TEXTO: 1 Reis 21: 1-10 TEMA: Equilíbrio

Creio que todos conhecem uma balança de pratos que ainda é utilizada em mercados ou nas feiras livres. O princípio de funcionamento da balança de pratos é o equilíbrio entre os pesos colocados em cada um dos pratos da balança. Para realizar a pesagem, coloca-se um ou mais objetos de peso conhecido (peso-padrão) e, no outro prato, o objeto que se deseja pesar. São acrescidos ou retirados mais pesos-padrões até que se estabeleça o equilíbrio entre os dois pratos, o que resulta no peso relativo do objeto. No livro de Daniel lemos sobre a história do rei Belsazar que deu um grande banquete para mil convidados. Na festa regada a muito vinho, Belsazar mandou trazer os utensílios de ouro que vieram do templo de Jerusalém e utilizou-os. Mas apareceram dedos de mão de homem escrevendo na parede do palácio real a seguinte frase: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Daniel forneceu a correta interpretação da escritura na parede. A palavra TEQUEL significava: “pesado foste na balança e achado em falta” (Dn. 5:27). A vida de Belsazar estava em total desequilíbrio com o padrão requerido por Deus, por isso ele foi achado em falta na balança divina. O texto bíblico em epígrafe nos mostra uma cena de falta de equilíbrio estrelada por Acabe e Jezabel. Estes dois líderes ímpios foram terríveis na história do povo de Israel. Eles foram duramente advertidos por Elias, mas ainda assim continuaram suas práticas pecaminosas sem nenhum constrangimento. O fato é que o pecado gera desequilíbrio em todos os contextos. Por exemplo, muitas famílias estão fragmentadas e sem equilíbrio por conta do orgulho dos cônjuges ou da falta de perdão mútuo. Deus requer que os seus filhos vivam de maneira equilibrada. E este equilíbrio só surge quando nós andamos em retidão e firmados na Palavra de Deus, que é o nosso padrão. Nossas vidas devem ser diariamente aferidas com o padrão das Escrituras para que não haja desequilíbrio.
PODEMOS EXTRAIR DESTE TEXTO ALGUMAS LIÇÕES BÁSICAS PARA UM VIVER EQUILIBRADO

De acordo com este texto, quais são as lições básicas para um viver equilibrado? Palavra-Chave: LIÇÃO

1) Não devemos nutrir a cobiça em nosso viver (vs. 1 a 3)
O rei Acabe tinha um palácio em Jezreel, mas ainda cobiçou a vinha de Nabote. Ele desejou possuir o que não lhe pertencia. A cobiça era proibida na Lei: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo nem o teu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo” (Ex. 20:17; ver também Dt. 5:21). A Bíblia relata a história de Acã que cobiçou uma capa babilônica: “Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, por baixo” (Js. 7:21). A cobiça deste homem trouxe juízo de Deus sobre todo o povo, que foi derrotado por uma cidadela chamada Ai. A cobiça geralmente está ligada ao descontentamento no coração. O descontentamento com o que Deus já tem nos dado leva-nos a pensar que só seremos plenamente felizes quando tivermos algum bem material. Agostinho definiu a cobiça como sendo “desejar mais do que o suficiente.” A felicidade do crente não deve estar alicerçada em coisas ou bens materiais. A felicidade do crente deve estar alicerçada no seu relacionamento com Deus. Paulo adverte o jovem pastor Timóteo: “Grande fonte de lucro é a piedade com contentamento” (1 Tm. 6:6), “porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Tm. 6:10). No grego, cobiça é oregomai = “esticar-se a fim de tocar ou agarrar algo”.

Muitos crentes vivem vidas totalmente desequilibradas por causa da cobiça que domina suas vidas. (Ec. 5:10) . São pessoas que nunca se satisfazem e cobiçam as vinhas ao seu redor, mesmo possuindo um palácio. O ensino de Jesus sobre a busca desenfreada por tesouros terrenos é claro e direto. Ele disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt. 6:19-21).

2) Não devemos nutrir a autopiedade em nosso viver (vs. 4 a 6)
Nabote não quis vender a sua vinha para o rei Acabe porque era herança dos seus pais. Acabe ficou muito desapontado e desgostoso. Um escritor ironizou a cena da seguinte forma: “sufocando sua raiva e frustração, o rei saiu dali batendo os pés, entrou no palácio e se deitou em sua cama de cara para a parede e com o dedo enfiado na boca.” Coitado de mim! Ninguém me ama, ninguém me quer! Oh, céus, oh, vida oh, azar! O profeta Elias “pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1 Rs. 19:4). Ele buscou se esconder numa caverna em Horebe e ali ficou lamentando diante das circunstâncias. Mas Deus não alimentou o profeta com “mimos”, pelo contrário, o comissionou para realizar novas tarefas: ungir a Hazael, rei sobre a Síria, a Jeú rei sobre Israel, e a Elizeu como profeta. A autopiedade é uma manifestação do “velho homem” que deseja estar no centro das atenções. E quem se coloca na condição de vítima quer ser mimado e apoiado em suas lamentações pecaminosas. Alguém disse que “a autopiedade é irmã gêmea do orgulho”. As pessoas que se magoam muito facilmente possuem uma imagem muito elevada de si mesmas e não reconhecem isso. Mas o fato é que crentes mimados nunca chegarão a maturidade! Precisamos agir com confiança na pessoa de Deus diante das circunstâncias adversas que nos contrariam, e não cruzar os braços e afogar-nos em lamentos. A maior luta da vida cristã é contra o inimigo mortal que temos dentro de nós mesmos: nosso velho homem egoísta. O velho homem não quer morrer, antes quer ser glorificado, exaltado e bajulado. Precisamos diariamente pregar para nós mesmos como fez Davi: “Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a Ele que é a minha salvação” (Salmo 42: 5, 11).

3) Não devemos nutrir a malícia em nosso viver (vs. 8 a 13)
Agir com malícia é tramar ciladas para obter o que se deseja. Como muitos pensam, a malícia não tem conotação apenas sexual. Tudo que é feito com objetivos maldosos possui o carimbo da malícia. Foi o que Jezabel fez prontamente assim que soube da recusa de Nabote em negociar a vinha. Ela arquitetou um plano para acusar Nabote de blasfêmia contra Deus e contra o rei Acabe. Logo depois, homens malignos o apedrejaram até a morte. Na sua terceira carta, João escreve sobre um homem chamado Diótrefes que gostava de exercer a primazia na igreja. Ele era astuto, usava palavras maliciosas contra os apóstolos, e semeava discórdias dentro da igreja. Suas atitudes demonstravam que ele não pertencia a Deus (3 Jo. 9-11), e por isso merecia severa repreensão. Será que existem “Diótrefes” hoje em dia, que agem com maldade para garantir vantagens dentro da igreja? O apóstolo Paulo também advertiu severamente os crente de Éfeso: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (Ef. 4:31). A malícia começou no Jardim do Éden, quando Satanás usou a sua astúcia para despertar o desejo de Eva pelo fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A malícia sempre está ligada com mentiras e enganos. Talvez a nossa malícia não se manifeste de forma tão cruel como tramar a morte de alguém. Mas a nossa malícia pode estar embutida na forma como nos relacionamos querendo obter vantagens à custa das pessoas. Curiosamente, no grego a palavra malícia é a mesma palavra para maldade (kakia), que significa “iniquidade que não se envergonha de transgredir princípios bíblicos”.

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