua, a densidade de discordâncias aumenta, levando a um aumento na espessura das paredes da célula e um decréscimo em seu volume ( fig. 2-15b) . Depois de cerca de 65% de deformação, a densidade de discordâncias varia de 1010 para 1011discordâncias por centímetro quadrado, com um diâmetro de célula de vários mícrons. Esta alta densidade de discordâncias está associada com o elevado encruamento de um metal muito deformado. Figura 2-16a mostra como uma orientação preferencial é criada na direção de laminação de um aço baixo carbono laminado à frio com 65% de deformação. Figura 2-16b mostra a subestrutura das discordâncias de alguns aços dimensionado em uma chapa fina.

Figura 2-15 espesso emaranhado de discordâncias formado em um ferro recozido por deformação a temperatura ambiente. (a) Deformado 9% (b) deformado 20%. Note que a proporção dos espaços entre as células decresce com o aumento da deformação.

Figura 2-16 (a) aço baixo carbono laminado à frio 65%, mostrando os contornos de grãos no plano laminado R, o plano longitudinal L, e o plano transversal T. (DL = direção de laminação). (b) micrografia eletrônica de uma chapa fina com alguma laminação à frio em um aço baixo carbono como em (a) mostrando a subestruturas das discordâncias na laminação, planos transversal e longitudinal.

Figura 2-17 Micrografia eletrônica de uma chapa fina de ferro (0,002%) deformado à frio para 70% de redução em espessura. A estrutura mostra deformação nas paredes das células de alta densidade de discordância. Na região escura , algumas discordâncias não tem resolução devido a sua altíssima densidade, ( X 12,500). (b) Algum encruamento no ferro depois de um tratamento térmico de recuperação. A estrutura consiste de ordens de discordâncias e subgrãos os quais são tipicamente de fortes deformações e recuperação da ferrita.

Recuperação Durante o tratamento térmico de recuperação ou alívio de tensão, a mudança nas propriedades mecânicas e físicas introduzidas pelo encruamento começam a retornar aos valores do metal antes de sofrer deformação a frio. No caso de ferros e aços baixocarbono, durante a recuperação, tensões internas são aliviadas e a resistividade elétrica decresce devido a eliminação de algumas imperfeições cristalinas. Entretanto mudanças nas propriedades mecânicas são pequenas. Conforme o processo de recuperação prossegue, produz uma escala das discordâncias e seu rearranjo de forma mais ordenada, como mostra a figura 2-17 a e b. O mecanismo de escalagem capacita as discordâncias formarem paredes de novas células chamadas subgrãos (fig. 2-17 b). A formação de contornos de grão de baixo ângulo para formar subgrãos chama-se poligonização, mostrado esquematicamente na figura 2-18. A formação de subgrãos é um processo instantâneo já que a estrutura destes tem uma configuração com menor energia de discordância que a estrutura celular (fig.2-17 a) original. Para cada temperatura de recuperação um tamanho de célula de equilíbrio é obtida, sendo este correspondente à temperatura de recuperação total.

Figura 2-18 representação esquemática do processo de poligonização. (a) cristal deformado mostrando os empilhamentos das discordâncias nos planos de escorregamento. (b) estrutura recuperada mostrando as discordâncias formando contornos de grão de baixo ângulo, produzindo um arranjo mais estável.

Recristalização e crescimento de grão Recristalização é um processo no qual novos grãos livres de tensão são formados no metal trabalhado a frio. Durante este processo, as alterações nas propriedades físicas e mecânicas causadas pelo encruamento são praticamente eliminadas, deixando o metal aproximadamente igual a antes de sofrer encruamento. Se a recristalização foi precedida pela recuperação, os novos grãos podem ser nucleados a partir dos subgrãos formados no processo de recuperação. A recristalização é basicamente um processo do tipo nucleação e crescimento de grão. Este processo acontece devido a diminuição na energia livre de volume que resulta da diminuição de densidade de discordâncias. Os novos grãos recristalizados são maiores que os subgrãos, e a energia final deve provir dos novos contornos de grão de alto ângulo, energia mais que suficiente é liberada devido a perda dos contornos de subgrão. Figura 2-19 mostra um aço baixo carbono (0,06% C) que foi parcialmente recristalizado depois do encruamento e a fig. 2-20 mostra as estruturas dos grãos recristalizados de um aço “capped” (0,06% C) depois de um recozimento em caixa. Nota-se que novas estruturas com grãos recristalizados contém aproximadamente grãos equiaxiais, considerando uma estrutura 65% encruada (fig. 2-16 a) os grãos são preferencialmente alinhados na direção de laminação e são alongados. Aquecendo acima da faixa de temperatura de recristalização faz os grãos crescerem até que um tamanho de equilíbrio seja alcançado. Grãos maiores irão consumir os menores já que grãos maiores são termodinamicamente mais estáveis. Crescimento de grão acontece espontaneamente devido ao decréscimo na energia livre resultante da redução de área do contorno de grão. Com maior tamanho de grão o metal se torna mais mole já que os contornos de ligação impedem o movimento das discordâncias durante deformação plástica. O crescimento de grão pára quando o movimento do contorno de grão é obstruído por impurezas e subestruturas.

Figura 2-19 Chapa de aço baixo carbono (0,06%) que foi parcialmente recristalizado e depois laminado mostrando novos grãos (clara) que foi nucleada por partícula de carbono.

Figura 2-20 aço “capped” baixo carbono (0,06% C, 0,3% Mn), laminado à frio e recristalizado por um recozimento em caixa. (2% nital x 100)

Normalização Normalização é o processo pelo qual um aço é aquecido cerca de 40ºC acima da temperatura crítica, mantido pelo tempo desejado, e então resfriado em ar ambiente. Figura 2-14 indica as taxas de temperatura para normalização de aços carbono. Os principais motivos para se realizar normalização são:

1. Refinar a estrutura de grãos ou garantir austenita homogênea quando um aço é reaquecido para têmpera ou recozimento total. 2. Reduzir segregação na fundição ou forjamento e então resultar em estrutura uniforme. 3. Endurecer levemente o aço. As estruturas produzidas pela normalização são perlíticas para aços eutetóides e perlita com excesso de ferrita ou cementita para aços hipo e hipereutetóides respectivamente. Devido às elevadas taxas de difusão a elevadas temperaturas comparadas ao recozimento total, a segregação em estruturas fundidas será grandemente reduzida. O aumento no tamanho de grão devido ao crescimento de grão durante a normalização pode ser reduzido por um segundo tratamento térmico a uma menor temperatura.

Figura 2-21 Taxas de resfriamentos durante a têmpera de 1 ciclo em uma barra de aço. (a) têmpera em água. (b) têmpera em óleo.

2-5 ENDURECIMENTO POR TÊMPERA EM AÇOS BAIXO-CARBONO

Estes aços são temperados com o intuito de obter seu o máximo endurecimento, isto deve-se ao revenido a partir da temperatura de austenitização (fig.2-14) de modo a taxa que a estrutura martensítica é produzida do começo ao fim sem interrupções na amostra (fig 2-10). Para obter uma estrutura inteiramente martensítica, o aço deve ser temperado a uma taxa igual ou maior que a taxa de resfriamento crítico para obter a máxima dureza. Visto que algumas taxas de resfriamento para alguns aços carbono é tão rápida (isto é, aço carbono eutetóide 0,8% C), somente aços de formas finas podem formar uma estrutura martensítica completa. Se seções grossas são rapidamente resfriadas, a superfície resfriará mais rapidamente que o centro, como esta indicado na figura 2-21 a. entretanto estruturas inteiramente martensíticas não podem ser obtidas em aços carbono com seções grossas sem importar quanto rápido é o resfriamento. Na condição de obter estruturas inteiramente martensíticas em aços com seções grossas, adiciona-se elementos de liga com níquel, cromo, e molibdênio a fim de aumentar o tempo durante a têmpera antes que a taxa de resfriamento crítica seja alcançada. Quanto ao meio utilizado para fazer a têmpera, ou seja, a solução onde será resfriado o aço, geralmente utiliza-se água, salmoura ou óleos. Comparativamente falando, a salmoura promove uma taxa de resfriamento mais rápida que a da água e, por outro lado, o óleo promove uma taxa de resfriamento mais lenta que a água, fig 2-21b. Em geral, agitação do meio aumenta a taxa de resfriamento.

Tensão Residual Quando uma barra de aço de, digamos, uma polegada de espessura é resfriada rapidamente, o centro da barra permanece a temperaturas mais altas, durante o resfriamento, do que a superfície. Este gradiente de temperatura promove altas tensões dentro do aço, podendo levar a falhas ou distorções da barra. Além destes problemas ainda ocorre uma expansão do espaço intersticial dos átomos de Fe, pois a estrutura muda de CFC para CCC. Concluindo pode-se dizer que dois processos ocorrem durante a têmpera: 1) Contração Normal devido ao Resfriamento; 2) Expansão interatômica devido à mudança da estrutura cristalina; Como resultado, tensões residuais complexas são criadas no aço, tensões estas que podem levar a falhas e até a ruptura. Com o aumento do teor de carbono o problema do aparecimento de falhas aumenta ainda mais já que a transformação estrutural será de CFC para uma estrutura CCC distorcida – devido à presença de carbono em regiões não-intersticiais –, chamada de TCC (fig. 1-32). Com o propósito de minimizar os problemas de falhas na têmpera, o aço deve ser reaquecido para liberar as tensões o quanto antes. Com a adição de elementos de liga, têmperas mais lentas (com óleo) podem ser utilizadas para reduzir estas tensões e distorções. Outra possibilidade para reduzir estas falhas e distorções é utilizar os tratamentos térmicos especiais tais como a martêmpera e a austêmpera, que utilizam uma transformação isotérmica durante a têmpera. (ver seção 2-8)

2-6 Revenimento dos Aços ao Carbono Planos O Processo de Revenimento O revenimento é um processo de aquecimento do aço martensítico a uma temperatura abaixo da faixa de transformação para fazer com que este fique mais mole e mais dúctil. Na figura 2-22 ilustra-se esquematicamente os processos de têmpera e revenido. Como mostrado neste diagrama, o aço é primeiramente austenitizado acima de Ae1, então temperado a uma taxa rápida o suficiente para não tocar no nariz (ou joelho), do diagrama IT para formação de martensita. O aço é então reaquecido a uma elevada temperatura, abaixo de Ae1, para produzir a dureza desejada.

Mudanças microestruturais dos Aços ao Carbono Planos que ocorrem durante o Revenimento Durante o processo de revenimento, numerosas reações do estado sólido ocorrem. As mais importantes são: 1. Segregação de Carbonos 2. Precipitação de Carbetos 3. Decomposição da Austenita Retida 4. Recuperação e Recristalização da matriz ferrítica Estas reações não ocorrem à mesma temperatura e nem ao mesmo tempo. Muitas delas se sobrepõem e ocorrem simultaneamente, por isso que as microestruturas resultantes são tão complexas.

Figura 2-22 diagrama esquemático para ilustração o comportamento dos processos de têmpera e revenido para um aço ao carbono.

1. Segregação de Carbono Na martensíta com ripas, aços baixo carbono, existe uma alta densidade de discordâncias individuais e várias “paredes de célula”. Os espaços intersticiais próximos às discordâncias promovem regiões de mais baixa energia para átomos de carbono do que as posições intersticiais regulares. Portanto, quando aços martensíticos de baixo carbono são primariamente revenidos de 25 a 100°C, os átomos de carbono serão redistribuídos para estas regiões de menor energia. Na verdade, grande parte desta redistribuição ocorre durante a têmpera através da faixa de temperatura de formação de martensíta. Para teores de carbono menores que 0,2%, Speich, utilizando instrumentos de medição com resistência elétrica, calculou que próximo a 90% do carbono segregou para defeitos de intervalo, na sua maioria discordâncias, durante a têmpera. É possível que a ausência de tetragonalidade nos intervalos da estrutura cristalina CCC (Cúbica de Corpo Centrado) nos aços ao carbono planos martensíticos com menos de 0,2% seja atribuída a este tipo de segregação. Em aços alto carbono, a martensíta formada é principalmente na forma de placas (veja Seção 1-7) e possui uma estrutura de macla interna. O principal modo de redistribuição de carbono nestes aços é a grande quantidade de precipitados. A força motriz para esta reação é a diminuição da energia elástica total dos intervalos. O número de locais com discordâncias de baixa é muito menor nos aços alto carbono. Portanto a segregação de carbonos por este mecanismo é substancialmente reduzida. 2. Precipitação de Carbetos Em aços ao carbono planos, três tipos de carbetos, que diferem em composição química e estrutura cristalina, podem ser encontrados. São eles:

Figura 2-23 Carbeto ε (fase escura) em martensita em Fe 24% Ni 0,5% aço carbono durante revenido de 1h a 205 oC.

2.1 Carbeto ε [Fe2-3C, HC]. Quando aços ao carbono planos que contêm mais que 0,2% de carbono são revenidos em uma faixa de 100 a 200°C, carbetos ε precipitam. Já em aços baixo carbono com menos de 0,2% de carbono os carbetos ε não precipitam. Presumidamente, em concentrações de baixo carbono, os átomos de carbono podem diminuir suas energias mais nos locais de discordâncias do que com os precipitados de carbetos ε. O carbeto ε é metaestável, e a altas temperaturas dissolvem quando carbetos Hägg e cementita são formados. Precipitados de carbetos ε formados na martensíta em uma liga Fe-24% Ni-0,5%C revenidos a 205°C por 1 hora são mostrados na figura 2-23. 2.2 Carbeto Hägg [Fe5C2, Monoclínico]. Este carbeto tem sido identificado pelos estudos de Mösebauer (absorção de raios-γ) e é formado em alguns aços alto carbono revenidos entre 200 e 300°C. Este é um carbeto metaestável com uma composição intermediária entre o carbeto ε e a cementita. Existem algumas dúvidas se o carbeto Hägg é uma parte da seqüência de revenimento em aços baixo carbono. 2.3 Cementita [Fe3C, Ortorrômbico]. Este carbeto forma quando aços ao carbono planos são revenidos entre 250 e 700°C. A forma inicial da cementita é parecida com agulhas, fig 2-24, tanto quando formada pelo revenimento entre 200 e 300°C quanto quando durante a têmpera em aços de largas seções. Ela é nucleada nos espaços dos contornos das ripas a baixas temperaturas e nos contornos de grão da ferrita a altas temperaturas. De 400 para 600°C, os carbetos parecidos com ripas coalescem para formar esferoidita, que reduz a energia superficial total, fig 2-25. De 600 a 700°C, as esferoiditas engrossam ainda mais com a dissolução de partículas pequenas, fig 2-26. Novamente, a força motriz para o coalescimento é a redução da energia de superfície total da cementita na matriz ferrítica.

300oC.

Figura 2-24 Precipitação de Fe3C em Fe- 0,39% ao carbono martensítico temperado por 1h a

Figura 2-25 estrutura martensítica temperada em um aço eutetóide 0,75% C.

Figura 2-26 esferoiditas em um aço hipereutetóide 1,1% C.

4. Decomposição da Austenita A austenita retida é encontrada somente em aços ao carbono planos com um teor de carbono em excesso de aproximadamente 0,4%. Portanto é importante em aços médio e alto carbono. A decomposição austenita ocorre no revenido a temperaturas entre 200 e 300°C, que é quando a austenita é transformada em bainita.

5. Recuperação e Recristalização É difícil determinar quando a recuperação dos defeitos de estrutura da martensíta iniciam durante o revenido, mas isto definitivamente afeta o processo de revenimento acima dos 400°C. Durante a recuperação, os contornos de célula e as discordâncias aleatórias destroem-se entre si, e a estrutura de grão-fino é desenvolvida. A estrutura de um aço martensítico Fe0,18%C após 10 min a 600°C é mostrada na fig 2-27 e 2-28, em baixo e alto aumento microscópico respectivamente. Depois de um longo tempo a 600°C, a martensíta recuperada recristaliza e produz uma estrutura ferrítica-α equiaxial em qual as partículas largas de Fe3C esferoidítica estão embutidas. A fig 2-29 mostra a estrutura parcialmente recristalizada de um aço martensítico com 0,18%C depois de 10 min a 600°C. A estrutura obtida após o revenido do aço 0,18%C com 8 horas a 700°C consiste de ferrita α grossa com partículas de cementita esferoidítica nos contornos de grão e nos grãos, fig 2-30.

Figura 2-27 estrutura recuperada Fe-0,18% C martensítico depois de revenido 10min a 600oC, micrografia ótica.( 2% nital; X 1000).

Figura 2-28 estrutura recuperada de Fe-0,185 C martensítico depois de revenido por 10 min a 600oC; micrografia de transmissão eletrônica ( chapa fina X 30,000).

Efeito do Revenido na dureza de aços ao carbono planos O efeito do aumento da temperatura de revenimento, para 1 hora, para a diminuição da dureza de aços ao carbono planos é mostrado nas figs. 2-31 e 2-32. Para baixos Fe-C martensíticos com 0,1%C, pequenas mudanças na dureza ocorrem até que a temperatura de revenimento fique próxima dos 200°C, fig 2-31. Acima de 200°C, a dureza diminui gradualmente com o aumento da temperatura de revenimento até 723°C. Quando o teor de carbono é aumento para 0,4%C, a dureza diminui constantemente sobre a faixa de temperatura de revenimento de 150 a 723°C. Para aços alto carbono, fig 2-32, existe um aumento desprezível na dureza entre 100 e 150°C. Este aumento na dureza é atribuído à precipitação de carbetos ε. Nesta faixa de temperatura, dois processos ocorrem simultaneamente. Em um deles, ocorre um amolecimento devido à perda de carbono da martensíta e no outro ocorre um endurecimento devido à precipitação de carbetos ε. Acima de 150°C, a dureza diminui constantemente com o aumento da temperatura de revenimento de 150 a 723°C.

Figura 2-29 recristalização parcial em Fe-0,18% C martensítico revenido por 96h a 600 oC. (2% nital; X 1000)

Figura 2-30 estrutura recristalizada completamente em Fe-018% C martensítico revenido por 8h a 700 oC. (2% nital; X 500)

Figura 2-31 dureza de aços carbono martensítico (0,026 para 0,39% C) revenido por 1h de 100 a 700oC.

2-7 Efeito do tamanho de grão Designação do tamanho de grão O estudo das mudanças estruturais e de propriedades dos aços e de outros metais, é algumas vezes necessário para especificar a “média do tamanho de grão”. O método mais utilizado para a determinação do tamanho de grão nos EUA é o número do tamanho de grão pela norma ASTM, indicado por N. O valor do tamanho de grão ASTM é relacionado ao numero de grãos conforme a seguinte equação: n = 2N-1 Onde n é o valor do número de grãos por polegada ao quadrado, em um aumento de 100x.

Figura 2-32 dureza do ferro carbono martensítico (0,35 a 1,2% C) revenido por 1h a temperaturas indicadas.

Efeito do tamanho de grão nas propriedades mecânicas do aço baixo carbono O tamanho de grão da ferrita tem um largo efeito sobre a tensão de escoamento do aço baixo carbono. Grão refinado, no aço baixo carbono, para mesma quantidade de carbono e tratamento térmico, apresenta maiores resistências que grãos grosseiros. A figura 2.33 mostra como a tensão de escoamento com um acréscimo suave na tensão aplicada no aço de 4 Ksi (tamanho de grão ASTM 6) para 58 Ksi (tamanho de grão ASTM 11).

A razão para esse bom aumento na tensão é que os contornos de grão a baixas temperaturas atuam como barreiras para o movimento das discordâncias. A quantificação da relação entre tensão de escoamento e tamanho de grão foi proposta por Hall e Petch, como sendo: σy = σi + kd –1/2 Onde σy é a tensão de escoamento, σi fator de atrito na rede, k é uma constante e d é o diâmetro do grão. Quando o metal ou liga está sobre tensão, as discordâncias não são forçadas através do contorno de grão, mas empilham ou concentram-se no contorno de grão. Novas fontes de deslizamento são criadas ampliando a tensão na vizinhança do grão, consequentemente, a alta densidade no contorno de grão vai produzir um aumento da tensão de escoamento no metal ou liga.
Tabela 2-1 número do tamanho de grão em relação a soma dos grãos. Grão p/ pol2 aumento de 100X ASTM No -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Grãos p/ mm2 (medida atual) máximo 0.088 0.176 0.35 0.71 1.41 2.83 5.66 11.3 22.6 45.2 90.5 181 362 724 1448 2896 mínimo 0.044 0.088 0.176 0.35 0.71 1.41 2.83 5.66 11.3 22.6 45.2 90.5 181 362 742 1448 médio 0.06 0.125 0.25 0.50 1.0 2.0 4.0 8.0 16 32 64 128 256 512 1024 2048 1 2 4 8 16 32 64 128 256 512 1024 2048 4096 8200 16400 32800

Figura 2-33 efeito do tamanho de grão da ferrita na resistência do aço recozida

Efeito do tamanho de grão austenítico na morfologia da ferrita proeutetóide Se o aço hipoeutetóide com tamanho de grão fino fosse resfriado rapidamente (resfriado ao ar) até a temperatura de austenitização, ferrita proeutetóide irá nuclear no contorno de grão da austenita e rejeita carbono por difusão do centro do grão até que a temperatura de transformação seja alcançada, quando ocorre, a perlita é produzida do restante da austenita. A microestrutura resultante é a de um aço hipoeutetóide resfriado ao ar com 0,23% C mostrada na fig. 2-34 a. Entretanto, se o tamanho de grão da austenita é relativamente grande comparado com o crescimento da ferrita proeutetóide, durante o resfriamento os centros dos grãos austeníticos se tornaram supersaturados da respectiva ferrita. Por outro lado um alívio de tensões dessa supersaturação, a ferrita proeutetóide irá nuclear e crescer dentro dos grãos de austenita, tornando alta a energia de ativação naquele ponto. Como resultado Widmanstätten, se formarão placas de ferrita proeutetóide dentro dos grãos de austenita, como mostrado na figura 2-34 b. Esse tipo de estrutura é comum em grãos grosseiros de aços hipoeutetóides resfriado em temperatura perto da crítica, como encontrado em soldas e aços fundidos.

Figura 2-34 efeito do tamanho de grão da austenita na ferrita proeutetóide distribuída em um aço hipoeutetóide contendo 0,23% C e 1,2% Mn depois de resfriado ao ar para (a) 900oC (tamanho de grãos auteníticos pequenos) e (b) 1150oC (tamanho de grãos grandes).

2-8 AUSTÊMPERA E MARTÊMPERA Austêmpera É um processo de tratamento térmico (isotérmico), que produz estrutura bainitica em aços carbono. O processo produz uma alternativa no procedimento de tempera e revenido, para otimização da resistência e dureza, em algumas aços para certos valores de dureza. Para fazer a austêmpera (figura 2-35), o aço austenitizado, é temperado em um banho quente de sal, até uma temperatura um pouco abaixo da Ms, sendo mantido nessa temperatura até a homogeneização da temperatura, e resfriando ao ar até a temperatura ambiente. A austêmpera substitui usualmente uma tempera e revenido convencional para: 1. Obter uma melhora na ductilidade e resistência ao impacto para durezas particulares; 2. Diminuir quebras e distorções na tempera;

Austêmpera é particularmente um vantajoso tratamento térmico para finas seções de aços carbono, para produzir excelente dureza e ductilidade, com dureza na faixa de 50Rc. Na tabela 2-2 pode se perceber como a austêmpera influencia na resistência ao impacto e ductilidade do aço 1095. A razão pela qual há essa influência nas propriedades é atribuída pela favorável distribuição de carbonetos de ferro na estrutura bainitica.

Figura 2-35 curvas de resfriamento para austenitização em um aço carbono eutetóide. A estrutura resultante devido o tratamento é bainita. Uma vantagem deste tratamento é que não é necessário fazer revenimento. Compare com o processo de têmpera e revenido mostrado na fig.2-22.

O processo de austêmpera, entretanto, tem limitações e seu uso é impraticável em alguns aços. Por outro lado obtém uma estrutura uniforme e uma uniformidade das propriedades mecânicas, juntamente o aço tem que ser resfriado através da seção o suficiente para não bater no nariz da curva IT. No aço carbono convencional, apenas seções finas (no máximo 3/8 de polegada) podem sofrer este tratamento, desde que o tempo de transformação (austenita - bainita) seja bem curto e ocorra próximo ao nariz da curva IT do diagrama para o aço. Em algumas ligas de aço, através de largas seções pode ser feito este tratamento térmico, desde que o tempo de transformação seja bem longo. Entretanto, se o tempo requerido para completar a transformação tornar-se muito longo, o processo torna-se impraticável.
Tabela 2-2 Propriedades mecânicas de um aço 1095 (0,95%C) tratado termicamente por austêmpera e têmpera convencional.

Tratamento térmico Austêmpera Têmpera em Água e revenido

Dureza Rockwell C Impacto ft.lb 52.0 45 53.0 12

Alongamento % 11 0

Martêmpera Martêmpera é uma tempera modificada usada em aços para primeiramente para minimizar as distorções do tratamento térmico do material. O processo de martêmpera consiste em: 1. Austenitizar o aço 2. Temperar o aço em óleo quente ou em banho de sal até uma temperatura pouco acima, ou pouco abaixo, do início da transformação martensítica. 3. Mantendo em meio de Tempera até que a temperatura fique uniforme em todo o aço (o tratamento isotérmico é normalmente interrompido antes que a transformação austenita-bainita comece). 4. Resfriamento controlado para evitar diferenças drásticas de temperatura entre a superfície e o centro do aço. A figura 2-36 mostra as curvas de resfriamento da martêmpera e as modificações desta no aço carbono eutetóides. Aços martemperados são usualmente temperados depois para endurecer o aço. O termo martempera é designado desde que no processo o aço não seja revenido. O nome mais adequado é martêmpera.

Figura 2-36 curvas de resfriamento (a) martêmpera e (b) super imposição da martêmpera modificada em um aço carbono eutetóide Diagrama TI. Revenido geralmente sucede o processo de martêmpera.

Na martêmpera, permitindo a transformação martensítica a temperaturas maiores que as do processo convencional de tempera, distorções e tensões residuais na peça trabalhada são reduzidas. A tabela 2-3 compara as propriedades mecânicas do aço 1095 após martêmpera e revenido, com aqueles após tempera e revenido a uma dureza aproximada de 50Rc. A principal diferença aparece no aumento da resistência ao impacto do material na martêmpera e no revenido.

Tabela 2-3 propriedades mecânicas de um aço 1095 (0,95%) tratado termicamente por martêmpera e têmpera convencional.

Tratamento térmico Dureza Rockwell C Têmpera em água e 53.0 revenido Martêmpera e 53.0 revenido

Impacto ft.lb 12 28

Alongamento % 0 0