AS BASES FILOSÓFICAS DA MAÇONARIA

Irm\ João Alves da Silva* *Da Academia Maçônica de Letras de Alagoas - Gr\ 30 - membro Honorário da Academia Maçônica de Letras, Ciências e Artes no Nordeste do Brasil. Sumário 1 - Introdução 2 - A Moral teórica ou perspectiva filosófica da moral 3 - A Moral social ou perspectiva sociológica da moral 4 - Diferentes dimensões da religiosidade 5 - Conclusões para a Maçonaria 6 - Da ordem Cósmica à ordem dos Espíritos 1 - INTRODUÇÃO

A definição filosófica da Maçonaria transcende sua definição jurídica, ou sociológica, como um sinceríssimo de filosofias espiritualista, um sinceríssimo cultural, o mais universal que podemos identificar, porque se trata de um complexo de aculturação dos mais ricos que se conhece, revelando conteúdos mágicos, formas ritualísticas e também racionalizações de uma instituição complexa embora de objetivos bem definidos. Eis ai uma nossa caracterização bem pessoal através da qual procuramos situar as bases filosóficas de um estilo de pensar e um estilo de agir. São tantas as versões sobre as origens da Maçonaria que isso justifica uma grande dificuldade para situá-la numa posição. Em primeiro lugar, parece-nos que aqueles que a situam na Inglaterra, ou na França fazem uma pesquisa menos profunda e não se adentram na Maçonaria Real, esotérica e só apanham poucos aspectos históricos da instituição, numa visão superficial. Deslumbram-se com a Maçonaria esotérica, exterior, e sem intuição filosófica, anatomizam a instituição nos seus objetivos visíveis e mais superficiais. Só pode entender o que é Maçonaria quem entende sua filosofia, ou a rigor quem é conhecedor das filosofias orientais, todo teístas, quem a procura nos contextos culturais variados onde ela assume uma fisionomia particular embora mantendo sempre uma perspectiva do universal.

Maçonaria é universalismo no melhor sentido do termo, que reúne diferenças étnicas, religiosas, sócio-culturais, idiossincrasias raciais e de ordem psicológica numa convivência criadora da tolerância, sua grande virtude. Daí que aceita grupos religiosos diferentes no seu seio, livros sagrados diversos conquanto que se mantenham um único postulado filosófico e também tornando dogma da instituição: a crença em Deus, seja elea sua forma cristã ou outra forma monoteística. Mantém um idiossincrasia contra o politeísmo e sustenta, por coerência, uma antítese, p. ex., com Marxismo histórico e dialético. Ao pesquisarmos sobre origens da Maçonaria, a seguir, constatamos na diversidade dos pontos de vista a dificuldade de situar uma filosofia maçônica única. É ela uma convergência de filosofias espiritualistas orientais, que admite a tolerância e que cultiva um humanismo universalista de objetivos não só transcendentais mas também imanentes no processo histórico traduzidos na solidariedade. A Maçonaria é uma sociedade secreta, de origem antiga possuindo diferentes graus iniciáticos e rituais. Exemplo desse tipo de sociedade, formando um hipersistema, é o Grande Oriente do Brasil, cuja constituição de 1977 tem por pressuposto a Constituição de Anderson, de 1723, da Inglaterra, sendo uma instituição de objetivo universalista. Define-se então como "uma instituição maçônico federativa, simbólica, regular e legítima que preside os grandes Orientes estaduais e as Lojas Simbólicas" (cap. II-1). No seu artigo primeiro, define-se como "uma pessoa de direito privado, fundado em 17 de junho de 1822". A definição filosófica da Maçonaria encontra-se no item I, Titulo I, cap. 1: "A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, educativa, filantrópica e progressista", que proclama a prevalência do espírito sobre a matéria, pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade", sendo "seus fins supremos a liberdade, a igualdade e a fraternidade". Numa determinada fase histórica da maçonaria, ela respira a chamada atmosférica da época"- a do Iluminismo, ou racionalísmo dos "Enciclopedistas" , agindo como instituição social e política, comprometendo-se com as lutas sociais, como a independência dos povos, a luta contra a escravidão e o despotismo, e, aqui, assume uma forma de filosofia política que marcou a história dos povos. Define-se mais como Lojas básicas, mas não descubra, nos graus filosóficos, do cultivo de suas funções profundas secretas e religiosas enigmáticas. As origens da Maçonaria Charles Bernardim (notas para servir à história da Maçonaria em Nancy, 1909) encontrou na sua pesquisa 39 opiniões diferentes sobre as origens da Maçonaria, as quais pode ser assim discriminadas (em número de vinte e duas, dentre as principais): 1. origem ao período gótico

2. origem na Inglaterra 3. origem nos partidários dos Stuart 4. origem da França 5. origem na Suécia 6. origem na China 7. origem no Japão 8. origem em Viena 9. origem em Veneza 10. origem nos jesuítas 11. origem nos antigos rosa-cruzes 12. origem nos templários 13. origem nos Druidas 14. origem no Egito 15. origem na Pérsia 16. origem em Zoroastro 17. origem nos magos 18. origem na Ordem dos Assassinos 19. origem nos maniqueus 20. origem nos pedreiros que construíram o Templo de Salomão 21. origem nos que construíram a Torre de Babel 22. origem nos sobreviventes do Dilúvio A esse número pode-se acrescentar mais o seguinte: 23. origem em Jesus Cristo 24. origem na Índia antiga, etc.

9). O jusnaturalismo grociano opõe-se ao jusnaturalismo antigo porque é racionalista . E racionalista é a posição de Locke na Inglaterra. Depois.. Também in "Carta 7ª" (341). Cayre ( Les sources de l’amour divin) caracteriza a iluminação como "Líntuition des primiéres idéias. está expresso: "Porque em ti está o manancial da vida: na tua luz veremos a luz". Nos "solilóquios" (P. aparece uma teoria da Iluminação. compara Deus ao sol dos espíritos. A teoria de Rousseau é uma explicação iluminista da realidade social. . en tant quélle est une participation à la lumiére de Dieu". justificativa do individualismo. 6. e F...9): "Porque o fruto da luz consiste em toda bondade e justiça e verdade". A sabedoria seria um processo de iluminação ao Divino. 877). As idéias iluministas modernas apareceram na Alemanha através da "corrente" Sturm und Drang" (tempestade e assalto) com Goethe. fonte da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Soleil des esprits) reúne os textos agostinianos sobre o problema.L. manifesta com os Enciclopedistas. E o Iluminismo moderno tenta "espancar as trevas medievais". Depare-se. R. a ciência da alma é como a luz para os olhos cegos". Eis a chamada secularização. Lessing. o laicismo moderno contra a sacralização da atitude anterior. O filósofo Inglês Locke é um dos grandes teóricos da LIBERDADE . podendo suas origens ser pesquisadas em Platão e na Bíblia. XXXII. em Santo Agostinho. O Primeiro. a de Locke e todos os "iluministas" ingleses e franceses.22) : "São os olhos a lâmpada do corpo". No "De Civitate dei" (415) surge o "verbo como a luz da alma".O "Iluminismo" é um sistema de idéias cuja idéia nuclear é o primeiro da razão na interpretação dos fatos humanos. portanto. Ef. Schiller. uma "Ilustração" antiga e outra moderna. Na Bíblia (salmos. XXXVI. não se trata apenas de um movimento característico do século XVIII. Matheus (6. na REPÚBLICA (508) escreve que "A luz e a visão se parecem com o sol . Paulo (Ep. Para nós. fogo interior que brilha fora como se fosse um relâmpago". em TIMEU (69) fala do "O FOGO" do olho. col. e. Jolivet (Deiu.adotado pela MAÇONARIA em sua filosofia política.

numa DEFINIÇÃO que é psicológica e também política: "A liberdade é . ao lado do próprio corpo. a liberdade é não só meio mas condição da existência humana: condição e fundamento da verdadeira felicidade. para vender sua fragilidade. 21. Define o filósofo a liberdade do seguinte modo. a lealdade e a fraternidade. social. cujo único Dogma religioso e. No primeiro caso. é a crença num Deus único. O conceito de felicidade em locke tem algo de estorrico. o entendimento. o poder do homem de realizar sua ação particular segundo sua própria vontade" ( Essay. posteriormente. ademais. profundo. que se expressa em parte no Liberalismo. Se a liberdade é algo inerente à natureza humana que como tal deve ser respeitada. e. E. a lei positiva. EM CONCLUSÃO : A Maçonaria esotérica (exterior). adotada pelos filósofos enciclopedistas franceses. Outra definição importante do autor é a lei. Essa conclusão da ordem da filosofia política lockiana. 14/27).. mas cuja conseqüência a nosso ver atingem a teoria social e atual superadora do próprio liberalismo econômico e político. filósofo alemão. como meio para se atingir a felicidade. Daí que a liberdade pode coexistir com a lei . O homem terá sempre de construir ou reconstruir.como exigências da natureza humana. portanto princípio filosófico da Maçonaria universal. o pensamento lockiano político social é racionalista cristão constitucionalista. a inquietude. Conceitua. a sociabilidade. nessa circunstância. diz que a liberdade está contida entre "os poderes humanos". também dogma jurídica. ela defende a solidariedade. em termos de filosofia social e política como o Liberalismo e do ponto de vista esotérico (interior. A Maçonaria tem uma filosofia que se baseia em postulados morais e postulados religiosos. no entanto o filósofo fala também da imperfeição humana: "essas pobres criaturas finitas". todas deístas do tipo monoteísta. secreto) como um Sincretismo religioso de religiões orientais mais antigas. pelos positivistas é princípio político da Maçonaria. de modo idêntico a Kant. O homem realiza-se uma ordem ditada pela razão.Baseando-se na chamada "Lei da Natureza" . verdadeiramente ecumênico. Finalmente. cap. define. É coerente sua teoria político-moral com sua teoria do conhecimento.. pois o homem pela liberdade está sujeito ao bem e ao mal. a liberdade como o fato moral. o que justifica um Sincretismo filosófico Universalista. arts. . a viga mestra dos sistemas jurídicos modernos.

e este.tornada instituições jurídica. ao longo de sua história.a família maçônica. e. embora tenha havido sempre intuição do segundo sentido. para o caráter. Em verdade. ut in ea penitus reconditos mores effingeret. tradução feita do grego por Cícero. particularmente. Na Maçonaria pronunciando o Juramento em Deus e conseguem viver em família . e desta.No segundo caso. Definimos a Maçonaria como o principal modelo de Ecumenismo... a marca definitivamente a Maçonaria . religiosos e finalmente filosóficos. de fundo filosófico religioso .ex.que direi da doçura do seu caráter? .tende a conjurar-se na evolução em primeiro lugar das sociedades secretas em geral.A Moral Teórica ou Perspectiva Filosófica da Moral O conceito de Moral: O termo "moral" deriva-se do adjetivo latino "maralis" . mas nunca de natureza doutrinária. que se revela geral em nível dos sentimentos.característica de todas as religiões antigas . Na língua grega existiam duas formas "êthos" = conduta caráter. Essa polivalência do termo grego não encontra tradução na língua latina. e.II ): "Qui dicam de moribus facilm’s? . Poder-se-ia dizer talvez que a Maçonaria teria ocorrido. sempre de caráter político ou administrativo. Em Cícero. no qual a vontade seria relevante. e "ethos" = costume. 26-27): "Natura. Portanto: evolui do sentimento individual ao sentimento social. não encontramos outro fato histórico de verdadeiro Ecumenismo: indivíduos de diferentes religiões ingressam ou são iniciados. a ponto de ferir seus postulados morais. algumas dissenções.algo conquistado na própria experiência pessoal. do substantivo "mos" = costume. ela propugna. speciem formavit oris. ou mesmo liturgias de importância. a moral como "aentimentos" aparece do De Legibus( I. uma vez que persistiu apenas o segundo sentido. pelos atos esotéricos e litúrgicos de suas reuniões. sofrendo então em empobrecimento semântico. finalmente no nível do "caráter". O conceito grego tem uma longa história com a conotação de "modo de ser".. No sentido do costume estaria num nível mais elevado. principalmente neste século. a começar com o juramento da crença em Deus e no ato iniciatório. como "pathos". E a conotação do caráter" in De Amicitia ( III. Dai dizermos com justa razão que a Maçonaria constitui em perfeito sistema ecumênico. 2 . muito antes que religiões o tenham pensado. p. De forma que o sincretismo filosófico de diversas doutrinas Orientais. onde não há diferenças doutrinarias.

201) diz que "A fé não suprime a consciência torna-se. haveria que reconhecer que cada uma deles estaria justificando uma opinião". Daí que "agir segundo a fé ou segundo a consciência é. Os teólogos morais distinguem várias formas de consciência moral: perplexa.9). um foco de luz. q. indo de padrões rígidos ou limitados para novos padrões superiores de entendimento e de comportamento. O mistério da fé se encerra numa "consciência pura" ( 1 Tim. que o maior Teólogo moral do nosso tempo que é BERNARD HAERING (A lei o Cristo. resultaria com referência a uma questão determinada. ela própria. não menos que a razão da qual é expressão típica". Consciência e fé agem em íntima conexão: a fé aclara a consciência moral e a "boa consciência" protege a fé. A LEI MORAL KANT.ARISTÓTOLES valoriza a moral de tal modo que lhe dedica três obras. SANTO TOMÁS DE AQUINO (Suma Teológica. que "A consciência moral é susceptível de contínuo progresso. 9. laxa. Iiae. onde seu conceito de ciência máxima moral" se torna o fundamento da política .1)". Assim. 3. Tão importante é a "consciência moral". I. escrupulosa. do psiquismo. 581) percebe claramente a diferença entre os termos gregos um grupo cultivando valores e padrões estratificados e considerados superados os injustos."a ciência máxima ordenada".. e como não houvesse uma estância superior a ela. "se a justiça e os demais valores jurídicos fossem meramente reais. certa e incerta. puras realidades psicológicas. É o conflito e sua superação. Não havendo portanto distinção do objeto entre elas. que marca um esforço para uma nova etapa ascensional da humanidade. Ia . para o cristão. coerente alias com esse ponto de vista. por sua vez.. entre o que Bergson chama de Moral "aberta "e moral "fechada". 243) afirma. autor de um importante Dicionário de Teologia Moral (p. a mesma coisa. tanto a moral quanto a política são ordenadores do supremo bem. A consciência moral é um dado individual e ao mesmo tempo social. 403) argumenta. São Paulo de um" testemunho da consciência no Espírito Santo (rom. cada um deles se fundaria no fato de sua própria consciência subjetiva. O Cardeal FRANCISCO ROBERTI. na Crítica da Razão Prática (conclusão) estabelece a dicotomia leis naturais e leis morais. nesta bela construção estética: . Recaséns Siches (filosofia do Direito. que. Daí se justifica também o progresso da humanidade.

ex. e evidente atos."Duas coisas dão ao espírito crescente admiração e respeito.fato de conhecimento das religiões e também da psicologia. A consciência psicológica capta fatos.capaz de projetar-se na consciência social e tingir-se sob a forma de consciência jurídica. que . veneração sempre renovada quanto com "‘thos" e "êthos". a consciência e sua valorização de determinados. Quando os sociólogos.. Propondo soluções. A primeira capta valores e é normativa. A constatação de uma consciência moral é um fato evidente. que se distingue da consciência psicológica. o autor diz que "a objeção é válida dando "mos" o significado de costume e que todo ato de virtude pode fazer-se por eleição e que finalmente o mover-se como por natureza a conformar-se com a razão é próprio das virtudes que radicam na parte apetitiva". inclinação natural". contrastando com a moral habitual e os preconceitos religiosos farisaicos. É que a "interioridade" e a "exterioridade" não apresentam caráter estático e sim dinâmico. SUAREZ (De legibus ac Deo Legislatore. como DURKHEIM. começaram a enxergar na moral sua socialidade. distinguidos o "costume de direito" do "costume de fato". 1) emprega o termo "mos" no sentido de prática. houve grande oposição de parte de alguns que só admitiam como algo interior. Daí é que se justifica a moral evangélica. Em muitos momentos históricos a consciência individual foi portadora da consciência moral opondo-se à consciência social de mais freqüência e aplicação delas se ocupa a razão: . VI. a qual ocorre nos atos livres. Mas em verdade a própria Bíblia já mostrava sua identificação com a caridade: algo que se exterioriza. diríamos que aí está a presença de remorso . que pode coincidir ou não com um padrão aceito pela consciência social. teleológica. para diferencia-lo do direito como algo exterior. mesmo que isso não seja a concordância com um padrão social. e sua repulsa. o sentimento de dignidade. esclarecendo que "Mos" pode significar duas coisas: costume e virtude moral. Aí estas diferenças. Argumentando sobre a existência de uma "consciência moral. p. o que pode facilitar a interpretação atualizante do problema moral. A CONSCIÊNCIA MORAL Há uma consciência moral.

de forma protótipo. as jurídicas. Fazemos desta definição genial a nossa opção. A lei moral (no sentido de norma) é ao mesmo tempo imanente e transcendente. a lei moral. A lei moral. na acepção de fio diretor. o céu estrelado. . e nível de demonstração. algo que me foi dado com minha natureza". sendo efetivamente algo de minha natureza. Pléiade. MARITAIN. A CERTEZA MORAL A certeza moral não se caracteriza pelo rigor da certeza lógica. en la supposant moins certaine qu’elle n’est. 1. je oefter zund anhaltender sich das Naahdenken damit deschaeting: der bestirrte Himmuel uebermir un das moralische Gesetb inmir" (p. as morais. de la phlosophie Morale" (9128) procura distinguir norma (lei humana) da lei natural. a da liberdade. La prémiére est appelée morale. a noção de norma não inclui a de preceito ou mandamento. que admite que a crença e a convicção integram a certeza moral. c’est-àdire suffisante est pour régler nos moeurs. preceito ou mandamento". je distinguerai ici deux sortes de certitudes. J. Um dos grandes autores sobre o assunto é o filósofo francês Ollé-Laprune (De la certitude Morale. 205) conceitua a certeza moral do seguinte modo: "Mas néanmoins. 186). de medida.a que regula os costumes. referindo-se as leis humanas. como a intuição e a fé. a da natureza. É um convite imperioso no sentido de se preservar a liberdade". mas supõe noutras fontes de convicção. SERTILLANGES . e dentro de mim. que nous sachions qu’il se peut faire. A lei natural. dirige-se à liberdade. diz que elas são como referencia ao exterior. o que seria". A norma ou regra. No primeiro caso. O grande Teólogo moderno HAERING (A Lei Moral. qu’elles soient fausses" (oavres. par. partindo do objeto. 297) define a lei moral desse modo: "Uma norma moral é ou não uma coação arbitrária contra a liberdade humana. tais como as gramáticas. ou aussi grande que celle des choses dont nous n’avos point coutume de douter touchan la conduite de la vie. a fim que se ne fasse point de tort à la vérite. procuramos interpretar. . DESCARTES (Principes. de norma piloto. a certeza moral .por sobre a minha cabeça. 1980). absolument parlant.Neuf leçons sur les notions prémieres. no sentido de regra que traça linha. "(Zwi Dinge erfuellen das Gemuet mit immer nuer zunehmender Bewunderung und Ehrfurchr. e temos as leis estéticas com essa conotação. a conduta humana. Portanto. é necessária. 949). É um apelo que.La Philosophi Morales de Saint Thomas d’Aquino (95). é algo diferente da norma ou regra no sentido de lei. física): Em sentido estrito.

investiga o conceito da moralidade como fundamento da legalidade. 16) fala de uma "principium cettitudinis moralis". 1064) aborda os graus de certeza e da incerteza. para chegar à certeza matemática. de Aristóteles até o umbral do pensamento moderno. conhecido por testemunho dos homens"(p. (p. 3 . Editora Herder.A MORAL SOCIAL OU PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA DA MORAL MORAL E MORALIDADE A conceituação clássica da moral foi realizada sob o crivo puramente filosófico. e não apenas da certeza moral. ou teológico. I. que. S. . Porque o "espinho" é de toda a certeza. E outro alemão do gênio. do cardeal Francesco Roberti deparamos uma definição extensa e descritiva: "A certeza moral fundamenta-se na persuasão firme e racional acerca da existência de um fato contigente. trad. 233). Em matéria de teologia moral. E a moralidade. que vai da certeza matemática. A idéia nuclear da moralidade é a liberdade. O grande teólogo Ataual Bernhard Haering (A Lei de Cristo. na Cristica da Razão Prática. do vulcão que estremece as comodidades do racionalíssimo ingênuo e as pretensões da ciência absoluta. mas não exclui completamente a hipótese prudente de um erro". passando pela certeza moral. vol.KANT aceita a certeza moral com fundamento na "razão prática" (praktischen Vermunft) é na fé (Glaube). ou "Gesetzlichkeit". fundamento do direito. Leibiniz (Nouveax Essais. Paulo. Fala dois "espinhos da certeza". Haering parece-nos a maior figura. a "Moralitaet" ou "Sittilichkeit" é justificadora da "Legalitaet". IV. 193). No dicionário de teologia moral. A colocação do problema moral sob uma perspectiva social já se insinua entretanto em Kant. quando na Metafísica dos Costumes. dizendo a respeito da "certeza moral" que ela "exclui toda dúvida razoável" e que "basta para uma decisão prática e dissipa toda dúvida. o filósofo Peter Wust (Incerteza e risco estabelece uma hierarquia da certeza. Em termos Kantianos.

no ângulo social. a moral e o direito são vistos na sua obra numa perspectiva cientifica rigorosa. concreta. A moral. CONCEITO DE DURKHEIM O sociólogo francês. mas não é a realidade mesma. E conforme diz. uma vez que declara que "o domínio da moral começa ai onde começa o domínio social". o conjunto das regras morais. social. sem as deformações criadas por idéias preconcebidas.resultado de suas aulas na Sorbonne. 22). escolhendo o grande tema da moral. E na moralidade é onde situam os elementos como o espírito de disciplina (regularidade e autoridade). que o sociólogo francês incidida propriamente no sociologismo. A religiosidade. p. Cit. pois "jamais um código. a mais rigorosa e sistemática de seu tempo. numa coerência metodológica relevante. Na moralidade está presente um sentido de engajamento. Nota-se no autor um equilíbrio entre o positivismo e a tradição. "o homem só é completo quando . A moralidade seria "a congregação das regras morais. A moral teórica ou a lei geral da moralidade vale como esquematização mais ou menos aproximativa da realidade. constituindo uma espécie de barreira ideal. nem imperativo moral de Kant.A diferença entre moralidade e eticidade vai surgir em Hegel. que é a teórica. diz que aquela é "a lei que se encontra nas principais combinações e circunstâncias da vida". da natureza empírica. A moral aplicada é o que se chama de moralidade. nem a lei do útil formulada por Betham ou Spencer" (op. no seu livro L’Education morale .seria o autor de uma pesquisa pioneira e sistemática cientifica coerente e original sobre a moral numa perspectiva social e especificamente sociológica. ao definir o "espírito objetivo". uma consciência moral foi reconhecida ou sancionada. uma institucionalização na família e outras instituições sociais. é pela primeira vez examinada em profundidade e de modo fecundo.36). nos anos de 1902/1903 . ao pé da qual a onda das paixões humanas vem morrer" (p. Durkheim inaugura assim a sociologia empírica. para distinguir simplesmente da moral. como a outros. Distinguindo uma moral aplicada. ou seja com base nos dados da experiência. Não nos parece. refugindo àquela posição dedutivista abstrata que marcou a tradição de estudo do problema moral. da mora teórica. a solidariedade e a autonomia da vontade. gerando uma nova disciplina: a sociologia moral. orientando-se sempre a visão do fato puro.

então é de verse naquela a marca de concretude. relaciona a moralidade. O autor traça uma descrição psicológica do ato moral ao distinguir os chamados "temperamentos morais". Paris. CONCEITO DE BERGSON Henri Bergson.pertence as sociedades múltiplas. associação política. aceitaria exclusivamente algo inato no indivíduo. enquanto o eu social. na "angustia moral". de que a simpatia seria uma caracterização geral melhor identificável. Se a moralidade é a expressão da sociabilidade. 74-76). falando sobre o fundamento psicológico da moral (sessão da Academia Francesa de Letras. e quando nossa consciência fala é a sociedade que fala em nós. Durkheim considerou a análise de Kant. 1972. e a moralidade só ela mesma na medida em que somos engajados (família.104). b) "homens de corações amantes e alma generosas e ardentes" (p. E. com a simpatia. moral concreta. p. 988). pátria. porque a sociedade é o tipo e a fonte de toda a natureza moral" (p. sendo que só há desenvolvimento da moralidade onde existe simpatia"(Melanges. p. distinguindo que "a simpatia não é toda a moralidade. mas "a moralidade também é algo eminentemente humano. A "moralidade" é uma expressão de natureza social. humanidade)"(p. E passa a exemplificar belamente quando diz que "A caridade só tem valor como sistema ou sintoma dos estados morais de que ela é solidária". mas em fins coletivos.68). na periferia.825). Puf. o que valeria como contestação do sociologismo que pretende absorver o individual no social. através dos fins.85). p. mas que não há moralidade num ser que não é capaz de simpatia.. prática. fala da existência de um "caracter moral".. A moral real bergsoniana é portanto uma realidade condicionada por fatores psicossociais. Do mesmo modo. a) "homens de sólida razão e robusta vontade". ex. O filósofo situa o eu individual no centro. corporação. havendo vários círculos concêntricos do centro à periferia. que é uma perturbação das relações entre o eu social e o eu individual"(Oeuvres. que incita o homem a superar-se no sentido de manter sua própria natureza"(p. A existência psicológica da moral pode ser constatada. . de 14 de maio de 1910). ao admitir aqueles temperamentos.

o que implica na aceitação da moralidade. e uma moral exteriorizada. criadora. aberta. que rodeia e envolve o núcleo da inteligência propriamente dita. prosseguiria o esforço humano heróico ao sentido de tornar universal os ideais e a ação correspondente. duas perspectivas da moral: a psicológica e a sociológica. Portanto. A moral fecha seria a expressão do grupo tribal seja ele primitivo ou civilizado. Quanto mais a moral é dinâmica. situando em cima a intuição ou o instinto visual supra-intelectual. mais ela reflete a supra .. empírica. escreve que esta tem como exemplo a "moral evangélica"— fenômeno psicológico. o filósofo caracteriza uma moral psicológica interiorizada. Vendo em "Les deux sources de la morale et de la religion" o desenvolvimento coerente de uma tese posta inicialmente in "L’Évolution Créatice" noutros termos. interiorizado sendo a primeira tipificada nos hábitos e convenções sociais. melhor dizendo. Leonardo Van Acker (A Filosofia Bergsoniana). a moral bergsoniana é uma moral concreta. Finalmente. que consideramos um exegeta insuperável de Bergson. À proporção que a moral deixa de ser "fechada". por sua vez. quando da chamada "moral sociológica ou ciência dos costumes". defesa grupal de seus interesses. reservando a parte de baixo aos instintos virtuais infra intelectuais" (p. Mas como é difícil encontrar quaisquer das duas formas puras. mas não lhe servem de fundamento. instintiva. e não moral teórica.107). Não se poderia reduzir a moral à sociabilidade porque esta é sempre infra-intelectual. procuraria situar as raízes da natureza e da pressão social nos fenômenos biológicos. a intuição. pois pode haver mistura ou um pouco de uma outra ou noutra. mais é ela intuição e não instinto ou pressão.Distinguindo entre a moral fechada e a moral aberta. considerando que a sociedade se fundamenta na natureza e esta.intelectualidade. e se torna "aberta". Em "Lex Deux sorces de la marale er de la religion". a moral seria o resultado de uma evolução. resultado da condensação ou degradação estática de uma nebulosa fluida e movediça. social. ou seja da parte inferior da nebulosa. libertadora. nem tão pouco a pressão social (sociologia Kantiano) nem tão pouco a pressão social (a sociologia durkheimiana) nenhuma delas pode servir de fundamento à moral: Podem explicá-la. O autorizado intérprete de Bergson compara a inteligência a "um núcleo sólido e claro.. O conceito de moral bergsoniano distancia-se do ponto de vista "metafísico. é primordialmente biológica. enquanto a moral aberta representaria a intuição. do formalismo Kamtiano. diz que nem a razão ( o racionalismo Kantiano). habitual. .

a abranger grupos diferenciados. enquanto que o "eu profundo". . Assim é que o autor destaca já naquele tempo. quando o comum é dizer-se que ela é exterior. que justifica uma moral do êxito. que procura como caso psiquiátrico a discordância em referência ao padrão dominante. Nos sistemas socioculturais do tipo cristão surgem os condicionamentos da formação de "moral fechada". A moral cristã. como vamos abaixo apreciar. p. baseada no "apelo". em tese se bem que através do seu rótulo persistam as intransigências e preceitos da "moral fechada" de muitos grupos religiosos.A liberdade concreta e a justiça social.. ex.. como puro filosofo que é que "a sociedade é interior ao indivíduo". ou a moral política da ortodoxia do partido único (comunismo chinês). orientais e africanas. o que levou o autor a considerar a "moral bergsoniana" como uma moral baseada no sentimento. só seriam possíveis numa vivência de "moral aberta". na inspiração. uma vez que são "infra" ou "supra" racionais. universal. forma a "moral fechada. A "moral aberta" é transracional. sujeito da "moral aberta". à seita. o que nos parece insuficiente. Portanto. impondo-se como um sistema de hábitos imperosos e até irresistíveis". 26). que é do ano de 1937. dos grupos políticos e religiosos do Iran. A "moral fechada" é infra-racional.. como é o caso dos "negros americanos". De qualquer modo. está de perfeito acordo com a psicologia experimental atual mais rigorosamente cientifica. é uma moral aberta. seriam uma expressão de "moral fechada". Rolland (Lafinalité dans le bergsonisme.p.. insistindo na afirmação da "interioridade e espiritualidade" da moral. 103). da Irlanda. operando mais como relação grupal como instintivo de defesa. subestimando os valores da caridade e da dignidade pessoal. tolerantes e universalizados nos seus ideais e tentativas de realização. ao partido. para referirmos a experiências no mundo ocidental atual. entretanto. para se entender a "interioridade" da moral a que se refere o autor. tanto uma quanto outra não são justificadas pela razão. ex. ajuda a formar uma estrutura de comportamento moral que não se limita ao grupo. "devendo-se evitar no social a pura influência exterior" (p. o que está perfeitamente superado em antropologia. p. e até ao país. que essa observação. classificadas como "primitivas". segundo nos parece. A pressão social exterior. p. As reações. É preciso esclarecer. dos "católicos e protestantes irlandeses". da "moral econômica!" do poder capitalista. reconhece seu aspecto social particularmente a moral bergsoniana" quando diz que a "a obrigação surge como uma pressão da consciência coletiva sobre a consciência individual. vê-se que há o preconceito de superioridade de cultura ocidental de julgar-se superior à outras culturas. eu a leva cada vez mais a dilatar-se. ou da habilidade da época da computação. condicionada o "eu superficial". E. à clam.

E não o das normas estereotipas. Wegner (Desenvolvimento da Moralidade. Os que pretendem sair da restrição da moral teórica. democrativas. anatomizando no tecido social as "amostras" dois tipos de moral. procurando superar aquele conceito abstrato de sociedade do positivismo. e mais de acordo com a teoria de Piaget. mostra a dialética de um conflito permanente. uma vez que "a criança internaliza as atitudes e sentimentos morais dos pais". Paulo. liberais. sendo todo comportamento aprendido. segundo a nova teoria da aprendizagem. analisando o social de preferência na concretude do microgrupo o ponto de vista da pesquisa. MORALIDADE E INTERPRETAÇÃO PSICANALÍTICA A investigação sobre uma moral concreta ou moralidade não pode dispensar os resultados da psicologia experimental atual. para captar o sentido novo da internalização: ponto fundamental sobre que considerar para uma fundamentação psicossocial da moral. não havendo passividade do sujeito em face do seu grupo (e daí a não redução simples do moral ao social) em que "uma pessoa pode rejeitar padrões morais convencionais tendo como base seus próprios princípios éticos". Por outro lado. o que é mais do que simples imitação. caindo também o radicalismo. situando o Superego na personalidade através do processo de identificação. o autor afirma a teoria psicanalítica. Daniel M. com as habituais. da nova teoria da percepção e da psicolingüística. existentes e até denominadas cristãs. Baseando naturalmente em Freud. enriquecendo entretanto com a contribuição das ciências sociais. preconceptualmente superiores. nos setores específicos do desenvolvimento. editora Brasiliense. da sociologia com seu novo conceito fundamental da interação (reciprocidade de influência de indivíduo e grupos). Só um tipo é superior é capaz de situar-se em face de um tipo de "moral aberta". e não mais no macrigrupo um tanto incaracterístico. "morais fechadas". Seria necessário então aproveitar o que era valido em toda a perquirição filosófica. civilizadas. a moralidade é algo social. reflexiva. filosófica ou teológica. analisando também a contribuição da psicologia experimental com seus novos estudos da percepção. ficaram acantonados no sociologismo. S. da aprendizagem e da linguagem. A análise de Bergson é de uma nitidez incontestável. 1978). sincréticas. . na ascensão evolutiva. sendo ambos realizações do indivíduo e do social.A "moral aberta" cujo modelo ideal é o Cristianismo dos Evangelhos. do mesmo que os tradicionalistas. criando-se "um modelo interno do que sejam comportamentos concretos desejáveis". procede uma interpretação psicanalística da moralidade que nos parece de suma importância.

não se confundindo com a adesão aos padrões exteriores. como.Finalmente. envolvendo. p. Durkheim e Gurvitvch: como vinculado ao fato social. O fenômeno de participação destingue certa atividade criadora do sujeito em relação à continuidade a que pertence. O autor conceitua portanto a moral do mesmo modo que Levy-Bruhi. a psicologia traz grande contribuição à determinação do fundamento psicossocial da moral ou moralidade. Descrevendo o processo de contínua interdependência dos esforços e dos acontecimentos. serve de fundamento ao conceito de moral do filósofo social norte-americano. aceita que "a internalização é um produto do processo de interação social". Mas Dewey não incide no simbolismo da interpretação positivista.. CONCEITO DE GURVITCH . Superando a simples socialização da moral. segundo Piaget e Hohlberg a representação cognitiva da realidade social. Wegner conclui que "o desenvolvimento da moralidade é um processo de internalização crescente de regras morais". significa uma revolução profunda da interpretação social. coerente aliás com a psicologia experimental atual. sendo o grau de sua moralidade o de sua participação". bio-psico-social. essa insistência ou descoberta da psicologia atual sobre a internalização do processo social quando os sociólogos estariam a ver apenas a exteriorização. O conceito do comportamento. sendo difícil admitir-se uma moral puramente abstrata ou teórica. como moral concreta. afirmando que "o indivíduo chega a ser moral conforme participa neste mundo e ocupa seu posto devido nele. A nosso ver. e agora sobre a moralidade. após a pesquisa sobre a percepção. 170) estabelece uma equação entre moral e social. A moral ou moralidade funciona dentro de um contexto social inevitável. Neste caso. CONCEITO DE DEWEY Johm Dewey (Human nature and Conduct. a interpretação psicanalítica de Wegner. ex. a aprendizagem e a linguagem. o radicalismo de Levy Bruhl. que é o processo exterior. p. ou seja a redução da moral à interação.

o problema da disciplina moral e seus "vícios lógicos aparentes das morais teóricas históricas". b) regula somente atos e relações que acarretam conseqüências para outros e exigem necessariamente a sanção dos demais. abstendo-se de juízo de valor e limitando-se aos juízos da realidade. Segundo ele a experiência moral tanto é uma experiência dos ideais quanto do real. Diz. concluindo que "A moral possui um caráter social. superando o empirismo quanto o apriorismo. Gurvitch aceita a autonomia da moral teórica. o que justifica concluir que: a) "A moral teórica é possível enquanto disciplina filosófica que não constrói nem prescreve nada. incluindo pela "eliminação da moral teórica em proveito da ciência dos costumes ou da sociologia de vida moral". cit. . distinguindo-lhe dois aspectos: o normativo e o factual. A moral é ideal. 139). p. A Sanchez Vasquez (Ética. passaria ele a integrar a existência tanto individual quanto social.: a) os indivíduos se sujeitam a princípios. como suas próprias certezas. c) "A moral teórica é possível sem conflito com a sociologia da vida social. podendo haver colaboração entre ambas".. 52) procura definir a essência da moral. normas e valores socialmente estabelecidos. cabendo a esta última a integração dos fatos morais nos sociais totais. o normativo e factual. início. b) "A moral teórica só é possível uma experiência moral especifica. A moralidade é factual. como também as variações das relações com outros regulamentos sociais e obras de civilização e modos de justificação através das doutrinas morais" (op. porque". Sendo a moralidade um componente efetivo das relações humanas concretas. adotando uma óptica sociológica Gurvitch procura descobrir "correlações funcionais entre gêneros. formas e sistemas de atitudes morais de um lado. quando da sociologia da moral. confirmando os pontos de vista dos autores anteriormente abordados. o ideal e o real. CONCEITO DE SANCHEZ VASQUEZ Um autor moderno. c) cumpre a função social de induzir os indivíduos a aceitar livre e coincidentemente determinados princípios. numa coexistência dos dois aspectos o teórico e o prático.Georges Gurvith (Morale thérorique et siences des Moeurs) procura justificar. normativa e prescritiva. valores ou interesses.

a Sociologia. se mostra ondulante. Berin.desenvolve na sua teoria política uma análise original. quanto os demais atos humanos. hostil aos dogmas religiosos. tem seus fundamentos no sonho do Cristianismo de que o homem possui uma alma imortal"(in Marx . integridade do debate. 1966). a religiosidade é objeto da teoria social .NOSSO PONTO DE VISTA Temos observado. ora como resultado da fé (iluminação anterior). em baixos e altos relevos. identificadora dos valores supremos do século. reconheceu que a "democracia assenta no princípio do valor soberano o indivíduo o qual por seu turno. da psicologia. sociologia. predominando em determinado momento um dos aspectos. participação na vida comunitária. a Psiquiatria. a tal ponto que. I. que seria objetivo e social. Como valores e como instituição social. sugerindo a imensa "variedade de experiências religiosas" de que tratou W. ed.Engels. ora no grupo social. é subjetiva e objetiva. a moral. individual e social. teórico e abstrato e adquirisse uma conotação precisa no contexto sociocultural refletindo a interação social básica. a Antropologia. no universo dos valores (intuição) e no universo social (instituições). Dietz Verlaz. com os profundos progressos obtidos nas suas análises. Ernst S. Daí que convergem sobre o sagrado diversas linhas . ex. Outro grande politicólogo atual. A religiosidade configurada deste modo a concretude de toda a experiência humana como existencialidade no universo dos conceitos (doutrina). que são: amor à crença na liberdade. e chega a surpreender até os cientistas sociais com a valorização que atribui à religião: "Os cientistas políticos ocidentais são unânimes em concordar que a religião é um fator de grande força da gênese da sociedade moderna. estabilizadores sociais. das crenças (fenômeno intersubjetivo. Portanto. segundo Pontes de Miranda. a tendência para que a moral não fosse abordada apenas no seu aspecto tradicional. sociocultural) expressando valores. Werke. James.objeto também da análise política. obrigação assumida livremente pelos grupos econômicos de servis à sociedade. Assim nos parece superada a distinção de caracterização da moral como algo puramente individual e subjetivo em posição ao direito p. a Ciência da Comunicação. liderança em função do . quando a ética definiu suas relações de fronteiras com a Psicologia. que visito ao longo do panorama evolutivo. no decurso da evolução dos estudos sobre a moral.DIFERENTES DIMENSÕES DA RELIGIOSIDADE Da Religiosidade: Eis um processo inerente à natureza humana. "o fator religioso estabiliza mais que o econômico e o jurídico"(Introdução a política Científica).da teologia. 550. 4 . antropologia. Graffithm sustenta que "A democracia está a depender de requisitos prévios culturais as chamadas sete atitudes básicas. apurado o diálogo interdisciplinar. Arnold Brecht um dos maiores politicólogos atuais . visualizando-se o fenômeno ora concentrado na pessoa. ora como abstrato.. Até o próprio Marx.

esses dons. 4 . .fé. DOS CARISMAS Não há nada mais comovente que o Capítulo referente aos Carismas. leva a concluir que exigências de ordem metafísica são patentes na teoria política o social dos nossos dias. O apóstolo São Paulo enumera então esses Carismas: 1 . 2 . penetração nos mistérios. justificando ainda que Brecht. Anteriormente. individuais e sociais.Sophia .Pistis . em inúmeras situações políticas. de que se investem e revestem certas personalidades. aptidão para explicar o Cristianismo. reconhecida pelos cientistas políticos do século XX" (op.interpretação das línguas. 8 . um fator relevante e uma poderosa força motivadora. 5 . objeto que foram de suas teses criadoras. na Bíblia. anteriormente citado. na revelação.Dom da profecia. sociólogos como Weber e Durkheim se preocuparam em suas pesquisas de campo com a função relevante da religiosidade.Dom dos milagres.Gnôsis . p. E também de mais profundo. cit. Uma constelação de valores. 607). 3 . ou dos psicólogos e metapsiquistas: defrontar-se com essas aptidões. 10 .curas. enumerados por São Pedro.ciência.Dom das línguas. 7 . 6 .Profétia .Géne Glossôn . conhecimento extraordinário das verdades reveladas.Energémata .Lámata . paixões canalizadas para fins construtivos. os olhos dos teólogos.Diakonía . tornadas estranhas e sedutoras na convivência dos mortais.Sabedoria. 9 . finalmente a amizade e a colaboração entre as nações".ministério.discernimento. afirmasse "a religião ainda hoje é.Epmenéia glosôn .interesse público.Diakrises .

13): "Ninguém tem maior amor que aquele que deu a vida por outrem".O Apóstolo Marcos define o Carisma como algo concedido pela Graça. havendo línguas. não procura os interesses. E finalmente Paulo (Epistola aos Efésios. havendo ciências. . ou como o címbalo que retine. ainda entregue o meu próprio corpo para ser queimado. passará". benigno. objeto então das mais belas páginas da estética literária na Bíblia. nada serei. David (Salmo. um sinal da era messiânica (16. e. O carisma tem sido preocupação dos grandes espíritos da humanidade. na tua luz veremos a luz: Mateus (6. portanto algo sobrenatural. Não se alegra na injustiça. Destaque-se o estilo. de São Paulo. se não tiver amor. 508). O amor jamais acaba. fogo interior que brilha fora como se fosse um relâmpago"(Temeu 69). mas regozija-se na verdade. nada disso me aproveitará. Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres..9) disse "Porque em ti está o manancial da vida.9) tenta descrever: Porque o fruto da luz consiste em toda a bondade. tudo espera.. Mas. 6. tudo crê. ou como "A luz e a visão que se parecem com o sol. justiça e verdade: DO AMOR Eis o maior dos carismas. ainda que eu tenha tamanha fé a ponto de transportar montanhas. tudo suporta. não arde em chamas de ciúme. cessarão. Para completar a beleza formal da citação acima. não se ufana. não se orgulha. caracterizando-se como "uma efusão do Espírito Santo. serão aniquiladas. Tudo sofre. o amor é paciente. "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos se não tiver amor. 34. se não tiver amor. serei como o bronze. Não se conduz inconvenientemente. "I Coríntios" (13). a ciência que é luz para os olhos cegos" (A República. Ainda que eu tenha o Dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência. sua beleza. 17). havendo profecias. Platão nos fala de "o fogo do olho. não se exasperas não se ressente do mal.22) fala nos "olhos que são lâmpadas do corpo". temos presente a sutileza da citação joanina (15. a alta expressividade do Hino à Caridade.

mas o justo pela sua fé viverá". de que podemos destacar o seguinte: a) A fé como "cura desejada" . Ep. neste último caso aglutinando os demais valores. Vêse portanto que a fé é também esperança. Rom. c) A fé como "firme esperança" . grego "pisitis". filhos em quem não já liberdade". eles se tornarão brancos como a neve. que se identifica como o mistério (processo de iluminação interior.31. ainda que sejam vermelhos como o carmesim tornar-se-ão como a branca lã". . latim "fides". inglês "faith". A FÉ: CONCEITO.21-23. Ep. (hy-póstasis).8. O termo Fé: hebraico "emunã". que é a motivação maior ou causação de todos os valores e ações.17. 1.34-36. 5. O amor. 15. d) A fé como "amor ativo" . é dele que devemos partir para enfrentar sua posição contexto humano. esperar.Mat. não é dele. O primado do valor amor surge da palavra de Isaias (1. desempenha também uma função de valor ético e de valor social. No Novo Testamento.4): "Eis que a sua alma se incha.João. confiar. 5. B) Hebacuque (2. 25.18). A chamada "ordem do coração" se instaura sob sua motivação. 14. 9. na problemática angustiosa da imperfeição humana. esconderei o meu rosto deles. alemão "glaube".Paulo. I Cor. é referido explicitamente duas vezes no Antigo Testamento: A) Deutrorônio (32.1. INTUIÇÃO E MISTÉRIO A fé é algo profundo. acreditar.23. Heb.2.Sendo o amor maior carisma. de perversidade.20): "E disse.10. que é intuição (captação supraintelectal) e que se revela também como conceito (intelectualização do ato de fé).Paulo. As formas verbais que expressam o sentido da fé são: crer. 1. b) A fé como "aceitação da boa nova" . referido duzentos e quarenta vezes no texto. ao dizer que "ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata. o termo é difuso.8. realidade do universo da revelação. francês "foi italiano" "fide".

a.a. 2ae. é uma virtude. A crença é mesclada. Menciona a seguir as seis definições da Fé. ou pelo contrário. aceitar como verdade o que se afirma: Mat.2. 8. se a caridade é forma de fé. se é a substância das coisas de que se esperam. "Suma Theologiae" (2ª. . como: confiança. c) "pisteo" seguindo da preposição "eis" = crer dentro em Cristo: João. o verbo "pisteuo" = Crer. e não acreditastes nele.24: "Por isso eu vos disse que morrereis nos vossos pecados". 21. um sincretismo inerente ao fato social. Em grego. argumento dos que não se vêem. Nessa linha. justificação. e eu nele.O ato de fé implica portanto em cartisma "termo paulino ou amor ativo" (expressão joanina). fidelidade. se é única. e neste caso objeto das ciências sociais. essa dá muito fruto: Porque sem mim nada podeis fazer". Santo Tomás de Aquino. 15. caracterizando-se como algo mais puro e misterioso. q.1). se é ainda informe e podendo converter-se em algo formado. na qual se inclui "objeto da esperança". Quem permanece em mim. sob o império da verdade movida pela graça. in "De Praedestinatone" (45). a fé se distingue da simples crença. b) "pisteo" seguido de "que": a fé depende de fatos: João. A FÉ DOS FILÓSOFOS E DOS SÁBIOS Santo Agostinho. sobre outras que julgamos acidentais. onde ressalta que a mais perfeita é a de São Paulo "Argumento das coisas não vistas"(ibidem q.31: "porque João veio a vós outros no caminho da justiça. examinando os diversos aspectos como: se ela é adequada. Nesse modo de entendermos.5: "eu sou a videira. finalmente se é mais certa que a ciência e demais virtudes intelectuais. Cura desejada. se a primeira das virtudes. segurança. A exegese tomista não é só teologia mas filosófica. admite a fé como algo que se faz com o entendimento e a verdade. d) "pisteo" no sentido de "curar": Marcos. e "pistis" = fé.9) então define: Crer é um ato do entendimento que dá o assentimento à verdade divina. ao passo que publicanos e meretrizes creram".23: "tudo é possível àquele que cre". firmeza. conotações essas que temos como essenciais. vós os ramos". A fé é mais interiorizada. 9. tem as seguintes conotações: a) "pisteu" como dativo simples dar crédito. ou se encontra no atendimento como no sujeito.4.

enquanto a religiosidade da crença configura a religiosidade estática ademais a exemplificação. ainda. Assim.Santo Tomás. autênticas . pois versa sobre coisas eternas. vivido sob a forma de "Revelação". responde que "A fé é superior a elas em certeza e em razão de sua matéria. como o conhecimento dos carismas. A verdadeira religiosidade. no transhumano. ademais.sabedora. segundo a prova. . Independente de qualquer experiência histórica ou indutiva.Les Deux Sources de la Morale et de la Religion . a certeza dependeria da graça. à psicologia. Por outras palavras: há o religioso de "conteúdo intuitivo. a análise do sentimento religioso. Esclarecemos. Mas a que se coloca acima de religião possui seus domínio. a religião possui seus domínios. assim. Não se confunde. enquanto à teologia tenta decifrar a comunicação da palavra. Parece-nos. Sentimento. competiriam analisar esse aspecto projetado no exterior e no social. com sua forma verbal de comunicação" e "a tradição e organização eclesiástica constituída em dogmas rígidos. cuja descrição permite mostrar o processo específico de cada forma de religiosidade.versam. também os sentimentos espirituais com os simples sentimentos religiosos ou estados efetivos. que o filósofo se identifica no particular com a interpretação bíblica. 163) que "A distinção é radical entre a mística e a dialética". sendo que "as três restantes . que não podem mudar". Assim. histórica. sendo esta contingente. sobre coisas necessárias". à sociologia e à antropologia e à história. também a diferença existente entre fé e crença. necessária (Mélanges. permite-se distinguir-se uma forma de religiosidade social. do domínio dos fatos espirituais. axiológico e existencial. Aqueles não seriam condicionados por estes.distingue a "religião estática" da religião dinâmica". 840). axiológico e existencial. "uma idéia exiológica a priori". deixa patente a diferença entre o domínio da fé e da crença. Bergson reconhece. além disso. uma sistematização dos constituintes dogmáticos" (303). ou seja o humano penetrado misteriosamente por algo que lhe é superior. e sua fonte de experiência a graça (pessoa singular) e "revelação" (pessoa humana). alhures (Oeuvres. de outra forma de religiosidade "que não é de modo algum uma herança sociocultural. e aquela. SCHELER E OS VALORES RELIGIOSOS Na filosofia Scheleriana. No seu livro . a da mística dinâmica. espiritualidades. ciência e entendimento . Dizendo. como João da Cruz. que "em realidade. é o que denominamos de fé. com sua representação antropológica. escapa à análise e permanece nos mistérios.o ato de fé. explicarmos que esta justifica muitas vezes a crença. como os nomes que concretizam a "verdadeira mística". e.1.

as plantas ou o polvo cósmico. da religiosidade histórico social e da religiosidade radical da instituição axiológica e da Revelação. as duas formas de religiosidade e as duas formas de moral (aqui a moralidade).prova essa afinidade. tudo dança numa música misteriosa". Escrevendo in "Como eu vejo o Universo". por que sua personalidade se encontra em cada palavra. E ao ouvir a "Opus 111" de Beethben.música de conteúdo religioso . como Bergson.Scheler distingue. O segundo nos adverte da religiosidade estática e da religiosidade dinâmica. Procura definir particularmente uma religiosidade o tipo cientifico: "dificilmente encontrareis um espírito que penetre profundamente na ciência sem que não possua uma religiosidade característica. sentia uma alegria transfiguradora. com o grande pianista Clynes ao piano. e nenhum mito está cheio de semelhante vida". impõe-se pesquisar as potencialidade do psiquismo humano. (p. EINSTEIN E O "HINO RELIGIOSUS" Einstein é o exemplo do sábio moderno em cuja personalidade irrompo "Hino religiosus".99). Sua preferência pela música de Mozart . O primeiro nos fala da Moral e da Moralidade. por forças sobre os quais o homem não possui controle algum.porque admitia que "Tudo está determinado. quando invocava o termo "eternidade" ao ouvi-la muitas vezes. A experiência religiosa apresenta assim várias dimensões.uma visão panteística . do isento à estrela. disse o seguinte: "Se o judaísmo dos profetas tal como Jesus Cristo o ensinou lhes retiram os acessórios. do princípio ao fim. Das crenças e do conhecimento mais recente da experiência religiosa oriental e africana. em particular os sacerdotes. responderia que "Ninguém pode ler os Evangelhos sem sentir a presença central de Jesus. e que os seres humanos. fica então uma doutrina em condições de curar a humanidade de todas as enfermidades". 5 . que distingue o Deus-temor (que justifica as cartas sacerdotais. uma experiência mística. a "pistis sophia" e sua eficácia na solução dos problemas humanos.CONCLUSÕES PARA A MAÇONARIA . Sua experiência religiosa não se reduz a uma simples estesia do universo físico . sempre como algo que temos ou tem tocado os maiores espíritos da humanidade. O próprio Beethoven dissera: "Quem compreende esta música está salvo". Duas expressões da mesma visão binocular do fenômeno religioso. do Deus-providência) (que anima a humanidade e é protetor das almas)". Sua universidade e objetividade são incontestáveis. Indagado se acreditava na existência histórica de Jesus.

5. além de obedecer a outra exigência de ordem moral e social.A ordem da consciência jurídica 6 .1 . que. social. aberta. humana.A Filosofia maçônica é um sincretísmo filosófico formado de filosofias e religiões orientais antigas. resultando daí que ordem é procurada em todos os planos. cumpre deveres morais e sociais de fidelidade e beneficência.É o primeiro exemplo de Ecumenismo religioso na história da humanidade.5. e que. 5.A ordem da consciência moral 5 . .A ordem dos espíritos 8 .É sociedade litúrgica secreta (esotérica) com aberturas como sociedade esotérica (exterior.A ordem maçônica ou "Arte Real" 1 .3 .DE ORDEM CÓSMICA À ORDEM DOS ESPÍRITOS Sumário 1 .A ordem cósmica 3 . os quais possuem suas leis próprias. inclinação ou atração para as formas de equilíbrio. social e divina ou metahumana.A ordem dos valores ou ordem social 4 . porque todos os que fazem o juramento iniciático de Crer em Deus podem nele Ter ingresso. tem como postulado religioso a tolerância.2 .Fundamentação 2 .Fundamentação O espírito humano manifesta horror ao caos profundo aversão ao nada. por isso. 6 . comunitária) e.A ordem metajurídica 7 . gerando desde a ordem cósmica à ordem natural.

isto é. há o primeiro da cultura judaica em toda a sua linha filosófica e lingüística. Há uma ordem de prioridade. germânica e romana. que se torna visível no plano da solidariedade humana. à obscuridade e à escravidão: "Esperamos pela luz. Do mesmo modo. A Ordem em sentido maçônico se expressa melhormente na expressão "ORBO AB CHAO". e eis que só há trevas. pelo discernimento. comprovam a existência de um período áureo do povo judeu por ocasião da dominação da Babilônia. A Linguagem hebraica e os nomes próprios ou personagens dos altos litúrgicos iniciáticos dos graus filosóficos da Maçonaria se encontram na Bíblia no Antigo Testamento. . No livro de Jó há referências ao "Caos". e nas fontes históricas das culturas hebraicas. à metajurídica e finalmente à ordem dos espíritos. que é uma convivência de sabedoria. da harmonia. ordem do coração . O modelo da ordem maçônica é o dístico da "recta ratio" (a reta razão) que é a marca do equilíbrio. da ajuda mútua. donde poder-se concluir que em que pese a universidade e sincretismo da Maçonaria. com dez universidades funcionando ( a ordem das universidades não é portanto da Idade Média e nem elas tiveram sua primeira origem em Bolonha Paris). A nossa pesquisa. Ora. A expressão ou lemas do Grau 33 (o mais elevado grau maçônico) é véterotestamentária: Gênesis (1-2. mas andamos em escuridão". ordem da inteligência.A ordem está tanto na imanência quanto na transcendência: ordem das coisas. árabe. os graus filosóficos maçônicos contém doutrina e referências onomásticas acentuadas pertinentes aos períodos mais antigos da cultura judaica e fazem referência acentuada à Babilônia. eis o nosso parecer após a pesquisa do orientalismo de suas formas filosóficas e religiosas mais sutis. já no Novo Testamento. que entendemos como um processo de iluminação espiritual do maçom que haja atingido seu mais alto grau de desenvolvimento. a ordem surgida do caos (Deus criou o tudo no nada). posteriormente. que é a luz saída das trevas. uma ordem dos meios e uma ordem dos fins. à jurídica. da cósmica à social. nas línguas orientais que temos estudado. pelo resplendor. da fraternidade. à moral. hindu. uma ordem estabelecida pela razão. que deve caracterizar o verdadeiro homem maçônico após o juramento iniciático. da Universidade hebraica. e. No livro de Isaías há referências às trevas. que é a divisa do grau mais elevado iniciático (Gr. de Jerusalém. grega. e mais recentemente as novas pesquisas reveladas na Enciclopédia Hebraica.3). 33). em 2 Co (4-6) o Apóstolo Paulo exprime: "Porque Deus disse que das trevas resplandecesse a luz". persa.valores projetados nos diversos planos do homem. e finalmente uma ordem da execução porque a instituição constrói um sistema construtivo. Analisemos a seguir as várias espécies de ordem. esotérica e a luz da "Arte Real". não devendo ser interpretado como o esclarecimento obtido nos graus inferiores. nos demonstra uma predominância (aqui já como expressão da cultura ocidental) da primeira.

segundo LOUIS ROUGIER (2) (Traité de la Connaissance) podem ser classificadas em cinco tipos: a) Leis invariantes estáticas: corpúsculos. b) Leis invariantes topológicas: ordem constante de coexistência e sucessão. as quais. Há uma ordem cósmica descoberta ou conhecida em termo da Astronomia atual.Cosmologie du Xxème Siécle. grupos. assim. probabilidades. assumindo a Cosmologia do Século XX uma posição profundamente dinâmica. 2 . p. como "uma equação diferencial". mas a priori. teve estas considerações que constituem a última palavra sobre o assunto: "Le concept d’univers. E essa ordem cósmica se apresenta tão perfeita que se traduz como "sinfonia sideral". e) Leis invariantes estatísticas: correlações. A ordem cósmica é nas leis naturais. .Ordem Cósmica A ordem cósmica é mais entendida hoje em termos mecanicísticos. c) Leis invariantes causais: relações constantes e conseqüentes. seraient élabores non par extrapolation à partir des observations locales. inspiradora portanto ao homem das demais ordens. sem o "s") é de motivação da cultura hebraica. (1) MERILEAU-POINT . vétero. que o lema mais alto da Maçonaria "ORDO AB CHAOS" (Latim certo e não forma divulgada: "Ordo Ab Chao". indivíduos. aqui precisamente na versão cristica. Insinuam-se então na ordem cósmica (atual) características novas. em termos matemáticos. par referance directe à des notions et principes épistémologues: programe que n’est pas sans faire naitre aussi une nouvelle tentation de transgression des frontiéras de la Science mépris de l’expérience". ou mais especificamente interpretada pela Cosmologia contemporânea. Exemplo de lei cósmica assume de preferência o sentido de lei geral de natureza física e não de lei física local. d) Leis invariantes funcionais: relações constantes de dependência funcional. MERLEAU-PONTY (1) Cosmologia du Xxème Siécle (108). la struture métrique de l’espace-temps. HENRI POINCARÉ pode resumir. evoluindo do conceito de ordem cósmica até chegar ao conceito de ordem espiritual.108. O próprio Einstein reconheceu sua incompetência para atender a ordem nova criada pela física contemporânea. como a dispersão a criação. testamentária e neo testamentária. freqüências.Vê-se.

pelos sociólogos atuais. cujo sentido se torna transparente aos que "têm olhos de ver" os intuitivos de toda sorte. das pressões e dispersões. o das interação do microgrupo. L . atual. o homem recebe tanto da ordem cósmica quanto da ordem metajurídica. 4 . na qual se percebe o sentido das interrelações. e não no plano abstrato do microgrupo amorfo. A vida social é um tecido de relações complexas. Na massa amorfa dos acontecimentos. Portanto.A Ordem Moral . A verdadeira ordem social não é amorfa. descobri-lhes a teia sutil de causa e efeito. há alguém capaz de captar o sentido das interações. Na "construção das ordens axiológica-social. massa. tendo seu valor condicionado ao grupo a que pertence.Traité de la Connaissance. as interações. porque o social é provido de uma constelação de valores. Descobre-se tardiamente em sociologia que o importante não é a relação abstrata da sociedade. teológico. 3 . moral e jurídica. tida como superior ou universal e que então imponha um modelo de avaliação absoluta. especialmente o minigrupo onde ocorrem. dinâmicos. as quais não são absolutas. nos planos filosóficos. e não no macrogrupo ou na massa. se somam os novos juízos dos antropólogos sobre as culturas. sem capacidade a estabilidade de seus suportes que eles residem. mas sim o do grupo social. O "nervo" do social passa a ser então procurado de preferência. comunidade. vencendo o preconceito originário de uma cultura única determinada. estas os únicos capazes de explicar o social. A essa conquista da sociologia empírica. estético. nestas inserindo-se o social concreto da eficácia para abordagem da ordem aciológico-social. trata-se de pesquisar no plano concreto. no microgrupo. experimental.Ordem Axiológica-social Há uma ordem axiológica-social que estabelece normas ou pautas de valorizações de conduta individual. o significado e ter a capacidade para atribuir-lhes valorações cada vez mais positiva e criadoras. onde não se descobrem as relações recíprocas.(2) ROUGIER. de tudo que conspira contra a tranqüilidade e a concentração. ético moral e jurídico.

causas da ordem moral autêntica: "Remarquons qu’ne émotion d’ordre sopérieur se suffit à ellemene". Luís Recasens Siches (5) por sua vez a define como a "ordem social. ansiedades. BERGSON fala com eloquência e justeza ao mesmo tempo de uma "moral aberta" em contraste com uma "moral fechada". de modo a não ser realista o isolamento de um deles. e tanto mais legitima. Há constatações individuais da fé. A ordem moral é pois evidente quanto a ordem cósmica. como está presente nos Santos e nos Heróis. segundo uma finalidade (4)". 5 . do amor. que não é jurista. realidade interiores incontestáveis. mas precisamente um sociólogo do direito. social. sobre criação e amor. (p.A Ordem Jurídica Há uma série de círculos interpenetrantes. da esperança. É tão evidente essa ordem moral que ela contesta às vezes a ordem exterior. Há angústias. O filósofo escreve estas páginas profundas. atividade defeituosa e. de que uma deles é o jurídico. 1024). seu fundador. quanto capaz de influir nesta última. dos grandes números. vividas pessoalmente ou pelo grupo social. Há uma série de valores que justificam a existência de uma ordem moral. de vinculação entre as pessoas". também a existência de uma fé criadora cuja obra é também incontestável.Há uma consciência moral e que condiciona uma ordem moral. na sua obra "Les Deux Sources de la Morale et de la religion". . A existência dessa ordem moral pode ser testada a cada momento por tudo que a aflige. que estão a base de uma religião dinâmica e de uma moral aberta. evidentes. Sua existência formal não exclui a materialidade de que se contém nos outros círculos. Max Weber. os sofrimentos. do ódio e da desesperança: portanto a existência de ordem moral. admiráveis. quanto da descrença. expectativas pessoais não atingidas. define a ordem jurídica como "o conjunto de regras empíricas que contribuem para determinar ou orientar a atividade humana. (3) E cita como exemplo a primeira moral dos Evangelhos.

esta submetendo a conduta e um sistema de normas sobre a realização de valores. a previsão.WEBER. E esta é de várias espécies: jurídica.BERGSON. 186). estando sua eficácia na efetiva realização dos valores de seu sistema normativo". Pesquisando sobre a linha evolutiva dos conceitos de uma ordem metajurídica. a ordem jurídica é uma ordem concreta. econômica. Helmut Kuhn (7) estabelece uma distinção entre ordem técnica e ordem normativa. que o sistema normativo é apenas um elemento de ordem jurídica. ibid. 52/53. política. Livro. a esperança. ou emocional.12: "Tudo quanto.A Ordem Metajurídica Há fatos. ORÍGENES (8). . a fé. Neste último caso. Uma ordem que inclui nas outras ordens humanas: social.Essais sur la théorie de La Science. não se confundindo com o conceito comum. haveria. Mas em qualquer delas existe um condicionamento teológico. para esclarecer.Garcia Maunez (6) conclui que "a ordem jurídica não se identifica com o conceito corrente. convindo salientar. . ou não. H. uma espécie de infiltração na ordem jurídica. religião. em Mateus 7. quereis que os homens vos façam. existente de elementos captados por intuição intelectual. porque esta é a lei. os convencionalismo sociais. Há um critério ordenador de cada ordem normativa. podemos situar o ponto de partida da BÍBLIA. Com. Não há ordem fechada definitivamente a essa influência.Les deux sorces de la morale et de la religion. tece a admirável doutrina clássica da "ordo amoris". 7. o que não ocorre com o autor acima. A maioria dos autores teria identificado a ordem jurídica com o sistema normativo. A nós parece que é na realização dos valores que se pode identificar se uma ordem é jurídica. etc. (4) . pois. . a liberdade e a justiça. os profetas". 93. (3) . t. VIII. Baerens. ou metajuridica. a verdade. 6 . p. M. a enriquecer e matizar o sistema. No particular inexiste diferença entre os dois últimos autores. moral. a sinceridade. III. normas e valores que justificam a existência de uma ordem metajurídica: o amor. jurídica. assim fazei-o vós também a eles. a paz interior. nos seus famosos comentários ao "Cântico dos Cânticos" de Salomão (ed. pp. 1024 e 1191.

porque a tua voz é doce. A ordem da caridade (ordo amoris) é assim definida: "Donde me parece que a definição breve é verdadeira da virtude é como é a ordem do amor". de uma ordem metajurídica. (5) . . L. A "ordo" é um "genus" que Santo Agostinho utiliza para representar uma operação racional: todos os seres são ordenados.24. partindo de todos esses pressupostos que enumeramos. no oculto ladeira. se desvela através dos livros "DE CIVITATE DEI" e "DOCTRINA CHIRISTIANA".RECASÉNS SICHES. nos livros jurídicos. portanto. Dei. finalmente. p. (6) . VIII.Filosofia del Derecho. concluindo no livro XIX. ex. que a "ordem do amor" tem como fundamento a seguinte: "não prejudicar a ninguém. 14. e a tua face aprazível". e o seu estandarte em mim era amor. Pomba minha. de uma ordem jurídica. no "De Civitate Dei (Livros XV e XIX).26. partindo-se da conceituação.. É de estranhar-se. sem exame de suas raízes nisto que denominamos de ordem metajurídica. faze-me ouvir a tua voz.MAYNEZ. aquelas colocações singulares. tal é o meu amado entre os filhos: desejo muito a sua sombra.H .23. que justificam até uma lógica especial: a lógica do coração ou lógica dos sentimentos. levou-me à sala do banquete. p. Desenvolve essa doutrina. eis a grande regra de Mateus. como iremos examinar. mostra-me a tua face. tal é a minha amiga entre as filhas..33 e 51. que andas pelas fendas das penhas. e principalmente SANTO AGOSTINHO (10). XV). vétero testamentária casa-se com a admirável construção ética neo testamentária. . (7) . A patrística retoma essa doutrina clássica. (Unde mihi videtur quod definitio brevis et vera virtutis ordo est amirs. e debaixo dela me assento.O texto bíblico é verdadeiramente uma apoteose de amor "Eu sou a rosa de Sarom o lírio dos vales. atuais. sugerindo depois aos modernos. essa ausência temática.KUHN.Das Problem der Ordmung. tece as análises mais sutis sobre a ordem da caridade.L . De Civ. e o seu fruto é doce ao meu paladar.18. Admirável construção estética.G. ser útil o quanto possível ao próximo. A analítica de Santo Agostinho. 12: não faças a outrem o que não queres que te faças". (Cântico dos Cânticos (2) (9). O conceito de uma ordem metajurídica situa-se portanto no bojo da doutrina clássica. Qual a macieira entre as árvores do bosque. 178. sugerindo à filosofia e à teologia posteriores sistematizações em torno de um conceito e uma definição.Filosofia del Derecho. p. Qual o lírio entre os espinhos. p.

PASCAL . Constata. 1222 e 1303. 1954) retoma o fio de pensamento clássico e faz uma construção conceitual própria rica de exemplificação. (10) . a do espírito e a da vontade: "os carnais são os ricos e os reis. 1954. ou seja "A ordem à disposição que atribui as coisas os iguais e desiguais o seu lugar certo". emocional. exilógica.E se define como "ordo est parium dispariunque rerum seu cumque loca tribuens dispositio (De Civ.Les Pensées. O Bispo de Hipona é assim o autor de uma teoria sobre a ordem do amor.que se julgam pecadores.De Civilate Dei. distinguindo duas espécies de homens: Os justos . que irá ser utilizada pelas Escolástica e irá sugerir aos modernos como PASCAL. e Os pecadores . PASCAL. a) a ordem do corpo . "Les Pensées" (11). que são construções mais que racionais porque ultraracionais". tem por objeto a justiça"(1303). numa tentativa de superar a moldura puramente racionalista. sobre a graça e a lei. cultivando o Eesprit Geomótrique e ao mesmo tempo o Eesprit de Finesse. contudo. "Oeuvre Complétes Pléiade. na Idade Média. o filosofo constata as marcas da miséria humana e as de misericórdia de Deus. p.ORIGENES . cujo objeto é o corpo. tem por objeto o espírito. Dei. também. Na primeira coloca o problema da renúncia. XIX). e sobre as três ordens de coisas: a da carne. pp. Analisando o plano humano. a criação puramente intelectualista são sábios. 7.Comentário do livro III. à existência de três ordens. Na segunda o mistério do amor divino. 186.SANTO AGOSTINHO . (8) . O autor tece páginas de rara estesia. os curiosos e eruditos. BERGSON.que se julgam justos. Com base nessa "lógica do coração" é que o autor constrói a ordem da justiça universal e a ordem da caridade. Livros XV e XIX (11) . SCHELER e NICOLAI HARTAMANN os grandes desenvolvimentos de novos conceitos sobre a construção de uma ordem supracional. advertindo sempre sobre a importância da razão. a fraqueza e a graça.

pelos capitães e pelos eruditos. Desconfiando das ciências abstratas. que só vêem as coisas e interesses materiais. (12) . onde reina a "ordem do amor". à "ordo amoris".aquela sabedoria que não se compreende por palavras. 397 (13) . na sua conscientização do contorno sócio – cultural e age como "mensageiro do outro mundo". fechado."intuiton dévinnatrice": intuição que advinha. jurídicos. à tous ces grands de chair". A intuição hartmaniana é uma intuição prospectiva. como realidade jurídica carente da ordem metajurídica. uma ordem dos espíritos.Évolution Gréatrice. traduz na ordem social e política sua natureza e projeta. que não pode ser vista pelos ricos. a "intuição metafísica" ."La grandeur des gens d’esprits est invisible aux riches. A ordem do corpo. O homem: é o portador dos valores (Traeger des Wertes). aux capitaines. à materialista.MÉLANGES. de que decorrem todos os seus pensamentos filosóficos.GERSON. finalmente. Seu livro "Lhe Pensées". Há. uma intuição semelhante a que falava BERGSON . portanto fora do mundo causal. especificamente. é a dos verdadeiros sábios e justos. Portanto. PASCAL.sensível. fato. formada pela "ordo amoris". é movido por uma idéia nuclear. norma. até atingir o plano extra . p. pelos reis. e. limitado pela visão. A ordem intelectualista ou racionalista. sociais. como tal. dos que vivenciam apenas os convencionalismo mas lhe falta a intuição profunda do que se esconde sob o véu das palavras ou aparências. uma ordem de graça. como as matemáticas. 692 . uma presença do mistério ou da transcendência nos atos humanos mais profundos e que a Maçonaria procura traduzir através dos seus diversos graus iniciáticos. só têm a curiosidade pelas coisas. e dos eruditos. descobre nelas "pouca comunicação" esse pouco mesmo lhe desgosta. P. H . e valor estão presentes na supra-estrutura formada pela realidade metajurídica. é formada pelos ricos e pelos reis. indo às vezes à inteligência pela inteligência. Mas a ordem da caridade. e que é a ordem da justiça universal e da caridade: . embora tenha perdido para muitos a sua captação.b) a ordem dos racionalistas c) a ordem da caridade.

(14) .SCHELER. N. . 347 (15) . Ethik. p.HARTMANN. M .Schriften aus dem Nachlass.

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