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"Brincando de Deus na Horta

"

por Michael Pollan

Plantando

Hoje eu plantei algo de novo na minha horta - na verdade, algo muito
novo. Trata-se de uma batata chamada 'New Leaf Superior',
geneticamente engenheirada - pela Monsanto, o gigante da química
que recentemente se tornou o gigante das "ciências da vida" - para
produzir seu próprio inseticida. Ela pode fazer Isso em cada célula
de cada folha, caule, flor, raiz e (aqui está a parte assustadora) do
tubérculo. O tormento das batatas tem sido sempre o besouro do
Colorado, um inseto bonito e voraz que pode fazer desaparecer as
folhas de uma planta da noite para o dia. Qualquer besouro do
Colorado que comer um só pedacinho das minhas New Leafs, irá capotar
e morrer, com seu trato digestivo empanturrado pela toxina
bacteriológica fabricada nas folhas dessascomuns 'Superior', a não
ser por este detalhe. ('Superiors' são as batatas brancas de casca
fina, vendidas frescas no supermercado.) Você deve estar pensando se
eu tenho planos de comer essas batatas, ou servi-las à minha família.
Isso ainda está no ar, é apenas a primeira semana de maio, a colheita
ainda vai levar uns meses.

Certamente, as minhas 'New Leafs' têm o nome certo. Elas fazem parte
de uma nova classe de plantas agrícolas que estão mudando rapidamente
a cadeia alimentar dos Estados Unidos. Este ano, o quarto ano em que
essa semente geneticamente alterada está no mercado, cerca de 45
milhões de acres de terras aráveis americanas foram plantadas com
transgênicos, na maioria milho, soja, algodão e batatas que foram
engenheiradas, ou para produzir seus próprios agrotóxicos, ou para
tolerar os herbicidas. Embora os americanos já tenham começado a
comer batatas, milho e soja geneticamente engenheirados, as pesquisas
industriais confirmam o que os meus próprios levantamentos informais
sugerem: quase nenhum de nós sabe disso. O motivo não é difícil de
encontrar. A indústria biotecnológica, com a concordância do FDA,
decidiu que nós não precisamos saber disso e, então, os
alimentos 'biotec' não trazem rótulos de identificação. Em um
deslumbrante posicionamento, a indústria conseguiu descrever essas
plantas como os pilares de uma revolução biológica - parte de
um "novo paradigma agrícola" que vai tornar a agricultura mais
sustentável, alimentar o mundo e melhorar a saúde e a nutrição - e,
bastante curioso, como o mesmo velho discurso. Pelo menos no que
poderia interessar àqueles de nós que estamos no fim dacadeia
alimentar.

Essa conveniente versão da realidade tem sido totalmente rejeitada
tanto pelos consumidores quanto pelos agricultores do outro lado do
Atlântico. No verão passado, os alimentos biotec apareceram como o
assunto ambiental mais explosivo da Europa. Os contestadores
destruíram dezenas de experimentos de campo das
mesmíssimas "frankenplantas" (como são chamadas às vezes), que nós,
americanos, já estamos servindo para o jantar, e, em toda a Europa, o
público exigiu que os alimentos biotec fossem rotulados no mercado.

Produzindo meu próprio cultivo transgênico - e conversando com
cientistas e agricultores envolvidos com a biotecnologia - eu
esperava descobrir qual de nós estava maluco. Estarão os europeus
reagindo exageradamente, ou é possível que nós estejamos reagindo de
maneira morna aos alimentos geneticamente engenheirados?

Depois de cavar duas valas rasas na minha horta e de ali colocar
composto, desamarrei o saco roxo de malha com as sementes de batata
que a Monsanto enviou, e abri o Guia do Produtor que estava amarrado
no saco. (As batatas, você se lembrará das experiências do jardim de
infância, não são cultivadas por sementes, mas por olhos de outras
batatas). Mais do que como plantar batatas, o guia me passou a
sensação de como lidar com um novo 'software' disponível. Ao "abrir e
usar este produto", dizia o folheto, eu estava agora "licenciado" a
cultivar essas batatas, mas somente por uma única geração; a cultura
que eu regaria e cuidaria e colheria era minha mas, ao mesmo tempo,
não era. Isto é, as batatas que eu colherei em agosto são minhas para
comer ou vender, mas seus genes permanecem como propriedade
intelectual da Monsanto, protegidas por numerosas patentes norte
americanas, incluindo as de n° 5196525, 5164316, 5322938 e 5352605.
Fosse eu guardar apenas uma delas para plantar no próximo ano - algo
que fiz rotineiramente com as batatas no passado - eu estaria
infringindo a legislação federal. O pequeno impresso no Guia do
Produtor também trouxe a informação de que minhas plantas de batatas
eram elas próprias um agrotóxico, registrado na Agência de Proteção
Ambiental.

Se fosse preciso provar que a intricada cadeia alimentar industrial,
que começa com sementes e termina em nossos pratos de jantar, está em
vias de uma profunda mudança, o pequeno impresso que acompanhava
minhas 'New Leaf' daria tal prova. Essa cadeia alimentar não tem tido
rival em sua produtividade - em média, um único produtor americano
produz, hoje, comida suficiente para alimentar 100 pessoas por ano.
Mas esse sucesso tem o seu preço. O moderno produtor industrial não
pode alcançar tais rendimentos sem enormes quantidades de
fertilizantes químicos, agrotóxicos, maquinaria e combustível, um
conjunto de insumos de capital intensivo, como são chamados, que
sobrecarregam o produtor com dívidas, ameaçam sua saúde, provocam a
erosão e destroem a fertilidade do seu solo, poluem a água
subterrânea e comprometem a segurança dos alimentos que comemos.

Já ouvimos tudo isso antes, é claro, mas quase sempre dito por
ambientalistas e produtores orgânicos; a novidade é ouvir a mesma
crítica de produtores convencionais, funcionários governamentais e,
até mesmo, de muitas corporações do 'agrobusiness', todos eles
reconhecendo agora que nossa cadeia alimentar está precisando de
reforma. Parecendo mais Wendell Berry do que a gigante
do 'agrobusiness' que é, a Monsanto declarou em seu mais recente
relatório anual que "a tecnologia agrícola atual não ésustentável".

O que se imagina para salvar a cadeia alimentar americana é a
biotecnologia - a substituição de insumos químicos caros e tóxicos,
por informações genéticas caras, mas aparentemente benignas: cultivos
que, como as minhas New Leafs, podem se proteger contra insetos e
doenças sem serem pulverizados com agrotóxicos. Com o advento da
biotecnologia, a agricultura está entrando na era da informação e,
mais do que qualquer outra companhia, a Monsanto está se posicionando
para se tornar a Microsoft deste setor, fornecendo os "sistemas
operacionais" próprios - a metáfora é dela - para administrar essa
nova geração de plantas.

Existe, é claro, uma segunda cadeia alimentar na América: a
agricultura orgânica. E, apesar de ser ainda uma fração do tamanho da
cadeia alimentar convencional, ela tem crescido aos saltos - em
grande parte por causa das preocupações com a segurança da
agricultura convencional. Os agricultores orgânicos estão entre o
mais fortes críticos da biotecnologia, considerando culturas como as
minhas New Leafs inimigas dos seus princípios e, potencialmente, uma
ameaça à sua sobrevivência. É porque o Bt, a toxina bacteriana
produzida nas minhas New Leafs (e em muitas outras plantas biotec) é
o mesmo inseticida em que os produtores orgânicos vêm confiando há
décadas. Ao invés de ficarem lisonjeados pela imitação, no entanto,
os produtores orgânicos estão em pé de guerra: o uso indiscriminado
de Bt em culturas biotec provavelmente levará à resistência dos
insetos, roubando, dessa forma, dos produtores orgânicos, uma de suas
mais básicas ferramentas; isto é, a versão da Monsanto de agricultura
sustentável poderá ameaçar exatamente os produtores que foram os
pioneiros da agricultura sustentável.

Brotação

Após alguns dias de chuvas pesadas, o sol surgiu em 15 de maio, assim
como as minhas New Leafs. Uma dúzia de brotos verde-escuro perfuraram
a terra e começaram a crescer - mais rápido e com maior robustez que
qualquer uma das outras batatas em minha horta. Afora o seu vigor,
contudo, minhas New Leafs pareciam perfeitamente normais. E, embora
eu as visse multiplicar suas belas folhas verde-escuro nesses
primeiros dias, ansiosamente esperando a chegada do primeiro inseto
condenado, eu não podia deixar de considerá-las existencialmente
diferentes do resto de minhas plantas.

Todas as plantas domesticadas são de certo modo artificiais -
arquivos vivos de informações culturais e naturais que nós, de certo
modo, "projetamos". Um determinado tipo de batata reflete os valores
que colocamos dentro dela - um tipo que foi selecionado para produzir
batatas fritas longas e belas ou 'chips' de batata imaculados, é a
expressão de uma cadeia alimentar nacional que gosta de suas batatas
altamente processadas. Ao mesmo tempo, algumas das mais delicadas
variedades pequenas européias que estou cultivando ao lado das New
Leafs implicam em uma economia de mercado de pequenos produtores e um
gosto por comer batatas frescas. Ainda assim, todas essas qualidades
já existiam na batata, dentro da gama de possibilidades genéticas
apresentadas pela Solanum tuberosum. Uma vez que espécies distantes
na natureza não podem ser cruzadas, a arte do melhorista tem sempre
ido contra um limite natural do que a batata está determinada, ou é
capaz de fazer. A natureza, portanto, tem exercido uma espécie de
veto sobre quais valores culturais podem combinar com uma batata.

Minhas New Leafs são diferentes. Embora a Monsanto goste de mostrar a
biotecnologia apenas como mais uma na antiga linha de modificações
humanas da natureza, desde a fermentação, a engenharia genética, na
verdade, subverte as antigas regras que regem a relação entre
natureza e valores culturais em uma planta. Pela primeira vez, os
melhoristas podem trazer qualidades de qualquer lugar da natureza
para o genoma de uma planta - de linguados (resistência ao
congelamento), de vírus (resistência a doenças) e, no caso das minhas
batatas, do Bacillus thuringiensis, a bactéria do solo que produz o
inseticida orgânico conhecido como Bt. A introdução de genes em uma
planta, transportados não apenas através da espécie, mas de filos
completos, significa que o muro da identidade essencial daquela
planta - sua irredutível rusticidade, pode-se dizer - foi rompido.

Mas, o que é, talvez, mais espantoso sobre o aparecimento das New
Leafs na minha horta é o entendimento humano daquilo que a inclusão
do gene Bt representa. No passado, esse entendimento estava fora da
planta, na mente dos produtores orgânicos que utilizavam o Bt (na
forma de pulverização) para manipular o relacionamento ecológico de
certos insetos e uma determinada bactéria, como forma de controlar
tais insetos. A ironia sobre as New Leafs é que a informação cultural
que elas codificam é um conhecimento que reside nas cabeças do tipo
de pessoas - isto é, os produtores orgânicos - que menos confia na
alta tecnologia.

Um modo de ver a biotecnologia é que ela permite que uma parcela
maior de inteligência humana seja incorporada na própria planta.
Nesse sentido, minhas New Leafs são apenas mais espertas do que o
resto das minhas batatas. As outras dependerão do meu conhecimento e
experiência quando os besouros do Colorado atacarem; as New Leafs,
sabendo aquilo que eu sei sobre os besouros e o Bt, cuidarão de si
mesmas. Assim, embora as minhas plantas biotec possam parecer seres
extraterrestres, isso não é bem verdade. Elas são mais parecidas
conosco do que com outras plantas, porque há mais de nós nelas.

Crescimento

Para descobrir como as minhas batatas ficaram desse jeito, eu viajei
para o subúrbio de Saint Louis no início de junho. Minhas New Leafs
são clones de clones de plantas que foram inicialmente engenheiradas
há sete anos atrás, nas instalações de pesquisa de US$ 150 milhões,
da Monsanto, um longo edifício de tijolos à vista, nas margens do
Missouri, que pareceriam com qualquer outro complexo empresarial, não
fosse pelas 26 estufas que coroam seu teto como brilhantes arestas de
vidro.

Dave Stark, um biólogo molecular e co-diretor da Naturemark, a
subsidiária da Monsanto para batatas, acompanhou-me através das salas
limpas onde as batatas são geneticamente engenheiradas. Técnicos
estavam sentados em bancadas de laboratório, diante de placas de
Petri nas quais haviam sido colocados cortes de caule de batata do
tamanho de uma unha, em uma mistura de nutrientes. A essa mistura, os
técnicos adicionaram uma solução de agrobactéria, uma bactéria de
enfermidade, cujo modo de agir é entrar no núcleo das células da
planta e inserir parte de seu próprio DNA. De modo prático, os
cientistas contrabandeiam o gene do Bt para dentro da agrobactéria e
esta, então, cola-o ao DNA da batata. Os técnicos também adicionam um
gene "marcador", um tipo de código universal de produto, que permite
que a Monsanto identifique suas plantas depois que elas saem do
laboratório.

Alguns dias mais tarde, quando os pedaços do caule da batata emitem
raízes, elas são removidas para a estufa das batatas, no teto. Aqui,
Glenda DeBrecht, uma horticulturista, convidou-me a colocar luvas de
látex e a ajudá-la a transplantar as plantinhas minúsculas, das suas
placas de Petri para pequenos potes. A operação toda é realizada
milhares de vezes, principalmente porque há muita incerteza sobre os
resultados. Não há maneira de dizer onde o DNA aterrisará no genoma,
e se ele for parar no lugar errado, o novo gene não aparecerá (ou
terá uma fraca expressão), ou a planta poderá ser um monstrinho. Eu
fiquei impressionado de ver como a tecnologia podia ser, ao mesmo
tempo, assustadoramente sofisticada e, ainda, um tiro no escuro
genético.

"Ainda há muito que entender sobre a expressão genética", reconheceu
Stark. Muitíssimos fatores influenciam se, ou quanto, um novo gene
vai fazer o que se espera que faça, incluindo o meio ambiente. Em um
antigo experimento alemão, os cientistas conseguiram colar um gene
para deixar as petúnias mais vermelhas. Tudo ia conforme o planejado,
até que o tempo se tornou mais quente, e um plantio inteiro de
petúnias vermelhas, repentina e inexplicavelmente perdeu o seu
pigmento. O processo não parecia tão simples, como a acalentada
metáfora da Monsanto sobre software poderia sugerir.

Quando voltei de St. Louis, telefonei para Richard Lewontin, o
geneticista de Harvard, para perguntar-lhe o que ele pensava da
metáfora do software. "De um ponto de vista de propriedade
intelectual, está totalmente correto", ele disse. "Mas é ruim em
termos de biologia. Implica em você colocar um programa em uma
máquina e obter os resultados esperados. Mas o genoma é muito
ruidoso. Se o meu computador fizesse tantos erros como um organismo
faz" - ao interpretar seu DNA, ele quis dizer - "eu o atiraria fora."

Pedi-lhe uma metáfora melhor. "Um ecossistema", ele disse. "Você pode
sempre interferir e mudar algo nele, mas não há maneira de saber
quais serão todos os efeitos posteriores, ou como isso poderia afetar
o meio ambiente. Temos um entendimento tão pobre de como o organismo
se desenvolve a partir do seu DNA, que eu irei me surpreender se não
tivermos um choque assustador após outro."

Florescimento

Meu próprio cultivo estava crescendo quando voltei de St. Louis; as
New Leafs estavam do tamanho de arbustos, coroadas de finas hastes
com flores. As flores da batata são, na realidade, bem bonitas, ao
menos para os padrões de hortaliças - estrelas cor-de-rosa de cinco
pétalas com centros amarelos que exalam um suave perfume de rosas.
Numa tarde quente, eu observava as mamangavas fazendo suas curvas
preguiçosas nas flores das minhas batatas, distraidamente polvilhando
suas pernas com grãos amarelos de pólen, antes de partir para outras
flores, outras espécies.

A incerteza é o tema que une a maioria da crítica feita contra a
agricultura biotec, por cientistas e ambientalistas. Plantando-se
milhões de acres de plantas geneticamente modificadas, nós
introduzimos algo de novo no meio ambiente e na cadeia alimentar,
cujas conseqüências não são - e, a essa altura, não têm como ser -
totalmente conhecidas. Uma das incertezas tem a ver com aqueles grãos
de pólen que as mamangavas carregam das minhas batatas. Aquele pólen
contém genes de Bt que poderão chegar a uma outra planta aparentada,
possivelmente conferindo uma nova vantagem evolucionária àquela
espécie. "Fluxo de genes", o termo científico para esse fenômeno,
ocorre somente entre espécies intimamente aparentadas e, uma vez que
a batata desenvolveu-se na América do Sul, são poucas as chances de
que os meus genes Bt da batata escaparão para os agrestes de
Connecticut. (É interessante notar-se que, enquanto a força da
biotecnologia depende da capacidade de mover genes livremente entre
as espécies e mesmo filos, sua segurança ambiental depende exatamente
do fenômeno oposto: da integridade da espécie na natureza e sua
rejeição a material genético estranho.)

Agora, o que acontece se e quando os agricultores peruanos plantarem
batatas Bt? Ou quando eu plantar uma cultura biotec que possua
parentes locais? Um estudo publicado na "Nature", no mês passado,
descobriu que os traços das plantas introduzidos pela engenharia
genética têm mais probabilidades de escapulir para o meio silvestre
do que alguns traços introduzidos pela forma convencional.

Andrew Kimbrell, diretor do Center for Technology Assessment em
Washington, disse-me acreditar que tais fugas sejam inevitáveis. "A
poluição biológica será o pesadelo ambiental do século 21," ele disse
quando eu lhe telefonei. "Isso não é como uma poluição química - um
vazamento de óleo - que finalmente se dispersa. A poluição biológica
é um modelo totalmente diferente, mais parecido com uma doença. A
Monsanto será legalmente responsabilizada quando um dos seus
transgenes criar uma super erva invasora ou um inseto resistente?"

Kimbrell afirma que, pelo fato de nossas leis sobre poluição terem
sido feitas antes do aparecimento da biotecnologia, a nova indústria
está sendo regulamentada por um regime inadequado, projetado para a
era química. Até agora, o Congresso não aprovou nenhuma lei ambiental
especificamente a respeito da biotecnologia. A Monsanto, por sua vez,
afirma que examinou completamente todos os potenciais riscos de suas
plantas biotec para o ambiente e a saúde, e mostra que três agências
reguladoras - o USDA, o EPA e o FDA - aprovaram os seus produtos.
Falando da New Leaf, Dave Stark disse-me, "Essa é a batata mais
exaustivamente estudada da história."

Incertezas significativas permanecem, no entanto. Considere o caso da
resistência de insetos ao Bt, uma forma potencial de "poluição
biológica" que poderia terminar com a eficácia de um dos mais seguros
inseticidas que temos - e prejudicar os agricultores orgânicos que
dele dependem. A teoria, que agora é aceita pela maioria dos
entomologistas, é que as plantas Bt adicionarão tanta dessa toxina ao
meio ambiente, que os insetos vão desenvolver uma resistência a ele.
Até agora, a resistência não tem sido uma preocupação porque as
pulverizações com Bt se degradam rapidamente à luz do sol e os
agricultores orgânicos usam-no com parcimônia. A resistência é
essencialmente uma forma de co-evolução que parece ocorrer apenas
quando uma determinada população de praga fica ameaçada de extinção;
sob tal pressão, a seleção natural favorece qualquer oportunidade de
mutação que permita que a espécie mude e sobreviva.

Trabalhando com o EPA, a Monsanto desenvolveu um "plano de
gerenciamento da resistência", para adiar aquela eventualidade.
Segundo o plano, os produtores que plantarem cultivos Bt devem deixar
uma certa área de suas terras para as não-Bt, para criar "refúgios"
para os insetos alvo. O objetivo é evitar que o primeiro besouro do
Colorado resistente ao Bt cruze com um segundo besouro resistente,
desencadeando uma nova raça de super-besouros. A teoria é que, quando
aparecer um besouro resistente ao Bt, ele possa ser induzido a cruzar
com um besouro do refúgio, diluindo, assim, o novo gene da
resistência.

Mas muita coisa tem de estar adequada para que o Sr. Errado conheça a
Srta. Certa. Ninguém tem certeza do tamanho dos refúgios, onde eles
deveriam estar situados, ou se os produtores vão cooperar (criar
paraísos para uma praga detestada é anti-intuitivo, afinal), isso
para não falar dos besouros. No caso das batatas, o EPA tornou o
plano voluntário e as companhias que o implementem sozinhas; não há
mecanismos no EPA que exijam tal cumprimento. Por isso é que a
maioria dos agricultores orgânicos com os quais eu falei considerou o
esquema regulador como mero engodo.

Os executivos da Monsanto oferecem duas respostas básicas às críticas
às suas plantas Bt. A primeira é que seus planos de gerenciamento de
resistência vão funcionar, apesar de que a definição de sucesso da
companhia chega como pequeno consolo para um agricultor orgânico:
cientistas da Monsanto me disseram que, se tudo der certo, a
resistência pode ser adiada por 30 anos. (Alguns cientistas
acreditam que ela chegará em 3 a 5 anos.) A segunda resposta é mais
problemática. Em St. Louis, eu encontrei Jerry Hjelle, vice-
presidente da Monsanto para assuntos de regulamentação. Hjelle disse-
me que a resistência não nos deveria preocupar sem motivo, uma vez
que "há milhares de outros Bts por aí" - outras proteínas
inseticidas. "Podemos resolver este problema com novos produtos,"
disse ele. "Os críticos não sabem o que mais nós estamos
desenvolvendo."

E, então, Hjelle disse duas palavras que eu pensei que estivessem
fora do vocabulário empresarial há longo tempo: "Confiem em nós".

"Confiança" é a chave para o sucesso da biotecnologia no mercado e,
enquanto eu estava em St. Louis, perguntei a Hjelle e a diversos
colegas seus, por que eles achavam que os europeus estavam resistindo
à comida biotec. Áustria, Luxemburgo e Noruega, arriscando uma guerra
comercial com os EUA, recusaram aceitar importações de produtos
agrícolas geneticamente alterados. Ativistas na Inglaterra estavam
apresentando protestos e "descontaminações" em campos de testes
biotec. Um grupo de produtores franceses entrou num armazém e
destruiu um carregamento de sementes de milho biotec, urinando sobre
ele. O Príncipe de Gales, que é um ardoroso horticultor orgânico,
entrou no debate sobre os biotec em junho último, afiançando numa
coluna do The Daily Telegraph que ele jamais comeria, nem serviria a
seus hóspedes, os frutos de uma tecnologia que "conduz a humanidade
aos domínios que pertencem a Deus e somente a Deus".

Os executivos da Monsanto são rápidos ao apontar que a doença da vaca
louca tornou os europeus extremamente sensíveis à segurança da sua
cadeia alimentar, e que tal doença minou a confiança nos seus
legisladores. "Eles não possuem uma agência de confiança como o FDA,
cuidando da segurança do fornecimento de seus alimentos", disse Phil
Angell, diretor de comunicações da Monsanto. No verão, Angell foi
mandado várias vezes à Europa para apagar incêndios de relações
públicas; algumas pessoas na Monsanto preocupam-se de que isso
poderia se espalhar pelos EUA.
Eu verifiquei com o FDA, para descobrir exatamente o que tinha sido
feito para garantir a segurança dessa batata. Fiquei confuso pelo
fato de que a toxina Bt não estava sendo tratada como "aditivo de
alimento", sujeito a rotulagem, ainda que a nova proteína esteja
expressa na batata propriamente dita. O rótulo num saco de batatas
biotec no supermercado dirá ao consumidor tudo sobre os nutrientes
que elas contêm, mesmo as menores quantidades de cobre. Ainda assim,
nada diz sobre o fato de tais batata serem o produto da engenharia
genética, nem sobre conterem um inseticida.

No FDA, fui indicado para ser atendido por James Maryanski, o
supervisor de alimentos biotec na Agência. Comecei perguntando-lhe
por que o FDA não considerava o Bt como aditivo a alimentos. Pelas
normas do FDA, qualquer substância nova adicionada a alimentos deve -
a não ser que seja "geralmente considerada como segura" ("GRAS", na
linguagem do FDA) - ser testada cuidadosamente e, se alterar o
produto de qualquer maneira, deve ser rotulada.

"Isso é fácil", disse Maryanski. "Bt é um agrotóxico e, assim, fica
isento" das normas do FDA. Quer dizer: ainda que uma batata Bt seja
inegavelmente um alimento, para os fins de regulamentação federal ela
não o é, mas sim um agrotóxico e, portanto, cai na jurisdição do EPA.

Mas, mesmo no caso desses cultivos biotec sobre os quais o FDA não
tem jurisdição, fiquei sabendo que as suas normas sobre alimentos
biotec têm sido basicamente voluntárias desde 1992, quando o Vice-
Presidente Dan Quayle emitiu normas para a indústria, como parte da
campanha do Governo Bush para o "amparo regulador". Segundo as
diretivas, novas proteínas engenheiradas nos alimentos são
consideradas como aditivos, a não ser que sejam agrotóxicos mas, como
explicou Maryanski, "a companhia pode determinar se uma nova proteína
é 'GRAS'". Companhias com um novo alimento biotec decidem por si
próprias se precisam ou não consultar o FDA, seguindo uma série
de "roteiros de decisão" que colocam perguntas do tipo sim ou não,
como está:"... A proteína introduzida levanta qualquer preocupação
com a segurança?".

Uma vez que as minhas batatas Bt estavam sendo regulamentadas como um
agrotóxico pelo EPA, ao invés de alimento pelo FDA, eu perguntei se
os padrões de segurança são os mesmos. "Não exatamente", explicou
Maryanski. O FDA exige "uma certeza razoável de não nocividade" em um
aditivo a alimentos, um padrão que a maioria dos agrotóxicos não
podia alcançar. Afinal, "os agrotóxicos são tóxicos para alguma
coisa", disse Maryanski, assim o EPA ao invés disso,
estabelece "tolerâncias" humanas para cada produto químico e depois o
faz passar por uma análise de risco-benefício.

Quando telefonei para o EPA e perguntei se a agência havia testado
minhas batatas Bt quanto à segurança como alimento humano, a resposta
foi ... não exatamente. Parece que o EPA trabalha com a suposição de
que, se a batata original é segura e a proteína Bt a ela adicionada é
segura, então o pacote inteiro de New Leaf é presumidamente seguro.
Alguns geneticistas acreditam que este raciocínio é falho, afirmando
que o próprio processo de engenharia genética pode causar alterações
sutis e ainda não conhecidas nos alimentos.
A batata "Superior" original é segura, por demais óbvio, de modo que
sobrou a toxina Bt, que foi dada a camundongos, e eles "passaram bem,
não apresentando efeitos colaterais", disseram-me. Eu sempre me sinto
melhor sabendo que minha comida foi testada por camundongos quanto a
venenos, apesar de que, nesse caso, havia uma pequena armadilha: os
ratos não comeram realmente as batatas, nem mesmo um extrato delas,
mas sim o Bt produzido em uma cultura bacteriana.

E então, as minhas New Leafs são seguras para se comer?
Provavelmente, presumindo-se que uma New Leaf é nada mais do que uma
soma de batata segura e um agrotóxico seguro e, presumindo-se ainda,
que a idéia do EPA quanto a um agrotóxico ser seguro é equivalente à
de um alimento ser seguro. Mas eu ainda tinha uma pergunta. Vamos
partir do princípio que as minhas batatas sejam um agrotóxico - um
agrotóxico muito seguro. Todos os agrotóxicos no galpão da minha
horta - inclusive os de Bt para pulverizar - portam um rótulo cheio
de advertências. Esse rótulo na minha embalagem de Bt diz, entre
outras coisas, que eu devo evitar a inalação do conteúdo ou o contato
com uma ferida aberta. Assim, se as minhas batatas New Leaf contêm um
agrotóxico registrado pelo EPA, por que não têm um rótulo desses?

Maryanski tinha a resposta. Ao menos para fins de rotulagem, minhas
New Leafs tinham se metamorfoseado novamente em alimento: a Lei de
Alimentos, Drogas e Cosméticos concede ao FDA jurisdição exclusiva
para a rotulagem de alimentos vegetais, e o FDA determinou que
alimentos biotec só precisam ser rotulados se contiverem alergênicos
conhecidos, ou se tiverem sido alterados "materialmente".

Mas, transformar uma batata num agrotóxico não é uma alteração
material?

Não importa. A Lei de Alimentos, Drogas e Cosméticos proíbe o FDA de
incluir qualquer informação sobre agrotóxicos em seus rótulos de
alimentos.

Eu pensei sobre as explicações honestas e impressionantes de
Maryanski na vez seguinte que encontrei com Phil Angell, o qual
novamente citou o papel crítico do FDA em garantir aos americanos que
os alimentos biotec são seguros. Mas desta vez ele foi ainda mais
longe. "A Monsanto não deveria ter que garantir a segurança dos
alimentos biotec", disse ele. "Nosso interesse é vender tanto quanto
possível. Garantir sua segurança é tarefa do FDA."

Encontrando com os Besouros

Minha vigília com o besouro do Colorado terminou na primeira semana
de julho, pouco antes de eu ter ido a Idaho visitar produtores de
batata. Vi um único besouro adulto pousar numa folha de New Leaf;
quando fui pegá-lo, ele caiu atordoado no solo. Ele havia sido
envenenado pela planta e logo estaria morto. As minhas New Leaf
estavam funcionando.

Do ponto de vista de um típico produtor de batatas americano, a New
Leaf se parece muito com um presente de Deus. E isso porque onde o
típico produtor de batatas está é no meio de um brilhante campo
verde, banhado com tanto agrotóxico que as folhas de suas plantas
carregam um lustro químico esbranquiçado, o que o incomoda tanto
quanto a nós. Ali, pelo menos, o cálculo não é complexo: um produto
que promete eliminar a necessidade de uma única pulverização de
agrotóxico é, simplesmente, uma dádiva econômica e ambiental.

Ninguém consegue ser um caso melhor para um cultivo biotec do que um
produtor de batatas, e é por isso que a Monsanto estava ansiosa para
apresentar-me a diversos grandes produtores. Como muitos agricultores
hoje em dia, os que eu conheci sentiam-se prisioneiros dos insumos
químicos necessários para extrair os altos rendimentos que devem
alcançar, para poder pagar pelos insumos químicos que eles precisam.
O balanço econômico é desalentador: um produtor de batatas no centro-
sul de Idaho gastará cerca de US$ 1 965,00 por acre (especialmente em
produtos químicos, eletricidade, água e sementes) para cultivar uma
planta que, em um ano bom, poderá lhe render talvez US$ 1 980,00.
Isso é o quanto um processador de batatas fritas pagará pelas 20
toneladas de batatas que um único acre do Idaho pode render. (O
dinheiro real na agricultura - 90 por cento do valor agregado aos
alimentos que comemos - está em vender os insumos para os produtores
e depois processar suas colheitas.)

Danny Forsyth, numa quente manhã, num café no centro de Jerome,
Idaho, colocou-me o desalento econômico para produzir batatas.
Forsyth, 60 anos de idade, é um homenzinho de olhos azuis com um rabo
de cavalo grisalho; ele cultiva 3 000 acres de batatas, milho e
trigo, e falou dos produtos químicos agrícolas como um homem
desesperado para se livrar de um mau hábito. "Nenhum de nós usaria se
tivéssemos qualquer escolha," disse ele com tristeza.

Pedi a ele que me relatasse a seqüência de uma safra. Tipicamente,
ela começa no início da primavera, com uma fumigação do solo; para
controlar os nematóides, muitos produtores de batatas pulverizam seus
campos com um produto químico, tóxico o suficiente para matar
qualquer traço de vida microbiana no solo. Depois, no plantio, é
aplicado no solo um inseticida sistêmico (como o Thimet); ele será
absorvido pelas mudinhas e, por várias semanas, matará qualquer
inseto que coma suas folhas. Após o plantio, Forsyth menciona um
herbicida - Sencor ou Eptam - para "limpar" todas as ervas invasoras
da sua lavoura. Quando as mudas de batatas atingem 13 centímetros, um
herbicida poderá ser pulverizado uma segunda vez, para controlar as
ervas.

Os produtores de Idaho, como Forsyth, cultivam em grandes círculos
definidos pela rotação de um sistema de irrigação por pivô,
tipicamente com 135 acres cada círculo. Eu os vi quando voava a 10
mil metros de altura, numa rede de verdes moedas, comprimidas num
deserto marrom. Os agrotóxicos e os fertilizantes são simplesmente
adicionados ao sistema de irrigação que, na propriedade de Forsyth,
retira a maior parte da água do vizinho rio Snake. Junto com a água,
as batatas recebem 10 aplicações de fertilizantes químico durante a
fase de crescimento. Um pouco antes das linhas se fecharem - quando
as folhas de uma linha de plantas alcançam a próxima - ele começa com
uma aplicação de Bravo, um fungicida, para controlar a requeima da
batata, um dos maiores inimigos da batata. (A requeima da batata, que
causou a fome da batata na Irlanda, é um fungo transportado pelo ar
que transforma as batatas armazenadas num mingau apodrecido.) Essa
doença é um problema tão sério que o EPA atualmente permite aos
agricultores pulverizarem fungicidas poderosos, que não passaram pelo
processo normal de aprovação. As batatas de Forsyth receberão oito
aplicações de fungicida.

Duas vezes a cada verão, Forsyth contrata um operador para pulverizar
contra os pulgões. Os pulgões são inócuos por si só, mas transmitem
um vírus enrolador da folha, que nas batatas Russet Burbank causa a
necrose reticular, uma mancha marrom que fará com que um processador
rejeite toda uma colheita. Aconteceu a Forsyth no ano passado. "Perdi
80 000 sacas" - 50 kg cada - "para a necrose reticular," disse. "Ao
invés de conseguir US$ 4,95 por saca, precisei aceitar US$ 2,00 por
saca do desidratador, e tive sorte em conseguir isso." Essa necrose é
um defeito meramente cosmético; mas pelo fato dos grandes compradores
como McDonald´s acreditarem (com boa razão) que nós não gostamos de
ver manchas marrons nas nossas fritas, agricultores como Danny
Forsyth precisam pulverizar suas lavouras com alguns dos mais tóxicos
produtos químicos em uso, inclusive um organofosforado chamado
Monitor.

"Monitor é um produto químico mortífero" , disse Forsyth. " Eu não
entro numa lavoura por quatro a cinco dias após ter sido pulverizada -
nem mesmo para consertar um pivô quebrado." Quer dizer, ele
preferiria perder todo um círculo pela seca, do que expor-se a si
mesmo ou um empregado ao Monitor, que descobriu-se causar danos
neurológicos.

Não é difícil ver por que um agricultor como Forsyth, lutando contra
estreitas margens de lucro e preocupado com produtos químicos,
mudaria para a New Leaf - ou nesse caso, uma New Leaf Plus, que é
protegida contra o vírus da folha enrolada e dos besouros. "A New
Leaf significa que eu posso evitar algumas pulverizações, inclusive
com o Monitor. Economizo dinheiro e durmo melhor. E, por acaso,
também é um tubérculo bonito." No entanto, as New Leaf não saem
baratas. Elas custam entre US$ 20,00 e US$ 30,00 a mais por acre,
em "taxas tecnológicas" para a Monsanto.

Forsyth e eu discutimos sobre agricultura orgânica, sobre a qual ele
tinha as coisas costumeiras para dizer ("Fica muito bem em pequena
escala, mas eles não precisam alimentar o mundo"), bem como algumas
coisas que eu nunca ouvi de um agricultor convencional: "Eu gosto de
comer alimentos orgânicos e, na verdade, eu os cultivo muito em casa.
As verduras que compramos no supermercado, nós ficamos lavando e
lavando. Não sei se deveria ficar dizendo isto, mas eu sempre planto
um pequena área de batatas sem nenhum produto químico. Ao final da
safra, minhas batatas da lavoura são boas para se comer, mas
quaisquer das batatas que eu arranquei hoje ainda estão cheias de
sistêmicos. Eu não as como."

As palavras de Forsyth voltaram à minha mente umas poucas horas
depois, durante o almoço na casa de um outro bataticultor. Steven
Young é um progressista e próspero produtor de batatas - ele chama-se
a si próprio de um homem do 'agribusiness'. Além dos seus 10 000
acres - da janela da sua sala de estar vê-se 85 círculos, todos
controlados por computador - Young tem participação numa bem sucedida
distribuidora de fertilizantes. Sua esposa preparou-nos uma grande
festa e depois que Dave, seu filho de 18 anos deu graças, com uma
oração especial para mim (eles são mórmons), ela passou uma grande
terrina com salada de batatas feita em casa. Quando me servia, minha
acompanhante da Monsanto perguntou o que é que havia na salada, com
um sorriso que sugeria que ela já sabia. "É uma combinação de New
Leafs e algumas Russets comuns", disse orgulhosamente nossa
anfitriã. " Arrancadas esta manhã."

Depois de conversar com agricultores como Steve Young e Danny
Forsyth, e de caminhar por campos tornados virtualmente estéreis por
uma chuva de produtos químicos, você poderia entender agora como a
batata New Leaf da Monsanto realmente parece ser uma dádiva
ambiental. Comparando-se com as práticas atuais, cultivar New Leafs
representa um modo mais sustentável de cultivar as batatas. Esse
avanço deve ser avaliado, é claro, levando-se em conta tudo o que
ainda não sabemos sobre as New Leafs - e umas poucas coisas nós
sabemos: como o problema da resistência do Bt que eu ouvi tanto no
Leste. Enquanto estava nos estados de Idaho e Washington, eu pedi
que os agricultores me mostrassem seus refúgios. Isso pareceu como
uma piada. "Acho que tem um refúgio por aí", um agricultor de
Washington me disse, apontando para uma lavoura de milho.

O contrato de cultivo da Monsanto nunca menciona a palavra "refúgio"
e apenas exige que os agricultores plantem um máximo de 80 por cento
de suas lavouras com New Leaf. Basicamente, qualquer lavoura não
plantada com New Leaf é considerada como refúgio, mesmo que tal
lavoura tenha sido pulverizada para matar todas as pragas ali
existentes. Os agricultores chamam uma área assim de campo limpo;
chamar de refúgio é um exagero, na melhor das hipóteses.

Provavelmente, não deveria ser uma grande surpresa que os
agricultores convencionais tivessem dificuldades em conceber a idéia
de refúgio de insetos. Insistir em refúgios reais e substanciais é
pedir-lhes que comecem a conceber suas lavouras de uma maneira
totalmente nova, menos como fábrica e mais como um ecossistema. Na
fábrica, o Bt é uma de muitíssimas "balas de prata" que funcionam por
um tempo e depois são substituídas; no ecossistema, todos os besouros
não são necessariamente maus, e as relações entre várias espécies
podem ser manejadas para se conseguir os fins desejados - como a
sustentabilidade do Bt por longo prazo.

Este é, naturalmente, o enfoque que os agricultores orgânicos têm
tido para com os suas áreas, e depois do meu almoço com os Youngs
naquela tarde, fiz uma curta visita a um bataticultor orgânico. Mike
Heath é um homem ríspido e lacônico com cerca de 50 anos; como a
maioria dos agricultores orgânicos que eu conheci, ele parece
dispender mais tempo no campo do que um agricultor convencional, e
provavelmente é o que acontece: os produtos químicos servem, entre
outras coisas, para poupar trabalho. Enquanto andávamos pelos seus
500 acres em uma velha 'pick-up', eu lhe perguntei sobre
biotecnologia. Ele demonstrou muitas reservas - era artificial, havia
muitas coisas desconhecidas - mas sua objeção principal para plantar
uma batata biotec era simplesmente que "não é o que os meus clientes
querem".

Essa posição foi impelida em dezembro passado quando o Ministério da
Agricultura propôs novas normas de "padrões orgânicos" que, entre
outras coisas, teria permitido que as culturas biotec tivessem um
rótulo de orgânico. Depois de receber uma avalanche de furiosas
cartas, o Ministério voltou atrás. (Como o fez a Monsanto, que pediu
ao Ministério da Agricultura dos EUA para engavetar o assunto por
três anos.) Heath sugeriu que a biotec, na realidade, poderia ajudar
os agricultores orgânicos, levando os preocupados consumidores a
consumirem produtos com o rótulo de orgânico.

Perguntei a Heath sobre a New Leaf. Ele não tinha dúvidas de que a
resistência chegaria - "os besouros serão sempre mais espertos do que
nós" - e disse que era injusto a Monsanto aproveitar-se da ruína do
Bt, algo que ele considerava como um "bem público".

Nada disso me surpreendeu em particular; o que me surpreendeu foi que
o próprio Heath tenha se valido de pulverizações de Bt apenas uma ou
duas vezes nos últimos 10 anos. Eu achava que os agricultores
orgânicos usavam o Bt ou outras substâncias tóxicas aprovadas, de
modo muito semelhante ao que os agricultores convencionais usam os
seus agrotóxicos, mas como Heath me mostrou na sua propriedade, eu
comecei a entender que a agricultura orgânica era muito mais
complicada do que substituir-se os maus insumos pelos bons. Ao invés
de comprar muitos insumos, Heath valia-se de longas e complexas
rotações de culturas para evitar o acúmulo de pragas específicas -
ele descobriu, por exemplo, que plantar trigo depois das
batatas "confunde" os besouros da batata.

Ele também planta fileiras de plantas que florescem nas bordas das
batatas - ervilhas ou alfafa, usualmente - para atrair os insetos
benéficos que comem as larvas dos besouros e os pulgões. Se não
houver benefícios suficientes com isso, ele introduz joaninhas. Heath
também cultiva oito variedades de batatas, com a teoria de que a
biodiversidade na lavoura, como na natureza, é a melhor defesa contra
os desequilíbrios no sistema. Uma ano mau para uma variedade será
provavelmente contrabalançado por um ano bom para outras.

"Posso comer qualquer batata dessa lavoura neste momento", disse,
arrancando Yukon Golds para eu levar para casa. "A maioria dos
agricultores não pode comer suas batatas arrancadas da lavoura. Mas
você não quer começar a falar de alimento sadio no Idaho."

As lavouras de Heath eram a antítese dos "campos limpos" e,
francamente, sua bordas cheias de ervas e paisagem de mosaico
tornavam-nas menos bonitas para se olhar. No entanto, era a própria
complexidade dessas lavouras - a mera diversidade das espécies, tanto
no espaço como no tempo - que as tornaram produtivas ano após ano,
sem muitos insumos. O sistema supria a maioria da suas necessidades.

Como foi dito, os insumos anuais de Heath consistiam em fertilizantes
naturais (composto e farinha de peixe), joaninhas e uma pulverização
com cobre (contra a requeima da batata) - umas poucas centenas de
dólares por acre. Naturalmente, antes que se possa comparar a
operação da propriedade de Heath com a de uma convencional, deve-se
somar mais trabalho (diversas culturas menores significa mais
trabalho; nas lavouras orgânicas também se deve controlar as ervas) e
tempo - a rotação orgânica típica recebe batatas a cada cinco anos,
em contraposição à convencional, com batatas a cada três anos.
Perguntei a Heath sobre seus rendimentos. Para minha surpresa, ele
estava conseguindo entre 300 e 400 sacas por acre - tantas quanto
Danny Forsyth e apenas um pouco menos do que Steve Young. Heath
estava também conseguindo quase duas vezes o preço por suas batatas:
US$ 8,00 por saca, de um processador orgânico que estava mandando
batatas fritas para o Japão.

De volta para Boise, eu pensava por que o estabelecimento de Heath
continuava sendo uma exceção, tanto em Idaho como em outros lugares.
Aqui estava um paradigma genuinamente novo que parecia funcionar. Mas
enquanto é verdade que a agricultura orgânica está ganhando terreno
(conheci um grande plantador em Washington que havia recém adicionado
diversos círculos orgânicos), poucos agricultores típicos que eu
conheci consideravam a agricultura orgânica como uma
alternativa "realista". Por um lado, sai caro a conversão: os
certificadores de produtos orgânicos exigem que um área deixe de usar
produtos químicos durante três anos, antes de poder ser chamado de
orgânico. Por outro lado, o Ministério da Agricultura dos EUA, que
estabelece as diretrizes para a agricultura americana, tem sido
hostil aos métodos orgânicos há muito tempo.

Mas, eu suspeito que os motivos reais sejam mais profundos, e têm
mais a ver com o fato de que, de muitas formas, um estabelecimento
como o de Heath simplesmente não se coaduna com as exigências de uma
cadeia alimentar corporativa. O tipo de agricultura de Heath não tem
muito espaço para as Monsanto deste mundo: os agricultores orgânicos
compram realmente pouco - um pouco de sementes, poucas toneladas de
composto, talvez uns poucos galões de joaninhas. Isso ocorre porque
os agricultores orgânicos enfatizam um processo, em vez de produtos.
Nem esse processo é prontamente sistematizado, reduzido a, digamos,
um regime de pulverizações como aquele que Forsyth delineou para mim -
regimes que quase sempre são projetados por companhias que vendem
produtos químicos.

A maior parte da inteligência e o conhecimento do local necessários
para administrar a granja de Mike Heath está na cabeça dele. Plantar
batatas convencionalmente exige também inteligência, mas uma grande
parte está nos laboratórios em lugares distantes como St. Louis, onde
ela é empregada para desenvolver sofisticados insumos químicos. Não é
provável que esse tipo de centralização da agricultura seja
revertido, por haver tanto dinheiro envolvido nela; além disso, é
muito mais fácil para o produtor comprar pacotes de soluções de
grandes companhias. "O Agricultor Está usando a Cabeça de Quem? A
Cabeça de Quem Está Usando o Agricultor?" é o título do ensaio de
Wendell Berry.

Os agricultores orgânicos como Heath rejeitaram também o que é talvez
a pedra fundamental da agricultura industrial: as economias de escala
que somente uma monocultura pode conseguir. A monocultura -
cultivando vastas lavouras com a mesma cultura, ano após ano - é
provavelmente a simplificação mais poderosa da agricultura moderna.
Mas a monocultura enquadra-se mal na maneira como a natureza parece
funcionar. De modo muito simples, uma lavoura de plantas idênticas
será intensamente vulnerável aos insetos, ervas e doenças. A
monocultura está virtualmente na raiz de cada problema que inferniza
o agricultor moderno e que virtualmente cada insumo foi destinado a
resolver.

Para colocar as coisas de modo simples, um agricultor como Heath está
trabalhando muito para ajustar suas lavouras e suas culturas à
natureza da natureza, ao passo que aqueles como Forsyth estão
trabalhando igualmente duro para ajustar a natureza às exigências da
monocultura e, além disso, às necessidades da cadeia alimentar
industrial. Lembro-me de ter perguntado a Heath o que havia feito a
respeito da necrose reticular, a desgraça da vida de Forsyth. "Isso é
realmente um problema com as variedades Russet Burbanks", ele
disse. "Assim, eu planto outros tipos." Forsyth não pode fazer isso.
Ele é parte de uma cadeia alimentar - no longínquo final da qual está
uma longa, perfeitamente dourada frita McDonald's - que exige que ele
plante Russet Burbanks e pouca coisa mais.

E é aí que entra a biotecnologia, para salvar as Russet Burbanks de
Forsyth e, se a Monsanto estiver certa, toda a cadeia alimentar das
quais elas são uma parte. A monocultura está em apuros - os
agrotóxicos que a tornam possível estão perdendo rapidamente, ou para
a resistência, ou para as preocupações cada vez maiores sobre seu
perigo. A biotecnologia é a nova bala de prata que salvará a
monocultura. Mas uma nova bala de prata não é um novo paradigma - ao
invés disso, é algo que permitirá ao velho paradigma sobreviver. Esse
paradigma irá sempre interpretar o problema nas lavouras de Forsyth
como um problema com o besouro do Colorado e não como um problema da
monocultura da batata.

Como as balas de prata que a precederam - os modernos híbridos, os
agrotóxicos e os fertilizantes químicos - as novas culturas biotec
provavelmente irão, conforme a propaganda, aumentar os rendimentos.
Mas, igualmente importante, elas também acelerarão o processo pelo
qual a agricultura está sendo concentrada em número cada vez menor de
corporações. Se aquele processo avançou mais lentamente na
agricultura do que em outros setores da economia, é somente porque a
própria natureza - sua complexidade, diversidade e simples
intratabilidade face aos nossos melhores esforços para controlar -
tem agido como uma trava sobre ela. Mas a biotecnologia promete
resolver este "problema" também.

Considere por exemplo, a semente, talvez o "meio de produção"
definitivo em qualquer agricultura. Apenas nas últimas décadas é que
os agricultores começaram a comprar suas sementes das grandes
companhias, e mesmo hoje, muitos agricultores ainda guardam algumas
sementes a cada outono, para replantar na primavera.

Uma prática econômica é a que permite aos agricultores escolherem
variedades particularmente bem adaptadas às suas necessidades; uma
vez que tais sementes são freqüentemente intercambiadas, essa prática
faz avançar a tecnologia de ponta da genética - na verdade, deu-nos a
maioria de nossas culturas. As sementes, por sua própria natureza,
não se prestam à acomodação: elas se reproduzem infinitamente (com
exceção de certos híbridos modernos) e, por essa razão, a genética da
maioria das culturas tem sido tradicionalmente considerada como uma
herança comum. No caso da batata, a genética das variedades mais
importantes - Burbanks, Superior e Atlantic - têm estado sempre no
domínio público. Antes de a Monsanto lançar a New Leaf, nunca houve
uma companhia de sementes multinacional no negócio de sementes de
batatas - não havia dinheiro nesse negócio.

A biotecnologia muda tudo isso. Ao adicionar um novo gene ou dois a
uma Russet Burbank ou Superior, a Monsanto pode, agora, patentear a
variedade melhorada. Legalmente, tem sido possível patentear uma
planta por muitos anos mas, biologicamente, tem sido quase que
impossível fazer valer o cumprimento dessas patentes. A biotecnologia
resolve parte desse problema. Um agente da Monsanto pode realizar um
teste simples em minha horta e provar que as minhas plantas são
propriedade intelectual da companhia. O contrato que os agricultores
assinam com a Monsanto permite que os representantes da companhia
realizem tais testes nas suas lavouras à vontade.

De acordo com "Progressive Farmer", uma publicação comercial, a
Monsanto está usando informantes e contratando detetives para fazer
cumprir seus direitos de patente; já foram iniciados procedimentos
legais contra centenas de agricultores por infringência a patentes.

Logo a companhia poderá não precisar disso. Espera-se que ela adquira
a patente de uma poderosa e nova biotecnologia chamada Terminator,
que, na verdade, permitirá à companhia fazer respeitar suas patentes
através da biologia. Desenvolvido pelo Ministério da Agricultura dos
EUA em parceria com Delta and Pine Land, uma companhia de sementes em
processo para ser adquirida pela Monsanto, o Terminator é um complexo
de genes que, teoricamente, pode ser aplicado em qualquer espécie
agrícola, que fará com que toda a semente produzida por tal planta
seja estéril. Uma vez que o Terminator torne-se o padrão da
indústria, o controle sobre a genética das plantas agrícolas
completará seu deslocamento, da lavoura do agricultor para a
companhia de sementes - à qual o agricultor não terá outra escolha, a
não ser retornar ano após ano. O Terminator permitirá a companhias
como a Monsanto privatizar uma das últimas grandes coisas comuns da
natureza - a genética das plantas agrícolas que a civilização vem
desenvolvendo nos últimos 10 000 anos.

No almoço em sua granja em Idaho, perguntei a Steve Young o que ele
pensava sobre tudo isso, especialmente sobre o contrato que a
Monsanto o fez assinar. Eu pensava em como o agricultor americano, o
herdeiro de uma longa tradição de independência agrária, estava se
ajustando à idéia de pessoas metendo o nariz em suas propriedades, e
sementes patenteadas que ele não poderia replantar. Young disse que
havia feito as pazes com a agricultura corporativa e, especialmente
com a biotecnologia; "Veio para ficar. É necessária, se vamos
alimentar o mundo, e vai nos levar ao futuro."

Então, eu perguntei se ele não via nada negativo na biotecnologia, e
ele fez uma pausa que pareceu bem longa. O que ele então disse
silenciou a mesa. "Há um custo," ele disse. "Ela dá à América das
corporações mais um laço para por ao redor do meu pescoço."

Colheita

Algumas semanas depois que cheguei em casa vindo de Idaho, arranquei
minhas New Leafs, colhendo um monte de batatas brancas com um visual
maravilhoso, inclusive algumas enormes. As plantas se comportaram
brilhantemente, assim como todas as minhas outras batatas. O problema
do besouro nunca tornou-se sério, provavelmente porque a diversidade
de espécies em minha horta (afora isto orgânica) atraiu insetos
benéficos suficientes para manter os besouros em cheque. No momento
em que eu colhi minha produção, a questão de comer as New Leafs
estava lançada. O que eu pensava a respeito da pertinência do
processo que declarou estas batatas seguras não importava. Não só
porque eu já tinha comido um pouco de salada de batatas New Leaf na
casa dos Young, mas também porque a Monsanto, o FDA e o EPA tiraram,
há muito tempo, a decisão de comer ou não uma batata biotec das
minhas - das nossas - mãos. É bem provável que eu já tenha comido New
Leafs, no McDonald's ou em uma embalagem de chips Frito-Lay, apesar
de que, sem um rótulo, não há maneira de se saber com certeza.

Então, se eu já tinha comido New Leafs, por que eu continuava
evitando comer as minhas? Talvez porque fosse agosto, e havia muitas
batatas frescas mais interessantes disponíveis - variedades pequenas
com uma polpa densa e suculenta, Yukon Golds que pareciam já terem
sido passadas na manteiga - que a idéia de cozinhar com uma variedade
comercial suave como a Superior parecia fora de questão.

Também havia mais uma coisa: eu telefonei para Margaret Mellon, da
Union of Concerned Scientists, para pedir seu conselho. Ela é bióloga
molecular e advogada, e uma liderança na crítica à agricultura
biotec. Ela não podia oferecer nenhuma evidência científica
consistente que as minhas New Leafs não eram seguras, embora ela
enfatizasse quão pouco nós sabemos sobre os efeitos do Bt na dieta
humana. "Essa pesquisa simplesmente não foi feita", disse ela.

Eu pressionei. Existe alguma razão para que eu não deva comer estas
batatas?

"Deixe-me inverter isso. Por que você quereria comê-las?"

Era uma boa questão. Então, por um tempo, eu mantive as minhas New
Leafs em um saco na varanda. Levei o saco comigo nas férias, pensando
que talvez eu fosse experimentá-las, mas o saco voltou para casa
intocado.

O saco ficou na minha varanda até o outro dia, quando fui convidado
para uma janta-piquenique de final de verão na praia da cidade.
Perfeito. Eu me comprometi a preparar uma salada de batatas. Eu
trouxe o saco para a cozinha e coloquei uma panela de água sobre o
fogão. Mas, antes que fervesse, fui assaltado por esse pensamento: Eu
teria de dizer às pessoas no piquenique o que elas estavam comendo.
Estou certo (bem, quase certo) que as batatas são seguras mas, se a
idéia de comer alimentos biotec sem sabê-lo me incomodava, como é que
eu poderia pedir que meus vizinhos o fizessem? Assim, eu iria contar-
lhes sobre as New Leafs - e então, sem dúvidas, levar de volta para
casa uma grande saladeira com salada de batatas intocada. Certamente
haveria outras saladas de batatas no piquenique, e quem, podendo
escolher, iria algum dia optar pelo prato com as batatas biotec?

Assim, lá estão elas, um saco de batatas biotec na minha varanda.
Tenho a certeza de que elas são absolutamente boas. Passo pelo saco
todos os dias, pensando que eu realmente deveria provar uma, mas
estou começando a pensar que o quê eu mais gosto nessas batatas
biotec em particular - o que as torna diferentes - é que eu tenho
esta escolha. E até que eu conheça mais, eu escolho não provar.

Domingo, 25 de outubro de 1998
Copyright 1998 The New York Times Company
Mensagem de um especialista em regulamentação governamental:

Este é o começo da discussão americana sobre os alimentos
geneticamente engenheirados! É o assunto da capa da revista
dominical do NYTimes, de 25 de outubro, por Michael Pollan, e é
aquilo que estivemos esperando. Uma cobertura profunda dos assuntos,
de uma maneira tão absorvente que mesmo os preguiçosos vão ler. Os
desenhos da capa são muito atraentes: em um fundo branco, uma
carrancuda batata "Frankenstein", completa, com parafusos e uma
grande cicatriz na testa, aparece pendurada a um capacete metálico
ligado à eletricidade. E, apesar disso é engraçado, por que é um Sr.
Franken Cabeça de Batata trapalhão. Abaixo dessa criatura lê-se, em
letras grandes: "Frita, amassada, ou energizada com DNA? As batatas
geneticamente engenheiradas e outras culturas já cobrem 45 milhões
de acres de solo arável nos Estados Unidos. A biotecnologia é o
segredo da agricultura mais cuidadosamente cultivado - e, talvez, a
raiz da próxima crise agrícola."

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