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CAPITULO 4

AÇOS LIGA

Embora os aços carbono possam ser produzidos em uma ampla gama de resistências a um preço relativamente baixo, suas propriedades não são sempre adequadas para todas as aplicações de engenharia do aço. Em geral, os aços carbono têm as seguintes limitações: 1. Não podem ser endurecidos além de cerca de 100.000 psi sem significante perda em tenacidade (resistência ao impacto) e ductilidade; 2. Aços de grandes seções não podem ser produzidos com uma estrutura completamente martensítica, e não são então temperáveis profundamente; 3. Rápidas taxas de resfriamento são necessárias para a têmpera total em aços médio-carbono para produzir uma estrutura martensítica. Este rápido resfriamento leva a distorções de forma e fraturas no aço tratado termicamente; 4. Aços-carbono têm baixa resistência ao impacto a baixas temperaturas; 5. Aços-carbono têm baixa resistência à corrosão para muitos ambientes de engenharia; 6. Aços-carbono oxidam facilmente a elevadas temperaturas. Por estas e outras razões, aços-liga têm sido desenvolvidos, os quais, embora custem mais, são mais econômicos para muitos usos. Em algumas aplicações, os aços-liga são os únicos materiais capazes de reunir as necessidades de engenharia. Os principais elementos que são adicionados para a fabricação dos aços-liga são níquel, cromo, molibdênio, manganês, silício e vanádio. Outros elementos às vezes adicionados são: cobalto, cobre e chumbo. As principais ligas de engenharia consideradas neste capítulo, são usadas principalmente para construção e aplicações automotivas . Aços inoxidáveis são tratados no capítulo 7, e aços ferramentas no capítulo 9.

4-1 CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS-LIGA Em um senso geral, os aços-liga podem conter acima de cerca de 50% de elementos de liga e ainda serem chamados aços-liga. Entretanto, em senso técnico, o termo aços-ligas será usado neste texto para se referir a aços de construções tratáveis termicamente e aços-liga automotivos os quais contenham cerca de 1 a 4 % de elementos de liga. Os aços-liga nos Estados Unidos são geralmente referidos através do sistema AISI-SAE, o qual usa quatro dígitos para designar cada liga de aço. Os primeiros dois dígitos indicam o principal elemento de liga ou grupo de elementos de liga, tais como aqueles listados na Tabela 4.1. Os últimos dois dígitos indicam o teor de carbono nominal aproximado da liga. A Tabela 4.2 lista a composição nominal de algumas ligas de aço padrão. TABELA 4-1 Principais tipos de aços padrão baixa-liga
13xx 40xx 41xx 43xx 44xx 46xx 47xx 48xx 50xx 51xx 51xxx 52xxx 61xx 86xx 87xx 88xx 92xx 50Bxx 51Bxx 81Bxx 94Bxx Manganês 1.75 Molibdênio 0.20 ou 0.25; ou molibdênio 0.25 e enxofre 0.042 Cromo 0.50, 0.8 ou 0. 95, molibdênio 0.12, 0.20, ou 0.3 Níquel 1.83, cromo 0.5 ou 0.8 molibdênio 0.25 Molibdênio 0.53 Níquel 0.85 ou 1.83, molibdênio 0.2 ou 0.25 Níquel 1.05, cromo 0.45, molibdênio 0.2 ou 0.35 Níquel 3.5, molibdênio 0.25 Cromo 0.4 Cromo 0.8, 0.88, 0.93, 0.95 ou 1 Cromo 1.03 Cromo 1.45 Cromo 0.6 ou 0.95, vanádio 0.13 ou 0.15 Níquel 0.55, cromo 0.5, molibdênio 0.2 Níquel 0.55, cromo 0.5, molibdênio 0.25 Níquel 0.55 , cromo 0.5, molibdênio 0.35 Silício 2.00; ou silício 1.4 e cromo 0.7 Cromo 0.28 ou 0.5 Cromo 0.8 Níquel 0.3, cromo 0.45, molibdênio 0.12 Níquel 0.45, cromo 0.4, molibdênio .000.12

Nota: B significa aço ao boro.

4-2 EFEITOS DOS ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS-LIGA Efeitos Gerais dos Elementos de Liga nos Aços Os elementos de liga são adicionados nos aços-carbono por vários motivos. Alguns dos mais importantes são: 1. Melhorar as propriedades mecânicas pelo aumento da profundidade de têmpera de um aço; 2. Permitir maiores temperaturas de revenimento enquanto se mantém alta resistência e boa ductilidade; 3. Melhorar as propriedades mecânicas a altas e baixas temperaturas; 4. Melhorar a resistência à corrosão e oxidação a elevadas temperaturas; 5. Melhorar propriedades especiais tais como resistência à abrasão e comportamento em fadiga. Os itens 1 e 2 são particularmente importantes. Pelo aumento da profundidade de têmpera dos aços carbono (item 1), grandes seções podem ser produzidas completamente martensíticas, e então o aumento da resistência e da tenacidade de uma estrutura temperada podem ser obtidas. Também através do aumento da profundidade de têmpera de um aço, taxas de resfriamento mais lentas podem ser usadas, e então tensões de resfriamento podem ser diminuídas. Resfriamento em óleo ou ao ar reduzem os gradientes térmicos, que podem levar a distorções e a fraturas nos aços. Pelo aumento da resistência ao revenimento (item 2), os aços-liga são capazes de resistir a maiores temperaturas durante este tratamento. Um aço liga com menor teor de carbono pode obter a mesma dureza ao revenido que um aço comum contendo um maior teor de carbono. Considerando que um aço com menor teor de carbono é em geral mais tenaz que um com mais carbono, os aços-liga com menor teor de carbono terão sua tenacidade aumentada. Além disso, a tenacidade de um aço-liga será maior do que um aço comum de igual teor de carbono, ocasionado por uma maior temperatura de revenimento, as quais conferem maior alívio de tensões, mantendo a mesma dureza. Distribuição dos Elementos de Liga nos Aços-Liga A distribuição dos elementos de liga em um aço-liga depende de sua composição. Muitas interações complexas podem ocorrer e, como o número e quantidade dos elementos de liga são maiores, a complexidade das interações também irá aumentar. Entretanto, há padrões básicos na distribuição dos elementos de liga, os quais podem ser observados na Tabela 4.3, para aços–liga recozidos, à temperatura ambiente.

TABELA 4-2 Composições nominais de aços-liga padrão selecionados
A IS I- S A E N º. %C % Mn % Cr % Mo % Ni % Si *

Aço ao M anganês 1330 0 ,3 1340 0 ,4 A ç o a o C ro m o 5120 5130 5140 5160 E52100

1 ,7 5 1 ,7 5

0 ,2 0 ,3 0 ,4 0 ,6 1 ,0 4

0 ,8 0 ,8 0 ,8 0 ,8 8 0 ,3 5

0 ,8 0 ,9 5 0 ,8 0 ,8 1 ,4 5

A ç o a o M o lib d ê n io 4023 0 ,2 3 4037 0 ,3 7 4047 0 ,4 7 A ç o a o C ro m o - M o lib d ê n io 4118 0 ,1 8 4130 0 ,3 4140 0 ,4 A ç o a o C ro m o - V a n á d io 6150 0 ,5 A ç o a o N íq u e l- M o lib d ê n io 4620 0 ,2 4820 0 ,2

0 ,8 0 ,8 0 ,8

0 ,2 5 0 ,2 5 0 ,2 5

0 ,8 0 ,5 0 ,8 8

0 ,5 0 ,9 5 0 ,9 5

0 ,1 3 0 ,2 0 ,2

0 ,8

0 ,9 5

0 ,5 5 0 ,6

0 ,2 5 0 ,2 5

1 ,8 3 3 ,5

A ç o a o N íq u e l( 1 ,8 3 % ) -C r o m o - M o lib d ê n io 4320 0 ,2 0 ,5 5 4340 0 ,4 0 ,7 A ç o a o N íq u e l( 0 ,5 5 % ) - C ro m o - M o lib d ê n io 8620 0 ,2 0 ,8 8640 0 ,4 0 ,8 8 8660 0 ,6 0 ,8 8 A ç o a o S ilí c io 9260

0 ,5 0 ,8

0 ,2 5 0 ,2 5

1 ,8 3 1 ,8 3

0 ,5 0 ,5 0 ,5

0 ,2 0 ,2 0 ,2

0 ,5 5 0 ,5 5 0 ,5 5

0 ,6

0 ,8 8

2

Todos os aços contêm no mínimo 0,28% de Si, com exceção do 9260; todos os aços contém no máximo 0,035% de P e 0,040% no máximo de S, exceto os aços de forno elétrico (E), os quais têm 0,025% máximo de P e 0,025% máximo de S.

TABELA 4-3 Distribuição aproximada dos elementos de liga nos aços-liga*
Dissolvido Elemento na ferrita Niquel Ni Silício Cromo Si Mn Cr (Fe,Mn)3C (Fe,Cr)3C Cr7C3 Cr23C6 Molibdênio Mo Tungstênio W Vanádio Titânio Nióbio Alumínio Cobre Chumbo Mo W Mo2C W2C V4C3 TiC NbC Al2O3;AlN MnS;MnO.SiO2 Cr Manganês Mn Combinado Combinado em carbetos como carbetos Composto Ni3Al Elemental SiO2.MxOy

* As flechas indicam as tendências relativas dos elementos listados em se dissolver na ferrita ou se combinar em carbetos.

V V Ti Ti Nb Nb Al Cu (pequena quantidade) Pb

Pb

O níquel tem uma menor tendência à formação de carbonetos que o ferro, e então se dissolve na ferritaα. O silício se combina com alguma quantidade de oxigênio para formar inclusões não-metálicas, mas também se dissolve na ferrita. Grande parte do manganês nos aços-liga se dissolve na ferrita-α, não importando o teor de carbono. O manganês é apenas moderadamente mais formador de carbonetos que o ferro, e o manganês que forma carbonetos nos aços geralmente dissolve na cementita como (Fe, Mn)3C. O cromo se divide entre as fases de ferrita e carbetos. A distribuição de cromo depende da quantidade de carbono e outros elementos formadores de carbonetos presentes no aço. O tungstênio e o molibdênio se combinam com o carbono para formar carbonetos se o carbono presente for suficiente e se outros elementos formadores de carbonetos mais estáveis, tais como titânio e nióbio, estiverem ausentes. Vanádio e titânio são fortes formadores de carbonetos e serão encontrados nos aços, principalmente na forma de carbonetos. Se houver nitrogênio suficiente, então um pouco de nitreto de será formado. O alumínio se combina com o oxigênio e nitrogênio para formar os compostos Al2O3 e AlN, respectivamente.

Efeito dos Elementos de Liga no Ponto Eutetóide dos Aços Todos os elementos de liga substitucionais comuns nos aços, como níquel, cromo, silício, manganês, tungstênio, molibdênio e titânio, abaixam o teor de carbono eutetóide, tal como mostrado graficamente na Figura 4.1a. Titânio, tungstênio e molibdênio são mais efetivos, sendo que o níquel e o cromo são os menos eficazes. Por exemplo, um aço contendo 5% de Cr tem seu teor de carbono eutetóide reduzido de 0,8 para 0,5 %.

FIGURA 4-1 Efeito da porcentagem de elementos substitucionais no aço no (a) teor de carbono do ponto eutetóide e (b) na temperatura do ponto de transformação eutetóide. (After Metals Handbook, 9th ed., vol.8, American Society of Metals, 1973, p.191.) Alguns elementos de liga diminuem a temperatura eutetóide dos aços e outros a aumentam, tal como mostrado na Figura 4.1b. Ambos, manganês e níquel, diminuem a temperatura eutetóide, e são então considerados elementos estabilizadores da austenita (gamagênicos). O efeito da adição do teor de manganês de 0,35 para 9 % no aumento da região austenítica nos aços carbono é demonstrado na Figura 4.2a. O níquel se comporta de forma similar ao manganês, e aumenta a região austenítica. Em alguns aços com quantidades suficientes de níquel ou manganês, a austenita pode ser retida à temperatura ambiente. Os elementos formadores de carbonetos, como tungstênio, molibdênio, silício e titânio deslocam a temperatura eutetóide para elevados valores e reduz o campo de fase austenítica. Estes elementos são chamados de elementos estabilizadores da ferrita. A Figura 4.2b mostra como o aumento do teor de cromo de 0 para 19 % diminui o campo de fase austenítica em aços carbono. Acima de 12% de cromo, as regiões de ferrita-α e ferrita-δ se fundem, como indicado na Figura 4.2b.

a)

b)

das adições de (a) manganês e (b) cromo na região de fase austenítica em aços-carbono. (After E. C. Bain and H. W. Paxton, Älloying Elements in Steel”, 2d.ed., American Society for Metals, 1996, pp. 104-105).

FIGURA 4-2Efeito

4-3 TEMPERABILIDADE Definição A temperabilidade de um aço é definida como a propriedade que determina a profundidade e distribuição da dureza induzida pela têmpera. Temperabilidade é uma característica do aço e é determinada principalmente pelos seguintes fatores: 1. Composição química do aço; 2. Tamanho de grão austenítico; 3. Estrutura do aço antes da têmpera. A temperabilidade não deve ser confundida com a dureza de um aço, que é a sua resistência à deformação plástica. A dureza é geralmente medida por uma máquina de teste de dureza (durômetro), que faz uma endentação na superfície do aço. A temperabilidade, por outro lado, é uma medida da profundidade da camada endurecida após o resfriamento brusco a partir da austenita. Determinação da Temperabilidade pelo Método de Grossmann DIÂMETRO CRÍTICO DE TEMPERABILIDADE DE UMA BARRA DE AÇO Para determinar a temperabilidade de um aço pelo método de Grossmann, uma série de barras de aço cilíndricas de um aço especificado de diferentes diâmetros (por exemplo, 0,5 a 2,5 polegadas) são endurecidos pelo resfriamento brusco à partir de temperaturas austeníticas até a temperatura ambiente em um meio de têmpera específico. Após a análise metalográfica, a barra que tiver 50% de martensita no centro é selecionada como a barra com o diâmetro crítico, D0 (em polegadas). Então, o diâmetro crítico é o diâmetro da barra mais longa cuja seção transversal não tenha nenhuma parte que não tenha sido temperada na parte central. O diâmetro crítico é também chamado de diâmetro crítico real. DIÂMETRO CRÍTICO IDEAL. O diâmetro crítico de uma barra de aço temperável depende também, além de sua estrutura e composição, do meio no qual é feito o resfriamento. Então a taxa com a qual a barra de aço é resfriada a partir da faixa de temperatura austenítica irá afetar o valor do diâmetro crítico da barra. Para eliminar a variável da taxa de resfriamento, todas as medidas de temperabilidade são referidas como sendo feitas em “resfriamento ideal”. O resfriamento ideal é obtido com um meio de resfriamento hipotético, no qual se assume que o calor seja removido da superfície da barra tão logo quanto este possa “fluir” de dentro da barra; isto é, a superfície da barra temperada deve ser resfriada instantaneamente para a temperatura do líquido de resfriamento. O diâmetro crítico da barra de aço quando se usa o resfriamento ideal é chamado de diâmetro crítico ideal DI (em polegadas). Nenhum resfriamento ideal existe. Entretanto, uma comparação pode ser feita do resfriamento ideal com meios de resfriamento ordinários, tais como salmoura, água ou óleo. As intensidades de resfriamento dos diferentes meios são designadas por números H, os quais representam os coeficientes de severidade do meio de resfriamento. O meio de resfriamento ideal é designado por um valor infinito. Os valores H dos meios de resfriamento de óleo, água e salmoura estão listados na Tabela 4.4.

TABELA 4-4 Intensidades de resfriamento de diferentes meios (Fatores-H)
Coeficiente de severidade de têmpera H, para diferentes meios de resfriamento Agitação Nenhuma Aprazível Moderado Bom Forte Violento Óleo 0.25-0.30 0.3-0.35 0.35-0.40 0.4-0.5 0.5-0.8 0.8-1.1 Água 0.9-1.0 1.0-1.1 1.2-1.3 1.4-1.5 1.6-2.0 4.0 Salmoura 2.0 2.0-2.2

5.0

O relacionamento entre o diâmetro crítico real D0, o diâmetro crítico ideal DI, e a severidade de resfriamento (valores H) estão mostrados graficamente na Figura 4.3. Na prática, valores de D0 são determinados usando este gráfico a partir de valores calculados de DI e valores apropriados de H. Problema exemplo 4-1. O diâmetro crítico ideal de um aço foi calculado como sendo 2,2 polegadas. Qual é o diâmetro crítico real D0 se o aço é submetido a um resfriamento em óleo com agitação moderada? Solução. Referindo-se à Tabela 4.4, um valor de 0,40 será selecionado como o valor de H. Usando os ábacos da Figura 4.3, com H = 0,4 e DI = 2,2 polegadas, um valor de 0,9 polegadas é obtido para D0. EFEITO DO TAMANHO DE GRÃO AUSTENÍTICO NA TEMPERABILIDADE DOS AÇOS. O efeito do tamanho de grão austenítico na temperabilidade dos aços é explicado pela nucleação heterogênea da perlita nos contornos de grão austeníticos. Durante a transformação da austenita para perlita, a perlita se nucleia preferencialmente nos contornos de grão austeníticos. Então, quanto maior for a superfície de contornos de grão disponível para a nucleação perlítica, mais fácil será para a perlita se formar. Quanto menor o tamanho de grão,entretanto, menor a temperabilidade do aço quando todos os outros fatores são mantidos constantes.

a)

b)

FIGURA 4-3 Relações entre o diâmetro crítico ideal DI, diâmetro crítico real D, e severidade de resfriamento H. O diagrama mais abaixo (b) é um aumento da seção à esquerda inferior do diagrama acima (a). (After M A. Grossmann and E. C. Bain, “Principles of Heat Treatment”, 5th ed., American Society for Metals, 1964, pp.90-100.).

FIGURA 4-4 Diâmetro crítico ideal DI, como uma função do teor de carbono e tamanho de grão austenítico para aços carbono comum. (After M. A. Grossmann and E. C. Bain, Principles of Heat Treatment”, 5th ed., American Society for Metals,1964,p.122).

Um tamanho de grão grosseiro não é uma estrutura desejável para a maioria dos aços, haja vista que este leva a baixas resistências e decréscimo da ductilidade. Também, há tendência a fraturas é maior em aços com grãos grosseiros. Aumentar o tamanho de grão para aumentar a temperabilidade de um aço não é portanto sempre um procedimento benéfico, e não é normalmente usado. É mais eficiente se adicionar outros elementos de liga para aumentar a temperabilidade dos aços EFEITO DO TEOR DE CARBONO NA TEMPERABILIDADE DOS AÇOS. O aumento do teor de carbono de um aço melhora significativamente sua temperabilidade. Desde que um alto teor de carbono em um aço não é sempre desejável, um aço baixo carbono com outras adições de ligantes para aumentar a temperabilidade é a situação mais comum. A relação entre o teor de carbono, tamanho de grão austenítico e diâmetro crítico ideal para aços carbono está mostrado na Figura 4.4. Usando este ábaco, o diâmetro crítico ideal de um aço comum ao carbono pode ser determinado para um tamanho de grão austenítico específico. Problema exemplo 4.2. Determine o diâmetro crítico ideal de um aço comum com 0,6% de carbono e com um tamanho de grão ASTM 8. Solução. Usando o ábaco na Figura 4.4, um valor de 0,24 polegadas é obtido como diâmetro crítico ideal.

FIGURA 4-5 Fatores de multiplicação para diferentes elementos de liga para cálculos de temperabilidade. (After H. E. McGannon (ed.), “The Making, Shaping, and Treating of Steel “, 9th ed. United States Steel Corporation,1971, p.1132).

Isto significa que mesmo com um resfriamento ideal, o diâmetro máximo temperável desse aço é em torno de 0,25 polegadas. Com um resfriamento comum não seria possível temperar um cilindro deste diâmetro. Os aços carbono comerciais não têm uma temperabilidade tão baixa como indicado para este aço, já que todos os aços comerciais contêm um pouco de manganês e outras impurezas, as quais aumentam a temperabilidade. EFEITO DOS ELEMENTOS DE LIGA NA TEMPERABILIDADE. Cada elemento em um aço tem algum efeito em sua temperabilidade. Todos os elementos de liga comuns, com exceção do cobalto, aumentam a temperabilidade dos aços. O cobalto aumenta a taxa de nucleação e crescimento da perlita, e assim diminui a temperabilidade. O efeito relativo de elementos de liga comuns na temperabilidade é mostrado na Figura 4.5, a qual dá fatores de multiplicação para cada elemento de liga a várias porcentagens nos aços. Esses fatores de multiplicação fazem possível o cálculo aproximado da temperabilidade de um aço quando apenas sua composição química e tamanho de grão austenítico são conhecidos. O exemplo seguinte mostra como tais cálculos podem ser feitos. Problema exemplo 4-3. Calcule a temperabilidade aproximada de uma liga de aço 8630 a qual tem tamanho de grão ASTM e 7 e a seguinte composição química: 0,3% C, 0,3% Si, 0,7% Mn, 0,5% Cr, 0,6% Ni, 0,2% Mo. Solução. Primeiro, o diâmetro base DI pode ser visto na Figura 4.4, e se encontra como sendo 0,185 polegadas. Depois, os fatores de multiplicação para cada elemento são determinados a partir da Figura 4.5. Isto é feito traçando uma linha vertical na composição do elemento em questão e encontrando onde esta intercepta a curva para este elemento. O valor do fator de multiplicação é determinado traçando uma linha horizontal a partir do ponto de intersecção até o valor da ordenada.

Usando este método, os seguintes valores de multiplicação para este problema são encontrados:
Percentual de elemento de liga 0.3 Si 0.7 Mn 0.5 Cr 0.6 Ni 0.2 Mo Fator de multiplicação 1.2 3.4 2.1 1.2 1.6

Finalmente, o diâmetro crítico ideal é encontrado multiplicando o diâmetro de base pelos fatores de multiplicação: DI = 0,185 x 1,2 x 3,4 x 2,1 x 1,2 x 1,6 = 3,04 polegadas Se um meio de resfriamento de água de H = 1,0 é usado, o diâmetro crítico real D0 é reduzido para 2,3 polegadas. Em comparação, um aço carbono 1030 com 0,7% de Mn tem um diâmetro crítico ideal de 0,65 polegadas. Se o meio de resfriamento usado for a água, o diâmetro crítico real D0 é reduzido para 0,2 polegadas. Então, as adições de elementos de liga no aço 8630 aumentam o diâmetro crítico real do aço 1030 de 0,2 para 2,3 polegadas, o qual é um considerável aumento na temperabilidade. Determinação da Temperabilidade pelo Método Jominy O método Grossmann de determinação da temperabilidade dos aços é uma ferramenta muito complicada e trabalhosa para ser de grande importância comercialmente na prática. O método mais comum para determinar a temperabilidade na indústria é o método Jominy. No teste Jominy, uma única amostra substitui a série de amostras necessárias para o teste Grossmann. No teste Jominy, a amostra consiste de uma barra cilíndrica com um diâmetro de 1 polegada e comprimento de 4 polegadas (Figura 4.6). Desde que a estrutura primária tem um forte efeito na temperabilidade, a amostra deve ser recozida antes do teste. No teste Jominy, depois que a amostra tenha sido austenitizada, ela é colocada em um fixador, como mostrado na Figura 4.6, e um jato de água é rapidamente jogado no final da amostra. Depois do resfriamento, dois planos paralelos são retirados em direções opostas na barra de teste e testes de dureza Rockwell C são feitos ao longo destas superfícies. Curvas de temperabilidade são feitas plotando a dureza do aço como uma função da distância do final da barra, como mostrado na Figura 4.7 para um aço carbono AISI 1050.

FIGURA 4-6 Amostra e fixador para o teste de temperabilidade. (After M. ª Grossmann and E. C. Bain, “Principles of Heat Treatment”, 5th ed., American Society for Metals, 1964,p. 114).

um

FIGURA 4-7 Curva de temperabilidade para aço AISI 1050. (After Ïsothermal Transformation Diagrams”, United States Steel Corporation, 1963, p.19).

Uma comparação da temperabilidade de diferentes aços pode ser feita plotando as curvas do teste Jominy juntas, como mostrado na Figura 4.8. A alta temperabilidade do aço-liga 4340 é mostrada pela sua habilidade de manter uma dureza Rockwell C40 a mais de 2 polegadas do final da amostra resfriada. Para o aço carbono 1050, sua dureza cai para cerca de Rockwell C35 a 3/16 polegadas a partir do resfriamento final (Figura 4.7), e então aços carbono como este têm relativamente baixa temperabilidade. A mudança de dureza ao longo do lado de uma amostra submetida ao teste Jominy pode ser correlacionada com seu diagrama de transformação por resfriamento contínuo, como indicado na Figura 4.9 para um aço eutetóide 1080. É a simplicidade do teste Jominy, juntamente com dados detalhados da temperabilidade que fazem este teste tão amplamente usado industrialmente.

FIGURA 4-8 Curvas comparativas de temperabilidade para aços-liga com 0,40% de carbono. Para a maioria dos aços comuns e de baixa liga, a têmpera padrão produz taxa de resfriamento comum ao longo da parte desejada das barras de aço com mesmo diâmetro. Portanto, a taxa de resfriamento difere por (1) barras de diferente diâmetro, (2) diferentes posições nas seções transversais das barras, e (3) diferentes meios de resfriamento. A figura 4.9.a demonstra curvas de diâmetro das barras versus taxas de resfriamento para diferentes seções transversais localizadas no interior das barras de aço, utilizando resfriamento em água e óleo agitado. Esses gráficos podem ser usados para determinar a taxa de resfriamento e a distância final da têmpera de uma barra padrão no ensaio Jominy e então selecionar o diâmetro de barra de uma sessão transversal específica que está localizada na barra, utilizando meio de resfriamento particular. Essas taxas de resfriamento e a sua distância do final da têmpera das barras Jominy podem ser usados em gráficos Jominy de dureza versus distância do final da têmpera de um aço específico, para definir a dureza de um aço em uma determinada localização específica na sessão transversal da barra em questão. O exemplo 4.4. demonstra como os gráficos da figura 4.9.a podem ser utilizados para prever a dureza de uma barra de aço de um determinado diâmetro em uma localização específica da sessão transversal resfriado em dado meio. Isso deveria ser pointed out dureza Jominy versus a distância dos gráficos de resfriamento que são geralmente plotados tanto com bandas como com dados ao invés de linhas, então as durezas obtidas por linhas são atualmente valores range.

FIGURA 4.9 Correlação do diagrama de transformação do resfriamento contínuo e valores de temperabilidade para aço carbono eutetóide. (After Ïsothermal Transformation Diagrams,”United States Steel Corporation, 1963, p.181.)

Exemplo 4.4: Uma barra de aço austenitizado de liga 8640 com 40mm de diâmetro é temperado em óleo agitado. Determine qual será a dureza Rockwell C (RC) desta barra na (a) sua superfície e (b) seu centro. Solução: (a). Superfície da barra. A taxa de resfriamento na superfície da barra de aço de 40mm temperada em óleo agitado encontrada na parte direita da figura 4.9.a., sendo comparável a taxa de resfriamento a 8mm do final da barra temperada padrão Jominy. Utilizando a figura 4.8 a 8mm do final da barra Jominy e a curva da liga 8640 indica que a dureza da barra será em torno de 47 HRc. (b). Centro da barra. A taxa de resfriamento na superfície da barra de aço de 40mm temperada em óleo agitado, encontrada na parte direita da figura 4.9.a., é associada com 13mm do final da barra Jominy. A dureza correspondente para este final da barra Jominy, para o aço 8640, é encontrada utilizando a figura 4.8, sendo em torno de 37 HRc.

FIGURA 4-9a Taxas de resfriamento em barras de aço resfriadas em água agitada e em óleo agitado. O eixo de abscissa superior a taxa de resfriamento de 700oC; e a abscissa inferior na barra de teste de temperabilidade (C= centro, M-R= raio médio, S= superfície da linha de decaimento = aproximadamente ¾ da curva de

posição no raio de sessão transversal da barra).(After L. H. VanVlack, “Materials for Engineering: Concepts and Applications,”Addison-Wesley, 1982, p.155.).

Exemplo 4.5. Uma barra de aço de liga 5140 austemperada e temperada tem uma dureza de 34 HRc em um ponto na sua superfície. Qual é a taxa de resfriamento deste ponto na barra ensaiada? Solução: Utilizando a figura 4.8, o valor de 34 HRc para a liga 5140 corresponde a uma distância de 8mm do final têmpera da barra Jominy. Esse valor corresponde a uma taxa de resfriamento de 35OC /seg. comparando a escala inferior da figura 4.9.a (distância do final têmpera da barra Jominy) ao topo do gráfico, taxa de resfriamento a 700oC em graus Celsius por segundo.

4-4 AÇOS AO MANGANÊS Composições Químicas e Aplicações O manganês é adicionado a todos os aços comerciais na faixa de 0,25 a 1,00 % para desoxidar e para combinar com o enxofre para formar MnS globular. O manganês é mais efetivo quando o aumento na resistência é considerado em relação ao aumento de custo. Então, quando a alta resistência de um aço é requerida, combinada com soldabilidade, aços com 1,6 a 1,9% Mn são amplamente usados. A série AISI 13XX dos aços baixa-liga ao manganês têm níveis nominais de carbono de 0,30 a 0,45 %, e 1,75% Mn. Estes aços 13XX têm maiores resistências e são mais temperáveis que os aços comuns com o mesmo teor de carbono, e são usados para eixos, hastes, engrenagens e implementos agrícolas..

FIGURA 4-10 Diagrama de transformação isotérmica de um aço AISI 1340. ( After Ïsothermal Transformation Diagrams”, United States Corporation, 1963, p.26.)

Estrutura A temperabilidade dos aços-liga 13XX é um pouco maior do que os aços carbono 10XX e é resultado do aumento do teor de manganês para uma porcentagem nominal de 1,75 nas ligas 13XX. O diagrama I-T de uma liga 1340 está mostrado na Figura 4.10. Comparando-se com o diagrama para um aço 1040, as fronteiras de transformação no diagrama da liga1340 são levemente deslocadas para a direita. O manganês, pela redução das taxas de difusão, torna a transformação da austenita para ferrita-perlita mais lenta, aumentando então a temperabilidade dos aços carbono. O manganês também refina a perlita nos aços carbono e por meio disso aumenta sua resistência. A ação de refinamento perlítico do manganês é claramente visto na microestrutura da liga AISI 1340 austenitizada e resfriada ao ar, mostrada na Figura 4.11. Quando o teor de manganês dos aços carbono excede cerca de 2 %, os aços se tornam fragilizados. Entretanto, se o teor de manganês é aumentado para cerca de 12 % e o teor de carbono para cerca de 1,1 %, o aço ao manganês se torna austenítico à temperatura ambiente se rapidamente resfriado do estado austenítico. Esta liga, a qual é conhecida como aço ao manganês Hadfield, foi desenvolvida em 1882 e foi um dos primeiros aços alta-liga. Na condição austenítica, é particularmente resistente ao desgaste e abrasão sob tensões de alto impacto, haja vista que este endurece pelo trabalho a taxas muito altas.

FIGURA 4-11

Microestrutura de um aço AISI 1340, contendo 1,74% Mn e 0,40% C, resfriado ao ar a partir de 828ºC. a estrutura demonstra perlita fina com um pouco de ferrita (Etch: picral; 500 X.) (Courtesy of R. M Fisher, U. S. Steel Research Laboratories). Propriedades Mecânicas O efeito do manganês no aumento da resistência dos aços carbono pode ser divido nas seguintes partes: endurecimento por solução sólida, refino do tamanho de grão e aumento na proporção de perlita. O manganês é solúvel em ferro γ e α, e aumenta a resistência da ferrita em aços carbono por endurecimento por solução sólida. A extensão do endurecimento para um aço 0,15% C como uma função do teor de manganês até 2% está mostrado na Figura 4.12. Por ambos, endurecimento por refino e pelo aumento na proporção da perlita, o manganês aumenta consideravelmente a resistência dos aços baixo-carbono, como indicado na Figura 4.12. O efeito total de 1,75% Mn no aumento da dureza após o revenimento de um aço liga 1340, quando comparado a um aço 1040 está mostrado na Figura 4.13. A Tabela 4.5 lista as propriedades mecânicas das ligas 1330 e 1340 depois da têmpera e revenimento, e a Tabela 4.6 lista as propriedades da liga 1340 após normalização e recozimento.

FIGURA 4-12Fatores que contribuem para o efeito do manganês na resistência à tração de aços 0,15% C recozidos. (After K. J. Irving and F. B. Pickering, JISI, 201(1963):944, as presented in E. C. Bain and H. W. Paxton, Älloying Elements in Steel,”2d ed., American Society of Metals, 1966, p.270.)

TABELA 4-5 Propriedades mecânicas de aços-liga ao manganês temperados e revenidos
AISI Nº 1330 Temperatura Resistência à de Revenimento ºF tração, psi 400 232.000 600 207.000 800 168.000 1000 127.000 1200 106.000 400 262.000 600 230.000 800 183.000 1000 140.000 1200 116.000 Limite de escoamento, psi 232.000 207.000 168.000 127.000 106.000 262.000 230.000 183.000 140.000 116.000 Elongação % 211.000 186.000 150.000 112.000 83.000 231.000 206.000 167.000 120.000 90.000 Redução Dureza em área % Bhn 9 459 9 402 15 335 18 263 23 216 11 505 12 453 14 375 17 295 22 252

1340

FIGURA 4-13 “Amolecimento”, com o aumento da temperatura de revenimento, de um aço temperado 0,40% C a 0,45% C como influência do teor de manganês de cerca de 0,75 para 1,75%. (After E. C. Bain and H. W. Paxton, Älloying Elements in Steel,”2d ed., American Society for Metals, 1966, p.194.). TABELA 4-6

Propriedades mecânicas de aços-liga AISI 1340 normalizados e recozidos
AISI Tratam ento Lim de ite Resistência à Elongação Redução Nº escoam ento, psi tração, psi % emárea, % 1340 Norm alizado (1600ºF 81.000 121.250 22,0 62,9 Recozido(1457ºF) 63.250 102.000 25,2 57,3 Dureza Brinell 248 207 Resistência ao Im pacto (Izod), ft*lb 68,2 52,0

4-5 AÇOS BAIXA-LIGA AO CROMO Composições Químicas e Aplicações Típicas O cromo é adicionado aos aços carbono para aumentar a temperabilidade, resistência e resistência ao desgaste. O cromo tem uma estrutura cristalina CCC e é por esta razão forte estabilizador da ferrita. O cromo também se combina com o carbono no ferro para formar carbetos (Tabela 4.3). Desde que o teor de cromo nos aços baixa-liga seja menor que 2 %, os átomos de cromo substituem os átomos de ferro na cementita para produzir o carboneto complexo (Fe, Cr)3C. A Tabela 4.7 lista as composições químicas e aplicações típicas dos aços baixa-liga ao cromo. Aços liga da série 51XX contém de 0,20 a 0,60% C e de 0,8 a 0,9% de Cr. As classes de baixo-carbono destas séries são usadas para produzir superfícies muito duras e resistentes ao desgaste, mas com pouca tenacidade. As classes com alto teor de carbono são usadas para aplicações em que alta resistência e resistência ao desgaste são requeridas. O aço 52100, o qual contém cerca de 1% C e 1,5% de Cr é usado para apoios de rolamento, onde alta resistência ao desgaste e resistência são requeridas. Estes aços, entretanto, são susceptíveis à fragilização ao revenido e cuidados devem ser tomados durante seu tratamento térmico. TABELA 4-7 Composições químicas de aços baixa-liga ao cromo
Liga AISI N.º 5120 5130 5140 5160 52100 %C 0,2 0,3 0,4 0,6 1,04 %Mn 0,8 0,8 0,8 0,88 0,35 %Cr 0,8 0,95 0,8 0,8 1,45

Estrutura CINÉTICA DE TRANSFORMAÇÃO DE RESFRIAMENTO CONTÍNUO. A introdução de 0,9% de Cr a um aço com 0,4% de carbono desloca a reação de difusão controlada austenita → ferrita + perlita para a direita e para baixo no diagrama de transformação de resfriamento contínuo (Figura 4.14). No aço baixa-liga 5140, produtos bainíticos são possíveis com o resfriamento rápido por causa do aumento da temperabilidade causado pela presença de 0,9% de Cr.

FIGURA 4-14 Diagrama de resfriamento contínuo para um aço-liga AISI 5140. (After Met. Prog., Dec.1965, p.84) MICROESTRUTURA. A microestrutura de uma liga 5160 após laminação a quente e resfriamento ao ar, consiste de ferrita de perlita não-resolvida (Figura 4.15). Se esta liga é austenitizada e resfriada em óleo, uma estrutura martensítica com alguma austenita retida é produzida (Figura 4.16). Depois de revenimento durante 1 h a 204ºC, uma estrutura consistindo de martensita revenida é produzida (Figura 4.17). Quando o aço-liga

52100 é austenitizada a 843ºC, resfriado em óleo e revenido durante 1h a 399ºC, uma estrutura consistindo de martensita revenida é produzida (Figura 4.18). Uma dispersão de partículas de carbetos as quais não foram dissolvidas durante a austenitização também estão presentes. Estes carbetos provêm a extra-dureza e resistência ao desgaste às superfícies destas ligas. FIGURA 4-15 Liga 5160 laminada a quente 0,635 polegada de diâmetro, resfriada ao ar a partir da temperatura de laminação de 982ºC; a estrutura consiste de perlita não-resolvida (escuro) e ferrita (claro).(After Metals Handbook 8ed. vol.7, American Society for Metals, 1972, p.49.). FIGURA 4-16

Liga 5160 laminada a quente, austenitizada a 871ºC por 30 min e resfriada em óleo; a estrutura consistindo de martensita não-revenida (constituintes escuros) e austenita retida (constituintes claros).

FIGURA 4-17 Liga 5160 laminada a quente, austenitizada a 871ºC por 30 min, resfriada em óleo e revenida por 1 h a 204ºC; a estrutura consiste de martensita revenida.

FIGURA 4-18 Barra de aço-liga 52100 primeiramente esferoidizada e então austenitizada a 843ºC por 0,5 h, resfriada em óleo e revenida por 1 h a 399ºC; a estrutura consiste de martensita revenida e uma dispersão de partículas de carbeto não dissolvidas durante a austenitização.

Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas de algumas ligas da série 51xx estão listadas na Tabela 8 para as condições de normalizadas e recozidas. A Tabela 9 lista suas propriedades quando estas são temperadas e revenidas. De especial atenção é a alta resistência e dureza destas ligas. Sua ductilidade, entretanto, é relativamente baixa, e sob algumas condições elas são susceptíveis à fragilização ao revenido. TABELA 4-8 Propriedades mecânicas de aços baixa-liga ao cromo normalizados e recozidos
Limite de Resistência Elongação, Redução escoamento, a % em área, % Tratamento psi Tração, psi Normalizado(1600ºF) 68500 115000 22,7 59,2 Recozido(1525ºF) 42500 83000 28,6 57,3 Normalizado(1600ºF) 76750 126250 20,7 58,7 Recozido(1520ºF) 51750 98000 22 43,7 Normalizado(1575ºF) 77000 138750 17,5 44,8 Recozido(1495ºF) 40000 104750 17,2 30,6 Dureza Brinell 229 167 255 197 269 197 Resistência ao Impacto ( Izod), ft*lb 28 30 23,2 18,5 8 7,4

AISI N.º 5140 5150 5160

TABELA 4-9 Propriedades mecânicas de aços baixa-liga ao cromo temperados e revenidos
Temperatura de Tratamento, Fº AISI N.º 5130 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 Tensão de ruptura, psi 234000 217000 185000 150000 115000 260000 229000 190000 145000 110000 282000 252000 210000 163000 117000 322000 290000 233000 169000 130000 Limite de Elongação, % Redução escoamento, em área, % psi 220000 10 40 204000 10 46 175000 12 51 136000 15 56 100000 20 63 238000 210000 170000 125000 96000 251000 230000 190000 150000 118000 269000 257000 212000 151000 116000 9 10 13 17 25 5 6 9 15 20 4 9 10 12 20 38 43 50 58 66 37 40 47 54 60 10 30 37 47 56 Dureza Brinell 475 440 379 305 245 490 450 365 280 235 525 475 410 340 270 627 555 461 341 269

5140

5150

5160

TABELA 4-10 Composições químicas de aços baixa-liga ao molibdênio
Liga AISI-SAE N.º 4023 4027 4037 4047 Composição química, porcentagem em peso % C Mn Mo Si 0,23 0,27 0,37 0,47 0,8 0,8 0,8 0,8 0,25 0,25 0,25 0,25 0,23 0,23 0,23 0,23 Aplicação típica Grades de carburização componentes de transmissão automático

4-6 AÇOS AO MOLIBDÊNIO Composições Químicas e Aplicações Típicas O molibdênio é adicionado em pequenas quantidades nos aços carbono para aumentar sua resistência e temperabilidade. A Tabela 4.10 lista as composições químicas e aplicações das séries 40xx correntemente usadas dos aços baixa-liga ao molibdênio. A quantidade de molibdênio adicionada a estes aços (e a quase todos os aços-liga padrão) é restrita a cerca de 0,25 por cento, pois esta é a quantidade que foi determinada experimentalmente como sendo a melhor para aumentar as propriedades de tenacidade, temperabilidade e resistência. Os aços-liga de baixo carbono da série 40xx são usados primariamente na indústria automobilística. São extensivamente empregados em engrenagens e componentes de transmissão automática . Estrutura

FIGURA 4-19: Diagrama de resfriamento contínuo para o aço-liga AISI 4047

A liga 4047 será selecionada como exemplo para esta série de aços-liga por ser ela a mais resistente e mais temperável. CINÉTICA DE TRANSFORMAÇÃO DE RESFRIAMENTO CONTÍNUO. Quando um aço 0,40% C não ligado é resfriado de sua temperatura austenitizante, ele normalmente se decompõe em ferrita e perlita. Apenas com um resfriamento muito rápido estruturas intermediárias (bainíticas) podem ser produzidas. A adição de 0,25% de Mo a um aço com 0,47% C desloca a transformação austenita → ferrita + perlita substancialmente para a direita e para baixo no diagrama de transformação de resfriamento contínuo (Figura 4-19). Como resultado, um aumento na quantidade de transformação bainítica é produzido.

MICROESTRUTURA. A microestrutura da liga 4047 resfriada ao ar consiste de ferrita pro-eutetóide e perlita fina (Figura 4-20). Quando a taxa de resfriamento a partir da temperatura austenítica para esta liga é diminuída, como quando do resfriamento em forno, a perlita se torna mais grossa, como mostrado na Figura 4-21.

FIGURA 4-20 Liga de aço 4047 resfriada ao ar a partir da temperatura de forjamento de 1204ºC; seção longitudinal; a estrutura consiste de placas de ferrita (claro) e perlita fina (escuro).

FIGURA 4-21 Liga de aço 4047 austenitizada a 829ºC, resfriada para 663ºC e mantida durante 6 horas, resfriada em forno até 538ºC e então resfriada ao ar. Ferrita (claro) e perlita lamelar (escuro). Propriedades Mecânicas

A adição de 0,25% Mo a um aço 1040 retarda o processo de “amolecimento” durante o revenimento, como indicado na Figura 4-23. O grandes átomos de molibdênio dissolvem na cementita e, pela inibição da difusão, diminuem a taxa de coalescência da cementita. Entretanto, pequenas quantidades de molibdênio no aço 4047 não afeta relevantemente a diminuição na resistência com o aumento da temperatura de revenimento (Figura 4-22).

FIGURA 4-22 Efeito da temperatura de revenimento nas propriedades da liga 4047. A temperabilidade da liga 4047 é apenas levemente aumentada quando comparada com um aço comum com o mesmo teor de carbono.

FIGURA 4-23 Comparação do “amolecimento” com o aumento da temperatura da liga 1040 com a mesma liga com 0,25% Mo.

4-7 AÇOS AO CROMO-MOLIBDÊNIO Composições Químicas e Aplicações Típicas O cromo (0,5 a 0,95%) é adicionado, com pequenas quantidades de molibdênio (0,13 a 0,20 %) para produzir a série de aços liga 41xx. A adição de cromo aumenta ainda mais a temperabilidade, resistência e resistência ao desgaste dos aços com o mesmo teor de carbono. Entretanto, a adição de cromo nos aços

baixa-liga estruturais tende a torná-los susceptíveis à fragilização ao revenido sob algumas condições. Este tópico é discutido em detalhes na Seção 4-10. A Tabela 4-11 lista as composições químicas e aplicações típicas das ligas mais importantes da série 41xx. TABELA 4-11 Composições químicas e aplicações típicas de aços baixa-liga ao cromo-molibdênio
Liga AISI-SAE N.º 4118 4130 4140 4150 Composição química, porcentagem em peso % C Mn Cr Mo 0,18 0,8 0,5 0,13 0,3 0,5 0,55 0,2 0,4 0,88 0,95 0,2 0,5 0,88 0,95 0,2

Aplicação típica Vasos de pressão, partes estruturais de avião

Aços baixa-liga com cromo e molibdênio, devido a sua alta temperabilidade, podem ser resfriados em óleo para formar a martensita, ao invés de serem resfriados em água. Desde que o resfriamento em óleo diminuía os gradientes de temperatura e tensões internas devido à contração de volume e expansão durante o resfriamento, as distorções e tendências a fraturas podem ser minimizadas. Estrutura A liga 4140 será selecionada como exemplo para a série 41xx por ser um dos aços-liga mais comumente usados. CINÉTICA DE TRANSFORMAÇÃO DE RESFRIAMENTO CONTÍNUO. O diagrama de transformação de resfriamento contínuo da liga 4140 está mostrado na Figura 4-24. A efetividade do molibdênio em modificar a transformação de fase de um aço 0,40% C é aumentada pela adição de cromo, especialmente em quantidades acima de 0,7 %. As faixas de temperatura e tempo para as transformações de austenita para martensita e de austenita para bainita são ampliadas e a temperatura Bs é diminuída com a adição de cromo. Também a temperabilidade do aço-liga aumenta com as adições de cromo e há um grande retardo na transformação da austenita para perlita nos aços-liga cromo-molibdênio. Compare o diagrama TTT 4140 da Figura 4-24 com o diagrama 4047 da Figura 4-19.

FIGURA 4-24 Diagrama de resfriamento contínuo para a liga AISI 4140. MICROESTRUTURA. A microestrutura da liga 4140 depois de ser totalmente recozida a 691ºC consiste de ferrita e perlita grossa (Figura 4-25). Após a austenitização a 843ºC e resfriamento em óleo, uma estrutura martensítica é formada (Figura 4-26) e, com subseqüente revenimento a 315ºC, uma estrutura martensítica finamente revenida é o resultado (Figura 4-27). Infelizmente, muito pouco da estrutura fina dessas ligas é mostrada em micrografias ópticas. Krauss, Materkowski, e Schupmann têm obtido maiores informações acerca da fina estrutura dos aços baixa-liga usando microscopia eletrônica de transmissão. Eles mostraram que a martensita em aços baixaliga (por exemplo a liga 4130) consiste de pacotes de finas unidades de martensita chamadas laths que se alinham paralelas umas às outras, formando pacotes (Figura 4-28). A orientação das unidades ou laths em um pacote são limitadas, e freqüentemente grandes volumes de laths em um pacote têm apenas uma orientação. Além disso muitos dos contornos dentro de um pacote são de baixo-ângulo e como uma aproximação, todo o pacote tem essencialmente uma orientação.

FIGURA 4-25 Liga 4140 totalmente recozida durante 24 h a 691ºC; a estrutura consiste de perlita e ferrita. (Ataque 2% nital, 800x) .

FIGURA 4-26 Liga 4140 totalmente temperada; a amostra foi austenitizada a 843ºC e resfriada em óleo; a estrutura consiste de martensita

FIGURA 4-27(a esquerda) Liga 4140 totalmente temperada e revenida; a amostra foi austenitizada a 843ºC e resfriada em óleo, e logo após revenida a 315ºC; a estrutura consiste de martensita revenida.

FIGURA 4-28 (a direita) Martensita em ripas em uma liga 4130 (Hardenability with Applications to Steel” AIME,1978)

Propriedades Mecânicas As propriedades mecânicas de algumas das ligas da série 41xx estão listadas na Tabela 4-12 para as condições normalizadas e recozidas. O efeito da temperatura de revenimento nas propriedades mecânicas destas ligas estão mostradas na Tabela 4-13. O grau de amolecimento com o aumento da temperatura nos aços baixa-liga Cr-Mo é essencialmente o mesmo daquele mostrado pelos aços baixa-liga ao molibdênio. TABELA 4-12 Propriedades mecânicas de aços baixa-liga ao cromo-molibdênio normalizados e recozidos
AISI N.º 4130 Limite de Resistência, Elongação, % escoamento, a tração, Tratamento psi psi Normalização (1600 ºF) 63250 97000 25,5 Recozimento(1585ºF) 52250 81250 28,2 Normalização (1600ºF) Recozimento(1500ºF) Normalização(1600ºF) Recozimento(1500ºF) 95000 60500 106500 55000 148000 95000 167500 105750 17,7 25,7 11,7 20,2 Redução em área, % 59,5 55,6 46,8 56,9 30,8 40,2 Dureza Brinell 197 156 302 197 321 197 Resistência ao Impacto ( Izod), ft*lb 63,7 45,5 16,7 40,2 8,5 18,2

4140

4150

TABELA 4-13 Propriedades mecânicas de aços baixa-liga ao cromo-molibdênio temperados e revenidos
AISI N.º Temperatura Tensão de de escoamento, revenimento, F psi 400 236000 600 217000 800 186000 1000 150000 1200 118000 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 257000 225000 181000 138000 110000 280000 256000 220000 175000 139000 Limite de escoamento, psi 212000 200000 173000 132000 102000 238000 208000 165000 121000 95000 250000 231000 200000 160000 122000 Elongamento % Redução de área % 41 43 49 57 64 38 43 49 58 63 39 40 45 52 60 Dureza Brinell 467 435 380 315 245 510 445 370 285 230 530 495 440 370 290

4130

10 11 13 17 22 8 9 13 18 22 10 10 12 15 19

4140

4150

4-8 AÇOS AO NÍQUEL-CROMO-MOLIBDÊNIO Composições Químicas e Aplicações Típicas Aços baixa-liga com cerca de 1,8% Ni, 0,5 a 0,8% Cr, e 0,20% Mo formam a série de ligas 43xx. Na série 86xx, o teor de níquel é reduzido para 0,55 %. A Tabela 4-14, lista as composições químicas e aplicações típicas para os aços baixa-liga ao níquel-cromomolibdênio. TABELA 4-14 Composições químicas de aços baixa-liga ao níquel-cromo-molibdênio
Liga AISI - SAE Nº. 4320 4340 8620 8640 8660 C 0,2 0,4 0,2 0,4 0,6 Composição química nominal wt% Mn Ni Cr 0,55 1,83 0,5 0,6 1,83 0,8 0,8 0,55 0,5 0,88 0,55 0,5 0,88 0,55 0,5 Mo 0,25 0,25 0,2 0,2 0,2

O níquel combinado com o cromo produz um aço baixa-liga com maiores limites elásticos, maior temperabilidade, e altas resistências ao impacto e à fadiga, quando comparados com os aços carbono. A adição de cerca de 0,2% Mo aumenta a temperabilidade ainda mais e minimiza a susceptibilidade dessas ligas à fragilização ao revenido. As ligas 4320 e 4340 são usadas como componentes com alta resistência. Quando resistências um pouco menores são requeridas, as ligas 8620 e 8640 com menores níveis de níquel são usadas. Ambas as ligas da série 8620 são usadas em forjamentos que requerem alta resistência. Estrutura A liga 4340 será selecionada como exemplo para as mudanças estruturais que acontecem na série 43xx – aços níquel-cromo-molibdênio. CINÉTICA DE TRANSFORMAÇÃO DE RESFRIAMENTO CONTÍNUO. O diagrama de transformação de resfriamento contínuo da liga 4340 está mostrado na Figura 4-29. A combinação de níquel-cromo-molibdênio retarda a transformação da austenita para perlita a tempos muitos maiores do que no caso para as ligas cromo-molibdênio (Figura 4-24). A temperatura (Ms) para o início da transformação austenita para martensita é diminuída para cerca de 290ºC porque o níquel diminui a temperatura de martensita superior, assim como as temperaturas AC3 e AC1. O tempo para o início da transformação da austenita para bainita é também aumentado significativamente quando níquel, cromo e molibdênio estão presentes.

FIGURA 4-29 Diagrama de transformação de resfriamento contínuo para a liga AISI 4340.

MICROESTRUTURAS. As microestruturas da liga 4340 resultantes das várias condições de tratamento térmico são mostradas nas Figuras 4-30 a 4-33. O resfriamento ao ar a partir da temperatura austenítica produz uma estrutura bainítica, como mostrado na Figura 4-30. A estrutura bainítica é possível por causa do longo atraso na transformação da austenita → ferrita + perlita (Figura 4-29). O resfriamento em óleo a partir da austenitização produz uma estrutura martensítica com alguma possível austenita retida (Figura 4-32). O resfriamento em óleo pode ser usado para obter uma estrutura martensítica por causa do atraso na reação austenita → ferrita + perlita. A martensita no aço 4340 consiste principalmente de laths de quase a mesma orientação dentro dos pacotes (Figura 4-34).

FIGURA 4-30 Liga 4340 normalizada a 871ºC por 1 hora e resfriada ao ar; a estrutura consiste de bainita superior.

FIGURA 4-31 Liga 4340 normalizada a 871ºC por 1 h, resfriada ao ar, recozida a 691ºC por 24; estrutura revenida, tendendo a esferoidização.

FIGURA 4-32 FIGURA 4-33 Liga 4340 austenitizada a 843ºC por 1 h e Liga 4340 austenitizada a 843ºC por 1 h, resfriada em óleo; a estrutura consiste de resfriada em óleo e revenida por 4 h a 538ºC; martensita com alguma possível austenita retida. a estrutura consiste de martensita revenida.

FIGURA 4-34 Martensita em ripas em uma liga 4340. Propriedades Mecânicas O níquel aumenta a resistência da liga 4340, visto que é solúvel tanto em austenítica como na ferrita. A resistência à tração da liga 4340 na condição de temperada e revenida a 315ºC é de cerca de 250 ksi. As propriedades mecânicas de algumas das ligas 43xx e 86xx estão listadas na Tabela 4-15 para as condições de normalizadas e recozidas e na Tabela 4-16 para o estado de temperadas e revenidas. No revenimento, há um declínio na resistência, similar ao “amolecimento” dos aços carbono, mas a maiores níveis de resistências. TABELA 4-15 Propriedades mecânicas de aços-liga ao níquel-cromo-molibdênio normalizados e recozidos
AISI N.º Limite de Resistência escoamento, a tração, psi psi Normalizado (1640 ºF) 67250 115000 Recozido (1560 ºF) 61625 84000 Normalizado (1600 ºF) Recozido (1490 ºF) Normalizado (1675 ºF) Recozido (1600 ºF) Normalizado (1600 ºF) Recozido (1550 ºF) Normalizado (1600 ºF) Recozido (1465 ºF) Normalizado (1600 ºF) Recozido (1500 ºF) 125000 68500 51750 55875 62250 54000 99750 56000 88000 60250 185500 10800 91750 77750 94250 81750 148500 103750 134750 100750 Tratamento Elongação, % Redução em área, % 50,7 58,4 36,3 49,9 59,7 62,1 53,5 58,9 40,4 46,4 47,9 46,4 Dureza Brinell 234 163 363 217 183 149 187 156 302 212 269 201 Resistência ao Impacto ( Izod), ft*lb 53,8 81 11,7 37,7 73,5 82,8 69,8 70,2 10 21,7 13 29,5

4320

20,8 29 12,2 22 26,3 31,3 23,5 29 14 22,5 16 22,2

4340

8620

8630

8650

8740

TABELA 4-16 Propriedades mecânicas de aços-liga ao níquel-cromo-molibdênio temperados e revenidos:
AISI N.º Temperatura de revenimento, ºF 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 400 600 800 1000 1200 Resistência a Limite de Elongamento, tração escoamento, % psi psi 272000 243000 10 250000 230000 10 213000 198000 10 170000 156000 13 140000 124000 19 238000 215000 185000 150000 112000 270000 240000 200000 160000 130000 281000 250000 210000 170000 140000 237000 190000 155000 290000 249000 208000 175000 143000 218000 202000 170000 130000 100000 242000 220000 188000 150000 116000 243000 225000 192000 153000 120000 225000 176000 138000 240000 225000 197000 165000 131000 9 10 13 17 23 10 10 12 16 20 10 10 12 15 20 13 17 20 10 11 13 15 20 Redução de área % 38 40 44 51 60 38 42 47 54 63 40 41 45 54 62 38 40 45 51 58 37 46 53 41 46 50 55 60 Dureza Brinell 520 486 430 360 280 465 430 375 310 240 505 460 400 340 280 525 490 420 340 280 580 535 460 370 315 578 495 415 363 302

4340

8630

8640

8650

8660

8740

4-9 AÇOS AO NÍQUEL-SILÍCIO-CROMO-MOLIBDÊNIO A adição de cerca de 2% de Si à liga AISI 4340 aumenta significativamente sua resistência e tenacidade, como mostrado na Figura 4-35. O aumento na tenacidade do aço 4340 + 2% Si é atribuído ao retardo que silício produz na precipitação da cementita a partir da austenita retida na martensita revenida e à estabilização do carbeto ε. Nos aços temperados e revenidos com menores teores de silício, a austenita retida se decompõe no revenimento na faixa de 200 a 350ºC e filmes de cementita se formam ao redor desta. Esta reação contribui para a fragilização da martensita que é discutida na Seção 4-10. No aço 4340 contendo silício,

a formação da cementita a partir da austenita retida é suprimida, assim como a formação de cementita para carbeto ε. Como resultado, a liga 4340 + 2% Si é mais resistente e mais tenaz na condição de revenido. O aço-liga 300M utiliza o efeito favorável do silício na liga 4340 e é usado extensivamente para aços ultra-alto-resistentes para engrenagens. O aço 300M tem a composição nominal de 0,40% C, 0,75% Mn, 1,6% Si, 0,8% Cr, 1,8% Ni, 0,40% Mo, 0,08% V, 0,015% Max P, e 0,015% Max S. Vanádio é adicionado para refino de grão, e os níveis de enxofre e fósforo são mantidos muito baixos para diminuir a fragilização ao revenido e o aumento da tenacidade e ductilidade transversa. Esta liga é refundida em arco a vácuo para diminuir os teores de hidrogênio e oxigênio. Menores teores de oxigênio diminuem a formação de inclusões de óxidos e então aumentam a tenacidade da liga, como mostrado na Figura 4-36.

FIGURA 4-35 Gráficos mostrando os efeitos do revenimento nas propriedades mecânicas da liga AISI 4340 e AISI 4340 com adição de 2% de silício. Os aços foram temperados a partir de 870 e 950ºC, respectivamente.

FIGURA 4-36 Energia absorvida na fratura de aços liga 300M refundidos ao ar e vácuo (propriedades transversas). 4-10 FRAGILIZAÇÃO AO REVENIDO EM AÇOS BAIXA-LIGA Nesta seção dois tipos de fragilização ao revenido comumente exibidos pelos aços baixa-liga com alta resistência serão discutidos. Estes tipos foram denominados como fragilização ao revenido de um-passo e fragilização ao revenido de dois-passos por Briaint e Banerji. 1. Fragilização ao revenido de um-passo, comumente conhecida como fragilização a 350ºC, é freqüentemente encontrada em aços baixa-liga comerciais de alta resistência, os quais tenham sido temperados e revenidos, tendo portanto microestruturas martensíticas. Neste caso, a liga é austenitizada, temperada e revenida por um curto período (cerca de 1 h) a relativamente baixas temperaturas (< 400ºC). Esta fragilização pode ser reconhecida como uma diminuição anômala na energia de impacto quanto revenida na faixa de 250 a 350ºC. 2. Fragilização ao revenido de dois-passos se refere à diminuição na tenacidade ao impacto que é observada freqüentemente quando um aço liga revenido é isotermicamente envelhecido na faixa de temperaturas de 375 a 560ºC. Este tipo

de fragilização pode ser obtida pelo resfriamento lento do aço após o revenimento. Fragilização ao Revenido de Um-Passo O mecanismo causador da fragilização ao revenido de um-passo não é completamente entendido até o presente momento. Evidencias experimentais mostram que ele deve ser causado por impurezas no aço, haja vista que ela é ausente em aços baixa-liga puros como 4340. Como mostrado na Figura 4-37, a liga pura 4340 não mostra a fragilização, sendo que a liga 4340 comercial sim. O modo da fratura para a fragilização ao revenido de um-passo é principalmente intergranular. A Figura 4-38 mostra como o máximo de quantidade de fratura intergranular coincide com o mínimo de energia de impacto.

FIGURA 4-37 Comparação de curvas de fragilização a um-passo para aços liga 4340 puro (B1) e comercial (B7); note a ausência de fragilização na liga pura.

FIGURA 4-38 Mudança no modo de fratura como função da temperatura para uma liga 4340 comercial (B7); note que a depressão na curva de fragilização corresponde à máxima quantidade de fratura intergranular. Importantes aspectos da fragilização ao revenido de um-passo podem ser resumidos como segue: 1. A ocorrência de diminuição da energia de impacto coincide com o início da precipitação da cementita; 2. Desde que a fragilização a um-passo causa um modo de fratura intergranular ao longo dos primários contornos de grão austeníticos, se acredita que a segregação de P, N, e possivelmente S para os contornos de grão austeníticos é essencial para este tipo de fragilização; 3. Elementos de liga tais como o manganês têm um efeito indireto, promovendo a segregação de elementos fragilizadores para os contornos de grão; 4. A presença de carbonetos não dissolvidos nos contornos de grão austeníticos acredita-se que acentuam a fratura intergranular induzida por impurezas, sendo que os carbonetos atuam como barreiras ao deslizamento.

Fragilização a Dois-Passos A fragilização a dois passos ocorre quando aços liga revenidos são isotermicamente envelhecidos na faixa de temperaturas de 375 a 560ºC ou são vagarosamente resfriados após o revenimento. Este tipo de fragilização ao revenido é atribuída à segregação de impurezas para os contornos de grão, pois se as impurezas são removidas do aço, este não se torna fragilizado durante o envelhecimento. Quando as impurezas são segregadas para os contornos de grão, o modo de fratura frágil é intergranular, como mostrado na Figura 4-39.

a)

b)

FIGURA 4-38 Comparação de (a) fratura por clivagem em um aço liga temperado e revenido e (b) fratura intergranular em um aço liga temperado, revenido e envelhecido. Dos muitos estudos que têm sido feitos sobre fragilização a dois-passos, as seguintes conclusões gerais podem ser feitas:

1. A temperatura de transição dúctil-frágil é diretamente dependente da concentração de impurezas nos contornos de grão. Este efeito em um aço níquelcromo dopado com antimônio, estanho e fósforo está mostrado na Figura 4-40. O efeito relativo destas impurezas foi encontrado como sendo Sn > Sb > P; 2. Elementos de liga às vezes co-segregam para os contornos de grão com as impurezas. Por exemplo, níquel co-segrega com antimônio; 3. A segregação de impurezas para os contornos de grão parece ser um fenômeno de equilíbrio; 4. A concentração de equilíbrio das impurezas nos contornos de grão aumenta com a diminuição da temperatura de envelhecimento. O tempo também é importante

a baixas temperaturas. Por exemplo, a Figura 4-41 mostra como o aumento da temperatura de envelhecimento aumenta a concentração de antimônio em um aço 3,5% Ni – 1,7% Cr – 0,008% C – 0,06% Sb. A taxa e quantidade de segregação de impurezas, e conseqüentemente a fragilização intergranular resultante, dependem da composição total do sistema. Níquel, cromo e manganês aumentam a fragilização ao revenido de dois-passos causada por Sb, Sn, P ou As. Adições de molibdênio ao aço-liga retardam a fragilização ao revenido, pois o molibdênio inibe a segregação de impurezas. O molibdênio rapidamente se precipita como fosfetos na matriz e conseqüentemente inibe a segregação.

4-11 AÇOS MARAGING Composição
Aços maraging são uma classe de aços com alta resistência que são caracterizados pelos muito baixos teores de carbono e o uso de elementos substitucionais para produzir o endurecimento por envelhecimento nas martensitas de ferro-níquel. O nome maraging foi inventado de uma combinação de martensita e do inglês age hardening (endurecimento por envelhecimento). Aços maraging contendo 18% Ni juntamente com adições de Co, Mo, Ti e Al têm sido estabelecidos como aços estruturais de ultra alta resistência. Os limites de escoamento nominal desses aços na condição de totalmente envelhecidos são 200, 250, 300 e 350 ksi e as designações correspondentes para eles são 18Ni(200), 18Ni(250), 18Ni(300) e 18Ni(350). A Tabela 4-17 lista as composições químicas destes aços maraging.

Formação Martensitica
Os aços maraging com 18% Ni se transformam em martensita após o resfriamento da temperatura de austenítização, pois seu teor de níquel é alto. A temperatura da martensita superior para estas ligas é de cerca de 155ºC e sua temperatura de martensita inferior cerca de 98ºC. A formação de martensita nestas ligas não é afetada pela variação na taxa de resfriamento, e assim grossas seções podem ser resfriadas ao ar e ainda assim ser totalmente martensíticas. Sendo que a transformação martensítica apenas envolve a transformação da austenita para a martensita para Fe-Ni, e não envolve carbono ou nitrogênio intersticiais para qualquer quantidade considerável, a martensita formada é relativamente dúctil e reações de revenimento não ocorrem durante o reaquecimento.

Endurecimento por Envelhecimento
Antes do envelhecimento, os aços maraging com 18% Ni têm um limite de escoamento na faixa de 95 a 120 ksi. A dureza e resistência dessas ligas aumenta rapidamente durante após o envelhecimento, como mostrado na Figura 4-42 para um aço maraging 18Ni(250). Os níveis de resistência obtidos dependem principalmente de seus teores de molibdênio e titânio, mas são também afetados pela quantidade de cobalto e alumínio presentes. Maiores resistências são obtidas pelas ligas 18Ni(350), a qual contém maiores teores de Co, Ti e Al, mas um pouco menos de Mo. O endurecimento que é obtido após o envelhecimento do aço maraging 18% Ni se acredita se seja causado pela formação de zonas de precipitados de Ni3Mo e N3Ti. A máxima dureza nas ligas 18Ni(250) ocorrem após 3 h a 482ºC (Figura 4-40). Os precipitados formados na liga 18Ni(250) após envelhecimento por 8 h a 482ºC estão mostrados na Figura 4-43. Os precipitados se formam ao longo das discordâncias e contornos de laths criados pela transformação martensítica. O super-envelhecimento a maiores temperaturas de envelhecimento levam à formação de precipitados Fe2Mo. O cobalto não é encontrado em qualquer dos precipitados no endurecimento por envelhecimento. Se acredita que o cobalto indiretamente contribui para o aumento da resistência durante o envelhecimento pela redução da solubilidade do molibdênio na matriz martensítica.

FIGURA 4-40 Mudança na temperatura de transição dúctil-frágil como função da concentração de impurezas nos contornos de grão; a liga 3340 (3,5% Ni e 1,7% Cr) foi dopada individualmente com 0,06% P, 0,06% Sb ou 0,06% Sn.

FIGURA 4-41 Fragilização ao revenido de dois-passos de um aço 3,5% Ni, 1,7% Cr, 0,008% C e 0,06% Sb, mostrando como o aumento do tempo de envelhecimento aumenta a temperatura de transição dúctil-frágil, e como a quantidade de Ni e Sb segregados nos contornos de grão é diminuída. A liga foi austenitizada, temperada e então envelhecida a 520ºC.

TABELA 4-17 Composições químicas nominais dos aços maraging
Categoria 18Ni(200) 18Ni(250) 18Ni(300) 18Ni(350) Ni% 18 18 18 18 Co% 8 8 9 12 Mo% 3,2 5 5 4 Al% 0,1 0,1 0,1 0,1 Ti% 0,2 0,4 0,6 1,8 C% (max) 0,03 0,03 0,03 0,01

FIGURA 4-42 Dureza como função do tempo de envelhecimento para um aço maraging comercial 18% Ni(250), a quatro temperaturas de envelhecimento.

FIGURA 4-43 Micrografia de transmissão eletrônica dos precipitados em um aço-maraging 18% Ni(250)
envelhecido por 8 h a 485ºC.