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PROCESSO SELETIVO O número de mulheres por turma é definido pela Reitoria (Dean) de Admissão da Academia e é baseado no fluxo de carreira

dos Oficiais. O percentual varia entre quinze e vinte por cento e é de conhecimento dos candidatos. Algumas características do processo: • As mulheres não podem estar grávidas. • Não há concurso. O candidato deve fazer o Scholastic Assessment Test (SAT-I) ou o American College Test (ACT), algo semelhante ao Exame Nacional do Ensino Médio. • Indicação. O candidato deve solicitar por carta a diversas autoridades (Presidente e VicePresidente dos Estados Unidos inclusive) indicação para a Academia. • A comissão (board) de admissão avalia os resultados do candidatos no SAT-I ou no ACT, a quantidade e a qualidade das indicações e decide que candidatos seguirão para os exames de saúde e testes de educação física. REGRAS DE COMPORTAMENTO As normas que regem a vida e a conduta dos Aspirantes na Academia são as Instruções do Comandante do Corpo de Aspirantes (ComCA – DANT na Academia, corruptela de Commandant) em formato semelhante ao de uma Ordem Interna, sendo o Regulamento dos Aspirantes (Midshipmen Regulations – MidRegs) uma delas. Instalações Não há camarotes mistos mas pode haver em um mesmo corredor camarotes de homens e de mulheres. Se, por qualquer motivo, Aspirantes de diferentes sexos precisam estar no mesmo camarote, a porta deve permanecer aberta. Os sanitários são separados. Os camarotes possuem pia e chuveiro. Relacionamentos As Forças Armadas americanas têm regras bastante rígidas de confraternização entre militares, independentemente de sexo. Exemplos da aplicação no Corpo de Aspirantes: • Aspirantes do 1º ano não podem namorar Aspirantes das outras turmas • Aspirantes de uma mesma companhia não podem namorar • Aspirantes devem manter relacionamento estritamente profissional com Oficiais e Praças da Academia e das OM onde realizem estágios, exceção feita aos Segundos-Tenentes recém nomeados que não exerçam atividades de supervisão junto ao Corpo de Aspirantes. • Aspirantes não podem se dar as mãos, se abraçar ou trocar beijos na Academia ou quando em uniforme. • Aspirantes não podem se sentar ou deitar na mesma cama na Academia. • Aspirantes não podem demonstrar afeição de forma imprópria em público. • Aspirantes não podem se casar ou já serem casados. Paternidade e gravidez A Academia trata, em termos administrativos e legais, da mesma forma os Aspirantes dos diferentes sexos caso eles venham a ter filhos com a óbvia ressalva do período de gestação para as mulheres. • No primeiro dia da adaptação, todas as candidatas devem confirmar que não estão grávidas e os candidatos que não possuem obrigações de paternidade.

O regulamento deixa explícito que gravidez e paternidade são incompatíveis com o serviço como Aspirantes. Tal situação, quando ocorrer, deve ser imediatamente participada ao Departamento de Saúde ou ao Imediato do Corpo de Aspirantes que encaminharão o caso ao Centro de desenvolvimento dos Aspirantes (comparável aos Serviços de Orientação Educacional e Pedagógica) É permitido aos(às) Aspirantes nesta situação solicitar baixa. Caso o(a) Aspirante decida continuar na Academia, deve solicitar licença por um período não superior a um ano e assinar um affidavit (declaração por escrito com efeito de juramento, o não cumprimento é encarado como crime de perjúrio) onde fica estabelecido que os cuidados com a criança não são de responsabilidade do(a) Aspirante e que não haverá qualquer interferência externa na sua vida acadêmica oriunda do fato ser mãe(pai). A Academia se reserva o direito de excluir o(a) Aspirante que não cumpra o declarado. A Aspirante grávida, em seu período de licença, terá assistência médica garantida.

Discriminação À exceção do Treinamento Físico Militar (indíces), do apoio em saúde e da impossibilidade da opção de serviço para submarinista, não há diferenças marcantes de tratamento entre os Aspirantes masculinos e femininos. Há uma Ordem Interna que define os procedimentos para que o Corpo de Aspirantes cumpra, no que couber, o Manual de oportunidades iguais da Marinha americana. Para este assunto há um programa conduzido por um conselho de assessoria ao ComCA composto por um coordenador, pelo assessor jurídico do Corpo de Aspirantes e por um representante de cada Batalhão. Ofensas e crimes sexuais O Corpo de Aspirantes tem um Programa de Proteção às Vítimas de Abuso Sexual (Sexual Assault Victim Intervention Program - SAVI). Uma Capitão-Tenente (CT) é encarregada e assessorada por quatro CT femininas comandantes de companhia . Cada Batalhão e cada Companhia possui uma Aspirante do quarto ano responsável pelo adestramento deste assunto e por receber eventuais denúncias. Este grupo guarnece um detalhe de serviço específico com linhas telefônicas sigilosas, sendo uma delas de discagem gratuita (1-800). As investigações de supostos casos não são conduzidas pela Academia e sim por um grupo enviado pelo Serviço de Investigações Criminais da Marinha (Naval Criminal Investigative Service - NCIS). Os julgamentos são baseados no Código Uniforme de Justiça Militar (Uniform Code of Military Justice – UCMJ) e realizados sob Corte Marcial Geral, reservada para os crimes considerados graves. OUTRAS OBSERVAÇÕES DE INTERESSE Para garantir o cumprimento dos regulamentos a Academia conta com o conceito de Honra (“Os Aspirantes não mentem, não trapaceiam e não roubam.” na versão resumida). À primeira vista parece algo abstrato mas, segundo observações dos Aspirantes brasileiros em visita à Academia em janeiro deste ano, demonstra ser eficiente nos casos graves. As contravenções consideradas violações a este conceito devem ser prontamente denunciadas e serão investigadas pela Comissão da Honra, formada por Aspirantes, que envia um relatório ao ComCA. Caso este considere que o relatório foi justo, o acusado será recebido em audiência formal para a decisão sobre sua permanência na Academia.

A política do Corpo de Aspirantes quanto à discriminação, às ofensas e aos crimes sexuais é a de tolerância zero e conta com a participação direta do ComCA e do Superintendente na sua disseminação nas ocasiões em que se dirigem aos diferentes setores da Academia. As eventuais ocorrências e desdobramentos são descritos de forma honesta e até onde é possível fazê-lo sem comprometer os direitos constitucionais dos envolvidos. Mesmo assim, quando ocorre alguma denúncia, o primeiro alvo da mídia dita investigativa é a eventual falha na política ou em sua implementação. A estrutura da justiça militar nos Estados Unidos parece favorecer a manutenção da disciplina sem o receio de ações oportunistas na justiça comum. Por exemplo: o último caso de suspeita de estupro não resultou na condenação do acusado pela Corte Marcial mas a Academia pôde excluí-lo por “conduta incompatível com os padrões da Academia e da Marinha” e exigir o pagamento de US$ 120.000 ou servir três anos como marinheiro. A exclusão foi endossada pelo Secretário da Marinha. SÍNTESE DAS EXPERIÊNCIAS ADQUIRIDAS A primeira turma mista foi a que ingressou na Academia em 1976 e se formou em 1980 (class of 80). Em seu primeiro ano na Academia, esta turma foi acompanhada através de um estudo encomendado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Pessoal da Marinha norte-americana. A principal conclusão do trabalho foi a de que deveria ser proporcionado um ambiente no qual ficasse claro que as mulheres não possuíam tratamento diferenciado ou status especial. A percepção de que isto estava ocorrendo pelos Aspirantes do sexo masculino dificultou a integração da turma no período do estudo. Esta recomendação foi endossada pelos relatórios da Comissão de Visitantes da Academia, composta por um Representative (algo como um Deputado Federal) e por um Senador entre outros, de 1987, 1990 e 1995. Outro tópico bastante enfatizado nos relatórios pesquisados e motivo de estudo específico, requisitado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1994, é o que trata das ofensas e dos crimes sexuais. Naquela ocasião cinqüenta por cento das Aspirantes disseram ter passado, pelo menos uma vez, por algum tipo de constrangimento de natureza sexual. As recomendações oriundas destes estudos foram seguidas pela Academia e se encontram claramente refletidas nas regras de comportamento citadas anteriormente. REFERÊNCIAS COMDTMIDNINST 1752.1B, SAVI Program COMDTMIDNINST 5354.1, Equal Opportunity Program for Brigade of Midshipmen COMDTMIDNINST 5400.6E, Midshipmen Regulations Manual Woman at the Naval Academy at the Naval Academy: the first year of integration, Naval Personnel Research and Development Center, 1978. Integration of women in the Brigade of Midshipmen, USNA Women Midshipmen Study Group, 1987. Assimilation of women in the Brigade of Midshipmen, USNA Women Midshipmen Study Group, 1990. Report of the Committee on Women’s Issues, USNA Board of Visitors, 1990. Report to Congressional Requesters – More actions needed to eliminate sexual harassment, U.S. General Accounting Office, 1994. Status of women in the Brigade of Midshipmen, USNA Women Midshipmen Study Group, 1995