CHELOTTI Marcelo Cervo. Reterritorialização e identidade territorial. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 22 (1): 165-180 abr. 2010.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sn/v22n1/12.pdf. Acesso em 15 set.2011.

FICHA DE LEITURA ABSTRACT Analise do processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização na Campanha gaúcha pós década de 1990. Como foi o processo de reterritorialização da Campanha gaúcha e manutenção da identidade territorial com a inclusão de novos elementos nesse território, e para isso é estabelecido o seguinte esquema de analise: 1) panorâmica geral de todo o processo, 2) considerações sobre desterritorialização e identidade territorial, 3) reterritorialização camponesa construindo novas territorialidades na campanha e, 4) a sintetização do processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização da Campanha. Palavras-chave. Camponês - Identidade Territorial - Reterritorialização - Campanha Gaúcha.

COMENTÁRIOS PESSOAIS O conteúdo do texto é bastante relevante para o trabalho que estamos realizando, não só por tratar da identidade gaúcha, mas pelos conceitos e definições que são oferecidos que podem nos ajudar no processo de desenvolvimento da pesquisa. O tema não desconhecido totalmente, pois ao ler e fichar o texto passamos a ter mais subsídios para entender e interpretar o texto de Haesbaert (2002), sobre a territorialidade dos gaúchos no nordeste. Vejo que nesse texto podemos estabelecer relação direta com o texto de Haesbaert (2002) que trata da mesma questão, mas Haesbaert trata do elemento fora do seu estado original, enquanto que Chelotti (2010) discute a cerca do elemento que está no “mesmo espaço”, pois quando falamos “nesse espaço” nos remete à discussão a cerca do conceito de região que discutimos em outros textos como Bourdieu (2003) e Lemos (2005). E que o ultimo autor citado aponta que Haesbaert utiliza o conceito de TDR (territorialização, desterritorialização e reterritorialização) para definir região. O texto de Rocha (2006) também trabalha bastante esse aspecto da TDR com o processo migratório de gaúchos para Mato Grosso, assim como o texto de Ferreira e Corso (2008)

que trabalha a construção da identidade gaúcha no Paraná, mas não da tanta ênfase para a essa conceituação. O texto é bastante pertinente na pesquisa em andamento, pois ele pode nos auxiliar na definição de conceitos para usarmos no processo migratório que estamos estudando, pois temos um grupo de gaúchos que passaram exatamente por esse processo da TDR, porém precisamos verificar os seus resultados. O texto trás os conceitos bastante claro e discorre de maneira bem didática o que facilita o processo de compreensão. Não sei se é um problema de interpretação, mas vejo que o autor por mais que trate nos conceitos de TRD, não menciona ou não dá ênfase às disputas de poder entre os grupos, pois o seu resultado é de uma sociedade hibrida. RESUMO DO TEXTO O autor propõe analise do processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização na Campanha gaúcha pós década de 1990 e para tal analise o mesmo divide o seu texto em quatro etapas sendo elas: 1) a introdução no qual ele expõe uma panorâmica geral a cerca desse processo ocorrido na região de Campanha, 2) faz considerações sobre desterritorialização e identidade territorial, 3) discute a

desterritorialização camponesa construindo novas territorialidades na campanha e por fim 4) as considerações a cerca de todo processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização na campanha. No primeiro momento do texto o autor aponta a discussão a cerca da reterritorialização da campanha gaúcha e a manutenção da identidade com a inclusão de novos elementos nesse território, além de apresentar a região como local tradicionalmente voltado ao latifúndio e a prática da pecuária, mas que pós 1990 passa a receber pessoas de outras regiões, sobretudo da região de colônia e são introduzidas novas atividades econômicas na região como a prática da agricultura. No segundo momento Chelotti (2010) aponta algumas considerações a cerca dos conceitos da geografia e a questão de utilização do espaço, principalmente no que se refere a território. Chelotti aponta ainda que com o processo de globalização as fronteiras são fluidas, assim como se pode comparar ao território, mas o que é território? “O conceito de território na geografia está focado na destruição, ou seja, a

desterritorialização, sem deixar claro que concepção de território encontra-se por trás deste processo.” (HAESBAERT, 2002 apud CHELOTTI, 2010:167). O autor aponta como ocorre o processo de Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização (TDR), pois

é respectivamente a criação de territórios, a destruição de territórios mesmo seja temporária e a criação desse território; e para exemplificar, Chelotti (2010) nos mostra o processo migratório ocorrido pelos italianos, pois os mesmos tinham com territórios originais a Europa (territorialização) saíram devido o avanço da revolução industrial (desterritorialização) e se instalaram no sul do Brasil através do processo de colonização (reterritorialização), pois para o conceito TDR é utilizado bastante em estudos migratórios lutas sociais por terras e identidade. Vejo que nessas discussões desse conceito é importantes ser mencionadas como alguns autores vêem esse processo, pois “não existe uma desterritorialização desconecta de uma posterior reterritorialização” (DELEUZE e GUATTARI, 1972: CHELOTTI, 2010:167), já para Haesbaert a “territorialização e a desterritorialização devem ser pensada como processo concomitantes, ou seja, fundamentais para compreendermos as humanas” (HAESBAERT, 2004 apud CHELOTTI, 2010:168). Novamente o autor menciona a globalização como fator provocante para o processo de desterritorialização que perpassa por duas correntes, 1) a defesa que a globalização provoca desterritorialização, 2)embora ocorra desterritorialização numa escala, se verifica também a reterritorialização. (CHELOTTI, 2010:168). Para a sustentação dessas duas correntes o autor busca embasamento em Ianni (1995) que trata da questão não só nas relações de mercado, mas nas relações sociais, sobretudo na sociedade globalizada, onde verifica-se a reafirmação de regionalismo e o impedimento de livre acesso das pessoas , já para Storper (1994) “só analisando os mutáveis e complexos padrões de territorialização de atividades se pode desenhar um quadro preciso da natureza da globalização”. Enquanto que para Haesbaert (1997) os processos de desterritorialização devem ser analisar os aspectos econômicos, cartográficos, as relações imateriais e matérias, o esvaziamento das fronteiras e cultural, pois “os grupos sociais podem forjar territórios em que as dimensões simbólicas sobrepõem a dimensão mais concreta” (HAESBAERT, 1999 apud CHELOTTI, 2010:169) Ainda na segunda metade o autor aponta algumas questões da sociedade contemporânea como a multiterritorialidade e o “mito” da desterritorialização e que o território está relacionado à questão de poder e de diversidade e para isso cita a região da campanha gaúcha que apresenta duas identidades distintas, e que nos leva ao conceito de identidade territorial, pois Chelotti aponta que identidade é um termo polissêmico, mas que há o consenso de que é uma construção social, apesar da sua mutabilidade no tempo e no espaço, principalmente com a globalização, onde as identidades são relativizada devido processo de homogeneização.

Na terceira parte do texto autor discute a desterritorialização camponesa construindo novas territorialidades na campanha, onde ele trata um pouco da relação entre os dois grupos que ocupam a campanha, pois de um lado tem o camponês pecuarista e do outro camponês agricultor e logo em seguida ele apresenta um quadro panorâmico entre os dois grupos. No processo de reterritorialização na campanha, Chelotti apresenta o seguinte, que o grupo que “migrou” para essa região era oriundo das áreas de colônias e que já passado pelo processo de reterritorialização, pois eram descendentes de europeus (italianos e alemães) enquanto os habitantes mais antigos da campanha eram de descendentes de portugueses, espanhóis, indígenas e africanos. E que esse grupo reterritorializado na campanha tiveram que traçar estratégias de reprodução familiar, adaptar as condições ambientais, além do mais os seus aparatos tecnológicos passaram por uma manutenção ou adaptação ao novo meio, outro fator importante é quanto a racionalidade no uso do campo, pois os camponeses de colônia traçaram estratégias diferente para o uso desse solo em relação aos camponeses tradicionais. Na suas considerações o autor discorre que “os processos geográficos apresentam-se de

Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização

(T-D-R)

como

importante viés analítico para interpretarmos a atuação dos movimentos sociais no campo e a construção de novos territórios da produção camponesa” (CHELOTTI, 2010: 177).