PRINCIPIOS ELEMENTARES

Direito Internacional Privado

OBRAS DO MESMO AUCTOR
PHW.OSOPHIA POSITIVA NO BRASIL, (exgottada), Recife, i883. TRAÇOS BIOGRAPHICOS DO DESEMBARGADOR josé MANOKL DE FREITAS", Recife, 1888. PHRASBS E PHANTASIAS, Recife, editores, Hugo & C, 1894. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES, Bahia, editor, José Luiz da Fonseca Magalhães,! 1896. LEGISLAÇÃO COMPARADA, 2.* edição, idem, idem, idem, 1897. CRIMINOLOGIA E DIREITO, idem, idem, idem, 1897. JURISTAS PHILOSOPHOS, idem, idem, idem, 1897. DIREITO DAS SUCCESSÕES, idem, idem, idem, 1899. ESBOÇOS E FRAGMENTOS, Rio de Janeiro, editores, La'emmert & C, 1899. [GUERRAS E TRACTADOS, (memoria histórica para o livro do 4.° centenário do Brasil, em collaboração com o Coronel Dr. Thaumaturgo de Azevedo), Rio de Janeiro, 1900. PROJECTO DO CÓDIGO CIVIL, Rio de Janeiro, 1900.' ESTUDOS DE DIREITO E ECONOMIA POLITICA, 2.* edição, Rio de Janeiro, editor, H. Garnier, 1901. [DIREITO DA FAMÍLIA, 2.* edição, Recife, editores, Ramiro M. Costa & Filhos, 1905. ISVLVIO ROMERO, Lisboa, igo5. EM DEFEZA do Projecto do Código Civil brasileiro, Rio de Janeiro, editores, ff Francisco Alves & C, 1906. .' CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTORIA DO DIREITO, (artigos publicados na «Revista do Norte» e na «Revista académica da Faculdade de Direito do Recife»)

Traducções
Jesus E os EVANGELHOS, de J. Soury (em collaboração com João Freitas e Martins Júnior), Recife, editor, Alves de Albuquerque, 1886. A 110sPiTA.LiDA.pE NO PASSADO, de R. von Jheríng, Recife, 1891.

PRINCIPIOS ELEMENTARES Direto Internacional Privado
POR

CLOVIS BEVILAQUA

A' memoria de Tito Rosas

PROLOGO
0 progresso realisado pelo direito internacional nestes últimos tempos enche de desvanecimento aos que se interessam pelo aperfeiçoamento moral do homem. A sua literatura ostenta uma admirável pujança nos paizes onde sempre floriu brilhante e fructificou fecunda a jurisprudência, como a Itália, a França, a Bélgica, a Hollanda, os Estados Unidos da America do Norte, e vae galhardamente ascendendo no horizonte, emergindo na luz. solicitando a attençâo dos competentes nos paizes novos desta America do Sul. tão mal comprehendida pela superficialidade pretenciosa de certos sociólogos. O Japão comi-rehendeu que a assimilação da cultura européa não seria completa si não incluísse o direito internacional privado, e tomou resolutamente parte nos trabalhos desse ramo do saber, organisando asso ciações, fundando revistas, celebrando tractados, adhenndo ás Conferencias de Haya. Deante desse facto auspicioso para a civilisação, proclamou um jurista francez que o direito inter nacional deixou de ser europeu ou christão para tornarse pura e simplesmente — o direito internacional. I Ainda mais do que a opulência da literatura do direito internacional privado é digno de applausos o seu espirito liberal e humano, que tende a colligar e confraternizar os povos impulsando-os para esse ideal de justiça, vislumbrado nos afastamentos do futuro, e do qual temos a impressão salutar de que nos vamos progressivamente approximando O direito internacional privado é, no dizer de WHABTON. a phase cosmopolita da jurisprudencía-Me cosmopolitan phase ofjurisvrudence.Éo direito privadodilatando-se e despojando-se das prevenções mesquinhas que ainda o maculam, para colher, nas suas malhas, os interesses da humanidade. E o direito privado rompendo o tegumento nacional, onde nasceu e se desenvolveu, para viver no vasto ambiente da sociedade internacional. Esta feição do direito internacional privado, feição que se vae claramente manifestando á consciência dos juristas, não

infelizmente. não de todo desvalioso. Não tem outra significação este livro. sentir-me-ei feliz. está indicando uma phase nova da jurisprudência na qual domina o universalismo sobrepujando ao regionalismo. não é a elles que me dirijo e sim aos jovens que vêm nos Cursos Jurídicos receber os instrumentos do trabalho intellectual e a orientação da vida na sociedade. universalista e humano. . o que nessa renovação se apura para os ideaes humanos. mas não lhe tem consagrado os esforços e os desvelos que elle merece. os elementos. sobre as bases da sciencia. Recife. porque dessa geração. lactando com melhores armas do que as suas predecessoras. a expressão que ambicionava. mas. cheia de talento e vigor. é porque o homem necessita desses estímulos para mover-se. não pude dar. Nestes últimos é que eu desejaria despertar o gosto pela sciencia de que lhes apresento. É um appello á mocidade que aqui dirijo. é uma realisação mais exacta e mais pura da justiça. o que brilha na essência dessa metamorphose. mas. neste livro. agora. si os interesses utilitários nos arrastam para esse caminho.traduz simplesmente um período novo para esta ordem de estudos. E. volvam a attenção para este departamento do direito. nelles é que eu rejubilaria si instillasse o espirito novo a que acabo de ailudir e a que. haveria de surgir quem fixasse no Brasil. mais competentes do que cu. O Brasil não tem sido extranho a esse movimento. Si cora este livro conseguir que outros. Prestaria assim um serviço. Março de 1906. ao meu paiz. as formulas definitivas do direito internacional privado.

.

XIV. A mais imperiosa resulta das condições ethnicas (*). e PILLET. de outro. e. do egrégio J0Á0 MONTEIRO («Universalisação do direito». 1890.PARTE GERAL CAPITULO I Idéa geral do direito internacional privado § |í° RAZÃO DE SER DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO O commercío internacional. militam razões poderosas e irreductiveis. invencível mente sobre a producção jurídica e lembra o dicto de ARISTÓTELES : — o direito não é como o fogo que arde do mesmo modo na Pérsia e na Grécia. 1802). Embora o direito commercial marítimo. «Príncipes». em CLONET. com tudo restam ainda largos dominios jurídicos essen cialmente nacionaes. pag. Não os acompanho nesse modo de pensar. de um lado. histo(i) E. pags. Para a diversidade das leis jurídicas no mundo. a diversidade das leis são o fundamento lógico e social deste ramo do direito a que se assentou de dar o nome. mostra como a raça influe. §§ 1 — 8. de internacional privado e que consiste no conjuncto de preceitos reguladores das relações de ordem privada da sociedade internacional. aliás por outro modo desenvolvida. julgando os povos europeus e americanos variedades da mesma raça aryana. sem duvida bem apropriado. 417 — 422. fm . Vejam-se sobre este mesmo assumpto. Mas. os direitos intellectuaes e ainda outros mostrem caracteres pronunciados de univer salismo. E' a mesma these. «Le «iroit et sa diversité nécessaire d'a prés les races etles nations». Paris. S. 1901. porque attendem de preferencia aos interesses da sociedade internacional. apoiando o parecer que esposo: PRADIER FODRRR. 1. admitte a possibilidade da unificação do direito occidental. n.Paulo. e o citado Ff ORE. PICABD. «Avant-propos» da traducção franceza do «Direito internacional privado» de FIORE.

.............. forçosamente modifica a attitude das nações umas em face das outras e as obriga a attender á feição particular que assumem as relações jurídicas......... como causa determinante da existência do direito internacional privado ( PILLET....... (3) CLUNBT. 17... em CLUNBT..... E a parte.. esta attracção que sobre os indivíduos exercem os centros de maior cultura e as vastas regiões ubertosas... psychicas. foi posta em evidencia por MON-TESQUIEU 0).... onde o esforço muscular e a energia intellectual se podem rapidamente transformar em abundantes capitães.......... espalham-se pelo mundo...... •... foram geralmente abraçadas (s)................... •■• . III.... OBSPAONBT.. pag... (2) Vejam-se....... e que é na antithese estabelecida entre a concentração| nacional e expansão individual que se deve procurar a origem racional do direito internacional privado... despreoccupados das fronteiras que se erguem cheias de prevenções entre as differentes soberanias terri-toriaes (.. mas parece-me que a soberania dos Estados e a diversidade das leis são....... 533 e segs.......... como também segundo a orientação de seus legisladores e estadistas...... 5......... « Précis de droit International prive».......). Antoine........ por assim dizer....... económicas e politicas...... em CLUNBT... cuja actividade legislativa se desenvolve........ pags. Ao passo que os systemas legislativos se mantêm distinctos e ciosos de sua autonomia. do caracter dos seus habitantes....... duas expressões do mesmo facto.. n.............. pag......... por exemplo...... neste ponto....... foi assignalada por PILLET (3).... Depois disso ha que considerar a independência e soberania dos Estados...... do saber ou do gozo. à procura da riqueza......■■•. na differenciação jurídica... I 8Q3..... ......... 9}......... 1880........ I8Q3... • A variação das leis em cada paiz.. HARRISON... cuja funcção sociológica é harmonisar esses dois princípios divergentes... das suas producções. cósmicas.. cap.IREITO INTERNACIONAL PRIVADO . do clima. 16 e 17............ pela acção do solo.... trad... «Droit intemational prive»..... | ricas..... cujas idéas.. próprias de cada povo... i............... (4] Em geral.... que se deve attribuir do instincto e á vontade dos homens.. FIORE........11.. os indivíduos......... os auctores indicam a diversidade das leis e a soberania dos Estados..... movidos por vários impulsos... I.............................. n.. M Esta penetração reciproca dos povos... não somente ao impulso (las necessidades do paiz... des(1) «L'esprit des lois»..

... procurando satisfazer necessidades de toda ordem.ort.. podemos facilmente reconhecer que as relações travadas no commercio internacional. brasileiros que se transportam para o extrangeiro..un.M| envolvendo-se em outro plano que não é mais o estreito âmbito das nacionalidades... indígenas e alienígenas. mas os legistas que primeiro o observaram não podiam ver nelle roais do que o encontro de soberanias que. >:. que o phenomeno se desenvolveu consideravelmente... / ..tW . que se impõem com a força de uma necessidade. si se não attendesse a essa differença e se submetessem ás mesmas regras......pyu ...„„„..M'. é pricisamente a diversidade das leis nacionaes que faz sentir a necessidade de uma solução uniforme dos conflictos internacionaes ». Ao contrario.... a sua repercussão na ordem jurídica era uma consequência forçosa. •—••»■■ .....». desenvolvendo as energias económicas do paiz..n.. aqui exercendo a sua actividade. e não podem deixar de differir. se commet-teriam muitas vezes graves injustiças...' Extrangeíros que se vêm fixar no Brasil.írtM.«rt..tV. desde que diíferem.........M«*fcW*n. Surgiu d'ahi o direito internacional privado....... Dado o phenomeno de mutua penetração voluntária dos povos. quer sob o ponto de vista económico...„r.t. inflexivelmente.1^.... Não aspiramos a unificação geral do direito privado. porque...... diíferindo o direito pátrio do extrangeiro... reclamam cuidado especial sob ò ponto de vista jurídico...tf „n.««». . por urbanidade ou por interesse.........v.. quer sob o ponto de vista ethico:—a expansão da vida humana além das fronteiras nacionaes...„.M.. as legislações devem ser reguladas por normas especiaes............ Disse muito bem ASSER.. referindo-se ás conferencias de Haya sobre o direito internacional privado: «Respeitaremos a soberania e a autonomia dos Estados... traduzindo uma normalidadeda vida social.CLÓVIS BEVILÁQUA l3 "*""*.. que é o direito reflectindo esse phenomeno social da mais elevada importância..v .f..^^rt... se faziam mutuas concessões.. Hoje. desde que o facto se torna frequente.

... (1) Commenlarius aã Panáectas.. ..*. * •.*. .« ••.... » ... ..14 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO .. Isto mostra que o universalismo característico do direito internacional privado............... se vae accentuando na consciência dos modernos. .......... dando-lhe a conveniente segurança..... •«.... JoÃo VOECIO já sentia que as nações deviam entrar em accòrdo (i) para regularisar o commercio internacional. que os tempos modernos tornaram mais imperiosa.. Essa necessidade.* . 4 (de slatutis).. determinou.. apenas presentido pelo velho jurista hol-landez. *- -t_ ........ I.... Entre os antigos............ .... a reunião de congressos como o de Montevideo Í1888-1889) e as chamadas Conferencias de Haya sobre o direito internacional privado... ...

«Grundlagen des Rechis». «Prehistoria de los indo-europeos».CAPITULO II Os systemas ORIGENS HISTÓRICAS. I. JHBRING. oe COUI-ANGKS. «La cite nntique. BAR. pag. I. (2) Veja-se oj 21.»« ed. O DIREITO ROMANO. Consultem-se: HERMA. o jus gentium e a instituição do praetor peregrinus. í l*. Paris.. 4.. Pôde (i) JHERING. g 17. 48. 234 e 242. pag. 1880. nota 2. Satorres. não gozando os extrangeiros de capacidade jurídica (*) e conservando-se os povos em attitude de hostilidade reciproca ou de permanente desconfiança. 2. 1 e segs.». g V. 'i 22. WHBATON. FUSTKI. como prodromos do direito internacional privado. iS85. Posada. (3) «Inst. GRASSO. 23o. «Espirita dei derecho romano». «Histoiredu progrés du droit des gens». n.VW POST. «Droit civil international». pags. 17. Firenze. I. cumpre assignalar. O jus gentium era uma espécie de direito commum entfe Roma e os outros povos: — quod apud omnes hominesperceque cusloditur (3). 227. LAURKNT. trad. «Einfaehrung in das Studium des buer-gerlischen Rechts». Emlcmann. «Lehrbuch des intcrnaiionalen Privat-und-Stratrechts». Não querendo ir além da civilisação romana. pag. de um direito internacional privado. não é natural que se encontrem na jurisprudência de outr'ora mais do que institutos prenunciando a orga-nisação. « Diritto internazionale publico e privato». PERSONALIDADE E TERRITORIALIDADE DAS LEIS I Sendo o direito antigo exclusivamente nacional (1). . em séculos futuros. I. i 83. I. 55. versão de Ad.

I. 65. (ai JHERING.. onde já penetra o influxo do universalismo em lucta com o nacionalismo (*). pâ"g. «Istituzione di dirilto romano». 273. I. applícava o jus gentium ás contendas judiciarias em que apparecia um peregrino (3). «Esp. «op.. poucos esclarecimentos podem colher-se nas (i) BONFANTE. » . que não corresponde á de extrangeiro nos tempos modernos.. desappareceram os direitos particulares. «Jnstitutes de Justiníen». O pretor peregrino administrava a justiça nos processos entre peregrinos ou entre romanos e peregrinos. no dizer de JHERING. % 6". I. Os direitos exóticos romanizavam-se pelo jus gentium.. e. ou um meio de conciliar interesses sob a égide soberana do direito romano. dada a situação de Roma em face dos outros povos. incorporadas ao império. apoiado em tractados. (4) JHERING. n. ainda que fosse uma consequência do forte sentimento de justiça dos romanos. cit. desenvolvendo assim.. era apenas uma concessão dependente da vontade de um povo poderoso a populações mais fracas. como é o jus gentium uma divisão do direito privado. na doutrina e nos precedentes. pag. O proetor peregrinus. é obvio que o direito das gentes.. BOUJBAN.. I. DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ser definido « o complexo de normas que os romanos tinham em commum com os povos cultos de seu tempo ou que os romanos vieram a crear nas suas relações com esses povos» (i).. 273. dei derecho romano». E1 uma creação romana. (3j JHERING.. para regerem as relações nascidas sob o seu influxo. 17 e 376. op.. pags.». bem se vê -que está nelle um primeiro esboço do direito internacional privado. E como o celebre decreto de Caracalla concedeu a cidadania romana a todos os habitantes livres do império. Sendo assim.. um direito de commercio internacional (4)....16 '~«r . subsistindo apenas costumes locaes sem a importância de systemas jurídicos organisados. cit.. e conhecida a noção de peregrino. Mas.

. quod in regione in qua actum est. Este estado de adherencia do direito objectivo á pessoa. fr. III. SAVICNY. (2) BAR. MARTINS JÚNIOR. O personalismo das leis foi a ponto de. ENDKMANX.. 22. D. tit.CLÓVIS BEVILÁQUA fontes romanas. o seu regimen jurídico. nota 04. com apoio em A. 1. na Hespanha. frequentatur (ULPJA. D. em matéria de direito internacional privado: D. de modo que o individuo transportasse.. e os súbditos germanos submettiam-se aos costumes germânicos. 34: «Semperin stipulationibus. p.NO). .. « Hist. arbítrio judieis usurarum modus cx more regíonis ubí contractum esteonstituitur» (ULMA. para o solução das difficuldades do direito internacional privado (■). Quando as tribus germânicas vieram estabelecer-se no território do império romano. dominada pelos wisigodos. i. no resto da Europa. c. «Lehrbuch». e por longos annos se manteve. erit consequens ut id sequamur. «Historia geral do relaçfti— leíro». com o seu corpo. até que de novo o direito assumiu a feição territorial. LXXV. I. «Esprit d es lois». se encontrarem cinco leis differentes na reunião de cinco homens. 1. HERCULANO e GAMA BARROS- ■ . íixadas nas províncias romanas. JJ2. cap. a principio por concessão e a titulo de amigas e mais tarde como conquistadoras. fr. cit. para o que se organisou o Breviarium alaricianum. e. aut si non pareat quid actum est. foi chamado sys-tema do direito pessoal ou da personalidade das leis (3). 17. no século IX. regiam-se pelo direito romano. ao lado do direito romano ergueu-se o germânico. GRASSO. com o progresso do feudalismo. (3) MONTKSQUJBU.8 17. os hespanoromanos. «Eintuehrung». O mesmo systema era observado entre as outras tribus germânicas. fr. com o famoso Código jvisigothico. 5o. Assim. segundo o testemunho de T* (I) Custumam ser invocados os seguintes fragmentos das leis romanas. pap-"2.: — «Curti judicio bonce fidei disceptatur. i. . 20: — «Extra territorium jus dicenti impune non paretur» (PAULO). et in cceteris contractibus íd sequimur quod actum est. pr. 8 «^. du droit romain au moyen age. regulando cada um a posição jurídica dos indivíduos da respectiva origem ethnica (*). «Dirítto intemazionalc». XXVIII. na Hespanha.NO). 2. em virtude do princípio da personalidade das leis. 2.

.. GRASSO... cit... 223 . 24 : la théorie feodale. distribuindo os homens em baronias. «op. Féodalité- . 4. . inventou-se a professio júris.. acarretando comsigo o systema da personalidade. pães.»... pag. A territorialidade do direito era a consequência forçosa de uma organisação social em que os nu-cleos de população se tinham de conservar distanH (i) MARTINS JÚNIOR.... afastaram de cada território todas as leis que se podessem considerar manifestação do poder de um senhor extranho.. vb.. ».•■»•--—. I...l8 f*" DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . A simples dispersão dos homens em pequenos agrupamentos sociaes determinaria a preponderância do direito local. kfl (2) MARTINS JÚNIOR. qui considérait 1'homine com me subordonné à la possession de la terre et faisait de la personalité humaine un accessoire du sol..... 190—191. (da 2' ed.. bispo de Lyão.. I.. . o jus albinagii e a gabei la emigrationis. «Manuel de droit international prive»... interrogava o juiz.«Droit interna-tional prive».. 224 e seg.. « Grande Epcyclopédie française».... A terriiorifllidade-é-a..."" le»çon...». § 82. e o interessado respondia (*)..expressão prnprjg d° direito feudaL P)........... pag. «Histoire de la civilisation em Europe........^1 Agobardo. «Introduction au droit inter-1 national prive». «op.. n.).. Fiore. em virtude da qual o individuo que comparecia perante a justiça fazia a declaração de qual era a sua lei pessoal.-.. a concepção que considerava o homem subordinado á terra e lhe reconhecia valor segundo a extensão de terras possuídas.._. 269 e segs. cit. e a prepotência barbara dos senhores feudaes. I O feudalismo.... Para evitar a confusão e os inconvenientes dessa exaggerada disseminação legislativa. -. 16o.»... com a ignorância dos julgadores e com a grande variedade de leis ej estatutos tendia espontaneamente a desapparecer.... WKISS. pag.. si não interviesse o feudalismo. pela difíiculdade de provar-se o direito extrangeiro que o juiz desconhecia. GOIZOT.. troUxe uma outra concepção do direito... La féodalité avait immobilisé le droit des personnes en le subor-donnant aux rélations territoriales. Sub qua lege pipis. vinculando-os fortemente ao solo... cit.. São consequências da territo-nalidade mais do que da autonomia o jus detrctctus.... LAINE.. Mas a professio júris... condados e feudos vários. pag. mas. «op..

hollandezes e italianos. e mais tarde por diversos jurisconsultos francezes. que sur gira como reflexo da concepção feudalistica na tela do direito.I 3 5 9 ) e BALDO (1324 . sese extendit ultra statuentis territorium. ins-tituatur.1694). desde que se foram abrindo. para não succumbirem aos assaltos dos visinhos. quippe ibi cesset statu-torum fundamentam. accrescenta : Nullum statutum sive inrem sive in personam. RODENBURGO (1618-1668). BARTOLO ( I 3 I 3 . pelo commercio. conservam e transmittem direitos. Emquanto os povos se mantiveram no quasi isolamento do feudalismo. PAULO VOECIO (1619 . JOÃO VOECIO (1647-1714) e HUBERO (I636 . § 3.1400). É ao soberano de cada paiz que compete estabelecer as condições mediante as quaes se adquirem. com ACCURSIO ( 1182 -1260). esta concepção satisfez. que a capacidade das pessoas e o seu estado fossem .1677).1762). BOUHIER (16y3 —J 1746). si de ratione júris civil is sermo . robur et jurisdictio. BOULLENOIS (1680." THEORIA DOS ESTATUTOS O principio da territorialidade das leis. foi necessário admittir um abrandamento a este rigor. PAULO VOECIO.CLÓVIS BEVILÁQUA 19 ciados e em pé de guerra.I566). recebeu a sua primeira elaboração theorica úo século XII em deante. Tolerou-se. 9 ■ RODENBURGO doutrina : — constai igitur extra territorium legem dicere licere nemini: idque si fecerit quis impune ei non pareri. mas. as portas dos paizes aos forasteiros. confirmando a asserção de seu douto patrício. dentre os quaesse destacam DUMOULIN( I5OO. então. FROLAND (fallecido em 1746). d\ARGENTRÉ (1519 1590). BURGUNDIO (15861649).

I. porquanto mobília sequuntur personam. sob o ponto de vista do efteito (2). efficacia extraterritorial. dizia-se. aconselham abrandamentos á regra.. por insufficiente. como sejam as processuaes e as fiscaes. sejam ou não domiciliadas. o procedimento de todas as pessoas que nella se achem. foi enthusiasticamente defendida. Os primeiros eram territoriaes com uma excepção para os bens moveis. (2) VAKEILLES . repellida pelos modernos. por VAREILLES.. 114. aos «costumes provinciaes» e não ás leis geraes. no território da província. havia a regra locus regit actum. por isso que muitas leis não se pedem classihcar. (i) VAREII. quer entre as reaes. aos estatutos e não ás leis. Em regra geral. I.«. assim.W. e os segundos adheriam ás pessoas sicut lepra cuti. Quanto á forma das declarações da vontade. Estatutos reaes eram os que se referiam ao regimen da propriedade. n. que a resume nos termos seguintes: I.. quer entre us pessoaes. Em principio. embora secundariamente se referissem aos bens. 117-122. « Synthesc ». e outros um estatuto real..MSIIERES. >•• determinados pela lei do seu domicilio. também. parece que a ponderação a pouco se reduz. •■•"■• •■»«. . mas o interesse dos povos visinhos e a mutua benevolência. muitas dentre as commerciaes... observa que a divisão acima indicada refere-se. isto é. ás leis. e pessoaes eram os que regulavam principalmente o estado das pessoas. a qual adquiriu. as leis não têm valor fora de seu território.?«."*V. particularmente.. mas. surgiu a theoria dos estatutos reaes e pessoaes (*). «Synthesc». reconhecendo que essa divisão.SO. e algumas civis.. Dessa concessão.SOMMIERES. ainda que indirectamente alludissem ás pessoas. A theoria dos estatutos.ES-SOMMIERES. á disposição e transmissão dos bens.. na qual viram alguns um estatuto mixto. que entre elles deve reinar. quanto a seus efleitos extende-se. o costume rege. ns. e deixa de pé a critica' dos que acham a divisão incompleta.

porém. V. Em qualquer matéria. a forma dos actos é regulada pelo costume do logar onde se realisaram (1). n.CLÓVIS BEVILÁQUA 21 II. Incontestavelmente. quatenus nihil potestati aut júri alterius imperantis ejusque civium prce-judicetur. Em regra geral. o procedimento de quem quer que seja. sive in per-petuum sive ad tempus ibi commorentur. Sob certos pontos de vista. iíi. Os estatutos do costume. IV. 3. quer de não domiciliados. omnesque ei subjectos obligant. seguem os domiciliados e devem ser-lhes applicados nas outras províncias. nec ultra. 2. • (s) « De coniiictu legum ». quer se tracte de domiciliados.° Leges cujusque imperii vim habent intra términos ejusdem reipublicoe. III. quando as partes. HUBERO (2) já anteriormente havia condensado a doutrina estatutária nos seguintes princípios: i. o costume não rege. .° Rectores imperiorum id comiter agunt ut jura cujusque populi intra términos ejus exercita teneant ubique suam vim. sobre o estado e a capacidade. a synthese do notável (i) «Synthese». não se applicam aos actos jurídicos executados no território da província. Os estatutos dos costumes. incorporaram ao acto os estatutos suppletivos de uma outra legislação. ainda que de facto se achem no território de outra província. . os moveis se devem reputar situados no domicilio de seu proprietário e são. regidos pelo costume desse domicilio. VI. que interpretam ou supprem a vontade das partes. por conseguinte.0 Pro subjectis império habendi sunt omnes qui intra términos ejusdem reperiuntur. expressa ou tacitamente. fora do terriiorio da província.

.. professor de Lille é mais completa.. essencialmente territorial. com as controvérsias intermináveis dos jurisconsultos medievaes sobre os elementos constitutivos da personalidade e da reali dade dos estatutos. o conselho desse casualmente bons resultados. desnatural-a-emos sempre que a forçarmos . o estatuto devia ser considerado real. quer sob o ponto de vista das relações internacionaes..."" •"•" ••■■■■"-•<*. 1 Não se argumente... como se pretende. muitas vezes.. Si o estatuto dizia: primogentms succeaat. o torneio da phrase era outro e declarava bona veniant ad primogenitum.. Ponha-se de parte o conselho empirico. porém.. porque a primeira idéa evocada era relativa aos bens. Não satisfaz ás exigências da razão em nossos dias....22 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . tam ridicularisado. sempre que não fosse manifesta a intenção do mesmo. porque começava por uma referencia á pessoa...... quer sob o ponto de vista do progresso intellectual e juridico... porque a theoria em si é falha.. I Mesmo não se fazendo cabedal de algumas das criticas levantadas contra a doutrina estatutária. Si bem que.... também. si tal facto revela inconsistência da doutrina. Sabe-se que as divergências mais profundas entre elles procediam de que uns se in spiravam no particularismo costumeiro e outros se faziam interpretes das idéas mais geraes a que se tinha elevado o direito romano.. que julgava poder discernir 0 estatuto pessÕãTclo real pela construcção gfammatical da pnrase. é fora de duvida a sua fraqueza lógica. não podem as doutrinas modernas de direito internacional pri vado escapar a egual censura. não é licito crer que o seu illustre auctor o pretendesse arvorar em regra racional. Depois.. Encare-se o systema em seus fundamentos e contra elle poderão ser allegadas as seguintes razões: a) Si a lei é. si. era pessoal.. de BARTOLO. tendo sido construída em tempo muito differente do nosso.

não se pôde partir da territorialidade essencial das leis. o que visivelmente descobre uma das causas da confusão em que laboraram muitos dos expositores (i) LAINE. e a relação de causa a eífeito não pôde ser expressa pela contrariedade das idéas. c) Desde que as leis só devem ser efficazes. Droit International prive ». o que acontece com as leis reguladoras do estado das pessoas.23 CLÓVIS BEVILÁQUA a ser extraterritorial. imposta pelas relações internacionaes de ordem privada.Ii ns. conforme se consideram em relação ao objecto ou em relação ao eífeito. Ou a extraterritoriabilidade é uma necessidade. e. conforme as circumstancias. para a construcção de um systema de direito internacional privado. e dar-lhe effeítos cxtra-territoriaes é atacar a sua essência. neste caso. b) A territorialidade é imprópria para servir de base ao direito internacional privado. . I. o direito internacional é uma disciplina arbitraria e vacillante. LAINÉ mostrou que muitas leis escapavam á divisão estatutária em reaes e pessoaes por isso que não têm por objecto determinadamente uma pessoa ou uma cousa (*). que me parecem ferir o systema em seus fundamentos. 94 e g5. ns. « Ad de : Despagnet. O mesmo juiz. em principio. poderá applicar ou não a mesma lei a casos idênticos dentro da sua circum-scripção jurisdiccional. pag. porque este direito consiste justamente na emcacia extraterritorial das leis. a delicadeza. outras se encontram nos tractadistas. 117 a 123. ou a territorialidade é qualidade substancial das leis. a urbanidade. « Introduction ». e a resposta de VAREILLES-SOMMIERES (2) não satisfaz. acortezia dos povos lhes faculta efficacia fora desses limites. 24 c segs. porque suppõe que os estatutos têm extensão diíiérente. Além destas críticas. dentro do território da soberania que as decretou e somente a comitas gentium. Veja-se a nota 1 deste |. (2) «Synthcseo.

Si. mê raie résidant cu pays éh-anger. em nossos dias. a tantos respeitos notável. apezar da largueza que lhes deu o sábio professor e da luz forte que sobre elles derramou. I. (2) Esiatue o citado artigo do código civil francez: — Lcs lois de policeetde stizeté obligent tous ceux qui habitem le territoire. (3) Diz o Art. procede esse resultado mais do seu critério individual do que dos princípios adoptados. «in fine»: BAR. apezar do que ai lega cm contrario a nova eschola dos seus interpretes.ie ecux possidés par des ctrangers. 3 (s). e os moveis S2 regular. cit. quealguns dentre os escriptores antigos já começavam a procurar no fim da lei ó principio da distineção dos estatutos (1). . VAREILLESSOMMIÈRES. como dignas de applauso. O Art. depois das brilhantes explanações de Savigny e da eschola italiana. sont régis par la loi fran çaise.* deste código que as leis civis obrigam os naturaes do paiz para o qual foram publicadas e que os nacionaes ficam sujeitos ás leis reguladoras da capacidade pessoal cm relação aos actos praticados no estrangeiro. entretanto. ií 2.) pela lei de seu proprietário. mcr.4. a ella se prende no Art. porém. «Lchrbuch». Convém reconhecer.DIREÍTO INTERNACIONAL PRIVADO _ ---- da doutrina. «op. seduzindo os espíritos por sua apparente simplicidade. confusão que está na essência da theoriai e não na modalidade da exposição.o. as suas decisões se nos apresentam. e que os artigos seguintes determinarão o modo pelo qual os extra ngeiros se acham submettidos ás leis civis do estado em que se acham. O código civil francez. idéa que havia de ser mais tarde desenvolvida especialmente por FIORE e PILLET. 26. — Les lois concernaiit I' état et la capacite des personnes régis sent les français. assim como o austríaco de 1811 (3). desenvolveu admirável vigor de dialéctica. na generalidade dos casos. a theoria estatutária modificou-se nas mãos de VAREILLES-SOMMIÈRES. «in fine». Soo declara que os immoveis estão submettidos ás leis da circumscripcão em que estão situados. Como era de esperar. para dar á doutrina estatutária um cunho scientifico.— Les immeubles. que necessitava de um ponto de apoio mais amplo (1 ) FIORE. em sua Synthèse. Por longos annos dominou a theoria dos estatutos. E. n.

.CLÓVIS BEVILÁQUA |**— . «Manuel de droit in-leinational prive». 704: «De la notion de territorialité en droit intemational prive ».. um edifício novo.. § 4. largamente aberto em todos os sentidos.. ns. .. DESPAGNBT.. liv.... (2. WEISS. I. CLUNET.. III. ao menos por um lado.. justificavam a applicação de uma lei em território extrangeiro pela cortezia e pela utilidade. a estreiteza do plano primitivo.«. onde agora circulam o ar e a luz..««. como terei occasião de mostrar. Sobre a historia das idéas jurídicas ao tempo dos estatutários. em particular.».».. 4 .. á lei territorial..„.. quando proclamava a predominância do estatuto real. onde os estatutários se tinham obstinadamente enclausurado.... Parece-lhé que maior affinidade existe entre o auctor da Syntnèse e os hollandezes do século XVII (i). como differença radical entre o systema de VAREILLCS-SOMMIERES e o dos estatutários francezes.. todo o desenvolvimento desejável» (2).. AUBRY que a respeito da doutrina de seu eminente collega de Lille assim se exprime: «O velho alcácer feudal de duas torres sy-metricas.... que nem sempre é a lex reisitae.° THEORIA DA URBANIDADE E DA UTILIDADE Os estatutários e. LAURENT.. «Droit civil intemational»... tendo á frente HUBERO e J...... 1900.. LAINÉ aponta.... pag..... -.-...«. . «Introduction ao droit intemational prive». 25 • • • — e mais solido.M*^«... «Droit intemational prive». não lhe permittiu dar....«. aliás não concede J. con-sultar-se-ão..«. os da eschola hollandeza.. secções... e este..W..M.. assim reparado ou mesmo reconstruído em seus alicerces.. „». na verdade... e quaesquer que elles sejam. não via nelle sinão essa lex rei sitae.. em principio. Entretanto... 90 6 100.. IQOO. VOECIO..»-•. com vantagem: LAINB.. Este ponto de vista foi acceito por muitos tractadistas mais ti) « Revue critique» janvier. é.«^«......... I—VI..... o que. que aquelle submette os actos.

reconhece o eminente internacionalista que a justiça reclama do legislador que lhe acceite a validade. proclamando que todo acto executado no território de um Estado está submettido a suas leis. LAWRENCB. porque o soberano de um Estado não pôde dar como inexistentes os outros Estados soberanos e desconhecer que elles têm o direito de ímpôr leis aos seus súbditos. em carta a LAWRENCE(2). concorda que se substitua a palavra cortesia (comity) pelo vocábulo justiça. sendo aliás de notar que este ultimo faz distincções e restricções que modificam a doutrina. PHILIMORE. .modernos. Então. como observa WHARTON (I). em um certo sentido se pôde affirmar que ha cortezia internacional no facto de applicarem os juizes leis de um Estado extrangeiro. WHEATON. já não lhe parece que a resposta deva ser dada pela affirmativa. mus sobretudo utilidade. ANTOINE. (2) «Commentaire sur Whaeton ». Mas. 58. Effecti-vamente. segundo a lei pessoal do agente. porsua vez. SAVIGNY repelle. qual é a de cortezia. PIMENTA BUENO. Mas ou a consideremos pelo prisma dos antigos ou a encaremos em sua feição moderna. FÉLIX. como Rocco.* a. esta não é a verdadeira base sobre a qual devam repousar as regras do direito internacional privado. a delicadeza que faz concessões para (i) «Private intertational law ». VAREILLES-SOMIMIERES. III. WESTLAKE. § i. quando a questão é de saber si o direito natural absoluto exige a applicação no extrangeiro da lei pessoal do individuo. STORY. Igunta como é possível que uma idéa vaga e flexível. o egrégio jurisconsulto não vê mais que utilidade e benevolência. per. Neste ponto. é o primeiro principio da theoria dos estatutos que dá satisfação á justiça. si. a theoria da comitas gentium não pôde offerecer uma base acceitavel ao direito internacional privado. seja tomada por norma de direito. de sua tentativa de*harmo-nisar as leis dos Estados cultos em conflictos inter-nacionaes. Si se tracta de um acto realisado no extrangeiro.

LAINÉ. WEISS. sendo voluntária.* A sociedade internacional tem necessidade da tutela permanente do direito. MASSK. sob pena de se recusarem ao direito internacional privado os caracteres de sciencia. o problema fundamental do direito internacional privado é encontrar o principio de harmonia que deixe intacta a maior porção possível da auctoridade do direito. 1894. FIORE. Este pretende estabelecer entre as nações uma communhão jurídico. HEFTBR.CLÓVIS BEVILÁQUA 27 encontrara justiça que impõe obrigações (i)." Porque é incompatível com o fim do direito internacional privado. Nenhum. as mesmas soluções. e. de conveniência ou de cortezia (3). mas também não lhe demos mais do que ella racionalmente merece. offerecendo para as mesmas questões de conflicto. encarando-lhe a theoria. Mas esta ambicionada fixidez e universalidade de princípios não serão alcançadas emquanto a admissão das leis extrangeiras depender. DESPAGNET e a quasi totalidade dos que se têm modernamente oceupado desta matéria. da ed. VIII. 2. Não ponhamos fora como absolutamente imprestável a idéa da comitas gentium. 1874) e com elle estão de accórdo BLUNTSCHLI. (3) CLUNET. PILLET. E esse problema não pôde ser uma questão de arbítrio. • (1) «Droitromain». Em conclusão: a cortezia. em cada paiz. 71J—714- . considerando-o na funcção de norma social. A grande maioria dos escriptores modernos vê na comitas. franceza. 3i. BROCHE». PILLET que a considera inadmissível pelas razões seguintes: 1. não pôde ser acceita como razão única ou substancial da applicação da lei extrangeira. é forçoso que percam o menos possível de sua efficacia. Si as leis nacionaes não podem manter a plenitude de seus effeitos. das inspirações eminentemente ondulantes da cortezía. pag. porém. uma idéa falsa capaz de estorvar o desenvolvimento do direito internacional privado (2). e de direito. vacíllante. pags. ASSER. assim. como as sociedades nacionaes. H (2) E' celebre a critica de MANBINI (CLUNBT. quando applicadas internacionalmente. accentuou melhor a inconveniência da idéa do que A.

g 1—3. § 454. No mesmo sentido se manifestam WESTLAKE (5) e HARRISON (6). nota o): On the subjectof this lecture. na America do Norte. porém. pôde bem ser apreciado pelas palavras de WALKBR. a principio. denomina-a—an old woman's fable. . WHARTON (3) acha insufficientes as doutrinas que se estribam na comitas.DIREITO INTERNACIOrra § 5. (3) «PRIV. \ 1: Private international law is that branch of lhe law of a couartrv which relates to cases move or less subject to the law of other «Countries». era um aspecto da utilidade geral (BURGE. a cortezia internacional. ainda que encontremos essa idéa em (1) O conceito elevado de que. que. ESCHOLA ANGLO-NORTE-AMERICANA Os escriptores inglezes e norte-americanos. no emtanto. ao iniciar a sua breve exposição do direito internacional ( «American law». Ineed make no other reference than to Story's «Commentaries «on the conflictisof laws». como razão da extraterritorialidade da lei. esposando a doutrina da territorialidade. 1800. Introduction». in the world. 421 e 537. (3) LoiuMER. davam. pags. a comity. (6) «Clunet». si a idéa de urbanidade não foi inteiramente posta de lado (2). (4) «Priv. int. para elles. PHILIMORE). (5) Private international law is that department of national law which arises from the fact that there are. pag. («Trealise on private int. 4). law». E como parte da common law que o direito é applicado pelos tri-bunaes inglezes e norte-americanos. STORY (I). different territorial jurisdictions possessing different laws. which scarcely leaves anything to be desired in this department of jurisprudence. law. procuram os auctores mais vigorosos fundamentos para os suas construcções doutrinarias.alucidand comprehensivetreatise. ÍNTER. Para elle o direito internacional privado é o ramo do direito de um paí{ que se refere a casos mais ou menos sujeitos a leis de outros paires (4). Modernamente. LAW». na convenção e na reciprocidade. Assim. goza STORY.

uma expressão da utilidade. O juiz é um orgam do poder publico. acceita expressamente pelo código civil francez (2). executivo e ju diciário. Sob o ponto de vista de que a applicação do direito necessita da auetoridade soberana do Estado e a ella adherc. BAR («Lehrbuch.AU. se caracterisa por ccn-sideral-o um ramo do direito nacional. pôde ser affirmado que a jurisprudência ingleza e norte-americana. O direito internacional (ij BOEHI. ensina que o direito extrangeiro applicado nos limites da esphera de acção do direito allemão é direito allemão. nota 6. 6. a. o direito extranho como que_ entra no corpo da legislação nacional. " rw Aos extrangeiros somente se concedem os direitos que o seu Estado assegurar aos . da parte do juiz. citado por WIUDSHEID. # (2) Art. portanto. disfarçando-se em muitas convenções internacionaes. mas uma expressão mais grosseira. auctorisa iniquidades majii festas. . diferindo delia em ser aggressiva. applicando a lei. 11—L'étranger jouira en France des mémes droits civils que ceux qui sont ou seront accordés aux Français par les traités de la nation á laquelle cet étranger appartiendra. n. Eis o principio. E' uma necessidade que procede do tacto de não ter a sociedade internacional uma organisação politica a qual se prendam os três poderes: legislativo. exerce funeção emanada da sobe rania. quanto ao direito internacional privado. violação do direito na cional. como a rç>rfe" '. «Pandectas». essa idéa se justifica. e empresta ás relações internacionaes uma extranha feição de ameaça e hosti-Jidade.a internacional. para ter execução. 2») também diz: das internationale Privatrecht auch sin Bestandtheil des inlaendischen Rechts bildet. porque substitue_ a idéa de justiça pela de conveniência. Sem duvida é.CLÓVIS BEVILÁQUA 20 outros escriptores (1). THEORIA DA RECIPROCIDADE I Defendida por jurisconsultos do valor de Rocco e AUBRY ET RAU. nacionaes. Dahi conclue que a não applicação de um preceito válido do direito extrangeiro importa. . o qú|p ihp 3a nrp rnnhp de manifesta^ ijVrerioridade^ De um tal principio se podem ima-ginar bem as consequências. § 34.jjjpnria da reciprocidade deye ser inteiramente banida do direito. jj 7.

O CÓDIGO CIVIL I No curso do século XIX.. de concórdia. como a de EICHHORN. lembra WHARTON. O espirito do direito internacional é de harmonia. . SAVIGNY. para desprendel-o do empirismo da eschola estatutária. law». BAR. chega-se a negar os direitos da personalidade humana» (*). accrescenta FIORE. em que a varidade das legislações não seja impedimento para a communhão de direito em principio e essência. BROCHER. I. pela justiça de seus preceitos. 2 3. para reunir a humanidade numa familia. e a reciprocidade é filha da desconfiança que mais afasta e irrita do que approxima e concilia. de paz. e a reciprocidade é o gladio da guerra. favor ou affeição.3o DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO seria uma balbúrdia. E principio fundamental. 29." ESCHOLA ALLEMÃ. que fundavam o direito internacional privado na efficacia da lei vigente no paiz da pessoa interessada. e seria um campo de represálias em que se degladiariam as preterições adversas. Muitas dessas theorias tiveram vida ephemera. erguido pela mão do arbítrio. e a reciprocidade está divorciada desse principio'(i). (2) «Droit int. prive». empenharam-se os allemães em construir a theoria do direito internacional privado. e a de GLUCK e MAURENBRECHER. que se faça justiça a todos. n. sem medo. THIBAUT e GOSCHEN.J «Subordinando a tal condição o exercício dos. § 7. para os quaes o direito internacional resultava da obrigação que compete aos Estados de respeitar os (i) «Priv int. variando as soluções á mercê do arbítrio. estimular os sentimentos altruitas. O direito internacional privado quer.dr^ reitos do homem.

Outras. Os bens. cit. tiveram melhor fortuna. «Lehrbuch». porque ahi nasceu o individuo e ahi o direito lhe attribuiu ói sua capacidade e a sua posição jurídica em face da sociedade e da família. depois de evidenciar a inconsistência da theoria estatutária. é a lei do logar da situação dos bens que governa as relações de.LES — SOMMIKRKS. WASCHTER. Applicando a sua formula ás differentes relações. WAECHTER e SAVIGNY. | 3. é forçoso que o juiz decida o litigio de accôrdo com a lex fori. as relações de direito. í. VAREII. que os tomam por objecto. ns. do melhor modo.". Weiss. P SCHAEFNER sustentava que as relações de direito devem ser apreciadas. pôde entregar o julgamento do caso considerado a uma lei extrangeira. A obra de SCHAEFNER tem por titulo — «Entvvickelung des internationalen Privatrechts » {1S41). submettem-se á lei do domicilio do proprietário. c) na duvida. decidia elle que o estado da pessoa é regulado pela lei do seu domicilio de origem. Consequentemente. direito que a elles se referem (3). 35a — 353. « Synthese ». Si os bens são considerados ut singuli. 1899. somente no logar da situação delles podem formar-se. b) mas essa mesma lei. como as de SCHAEFNER. « Drnit intemational prive». psígs. as famílias. considerados em sua universalidade. cuja reunião constitue a nação que as (i) BAR. fez repousar o direito internacional privado sobre os seguintes princípios : a) o juiz é obrigado a applicar a 'lei do seu território. (2) BAR. principalmente esta ultima. porque o domicilio é a sede legal da pessoa e nelle é que esta adquire a aptidão para) possuir bens.CLÓVIS BEVILÁQUA 3l direitos bem adquiridos ( x ). As leis referentes ao casamento são elaboradas no intuito de organisar. porque ahi foram adquiridos os direitos que a pessoa exerce sobre elles. . como em matéria] Ide successão.. Paris. no seu sentido e no seu espirito. % 8.. 236 — 23g. segundo a lei sob os auspícios da qual se originaram.

por seus juizes. e. ás famílias que formam outra sociedade civil e vivem sob outros costumes. qual a sede de uma relação de direito é necessário partir dessa idéa elevada de uma communhão de direito entre os diversos povos que se acham em contacto frequente. deve examinar. a natureza da relação jurídica que lhe cumpre julgar. com isempcão de espirito. Consequentemente. que não deve ter influencia fundamental. Foi um dos mais vastos espíritos dentre os que se dedicaram á jurisprudência. como o de SCHAEFNER.a3a—235. «op. São artigos. em 1841. por fim. de modo algum. embora a legislação não o diga expressamente. no seu espirito e no seu sentido. «Synthese». WEISS. ella quer que a capacidade em matéria do direito da família seja regulada pelas disposições da lei do paiz a que pertencem os que se vão casar ou que já eflfectuaram o seu casamento (i). Consiste esta operação em determinar a sede da relação de direito para applicar-lhe a lei que melhor lhe convenha. leis originariamente extrangeiras. franceza de Guenoux. SAVIGNY (2). ( 2) « Traité de droit romain ». VAREIIJ. acto revogável de (1) BAR. com cuidado. pags. nasceu em 1779 e falleceu era 1861. Entende o excelso jurisconsulto que o juiz. que apparc-çeram no « Archiv fuer die civilistische Praxis ». muito embora seja extrangeira essa lei. % 3. Francisco Carlos de Savigny. cit». examinando a efficacia da lei no espaço. applical-a.32 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO adoptou para si e que não pretende impol-as. «Diritto intcrnazionale». o que não é absolutamente resultado da simples benevolência. sob o titulo « Kollision der Privatrechtsgesetze». 220.0 estudo de WAECHTER appareceu. Essa communhão de direito realisa-se pelo accôrdo dos Estados em admittir que possam ser applicadas.'. inquirir depois qual é a lei que mais convém a essa relação. desenvolve uma theoria completa de direito internacional privado. trad. 83 pag. «Lehrbuch». . jjg 345 — 382. achando-se em face de um conflicto de leis de Estados diíferentes. Para que seja possível determinar. sendo circumstancia fortuita. ns. o ser deste ou daquelle território o juiz que tome conhecimento do caso. a5i —262. VIU. GRASSO.ES — SOMMIBRBS.

■•• ....... no exercício de seu direito de conservação e defeza..... pags....... Depois...-«>«™— ..■......... não por uma coacção irrealisavel. pelo prestigio da própria idéa e pela acção do sentimento dê que esse é o meio mais próprio de satisfazer necessidades moraes geralmente sentidas. 5 m ... O próprio Estado. Depois delle a tarefa da scjencia deve ser accentuar melhor certas idéas.:.. mas consequência natural do desenvolvimento próprio do direito (1)... entre povos da mesma cívilisação............1901..CLÓVIS BEVILÁQUA •" ... se tenha? deixado arrastar pela influencia de outras doutrinas ainda vivazes em seu tempo.. espontaneamente...... na communhão de direito está incluída a idéa de egualdade entre nacional e extrangeiro no circulo das relações de ordem privada.. na communhão de direito... pôde affir-mar-se que SAVIGNY encontrou.. desenvolver e esclarecer os princípios basilares por elle assentados.... .. e corrigir deducções em que. e determinada..... e esta é uma das Consequências a que naturalmente chega o direito internacional privado.. Por isso mesmo..... a verdadeira base do ramo da jurisprudência que agora está sendo considerado.. Assim. por ventura........ Na determinação da sede de uma relação de direito.... está o ponto central e a grande força da theoria de SAVIGNY......... «Droit romain»... Nesta idéa çle uma communhão de direito. ella se impoz a todos os espíritos e se realisará... - 33 uma vontade arbitraria. % 348..........'■ ....... AUBRY ( 2 )..... 660 — 661.. pelo desenvolvimento symetrico da idéa de justiça...... assignala esses principios por meio das leis prohibitivas que obrigam a todos os (i) SAVICNV.. mas voluntariamente.... quando as mesmas soluções justas e racionaes forem acceitas por toda a parte.... VIII. (a) CLONET. ..«............... como diz J.. pôde o juiz achar-se em frente a princípios offensivos da soberania ou da organisação social de que faz parte e é claro que os não deve applicar...........*f. expressa pela accei-tação dos princípios geraes do direito internacional privado...

■ A validade intrínseca e o eífeito das obrigações regemse pela lei do logar de sua execução. ENDKMANN. não pôde o extrangeiro contrahir novas núpcias. I. e os auctores por este cit-tdos á nota 4 do referido g 17. I São estas as applicações principaes da doutrina savígnyana. % 45. 867—887. g 29. 1898.34 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO que habitam o seu território. (r) Vejam-se WINDSIIEID. particularmente.. que foi geralmente acceita na Allemanha (i). as idéas de SAVIGNY foram desenvolvidas por DESPAGNET. salvo lei prohibitiva da nação a que o juiz pertencer. salvo manifestação da vontade em contrario ou necessidade resultante da própria natureza das cousas. pags. I. sendo continuada e desenvolvida. occupam logar no espaço e esse logar é necessariamente a sede da relação de direito da qual elles são o objecto. «Einfuehrung». que as incapacidades por motivos puramente religiosos não podem ser respeitadas pelo juiz de um Estado onde domina o principio da liberdade religiosa incondicionada. DERNDURG. a lei pessoal é a do domicilio. . seja qual fôr a sua nacionalidade. Por ella se devem regular o estado e a capacidade das pessoas.». I Os direitos reaes regulam-se pela lei do logar onde se acham os bens a que elles se referem (lex reisitce). PILLBT e outros. M A devolução hereditária do património obedece á lei do domicilio do de cujus. porque esses bens. « Pand. e as a anotações ao mesmo feitas por TRIGANT-GENESTE. objecto dos direitos reaes. lei prohibitiva que é a expressão de interesses moraes ou económicos oppostos aos que se concretisam na lei extrangeira. A forma externa do acto jurídico gerador da obrigação depende da legislação do logar onde se realisar. Assim é que. em CLUNET. Na França. na vigência de outro casamento. «Addc»: KEIDÉL. «Pandekten». por BROCHER e BAR. STOIJBE. I. g 17. por outro lado. nos paizes onde a monogamia é a única forma reconhecida de matrimonio. invocando a sua lei pessoal. Assim é também. jj 34. I. «Précis de dtoit international prive». Para Savigny.

éum dever jurídico e não uma simples concessão de cortezia do Estado que permitte. segundo que leis serão apreciados os direitos que se ligam á sua pessoa. mantendo as primeiras a sua nacionalidade que repousa sobre princípios do direito das gentes e que independe do logar em que as mesmas se acham. afim de conservar os direitos adquiridos e de estabelecer a necessária segurança» (1). com alguma segurança.° Que a applicação da lei extrangeira. b) o facto de se acharem. aos seus bens e a cada um de seus actos. 2. 3. cj esta competência legislativa deve ser fixada de modo racional e conforme á natureza das cousas. 4. 1882. em certas circumstancias. b) é preciso que cada um possa prever. .0 Emquanto uma pessoa ou cousa se acha em um determinado território. e pelo mutuo reconhecimento da ordem jurídica dos Estados civilisados. em geral. num determinado território." São presuppostos do direito internacional privado: a) a soberania territorial dos Estados. ensina: i. por seu lado. a qual se revela pela necessidade imperiosa do commercio internacional. mas ainda no extrangeiro. cj a sede do tribunal perante o qual se move o processo . E esse o tríplice objecto do direito internacional e o auctor suisso o desenvolve com muito saber e critério.CLÓVIS BEVILÁQUA 35 BROCHER (1811 —1884) resume a sua doutrina nos três princípios seguintes: a) «Cada um deve estar certo de que terá o gozo dos seus direitos civis não somente na sua pátria.0 Que o direito internacional privado repousa na própria natureza das cousas. pessoas e cousas. Geneve. está submettida á soberania e ás leis desse território na medida da influencia f 1) « Cours de droit international prive suivant Ies príncipes consacrés par le'droit positif français». o commercio jurídico de seus habitantes com os habitantes de outros paizes. BAR.

que viram nesse facto um rompimento desarrazoado com a tradição legal e scientifica do paiz (*»). de apresentar uma codificação completa desse ramo do direito para servir de brilhante coroamento ao trabalho magistral da codificação do direito civil. e 2^9—a83. 1899. KEIDEL : « Lc droit iuternational prive dans le nouveau code civil allemand ». Lehrbuch. cujo alcance passará além dos limites territoriaes do império e marcará uma conquista nova da sciencia do direito internacional privado. é. definitivamente. embora com protestos de muitos juristas. . que lançaram as bases de uma systematisação uniforme áo direito internacional na maior parte dos paizes da Europa. uma reforma. O que é para lastimar é que o legislador allemão deixasse passar a opportunidade. « Lehrbuch ».36 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO que ellas querem exercer. sendo de notar que von BAR.'pags. Nos artigos 7 a 3i da lei de iníroducção. quando elle apenas significa a acção das Conferencias de Haya. 12—47. CLUJWT. Uma grande nação esposou o (1 ) BAR. continuam as mencionadas pessoas e cousas submettidas á legislação que as regia anteriormente (i). 1898. 867—887. quando descorre por este modo: «Assim se realisou. (3) ENDEMANN. KEIDEL. Não obstante. uma tal ou qual vacillação. não poderá esse mesmo jurista deixar de compartir o enthusiasmo de J. Veja-se. «Einfuehrung ». além da sua deficiência. Não se manifestando essa vontade. g 17. em sentido contrario.| Como se vê ahi nessa condensação de idéas se combinam as influencias de WAECHTER e de SAVIGNY. a Allemanha adheriu. dá preferencia á lei nacional para determinar o estado e a capacidade da pessoa (*). modificando a sua boa impressão deante da reforma. pags. afastando-se de SAVIGNY. Com a publicação do código civil. o que fere a attenção do jurista extrangeiro. a este ultimo systema. pois deixou de lado os direitos reaes e os obrigacionaes. I 10 e segs. I. que já lhe tem sido exprobada. g 4." (2) BAR. no domínio da legislação allemã. talvez por exaggerados receios.

GlANYANA (e). proferiu. conseguiu fazer triumphar as suas idéas no Código civil italiano (arts. 1898. (7) «Diritto internazionale publico» e privato».. em CLUNET. ESPERSON (i). (3) n Diritto internazionale priva to ». remodelada a obra primitiva. Bologna. i. foi fundada por MANCINI ( á ) e continuada por FIORE (3). a sua celebre prelecção. cm I85I. . para o francez. (6) « Lo straniero nel_diritto civile italiano.. «Acide»: FUZINATO. 6— 13. 1869. «Leggi personali e leggi territoriale ». diz o grande jurista. A nacionalidade. penetra com o seu espirito a jurisprudência refractária e parece destinado a realisar. int. publicou. Filangieri. (5) «II diritto internazionale privato e i suoi recenti progressi». em 1874. das disposições preliminares) e. pag. é a base (1) CLUNET. GkASSO (7) e tantos outros. obra que foi traduzida. CATELLANI (5). por PRADIER FODÉBIÍ. Pavia. a exposição que é o cathecismo da eschola. Mais tarde. «II principio delia scuola italiana nel dir.° ESCHOLA ITALIANA E FRANCO-BELGA A brilhante eschola italiana de direito internacional privado. pag. limitada pela ordem e pelo direito públicos. foi traduzida para a mesma língua por Cu. em 1874. 154 é segs. de mais em mais. 884. i883. 2g3 e segs. « Delia nazionalitá come fonte dei diritto delle gente ». sob o titulo _« Droit internazionale privato. 1868. . i885. que influiu considerável e beneficamente no progresso da sciencia e na reforma das legislações. MANCINI estabelece como principio fundamental da solução dos conflictos internacionaes a idéa de nacionalidade que é uma forma da personalidade da lei. se impõe. § 8. num futuro mais ou menos próximo. 188S. que começara sectário de SCHAEFNER. (4) «Del principio di nazionalitá». a unidade quasi completa cm um assumpto em que a cada passo esbarramos com divergências doutrinarias» f1).CLÓVIS BEVILÁQUA 3J systema que. Torino. ANTOINB.° do Código civil francez. pag. 1884. Lo-MONACO. Torino. privato». Firenze. á attencão do legislador e do jurista. (2) MANCINI (1817—1888). desde o dia em que foi pela primeira vez formulado pelo artigo 3.*ed.

podendo os agentes... apezar de quanto fica exposto. poderão de-rogar as leis prohibitivas do reino. «em caso algum as leis. 8. desde que sejam declaradas executórias na forma do código do processo civil...0 que a forma dos actos seja a do logar onde se celebrarem. O art. As doações e os testamentos regulam-se pela lei nacional do disponente. quer no que respeita á ordem da successão e a extensão dos direitos hereditários.." manda regular as successões legitimas e testamentárias pelo direito do de cujus. concernentes ás . si forem da mesma nacionalidade.. -. 6. de policia e de segurança publica obrigam a todos os que se acham no território do reino (art... As leis penaes. Determina o art. e.—. 12... n)..... A substancia e os eífeitos das obrigações obedecem á lei do logar em que se contrahirem ou á lei nacional das partes...■ 38 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO -. .. quando celebradas por extrangeiros pertencentes á mesma nação. .. 10 que a competência e a forma se regulem pela lex fori... Melhor do que em seus escríptos apreciam-se as suas idéas no código civil italiano que.... Os meios de prova deter-minam-se pela lei do logar onde se passou o acto que se quer provar... os actos e as sentenças de um paiz extrangeiro. 7.0 declara os moveis sujeitos á lei da nação do proprietário. no art.. 9... Mas. e os immoveis submettidos á lei do logar onde estão situados. quer no que se refere á validade intrínseca das disposições. Estatue o art.. seguir a sua lei pessoal..... As sentenças dos tribunaes extrangeiros terão execução na Itália...«-«...°. pondera o art... estabelece: Le stato e la capacita dellepersonc e di rapporti di famiglia sono regolati dalla legge delle naçione a cui esse appartengono..... O art... como uma dependência do publico. assim^ como as disposições e convenções privadas. do direito das gentes.. assignala a ambos o mesmo fundamento.. comprehendendo o direito internacional privado. salvo disposição contraria da lei do paiz onde se acham.

e as que. cujas affirmaçÕes principaes. FIORE (3) entende que para resolver o problema da delimitação das diversas leis positivas é necessário firmar. « Diritto internazionale. quando não é a nacionalidade mas sim o Estado que dá força a essa lei e lhe pôde reclamar a execução ( 2 ). 1894. pags. § 84. por qualquer modo. . I. Esta e outras criticas não attingem a exposição de FIORE nem a daquelles que lhe seguiram as pegadas. pois contra a doutrina pura de MANCINI se têm levantado graves objecções. O desdobramento de suas idéas é um raciocínio bem encadeiado. São essas também as conclusões a que chegam FIORE e os outros juristas da eschola italiana. (2) CLUNBT. de modo preciso. nem sabe de onde vem essa força mys-teriosa e innata que obriga a dar-lhe preferencia em face de todas as outras que com ella se pódem achar em conflicto.CLÓVIS BEVILÁQUA 39 pessoas. preferindo procurar um conceito mais lato e mais firme. (3) aDroit international prive». PILLET. são conceitos que illuminam toda a sciencia e formam os (1) GRASSO. afim de submetterem as normas do direito internacional privado a uma systematisação racional. como é a communhão jurídica (x). aos bens e aos actos. 722—723. quando a forca de cada disposição legislativa deve ser territorial ou extraterritorial e até onde se deve ella extender no espaço. respeitam á ordem publica e aos bons costumes ». resultantes de se terem ambos abeberado na fonte abundante e clara de SAVIGNY. 52. não descobre a razão por que se ha de fazer da lei nacional a lei natural do homem. por exemplo. mas é certo que muitos delles não se resignam a ver no principio da nacionalidade a base de sua doutrina. n. até porque entre o systema do eminente professor de Nápoles e o do não menos notável professor de Paris existem afrinidades não disfarçadas.

|3) «Op. n. 40.». n. tomando em consideração a natureza da relação jurídica. da justiça e da necessidade da coexistência humana: te Os princípios geraes relativos á autoridade territorial e extraterritorial das leis não se poderão tornar obrigatórios para os Estados sinão por meio de tra-ctados» (4). dizelle ('). derivado da própria natureza das cousas. «Cada Estado.». mas acima delles ! ~k) «Op. 36. A competência de cada soberania (*) como poder legislativo deve ser determinada segundo os princípios do direito. n. sobretudo. cit-».r~ Não se pôde recusar o valor dos tractados para a regul ularisação da vida internacional. remata as suas generalisações com esta affirmativa que se não prende immediatamente ás proposições anteriores e que. 34. Estabelecidas estas bases. cit. embora o não consigam inteiramente. 35. não satisfaz â quem desejava um principio de obrigação para os Estados.40 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO degraus que pretendem conduzir o espirito a domi-nal-a do alto. n. I . dentro dos limites fixados pelo direito. é autónomo e independente. ergue-se a intelligencia para alcançar um principio mais elevado e mais geral que lhe dê a chave ultima do problema. com-tanto que não occasionem offensa aos direitos e aos interesses legítimos da soberania nacional e á ordem publica». preso pelo principio da soberania territorial. (4) «Op. por suas próprias leis. porém o escriptor italiano. mesmo quando as relações jurídicas que dahi derivam se desenvolvam em paiz extrangeiro. 2) «Op. cit. Cada soberania (8) pôde regular. assim como os contractos ou os factos jurídicos originados ou executados no território submettido ao seu domínio. os interesses sociaes e os geraes. os direitos privados das pessoas e as relações das famílias submettidas á sua auetoridade.». cit.

358.. I As idéas geraes da eschola italiana foram acceitas por X LAURENT (4 ). ensina elle (°). da regra locus regit actum. insiste: « é por seus súbditos e para seus súbditos que o Estado existe.. a menos que o interesse. m «Príncipes élémentaircs de droit international prive». .. 358. e da autonomia da vontade». em principio. Seria violar a soberania egual dos outros Estados pretender impor aos que a elle se acham vinculados a applicação de leis extranhas. Este raciocínio. 1899. não pôde reger sinão aquelles para quem foi feita. sua soberania territorial é apenas um accessorio.. 2. (3) «Manuel de droit international prive».CLÓVIS BEVILÁQUA 41 ...). Paris. prive » e artigos diversos cm CLUNBT.. resultantes da ordem publica internacional. mas.... - e estimulando-lhes o vigor deve existir algum principio de obrigação.WEISS ( ) e outros. cit. onde quer que se achem e quaesquer que sejão as relações de direito.. não conhece fronteiras territoriaes. Depois de algumas considerações sobre o conceito do Estado. «Traité de droit int. tem sempre por objecto a utilidade da pessoa ... por outro lado. que se manifesta pelo direito que pertence ao Estado de dar leis aos seus nacionaes. que se funda na juncção do direito internacional privado ao publico. 6 . I3) «Cours élémentaire de droit international prive ». 1SS0— 18S1 (8 vols.. pag." ed. WEISS é dos que seguem a èschola na pureza de seus princípios.. deve ella governar...geral o exija... mas estes. (2) « Introduction au droit int. prive». idéa que me parece (1) «Droit civil international». (7) «Op.. alguns mantendo-lhes a feição rigorosa dos primeiros mestres. Bruxelles— Paris. LAINÉS ( 3 ). SURVILLE et ARTHUIS (3). a dependência de sua soberania pessoal.pag. «A lei. outros addi-tandolhes conceitos hauridos aliunde. quando estatue sobre um direito privado. Esta ultima.». (6) «Manuel» cit. AUDINET ( ).. salvo excepções ou attenuaçoes.. seria abdicar de sua própria soberania renunciar ao direito exclusivo de regular a7 condição jurídica de seus nacionaes expatriados» ( ).

». Por isso. e. ou. agora que passou a primeira impressão e se estabeleceu nas consciências o equilíbrio entre a personalidade e a realidade ou entre a territorialidade e a extraterritorialidade. acceitando-as.os pontos fracos da doutrina. Perfeitamente. mas. 361. não é pelo seu caracter pessoal que as leis se tornam extra-territoriaes. .42 DIREITO INTERNACIONAL PRI1 errónea. pag. pelo menos. porque ellas são uma forma. Os (i) Veja-se o § 17. e sim porque os Estados extrangeiros as toleram em seu seio. «de repellir as leis que contradizem as bases fundamentaes sobre que assenta a sua própria orga-nisação». como justificar as excepções oriundas da ordem publica e da forma dos actos? O Estado tem o direito de con-servar-se e defender-se. si o argumento procedesse. cit. porque é. pode também ser desrespeito a essa mesma soberania tolerar dentro de um Estado que imperem outras leis além das que elie entendeu necessárias á direcção da vida social a que preside. não apresenta em si uma força de convicção. mas não por uma applicação rigorosa do principio geral que firmou. uma arma de dois gumes. dizem (2). neste caso. si seduziu a principio pela reacção benéfica de que lhe somos incontestavelmente devedores. e elles naturalmente as admittem. «op. vae-se comprehendendo que a eschola italiana alcançou tantas soluções felizes pelo espirito de liberdade e de justiça que nobremente a inspirou desde os primeiros momentos. quando elles se acham no extrangeiro. por consequência. (2) Wmss. e sobre a qual voltarei (*). Depois. uma expressão da idéa de justiça que elie tenta realisar em suas próprias leis. muitos que acceitam as soluções dessa eschola procuram obter uma generalisação mais vasta que possa justificar todas as alludidas applicações. I A idéa da personalidade das leis. Si é offensivo da soberania dos Estados impor aos seus súbditos leis extranseiras. não desconhecem.

entrincheirando-se por traz do principio que proclama ser um dever de justiça internacional reconhecer o direito dos extrangeiros e respeitar as relações jurídicas racionalmente submettidas á lei extrangeira. não é raro encontrar attitude similhante ou mais decisiva. mostrando-se favoráveis ás idéas dominantes na eschola italiana e franceza. (2) «La methode de droit international prive». PILLET. La Haye. como critério de solução de conflictos de leis. observa elle. trad. agora devo mencionar a de J. deve ser posto á margem. e si tal é o objecto de suas regras tal deve ser também o seu fundamento. assim como RIVIER. .j (3) CLUNET. professor da Faculdade de Direito de Rennes. corresponde á opinião geral. O interesse dos Estados. (i) «Eléments dedroit international prive». Apresenta este auctor. o interesse bem comprehendido dos indivíduos. 3Syo. « São interesses pessoaes que o direito internacional regulamenta. Entre os francezes e os italianos. no qual se devem inspirar os juizes. 661 —662. por muitos lados. quando opposto ao dos indivíduos. tentam recompor as suas idéas a ver si se lhes apresenta o principio luminoso que lhes desfaça as perplexidades. No paragrapho seguinte exporei a doutrina de A. que foi o traductor do primeiro.CLÓVIS BEVILÁQUA ^3 hollandezes ASSER (*) e JITTA (2). AUBRY. aliás. como já se viu quanto a FIORE e GRASSO. pags. no sentido de que estas não serão opportunas e legitimas sinão na medida em que convierem áquelles» (3). Rivier. Todo esse movimento intellectual é indicativo de uma situação moral em que os espíritos mal satisfeitos com uma doutrina que. mantêm. não obstante. 1901. uma posição independente.

Transportando-se para o campo das relações internacionaes de ordem privada. Depois. ainda as invoquei. por qualquer modo. embora um resumo de suas idéas não lhes possa conservar o vigor. PILLET empolgar os espiritos que eleve aqui ser destacado. 11 Príncipes». generalidade consiste na sua applicação a todos os membros do grupo social. desde o momento em que se tornam obrigatórias até que são. 241. pags. Paris. e por que modo ella se prende ás suas predecessoras (i). gg 107—110. pags. pags. 5oo. o auetor reuniu esses escriptos em volume. pags. que esclareça a consciência do juiz em cada caso emergente. 929. não um querer problemático e vago. mas o principio director. Ver-se-á. pela primeira vez. e como preceitos geraes. o que ha de original na doutrina do egrégio professor. As leis são instrumentos de auetoridade. Para serem elficazes hão de ser continuas e geraes. pags. obrigam a todos os que habitam um Estado. igo3. .° O SYSTEMA DE A. IV. A continuidade das leis consiste na permanência de sua acção. 417 e 7 1 1 .Vi O systema de A. para apoiar princípios que adoptara «Trabalhos da Camará ». 424. PILLET foi primitivamente publicado em CLUNKT. Dos caracteres da lei e de seu fim é que elle procura desprender. Na discussão do «Projecto de Código civil». 189!$. e 1896.. 1894. sob o titulo de « Príncipes de droit inter-national prive».44 ■ DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO §o. nas minhas «Lições de legislação comparada». 2. artigo que foi reproduzido nos meus « Estudos de direito e economia politica». (2) CLUNET. num artigo publicado no «Jornal do Commercio». Occupci-me."edição. A. manifestados em sua funeção nacional. em Julho de 1900. 1895. pag. PILLET De tal modo conseguiu o systema proposto por A. revogadas. as leis devem conservar esses caracteres essenciaes. depois. 1894. 5 — 3o. cujas relações ellas se destinam a regular (*). comtudo. a disposição lógica e sobretudo a riqueza de erudição em que se enroupam. das idéas de PILLET. como WAECHTER. porquanto delles depende a certeza . re-modelando-os e completando-os. do Rio de Janeiro. 41—42. 5 e 3i8. i8g3.

.. (a) CLUNET.... ora será mantida a extraterritorialidade em detrimento da territorialidade........ pag. como pensava MANCINI. sob o ponto de vista internacional.. e... encontrando-se na vida internacional com outras leis egualmente dotadas com esses caracteres........ e ainda sustentam alguns modernos. visando mais directamente a protecção (i) CLUNET. . que se encontrem no território do Estado {l). A lei é. ..... i.............. ao mesmo tempo. Assim o sábio professor não quer que a lei seja exclusivamente territorial....—. não era possível que na funcção internacional da lei mantivessem com o mesmo aspecto esses caracteres.e extrangeiros.. tendo de harmonisar-se com ellas para a solução dos conflictos de competência suscitados por esse encontro. mediante o qual havemos de conhecer o caracter da lei que ha de ser sacrificado e o que se ha de manter.. sem attenção ao logar onde essa applicação •se faça (2)....... 1904....... nacionaes..... Mas......... implica necessariamente a extraterritorialidade e a generalidade objectiva toma a feição de territorialidade. 1904......... O critério.. appli-cando-se a cada um a sua lei particular.. forçoso é que alguma cousa sacrifiquem de sua actuação.... seu estatuto pessoal.„... mas... __ ......... 42G... Toda lei destina-se a estabelecer o melhor modo de convivência humana... territorial e pessoal.. ...CLÓVIS BEVILÁQUA ■•—... entendendo-se pela primeira a necessidade que tem a lei de acompanhar o individuo por onde quer que elle vá.. e com elle grande numero de estimáveis tractadistas.... •••.................. nem pretende que ella seja essencialmente pessoal... toda lei destina-se a garantir as condições da vida social: mas umas conseguem esse fim..... A continuidade. é o fim da lei que nos vae fornecer.. impondose indistinctamente a nacionaes e a extrangeiros....... $5 Ide seus effeitos.. Ora o sacrifício recahirá sobre a extraterritorialidade e a lei se appli-cará no paiz...... como doutrinavam os estatutários.......... e pela segunda a necessidade1 de applicar a lei a todos os indivíduos.. pag... 43 \.....

As leis que se propõem... e leis de protecção social... á protecção dos indivíduos.1 dos indivíduos...... ... O próprio auctor nos deu um resumo de sua theoria.. 726—727.. principalmente. 22 — 23.......° Todas as leis são. 5. Ao contrario.. ci Príncipes».........° E preciso. esse duplo caracter..... em cada paiz.... e outras dirigindo-se irnmediatamente á ordem social.....• .............. •—•«»«*...... não poderiam satisfazer o fim para que foram creadas. nota que a eschola italiana e LAURENT distinguem.. sem este predicado.. afim de limitarem a personalidade das leis pela ordem publica.. I 3. 1897...£■*)." As leis encaradas em relação ao seu fim social. principalmente.. fazer com que. pags.... pags.. em cada caso. 1896.. prevaleça o caracter que mais interesse ao effeito social da lei e sacrificar o que menos importe a esse effeito.. FHDOZZÍ ( CLUNBT.46 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO r" .... us..... a garantir a ordem social hão de forçosamente ser territoriaes....... 2.... podem distinguir-se em leis de protecção individual....0 E impossível conservar-lhes. conforme o seu objecto directo e immediato é constituído pelos interesses do (1) CI-UNIÍT............. ao mesmo tempo territoriaes e extraterritoriaes...... o direito da sociedade e o do individuo. para melhor com-prehensão delia (2). Eil-o: i... 1804...... nota 3. as que tendem..0 As leis consideradas no ponto de vista social não têm auetoridade e valor sinão pelo fim social a que se dirigem. por sua natureza.. De posse de um tal critério... 11S— 126.»•«••••. porque não attingiriam a seu fim si.. sob pena de se tornarem insolúveis os conflictos entre legislações diíferentes.... é possível resolver as duvidas que se apresentarem........... (2) CLUNET... no commercio internacional... não se applicassem aos nacionaes e aos extrangeiros . portanto. sempre que uma relação de direito privado tiver de ser examinada no campo da sociedade internacional. .. .......... para os effeitos internacionaes... 4. que merece ser retido....... devem ser extra-territoriaes... porque......

7. ......... a cada pessoa.0 As leis de protecção social são terrítoriaes.... 47 individuo que soffre a sua applicação ou pelos da sociedade em cujo seio foram elaboradas. se achar ameaçado.—." As leis de protecção individual são extraterritoriaes.0 Em matéria de leis territoriaes.. ■ 11.... 8.. No caso em que não for possível essa applicação distributiva.. A regra locus regit actum é de puro direito costumeiro e não se oppõe á applicação dos princípios onde é possível pratical-a.."■■. a mais severa deverá ser preferida . 9. si as leis forem da mesma natureza..... 12.. Os conflictos entre leis extraterritoríaes serão resolvidos pela applicação. i5. Entre leis territoriaes. B 6. cujos interesses se acham em jogo.. 14.CLOVJS BEVILÁQUA WÊ .. de seu estatuto particular. Em caso de conflicto entre uma lei extraterritorial e outra lei territorial esta ultima deve prevalecer. 10. . no caso contrario. Ha leis que apresentam estes dous caracteres no mesmo grau.. nenhuma solução racional é possível. M I i3.. que ellas defendem... O principio da territorialidade das leis de ordem publica não quer dizer que essas leis se devam indistínctamente applicar a todas as pessoas e bens que se acharem presentes ou a todos os actos que se executarem no seu território... Não ha solução possível para os conflictos entre leis egualmente extraterritoríaes e territoriaes.. a lei competente (estatuto pessoal) é a lei nacional da pessoa de que se tracta.." Em matéria de leis extraterritoríaes.... quando o interesse social. Esse principio somente se applica a essas leis.. os conflictos (si exis tirem) serão resolvidos pela applicação de cada lei em seu território. a lei competente é a do Estado.

se confessa deante de casos insolúveis. E as lacunas o auctor não as escondeu. dentro delles. uma itica extensa. dandolhes o mesmo fundamento. o critério para distinguir a lei territorial da extraterritorial. . Accrescente-se que soube reconhecer as debilidades das doutrinas adversas e que. vivaz. uo systema de cri PILLET. as suas lacunas e os seus defeitos. que é o ponto de partida da organisação verdadeiramente scientifica do direito internacional privado. rigorosa.48 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 16. irmanando-os. O principio da autonomia da vontade deve restringir-se ás leis facultativas. penso que se deve apontar confusão entre o direito internacional privado e o publico.ES-SOMMIKRES. de c ganismos sociaes. 256. a preferencia dada á lei nacional para regular o estado. á relação de direito. no fim da lei. a idéa de que o direito internacional privado deve conter um principio de obrigação. quando. cuja applicação lhe parece an ormal. I. para os Estados. o systema de PILLET revela as suas excellencias. a parte negativa de sua exposição é de grande valor para o depuramento dos princípios da sciencia. portanto. e na decima quinta desclassifica a regra locus regit actum. nas proposições undécima e decima quarta. Como excellencias são dignas de nota: a filiação de suas idéas ás de SAVIGNY. Como defeito. jungindo-os debaixo das mesmas idéas primordiaes/ quando naquelle resalta o elemento individual e neste apparecem os Estados na sua qualidade de pessoas politicas. mas nem sempre justa. Reduzido á sua maior simplicidade. a idéa de procurar. Incontestavelmente com os Princípios muitos (i) Ver em VAHEILI. a capacidade e as relações de família do extrangeiro. «Synthese». de applicarem a lei extrangeira quando esta deve presidir. ns. 278. nestas deze-seis proposições. apezar de consagrada pelo costume (1).

ZEBALLO publicou. I. Nas Faculdades de direito ao se desenvolverem os prolegomenos do direito civil offereciam-se noções mais precisas de accôrdo com os tractadistas francezes.condição dos extrangeiros e do conflicto das leis. 182. Lis TEIXEIRA (5) e COELHO DA ROCHA ( ) apenas incidentemente se oceuparam da . BORGES6CARNEIRO (4). (2) « Cônsul tationum et Decisionum ». 1905. (5) «Curso de direito civil portuguez ». tit. i5o — 153. 2. 7• ■ . 411 — 445. se têm as intelligencias preoceupado mais com este assumpto. no Brasil o desenvolvimento que era de esperar de sua cultura e das necessidades creadas por seu commercio considerável tanto quanto pela forte corrente de immigração de individuos de varias procedências que aqui vêm procurar trabalho (>). I. (4) « Direito civil ». pags. j} 27. como PAS-CHOAL DE MELLO FREIRE (8). liv. incontestavelmente. tit. apezar dos desencontros de opinião e apezar de ser outro o meu ponto de partida. (6) «Instituições ». 2. 2. Hoje.CLÓVIS BEVILÁQUA 4<) pontos obscuros se esclareceram na doutrina c a sciencia realisou um considerável progresso. e a legislação brasileira herdou-lhe o espirito liberal. Os antigos praxistas. não conheceu a antiga legislação do reino o «jus albinagii». no « Buletin argentin de droit internatiohal prive». uma longa noticia do movimento das idéas no Brasil sobre este assumpto. porque a necessidade se mostra mais im(i) O emérito professor argentino Estanisláo S. pags. § 10 DOUTRINA DO DIREITO INTERNACIONAL I PRIVADO NO BRASIL I Os estudos do direito internacional privado não têm tido. liv. Como em Portugalo feudalismo pnuca acção teve. como VALASCO (2). E foi tal a sua acção em meu espírito que a cod i passo é possível notal-a no correr deste livro. e os civilistas de tempos mais recentes em Portugal. que foram por muito tempo os nossos guias. (3) «Institutiones júris civilis lusitani ». § 11. infelizmente. § 203.

a doutrina tradicional de nosso direito em favor da lei nacional. o Conselheiro ANDRADE FIGUEIRA. 33. arts. 737. tractando da arrecadação de bens de extran-geiros domiciliados no Brasil. mas a doutrina era falha. Veja-se mais. Em todo o caso. deficiente e obscura em tudo mais. «Trabalhos da Camará dos deputados». dando-lhe competência para regular a ordem da successão e a validade das disposições testamentárias. PIMENTA BUENO publicou o seu Direito internacional privado. pags. 240 — 241. estabeleceu algumas regras relativas ao direito internacional privado. VII. CARLOS DE CARVALHO. de 12 de Janeiro de 1901». como já anteriormente estabelecera a ord. não obstante. assim como a regra locus regit actum. fazendo concessões a exigências de chancellarias ex-trangeiras. A lei de 10 de Setembro de 1860. recusou-se a assignar os tractados oriundos do mesmo Congresso em que era adoptada a lei do domicilio. a respeito da accei tacão da lei nacional. 638. 3. vol. eâue a forma dos actos. Em i863. o nosso representante no Congresso sul-americano de Montevideo. embora ainda não com o relevo e a independência a que tem direito (J). como reguladora do estado e da capacidade do extrangeiro no Brasil. «Direito civil». obedece á lei do paiz_ onde forem elles celebrados. 5Q. de 25 de Novembro de i85o. 25. em regra. e nos Cursos jurídicos já o direito internacional privado constitue uma das disciplinas destacadas no programma de ensino. Essa idéa estava realmente enraizada em nosso direito.° O regulamento n. ainda que sem o preciso rigor scientiíico. 855. de 8 de Novembro de I85I. como reguladora do estado e da capacidade do ex-trangeiro. § i. . (2) «Actas de las sesiones». deixou firmado que o estado e a capacidade das pessoas se devem regular pelas respectivas leis nacionaes. art. O regulamento n. tomando por guia principal (1) «Dec.5o DtRÊH LCIONAL PRIVADO periosa. refere-se á lei nacional do de ciijus. art. confirmou. Por isso. em 1888-1889. como determinadora da capacidade das pessoas e das relações de família (2). 3-5. pag.

(3) «Op. não obstante. n. precedentes.». ex comitate e ob reciprocam utilitatem (z). declara elle. Sua noção do direito internacional privado é pouco precisa e demasiado extensa. commercial. actos. TeixEiRA DE FREITAS veio imprimir uma outra orientação ao direito internacional privado. obedecendo á tradição do direito pátrio e ao influxo das idéas francezas.CLÓVIS BEVILÁQUA 5í FCELIX. meritório por ser um primeiro ensaio de systema-tisação do direito internacional privado no Brasil e por conter informações úteis sobre a solução dos conflictos e sobre a legislação pátria nas matérias referentes ao assumpto de que tracta. Pronunciadamentè realista. Mas. quanto ás pessoas domiciliadas fora _ do Brasil. ng. mas. 14. sejam nacionaes ou extrangeiras. sob a inspiração de SAVIGNY. criminal e mesmo administrativo» í1). segundo os quaes as nações civilisadas applicam as suas leis particulares ou consentem na applicação de leis privadas extrangeiras dentro de seu território nas questões de caracter particular. ou sejam extrangeiras ou nacionaes. aos olhos do jurista moderno. PARDESSUS e BELLO. n. defeituoso e fraco. ajudado por MASSÉ. escreve o citado auctor.». serão jul(i) «Direito internacional». serão julgadas pelas leis do Brasil ainda que se tracte de actos praticados em paiz extrangeiro ou de bens existentes em paiz extrangeiro. cit. «O direito internacional privado. É um livro sem grandes preterições e. 1(2) «Op. que affectam súbditos extrangeiros em matéria de direito civil. segue a bôa doutrina. justifica a applicação da lei extrangeira pela mutua utilidade e delicadeza. 4. preferindo a lei nacional para base dos direitos da personalidade e da familia ( 8 ). e a capacidade ou incapacidade. 8e 24—38. é o complexo de leis positivas. cit. «A capacidade e a incapacidade. quanto ás pessoas domiciliadas no Brasjl. . máximas e princípios recebidos ou racionaes.

No Congresso jurídico reunido no Rio de Janeiro em 1900. e vol. ou de bens existentes no império ('). da lei preliminar. JOSÉ HYGINO (6). (4) «Unidade do direito». E o domicilio a sede jurídica das pessoas. pags. i5a—175. Si alguns jurisconsultos pátrios mantiveram-se fieis ao ensino do grande mestre. (8) «Projecto de código civil». quando se oppuzerem ao direito publico. porém. LXXIX e segs. IV. 18 — 19. E' ainda o domiciiioque regula a applicação das leis extrangeiras para recusar-lhes efficacia. art. A doutrina de TEIXEIRA DE FREITAS exerceu considerável influencia na America do Sul. art. 23 — 5o. ANDRADE FIGUEIRA('). ANDRADE FIGUEIRA. LXVI1I. pag. e no seu opúsculo. do titulo preliminar. ou forem incompatíveis com o espirito desse direito » (2). (10] Vcjam-sc as «Actas ediscussões». além do auetor do «Projecto ». vol. «op. discursos do Sr. 26 e 27. i3. (7) «Actas de Ias sesiones». arts." (3) « Direito civil brasileiro». vol. CARLOS DE CARVALHO. ou quando forem expressamente repellidas pelo direito do paiz. organjsadas pelo Dr. 638. ainda que se tracte de actos praticados no império. 267 — 291. os sectários da theoria do domicilio tiveram uma victoria (J0). U (6) «Revista de jurisprudência».». «A questão do divorcio». como ANDRA'DE FIGUEIRA e COELHO RODRICUKS. arts. mostrava-se elle sympathico ás soluções do nacionalismo. pag. 3. 5. arts. COELHO RODRIGUES (9). 35—36. á moral e aos bons costumes. VII. O parecer deste auctor„| aliás.52 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO gadas pelas leis de seu respectivo domicilio. como sejam CARLOS DE CARVALHO (8j. pags. . mas. pags. pag. em 1905. 238—260. onde se externam diversos juristas. e por muitos juristas. inclinaram-se pela lei nacional. que reproduz o seu voto divergente no Congresso de Montevideo. não é decisivo. cit. no Congresso scientifico (1) «Esboço». JOÃO MONTEIRO (4) e outros mostrando-se favoráveis á lei do domicilio. (5) « Projecto de código civil». pags. BULHÕES CARVALHO. «Trabalhos da Camará». No Brasil. portanto a lei do domicilio deve determinar-lhes a capacidade. á religião. FELÍCIO DOS SANTOS (8). (2) «Esboço». não logrou a mesma fortuna. Sá Vianna. outros. (9) «Projecto de código civil». como NABUCO (Õ). e do auetor do « Projecto». sendo as suas idéas adoptadas pelo Código civil da Argentina.

Quando pessoas residentes no Brasil não puderem justificar a sua nacionalidade. nos «Annaes da Camará». a começar com o de NABUCO.85. IV. vol. oftensiva dos bons costumes ou directamente incompatível Com. si. outro foi o resultado do embate das opiniões. no Brasil. uma lei federal brasileira fundada em motivo de ordem publica. esta será regulada pela lei da situação delles ao tempo em que se consummar. pags. 368—56o. nesta ultima hypothese. pags. 23—59.CLÓVIS BEVILÁQUA 53 latino americano.a lei commum das partes auetorisar meios mais amplos. em virtude de um acto praticado no extrangeiro. pags. Ninguém pôde prevalecer-se da mudança de nacionalidade em prejuízo das obrigações que houver contrahido antes de mudal-a. sendo de notar que. de i8g5. 238—260. i5. que se tractar de provar. 35g—36o j de 1898. A presrripção extinctiva é regida pela lei do logar em que se originou a obrigação. 20. de 1897.0 substancioso discurso do Sr. simultaneamente. Art. LEI DE INTRODUCÇÃO. Não será applicada no Brasil lei extrangeira contraria á soberania nacional. o governo por vários actos declaradamente a prestigiou. entre outras. pags. A forma authentica dos actos públicos ou particulares é regulada pela lei do logar cm que se praticam. as sentenças publicadas no «Direito». Transcrevo aqui as disposições do « Projecto» Beviláqua que encerram uma suficiente systematisação do direito internacional privado. ou pertencerem. 5i3e 53g. vol. 23 Os brasileiros que se acharem no extrangeiro poderão casar-se segundo a forma legal do paíz em que estiverem. na discussão travada em torno do ultimo delles. comtanto que o seu exercício não importe oflensa á soberania nacional brasileira. pags. vol.pães. de 1901. reunido na mesma cidade. segundo a lei ex-rrangeira. 16. (i) Vejam-se. sendo. 19. estes serão admissíveis entre cilas. seguiram todos a mesma orientação. 17. 202 e segs. Ipags. Si esies forem moveis. á ordem publica e aos bons costumes. Art. Art. porém. Art. o casamento celebrado pelo agente consular ou diplomático do Brasil. Art.i que nos oflerece uma generalização feliz do direito internacional privado. a brasileira c a outra qualquer. de 1902. no logar.| sessão extraordinária de Fev. DISPOSIÇÕES RELATIVAS AO DIREITO INTERNAArt. Art. VII. 110 e 260 e na « Jurisprudência » do Supremo Tribunal. CIONAL PRIVADO . 291 — 3o3. vol. 394—3g5. perante a Camará dos deputados. pags. GALDINO LOBBTO (p-ig. e os Projectos de código civil. terão por lei nacional a brasileira. (2) Vejam-se os «Trabalhos da Camará» dos Deputados. São reconhecidos. Art. e. ou segundo a estabelecida pelo Código Civil Brasileiro. etc. que tenham mudado de logar entre o começo e o fim do prazo da usucapião. pags. A jurisprudência está firmada no sentido da lei nacional completando assim as lacunas da lei ('). e a usucapião pela da situação dos bens. 90. ■-' Art. 18. 22. vol. não appareceram vozes favoráveis ao domicilio (2). A lei nacional da pessoa rege a sua capacidade e os seus direitos de família. 21. 136— 138. os direitos adquiridos no extrangeiro. Os meios de prova são regulados pela lei do logar onde se verificou o acto ou facto. 87.

As disposições do Código Civil Brasileiro sobre os impedimentos e as formalidades preliminares do casamento são applicaveis aos extrangeiros que se casarem no Brasil.0 Os interessados poderio oppôr os impedimentos legaes. e' todos os que são destinados a ser transportados de uns para outros logares. Os bens moveis de localisação permanente estão. nomeado por quem tiver direito de fazel-o. bastará que a inscripçfio se faça no domicilio nacional do marido. 2. 31. 34. 3o. para que sejam levantados no foro de seu domicilio nacional. Art. Si ambos os cônjuges forem brasileiros. Em qualquer dos casos do artigo antecedente. assim como as que se originam de declaração unilateral da vontade. que exigem publicações de proclamas e estabelecem impedimentos matrimoniaes. e o agente os communicará. si ambos forem brasileiros. jj 2. quer de auctoridade competente de seu paiz. 26. As obrigraçóes convencionaes.54 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Art. quer do agente consular ou diplomático. Os bens moveis que o proprietário leva sempre comsigo. na ausência da manifestação em contrario. Art. segundo a sua lei nacional. 35. 27. o Governo bra. continuam sujeitos á lei da situação que tinham quando foi iniciada a mesma acção. serão reguladas: . cuja situação fôr mudada. residir no Brasil.provar que se acha em condições de contrahir casamento. as auctoridades brasileiras teem competência para tomar. entre cônjuges extrangeiros. legalmente pronunciado no extrangeiro. 33. pendendo acção real sobre elles. Paragrapho único. ^v>J Art. quando os cônjuges extrangeiros tiverem a mesma nacionalidade.' Os proclamas serio publicados no domicilio do contrahente brasileiro ou no domicilio de cada um doscontrahentes. A tutela do incapaz extrangeiro será regulada pela lei brasileira: 1. as publicações dos proclamas serão feitas no seu ultimo domicilio nacional. será a lei nacional deste. Art. são regulados pela lei pessoal do'proprietário. Si o casamento for celebrado perante o representante consular ou diplomático do paiz de origem do marido. Art. ao contrahente ou contra-hentes brasileiros.* Si. na ausência de pactos antenupciaes. como os im moveis. O regimen de bens entre cônjuges de nacionacilidade differente determinar-se-á. Si o contrahente brasileiro não tiver domicilio no Brasil. além disso. por qualquer motivo. pela lei do logar em I que os esposos fixarem o seu primeiro domicilio conjugal. 28. ate que o Estado a que elle pertence proveja. 25. Art.civil.0 Si o tutor. A lei brasileira reconhece a dissolução do vinculo matrimonial resultante do divorcio. 32. Art. Embora á tutela do incapaz seja regulada por sua lei nacional.* Uma cópia authcntica do acto de casamento será remettida ao juiz do domicilio nacional do esposo brasileiro. | 3. perante o agente consular ou diplomático do locar onde se tiver de realizar o casamento. Art. i 1. deverá. as medidas necessárias para a protecção da pessoa e para a conservação dos bens do incapaz extrangeiro. Logo que fôr informado pelas auctoridades locaes de que existe um incapaz extrangeiro. deverão ser respeitadas as disposições do Código Civil Brasileiro. o Estado a que pertence o incapaz não providenciar para que lhe seja dado um tutor. sujeitos á lei do logar de sua situação. ou por outro modo julgai-lo suffi ciente pela auctoridade local. Os bens moveis. 34. A lei nacional do marido também será a reguladora do regimen matrimonial. cuja tutoria é preciso prover. como fôr de direito. que quizer casar-se no Brasil. Essa prova far-se-á por meio de certificado. afim de ser feita a inseri pção no livro do registro. provisoriamente. O extrangeiro. 29. a determinadora do regimen matrimonial dos bens. Art. Art. de officio. Art.I sileiro communical-o-á ao Governo extrangeiro competente. não obstante se achar informado dessa necessidade.

. .....CLÓVIS BEVILÁQUA 55 >. \.. A competência....... ~. e a substancia pela lei nacional do testador... Abre-se a suecessão hereditária no ultimo domicilio do auetor da herança..... .. mediante as condições estabelecidas pela lei brasileira. Não se exigira que preste fiança ás custas do processo aquelle que invocar a intervenção dos tribunaes brasileiros... salvo estipulação em contrario.. ainda que resida fora da Republica... —-»........ pela lei do logar onde se cumprirem. 1 Art.. Art... «. 3g.. vigente ao tempo de sua morte. 3 7.. 40....... Art. 42. / .. onde se mover a acção.. a forma do processo e os meios de defesa sào regidos pela lei do logar. Art. A ordem da vocação hereditária e o direito dos herdeiros legítimos regulam-se pelo direito nacional da pessoa de cuja suecessão se tracta.(«..... . 36......................... pela lei do logar onde forem celebrados os actos que as originaram.... para a solução de um conflicto jurídico de ordem privada.. As sentenças dos tribunaes extrangeiros serão exequíveis no Brasil depois de homologadas pelo Supremo Tribunal Federal. 38. a) Em sua substancia e elfeítos... j.... Art.... A forma do testamento é regulada pela lei do togar em que é feito. oftensa ao direito nacional dos pactuantes e á ordem publica: b) Emquanto ao modo de sua execução.... Art. 41... Art. ......... As obrigações resultantes de actos illictos são regidas pela do logar onde se houverem realizado os factos que lhes deram causa..

* .

creando relações de ordem privada. A doutrina ainda não adquiriu o necessário grau de clareza e segurança. os princípios que devem dominar a matéria. que é extrahir das legislações divergentes um principio de harmonia para regularas relações jurídicas de ordem privada nas quaes. . estabelecendo a convergência das opiniões. vieram esclarecendo o pensamento jurídico para a solução do problema central do direito internacional privado.° Os indivíduos de nacionalidades differentes que. Mas nenhum delles satisfaz plenamente. se põem em contacto. íirmando-a. por uma razão ou por outra.CAPITULO III Princípios fundarnsntaes do direito internacional privado § li I IDÉAS "PRIMORDIAES Os systemas. illuminando-a e destacando-a dos outros ramos do direito. essas legislações se encontram. para actuar sobre os espíritos. formam uma verdadeira sociedade internacional. Si muitas soluções conseguem apoio geral. pelo desenvolvimento de sua actividade fora de seu paiz. são os seguintes: I i. succintamente expostos no capitulo anterior. Ao meu ver. o desaccordo é grande em outras tantas e ainda maior nas razoes que as justificam.

.° Como a organisação da sociedade internacional é puramente social e não egualmente politica. E é justamente essa sociedade internacional. que constituem o apparelho jurídico dos Estados. todos os problemas deste ramo do direito se (1} Por outros termos: as actividades particulares tém manifestações internncionaes que. o qual deve ser a orga-nisação jurídica dessa mesma sociedade. não podendo essas manifestações ser extranhas á disciplina do direito. não é phenomeno sociológico desconhecido dos es-criptores. crescem em numero e importância.° Encarado assim o direito internacional privado e considerando as relações a elle submettidas como interesses particulares da sociedade internacional. 4. é forçoso ultribuir ás leis uma funcção correspondente a essa necessidade. extendendo-se por cima das fronteiras das diversas nações. aos tractados e aos tri-bunaes. e. em torno de um principio de auctoridade e como ella não possue uma base physica especial. cujos súbditos se acham relacionados. sendo uma expansão da lei nacional e dos tractados. forçoso é que recorra ás leis.° A sociedade internacional dos indivíduos. dia a dia. determina a creação do direito internacional privado. que. como não o tomaram para base do direito internacional privado. 3.0 Esta organisação diífusa e incompleta da so-' ciedade internacional tem a vantagem de associar o sentimento de pátria ao de humanidade. 5. e uma dilatação da auctoridade jurisdiccional dos tribunaes communs (1). que se relacionam fora do âmbito jurídico de seus paizes. sem lhes diminuir o prestigio da soberania. Eis porque o direito internacional privado faz parte do direito de cada Estado. approxi-mando os povos sem lhes pedir sacrifícios. como o direito nacional é a organisação jurídica de cada povo. um território*.DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 2. mas não só ainda não lhe deram elles o necessário relevo. offerecendo um novo campo de applicação á energia disciplinadora do direito. composta de indivíduos de nacionalidades differentes e não de Estados.

porquanto o que se deve ter em vista é... inspiradas por um ideal de justiça que paira soberana por cima dos povos e das instituições..... — .. ÇS) CLUNBT.. 21G). como ensinou SAVIGNY... 7. collocado em pé de egualdade com o direito privado interno.....™.. como toda lei. e as soluções.. 1901.. as leis que nos Estados se prepararem visando interesses internacíonaes de ordem privada.. 2." Como a sociedade internacional não tem leis nem tribunaes seus.. diz do direito internacional privado que elle é a « consagracion suprema dei derecho dei hombre... ni de fron toras» (pag. afirmado e reconocido sin distinción de lenguas...... «... pag.0. 8. ISÇ)3.. o direito extrangeiro deve ser applicado á relação de direito......... desprendidos das prevenções do regionalismo ou da raça.... 471. Madrid.. sempre que ella tiver nascido sob os seus auspícios e se mantiver por força delle.. 59 ■■.i™... 328.». esclarecem...... e nos interesses geraes da humanidade.. determinar o direito mais conforme á natureza da relação jurídica... «Míttheilungen d es int.». .. 6.. salvo os casos de oífensa á ordem publica do Estado ou aos bons costumes que são princípios de moral dominantes em todos os paizes cultos (3).0 Esta concepção conforma-se com a fórmula proposta por PILLET e que elle julga mais expressiva do que a communhão de direito de SAVIGNY : « o direito internacional tem por fim tornar a applicação do direito tam independente quanto possivel da differença dos systemas jurídicos das nações» (3).......... porque no direito internacional pri(1) PRIDA....«.CLÓVIS BEVILÁQUA '..... ni de razas.°... como que surgem espontaneamente na consciência de todos os que vêem no membro da sociedade internacional o homem e não o súbdito de um Estado (*).." Desta concepção resulta: i.... Rechtswissenschaft».. embora entrando para essa vasta agremiação não perca elle a sua nacionalidade com todos os seus attributos jurídicos....... (2) MKILI... 1904. que o direito privado extrangeiro está.. em principio....«toip»j(. pag.. < Estúdios de derecho internacional». Vcrcinigung fuer vcrgl...—^•"••'-'•.... devem inspirar-se nos princípios superiores do direito.

. que determinam a creação de instituições similhantes. A communhão de direito entre povos independentes realisa-se pela adopção de um systema harmónico de soluções de conflictos entre as legislações.. não é formada por um agrupamento de Estados e sim pela approximação de indivíduos que S2 vinculam por interesses privados..... A communhão do direito. ...... A sociedade de que aqui se tracta. reduz-se á forma jurídica abstracta ou.. ----- yado os interesses que estam em causa são os dos individues e não os dos Estados...._ .. como presupposto do direito internacional privado e que effectivãmente é... a sua base natural e o nobre alvo a que elle tende. COMTE e WYROUEOFF.. familiacs ou espirituaes..... como já ficou dicto. humano. bem apreciada. DE GREEF (*). que SAVIGNY nos apresenta. sejam económicos...6o DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO -#• . e essas necessidades e aspirações communs.. quanto á (i) «Introduction á la sociologie ».. a sociedade internacional explica e justifica a communhão de direito que é a repercussão jurídica dessa formaçSo sociológica... pelo menos.. universal. e o ponto de vista desse direito deve ser individual. a adopção desse systema de soluções de conflictos presuppõe necessidades e aspirações communs. achando prematuras as conclusões a que chegaram Aug. ao mesmo tempo. pag.. ■ Consequentemente.... e não o da utilidade local ou nacional.... são desenvolvidas pela sociedade internacional que espontaneamente se foi organisando nos differentes Estados.... porque nella está o verdadeiro fundamento racional e social cio direito internacional privado.. ao presentimento da sociedade internacional. § 12 A SOCIEDADE INTERNACIONAL Cumpre insistir sobre a concepção da sociedade internacional...... I.. 74.

pelos tractados de commercio. todos os recuos... não foi a realisação. arfirma que organismos internacionaes existem... IX. a producção.. Diz o sociólogo italiano: «A universalidade das manifestações da vida social é. a America. A estruetura. pelos correios.. para que a sua admissão entre os aggregados sociaes possa merecer a censura de utopia».. á ex tradição dos criminosos.... que nivelam o consumo. da Africa e da Aus trália.. maior extensão e mais poderosa coordenação.. dessas relações internacionaes. os orgams e o funecionamento do organismo internacional revelam-se. Estas mesmas idéas serviram de thema de um excellente estudo de CATELLANI Í1)...CLÓVIS BEVILÁQUA 01 existência de um vasto organismo humanitário.. pelos mares. A ligação das grandes redes ferroviárias continentaes e a sua coordenação com as linhas de navegação transoceânica a vapor determinaram um movimento continuo e rápido de pessoas e cousas.... i—29: «La Politica internazionale nelle condizioni socialí»... em nossos dias. como as sensações em todos os centros nervosos do organismo indi vidual ?.. as artes... a Europa.. pacificamente. pelos caminhos. que se pôde comparar á circulação do sangue de um ente organicamente constituído. peles telegraphos.... de um modo sufficientemente nitido.. dia a dia...... pelas estradas de ferro. em todas partes dos diversos continentes........ etc. desde hoje. pelos rios...... pelas uniões monetárias ou aduaneiras. e fazem todas as reformas..... que tendem a unificar.. pelo credito. desenvolvem-se e tomam... o resultado mais novo que o século XIX tenha transmittido ao século XX.. ..... pelas convenções relativas á propriedade literária e artística. A coordenação das linhas telcgraphicas continentaes com os cabos submarinos (i) o Ri vi st a italiana di sociologia»..... uma parte da Ásia..... talvez.. todas as perturbações locaes repercutirem..... ao mesmo tempo... pela força... per gunta o douto sociólogo belga. pags.. as idéas.. «O mundo romano.

chegou. porfim. de tal modo que a podemos comparar ao systema de acções e reacções dos centros nervosos sobre os orgams do pensamento e da palavra». existia uma communhão de todos os christãos. a todos os outros Estados que delia fazem parte. Com este enunciado estão de accordo ' os traduetores do paudeccista allcmão. «Por isso a ordem jurídica de todo Estado pertencente a essa communhão. I.62 DIREITO TNTERNACIONÃETPRIVADO superou os obstáculos de tempo e de espaço nas communicações entre as partes mais longínquas do mundo. surgiu a idéa de que «sobre todos os agrupamentos nacionaes. se realisaram nas relações commerciaes. Lembra ENDEMANN que. nas quaes enxerga manifestações especificas da vida internacional. desde a edade média e a contar das grandes revoluções. como orgams da ordem jurídica universal é. especialmente ás que contribuíram para a codificação das normas obrigatórias uniformes em todo o mundo (na Europa devia dizer). de todos os homens civilisados». em seguida. WINDSHEID. se devem considerar membros de uma communhão mais elevada. apparece. Essa idéa. oceupando-se da applicação do direito extrangeiro. e. 3. repelle a concepção estreita que o afasta. Re-fere-se. conseguintemente. tf. nesta cooperação. ás Uniões administrativas de correios e telegraphos. em nossos dias. nota as reacções que sobre os Estados nacionaes exerce a sociedade internacional (l). . por se fundar em uma idéa insufficiente do commercio internacional. FAODA e BIHZA. 'em principio. (2) «Pandecten». intirie. e ás Conferencias de Haya. durante ella. consequentemente. desenvolvendo-se. que. £ 34. | a estabelecer que os princípios communs do commercio entre todos os povos cultos devem reunir-se (i) «Loco chato». e. pag. á mesma luz que lhes apparece a sua mesma ordem jurídica»(2). 9 — 10. pags. 148. Para elle os Estados se devem reconhecer como cooperadores do trabalho commum do género humano e.

as riquezas de toda ordem. «Príncipes». \ 17. 189J. 425. sociedade que é impossível deixar de tomar em consideração » (*). contendoas.CLOVtS BEVILÁQUA 63 num direito universal (WELTRECHT) análogo ao jus gentium dos romanos. dentro de certos limites (x). já existe para o direito mercantil e cambial. que ambiciona conquistar. pede hoje um campo de operações mais vasto. e. considera o universo inteiro como dominio seu.j 13) CLUNET. (ij «Einfuehrung». i8g3. 6. § 3. se superpõe á sociedade nacional sem a fazer desapparecer. aliás. Notando «as manifestações internacionaes das actividades particulares» mostra como as leis lhes devem ser applicaveis. um phenomeno social da mais alta importância. oríginam-se relações internacionaes incessantes. Deste habito novo. segurança e utilidade para aquelles que se acham nella envolvidos (4). . PILLET faz entrar a noção da sociedade internacional no conceito do direito internacional privado. Ha. como. pondera elle. pag. si fôr preciso. e por ellas se affirma a existência de uma verdadeira sociedade internacional. «A iniciativa humana. 1894. I. e não toleraria que a encantoassem nos limites de um Estado ou mesmo de um determinado grupo de Estados. afim de que a sociedade internacional adquira estabilidade. pag. pag. a cada momento. como nas relações puramente nacionaes. Não conhece fronteiras: acostumada a ir procurar no extremo do mundo. que. nota 2. neste simples facto. O direito internacional privado elle o define «a sciencia que tem por objecto organisar a regulamentação jurídica das relações internicionaes de ordem privada» (3). 10 4. em cada paiz. dírigíndo-as. raciocina pre-'suppondo a existência da sociedade internacional que determina «a penetração recíproca das nações». CLUNET. (2) CLUNET.

Coimbra. nasceu a sociedade civil» (*).I64 ÒlRtílTO INTERNACIONAL PRIVAÔO Cousa simílhante havia sido anteriormente dieta por FioRE. para regular as relações jurídicas dos indivíduos » (3). 1890. pag. (3) «Execução extraterritorial das sentenças». La Haye. Ainda em MARNCCO e SOUZA deparam-sc estas palavras muito expressivas: «A verdadeira theoria sobre o fundamento scientifico do instituto da execução extraterritorial das sentenças encontra-se na J moderna concepção das relações internacíonaes como um organismo» (3). que se estabeleceram nas cidades. porém. quando escreveu: «Cumpre ter em vista que actualmente a actividade do individuo não se pôde circumscrever aos limites territoriaesdo Estado de que elle é cidadão. tem consciência de ser cidadão do mundo.sociedade jurídica universal'. (3) • La methode du droit internationa! prive». CARLE O jurista que melhor parece ter percebido a importância desse phenomeno social. adquire bens. As regras relativas a esta matéria observa elle que se prendem a um principio supremo. . do mesmo modo que das múltiplas relações entre as pessoas. Não discrepa desse modo de ver o illustre JITTA que nos fala de uma «. 1898. entra em relações com extrangeiros de regiões diversas e tracta com elles negócios vários. a desen-volver-se dentro de limites menos acanhados.que é o seguinte: a sociedade internacional. exige leis uniformes. portanto. e dispõe de sua propriedade por actos entrevivos e de ultima vontade. De tudo isso resultou de facto a sociedade internacional. que une os homens entre si pelo commercio quotidiano e que. para a determinação da efficacia das leis no espaço. 11. Cada um. por meio do vapor e da electricidade. ao contrario. 19. n. tende. como a sociedade civil. Foi. que anniquilou as distancias e as fronteiras. 241. 36. deve (i) « Droit intcrnational prive». sem romper os laços que o unem á sua pátria. transmitte-os.

estende-se um vasto amálgama de indivíduos. a personalidade jurídica dos mesmos revela-se com os seus predicados fundamentaes de soberania e independência. independentemente das relações de amizade acaso existentes entre os grupos sociaes a que pertencem. O que é necessário é precisar bem essa idéa e assi-gnalar a sua verdadeira importância em face do direito internacional privado. Na sociedade internacional propriamente dieta. trad. o que nem sempre se tem feito. está um conglomerado de Estados. e cuja existência entra como factor da doutrina de muitos internacionalistas. um facto reconhecido pelos sociólogos. Na sociedade internacional ha dois aspectos que é necessário bem distinguir. appa-recendo os indivíduos c as pessoas jurídicas de direito privado como sujeitos das relações a ser reguladas.da vida commum. testamentos. locações de serviço. até certo ponto. elles agem como unidades collectivas. ■ . também chamado das gentes. compras e vendas. E. B A approximação dos Estados origina relações de ordem geral entre elles. que se associam para mais facilmente alcançar a realisação de seus fins. E\ para este segundo grupo de relações que se deve reservar a designação—sociedade internacional. e são tractados [como potencias. eííectuam os diversos actos . A sociedade internacional é. pelo que devemos de preferencia denominal-a sociedade dos Estados. Não são as organisações politicas. abstracção dos Estados. portanto. etc.CLÓVIS BEVILÁQUA 65 ser organisada de modo a offerccer ao individuo o melhor ambiente possível para o seu aperfeiçoamento (*). fazse. que. translações de propriedade. as na(i) « La doctrine juridique de la jaillitte » dans le droit internado nal prive. matrimónios. Nas relações da sociedade dos Estados. doações. De um lado. de outro. D u bois.*Este é o domínio do direito publico internacional.

são os particulares. aspirando á com-munhão de direito que é um dos princípios cardeaes | do direito internacional privado. Os Estados. realisando ainda outros actos e emprehendimentos de interesse humano. ou põem por obra as idéas acceitas por essas associações de competentes ou tomam por si a iniciativa de traduzir em fórmulas obrigatórias os princípios elaborados pela sciencia. têm um campo de repercussão muito mais vasto do que os limites de um Estado. construindo estradas de ferro internacionaes. é bem de ver. travadas no seio delia. tornou-se costumeiro e empirico. por si mesma. Este é o campo do direito internacional privado. accôrdos referentes ao direito auctoral e á extradição. a cujos orgams pede as funcçõcs que não pôde. favorecem e protegem as relações da sociedade internacional. e bem pôde . as forças que movem aqui a mechanica jurídica. Mas o seu direito offerece um caracter distincto. porque as sentenças que applicam o direito a essas relações se alçam a uma região mais elevada do que a geralmente attingida pela justiça regional. a intervenção das legislaturas internacionaes que. cujo direito atravessou as diversas phases de sua evolução e vae attingindo ao período definitivo da codificação. Mostram estas considerações que a sociedade internacional não prescinde inteiramente da tutella dos Estados. A acção dos Congressos internacionaes não dispensa. porque as relações individuaes. os indivíduos. concluindo tractados de amizade e commercio. convenções postaes.66 DIÍIEÍTO INTERNACIONAL ÊRIVADO cionalidades em seus contactos recíprocos. as sociedades civis e com-merciaes. Foi inconsciente e amorpho nos primeiros tempos. Nesse dominio. a justiça assume uma feição verdadeiramente grande. e agora tende afixar-se por meio de leis ou de convenções como essas que surgiram do Congresso de Montevideo e das Conferencias de Haya. exercer.

' •*«•«• ... quer..... si o commercio lança vínculos fortíssimos entre os povos.. A efficacia juridica restringia-se primitivamente a um grupo social insignificante.• ............ é fora de duvida que não pretende eliminar as nações..w. dilatou-se.......... | merecer o epítheto de humana......... I I Si por esse caracter de universalismo distingue-se 0 direito da sociedade internacional do direito de cada Estado..«<-^.. por um lado. havendo necessidade de extrahir dos orgams do direito local a nova funcção que a vida social reclama. illumi-nadas pelo saber e bem organisadas.. de universalismo que vivifica o direito internacional privado não seoppõe ao desenvolvimento autonómico das nacionalidades e dos direitos nacionaes.... que ultrapassa as lindes nacionaes e apaga os matizes ethnicos........ Si os mesmos interesses materíaes e moraes repercutem em nações diversas. cingir os Estados em suas relações publicas e.... Pela deficiência orgânica da sociedade internacional é que a formação do apparelho jurídico soffre uma parada em seu desenvolvimento progressivo.. apezar disso.......CLÓVIS BEVILÁQUA OJ >••••••..... segundo os .-... agora... por outro. e o direito internacional privado procura reflectir essa face da vida humana... mas....«......... por seu individualismo destaca-se do direito da sociedade dos Estados ou direito publico internacional. si as artes e as sciencias offerecem um accen-tuado caracter de cosmopolitismo.. para os effeitos dos interesses económicos e moraes.. quando não de uni versal.....*4 .... abrangendo as fronteiras das grandes nacionalidades e...r.... alcançar os indivíduos reunidos nessa vastíssima organisação.«„..«....... I 1 A concepção da sociedade internacional é um encaminhamento para o reinado da paz e da justiça nas relações que se estabelecem além do circulo de cada soberania local.. -.............rt».. é a sociedade internacional o campo de applícação do direito internacional privado........mWw»|?*i..M.. antes as quer fortes e opulentas......... Este espirito de humanismo.......

cada vez maior. portanto não existe um direito da sociedade internacional.... ...... no Rio de Janeiro... porque...M.... reunido...68 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO |!****v*F"'J'*""• "••»■«•'" ........ pôde ser levantada a seguinte objecção: todo direito presuppõe a possibilidade da coacção pelo poder publico e a sociedade internacional não tem uma auctoridade que coaja os Estados a fazer appli-cação da lei extrangeira. E bem certo o que escreveu Novicow: «por maiores que sejam os laços intelle-ctuaes entre as sociedades. «. formada por indivíduos de differentes nacionalidades..... m Não procede a objecção.. das funcções nos demonstram.. ao contrario.. él um facto." Congresso scientihco latino-americano. porque é o individuo social chegado ao seu desenvolvimento mais completo.... falta-lhe um principio de auctoridade extrahido de seu próprio seio.... o organismo da nacionalidade não desapparecerá... „| dictames da justiça....l _ (2) Estas mesmas idéas expuz em memoria apresentada ao 3. por mais forte que seja a cohesão politica que um dia as combine.. . como já ficou dicto.. si tal for! possível..!A. ubi societas ibi jus..... é indispensável. 1886.... pag... O seu direito (i) «politique Internationale». Todos os factos que podemos observar e a lei biológica da especiafisação...... Paris..... .. cimentada por interesses privados de toda ordem.. § 13 FUNCÇÃO INTERNACIONAL DAS LEIS DE DIREITO PRIVADO A' concepção exposta....... o direito da sociedade internacional é o internacional privado (2). em 1 go5....... ig.......... onde existe uma sociedade é preciso que exista uma disciplina das relações de seus membros....V»T ....... que sua importância au-gmentará todos os dias»(x)Em conclusão: a sociedadede internacional... « .. nos dois paragraphos anteriores. em grupos de civilisação.... Elle é necessário.. a sociedade internacional não éum organismo politico perfeito.

São essas necessidades que conquistando a opinião. Emquanto. si os Estados têm de fornecer as suas leis e os seus tribunaes para a funcção ju rídica de que necessita a sociedade internacional. subsistir esse antagonismo entre interesses privados internacionaes e interesses nacionaes. Desde jáj porém. que em relação aos particulares. que têm uma funcção internacional. e pela similitude dos princípios fundamentaes do direito. Essa opposição tende a reduzir-se a um mínimo e mesmo a desap-parecer. que actuam para a elaboração desse ramo do direito com força similhante a que desenvolvem para a formação do direito nacional. naturalmente . quer se tracte de interesses de ordem internacional. encarada por este angulo. Por certo os Estados são soberanos e não podem ser externamente coagidos a acceitar as normas do direito internacional privado. á proporção que se generalisar a communhão de direito pela egualdade jurídica entre bacionaes e extrangeiros. se pôde affirmar que a ordem publica. existe a pressão das necessidades geralmente sentidas. • E si esses interesses internacionaes. o seu poder legislativo e judiciário acham-se nos Estados. retrucarão. é o mesmo que existe para a applicação do direito nacional. portanto. que será examinada no § 16. e são os tribunaes dos Estados que têm uma juris-dicção ampliada ás relações internacionaes de ordem privada. porém. apresenta uma feição definida de opposição entre interesses privados internacionaes e interesses nacionaes. Mas. internamente. tudo afinal depende do arbítrio delles.m CLOVIS BEVILAQUA . E' o direito privado dos Estados. quer se tracte de assumpto li mitado aos interesses que não se estendem além das fronteiras do paiz. 6g e as suas auctoridades. insistirão. aqui o principio de coacção. Muito se illude quem assim pensar. forem oppostos aos nacionaes? Isto involve a questão de ordem publica. mas. avassalando os espíritos tornam indispensáveis as reformas legislativas. Não fallece.

determinada pelo conjuncto da situação moral do presente.7o DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO os Estados manterão uma attitude cautelosa de defeza destes últimos interesses. quando é a revelação uo direito próprio da sociedade interna- . e ambos procuram na essência das cousas um principio de solução. qual é a mais conforme á natureza dessa relação. a applícação da lei extrangeira. como se determina a sua capacidade ou incapacidade. § 14 I RAZÕES DE APPLÍCAÇÃO DA LEI ESTRANGEIRA i.* Acceita a concepção da sociedadadc interna» cional e tendo-se em vista que as relações dentro delia travadas não podem dispensar a tutela do direito. ao contrario. Para facilital-a pôde o juiz recorrer ao expediente lembrado por PILLET. I Os dois systemas coincidem. foi creada no intuito de garantir a organisação social. quer não incluindo em sua legislação dispositivos que dêem abrigo a princípios contrários. como ensinou SAVIGNY. basta verificar. resta reconhecer nas leis nacionaes uma funcção internacional. ambos aspiram á egualdade jurídica de nacionaes e extrangeiros. para sabermos qual dentre muitas leis é a que regula a relação. si. atcndo-se ao fim social da lei. Afastadas estas objecções. quer impedindo a applícação da lei extrangeira que lhe oífenda a organísação moral ou económica. porque ambos presuppõem a existência da sociedade internacional. Essa! operação só offerece difficuldades pela falta de isempção de espirito da parte do juiz. Si a lei visa principalmente á protecção dos indivíduos. é extraterritorial. neste ponto. para saber si ella é ou não extraterritorial. Cada relação de direito está submettida a uma lei. ella é terriA torial. sua acção circumscreve-se aos limites do Estado.

2. 21. Mas o direito não é uma pura abstracção altruísta. porém. que incumbe ao juiz a applicação da lei extrangeira independentemente de requisição da parte interessada e de prova (2).0 A lei extrangeira. mais própria a pôr em movimento a mecha nica social e a estimular a actividade dos legisladores. E uma necesssidade real que toma o aspecto de uma ra\ão superior de justiça. I. que. impõe-se como uma necessidade. com as quaes os seus súbditos terão também assegurados no exterior os seus legítimos interesses. SURVÍLLB et ARTHUYS. e (1) «Legislação comparada». . porque si os Estados em suas leis procuram realisar o direito. os Estados abrem espaço a muitas concessões equivalentes. DARRAS. ella |é que deve ser applicada. §§ 11—13. jfg 28 e 107. Esta questão foi ultimamente estudada com grande desenvolvimento por A. Será essa.pag. encontram os juristas para ter um conhecimento exacto das modificações constantes das leis. é forçoso que cada um destes acceite em seu território a applicação da lei extrangeira. no próprio direito nacional.CLÓVIS BEVILÁQUA 71 Icional. «Eléments de droit internationalprive». depois de mostrar as difficuldades que. Pensam outros. Permittindo a applicação da lei extrangeira. encerra sempre uma idéa de interesse. CONTUZZI. quando a ella 'cabe regular o litigio ou a relação de direito. SAVIGNV. n.' cd. como já tive occasião de dizer. (3) ASSKR et RIVIER. «Conventions de laHaye». 3o8. uma rd\ão de utilidade que lhes aconselhará uma politica benévola e consilia-dora (>). segundo alguns. VIII. a. sempre que a relação de direito se tenha formado sob o domínio delia. Si a sociedade internacional não possue orgams legislativos e judiciários e necessita das leis e tribunaes dos Estados. deve ser allegada e provada. e no caso questionado as suas leis são insuficientes ou inadequadas e é a lei extrangeira que revela o direito. 28. «Droit romain».. n. «Droit International prive».

(2) CLUNET.. e evidentemente mal. paga. certamente. Mas si não for alcançada a prova sufficiente do dispositivo do direito extrangeiro. pag. Para a verificação dessas regras o tribunal não está adstricto aos meios fornecidos pelas partes. 449.UNET. ICJOÍ. 265 do código de processo civil allemão determina que « o direito em vigor noutro Estado. CI. cít-. decide a jurisprudência. 209. por consultar os interesses da parte sem presuppôr nos juizes conhecimentos que elles razoavelmente não podem ter. 449. cit. ou do ministro da justiça do paiz extrangeiro. Art. porém. obras de doutrina ou artigos de jornaes judiciários. Na maioria dos paizes. que o juiz terá de applicar a lei allemã ( 2). 265 do código do processo civil allemão. a melhor doutrina. que a parte allega. con-sidera-se o direito extrangeiro um facto que deve ser provado por quem o allega. . 442 e 672. 271. (1) «De la connaissatice. reproduz quasí textualmente o Art. O Art. examina o modo pelo qual as diversas nações encaram e resolvem a questão ( l). de l'application et dela preuve de lo loi étran-gere. assim como os costumes e os estatutos não necessitam de ser provados. cujo código de processo civil. tractando-se do direito extrangeiro. apezar do esforço ultimamente empregado para tornal-o vulgar. pôde recorrer a outras fontes de informação e pôde ordenar tudo quanto lhe parecer necessário ». (3) CLUNET. certificados de juristas extrangeiros e exame directo das fontes (3). Idéas similhantes dominam no império d\Austria.72 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO de salientar que muito mais avultam essas diffieul-dades. Os differentes meios de prova admittidos na Allemanha para estabelecer a existência e determinar o sentido das leis extrangeiras são: a declaração de um cônsul allemão. desde que sejam conhecidos do tribunal. Esta é. pag.

45o — 453. na Hespanha. art. cit. cit. ( 3 ) CLUNET. art. cuja prova incumbe ás partes. éa seguinte: «A applicação da lei extrangeira. 19: tf Aquelle que fundar o seu direito em leis extrangeiras deverá provar a existência delias e mais que são applicaveis ao caso» (7). na França. onde os juizespódem chegar ao conhecimento da lei extrangeira allegada. cit. nunca se effectuará sinão por solicitação da parte interessada a cargo da qual ficará a prova da existência dessa mesma lei. (4) CLUNET. I.. por quem estudou a lei a applicar no próprio paiz de onde ella procede (1).* ed. mas a jurisprudência estabeleceu que o direito extrangeiro é um facto. ( 5) CLUNET. na Suissa e no México (4). 67?—677. Exceptuam-se as leis extrangeiras que se fizerem obrigatórias na Republica por convenções diplomáticas ou em virtude de lei especial» (6). no art.. 1196. 5. pães. n. isto é. «Derecho civil argentino». 680. onde actualmente a prova do direito extrangeiro é feita mediante peritos. ou por meio de certificados passados por jurisconsultos extrangeiros ou por investigações pessoaes (3). pag. A disposição do* código civil argentino. o código civil é omisso. estatue o art. salvo o juramento decisório. pag. em Portugal. na Bélgica..CLÓVIS BEVILÁQUA JS Assim é na Inglaterra. na Argentina. na Itália. Prova-se a lei extrangeira por todos os modos acceitos no direito commum. 3o8. ( 2 ) «Elementos de derecho internacional privado ». segundo o testemunho de TORRES CAMPOS (9). 672. e. 2406 do código civil: «Nos casos em que fôr invocado algum estatuto (1) CLUNET. entende-se que a lei extrangeira é ideiiticaá franccza. pags. (7) Veja-se mais o código commercial mexicano. cit-. art. O código civil mexicano dispõe. Esta é a orientação dominante nas legislações. 2. nos casos em que este código a auctorisa.. no caso de abstenção destas. 10 . 176. Em Portugal. i3. «Projecto do código civil». (6) Veja-se RIVAROLA. Quanto a França. e o juiz aprecia soberanamente o valor das provas offerecidas (s). pag.

3a8. que obriga aquém allega o direito ex-trangeiro provar a sua allegação (5). será obri-J gado a provar a dieta existência aquelle que tiver allegado tal estatuto. (3) «Annuaire» de 1'Institut. I.de taes leis. Em primeiro logar.53. temos a disposição da ord. 3. «Lehrbuch». f .° A doutrina. e CARLOS DE CARVALHO. 1117. FIORE. BAR. n. segundo os princípios do direito internacional privado. devem os tribunaes supprir a insuficiência das partes. deve regular a questão (4). mostra-se mais liberal. como já ficou precedentemente indicado. 672. art. ou em virtude de «lei especial» ou por convenções diplomáticas». XII. E os meios de (1) Consulte-se DIAS FERREIRA. de 1898. e norte-americana. Neste caso. Para mais longas informações WHARTON. in fine. porém. n. 1 . como na França. a da existência. DKSPAGUBT. 46. No mesmo sentido ASSER ET RJVIEB. cuja existência seja contestada. n. Nos Estados-Unidos da America do Norte. 267 e segs. 260. 19. pois tal principio importa annullação do direito internacional privado. ##8-9. a regra acceita pela jurisprudência franceza. art. (4) Auctores citados na nota anterior. art. «Elements». de que. «Direito civil». afasta. supõe-se que a lei ex-trangeira é idêntica á do Estado onde funeciona o juiz. ingleza. Este é o parecer do Instituto de direito internacional (3). postura ou lei» (1). V. pag. ou alguma lei extra ngeira.74 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ou postura municipal deste paiz.084. II.0 Em direito pátrio. incumbindo a estas. Art. não sendo satisfactorias as provas apresentadas pelos interessados. g 7. não provado o direito extran-^eiro se applica a lei nacional. (2) CI. No mesmo sentido o dec. «Droit international». 3. Joi a fonte em que bebeu o código civil argentino. O « Esboço » de TEIXEIRA DE FREITAS. nunca terá logar sináo a requerimento das partes interessadas. n. observações ao artigo citado. jíjí 11 e 13. g| 771—781. diz: «A applicação de leis extrangeiras. 6. «Código civil portuguez annotado » vol. como prova de um facto allegado. VAREILLES SOJUIIERES. iaw ». Depois entende grande numero de auctores. «Préeis».». com justa razão. 3. «Processo civil». 7: Ex-ceptuam-se aquellas leis extrangeiras que no império se tornarem obriatorias. 4. que o juiz deve applicar de officio a lei extrangeira que. n.UNBT «cit. § 126. nos casos em que este código a auetorisa. Os meios de prova são regulados pelas leis locaes (*). (5) JOÃO MONTEIRO. « Private int. pag.

I. deverão. § 32) (1). pela razão de que [o juiz pôde ignorar a lei extrangcira. . e irp. qualquer prova. de 19 de Julho de 1890. «assim como a extrangcira. n. 424 do código commercial. $6. e dec. n. desde que o conhecimento exacto do direito pátrio já é labor para uma vida." col. compete declarar as leis ou usos commerciaes que devam regular as contestações judiciarias relativas aos actos de letras de cambio. 2. Extinctos os tribunaes de commercio.). ser legalisado pelo cônsul brasileiro (arts. í33. V. e manda provar os mesmos usos por certidões extrahidas da Secretaria do Tribunal do Commercio e por acto authentico do paiz ao qual se refere o uso. dispunha: «A lei estadual e a municipal. aliás.' ai. do reg. 102. Era pensamento do auctor desse « Projecto » que a prova só fosse exigida. art. i55. de 20 de Janeiro de 1904. o juiz tiver de fazer applicação (1} O «Projecto» Beviláqua. portanto." col. 216-217). manda applicar as leis e usos commerciaes extrangeíros para determinar o estado e a capacidade dos mesmos.. I. Todavia.°). porém. 737 de i85o. que forem praticados em paiz extrangeiro (dec. supprimido este artigo. quando tiverem de ser applícadas fora das circumscripções territoriaes para as quaes foram promulgadas. especificados no art. § 15 CONSEQUÊNCIA DA NÃO APPLICAÇÃO DA LEI EXTRANGEIRA Sempre que. é incompatível com a actualidade de nosso direito e as presumpções. quando posta em duvida a existência da lei ou o seu sentido soffresse contestação.. exceptuados naturalmente o juramento que. cit. 33. 12.. art. as quaes tomam assento somente sobre as praticas e usos commerciaes de seu districto (dec. Excusada era. por proposta do Snr. i3.CLÓVIS BEVILÁQUA a prova são os de direito commum. 3. art. ajunta commercial da capital da Republica. art. a funcção de certificar usos extrangeiros não passou para as juntas que os substituíram. O art. devendo. e a forma dos actos realisados em paiz extrangeíro. Foi. ser provadas por quem as invocar».pags. quando o juiz tivesse conhecimento da lei. %.ANDRADE FIGUEIRA. segundo os princípios do direito internacional privado.sem se consignar qual o principio acceito em substituição («Trabalhos da Camará». 5122. neste caso. 5g6.

... . (i) Veja-se COLIN.«•. quando ha inobservância ou má interpretação do direito pátrio. 1104 — HI5).. . 'transitoriamente..... (2) Sobre o assumpto deste §.. o juiz deve-lhe obediência. «Priyate int. WHARTON. .chrbuch». 1800... ..... nem consuetudinariamente consagrados pela jurisprudência. Ou o principio de direito internacional privado se ache expressamente consagrado em um texto de lei pátria ou apenas seja delle uma deducção lógica ou faça parte das normas geralmente acceitas. deve dar motivo para a promoção dos recursos que o direito faculta á parte prejudicada.—*.. que não estão ainda formalmente consignados em artigo de lei. Para esse inconveniente o remédio natural é a regulamentação do direito internacional privado por meio de leis adequadas (2). DKS-PAGNET.!.. pags. ou a sua má interpretação.... e os particulares podem usar dos remédios legaes para alcançar o reconhecimento do seu direito. 20.... Desta proposição resalta uma consequência e é que a inobservância da lei extrangeira. «Précis»... Este ponto............. law». além dos auctores citados na nota anterior : BAR.... . poderá existir uma certa desharmonia nos julgados e uma forçosa inconsistência das normas em via de formação. «l.— ••*••« . «DU recours en cassation pour violation de la loi étrangere». entre nós. I... n. a: when a foreign law binds a particular case. and the parties are cntilled of right to have it applicd.. „.70 | DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ... esta se deve considerar incorporada........ consultem-se. no direito pátrio... n. 2: Da das internationale Privatrecht einen Bestandtheil d es inlaendischen Rechts bildet. jj 7.. nos casos em que estes devem applical-a em virtude dos princípios do direito internacional privado (« Syn-j these». ns. como em direito francez quanto ao recurso de revista (*).. .. . ... da lei extrangeira.......... não oíferece duvida.....«..•«■»..... so ist un-richtige Nichtanwcndung eines auswaerts geltenden Rechtssatzes im rich-terlicnen Urtheil zugleich cine Verletzung des inlaendischen Rechts.. cm CLUNET.. then it becomes par of our common law... J 1. 406 c 791.«...... Como ha muitos princípios do direito internacional privado... VAREU-LES SOMMIBRES decide peremptoriamente que ao Tribunal de Cassação cumpre velar pela applicação da lei extrangeira pelos tribunaes francezes... --rr.

...... pag... art..... 5..... 6.„„„.. CARLOS DE CARVALHO...... determinal-a.. art.. entretanto.. fundadas em motivo de ordem publica». «Não será applicada no Brasil lei extrangeira contraria aos princípios constitutivos da unidade da família.. simplesmente as que o legislador qui{ impor aos extrangeiros e aos nacionaes e que.... quando for contraria aos bons costumes ou «ao fim» de uma lei allemã». art... de introducçáo ao Código civil. «Projecto de código civil »... portanto.ns. da _ egualdade civil ou da lei federal positiva e absoluta»: «Projecto de código civil belga». lei allemã... 17 da lei preliminar.. código civil argentino. cuja fórmula é a seguinte: «a applicação da lei extrangeira será excluída... . art.... de 27 de Julho 1878..... TEIXEIRA DE FREITAS.. art.»•. art.-.. em seu famoso livro.... quando offender a ordem publica internacional e os bons costumes (1).... nem se cohibir de algumas phrases irónicas todas as vezes que se lhe deparou a noção informe de ordem publica internacional. § 3 : a em todo o caso rienhuaia disposição prevalecerá contra as leis rigorosamente obrigatórias....982.. art...... . art.. interpretação das leis.. ns.. I. Mas... 201—202. Sendo as escholas de SAVIGNY e MANCINI que pu__(i) Dec.. ... XI. Código civil italiano.....2 .. 14.. 2.. como a idéa de ordem publica é essencial para o equilíbrio do systema do direito internacional......... art. VAREILLES SOMMIERES ( 2 ) diz que não poude. 8. n. Parece-lhe que os auctores modernos designam.. cuja fórmula é a seguinte... 3) «Synthese». Cumpre... para que os preceitos do direito internacional adquiram o relevo e a precisão de que necessitam... I.. .. 3o... . 12.. varias vezes citado no curso deste compendio...... COELHO RODRIGUES. T») «Synthese». depende da bôa vontade do legislador a applicação da lei extrangeira (3). põe em seu logar as idéaes egualmente vagas de moral e direito natural... «Direito civil»..... disposições sobre a publicação. .... mas que tem dado logar a debates intermináveis pela inconsistência da noção de ordem publica.. 25.. E1 este um principio de fácil comprehensão...° A lei extrangeira não será applicavel... reprimir um movimento de impaciência.... 14: «il ne peut étre pris egard auxlois étrangéres dans le cas ou leur application aurait pour résultat de porter atteinte aux lois du royaume qui consacrent ou garantissem un droit ou un intérét social».. CLÓVIS BEVILÁQUA 77 § 10 NOÇÃO DA ORDEM PUBLICA E DOS BONS COSTUMES i... «Esboço». do Montenegro. j^e/o nome torturado de leis de ordem publica internacional. 1 ....

. pags. M Quer me parecer.. é essencial..... necessária e constitue um importante elemento de clareza.. que toda a diffi-culdade do assumpto procede. aquella sob a denominação de leis prohibitivas ou rigorosamente obrigatórias /\ivingende Geset\e) e esta sob a designação de leis de ordem publica..».. DESPAGNETJ «Precis». em primeiro logar.. -.... n.. Esta dístincção..... . Leis de ordem publica são aquellas que.. perturbaram a clareza das idéas no domínio da sciencia que nos occupa. os espíritos.. do preconceito da personalidade das leis tal como a entendem alguns e em parte exagerada idéa da soberania territorial. v*r?**í5 ........ E esta é a opinião geral......... solicitando.. «Lehrbuch».. poder-se-ia imaginar que VAREILLES SOMMIERES usou das expressões citadas para dar mais efficacia e vivacidade á sua critica...... (3) « Manuel». entretanto......«.... que alguns pretendem recusar por verem nella mais uma complicação..•"■-•->. Estas duas noções antitheticas................ ií Nouveau trai te" de droit international prive». PILLET entende que o principio da ordem publica é o mais evidente do direito internacional privado...... WF. DESPAGNET reconhece que a noção é vaga e mal definida pelos auctores (')... n.... 107.... 36a e segs. 17.... em parte.. WEISS acha que ella é obscura e incerta e que é quasi impossível deíjníl-a (*).... pag.ISS...... mas a sua definição e a sua analyse a figuram-se-lhe as mais difficejs (a)...0 Distinga-se.. £4) BROCMER... em um' Estado..\.... 2.. (3)«Príncipes». entretanto. apud BAR. Assim não é... zeram em voga a noção de ordem publica. 36i e 364. n> 182.... 108. pug..78 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO t \—... Os auctores estão accórdes em reconhecer a inconsistência da doutrina neste ponto essencial. % 3. a ordem publica interna da internacional ( 4 ) .. cuja manutenção se considera indispensável á organisação da vida (1) « Precis ». estabelecem os princípios. ••«•• .... differentemente. «Manuel».

. Essas leis são de ordem publica interna. c a seguinte: «o conjuncto das regras lega es que. 177.. 11. para assignalar esta distincção.. são consideradas como attinentes aos interesses essência es desse paiz». 48-52. porém. «Príncipes». isto é.... 272 . económico e moral» ( 3 )..... « Instiluzioni ». e é caracter essencial das leis de ordem publica internacional a territorialidade... RUUSSBT.... «Cours élémentaire. 17.. segundo uma decisão celebre da corte de Veneza: « são as que concernem directamente á protecção da organisação do Estado...... dadas as idéas particulares admittidas em um paiz determinado.. isto é... II... FHDOZZÍ.. Ai.. CHIBONI. com applicação fora do paiz... Num caso.... MARTINHO GARCEZ.. 14..... 107.. pag..... «Traité». ou... I.. Noutro. Ha. Mas são justamente essas leís as que a opinião commum considera extra-territoríaes. pags. 1. 1897.. ninguém pôde estipular que será maior antes da epocha fixada pelo legislador. em CLU... Pag. A definição de DESPAGNBT..... pag. é tirado das leis que regulam o estado e a capacidade das pessoas. O exemplo clássico dos escríptores..........CLÓVIS BEVILÁQUA (« <—. CI.VET.. considerado sob o ponto de vista politico. embora a mesma idéa fundamental seja o elemento formador de ambas: a protecção do organismo nacional. — social.. ns.. n. são ímmediatamente garantidores da conservação de sua existência como unidade collectiva... que o direito considera subsistente....... todavia. nesta categoria geral de leis umas que se referem á ordem publica interna e outras que dizem respeito á ordem publica internacional.. a Science nouvelle des Jois». J.. -«Nullidadcs»..... nem dar por dissolvido o vínculo conjugal.. Não ha...17. A I R K N T ..CNUT. (2) <« Apud i>. PLA-NIOL..... SÍD.5o3. no séu entender. dos quaes exige obediência rigorosa aos preceitos que. ■ . as convenções particulares não as podem alterar. portanto. «Precis». coincidência entre as duas espécies.273... esses (i) I..— 79 — ....2 19. segundo os preceitos do direito (1).imv. 1902.... o Estado acautela-se contra os seus próprios súbditos. ns. nem contrahir casar-mento válido contra presc ri pções expressas eabsolutas da lei. a circumscripção de sua efíicacia aos limites do Estado de cuja legislação ella faz parte.

.. para a categoria das leis de protecção individual » ( CLUNET..... certas leis de garantia social passam insensivelmente.. «Précis»....'pronunciado.. Assim é... 201. ainda que por applicação de uma lei considerada immoral em outro.. A feição aggressiva.. e.. desappareceu para dar espaço a sentimentos mais brandos e idéas mais razoáveis..... mas seguramente. 1897....° Outra prova do que acaba de ser affirmado é a modificação que ultimamente soffreu o conceito de ordem publica............. por exemplo. mas que ella é um facto basta olhar para a historia do direito internacional privado para nos convencermos (l)... 108....... 3.. A razão dessa difterença é que...... (1) FUDOZZI exprime esta mesma idéa nos termos seguintes: « Quanto mais se densenvolve a educação dos cidadãos............. Veja-se também PILLET.. e......... n.... acceitam como filhos reconhecidos aquelles que em outro Estado foram por sentença judiciaria legalmente declarados taes..........499» DESPAGNET.... dirigem indistinctamente a todos^j>s habitantes do paiz sem preoccupação de nacionalidade..... FUDOZZI... 74 ).. no segundo. § 7. (2) BAR. in fine.. PIORE.... « Príncipes ».... in CLUNET... os paizes que interdizem a investigação da paternidade. 1897....... são respeitados nesse outro (2). Até onde irá essa reducção é difficil preveractual-mente....... «Droit International prive».......... Por isso é mais reduzido o numero das leis de ordem publica internacional.. que elle se acha nessa attitude de defesa. numero que tende a diminuirá medida que mais fortemente estabeleceracommunhão de direito pela egualdade jurídica entre nacionaes e extrangeiros no circulo das relações de ordem privada e pela uniformidade das soluções dos conflictos de leis........ DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO preceitos jse..... onde a lei lhe dá o effeito de romper o vinculo matrimonial... . que elle mesmo organisou em nação..... o Estado affirmae defende a sua existência social deante das forças individuaes..... Em virtude deste principio. menos a actividade dos in divíduos tem necessidade de ser protegida pela sociedade.... 256.... é em face da sociedade internacional. pag........ o divorcio.......... n.. quanto mais uma sociedade se esclarece menos vivo é ó sentimento de desconfiança para com a obra dos legisladores extrangeiros. no primeiro caso.. «Lehrbuch».. que os direitos legalmente adquiridos em um paiz.... então. Pag. que se lhe notava outr'ora....80 ■ .......... ........

devemos. como diz BAR. A escravidão não é reconhecida no Brasil. FEDOZZI dá-lhe outra forma: «deve-se acceitar ou repellir as consequências. onde esta forma de casamento é legal. mas sim apenas consequências de um acto legalmente consummado (1). 1897. waehrend es dem festgestellten Rechtsverhaeltnisse die Wirlcung nicht abspricht. tio. no segundo. Este principio. Esta distincção procede de que. 497-498. O effeito immoral da lei se realisa no território em que o tribunal intervém. não é absoluto. n. cit. a. são tractados como legítimos. ns. segundo o fim social dessa lei se manifesta ou não em suas consequências. por exemplo. «Príncipes». Pois que para saber si uma lei extrangeira é ou não contraria á nossa ordem publica. 11 . onde taes uniões se reputam immoraes. necessariamente. de uma lei extrangeira contraria á nossa ordem ■publica. os filhos de casamentos poly-gamos. onde o podia fazer de accôrdo com a lei. Acceitando o ponto de vista do illustre internacionalista allemão. 2i>6 — 257. «Das intern. 200. No mesmo sentido.que constituem a parte essencial de seu fim» (2).D. «op. (2) CLUNET. já não se manifesta esse etteito immediato. FIORB. no primeiro caso. PILLET. e. porém. pela razão de que elle a adquiriu vendendo os seus escravos. pag. temos em vista o fim social que lhe é próprio e que constitue a sua essência. I. a venda de escravos. dass das Gesctz einen Prozass ueber die Feststellung d es Rechtsverhaeltnisses nicht gestaften will. nenhum juiz brasileiro admittiria a validade de um contracto baseado na existência dessa instituição reprovada. mas ex(i) BAR. Mas nenhum deveria considerar illegitima a riqueza de um extrangeiro que se achasse no Brasil. deve soffrer restricções. nos abster de attribuir effeito em nosso território ás consequências dessa lei . O mesmo.CLÓVIS BEVILÁQUA 8l habilita os ex-conjuges a contrahirem novas núpcias em qualquer parte. Privat und strafrecht». «loco citato»: Zuweilen kommt es auch vor. E talvez mais vaga esta fórmula. pags.

107. nem as mesmas em um só Estado nos diversos'momentos de sua existência (*. no domínio do direito de que agora me occupo. «Príncipes». Essas necessidades variam com os tempos e os logares.). que se manisfèsta directamente pelos trabalhos dos jurisconsultos». FBDOZZI. 194. ['* É possível. «Précis». n. n. 191. varia segundo os differentes estados da consciência geral. (3) PILLET. (2) FIORE. 197. destacadas pelos internacionalistas. 190-197. pags.82 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO prime o mesmo pensamento. n. sendo puramente relativa." As leis de credito publico. J. penaes e de policia (3). e também disposições da primeira espécie em leis desta segunda classe. (4) PILLET. (1) «Príncipes». «Príncipes». processuaes. que são as leis de fim immediatamente social. pag. n." Leis politicas." As leis concernentes á organisação da propriedade (*). e as execuções forçadas (5). n. «Précis». DESPAGNET. AL-BRY. 195. a segurança. 73 : «a noção de ordem publica. como aliás também o são as seguintes. 1902. 1897.0 As leis de ordem publica internacional. 239. ns. (5) PILLET. as leis politicas. WEISS. n. são: i. CLUNET. «Príncipes». e parece-me surriciente para esclarecer o juiz. «Précis». in fine. de ordem publica. Tractando-se de relações privadas. 4. ns. São íeis destinadas directamente á protecção da organisação social. entre as quaes se incluem as que regulam a publicidade dos actos jurídicos. . As categorias de leis de ordem publica. a probidade nas relações entre os particulares (i). de «certas grandes necessidades da vida dos Estados». entretanto. não esquecendo que muitas vezes em leis extraterritoriaes se encontram disposições territoriaes. 38j DESPAGNET. 190. I. administrativas. DESPAGNET. CLUNET. como observa PILLET. «Droit international prive». de competência. como a paz. e por isso as leis de ordem publica não são as mesmas em todas as nações. destacal-as em differentes categorias geraes. p. 197. nascem. 3. 2. «Manuel». bis e 198. 263-264. 107 . 108.

12." A' noção de ordem publica é de uso addicionar a de bons costumes. 6. que fala mais profundamente ao nosso sentimento de respeito á sociedade e (1) PII. e os Estados.1. ( 2*) PILLBT. desde que não subsistem os actos praticados contra ellas. porque alguma cousa existe de essencial á vida dos povos cultos que diz respeito mais directamente á moral. 5. mas essa indifferença mesmo é mais apparente do que real. mas casos ha em que é preciso ter em vista a sua territorialidade. Quanto ás leis civis que organisam a propriedade. quando muito o que offende as leis de um Estado pôde ser indifferente para o outro. é necessário observar que a sua territorialidade desapparece. (3) D. n. como no caso de successão. nem contra ellas podem ser allegados direitos adquiridos. porque sempre o Estado deve querer os que é conforme ao direito e repelliro que lhe é contrario ( ). Ainda que sejam essencialmente territoriaes as leis de ordem publica. c(Adde»:Coc|. esses actos são radicalmente nullos perante a sociedade internacional. 6.6.fr. de usu-fructo legal do pae sobre os bens do filho e em outros similhantes (i). Os Estados. 3. collo-candose no ponto de vista da communhão de direito e da sociedade internacional devem respeitar as nullidades decretadas em razão da ordem publica dos outros paizes. Nesta hypothese não ha opposição entre interesses do Estado e os da sociedade internacional. 195. «Príncipes».CLÓVIS BEVILÁQUA 83 administrativas. de policia pouco interesse podem ter. 11. B. penaes." Ainda um ponto da theoria das leis de ordem publica é conveniente assentar. mesmo quando os actos fulminados por taes nullidades não offendam a ordem publica do Estado onde as invocam (2). contra os interesses vitaes desta. 8 200. «Príncipes». . não lhes poderiam reconhecer validade. i5. quando a consideração das pessoas ou dos direitos de familia toma preponderância.ET.I.

186. «Droit civil international». g 21: ou bien notre science n'cst pas un véritable droit et n'a pour les Etats aucun caractere obligatoire. somente. denn in Wahrheit handclt es sich zunaechst um Abgrenzung der Sphaere einer Souveraenitact gegenueber der Sphaere einer anderen. verecunaiam nostram et. pags. 11. Podèr-se-á dizer que os bons costumes estão incluídos na ordem publica. «Príncipes». I. contra bonos moresfiunt. Pa8* 677 e segs. I. todos os bons costumes que têm força de impedir a acção extraterritorial da lei extrangeira. PRIDA. I. particularmente Rocco e FÉLIX. ns. g i. par ER-NEST NYS.". mais alors il fait p a r t i u du droit dos gens et constituo. Traité. suivant 1'expression de Rolin. existimationem. 657 g -j DBSPAGNBT. Não me parece. em CLUNET. entretanto. pag.. LAURENT. n. Mas é preciso accentuar melhor esta idéa. ns 22 — 24. cuja offensa mais directa e profundamente fere os nossos sentimentos de honestidade. § 1. I.Laurent. 54 e 57. ut generaliter dixerim. § 19. aquelles. «Lehr-buch». apezar da contradictio in adjecto que tal afirmação encerra. um ramo do direito das gentes ou internacional publico (1). 274. «Príncipes de droit international». n. I. WEISS. ]} 26. PLANIOL. que (1) PIULBT. recato e estima reciproca. Commentaire. 6. . FUNK BRBNTAM et SOREL. % 17 I TAXIONOMIA DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I Uma forte corrente de opiniões entre os internacionalistas vê no direito internacional privado. 3i5—23g. CHIRONI. 1899. ou bien il en possede un. KEIDEL.84 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO á dignidade humana. 12 e 15. Não são. pag.4: Die Grundlagcn des iniernatioiíalemPrivat-und-Stra-frechts gebóren dem Võlkerrecht an. naturalmente. intéréts 1897. pag. une doctrine qui régit les rapports d es nations en traçam les limites de leur compétenee respective en ce qui concerne le reglement d es droits et des e se s prives. E1 o pensamento de ULPIANO: quae Jacta laedunt pietatem. n. Príncipes. 1894. BAR. «Estúdios de durecho internacional». trad. Denominam-se bons costumes os que estabelecem regras de proceder nas relações domesticas e sociaes em harmonia com os elevados fins da vida humana (Huc. 1: argumenta com o nome—direito internacional privado e com a auctoridade dos cs-criptores.. em CLUNET. «Précis».Introd. idem. «Manuel». necfacere nos posse credendum est. mas é inegável que as duas noções se completam. 18. ns. 7^0. RfCHARD WEBSTER. Introd. São. Istituçioni. «Précis de droit des gens». 5—6. em CLUNBT. pags. n.°. Cours élèmentaire.). LORIMER.

. antes creio que todas as alludidas auctoridades. aliás muito respeitáveis. deixaram-se illudir por um falso ponto de vista. individuaes. e. Desde que são particulares que os praticam e particulares os interesses que regulam. « Princípios de direito internacional». PRIDA affirma que tanto o sujeito da exigência. As obrigações communs não mudam de natureza por se transportarem para o campo da sociedade internacional. collectivos. São ellas que appa-recem na primeira linha. affirma-se de todos os outros que se realisam na esphera do direito privado. Contrahidas entre particulares estabelecem um vinculo de direito entre particulares. O sujeito do direito não é o mesmo nos dois domínios. E o que se diz deste acto jurídico. As relações jurídicas. no outro.Não pôde o epitheto internacional. aliás.CLÓVIS BEVILÁQUA 85 seja essa a verdade. no direito internacional privado o objecto das prescripções é o individuo (o homem ou a pessoa jurídica agindo no circulo das relações privadas) (l). nas obrigações do direito internacional privado. em verdade. ter a virtude de transformar a essência das ideias. também não o deve ser o internacional. § 19. por muitos criticado na relação attributiva aqui considerada. deve existir entre o publico e o privado externos. num caso. quanto a pessoa obrigada á prestação. No direito das gentes é a nação tomada em sua unidade e soberania. têm por objecto interesses nacionaes. caem no domínio do direito privado. são communidades politicas soberanas. assim como o direito privado nacional não é um ramo do publico. A mesma dis-tincção que ha entre o direito publico e o privado internos. quando surgem as difficul(i) L/VFAVETTG. interesses particulares. e. ainda que sejam extrangeiros os interessados ou se ache em território extrangeiro o objecto da prestação ou se tenha esta de executar no extrangeiro.

Tracta-se de interesses económicos. o homem e não o cidadão ou uma collectividade politica. de obrigações civis ou commerciaes. si lhes não perturbassem a firmeza da visão idéas preconcebidas. Não lhe descubro razão no que assevera. em segundo. um interesse individual ou familiar e não collectivo. Examinadas á luz deste critério é manifesto que são privadas as relações de direito internacional privado por se travarem entre indivíduos e não entre nações consideradas em suas funcções de organismo politico. de casamentos. E' o que expressamente reconhecem JITTA (*) e CIMBALI (3). é que os agentes nas relações de direito internacional são indivíduos ou pessoas jurídicas. Roma. pag.86 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO dades e. ter por objecto uma acção ou omissão que se realise na esphera da vida social e não da vida politica. Os escriptores forçam. neste caso. para oflferecerem ao direito internacional (i) «Op. Evidentemente. ter por sujeito o individuo. assim como o interesse que constitue o seu núcleo.3. No mesmo sentido WEISS. (3) « Di una nuova deoominazionc dei cosidetto díritto internaziooale priva to». iSo. seja interno. é de ordem privada.». de relações de familia e de outros elementos similhantes. . nacional. 3y. I O <jue dá caracter de privada a uma relação é: em primeiro logar. pags. pag. a natureza das cousas. 242. Si uma qualquer nação nellas toma parte é no exercicio de actos jurídicos privados que se não confundem com os actos jurídicos do direito publico. são ellas os sujeitos immediatos em toda a relação de direito internacional privado ('). n. cit. 10—11. domésticos. o direito que regula essas relações é um direito privado e como tal não pôde ser um ramo do direito publico..6. de transmissão de bens. A acção ou omissão que faz objecto da relação de direito neste dominio. «Manuel* introd. que resalta á primeira vista e que todos reconheceriam como evidente. (2) « La méthode en droit international prive ». A verdade. moraes. agindo como pessoas privadas. portanto. seja externo.

com alguma razão. a appli-cação da lei extrangeira. mas ninguém ainda se animou a destruir os quadros da classificação que nos vêm dos romanos. AUBRV. livre das fluctuações do direito das gentes. «Synthese». XXXIV-XXXV. um principio de obrigação que actue sobre os Estados coagindo-os a acceitar. como disse BACON. 4. Também o direito privado interno. I. o elemento de coacção emanando de uma auctoridade superior. «Droit international prive ». e. 784. n. não passando. Também a elle falta. (3) «Synthese». H (1) J. Mas. in fine. pag. até hoje. VARBILLES-SOMMIERBS. 1900. de puros dezejos e meras tentativas infructiferas os tribunaes internacionaes com poderes de exigir a execução de suas sentenças. Não se deve negar a influencia que o direito internacional publico exerce sobre o privado. nota 1. no direito internacional privado. FIORE. . e com uma aggravante. (2) Maurice BERNARD. quando contrarias aos interesses mais valiosos das grandes potencias. um succedaneo apparece na auctoridade soberana de cada Estado. para fazer o direito privado interno uma ramificação do publico. e é que. Em conclusão: o direito internacional publico e o privado distinguem-se por seu objecto e por sua origem (*) e devem constituir duas disciplinas separadas e autónomas (2). sobretudo. 690. si o direito internacional privado não faz parte do internacional publico. I. XXXIV. em CLUNET. ainda se não poude fixar esse principio. Mas o direito das gentes não pôde fornecer o que para si mesmo não possue. pag. 1904. mas não é esse um facto que por si auctorise a união das duas disciplinas. em ultima analyse.CLÓVIS BEVILÁQUA 87 privado uma base mais solida. em CLUNET. I. com o que muito lucrará particularmente a ultima. no direito das gentes. qual é o seu posto na encyclopedia jurídica? VAREILLES SOMMIERES (3). pags. pag. em seus territórios. e. jacet sub tutela júris publici.

accrescentando. como alguns auctores entendem. na sua linguagem pinturesca: «no escudo. destruindo uma classificação. mas põe as suas tintas em toda a parte». isto é. falando a linguagem da sciencia em que é mestre: «é o direito inteiro encarado de um certo ponto de vista. da sciencia do direito. E um erro de me-thodo. n. applicado a um grupo de indivíduos». I. porquanto se transportam para o domínio do direito privado noções que são especiaes ao direito publico. mas simplesmente o direito privado: é o direito privado internacional. mas dos -ramos do direito privado. o direito privado applicado ás relações individuaes da sociedade internacional. e obscurecendo noções definitivamente assentadas na sciencia. racional e útil.88 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO afíirma que é um composto de tudo o que nas diversas partes do direito se refere ao extrangeiro. porém. que não pôde deixar de dar maus resultados. e vice-versa. não somente porque constitue o natural complemento dos princípios consagrados pelo direito substantivo. Não deve. porque si merece o epitheto de privado o direito de que tractamos. é inconsequência nelle incluir o que é racionalmente publico. como porque o processo civil e com(i) Assim pensa também o eminente PIORE. Do que acaba de ser dicto conclue-se que não se deve considerar um dos membros do direito internacional privado o direito penal internacional (•). duas ou três vezes quar-teado. E muito dizer. « droit international prive" ». Devera dizer o douto jurista que o direito internacional privado é um composto sim. o direito internacional privado não tem brazões particulares. que é. o que importa approvar o ponto de vista em que se collocou CIMBALI. . Depois. 4. ser excluída dos tractados de direito internacional privado a parte processual correspondente. penso eu. não todo o direito encarado de um certo ponto de vista.

. com as suas duas faces... também não o desclassifiquemos... «Manuel».. na qualidade de accessorio. Iiv.. I. attribuindo-lhe um caracter publico. n..°a. ESCHBACH. I.. logicamente... na classe do direito privado. Segundo o notável professor de Paris.. 21. por outro lado. n.... as fontes do direito internacional privado são: a legislação especial de cada jogar. os dous domínios. PILLET (4) apresenta-nos uma outra classificação das fontes. A organisação judiciaria é que se entronca no direito constitucional...... «lntroduction générale a 1'étude du droit».. I..OKiHBR....... ea bôa razão. alguns apresentando-as de envolta com as do direito das gentes (2).. fundados em idéas e interesses communs. 34.*. participando o direito adjectivo da natureza do substantivo (*). privando-o de seu complemento processual. XIV e scgs... pag. 8. como é de razão. Segundo BROCHER (3). addicionando-lhe o direito penal. (2) WEISS... pois elle é o direito privado da sociedade internacional. 10—i3. «'»'«?*■.. outros especialisando-as. mercial entra. «Précis»... « Trai té de droit civil ».... as (1) PLANIOL. • ...-.... (3) « Droit international prive»..... Mantenhamos ao direito internacional privado a sua natureza e a sua essência..... WHARTON. Não o desnaturemos.. certos costumes internacionaes.. •. pags.CLÓVIS BEVILÁQUA 89 . notas 1—2... sempre é possível destacar... « Priva te int. § 18 FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Os auctores expõem diversamente e diversamente ennumeram as fontes do direito internacional privado. ii 33 e 40—42. «Droit internacional ».... e si anda ella intimamente ligada com o processo.. pag. nota 1(4) «Príncipes». g i.. matéria e forma...j law »... mas.. não o mutilemos... tractados e convenções diplomáticas. DHSPAGNET. ..

é também FIORE (*). Não podendo ir de encontro aos princípios característicos ou car(i) «Droit international prive». como os que resultaram do Congresso de Montevideo e. quanto aos tractados. IQOI. mas esta funcção é essencial e somente ella a pôde exercer. png. apresentam um caracter particularista que é sempre suspeito ao espirito universalista.90 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO fontes do direito internacional são gemes e particulares ou especiaes. á qual. . AUBRY ( ). positivas ou especiaes. As particulares são: a lei. A tracJição. principalmente quando revestem a forma ae convenções abertas a todas as potencias. é 2 fora de duvida que elles têm. os tractados e o costume acceito em cada paiz. sobretudo. é uma íonte geral de muito valor ainda hoje. destacam-se a acção scien-tifica da doutrina e a influencia da tradição. das Conferencias de Haya. As fontes. 661. um caracter limitado e subsidiário. Desse parecer. mas ainda que seja manifesta a acção dos tractados. recusaríao titulo de fonte do direito internacional privado. Os tractados merecem-lhe maiores sympathias. têm a grande vantagem de operar com força de lei em cada paiz. 38. Destas fontes especiaes. com faz notar J. mas possuem a desvantagem de não ser susceptíveis de applicação geral. n. PILLET desadora mais a lei. Como geraes. que remonta aos estatutários. que deve dominar no direito internacional privado. si não fora o favor que lhe concede a opinião commum. embora a doutrina destes já tenha sido alterada pelo progresso da sciencia. pois são meios apropriados para transportar para o terreno da pratica as conclusões da theoria. nota 2. (2} CLUNBT. A doutrina desempenha uma funcção meramente preparatória das construcções que o legislador ou o costume tem de erguer. alguns dos quaes com tendências systema-tisadoras.

portanto. portanto. cada vez mais fortemente. E a lei. para que as completem. Esta identidade de princípios realisa a communhão de direito sobre bases mais resistentes e mais prestigiosas do que as convenções. O conjuncto das idéas e sentimentos moraes. do que ensina o eminente PILLET e. neste ponto. por ser a expressão do pensamento jurídico de um povo sob a acção das ídéas geraes de justiça e liberdade. revelam a sua identidade fundamental. e. não podem ter preponderância sobre ellas. tendendo para a crystallisação na consciência humana. mas não se lhes pode assígnar sinão uma íuncção secundaria e essencialmente transitória. por sua fixidez. através da multiplicidade das formas que revestem. em cada individuo e em cada povo.° A lei especial de cada paiz. a idéa e o sentimento de justiça. 2. sob a acção da doutrina. No meu entender. os tractados auxiliam as legislações e preparam mesmo o advento de certas mutações jurídicas. ha de apresentar forçosamente o precipitado da consciência universal na consciência nacional e. Desvio-me. por sua força moral. entre os povos. e mais poderosos. idéa e sentimento que.° Os tractados: . indico as seguintes fontes do direito internacional privado: I i. Sendo a lei expressão desse estado dalma em cada povo. são mais aptas do que os tractados para firmar. de realisar as aspirações da doutrina. que constituem património da parte culta da humanidade.CLÓVIS BEVILÁQUA qi deães das legislações. os princípios essenciaes do direito internacional privado. irá traduzindo os postulados da justiça. porque no direito positivo de cada povo brilhará o reflexo da consciência jurídica universal. consequentemente. têm de esperar que estas se transformem. olhada pelo prisma humano. incontestavelmente. apura e reforça. que também são instrumentos. combinando as suas idéas com as de BROCHER.

porque não tem propriamente nenhuma. que a substitue ás vezes inteiramente onde ella falha. 2. isto é. pag. (1) CLUWET. «Pincipes».92 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 3. inclusive a possibilidade de reclamal-os perante os tribunaes dopaiz onde se acham. os princípios de direito internacional consagrados em lei são em numero reduzidíssimo. j}$ 10 —17. Esta ultima fonte. vejo no direito internacional privado um tríplice objecto: i. a que o fez surgir e lhe deu nome a principio. . de 1893. quando a tradição ainda não as canalisou num determinado sentido. § 19 OBJECTO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO De accordo com PILLET (1).a etl. sob o ponto de vista de sua energia coactiva. Nas minhas «Lições de legislação comparada».° A condição jurídica dos extrangeiros. estimula a consciência do juiz. 4. e a tradição é o costume suppletivo da lei onde ella é silenciosa. que é a creadora de todas as outras. que a todas domina sob o ponto de vista das idéas. Fala aos espíritos. i. A doutrina inspira os julgados.. tem menos força obrigatória do que ellas. I8Q3. mas estes accusam necessariamente a variação das idéas pessoaes dos juizes. 3 e scgs. actuam imperativamente. mas nisto se resume a sua acção.." A tradição e os costumes." O conflicto das leis. que é a parte mais extensa deste ramo do direito. A doutrina. A lei e o tractado têm força de obrigar. I Esta é que me parece a ordem natural das fontes. provoca a acção do legislador. já me pronuncio por ota concepção de PILLET. a determinação dos direitos facultados aos extrangeiros. por exemplo. No Brasil. esclarece as fontes positivas.

CLÓVIS BEVILÁQUA Q3 I 3. mas sem razão alguma. do direito civil para o internacional privado. n. ASSER ET RIVIKR. é o espirito do applicador que entre diflerentcs leis procura escolher a que melh or convém a relação de direito. como se verá em seguida. . H A terceira categoria de questões que fazem o objecto do direito internacional privado é. Assim fizeram os estatutários e.° O exercício em um pai* de direitos legitimamente adquiridos em outro. muitas duvidas e controvérsias.da relação. obedece a uma lei que pôde não ser a das partes litigantes. não se acham submettidos ao império da mesma legislação» (1). PAGNET. § 12. nem a do logar da celebração do acto. a determinação do effeito internacional dos (1) PILLET. como ficou dicto. 7. quando ha duvida sobre qual a legislação applicavel. creador.WHARTON. quando a verdade é que não são as competências que se defrontam no direito internacional privado reclamando ou repellinun p direito de decidir o pleito. ou porque. resolvendo assim. se verificou fora do paiz a que pertencem os agentes. ou porque as partes vinculadas pela relação tenham diversa nacionalidade. Os auctores reduziam. depois delles. FÉLIX. objecto dessa relação. foi deslocada. ou porque os bens. estejam situados em paiz extrangeiro. cujo concurso ê necessário para a constituição de uma certa relação de direito. A designação de conflicto não tem escapado a cen» suras e parece ter levado MBILI a suppôr que ha inteira similhança entre os conflictos do direito internacional privado e os do direito commum. o direito internacional privado ao conflicto das leis. nem a da situação dos bens. «E'léments. 3. pag. que alguns querem encluir no segundo membro desta indicação. Modernamente. finalmente. SAVIGNY e muitos outros. DES«Précís». a principio. «Príncipes». ou porqueoacto jurídico. porém. por uma boa applicação methodologica. a condição jurídica dos extrangeiros e a essas duas categorias de questões jurídicas accrescentou PILLET a dos direitos adquiridos. o tribunal. Dá-se conflicto de leis «quando os diversos elementos de facto. chamado a apreciar essa relação. Apparece o conflicto.

segundo alei de seu paiz. desde que na Turquia é licita a polygamía. Entre elles merecem especial relevo: a) o caso em que um filho legitimo.94 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO direitos adquiridos. . c)o caso em que a sentença proferida em um paiz tende produzir effeito em outro. Pertencem a esta parte complementar do direito internacional privado as com(i) «Príncipes». Assim. Ao lado deste tríplice objecto do direito internacional privado. tem de invocar essa legitimidade para reclamar alimentos. os filhos que procedem de uma união conjugal dessa espécie são legítimos em qualquer parte. complemento sem1 o qual não poderia funccionar o próprio direito ( ). Como no direito internacional privado é possível separar de um direito os eífeitos que elle produz. aqui tem sua natural collocação em face dos princípios directores da sciencia. b) o caso em que os cônjuges divorciados. ou uma successão ou outro qualquer direito derivado da sua condição de filho legitimo. São casos desta classe todos aquelles em que um direito nascido em um paiz é transportado para outro ou em outro reflecte as suas consequências. Já foi esta matéria apreciada em face da noção de ordem publica. lembra PILLET que é necessário mencionar o que pertence á administração da justiça. Os dois primeiros casos apontados offerecem uma particularidade. pôde acontecer que o direito em si merecesse a repulsa da consciência jurídica do paiz onde aliás se acatam as suas consequências. pretendem casar-se em outro paiz que recusa ao divorcio esse effeito. de accordo com a sua lei pessoal e em paiz em que o divorcio rompe o vinculo matrimonial. desde que estas em si nada contenham de offensivo á ordem publica ou aos bons costumes do logar em que se manifestam. mesmo onde a polygamia repugne as idéas dominantes e seja'reprovada pelo direito positivo. § 17.

BROCHEI».. 1903. por seu turno. publicada no «Annuaire» de 1'Iustitut de droit international. devolução ». 1901. KEIDEL. II. 424 e 691. WEISS. 167 .CLÓVIS BEVILÁQUA OO missões rogatórias e os meios jurídicos existentes para tornar effectiva a assistência jurídica internacional. em CLUNET. pag. 35 e ASSER. «Theorie und Praxis». 1898. citado na nota i. 1901. porém. que a lei extrangeira. como propoz CARLOS DE CARVALHO. 1903. esta. CLUNET. portanto. podemos usar do vocábulo «retorno» que reproduz o hespanhol ou. nessa mesma hypothese. e «Bulletin ar-jgentin de droit int. 1897. CiiAussE. «Lehrbuch». em CI. ou de conhecer os direitos succesorios de quem herda de um extrangeiro.01. 10. § 20 A THEORIA DO RETORNO A theoria dos conflictos complica-se com a theoria do retorno (x).. 76 . diz-se «renvoi». FIORB.UNET. I . em italiano. em allemão Rueckverweisung. LXXXVlII. (2) BAR. pag. allemães. pag. na pagina seguinte. Em portuguez.em CLUNET. e. em hespanhol. pag. jj 10. Supponhamos eme se tracta de determinar a capacidade de um argentino domiciliado no Brasil. pags. Eis ahi 2 o retorno. 82 e segs. pag. quando invoca a lei extrangeira é para applicar as suas determinações. em um caso dado. especialmente. I. nota 5. « Traité. DE DIOS FRIAS.. 125 e segs. e grande numero de julgados francezes. Adde: uma nota de |WESTLAKE. prive». italianos. 40 e segs. « Droit international prive ». Em ponto (i) Em francez. pag. pags. devolve o caso para a lei do domicilio que é a brasileira. A lei brasileira estatue que essa determinação seja feita pela lei argentina. I. iqoo. pag. pag. Alguns escriptores o acceitam e approvam ( ). como quando se tracta de determinar o estado e a capacidade de um extran-geiro. Acontece. «referencia. porque lhes parece que a lex fori. a lei extrangeira afasta de si o regimento do caso e declara que a lei do domicilio é a competente na espécie..77 . «Direito civil brasileiro». «rinvio». esta ultima e não outra deve ser a preferida. 94). em CLUKET. ordena-lhe que applique a lei extrangeira.. Si. pag. 280 (ii. 873 e segs. E' também da palavra « devolução » que se serve ALBERTO DOS RUIS. etc. manda ap-plicar a lei do domicilio da pessoa. 905 e segs. a3 . A lei do juiz. « ritorno». pag.

BARTIN. pag. em tal emergência. 12. também neste caso. cumpre ao juiz applicar não a lei indicada pelo legislador extrangeiro. pag. em CLUNET. 170 e segs. as idéas preconcebidas têm impedido os espíritos de ver claramente os factos e apreciar as razões invocadas pelos adversários. no exemplo acima lembrado. <I Príncipes ». 551 e segs. sem duvida. pag. 241 e segs.. 1898.^ 3) «Apud » DESPAGNET. pag. 1804.. 5 e segs. IQO3.e 1904. jj 63. jjjj 63 -66. 1896. mas sim a que o legislador nacional lhe apontou directamente como a reguladora da questão. I 896. I885. o juiz brasileiro deve applicar a lei argentina e não a brasileira. «Coursde droit internationaí prive». '«. em CLUNET. Um diz que tal opinão empresta ao legislador «um modo de proceder que nem é digno nem razoável» (8). § 66.n. « Revue de droit internationaí». Assim.n.. IO6. em CLUNET. pag.| (i) LABBÉ. « Successão em direito internacional privado». 241 — 242. ALBERTO DOS REIS. Das suecessões no «direitointcrnacional privado ».em CLUNET. Í . 721. pags.. pag. pag. al « Príncipes ». n. LAINÉ descobre. pags. em CLUNET. in fine. Parece que. mostra bem que não encaram a matéria com a calma que era para desejar. « Precis». 41. As expressões com que os auetores se referem aos que adoptam opinião opposta. DESPAGNBT. n. 129 e segs. «II rinvionel diritto internazionale privato. na pratica do retorno.BUZZATI. H (5) PILLET.CHRB>IBN. LAURENT. IV. a ruina do direito internacional privado ('')• « E' um dos peiores pro-duetos do rnethodo vicioso que pretende á força fazer do direito internacional privado um ramo do direito privado» (5). 106. No dizer de PILLET ( 2 ) constitue esta «uma das questões mais celebres dentre as que se conhecem em nossa sciencia.Ç)6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO de vista diverso collocam-se outros (*). «Precis». 1881. PILLET. 4) CLUNET. embora a lei argentina se refira á do domicilio para a determinação da capacidade de seus naturaes. 3o. 1S96. «é a subversão completa de todos os princípios fundamentaes do direito internacional (G). « Príncipes ». I2. LAINÉ. a que. MAURICK LIGEOIX. n. SUR-VILLE et ARTHUVS. declarando que. E são os adversários do retorno que se mostram mais vivazes no ataque. nota em SIRBV.. (6) ALBERTO DOS REIS. maisprofundamente agita e divide a doutrina». 481 e segs.

No em tanto são mestres respeitados na sciencia os que são assim increpados de subverter as bases da doutrina de que elles se constituíram os mais fortes pilares.. Resta-lhe apenas tomar dessa lei a solução do litigio. a condição da capacidade. Seu ponto de vista é o da competência das soberanias. pngs. contra a tendência dos tribunaes a admittir o retorno. parecendo que a questão estava definitivamente resolvida. pag. ao que parece. . ASSEH. Cabe ao legislador. sãoWESTLAKE. O ponto leti-Igioso é saber si.CLÓVIS BEVILÁQUA 97 E nesta clave vão as objurgntorías. deve ser-lhe revelada sempre com certeza por seu legislador. Examinemos mais de perto a famosa questão. O legislador H (<) CUINET. 1896. elle nada resolve. o juiz não tem que perguntar ao legislador extrangeiro qual é a lei applicavel. RENAULT e muitos outros. tentando conseguir o que os argumentos não têm alcançado. Quando clle designou uma lei extrangeira para a solução de uma questão. já o sabe. 346-249. 'LAINK. 16. com o retorno que elle contém. isto é. deve o juiz limitar-se a tomar essa indicação de um modo geral ou se deve acceitar o direito extrangeiro tal como elle é na realidade. sob cuja auctoridade se acha o juiz chamado a decidir um negocio. o regulamento da successão ou a causa do divorcio (M. WEISS. dentre os jurisconsultos de valor. 1. «A lei que um juiz tem de applicar. Este argumento produziu grande impressão entre os internacionalistas. pois ninguém contesta que o juiz deva obediência á lei territorial. CIUNET. »8S5. isto 'é. LAUMNT mostiúrn-se anteriormente contrario ao «retorno». BROCHER. obedecendo á lei que manda applicar o direito extrangeiro. Um tribunal não tem que esperar de um legislador extranho a indicação do caminho que ha de seguir». Entretanto. pondera o douto jurisconsulto. FIORE. determinar qual a lei applicavel á causa. bem ponderado. LABBÉ foi quem se insurgiu primeiro. mas sem se deter suficientemente no exame da questão.

..... transformar um systema legislativo que adopta a lei do domicilio para regular a capacidade dos indivíduos nas relações interna-cionaes. não desfaz a duvida.. Portanto. que prefere para esse eífeito a lei nacional. Como é que este melhor obedece ao seu legislador? Como é que eífectivamente applica a lei extrangeira? Parece-me clara a resposta: applicar o direito extrangeiro é acceitar a solução que este offerece. não mostraria este o mesmo zelo si se tractasse da escolha entre duas leis extrangeiras. portanto... . pags. Por outro lado. pretender.... (i) CI. e seria evidentemente impor as suas idéas. a applicação* da lei do próprio juiz....—...... ainda que a razão e a sciencia lhes tenham melhor inspirado do que aos outros as pres-cripções estabelecidas em seus códigos (*).. na hypothese._^ DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ... como reflecte o illustre FIORE.... manda-lhe applicar o direito extrangeiro que. por um jogo de dialéctica. não se deve imaginar que os juizes tenham hesitações... remette o caso para a legislação do juiz.... Desde que o principio se incorpore ao systema do direito internacional privado.. 686-687. Provavelmente. é a territorialidade que sob essa apparencia vem queimar os seus últimos cartuchos (5)..?......... porque dá em resultado.. ... geralmente. os legisladores não podem impor o seu modo de ver aos outros. bem se vê o ponto de vista em que se collocou o grande jurisperito. '( 64..m. o argumento a virtude que lhe emprestaram. 1901.. í^'"'"» . Pensa o insigne PILLET que o retorno somente alcançou acceitação da parte da jurisprudência..98 |.... Elle falou em nome do nacionalismo e não quer diminuir-lhe os limites da applicação.... (2) a Príncipes».... mas... .. Não me parece razoável a critica. num systema contrario.. que não pôde ser suspeito ao nacionalismo... antes pôde ser utihsado mais adequadamente a favor do retorno.UNBT.. Não tem........

é uma consequência da personalidade. outro fôr o systema adoptado. ao contrario. entretanto. uma vez que estas foram previstas pela sciencia e pelo direito positivo. «Como suppòr. pela lei do paiz a que elle pertence. nesse paiz. será regulada pela lei franceza. a capacidade do extrangeiro na França ha de reger-se por sua lei nacional. interroga o sábio professor. que resulta da applicação da lei extrangeira. Mas intervindo o retorno. que dois princípios concebidos nos mesmos termos e que são apenas a expressão de uma só e mesma idéa possam ter sentido differente?» ( l ) . Applicarão o principio. é o caso de retrucar que não deve causar suspeitas uma territorialidade que. a capacidade do francez. pela lei franceza. . Em virtude desse preceito. da mesma forma que pela lei franceza se ha de regular a capacidade do francez residente ou domiciliado no paiz figurado. A lei fran-ceza estabelece que o direito nacional da pessoa é o determinador da sua capacidade. a capacidade do extrangeiro será regulada. tractando-se desta espécie. si a legislação extrangeira obedecer ao mesmo systema acceito pelo código civil francez. muitas vezes. acontecerá que. e a capacidade do extrangeiro que se acha na França. Não ha. porquanto. ij 64. ou reguladora de outras relações. geralmente. está obrigado a acceitar a indicação (i) K Príncipes». no extrangeiro. Descobre também o notável internacionalista uma contradicção na theoria do retorno. quanto á possível revivescência da territorialidade.CLÓVIS BEVILÁQUA 99 quando fòr o momento de escolher entre duas leis extrangeiras ou entre uma extrangeira e a nacional. em differentes hypotheses. por isso mesmo que o legislador francez quer submetter o extrangeiro ás prescripções de sua lei nacional quanto á capacidade. como reguladora do estatuto pessoal. Mas si. na França. quaesquer que sejam as consequências. E. a imaginada contradicção.

por conseguinte. Nesta variação nada ha de contradictorio. o direito internacional. a53—a54.IOO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO que esta faz. e que. Parece-lhe tam evidente esta argumentação que se sente embaraçado em additar-íhe mais qualquer cousa. o estado e a capacidade das pessoas. pags. antes. está. leis regulando as successões. Eis porque inadvertência nossos tribunaes se internaram . regulando o conflicto da lei interna franco-belga com as leis internas da Baviera ou da Inglaterra.por um falso caminho» (J). foram iIludidos pelo equivoco. para affirmar que. da lei franceza. applica as primeiras. não repararam que a lei franco-belga. Essa lei extrangeira ha de ser a lei interna. . 1896. ás quaes o nosso direito internacional attribuia competência. eram as leis internas desses paizes. não faz outra cousa sinão indicar os casos em que a relação jurídica deve ser submettida á lei extrangeira. tendo de applicar a lei bavara ou a lei ingleza. No emtanto. O argumento estriba-se na distinccão entre as normas de direito interno e as de direito internacional privado. nella a expressão de uma harmonia substancial de princípios. mas não adquiriu força nova. relativamente aos conflictos de leis. Na realidade. apresentada sob um revestimento mais technico. as leis da Baviera ou da Inglaterra. Assim « os tri-bunaes belgas e trancezes. e não a por J acaso indicada como competente pelo direito extran(1) CLUNBT. de que se tractava. quando devera applicar as segundas. com as que pertencem ao direito interno. no caso. explica o jurisconsulto francez. quando este declara uma lei applicavel. era uma disposição do direito internacional privado. ahi está apenas a idéa de LABBÉ. se refere á lei interna. em virtude da lei franco-belga. LAINÉ attribue ao systema do retorno um equivoco essencial: Confundindo as leis extrangeiras que pertencem ao direito internacional privado. Ganhou o pensamento em precisão.

Consequentemente. Foi justamente isso que affirmou LABBÉ e já toi refutado. posta de lado. pela distincção entre direito interno e internacional. ou. num moto continuo. . utilisa-se das leis dos Estados. Sendo assim. declara que essa capacidade é a constante da lei do domicilio. si quizesse tirar do principio que adopta as consequências que elle encerra. sem mais considerações. tendo algumas vezes effeitos extraterritoriaes em relação a outras. Essa é que é lei dominante. resolver a hy-pothese. Um tribunal brasileiro. antes. cumpre obedecer-lhe. não como quer o legislador chamado a dizer de direito na espécie. applicando-as segundo a natureza das próprias relações de direito. ora a lei pessoal (a da nacionalidade ou a do domicilio) e ainda a lex loci actus. Não aproveita mais a distincção entre leis de direito internacional privado e de direito interno. porque assim o determina a lei nacional do individuo em questão. quando do ponto de vista do direito internacional privado alludimos á applicação da lei extrangeira ainda não está tudo dícto. mas como deseja o que o invocou um momento para em seguida afastado. Ainda uma vez a concepção da sociedade internacional elucida uma duvida neste departamento do direito. porque o direito internacional privado não tem leis suas. é do interesse da sociedade internacional que ella o decida segundo lhe parecer mais justo.-Estas diversas leis são sempre internas relativamente a um paiz dado. tem apenas princípios ou normas segundo as quaes ora se applicará a lex fori ora a lex re sites. tractandoda capacidade de um ínglez. Dizem mais que a theoria do retorno cahiria num circulo vicioso.CLÓVIS BEVILÁQUA • IOf geiro. pondo-as no mesmo pé de egualdade. E' possível que a lei extrangeira encerre alguma determinação que não pôde ser. E é claramente illudil-a. A sociedade internacional não tem leis suas. não se podendo dar preferencia a um systema legislativo sobre outro. quando a lei extrangeira é declarada competente para o caso.

não tem que ir além. não fala á razão. já attendeu á prescripção da lei pátria. Toda esta contenda bem mostra que o problema (i) BUZZATI. (2) «Revue de droit international». que é. pag.4.102 DIRECTO INTERNACIONAL PRIVADO mas a lei do domicilio. Encarada em sua substancia a affirmação de BARTIN. O tribunal. Tracta-se efíectivamente dos limites da lei no espaço e não fica esclarecido por onde hão de essas fronteiras ser traçadas. envolvida. pag. Como se vê. $ 64. agora. 1898. é porque lhe parece que essa lei é competente para isso. 79.'. nas malhas de uma concepção que me parece egualmente falsa. Não é mais convincente o arrazoado de BARTIN (2). e como a lei extrangeira o remetteu para a própria lexfori. n. e não obterá solução alguma. 1898. «Príncipes». foi buscar a lei extrangeira para conhecera capacidade do extrangeiro. como as outras anteriormente consideradas de LABBÉ e LAINÉ. resolve a questão pela propría questão. 12. ALBERTO DOS REIS. é sempre a mesma idéa. remette o caso á lei nacional do interessado. pag. regras de direito publico. em obediência á sua lei. a sua operação investigadora está completa. . cumpre acceital-o no segundo. PJLLET. 273 segs. destinadas a indicar os limites da missão do juiz e a determinar até onde chega o império das disposições legaes que lhe cumpre applicar. As normas de direito internacional são. na hypothese. que o enviou á lei extrangeira. 24. e já attendeu a esta que o devolveu á lei pátria. O argumento é apenas jocoso. e si o tribunal teve razão de acceitar o retorno no primeiro caso. Veja-se ainda o «Annuairc de 1'Institut de droit international. Si um Estado submette uma dada relação jurídica a uma lei extrangeira. «II rinvio». ^ Responde-se a essa increpação muito facilmente. gyrando perpetuamente dentro de um circulo fechado (*). a brasileira. portanto. qual é a de considerar o direito internacional um complexo de normas reguladoras da competência legislativa e judiciaria dos Estados.

mas estas. o da determinação da capacidade do extrangeiro. na justificação da theoria do retorno. parece-me. creio que se deve destacar esta ídéa do auetor aílemão. Não acompanharei. e sim determinação dos direitos do individuo. evidentemente se tracta do próprio estatuto pessoal desse extrangeiro. Em todo o caso. desde que a fórmula imperativa manda o juiz applicar n lei estrangeira e desta elle toma apenas a regra de direito. estas disposições devem ser reputadas um elemento integrante do estatuto pessoal. mostrando que. da theona da comitas gentium. segundo a lei do Estado a que elle pertence. seindindo-a para escolher o que lh. aos pardidarios da lei nacional repugna acceitar o dominio do principio _Jcontrario que invoca a lei do domicilio. naturalmente não presentida.NET.e convém. no caso mais commum de retorno. uma persistência. por conseguinte. entende-se que o legislador de um paiz tem o direito de decidir soberanamente um conflicto de leis. Em primeiro logar. Em segundo. E' um I resquício. e devem ser appli-cadas. porque a sua distineção entre a regra jurídica e a fórmula imperativa da lei. e. o iIl us tre KKIDEL. na qual está contido o retorno. não ha propriamente retorno. de um modo absoluto. são exclusivamente oriundas de preconceitos que devem Idesapparecer. pags. 1901. applicando a lei extrangeira como esta lhe agrada. 82-06. . a qual não se confunde com a distineção entre o edicto e a saneção. Si o a legislador desse Estado formulou disposições para indicar a lei reguladora da condição civil e dos direitos privados de seus cidadãos residentes no extrangeiro.CLÓVIS BEVILÁQUA ío3 incerra difficuldades. porque ha na sua argumentação subtilezas que dificilmente assimila a intelligencia commum (*)• Mas parece-me que FIORE elucidou bem o assumpto. ainda que esclareça a matéria não resolve definitivamente as duvidas sobre ella amontoadas. pelo magistrado chamado a se pronunciar sobre essa condição e sobre (i) CLU.

1 Por esse modo se conciliam. que consideram o direito internacional privado parte integrante do direito nacional. se consideram submettidas á aucto ridade do legislador do qual essas regras emanam». Devem. E. I Collocando-se no ponto de vista do direito inglez e americano. Assim. porque constituem elemento in tegrante e complementar delle. numa certa edade. os dois princípios. concretamente. de cuja combinação ella depende: o universalismo individual e o particularismo nacional. emittiu dois princípios: a i a capacidade testamentária activa 6 adquirida em certa edade. Adoptando essa norma. o legislador dinamarquez. ser appl içáveis as pessoas que. achando-a couve. edictadas em virtude da competência legislativa pessoal devem ter a mesma auctoridade que o estatuto pessoal. prescreve aos seus juízes qpt reconheçam • «*• . Suppõe o notável internacionalista que um legislador estabelecendo a capacidade testamentária activa ou outra. quando estabelece o momento em que se adquire a capacidade testamentária activa. na sociedade inter nacional. em razão de sua na cionalidade. E' pelo segundo que sabemos a que | indivíduos se refere o legislador. b) a capacidade da pessoa é regulada pela lei do paiz a que cila pertence. considera submettidas As leis de capacidade por ellc edictadas todas as pessoas domiciliadas nã Dinamarca.J níente. por isso. Estes dois princípios se completam. insiste: «Para nós o principio é simples: as regras' legislativas concernentes ao direito internacional privado.104 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO esses direitos.*••» P*& *•* . WESTLAKE chega a conclusões similhantes. salvo o caso em que a lei ext rangei ra offender á ordem publica ou ao direito social» í1). concluindo a sua longa e erudita dissertação. que dá uma importância decisiva ao domicilio.

nenhum embaraço occorre. prescreve: «As qualidades jurídicas dos cidadãos do cantão são regidas. regimen matrimonial de bens. da forma primitiva. e delia não podem resultar as perturbações que enxergaram alguns auctores. ainda que estejam elles no extrangeiro. 1900. tutela paterna e da auctoridade) do cidadão do cantão.CLÓVIS BEVILÁQUA io5 a capacidade das pessoas domiciliadas no extran-geiro segundo a lei do respectivo domicilio. íí assim dispuser a lei do Estado a que pertencerem*. parece-me bem fundada a doutrina do retorno. Em relação aos extrangeiros que se acham no cantão. apezar das objecções levantadas contra ella. I Em theoria. 3 do código revisto de 1887 mantém o mesmo pensamento: «O direito pátrio regula as relações de família (por exemplo: tutela marital. que habitam o '1) «Annuairede 1'lnstitut de droit intcrnutional». Si o dinamarquez estiver domiciliado na Inglaterra. porque a Inglaterra adopta o mesmo systema. pag. O art. é garantida a applicação do direito de sua pátria. 3li c segs. o que é mais um argumento de auctoridade em seu favor. obra de BLUNTSCHLI. como. Mostra este raciocínio que por muitos caminhos se chega á verdade. convém ter em vista. applica-se. em falta de outra. pelo direito de sua pátria. O primeiro documento legislativo que se occupa desta matéria é o código civil de ZURICH. l l . encon-tramol-a consagrada em muitos julgados e em disposições de lei. As relações de família dos extrangeiros. Mas si o dinamarquez estiver domiciliado na Itália. neste ultimo paiz não existe uma lei regulando a capacidade dos que lá fixarem o seu domicilio. a lei normal. que para o legislador dinamarquez é a que elle dictou (x). 2. publicada em 1854. Na pratica. cujo art. tem egualmente uma regra para a capacidade das pessoas ahi domiciliadas.

Abs. i5. ai. ai. solches vorschreibt)». 17. A este respeito é também garantida aos extrangeíros a appiicaçâo de sua lei nacional. 7. art. ainda que se achem no extrangeiro. que é a appiicaçâo da lei pessoal segundo esta é prefixada pelo direito que a deve regular. na medida que o direito do Estado a que pertencem assim o prescrever (sofern das Recht des Staates. 25. 2: «As relações pes-soaes (capacidade jurídica. die deutschcn Gesetze anzuvenden sofiuden diesc Gesetze Anvendung. lei territorial. i. 27. 1. dem Art. Abs.lOÓ DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO cantão. si o direito do Estado extrangeiro. 2. também assim dispõe: «Applicam-se as leis ali emas. de novo apparece a idéa do retorno. Não farei da jurisprudência uma exposição com(i) Sind na eh dem Rechte cines fremden Staates. 1. solches vorschreibt)». 1. cujas leis se declaram applicaveis pelos arts. A lei de introducção ao código civil aliemão. ai. fuer massgebend erklaert sind. são regidas pelo direito nacional (da pessoa. De ambos não destoa o código civil dos GrisÕes. 17. ai. d esse n Gesetze in dem Artikel 7. 4 da revisão de 1887. I O código civil de Zug que é de 1861. dem sie angenoeren. embora adoptando a preponderância da. seguiu a mesma doutrina em seu art. relativamente á successão dos extrangeíros. 1 e 25. No artigo 3 do código civil de 1854 e no art. si o direito do Estado a que elles pertencem assim o prescrever (alis das Rechts des Staates. da família ou do succedendo). i3. art. . testamento) dos cidadãos can-tonaes.j 1. regulam-se pelo direito pátrio desses extrangeíros.dem Art. manda por sua vez applicar as leis allemãs» (l). dem si angehoeren. Abs. sob o seu verdadeiro aspecto. capacidade de agir). und dem Art. 2. as relações de família e o direito hereditário connexo com as primeiras ou com as segundas (direito de successão ab intestato. Abs. 1. i5. dem Art i3.

remettendo o leitor ás fontes (1). (1) DALLOZ. dão fortíssimo apoio á theoria do retorno.3. i. Effectivamente. vol. pag. belgas e outros se têm mostrado favoráveis ao retorno. cit. 1900. 64. estabelece. pag. as mais poderosas razões. (2) Acies de la Conférence de la Hayc (La Haye.. regula um conflicto de leis em matéria de direito privado. 242 e segs. 358. 1. pag. notando-se que si não atíveram á questão do estatuto pessoal. pag. 1: «O direito de contrahir casamento é regulado pela lei nacional de cada um dos futuros cônjuges. 368. pag. aé para desejar» que designe a disposição mesma que deve ser applicada a cada espécie e não a disposição extrangeira sobre o conflicto de que se tracta». pag. no seu art. As conferencias de Haya. aliás. 1879. LAINIS. tíbiamente (3). ainda CLUNBT. BUZZATI.UNBT.56. «Commen-taire des conventions de La Haye». K Rinvio ». a convenção relativa ao casamento. pag. Assim o voto emittido em sentido contrario pelo Instituto de direito internacional. quer de auctoridade e de lei. ora por via de consequência. CANTUZI.CLÓVIS BEVILÁQUA 107 pleta. i883.343. 1886. si uma disposição dessa lei não se referir expressamente a uma outra leii>(3). estipulada entre diversos paizes da Europa. quer de lógica e doutrina. I. em consequência do accôrdo de Haya. 46). sunragaram com a sua valiosa auctoridade a doutrina que tam extranha parece a LAINE. a. 1873. I. pag. E si a questão ainda se não pôde considerar definitivamente decidida. 61. vão applicando o principio a todos os casos análogos.3OI . CLUXET. ora de um modo expresso. 1893—1894. foi contrastado pelo dos internacionalistas reunidos em Haya. mas. A fórmula revela bem que a opinião vencedora estava abalada em seus fundamentos pela prestigiosa dissidência. 1882. 1881. 285. 1881. (3) «Quando alei de uni Estado. direi que os tribunaes francezes. PILLET e outros.0. inspiradoras do direito allemão vigente nesta parte. 1879. 5o. onde se lêem as ponderações judiciosas de Renault. 1875. em CI. .

.

é preciso dizer que é o homem que (*) O insigne PILLET. censura o methodo adoptado pelos tractadistas de direito internacional privado. as idéas expendidas neste capitulo dos « Princípios» adquiriram um aspecto de restricçao e prevenção cxtranhavel cm pensador iam liberal e iam desprendido de preconceitos. olhavam para o extrangeiro como para um inimigo que estivesse constantemente ameaçando a sua existência e a sua religião. pela analysc racional deste capitulo do direito. especialmente estas ultimas. para a exposição do direito dos extrangeiros. methodo que consiste na apresentação desse direito tal como o consagraram as legislações antigas e modernas. diz elle.PARTE ESPECIAL TITULO I 0 estrangeiro perante o direito internacional privado CAPITULO ÚNICO Da condição jurídica dos extrangeiros (*) § 21 DIREITO ANTIGO As associações politicas primitivas. O douto professor entende que seria preferível. destacar as faculdades que os Estados são obrigados a reconhecer aos extrangeiros e quaes as que lhes devem recusar. %$ 67-84. O extrangeiro não collaborava para o bem estar da communidade. . adorava outros deuses. sobretudo. sob o influxo dos sentimentos guerreiros e religiosos. por subordinar im mediatamente o direito internacional privado ao das gentes. falava outra lingúa. Parece-me que os resultados não di(ferem num e noutro methodo. adoptava outros costumes. FUSTEL DE COULANGES accen-tuou. não podia merecer benevolência. accrescendo que. «Príncipes». a influencia da religião: «si se quizer definir o cidadão por seu attributo mais essencial.

a tiblia o Ídemonstra. 13bj DESPAGNET. « Droit international prive». WEISS. é o que não tem accesso ao culto. era estabelecida a egual-dade plena dos direitos. O extrangeiro. «Manuel». e «Criminologia e direito: fórmula da evolução jurídica». «Traité». onde o extrangeiro não podia ser proprietário. porque ahi mais se desenvolveram o commercio. «Droítinter-national prive». são muito raros.112 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO possue a religião da cidade. % i3í. parte III. ESTANISI. n. faz notar. (2) HEHMANN POST.V. JHERING. 7 e segs.. aliás. Havia no direito atheniense três classes de extrangeiros: os isotélos. ao contrario. «Grandlagen d es Rechts». na Grecia e na Roma antiga. «Ethnologische Jurisprudeny». jí 16. as industrias e as artes. mas não (i) «La cite antique ». os metécos e os bárbaros. ZEDALLOS. «A hospitalidade no passado». as minhas «Lições de legislação comparada ». em virtude de tractado. onde no dizer de Heródoto. por deliberação popular ou por um tractado. rios primeiros tempos. gozavam de quasi todos os direitos civis do atheniense ou mesmo de todos. cujos exemplos. «Bullctín argentin de droit international prive». pag. 2." edição. «Grande encyclopédie fran-çaise». não podia desposar uma nacional. FIORB. ns. servir-se de um instrumento que fora usado por um grego. cap. «aubain c étranger». I. Outros fazem subresahir factores difFerentes do mesmo estado de repulsão do extrangeiro (2).AU S. não foram extranhos a esses primeiros esboços do direito internacional privado. 74-75. a um natural do paiz repugnava. SUBVILLB et ARTHUVS. Dos povos gregos. que considera o extrangeiro abaixo do pária. Caim. I. Os hebreus. n.. o que os deuses da cidade não protegem e que nem siquer os pôde invocar» ('). cap. 54-5íi. Os primeiros. escudado nas obras de OPPERT. São estas as idéas que imperam na índia. «Precis». expulso da communidade. O metécos tinha a permissão de estabelecer-se em Athenas. dava-se a isopolilia. e II. conforme os termos da concessão. no Egypto. . nem realisar contractos válidos com os cidadãos. XII. foram os athenienses que mais facilitaram o accesso do extrangeiro a terras hellenicas. sente-se desprotegido e espera a morte:— quem quer que me\ achar matar-me-d. pag. 212 esegs. 23. I. vbs. § 22. pags. MENANT e REVILLOU| que os assyrio-chaldeus conheciam jurísdicções especiaes para os extranlciros que foram transmittidas aos gregos e aos romanos. Quando.

Os peregrinos ordinários não tinham o jus con-nubii. ao menos nos primeiros tempos. Chamaram-nos bar-bari. 16 . não tolerava a participação do extrangeiro na vida jurídica: ad-versus hoslem eterna andoritas esto. E' natural. Entre os peregrinos além dos extrangeiros propriamente dictos. nenhum direito se reconhecia. os ordinários. que o desenvolvimento das relações commerciaes lhes modificasse a situação jurídica. porém. nem contrahir justas núpcias. assistido por um proxénos. nem o jus commercii. E ainda cumpre notar que os peregrinos ordinários não são mais. sendo. extranhos á civilisação hellenica. os latini veteres. por isso havia diversas classes de peregrinos. nem fazer'testamento. pela razão contraria. E1 este extrangeiro que incide sob da jurisdicção do polemarchos. a legisactio. estavam fora de todas as regalias jurídicas. abolidas. nem ser herdeiro inscripto. O direito romano. ou porque entre elles e os romanos existiam tractados de alliança. áquelles concederam-se direitos mais ou menos extensos. os latini coloniarii.CLÓVIS BEVILÁQUA II3 podia possuir immoveis. provavelmente. sem gozar das prerogativas de cidadãos. a estes. nas relações com os romanos. porém. Os latinos. primitivamente. os latini juniani. que se achavam numa posição intermédia entre os extrangeiros e os cidadãos. Os bárbaros. regia m-se pelo jus gentium e nas relações com os habitantes não romanos da mesma região. afinal. aliás. gozavam do jus commercii. incluiam-se os povos latinos associados a Roma e os habitantes das colónias. e cujas classes foram. em regra. do que habitantes das províncias romanas sujeitos ao império. fez-se uma distineção entreperegrini e hostes. de amizade ou de hospitalidade ou porque faziam parte dos domínios ter-ritoriaes de Roma. Os peregrinos. nem. pelo seu direito nacional (secundum civitatis sua? jura). Mais tarde.

nem ah intestato. como diria MONTESQUIEU . abolindo prejuízos funestos. o extrangeiro fruía de melhor situação. o jus de tractus.H4 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I Também na Germânia o extrangeiro estava ex cluído das garantias jurídicas. Os que não faziam parte dessas associações de va\ eram warganei ou garganei e. que podia absorver a totalidade de seus bens. ser incorporado á tribu. o senhor feudal adquiria tudo quanto pertencia ao alienígena. com razão. de quem se disse. até. o forasteiro não podia deferir os seus bens. nem a outro individuo. porcentagem tirada. que consistia no imposto de capitação devido pelo chefe de família extrangeiro. o extrangeiro necessitava de auctorisacão do soberano territorial. que vivia livre e morria escravo. nem mediante um testamento. cujo principio vital era a mais estreita solida-] riedade. além de outros. consideravam-se fora do direito e até. e o direito de cavagem. foi principalmente o commercio que. 5 No regimen feudal ainda se conserva o extrangeiro fora do direito commum. Ainda aqui. Pelo jus aibinagii (alibi natus). Sobrecarregam-no de impostos excepcionaes como. Entretanto. si na tribu encontrava um protector que assegurasse por elle o wehrgeld. eram reduzidos á escravidão. não podia transmittir os seus haveres. o que era frequente. Para casar-se. Por sua morte. sob pena de multa. porque não podiam tomar assento na assembléa da communidade (mallum). sobre as heranças deferidas aos extrangeiros e sobre a exportação de seus bens moveis. entre os saxonios. em beneficio do Estado. E a auctorisação não era concedida sem paga. isto é. porque a organisaçáo social ligava ahi os homens livres em communJH dades. nem aos seus herdeiros natos. com o decurso do tempo. podendo. todas as vezes que o casamento era contrahido com pessoa residente em outro território ou de diversa condição (for-mariage).

Durante o tempo do mercado o albanus considerava-se protegido pelo direito como si estivesse em seu paiz ou. «Trai té». «Précis». DESPAGNBT. e os próceres desse grande movimento social. 25-33. temporária. liv. ns. depois. Também aos estudantes eram concedidas algumas vantagens. imbuídos do mais puro liberalismo. I. o direito internacional publico favoreceu a pessoa e os bens moveis dos embaixadores. attenuando o albinagio. melhor. CAUWES. aubain. s 22 DIREITO MODERNO : a) Direito pátrio A revolução franceza desmantelou o já abalado edifício do feudalismo. São numerosas as concessões feitas nos diversos paizes para que os negociantes pudessem trazer ás feiras as suas mercadorias. SURVILLK et ARTHUYS. . ns. Rudolf von JHERING escreve: «O direito de todos os povos cultos moi) Veja-se o «Esprit des lois ». Começa uma era nova. reconheceram o que havia de odioso nas idéas do antigo regimen relativamente aos extrangeiros. a da egualdade jurídica no domínio das relações privadas. II.CLÓVIS BEVILÁQUA II5 (1). passageiramente o rigor do direito e. e deu nascimento ao instituto dos consulados o que tudo reunido foi modificando consideravelmente a opinião publica a respeito dos extrangeiros e a condição jurídica dos mesmos (2). esses favores. cap. Por seu lado. foi obtendo concessões que suspendiam. pags. para que as universidades do paiz pudessem receber discípulos de outros paizes. fel. «Droít international prive». Outras vezes. XX. ii3-114. i «condition des étrangcrs. «Manuel». na «Grande encyclopédie». Sobre a condição jurídica dos extrangeiros na edade media e nos rtêmpos anteriores á revolução franceza. como si pertencesse ao senhorio do logar. 22i-23i. vejam-se WEISS. a principio. de um modo duradouro e definitivo. designavam certas pessoas ou os habitantes de determinados paizes ou cidades. vb.

uns e outros são tractados do mesmo modo. «Insti- . nem um tribunal.. DA ROCHA.. em relação á tutela jtfl ridica. a lei extende a sua mão protectora egualmente sobre indígenas e alienígenas como de uns e de outros exige obediência.1. ' (1) M151. E' fácil apontar nas leis do tempo as diífe-renças no tractamento jurídico destas duas classes de pessoas. nosso direito moderno não reconhece mais. aliás. 1807. Consideremos o direito pátrio. entre nacionaes e extrangeiros. — dernos não faz differença. Deutschen Rundschau».Il6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO |". a nacionalidade influe somente sobre a determinação dos direitos políticos. embora fossem tolerantes os costumes em relação aos extrangeiros." . porém. A egualdade perante a lei. pag. que.. mas. os extrangeiros foram admittidos na qualidade de colonos e aos seus navios foi permittido o commercio directo com Portugal. Como se verá nos paragraphos seguintes. 2.0. é o traço fundamental de todo o direito moderno» (J). 9. «Die Gasifreundschaft im Altcrthum. tit. as formas de processo e os principios jurídicos que o juiz applica a favor e contra elles são completamente os mesmos. esta bella aspiração ainda não conquistou inteiramente as legislações positivas. lib.g ti.. tanto pelo juiz civil quanto pelo criminal. j não gozavam estes dos mesmos direitos que os nacionaes.. trad.. 2.. como outr'ora os romanos. Domina. (7. sem significação absoluta.. 'i5q. $ 2o3. pag. Em Portugal não se accli matou o jus albinagii (3).. «lnstitutioncs». fase.. Digase. ainda que onerado de pesado im(i) «Hospitalidade no passado». na doutrina e em grande numero de systemas jurídicos. COELHO tuições ». entretanto. portugueza do auctor deste livro. tanto para nacionaes quanto para extrangeiros.. nem um direito especial do ex-trangeiro. nos primeiros ensaios de organisação colonisadora do Brasil.

pag. 388do Supremo Tribunal Federal. destinados a garantir a eífectividade dos direitos dos súbditos britannicos residentes no Brasil. Começamos. provocada pela viagem de HUMBOLDT. p. 72. ficou firmada. nos quaes estipulou em seu proveito clausulas de favor excepcional. pag. tribunaes que se mantiveram ainda depois da independência do paiz. os regidos pela actual legislação civil. pags. assegurou «. à segurança individual e á (1) WARNHAGEN. E' desse tempo que datam as conservatórias ou tribunaes britannicos. 147 j J0Ã0 LISBOA.». pag. i65. «op. 80. 32. de 28 de Janeiro de 1808). 3. . «Em summa. art. «Projecto». a egualdade jurídica entre nacionaes e extrangeiros (2). «Esboço». «Consolidação das leis civis». no Diário Official de 11 de Julho de i8q3. já os seus portos eram franqueados ao commercío directo de todas as nações amigas (dec. 3o53. e até deprimentes da soberania nacional. (2) RIBAS. «Curso de direito civil». Entretanto. As prevenções e suspeitas cresceram com o tempo e o commercio extrangeiro foi rigorosamente afastado (MARTINS JÚNIOR. «Projecto actual». «Direito civil». como uma lembrança funesta. art. quanto a direitos civis puramente. n. portanto.229). impoz-lhe os tractados de 19 de Fevereiro de 1810. por uma tradição segura na jurisprudência e na doutrina. não descobrimos disposições especiaes senão no caso da locação de serviço e essas mesmas foram motivadas pela transitória necessidade da colonisação. art. «Obras» III. 34. sua qualidade de protectora da corte portugueza. I: CARLOS DE CARVALHO. a nossa vida autónoma de Estado sob os auspícios do liberalismo nesta parte. NABUCO. 38 e nota. cap. tit. MARTINS JÚNIOR. II. até 1844. «Historia do direito nacional». art. tornando-se celebre a carta regia de 2 de Junho de 1800. 11 c 3o2-3o3. «Historia geral». isto é. TEIXEIRA DE FREITAS.CLÓVIS BEVILÁQUA I 17 posto (l). a Inglaterra não se contentou com essas primeiras larguezas e. «Direito administrativo». 3. pags. CXXXVIII e CXL. art. 3. I. «Decisão». 228 . Algumas restricções que existiam foram desapparecendo por força da opinião. cít. Antes mesmo de se declarar a independência politica do Brasil. até que a Constituição republicana de 24 de Fevereiro de 1891. Organisado o Brasil constitucionalmente e desenvolvendo-se normalmente o seu direito." edição. Até as explorações scientificas eram mal recebidas. onde se lé . na.a nacionaes e extrangeiros residentes no pai* a inviolabilidade dos direitos concernentes á liberdade. pags.

sem grande alcance e de fácil sophismação. esta restriccão. As disposições especiaes sobre heranças de extrangeiros ausentes são. é uma dissonância no systema harmonioso adoptado pela Constituição neste assumpto. desde que se tracte de um residente no paiz (*). «Consolidação». impõe-se a todos os que se acham fora do paiz. sob o ponto de vista dos direitos individuaes. i3. art. (2) Meu «Direito da família». como se verá quando tra-ctarmos do direito suecessorio (*). da parte especial. Destacando esses direitos em diversos paragraphos e declarando ainda que a sua garantia se extende a outros direitos não enumerados. concedendo mesmo a este ultimo os direitos que vão além do circulo da ordem privada. i652.propriedade». . A caução judicatum solvi. Uma questão que aqui merecia ser tractada é a do direito de expulsão dos extrangeiros que se tornam perniciosos ao grupo social em que se encontram. tal como existe entre nós. (3) 8 24. (1) Veja-se o capitulo. CARLOS_DE CARVALHO. Sobre as pessoas jurídicas dir-se-á posteriormente (3). não distingue entre naturaes do Brasil e extranhos. no circulo das relações do direito civil. dizerse francamente que. Aliás. põe o nacional e extrangeiro em completa egualdade. «Direito civil brasileiro». tit. 72 da Constituição federal. medidas protectoras que não restrictivas da capacidade civil do extrangeiro. II. '(. Veja-se também o «Projecto* actual do Código) civil. portanto. já con-demnava essa incapacidade. os alienígenas estão inteiramente equiparados aos indígenas. A incapacidade para exercer a tutela e a curatela. Pôde. CXL. 81. 41c). mas resultantes da forma de governo e dos princípios constitucionaes. pag. que consagrava outr'ara o nosso direito em relação ao extrangeiro. que é privativa dos cidadãos brasileiros. desappareceu com o art. VI. referente á navegação de cabotagem. art. TEIXEIRA DE FREITAS. feita somente a restriccão do art.

. No Brasil. i8g5. § 23 DIREITO MODERNO: b) LEGISLAÇÕES EXTRANGEIRAS As legislações actuaes podem ser distribuidas. pag. 1898. ao art. JOÃO BARBALHO. jj 11. sem attenuações. DE SAI. WALKKR.a mesma opposição constitucional. 6061. jj 17. IV. « An-nuaire de législation étrangere». até dos mais liberaes. FADDA e BENZA. (2) Ha um projecto de Medeiros e Albuquerque. (3) Vcja-se JOÃO BARBALHO. 72. é possivel lançar mão dessa faculdade. penso eu. 37 e 675. 524 e segs. Windsheid». « Anuuaire de législation étrangere». Si a nacionaes e a extrangeiros residentes no paiz é garantido. 406. comm. 978 e segs. aliás. in fine. pags.° As legislações que restringem a capacidade dos extrangeiros ou fazem depender as suas concessões (1) Suissa: CLUNET. 769: WHARTON. Hespanha: CLUNET. pags. pr. 3io e segs. pag. 1902. somente em estado de sitio. 1902. «Lehrbuch». 449. alguns espíritos illus-trados opinam de modo differente (3). «Constituição federal brasileira». « American law». Entretanto. quanto ao modo por que tractam os extrangeiros. pag. in fine. que se pôde justificar como medida acauteladora dos interesses sociaes e como acto de policiamento inherente á soberania de cada Estado. pag. pag. a inviolabilidade dos direitos concernentes á liberdade. nem differença. O direito de impedir a entrada do extrangeiro pernicioso já não encontra. 1894. 1897. loco citato. pag.. suspensas as garantias constitucionaes. pags. em três categorias: 1. 701 e 963. á segurança individual e á propriedade. reser-vam-se esse direito (*). . « Private Internationale law». França: CLUNET. 291 e segs.CLÓVIS BEVILÁQUA II9 Os povos europeus. 1896.. onde. «Droit federal suisse». I. J 54. «ad Pand. Vejamse ainda: BAR. lois de 1900. porém. pag..IS. se têm feito tentativas de regular o assumpto (2) e onde o governo já se tem julgado legitimamente auctorisado a usar do direito de expulsar extrangeiros que maliciosamente se constituem adversários da ordem publica. 749 (lei argentina). «Constituição federal». parece-me que a Constituição federal não permitte essa medida violenta e excepcional.

da Bélgica. i. . essas incapacidades. porém.° As legislações que proclamam a egualdade como regra. é certo que ainda ha muita disposição jurídica extranhavel na legislação da grande republica. WHARTON contesta-o. 3. pelo direito das gentes (?) pôde deter (i) << Privatc international law ». a . WALKER offerece-nos a seguinte lição: «Em muitos Estados os extrangeiros não podem ter propriedade real. mas estabelecem algumas limitações.° GRUPO: LEGISLAÇÕES RESTRICTIVAS I Estados Unidos da America do Norte. H 2. e de que essa critica devera. etc. da França. no Ohio e nos Estados novos. mas. .. Em caso de guerra. Quanto á propriedade pessoal. a mesma do cidadão.° As legislações que consagram pura e simplesmente o principio da egualdade dos nacíonaes e extrangeiros no círculo das relações jurídicas de ordem privada. i 17. A pessoa e a propriedade do inimigo estão á mercê do governo que. da Áustria. mostrando que o principio da egualdade também teve ingresso no direito norteamericano (*). de modo expresso. exceptuar alguns Estados da União. a sua condição é inteiramente outra. afim de fomentar-se a colonisação do paiz.120 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO da reciprocidade. foram revogadas. Neste grupo devem ser incluídos o direito de alguns Estados da União norte-americána. como a hollandeza e a portugueza. A legislação norteamerícana foi considerada por LAURENT como estreita e barbara em relação ao modo por que tracta o extrangeiro. geralmente. por toda a parte. apezar de que realmente jã se não observam hoje tam grandes prevenções como ao tempo em que escrevia a sua critica o eminente jurisconsulto belga. capacidade legal dos extrangeiros amigos é.

prostitutas. que é de 1900. esse estado de cousas mudou consideravelmente. de incluir restricções simi-lhantes (J). VI. g38 (3) a Annuaire de legislation étrangere ». prohibindò á entrada e regulando a residência. 16 c 296. de alienados. mendigos. 198. FIORE. dos chinezes e seus descendentes ("). cap. « Priva te international law». n. nos Estados Unidos. n. I. 1903. ns. etr. I A limitação do direito de propriedade immovel existe na maioria dos Estados. de Cuba ou do México (5). pags. de 29 de Abril de 1902. salvo se vem do Canadá. Na Inglaterra. pag. (1) « American law ». (6) GLASSON. Esta lei também prohibe O ingresso. « Das Buergerliche Recht Englands». Confessa o jurisconsulto americano que esse direito offende os bons sentimentos da natureza humana e que os males provenientes dessa doutrina odiosa e barbara têm sido largamente atte-nuados pela longaminidade do governo. «Príncipes». Nesta ordem de idéas merecem menção a lei federal. 128 . • [jS «Annuaire de legislation étrangere». i33 e PILLET. pag.CLÓVIS BEVILÁQUA íát uma e confiscar a outra » (*). 540. « Droit international prive». 1901. epilépticos. « Droit international prive». em relação ao extrangeiro. pag. XV. loisde 1891. pags. pags. no intuito de proteger o trabalho nacional. 1 Droit international prive ». (5) «Annuaire de legislation étrangere »._ SURVILLE et ARTHUYS. 688-690. j! 54. 3. WESTLAKE. e o código do Districto da Colômbia. ea de 3 de Março de igoS que. (2) «Annuaire de legislation étrangere». do que a norte-americana (6). não se esqueceu. no capitulo III.133 . 1902. a common law estabelecia consideráveis restricções á capacidade civil dos extrangeiros. comm. e hoje a legislação inglezà é muito mais liberal. mas não desconhece que tal é a feição do direito de seu paiz. mas. nos Estados Unidos. ainda em 1891 era esse principio firmado por lei no Illinois (2). nota. « Histoire du droit et deS institutions de 1'Angleterre ». Inglaterra. com a lei de 6 de Agosto de 1844 e especialmente com o acto de 12 de Maio de 1870. ScmnHBISTER. criminosos. £ 3. impõe uma taxa de capitação ao extrangeiro que entra no território da União. 642-658. 1G . i32. Vejam-se mais : SURVILLE et ARTHUYS. Ha que distinguir os súbditos de um Estado amigo (alien friends) dos súbditos de uma nação que se acha em guerra com o povo inglez (alien enemies).

P/c. 5i3-52o. « Droit international prive». 261 c 522. 339. DKSPAGNBT. o que é certo é que desse valioso repositório de experiência jurídica resalta o ódio ao extrangeiro.UNET. 180S. ou. não obstante. como.122 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Os primeiros muito poucas limitações soffrem na sua capacidade civil.T. H 85-106. por uma persistência do di reito medieval. «Direito marítimo». em CI. Os primeiros. 233-33o. Ou porque o código civil francez foi preparado sob a direcção de um cabo de guerra e numa epocha em que a França estava em lucta com as nações da Europa ou porque as idéas liberaes. 14. ■ . os outros estão submettidos a uma legal disability que pouco differe da plena exclusão do regimen jurídico. ainda não haviam penetrado a consciência geral das classes directoras. pags. «Manuel*.69 e segs. Os outros. E. COPINEAU c HENWET. BENTO DE FARM. 726 e 912 justificam o que acaba de ser dicto. 116-138. I. são assimilados aos cidadãos inglezes. cm CLUKKT. I I França. «Príncipes». II. art. 1905. pags. ns. art 3 cdc 3 de Julho de 1896. LAUHNT. a desconfiança do extran-geiro. mas. dependem da bòa vontade do chefe do Estado. 11. E' certo que os dois últimos dispositivos que cercavam a capacidade hereditária activa do extrangeiro foram abrogados pela lei de 14 de Julho de 1819.pag. apenas no direito commercial encontram algumas restricçÕes. extracto de uma memoria destinada a ser apresentada em nome da Academia das sciencias moraes c politicas á Associação internacional das Academias. pags. destacadas um momento ao clarão do incêndio de 89. ns.UNET. «Droit civil international ». 273 e 860. por exemplo. 35-io5. pag. Mas disposição similhantecontêm as legislações commerciaes dos outros paizes. em direito civil. a franqueza e a egualdade foram detidas na entrada desse monumento legislativo. «Précis». 1896. 36o. a brasileira (1). St/»-| IVJLLB et ABTHUVS. « Código commercial». 5. pelo menos. (2) Ci-ufiBT. cm CI. Ainda recentemente o decano da Faculdade de direito de Paris. 16. RENAUI. confessava: « haver (1) Decreto de n de Novembro de 1892. pag. 1875. Os arts. Por exemplo: não podem possuir navios inglezes. PILLKT. pag. SILVA COSTA. Sobre a condição civil dos extran-geiros na França vejam-se ainda: WEISS. GLASSON (*).

aelicto ou quasi aelicto. perante o tribunal do seu próprio domicilio. contracto. alguns desses direitos são excluídos». sinão em virtude de tractados ou da concessão para se domiciliarem na França. sendo de notar que. Entre os direitos recusados aos extrangeiros mencionam-se depois da lei de 14 de Julho de 1819: i.0 Apezar de ter a lei de 22 de Julho de 1867 abolido a detenção pessoal. perdas e dam nos devidos ao Estado. em matéria pessoal. o principio injusto deixa de estar na lei como uma ameaça e uma expressão de malevolencia. ella subsiste para o pagamento de multas. não pôde tomar parte na Assembléa Geral desse instituto de credito. ao contrario. é justo notar. restituições. arts. em matéria pessoal.16). O francez pôde evitar a detenção pessoal nestes casos pela cessão dos bens. Não são raros.° O extrangeiro. porque a cessão de bens é um direito civil reservado aos francezes. podendo ainda o réo coagir o auctor a prestar a caução judicatum solvi (cod. 14. em consequência da qual o francez pôde accionar o extrangeiro. o réo é francez e o auctor é extrangeiro. os tractados que mencionem uma clausula nesse sentido. civil. si puder allegar em seu favor a bôa fé. mas. . ainda que accionista do Banco da França.° A derrogação da regra actor sequitur fórum rei. e hoje a convenção de Haya supprimiu a caução judicatum solvi para grande numero de paizes europeus.CLÓVIS BEVILÁQUA 123 ainda hoje certos direitos civis exclusivamente reservados aos francezes e dos quaes os extrangeiros não têm o exercício. (lei de 19 de Dezembro de 1871). neste ultimo caso. em taes condições o encargo não cria ordinariamente embaraços práticos. 2. qualquer que seja a causa do credito. si o não isempta desse ónus um tractado internacional. nem por isso. 3. não. tem que demandar o seu devedor perante o juiz do domicilio respectivo. Quando. o extrangeiro. e até por custas em matéria penal. nem o gozo.

0 O extrangeiro não pôde ser proprietário de mais da metade de um navio francez (lei de 9 de Junho de 184D). os tractados podem variar de alcance e os extrangeiros.° O direito de pesca nas aguas territoriaes da França e da Argélia é interdicto aos extrangeiros. os domiciliados e os privilegiados por tractados. São estes os direitos reservados aos francezes que destaca a citada memoria de E. 8. Para tanto é necessário um tractado. o direito francez conhece três categorias de extrangeiros: oscommuns. I 6. embora privilegiados por elles. gozarão de direitos differentes. 7. GLASSON. Si attendermos a que o decreto de concessão de domicilio é um favor que pôde ser retirado e que os tractados não têm duração muito longa. O primeiro expediente indicado. apezar de legalmente domiciliado. percebemos melhor a situação constrangida do extrangeiro em França. Depois.° A navegação de cabotagem nas costas francezas é privativa dos navios francezes. aliás. é de effeitos mais restrictos. o quadro de GLASSON não se refere a certos pontos que accentuariam melhor ainda quanto o . pois a reciprocidade do direito francez é diplomática e não puramente legal. havendo ainda outros casos contestados. nem mecânicos a bordo de navios francezes. Finalmente.0 Marinheiros extrangeiros não podem ser offi-ciaes.° O di rei to de extrahir lenha das mattas destinadas a esse fim é também privativo do cidadão francez (leis de 29 de Novembro de i883e 19 de Abril de 1901). ou alcançando uma auctorisação de domicilio ou por meio de um tractado internacional. Em resumo.124 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I 4. 5. conforme o paiz a que pertencerem e as clausulas do tractado. ainda o extrangeiro não obtém equiparaçãocompletadedireito com o nacional. pois. Pôde o extrangeiro obter o gozo e o exercício desses direitos.

si ainda subsiste o principio de reciprocidade. por fim. que em matéria de direito au-ctoral algumas distincções se fazem em favor dos francezes. Bélgica. e que. entre o direito belga e o francez. Vigorando na Bélgica o Código civil francez. ainda que o seu concorrente extrangeiro ahi seja domiciliado por decreto do governo francez. 14. mesmo depois das ultimas reformas. que a maior parte dos auctorese a jurisprudência. restabelecendo-se a regra de direito commum que manda o auctor demandar o réo no foro do domicilio deste (actor sequiturfórum rei. na sombra: que o extrangeiro não pôde exercer em França as funcções de tutor. salvo excepções abertas ultimamente pela jurisprudência em favor dos mais próximos parentes do incapaz. em favor dos filhos desse mesmo paiz. é certo que. muita similhança ha. salvo si a legislação do paiz a que o extrangeiro pertencer possuir disposição de lei revogatória daquella regra em relação a extrangeiros (lei de 25 de Março de 1876). que muitos contestam ao extrangeiro o direito de adoptar ou ser adoptado. 11 do código civil. preferencias sobre os bens da successão nelle situados.. em face do art. Ficou. por serem munera publica.CLÓVIS BEVILÁQUA 125 direito francez é pouco liberal. 2 da lei de 14 de Julho de 1819. contra o parecer de WEISS. allusão á inferioridade do extrangeiro. A lei hypothecaria de 16 de Dezembro de I85I con- . recusam á mulher e ao incapaz extrangeiro o direito de hypotheca legal. O citado auctor faz. c esappareceu a desegualdade resultante do art. pro-tutor ou curador. de passagem. a legislação operaria estabelece preceitos tendentes a pôr em melhores condições o trabalhador nacional. Todavia. todavia. si a legislação do paiz a que pertence o extrangeiro consagra. inferioridade que consiste em receber principalmente o herdeiro francez o seu quinhão em bens situados na França. imposto pelo art.

lhes é interdicta a propriedade immovei. pags. 1892. « Droit internacional prive ». 134: LEHR. n. como se vê do art. 739. embora incluida no código civil. Noruega. porém. em CLUNET. E esses casos são raríssimos. Áustria. 398. No império d'Austria vigora o principio da reciprocidade legislativa (código civil. art. Romania e Montenegro. . 1880. DIAS FERREIRA não aponta outra restricção. 759 e 1888. pag. da eschola liberal. a lei noruegueza sus-pende-a mediante concessão do governo (*). em CLUNET. «Ânnuaire de legislation étrangere». pag. em regra. emquanto aos actos que hão de produzir os seus eííeitos neste reino. I. 2. 43o e 55Q. 447 e 456. 26 do mesmo código: «Os extrangeiros.° GRUPO: LEGISLAÇÕES QUE CONSAGRAM MAIOR FRANQUEZA DO QUE AS DO GRUPO ANTERIOR Portugal. «Droit international prive». pag. pags. A legislação portugueza foi sempre liberal. Mas. 129. O projecto de código civil belga é. (2) SURVILLE et ARTHUYS. em CLUNET. SOLIOTIS. 225-233. n. 33) e o mesmo se deve dizer da Servia. 1887. «Lehrbuch». pags.| I Rússia. 1120 e segs. KAZANSKY. esta restricção não se refere aos direitos civis que. Na Rússia essa interdicção exceptua os immoveis situados nas cidades e nos portos e não comprehende sinão certas regiões da Rússia. O art. 1898. BAR. que viajam ou residem em Portugal têm os mesmos direitos e obrigações civis dos cidadãos portuguezes. embora a tolerância a respeito de extrangeiros seja grande. excepto nos casos em que a lei expressamente determine o contrario». em direito civil. 17 do código civil diz « que só os cidadãos portuguezes podem gozar plenamente de todos os direitos que a lei reconhece e assegura». são reconhecidos tanto a nacionaes quanto a extrangeiros. « Elements de droit civil russe ». além da que exclue o extrangeíro de entre as (1) SURVILLE et ARTHUYS.cede á mulher casada e ao menor extrangeiros direitos hypothecarios eguaes aos de que gozam os belgas (x ). Nestes paizes. 811. DJUVARA.

E1 o que dispõe o código civil. Apezar dessa declaração parecer muito ampla. art. I Hespanha. «Derecho civil espanhol». n. o que esclarece as condições de reserva estabelecidas pela lei de introducção (4). 33) decla-ra-se pelo systema egualitario. A constituição mexicana (art. mas a lei de introducção. «Os extrangeiros gozam na Hespanha dos direitos que a lei civil concede aos hespanhóes. nem fazer testamento holographo em sua própria lingua (art. goza dos direitos assegurados ao nacional (*). 27. 6.° ) (')Hollanda. Esta ponderação auctorisaria a collocar a lei portugueza no terceiro grupo. estatue. si não fosse a linguagem delia annunciar uma possibilidade de limitações mais extensas. BÍ Veja-se ASSEK et RIVIER. Veja-se mais KEIDIÍL. Não estabelece o código civil allemão dístineção alguma entre nacionaes e extrangeiros. art. 287). salvo o disposto no art. 681). O código civil hollandez. jj 22. Esta faculdade parece não ter tirado ao direito civil allemão a sua feição liberal. 88. «7. nem testemunhas em testamento (art. nota 5. nota ao Art. cm CLUNET. pois Ende-mann declara que as suas normas juridicas se dirigem com egualdade a indígenas e alienígenas. I4) « Einfuehrung». que o extrangeiro. I. . de 1888. 9. §4. permitte que os Estados particulares façam depender de auctorisação dos respectivos governos a acquisição de immoveis por extrangeiros. insistindo nella o código commercial. mas não só o direito 1) «Código civil annotado». 72 e segs. 3} Veja-se SANCHES ROMAN. I. México. salvo restricções. II. e vol. 2 da Constituição do Estado ou em tractados internacionaes». destacando apenas a necessidade de auetorisação para que certas pessoas juridicas adquiram im moveis. 1894. Allemanha. III.CLÓVIS BEVILÁQUA 13^ testemunhas instrumentarias (l). 688. vol. ha que lhe oppor: que os extrangeiros não podem ser tutores nem protutores (art. pag. art. 36. art. «Eléments de droit international prive». § 69. II.1. de modo similhante. das disposições geraes.

t. 7.128 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO civil mexicano admitte distincção entre estrangeiros domiciliados e não domiciliados. ENTRE NACIONAES Neste grupo devem ser incluídos os paizes da America do Sul que galhardamente exararam. 57 é do teor seguinte: « La lei no reconoce diferencia entre el chileno i el estranjero en cuanto a la adquisicion i goce de los derechos civiles que regia este Código».c» bruálcira». o principio humano e liberal da egual-j dade civil entre indígenas e alienígenas (l).■ wta . 1903. nos seus códigos. cujo art. como faz appello. excepção feita d'aquelles que lhes recusam expressamente as leis. de i855. Alei *tit>. e pela extensa auctoridade doutrinaria de que justamente goza. . '■■> fripf» 4.-oo» maat.* GRUPO: LEGISLAÇÕES QUE CONSAGRAM E EXTRANGEIROS I A EGUALDADE CIVIL. 1 '■: *> u I art.j I I 3. nubiJ« ie> irv* êirf i» 1*0 J* *«!•. em alguns casos. Japão. Por sua anterioridade. <f4»f dôo-lhe» . merece o primeiro locar nesta exposição o código civil chileno. O código civil argentino. I* i-i nfia | . ao principio da reciprocidade e estabelece mesmo certas restricções (CLUNET.' pag. pw lie» de t__: srâ «fot ôot% I *■ «lo * • %---■ *• / C*M» «|o* * ■•> ' \ut O* >-M 4* Mn _• . SEM RESTRICÇÕES. declara que lhes são permittidos todos *of (1) Ate direitos politico* te conferem ao* ejctrangeíro* M Am< . • ■ .4 do Sul. 2 do código civil japonez: «Os extrangeiros têm o gozo dos direitos privados. as ordenanças ou os tractados t. Eis o que determina o art. depois de definir o que são pessoas. 1117 e segs). ». 1» á» «««o ■•» «iet.

« Derecho civil argentino». onde o extrangeiro goza da plenitude dos direitos privados concedidos aos canadenses. art. com apoio na Constituição. 22. ns. IQO3. I. 189b. art. arts. mas o «Pro jecto» de código civil para a Confederação já não vê difFercnça entre nacionaes e extrangeiros para conceder-lhes o exercício dos direitos civis (art. é para essa egualdade plena que marchamos.5. independentemente de sua qualidade de cidadãos c de sua capacidade politica (x). aos extrangeiros. Na Europa. (4) CLUNET. iq-20. direitos civis eguaes aos de que fruem os venezuelanos. de 1881. RIVAROLA. f 2) «Annuaire de législation etrangere» iSgo e 1891. melhor não ( * ). Somente (i) Art. No Peru. 2. estabelecido algumas restricções a essa egualdade. a egualdade de direitos civis está consignada no art. art. também concede. que acaba de ser citada. assim como na legislação suissa (3). mais tarde. « Droit international. art. Tendo o código civil. n. 10 (2). TACHEREAU diz que em outra parte é possível que o forasteiro seja tam bem tractaao. 3: Lo straniero é ammesso a godere dei diritti civili attribuiti ai cittadini. 3 do Código civil italiano. assim como á livre administração destes » (código civil. (3) E' o seguinte o texto do Código civil italiano. transcreve a disposição do código civil argentino. 10. A Constituição \vene\uelana.i e dos grisões.Quanto á legislação suissa. Vejam-se também R. e. pag. 17 . Veja-se também FIORE. I. prive». residentes no território da Republica. 53. « Bulletin argentin de droit international prive». 11. em seu art.. 1).No sen tido da reciprocidade existe o código civil de Genebra. 17. os extrangeiros «gozam de todos os direitos concernentes á segurança de sua pessoa e de seus bens. 40. o Supremo Tribunal as declarou sem effeito. art.0 aí. O código civil do Uruguay. agi e 397-301. Volvendo agora o olhar para a America do Norte. ■ E fora de duvida que. vejam-se os Códigos civis de Zurich. art.CLÓVIS BEVILÁQUA 120. « CARLOS BAIAS. i3 e segs. 34). pags. destaque-se a legislação civil do Canadá. apezar de algumas resistências ainda oppostas por infundado preconceito. art. a Constituição de 1891 confirmou a doutrina liberal. direitos que não são expressamente prohibidos. 55-64.art.

b) depois.sobre os direitos políticos é que deve influir a difte-rença de nacionalidade. e FIORB. pag. i8g3. BAR. Vejam-se mais: CII. WBSTLAKE. e AMARO CAVALCANTI. O ponto de vista é visivelmente acanhado e falso.. ns. 2. se levantam duas objecções: a) também a pessoa natural não pôde ' exercer outros direitos além daquelles que a lei tacita ou explicitamente lhe reconhece e a esses direitos não se contestam effeitos extraterritoriaes. Não pretende ella excluir quaesquer medidas de precaução no sentido de resguardar interesses nacionaes (i) « Oroit civil international». I. pag. (2) Sobre a theoria das pessoas jurídicas. em CLUNBT. « Privatc international law». ns. GNEIST e muitos outros. collocando-sej no ponto de vista falso de que as pessoas jurídicas são creações da lei. I. ns. pags. LACERDA DE ALMEIDA. (3) Vejam-se PILLET. 152 e segs. 136-138. No mesmo sentido: WBISS. tem conquistado extensas sympathias na ] doutrina (3) e vae penetrando também nas legislações. 3o i e segs.. «Traité» II.j WHARTON. LAURENT (l). MOREAN.WOBSTE e LK JEUNB. VAREILLES SOMMIERES. 1124.1128. «Príncipes». 273 e segs. pag. titulo I.«Pessoas jurídicas». II. 714 e segs». desde logo. «Synthese. assumpto que_ é próprio do direito civil. ás «Observações para es clarecimentos do Projecto de código civil». I «Droit international prive». . «Précis». j3-jb. § 24 PESSOAS JURÍDICAS Mais timidas ou mais exigentes se têm revelado as legislações em relação ás pessoas jurídicas extran-geiras do que a respeito das pessoas naturaes. XLV e segs. tomo a liberdade de remetter o leitor para as minhas «Lições de legislação comparada». 47-59. A these contraria." edição. pag. pag. 3g3'e segs. tanto não é verdade que as pessoas jurídicas sejam creações da lei que esta presuppõe a existência do Estado e o Estado é uma pessoa jurídica de direito publico (2). acham que ellas não podem cxtender a sua actividade além do paiz onde se organisaram. 87-89. ns. 187 e segs. «Responsabilidade civil do Estado». «Lehrbuch». pag. 1893. IV. « Droit international prive». 334 e segs. «Manuel». ns. 3oo-322. ji 11 . «Privaie international law». «Cours. SURVILLB ET ARTIIUYS. em CLUNET. pag. BROCHBR. secção preliminar. DBSPAGNET. já io5. e contra elle. LAINB. favoneada pelo espirito liberal do tempo. n.

715). § 17. sociedades e fundações extra ngeiras. como corporação. pags. 147. . «Príncipes». O direito brasileiro reconhece a existência das pessoas jurídicas. Não soffre duvida que as conveniências da vida politica aucto-risam o Estado brasileiro a pôr limites aos direitos das corporações politicas extrangeiras. organisado pelo auctor deste livro. 9. 106-107. mas a Constituição federal. não se concebe porque a personalidade concedida a uns deve ser. conforme á lei extrangeira. quando escreve: «O Estado extrangeiro. porém. Quanto ás pessoas juri(i. «Direito civil». n. collocando-se cm outro ponto de vista. Mais jurídica me parece a opinião de LACERDA DE ALMEIDA. Devemos dizer. No entanto acha (n. II. 73. 2 e 72. arbitrariamente. VAREILLES SO. CARLOS DU CARVALHO. com o insigne PILLET.aconselhadas pelo interesse publico. quando assim lhe parecer necessário (3). «obra citada». responder perante os tribunaes e ser por elles condemnado. 745) queé a lei franceza que se deve consultar para saber si as sociedades ou associações extrangeiras tém personalidade civil na França. exercer e demandar todos os direitos. ser sujeito activo e passivo delles. diz que as sociedades e associações fundadas no extrangeiro. Mas essas IimitaçÕes. o fim eollimado sendo o mesmo. onde exerce taes direitos não está inhibido de limital-os e normalisal-os consoante suas conveniências e interesses». não lhe apoia a doutrina. MOS artigos por elle citados. como pessoa juridica. ás de direito publico a faculdade de possuir bens immoveis no Brasil. taes como os Estados 2 extrangeiros com as suas divisões politicas e a Egreja ( ) . devem ser consideradas válidas no paiz como o são os outros contractos (Synthese. Este ultimo escriptor ensina que o Estado extrangeiro e a Santa Sé não poderão adquirir. que. n. affir-mando o reconhecimento das pessoas jurídicas ex-trangeiras. não é menos necessária para os homens formando sociedades. recusada ás outras» (1). «si a personalidade juridica é necessária ao homem isolado para alcançar os seus fins. O Estado. propriedade immovei na Republica. n.MMIERES. dentre estas. sem previa auctorisação do governo federal. ou se tracte das que exercem a sua actividade exclusivamente no campo das relações de ordem privada ou se tenham em vista as de direito publico.jamais devem ir ao ponto de ter como inesistente a personalidade juridica das corporações. 149-151. recusava. ( 2) e (3) LACERDA DE ALMEIDA. arts. Assim é que o Projecto de código civil brasileiro.CLÓVIS BEVILÁQUA l3l de alto valor. por qualquer titulo. pôde adquirir. no terreno do direito privado.

revestindo1 a forma anonyma ou em commandita por acção........>Vi. para quepossam funccionar no Brasil. si. n... de 4 de Julho de iSgr. O «Projecto» de código civil em discussão no Senado brasileiro... por si... (i ) Dcc.... cjt».... .I I 32 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ! .. propriedade immovc-1 no Brasil nem direitos susceptíveis de desapropriação. art...... ""... sujeltando-se ás leis e aos tribunaes do paiz...... e submettel-as á fiscalisação especial...... iMi^i... 18. art. CARLOS DE CARVALHO. 47.!•. 151.M.. I.. agencia ou estabelecimentos que os represente..ãrtwi»i«»t....... tM..«N»(... é principio assente que gozam de sua capacidade plena.....*•■"•'••*••* ■•"] dicas de direito privado. mas. 322... .. A representação dessas pessoas deve achar-se investida de plenos poderes para resolver os negócios realisados no paiz...|.....••■•-*'..........de 1 de Novembro de 189.. determinados pela lei braisleira. Carecem de approvação do Governo Federal os estatutos ou compromissos das sociedades e demais 'pessoas jurídicas extrangeiras de direito privado.i»»VrtW.V. •"'"... quando fôr caso disso....! quizerem funccionar no Brasil. por qualquer titulo.... «Droit ínternational prívé».t.. art.^lHiilM... a qual ainda poderá exigir caução correspondente aos actos praticados no Brasil. e Dec.. e os actos aqui praticados estarão submettidos á jurisdicção e ás leis brasileiras í1).rf«. devem preencher as condições de publicidade e registro... prescreve: «As pessoas jurídicas extrangeiras de direito publico não podem adquirir ou possuir.. si a sua natureza justificar essa medida. por succursal.5.. «op.w..«ÍMii. FIORE...«.i.

n. I. Assim. o estado de liberdade está banido do direito moderno. porque o direito repelle o instituto da escravidão e equipara os nacionaes aos extrangeiros em face do direito civil. e é geral.TITULO II Conflicto d a s leis civis CAPITULO I Das pessoas § 25 CAPACIDADE DAS PESSOAS O modo pelo qual existem as pessoas é o seu estado. o nosso ponto de vista. como realmente é. de cidade e de família. ou se manifesta na ordem physica. Esse modo de existir. 401. No direito civil moderno as duas primeiras relações perderam o valor de outr'ora. e o de cidade passou para o direita publico. o direito eleitoral). por ser a liberdade predicado em todos os homens reconhecido. ou se verifica na família. . que alguns definem também «o conjuncto das qualidades que constituem a sua individualidade jurídica» (*). (i) A definição de PLANIOL. e é particular. ao menos em these e na generalidade dos attributos jurídicos. segundo as leis romanas. porque consiste numa qualidade politica (a nacionalidade. a cidadania. O estado. O estado é o modo de existir das pessoas. é a seguinte: « chama-se « estado » de uma pessoa («status.. conditio») certas qualidades que a lei toma em consideração para dar-lhes effeitos jurídicos». podia ser de liberdade. Outro deve ser.

os impúberes. o estado de familia. Sendo a capacidade um attributo essencial da pessoa. não ha vantagem em refugal-a. quando não é uma alienação mental. que não souberem fazer conhecida a sua vontade. § 26 ^■■i. e das relativas somente as que procedem da menoridade e da ausência. Mas qual vida CÍi i Opacidade é a < aptidão que tem a pessoa para exercer por »i o» «CIOS da . I I Destas incapacidades. o modo pelo qual se externa a personalidade no mundo jurídico. ha motivo para distinguir. os alienados e os surdosmudos. é uma persistência do direito gentilicio rêalisando-se no circulo da familia. absolutamente: os nascituros. Onde a religião innue sobre a acquisição e gozo do direito.l34 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO O modo de ser geral das pessoas ou estado physico. distingue-as em capares e incapazes (*). QUAL A LEI REGULADORA DA CAPACIDADE EM GERAL I. sob o ponto de vista jurídico. Capazes são todas as pessoas que a lei não declara incapazes. como ella é| corrente na sciencia. os menores. o estado civil do religioso. n O modo de existir particular das pessoas. as absolutas entram todas no estado physico das pessoas (modo geral de existir). distingue-as em : parentes. I I Do quanto fica exposto se vê que é pleonastica a expressão—estado e capacidade das pessoas. pois que o estado abrange a capacidade. mas. as mulheres casadas e os pródigos. e a prodigalidade. cabendo todos o que se quer significar. pae & filhos. relativamente: os ausentes. cônjuges (marido e mulher). estão todos os auctores de accôrdoque a deve determinar a lei pessoal. A incapacidade da mulher casada é uma consequência de sua posição na família. São incapazes por direito brasileiro.

particularmente. arts. E. MEILI «in Mitteilungen der Int. in-troducção. depois desse exame. igo5. 469 e segs. WINDSHBID. II.° E' o domicilio a sede jurídica das pessoas. § 8. CARLOS DE CARVALHO. A nacionalidade exprime um vinculo politico. pag. DERNBURG.° Ha indivíduos sem pátria e outros que são reclamados por duas pátrias distinctas. é o centro da actividade do individuo. o domicilio civil traduz um facto de ordem privada.JJ 35o-3Ô2. ENPEMANN. Janeiro. ZEBALLOS. I. «Pandekten». IV. 3. A favor da lei do domicilio. § (. « Pandettc». porque o primeiro é mais fácil de determinar do que a segunda. propondo um systema conciliador. allegam os que defendem as suas vantagens como lei pessoal (J): i. Sob este ponto de vista. Rechtwissen-schaft». pag.5. Pensam alguns que deve ser a do domicilio. a elle o prendem fortes affeições de família. sendo aliás de notar que oillustrc escriptor snisso faz grandes concessões á lei nacional. laws». fascículos 1. Como dar uma lei nacional aos primeiros e qual deve ser a dos segundos ? 4. a lei do domicilio é preferível á da nacionalidade. «Direito civil». «Private internaiionaí law». 159-174. elle é que deve.0 E' questão debatida si a mulher adquire a nacionalidade do marido. além de outros: SAVIGNV. passin» e. portanto. TEIXEIRA DE FREITAS «Esboço». é principio geralmente acceito que ella não pôde sinão excepcionalmente (1) Preferem a lei do domicilio. «Einfuehrung». VIII. 2. Apreciarei as razões em que se apoiam as duas escholas divergentes para explicar. J0Á0 MONTEIRO. é o| logar onde estão os seus principaes interesses. especialmente. V. 26-29 e notas. 496. VI e VII. S. porque me inclino por uma delias sem afastar totalmente a outra.e. «Unidade do direito».STORY. cap. E' natural que a lei do domicilio presida á vida jurídica da pessoa na ordem privada. determinar-lhe a capacidade ou incapacidade. «Bulletin argentin. querem outros que seja a da nacionalidade.CLÓVIS BEVILÁQUA i35 deve ser a lei pessoal? Ahi começa o dissídio. «Conflictof. Vereinigung fuer vergl. § 34. I.§ I7." Os terceiros têm legitimo interesse em conhecer a capacidade da pessoa com quem contractam. WHARTON. . vol. pags. « Droit romain».

em particular. Hespanha. esses elementos de vida e de civi(1) A distribuição dos povos sob este ponto de vista é feita pelo citado escriptor platino do modo seguinte: LEI NACIONAL: Allemanha. Nova-Zelandia. invoca em apoio da doutrina do domicilio o depoimento da estatística. 6. Dinamarca. Foi uma arma de combate e uma energia empregada no sentido da unificação do povo.0 O eminente professor argentino.i36 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO -adquirir outro domicilio que não o de seu marido. si incluirmos entre os paizes nacionalistas a Áustria e a Suissa. Chile. Romanía.c O principio da nacionalidade surgiu na Itália. a maior quantidade de produetos destinados á alimentação humana sae dos paizes de domicilio. no momento em que esse nobre paiz. finalmente. Africado Sul. Paraguay e Uruguay. México. em maior abundância. Suécia. ESTANISLAU ZEBALLOS. apezar da influencia que a legislação e a jurisprudência destes dois Estados concedem -á lei domiciliar. Luxemburgo. índias. £ 7.o Os norte-americanos. observam que a nacionalidade deixa. como é nelles que se preparam. Noruega. E] mais uma difficuldade que surge na appiicacão da lei nacional. E' claro que a situação é a mesma em todos os Estados. e se organisava como unidade politica. Portugal. cônscio de sua força. difficuldade que augmenta si considerarmos o caso dos filhos que também podem ter nacionalidade differente da dos pães. sacodia o jugo extrangeiro. 496. no seu paiz. Cuba. Japão. onde ha pluralidade de systemas jurídicos. Brasil. MIXTOS: Suissa e Austria-ílung ria. LEI DO DOMICILIO: Austrália. França. 5.117. Argentina. Bélgica. os estofos com que o homem se veste e os instrumentos com que domina as forças da natureza. Estados-Unidos c colónias. Paizes-Baixos.010 habitantes contra 410 ou 460. outras colónias inglezas. Peru. porque os Estados federados tem sua legislação que não fica determinada sinão pelo domicilio. ■ . a questão aberta. Si o numero dos paizes que adoptam a lei nacional é mais crescido (\)3 a população dos paizes que seguem o systema do domicilio é maior. Canadá. não em pensamento genuinamente scientifico. Itália. Rússia.

declarou que «as nações americanas. seu estado e família tivessem de continuar regidos para sempre pelas leis das pátrias abandonadas. O vinculo creado pelo domicilio é. porque determina a sede jurídica u . é ainda o notável professor argentino quem fala.0 O DR. representam um deslocamento de 25. Sua unidade politica.a ameaça constante de sua integridade». com o tempo. mas a sciencia moderna repelle esta theoria. perante o Congresso de Montividéo. porque colloca o individuo em relação duradoura com ura território. QUINTANA. á lingua. e pessoal. á religião. O domicilio apresenta a vantagem de conciliar o systema territorial e o nacional que são muito exclusivos e impotentes para satisfazer as exigências múltiplas da vida kosmopolita. a um tempo. e que obedecem unicamente ao desejo de attingir á felicidade sob uma forma determinada. á situação geographica. em relação com as doutrinas communs ás massas que constituem as nações. reconhecendo que os povos se condensam.114.CLÓVIS BEVILÁQUA 1^7 lisação. 10." «Pretende-se attribuir ao clima. não tardaria também a resentir-se de sua falta de unidade legislativa e o fraccionamento seria. nos paizes do nacionalismo. recebendo continuamente milhares de immigrantes de todas as nacionalidades existentes. a necessidade de dividir a humanidade em nações». nos paizes do domicilio. territorial. 9.000. territorial e pessoal. si a capacidade dos immigrantes. quaesquer eme sejam os temperamentos mais ou menos arbitrários que se lhes imponham.000 toneladas. perderiam rapidamente a sua própria cohesão. expressão elevada da soberania. 8. de riqueza e de cultura são transportados annualmente por navios que. contra 13. sem levar em conta essas circums-tancias.086.

como pondera (3) CHAUSSE. em CLUNET. os principaes argumentos invocados em favor do systema domiciliar. sob o ponto de vista doutrinário. pag. um campo onde se podem combinar as duas tendências oppostas (l). 5. transforma os seus costumes. porque têm fundamento e valor. 18. não determina o momento de sua obrigatoriedade fora do paiz. e dahi surge o embaraço de saber-se. Este escriptor não é. em CLUNET. 1897. 1897. I i.° O primeiro dos argumentos expostos é. suas necessidades. (2 ) CHAUSSE. A todos é possível oppôr embargos. 1897. portanto. 16. seus gostos. o mais valioso. Publicada uma lei nova na pátria do extrangeiro. por isso mesmo. São estes. O meio modifica o homem. 12. mas devem ser acceitos como armas de combate de que os indivíduos se servem em falta de melhores. e crea novos hábitos. Outros serão menos importantes. Mas. . (i) CHAUSSE. quando o extrangeiro se deve considerar a ella submettido (3). «E natural que as aptidões jurídicas sejam gevernadas pelo direito do paiz onde essas faculdades se põem em actividade. I II. em CLUNBT. pag. O extrangeiro que se estabelece num paiz quer viver como os indigenas e submetter-se ás mesmas leis civis» (2). é que os nacionalistas o acceitam para subsidiarimente prover onde a lei nacional não pode agir. com exactidão. porque realmente o domicílio é o centro da actividade jurídica da pessoa e. Sua intenção c descriminar as espheras em que devem ser competentes os dois systsmas rivaes. Alguns incontestavelmente merecem que sobre elles meditemos. um partidário do domicilio. contra o qual levanta egual-niente graves objecções. quer me parecer. É.I 38 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO da pessoa. como poderia parecer. pag.

I. pag. «Trai té thcorique et pratique». 82 e segs. 32 e segs. pag. «op. Imagine-se um francez domiciliado no Brasil. WEISS. elle é também precário para o extrangeiro deante do direito de expulsão de que os governos têm mais de uma vez abusado (2). (a) «BAR» em CLUNET. g g 10 e 14. «Oiritto internazionale».. pag. «Príncipes ». pag». II. 64-93j GRASSO. FIORB. pag. Accrescente-se que a mudança de domicilio se realisa de modo tal que passa despercebida. LAINÍ. «Deutsches Privatrech». 25. KEIDEL.. 1897. pag. mais intimo e mais característico da individualidade do que o domicilio. «Direito internacional privado». pag. cit." Não é certo que o domicilio seja de mais fácil determinação do que a nacionalidade em todos os casos. «Droit international prive ». PILLET. O domicilio é do domínio da vontade. 246 e segs. ns. «Bar. Será mais fácil determinarlhe o domicilio do que a nacionalidade? Não se vê porque o seja.». que realisa um negocio em Buenos Aires. 1895. «Syn-these». 212. pag.. g 22. g 85. I. 87.. si o individuo estiver domiciliado no extrangeiro haverá o mesmo embaraço (quando não maior) em determinar-lhe o domicilio ou a nacionalidade. 362 e segs. tenho indicado as fontes em que foram hauridas as idéas que aqui apparecem na defeza do systema. 2". «Eléments». ao passo que 1) CLUNKT. VAREILLES SOMMIERBS. « 11 principio delia schola italiana». « Derecho civil colombiano». ns. a nacionalidade é um vinculo mais estável. 2o. FKDOZZI.CLÓVIS BEVILÁQUA l3o. III. logo ha contradicção entre o principio e as situações a que o querem applicar. n. i885. 883 e segs. «Droit civil international». 1880. «Manuel». I. . «On domicil ».. 1898. n.. Ainda não se attendendo a essa circumstancia. não raramente. ns. LRIBB e CHAMPEAU. em CLUNET. 357 c segs._ ndicando os mais notáveis sectários da doutrina^ do nacionalismo. em CLUNET. quanto á capacidade das pessoas e ás relações de família. 142—144: ASSER et RIVIER. «Introduction á 1'éiude du droit international prive». e em CLUNET. CHAUSSE (X). FusINATO. em CLUNKT. gg 1421--81. DBSPAGNET. 19—37. LAURENT. PIMENTA BUENO. pag. 1874 . 149 esegs. edição. DICEY. ao passo que o estado e a capacidade são impostos por lei. Lehrbuch». STOBBE. «Précis». Depois. a terceiros sinão ao próprio individuo. pois que as pessoas podem ter mais de um domicilio ou mesmo não ter nenhum. Citarei: MANCINI. SURVILLE ct_ ARTHUYS. I. nota n. Finalmente. 2. 5. pag. não é somente pelo aspecto da vontade do agente que o domicilio se mostra sem fixidez. 23o.

. la. dói. dispõe. na falta desta. (a) SCHIRMBISTEB. art. 58—5o. actualmente no senado. . «Príncipes». usaram de formula mais ampla. em sua sessão de Oxford. a da residência: I. e nos « Relatórios do ministério da Justiça e negócios interiores».». Quani. do titulo preliminar: Será applicada subsi iriamentea lei do domicilio e. Dispunha timilhantementc o Projecto NABCCO. cit. no artigo 9. 1897. Quando a pessoa não tiver pátria por r avel-a perdido em um paiz sei havel-a adquirido em outro. 3. 4. «Eléments». se applique a lei do domicilio (•). 14. na ausência de uma lei pátria.OCK: «para certos fins. Este mesmo raciocionio foi invocado entre nós para justificar a lei de 10 de Setembro de 1860 e teve força para enxertar no Projecto de código civil um preceito contrario ao disposto na Constituição federal. . em 1880: ASSES et RIVIEK. ordinariamente. ns. pode alguém ter domicilio tanto na Escossia quanto na Ingí. em CLLTIET. A mesma cousa acontece com o domicilio. « Das buergerliche Recht Englands.14° DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO a mudança de nacionalidade é um acto de maior gravidade.do titulo preliminar. 22—23.* Si a mulher tiver nacionalidade differente da de seu marido e se o filho a tiver differente da de seus progenitores. prevalecerdf. quando forem divergentes. • tiver duas pátrias em razão de conflícto não resolvido entre as leis do \psiz o jscimentoede or gem. especialmente (1) No Brasil essas publicações se fazem no «Diário Official».° Ha indivíduos sem pátria e outros que são reclamados por duas pátrias dístinctas. Fiou. porque não exista ou porque se não possa determinar. Ecerto que a doutrina franceza.. | 22. será difficil regular as suas relações pelas leis das respectivas nacionalidades. ha pessoas sem domicilio certo e outras ha que o têm em duplicata ou triplicata.art. Km todo o caso. 3 '48J O «Projecto» de código civil brasileiro. PILLET. 5. é principio geralmente acceito que. art.: lei brasileira. «oj>. conhecido o acontecimento pela imprensa official ou em relatórios da repartição competente (*). art. II. a ingleza e a none-americana repellem a pluralidade de domicilio. comm. cita a seguinte phrase de POM. mas são forçadas a fazer muitas concessões (2). 70. da lei de intróducção. Funcciona aqui o domicilio subsidiariamente. 5. CHALSSE. da lei preliminar to ■ Primitivo». O Projecto COELHO RODRIGIES. no qual intervêm os poderes públicos que fazem. 1 rra». pags. ( 3} £' a solução do Instituto de direito internacional.

porque os Estados de pluralidade de direito se referem. sendo o estado de dispersão do direito inferior ao da sua condensação e unidade. pag. cumpre fazer uma indicação mais precisa. M As relações entre cônjuges são de duas ordens: as pessoaes e as económicas. (3) Esta questão tem sido resolvida dilTeren temente. também as difficuldades se podem alhanar. Parece. Ora. cu _». O que não deve passar sem reparo é que justamente as nações que não têm o seu direito unificado se mostram mais interessadas pela preponderância da lei domiciliar. realmente não basta invocar a lei nacional.CLÓVIS BEVILÁQUA 141 no numero 5. a qualidade de cidadão c o domicilio. neste caso. acha que se devem determinar. como se verá em logar opportuno (*). Mas. de ordinário. (i) Veja-se o § 43. a conclusão é necessariamente desfavorável ao systema do domicilio. onde se fala de extrangeiros que forem casados com brasileiras. ser dispensada a intervenção do domicilio. si o extrangeiro não tiver domicilio no seu paiz? Dizem outros que se deve attender ao ultimo domicilio do extrangeiro em suai pátria. neste caso. Mas. que a bôa doutrina é a do Instituto de direito internacional. .° Quando um paiz possue differentes systemas legislativos. Quanto ás relações entre pães e filhos de nacionalidade diíferente. porém. bem meditada. «op. como a Inglaterra e os Estados Unidos da America do Norte. nestes casos. 5. As primeiras submettem-se normalmente ao estatuto pessoal do marido. 58. as questões relativas ao estado e capacidade do extrangeiro serão resolvidas. pela theoria do retorno. onde o assumpto é tractado mais desenvolvidamente. Entretanto. CiiAUSse opina pelo domicilio actual (CLUNBT. 23). n. Isto mesmo já foi resolvido pelo Instituto de direito internacional: «Si no mesmo Estado coexistirem difterentes leis civis. 1897. á lei do domicilio. que é o chefe da sociedade conjungal. (2) Vejam-se os jjg 46-47. e as segundas devem ser reguladas de accordo com a vontade real ou presumida das partes (*).| Pôde. acontecerá geralmente que prevaleça a lei do domicilio. segundo o direito interior do Estado a que elle pertencer» (3 ). a matéria não offerece a difficuldade insolúvel que se figura. FIORE. salvo a hypothese do retorno.

E esta é precisamente a doutrina acceita neste livro. nem dos restos do domínio francez e do portuguez. dermos á theoria do direito internacional um outro fundamento. PILLET e outros. Além disso.0 Ao argumento da estatística. I Si. Porque excluir. brilhantemente exposto porZEBALLOs.° O principio da nacionalidade appareceu Itália. deixando de lado o Indo-China francez com seus 20 milhões de habitantes e a Argélia com os selas 3 milhões. e não sei até que ponto se poderia dizer que estes últimos adheriram ao systema de domicilio. DESPAGNET. cuja producção é principalmente devida á 142 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . Mas. por exemplo. Quanto á producção de elementos essenciaes á vida. ficará sem objecto a critica. está dividida em províncias e Estados protegidos. e apenas reconhecermos á lei nacional um campo limitado de applicação e deduzirmos a razão de seu eíFeito extraterritorial de prin-cipios geraes da sciencia. parece que não é justo collocar o enorme contingente trazido pelas índias inglezas para fazer baixar a balança do lado do domicilio. que pôde invocar em seu apoio o exemplo de FIORE. Eis a objecção. o estadista e o patriota confundem-se com o jurista. do Buthan. quando esta se afíirmava entre os povos. mas falha. cujo successo ajudou a assegurar. Quanto á população. não é delles que devemos esperar a solução do litígio. tomarmos o . podem serpostos alguns reparos. porém. sua these brilhante. movida pelo sentimento de nacionalidade. também alguns reparos se poderiam fazer. 7. si. como o grande jurista italiano. suppondo que os números sejam perfeitamente exactos. Em MANCINI._ principio da nacionalidade para base do direito internacional privado. não falando do Nepal. a critica é justa e efficaz. foi apresentada em favor de uma causa. o assucar.6. No dizer de PILLET. cumpre não olvidar que na índia. pois a estatística está limitada a certos géneros com exclusão de certos outros.

sem a consciência da parte dos individuosde que marcham solicitados por um destino commum. Apresenta elle uma these de sociologia a . Quando as nações sul- . Convém ás nações que se formam e não ás definitivamente constituídas que já possuem elementos de resistência e capacidade assimiladora para receber e transformar as ondas immigratórias que sobre ellas se vêm derramar. sentimentos. o legislador. dando a representação emocional e intellectual da pátria. á lei do domicilio se assignala uma funcção especial e transitória. de cuja exportação o Brasil tem quasi o monopólio ? 8.° O illustre Dr. não podemos pela simples deslocação do domicilio. direi que. QUINTANA colloca-se cm outro ponto de vista.que não posso adherirsem restricções. ao Brasil. g. ou convulsionaria o paiz tentando impol-os. a lei nacional seja um perigo para a integridade nacional. na impossibilidade de um exame aprofundado do assumpto. e receia que. Por outro lado. Mas. transfundem n'alma de cada um de nós uma parcella do sentir geral do-povo a que pertencemos. á Hollanda. sem uma certa somma de sentimentos e aspirações communs. á França.CLÓVIS BEVILÁQUA 1^3 Allemanha.° O argumento collocado sob o numero 8. que desse a um paiz leis em completa desharmonia com as condições de sua existência. faria códigos destinados á morte. desprender-nos do tecido de idéas. direitos e deveres que nos prendem á pátria. á Rússia. nos paizes novos de forte immigração. não existem nações. paizes que adoptam o systema nacionalista? Porque não falar no café. Si as nações não podem ser meros agrupamentos de homens para fins transitórios. Por este modo de ver." exigiria uma discussão mais demorada do que a que o momento permitte. á Bélgica. sem o vinculo poderoso do sentimento de pátria que condensa e reforça esses outros estados d'alma e traduz psychologicamente a unidade do grupo social. E são ainda energias psychicas e sociaes que.

confessamos francamente que o nosso proceder é dictado pela prevenção contra o extrangeiro e pelo receio que inspira a liberdade. sinão tivessem. O que o argumento deixa claramente transparecer é que o systema do domicilio contém uma limitação aos direitos do extrangeiro. em vez de oríental-a pelas necessidades do commercio internacional.144 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO americanas attingirem ao grau de consistência das nações européas poderão desfraldar outra bandeira. afogadas na maré plena da immigração.] rcaesou suppostos das nações. deante dessas affirmações. a nacionalidade . A França allegará motivos para não fazer mais liberal a situação dos extrangeiros. ao seu territorialismo. ciliciados nesses labyrinthos de pretenções divergentes. evidentemente. não. naturalmente.) A contingência do argumento é manifesta. ao mesmo tempo. como não o deixa de ser. aos interesses momentâneos. territorial e pessoal. si é por essa razão que o preferimos. Si assim não fosse não nol-o dariam como expediente de salvação para povos! assoberbados pela população extrangeira adventícia. havemos de reconhecer outras razões particulares de outros povos e será impossível. Si da parte das nações sul-americanas essa razão é bastante valiosa para impor-lhes uma certa doutrina. Elias têm vitalidade sufficiente para vencer na lueta pela vida e. é pela sua accentuada territorialidade que elle tem . que) éde caracter universal. E.I Mas. Sub-J mette a doutrina do direito internacional privado. certamente não seria o fraco apoio do territorialismo que as impediria de suecumbir. 10. mas. lançaras bases essenciaes da sciencia que dezeja apanhar o phenomeno jurídico em sua feição geral e humana. em um certo sentido. O domicilio é um vinculo. a Inglaterra apegar-seá. | deverá curvar-se a sciencia ? Evidentemente. I E não me parece que as nações sulamericanas tenham necessidade do systema domiciliar para se não dissolverem.

Emquanto uma lei não se torna obrigatória em todo o paiz. fôr afastada. Conhecida no paiz e chegando a sua noticia ao extrangeiro. 11. a imagem da pátria. acceitem a posição de súbditos do Estado. A alteração das leis reguladoras da capaci dade do extrangeiro não pôde acarretar difficuldades á sua applicação nos paizes onde elle se ache. na distancia e no passado. nos primeiros tempos. Mas esses indivíduos. Aliás a hypothese não é fácil de se verificar. 12. O expediente aconselhado por alguns internacionalistas e adoptado pela Allemanha de marcar o prazo de dez annos para considerar extincto o vinculo da nacionalidade não me parece consultar a todos os interesses. quando a lei nacional. gostos e necessidades de accôrdo com o meio que escolheu para seu domicilio. por qualquer circumstancia. não é justo que se leve a sua acção além das fronteiras.. 19 . E justo ponderar que o individuo afastado de sua pátria. como variam os systemas de publicação das leis. A conciliação vislumbrada escapa-nos assim por entre os dedos.CLÓVIS BEVILÁQUA I45 tido a preferencia de certos povos e de certos escri-ptores. porque o facto de ser invocada a lei extrangeira já indica o seu conhecimento. sob cujas leis a vida lhes floresceu. De tudo quanto acaba de ser exposto. adquire hábitos. Pouco a pouco se vae esbatendo. é licito. Melhor será deixar a matéria á iniciativa e ao sentimento dos interessados. vivendo por muitos annos em outro meio. fica um residuo em favor do domicilio. deixar ao juiz um certo arbítrio para julgar segundo a equidade. auctorisando-o. porque não se naturalisam cidadãos do paiz onde desenvolvem a sua actividade ? Si nada mais os prende á pátria de origem. a exercer uma funcção subsidiaria. O systema domiciliar na Inglaterra e nos Estados Unidos é uma forma do territorialismo: todos os extrangeiros domiciliados no paiz estão sujeitos á soberania da lei territorial. sem duvida.

Dessas leis que encontra já feitas e que se occupam do direito privado. porém. o dever de proteger o seu súbdito »(*). continua o sábio internacionalista. as vantagens são maiores. o conjuncto das relações de direito que se agrupam. a solução do problema apresenta-se naturalmente. isto é. como excellentemente nota PILLET . g 144. esse ponto de vista pratico e empírico que nos deve guiar na sciencia.j Esta tem obrigação de elevar-se a princípios geraes que traduzam o encadeiamento natural dos pheno-menos. Não é. Postos os dois systemas em face um do outro. sob o domínio da lei pessoal. . Devemos partir da existência da sociedade internacional. Ora as leis determinadoras da capacidade dos indivíduos são creadas para defeza delles. as razões mais fortes da parte do nacionalismo. « Um tecido de direitos e deveres.I46 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I i3. umas se destinam principalmente á protecção dos indivíduos e outras têm por objectivo directo garantir a vida social. as suas relações de coexistência e successão. tem que se servir das leis existentes nos Estados. a determinação do estatuto pessoal pela lei do domicilio era uma ( 1 ) e (2) «Príncipes». quando as nações estavam divididas em vários regimens jurídicos locaes. Posta a questão nestes termos. da parte do Estado. As primeiras são extrater-ritoriaes e as segundas territoriacs. liga o nacional á communhão de que elle é membro. conglomerado de indivíduos pertencentes a nações diversas.C1): I a que Estado compete proteger uma pessoa dada ? A resposta não pôde ser outra : ao Estado a que ella pertence. Na primeira ordem dessas obrigações figura. O estatuto pessoal. Como essa organisação associativa não possue leis próprias. Outr'ora. logo a questão a resolver é a seguinte. deve ser a emanação protectora do Estado a que o individuo pertence e não a do paiz onde o individuo se acha. a ordem publica.

.CLÓVIS BEVILÁQUA ... são os direitos e deveres de ambos. todo o individuo..... .. e foi isso um encaminhamento para a lei nacional que resultou em Franca da unificação do direito pelo código civil.... porém.... melhor determinada e mais duradora.... ás relações de familia e ao direito successorio. o que justifica a extraterritorialidade da lei é a intima ligação que ella estabelece entre o individuo e o Estado a que elle pertence. se iam inclinando pelo domicilio de origem. suas relações de familia e o direito successorio. Já os estatutários.... . ao nascer..... porque subsidiariamente se upplicarú a lei do domicilio.. MANCINI teve razão em accentuar que as leis... são expressões de seus costumes. departamentos do direito privado mais vigorosa e intimamente presos aos costumes peculiares a cada povo..... porque o domicilio real nãooíferecia a fixidez precisa. Hoje. não se lhe pôde recusar grande valor. quando não houver nacionalidade a que recorrer ou quando simultaneamente apparecerem duas ou mais...... J 147 necessidade lógica e pratica. para subordinal-as todas ás condicçÕes das pessoas.i^W... Em conclusão: para regular a capacidade das pessoas.... é preferível a lei nacional..'...0. de seu caracter.. porém... quando se tracta de leis relativas á capacidade..°.... como........do individuo que estabelece as condições de existência da sua persona(1 ) Em principio.... não só porque é a mais certa. de suas necessidades. Si esta consideração é insufficiente para imprimir a todas as leis o caracter de extraterritorialidade... inspirando-se nas condições especiaes de cada nacionalidade. e sobre tudo a protecçãoj devida pelo Estado e as obrigações em que para com elle se acha o individuo. porque os conflictos se travavam ordinariamente dentro do mesmo paize porque era esse o ponto de apoio que o juiz podia encontrar] para descobrir a lei que presidia á relação de direito submettidaá sua apreciação. principalmente. é a lei nacional. em principio (l).. ..... está vinculado ao seu paiz e ao seu grupo ethnico-politico pelo vigoroso laço da nacionalidade.. porque: i.. 2..

elle entra para a sociedade internacional envolvido nesse complexo ethico-juri-dico. Si. o regimen das . Esta. a nação. deixando' as fronteiras de sua! pátria. se apoia. como se viu.°. não se despe o homem do conjuncto de sentimentos. o Estado a que elle pertence tem o direito e a obrigação de intervir por meios diplomáticos afim de que aos seus subdidos seja feita justiça. não somente dentro de seu território. não softre uma capiíis minutio. porque os Estados fortes revelam tendências pronunciadas para o abuso e os seus súbditos são levados a praticar excessos. lembrando. O assumpto é dos mais delicados. 3. tomando-o no berço e acompanhando-o atrayez da vida. abster-me de proseguir. si os meios suasórios forem ineíticazes. Estamos nas fronteiras do direito publico internacional e nelle penetramos directamente com a intervenção. 5. principalmente. sendo assim. porém.°. apenas. e. Devo. poderá recorrer aos meios violentos. mas ainda em qualquer parte a que as necessidades da vida a conduzam. que attribuiu direitos individuaes á pessoa. e. transporta o espirito para uma questão especial : a da protecção que os extrangeiros devem esperar de sua nação. 4. Esta ultima consideração sobre a qual. privam-no de todos os direitos. direitos e deveres que o prende ao seu grupo social e que presidem á sua entrada na ordem jurídica. somente se justifica. por outro lado.°. não se desnacionalisa. num paiz. o systema de A. maltratam o extrangeiro.I48 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO lidade civil. atravez do qual tem de agir a sua personalidade civil. I O principio é verdadeiro. 14. que foi esse pensamento de protecção aos seus súbditos que fez os Estados europeus creár os tribunaes mixtos do Egypto. apezar delia. deve-lhe protecção. PILLET. foi recusado direito manifesto ao extrangeiro. portanto. negam-lhe justiça. contando com a intervenção. quando lhes é negado o tracta-mento a que têm direito. quando no paiz falta uma organisação regular da justiça ou quando.

°. residentes no império. art. 9. Assim entenderam TEIXEIRA DE FREITAS. 737. interpetrado litteralmente o seu dispositivo. vol. O que o código pretendeu dizer foi que o commerciante matriculado. teríamos que para os negociantes não matriculados assim como para os não commerciantes a lei reguladora da capacidade seria a nacional e para os commerciantes matriculados valeria. a lei brasileira ( 1 ). Seguem o systema nacionalista: i. goza das regalias a que allude o art. seja embora extrangeiro. porque. 3. 33. « Consolidação das leis civis ». quando no art. 4. seria exlranha a doutrina do regulamento commercial. Realmente. de i855. parece excluir da acção da lei pessoal o negociante matriculado.pag. Os interprete--. mas deveríamos suppôr que a territorial. § i. § 1. ainda que pelo (1) Reg. não diz o decreto que lei. e CARLOS DE CARVALHO. não sendo os mesmos commerciantes matriculados. art. D. art. art. O regulamento n. K Direito». I. 737. de i5 de Novembroj de i85o. diz que « as leis e usos commerciaes dos paizes extrangeiros regulam: as questões sobre o estado e a edade dos extrangeiros. JOSÉ HYGINO. 3. acima citado.c. 1597. 4 e que enumera o dec. Rcg. part. . entre nós. porém. tendo-se insinuado no dispositivo da lei por um defeito de redacção.de 5 de Novembro de 1898. 408. 1. cPEDROLESSA. de 24 de Janeiro de 1890. §27 LEGISLAÇÃO COMPARADA SOBRE A MATÉRIA DO § ANTERIOR A divergência existente entre os escriptores é o reflexo da que egualmente consagram as legislações. 1. «Direito civil ». Dcc. 171. de i5 de Junho de i85g. CARLOS DE CARVALHO. art. art. de i85o. 93. art. as conservatórias inglezas. umas das quaes obedecem ao systema do domicilio e outras ao da lei nacional.CLÓVIS BEVILÁQUA I49 capitulações no oriente e outr'ora. quanto á capacidade para contractar. 2*5. con-solidador das leis da justiça federal. Lei de 10 de Setembro de 1860. consideram essas palavras inúteis. 45. Veja-se ainda: TEIXEIRA DE FREITAS.

nesta parte inalterado." A da Romania. art.° A legislação belga. provavelmente porque o seu systema de reciprocidade e alienígenas domiciliados por decreto aconselharam o legislador a não se comprometter.». 6. Quanto ao extrangeiro residente na França guardou silencio. ao seu estado e á sua propriedade immobiliaria situada no reino. I 3. do titulo único.° O código civil francez. (1) JLes lois concernante 1'état et Ia capacite des personnes regissent les Français. 3. ai. 14. SURVILLE et ARTHUVS. regalia se encontrasse que exigia como condição a nacionalidade brasileira. Entretanto a jurisprudência e e doutrina têm dado ao artigo citado uma interpretação liberal. «Droit civil russe».° O código civil neerlandez. cit. pag. . art.0 O código civil italiano. 4. 6. O pri meiro destes artigos declara que os portuguezes resi-l dentes no extrangeiro se conservam sujeitos ás leis portuguezas «concernentes á sua capacidade civil. «op.t50 DIREITO INTERNACKjSMftMVADÒ mesmo código. das disposições preliminares. 24 e 27. I 2. onde ainda vigora. arts. art. I I 6. 6 e segs. de modo que a regra estabelecida para os francezes que se auzentam da pátria vale também para os extrangeiros que se domiciliam na França. O segundo estatue| que « o estado e a capacidade dos extrangeiros são regulados pela lei do seu paiz ».0 A legislação russa ( 2 ). o código civil francez.. que fixou o principio em sua forma definitiva: Lo stato e la capacita delle persone ed i rapnorti di famiglia sono regolati dalla legge delia nazione a cui esse appartengono. art. que aliás somente se refere á lei que rege o estado e a capacidade do francez no extrangeiro. méme residam en pays étranger. 7. I. 3(l). I 5. 153.0 O código civil portuguez. (2) LBIIR. 8. emquanto aos actos que houverem de produzir nelle os seus effeitos». ri.

Rechtwissen schaft. O projecto de código civil. no art. fazdepen-deraapplicação daleiextrangeira detractados concluídos pela Confederação. 3. pag. 33. do dos Grisões. 1899. confirmado pelo art. cit. Vereinigung fuer vergl. O primeiro submette o austríaco á lei nacional ainda quando se ache ellc no extrangeiro e deixa em duvida até que ponto o extran geiro está obrigado pela lei austriaca.° A da Suissa. diz que aos extrangeiros domiciliados na Suissa se applicarão analogicamente as suas disposições.». SURVILLE et ARTHUYS. art. . e i5. mas. volve-se para a reciprocidade. 10. 11. «Mitteilungen der Int. no direito suisso uma incontestada inclinação pelo domicilio (x). declara que os suissos domiciliados no extrangeiro são regidos pelo direito do cantão de origem. a «capacidade civil dos extrangeiros é regida pelo direito do paiz a que elles pertencem» (CLUNBT. Ha. dem die Person eingehoert. 1895. «op. 5. sem duvida. art. 9.CLOVÍS BEVILÁQUA I5I 9. mesmo em geral. 672). 2. 3. de 25 de Junho de «891. eoutros dão preferencia á lei nacional. art. 1. especialmente. algumas legislações cantonaes. ao menos no que diz respeito á capacidade dos extrangeiros para contrahir casamento e. No mesmo sentido a corte de justiça civil de Genebra (CLUNET. nas relações de íamilia. 28. domina ajexpatrice (*). ai. art.'o de Genebra. 32. depois da lei federal de 1881 e. n. 12. como o código civil deZurich. art. e no art. Alei de introducção ao código civil allemão. 494. 4 e 34 do ccdigo civil. 1. 54 da lei federal. (3) Die Geschaeftfachigkeit einer Person wird nach den Gesetzen des Staats beurtheilt. art. depois da adhesão da Suissa ás convenções de Haya. sobre as relações de direito civil dos cidadãos estabelecidos ou residentes. png. de 25 de Junho de 1891. Depois. 1. art. o segundo faz a lei nacional do extrangeiro subsidiaria da lei do (1) MBILI. Alei federal. i53 (3) O primeiro considerando de uma sentença do tribunal cantonal de Vaud assim se expressa: Em virtude da lei federal de 22 de Junho de 1881 sobre a capacidade civil. Janeiro de i()o5." ai. Na Áustria existe controvérsia acerca dos arts. arts. ai. 7: «A capacidade para contractar é julgada pela lei do Estado a que a pessoa pertence» (3). O código civil hespanhol. to.

em matéria dei casamento. 154. relativas ás pessoas». CLOHBT. segue o systema francez. paga* 1074 1077. MKII. 3. o estatuto pessoal é determinado pelo principio da nacionalidade ( 2 ). 6: La capa-cidad ó incapacidad de las personas domiciliadas en el território de la Republica. Todavia. É um systema compósito si não é a ausência de qualquer systema.». O código civil mexicano. dispondo somente a respeito dos mexicanos para os quaes declara obrigatórias as leis concernentes ao estado e á capacidade.e art. MBILI.0 Pelo direito norte-americano (s). « op. (3) WHABTON. . CLUNET. n I i3.I. n. pag. «Privateinternationallaw». («Annuaire de legislalion étrangere*). aun quando se trate de actos ejecutados o de bienes existentes en pais estranjero. 1894. ».°Pelo direito vigente no domínio do Canadá (*). «loco cit aio». a jurispru-l dencia e a doutrina se têm ultimamente pronunciadd pela lei nacional (*). si e> domiciliado. «loc. 179 e 942. art. 1895. aun quando se trate de actos executados ó de bienes existentes en la Republica. II. pag. pag. art.cit. O systema domiciliar é seguido: i.494. 12. cit. 1067. CLUKVT. 14. art. (T) SuHvnZÊ et AKTIIUVS. está submetido inteiramente is leis provínciaes. 61: «o extrangeiro nlo domiciliado fica submettido á lei de seu paiz quanto ao seu estado e á sua capacidade. julgado da Relação de vienna: em matéria de casamento a capacidade é regulada pela lei nacional.° Pelo código civil argentino. 2. em CLUNBT. pag. 1897. de 9 de Dezembro de 1894.I 52 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO domicilio. ainda quando residam no extrangeiro. 18981 paga. O código civil venezuelano por sua vez consagra esse systema unilateral: as íeis que regulam o estado e a capacidade seguem o venezuelano pelos paizes extrangeiros. lois de 1894. sean nacionales ó estran-geras. 108 c' segs. ■ (3) Lei húngara. (4) TASCHBBKAU. 7: La capacidad ó incapacidad de las personas domiciliadas fuera dei território de la Republica.|8. 377. Ena Hungria. será juzgada por las leys de este Código. será juzgada por las leys de su respectivo domicilio.

.... III.... -.3.. 14: La ley es obligatoria para todos los habitantes de la Republica. „™.... delia» parece terse afastado por esse acto. que serviram de modelo aos dois outros códigos citados.... sob (1) ZBDALLOS.. que é o mesmo da Republica Argentina (*). i55. arts. 5..0 Pelo código civil do Paraguay.... -«"•••"«• . adoptou o systema também seguido pelos códigos civis da Colômbia. Os Estados têm realisado tentativas diversas de codificação do direito internacional privado. «Op. (Veja-se CLUNET.... 0. ».. Art.° Na Inglaterra..F. permanecerán sujetos los chilenos.." En las obligaciones i derechos que nacen de las relaciones de família..... «Direito civil brasileiro». i8g3. para os chilenos.. n... 3 e 4...... Todavia. O código civil do Chile. não é propriamente o systema do domicilio que prevalece... IV. 6.. 153 . cit..| 4... pag. «Bulletin argentino... pag... IJJO5. colombianos e uru-guayanos domiciliados no extrangeiro vigem as respectivas leis nacionaes no que concerne á capacidade e ás relações familiares dos mesmos. arts. Soo). vae a jurisprudência ingleza acceitando o estatuto pessoal do extrangeiro atravez da lei de seu domicilio.... (a) A Dinamarca. 18 e 19 edoUru^uay. (3) MEILI.. CARLOS DE CARVALHO. é certo que.... acarretando forçosa modificação ao systema do domicilio. tendo adhcrido ás Conferencias de Haya. A desigualdade com que este systema tracta os filhos do paiz e os forasteiros fal-o distanciar-se do espirito que preside ao direito internacional moderno e da communhão jurídica a que elle tende. .... pag. et ARTHLYS..IMORE.. arts. que consiste em estabelecer a territorialidade combinada com a personalidade!4).. SURVILI. Para os habitantes dessas republicas vigoram. pêro solo respecto de sus cônjuges i parientes chilenos. mas sim o territorial (8).CLÓVIS BEVILÁQUA . £0 . i5 : A las leys pátrias que regulam las obligaciones i derechos civiles." Pelo direito dinamarquez (2). são do teor seguinte: Art. em todos os casos.. 1.... no obstante su residência ó domicilio cn pais estramero. e jité alguns jurisconsultos inglezes dos mais notáveis não escondem suas sympatnias pela lei nacional e desse numero são WESTLAKE e PHII. as leis locaes... H (4) Os dispositivos do código civil chileno... XXX.. sob a influencia da doutrina.* En lo relativo ai estado de las personas i a su capacidad para ejecutar ciertos actos que hayan de tenet efecto cn Chile: 2. 14 c i5.. « loco citato ».. inclusos los estranjeros..»»™.

fazendo o seu delegado uma longa exposição na qual declarou que o Japão aspirava a desenvolver-se conforme a civilisação-europca e que considerava os trabalhos da Conferencia como tendendo á consagração de princípios uni-versaes do direito internacional privado. 801—802). 1889. 231 0918. ags. 3. o Brasil." «Patentes de invenção-v. § 28 DA NACIONALIDADE BRASILEIRA Acceitando este compendio. merecendo especial attenção o trabalho do Congresso de Montevideo. pelo que delles se destacou o Brasil (1).0 « Direito commercial internacional ». a lei nacional para reguladora da capacidade das pessoas nas relações internacionaes (1) Sobre o Congresso de Montevideo vejam-se : PRADIER FODERIS. pags.° «Profissões liberaes». Tomaram parte no Congresso: o Uruguay. cujo art. ZHBAI. « Espana y los tratados de Montevideo». 5. Os paizes sulamericanos. congregadas em Haya. igo5. embora forçando um pouco a tendência de algumas legislações internas ( 2 ). (2) Sobre as conferencias de Haya. Outro congresso anteriormente reunido em Lima pronunciára-se pela lei nacional (1878). pags. IQO5. preferiram. 2.T. b. Acide: «Actas de las sesiones dei congresso sudãmcricano» c «Annuaire de lcgislation étran-gere ».os auspícios ora de um ora de outro destes dois systemas. accrcsccnta o art. _JutAui/r»«Le8 conventions de La fíayc». pags. pães. 5o5 e segs. a Argentina. 4630734. o Brasil e o Chile foram divergentes cm alguns pontos. Nenhum desses tractados foi ractificatlo pelo governo brasileiro. igo5. 797. Os tractados ahi preparados foram oito e tiveram por objecto: 1. aCommentairc theorique et pratique des Conventions de la Haye ». S.* « Direito processual. e as convenções a que as conferencias de Haya conduziram. pag. CONTUZZI. o Pcrii e o Chile. 7. 4. El cambio de domicilio. 1 é assim redigido: La capacidad de las personas se rige por las leys de su domicilio. iqoi. de accordo com o direito brasileiro.UNBT. 5. («Apud» LAINIÍ. em 1888-1889. As nações européas. reunidos em Montevideo." «Marcas de commercio e de fabrica». mayor cdad ó habitacion judicial. 5 e236. VI—VII. 1893. em GLUKKT.° «Direito civil internacional». Destes.OS. 1894. 217 e 56i . em CI.LOS « Bulletin argentin de droit international prive». vejam-se: LAINK. pag. acceitaram a bandeira nacionalista. lois de 1899. E . a Bolívia." «Direitopenal internacional». Em 18940 Japão adheriu ás Conferencias de Haya. 1002— ioo3. « Bulletin argentin ». TORRES CAMPOS. «Revue de droit international». e ZHBAI._ As divergências entre o direito da família observado 110 Japão e o contido nas legislações européas não lhe parecia embaraço para um accordo. a lei do domicilio. -\ no altera a capacidad adquirida por emancipacion. pags. fascículos.* «Propriedade literária e artística». em geral.

embora nella não venha domiciliar-se. A naturalisação normal está hoje regulada pela lei n. do art. não declararem." Os filhos de pae brasileiro. que estiver noutro paiz ao serviço da Republica. é necessário pedir ao direito constitucional brasileiro as regras determinantes da nacionalidade." Os nascidos no Brasil. Perdem-se: « a » por naturalisação em paiz extrangeiro ." Os extrangeiros por outro modo naturalisados. . si estabelecerem domicilio na Republica. « b » por acceitacão de emprego ou pensão de governo extrangeiro. que o casamento da brasileira com extrangeiro não acarreta perda de sua qualidade de brasileira. 3. não residindo este a serviço de sua nação. 69: São cidadãos brasileiros: 1. 2. não só porque não está esse modo de desnacionalisação contemplado no art.0 Os filhos de pães brasileiros e os illegítimos de mãe brasileira. porque interessa ao direito internacional privado. em seu art. 71 da Constituição federal: Os direitos de cidadão brasileiro só se suspendem ou perdem nos casos aqui particuls risados. ou tiverem filhos brasileiros. salvo se manifestarem a intenção de não mudar de nacionalidade. contanto que residam no Brasil. como porque o n. o animo de conservar a nacionalidade de origem . Assim a lei de 10 de Setembro de 1860 não tem mais applicação entre nós. A Constituição federal declara. (1) Art. e forem casados com brasileiras. g i. 5. nascidos em paiz extrangeiro. 6." Os extrangeiros que possuírem bens immoveis no Brasil. fala de extrangeiros casados com brasileiras. 71 (*). 5. 904. de 12 de Novembro de 1902. 4.0 Os extrangeiros que. acima transcripto. Não cabe aqui a discussão do systema adoptado pela Constituição brasileira e sim apenas observar. ainda que de pae extrangeiro. sem licença do poder executivo federal. dentro em seis mezes depois de entrar em vigor a Constituição. 69.CLÓVIS BEVILÁQUA 155 de ordem privada. achando-se no Brazil aos i5 de Novembro de 1889.

excepto: as de presidente ou více-presidente da Republica . 14). Esta lei que devera ser regulamentada para facilidade de seu funccionamento. J. maioridade legal. ge 12).i56 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO O extrangeiro que se quizer naturalísar brasileiro dirigirá uma petição ao Governo Federal declarando a sua filiação. mais de seis annos de nacionalisados e para a de deputado. profissão. art. 6). {1 ) Veja-se o « Relatório » do Ministro da Justiça. si a tiver de legitimo consorcio.. J. Os papeis referentes á naturalisação de extrangeiros estão isemptos de quaesquer custas. Os extrangeiros naturalisados gozarão de todos os direitos civis e políticos e poderão desempenhar quaesquer cargos ou funcções publicas. O requisito da residência será dispensado: ao extrangeiro casado com brasileira. aliás. Os extrangeiros residentes nos Estados poderão dirigir as suas petições directamente ao Governo federal ou por intermédio do governo do Estado onde residir ou ainda por intermédio do governo municipal (arts. ao que tiver parte em algum estabelecimento industrial ou fôr inventor ou introductor de um género de industria utiJ ao paiz . pags. e domicilio. ao que possuir bens immoveis no Brasil. naturalidade. estado. para a funcção de senador. Seabra. 143-145. apresentado cm Abril de igo3. Deverá provar a identidade pessoal. nascido fora do Brasil antes da naturalisação do pae (art. secundarias. não o tem podido ser por embaraços resultantes de algumas de suas disposições. provado por documento official (lei cit. ao filho do extrangeiro naturalisado. residência no Brasil pelo tempo de dois annos no minímo. 5). bom procedimento moral e civil. sellos ou emolumentos (art. ao que se recommendar por seus talentos e letras ou por sua aptidão profissional em qualquer ramo de industria. Dr. especificação da prole. de senador ou deputado ao Congresso nacional. Tem sido executada a lei independentemente de taes prescripções ( *). mais de quatro. sem que tenham. .

.) BAR.. : « Quando um extrangei 10 maior ou tendo a situação de nviior adquire a nacionalidade allemã.. porque se o Estado.. qual é a mudança de nacionalidade. deve manter-lhe a2 aptidão juridica para negócios de menor gravidade ( ):E' uma espécie de emancipação ou declaração de maioridade implicitamente concedida pelo poder publico..— . conserva a situação de maior ainda que pelas leis do império não a pudesse ter »..»..praticado. maioridade ou habilitação judicial nao se altera pela mudança do domicilio.. Applicam-se aqui os princípios da efficacia da lei no tempo. se naturahsa chileno. deve ser respondida. deve ter-se em vista a lei sob o império da qual o acto foi. muito embora.... Sendo assim. declarando que a capacidade adquirida por emancipação.. \ _ „„___. pag 174.™. a questão de saber si uma pessoa.. Todavia. pode volver á incapacidade por se ter naturalisado.^C __ . « Direito ».»........ em geral... III... capaz em virtude de sua lei nacional....... _ J CLÓVIS BEVILÁQUA l57 § 29 INFLUENCIA DA MUDANÇA DE NACIONALIDADE SOBRE A LEI PESSOAL Si a nacionalidade determina a lei pessoal do individuo. vol........ não deve regressar á menoridade. desde que elle se naturalisa em outro paiz.... «Précis ». n. somente aos vinte e cinco annos o individuo attinja á maioridade.... art. ( a. «LEHRBUCII». que.. SURVII..«. n.. Q3. 7 . aos vinte e dois annos. «op. | IG . 266 do código civil do Chile... si a pessoa é capaz ou incapaz. Para saber.». pelo art. n.E et ARTHUYS. « Droit civil internaiional ». em relação a um acto qualquer. para cujo grémio elle entrou o reconheceu capaz para um acto de tal magnitude. Os actos jurídicos perfeitos e os direitos legitimamente adquiridos são respeitados enenhuma alteração (1 ) DESPAGNET.. cu.^.^. ™... pela aflirmativa ( l ). lei de introducção ao código civil allemao....... em relação á maioridade fazem alguns auctores uma excepção que me parece justa..... _ .„>. submette-se a outra lei pessoal... 227 ..I. O brasileiro. Contra: os auctores citados na nota anterior e FEDRO LESSA. 287.~. .. O Congresso de Montevideo acceitou o mesmo principio em relação ao domicilio. 156 ILACRENT.„_.. por exemplo..«*«:Í..

« Droit civil internatioaal». Desde que. jj i5o. iço. CALVO. os princípios da equidade e. PILI-ET. não mudam de condição. porque a lei posterior. um artigo de PEDRO LESSA acerca da « naturalisação e seus effeitos na orbita do direito civil ». i5o. Sobre a matéria deste g consulte-se PERROLD. legitimamente creadas. § 30 NACIONALIDADE DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO Muitos auctores recusam-se a ver nas pessoas jurídicas de direito privado a qualidade de nacionaes. preparado pelo Dr. «Príncipes». Vcja-se no « Direito ». COELHO RODRIGUES. consagrava uma disposição nesse sentido. art. é! menos exigente. 227. n. II. 284. 7G3—770. % 1Ò7. Mas a natureza das cousas obriga-os a descobrira analogia que realmente existe entre a nacionalidade dos indivíduos e a das pessoas jurídicas. porém. 16. « Précis ». (a)O Projecto do código civil brasileiro. são nullos ou annullaveis. ns. cit.í. perante a lei anterior. cumpre que por analogia lhe attribuámos um estatuto pessoal e si para os indivi(i ) DESPAGNET. universitates personarum vel bonorum. 292—3o6..158 DIREITO INTERNACIONAL PRI soffrem com a submissão do individuo á nova Jei pessoal ('). (3) PILLET. A mudança de nacionalidade não póJe também ter o eífeito de extinguir obrigações anteriormente contrahidas. SURVILLE et ARTHUVS. . pela porta de uma desnacionalisação fraudulentamente procurada muitas vezes (á). n. n. III. e todos os auctores gue negam a realidade das pessoas jurídicas. a lei de outro grupo social. ». em alguns casos. O interesse do commercio internacional. VAREILLES-SOMMIERES. g3. vol. «Príncipes». pogs. as regras da moral não podem permittir que alguém fuja ao cumprimento de obrigações. em Clunet. da lei de intro-ducçáo. pare-cendolhes que esse attributo é próprio e exclusivo do homem individualmente considerado (3). Os actos. Na discussão perante a Camará dos deputados prevaleceram outras ideas. que. «Manuel de droit International» | 189 : LAURHNT. « op. assim como o denominado «primitivo ». reconhecemos a personalidade com effeitos extraterritoríaes dos seres collectivos. «Synthese».

E' natural que se interrogue : qual a lei reguladora da capacidade dessa pessoa ? Não se deve ter em consideração. foi sob os auspícios da lei desse logar que a sua individualidade appareceu na tela do direito. Os auctores estão em desaccôrdo sobre esta matéria. para responder a esta pergunta. DESPAGNET não se ( i ) FIORE. segundo. a nacionalidade das pessoas que a compõem . não existem membros ou sócios que considerar. porque nas sociedades de capitães seria impossível essa apreciação. portanto. andando as acções de mão em mão. levanta-se a objecção de que o logar onde uma sociedade é organisada pôde não ser o campo de sua actividade. « Droit international prive». . Ha quem veja até na constituição da pessoa jurídica uma emanação da soberania do Estado. que ella realise nelles operações juridicas. Acham alguns que as pessoas juridicas têm a nacionalidade do paiz onde foram constituídas (l ). para as pessoas jurídicas outro não pôde ser. primeiro. Força é procurar-se outra razão de decidir. % 3o?. Contra esta doutrina. I. Uma segunda opinião determina a nacionalidade da pessoa jurídica segundo o logar do seu principal estabelecimento de exploração. Funda-se uma pessoa jurídica em um paiz dado e outros paizes reconhecem a sua existência. permittem. onde são os bens que se personalisam. recebe a pessoa jurídica a nacionalidade desse mesmo Estado que presidiu á sua constituição. porque o acto de fundação da pessoa jurídica equivale ao seu nascimento.CLÓVIS BEVILÁQUA i5o duos esse estatuto é a lei da sua nação. acontecendo ás vezes que os interessados procuram subtrahir-se ás exigências do paiz onde a sociedade realisa as suas operações indo fundal-a em outro. consequentemente. terceiro. porque pôde acontecer que não haja maioria de membros ou sócios de uma nacionalidade . com a sua existência. porque nas fundações.

n. o domicilio da pessoa jurídica? Será 0 logar onde a sua administração fixou a sua sede ou aquelle em que está o centro principal de sua explo ração ? Resurgem as duvidas. Qual é. ( 3 ) « Précis ». ao menos em sua inteireza. Si. porque daria em resultado reputar-se es trangeira uma sociedade fundada em França.l5õ DÍREITO INTERNACIONAL PRIVADO conforma com este parecer.. ( i) « Précis ». 5i. tomando em consideração todos os elementos a que essas opiniões se apegam (3). O Congresso de Montevideo adoptou o principio de que el contrato social se rige .. se deve apreciar a nacionalidade como uma questão de facto. porém. na ausência de texto positivo.. referindo-se ás sociedades por acções quer que a nacionalidade se determine pelo logar onde se constituiu o capital ou foram emittidas as acções. como as companhias dos canaes de Suez e do Panamá.. n. 1 Entre nós vigem os seguintes princípios: i. Além disso o principal centro de exploração pôde facilmente deslocar-se. .. indique a nacionalidade da pessoa jurídica (2). 9 DESPAGNET pensa que ha certa porção de verdade em todas essas opiniões e que. o logar onde realmente funccionam os or-gams da administração...... (2 JParece ser esta a opinião mais geralmente seguida. com capitães francezes.. porque dá maior clareza ás relações. portanto. por la ley dei pais en que esta (a sociedade) tienesu domicilio comercial.. | I Querem outros que a sede da administração da sociedade.° A nacionalidade das pessoas jurídicas depende do logar onde foi celebrado o acto de sua constituição. I Uma quarta opinião.. e esse deslocamento determinaria mudança de nacionali dade? í1).

art. Seria conveniente unificar essas diversas disposições num dispositivo harmónico do qual resultasse um systemã perfeito. 3oi. Particularmente o enunciado em primeiro logar. S072. 2. art. art 161: BENTO DE 1-AI «Código commercial brasileiro». n. I.a pag. de de Julho de 1896. deve considerar-se extincta. transportando-se de um paiz para outro. « Foi sob o império da (i) CARLOS DE CARVALHO. acima citada. ia3. fora do território da Republica.° Quanto ás sociedades. tendo por directores cidadãos brasileiros (9). e) as anonymas e em commandita por acções constituídas em paiz extrangeiro que. 2804. combinando a lei brasileira a idéa da constituição da pessoa jurídica e a de sua sede. 21 . art. consideram-se nacionaes: a) as de pessoas constituídas no território da Republica. obtida a auctò-risação para funccionar no Brasil. É a opinião de FIORE. o Direito civil». d) as sociedades de capitães (anonymas e em commandita por acções) legitimamente constituídas no território da Republica. art. 3. Dec. c) ainda as de pessoas estipuladas em paiz extrangeiro com estabelecimento no Brasil.' ai. b) também as de pessoas constituídas exclusivamente por brasileiros. mas é certo que os princípios adoptados na lei brasileira não se distanciam do que prescreve a sciencia. 160. (2) CARLOS DE CARVALHO. n. si tiver seu contracto archivado no Brasil. corresponde á melhor opinião. de 12 de Dezembro de 1903. A pessoa jurídica mudando de nacionalidade. Lei n. Em referencia as companhias de seguro falanos alei somente da respectiva sede (*)'. o logar onde se acha a sua administração ou direcçãQ. em bôa doutrina.CLÓVIS BEVILÁQUA l6l conservando-a t emquanto não mudar de sede ou domicilio (l). 1 2. (3) Dec. 1 digo commercial. 23. mas no presupposto de que esta se acha precisamente no logar em que foi constituída a sociedade. «Direito civil». S60. 2. art. 5. de 11 de Novem de 1892. transferirem para o território brasileiro a sua sede. a nrma inscripta e a gerência confiada a brasileiro.

de 2 de Julho de 1896. A interdicção pronunciada pelo juiz. § 2. se fazem necessários. constituídas em paiz extrangeiro. da pagina anterior. Certos esclarecimentos. (2) Lei 11. art. CARLOS DB CARVALHO. para a acquisição de embarcações brasileiras que seja nacional a sociedade de pessoas e nacional a maioria dos sócios (2). exige. A sociedade antiga subsistirá somente para o que disser respeito aos direitos adquiridos concernentes a ella própria. Ainda que a nacionalidade das pessoas jurídicas independendo absolutamente da naturalidade das pessoas que a compõem. de 3i de Dezembro de 1898. 5 r. « Direito civil». mas. O intuito do legislador foi facilitar essas transferencias. explica DESPAGNET (X). art. é preciso uma adhesão nova de todos os associados a um novo contracto que vae ser submettido a regras differentes.IÔ2 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO primeira lei nacional. n. e então. 475. se transportarem para o Brasil. mais razoável é opinar com aquelles (i) «Precis». como no caso de loucura. porém. o que determina o Dec. como bem pondera FIORE (3). tendo por directores cidadãos brasileiros. aos associados ou a terceiros». determinando uma incapacidade. n. 161. á similhança do que prescrevem outros regimens jurídicos. . art. que os interesses se empenharam. n. I. 5. pode haver circumstancias graves que exijam uma intervenção prompta. 559. o direito pátrio. in fine. EMANCIPAÇÃO E RESTITUIÇÃO « IN INTEGRUM » I. Vejam-se as citações da nota 2. quanto ás sociedades de capitães que. Alguns auctores pensam que somente o tribunal da pátria de cada um tem competência para pro-nunciar-lhe a interdicção. g único. 2304. ( 3 ) 11 Droit inlernationA1 prive». deve ser apreciada segundo a lei pessoal daquelle que se pretende interdizer ou que já foi declarado interdicto. mas. ou uma restricção da capacidade. 14. mas somente em parte. no rigor dos principios.a verdadeira doutrina é a expendida no texto. § 31 INTERDICÇÃO. Contraria esta doutrina.

art. II. (2 ) F10BB. 476. ». é natural que não a decretem por seus juizes de accôrdo com o estatuto pessoal do extrangeiro. 53q-543. DESPAGNET. pags. deve ella produzir effeito como si a incapacidade decretada resultasse immediatamente da lei pessoal do interdicto. que se inclinam para a applicação da lex fori. aquelles paizes. g 16 : WHARTON. ■ (3) FIORE.AssEnetRiviEn. « Pnvate international law». 8. III. « op. Decretada a interdicção pelo juiz competente. cit». 53 . vol. . porém. Todavia. 477—479- . « Direito internacional privado ». applican-dolhe o seu estatuto pessoal (l). n. n. « Droit civil international». ( 5) FIORE. Quanto a saber que pessoas podem provocar a decretação da interdicção. o que não quer dizer que o da residência esteja inhibioo de tomar as providencias conservatórias que o caso exigir (*). como favor concedido aos me(i )LAURENT. deve-se reputar esta lei de interesse social ou de ordem publica e. in fine. «E'lements». «Commeutaire*. Quanto. entende BAR que a restituição. 170.. pag. si a lei do logar auctorisar a intervenção do ministério publico. Lei allemã de introducção ao código civil. 85.455 . nem a patrocinem dentro de seu território. 475. « Lehrbuch ». Apezar do que allegamSAViGNY e STOBBE. « Précis ». . ns. * Direito ». cit. <( op. Huc. 393 j PIMENTA BUENO. decide a lei nacional do incapaz. Por essa mesma lei pessoal se decide a questão de saber si o casamento produz a emanci pação dos cônjuges (5). 11.CLÓVIS BEVILÁQUA l63 auctores que reconhecem a competência do juiz local para decretar a interdicção do extrangeiro. á interdicção por prodigalidade. pouco importando que elle se ache sob o poder paterno ou tutelar de alguém que tenha outra nacionalidade. que não a reconhecem e antes a repellem. o « (4) BAR. quando pronunciada no extrangeiro (*). Esse juiz deve ser o do domicilio. como uma abusiva limitação da liberdade. IV . 11». « Droit international prive ». seja nacional ou extrangeiro. consequentemente. n. A emancipação regula-se pelo estatuto pessoal do menor. I. prevalecendo sobre o estatuto pessoal (s). III.

segundo ensina FIORE. onde esse crime constitue impecilho legal ao matrimonio (3). cit. « Lehrbuch ». (. n. decidindo quanto ao mais o direito territorial.n. Estas e outras consequências das sentenças penaes. aquellas não só não se executam no extran^eiro como nenhum e Hei to produzem fora do território onde foram pronunciadas. . quanto ao direito de reclamal-a. o que foi condemnado como auetor ou como cúmplice de um homicídio voluntário ou de uma tentativa de homicídio contra a pessoa de um dos cônjuges. não deve estar desempedido para casar com o outro cônjuge. regerá a lex rei sita' no caso em que alguém pretenda rehavcr um direito real sobre um immovel (>). mas é possível admittir algumas attenuações á sua inflexibilidade. ao qual está submettidaa relação de direito que se pretende annullar pelo recurso excepcional da restituição. Aquelle que no extrangeiro foi condemnado como falsario ou ladrão deve ser excluido da funeçáo de tutor (-). (a) «Droit international prive». n. jj 16. Ha neste particular uma profunda diitere nça entre as sentenças penaes e as civis. sendo a extradicçáo o resultado de um accôrdo ou de uma concessão. não podem {i) BAR. deve regular-se pelo estatuto pessoal. admittida a concepção da sociedade internacional. I | 32 INFLUENCIA DAS CONDEM NAÇÕES PBNABS EXTRANGEIRAS SOBRE A CAPACIDADE É principio geralmente acceito que as sentenças penaes não produzem cffeito fora do paiz. 488. 483. Estas podem ser executadas extraterritorialmente. I Por exemplo.nores. I Este é o principio geral.-*} <0p.

g 107. por exemplo. A morte civil dos monges também. bem se comprehende. 486. Mas. mas logo se vêem Forçados a admittir excepções ao principio. WKISS. (i) ttOp. pags. deve ser considerada como -puramente territorial. Assim é.».CLÓVIS BEVILÁQUA l65 ser recusadas. . n. onde foram pronunciadas. «Manuel». 436-438 e DKMANGBAT pensam que as restrícções impostas ao condemnado por sua jurisdicção nacional. «Privatc internacional law». modificam-lhe o estatuto pessoal. que a morte civil e a infâmia resultantes de sentenças criminaes não são reconhecidas no extrangeiro ('). não podem ir além de certos limites. WHARTON. cít. apezar do que ensina SAVIGNY. que taes effeitos. resultantes da própria natureza das cousas. nem annullar o principio geral verdadadeiro de que as sentenças penaes se restringem ao território do paiz.

.

Desde os primeiros momentos a doutrina tornou-se fixa nesta regra. e todos sabem que tal se não dá. $ 366. a soberania territorial pôde afastar todos os effeitos da lei extrangeira. E principio assente que os bens immoveis se regulam pelo lex rei sita'. mas contra o seu parecer levanta-se a seguinte objecção: se depende da vontade da pessoa a applicação da lex situs.CAPITULO II Dos bens ■ §33 PRINCÍPIOS GERAES I. um direito real sem que a lei territorial o reconheça é cousa que se não concebe. SAVIGNY explicava a applicação da lei da situação aos immoveis por uma submissão voluntária do adquirente lde um direito real ás leis do paiz onde o bem se acha ( ). (3) «Lebrbuch». a applicação de uma outra lei conduziria a um circulo vicioso e a uma inextrincavel confusão. BAR justifica o principio por duas considerações: primeira. VIII. segunda. ainda admittindo transitoriamente a acção do estatuto pessoal do possuidor. 3 ao- . de tal forma que. é uma necessidade irrecusável submetter difinitivamente os immoveis á lei do logar onde estão situados (*). essa mesma vontade poderá affastal-a. A eschola italiana e franco-belga diz mais resumidamente que as leis sobre immoveis são de ordem (i) «Droit romain».

Personal property has no locality dizia também a jurisprudência ingleza. porque o direito moderno permitte a propriedade de immoveis a extrangeiros. Veja-se ainda WHARTON. Um exame mais aprofundado da matéria deu em resultado que se reconhecessem naquellas máximas apenas o expediente encontrado para subtrahir os ( i) FIORE. portanto. Quanto aos moveis. por isso mesmo. LAURENT. proclamando-se como axiomático o principio: mobília sequuntur personam. A razão. p 378-385. portanto são leis territoriaes. cit-». deve se ter em vista que são os direitos sobre os immoveis que formam o domínio da lex situs e. II. deve prevalecera mesma regra. já perdeu todo o seu prestigio. n. . São os immoveis uti singuli "que incidem sob a influencia directa da lei territorial. que davam os antigos em apoio da lex situs relativamente aos immoveis e consistente em consideralos porções do território nacional que. « Lehrbuch ». n. que variava de forma na phrase : mobília ossibus personce inhaerent. é uma sobrevivência de idéas antiquadas e incompatíveis com o estado actual do progresso jurídico a doutrina ingleza e norte-americana. «Manuel». Outr'ora os moveis eram regidos pela lei pessoal do proprietário. São effectivãmente leis destinadas a garantir a ordem social as queorganisam a propriedade em cada paiz. SURVILLR et. económico ou politico. pags. sob o império de uma lei extran-geira. corloca-os muitas vezes.l68 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO publica (*). § 29. ARTIIUYS. segundo a qual até a capacidade para alienar immoveis é apreciada segundo a lex situs (2). não admittem outra lei que não a da soberania local. «Droit civil international». como no caso da herança. «op. e quando os considera em seu conjuncto como um património ou fazendo parte de um património. II. 5o5-5c>7. i63. 90. «Droit ínternational prive». I. Depois. «Prívate international law». (2 } BAR. WEISS. são cilas a expressão de um interesse social. jj 166.

« Pnvate intemational law ». em geral. e que se eliminassem distincções desarrazoadas entre os bens moveis e im~. que os moveis que são objecto de uma acção real. « Lehrbuch ». «op. n. | 3n). ns.CLÓVIS BEVILÁQUA IbQ. como o carregamento de um navio. «E'lé-mènts ». VII. VAREILLES-SOMMIÉRES. VIII. 1890. « Droit intemational prive ». si assim acaso não for. (op. 92 e segs. cit. si aa panes interessadas são domiciliadas no mesmo logar. PIMENTA BUENO. cit. ainda que não abrace abertamente o novo principio. a lei do domicilio poderá substituir a «rei sitoe». pag. VIII. Cumpre notar. g 297—311 . e. 922—g3o. 48 e segs.3 não ha motivo para abrir-lhes uma excepção na regra ( ). WHARTON. Hoje a doutrina está fixada no sentido de submetterem-se os bens moveis como os immoveis á lei da situação (1 ). cit.. consiaeram-se. (3. para elle se encaminha. os destinados a deslocações constantes. Ainda neste mesmo sentido foi a resolução do Congresso de Montevideo. BAR. § ag. n.. pag. 22 . si durante a lide mudarem de situação. e a territorialidade das leis que lhes dizem respeito é uma consequência cie caracter social que forçosamente revestem. abrangem os bens dessas duas classes. «Droit intemational prive». A jurisprudência franceza parece que algumas vezes tem adoptado esta mesma orientação como se pôde ver em CLUNET. «Direito internacional privado». WESTLAKE. Parece-me razoável a excepção feita por SAVIGNY para os moveis que o proprietário leva sempre comsigo e. Quanto aos moveis incorpóreos. moveis de uma successão ou de um regímen conjugal á influencia da lei da situação . i63. moveis. I. pag. 1 366. mas nao tem fundamento esta excepção. BROCHER. ». ASSER ET_ RI VIER. WHARTON acha que. « Droit romain ». 91-93. ». entretanto. 163. a cujas regras se devem submetter. ns. « Synthése». ns. SURVILLE ET ARTHUYS. inspiradoras da organisáção da propriedade em um paiz. cap. confundir-se-ão com as obrigações. para os effeitos jurídicos ( 1 ) SAVIGNY.. 87. que devem obedecer á lei pessoal do proprietário (*). SURVILLB ET ARTHUYS. « op. FIORE. « Pri-vate intemational law». 368 e II. n. As considerações de ordem económica e politica. § 366 . I. 862. (2) «Droit romain». si se manifestam materialmente pelo titulo.

do titulo preliminar . consagrou esse rincipio que foi exarado no art. submettendo os immoveis á lei territorial e os moveis á pessoal do proprietário ( *). sobre o direito civil internacional. o neerlandez. Similhante-mente. 3. e o do Uruguay. O código civil argentino. 10. i3.1 único. o boliviano. 2. O código civil allemão nenhuma disposição contém sobre esta matéria. da lei preliminar. II. art. art. 10. encontrando apoio ainda na lei de (1) «Esboço». apezar de que no Projecto não fora descurada. Conservou-se-lhe fiel o « Projecto » brasileiro actual. « Droit international prive ». dispuzeram: o código civil deZurich. situados no logar em que se achavam quando si iniciou a demanda (l ). que procura preenchel-a recorrendo ao direito consuetudinário e á doutrina. salve le contrarie disposizioní delia legge dei paese nel quale si trovano. 5. 3o do « Projecto » primitivo de código civil Jrasileiro (lei de introducção). art. O tractado. o hespanhol. 411. art. Leia-se a respeito deste preceito FIORE. o peruano. (3) Eis o dispositivo do código civil italiano : Ibeni mobili sono soggetti alia legge delia nazione dei proprietário. das disposições preliminares (3). E .. A despeito do que affirmam alguns internacionalistas e da nova orientação da jurisprudência. 3. in fine. art. como anteriormente o fora no Projecto Coelho Rodrigues. 1. art. art. segundo a lição de SAVIGNY. n. art. o italiano. (2) Veja-se. III. é fora de duvida que o art. art. do código civil francez consagra a distincção estatutária e clássica. 160-163 e em VAREILLES-SOMMIERES. 2. n. ns. Sob a mesma bandeira inscreveram-se: o código civil d'Austria. art. o do cantão dos Grisões. E' esta uma das lacunas apontadas por ENDEMANN. 5. q3. 7. 3. 3oo. Ensina este auctor que a applicação da lex rei sitce aos immoveis é indubitável.ligados á acção. 3o. 16. ns. As legislações offerecem o aspecto da maior divergência no modo de regular a matéria deste paragrapho. em SURVIIXE BT ARTIIUYS. 20. e o de Genebra. a discussão dessa divergência de opiniões. art. art. 922 e segs . 11. I. art. o da Colômbia. elaborado pelo Congresso de Montevideo. art. art. consagrou a doutrina moderna da assimilação dos moveis aos immoveis. 7. art. o do Chile. o mexicano. 2. art.° ai.

i 19.». no que diz respeito aos direitos reaes de que podem ser objecto. do titulo preliminar. nota 2. romain». é concebido nos termos seguintes: «Os bens moveis estão submettidos á lei de sua situação. p \ O Projecto de código civil belga. art. 2. applicar-se-á a lei da situação mais recente». Quanto aos moveis. n. Seguiram-lhe a rota: Nabuco. colloca-se também sob a bandeira da unidade de princípios quanto aos bens. no império ou fora delle. ou no dia da acquisição da sua posse. III. S>A-VIQNY. Quando em razão de mudança na situação dos moveis houver conflicto de legislações. art.0 ai.• . No Brasil os diversos Projectos adoptaram a boa doutrina professada pelo eminente auetor do Esboço. Coelho Rodrigues. 47. 5. {1) «EinfuehrunB. ou em que se acharem no dia em que sobre ellas se intentar alguma acção ou procedimento judicial».CLÓVIS BEVILÁQUA \J\ introducção. 411 é o seguinte: «O logar da existência das cousas immoveis. 2. «Droit. que submette os moveis a « cx domicilii». cujo art. II. art. conformando-se com a concepção dominante (l). mas a «commnis opinis doctorum» manda apphcar-ines a «íex rei sitie» («Einfuehrung cit. titulo final. art. Os direitos de credito reputam-se localisados no domicilio do devedor. BAR. A praxe allemã ainda se acha influenciada pelo código da Prússia. todavia. 28. 8 29. 19. u. si estes direitos forem representados por títulos cediveis por tradição ou endosso entenaer-se-á que estão no logár em que se acharem os títulos. accrescentando que se consideram os moveis situados na Suissa quando o possuidor é regido pela lei suissa relativamente ao seu titulo de acquisição. art. I. «Lehrbuch». O Projecto do código civil suisso. \ «. será o de sua situação. e o das cousas moveis aquelle era "que se achavam no dia da acquisição dos direitos reaes que sobre ellas se allegar. «Pand-». quiz submettel-os á mesma regra.J 19. VIII. falando de cousas sem distinguil-as em moveis e immoveis. g 266 5 WINDSHBID. parece-lhé que esse mesmo dispositivo.

art. SURVILLE et ARTHUYS. 94.172 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO da lei preliminar. o Projecto primitivo. da lei preliminar. consignarei os princípios seguintes: a) E á lei da situação que compete fazer a classificação das cousas em moveis e immoveis (T). Condensando o resultado das indagações que acabam de ser feítas. dà lei de introducção. I IV.413. n. «Private international lawo. II. FIORE. e o Projecto actual. H b) As cousas situadas em um paiz. 33. . J 272. pertençam a nacionaes ou a extrangeiros. (1) «Esboço». «Droit international prive». estão sujeitas ás leis e á jurisdição das auctoridades desse paiz (2). art. c) A lei da situação decide si uma cousa pôde ser objecto de direito real ( 8 ). 10. _ ' (3) WHARTON. «Direito internacional privado». 413. art. 178. pag. art. ns. 766771. PIMENTA BUENO. (2) «Esboço».

de modo que se dissermos gue a regra locus regit actum se ^fere exclusivamente a forma dos actos* ^*™^$^&§A Oc ant sos conheciam as lormanaaues ««" . . como a capacidade o consen^ contractantes e tudo quanto const'™* ast. nos livros de direitt uma expressão vacillante. quando ^rvem para provar sem fazer com ella associação juridicamente mau luvel. podem ser subdivididas em tormas a quando têm por fim «segurar a mamtestó^oaa Vontade das partes de «» ^^JJi^óSde adprobationem. extrínsecas que encerrava*. ^ZZZvaZ raes.*^ ^'^^nk a'naíaTra primeira e mais rigorosa accepçao.CAPITULO III Dos actos juridicos % §u A REGRA «LOCUS REGIT ACTUM» I. e ainda a palavra tomada no sentido de instrumento ^d 'npUm est. Nesta matéria procede a confusão não só da variedade dos svstemas que encaram os factos de pontos de vista differentes. Forma é também. mais ainda da ambiguidade dos termos. «^^XSSL. como no primeiro caso. Esta^ ££«.mento exacto. ' comoTauctorisação marital. a modalidade jurídica do acto. 4ue são a verdadeini forma. a declaração da vontade. '"V««mejtó« terno. Acto significa a operação pndiça.

não remonta ao direito romano. «op.. «E']cinents»...... g 256... porque o legislador somente lhes reconhece a ef ficada quando revestem a forma por elle prescripta... A sua origem. n.. aos solemnes... está definitivamente averiguado.............. » .. 3: ASSER et Ri VIER... •.......... si..... «Precis.. ligeiramente ao menos. «Lehrbuch». Jj 27... tsi somente aos actos authenticos... porque exigem a intervenção de um official publico para instrumental-os.. .... SURVILLE et ARTHUYS.LBT........... «Elements»... como a auetorisação do marido ou do pae.. 34.. I 9 Os estatutários reconheceram a sua necessidade e os modernos. 17 e de outras passagens............. Formulou-a muito mais tarde BARTHOLO e consagraram-na os seus discí pulos (2).......... si divergem quanto á sua extenção......•• . n............ II.. portanto.. Uma outra cansa de confusão emerge do facto de se indagar a que espécie de actos se refere a regra. mas a necessidade (1) PII.»»! E á forma propriamente dieta. i85. convém examinar.. a assistência do tutor ou do curador.. cit........ n... BAR....174 ■■■■-■—• DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO .. SURVILLE et ARTHUYS..... em geral. 211....... si a todos.... isto é... 5o...... á forma extrínseca segundo a tecnnotogia antiga.... «op... •. devem entrar na regra geral da capacidade....».. do Corpus júris..... estabelecida de accôrdo com a lei de um logar.....»... presuppõem a incapacidade jurídica do agente e... jf i3. que se refere a regra locus regil actum... Bem se comprehende que o direito feudal começasse oppondo obstáculos a que a forma de um acto.... acham-se de accôrdo quanto á importância que ella tem nas relações internacionaes de ordem privada.. As formalidades habilitastes. (2 ) DKSPAGNET.. a origem histórica e o fundamento racional da regra.... o consentimento do juiz e outras similhantes.. D...... cit.. 184. fosse respeitada além dos limites territoriaes da soberania da qual emanava essa mesma lei.. «Príncipes».... ASSER et RivtisR....... § 37.. se hão de regular pelo estatuto pessoal (1)... apezar do argumento que se tem querido tirar do fr..... Para melhor responder a esta questão....

neste preceito. paga. Mais tarde prevaleceu a idéa de que os estatutos referentes á forma eram reaes. aos tits. 10 e i3. um favor. 416-417. app. comprehende-se que. Os estatutários não viram. formando com eile um estatuto mixto ou um principio á parte. para os quaes o adagio locus regit actum implicava uma derogacão dos principios do direito que submette os bens situados num território ás leis ao respectivo soberano (3). (3) «Commeotarius ad Pandectas». a regra em seguida se mostrou menos absoluta. o interesse pratico. logo os. O exame de seu fundamento racional vae levar-nos a um resultado similhante. Esta necessidade pratica parece ter exclusivamente impressionado os auetores modernos ou por influencia dos antigos ou porque realmente nenhuma outra razão lhes tenha sugerido a mente para explicar (i) É a opinião de DUMOUMN. Veja-sc E. Este bosquejo histórico mostra que. porém. NAQUBT. estatutários lhe imprimissem o caracter obrigatório. sinão o fundamento da necessidade. 43. I. consequência da realidade de todo estatuto (x). operou-se uma reacção e entendeu-se que nem todos os actos estavam adstrictos a receber obrigatoriamente a forma prescripta pela lei do logar onde eram celebrados. Tal era o sentimento de João VOECIO e de RODENBURG. na. cap. applicada a principio a todos os actos. tit. 1904. «Legislation civile». Ainda que fosse uma excepção. continuou-se adarlhes por fundamento a necessidade do commercio. etc. de «Statutis». E' esta opinião que já transparece da exposição de motivos de PORTALIS ('). cm CLUNBT. 3. . Mais tarde. I. (2) «Apud» LOCRB. apoderando-sc do adagio locus regit actum. peg. 3. 3-4. POTHIER.CLÓVIS BEVILÁQUA I^S venceu aqui as prevenções e se admittiu que as leis referentes á forma dos actos tivessem effeito extraterritorial. FUUGOLE. «De jure qindoritur ex statuto rum vel consuetudinum diversi-tate». parecendo-lhes que esta era tam imperiosa que o impunha contra a razão de direito. LOVSBL.

além disso. e. SURVILLE et ARTHUYS mostra a impossibilidade em que se encontrariam os indivíduos que pretendessem efFe-ctuar no extrangeiro operações jurídicas. O nosso PIMENTA BUENO faz as seguintes ponderações: «Sem o principio expresso pela máxima locus regit actum a pessoa que estivesse fora de seu paiz muitas vezes ver-se-ia na impossibilidade ou grande difficuldade de passar actos ou fazer disposições. para que pudesse observar a forma ou i ) « Op. DESPAGNET bate na mesma nota. seria impossível observai-as. quando as partes forem de nacionalidade diíferente. Accresceria ainda que si houvesse referencia a bens situados em dííferentes paizes. n. sinão por effeito da lei de seu paiz. a) « Précis». STORY. nem gozam de fé publica. ». si não se pudessem utilisar das formas estabelecidas pela lei do paiz onde se acham. contractos ou testamentos quantos fossem esses paizes. Si fosse assim. iSG. desde que o acto devesse ser authentico (3). todas as leis seriam terri-toriaes e não haveria que falar em estatuto pessoal. pôde acontecer que as partes ignorem as condições mediante as quaes a lei de seu paiz o considera válido. diz que. públicos não redigem actos. Realmente. portanto a forma dos actos não pôde ser outra sinão a do logar onde se realisam. a lei do logar se impõe a quem nelle se acha. mesmo quando o acto admitte a forma particular. seriam necessários tantos actos. pois os officiaes. por isso que não poderia observar a forma externa exigida por sua lei nacional ou por uma outra lei extrangeira. 212 . accrescentando que ainda quando fossem conhecidas as formalidades exigidas pela lei pessoal ou pela do logar da execução. seguindo as idéas de VOECIO e principalmente de HUBERO. em virtude do direito de soberania. não ha razão alguma para redigir o acto conforme á lei pessoal de uma delias de preferencia á da outra ('). cit.íyô DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO a territorialidade das leis de forma. n.

haver uma razão doutrinaria que lhe sirva de base lógica. a forma pôde ser exigida no interesse das partes ou de terceiros. segundo já vimos. a sciencia havia de debater-se. em CLUNBT. NAQUET. que fez prevalecer um regimen mais commodo e mais simples » (3). ( 2 ) Vejam-se as citações da nota anterior. não lhe oríerece uma explicação para este caso. Além disso. têm egualmente a impressão de que. « Droit romain ». affirma elle. deante de difficuldades inextricáveis. porque a exigência de uma determinada forma nada nos diz da natureza nem do objecto do acto e pôde accommodar-se a fins sociaes diversos. pag. necessitamos da explicação racional. j) 272. O seu systema. Foi o que dissera SAVIGNY. que determina a efficacia internacional das leis pelo fim social a que ellas visam. Foi o costume internacional.CLÓVIS BEVILÁQUA 177 solemnidades externas prescriptas por cada um delles ou para não preterir a competência de seus notários ou officiaes públicos » (*). 44. g 38i e repeliu FIORK. geralmente reconhecida a necessidade pratica de acceitar a efficacia territorial das leis sobre a forma dos actos. «Direito internacional privado». pajj. io5. n. g 12. pensando que a forma dos actos devera ser fixada pela mesma lei que lhes regulasse a substancia. Está. PILLET vê nesta regra uma reacção do direito positivo sobre o direito theorico e affirma que « reduzida aos recursos da theoria. neste ponto. as vantagens praticas derrogaram o rigor do direito (*). « Lehrbuch ». como se vê. porém. . Vejam-se ainda BAR. 218. Temos a explicação empírica. 1904. VIIÍ. em matéria de forma dos actos. e E. Deve. prr. SAVIGNY e BAR. Os escriptores não nol-a apresentam de modo satisfactorio. pôde ser recla( 1 ) PIMENTA BUBNO. achavam mesmo que havia uma antinomia entre o summum jus e este preceito de utilidade introduzido pelo costume. « Droit international prive». ( 3 ) «Príncipes». J0Ã0 VOECIO e RODENBURGO.

(i ) e (a) «Príncipes». lhes imprime força operante e valor social. E1 alei que lhes dá vida. O direito foi legitimamente adquirido e nesta qualidade é por todos os juizes respeitado. feitas de accordo com a lei. que para a sociedade internacional tanto pôde ser o paiz A como o paiz B. Esta é que.mada para a validade do acto ou simplesmente no intuito de uma melhor administração da justiça ('). podemos repetir com o illus-tre MERLIN. A concepção da sociedade internacional explica perfeitamente a situação. . g 254. dando-lhes a forma. Por isso a observância das formalidades da lei do logar é geralmente considerada sufficiente. cjuando é elle mesmo quem nos diz que a validade internacional de um acto «é a condição indispensável ao estabelecimento de toda communnão jurídica. solemnes ou sem forma predeterminada. porque ahi. Mas pôde se admittir que o acto se faça também de accôrdo com a lei pessoal das partes. conclue-se que o adagio locus regit actum é o reconhecimento. a visibilidade jurídica. a consagração da efficacia internacional das leis referentes á forma dos actos. fundada sobre a applicação harmónica das diversas leis positivas » (8). neste ponto. porque a forma é muitas vezes estabelecida em garantia dos indivíduos e isso é titulo sufficiente para que se applique á lei nacional do agente. . a situação permanece a mesma : é ainda aqui a lei que dá vida aos actos jurídicos. de todos elles. authenticos ou privados. Esta lei será normalmente a do logar onde o acto se realisou. se deu a fecundação da vontade individual pelo influxo da lei. Emquanto nos mantemos no terreno do direito interno nenhuma difíiculdade apparece. III. Admira esta perplexidade do eminente pensador. Penetrando no vasto circulo do direito internacional privado. Os actos jurídicos são declarações de vontade. Das indicações históricas apontadas e das considerações theoricas expostas.

não admittem os testamentos conjunctivos (*). quer em favor dos testadores. Algumas legislações. como afranceza. Não é a forma que aqui tem o principal interesse. « Príncipes». A questão de saber si é possivel constituir direitos reaes sobre im moveis por meio de actos realisados no extrangeiro. «op. de uma restricção á liberdade individual. SUUVILLE et ASTHUVS. a 16. é válido? Não. tendo-se em attenção os principios fundamentaes do direito internacional privado. PÍLLKT. O que pôde fazer a doutrina é mostrar a sem razão do legislador neerlandez nesta parte. £ . § 55. 1. art. a. é a incapacidade. in fine. feito em paiz onde se permitte essa modalidade de disposição de ultima vontade. como parte componente de seu estatuto pessoal (2). mas não pôde contestar a validade internacional do dispositivo que é uma lei relativa á capacidade. porém. o francez e o brasileiro levam para o ex-trangeiro esta sua incapacidade de testar conjuncti-vamente.. 968 e a brasileira. ( 1) Veja-se o meu « Direito das successóes ». (2) DESPACSET. código civil. « Précis ». Resposta idêntica deve dar-se ao caso clássico do testamento holographo feito pelo hollandez no extrangeiro contra as prescripções do código civil de sua nação.191 e 193. procurando desprendel-os do ennovelamento das idéas preconcebidas. contempla os factos. Os nossos praxistas em geral se conformam com o testamento de «mao commum ». alguns casos têm parecido obscuros aos práticos. porque neste caso não está em questão simplesmente uma forma testamentária. quando feito por cônjuges.CLÓVIS BEVILÁQUA 179 Eis a verdade que se impõe de modo claro a quem. forçoso é responder. quer em beneficio de terceiros. Estamos em face de uma lei prohibitiva. ciU. de espirito desprevenido. nota 1 á pagina 190. Como. Consequentemente. Pergunta-se: o testamento de mão commum de um francez ou de um brasileiro. ê conveniente aqui des-tacal-os.. g 256. n. facilmente se responde.

a. i. o contracto. a promessa de alienar ou constituir direito real será perfeitamente legitima si se modelar. mas devemos entendel-o no sentido da distineção. «Príncipes D. 201. SunviLUt et ARTHUVS. BAR. 224 e WHARTO. 216.°. os dois momentos. II. escreve : « Die Rechtregel 1. o titulo e o modo de adquirir. art. I. Tractando-se de um movei a tradição deve ser feita onde o movei se achar. O que se diz da transferencia da propriedade tem applicação á constituição de qualquer direito real. quanto á forma.N. A' luz destes princípios manifesta-se errónea não só a doutrina do código civil francez. interna tional prive». Mas a alienação de um bem situado no Brasil somente se pôde efFectuar no Brasil.DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO I Cumpre distinguir o acto pelo qual alguém se obriga a alienar um bem ou a constituir um direito real e o acto de alienação ou de constituição de direito real. gilt nicht fuer die Formen der Konstituimng oder Webcrtraoung der Eigenthuny und anderer dinglicher Rechte sowohl an beweglíchcn wie a» unbeweglichen Sachei) ». g 257. 3. Vejam-se j mais FIORE. n. n.*. que faz as vezes da tradição. que. Nos systemas jurídicos em que a translação da propriedade se eífectua solo consensu. Em qualquer das duas hypotheses. a convenção. 1. 11S. O acto obrigacional. embora napratica se confundam. § 12. e. o da obrigação contrahida e o da alienação realisada. « Droit. \ 683. nota 2. « Précis ». 2128. » (2) DESPAGNET. « Lehrhuch ». IO^Q-lf^l. . naquelles em que se conservam os brônzeos princípios racionaes do direito romano. « Sy i Il h Ó S C » . A esse acto tem inteira applicação a regra—locus regit actum. e tractando-se de um immovel a transcripção. se ha de realisar no registro do logar da situação do bem. «Précis». é o simples resultado de um erro legislativo {■*). «op.*. PlU. « Priva te international law». pelo que estatue o direito local.w. . feita no texto. DESPAGNBT.'n. r. | n. em principio são distinctos. cit. Como seria admissível constituir uma servidão predial ou inscrever outro ónus real sinão no logár onde está o prédio ? (1). o acto obrigacional está claramente destacado do acto de transferencia do domínio (a tradição ou a trans-cripção ). a scien-cia reconhece dois momentos successivos. 216. aliás. (i) VABEILLES-SOUMIERES.BT.

O primeiro não permitte constituir hypotheca por contracto feito no extrangeiro sobre bens situados na França. art. Si a inscripção é que. portanto. art. g 4.art. O dec. uma grave contradicção. mas como. em que será exposta a legislação comparada. porque ou a regra locus regit actum deve ser mantida e a derogação no caso examinado é injustificável. afastando-a no caso de contracto de constituição de hypotheca.CLÓVIS BEVILÁQUA l8l como a da lei belga de 16 de Dezembro de I85I. apezar disso. 18 e outros. e a do dec. Ora. fazendo a hypotheca valer contra terceiros. 4.° ai. lhe dá o cunho de direito real. mas está impedido de hypothecal-o. brasileiro de 19 de Janeiro de 1S90. com as solemnidades e as condições que a lei brasileira prescreve ». é lei. art. § 4. porque o extrangeiro pôde alienar o bem que possuir na França. ainda que a lei extrangeira auctorise a forma do escripto particular. dispõe que: «os contractos celebrados em pai{ extrangeiro não produzem hypotheca sobre os bens* situados no Brasil. A lei belga contém um erro de doutrina. salvo direito estabelecido nos tractados ou si forem celebrados entre brasileiros ou em favor delles nos consulados. devemos dizer que importa. como se verá no g 35. 2. Esta ultima também é a doutrina acceitapelo codigocivilchileno. o legislador belga desviou-se dos bons principios. 4. explicam os auctores por uma inadvertência. E1 sempre o mesmo defeito de visão que não distingue o elemento obrigacional do elemento real na hypotheca. ou a derogação tem fundamento jurídico e a regra é que não merece o acatamento que lhe têm dado. além de uma derogação do principio locus regit actum. O artigo citado do código civil francez. brasileiro de 19 de Janeiro de 1890. A segunda exige que o acto effectuado no extrangeiro revista a forma authentica. já vimos que a regra é uma necessidade do commercio internacional á que a doutrina traz o apoio da razão. . 77.

como FoeLix e MEIER. O testamento do brasileiro também pôde ser feito ou meramente approvado pelo seu cônsul que. se reputam praticados no paiz que elles representam. observar as formalidades estabelecidas por sua lei pessoal. 5. «Precisa. (2) Reg. faculta ao brasileiro que se acha no extrangeiro celebrar o seu casamento perante' o agente diplomático ou cousular do Brasil. «Droít internationaJ prive». $ 82 e 210. art. n. 47.I&2 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO prevalecendo ergaomnes. e si essa inscripcão somente no logar da situação do im movei pôde ser feita. Mas o «direito publico internacional moderno tem outra orientação e não faz diííerença entre essas pessoas e quaesquer particulares quanto a applicabilidade da regra locus regit actum. de 24 de Janeiro de 1900. (i) DESPAGJÍET. Enten dem estes auctores que. n. SURVILLE et ARTHUVS. FtELix. onde vem indicada a legislação compa-r ida a respeito desta matéria. IV. sempre que elles tiverem competência para isso. As pessoas que se acham no extrangeiro podem. Assim é que o dec. ns. n. V. 1062. dirigindo-se aos representantes diplomáticos ou consulares de seu paiz. BAR. . em consequência da ficção de exterritorialidade de que os ministros plenipotenciá rios gozam nos paizes em que são acreditados. A regra locus regit actum adraitte algumas limitações. consular de 24 de Maio de 1872. 181. 219. assim como pelas pessoas de seu séquito. sendo ainda mais auctorisado a abrir os testamentos cerrados (*). que receio haverá de acceitar um contracto validamente feito no extrangeiro segundo o direito do logar da celebração? Nenhum absolutamente. (j>. para esse effeito exerce as funccões de tabellião. art. i8§. II. 112. Certos auctores. Veja-se a_ respeito o meu «Direito das successões». n. § 67. lembram uma que deve ser logo afastada (3). 198 e 202. em vez de recorrer aos officiaes públicos e auctoridades locaes para legalisação dos seus actos. E' principio geralmente adoptado (*). VAREI LLES—SOMMIKRES. os actos por elles celebrados no edifício da legação. I.

... (2.| « E um verdadeiro contrasenso jurídico.......... ... Todavia... Si alguém fôr ao extrangeiro para dispor de um bem ali situado..... n.. 229.... acha que o acto será nullo si a lei evitada pela fraude fôr de ordem publica: sohen domiciled subjccts of a state ao to another state to solemnize a contract whiçh on grounds of policy or morais would be invalid if solemnised by them ín the state oftheirdomicil.... «Direito civil brasileiro»..... 214 e FIORE «Droit international prive»...■•' l83 ••■••... para que possam ter execução no Brasil (3).. ......' _........................ n. Uma verdadeira limitação ou... diz FIORE.. II..... DESPAGKET.. admittir que o palácio de nossa embaixada ou o da embaixada franceza em Londres faça parte do território italiano ou do território francez ...... 34... VAREILLES—SOMMIERES.. «Précis»................. Entre nós será regida por lei brasileira a forma dos actos celebrados por brasileiros nos logares onde houver agente consular brasileiro... 241. não se deverá dizer que o acto esteja viciado de fraude.. art. ainda que assim procedendo alcance vantagens pecuniárias e evite certos impostos.. « Précis ».. porque não é admissível em face dos princípios do direito.—.. io55.... 215. § 2.. si tal fôr a sancção da lei fraudada.. .. g§ 695-696........... PILLBT...... (3) Reg.. 2. n.. se não está afastada a possibilidade de fraude... 3.. I..CLÓVIS BEVILÁQUA . Veja-se também DESPAGNKT... WHARTON. par fraude se sustraire a leur empire...... nem conforme á natureza das cousas transformar o palácio do ministro extrangeiro em um pequeno Estado extrangeiro » (l)... antes. O direito moderno repelle taes anomalias.. (i) «Droit international prive»... .... de modo que............ «Synthése»... acham que o acto praticado nas condições predictas será nullo............. n... exclusão da regra é a pronunciada no caso em que o individuo vae ao extrangeiro intencionalmente celebrar 2 o acto para subtrahir-se ás exigências da lei pátria ( )........ I. está circumscripta por essa indébita extensão dada ao estatuto pessoal.."**"... CARLOS DE CARVALHO...°. .... «Príncipes».. . 737) art. Considera-se nullo o acto assim praticado..... convém observar com VAREILLES—SOMMIERES que somente haverá fraude quando o acto se destinar a produzir elfeito no próprio paiz de onde saem os interessados para celelebral-o aliunde........ «Private international law».. n. § 268: il importe au mantien de Vautorite des lois intérieures quelon ne puísse pas......

a citada disposição não se refere ao direito da família. deram-lhe os tractadistas o caracter obrigatório (-). CtC. 2o3. no entanto.(}) DKSPACNET. POTHIER.IN. ( 3 ) RODENBURGO. esperar (a)e. II. As opiniões divergentes não se fizeram. FuRGOLE. n. MBRLIN.Mas si. Taes actos obedecem á lei nacional do invasor e são legalisados pelas pessoas que essa mesma lei considera competentes. desde os albores do direito internacional privado que se estabeleceu o dissídio.f _■■ ■ '. I | . n. está conseguido o fim que se deve ter em vista.°. etc. BOUIIEIR. pag.o seuj contracto não houver cônsul ? Como se vê a dispo-' sição citada deixa margem aos intuitos fraudulentos e por tam mesquinha vantagem não vale a pena romper com os princípios. Além disso. em CUUNKT. BOULLENOIS. 1904.forem extrangeíros domiciliados no Brasil que) transpuzerem a fronteira para fugir ás exigências da lei nacional? Eis a possibilidade da fraude. NAQUET. Como si disse no# anterior. E si no logar escolhido pelos brasileiros para celebrar . de modo pleno e satisfactorio. §35 CARACTER JURÍDICO DA REGRA « LOCUS REGIT ACTUM » Tracta-se de saber si a regra locus regit actum é obrigatória ou facultativa. i. consequentemente. I Os tractadistas ainda consideram o caso dos actos praticados por militares e civis addidos ao serviço militar quando o exercito ou a armada occupa território ou mar territorial exrrangeiro (x). «Précis». ( 2 ) DUJIOUI. n. . 215. sem offensa ás regras do direito internacional privado. ven cendo a resistência do feudalismo crearam a regra. Decretando a nullidade para os actos praticados em fraude á*lei. LOY8BL.I&4 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . ■ Os auctores dissentem. SURVH-LE et ARTÍIUVS.■ " . quando as necessidades do commercio. 44 e segs. « Vide » E.

conclue elle. Quanto aos actos praticados no extrangeiro. entretanto. porque. a tendência geral é para considerar a regra facultativa. ( 3 ) «Príncipes». apezar de uma incontestável vacillação de doutrina. . razão pela qual a celebração desses actos independe do assentimento do Estado onde funccionam as mencionadas auctoridades (1). si afastarmos os actos processuaes que somente pela lexfori podem ser regulados. diz que essa determinação das leis internas é uma consequência do caracter facultativo da regra e não da pretensa extraterritorialidade dos cônsules. seria a lei pessoal das partes que lhes devera prescrever a forma si a utilidade não tivesse creado uma regra mais suave. o caracter facultativo da regra locus regitactum {-). BAR. Esta consideração levou a doutrina a reconhecer. observar as formalidades prescriptas por sua lei nacional para os actos privados» (3). n. PILLET mostra que. a forma não representa um principio de ordem necessária. (4) uDroit inter na tional prive«. n. é fácil notar que. escreve: « basta notar que a regra locus regit actum somente se justifica por sua necessidade para não haver razão de impol-a todas as vezes que as partes acham meio de. uma res-tricção quando no acto intervêm diversas pessoas pertencentes a differentes nacionalidades. ( i ) « Lehrbuch ». Raciocinio similhante conduz SURVILLE et ARTHUYS á mesma conclusão. (3) «Précis». 217. \ 264. fazendo. 206 e aio. í 12. depois de fazer algumas distincções necessárias entre os actos authenticos e os privados. ns. a regra assume um caracter imperativo {*).OVlS BEVILÁQUA' l85 Deixando de lado os antigos jurisconsultos e tendo em vista somente os modernos. 5.Ct. referindo-se aos actos que no extrangeiro se podem celebrar perante os agentes diplomáticos ou consulares. neste caso. no extrangeiro. DESPAGNET.

não esconde. « biritio ínternazionale privato ». pag. (3) x Droit international prive». pois.. as suas sympathias pela obrigatoriedade (3). creio que é nosso interesse] tractar os extrangeiros na França como dezejamos serj tractados no extrangeiro. Não é uma razão decisiva para o condemnar ? Consideramos. g 684.. I.e FIORE..l86 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Parecem-me dignas de transcripção as palavras que a este assumpto consagra E. ZACIIARKE. deve egualmente ser-lhe concedida quando realisa um acto privado unilateral como um testamento ou quando celebra um contracto com um compatriota ou com outro extrangeiro cuja lei é idêntica á suá » (*). LAURENT pende para a obrigatoriedade.. mas ainda é desvantajoso para os francezes. 363... Uma legislação liberal e humana acarreta outra legislação liberal e humana. n. VIII. .. GRASSO.UKET. 354 e segs. MASSE'. acceitando o caracter facultativo da regra. KEIDEI-. AUBRV et RAU... Esta liberdade lhe é reconhecida quando elle age perante os representantes officiaes de sua nação. £ 27.. ns. WCECHTER... 27. entretanto. 227-328. Não obstante. «Droit roínain ». que o extrangeiro residente na França tem a liberdade de preferir as formas de sua lei nacional ás da lei franceza. «Príncipes élementaires de droit international prive».! ao passo que o rigor e o mau humor são obstáculos a todos os progressos internacionaes .Em definitiva. o systema restrictivo está não somente em opposição aos princípios de uma sã justiça. vol. (7) « E'lements».NKT.. 1889.... Ainda no mesmo sentido pronunciaram-se FCELIX. pag. in fine. São vacillações que ainda conturbam a lucidez dos princípios.. em CÍ.. Reconhecem também o caracter facultativo da regra «locus regit actum » : SAVIGMV.. BROCHER. etc.. AUDI. « priva te international law ».Huc. NAQUET: « Fazendo abstracção de toda questão de justiça pura e enca-j rando o interesse francez.... « Commentaire du code civil». acham que deante dos princípios outra devera ser a decisão (2. que admitte a faculdade para os francezes (i) Seria inútil alongar estas citações. ASSER et RIVIER. n.. g 97. I. WHARTOX.. E só a conturbação explica opiniões como a de VAREILLES-SOMMIERES. 170. collocando-se ao lado da lei de seu paiz.

CARLOS DB CARVALHO. e não ha razão para não se admittir que as partes concordem em acceitar uma das que são egualmente competentes. porque ahi surgiu o acto pára a vida j u r í d i c a. Reg.CLÓVIS BEVILÁQUA l87 que se acham no cxtrangeiro usarem ou não da lei local quanto á fórma. « Consolidação das leis civis ». não quer dizer que a regra tenha um| caracter imperativo. segundo a sua lei pessoal. Si as partes que celebram o acto forem de nacionalidades differentes. de 25 de Novembro de i83o. Vendo os factos na sua simplicidade natural não é possível deixar de reconhecer que a regra é facultativa para os actos que o individuo pôde realisar. 3. (i) u Symhésc ». de modo mais completo. g 1. mas perante a communhão de direito. porém. . Si o não fizer tem forçosamente de acceitar a fórma da lei local. desde os primeiros tempos foi reconhecido de modo geral (8). sem a intervenção deoffi-cial publico. 33. g 2. 168 e 1K3. art. a lei local quanto á fórma será muito naturalmente a adoptada. 3. 39. porém. I. TEIXEIRA DB FREITAS. art. Isto. O principio de que a fórma dos actos se rege pela lei do logar em que elles são celebrados. ari. O de que a sociedade internacional precisa é de uma lei. § 36 I I LEGISLAÇÃO COMPARADA B n Já se fez allusão á legislação brasileira sobre a matéria deste capitulo. i58. quer dizer que ella foi acceita como se acceita um conselho e que a fórma impressa de accordo com a lei do logar deve ser acatada como válida e bôa onde fôr apresentada. mas convém expol-a. (1) Ora. ns. não repugna acceitar a lei de qualquer das partes. 737. « Direito civil». porque a pessoa pôde recorrerão agente consular ou diplomático de seu paiz. 406. agora. Quanto aos actos authenticos' ainda ella é facultativa. entende que as leis francezas reguladoras <\a fórma dos actos são obrigatórias para todos os que residem na França (*). na sociedade internacional.

CARLOS DE CARVALHO. de 24 de Janeiro de 1890. a lei brasileira não regulará a forma dos actos aqui celebrados por extrangeiros. Por outro lado. Por outro lado. ás regras de seu estatuto pessoal. o contracto pôde ter sido ajustado para executar-se fóra da Republica e no emtanto nella se tornar acciona-vel (*). algumas excepções estabelece a lei pátria quanto á validade da forma dos actos segundo a lei extrangeira. 737. portanto. resalta do conjuncto das disposições citadas que o legislador pátrio teve a intenção de submetter a forma dos actos obrigacionaes celebrados por brasileiros no extrangeiro. Exequíveis não quer dizer accionáveis . 4.188 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Em relação aos casamentos. os actos celebrados por brasileiros no extra ngeiro devem revestir a forma pres-cripta na lei brasileira para que sejam exequíveis no Brasil (*).. •■ ( 2) Reg. 181. si se destinarem a ser executados no Brasil. si este fôr authentico. j} 2 e art. . art. são manifestos. Em primeiro locar. alei brasileira só regerá a forma do acto. do Reg. 47. Todavia. porque a matéria não foi organisada sob um ponto de vista geral e systematico. 4. havendo no logar cônsul brasileiro. principalmente. quanclo é certo que nem sempre esse logar pôde ser previamente determinado. i Não obstante. o dec n. « Código commercial ». art. a sua forma em qualquer parte deve obedecer ás preseri-pções da lei brasileira. TEIXEIRA DE FREITAS. nesta parte. Os actos privados dispensam a intervenção de um official publico. Os defeitos da legislação brasileira. nota ao art. art. 3. 407 . 34. « Direito civil ». ( 3 ) Julgado da Corte de apoellacão do Districto federal. 737 cit. (1 ) Veja-se adeante o J 40. «Consolidação ». « apud » BENTO BE FARIA. art. Parte o legislador brasileiro da supposi-ção de que a lei do logar da execução é que deve determinar a forma dos actos. confirma especialmente a regra (*). estabelecida a retorsão pelos outros Estados.

. CARLOS DE CARVALHO. (2) Lei n. 2..... porém. Outras disposições da lei pátria que se resentem da mesma falsa idéa são as seguintes: a) Si a escri-ptura publica íôr da substancia do acto.^..J. mas confirma o que acaba de ser dicto. art. Assim.CLÓVIS BEVILÁQUA l8ç) ^. Dahi o art. art. r„i»^. g 1. Este artigo causou certa extra-nheza a TEIXEIRA DE FREITAS (*)... contém disposições especiaes que a jurisprudência tem gcneralisado. não produzirá eífeito no Brasil o instrumento particular (a). .. não poderá o brasileiro realisal-o. adherindo francamente a essa regra...... . n.„.... 169 A. 35. art..^. si o acto não exigir no extrangeiro forma authentica e no logar não houver cônsul. Não attendeu o legislador brasileiro a que o reconhecimento da regra locus regitactum é uma expressão da harmonia e do respeito que deve existir entre os povos cultos c a que.. 570.---------------------------------. (4) Pondere-se que a Ord.^. 59. presumir que as dividas entre brasileiros no extrangeiro foram contrahidas conforme a legislação nacional..... 79....... 3. b) Os contractos celebrados em paiz extrangeiro não produzem hypotheca sobre os bens situados no Brasil. ... \ 2 e art. 4 e Dec. (3 ) Dec. «Direito civil». contém uma disposição geral acceitando sem restricções a regra «locus regit actum» e que o Reg..^' [ sempre que tal fosse possivel...:... 737. No direito da família. com as formalidades e condições determinadas na lei brasileira (8). já se nota outra orientação. 1. porque a forma do logar da celebração é considerada efficaz para o casamento de brasileiros no extrangeiro (')• Somente com o código civil poderíamos reduzir essas disposições desencontradas ( 1 ) « Consolidação ».. Os actos celebrados por brasileiros residentes em paiz extrangeiro sob a forma de instrumento particular devem ser authenticados pelo agente consular brasileiro para produzirem effeito no Brasil. . concorreria para facilitar o advento e dilatar o âmbito da communhão jiridica. de 16 da Janeiro de 1890.. 5. assim como as outras leis citadas..w. .... do regulamento 737. art. de 2 de Maio de 1800. art. 410 e nota. salvo o direito estabelecido nos tractados ou si forem celebrados entre brasileiros ou estipulados em favor destes nos consulados. 124. de 23 Agosto de 1892...

como em mais de um logar o código a presuppõe. art. 9. mas que os tríbunacs regionaes têm reagido no sentido de considerar a regra facultativa- . de onde se deprchende que o tribunal de cassação tem vacillado. E peró in facoltá de disponenti p contraenti di seguire le forme delia loro lekge nazionale. sob a forma holographa. A doutrina e a jurisprudência ampliaram essa concessão a todos os actos privados. valesse plenamente a lei pessoal de uma delias. Apezar de ter sido eliminado do projecto do código civil francez um artigo em que era expressamente consagrada a regra locus regit acíum. a que fosse adoptada por accôrdo dos interessados. imprímindo-lhe feição mais conforme aos bons princípios da sciencia. I Vejamos. neste ponto. Poderia ir um pouco adeante e pcrmittirque. 999. puerché questa sia communea tutte le parte. Eis o que elle prescreve: Le forme estrinseche degli atti traviviedi ultima volontá sono determina te dal la. 1904. Encontra-se n indicação da jurisprudência em CLUNET. Mas a doutrina ainda não encarou esta face do assumpto com a attenção de que elle é merecedor. o principio faz parte integrante da legislação franceza e o seu caracter íacultativo resulta do art. O código civil italiano. guiadas pelo principio da reciprocidade. as legislações dos outros povos. até no caso de serem as partes súbditas de Estados diíferentes. pags. legge dei luogo in cui sono fatti. das disposições preliminares. fazendo funccionar subsidiariamente a pessoal do individuo. dá preponderância. Podemos subscrever o juizo da maioria dos escriptores e dizer que esta é a boa doutrina por attender aos interesses"da sociedade internacional sem levantar obstáculos' aos justos reclamos do nacionalismo. á lei do logar. (1) Veja-se o que ficou exposto no í anterior. agora. 55-58. reconheceram geralmente que tanto o francez no extrangeiro como o extrangeiro na França podem optar ou pela forma de seu estatuto pessoal ou pela do direito local (l).IÇ)0 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO á unidade. e. que auctorisa o francez a testar no extrangeiro.

H O hespanhol. acceita. No Projecto de código civil suisso ha uma disposição (tit. dispõe por este modo: «As formas e solemnidades dos contractos. 11. que a lei do logar regule a forma externa dos contractos. disposições ou convenções concedidas no extrangeiro». mas faz intervir a noção de ordem publica para afastar a lei extrangeira. art. sentenças. 3. Exclue da regra os actos praticados no extrangeiro em fraude á lei do cantão e os quu estão sujeitos a certas prescripções imperativas como os direitos reaes. n. final. todavia. Quando esses actos forem celebrados no extrangeiro por agentes diplomáticos ou consulares. apenas diz: «a forma de todos os actos é regida pela lei do paiz onde se passaram ». A ordem publica interna impõe uma determinada . do código civil dos GrisÕes reconhece a validade da forma externa dos actos celebrados no extrangeiro. O código civil de Zurich. observar-se-ão. quando obedece á lei local e o faz de um modo mais amplo do que o de Zurich. Não obstante o que fica disposto neste artigo e no precedente. 5. 2. quaesquer que sejam as leis. testamentos e actos públicos se regulam pela lei do paiz onde se realisarem. na sua redacção. art. podendo. aos actos e aos bens.CLÓVIS BEVILAQÚA ioj O código civil hollandez. em principio. as leis prohibitivas concernentes ás pessoas. as solemnidades estabelecidas pelas leis hespanholas. o que tem dado logar a indagarem os criticos si a prescripção impõe imperativamente a regra e si além das formas extrínsecas também os habitantes se sujeitam á lei do logar. o que é manifestamente um equivoco. art. V ) que põe as formas válidas segundo a lei extrangeira do logar da celebração do acto em posição de egualdade com a lei suissa. 10. ser empregada a forma prescripta pela lei zurichense. O art. as que têm por objecto a ordem publica e os bons costumes não perderão seu effeito.

Supponha-se um casamento de suissos celebrado num Estado da União norte-americana onde não se requer uma forma solemne para esteacto de alta importância. disposição da primeira parte. depois de acceitar a regra locus regit acíum em seu art. para deixar espaço á ordem publica internacional que náo tem applicação ao caso. porque a ordem publica suissa requer certas ritualidades que são tidas por essenciaes á celebração do matrimonio? Absolutamente não. Pois si. deste artigo não se applica a negocio pelo qual se estabeleça •um direito real ou se disponha de um direito desta espécie». Pergunta elle que leis são as que o legislador considera reguladoras da relação e o que se pretende significar quando se fala de relação de direito consti- . ENDEMANN náo poupa censuras a este dispositivo. Dir-se-á' que o acto não é válido. entretanto. Na ordem internacional ella desapparece. I I Um exemplo esclarece melhor a idéa propugnada. porque ha de sel-o em Outros casos ? O Projecto belga também. abre excepções. não pôde actuar no paíz onde o acto foi celebrado.ÍQ2 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO forma e dentro do paiz não pôde ella ser postergada. no art. mas essa ordem publica restring2-se ao território nacional. segundo alínea. E'. 10. A. quanto aos actos authenticos e holo-graphos. Eil-o textualmente : I « A forma de um acto jurídico determina-se pelas leis reguladoras da relação que constitue o objecto do mesmo acto. a ordem publica interna quanto á forma é inoperante. 11. suftlciente observar a lei do logar em que o negocio se realisou. O modo pelo qual redigiu o legislador allemão o art. em assumpto de tanta relevância. 11 da Einfucrunggeset\ não foi muito feliz.

que as deficiências e obscuridades deste artigo provêm da circumstancia de se terem eliminado outras que no projecto de código civil lhe serviam de antecedente e complemento. nota 6 : Jetztaber ist. im Art.. sendo uma das condições de sua validade. g 2 » ( ). a 8 regra locus regit acíum. entretanto. . Depois de outros reparos e duvidas parece-lhe que a « pouco hábil fedacção » (die wenig geschickten Umschreibung ) apenas quer dizer : « regula o direito do logar a que pertence o acto juridico por seu conteúdo e pelos interesses que encerra». ■ ( 3 ) Em CLLNET. dass ein Rechtsverhaeítniss den Gegenstand emes Rechtsgeschaeftes bildet': . Por motivos de ordem pratica e no intuito de evitar os inconvenientes que resultariam. 1899. diz elle. entre vi-} «Einfuerung». de que a forma de um acto juridico. tolerando-se. da applicação rigorosa do principio. parte. I. sob o ponto de vista das transacções. deve reger-se pela mesma lei que rege as outras condições. § 18. 11. | a365. attendendo-se. Sempre benévolo com o legislador de seu paiz. São ruinas do primitivo articulado que deixam perplexo o interprete (2). a titulo facultativo. (2 ) «Loco cita to». eminentemente justa. I. Explica. que a forma do acto obedeça alei extrangeira em vigor no logar da celebração. 27.«O código civil. KEIDEL não vê os mesmos embaraços.CLÓVIS BEVILÁQUA tuindo objecto do acto juridico ? (*). é acceita com a maior latitute. ais Rume Stehen gebliben. 1 : WelscheGesetze sind ober fuer einderartiges Rechtsverhaeítniss massgebend : und was hat man sich uberhaupt darunter vòrzustellen. u. pag. manteve. da idéa. De modo que o aluguel de uma casa situada na Allemanha se fará segundo a lei allemã. com a restricção do art. afinal. 25 No direito inglez a regra locus regit formam actus .

los contratos hechos y los derechos adquiridos fuera dei logardel domicilio de lapersona. 8 do código civil argentino. encontramos. um reconl mento de filhos celebrados por extrangeiros segundo a lei de sua pátria. si no son conformes a las leyes dei país. Melhor redigido. respecto de los bienes situados en el território. ás solemnidades especiaes reclamadas pela lex rei sitce para a constituição dos direitos reaes (1). no g 676 de seu « Privatc inteniational law : Therc is a praccical concur-rence of Englisch and American jurist in the position that the mode of so-lemnization or a íthcntication of a document will.194 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO tanto. 6 eoda Colômbia. no valdrán las escrituras privadas. § 197). que reglan la capa-cidad. o citado art. 21 e 22. U Précis i>. nlo se poderia provar na Colômbia ti a lei locai nlo exigisse instrumento publico. é o art. son regidos por las leyes dei logar en que se han verificado . Um pacto antenupcial. uma disposição em que se misturam as leis de forma eas de capacidade: Los actos. porém. I.ternatioiíal law. estado y condicion de las personas. á America do sul. O segundo assevera. n». . Depois de ter dicto o artigo 17 : La forma de los instrumentos públicos se determina poria ley dei país en que hayan sido otorgados. O Congresso de Montividéo derrogou. agora. 18 do código civil chileno. mostram os absurdos a que daria logar esse preceito d eí si o fossei 1 obsirvar rigorosa menti. | E. bc considered satisfaclory. Passando. transladaram os dispositivos do chileno com a errónea doutrina do seu art. (2 . 114-115. n. UaiBB c CHANFIAC. de conformidade com as prescripeões da lei local. não contendo melhor doutrina. 18 (*). cualquiera que sea la fuerza de estas en el país en que hubieren sido otorgadas. 18 accrescenta: Enlos casos en que las leyes chilenas exigirem instrumentos públicos para pruebas que han de rendir-se i producir efecto en Chile. of in accordance with the law of the place of solemnization. in general. no} 683 acenscenta que se devem ainda cumprir as formalidades exigidas pela «lex reisitae» par» a validade da transi. quasi por (1) E' o que ensinam WASTELAKE e WIIABTOX cm desacordo com o que se íé em alguns tractados francezes ( DESIMGNBT. pêro no tendrán ejecucion en la Republica. «Trilado de dereebo civil coloml o». no art. cia da propriedade. art.lawof the place where it was made are sufticient for its externai válidity in England» (Privatc ir. O primeiro dos escriptores citados diz: «The formallties required for a contract by th_. arts. 3(8). O código civil do Uruguay.

A regra refere-se á forma de todos os actos. no art. do titulo preliminar. 32 do tractado sobre direito civil internacional dispõe : La ley dei logar donde los contratos deben cumplir-se decide si és necessário que se hagan por escrito y la caiidad dei documento correspondiente. mas não é obrigatória. g Único. «No que respeita á forma dos actos jurídicos e solem-nidades dos respectivos instrumentos públicos ou particulares. A Conferencia de Haya não se occupou com o principio em sua generalidade.•CLÓVIS BEVILÁQUA IQ5 completo. articula TEIXEIRA DE FREITAS (*). 24 do Projecto de FELÍCIO DOS SANTOS. art. 85i. porém. Los instrumentos privados por las leyes dei logar dei cumplimento dei contrato respectivo. estabelece l( 1) «Esboço». . O art. si o acto tiver de produzir seus etfeitos no Brasil ». a regra locus regit actum. 48. poderão guardar a forma estabele cida pela lei brasileira. sua validade ou nullidade será julgada pelas leis ou usos do logar em que os actos se realisaram. é assim concebido: «A forma extrínseca dos actos será regulada pela lei do paiz onde forem celebrados. si as partes não houverem observado a forma e solemnidade das leis de seu domicilio ». todos brasileiros. I I N ABUCO. 39 addiciona: Las formas de los instrumentos públicos se rigen por la ley dei logar en que se otorgan. O art. O art. poderíamos dizer que o grande jurisconsulto achara a fórmula definitiva para traduzir a verdadeira doutrina. H Os Projectos de código civil brasileiro não esqueceram a efficacia extraterritorial da forma dos actos. Sendo. os que tive rem parte no acto. mas acceitou-o quanto á celebração do casamento. Si não fosse a preferencia aqui dada á lei do domicilio sobre a nacional.

No art. para maior clareza. manteve inalterada a disposição transcnpta. O art. «A forma authentica dos actos públicos ou particulares. no extrangeiro. No Projecto Coelho Rodrigues o assumpto é assim exposto: «A forma authentica dos actos públicos ou particulares é regulada pela lei do logar e do tempo em que se praticam. segundo a intenção das partes. ainda que auctorisada pela lei do logar onde se passar o mesmo acto» (art. ao tempo em que o acto fôr exequível ou durante o curso da acção movida sobre o mesmo acto. não a collocassem em funcção no processo. Referindo-se á forma authentica. no art. «Quando a lei brasileira reguladora do acto exigir uma forma positiva em logar determinado. 5o consagra uma restricção: «A forma do acto será regulada pela lei do Brasil quando elle tiver por objecto bens de raiz situados no Império». O Projecto actual. permitte que os contrahentes da mesma nacionalidade observem a forma estabelecida pela lei de seu paiz.f .IÇ)6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO a regra em termos geraes: «A forma extrínseca dos actos seguirá a lei do logarem que são celebrados». é regulada pela lei do logar em que se praticam». na qual intervém um official publico. Ha nestas disposições evidente confusão entre o] direito interno e o externo. art. a idéa de tempo nellas intercalada bem o mostraria si. 19. 11. da lei preliminar. Si o acto exige forma authentica. 27 da lei preliminar). esse será julgado válido e o auctor condemnado nas custas do processo» (art. fôr bastante sob a lei vigente. as partes não poderão dar-lhe outra. diz o Projecto primitivo. da lei de íntroducção. sinão a estabelecida pelo direito extrangeiro a não ser que o acto possa ser celebrado perante o agente diplomático ou consular do paiz a que pertencem as partes. deficiente sob a lei anterior. deixou o Projecto a forma puramente privada para ser regulada livremente ou pelo direito local ou pelo estatuto pessoal. e esta não pôde ser. si a forma. Todavia. i*. 49. 28 da lei citada).

I. em beneficio dos que agem de bôa fé. pag. art. 3a. WEISS. (3) PILLET. «Príncipes». FIORK. ns. g 10. «Processo». Si os meios de prova são fornecidos pela lei que presidiu á celebração do acto. ao processo (»). «Código civil italiano». I. ASSER et RIVIER. pags. 631. art. se serviram as partes da sua lei nacional para dar forma jurídica ao acto. Assim devendo pro-ceder-se ao interrogatório das partes ou a outro acto (1) CARLOS DE CARVALHO. si esta lei é que lhes determina admissibilidade. 184-187. ri. «Manuel». IOJJWMSS. 11." parte das disposições «reliminares. 10. J0Á0 MONTEIRO. «Actual». esta. I. si a lei com mu m das partes auctorisar meios mais amplos. Mesmo quando a lei acceita. 38. «Droit international prive». que tem o instrumento lavrado. «Manuel». do tit. 174. art. «Elements». «Lommentaire». o modo de produzir a prova em juizo pertence á lex fori. art. assim como o belga nos arts. §269. FELÍCIO DOS SANTOS. «Commentaire». art. art. PILLET. 58. entretanto. . Huc. Convém. «. Cumpre ainda fazer uma distincção. n. da lei deintro-ducção. lé que deve ser invocada para fornecer os mejos de prova ( ). «Príncipes». 628-629. Effectivamente. Huc.CLÓVIS BEVILÁQUA 197 §37 PROVA DOS ACTOS As leis referentes ás provas dos actos relacio-nam-se intimamente com as que respeitam a sua forma. I. foi a do logar da celebração do acto. .(Projecto belga». da lei preliminar. 20. (2) Vc jam-sc os «Projectos»: COELHO RODRIGLES. 41. «Direito civil». evidentemente. «Projecto». Si. § 268. 2. COELHO RODRIGUES. si é licito dar ao acto a forma estabelecida pela lei do logar de sua celebração. é intuitivo que essa mesma lei decida si a forma foi legitimamente observada. art. çag. porque é matéria que se prende. preliminar. «Projecto». naturalmente. 12. «Primitivo». e ainda a que provas subsidiarias podem os interessados recorrer na deficiência de prova directa. em vez da lei local. «Projecto» NABUCO. citados na nota anterior. devem estes ser admittidos (2). PRIMITIVO e actual. 174. quanto á forma. dar maior largueza ao principio. da lei preliminar. art.

a admissibilidade da prova testemunhal depende da «lex fori». Apenas a essas se podem addicionar novas. 291 e segs. A lei reguladora da forma admitte a prova testemunhal. si não se quizer condemnar esse direito a uma irremediável incerteza. que obdecem á lei que rege o próprio direito contestado (-). . as formas (i) FIORE. o autor citado. continua. que comporta a contestação. entendendo que a sua admissibilidade depende da lei que presidiu á formação do acto. ser determinados no próprio dia de seu nascimento e somente alei que preside a esse nascimento os poderá determinar. todas as duvidas se dissipam. razão para distinguir esses dois momentos. é preciso saber ainda de que maneira serão invocados. 629. I. pag. mas o modo de inquirir as testemunhas ha de ser regulado pela lex Quanto á prova testemunhal. já concerne á instancia judiciaria e deve ser apreciada pela lex fori (l). dizia DEMOULIN» (3). n 18S. mas que sendo ella invocada para contestar o conteúdo de um acto escripto. então. Para WHARTON ($ 769). E' neste ponto que intervém a lex fori. como não ha razão para acceitar a distincção de BROCHER entre presutnpções do homem. que se regulam pela lex fori e presumpções legaes.• I !()$ DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO processual similhante é natural que o juiz observe as formalidades de sua própria lei. cuja existência ella estabelece. «Droit international prive». porém. Não ha. porque servem ellas para facilitar o esclarecimento da verdade jurídica. Acceito este principio. Diversitas fori non debet meritum causce variare. É a lex actus que fixa as provas. que é a expressão da justiça. Os meios de prova admissíveis devem. (2) «Nouveau traité de droit international prive». fori. A verdade está com o illustre WEISS: « A prova não se pôde isolar do direito. «Mas. muitos auctores fazem reservas. (3j «Manuel». A lei do tribunal regulará. pag. de accôrdo com a lei commum das partes. uma vez determinados os diversos modos de prova.

|g 370-971. talvez. na hypotnese prevista no texto. Seria. em sua forma primitiva. mas sim do estatuto pessoal deste. da lei de intro(1) «Manuel». dizia. não seria muito que. Exemplos esclarecerão o que aqui se tem em vista. valerá a lei pessoal. a prova obedecerá á lei da obrigação. 631. a prova não está relacionada com uma declaração de vontade. Em resumo: a regra locus regit formam actus refere-se aos actos jurídicos quanto á forma e aos meios de prova. . por meio de convenções interna-cionaes» (i). | § 38 | DA PRESCRIPÇÃO O Projecto de código civil brasileiro. nestas incertezas. a tomasse por subsidiaria da lei nacional. Appare-cerá. «Príncipes». Aos juizes cabe resolver. As consequências da restituição do titulo da divida pelo credor ao devedor não se subordinam á lei do logar onde o facto se deu. Ainda que não contenham essas provas cousa alguma contraria á ordem publica internacional.CLÓVIS BEVILÁQUA igg da verificação do escripto. si fòr um direito obrigacional. 21. . a lexfori não indica o processo! a seguir para sua administração. da falsidade civil incidente. A presumpção pater is est quem jus toe nuptice demonstrant não depende do logar em que se verificou o nascimento do filho. Em alguns casos. um 'serio embaraço. mas os factos juridicos que não são declarações de vontade são extranhos a essa regra (2). si fòr um direito real decidirá a lex situs. no art. pag. (a) PILLKT. possivél vir em seu auxilio. quando á lex fori não conhecer as mesmas provas que a lei que rege a essência do litigio. da prestação do juramento. Assim como o juiz pôde applicar a lei substantiva extrangeira. então deye-seatten-der ainda á essência do direito e si fòr ellé relativo á capacidade das pessoas e as relações de família. muitas vezes. do inquérito. mas alei que rege a obrigação. sem desprestigio da soberania do Estado.

. < ~ (2) CLUNBT...... o principio geral não soffre duvida........ pois...... A regra particular relativamente aos moveis. Deve-se.. portar to... ducção: «A prescripcão extinctiva é regida pela lei do logar em que se originou a obrigação ea usucapião pela da situação dos bens..... fundados na idéa de que tudo quanto respeita á execução das obrigações deve estar submettido a lei do logar em que a execução se effectua. entretanto..... pag. rigorosamente. como a prescripcão extingue a acção.... A prescripcão é meio de defeza do réo... --. O primeiro principio é insustentável e o segundo é incompleto quanto aos moveis.. 67-81...pags. 20. 1894. fere o direito em um de seus elementos. notar que os moveis de que aqui se tracta são os de localisação permanente..... i5. ... é aconselhada pela equidade.. o logar da acção decidirá dos prazos da prescripcão e de suas condições jurídicas. que.. pags... ...MIJJ-I RES.. Mas.... por ser matéria da parte geral do (i) Diz o art.......... . deve depender da mesma lei que preside á existência do direito.... que mudam de situação.. a jurisprudência franceza tem vaciliado..... os julgados fazem-na 2 depender da lei que vigora no domicilio do devedor ( )....... da lei preliminar: .......... V.... O absurdo é evidente. .. os outros seguem o estatuto pessoal do proprietário.. Quanto á usucapião. devendo-se entender que a prescripcão das acções se regula pela lei do logar onde estas forem propostas C)ea usucapião pela lei do logar da situação... 141 e 5i 1. em CLUNET. esta será regulada pela lei da situaçãodelles ao tempo em que se consumar». pelo «projecto actual».. -..... . Pôde concluir-se....... Da forma actual desappareceu este dispositivo... isto é. Neste logar. só se devia tractar da prescripcão..„ ... Em geral.. iSg5........... 1900.. «os meios de defcza são regidos pela lei do logar onde se mover a acção».-..200 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO | •. Si estes forem moveis que tenham mudado de logar en:re o começo e o fim do prazo da usucapião.. Quanto á prescripcão das acções pessoaes.... da lei que preside á formação do vinculo obrigacional ou a constituição do direito defendido pela acção que se tracta de saber se está ou não prescripta....... E' a lei da situação que a regula....-WEILLES-SOM.....

como a doutrina deu historicamente uma forte connexidade aos dois institutos. a prescripção e a usucapião. nenhum mal virá de que aqui appareçam unidos.CLÓVIS BEVILÁQUA 201 direito civil. mas. havendo pouco que dizer a respeito delles em direito internacional privado. .

. .

GRASSO. g 107. . GRASSO. 50. «op. para a opinião mais geralmente acceita. 5io. 8 86. Tal impedimento não deve ser respeitado nos paizes cultos. WHARTON. 441. | 15c. pag. «Droit international prive». . declarando a morte civil de um dos cônjuges.CAPITULO IV Direito da familia § 39 CAPACIDADE PARA CONTRAHIR CASAMENTO I. Assim é a lei nacional dos contrahentes que se deve consultar para saber si não ha contra elles algum impedimento matrimonial (1). si uma lei. n. 514. (2) FIORIS. WEISS. BAR. Assim. n. «Lehrbuch». «Manuel». considera o outro habilitado para contrahir novas núpcias. «Droit international prive». II.». 5i6. cit. a lei nacional. «Direito internacional privado». pag. por oífensivo da liberdade natural e da egualdade civil (3). WHARTON. g 17. . . . não se lhe deve attribuir effeito extraterritorial. PIMENTA BUENO. «Diritto internazionale privato». que é. (3) FIORE. mas (1) PIORE. «Private international law». a capacidade dos nubentes deve ser apreciada por sua lei pessoal. O principio vale para todos os casos. A lei nacional do ottomano permittelhe a polygamia. porque a morte civil é instituto puramente territorial (*). n. pags. «Diritto internazionale privato». «Droit international prive». 439-440. E* inútil descer a minudencias. § 86. WEISS. salvo si a ordem publica internacional se lhe oppõe. Alguns Estados da União norteamericana prohibem o casamento de seus cidadãos com pessoas de còr. por exemplo. De accôrdo com o que foi exposto no § 26. «Manuel».

47. «op. que a expõe como abraçada por STORY. g £ I3O-I3Í. g jj 134-136. da lei preliminar. (a) WEISS. «op.1 pag. 441. II. da convenção dessa mesma cidade.204 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO elle não poderá. . Os projectos de código civil têm se mantido fieis a essa doutrina (4). Na Inglaterra e nos Estados-Unidos da America do Norte a opinião commum é que a capacidade para contrahir casamento deve ser regulada pela lei do logar da celebração (5) e neste sentido WESTELAKE e ARNTZ apresentaram uma proposta ao Instituto de direito internacional. oLuxemburg. e CLUNET. em qualquer paiz do occidente.. a Itália.. «op. Entre nós. pag. o nosso direito consuetudinário a que o dec. (3) «Ápud» CONTUZZI. i. de certos ministros protestantes. pag. 1. n. (4) «Projecto primitivo». «Projecto actual». cit». 1904. 181. cit».. a Áustria-Hungria. a Hespanna. art. (5) Veja-se WHARTON. «Commcntaire des conventions de la Haye». 516. WEISS. a Suécia e a Suissa. de 24 de Janeiro. cit». entre christãos e judeus ou heréticos não têm força . «op. a Bélgica. «op. art. como os que se reíerem ao casamento de padres. a França. Adheriram a esta convenção: a ilollanda. de longa data. cit». «op. WHARTON. 44!).. pr. salvo si uma disposição dessa lei se referir expressamente a outra » (:ll. celebrada a 12 de Junho de 1902. GRASSO. é concebido nestes termos: « O direito de contrahir casamento é regulado pela lei nacional de cada um dos futuros cônjuges. 752. de monges. 22. Portugal. art. cit». foi elle.] extraterritorial (2). A doutrina aqui exposta recebeu da Conferencia de Haya a consagração a que tinha direito por sua justiça. estando em vigor o primeiro (l). and by a long series of Englisti and American judges. Foi também esta a opinião que prevaleceu no Congresso de Montevideo ( 6 ). cit». BISHOP. WHARTON. deu forma escripta. 11. 8. (6 í «Tratado sobre direito civil internacional». a Allemanha. O art. 5o. jf 86. pag. os impedimentos de ordem puramente religiosa. Mas contra ella se _(1) FIOBB. art. cit». «õp. pretender realisar um segundo casamento. n. da lei de íntroducção. I Por outro lado.

91. e WHARTON opina que a capacidade matrimonial é matéria de policia nacional de tal modo que os juizes são obrigados a dar força aos intuitos do Estado a que servem.CLÓVIS BEVILÁQUA 20D levantam as objecções que já foram apresentadas contra a theoria territorial.0. art. quando este é o paiz em cujo nome falam. n. § i65 . Quero eminente jurista. cit».°. «op. (2) «Apud» WHARTON. escriptores de grande nota sustentam doutrinas difterentes. 3. á prohibição absoluta de contrahir casamento. a lei brasileira e diversos auctores combinam. de combinação. III. 102. contra os precei tos da moral e as regras do direito que lhe parecem essenciaes a essa organisação social.J ( 3) «Private international law». 2 da citada convenção de Haya: « A lei do logar da celebração pôde interdizer o casamento dos extrangeiros. 172. Realmente. como havemos de ver. attentado contra a vida do cônjuge de um delles. 2. i( 1 ) «International law».". a lei nacional dos nubentes com a do logar da celebração.. Observa elle que não é nenhuma novidade o que pretende. o hespanhol. aos graus de parentesco ou de afíinidade para os quaes haja uma prohibição absoluta. que seja contrario a suas disposições concernentes: 1. com esta sua theoria. edictada contra pessoas condemnadas por ter. k| Apezar do que se disse a respeito do direito inglez e norte-americano. onde quer que seja. 16'í. combinar o estatuto pessoal com a 3 territorial de modo lei a dar preponderância a esta ultima ( ). sob os auspicios da ordem publica. edictada contra os culpados de adultério em razão do qual o casamento de um dos dois foi dissolvido. art. WHEATON (*) PHILIMORE e BROUGHAM (-•) declaram-se pela lei do domicilio. á prohibição absoluta de contrahir casamento. Nenhum Estado pôde conservar-se indifferente a que os seus súbditos con stituam famílias. o código civil italiano. a Convenção de Haya. Declara o art.

segundo a lei indicada no art. exhibindo certificados ou outras provas. pags. quer por outro qualquer meio de prova. Os extrangeiros devem. O que dispoz o «Projecto primitivo». da lei de introducção. não obstante asprohibições da lei indicada pelo art. acha-se no | 10 deste livro. em razão de casamento anterior ou de um obstáculo de ordem religiosa seja contrario a suas leis. do art. que se publiquem proclamas no paiz de origem afim de se tirar a limpo a verdade. Esta justificação farse-á. provar que preenchem as condições necessárias.2o6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO O casamento celebrado contra uma das prohibições mencionadas acima não será inquinado de nullidade. 23-26. contanto que as convenções internacionaes ou as auctoridades do paiz da celebração reconheçam a justificação como sufficiente» (*). 1. Em virtude deste art. 5o-5i e CLUNST. pags. 1904. < 1) Vejara-se CONTUZZI. A violação de um impedimento desta natureza não poderá acarretar nullidade do casamento nos outros paizes que não áquelle onde o casamento foi celebrado. Os outros Estados têm o direito de não reconhecera validez do casamento celebrado nessas condições. nenhum Estado contractante se obriga a fazer celebrar um casamento que. as pessoas que se casam no extrangeiro devem provar que se acham em condições de se casar de accôrdo com a lei de seu paiz. cit. Art. quando for válido segundo a lei indicada pelo art. E' preciso. 732753. 4. arts. Sob a reserva da applicaccão do primeiro alínea. . 3. para casarem-se. Art. i (lei nacional).». da presente convenção (casamentos celebrados perante agente consular ou diplomático). i (lei nacional). top. A lei do logar da celebração pôde permittir o casamento dos extrangeiros. 4. 6. quer por um certificado dos agentes diplomáticos ou consulares auctorisados pelo Estado de que os contrahentes são súbditos. portanto. quando essas prohibições são exclusivamente fundadas em motivos de ordem religiosa.

que se casam no Brasil.... art.. .. 181. é determinada pela lei do paiz a queelle pertence. O preceito do art. 81. o extrangeiro tem de provar que em seu paiz foram feitas publicações do casamento de que se tracta..... como são os que tornam o casamento nullo.... n.. como declarou o governo brasileiro em nota alegação britannica (*)..w-l O art. deve ser entendido no sentido de submetter os extrangeiros..... 5. combinada com a pessoal. os extrangeiros com dois annos de residência na Hespanha.. Este preceito deve ser entendido sem prejuízo da lei pessoal das partes. «Direito civil». 48... Entretanto. cit.. mandam publicar na França os casamentos dos francezes celebrados no extrangeiro... A segunda parte deste artigo corresponde ao art.... do citado decreto.... Si não ha dois annos de residência. cujas palavras são as seguintes: «As disposições desta lei relativas ás causas de impedimento e ás formalidades preliminares são applicaveis aos casamentos de extrangeiros celebrados no Brasil».. «Vide» também «Direito»...... 7. •■-'• . não pode refenr-s« a extrangeiros que não exercem funccões de juiz ou escrivão. vol.. art. civil....' . Os arts... submette á lei territorial... O impedimento do ultimo g.... que o nubente se mostre livre de impedimentos no Estado de onde vem.. brasileiro de 24 de Janeiro de 1890... 91.. aos impedimentos de ordem publica internacional... Na França. Esta exigência está no espirito do decreto brasileiro citado quando applica aos extrangeiros as formalidades preliminares ao casamento. «Commentaire».. io3...... 447... I4a5.... para contrahir casamento.. a coacção e o rapto (dec. O código civil hespanhol.... opinião esta que se corrobora com a recordação de que o mesmo decreto quer....CLÓVIS BEVILÁQUA 207 . (2) «Spud» Huc. do dec.. o extrangeiro acha-se submettido aos impedimentos estabelecidos pelo código». no seu art... pag... II... 102 do código civil italiano dispõe: «A capacidade do extrangeiro. do art. 48 do dec.. (1) CARLOS DE CARVALHO.. 7. Os outros (8 8 10-11) devem ser exclusivamente da esphera da lei pessoal..... art.... jjgi—oe 9 11). a circular de 4 de Março de I83I.. completados e modificados pela lei de 29 de Novembro de 1901. 170-171 do código... Os outros (8 8 10-11) devem ser exclusivamente da esphera da lei pessoal. declara que um extrangeiro não se pôde casar na França sem obedecer ás prescripções da sua lei nacional (*).

é applicavel aos extrangeiros que se casam na Allemanha» . SAVJONV. A convenção de Haya sobre esta matéria é cheia de vacillações como so viu no # antecedente. Wmss. que correspondem ao 47 do decreto citado. art. «Lehrbuch». pela lei do Estado a que pertencerem. 13. . pelo menos.. Basta que o casamento seja válido. (3) Vejem-se os arts. «Private international law». Sendo o casamento um acto jurídico. jj 279. 447. 247. pag. para que como tal o respeitem em toda a parte (*). continúao art. art. quanto á forma. cuja lei exige uma celebração religiosa. quando.('*). diz qtie as condições pessoaes do casamento.UNBT. poderão não reconhecer como válidos os casamentos contra(1) Veja-se o commcntario de KEIDIÍL a este dispositivo. «Esta regra. serão regidas. 47: «O casamento' dos brasileiros no extrangeiro deve ser feito de accôrdo com as disposições seguintes: § i. WKSTI. VIU. «Precis». Seu art. «Private international law». do actttal. Conforma-se com este principio o dec. 5 reconhece a applicação da regra locus regit formam actus.208 DIREITO ÍNTÊMÃGIÕN^L PRI¥AD0 A'Einfuerungsgesetg. n. pag. Mas na segunda parte do artigo faz restricções: «Todavia entende-se que os paizes. appli-ca-se-lhe a regra locus regit formam actus. n. 541.AKE. 1899. 3o e segs. «Droit romain». «Manuel». «Droit intcrnational prive». } 169. WHARTON. pelo direito em vigor no logar da celebração. nestes termos: «Será reconhecido como válido o casamento celebrado segundo a lei do paiz onde se effectuou». a3 da lei de iniroaucção do «Projecto primitivo» t 208. pr. §40 CELEBRAÇÃO DE CASAMENTO I..° Si ambos ou um só dos contrahentes é brasileiro. cm CI. no que respeita a cada um delles. brasileiro de 24 de Janeiro de 1890. g 12: FIORE. j) 344. (2) BAR. Diss-PAGNBT. o casamento pôde ser feito na forma usada no paiz onde fôr celebrado» (8). II. um dos contrahentes é allemão.

g uniço. pr. com efficacia no Brasil.8 a. consequentemente podem os contrahentes. 11 (. 1899. Estados cujas leis differem consideravelmente. 3qe segs. 2. art.. combinado com o art. 47. 11. o portuguez.». art. neste ponto. 5i. porém. não se oppunha a que os agentes consulares c diplomáticos da Suécia celebrassem no Brasil casamentos entre súbditos daquclle P«"_ou entre um sueco e um súbdito de outra nação. 24. cit. «Projecto actuali. n. | ao. verdade jurídica. 37 . particularmente quando ambos pertencem á mesma nacionalidade.* ed. o hespanhol. ainda que os nubentes se achem na Turquia. exceptuada a brasileira («Relatório» do Ministro da Justiça. sem que esta prescripção tenha sido observada» (l). na China ou no Japão. 447. sendo possível. io65. pag. das leis do occidente. pag. «Relatório» do Ministro da Justiça do anuo de 1895.. (1) CQXTUZZI. Veja-se meu «Direito da família». art. Assim o código civil trancez. (3)Dec. pag. . art. como em alguns Estados da União norte-americana. Os códigos das nações cultas acceitam geralmente a forma do casamento prescripta pelo direito extrangeiro. 20S. o Ministro da Justiça declarou ao das relações exteriores que o dec. no que respeita ao assumpto agora examinado. 81 paa. 23.CLÓVIS BEVILÁQUA 20Ô hidos por seus nacionaes no extrangeiro. quando delias se utilisam os nacionaes que se acham no logar onde esse direito impera. obrigatória. de 24 Janeiro de \ 1800.-'). «Direito». da lei de introducçâo. 181. é que se deve acceitar a forma do casamento tal como a organisa a lei do logar da celebração. «Projecto primitivo». A regra locus regit actum não é. «op. 100. aEinfueruHggeset^. e tolera que perante agentes consulares ou diplomáticos extrangeiros se celebrem. o italiano. art. A. art. II. em CLUNET. art. perante o agente diplomático ou consular do Brasil (3).. (4) Em data de 21 de Dezembro de 1904. n. ' (2) Veja-se a respeito KKIDBI. recorrer ás formas da lei pátria. casamentos de extrangeiros pertencentes 4 ao Estado que as citadas auctoridades representam ( ). vol. A lei brasileira acceita expressamente estas vistas. CLUNKT. ainda que nenhuma ritualidade essa lei prescreva. de 241I2 Jaieiro de 1890. 170. 753. igo5). art. quando diz que o casamento dos brasileiros no extrangeiro pôde ser realisado na forma da lei nacional. 181. E' uma derogação inútil da regra.

quer se casem com francezas. bit. .U. (3) «Lei» de 4 de Março de 1870. pag. A convenção de Haya. 1894.». A reserva do segundo alinea do art. seja perante o cônsul do paiz a que pertença o nubente é nullo(l). já tantas vezes citada neste capitulo. em attenção á boa íc. Lehrbuch. I8Q3. 802. quanto á forma. 1900. art. 1897. g 18. arts. 5 é applicavel aos casamentos diplomáticos ou consulares» (l). mas relueta em acecitar a reciproca. 1904. 48. S80 c segs. i5t. quando um dos nubentes (naturalmente a mulher} c de nacionalidade trunceza.. Elle não se pôde oppôr. B»R. 753. «op.. no seu art. 9H6. reconhece os casamentos consulares e diplomáticos para os francezes que se acham no extrangeiro. pag. encontr-tm-se julgados concorde* em declarar nu lios os casamentos celebrados na França perante cônsules ou representantes diplomáticos. pode um tal casamento ser julgado putativo pelos I tribunaes francezes. CLUNBT. pag. 6: f Será reconhecido como válido. pag. pag. pag. o casamento celebrado perante um agente diplomático ou consular. seja na embaixada extrangeira segundo a respectiva lei. ' em CLUNBT. Confirma essa jurisprudência a nota que se ié no citado CI. KBIDEL. na conformidade da sua legislação. 1899. mas não é admissível na Allemanha um casamento similhante (0 Coirruzzi. (a) Em CLUNBT. pags. 10.|K) DIREITO INTERNACIONAL PÍIVADO JEste casamento celebrado perante agentes diplomáticos ou consulares é acceito com uma certa irregularidade pelos povos occidentaes. 960. B Mais rigoroso é o direito allemão.NKT. 5i-5a. a sm julgado «High Court» ingleza que considera válido o casamento celebrado na Franca entre uma ingleza e um francez perante o cônsul inglez. Os alie mães podem casar-se no extrangeiro perante os respectivos agentes consulares ou diplomáticos (a). 1898. quando se tractar de um casamento que. dispõe. 40. O direito francez (código civil. 1902. pag. seria contrario a suas leis. cm razão de um casamento anterior ou de um obstáculo de ordem religiosa. se alguma das partes contractantes não pertencer ao Estado em que o casamento foi celebrado e si este Estado nfio se oppuzer. modificados pela lei de 29 de Novembro de 1901. ou. pag. Apenas. 170-171). Assim a jurisprudência franceza esta fixada neste ponto: o casamento de um extrangeiro com uma franceza. quer com extrangeiras.

3o.-> hellenos no exlrangeiro se acceite a regra locus regií acíum. die im Inlnnde geschlossen wird. fundando-se no sentido meramente permissivo da regra locus rcgit actum. 2. 3.. Gi): Seront. pag. . 2 2.CLÓVIS BEVILÁQUA 21! de extrangeiros. 47. art. limita a competência dos cônsules aos casamentos entre varões belgas e mulheres extrangeiras. Não querendo remetter a matéria ao direito convencional. KKIDJX. seria vantajoso que os Estados ou limitassem a possibilidade dos casamentos consulares e diplomáticos aos casos em que ambos os cônjuges fossem seus súbditos ( 2 ) ou excluíssem delles os filhos do paiz onde funccionassem os agentes consulares ou diplomáticos para evitar justas suscepti-lidades.. não é somente o casamento consular que é afastado. n. Ha neste sentido uma resolução do Instituto de direito internacional («Annuaire». $ 18. BAR. (3) TYPALDO-BASSIA. porque o que os Estados não querem acceitar é a validade desses casamentos. art. ultima parte: Die Form einer Ehc. bestimmt sieh AUSSCHI. «loco citato». 1896. ao qual prestam apoio: FIOUE.IESSI. 1889. pag. 524. «Droit intcrnational prive».. também o é o casamento civil. III. i3. si les deux parties contrastantes appartiennent â ce pays. brasileiro de 94 de Janeiro de 1090. o que não solve a difficuldade. sustenta que o casamento religioso celebrado na França. (2) E o que determina o dec. quando um dos nubentes é nacional do paiz onde funcciona o cônsul ou diplomata.les manages diplo-matiquos et consulaircs celebres" dans les formes presentes par Ia loi du pays de qui releve la légation ou le consulat.. Tj A lei belga de 24 de Maio de i883. sem ser precedido nem acompanhado de (1) «Einfuerunggesetz». j reconntiR partout comme valables quant á la forme.. embora para a celebração do casamento do. Nestas condições. 01.. No império de além Rheno só se reconhece uma forma de casamento que é a da lei tudesca (x). Na Grécia a forma do casamento é religiosa e. pag. em CLUNET. art.ICH nach dem deutschen Gesetien.. II. ARSENE LAURENT. «Lchrbuch». com tudo a ceremonia religiosa é considerada8 condição indispensável á validade do casamento ( ).

181. Trid. possam casar-se no extrangeiro pelo simples concurso da vontade das duas partes que celebram o acto (*).» Sess. Depois. 268 e segs. a observância das formalidades preliminares e os impedimentos de ordem publica. si prevalecesse a opinião dos escriptores citados. WHARTON admitte que os súbditos norte-americanos. só considera válidos os casamentos celebrados no Brasil si o forem de accôrdo com as suas disposições.212 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO acto civil. do dec. (1) Em CLONET. do citado decreto. Além disso. § 170. suppondo que este seja o Brasil ou outra nação de legislação similhante. acceitando as disposições do Concilio de Trento. Collocando-se em outro ponto de vista e tendo em mente outros intuitos. quer na França. (2) «Private international law». quer no paiz a que pertencerem os cônjuges (lj. . o art. 48. os casamentos a que elles se referem seriam válidos nos paizes de origem e nullos no logar da celebração. Qui aliter quam presente parocho vel alio sacerdote de ipsíus parochi seu ordinarii licentia et duobus vel tribus testibus matrimonium contrahere attentabunt. porque as nações catholicas. naturalmente os oriundos dos Es tados que nenhuma solemnidade estabelecem para o casamento. (3) «Concil. iSg5. e os saneia svnodus ad sic contrahendum omnino inhabiles reddit et hujusmodi contractus irritos et nullos decernit pront eos presente decreto irritos facit et annullat (a). realisados em paiz cujo direito está secularisado. aliás não expressamente. querem o casamento realisado perante o parocho ou perante *um sacerdote devidamente auctorisado. produz todos effeitos. porque o art. de 24 Janeiro de 1890. 108. os casamentos religiosos. pag. aos extra ligeiros que se casam no Brasil. abrindo apenas u ma excepção. impõe. Desse modo. em favor dos casamentos consulares ou aiplomaticos. 9 No Brasil taes casamentos seriam inexistentes. são puramente nypotheticos. 34.

em principio. (3) Dec. n. Similhantemente dispõem o Código civil francez. \e]. da lei de introducção. 34. Devem ser registrados no Brasil os casamentos de brasileiros realisados no extrangeiro. a lei que.. „ „ .8 3.. Os casamentos celebrados no extrangeiro exigem proclamas publicados no domicilio nacional do contrahente ou seja este domicilio actual ou. A incapacidade das partes é determinada por seu estatuto pessoal. 34. I IV. italiano. 171. um delles voltar ao paiz ( ).am-se as providencias indicadas pelo «Projecto primitivo». art. As opposições serão levantadas perante a auctoridade competente do paiz extrangeiro ou perante o cônsul ou agente diplomático. art. Código civil francez. art. art. 181. . o ultimo que elle tiver tido no paiz (*). ai. (i) Dcc. 181. a*. art. determina a lei brasileira que os impedimentos oppos-tos a casamentos de brasileiros sejam devolvidos ao poder judicial do Brasil e só8 depois de solvidos por elle se consideram levantados ( ).47. . 101. art. três mezes depois da celebração ou um mez depois3 que os cônjuges ou. 47. 100. e que estabelece os prazos dentro dos quaes pôde a acção ser proposta. de 24 de Janeiro de 1890. 181. (a) Dec. Esta é.g 4. si forem estes os designados presidentes aa celebração. quando são taes que não revestem de efficacia jurídica o acto celebrado. 47. g 3. art. portanto. regula a matéria das nullidades matrimoniaes. n. na falta. «Projecto primitivo».citado. art. modificado pela lei de 29 de Novembro de 1901. de 24 de Janeiro de 1890. que determina quaes as pessoas competentes para propor a acção de nullidade. ao menos. 170.CLÓVIS BEVILÁQUA 213 E quanto aos casamentos sem forma. Neste ultimo caso. lembrarei cjue. já começa a reacção contra elles. n. §41 NULLIDADES As nullidades ou se referem á incapacidade das partes ou a defeitos de forma. e o italiano. mesmo nos Estados Unidos da America do Norte.

pags.' "■ •3 (3) FIORE. por exemplo. 476. fundados em motivos puramente religiosos. «Droit internationalprive». 221-222). 55ge segs. « Sentença» de Supremo Tribunal federal brasileiro. g 19. n. 60. nem sempre o casamento importa mudança de nacionalidade. entretanto. em differenças de côr ou de raça nãc têm eífeito extraterritorial. 78. a essa mesma lei é que nos devemos dirigir para saber si foram observadas as solemnidades prescriptas ou si a omissão de alguma delias acarreta a nullidade do acto (8). pag. clausula h. pag. ctc.. cit. «Manuel». porque a mulher segue a condição do seu "consorte e o Estado a que pertencia a mulher não tem mais interesse na legitimidade de uma família que. ' j . 5i3-5i4: considerando que. Cumpre. vol. Depois o impedimento é um facto anterior ao casamento que o pôde tornar inefficaz absoluta ou relativamente. «Direito». 85. WEISS. notar. WBISS. (3) «Lehrbuch». n. segundo já foi precedentemente observado. «op. que certos impedimentos matrimoniaes.». «Manuel». depois do casamento. (i.214 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO assim como as excepções que se lhe podem òppôr (11 Não é razoável a doutrina de BAR.j A justiça federal éa competente para conhecer da nullidade do matrimonio. art. FIORE. II. II. vol. No Brasil. 572 e segs. a brasileira não perde a sua qualidade de nacional por casar-se com extrangeiro. passou a pertencer a outra nação (*). segundo os princípios do direito internacional privado. quando o assumpto é de direito internacional privado (Constituição federal. segundo a qual deve-se attender simplesmente ao estatuto pessoal do marido. nem noutro qualquer Estado. a «nullidade do casamento» reclamada por erro no consentimento «e regulada pela lei nacional do cônjuge lesado». consequente não podem servir defundamento a uma acção para annullar o casamento onde elle foi celebrado. Em primeiro logar. pags. 475. Como se pôde argumentar com um acto juridicamente nullo ou meramente annullavel para afastar as reclamações de quem mudaria de nacionalidade somente si esse acto tosse efficaz ? Quanto ás formalidades legaes que têm de ser observadas para a celebração do casamento. como é a lei do logar da celebração que as determina. publicada no «Direito».

§ ai. «Precis».. pag... «op. pag. PIMENTA BUENO.. De que a matéria pertence á lei pessoal. (2) FiORK... convivência c mutua assistência e os direitos especiaes de j cada um delles. 5 07 e segs.. Por taes considerações a lei local afasta as leis que conferem ao marido o direito de corrigir por castigos corporaes (fustibus vcrberare) a sua mulher.«Droit international prive». BAR... GRASSO. 46o. «Private international law».ORE.. ou a mulher adquiriu a do marido o estatuto pessoal é um só.. não tolera que a applicação da lei extrangeira seja motivo de escândalo.. cit. cit. 43. a58.. pags. «op.. 4a-43.. g 597. «op.. «Manuel».».«. Wsiss.. Este naturalmente é o do chefe da familia. «Precis». GRASSO. a58. »Mi'it«i4M|iM ' salvo o de origem. BAR... mas como se tracta de duas pessoas...... letras b e c... II.». DBSPAGNET. (!) As relações pessoaes dos cônjuges abrangem: os deveres communs de fidelidade.. o encarceramento da mulher culpada.. de offensa aos bons costumes. em CLUNBT. sempre que não contém disposição similhante.. in fine... . KE. o que se pôde ver no meu «Direito da família». §. entretanto. nenhuma duvida se pôde seriamente levantar. § 166. d"a auctoridade judiciaria... em principio. A lei territorial. si a sua lei se não conformar com a influencia decisiva da lex loci actus... «loco çitato». a-ed. KBIDEL. % 86. Nas mesmas condições está o direito de obter. 60.CLÓVIS BEVILAQUA 215 <"iuin»i|i»<iHiitiii>">>„ . da policia. cuja nacionalidade pôde variar. cit. dos dois estatutos possíveis era preciso escolher um. 8 a>. porque é um acto que repugna aos sentimentos da dignidade humana desenvolvidos pela civilisacão... DHMOMT. % 8b. 1899.... WHARTON.* 57.». á moral e á ordem publica. «Lehrbuch».. ou de reclamar. Si os cônjuges têm a mesma nacionalidade.iiiihii . «Dintto internazionale pnvato»... § 42 RELAÇÕES PESSOAES ENTRE OS CÔNJUGES As relações pessoaes entre os cônjuges (l) regula m-se pelo estatuto pessoal do marido (2). t. n. que restitua coactivamente ao lar conjugal a mulher que o abandonou (3). n..DKI-. pag. _ ■ (3) F. «Direito internacional privado».

12. attendendo-se a que os partidários da doutrina do domicilio sub-mettem essas relações á lei do domicilio conjugal. ainda que os mesmos se achem domiciliados no extrangeiro.. A faculdade de fazer doações e o direito successorio entre marido e mulher têm. Na transformação. I O Projecto do código civil brasileiro. com tudo. ora se incline para a lei do domicílio. art. deva ser regulado pelo estatuto n>essoal deste. como estabeleceu o Congresso de Montevideo. como medida provisória. a primeira. LACERDA DE ALMEIDA: «OS efíeitos civis do casamento em relação á pessoa dos cônjuges serão regulados pela lei do marido». porém. no seu art.2l6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . na sua forma revista. (2) «Private international lave». feição económica. está intimamente relacionada com (1) BAR. «Lehrbuch». . Applicam-se também as leis allemãsquandoo marido tiver perdido a nacionalidade allemã e a mulher a conservar». a] lei territorial pôde ser-lhe applicada (l). por que passou toda a matéria do direito internacional privado. § 21. por egual. que incumbe ao marido de alimentar a mulher.. do titulo preliminar.. § 43 RELAÇÕES ECONÓMICAS ENTRE OS CÔNJUGES I. O conjuncto dos princípios jurídicos reguladores das relações económicas dos cônjuges constitue o que se denomina regimen dos bens no casamento. \ \ 16C-168. 26. desappa-receu este artigo que não é ocioso. continha a seguinte disposição. proposta pelo DR. como WHARTON. do tractado de direito civil internacional. . 14: «As relações pessoaes de cônjuges de nacionalidade allemã regulam-se pelas leis allemãs. e a que não falta quem. Ainda que o dever. ora para a do logar da residência (*). Sobre a matéria deste g a Einfuekrungsgesem dispõe. art..

como todas aquellas que. portanto. é certo. O código civil argentino só permitte que se façam convenções matrimoniaes para designa-rem-se os bens que cada um dos cônjuges possue ao tempo do casamento. 1433). a.CLÓVIS BEVILÁQUA 21^ 0 regimen dos bens assim como com o estatuto regu lador da capacidade pessoal de cada um. para consignarem-se as doações com que os cônjuges se queiram gratificar.* ed. O legislador tomou á si o encargo de estabelecer um regimen e a elle submette os cônjuges ou prohibe determinados regimens. Assim é que. art. Na Itália não pôde ser convencionada entre os cônjuges acommunhão universal dos bens (código civil. assim como aquellas que estabelecem um regimen obrigatório para pi) Vcia-sc o meu «Direito da família». não deixam á livre determinação das partes a regulamentação de seus bens na vigência do matrimonio. em muitos cantões suissos. para reservar-se em favor da mulher a administração de algum bem de raiz seu. celebrado deaccôrdo com a lei commum dos contrahentes ou com a lei pessoal do marido. e o segundo entra naturalmente no direito hereditário. têm por base a moral publica. os bons costumes e os fins quer naturaes quer sociaes do casamento.. pertencem ao estatuto pessoal. não ha liberdade para os nubentes pactuarem o regimen que lhes convier. . Si ha um pacto antenupcial. g 3a. esse. em nosso direito. " Não cabe aqui examinar os differentes regimens e sim somente consideral-os syntheticamente em face do direito internacional privado.pacto regula incontestavelmente tudo quanto respeita aos bens do casal. Algumas legilações. porque é principio geralmente admittido que os regimens de bens resultam do accòrdo dos contrahentes e só na ausência de declaração expressa da vontade intervêm suppletivamente as determinações da lei (x). 1 Estas restricções á liberdade contractual são leis de capacidade *e.

... | determinadas pessoas ( J )... dentro de certos limites bastante amplos... e isto não se negará.. que......... a vontade das partes..... como os contractos em geral.... sem contraste.. porque é a lei que melhor conhecem e a que lhes regula as relações pessoaes (2)........... entrega o direito á vontade dos particulares a regulamentação contractual de seus interesses privados. porém.. porque se as convenções antenupciaes são contractos não saem da esphera do direito da família..«-. Mas pondo de lado estas excepções e attendendo exclusivamente ao que sei poderia chamar o direito commum dos povos occidentaes.... os cônjuges extipulado um regimen de bens qual o que se deve applicar ? Força é recorrer a presumpções para descobrirmos essa vontade descuidosa de expressar-se em occasião em que era tão necessário fazer-se conhecida..~*- DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO .. constituem o direito de família applicado..•••....í-..•2 l8 ... pela autonomia da vontade...... Não quer isto dizer que nos contractos impere.............. expressão que pôde não ser rigorosamente exacta......... Não havendo.....«. mas que é do uso corrente e merece acceitação por sua energia na traducção do pensamento. pois é sabido que a lei em todos os paizes também se impõe rigorosamente prohibindo certos contractos ou certas clausulas. A consideração de que o estado e a capacidade se regulam pela lei nacional não pôde ser também despresada....-.i-....... mas significa.... as convenções matrimoniaes são essencialmente dominadas..... Para completar a manifestação da vontade que se traduziu deficientemente ou de todo se conservou silente é que intervêm as leis suppletivas.... ... ...... a presumpção natural é que adoptaram a lei que lhes é commum. Si o& cônjuges são da mesma nacionalidade......

534. ns. a anctoridade dos estatutários para esclarecer a noção de domicilio matrimonial ou conjugal que alguns suppuzeram ser o do marido ao tempo do casamento. g 201.385 . 1899. mas pela consideração de que o regimen de bens entrava no instituto pessoal. pães.8"' '9 . 571 e 746. art. 27. 00 880 e 1190. 1804. pag. «idem» 1897. Os antigos jurisconsultos. entendendo por esta expressão o domicilio em que os cônjuges tencionavam fixar-se no momento de casar. VIII. OAL-DINO LORETO. «Projecto primitivo». 1893. porém. pags. 2S-20 e julgados. neste caso. 212.s pags.J?a8-982. Ahi fixaram morada e collocaram a sede de seus interesses desde que constituíram família. pag. Si6. 1901. 876. lei de introducçao. BOUHIER. em CLUNET. sirvam de indicadores da intenção das partes o domicilio conjugal e o facto de se realisar o casamento perante o agente consular ou diplomático. II. Si os cônjuges realisaram o seu enlace matri monial perante o representante consular ou diplomatico de seu paiz ou do paiz do marido entende-se que acceitaram como interpretativa de sua vontade a lei do Estado em nome do qual funccionam aquellas (i) SAVIGNY. pag. é natural que pelo direito ahi vigente tenham querido regular as suas relações económicas. Serve. «Droit civil inter-! national». g 379. DESPACNBT.CLOVrS BEVILÁQUA 2IÇ Si os cônjuges. . parece que revelam-a intenção de submetter o seu regimen de bens á lei do logar que escolheram para domicilio matrimonial (*). «Precis». Assisit et RIVIER. 1893. «Droit romain». BAEHR. 325-326. CHAUSSE.e 415. BOULLENOIS. sessão extraordinária flej lt)02. 29. PaS . POTHIER davam preferencia também ao domicilio matrimonial. Si os cônjuges vão estabelecer-se immediatamente depois de casados em um determinado paiz. 1898. VOl. em CLUNET. LAURENT. «Elements». são de nacionalidade differente outros elementos nos darão a conhecer a vontade dos cônjuges no momento em que celebraram suas núpcias. Tem-se admittido que. ? 49. pag. Veremos em seguida que esta opinião não é verdadeira. porém. «Annaesda Camará dos deputados».

«loco citato». (3) «Príncipes». diz o illustrc deputado.».». art. outro é o parecer acceitò. 726. no emtanto. «A minha emenda. ri. GRASSO. art. mas é certo que no pensamento destes escriptores a connexidade das relações pessoaes e económicas dos cônjuges. «op. cit. ns. 6. desde que das circumstancias ou dos factos for manifesta uma vontade contraria das partes.220 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO auctoridades(i). mas. E. ria lei de introducção. «op. II. como é uma questão de facto. maxime tractando-se de extrangeiros casados no extrangeiro que venham domici-liar-se no Brasil». podem os juizes decidir sobera-j namente em cada espécie ( 2 ). . «Précis». presume que a lei do primeiro domicilio conjugal é a da vontade dos cônjuges. poderá alguma vez con Ira ri ai-se a vontade dos cônjuges ao tempo do casamento. g 333. 326. GALDINO LORKTO. Os interesses particulares reclamam uma lei certa e esta pôde ser encontrada por presumpções prefixadas (4). como bem pondera PILLET (3). cit. • • (2) AUDINET. das disposições preliminares. E' verdade que nem sempre raciocinavam assim. quaesquer das presumpções do «Projecto» Clóvis. 635-638. Outras circuinstancias podem intervir e estabelecer qual foi a intenção das partes e. olhada á luz daquelle dispositivo. n. (4. como que lhes está indicando a solução que abraçam. presurnpção que desapparcce. 366-368 c II. Dir-se-á que para a interpretação da vontade não se podem comprehender regras preestabelecidas. muitas vezes as partes não cogitaram absolutamente do ponto que é preciso esclarecer e. estabelece a regra geral de que as relações de familia se governam pela lei do paiz a que os indivíduos pertencem. útil estabelecer um systema de presumpções fixas que sirvam de ponto de apoio aos juizes. Pela inflexibilidade com que são estabelecidas. Dahi panemos escri-ptores italianos para também ao regimen dos bens no casamento applicar a lei nacional (°). I". «op. No excellente discurso de GALDINO LORKTO. Estes extrangeiros ou vieram fixar-se no Brasil immediatamente após o casamento e assim revelam acceitar a lei brasileira. é forçoso applicar uma lei. 28. todavia. na falta de pacto. ou vêm quando já tém o seu regimen funecionando. «Projecto primitivo».». cit. ns. FIORE argumenta principalmente com a sede ra(1) DUSPAGNET. (5) FIORE. O código civil italiano. aqui citado c que traz uma boa exposição da matéria deste paragrapho.

são leis mera(i) FIQUE. as relações pessoaes regendo-se pelas disposições imperativas da lei e as económicas pela vontade das pessoas dentro do limite das leis. no que concerne aos direitos e interesses patrimoniaes dos cônjuges»? A esta interrogação responde o douto internacionalista que o casamento. que é uma das instituições sociaes de maior importância. Ás poucas excepções existentes não o enfraquecem. e as leis que Q regem formam um todo orgânico que se não pôde scindir. Em segundo logar. origina direitos e deveres que abraçam o presente e o futuro. actuam normalmente como leis suppletivas. que se dirivam do casamento. 636. como seu fim é crear a família. Sendo assim. Consequentemente. não engendra somente relações pessoaes.CLÓVIS BEVILÁQUA 221 cional da relação jurídica. estabelece obrigatoriamente os direitos e deveres pessoaes dos cônjuges. não podem funccionar sinão na ausência ou na inérricacia da vontade. todas as relações. Attenda-se a que o iegislador.». II. devem. «op cit. . Estas considerações têm valor certamente. no domínio internacional. «Qual é a lei que por si| mesma deve ter auctoridade para regular os effeitos civis do casamento. si as leis referentes aos regimens de bens no casamento. duas leis differentes rejam as relações dos cônjuges. porque no direito interno isso também se pôde dar. Este é o principio geralmente acceito nas legislações occidentaes. ser reguladas por uma só lei. para não se destruir a unidade da concepção. sob a qual o legislador provê a organisação da família. em. n. e deixam-lhes liberdade para regular o modo pelo qual dezejam que sejam administrados os seus bens. logo os interesses materiaes da familia devem ser também regulados pela lei nacional dos cônjuges ('■).cada paiz. em primeiro logar não ha inconveniente em que. mas não se applicam com a exactidão supposta ao caso em questão. Ora a lei que predomina na sociedade conjugal é a nacional.

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mente condicionaes a que se não podem attribuir os mesmos effeitos que ás outras leis. Porque é que nas relações internacionaes haviam de perder o seu caracter, adherindo aos indivíduos como uma verdadeira lei pessoal? No direito interno, si os cônjuges não estabeleceram um regimen de bens para regular as suas relações patrimoniaes, a lei impÕe-lhes o regimen commum, porque é preciso que exista um modo fixo de regular os interesses patrimoniaes dos cônjuges e outro não foi escolhido, por quem podia fazel-o. No direito internacional privado, sendo os dois cônjuges de nacionalidade differente, não é possível proceder exactamente do mesmo modo, porque poderemos ter dois regimens legaes diAferentes. E*J preciso escolher um dos dois regimens legaes que se nos apresentam, ou buscar um terceiro. Porque principio nos havemos de guiar, então, nesta escolha? Não pôde ser sinão pelo da vontade dos cônjuges, porque esta energia, que podia livremente determinar, por contracto, um regimen afastando o da lei, deve ser invocada muito naturalmente aqui onde a lei não pôde funccionar, porque encontra uma lei opposta de competência equivalente. Esta situação, que acabo de considerar, apresen-touse aos olhos do eminente PILLET, e elle a resolve ou antes a decide dictatorialmente, applicando a lei pessoal do marido ('). Pois que não pôde existir um regimen internacional commum, pôde fazer as vezes delle o indicado pela lei nacional do marido. Porque não recorrer antes á lei da mulher? Porque o marido é o chefe da sociedade conjugal? Mas a razão é insufficiente. Tractando-se de relações pessoaes essa razão satisfaz, porque a vontade dos cônjuges é impotente para dar-lhes um regimento a seu modo; mas nas relações patrimoniaes, em que essa vontade é uma força que tem de ser tomada em consideração e em que os interesses da mulher têm o mesmo
(il «Príncipes», | 246.

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......................................—.............................'..»*-...w.-í..M.;,^,,J.^.i.,....w<,-.»|

valor jurídico attribuido ao dos homens, bem se vê que é insufficiente. VAREILLES-SOMMIERES acceita a mesma decisão, porque entende que o regimen da lei é um estatuto pessoal e como a mulher adquire a nacionalidade do marido, é a lei nacional deste que determina o regimen commum. Mas si a nacionalidade da mulher não fòr absorvida pela do homem ? Não obstante, será sempre a lei do marido a predominante, porque tal é o espirito do código civil francez (*). Si outro fôr o espirito da legislação do paiz a que pertencer o marido, naturalmente outra deve ser a solução, é a conclusão forçosa a tirar. Mas o douto internacionalista guarda silencio." Ainda pela lei nacional do marido pronuncia-se BAR sob o fundamento de que é por força da lei que o regimen de bens se inicia desde o momento da celebração do casamento e não, como erroneamente se diz, em virtude de uma convenção tacita dos cônjuges. Essa acção da lei é consequência da concepção que da natureza juridica do casamento tem o legislador nacional (-). Ainda no mesmo sentido da lei pessoal do marido pronunciaram-se a lei allemã, introductoria do código civil, art. i5, o código civil hespanhol, art. i325 eo portuguez, art. 1107. E' digno de reparo, entretanto, que o código civil portuguez mantém a lei territorial quanto aos immoveis, fazendo assim uma restricção ao regimen que acceita, e a lei allemã faculta a celebração de um pacto antenupcial, mesmo quando a lei nacional do marido não o permitta. O Congresso de Montevideo acceitou, para o caso em que não tivessem os cônjuges estipulado convenção antenupcial, a lei do domicilio do marido ao tempo da celebração do matrimonio.
(ii «Synlhese», II, ns. 998-1017. (2) «Lehrbuch», g 23.

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III. Os jurisconsultos anglo-norte-americanos adoptam uma opinião diversa das que- têm sido consideradas. Pensam WESTLAKE ( X ) e WHARTON (2) que os moveis do casal se devem reger pela lei do domicilio matrimonial, apoiando-se o primeiro na lei r, cod.j de Summa Trinitate, e os immoveis pela lei da situação. O inconveniente desta doutrina é dividir os bens em grupos submettidos a leis diíferentes, quando elles devem ser considerados em sua unidade patrimonial. Quando consideramos os bens ut singuli, o império da lex situs é incontrastavel, mas outro é o ponto de \dé vista, quando os consideramos ut universitates, como acervos, como unidades complexas. Neste ultimo caso vêem-se os bens atravez do prisma pessoal, num circulo traçado pela projecção jurídica do individuo no campo económico. I IV. Estabelecido o regimen conjugal dos bens, por determiação da lei, por contracto ou por presumpção, será inalterável ? A questão offerece dois aspectos. E principio geralmente acceito que a mu dança de domicílio ou de nacionalidade não attinge o regimen conjugal de bens, que se mantém inal terado (3). Mas como ha legislações que permittem alterar o regimen estabelecido com o casamento (i),. pergunta-se ainda si tal permissão pôde ter efficacia em um paiz cuja legislação consagra a immutabilidade do regimen conjugal de bens. Pensam alguns que a matéria é da esphera do estatuto pessoal exclusiva----------(IJ «Private internalional law», j} 361: It is universally allowed that, whcn a mariage takcs place wiihout settlement, the mutual rights of the husband and wife in each oiher"s movable property are to be resulate by the law of the matrimonial domícil as long as that remains unchanged. (2) «Private internalional law», g 191. \i) SAVIONY, « Droit romain», VIII, g 379; BAB, «Lehrbuch », \ 23, n. 1; DESPAGNET, nPrécis», n. 33o; Wgtss, «Manuel», pag. 474 ; PILLET, « Prín cipes», \ 246, nota a ; Congresso de Montevideo, art. 43, do tractad > de di reito civil internacional. WHARTON («Private international law », .gjj 19G e 199) pensa de modo differente, apoiado em PUCUTA C na jurisprudência rfòrte-a merica na. • (4) «Código civil allcmáo», art. 1432, mexicano, arts. 3079-1980 austríaco, segando a interpretação de ROTH, « Systemc», II, g 92, nota 11. I

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mente (-1); querem outros que caia também o as-< sumpto sob o império das leis de ordem publica, porque ha interesses de terceiro a resguardar. Que a matéria seja de estatuto pessoal não pôde haver duvida, porque é uma restricção á capacidade dictada em protecção de um dos cônjuges contra os possiveis abusos do outro. Mas, por outro lado, os interesses de terceiros que com os cônjuges têm negócios bem pôde auctorisar a intervenção da lei territorial, si ella consagrar o principio da irrevogabilidade dos regimens conjugaes de bens. § 44
CASAMENTO PUTATIVO

A lei que regula a substancia do casamento, a lei pessoal dos cônjuges, é que decide si se deve ou não attender á bôa fé com que elles violaram as pre-scripções do direito, para o etfeito de declarar-se o casamento putativo. Os casamentos são nullos ou annullaveis por defeito de forma ou por incapacidade dos nubentes, mas a putatividade do enlace matrimonial éum effeitoque a lei lhes attribue, e essa lei não pôde ser outra sinão a que regula as relações pessoaes dos cônjuges, isto é, a lei pessoal do marido 0). E' certo que o casamento annullado des-apparece, mas como, si é declarado putativo, produz etfeitos de válido, devemos collocar-nos neste ultimo ponto de vista. FIORE,induzido por motivos de equidade, achaque também se pôde declarar o casamento putativo por applicação da lei do logar da celebração e da lei territorial. Com boas razões afasta-se ANTOINE dessas decisões que não se apoiam nós verdadeiros princípios.
(i) DESPAGNET, «Précis», n. 33o; PILLBT, «Príncipes», gg a38, nota i;| 244, nota 1; BAR, « Lehrbuch », | a3, n. 3. (31 FIOUB, « op. cit. », |i 640-641; nota de CH. ANTOINE a este ultimo g.|
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WEISS prefere a lei de cada cônjuge, porque foi essa a lei violada e essa é a que deve, determinando a nullidade do acto, ser tomada em consideração para dar-lhe effeito civil apezar de nullo ('); mas como os eífeitos do casamento abrangem os dois cônjuges e os filhos, parece mais justo attender á família em seu conjuncto atravez da lei pessoal do marido.

I

§ 45
DO DIVORCIO

I

I. Como o divorcio apresenta, no direito moderno, duas modalidades, a romana ou a vinculo e a canónica, simplesmente quoad thorum ethabitationem, fazendo, aliás, cessar os eífeitos económicos do casamento e as relações pessoaes dos cônjuges, muito possíveis são os conflictos de legislações. A primeira questão que se apresenta ao espirito, é a de saber por que lei deve ser julgado o pedido de divorcio quer se tracte do divorcio a vinculo, quer da simples separação de corpos. Sobre este ponto a doutrina está definitivamente assentada, apezar de algumas divergências não terem sido ainda eliminadas. Sendo o divorcio, em qualquer das suas modalidades, a cessação da sociedade domestica, e, re-gulando-se esta pelo estatuto pessoal, não pôde ser sinão a lei pessoal ou, mais particularmente, a lei pessoal do marido a que nos esclareça sobre si os cônjuges podem ou não se divorciar, e si esse divorcio rompe o vinculo matrimonial ou se limita a dissolver a sociedade conjugal (*).
(i) «Manuel», pags. 475-477. (2) Lei de jntroducção ao código civil allemão, art. 17; KEIDEL, em CLUNBT, 1899, pag. 23g e segs.; Convenção de Haya sobre o divorcio e a separação de corpos (12 de Junho de 1902), art. 1, « apud » CONTUZZI, «op.j cit.», I, pag. 53; FIORE, «op. cit.», II, ns. 672-683; GRASSO, «op. cit.», g 88; FADDA e BENZA, notas ás «Pand.» WINDSHEID, I, pag, 157 e segs.; BAR, «Lehr buch», g 22; DESPAGNET, «op. cit.», n. 262; WEISS, «Manuel », pag. 478 e segs.; meu «Direito da família», g 62.

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Assim, como no Brasil, na Argentina, no Uruguay, no Chile e, em geral nos paizes da America do Sul, a lei não admitte o divorcio romano, os súbditos desses Estados não podem romper o ligamen matrimonial, uma vez legalmente estabelecido, a não ser por morte. O francez, o russo, o allemão, o inglez, o norte-americano, pois que a sua lei pessoal auctorisa o divorcio, podem desfazer o seu casamento, rompendo lo vinculo matrimonial. Por applicação do mesmo principio, devemos dizer ue si as legislações em dois paizes, que admittem o ivorcio, variarem quanto ás causas que o auctorisam, é licito que o natural de um possa pedir, no outro, a dissolução de seu casamento, mas ha de invocar os motivos admittidos por sua lei pessoal (Me esses motivos não serão acceitos si forem contrários a lex fori, porque o juiz não applicará uma lei offensiva da ordem publica de seu paiz (*). O estatuto pessoal regulador da espécie é o que existe ao tempo em que é apresentado o pedido de divorcio e não o que existia ao tempo da celebração do casamento, nem o vigente ao tempo em que se realisou o acto que serve de fundamento á acção de divorcio (3). E' manifesto que não pôde alguém apoiar-se em lei que não é mais a sua para reclamar uma faculdade que a sua lei actual lhe nega. Mas, si, na pendência do litigio de divorcio, o marido mudar de nacionalidade, não pôde esse facto ter o effeito de retirar a mulher do foro a que já estava submettido o litigio, si essa mudança de nacionalidade não .abranger a ambos os cônjuges (4). Esta é a doutrina melhor fundamentada, mas ha escriptores que ainda não a esposaram, achando que
(1) DESPAGNET, (top. cit.», n. 363. ,L_IL-»_ — (a) Na citada convenção de Haya este principio não teve uma expressão exacta. Veja-se o art. a.»O mesmo se deve dizer da lei aliema de intro-ducção, art. 17, ultima parte. (3) BAR, «Lchrbuchi», g 23. (4) BAR, «Lenrbuch», | 2?.

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a decisão desta matéria deve ser exclusivamente entregue á lexfori (x), porque, por um lado, naquelles paizes, onde não existe sinão a separatio a thoro et mensa, não poderão os paizes acceitar pedidos de divorcio a vinculo e, por outro lado, onde a lei estabelece a dissolução do casamento em vida de ambos os cônjuges, não deve o poder judiciário recusal-aa quem a reclama segundo a lei. Este ponto de vista parece-me falso, embora acceito por auctoridades respeitáveis e apezar de WHARTON dizer que cada Estado, no que respeita á moral e á policia nacional, considera a sua legislação como suprema (2).. O divorcio importa mudança de estado, é uma alteração dada nas relações de íamilia; e esta consideração é sufficiente para fazel-o depender da lei pessoal do marido, que é o chefe da sociedade conjugal, uma vez que não é possível submettel-o a duas íeis diversas, á ao marido e á da mulher, quando não tiverem elles a mesma nacionalidade. A lex fori será attendida somente para que da applicação da lei ex-trangeira não surja um desrespeito á ordem publica. I II. O divorcio obtido in fraudem legis dá logar a soluções divergentes. Pensam alguns que si um brasileiro, por exemplo, se naturalisa francez para o effeito de romper o seu casamento e contrahir outro, pois que a lei brasileira tal não lh'o permittia, e depois volve a pedir sua naturalisação no Brasil pratica uma fraude contra a lei e a sua naturalisação deve ser nulla, inefficaz o divorcio3 a vinculo matrimonii e inexistentes as novas núpcias ( ). Propõem outros que se reconheça a naturalisação com as suas consequências jurídicas,"
(i) ASSEIS et RIVIBR, «Eléments», $ 53; WHARTON, fâ ao5-ao8; SAVIGNV, «Droitrotnain», VIII, pas». 337. H (2) «Private intemational Ia\v».g207:each state,in ali mattersof morais and national policy, is bound to rcg a rd its own legislatíon as supreme. (3) FIORB, «op. cit.n, II, §§ 692-093. A «fraus lesps» é uma questão de facto a provar, podendo manifestar-se por muitos modos, e parece-me que, uma vez provada, deve annullar o acto por cila viciado- Veja-se V. Rossi, em CLUNBT, ioo3, pags. 367-670. ^.' ;

art. desde que é do divorcio romano que se tracta. reunido. o divorcio.. «Lehrbuch». 132. Em defeza da verdadeira doutrina redigi uma succinta Memoria que foi apresentada ao Congresso jurídico americano. essa eliminação está longe de ter sido um golpe mortal na questão. do qual se devem reconhecer as consequências segundo alei que presidiu á sua realisação. Resumirei aqui as allegações constantes desse relatório. a divisão dos bens e a faculdade para contrahir novo enlace matrimonial. . . no Rio de Janeiro. 2. como não desappareceram os pnneipios da sciencia e as regras da lógica. _ . '••. Já no meu Direito da família. da lei de introducção. . não se tolere a reacquisição da nacionalidade brasileira (l). (a) Vejam-se os meus «Estudos de direito e economia politica». havia eu acceito a solução que emerge naturalmente das premissas scien titicas e no Projecto de código civil.. inserira um dispositivo destinado a consagral-a entre nós legalmente: «A lei brasileira reconhece a dissolução do vinculo matrimonial resultante do divorcio legalmente pronunciado no extrangeiro. segundo a lei competente. porém. appensando-lhe algumas notas de confirmação. pag.. A com-missão revisora teve escrúpulos d2 acceitar essa consequência logíca dos princípios e o artigo des-appareceu. Essas consequências são: a separação dos corpos. 29.. Grave questão é a de saber si o divorcio proferido no extrangeiro. 243 c segs. III.CLÓVIS BEVILÁQUA 229 porém. éum acto jurídico legal e definitivamente consummado. § 62. entre cônjuges extrangeiros». objectivamente considerado. Para a razão do jurista'... Os Estados onde não existe na lei o (1) BAH. ed. deve ser reconhecido por toda a parte com as suas naturáes consequências. em 1900 (*). inclusive a faculdade para que os divorciados celebrem novas núpcias.

Nessas hypotheses. contrariando o espirito liberal do direito internacional privado. Não é mais a lei extrangeira que se applica. porém. O divorcio realisou-se em um outro Estado e os actos praticados legalmente fora das fronteiras de um paiz não podem ser considerados offensivos da ordem publica desse paiz. reconhecem as duas primeiras categorias de consequências. creando ou roborando direitos. No emtanto nem por isso devemos afastar o reconhecimento judicial da paternidade obtido em um paiz onde a lei faculta ao filho a acção de reconhecimento.230 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO divorcio a vinculo. uma faculdade e um estado civil que devem ser respeitados internacionalmente. A lei brasileira. nem é também a execução da sentença extrangeira que se pretende. de accôrdo com essa mesma lei. quanto á ultima alguns ha que levantam objecções fundadas na ordem publica. mas será levar muito longe o rigor. que aliás acceita o divorcio em suas consequências económicas e mesmo pessoaes. arbitrariamente o repellequantoá faculdade de contrahir novas núpcias. e essa interdicção é de ordem publica. não se tracta de invocar a lei extrangeira. vêem ofiensa á ordem publica onde tal se não dá. pois que esta já foi applicada dissolvendo o ligamen conjugal. por exemplo. e. Comparemos o caso do divorcio com outros. para apoiar uma sentença. Uma pessoa assim reconhecida deve no Brasil ser considerada de accôrdo com o estado que a sentença . não collocando a questão no ponto de vista dos direitos definitivamente adquiridos no extrangeiro. Não attendem a que o divorciado segundo a sua lei nacional adquiriu. porque é um interesse social que ella pretende garantir. interdiz a investigação da paternidade. não reconhecer a legitimidade dos actos jurídicos realisados sob a garantia do direito e da soberania de uma nação civilisada e amiga. seria razoável oppòr á acção da lei extrangeira o anteparo da ordem publica. porque era dentro do paiz que essa lei viria funccionar.

. sob o fundamento de que fora adquirido pela venda de escravos.. illegitimos os filhos procedentes de uniões polygamas auctorisadas pelas leis nacionaes dos cônjuges.. si....AQUA • . será desrespeitar a soberania do Estado cujo tribunal o decretou negar-lhe os effeitos que lhe attribue a lei destinada a regulal-o...... Si os Estados cujas legislações não consagram o divorcio a vinculo se recusarem a reconhecer a legitimidade e a efficacia extraterritorial dos divórcios pronunciados onde a lei os admitte... ao mesmo tempo... cujas legislações o regulam..... A polygamia simultânea é reprovada pela moral e pelo direito do occidente...... A retaliação seria legitima. que por esse modo dissolveram as ... no caso considerado.. na Allemanha ou nos Estados-Unidos não podem auctorisar os francezes. não é mais. . quando se tiver somente de apreciar a legitimidade da filiação? Da mesma forma o divorcio. e com os direitos inherentes a essa situação jurídica. Pronunciado no extrangeiro.. ----m legitimamente lhe determinou. 231 r. mas seria absurdo que a lei brasileira repellisse o capital' extrangeiro que entrasse no paiz... mas com que auctori-dade se haviam de declarar. "-—. poderão auctorisar a sua decretação ainda que contraria á lei pessoal das partes. aquelles Estados._■ '/it&fcir. que a sua retracção para dentro dos seus naturaes limites...os divórcios pronunciados na França.. Por outro lado.... os allemães ou os norteamericanos. residentes nas respectivas pátrias.. nos paizes da Europa ou da America...... que.CLÓVIS BEVIL.... si do abrandamento do rigor dá lei local.. si da quebra do principio da personalidade da lei reguladora das relações de família. contrariar o estabelecimento da communhão de direito a que aspira o direito internacional privado.. em obediência á lei pessoal dos cônjuges.. O Brasil não admitte a escravidão.fe _ .. Será.... e restaria examinar de onde proveria maior inconveniente..:... aliás..

. o casamento dos brasileiros que por este modo tiverem alcançado a dissolução da sua sociedade conjugal......... Porque repugna esta ultima solução? Porque seria offensiva do estatuto pessoal dos brasileiros e da soberania nacional concretisada na sentença do desquite.... assume uma attitude hostil incompatível com a vida da sociedade internacional. essa attitude hostil toma o aspecto de uma exorbitância de auctoridade. Si um Estado lhes nega esse direito. a aliemã ea norte-americana são favoráveis ao divorcio..... Mas.... Da mesma forma seria iniquo . porque a lei franceza.. Não basta para tanto que a lei extrangeira esteja em antinomia com a lei territorial. naquelíes paizes....... E si attendermos ao vinculo de nacionalidade que prende os divorciados ao paíz onde obtiveram a aissolução de seu casamento..... E' preciso que a relação de direito contraria aos preceitos e ao fim da lei local se venha estabelecer ou funccionar no campo social onde essa lei domina...........232 | DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO •"«■'• ..... direitos que algum extrangeiro fundasse em contracto dessa espécie.......... porque a lei brasileira é contraria ao divorcio... Portanto seria injusto que os tribunaes brasileiros. suas núpcias..... a contrahir segundo casamento no Brasil. WB««BIH... desconhecessem...... do contrario não haveria espaço para o direito internacional privado... Para que um Estado opponha limites aos ! direitos garantidos por outro^ necessita de apoiar-se em razões poderosas. '... realisado em paiz extrangeiro que o permitta... os desquites decretados no Brasil devem auctorisar. com relação aos bens situados no Brasil....... a faculdadede contrahir novas núpcias. sob o fundamento de que a lei pátria recusa effeitos jurídicos aos pactos succes-sonos. é preciso ser lógico e reconhecer o divorcio c ora os seus effeitos. então.... respeitando o estatuto pessoal dos divorciados e a soberania que se objectiva nas sentenças que os declarou capazes de novamente se casar.... com effeitos em todos os Estados pertencentes a essa communhão.......... A concepção da sociedade internacional exige que os legitimamente divorciados pelo systema romano adquiram....-II ...

.. ^ I BAR diz que.. nota que a condição jurídica de um extrangeiro e a sua qualidade de pae. g 92.. que não tolera esse meio de dissolver o casamento. sustentou que uma ingleza divorciada em seu paiz.4... . entre as quaes está a de ox divorciado ter capacidade para celebrar novas núpcias ( ).«>. pag. Esta doutrina. 30 .. «Lehrbuch»...... XIII. nem constituem o fim verdadeiro da lei extran-geira». os juizes de um paiz. WHARTON declara que o facto de um Estado não auctorisar o divorcio não é impedimento para se matrimoniarem nelle pessoas divorciadas em outro Estado a cuja lei estavam submettidas (*). podem reconhecer-lhe as consequências legaes... (2) «Private international law». 499.*>. filho ou cônjuge deve ser determinada segundo a sua lei na(i) «Das Internationale Privat-und-Straf Recht». reconhecemos egual mente as consequências que praticamente resultam desse julgado. reconhecendo a competência de um tribunal extrangeiro para decretar o divorcio.<• . depois de apresentar as opiniões contrarias de MAILHER DE CHASSAT e DEMANGEAT... durante ávida do primeiro marido ( ).. Tracta-se apenas de acatar as consequências jurídicas de uma sentença legalmente proferida.CLÓVIS BÊVILAQUA 11. B (3: «Questions de droit». depois de combatida por argu mentos fallaciosos. em uma epocha em que a lei franceza não admittia o divorcio. jj 22. jj|f i 3a e 314. 1899...••. si o divorcio tiver sido pronunciado no extrangeiro. afinal conquistou a opinião geral dos doutos. FEDOZZI (*) doutrina que... podia legalmente 3 desposar um francez. ___ . (4) Em CLUNET.. « porque estas em si nada têm de contrario á lei territorial. MERLIN. FIORE... _________ á3â julgar impedido de se casar aquelle cujo vinculo matrimonial foi legitimamente desfeito por sentença de juiz competente. Um mestre por todos respeitado.

i.| . n. pag. não se pôde considerar contraria ás instituições e ás leis italianas a celebração de um casamento. poderá crer que a sua pro-hi bicão tenha razão de ser perante pessoas. religiosas. 697. terá limitado o seu julgamento á organisaçáo da família italiana»? Estas interrogações de FADDA e BENZA impellem o espirito um pouco além do circulo a que desejo che. umas phrases de FADDA e BENZA e de MATTIROLO. Na impossibilidade de pedir a todos o depoimento de seu pensar. que os efíeitos derivantes do estado jurídico de um extrangeiro não podem ser anniquílados sinão quando contrários á ordem publica do paiz. muito naturalmente. mas revelam a sua opinião favorável á these sustentada neste paragrapho.■ 234 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO cional. em additamento ao que já ficou dicto. «Pand. por essas razões. de um cônjuge extrangeiro legalmente divorciado (*). na Itália. MATTIROLO ensina que quando o divorcio de ex(i) «Droit international prive». Dizem os primeiros (*): « Que escândalo pôde haver. I. II. e concluiu que.se o divorciado na situação legal de uma pessoa não casada. sociaes. Esta é a opinião dominante no mundo jurídico italiano. ethnographicas. onde uma ou outra voz discordante acaso se manifesta. para quem essas condições especiaes não existem ? Deverá elle ter querido áffirmar a priori que o divorcio perturba qualquer organisaçáo familial. não pôde o official do estado civil italiano impedir o divorciado de contrahir nova união que não é contraria ás leis da Itália. (3) Notas a WINDSHKID. ou antes.J gar. achando-. que estando legalmente dissolvido o casamento. citarei apenas. por isso que a primeira já não existe. i5g. quando dois cônjuges extrangeiros chegam a Itália e nella obtêm aquillo que todos sabem que elles podem obter no seu paiz ? £ o nosso legislador que prohibiu o divorcio na Itália fundado em condições históricas peculiares.

. uma sentença extrangeira pronunciando a dissolução de um casamento celebrado na ítalia nas condições e sob o império dos princípios admittidos pelo direito italiano».. em geral... A jurisprudência. I (2) Vejam-sc as decisões do tribunal de appellação de Veneza... sob a condição de que as clausulas da presente convenção tenham sido observadas e de fi) «Apud» PADDA e BENZA... nas relações pessoaes entre cônjuges.. Vejam-se outros julgados citados por VITTORIO DE ROSSI. já se poz francamente... pag. em seu art. serão reconhecidos em toda a parte.. . Os tribunaes de appellação mantiveram.. 264.. tentou restabelecer o impecilho da ordem publica.. por factos succedidos no extrangeiro. do tribunal de Milão proferida a i3 de Outubro de 1891.. com apoio na sua lei. do tribunal de Turin.. mas somente os na-cionaes (x). e continuam a conceder «exequatur» ás sentenças extrangeiras decretando o divorcio entre cônjuges extrangeiros. profe ridas a 28 de Junho de 1888 ca 17 de Março de 189a. em sentença proferida a 21 de Novembro de 1900 (CLUNET. 235 trangeiros é legalmente pronunciado na sua pátria... «loco citato».. 5. pôde ser invocado o deDESPAGNET: «a questão de estado e de capacidade aprecia-se de accôrdo com a lei nacional. 263-271. n. mesmo quando o casamento tenha sido contrahido na Itália..._____________________________________ .. concluída a 2 de Junho de 1902. declara.. 7: «O divorcio e a separação de corpos.. ■ i .. 1901.... o magistrado não faz sinão apreciar as consequências jurídicas do estado desses mesmos extrangeiros. i .. 160. e que as leis prohibitivas do reino.. pag. na Itália. igo3. pags. pronunciados por um tribunal competente. 440-441). Por fim a convenção de Haya... Na França.. a doutrina de maior franqueza que haviam adoptado... que é sempre mais conservadora e morosa no acceitar modificações doutrinarias. Be balde a corte de cassação de Turim. Ainda em 1900 assim se pronunciara o tribunal de appellação de Palermo (CLUNET. proclamando que « a auctoridade judiciaria italiana não pôde reconhecer nem tornar executória. não podem ferir os extrangeiros.. (3) «Précis»... nos termos do art.. sem poder critical-a (9). igo5. e a predominância da opinião enunciada no texto... da corte de cassação de Roma. proferida a 4 de Abril de 1891.. além do parecer de MERLIN. podem contrahir nova união... si os cônjuges divorciados.... em CLUNET.... proferida a 9 de Dezembro de 18g3....CLÓVIS BEVILÁQUA r~ . ao lado desta opinião (2). segundo a sua lei nacional. pags. ...... . 3g2).. os tribunaes têm apenas que reconhecer a sua condição jurídica..... onde se notam as oscillações da jurisprudência italiana.

688.. essa razão é inacceitavel contra o disposto no art. extrahidas da Repista de legislation universal e publicadas em CLUNET (1903.. porém.. DEMANGEAT. Apezar.«••«... pela doutrina e pela jurispru(1) «Apud» CONTUZZI... TROPLOÍ«G. I..... (2) FADDA e BENZA. Ch. 798799): « Ainda que certos auetores (De CHAS-SAT. REGNAULT e outros) tenham sustentado... OLIVER Y ETELLER.. n. Por occasião de ser notado este dispositivo nas Conferencias de Haya.. notas ás «Pandectas» de WINDSHHID...... mostrou-se menos exigente (*)..... RENAULT. 54-55.. sec IV. 163 e segs. «op. «Droit international prive».. 689 de FIORE... pags.. >~—<.. do que affirmara o SR. representante da Hespanha. pois que os divórcios a que o artigo se refere não poderão ser de hes-panhoes. ETELLER. SAPEY... pag.—~. c-it.. está geralmente admittido hoje. . o SR.». citado por FIORK.. com energia.. ETELLER. allegou o SR..236 DIREITO INTERNACIONAL ^RVVÃDÕ^ . O representante de Portugal.. São de ALEXO GARCIA MORENO as seguintes palavras.. porque a Hespanha catholica e conservadora não podia acceitar os divórcios pronunciados no extrangeiro como causa de dissolução de casamentos. Essas objecções foram victoriosamenle rebatidas pelo delegado irancez..... . MERLIN.. o conde de SELIR. prestar seu concurso a um acto contrario ás leis da Hespanha e ás convicções quer religiosas quer sociaes do povo hespanhol........... «op. As auetoridades hespanholas não podiam. 7. a opinião contraria....-».. si a decisão fôr proferida á revelia. ANTOINK. § 10.... II. «Repertoire. Si as convicções religiosas e sociaes do povo hespanhol repellem a dissolubilidade do casamento. Divorce».. 7 da convenção. nota ao a. da convenção de 2 de Junho de 1902.. o réo tenha sido citado conforme as disposições especiaes exigidas porsua lei nacional para reconhecimento das sentenças extrangeiras» (M. pães.-.•• I que.... já na intelligencia hespanhola penetrou a verdade dos princípios consignados no citado art.•••?••«■••" •■•~~—.. levantou-lhe algumas objecções... nem a hespanhoes visa a providencia no artigo exarada. cit..

1574) e FUSINATO (Giunspru-denza italiana. modi fica o estado dos cônjuges divorciados e lhes attribue a capacidade jurídica necessária para contrahir ca samento com uma outra pessoa. os divorciados se apresentam com o seu estado de solteiros.. E na Argentina lambem não existe o divorcio a vinculo... 1119-1120)... annul-lada no interesse da lei pela cassação de Turim (ai de Novembro de 1900) produziu entretanto os seus effeitos (CLUNBT... Dizem os partidários da opinião contraria que o (i) Tribunal de appellação de Ancona....... Esta ultima sentença. igo5.. tribunal de appellação de Milão. . S Depois de algumas considerações doutrinarias a respeito.pag...... ~. sem distincção dos que admittem o divorcio aos que o não admittem». Na hypothese considerada anteriormente. 499). 1898. 1884.. Vejam-se a critica desta jurisprudência em FEDOZZI (CLUNBT.-. :■••■ .. que a sentença de divorcio proferida por tribunaes de um paiz extrangeiro.. penso eu.. .. os juizes são chamados a applicar uma lei que contraria abertamente principiosfundamentaes da organisação social do paiz....... sentença de aa de Março de 1884...... pag..... Do exposto não resulta.... Ainda que a opinião contraria tenha sido exposta com enthusiasmo por alguns escriptores (Me possa apoiar-se em alguns julgados não me parece bem fundada. E' natural que se recusem a applical-a...-«.... pag. 499).FI (Foro italiano.... tribunal de Génova. em qualquer paiz que seja...■'■■' .. cuja lei admitte essa causa de dissolução do vinculo matrimonial.'...... 4129}. apud FEDOZZI (CLUNBT.. pags..Is«. porém...CLÓVIS BEVILÁQUA • . •'• .. sentença de 24 de Novembro de i8q8. 412).. Os juizes do Estado em que essas pessoas se acham limitam-se a reconhecer as consequências da sentença e o estado que têm os divorciados segundo a lei que os rege. pag. pag.. estado que resulta de uma sentença legalmente proferida.»S dencia. o escnptor hespanhol refere um julgado argentino confirmando a doutrina que elle advoga.. No caso agora considerado.. 1897.... 1884.. sentença de 7 de Junho de 1894 (CLUNKT.'~.... — 237 .. FILOHAUSI-GUEI... que os tribunaes de um paiz cuja lei não consagra o divorcio a vinculo possam decretal-o por provocação de cônjuges extrangeiros apoiados em seu estatuto pessoal. —-——...... 1897. IV....

% 153. «Droit international prive». «Manuel». CLUNET. WEISS. segundo o principio estabelecido acima. pois que a filiação determina a situação jurídica de certas pessoas e fixa relações de família. «Droit international prive». que deve ser decidido o litigio. «Précis». 696-697. (i) FIORB.LET. (3) P11. pags. • . II. Lei ai lema de introduccão ao código civil. cujo commcntario se encontra em KEIDEL. pag. segundo a comprehende a sua lei. 1899. ? 7o5. ns. DESPAGNET. si uns dependem de um Estado e outros de Estado diverso. g 25). § 46 I FILIAÇÃO LEGITIMA E NATURAL I I. mas desde que elle tem ae ser pronunciado num paiz que orepeflede sua legislação. «op cit. Quando os pães têm a mesma nacionalidade dos filhos.». porque são elles os que necessitam de protecção da lei e em virtude dessa necessidade de protecção é que a lei os acompanha (2). «Diritto internazionale». nenhuma difficuldade apparece. Em sentido contrario. GRASSO. 70. Si ha contestação da legitimidade da filiação. PIMENTA BUENO. «Prjncipes». parece que 1 vem directamente contrariar o direito social desse paizí ). mas. n. preferindo a lei pessoal do pae: FIORB. no ponto de vista internacional. é pela lei nacional do filho. II. 243-247. porque é o estado delles que está em causa. Sem duvida que assim é. 18. 270. O Congresso de Montevideo decidiu-se pela lei que rege a celebração do casamento. A lei que regula a filiação legitima é a nacional. de-vendo-se notar que o juiz pôde repellir meios de prova admittidos pelo direito extrangeiro que sejam offensivos da ordem publica. BAR também se inclina por este ultimo parecer (Lehrbuch. é á lei nacional dos filhos que se deve attender. pois que ha muitas nações de excellentes costumes que admittem o divorcio. art. pags. para determinar a legitimidade da filiação e submette as questões referentes á legitimidade á lei do domicilio conjugal no momento de nascer o filho. % 89.238 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO divorcio a vinculo não é offensivo da ordem publica e dos bons costumes. 489-490.

„ *„„ „. II. cit. O reconhecimento dos filhos naturaes. pag. Si. GRASSO. «op. vol. «_!. a acção da lei. (4) «Veiam-se os P 34-35. « Droit international prive ». n. o pae mudar de nacionalidade. 270. 88. Sobre o caso particular da lei que regula a forma do reconhecimento. deve ser sempre considerada vantajosa para os incapazes. vejam-se alguns pareceres P«U"»do> no «Direito». 800. porém. DESPAÇNKT. «Synthese». com seus intuitos protectores. n. porque esse momento é decisivo para a legitimidade da filiação.CLÓVIS BEVILÁQUA 23o Os prazos para exercer a acção de contestação da legitimidade obedecem á lei pessoal e não á lexfòri (l)J O estatuto pessoal regulador da matéria é o existente ao tempo da concepção. pois que a lei nacional.». 707-709. VAREILLES-SOMMIBBBS. submettido á regra locus regit actum (*). quanto já forma. Siéo estatuto pessoal do pae que temos de applicar._J„ (3) WEÍSS. pags. „ _ h) FIOUE. II. 337 c segs. a acção da lei nacional se faz sentir no próprio momento da concepção. volve á epocha da concepção.ainda que este auctor se colloque em outro ponto de vista. como qualquer acto. Os doutos respondentes nao se acham todos de aceôrdo. ns. . sij entre a concçpção e o nascimento do filho. Assim.-. h) OESIMGNET. a lei reguladora da filiação legitima deve ser a vigente naepochada concepção e não a posteriormente adquirida (•). mais tarde. está. g 89. II. n. «Précis». A relação jurídica já está definitivamente estabelecida e regulada pela lei da pátria de origem (3). «Manuel». que se manifesta na occasião do nascimento. tendo ainda uma vez aqui applicação o preceito—nasciturus pro jam nato habetur si de ejus com-modo agitur. si. 4»9-49«. A relação jurídica da legitimidade já está firmada desde que o filho é concebido e não se pôde mais alterar com a mudança da nacionalidade do pae. porque o filho tem nacionalidade diversa da do pae. o filho mudar de nacionalidade também nenhuma influencia terá esse facto sobre a determinação da sua filiação legitima. 271. «Précis». é o estatuto pessoal do filho que se applica.

«Droit iniernational prive». «Precisa. 21. «Manuel». Veja-se também o que diz BA». divergem quanto aos modos de estabelecer a filiação. n.{ 89. não podem os filhos adulte-rinos e incestuosos ser reconhecidos. pag. 274. por exemplo. n. ■ (3) DBSPAGKET. II. Para que seja possível a investigação judiciaria da paternidade. pag247). depende.24O DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO O reconhecimento dos filhos naturaes.J Assim um inglez não pôde propriamente reconhecer um filho natural. n. accordes no essencial.E. GRASSO. 273. CLUXET. que é o reconhecimento litigioso. ■ (2) DJISPAGJÍET. Mas. Por outro lado.491(5) WBISS. 492. onde a lei o prohibe (4). 731). O moderno direito civil allemâo é deficiente a respeito deste assumpto. «Manuel». «Lehrbuch». Si. «Precis». não poderão ser invocadas em paiz cuja legislação não admitta. e. «op. é preciso que5 a lei pessoal do pae e a do filho egualmente a admitiam < ). assim como á ordem publica. 373. !6) WBISS. II. cumpre dar predominância á lei pessoal do filho. da lei pessoal do filho que deve ter direito à ser reconhecido (l). acha que a lei reguladora da espécie é somente a do pae. tém applicação ao forcado. FIOBB. cit». { 25.. «Manuel». 1899. o direito que lhe compete1 de oppor-se ao reconhecimento deve ser determinado por sua lei pessoal. ■ . porque é o seu estado que se tem de determinar e com o estado as suas condições de vida (*). ainda que se harmonisem as leis das partes litigantes. dá preferencia á lei do pae (Droit international prive». da lei pessoal do progenitor. «Precis». WBISS. por escandalosa. em segundo logar. DBSPAGSBT. cãt. pag. {4) DBSPAGNET. mas no art.. quanto á capacidade. «op. f 89. ama cidadania própria.1 «Precis». pag. ainda neste caso. todavia admitte que si o filho tiver. «Manuel». pag. segundo a qual. n. 491. WBISS. que deve ser apto para esse acto da vida civil. Fiop. GRASSO.724-425. ns. a invés H (1) DESPAGSET. «Precis» n. 491. por seu nascimento. porque a lei ingleza permitte apenas estabelecer putativamente que tal homem é pae para o effeito de obrigal-o a fornecer alimentos ao filho (*). n. «Manoel». I O que se disse do reconhecimento voluntário. 2-j3.». da lei de introducçáo. estabelece as obrigações do pae natural de accôrdo com a lei pessoal da mãe natural (KEIDEL. em primeiro Iogar. pag. 492. si houver impedimento para o reconhecimento da parte da lei do filho cumpre attendel-o (a). 273: WBISS.

274 c VAREM. n. quando legitimamente pronunciada a sentença de reconhecimento no extrangeiro. 247-2. III. 274.. a legitimação por subsequente casamento somente é possível quando auetonsada pela lei pessoal ao tempo do nascimento do filho e ao tempo do casamento (WHARTON. a opinião ê vacillante. . jj 241). Assim. a divida alimentar estabelecida em favor do filho pelo direito delle se regula.ES-SOMMIKUUS. em CLUNET.». FIORK. 844. 1889.I. exceptuam o reconhecimento dos filhos incestuosos e adulterinos que não j podem ter e (Feito na França. PII. 276-277. «Droit international prive». pae. « Droit romain ». «Manuel». cit.T-BS-SOMMIERES. l 23. Doque tem sido exposto. ORSPAGKBT. a legitimação se verifica em consequência (1) VABEII. 90. 49?. g 89. pag. como já. 494: GRASSO. «Manuel». (4) DESPACNKT. WKISS. 31 . II. a acção da ordem publica já se não manifesta. Deve produzir os seus effeitos em toda a parte o reconhecimento assim obtido. « Lehrbuch». 11. II. b.Í4.. SAVIGNY. «Manuel». Todavia. cit. A lei mentario de KEIOKI. pags. 494. acha que esta questão não pertence aos conflictos de legislações e sim á condição dos extrangeiros. £ 241). (3) WEÍSS. II. «Privaie international law». vol. «Prccis». «Prccis». a condemna por illogica. Nos Estados Unidos da America do Norte. sustenta doutrina contraria. e a divida alimentar do pae obedece ás regras da lei pessoal deste i3). 730-733 e BAR. entre nós. WIIARTOM ( « op. Si STOKY acompanha a doutrina ingleza. porque.p. (2) «Direito». «Príncipes». Deste facto resulta que os interesses de cada uma dessas pessoas encontram abrigo na respectiva lei pessoal.». «Synthese». DESPAGNBT. «Synthese». ri. n. 260 e segs. ns. . Tal decisão parece-me inacceitavel em face do direito pátrio. vê-se que a lei pessoal do paee a do filho são chamadas a trazer a sua contribuição ainda que a do filho deva ter preeminência.CLÓVIS BEVILÁQUA 241 tigacão da paternidade t 1 ) . decidiu o Supremo Tribunal federal (*). n. 493. «op. Wuiss. Não nos devemos preoccupar agora com a differença de nacionalidade que possa existir entre o pae e a mãe. « Manuel ». 8 11. queria que se attendesse a lei do domicilio do pae na epocha do casamento. pag. « Prêcis ». pag. WEISS. contentam-se com a lei pessoal do pae. Na Inglaterra. . A legitimação por subsequente matrimonio também deve ser regulada conjunctamente pelo estatuto pessoal do pae e pelo do filho (4). I 38o. por exemplo. «Droit international prive».LKT. FIORE. ns. 733. pag.

§47 ADOPÇÃO Também quanto á capacidade para adoptar e a aptidão para ser adoptado. inclina-se.242 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO do casamento e as relações pessoaes dos cônjuges regem-se pelo estatuto pessoal do marido ('). decidem as leis pessoaes das partes ('). ainda que se refira somente ao estatuto pessoal do pae. (5) DESPAGNBT. não attende. pelo estatuto pessoal do filho. A lei] pessoal a que se deve attribuira regência da matéria é a existente no momento de se effectuar o enlace matrimonial (2). cit. de accôrdo com essas (1) Veja-se o jj 42. jj i58. «Précis». «Droit international prive. pag. cit. FIORE. nem por acto privado. neste caso. Na Inglaterra. O recurso ás auctoridades consulares (5) é insufficiente. Ainda neste caso. n. a adopção tem de ser homologada pelo juiz. GRASSO.». 2S2. não se reconhece effeito extraterritorial a esta espécie de legitimação (WHARTON. entre nós. Mas nada impederia que nalgum desses paizes um brasileiro adoptasse um uruguayano. BAR. Consequentemente. produzirá seus effeitos. como devera. segundo as leis nacionaes das partes. n. g 25o). I de accôrdo com as respectivas leis pessoaes. 282. I 8g. pag._■ (a) PILLET. «Manuel». porque a lei civil do Chile e da Argentina desconhe-j cem a adopção. «op. # 25. . S (3) DESPAGNBT.». n. . aoestatuto pessoal do filho. 496. Realisada a adopção. n. «Manuel». «Lehrbuch».. I A mesma solução devemos adoptar em relação ás outras possíveis modalidades de legitimação.WEISS. 496. si não se levantasse o embaraço das formalidades.«op. um chileno ou um argentino não pôde adoptar nem ser adoptado. que se não podem cumprir segundo as leis locaes. BAR. 280. «Précis». § 2?. «Príncipes». pois que a adopção não é contraria á ordem publica. porque.'e em particular a legilimatio per rescriptum principis (3). (4) DESPAGNBT. II. Wmss. 8289. «Lehrbuch». «Précis».GRASSO. ^58.

5o2. uPrécis». até para os direitos conferidos ao pae em consequência do poder paterno. o usufructo sobre os bens do filho (*). que direitos accessorios a elle se prendem. Parece inútil distinguir entre direitos relativos á pessoa do filho e direitos concernentes aos bens. 209. que extensão tem. g 24). DESPAGNET. devemos dar preferencia á lei pessoal do filho adoptivo. do que uma prerogativa dos pães. 497. n. jj 89. «Precis».. Esta consideração esclarece a hypothese em que o pae e o filho pertençam a nacionalidades differentes. a lei pessoal do filho. g 38o. pronunciasse pela lei pessoal do progenitor. VIII.(2) WEISS. Havendo conflicto entre as duas leis. pag.OVIS BEVILÁQUA leis. diversamente do que acontecia no direito romano. quando termina ou se suspende. como. "^ § 48 PÁTRIO PODER Nas legislações modernas. unidade de legislação entre os pães e os filhos. porém. «Droit romain». Decidirá. um direito destes. 282.». n. cit. Essa distincção é feita pela jurisprudência ingleza e norte-americana. «op. . A lei allemã. BAR entende que se o filho tem um estatuto pessoal diferente do de seus pães. então. o pátrio poder é mais um instituto de protecção aos filhos. Havendo. 19) SAVICNY. ir. (i) DBSPAGNET. ainda! mesmo nos paizes que desconhecem esse instituto ( ). WEISS. a lei pessoal da família decide a quem compete o pátrio poder. todavia. «Droit international prive». «Manuel». pag. applica sempre a lei allemã. .clina-se pela lei do domicilio do pae. O pátrio poder. «Manuel». 19. ao tempo do nascimento c(o filho.FIORE. fundada em motivos que não convencem. Be. Uns e outros regulam-se pelos mesmos principios. essa regra não se estende aos objectos situados fora do território do império (art. II.I CÍ. desde que os pães ou o hino tenham a nacionalidade allemã . sobre que pessoas se exerce. art. § 613 e segs. quanto á pessoa do filho. por exemplo. GRASSO. de introducçao ao código civil. II. diz WHARTON que deve obedecer á lei da residência. a estes não podem competir mais direitos do que lhes concede o estatuto pessoal do filho («Lehrbuch».

por exemplo. «Droit international prive». 6i 5. H Também deve intervir a lei local todas as vezes que o pátrio poder degenera em abuso ou quando os pães enveredam pelos declives da immoralidade compromettendo os filhos (6). . «Manuel». I 234. WEISS. fundado em relações de parentesco. CH. 5oi. (5) FIORB. são actos de desobediência e de rebellião domestica». mas com elle não se conforma o seu traduetor CH. (21 WHARTON. II. cit. DOO. Também não póoem os pães extrangeiros usar dessa prero-gativa. 110-112. ANTOUK. jj 89.244 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO porque não seria tolerável que em um paiz os extrangciros exercessem mais lata auctoridade sobre os seus filhos do eme permitte a lei local (*). porque. A lei local deve ser tomada em consideração para oppôr limites ao pátrio poder. que foi estabelecida no interesse particular da família franceza (6). ANTOINB. pag.». «dando ao pae de família os meios de coerção necessários para assegurar o respeito á sua auctoridade. 90.». «Private international law». Paulo. como disse WEISS. WHABTOW. II. «Private international law». «op. 615. «Droit international prive». «Direito». «Manuel». pois que a (1) WIIARTON. cm Espirito Santo do Pinhal.». vol. essa faculdade não pôde ser posta emeffectivi-dade naquelles paizes que a desconhecem. os factos. # (4) FIOKE. || 253-254. nota ao £ citado de FIORK. pags. n. Quanto aos moveis decide a lei do domicílio do momento (2) e quanto aos immoveis a lei da situação (*). cit. ■ (3) WIIARTON. quando o exercício deste importar offensa á ordem publica e aos bons costumes (4). § 49 I ALIMENTOS O direito de reclamar alimentos. estão fora da acção judiciaria e da repressão penal. c com razão. cit. a lei franceza não teve a intenção de investir n pae de uma espécie de magistratura publica. | 255. deve ser regulado pelo estatuto pessoal do que reclama alimentos. (6) A este respeito foi proferida uma sentença. «op. jjg 255-256. sustenta opinião differente. GRASSO. Estado de S. «op. aos quaes o direito de correcção se applica. permitte que os pães reclamem da justiça o encarceramento do filho. pag. O direito francez. n.

«Droit rumam ». «Private international law». mas determinada pelo domicilio. « Lehrbuch ». deve a lex fori servir de base ao direito de pedir alimentos. 621629. J27. O ponto de vista territorialista domina (3). Convenção de Haya. ns. art. Si. BAR. ou porque entendem que o juiz não pôde obrigar alguém a prestar alimentos contra o disposto no seu estatuto pessoal (i). Esta é hoje a opinião dominante na sciencia ( ) . pag. da lei de introducção. pags. |g 168 (2) PILLKT. neste caso. I. 748). «Príncipes». « Droit international prive ». instituída afim de dar aos incapazes a protecção de que necessitam para sua pessoa e para os seus bens. « Proiecto » brasileiro. «op.iss. § 50 TUTELA E CURATELA I. 8o2-8o3. Apenas na Inglaterra e nos Estados Unidos da America do Norte.se acham na impossibilidade de prover á própria subsistência. (3) Veja-se WHARTON. g 38. é um campo apropriado para a appli-cação da lei pessoal do 2incapaz. VIII. cit. VARBH-LES-SOMMIBRES. DBSPAGNET. 56. A tutela. em sua forma primitiva. «Lehrbuch». II. cit. por sua edade. art. cit. 456.». 289. g 00. a lei pessoal não der providencias. lai C também a regra de SAVIGNY. § 152. Wp. de introducção ao código civil. por superveniencia de moléstia ou por outra circumstancia similhante. 23. pag. ns. 420-422. si attendermos a I a 21*7 (i) Vejam-se a respeito FIORE. O Congresso de Montovidéo acceitou a lei pessoal. WHARTON. II. g Í»O.BAR. GRASSO. «Príncipes». porém. é que esta justa concepção ainda não poude desalojar arraigados preconceitos. que lhe falta evidentemente.».e CLUNET. art. FIORE.\% 261-268. n. n. . No emtanto os auctores expõem esta matéria de um modo confuso ou porque vêem na lei referente aos alimentos um caracter de territorialidade. Lei allemã.». « Droit international prive». 1: La tutelle dun mmeur est reglée par sa loi nationale («apud» Con-tuzzi. Mas si attendermos ao fim que o direito teve em vista com a instituição da tutela.CLÓVIS BEVILÁQUA 2A0 instituição foi creada em beneficio dos que. 3o. Esta me parece a solução natural. 1904. celebrada a 3 de Junho de 1902. « op. «op.

6 da citada convenção de Haya e a generalidade dos escríptores. ainda quando a lei pessoal guarde silencio a respeito (2). salvo si a lei local não admittiressa extensão do direito tutelar. quem é capaz de exercer a tutela. quaes os actos a cumprír-se para a sua funcção e garantia (1). I É. Esta intervenção dos cônsules depende dos tra_ |(i) Si a lei pessoal do tutelado estabelece a garantia da tutela. (3) Contra este principio oppõem-se a lei ingleza e norte-americana e o Congresso de Montevideo. si attendermos a que a tutela é subsidiaria do pátrio poder e das relações de família. justamente aquella que determina o seu estado e situação jurídica. (2) Em relação ás excusas. estando o incapaz em paiz extrangeiro. UÁ (4) Veja-se a respeito WEISS. legítima ou dativa. onde quer que elles se achem (3). ensinam os auetores que se deve também admittir a influencia da lei pessoal do chamado a exercer a tutela. 427-429). 457. .da ordem publica (WEISS.246 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO que nenhuma lei poderá prover melhor aos interesses1 lo incapaz do que a lei de sua pátria. são os cônsules chamados a tomar as providencias que o caso exige. devem ser reconhecidos por toda a parte e exercer sua auetoridade sobre os bens do tutelado. As pessoas. segundo a lei pessoal do incapaz. « Manuel». elevem ser excluídas da tutoria. n. 422-425 e FIOKE. esta deve ser reconhecida em toda a parte. a lei nacional do incapaz que nos diz que pessoas devem ser postas em tutela. pags. não teremos duvida em reconhecer aqui o império natural da lei que regula o direito da familia. o art. se levanta o obstaculo. então. Os tutores nomeados em um paiz. No sentido do texto. porque. «Direito civil». diz que a tutela organisada no extrangeiro não determina hypotheca no Brasil. porém. pags. porém. C Droit intérnational prive ». «Manuel».I. mas as formalidades da espe-cíalisação e da inscripção obedecem a «lex situs». quando esta se abre e onde. I I São as auetoridades do paiz a que o incapaz pertence por sua nacionalidade as competentes para organisar a tutela. pois. art. quem se pôde excusar de exercel-a. CARLOS DB CARVALHO. 718. para que não seja obrigado aquiIto de que o dispensa a sua própria lei. de accôrdo com a lei do Estado que representa ou com tractados existentes (4). que por condem nação penal ou por má conducta não podem ser nomeadas tutoras segundo a lei local. si a tutela é testamentária.

ns. GRASSO. communical-o-ão ás auctoridades do Estado do qual x> menor fòr súbdito. e nao da aquellas auctoridades a atttribuição de nomear tutor. cit. 430. 8 accrescenta: «As auctoridades de um Estado em cujo território se acha um menor extrangeiro em condições de ser submettido á tutela. Veiam-se entretanto. VARKI.I1RES. nos arts. de 12 de Junho de 1902. i8qoccupase especialmente do caso em que rallecer. as medidas asse-guratorias dos interesses pessoaes e económicos dos incapazes. -op. estabeleceu. contudo não lhes attribue competência para nomear tutor (i). 80D-807. Não ha necessidade de investir os cônsules de funcções tutelares que devem competir a auctoridades de outra classe. | 9°J. tracta da protecção devida pelos cônsules brasileiros aos nacionaes. I. . (2) Aviso 11. ns.. desde que tiverem conhecimento do facto. n. 150-199. . „ fi\ Veiam-seFioRK. «Systeme». « Orojt intcrnational prive». III. de i3 de Janeiro de i8o:>. 290 e 291) c o «Projecto" de LEHR (réglement interr-ational des tutelles des mineurs étrangers). deixando filhos menores.n. DBSPAGNBT. um cidadão brasileiro. A lei brasileira. O art. 2<->u. »*■? «Lehrbuch». Wuiss.CLÓVIS BEVILÁQUA ctados concluídos entre os diversos paizes. «Précis». «Precis». alguns dos quaes lhes conferem competência para tomar providencias de ordem secundaria. informando as auctoridades do paiz que representam afim de que estas tomem as medidas decretadas por lei.g. utilisando-sedas auctoridades locaes. as medidas necessárias á protecção da pessoa e dos interesses de um menor extrangeiro poderão ser tomadas pelas auctoridades locaes». ainda que confie aos cônsules o cuidado com os menores brasileiros residentes no extrangeiro. e no art. 424. Pa. de accòrdo cõm as idéas vencedoras na doutrina (3). iq. ós tractados da França attnbuindo aos cônsules competência de organisar tutela (DESPAGNET. 7 da convenção citada: — «Emquanto não se organisa a tutela e em todos os casos urgentes. Por isso a convenção de Haya. no extrangeiro.». As auctoridades assim (1) O regulamento consular de 24 de Maio de 1872. por outro lado não reconhece aos cônsules extran-geiros direito de organisar a tutela dos incapazes dos respectivos paizes (-) a menos que de outro modo disponha a lei pessoal do tutelando ou algum tractado. 8 28.LK«-SO«M. II. Diz o art. «Manuel».

si a lei mantiver essa incapacidade. Droit international_ prive i>. n. é claro que. B *R. 471-473. 3o-32 da lei de íntroducção do «Projecto» de código civil brasileiro em sua fórma primitiva (Veja-se o % 10 deste livro). 2. Outr'ora os extrangeiros não podiam ser chamados ao exercio da tutela. « Droit international prive». pag. n.LE et ARTIIUYS. como a nomeação de um curador para velar pelos bens do ausente e outros simi-lhantes. não subsiste maís essa incapacidade (8) e no direito ex-trangeiro também vae desapparecendo essa injusta exclusão (*).». CLUNET. BAR. No Brasil. mas vae tomando outra orientação a doutrina.i. n. « Précis ». constar ás que lhes deram o aviso. « Lehrbuch ». soit d'u. Os princípios expostos em relação á tutela têm inteira applicação á curadoria. 456-473. pag. ■ (1) «Apud» COJITUZZI. Rien ne s'oppose. n. 828. E' a lei pessoal da mulher que determina as condições da curadoria do nascituro (5). (2) FIORE. « Synthcse». II. II. cit. ns. 808. si a tutela foi organisada ou si o vae ser » (*). é a lei pessoal do incapaz que regula as providencias que devem ser tomadas com o pródigo. «Droit international prive».* ed. 289. VAREILLES-SOM-MIERES. E' também a decisão! de LAUREKT. 2. ensina este auetor. «op. (3) Veja-seg 22 deste livro eo meu « Direito da família». 343 e de SURVII. a interdicção por prodigalidade ( ).mineur Français. III. como já foi dicto. cumpre attendel-a. « Droit civil international ». 1904. I. 749. Neste mesmo sentido foram redigidos os arts. I. «Lehrbuch». logo que for possível. Está. § 28. a cc qu'un étranijer exerce en France la tutelle legale. ns. Também é claro que certas interdições não podem ser estabelecidas onde as considerem como offensivas da liberdade 6 pessoal. testamentaire ou dative. Todavia. (6) BAR. A lei local também encontra applicação no que diz respeito ao processo e a certas formalidades extrínsecas sobre as quaes a lex actus exerce o seu império (*). % 81. (5) FIORE. 467.248 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO informadas farão. 57. «Droit international prive». 32o. «Lehrbuch». Mas é bem de ver que os tribunaes locaes são competentes para tomar as medidas urgentes aconselhadas pela situação. pag. (4) Consultem-se: FIORE. Dss-PAGNBT. n. . soit d'un mineur étranger. g 28. neste caso.

BAR. as indemnisações por bemfeitorias ou por deteriorações acontecidas durante a posse. 77477"> «Précis». Com esses dados poderiam ser resolvidas as questões mais communs nesta parte do direito civil.CAPITULO V Direito das cousas § 51 DA POSSE. E também a lei territorial que regula a acquisição dos fructos. 404. n. Qualquer possuidor. As acções possessórias têm caracter de aireito social. g 3o. 32 . como emanações da vorga-nisação da propriedade e do credito publico. Consequentemente. «Droit intcrnational prive». n. II. ns. e é ainda ella que decide si a posse merece a protecção da lei. pôde utilisar-se dos meios jurídicos facultados pela lex rei sitce para a defeza da posse. como algumas applicações interessantes desses principios ainda se podem encontrar. dignas de menção em uma obra elementar. Posse. quer se tracte de interdictos retinendce possessionis quer de recuperando? (*). Todavia. 1. a regra do direito francez. sem distincção de nacionalidade. também (i) PIORE. «Lehrbuch». DA PROPRIEDADE E DOS DIREITOS COUSAS ALHEIAS SOBRE No g 33 ficaram estabelecidos os principios gefaes sobre os bens e no $ 36 fez-se a critica das legislações sobre a hypotheca em direito internacional. serão ellas aqui consideradas em breves indicações.

arts. A translação da propriedade entra no domínio da lei da situação da cousa. jj 3o. Assim as restricções ao direito de propriedade quer movei quer immovei se impõem a todos os habitantes do paiz. do Montenegro. (3) Ord. As leis que organisam a propriedade. têm auctoridade absoluta e exclusiva. a austríaca (código civil. os preceitos de hygiene. 1448). a inscripcão ou a transcripção. art. 1138). 5. n. são leis territoriaes (2). 1638. Si um francez alienar um prédio que possuir no Brasil poderá realisar ^contracto de compra e venda na H ti) FIORE. letra b. G09. (código civil. Propriedade. os impostos obrigam indistinctamente a todos. 3i3). Ha legislações. para a transferencia da propriedade. art. 425 ). um iacto exterior e visível como a tradição. art. art. «Direito civil brasileiro». ainda. . (4) Código civil hespanhol. Codirço commercial. art. art 443. «Précis». Os direitos de visinhança. que consideram a translação da propriedade effectuada pelo simples eífeito das convenções. ou são applicações quer directas quer indirectas desses direitos» (l). como a brasileira (3). «Lehrbuch». de Zurich. art. 117. 791. diz FIORE. 4. art. BA». art 715) ealgumas. económicos e industríaes que encerram em cada paiz. que exigem. a allemã (código civil. a italiana. II. e outras existem. 394. 196 e 202 . art. pelos intuitos políticos. a argentina (código civil. a desapropriação por utilidade publica. afazem parte do direito social e do direito politico de cada Estado. en fait de meublei possession vaut titre. cie». depende da lei vigente no logar em que estiver o movei que se pretende pôr a coberto da reivindicação de quem se diz proprietário. Independem de tradição a propriedade adquirida por convenção matrimonial e por sociedade universal («op. n. ■ (a) DiiSPAGNET.25o nin nTffTjitrjriwà CIONAL PRIVADO adoptada em outras legislações. como a franceza (código civil. 446).jj 1. CARLOS DE CARVALHO. 557) e outras (4). uruguayano. 26. art. «Droit international prive». art. quando se effectua por actos inter vivos. a portugueza (código civil. Os actos mortis causa serão estudados opportunamente.

H (i) Veja-se o quejá ficou dicto nos 88^4 e 36. As servidões. GRASSO. regulador das relações de família. mas ha de sujeitar-se ás exigências da lei brasileira que estabelece a escriptura publica e a transcripção como formalidades indispensáveis para que a alienação se eííectue validamente (l). 8 3o. duas hypotheses se podem dar: ou o navio é vendido em um porto do paiz a que pertence ou não. 8 3o. n. E' assim. que o usufructo attribuido por lei aopaeou ámãe que exerce o pátrio poder. por exemplo. «Lçhrbucb». m . muito embora o navio se ache em porto extrangeiro. à. Si eml vez de um prédio. entram no domínio especial lex rei sita?. «Lchrbuch». os direitos reaes sobre cousas alheias.». é á lei de seu pavilhão que ainda se deve attender (*$. Si entre o logar do prcedium serviens e do praedium dominaus ha diversidade de legislação. A. não podem ser gravados por ónus reaes que não sejam os estabelecidos pela lei brasileira. quando por ventura não ha coincidência de logar para ambas (3). deve ser reconhecido como abrangendo os bens situados em outro" paiz. desde que esta não vá de encontro aos interesses da soberania territorial. seria necessária a tradição. 397 .CLÓVIS BEVILÁQUA 25 I Franca. ainda que fundado no estatuto pessoal. Em relação aos direitos reaes. «op. o império da lex rei sitce não étam absoluto. 5.8 102. que não possa admittir a influencia de uma lei extranha. «Précis». prevalece a do primeiro (4). basta que tenham sido observadas as formalidades prescriptas pela legislação desse paiz. porém. (4) BAR. Assim os immoveis situados no Brasil. em geral. como. '3) BAR. A lei que determina a qualidade de accessorio attribuida a uma cousa é a do logar onde ella se acha e não a da situação da cousa principal. cit. no segundo. o objecto transferido fosse uma cousa movei. (2) DESPAGNET. dependem da organisação da propriedade e. No primeiro caso. fy Nas alienações de navios. portanto. Servidões.

.'. e a forma. estabelecerá as formalidades da especialisação eda inscripção.. DJJSPAONET.„ j •. ——.... n...». 909-920.... cit... Quanto á hypotheca legal. Mas.. II..... A convenção pôde ser celebrada em qualquer parte.. n. «Droit international prive».. ..... e decretará como se extingue e se execute a hypotheca. Perante algumas legislações.. Hypotheca..... n.... 11... . 409.. n. de accôrdo com o logar de sua celebração....... ■ * ........... II.. «Precis»...•.. declarando que os contractos celebrados no extrangeiro não produzem hypotheca sobre os im moveis situados no Brasil............ No contracto deve-se considerar a capacidade dos pactuantes segundo a sua lei pessoal... .. 883 C DHSPAGNUT... mesmo quando ahi não exista na lei uma disposição correspondente (l). legal e judiciaria........ 401.. A hypotheca pôde ser convencional.... salvo o disposto nos tractados. g 855 e DBSPAGNET. «op. ... ou si os contractos forem celebrados por brasileiros ou estipulados em favor destes nos consulados com as solemnidades e condições determinadas na lei brasileira. cit...... determinará a extensão do direito......./.. Esta ultima lei dirá que cousas podem ser objecto do ónus hypothecario. como o navio se considera permanentemente submettido á lei do Estado a que pertence por sua nacionalidade. Na convencional ha que distinguir o contracto eo direito real.252 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO . A mulher casada e os menores em (i) Veja-se o g 48 deste livro e mais FIOIIE. si a lei desse paiz adrrjittir a hypotheca de navios.n.... «op. «Precis»..... A lei brasileira não adopta esse principio....„.... (2) Remetto o leitor para o que já disse nos gg 34 e 36. discutem os auctores si élla pôde ser consequência do dispositivo de uma lei extranseira. Quanto a este ultimo ponto já vimos que alei brasileira (2) não trilhou o bom caminho.... gg 878... Ha evidente confusão de idéas.... os navios podem ser objecto de hypotheca. (5) FIORB.... 412.».. ■■••". «Ade»: Fione. aPrecis»... mas a constituição do direito real somente no logar da situação do bem é possível.. não será objecção contra o seu estabelecimento o facto de se achar o navio ( em aguas territoriaes brasileiras (3)....

710-719. 4. „. principio e do dec. Não me parece bem justificada esta doutrina. O art. E1 claro que a lei do paiz onde os bens estiverem situados deverá ser unicamente applicada em tudo que interessar o credito publico. não produz hypotheca legal sobre os bens nelle situados (3). „ . (2) No mesmo sentido: FIORE... (3) «Direito civil brasileiro». letra B. tal como é| comprehendido e protegido nesse paiz. 416. § 4. II. etc. quando sua lei nacional a estabelecer em seu proveito. arts. art. n. assegura a brasileiros e a extrangeiros residentes no paiz a inviolabilidade dos direitos concernentes á liberdade. a hypotheca legal sobre os immoveis que os tutores ou curadores nelle possuírem. que a lei do paiz onde os immoveis estão situados admitta o direito de hypotheca em geral. para que o incapaz extrangeiro possa prevalecer-se dessa garantia. 895 esegs. 72. ella não se mantém. «Bastará.CLÓVIS BEVILÁQUA 253 relação aos seus bens administrados pelos maridos das primeiras e pelos pães ou tutores dos segundos têm a garantia da hypotheca legal estabelecida por sua lei pessoal. da Constituição federal.». Pergunta-se: essa hypotheca legal pôde recahir sobre immoveis situados no extrangeiro? Os mais auctorisados internacionalistas respondem pela affirmativa. e a lei brasileira não a suffraga. ns. por exemplo. «Lenrbuch». 4. n. ensina DESPAGNET (*). salvo o "disposto em tractado.. affirma que o casamento celebrado entre extrangeiros. Com o mesmo fundamento. Do facto dessa garantia de direitos aos (i) «Précis». á segurança individual e á propriedade. . dos menores e dos interdictos. tirando argumento da Constituição federal. BAR. «op. 72. pr. 169 A. CARLOS DE CARVALHO. fora do Brasil. n. art. de 16 de Janeiro de 1890. no que respeita á necessidade da inseripção das hypothecas das mulheres casadas. g 3o. cit. recusa aos menores e interdictos extrangeiros. » (*). ZL[ „ . Em face dos princípios do direito internacional. sem residência no território da Republica.

pois.. que se refere ás convenções passadas no extrangeiro.«......... .. cit..Í"M.. E preciso. depois de ter sido homologada pelo Supremo tribunal federal.. #4... também me parece que não é argumento valioso... coincide com a lex rei sitce. Não é.■... n.Í. A hypotheca judiciaria pôde resultar de uma sentença extrangeira...-... FIORIÍ.... Quanto ao art.. pois o fundamento da hypotheca legal não é simplesmente a vontade das partes. do que uma sentença de tribunal brasileiro.".■-". uma hypotheca judiciaria tivesse efíeitos mais latos. que o paiz onde foi proferida a sentença estabeleça essa modalidade de hypotheca e que também a regule a lei do logaronde a sentença se executar. II. .... outras allia ao direito de sequela o de preferencia fundada na prioridade (M-Seria absurdo que. garantindo uma sentença extrangeira..254 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ♦*—•«' .. uma sentença belga não produz hypotheca e uma sentença extrangeira não pôde ser fundamento de hypotheca na Bélgica. determina a feição da hypotheca judiciaria... por ísso que a lei desse paiz desconhece a hypotheca judiciaria.. . 4... ns...». 414. (1) DBSPAGNET. em apoio da opinião do illustre civilista o que dispõe o legislador constituinte. porém.... mas uma determinação da soberania do Estado a que pertence o interessado. 304-908.. que.. Assim.... . extrangeiros residentes não se pôde concluíra negação dos mesmos direitos aos não residentes. . umas vezes ella apenas é dotada com o direito de sequela... no Brasil. da lei hypothecaria citada.... Reconhecer a hypotheca estabelecida por lei é reconhecer um acto da soberania extrangeira dentro dos limites da sua acção normal.. «Préçis»..«.. na hypothese.... como no Brasil. «op.j pois.... Cumpre accrescentar que a lei do logar da execução....

que tracta esse direito por outro modo e não admitte a possibilidade de exgottar-se a garantia legal ainda em vida do auctor. c o « Em defeza do Projecto de código civil brasileiro». (1) Vejam-se as minhas «Lições de legislação comparada».CLOVtS BEVILÁQUA 255 § 52 DO DIREITO AUCTORAL I. Regula esta matéria.* ed. publicadas ia ti de Junho de 1901. como pôde acontecer no systema da lei. 8 esculptura. i3 e instrucçoes para a execução delia. 114c segs. Não é este o momento próprio de discutir a natureza do direito auctoral e o logar que elle deve occupar na classificação dos direitos privados f1). pag. i3g e segs. (2) Contra o modo de contar o praso da duração do direito auctoral e contra a sua caracterisaçáo levantam-se objecções. tractando-se de obra d'arte. 3 26. de 1 de Agosto de 1898. apenas. Para gozar das garantias da lei. pac.. O praso para a garantia do direito auctoral é de cincoenta annos a contar do dia 1 de Janeiro do anno em que se fizer a publicação da obra litteraria ou artística. Os credores do auctor. reproduzirem ou auctori-sarem a reproducção de seu trabalho (a). as indicações da lei pátria necessárias para se lhe conhecer a orientação e se ter uma base para a solução dos conflictos. Aqui darei. e de 10 annos. 72. 496. O direito auctoral é cedivel e passa aos herdeiros segundo as regras do direito. tractando-se de obras de pintura. _ (3) Lei citada.___ . de litteratura ou de sciencia. 2. para a qual o direito dos auctores não têm o caracter de uma propriedade: é um privilegio que lhe é assegurado para somente elles. contados da mesma forma. dentro de um certo lapso de tempo. ou de um exemplar da respectiva photographia. fundadas no art. no praso máximo de dois annos. representações ou execuções. na Bibliotheca nacional. para a faculdade de fazer ou auctorisar traducções. um exemplar em perfeito estado de conservação.. da Constituição federal. no Brasil. desenhos e outros similhantes ( ). . necessita o auctor de registrar. . . a lei n. art. architectura. .

ns. a convenção entre o Brasil e Portugal (dec. n. em 1878. «Synthesc». dá logar a que se interrogue: por que lei deve ser regulada a duração e a amplitude do direito dos au-ctores ? O Congresso da propriedade literária e artística. então. a lei condemna e pune como contrafacção o traduzir em lingua portugueza obras extran-geiras. VAREILLES-SOSIMIERES. Este é o verdadeiro principio. (2) BAR. Neste ponto o çxemplo da França é digno de seguir-se. si a traduccão for feita por extrangeiro não domiciliado na Republica ou si a impressão tiver sido feita no extrangeiro. pelo qual se prende á organisação da propriedade. não é esta a doutrina dominante na França que. residentes no Brasil. $40. io53. Todavia. O extrangeiro que publica ura livro em um paiz submette-se á lei que ahi impera e tem direito de obter dos poderes públicos a protecção de seus legítimos interesses (2). não residentes na Republica. Todavia. emittiu um voto no sentido de se applicarem sempre as disposições da lei do paiz onde as obras fossem editadas. «Lehrbuch». 5oo e 5n5-5oS. porque o direito auctoral é.256 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO em vida do mesmo. Quanto aos estrangeiros. mas apenas os rendimentos que eile possa produzir. tem se constituído (1) Existe apenas. conceden-do-se assim aos escriptores e artistas extrangeiros as mesmas garantias de que desfructam os nacionaes. II. quando não preceder assentimento do auctor. reunido. com o seu aspecto pessoal e real. I. sobre esta matéria. A lei assegura a protecção legal aos nacionaes e aos extrangeiros. não podem apprehender o direito auctoral. aliás. A natureza especial do direito que agora é examinado. . melhor seria reconhecei-© directamente como os outros direitos privados que não desapparecem pelo facto de serem considerados em Estado que não seja aquelle que lhes assegura a protecção. o seu direito será garantido por tractados (*). de 1889). Em vez de fazer depender de convenção o direito dos auctores extrangeiros. considerado em seu aspecto económico. em Paris.

«Manuel». a questão não pôde ser encarada por essa face. é regido quanto á natureza. VABEILLES-SOJIJIIERES. mas não pôde ser respeitado na França além do termo dos cincoenta annos. reconhecidas e acatadas pela lei pátria. é mais vantajosa para o auctor do que a fránceza. O livro editado no Brasil. extensão e duração dos direitos de seu auctor. que não tenha convenção a respeito com o Brasil. Si a lei do paiz. garantido por lei extranceira. 68. Si. n. dizer que o direito dos auetores. No Brasil. sob a garantia da lei fránceza. tem a duração de oitenta annos. muito longe disso. pela lei brasileira. O direito auctoral na Hespanha. n. O livro editado num paiz. seja por nacional seja por extrangeiro aqui residente. acha-se des<-provido de protecção deante da lei brasileira. «Précis». «Synthese». porque. no commercio e mesmo na ordem civil. certamente. WEISS. é ella que se executa na França. Quer significar apenas que a violação especifica do direito (i) DRSPACNET. . afim de que alienígenas não fruam. os favores da lei extrangeira são mais reduzidos. direitos mais amplos do que os nacionaes. A duração do direito auctoral é de trinta annos segundo a lei allemã. seja considerado inexistente no Brasil. 5o2. no que concerne ao direito auctoral. Não quer isto. e somente durante esse prazo é respeitado pelo direito francez (*).CLÓVIS BEVILÁQUA 257 o paladino do direito auctoral. a lei brasileira não reconhece o direito auctoral sinão o baseado nas suas próprias disposições ou em tractados internacionaes. 54G-D49. applica-se esta ultima. ao contrario. por exemplo. 34 . pags. podem elles ser objecto de relações diversas. I. onde foi editada a obra artística ou literária.

Si a traducçao for feita por extraiieeiro não domiciliado no Brasil deve trazer a menção expressa de que foi auetorisada para poder ser introduzida e vendida ou representada no território da Republica. que serve de assento legal a esta matéria no Brasil. não t„erá no Brasil feição antijuridica (x). 3). os interesses dos auctores não ficarão desamparados. § 53 DO DIREITO INDUSTRIAL Patentes de invenção. creio eu que nem devemos cogitar. É a lei n. de 14 de Outubro de 1882. antes do convénio de 1901. De accordo com | este dispositivo. porque a opinião publica e a moral fustigariam certamente o editor audaz que commetesse o acto reprovado de apropriar-se do J alheio editando um livro sem auctorisação do auctor. quando não auctorisadas expressamente pelo auctor e feitas por cxtran-eeiros não domiciliados na Republica ou que nellas nao tenham sido impressas» (lei de i de Agosto de 1898. como já foi anteriormente observado. As patentes de invenção concedem-se a nacioíiaes e a extrangeiros residentes no Brasil (dec. Os (1) Apenas. mas que afinal a bem pouco se tinham atrevido um ou dois livreiros pouco escrupulosos. ou forem impressas no Hrasil. são pcrmittidas as traducções de obras estrangeiras. porque essas razões os defendem de qualquer contrafacção. quando forem feitas por brasileiros ou por extrangeiros domiciliados na Republica. Ficam apenas fora da disciplina de justiça as traducções realisâdas no Brasil ou aqui impressas. art. 3129. a contrafacção. art.258 ff DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO auctoral. 21. Sabe-se que appareceram reclamações de auctores portuguezes. regulamentada por decreto de 3o de Dezembro de 1882. E de livros escriptos em lingua extranha. de livros editados em paizes onde a arte typographica offerece productos muito mais baratos do que entre nós. Apezar disso. se consideram contrafacções «ias traducções em lingua portugueza de obras pxtrangeiras. 8 1). porém. .

n. > 3346. e a confirmação dará os mesmos direitos que a patente concedida originariamente na Republica (lei.0. e a nação em cujo território se acharem os referidos estabelecimentos houver convenção diplomática asse gurando reciprocidade de garantia para as marcas brasileiras.*. que substituíram as disposições da lei de 1887 e do seu regulamento. de 12 de Janeiro de 1904. e as que não offerecem resultado pratico industrial. 1236. 2. oífensivas da segurança publica. Si os estabelecimentos estiverem em outro paiz ainda se applicarão os dispositvos da lei: i.0. nocivas á saúde publica. de 3i de Dezembro de 1887. 1. As prescripções deste decreto são applicaveis a brasileiros e a extrangeiros com estabelecimento no território da Republica. si tiverem sido depositados na Junta commercial do Rio de Janeiro o modelo e a certidão de registro. 2. 4. 3.°. n. de 24 de Setembro de 1904 e n." parte). de 10 de Janeiro de 1905. si a certidão e a explicação da marca forem publicadas no Diário Official (âec. desde que preencham as formalidades e condições estabelecidas pelo direito brasileiro. poderá ser desapropriada a patente.^4.°. si as marcas tiverem sido registradas na conformidade da legislação local.°. 5424. contrarias alei eá moral. art. durante o privilegio. Este assumpto era regulado. de 14 de Outubro de 1887. si entre o Brasil. 9828. n. 2). art. ou o seu uso exclusivo pelo Estado. 2. Não podem ser objecto de patente as invenções: i.0. 5114. de 24 de Setembro de 1904. . pelos decretos n. 4. O privilegio! exclusivo da invenção principal vigora por quinze annos e o do melhoramento concedido ao auctor da invenção terminará ao mesmo tempo que aquelle (lei.CLÓVIS BEVILÁQUA 25oJ inventores privilegiados em outras nações poderão obter a confirmação de seus direitos no Brasil. 2 4. Hoje temos os decs. 1. Si. no Brasil.). 3.°. Marcas de fabrica e de commercio. art. mediante as formalidades legaes (lei. a necessidade ou utilidade publica exigir a vulgarisação do invento.

devem dirigir o seu pedido. 73-85. 2499. A essa União adheriram a Inglaterra. n. «Précis». de 17 de Dezembro de 1897 (*)• (1) Esta Convenção foi completada pelos protocollos firmados na Conferencia de Madrid em Abril de 1891. ns. de '9de Abril dc '897. A citada convenção estabeleceu. a Bélgica. modelos indiistriaes. para ser enviado ao Bureau international de la pro-prieté industrieile. ao Ministro da industria.. etc). uma União entre o Brasil. a Hespanha. para o fim de proteger a propriedade industrial (patentes de invenção. prevalece o regimen de égua Idade estabelecida nessa convenção (l). proprietários de marcas registradas na conformidade da lei brasileira. Os extrangeiros estabelecidos fora do território da Republica têm a faculdade de requerer directamente o registro de sua marca no Brasil e gozarão das garantias da lei. em favor das nações que firmaram a convenção de Paria. Os industriaes ou commerciantes. Suissa. comtanto que as marcas tenham sido registradas na conformidade da legislação local e a certidão do registro com a explicação da marca tenha sido publicada no Diário Official. 9233. Paizes-Baixos. Servia. (3) Sobre a matéria deste \ vejam-se : DBSPAGNET. «Manuel». de 28 de Junho de 1884 ou a ella adheriram. FIORE. por intermédio da Juncta commercial da cidade do Rio de Janeiro. Itália. segundo publicou o dec. WEISS. Salvador. Portugal. em Berna (dec. . de 20 de Novembro de 1896.2ÓO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO art. marcas de fabrica e commercio. II. Além disso. n. 509-517. o Equador e Tunis(3). 549-552. de 3 de Junho de IQO3 e n. mandados executar pelo dec. pães. «Lehrbuch». 238o. a Republica franceza. independentemente de reciprocidade. ns. que desejarem garantir ás dietas marcas a protecção legal nos paizes que celebraram o accôrdo de 14 de Abril de 1891 ou a elle adherirem. 48S8. n.Vejarn-se ainda os decs. I. promulgada pelo decreto n. ns. (a) Adheriram posteriormente a Áustria e a Hungria. BAR. 5i 14. «Synthese». VAREUXES-SOMMIERES. 2747. \ 41. viação e obras publicas. com domicilio no Brasil. «Droit international prive». 954-991. de 12 de Janeiro de 1904. n. Guatemala. 34).

depende da lei pessoal das partes. g 19. DKRNBIRG. A forma dos actos é regulada pela lei do logar onde se realisa o acto. No mesmo sentido: STORY. onde tem de se effe-ctuar a solução ( ). O que. de accôrdo com a extensão e as restricções dadas pela doutrina á regra locus regit actum. SAVIGNY ensina que a sede da relação jurídica obrigacional é o logar de sua execução (Erfuellungsort/. WHARTON. $ í '97-'99- . l . importa principalmente considerar agora é a obrigação mesma. ENDEMAN. em sua substancia. aliás. «Private international law».». I. effeitos e execução. por quanto o fim visado em toda obrigação se concentra na prestação que o credor tem d direito de exigir do devedor. «Einiuehrung. quer unilateraes. LAWRBNCE. O centro de gravidade da relação está onde se revelal a sua efficacia. J 48. % % 399-401. «Droit romain». WGSTLAKE. VIII.CAPITULO VI Direito das obrigações § 54 DAS OBRIGAÇÕES VOLUNTÁRIAS (DOUTRINA) I I."72. quer sejam convencionaes. A capacidade para contrahir obrigações voluntárias. Contraxisse unus-quisque in eoloco intelligitur in quo ut solverei se (i) SAVIGNY. porém. «op. «Pand. A resposta dos escriptores é vária. Esta opinião pretende apoiar-se em textos do direito romano que. não previam justamente conflictos de legislação.g 280. «Connictsu. clt».

ROTII. as 'contestações suscH tadas entre as partes. sed quo solvenda est pecunia. que não foi cultivada pelos jurisconsultos romanos. 21. D. Uma terceira opinião prefere a lei do logar do contracto ou da declaração da vontade. por outro lado. porque. «System». 7. por) ventura. diz o D. 42. g 5i. sínão estabelecer a competência do juiz do logar da execução. Mas. a regra jurídica limitando a vontade das partes é estabelecida em protecção do devedor e. em regra. 44. § 3i. . Nos actos unilateraes. E quanto a dízer-se que o interesse do devedor merece mais a protecção da lei do que o do credor. restaria ainda saber si a sciencia do direito internacional privado. 3. por conhecer. cada um naturalmente se obriga segundo os princípios jurídicos que lhe são conhecidos e que lhe servem de estatuto pessoal. ainda que o direito romano. poder-se-ia talvez acceitar esta doutrina. apoiando-se também no direito romano: uniuscujusque enim confi) «Lehrbuch». (1) «Pandectcn».2Õ2 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO obligavit. a pessoal do devedor. accrescenta o fr. fr. 5. pois que um e outro devem ser egualmente assegurados e o contracto presuppõe direitos eguaes entre os contrahentes. diz o primeiro. BAR (X) WINDSHEID (2) e outros opinão que a lei reguladora das obrigações deve ser. dentro do império. parece-me affirmação infundada. Contractum atitem non utique eoloco intelligitur quo negotium gestum sit. devia submetter a auctoridade da razão á razão da auctoridade. E a primeira não favorece o systema de SAVIGNY nesta parte. nestas regras. I. g 35. mas nos contractos onde intervêm duas e mais vontades é de todo arbitrário submetter a relação de direito á lei pessoal do devedor. não visasse. porque nem sempre o logar da execução é previsto e pôde acontecer que se effectue em logares diíferentes.

a vontade é a fonte geradora das obrigações convencionaes e unilateraes. estas não devem ficar entregues ás variações do arbítrio. deve entender-se que . 1. 17. Pensam alguns auetores que. entretanto. Como. A verdadeira opinião parece-me aquella que. attende á autonomia da vontade. como na obrigação a analyse juridica distingue perfeitamente a substancia. nas relações internacionaes. E' preciso modifical-o combinando-lhe os elementos com outros. tem elle incontestavelmente por si valiosas rasões. na falta de qualquer declaração em contrario. é conveniente que a lei ou a doutrina as fixe.CLÓVIS BEVILÁQUA 263 tractus initium spectandum est et causa (D. em primeiro logar. a vontade somente em relação aos dois primeiros elementos pôde agir. frj [8.)-Apezar do que contra este parecer alíegaram SAVIGNY. os effeitos e a execução. De modo algum. dizendo que é muitas vezes entregar a solução do conflicto ao acaso. e concluídos no extrangeiro não poderão no Brasil executar-se. A vçntade individual para produzir effeitos juridicos tem de collocar-se sob a égide da lei da qual tira toda a sua efficacia social. WH ARTON e outros. A alienação perpetua da liberdade pessoal e outros actos similnantes não podem ser praticados no Brasil. Assim é que as leisdeordem publica impedem que a vontade produza effeitos juridicos em contrario ás suas prescnpções. pr. A execução naturalmente cae sob o domínio da lei do logar'onde se effectua. Certamente não se erige o querer individual em força dominadora cujo império desfaça as determinações das leis. Collocada nos seus naturaes limites e agindo de accòrdo com'a lei. consequentemente lhe deve ser permiuido. Todavia. Entretanto não pôde ser acceito de modo absoluto. escolher a lei a que subordina as obrigações livremente contrahidas. Por outro lado. a vontade pôde não ser expressa. si o credor e o devedor são da mesma nacionalidade. mas induzir-se claramente de presumpções.

acceitarem a lei nacional com mu m para regularas duvidas que surgirem sobre a relação juridica que entre si estabeleceram (*). comtudo nos contractos de ordem puramente patrimonial quer me parecer que a lex loci contractas é a que melhor preenche as condições de supplitiva da vontade das partes (*). Ainda que nos pactos antenupciaes me pareça que essa indicação da lei pessoal resalta do conjuncto das circumstancias. á primeira vista..... A execução das mesmas obrigações dependerá da lei do logar onde se cumprirem (3j.. como têm notado muitos jurisconsultos...««...■■M^^^^A^^B^^^^^^^^^^^b^^^j^ m 264 | •"•■'•" ■ ' DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ... por causa da vacillação que se nota na doutrina.. offensa do direito nacional dos pactuantes ou da ordem publica....... são regulacíos pela lei do logar onde forem celebrados os actos que as originaram....... D . ecto» primitivo... 35.... . se refere REUTERSKICELD.. da lei de m «Proj Upsala. difficil a applicação da lex loci contractos..--.... os dois momentos se separam de modo bem accentuado: o da existência do vinculo jurídico acompanhado de seus naturaes effeitos e o das consequências que decorrem da execução. Nem se objecte contra esta doutrina que ella scinde a obrigação íazendo-a submetter-se a dois systemas jurídicos differentes. «Manu 2752 2.... entre vivos.... I Em conclusão: A substancia e o effeito das obrigações oriundas de contractos e de declarações unila-teraes da vontade.... em CLUNBT...«*.. quanto á determinação do momento em que se forma o vinculo obrigacional nesses casos.. Nos contractos inter absentes parecerá.... salvo estipulação em contrario. art...... porque exactamente.. II..*••*• ......... introducção....

g 65. mas é claro que os juizes se pronunciarão segundo a lei dos respectivos paizes. Applicando estes principios. 300. J 18. . (4) DESPAGNIÍT. ". (3) Meu «Direito das obrigações». ns. devemos dizer que: m a) As obrigações condicionaes devem ser consideradas como estabelecidas onde as partes as contrahiram e não onde a condição se verifica. Adoptan-do-se o systema da expedição. 298. A circumstancia da nacionalidade dos pactuantes não deve ter influencia para a solução da duvida. III.CLÓVIS BEVILÁQUA 2b5 Já em outra parte me occupei deste assumpto e mantenho hoje o que ali expendi (l). «op.'. «Précis». segundo o systema acceito. 123-i 37. Vi-detur consumari conlractus. c) Na interpretação dos contractos deve attender-se principalmente á'intenção das partes: in conven(1) «Direito das obrigações ». I. dt.". é no domicilio delle que se encontra o logar do contracto. n. Em apoio dessa opinião: FIOM. Congresso de Montevideo. 127 (*). in loco ubi acceptatio facta est. applicando a casos idênticos leis diversas. n. art. «Prícis».. « Tractado sobre o direito civiL internacional». em virtude do principio de que a convenção por si exclusivamente não transfere a propriedade (3). como a convenção somente se forma depois que o pollicilante toma conhecimento da acceitação. o meu «Direitodas obrigações». porque a condição tem effeito retroactivo que é completo por direito francez e limitado em direito pátrio. que me parece o melhor fundado e é o que acceitou o código com-mercial brasileiro: art.? 66.». e considerando agora diversas hypotheses. (3) DIÍSPAGSET. quia Mie utriusque consensus coivit. Si o systema adoptado for o da cognição. o logar do contracto é justamente aquelle de onde a acceitação é expedida. 37. b) Os contractos concluídos por mandatário reputam-se localisados onde o mandatário e o terceiro firmaram o accôrdo (4). por isso que o contracto se suppõe firmado no momento em que a acceitação é expedida.

.. I...... e as acções que competem ao credor e as excepções de que pôde o devedor lançar mão. DESPAGNET. . cit. d) A lei reguladora da obrigação. embora fale da lei daquelle que offerece. e delia ainda os effeitos decorrentes dos contractos como a extensão da culpa. cit. I.V. cit.„. I. ns. em sua substancia e effeitos. n... 3o2. 181.■mu 266 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO _„. é por (1) DESPACNKT..i. «Lehrbuch». cit. (4) FlORE..n verba spectari opportet (D. «Lehrbuch».I 5 7 J DESPAGNET. Cit. por isso que umas e outras fazem parte da relação jurídica obrigacional (5)... é a que determina a solidariedade dos devedores quer seja ella resultante da mesma lei quer da convenção ( 4 ) . SAVIGNY. «Précis». FIOBE. delia também depende o benificio da divisão entre co-devedores.».. a possibilidade de executar a obrigação em virtude da natureza do objecto. fr. (3) FIOBE. Si o contracto foi concluído nò domicilio commum das partes ou siquer no de uma delias deve-se presumir que usaram da linguagem corrente no logar do contracto e não no da situação (2). 4. 3oa de seus «Précis». 16. Veia-se também BAI».^|^Í^.. 219). o sentido das palavras deve ser o que ellas têm no logar onde o otfertante está domiciliado (3). 5o.." n. 3o3. «Op. Nos contractos por correspondência.. . 180. H. 142. n. como escreve DESPAGNET. n. f3a. n. da venda de um immovel situado no extrangeiro. por exemplo. servirão as circumstancias de facto para determinar o alcance das palavras empregadas..». g 3a. n.. «Précis».. VIII. «Droit romain». Si a intenção é obscura ou falha. ns.. I. I. Portanto. 143. n. «op...1 . «op. «Précis».. 143. 177-180. (5) FIORE. 3o2. a melhor opinião é a que aprecia a medida indicada no contracto segundo a lei do logar da situação ( a ) . BAR. « é segundo essa lei que se determinarão as regras da tradição da cousa devida. -•'. n. tionibus contrahentium voluntatem potius qua.»..^.. «op. e) Tudo que se refere á execução da obrigação depende da lei do logar onde ella se realisa.». FIORE..». em outros termos. I 5 I . . Quando se tracta. as perdas e damnos no caso de inexecução. «op. í 374. „ (2) DESPAGNET. _..

ainda quando a põem de lacto. a detenção pessoal do devedor. de caracter bárbaro. que não seria applicavel aos naturaes do paiz ('-). ■ (4) Regulamento 737. pags." Presumem-se contrahidas conforme a lei brasileira as 0obrigações entre brasileiros em paiz extran-geiro. 17 da convenção estipulada em Haya sobre diversas matérias concernentes ao processo civil assim dispõe: «A detenção pessoal quer como meio de execução. quer como' medida simplesmente conservatória. pag. de a5 de Novembro de io5o. Mas accrescenta a lei: 1. 3-7 e que merece acceitacão por traduzir a opinião commum e por Iser presupposta por algumas regras de direito internacional privado. só no Brasil forem exequíveis (4). 2. 8 salvo expressa convenção daspartes contractantes ( ). 3oq. . Seguirão alei brasileira as obrigações que. O art. estabelecidas pela lei brasileira. n. A responsabilidade pela mora também se deduz da lei do logar da execução (P. no caso em. 4-3. tem sido. Esta medida de extremo rigor. «Direito ovil». «Direito internacional privado». (3) E' a fórmula que nos dá CARLOS DE CARVALHO. repudiada por quasi todas as nações cultas. Generalisando e ampliando o que sobre letras de cambio dispõe o art. 424 do código commercial. BUENO. porém.». «op. por seu objecto. . f) A execução das obrigações pode determinar. arts. em alguns casos. temos um principio justo: a substancia e o effeitodas obrigações serão regulados pela lei do logar onde forem contrahidas. 116-117). (2) «Apud» CONTUZZI. em matéria civil ou com-mercial ser applicada aos extrangeiros pertencentes a um dos Estados contractantes.CLÓVIS BEVILÁQUA 267 essa lei que se resolverá si esse objecto está no commercio ou não» (1). cit. § 55 LEGISLAÇÃO COMPARADA SOBRE AS OBRIGAÇÕES H VOLUNTÁRIAS A lei brasileira não é sufficientemente precisa nem consagra a melhor doutrina em relação ao objecto deste paragrapho. 48. art. Sem esta (1) «Précis». não poderá.

«Lehrbuch». as duas regras expostas nas duas alludidas excepções com o preceito geral admittido. Combinando. desde que a primeira excepção fosse comprehendida como se referindo á substancia e aos effeitos das obrigações e não á forma. segundo se viu no § anterior. se determinava segundo a lei do logar onde a convenção se tivesse realisado. das disposições preliminares. A situação respectiva das partes. si os contrahentes extrangeirospertencerem á mesma nação. Si das (1) Aliás na redacção de GEBHARD. . aliás como subsidiaria da autonomia da vontade. revela-se a confusão proveniente da falta de um systema que organise as noções. nota 6).' parte. 9. que: a substancia e os effeios das obrigações se reputam regulados pela lei do logar no qual os actos foram celebrados. A lei allemã deintroduccão ao código civil deixou de consignar uma disposição sobre esta matéria. Em todo o caso se attenderá á demonstração de uma vontade differente. no art. A este propósito escreve KEIDEL: «Em matéria de obrigações. denunciando assim que a opinião ainda não se achava sufficientemente firmada. a doutrina seguida era a da lei do domicilio do devedor (BAR. 8 3i. no que dava o legislador allemão precioso apoio á opinião acceita neste livro (*). o legislador adoptara egualmente uma regra muito precisa. nos contractos entre vivos pelo menos. Realmente a doutrina vacilla na Allemanha entre a lei do domicilio do devedor. a do logar da execução e â da celebração do contracto. por sua lei nacional.e feíta a ampliação proposta por CARLOS DE CARVALHO. a lei brasileira estaria de accôrdo com a doutrina italiana. 2. E' este o principio geralmente acceito pelos escriptores que seguem a eschola internacionalista italiana e mesmo por alguns outros delia desprendidos. porém. O código civil italiano estabelece. Esta ultima foi a vencedora no seio da com missão organisadora do código civil alleraão. e.268 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO segunda excepção.

se regulem pelas leis destes últimos paizes. 275-276. 5 O código civil chileno. pela lei do logar onde forem celebrados. art. 1212). porem. art. No espirito da com missão. as obrigações celebradas no extrangeiro submetter-se-ão.CLÓVIS BEVILÁQUA 269 circumstancias resultasse. de feira e. que assim não seja.0 e 3. 1899. O código commercial hollandez. a inapreciável vantagem de fornecer. que as partes se) haviam referido a uma outra lei. pags. art. a lex loci coniractus era a que respondia melhor aos desiderata da sciencia jurídica moderna e ás necessidades da pratica. 2. na maior parte dos casos. de um modo geral.0 e 3. art. A execução obedece á lei do domicilio do devedor (art. quanto á 1(1) CLL-NKT. para os múltiplos incidentes do commercio diário. Desde. quanto á substancia e effeito das obrigações. 4: Os actos de commercio serão regulados: i. esta é que devia ser tomada em consideração em virtude do principio da autonomia. pelo direito vigente no logar da celebração. uma regra segura e equitativa? (*). Para o legislador argentino (código civil. e o colombiano. 498. 1205-1210. para as transacções de bolsa. porém. doutrina que se reproduz nos arts. de mercado. 20. 2. determinam que os effeitos dos contractos celebrados no extrangeiro. com effeito. mas não produzem effeito na Republica a respeito dos bens nelía situados. que tenham de cumprir-se no Chile ou na Colômbia. art. para submetter a primeira á lei do logar do acto e a segunda á lei do iogar onde ella se effectuar Disposição completa exara o código commercial portuguez. salva convenção em contrario. os contractos celebrados no extrangeiro. .°. quanto á natureza das obrigações. regem-se.° alíneas. 16. quanto ao modo do seu cumprimento pela do logar onde este se realisar. 8). Não apresenta ella. estabelece a distincção entre a substancia das obrigações e o que se refere á execução.° alíneas.

uma doutrina vacillante. pareceu sempre á grande maioria dos internacionalistas que o valor da Jei do logar onde o contracto é celebrado não podia ser desconhecido. á lei do logar onde se estabeleceram (!). desde PAULO VOECIO e BURGUNDIO até FIORE e ASSER. sente-se que o pensamento jurídico ainda está em elaboração neste assumpto. si fosse geralmente adoptado. a que se costuma dar o nome de quasi-contractos. 70-76. mostrando pre7 ferencias pela lex loci solutionis e pela lei do domicilio do devedor ao tempo em que se celebrou *ô| contracto. Como se vê. Quer o systema argentino. como a tutela. pertencentes umas ao direito da família. destacam-se oschamadosquasi-contractos. . são relações jurídicas de caracteres diversíssimos. como a obrigação de indemnisar o possuidor pelas bemfeitorias. pois fazem preponderar um territorialismo que seria o anniquilamento do direito internacional. arts. O Congresso de Montividéo adoptou. e porque não cedem á autonomia da vontade o quinhão que lhe compete na formação dos contractos. na redacção do tractado relativo ao direito civil internacional. 32-39. I As figuras de causas obrigacionaes. Entre as causas geradoras de obrigações. que também se inclue na classe (1) Veja-se o «Tractado de Derecho civil colombiano» de Ur'be eChampeau. I § 56 DAS OBRIGAÇÕES NÃO VOLUNTÁRIAS T. os delíctos e os quasi-delictos.27O DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO natureza e effeitos. quer o chi-leno-colom biano são injustificáveis em face dos princípios. A com-munhão hereditária. além do contracto e da declaração unilateral da vontade. outras são do domínio do direito real. apezar de que. I. pags.

. (1) « Droit civil international ».. 11. partindo de uma pretendida analogia entre as convenções e os quasj-contractos. 181...w.. «E'léments». Outros casos não excedem os limites do direito das obrigações. desde logo.... geram obrigações.. pessoal. estabelecem.. no caso opposto. Phenomenos tam vários na substancia e na forma estarão submettidos a uma regra internacional uniforme? A resposta affirmativa resulta do facto de que essas diversas situações jurídicas resultam de uma disposição de lei que assume caracter imperiosamente obrigatório. e pela lei do logar em que se formarem. Por outras razões.CLÓVIS BEVILÁQUA 271 ■ . segundo a espécie de quasi-contracto.. cit. pags.. E esta consideração mostra.. Esta opinião é insustentável. pags. 1900... «op.. Existem ellas no interesse da ordem social de um determinado paiz e a todo Estado compete regular soberanamente as matérias que directamente se referem á ordem social a que elle preside.. .unKT. «Lehrbuch». 537-539... em rigor..... \ g3.. nenhuma das relações jurídicas incluídas nessa classe se approxima das convenções. art. ASSER-RIVIER... Esta propriedade lhes vem directamente da lei.... No mesmo sentido DBSPAGNKT. g 40. porque..... 449-460. dos quasi-contractos.. «Precis». territorial e. que não a vontade individual patrocinada pela lei.. II. que a lei reguladora dos quasi-contractos é.: «Ayant-projet». GRASSO..... 1 e segs... si estas forem da mesma nacionalidade.. não ha quasi-contractos: A não ser a gestão de negócios. (a) « Manuel». Ci... VIII.. quando apenas poderiam encontral-o na gestão de negócios.. «Droit international prive». procede do direito successorio....... | 3A. BROCHBR...•■•* ....... 11. (3) FIORE... umas vezes. como regra.. 17. Por isso estão com a verdade aquelles que affirmam que taes relações obrigacionaes se regem pela lei que faz derivar do facto em questão o laço obrigacional (»). que os quasi-contractos são regidos pela lei nacional das partes.. LAURENT (l) e WEISS (*).. vendo um quasi-concurso de vontade... outras.... BAR.. em todas as relações jurídicas dessa classe.

M ...•■ ............ 36....... «Lehrbuch»....... pela protecção do interesse social.... 10. preferem a lex fori...... delictos e quasi-delictos....... .. g 40... 322. «op. Assim as obrigações oriundas da tutoria devem estar submettidas á lei que regula esse instituto.......... O direito penal é essencialmente territorial e o juiz não pôde julgar é punir sinão de (1) «Projecto» do código civil brasileiro. •.. (2) FIORE. Consequentemente as obrigações que nascem dos delictos e quasi-delictos devem ser regidas pela lei territorial do Estado onde se realisarem os factos prejudiciaes (x). collocam a tutela sob a égide da lei nacional do pupillo...... As que se derivam da posse entram na esphera do estatuto real. « . .... com melhores razões........ ■•... sacrificarem-se os princípios fundamentaes da sci-encia que. WAECHTER E SAVIGNY...... são causas que geram obrigações civis. LAURENT.. Aqui muito claro e preciso se revela o intuito protector da lei no interesse da ordem e da segurança da sociedade. art........ «Préeis»... mas.... quanto ás obrigações ex~ delido........ que como já foi exposto... «Droit civil international»... 724... CLIÍNET....... pag.. DRSPAGNBT........... não se deve confundir a repressão penal com a responsabilidade civil que possa originar-se do acto delictuoso..... entretanto. em CLOSBT........ pela lei que governa a successão......... Os actos illicitos......... VIII. por força da lei.... BAR...... por uma defeituosa classificação dos phenomenos jurídicos.. pag. c a pessoal...............».... 1900.. n.. FIORE..."•••..... 718....... em virtude do principio de que todo aquelle que causa um prejuízo deve indemnisal-o. GRASSO. como observa FIORE (9). da lei de introducção...... pela salva guarda dos princípios da moral.| g g3... BRO-CHER descobre nestes casos uma regra de policia e de segurança... porém FÍORE... . •■•.. I II. AssEit «E'léments».. em sua fórn\a primitiva.. cit. por exemplo. As que se originam da gestão de negócios pela lei do logar onde o gestor agiu. vê preceitos dictados pela utilidade publica.272 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO — .... Esta é a verdade geral. O4.. não deve ser entendida no sentido de... 1900.. que.—...... n.. As que resultam de hereditatis aditio.....

UNET. Todavia. a acção de indemnisação não deveria ser admittida na Itália. A responsabilidade penal que resulta do delicto diz respeito ao damno social. delictos civis existem. conformidade com a lei promulgada pela soberania do Estado onde a instancia se desenvolve.que constituem direito privado e patrimonial. apreciadas economicamente. d) CI. no que respeita á acção penal. pag. portanto^ razão lógica impondo essa connexão intima entre a lei que regula o crime c a que determina a responsabilidade civil. ahi tenha seduzido uma senhora. si o auetor do damno e a parte lesada pertencerem á mesma nacionalidade. a responsabilidade civil refere-se a lesões do direito individual. Actos puníveis existem que não occasionam damno patrimonial. Esse homem pôde ser condemnado. o magistrado deve applicara lexfori. e.■ cí^vls-BÊVTLÃQU7 -r.. Mas as consequências civis do delicto não têm o mesmo caracter. porque não é essa a forma de protecção da lei italiana para esses delictos. no exemplo dado. si.deu. 35 . si. existirão independentes um do outro. algumas. como a sua nacionalidade é a mesma de seduetor. condemnado criminalmente (i). ainda que não possa ser . O eminente internacionalista italiano figura o caso de um italiano que. 1900. porém. porque o direito de pedira indemni-sação surgiu no logar e no momento em que o facto delictuoso se . segundo a lei austríaca. residindo na Áustria.i7»8.. Consequentemente. Muitas vezes os dois phenomenos jurídicos andarão associados. a mulher seduzida fôr uma italiana. Consequentemente. no que respeita á reparação do damno deve terem vista á lex lociactus. lesões patri-moniaes que não se incluem na lista dos crimes. O delicto civil não coilicidc sempre com o crime.. por perdas e damnos. é justo attender á influencia da lei' pessoal. Não ha. por outro lado. pois . delia tendo um filho.

a parte lesada poderá basear-se na lei italiana para pedir. no extrangeiro. achando-se uma i a m i l i a italiana em paiz onde nenhuma disposição exista relativamente á responsabilidade do pae de família quanto aos actos de seus filhos menores. FIORE admitte que. (2) «Loco citato». g 34. «Lehrbuch». que lhe seja dada a reparação a que tem direito (*).. e por damnos causados por animaes. como filhos. é certo que deve ser apreciada pela lex loci actus. Mas si o responsável não tór domiciliado no logar onde se verificou o acto gerador da obrigação. 725. não certamente jio logar do acto. . Parece-me que não se deve levar tam longe a influencia da lei pessoal. pag. (1) BAR. é preciso que haja coincidência entre a lei do logar do acto e a do domicilio ou do estatuto pessoal ( ). si um desses menores commetter um damno. porque o acto i 1 licito não tinha essa consequência no logar onde foi praticado. não existe responsabilidade civil ao pae. No caso. creados ou prepostos.WMRH 274 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Em relação á responsabilidade civil por actos de terceiros.

ALBERTO DOS REIS. 498. DESPAGNBT. Em Arkansas. Maryland e Carolina do Sul. o extrangeiro quequizer adquirir immoveis 4deve comprometter-se a naturali-sar-se norte-americano ( ). E nestes Estados encontra-se ainda a incapacidade successoria do extrangeiro. cit. n. I. 476. «op. «Tiaité». em primeiro logar. «Précis». São elles: a) O systema da territorialidade absoluta. 364. (2) WKISS. Delaware.. 2. pag. E a lei do paiz onde se acham os extrangeiros a que regula a sua successão. . podemos destacar três modos differentes de! solver a difficuldade que. II. «Alberto dos Reis». ALBERTO DOS REIS. «Das successoes em direito internacional privado)). A legislação russa assim estatue ( ). § 54. «Droit civil russe». pag 21. cit. 8. Encarando. KAZANSKY. em CLUNET. no que é acompanhada por alguns Estados da União Norte-americana.». pag. (3) ALBERTO DOS REIS. n. que aliás não indica os Estados onde persiste esta distineção. «American La\v. no Illinois. WALKKR.n.CAPITULO VII Direito das successões '• ■ § 57 A LEI REGULADORA DAS SUCCESSÕES I. No Kentucky. tal comol se fossem nacionaes. pag. 23i. A doutrina e as legislações acham-se muito^ detalhadas pelos vários systemas no que respeita áj successão. (i) LEHB. «Traité» II. (4) WEISS. «Op. cit. em Connecticut somente 3os extrangeiros residentes podem adquirir immoveis ( ). «op. nesta matéria. . pag. offerece o direito internacional privado. 8. pag. as egisla-ções. n. persistência de idéas feudalistas de que se não libertaram o Alabama è a Carolina do Norte (9). 474.». 1898.

art. pag.. (2) DESPAGSET. Esta é a doutrina seguida pelo código civil francez.. 5. «American law».DNET. art... 1902. aliás. «op. I885. assim como a jurisprudência ingleza e norteamericana (:i).. ALBERTO DOS REIS... n i5g. BONNIER. nota i). pags. sem que nella influa a personalidade. 858-86o. e pelo de Uruguay.. jj g 54-56. submettendo a succes-são da primeira ao império da lex rei sita? e a da segunda ao da lei pessoal. ao estatuto real..(*). WHARTON. pag.». Sem contestação é esta a doutrina mais genera-lisada. WHARTON. ou apoia a jurisprudência ou acceita a lei nacional. -that in those countries. 1900. seja a nacional seja a do domicilio. Na America do Sul.. mas a jurisprudência é no sentido indicado no texto ( PILLET. b) la dei herdero ó legatário para suceder: c) la validez y efectos dei testamento. «Pri-vate international law». . 673. esta orientação.. g 56o. que está consagrada pelo código civil do Peru. (5) Vejam-se alguns julgados francezes em CI. A successão pertence. pags. MAHCADIÍ. BAR.. n. CLUNET. por inteiro. «op. 45 accrescenta : La misma ley de la situacion rige: a) la capacidad de la persona para testar. No mesmo repositório. the Únited-States and France is | learly settled. todo lo relativo a la sucesion legitima ó testamentária. Temos o territorialismo absoluto da legislação russa. pags. regem-se pela «lei do logar do domicilio» do testador ao tempo de sua morte. V.. cit. 1. pag 36o. art. a da Inglaterra e a dos Estados Unidos da America do Norte (s). iQ-20. 3. O art. pela lei da situação. «Private internacional law». «Príncipes». 44. 1897. g) en suma.. I8Q8. do titulo preliminar.. WALKER. c) O systema da lei pessoal. 77.. Quanto á doutrina.».. escreve: the law both in England. os legados de bens determinados em género.. não reuniu os suffragios do Congresso de Montevideo (*).. ROUSTAND... Entretanto. 375. assim foi redigido: La ley dei logar de la situacion de los bienes hereditários ai tempo de la muerte de la persona de cuja successíon se trate rige la forma dei" testamento. e outros sustentam que a devolução «mortis causa» dos bens é regulada. art. Aqui não se faz distincção entre moveis e immoveis.276 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO b) O st/stema estatutário que distingue a propriedade immopel da propriedade movei. jj § 56o-5y8.. 165. (3) WESTLAKE. como por exemplo. pag. baseado na lei do domi(1) DUCAURROY. pag. igo3.nota 1.. «Lehrbuch». cit. encontram-se algumas sentenças favoráveis á lei nacional do fallecido. do modo mais ténue. pelo art. in matters of succession realtjr eis govçrned by the «lex rei sitos». «Précis».' (4) O tractado referente ao direito civil internacional.. que não tiverem logar designado para seu pagamento. em França. 995-999. tendo para este resultado contribuído o accôrdo de vistas em que se collocaram a jurisprudência da França. 49. Adoptaram-no egualmente a legislação sueca e a austríaca ( ? ) . 364. jj 42.

foi adoptado pelo código civil hespannol. WEISS. ZEBALLOS. «Direito civil brasileiro». J. ■ (9) AI. porém. 10. DIAS KKRRKIW». corap ainda hoje é adoptado na Suissa (M. URIBB. ■ (6) DKSI. (7) SALBM. (êj O projecto de código civil suisso. (3) Código civil.0 ai. mas parece que os juristas portuguezcs modernamente abraçara m-no. art.. pag. pro-j nuncia-se pelo direito nacional do «de cuius». art. sendo. art. 53-54. pag. (5) E' o código civil argentino (ZKIAUM. quando o estrangeiro o tem na Suissa desde. 364. Estabelecido pelo código civil italiano.». «Analea diplomáticos de Colômbia. de notar que o primeiro faz prevalecer a lei do domicilio. n. pois que o primeiro é de i856. 4. paga. pag. Km Portugal não existe um dispositivo expresso de lei consagrando o principio do nacionalismo. depois de certa vacillação que os arrastara ao dualismo da jurisprudência franceza (°). n. «Mittheilung der Int. art. 673-674. \. 10. CHAUSSB. art. mas contra elle se levantam as objecções que já foram expostas quando foi estudado o antagonismo entre o domicilio e a nacionalidade sob o ponto de vista do direito internacional privado. cit. na Colômbia (<) e no Paraguay (5). pelo direito sérvio (6) e pelo ottomano com appiicação aos extrangeiros fallecidos na Turquia (7). pag. de* annos. in. QQ5 e 907.ACNBT.BKRTO DOS RBI*.* art. das disposições preliminares. CARLOS DB CARVALHO. «Bulietm argentin». y3. art. XXX. A. vergl. ioo3.e assim o Projecto belga. 1897. CLUNBT. 124'. «Precis».. 1\. pag. DKSPAGNET. Era o seguido na Allemanha antes da promulgação do código civil.Este systema tem sobre os anteriormente indicados a superioridade de unificar a successão. n. O código civil de Zurich. baseado na idéa da nacionalidade. n. e estabelece outras modificações ao principio geral. 1. iota-1018. da cd. no Chile (a). 03). d) O systema da lei pessoal. de 1870. antecederam ao italiano. . na sua redacção original. pela lei allemã de introducção ao código civil.CLÓVIS BEVILÁQUA 277 cílio. 1. CLUNBT. 54.I. pelo menos. ZBBALLOS. e o segundo de 1862 (•). «Bulietm nrgentin». do titulo final. pag t 3. RcchtswiS-scnchaft». II. 24. 81(3) Código civil. pags. 8. III. Veremigung f. 4 e o dos Grisões. pag 404. «Prècis». paga. 2. arts. na Argentina (»). 1898. «Traito. 5a6. arts. 364. «op. (4) Código civil. «Bulletin argentin». Janeiro de ioo5. (1) MEII. «Código civil 1 «imolado». 3a83. sob o influxo da lei do domicilio do de cujus.

.. A lei nacional do de cujus è a que deve regular a successão quer legitima.......... e outros.. pag... Cu.. em CLUNET. pag. 1903... gjj 174-178.. 67 e segs. PIMENTA BUENO.... pags.. pag. quer testamentária. la capacite du disposant est soumisc aussi á la loi du pays auquel il appartient au moment oú íl dispose........ 1896.. encarado (1) Citarei: FIORE. II. . Além de ser elle a melhor traducção da idéa de justiça no domínio internacional. em CLUNET.. BAR.... 106-iin e em CLUNBT.. «Private international law»....... ns. ad Pand. £ 42. pai. pags... 2: La capacite de disposer par testament 011 par donation á cause de mort. 495 e segs. 1: Les successions sont sonmises á la loi nationale du défunt.. (3) Vejam-se VAREILLES-SOMMIERBS.. tanto no que diz respeito á vocação hereditária quanto no que concerne á extensão do direito dos herdeiros...».. «La succession en droit international prive». 1906. De accôrdo com as idéas expostas neste livro a opinião dos primeiros é a que melhor satisfaz aos reclamos da sciencia e ás necessidades da consciência jurídica. | «Precis». Veja-se em CLUNET. pag. LALRBNT.... cit. 797-815. igo5... 4: La loi nationale du défunt ou du disposant est celle du pays au quel il appartient au moment de don déces. A sociedade internacional recfama que as relações creadas em seu seio sejam olhadas pelo prisma do universalismo que.. 76 e segs. ainsi que la substance et les. art. «Direito international privado». UNGER... ..effets de ces dispositions. A doutrina de SAVIGNY foi adoptada por BLUNTSCHLI. «Das successõcs em direito internacional privado». «Manuel»... WMARTON. «Lehrbuch». DKSPACNET... Art. PILLET. % 36o.. «Droit civil international». 417 e 752-735...... 27.. I... pag. a exposição de LAINB sobre a discussão travada a respeito entre membros da Conferencia. «E'1Cments».. VIII.... jj 94. ANTOINK. I.. Resoluções da Conferencia de Haya.. A doutrina actualmente está muita inclinada para o systema pessoal baseado na lex patriae defuncli l1). pags. pags.... 1894. WEISS.. II.. g 176. «Traité». e muitos juristas se mantêm fieis á doutrina estatutária (8).. 42 e segs.. Art. 5-26 e 278-301. 149.ii ir iMiiMyip' 278 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO "•••••••".. «op. jj 62. (2) «Droit romain»... 56-91. CHA-MPCOMMUNAI.. ALBERTO DOS REIS.... «Droit international prive». á capacidade do disponente e á validade intrínseca das disposições. pag.. ASSER et Ri VIER.. WINDSHBID... «Príncipes». sont régis parla loi nationale du disposant. G82 e segs. FADDA e BENZA. «La succession en droit international prive»... §{j 375-376.. mas ainda aauctoridade superior de SAVIGNY (2)| se faz sentirem favor do domicilio..... 1893.. pags.555-556....... Néau moins. aliás não pretende amortecer o sentimento de pátria nem combater o principio do nacionalismo. VI. GRASSO. «Synthcse». THOEL e outros......

o direito. mas que era uma alta novidade em *economia politica. a intelligencia do jurista moderno volve á fonte áurea dos romanos que punham « no Olympo. porque. « Historia da Republica». summaforça. ao traçar os fundamentos do direito internacional privado. Somente os cegos de espirito supporão que a pobreza dos visinhos lhes trará vantagens. perplexa em faca do desconhecido ou do simplesmente obscuro. . pela razão de que podem fazer-se melhores negócios com um opulento de que com um individuo sem recursos». Depois de muito hesitar. no momento em que HUME a proclamou: «um paiz com-merciante tem mais interesse em estar cercado por nações ricas do que por nações pobres. do mesmo passo. òdireito summasabedoria»!1). rasgará horizontes novos ao direito nacional. (1) OLIVEIRA MARTINS. a pátria. a pátria. onde a lei nacional é o amicto em que o individuo se envolve para affirmar a sua personalidade no mundo internacional. XVI. em vez áagens. e no logar de Minerva. pag.O jurista de hoje também consorcia a idéa do direito ao sentimento de pátria. Também no dominio do direito é vantajoso a cada um dos povos cultos facilitar a expansão e a appli-cação do direito extrangeiro. E assim o interesse abre caminho e serve de escada ao progresso do direito e ao sentimento de justiça que fulge no horizonte dos tempos futuros como o ideal a que tende a civilisação humana. I. é a manifestação jurídica dessa ídéa que está hoje no dominio commum.CLÓVIS BEVILÁQUA 279 pelo aspecto utilitário.

24: «Nili. 5o. fr. Como projecção económica da personalidade do de cujiis não pôde o património. n. ('}) Vejam-se meu «Direito das successões ». ter uma situação determinada. O património transmittido por via de successão constitue um todo. Si foi a vontade a determinadora da transmissão hereditária. « Précis ». consequentemente. que a successão envolve. ALBERTO DOS REIS. cit. DESPAGNET. . que se mantém emquanto se não eífectu 1 a partilha. n. na qual se unifica a variedade das relações de direito. á lei pessoal do de cujus que ha de estar submettido o património hereditário (l). em virtude da lei ou da vontade do hereditando (8). J 42 . essa vontade é fracção da personalidade (i) E' a doutrina de SAVIGNY seguida por FJORB. portanto. BAB. E . I. muito menos. ter tahtas sedes quantos forem1 os districtos jurísdiccionaes onde existirem immoveis. Depois o herdeiro é o representante. jj3 e D. e.2§0 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO § 58 APRECIAÇÃO DA THEORIA NACIONALISTA NO DIREITO SUCCESSORIO Os argumentos em que se apoia a doutrina que adopta a lei nacional para regular o direito successorio nas relações internacionaes de direito privado são concludentes e satisfactorios. encarado do ponto de vista do direito successorio. «Lchrbuch». o continuador da pessoa do succedendo e. 16. uma universitas. Esse complexo jurídico é a projecção económica da personalidade do fallecido. deve ser regulado pela lei a que o de cujus estava submettido emquanto vivo (2). ». «Droit internacional prive». «op. . io3. o complexo das relações de direito.il est alind hcreditas quam successio in universum jus quod dcrunctus habujt». . n. 35g. •. Por fim a successão é a transmissão dos direitos e obrigações de uma pessoa morta a outra sobreviva. (2) Vejam-se as citações da nota anterior. 6.

do seu Estado espera protecção n. a nacional do de cujus. como resolve uma questão de capacidade. porque somente essa pode vivicar a vontade do testador. sinão de accôrdo com a lei dominadora da mesma personalidade. hade fazel-o acompanhar por sua lei nacional. não podia produzir effeitos jurídicos. não comprehende por que motivo. a pessoa do disponente. portanto. a personalidade do individuo não morre nem se deve modificar pelo simples facto delle deixar. por meio de suas declarações. é bem de ver que essa lei deve ser a pessoal. importa dizer. fazendo-a subsistir além da morte. quando a actividade individual transpuzer as lindas nacionaes. um vinculado ao solo. para respeitar essa integridade. pois que o homem não é hoje um servo da gleba nem. pese . isto é. fia de man-ter-se integra no sejo da sociedade internacional. No testamento concretisa-se a vontade. após o desmoronamento do feudalismo. antes de ser iim acto de transmissão de direitos é o testamento um processo jurídico de prolongara personalidade que actua dispondo de seus bens após a morte. Si a distribuição dos bens do fallecido resulta exclusivamente de prescripções da lei. é ao grupo social de sua origem que o homem se sente preso por elos moraes inquebraveis. Por outros termos. a. bem claro é que não se pôde suppôr que seja esta a territorial. professor de direito internacional em Montevideo. O principio da nacionalidade é o actualmente vigorante. O acto jurídico é producto da vontade sob a acção da lei. RAMIREZ.as emergências difficeis e á sua nação está prompto a prestar os serviços que as necessidades reclamarem. mas. E o direito para dar uma expressão positiva a essa relação do individuo para com o seu grupo social. Mas. é necessário manter a efficacia extraterritorial da lei que presidiu á sua formação.CLÓVIS BEVILÁQUA 28 I do de cujus e. temporária ou definitivamente.sua pátria.

ormiias? Spectabitar loci statutum ubi immobilia sita non ubi testator moritur.». ALBERTO DOS REIS. XVJ: «Immobilia enim deferri ex jure quod obtinet in loco rei sita-. 6. em vida. n. não é tam absoluto (5). bens em territórios dintinctos e esses bens são regulados pela lei territorial e não pela lei pessoal do proprietário. (6) FIOIK. g 076. cap. Pand. II. e para quem a successão é simplesmente um modo de adquirir. 6j DESPAGNET.n».». tot património intelliguntur. cDroit international privei. «op. 1137-1169. ha de imperar o principio da universalidade da successão com caracter indivisível. Esta opinião é victoriosamente combatida por considerações irrefragaveis. (3) «Qucest. 36o. adeo hodie recepta sententia est ut nemo ausit contradicere. 36o. ae tot hercilitates quot locis jure diverso menti bus immobilia existunt». g 9: Quid círca suecessionem ab intestato statutorum sit dif. VAREILLES-SOMMIERES. que se apresenta como restaurador da theoria estatutária. «op. 104 c segs. «op. BYNKERSOEK (3). quer da testamentária. cit.». «Droit roma.XXXVHI. depois de sua morte. cit. ns. em tudo o que se refere ao direito successorio ('). GR/SSO. O direito successorio está intimamente ligado ao direito da família (G) quer se tracte da successão legitima. VIU. não ha razão jurídica alguma para que a lei territorial não os continue a reger. .*privat. cit.». n. 17. n. I.». a asserção dispensa qualquer commentario explicativo. PAULO VOECIO (*). (5) «Synthese». SAVIGNY. «Précis».ad. JOÃO VOECIO (2). (4) «De statut. porquanto a ordem da vocação hereditária é organisada de accôrdo (i) «Àpud» ALBERTO DO REIS. adeo ut tot conseri debeant diversa patrimonia. MAMCINI disse: a herança não é outra cousa sinão a combinação do principio da propriedade com o da família. E'a mesma idéa dos antigos juristas levada ao extremo: quot sunt bona diversis territoriis obnoscia. Quanto á successão legitima. como si as diigdas se não transmittissem hereditariamente. n. direito internacional e tractando-se de bens sujeitos ao dominio eminente de varias nações. Si um individuo possue. I. não pretendiam tanto. n.04: «ímmobília deferri secundum leges loci in quo sita sunt.11.282 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO rante o.». (2) «Comm. nem também F(ELIX que lhes manteve a doutrina..

I São. não ha simplesmente uma transmissão de bens. também ha uma substituição de personalidade. No primeiro caso. persuasivas estas razões que não |é somente hoje a eschola italiana que proclama a necessidade de regular a successão pela lei nacional do de cujus. não é licito confundir as alienações entre vivos com as transmissões por causa de morte. Nosegundo. reunido em Oxford. separar as duas espécies de successão. um desenvolvimento do direito da familia. para justificação do que fica affirmado. e não pôde ser outra si não a do Estado a que o de cujus pertence por sua nacionalidade. depois. na qual vêm á tona interesses da família e da collectividade a que pertence o de cujus. aliás a titulo universal. determinando a quota disponível para salvaguardar justamente os interesses da familia. pelo que respeita á determinação dos herdeiros. a não ser excepcionalmente.. sob certo ponto de vista'. sobre ambas reflecte-se o direito da familia. resolveu adoptar a regra seguinte: «As successões a titulo universal. portanto. Portanto. em 1880.. Mas si. por modo tal. O Instituto de direito internacional. E. Quanto á successão testamentária. a successão testamentária se liberta da acção do direito da familia. é para deixar a descoberto a personalidade do de cujus. á extensão de seus direitos.~»«~-| com as relações conjugaes e parentaes de modo que o direito hereditário não é mais do que uma lace. se ponham em jogo interesses da familia e da própria nação. basta que tenhamos ém attcnção que a maioria das legislações impõe um limite á liberdade individual. o direito successorio se nos apresenta como uma lei de capacidade. ou como complemento do direito da familia ou como expressão directa da personalidade do auctor 'da successão.CLÓVIS BEVILÁQUA 283 . Não é licito. ha simplesmente uma operação económica que se pôde repetir indefinidamente entre os indivíduos sem que. á medida ou á quota da .

488-490. em CI. esta é a doutrina vencedora como o é também na Bélgica e mesmo na Suissa. 189G. á attitude dos delegados da França que tiveram necessidade de cercear o desenvolvimento natural do principio para attender á sua própria legislação. pôde affirmar-se que a maioria dos internacionalistas é* hoje pela leinacional em matéria de successão de extrangeiros. em parte. 190. subsidiariamente. o estatuto pessoal do defuncto que deve reger a devolução da herança» (*).ente a soberania nacional do defuncto tem. porque o bem dos particulares toca de mais perto ao bem do Estado a que elles pertencem. 28.Í. se tem mantido fiel á theoria estatutária. a da situação dos bens e a dos herdeiros devem ser afastadas. affirma: «Sóm. « Mittheilungen.NBT. segundo se pôde ajuizar pelos projectos de códigos civis destes dois últimos paizes. aos representantes dos paizes onde domina a lei domiciliar ou o territorialismo e. aliás não sem provocar criticas e dissentimentos (*) devidos. (1) Vejam-se o que dizem LAINÉ. embora partindo de princípios differentes dos que servem de base á eschola italiana. ags. por força do art. qualidade. E". na devolução de sua successão. 1906. pag. qualidade e interesse. porque a ella incumbe velar pelas vantagens particulares de seus nacionaes. são regidas pela lei do Estado a que pertencia o defuncto ou. (2) CLUNET. cit>». pags. em parte. na Hollanda. interesse. na Hespanha.U. Na Allemanha. . PILLET. onde a jurisprudência. em Portugal. salvo um ou outro julgado divergente.284 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO porção disponível ou da reserva e á validade intrínseca das disposições de ultima vontade. qualquer que seja a natureza dos bens e a sua situação». MKILI. A conferencia de Haya manteve ainda em 1904 o mesmo principio. 52Ô e 278-301. pags. 797-815. chega ás mesmas conclusões. 3 do código civil. Depois de mostrar que a lei do logar onde se abre a successão. pois. Em França. pela de seu domicilio.

CLÓVIS BEVILÁQUA _| 285 Voltando ao assumpto. se inspira nas intenções prováveis do defuncto. O pensamento do illustre professor se aclara. para a sua actividade o estimulante mais efficaz. a este respeito. . si tivesse testado» (M. diz-se que o legislador. é o poder mais extenso que lhe pôde ser attribuido. (2) Meu «Direito das suecessoes». (3) Citado «Direito das suecessoes». protegel-a contra os golpes inesperados da sorte. g 24. e. Esta pre-sumpçao da vontade do de ciijus como fundamento da successão legitima não tem hoje o valor que se lhe emprestava outr'ora. mas nem por isso é menos verdade o que affirma PILLET. pois a lei impõe a orde. quando elle prosegue: o legislador protege o individuo «contra si mesmo. de regular o destino de seus bens para o tempo em que elle não existir mais. pois que a successão legitima resulta da combinação harmónica de três impulsos ou três elementos: o individual. para a sua propriedade a garantia mais enérgica. regular a sua successão como ella o faria. quando mostra alei pessoal do de cujus mantendo uma face de sua personalidade atravez da morte. que o direito reconhecido ao individuo. revela sufficientemente seu fim. não podendo este ultimo ser outro sinão o grupo politico a que o individuo pertence pelos laços da nacionalidade (3). o familial to social. Precisamente porque a successão legal cede em face da testamentária. Esta ultima hypothese é a que nos interessa agora. E' vir em auxilio da pessoa. Esse direito o individuo o exerce por um acto de ultima vontade ou antes deixa a lei exercel-o em seu logar. em primeiro logar.m da successão ainda que em contrario se manifeste a vontade do testador (2). no sentido de que recusa tomar em consideração a sua vontade plena. g i?5. por uma presumpção (i) «Príncipes». Observemos. não se pôde deixar devernellas verdadeiras leis de protecção individual. desde que não tiver sido expressa nas formas legaes. g 24. organi-nisando-a. insiste: «Si considerarmos a funcção social das leis de successão. Fazendo assim.

. soberania... Os pretextos para a appli-cação da lex rei sitce são : i. legalabsoluta....i^H ...• . Mas os bens moveis. DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO •»». como tal.••—. ... como na França e na Áustria... ingleza e norte-americana resente-se da influencia do feudalismo.. nota 4.....°. que a soberania territorial não pôde permittir que.. • .. 2... explica-se historicamente pela círcumstancia de que uma successão universal.. diz elle.. a submissão da herança á lex rei sitce dá logar a complicações das mais graves.... acham-se.<.... decide o que elle devera ter querido» (l). Por outro lado.. Para tudo dizer em uma palavra.... o systema da jurisprudência franceza.286 .......... dependente âalex reisitoe.... B ou C » (2)... que o Estado tem interesse particular na herança que recáe sobre immoveis. sendo que a primeira se colloca em face de uma contradicção essencial.. onde a successão é modo de transferir direitos a titulo universal. «Lehrbuch». O direito anglo-norte-americano ainda não se poude libertar da tradição do feudalismo neste particular....'... somente aos poucos foi dominando.M... I BAR explica muito bem. «A opinião de que a successão dos immoveis se deve submetter á lex rei sitce....... \ ij5.. e não se comprehende que interesse possa ter o Estado em que o herdeiro seja A. .... que se acham no território do Estado..... (2)..... porque ainda as legislações e a jurisprudência de alguns paizes não se renderam á evidencia dos argumentos que apoiam a unidade da successão sob o patrocínio da lei pessoal do de cujus. Na theoria da legitima esse ponto de vista apparece ainda mais convincente. jj 42. em seus domínios.. reja o estatuto pessoal do extrageiro.... pelo mesmo titulo que os immoveis.0.. pois. Onde não existe a concepção do direito hereditário como transmissão a titulo universal... a successão não passa de um dos differentes modos de adquirir a titulo particular e.............. acceitando o caracter universal..na (1) «Príncipes». depois da edade media. submettidos á sua..

tienne çompte. particularisa-a por tantas vezes quantas forem as juridicções da situação dos immoveis. vê-se do exposto. sans sacrifiercomplétcment les prescriptions des los particuliéres. quer da parte dos legisladores.-direito a que aspiram os (1) Além do que se segue. não se movem no âmbito de um paiz e muito menos de um domicilio. 1897. ■ . O inconveniente dessa dispersão deve ser apreciado em seguida (*). ia) CHAUSSE. militam em favor da doutrina que submette a successão do extrangeiro á sua lei nacional. como. o seu caracter de conjuncto patrimonial universitário que tem no direito interno. E. e nos elevarmos á contemplação da sociedade internacional. pela simplificação das questões. em CLUNET. 3o. onde se harmoni-sam os interesses individuaes. avant tout. porque as vantagens do systema são manifestas. é porque elles ainda não attenderam bem a que as relações jurídicas. a que se funda na necessidade de garantir a unidade e a universalidade da successão. Não é certamente das menos impressionantes. Desde que nos desprendermos do ponto de vista acanhado das soberanias nacionaes (*). não só porque a lógica do direito reclama que a successão conserve. si alguma relutância ainda se encontra para a sua acceitação definitiva. As razões mai. que se originam da successão de um extrangeiro.s valiosas. quer da parte de certos escnptores. na vida internacional. especialmente sob o ponto de vista pratico. du besoin dassurer ledeveloppement de la vieInternationale). em attitude desconfiada. encarece a necessidade de dar maior largueza ao methodo do direito internacional prnrado (qui..CLÓVIS BEVILÁQUA 287 successão. quando não hostil. veja-se o jj 61. pela egualdade de direito entre os herdeiros. pag. e sim dentro da esphera mais lata da sociedade internacional. pela harmonia das relações reciprocas entre estes e das que por ventura existam entre os credores e a massa hereditária. dando uma feição concreta á communhão* çj_e. principalmente.

(2) «Instituições». desde que se queira saber a que lei está submettida a sua successão. n. § 59 DIREITO BRASILEIRO A tradição do direito brasileiro é no sentido' de entregar á lei nacional do de cujus a regulamentação do direito successorio no que respeita á vocação hereditária. Por isso que a sociedade internacional não tem uma lei sua para re-| guiar a successão que se abre em seu seio. de 8 de Novembro de IS5I. não tivesse deixado sua pátria. mas os seus discípulos. extensão do direito dos herdeiros e á validade das disposições (i) Veja-se o % Co. quod statu-tum seu lex unius loci vel regni diversi non exten-ditur ad bana posita extra territorium statuentium. Esta é a regra geral dominante á qual criam excepções limitadas as contingências da vida internacional e do contacto das legislações dissimilhantes (M. para o que diz respeito á vocação hereditária. permanecem as cousas como si o individuo de cuja successão se traeta. jj 3i. O dec. sobretudo este ultimo ( 2). ao direito dos herdeiros e á capacidade de dispor testamentariamente. 855.288 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO povos em sua ascenção cultural. attri-buiu efficacia á lei nacional do de cujus. cita-se VALASCO. Estcommunis et receptissima opinio. Lis TEIXEIRA. BORGES CARNEIRO e COELHO DA ROCHA. escreve elle. Dahi por deante é em documentos e escrirjtores brasileiros que devemos procurar a tendência do nosso direito. acceitam abrandamentos á doutrina do mestre. Territorialista ainda era MELLO FREIRE. Dos antigos praxistas. á. . escholio. em suas Decisões como sectário datheoria estatutária.

. Em tal hypo-these... de 2 de Setembro de 1899 («Jurisprudência»... pag.. 737... 33... 1901... que.... "•"» . serão os bens da herança confiados á administração e liquidação do agente consular.. vol.. de 25 de Novembro de i85o.. doutrinando sobre esta matéria.. no qual se confirma a sentença do juiz federal... 1899...... 291-3õ3).... n.... 203)..... e art... citadas no texto...... subordinada á lei nacional e a juris-dicçâo de seu ultimo domicilio... PIMENTA BUENO. 1900 e segs.... I8Q5. queesta doutrina basciu-se no principio incontestado de que o direito da suecessão se liga intimamente á pessoa do auetor da herança.... quer legitima. que adoptara a lei nacional como reguladora da capacidade em geral.. 202.. 87. 102. etc. n.. (vejamse a sentença e c Accordam no «Direito». onde se reproduzem as palavras de PIMENTA BUENO. E' clara aqui a acção da lei nacional do «de cujus».. que proclamava a lei pessoal do «de cujus» reguladora da suecessão do extrangeiro quer testamentária...... Os cônsules são chamados particularmente a funecionar não deixando o fallecido quem fique de posse da herança para proceder a inventario e dar partilha. cit...'.... «Direito civil».....CLÓVIS BEVILÁQUA 2$Q . 368-369) '° 1ua' me «"ecem transcripção os seguintes considerandos.. de c11 de Setembro de 1897 («Jurisprudência» do mesmo anno.... escreveu: «Todas as razões assim philosophicas como de justiça e reciproca conveniência dictam que as successões dos extrangeiros sejam deferidas aos seus herdeiros qualificados como taes pela lei pessoal do finado e nos termos delia.. LXVII. n. 394-395). art.. cit... (3) Eis aqui alguns julgados do mais elevado tribunal do paiz. para que. salvo alguma disposição especial do estatuto real. prohiba alguma particularidade» (*). depois de pagas as dividas. manteve a mesma orientação... n. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ]é também favorável á lei nacional (8)..■• | de ultima vontade (x)... de i5 de Junho de IÍ*5Q. 142. de 18 de Dezembro de 1895 («Jurisprudência» do Supremo Tribunal Federal. Accordam.. pags. assim como (1) Este regulamento refere-se ás attribuições dos agentes consulares extrangeiros no Brasil. no que estava de harmonia com o regulamento n... 57... do dec.... de 27 de Julho de 1878.. O reg... .... da secção do Rio de Janeiro. Veja-se mais CARLOS DK CARVALHO. pags. pags. pag. pags.... etc... porventura. (2) «Direito internacional privado».. 37 . por serem precisos e completos: considerando que o principio de direito da unidade e universalidade das successões está claramente formulado no art. 5o5.. n. i36~i38).. que a lei pátria do defuncto rege as condições da suecessão e que o facto do domicilio determina a sede do inventario e da partilha independentemente de qualquer outra circumstancia occorrente e qualquer que seja a situação dos bens... Accordam... Accordam... de 9 de Janeiro de 1901 («Jurisprudência». especialmente em matéria de suecessão dos súbditos de suas respectivas nações no caso de reciprocidade... 10..... faz parte do seu estatuto pessoal e está. devolva a herança a quem de direito.. reconhecendo a predominância da lei nacional do «de cujus» para regular os direitos oriundos da suecessão: Accordam. por conseguinte.

Assim. . serão reguladas pela lei nacional do fallccido. legitima e testamentária. 107. muito embora os pactos successorios sejam condemnados em grande numero de paizes por bem fundadas razões. affirmam alguns. O meu parecer é que se tracta. I. os fideicommissos e os morgados não podem ser instituídos por determinação testamentária que tenha de executar-se em paiz cuja orga-nisação da propriedade está em manifesta antinomia com essas figuras jurídicas ( 2 ). Este principio não é. 3g é do teor seguinte: A forma do testamento é regulada pela lei do logar em que é feito e a substancia pela lei nacional do testador. absoluto. evidentemente. já adherira também ao systema da lei nacional. dispõe. titulo preliminar. § 60 LIMITAÇÕES E APPL1CAÇÕES O principio geral é o que foi exposto: a lei reguladora da successão legitima e testamentária é a nacional do de cujus. | 42. Vejam-se as ponderações criticas de PILLKT. BAK. 21 . O Projecto em discussão no Senado. resalvando o direito do Estado ás heranças vagas. reproduzem os artigos transcriptos. WEISS. Os arts. 14. Sempre que a lex pátria defuncti offender a ordem publica e os bons costumes do logar onde tiver de ser applicada. no (i) O art. «Droit international prive». 554. 37 . vigente ao tempo de sua morte». n. reproduzindo em parte o código civil italiano: «As suecessóes. art. cumpre oppôr-lhe embargos.38 do «Projecto» revisto. salvo o disposto neste código sobre heranças vagas abertas no Brasil». «Lehrbuch ». da lei preliminar. (2) FIORE. os direitos dos herdeiros e a intrínseca validade das disposições. e a ordem tia vocação hereditária.22.290 blRElT© INTERNACIONAL PRIVAbO a doutrina vencedora nos últimos Projectos de código civil brasileiro (x). O art. arts. mas. «Príncipes». porém. Da mesma forma os pactos successorios não podem ter validade onde a legislação os prohibe. por exemplo. pag. § 171. da preliminar. 38 da lei de introducção do «Projecto» primitivo assim se exprime: «A ordem da vocação hereditária e o direito dos herdeiros legítimos regulam-sc pelo direito nacional da pessoa de cuja successão se tracta. qualquer que seja-a natureza dos bens e o paiz em que se achem. não ha paridade entre as duas situações jurídicas. O «Projecto» Coelho Rodrigues. «Manuel».

Este systema encontra um forte embaraço na relutância "com que as nações toleram que ILAURENTL _ (. e) a revogação dos testamentos \f) as causas de dcsherdação. pôde elle reclamar 3 bens deixados os por seus súbditos em qualquer paiz( ). BKKT. indicar algumas relações que se devem considerar dependentes da lei reguladora da successão. «Lehrbuch». Consequentemente. a neresia e a escravidão de modo algum terão efficacia além do território do Estado que as considerar causas de incapacidade hereditária activa ou passiva (*). será conveniente. «Droit civil internaiional». para maior clareza. A qual dos Estados. «op.CI. n. pags. Feitas estas restricções. áquelle do qual o de cujus é súbdito ou áquelle onde se lhe faz o inventario? Entendem uns que o direito conferido ao Estado para recolher taes heranças. c) a capacidade hereditária activa. A lei do succedendo não terá execução egualmente. deve ser attribuida a herança vaga.OVIS BEVILÁQUA 291 caso de herança pacticia. internazionale privato ». passam os bens da herança vacante ao Estado. de uma lei de capacidade. pag. 78 e segs . 148-»5o. da mesma forma que no caso de testamentos con-junctivos. d) as limitações dessa capacidade.. 368. DESPAGNET. A lei nacional do de cu jus determina: a) a ordem da vocação hereditária. porém. sendo um verdadeiro direito successorio. ALBERTO DOS REIS. portanto. VI.8 42. b) a extensão do direito dos herdeiros. n.». I u Précis ». A matéria. é da esphera do estatuto pessoal (1). quando estabelecer certas incapacidades offensivas da liberdade humana em suas manifestações primordiaes. cit. a morte civil. Exgottada a ordem dos parentes successiveis e não havendo cônjuge sobrevivo.) BAR. Examinemos alguns desses pontos que merecem ser destacados. 535 e segs.

4) CARLOS DE CARVALHO. systéma a que adheriu o Projecto de código civil em discussão no Senado.NET. 1895. «Direito civil». 368. pag. Veja-se ainda FEDOZZI. art. mas.». Vejam-se os pareceres da Faculdade de direito de Berlin. si ha privilégios de sexo ou de edade. «op. de LAINÉ. da lei preliminar. devemos perguntar qual a quota disponível. ao património social. E' esta egualmente a orientação da Conferencia de Haya ( CLUNET. Elle succede na falta de outros herdeiros. 78. art. quer sejam extrangeiros (4). pags. LAURENT. pags.. (2) Wmss. não se pronuncia. dos bens sobre os quaes não exercem mais attracção o elemento individual e o familial. cit. Adoptam outros o pensamento de que é em virtude de seu direito de soberania que os Estados occupam os bens vagos. 10091126 e 1894. entende-se que o Estado recolhe as heranças vagas das successões abertas no Brasil ou os bens situados no Brasil para os quaes não existirem herdeiros. i8g3. mas parece inclinar-se por este ultimo systema. A ella. ALBERTO DOS Rms. a melhor solução é a da reciprocidade ('). por isso. para adoptal-a. n.292 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO nos seus territórios os Estados extrangeiros possuam immoveis (1). e. 55q-56o. não precisamos de attribuir ao Estado um direito de occupação por força de sua soberania. «Manuel». Esta é. 14. 10). • . em virtude de um direito de devolução. 207. em CLUNET. por seus orgams naturaes. n. Estados extrangeiros podem recolher os bens que ficaram sem herdeiros (2). ensinam que.«op. pag. sem duvida. E a lei do auctor da herança que estatue a amplitude dos direitos hereditários. portanto. LE JEUNR e WCESTE. esse receio das nações de verem parte de seu território adquirido por Estados extrangeiros. quando a herança se distribue in stirpes. Em direito brasileiro. pags. 724-754. em caso algum. Vi. quer os auctores da suc-cessão sejam nacionaes. 3f «Direito internacional privado». DKSPAC. a melhor doutrina. passim». « Droit civil international». si os herdeiros são (1) Por occasião do testamento de Zappa cm beneficio da Grécia. manifestou-sc. 1914. 388. Para PIMENTA BUENO. si o filho illegitimo recebe quinhão egual ou inferior ao do legitimo. cit. «Précis». art.

regula-se pelo direito local ( ). Assim. 371-372. por outro lado. que compete aos credores e legatários de pedir a separação dos patrimónios. afastal-a por offensiva de sua ordem publica. depois de feito o testamento. ainda neste caso. ns. mas pôde acontecer que. que é a do de cujus. por exemplo. e qual o direito successorio do cônjuge superstite. como o direito dos herdeiros depende da lei geral da successão. CHAMPCOMMUNAL e ROLIN. reina controvérsia entre osescriptores. a lei nacional do de cujus é soberana e somente a dia cabe dizer se o espúrio tem ou não direito de herdar (*). ta 206). LAURENT. por ser contraria a essa concessão. 365. No mesmo sentido pronunciam-se WEISS. mais acertadamente limita o império da lei territorial apenas a forma da acceiíacáo beneficiaria á lei dopai* onde a successão se abriu.CLÓVIS BEVILÁQUA 2Ç-3 obrigados á collação. porém. mas. DESPAGNET (^entende que a successão dos espúrios pôde ser repellida pelo direito local sob o fundamento da ordem publica. por isso que diz respeito ao credito publico e ás 3formalidades processuaes. E' uma questão resolvida pelo direito dos interessados que não pôde trazer perturbações á família do Estado em que se encontram os herdeiros. . ÍV. cumpre também attender a esta. Certamente a capacidade para succeder deve ser julgada pelo direito nacional do herdeiro. si ambas as leis a do de cujus e a do heraeiro admitti-rem a successão do filho espúrio. Quanto á successão dos espúrios. O direito. Neste caso. que. o testador mude a sua nacionalidade. A capacidade para dispor dos bens por testamento é determinada pela lei nacional do de cujus. qual a lei applicavel? Embora os auctores tenham levantado controvérsia a respeito não descubro fundamento para (i) «Précis». Veja-ae PESPAGNKT? «Précis». A questão deve ser collocada em outros termos. BAR sustenta. não deve a lei territorial.

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duvida. Não somente para a determinação da capaci-j dade do testador, mas ainda para tudo quanto interesse á substancia do testamento, a lei reguladora é a nacional do testador ao tempo de sua morte (*). Si, porém, o testador não tiver nacionalidade, vigorará) a lei de seu ultimo domicilio (2). Já ficou afftrmado que a capacidade para receber por testamento deve ser regulada pelo direito do herdeiro (3), mas o Estado tem direito de tomar pre-i cauções contra as acquisições inter vivos ou mortis causa das pessoas jurídicas extrangeiras de direito publico (*). Quanto ás pessoas jurídicas de direito privado, si são capazes de succeder, pelo direito do respectivo Estado, não ha razão jurídica ou moral; para se lhes negar extraterritorialiaade á capacidade. A forma do testamento é regulada pela lei do logar em que é redigido, mas o testador pôde preferir la forma estabelecida por sua5 lei nacional, desde que lhe seja possível empregal-a ( ). Também as formas da partilha obedecem ao preceito locus regit actum, podendo os herdeiros, si forem todos aa mesma nacionalidade e maiores, recorrer ás formas admittidas por sua legislação
(i) «Projecto» de código civil primitivo, art. 38, da lei de introducçáo. (2) «Projecto» de código civil brasileiro actual, art. 9, da lei preliminar; «Projecto» primitivo, art. i5, da lei de introducçáo. (3) LAURBNT, «op. cit.», VI, pag. 319; WBISS, «Manuel», pag? 561 ; DBSPAGNBT, « Précis», n. 365; ALBERTO DOS RUIS, « op. cit.», pag. 201 e segs.; resoluções da Conferencia de Haya, em matéria de successÕes, art. 6: «La capacitades succesibles, légataires ou donataires est régie par leur loi natio-nale» (CLUNBT, 1895, pag. 106). (4) Vejam-se o meu livro «Em defeza do Projecto de código civil», pag. 71 e segs. «Adde»: FEDOZZI : «Gli enti colletivi», especialmente, n._ 14; ALBERTO DOS REIS, «op. cit.», pag. 215; CARLOS DE CARVALHO, «op. cit. », pag. LXXXVII, e segs. O «Projecto» primitivo, art. 23, estabelecia : « Este código reconhece as pessoas jurídicas extrangeiras, mas as de direito publico não poderão possuir immoveis no Brasil, sem prévia auctorisação do governo federal. (5) BAR, «Lehrbuch», jj 43, n. 3; WBISS, «Manuel», pag. 564; DES-PAGNET, «Précis», n. 378. Sobre a doutrina anglo-norte-amoricana, WHARTON, «op. cit.», jj 585 e segs. Para testar segundo as formas do direito nacional têm os brasileiros que se acharem no extrangeiro de recorrer ao ministério dos cônsules (Ver o meu «Direito das succcssões», j) 67), salvo se usar do testamento privado aberto,

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pessoal. Assim, a partilha amigável pôde produzir' eífeitos intemacionaes, quando realisada no extran-geiro, segundo os preceitos da lei nacional dos herdeiros, regulados os direitos successorios dos mesmos pelo estatuto pessoal do de cujus. A interpretação das clausulas testamentárias será feita, segundo as circumstancias, de accôrdo com a linguagem da lei nacional do testador ou com a usada no logar de seu domicilio (*). Os direitos de mutação da propriedade por suc-cessão regulam-se pela lex rei sitos, quer se tracte de immoveis, quer de moveis; todavia, se os bens forem direitos e acções, quer sejam moveis, quer immoveis, a lei brasileira (dec. n. 5581, de 3i de Março de 1874, art. 2), faz predominar a lei do domicilio do de cujus (*). § 61
DO LOGAR EM QUE DEVE SER FEITO O INVENTARIO E LIQUIDADA A SUCCESSAO

I I. Acceita a concepção da sociedade internacional, não temos que hesitar na determinação do logar em que se deve considerar aberta a successão em direito internacional privado. Dentro de cada paiz, é no ultimo domicilio do de cujus que se abre e se liquida a successão (3); na sociedade internacional nenhuma razão existe para que procuremos outra norma. A influencia do domicilio, neste caso, é manifesta, útil e irrecusável. O domicilio é a morada jurídica da pessoa, .é nelle que o individuo se reputa presente para todas as suas relações de direito. Consequentemente, é no domicilio do de cujus que o seu
(1) Veiam-se DESPAGNET, «Précis», n. 38o: BAR, «Lehrbuch»,.2 43. ". 4. (2) Vejam-se o meu «Direito das successóes», g 7, nota 3 e DESPAGNET, f llTiÀea «Direito das successões», \ 7; JoÁp MONTEIRO, «Processe civil», II, 8 38, nota 4; PLANIOL, «Traité», III, n. 1703.

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DIREITO ÍNtÉRrUCtÓtfAL PRIVADO
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património se desprende de sua pessoa pela morte. 0 logar, onde se opera esse acontecimento de ordem jurídica, evidentemente não pôde ser outro, e, por tanto, o ultimo domicilio do auctor da herança é determinador da competência para a liquidação da mesma. Esta doutrina auctorisada pelo direito romano, si élicito invocal-o em matéria de direito internacional privado (*), e por crescido numero de escriptores (a), tem a vantagem de manter a unidade da successão e de concentrar, num ponto único, os interesses hereditários, submettendo-os ao mesmo tribunal. Arrastada pela força dos princípios, a jurisprudência franceza acceita a regra quanto aos moveis, mas, dominada pela tradição estatutária, deixa-se ficar a meio caminho. Surgem dahi as difficuldades, os embaraços, as duvidas. 1 A eschola italiana, por sua vez, não se rendendo á clareza das idéas, ainda que se não preoccupe com a natureza nem com a situação dos bens, acha que a questão do logar onde se deve liquidar a herança está subordinada a esta outra: por que lei se deve regular a successão. Consequentemente, ensina que a lei nacional do de cujus é que deve determinar qual o juiz competente para o inventario e a partilha. Os escriptores também reluctam em reconhecer a luz que dimana do principio domiciliário applicado á abertura da successão. Entre estes, pelo desen volvimento que deu ás suas idéas, merece ser con siderado em particular o illustre WAHL. Diz elle que, «tractando-se de acções hereditárias (8) o interesse dos herdeiros é que os pedidos sejam
(2) SAVIGNY, «Droit romain», § 576; BAR, «Lehrbuch», f 5o, n. 4; Parecer da Faculdade de direito da Universidade de Berlin, em CLUNKT, i8o,3, pag. 735, com restricção; Huc, «Commentaire du code civil», V, ri. 316; CHAMMCOMMUNAL, «La succession en droit iniernational prive», pags. 118 e 53o; DBSPAGNET, «Précis», n. 3^3;; ZKBAI.I.OS, «Bulletin argentin»,igo3, pags. 108 e segs; Código do processo civil italiano, art. 94. (3) «Des príncipes de compétence dans les conrlits internationaux», em CUJNBT, iSqá, pag. 711c segs.
(i) D. 5, i, fr. 19, pi\ "~

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levados, não perante os ditfercntcs tribunaos na circumscripçâo dos quaes elles têm seus domicílios, mas deante de um tribunal único para todos os herdeiros, e escolhido de maneira a satisfazer os interesses de todas as partes em causa. Esta solução evitará a necessidade de intentar a acção de partilha em muitos tribunaes, o que é de uma realisação pratica impossível; evitará também que o herdeiro accionado por um credor tenha de exercer perante outros tribunaes seu recurso de garantia contra os co-herdeiros; evitará, ainda, que o próprio credor tenha de solicitar a intervenção de tantos tribunaes quantos forem os herdeiros; e, por fim, que o tribunal chamado a tomar conhecimento da causa se ache privado dos dados mais elementares acerca da consistência da suecessão, do valor dos direitos reclamados e dos melhores expedientes a empregar para a liquidação da suecessão ». S Nestas palavras estão synthetisadas as razões mais valiosas, sob o ponto de vista pratico, em favor da unidade e universalidade da suecessão a liquidar-se. Mas o douto civilista extráe, destas justas ponderações, consequências que evidentemente se não contêm nas premissas. «Os tribunaes competentes, é a sua conclusão, devem ser procurados nos paizes cujas leis regulam a devolução da herança. Por outros termos, os partidários da opinião que se refere, para a solução deste problema, á lei da situação dos bens, quando se tracta de immoveis, e á l e i nacional do defuncto, quando se tracta de moveis, deverão decidir que a liquidação da herança movei se fará sob a presidência dos tribunaes ou perante as auetoridades do paiz ao qual o defuncto houver pertencido como cidadão, e que os tribunaes da situação dos diversos immoveis conhecerão da liquidação da partilha e da licitação desses immoveis. Ao contrario, os adherentes do systema, segundo o qual a lei nacional do defuncto regula toda a suecessão, devem attribuir competência
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aos tribunaes do paiz, ao qual pertencia o defuncto, para a liquidação integral da herança » ('). Não é uma solução que se nos offerece nas palavras que acabam deser testualmente transcriptas,porque a difficuldade subsiste intacta; não é uma tbeoria que se nos propõe, pois o espirito fica a vacillar entre doutrinas oppostas, inclinando-se para uma ou para outra á mercê dos ventos do acaso, nem está o que nos aconselha o jurisconsulto de accordo com o que precedentemente expuzera ao apresentar as vantagens de unificar-se a liquidação da herança, desde que a espalha por tantos juizes quantas forem as circumscnpções onde se acharem os immoveis. VAREILLES-SOMMIERES, depois de mostrar que a doutrina de WAHL é tam ousada quanto impraticável, concluede modo irónico: M.WAHLnourritsurlesavantages ! de son systeme des illusions paternelles qui sont excu-sables et respectables, mais il est permis de ne point les partager (.2). Realmente, o alludido systema estabelece a coincidência entre a competência legislativa e a judiciaria, mas com sacrifício da certeza jurídica e da unidade da successão, sendo esta a vantagem que se deve buscar neste caso, vantagem sobre a qual se ' basearam os mais convincentes argumentos do escri-ptor. II. A jurisprudência brasileira, apezar de não ser uniforme, tem firmado, por numerosos julgadas do seu mais elevado tribunal, o principio de que ao domicilio do de cujus deve ficar a competência judiciaria para a liquidação da herança quer em direito interno
(i) WAHL, «loc. cit.», pag. ?i5. (2) «Synthese», II, n. 943.

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quer em direito internacional privado (•), principio que e o único em condições de corresponder aos intuitos universalistas do direito internacional privado e á necessidade de -unificar a liquidação da herança. Foi sem duvida inspirada nesse mesmo principio a redacção do art. 2, do dec. n. 855, de 8 de Novembro de i85i, que determina: logo que fallecer um extran-geiro domiciliado no Brasil, intestado, que não tenha cônjuge na terra ou herdeiros reconhecidamente taes, presentes, aos.quaes, conforme o direito pertença ficar em posse e cabeça do casal,... procederá o jui{ dos definidos e ausentes á arrecadação da herança, cuja guarda será confiada ao agente consular respectivo, dando logo o dicto juiz principio ao inventario ex-officio, no qual proseguirá em presença do agente consular, cuja ingerência não terá logar, quando algum herdeiro, reconhecidamente tal, fòr cidadão brasileiro, ainda que esteja ausente. Si o cxtrangeiro domiciliado no Brasil deixar testamento, sendo extrangeiros e estando ausentes os herdeiros e estando também ausentes os testamenteiros, far-se-á também
(1) Accordam do Supremo Tribunal federal, n. 6, de 4 de Maio de 1895: «é homologada a sentença estrangeira julgando partilha, quanto aos bens situados no Brasil». («Jurisprudência» do Supremo Tribunal federal, pags. 247-249); Accordam,n. 146, de 17 de Agosto de 1898 («Jurisprudência», cit., pags. 3683Ô9), cuja primeira alfirmação da ementa é: «são sujeitas á homologação do Supremo Tribunal federal as sentenças de partilhas proferidas pelos tribunaes extrangeiros», e onde se lé o seguinte considerado: «que os immoveis partilhados, situados no Brasil, aqui foram avaliados, em virtude de rogatória a que o Governo concedeu exequatur»; Accordani, n. i65, de 26 de Outubro do mesmo anno («Jurisprudência», cit., pags. 372-37I-Í); Accordam, ri.. 177, da mesma data, onde se pondera: I «sendo a herança o património colligido em difterentes paizes, por meio de rogatórias ás justiças respectivas se procede ás diligencias necessárias para a avaliação de bens sitos no extrangeiro e assim se tem procedido c julgado»; "Accordam, n. 266. de 4 de Agosto de iqoo, onde se doutrina que a habilitação de herdeiro de pessAn domiciliada e fallecida no Brasil somente perante as justiças brasileiras pôde cffectunr-se: Accordam, n. 278.de 24 de Novembto do mesmo anno. Como estes ainda outros muitos julgados se encontram no mesmo sentido, como se poderá ver da «Jurisprudência» do Supremo Tribunal federal, anno de i8q5, pae. 247, anno de 1898, pags. 35q-36q e 373-375, anno de 1900, pag. 35l, anno de 1901, pags. 410-412, 414, 416-418, etc. Em sentido contrario

—Tegra de q»I__ abre no ultimo domicilio do auetor da herança.

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a arrecadação com o agente consular da nação do fallecido e â elle se confiará a guardados bens (*}. Em ambos os casos a intervenção do agente consular depende de accòrdo internacional (3). Não havendo reciprocidade, será feita communicação ao cônsul somente para o etfeito de facilitar o comparecimento dos interessados (3). Quando o extrangeiro domiciliado e fallecido no Brasil tiver feito parte de alguma sociedade com-mercial, ou tiver credores commerciantes de quantias dignas de attenção, proceder-se-á na forma dos arts. 3o9-3io do Código do commercio. Neste caso o juiz e o agente consular arrecadarão somente a quantia liquida que ficar pertencendo á herança, mas o segundo poderá requerer o que fôr a bem da mesma (4). A competência do foro do domicilio em matéria de inventario e partilha é suífragada pelas melhores
(i) CARLOS DE CARVALHO, «Direito civil», art. 1900. (2) D ilVe rentes tractados estabelecem, neste sentido, a reciprocidade com as seguintes nações: Allemanha, dec. n 3358, de 29 de Julho 1899; Bélgica, dec. n. 2346, de 9 cie Julho de 1897; França, dec. 11. 10379, de 28 de Setembro de 1889; Itália, dec. n. 10217, de 3o de Março de 1880; Hespanha, dec. n. io3a3, de 27 de Agosto de 1889; Portugal, doe. n. 3492, de i3 Novembro de 1899; Suissa, dec. n. 21G9, de 12 de Novembro de 1895. (3) Dec. n. 855. de 8 Novembro de I85I, art. 2, segunda parte; «Conso lidação» das leis da justiça federal, art. 158, da quinta parte; CARLOS DE CARVALHO, «Direito civil*-, art. 1900, jj 5. (4) Determina o art. 3no que fallecendo sem testamento algum sócio que não tenha deixado herdeiros presentes, o juiz não poderá entrar na arrecadação dos bens da. herança do fallecido que existirem na massa social, nem ingerir-se por forma alguma na administração, liquidação e partilha da sociedade, competindo-lhe somente arrecadar a quota liquida que ficar pertencendo á dieta herança. Si o fallecido tiver sido o caixa ou gerente da sociedade, ou quando não houver mais de um sócio sobrevivente, ou si o exigirem os credores em numero que represente metade dos ciedítos, nomear-se-á um n'ovo caixa ou gerente para a ultimação dos negócios pendentes. O art. 310 manda proceder da mesma forma quando alguém fallecer sem testamento nem herdeiros presentes e tiver credores commerciantes,

a escolha 120-122. entretanto. em regra. vae se desprendendo. | IOS (2) Lei federal suissa. mas ainda o art. A competência em matéria de herança não é determinada pela situação dos bens nem tam pouco pela nacionalidade do de cujus. E certo que na Argentina a força da lex domicilii tem extensão maior do que a que me parece justa. 23: La succession s"ouvre.OS. afasta a lei nacional para deixar que a le! do domicilio Jeja o caso. 24 e 26. em direito interno. dizer-se que. não se afasta. art. para regular todas as relações oriundas da successão. 004- . na pratica. resalvado o que tiver sido es*abecido em tractados internacionaes («Annuairc de legislation étrangere». estatuindo que a abertura da successão e a liquidação delia se verificam no logar determinado pelo direito nacional do de cujus. 1904. BUSTAMANTE por elle citado: Les juges argentins sont incompétants pour connaitre dune succession dans laquelle le de cajus est mort hors de la Republique sans y avoir son domicile. porquanto a lei nacional. 1901. E porque afastar esse juiz no direito internacional? O mesmo deve dizer-se da Einfuehrunggeset\ (3).. Cumpre. pois. B Veia-se também o art. tm alguns casos. . pag. Sobre a competência da lei nacional veja-se a sentença do tribunal de Aixtambém a lei determinadora do momento e das condições da abertura da emj [ reil */«vi v ** viu |^*-"-•*—-— — — Q- * Ja-Chapellc. sobre o internacionai privado. «Bullctin argentin». pags. 3a da mesma lei manda applicar. A eschola italiana. mas. dá prerercnci. na republica helvética. 94 do código do processo civil italiano. 672-674}. mas. de 25 de Junho de 1891. em CLUNET.. do principio aqui propugnado. Este artigo refere-se aos suissos estabelecidos na Suissa. estabelecerá a competência do juiz do domicilio do hereditando. observar que a citada lei de ntroduccao. aos extrnnceiros estabelecidos na Suissa.i 1 lai do auetor da herança. pags.. tenho por indubitável que a verdeira doutrina é a do egrégio ZEBALLOS e do Dr. 262. ICJOJ. sustenta que e essa la successão. a lei do ulumo domicilio do «de cu)us. as disposições que lhes poderem ser applicadas. arts. no caso particular de que aqui se tracta. 1889. pag.. por uma elaboração espontânea do direito. Pôde. não só o direito intercantonal exerce influencia. (■} ESTANISLAO ZHBALI. pour la total:tédes biens qui la composent. (3) A lei de introducção ao código civil. au demier domicile. Por isso KBIDKL. Assim é que os herdeiros podem escolher para a d«««m«""Ç«> da responsabilidade da herança. do embate das opiniões e das exigências da pratica.CLÓVIS BEVILÁQUA 3oi auctoridades na Republica argentina (M e na Suissa faz objecto de artigo de lei ( a ). em CLUNET.

não se desafora o juiz competente. Mas.3o2 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO dc ultimo domicilio do auctor da herança para nelle se considerar aberta a successão e se {conferir competência aos juizes afim de presidirem ao inventario e á partilha. cônjuge ou herdeiro reconhecido aj quem pertença ficarem posse e cabeça de casal . as questões de direito internacional privado. para funccionar na liquidação da herança.regra. quanto á liquidação da herança. O essencial. Entrou em duvida si a competência para essa arrecadação era da justiça federal ou da local. E.ões a este preceito. § 62 DO EXPOLIO DO EXTRANGEIRO Ficou affirmado. Pelo simples facto de ser extrangeiro o hereditando. porque assim se harmonisa até o direito interno com o internacional e não se faz distincção entre inventario e partilha de nacionaes e extrangeiros. em. é conservara unidade da successão. pelo direito interno. espolio do extrangeiro fallecido no Brasil e aqui domiciliado: i. nenhuma solução melhor satisfaz a este desideratlim\ do que a concentração da competência judiciaria no foro do ultimo domicilio do de cujus. em face (i) Veja-sc o que ficou dicto no % anterior quanto ás excep.° Quando fallecer com testamento si os herdeiros forem extrangeiros e estiverem ausentes e também ausentes os testamenteiros (*). . Os julgados variaram e a Consolidação das leis da justiça federal inclinou os espíritos para acceitar a acção dos juizes da União por lhes caber.° Quando fallecer sem testamento e sem deixar. presente na terra. 2. inventariado e partilhado o. nesta matéria. assim como a extensão da ingerência dos agentes consulares extrangeiros nos inventários dos súbditos das nações que representam. no correr do g anterior. qus será arrecadado.

pois. 61 da Constituição: «As decisões de juizes ou tribunaes dos Estados. . porão termo aos processos e0 ás questões. si a espécie não estiver prevista em tractado.0 Que a arrecadação de espolio de extrangeiro é da competência das justiças estaduaes. Em tal caso. não é possível adoptar essa doutrina.0 Que. que estando na cupola da organisação judiciaria federal. nas matérias de sua competência. 3.CLÓVIS BEVILÁQUA 3o3 da Constituição federal.° Que. si a* espécie estiver prevista em tractado. por excepção ao principio geral. Mas. 81). quando a espécie não estiver prevista em convenção ou tractado. Estatue o art. com energia maior. os juizes e tribunaes dos Estados não porão termo ás questões relativas a espolio de extrangeiro. deve traduzir. segundo prescreve a Constituição. ou 2. espolio de extrangeiro. . como ás outras questões de sua competência. Quer dizer: si os interessados não se conformarem com a decisão dos tribunaes dos Estados. a expressão da justiça offerecida pelo poder publico do paiz. pois que o artigo da Constituição tracta das matérias da competência dessas justiças. haverá recurso voluntaVio para o Supremo Tribunal federal. para estabelecer os casos únicosl em que ellas não põem termo as questões que julgam (• ). também delia virá conhecer o Supremo Tribunal federal. salvo quanto a: i. si houver tractado regulando a matéria.° Que as justiças dos Estados põem termo ás questões e processos de sua competência. poderão recorrer para o Tribunal da União. é a da revisão dos processos crime (Constituição federal. art. porém. na ultima parte do art. accrescenta a Constituição. Resulta do preceito constitucional: i. as justiças locaes porão termo ás questões relativas a espolio de extrangeiro. (1) Uma outra excepçúo. 61. habeas corpus. 4. 2.".

a sua decisão porá termo ao processo de que é objecto o espolio. 59. caberá o recurso extraordinário. . Si a justiça local reconhecer válido e applicavel á espécie o tractado.T04 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO art. das sentenças das justiças dos Estados em ultima instancia haverá recurso para esse tribunal. si lhe negar validade ou o não applicar. quando se questionar sobre a validade ou applicaçãó\ de tractados federaes c a decisão do tribunal do Estado for contra ella.

1 ji. jj 1 . 7S7. regulam-se pelo direito local (5). como as de matricula. GRASSO. de alguma) forma. em regra. da 1. caracter universal que permitte essa determinação sem choque de interesses. « op. «Dos livros dos coromerciantes». ■ (5) BAB. i83. 238. 2 . «op. registro. A qualidade de commerciante é regulada pela lei do logar onde as pessoas exercem habitualmente o commercio (*). a capacidade para ser commerciante e. «op. GRASSO. cit. 1. 39 . «Lehrbuch». j} 35. JN | (2) BAR. «op.CAPITULO VIII Direito commercial PRINCÍPIOS GERAES A commercialidade dos actos determina-se pelo direito a que está submettido o próprio acto. que' a lei impõe ao commerciante. g 98. « Lchrbil tevidéo. tractado ciO (3) R Minhas «Liçõ5L_ '4) es. (i) BAR. em geral. art. Por outro lado.8 98. ». «Lehrbuch». cit. n. a commercialidade das pessoas é uma qualidade externa. CARVALHO DE MESLDONÇA. j As obrigações especiaes. pela lex hei contractus (l). para contractar depende da lei nacional (4). art 3. DESPAGNET. commercial internacional. irbuch ». g gS. g 98. tractado referente ao direito commercial internacional.». g referente ao 35. art. cit. A lei commercial tem. escriptu-ração em livros apropriados.». o individuo não a adquire si não mediante a pratica de certos 3 actos e mesmo a submissão a certos preceitos da lei local ( ).1 cit. n.' ed. cit. Todavia. n.». « Précis ». jj 35: GRASSO. art. Congresso de Montevideo. consequentemente. Congresso de Mon. Lições de legislação direito comparada».. GRASSO.

não obstante. e os do segundo. desde que for capaz segundo a lei desse paiz ». c um commerciante francez envia ao Brasil um representante. também acceita pelo insigne BAR. incapaz segundo a lei de sua pátria. como os negociantes. A necessidade da auctorisação marital. em parte. A lei allemã sobre letras de cambio. para que a mulher possa commerciar é estabelecida pela lei nacional. 84. com referencia ao direito francez. (3) E' a doutrina geral dos escriptores italianos.'} 33 . estão submettidos á lei do logar onde exercem a sua] profissão. admitte uma excepção que. O extrangeiro incapaz. segundo a sua lei nacional. acceitando a regra geral da capacidade segundo a lei nacional. art. depende da lei do logar onde o principal commerciante estabeleceu a sede de seus negócios (*). O direito anglo-norte-americano prefere. Eis a traducção do art. citado: «A capacidade de obrigar-se um extrangeiro por letra de cambio é determimida pela lei do paiz a que elle pertence. mas a extensão de seus direitos. de 1848. Os poderes do primeiro se devem julgar com referencia ao direito brasileiro. (a) BAR. francezes e belgas.3o6 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Os auxiliares de commercío.Por exemplo: um commerciante brasileiro envia á França um caixeiro viajante. R Lehrbuch ». poderá. (4) « AUgemeine deutsche Wechselordnung ». pôde obrigar-se por letra de cambio no paiz onde se acha. deve ser determinada pelo direito nacional (3). a lex loci actus. neste como em outros casos. g 35. . « Precisa. n. « Lehrbuch». 3o. Todavia um extrangeiro. obrigar-se por letra de cambio (4) (1) BAR. | 64 DIREITO CAMBIAL A capacidade para obrigar-se alguém por letra de cambio não ha razão para que constitua uma excepção á regra geral. a effiçaciadessa auctorisação édetepminada pelo direito local (-). DESPAGNBT. em relação aos actos que praticarem no exercício do commercio.. 84. a nullMca.

84. como a das outras declarações de vontade. Aqui é a lei do pavilhão que geralmente prevalece. § 65 DIREITO MARJTIMO. . BENTO DE FARIA. «Lehrbuch». de um nacional. porque ao navio se attribue uma espécie de personalisação.CLOVÍÍ. comtudo.». de 2 Ue Julho de 1896). 3. A forma da letra. 33o4. do endosso. | 102. «op. que seja propriedade de cidadão brasileiro ou de sociedade com sede no Brasil e gerida por brasileiro . depende. «Lehrbuch». art.se ao methodo empregado para os outros ramos do direito privado. n. ia3. no todo ou em parte. J3o. da lei allemã. que. cjt. BEV-ILAQUA! 307 si. NAVIOS. Para que o navio se considere brasileiro e necessário: 1. 8 38. FRETAMENTO. (3) BAR. nota 469. «op.». 3/. geralmente. % 101. AVARIAS. (2) GRASSO. n. 2. «Código çomiriercjal». que tenha capitão pu mestre brasileiro. de ter por commandante um nacional e até de ser nacional uma parte da tripolação (3). do acceite obedece á regra locus regit actum.. ■• n . do facto de ser elle propriedade.preencher a* condições estabelecidas pelo direito local. (t) BAR. GRASSO. As obrigações do sacador. eh. tèm os çonflictos de leis marítimas de sujeitar-. 822. Veja-se mais o 2 33 deste livro. se é pela bandeira que se caracterisa a sua nacionalidade ( ). dois terços da equipagem seiam formados por brasileiros (Dec.<„.". que reproduz o citado art. Este systema da lei allemã foi adoptado pelo código federal suisso das obrigações.„. como ha sempre divergências entre as leis dos diversos povos. do sacado e do accei-tante regulam-se pela lei do1 logar onde se contrahiram as respectivas obrigações ( ). pelo menos. ABALROAMENTO O direito cora naercial ma ri ti mo offerece uma tendência notável para a universalisacão. apezar da sua qualidade de cousa. A nacionalidade do navio. de 11 de: Novembro Se 1892 e n. nas diversas legislações modernas.

(2) GRASSO.». pela natureza das obrigações que origina. ASSER ET RIVIBR. «Eléments». «op. | 102. «Lehrbuch». (3) GRASSO. As regras sobre avarias deviam estar em connexão com as do contracto de fretamento.». g 3o. 460—468. (4) BAR. sejam actos lícitos ou illicitos. Si a viagem é inter(i) O que a respeito determina a lei brasileira consta do Código com-mcrcial. 122. Nesta variedade intervém a lei do pavilhão para harmonisar todos os interesses. ao modo de descarga e ás consequências da execução do contracto. 5. g 102. 1. g 39. 161. como bem observa o illustre BAR. pelos actos do capitão. isto é. DESPAGNET. n. se reja pela lei do logar da execução. «op. H O contracto de fretamento. n. cit. Veja-se mais CLUNET. 11. pag. A lei do logar em que foi celebrado o fretamento é a que deve supprir a vontade omissa dos pactuantes. Esta opinião parece que não deve ser acceita sem modificações. todavia a opinião mais geralmente admittida é que sejam ellas reguladas secundo a lei do porto de destino ( 3 ). A língua usada no contracto é considerada um indicio do direito "que as partes tiveram em mente. pag. B. Na Inglaterra. variam conforme as legislações. offerecendo um ponto de apoio suficientemente seguro e a necessária unificação jurídica das relações (*). 5. porém. 3y5. n. D. BAR. prcfere-se a lei do pavilhão. 1899. se estes a outras se não reportaram í4). DESPAGNET.3o8 ' DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO As embarcações devem ser registradas na repar^ tição marítima competente e as mutações da propriedade devem constar desse registro (*)V As responsabilidades do proprietário ou armador do navio.». «Précis». 1808. 3o2. pag. «Lehrbuch». do logar ao qual se destinam as mercadorias (3). arts. querem alguns escriptores que.° . cit. 1900. 4. no silencio das partes. cit. § 102. (5) GRASSO. A lei do porto de destino applica-se. g 111. Não ha motivos suffi-cientes para abrir-se uma excepção á regra geral que domina os contractos. «Précis». 320. «op.

323. Estas duvidas. _ _ 13) GRASSO. que será segundo o Congresso de Antuérpia. quanto á substancia. e neste caso estão os protestos. porém. «Precis». cit. n. GRASSO. regulará a respectiva lei nacional. «Lehrbuch». dadas as condições do commercio marítimo. o da descarga. \ 35. op. pertencendo. Alguns escriptores acham que na factualidade. As condições necessárias á conservação e ao exercício dos direitos dos interessados. é que cada um dos navios responderá segundo a lei de sua bandeira e não receberá mais do que essa lei lhe attribue ( a ). e. quanto á forma. • (a) BAR. «op. BAR.ji 35. a outra lei. «op. Conf. cit. submettem-se á regra locus regit actum.». levando os navios carregamentos para diversos portos eem outros tantos recebendo nova car^a. como os prazos. A responsabilidade oriunda de abalroamento. C. então. O mesmo se observa nas apólices de seguro dos carregamentos.». si os navios forem da mesma nacionalidade. si o choque se der em aguas territoriaes. . porém. Este auetor escreveu a respeito uma conceituada monographia: «L'urto di navi nel dmtto commercmle italiano Cd internazionale». g 102. (4) GRASSO. n. % 35.». acha que. C. RÊNÃUUTSGÍÃNZÃSÃI c a commissão do Congresso de Antuérpia. n. pertencendo os navios a mesma nacionalidade. a regra. n. adoptada pelo Congresso de Antuérpia. a nacionalidades diíferentes. desde que se traçta de delicto nu ouasi-delicto occorrido no território de um paiz. BAR. g 102. cit. io2. DKSPAGNET.CLÓVIS BEVILÁQUA 309 rompida é preciso recorrer. seria preferível submetter as avarias á lei da bandeira (M. «Lehrbuch». raramente apparecem. regulará a espécie a lei de ambos. dependem da lei do navio abalroado (*). porque na escriptura do contracto de fretamento é de uso estabelecer uma clausula determinando a lei segundo a qual devem as avarias ser reguladas. 3. «Lehrhuch». (7) Os ãuclõrês citados ema nota anterior] LYON-C ABN. é á lei local que n»s| devemos referir. n. aliás. i. Si o choque se der em alto mar. C. deve ser determinada pela s do paiz sob cuja soberania se acham lei essas aguas ( ). 3.

sua cargawfôr salvo por outro em ajto. i>. 4. Jogar onde os objectos v^> ter. \Jejsyji-sc as disposições do Código cornmct.il brasileiro. atirados pelo mar C1).». DIJSIMCNE r.ci. ?3o. ■Lehrbuch». X 35. INTERNACIONAL PRIVADO Os salvados subra. mar la indemnisação. BAR. 284-203. «Prccis». 4.etteip-se. 143 e segs. J885. n. arts. da i^andeira da embarcação salvadora (*). «op. « Lchrbuch ».3IO DIREITO. 731-759 e à Nova Consolidação das leis das alfandegas. devida regula-se pela lei. | 102. DPM. cit. «op. pag. G.. çit..». 4. Quando. BAR.AIÍGBAT." . (i) GRASSO. | 35. á lei do. (a) GRASSO. g 103. cm CI-UNET. arts. o navio ou. n. G .

porque ella depende da orga(i) Vcja-se O jj 3 . A escolha da lei a applicar em um caso litigioso é acto decisório. e tanto o juiz pôde applicar a sua lei quanto a extrangeira. dos que se referem á solução da causa ou decisória litis. s5o evidentemente de ordem publica e. desde que esta ultima seja a que. regulam-se pela lei do logar onde Se verificou o acto que se tracta de provar (*). pertencem ás formas ordinatorias esedeterminarn pela lei do tribunal. As provas. òs primeiros. os prazos. deva regular a relação de direito que tem de ser julgada. dependendo da or^anisação judiciaria. segundo já ficou exposto. portanto. geralmente chamados ordina-toria litis. pertencendo á ordem do processo.CAPITULO IX Direito processual § OG NOÇÕES PRELIMINARES ivos actos do processo convém distinguir os que se ligam mais . Á forma das citações.directamente á marcha e ao desenvolvimento da instancia. somente podem ser regulados pela lei do paiz onde o processo se desdobra pela leScfori. A competência dos tnbunaes de um paiz deter-minase pela lex fori. ao seu encaminhamento. os recursos. segundo a natureza das cousas.

é de direito publico. o extrangeiro. cit. n. ou porque a questão verse sobre bens situados no Brasil. que. 237. 'í io5. n. civil. por meio de rogatória sendo preciso. art. perante que tribunal será levada a petição inicial ? O código ao processo civil italiano concede que a demanda seja proposta perante o juiz do domicilio do auctor (art. Não se dando essas hypotneses.». arts. ainda que se acne em outro paiz. 107). ou porque na Republica tenham domicilio de eleição. 437.312 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO nisação da justiça. será. 'í) PIMENTA BUBNO. Código do processo civil italiano. é admittir a competência geral do domicilio. «np. ou ainda si forem herdeiros em uma suçcessão aberta e liquidada no Brasil. io5-io6. porém é mais curial apresental-a no domicilio do réo ou onde este for encontrado. perante os tribunaes francezes.». 14 também) se encontra uma derogação do principio actor sequitur fórum rei. pois que não ha foro de domicilio no paiz nem o da situação da cousa. Nesses casos. Os tribunaes brasileiros têm competência para conhecer de causas em que extrangeiros são partes ou porque estejam domiciliados no Brasil. ou porque aqui tenha de executar-se algum contracto em que sejam credores ou devedores. salvo si o paiz onde se achar não admittir a demanda (â). «op. ^Sj No direito francez (cod. a do foro do contracto (1) PIMENTA BUBNO. . mas a dotrina condem na esse injusto systema que tem provocado a retorcão de outros Estados. no facto de permittir-se que o francez ■ possa accionar o extrangeiro. GRASSO. « Direito internacional priva lo». cit. por sua vez. O verdadeiro principio em direito internacional privado. citado para acompanhar a acção e soffrer a execução que lhe são movidas. e tractando-se de uma acção pessoal ou mesmo real sobre moveis. § 5o. Veja-ae ainda BAR. ou si forem interessados num concurso de credores verificado perante as justiças brasileiras (}). em qualquer hypothese. « Lehrbuch ».

Chamam-na. nos seus «E'lements». o accesso aos tribunaes é facultado a todos. cada Estado deve incumbir aos seus liuizes os negócios que lhes competirem pela natureza do facto jurídico. a Inglaterra. 40 . «Lehrbuch».conservam este instituto. para conhecer das questões entre extrangeiros. a Rússia. por isso mais propriamente—cautiopro expensis. No Brasil.CLÓVIS BEVILÁQUA 31. na Itália. em todos os paizes que concedem aos extrangeiros egualdade no gozo dos direitos civis. a Allemanha. dizem. BAR. na Allemanha.3 e a da situação da cousa. que na administração da justiça civil. a Hollanda. e. § 67 CAUÇÃO «JUDICATUM SOLVI» I. um movimento no sentido dê recusar competência aos tribunaes francezes. Simiihantemente. em geral. A caução é. e. Diversos paizes da Europa e da America ainda. segundo exige o rigor de algumas legislações. sejam indígenas ou alienígenas. já o expulsaram de suas legislações como impróprio da vida jurídica em nossos dias. fiança ás custas. filho da desconfiança e da prevenção. a principio. sem as prevenções do código civil francez e de todas as legislações que o tomaram por guia (1). porém. algumas vezes. g 47. a Grécia. pignoratícia. Pertencem ao primeiro grupo: a França. além das despezas judiciarias. com alto critério. g 70. pela situação da cousa ou pelo domicilio das partes. Em França houve. os (i) ASSBR et RIVIER. mas a opinião contraria vae preponderando. outros. na Hespanha. pouco importando que se achem estas vinculadas ou não por laços políticos ao paiz onde o juiz tunc-Iciona. e outras fidejussória. E Parece inútil indagar si os tribunaes de um paiz têm competência para decidir os litígios suscitados entre extrangeiros. Caução judicatum solvi é a segurança prestada em garantia do pagamento das despegas do processo. no direito patno. por deposito de valores. Entretanto caução judicatum solvi é hoje denominação technica e tem a vantagem de abranger os prejuízos resultantes do processo.

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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO .............................. ...............................

Estados-Unidos da America do Norte, o Canadá, o México, a Venezuela, a Republica Argentina, ainda que, por modo diverso se ache nessas differentes, nações organisada a fiança ás custas. Pertencem ao segundo grupo: a Itália, Portugal, a Dinamarca, a Noruega e a Hungria ('). Contra este instituto levantam-se muitas objecções. Elle fecha os tribunaes aos extrangeiros não opulentos; contraria o principio de egualdade civil entre nacionaes e extrangeiros; difticulta a realisação da justiça oppondolhe embaraços de ordem económica; contraria a tendência do direito internacional privado no sentido de harmonisar os interesses dos indivíduos e dos povos numa communhão de direito. A tendência da doutrina é para abolir a fiança ás custas. E a Conferencia de Haya traduziu essa tendência votando resoluções que se transformaram em direito convencional entre diversos Estados da Europa. A convenção de Haya relativa á adopção de regras communs sobre diversas matérias de processo civil estabelece, em seu artigo u: «Nenhuma caução ou deposito, sob qualquer denominação què seja, poderá ser imposta, quer em razão de sua qualidade de extrangeiros, quer em razão de não terem domicilio ou residência no paiz, aos nacionaes de um dos Estados contractantes que, tendo domicilio em um delles, comparecerem perante os tribunaes de outro, quer como auetores quer como interventores» (*).
(i) Vejam-sc as minhas «Lições de legislação comparada», 2." cd., ns. 193194; DHUCKER, em CLUNET, 1893, pag. 3:o e segs.; RAOUL DE LA GRAS-SUHII:, em CLUNET, 1898, pag. 842 e segs.; DESPAONET, «Precis», n. 176; WKISS, «Manuel», pães. 5y9-ó 13; GRASSO, «op. cit.», í 104; TACHEREAU, em CLUNET, I8IJ3, pag. 63, sobre a condição dos extrangeiros no Canadá. Na Colômbia, diz CIIAMPEAU que os nacionaes e extrangeiros são, sob esta relação, collocados na mesma l i n h a (CLUNET, 1894, pags. 938-939). (2) CONTUZZI, «Conventions de la Haye», I, pag. 46; CLUNET, i8g5, pag. 2o3; MEILI, «Mitteiiungen, cit.», pag. 472 e segs.; «Annuaire de legislatiòn étrangere», 1900, pag. 406. Esta convenção, concluída a 14 de Novembro de 1896 e 23 de Maio de 1897, toruou-se executória, em 1899, pela troca de ratificações, c, exgottados os primeiros cinco ânuos de sua efficacia, acha-se prorogada por mais cinco, -até 27 de Abril de 1909. Accrescente-se que entre os paizes da Europa c os da America ha diversos cractados isemptando os respectivos natura es da fiança ás custas c | prejuízos do processo.

CLÓVIS BEVILÁQUA

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II. A historia da fiança ás custas no Brasil mostra bem como as idéas liberaes, gratas ao povo brasileiro e consentâneas com a orientação de seu direito privado, soffreram os embates dê influencias extranhas que deviam ser criteriosamente afastadas. Em i832, quando se andavam remodelando as nossas leis num elevado escopo de liberdade e perfeição, a Disposição provisória, de 29 de Novembro, art.' 10, abolira peremptoriamente a fiança ás custas. Mais tarde o dec. de iode Junho de i8?o veio declarar que os auctores, nacionaes ou extrançeiros, que não tivessem residência no paiz ou delle se ausentassem durante a lide deviam sujeitar-se á fiança pelas custas, sob pena de ficar o réo absolvido da instancia (arts. 1— 3). O reg. 737, de 25 de Novembro do mesmo anno. tornou extensivas ás causas commerciaes as regras do citado dec. de- 10 de Junho. A fiança ás custas, segundo esses dispositivos, não offerece o caracter aggressivo que é manifesto em outras legislações, porquanto se refere aos nacio naes eaos extrangeiros não residentes no paize porque dispensa de prestarem a cauçãopro expensis aquelles que perante o juiz da causa provarem a sua miserabilidade. Além disso, não se refere sinão ao pagamento das custas judiciaes, o que a distingue da caução de judicato solvendi consignada em outros systemas legislativos ('). [li, Apezar, porém, de sua feição mais tolerável, como, em todo o caso, é estorvo á consecução da justiça, parece-me que é incompatível com o estado actual de nosso direito e com a largueza dos princípios liberaes da Constituição federal ( a ). E foi naturalmente por
(1) O caracter da fiança ás custas no direito brasileiro foi bem accentuadc pjln Ou. ALMEIDA NOGUEIRA, em uma exceli ente monographia, publicada na «Revista da Faculdade de Direito» de S. Paulo, 1902, pags. "~rt2) Minhas «Liçõesde legislação comparada», a.' edn. 194. Cambem digno de nota que o dec. n. 917, de 34 de Outubro de 1890, art. ?*«*"""» da fiança ás custas ossyndicos, administradores, curadores ou outros representantes legaes da massa, em falleneias declaradas 110 estrangeiro, isempçao que foi conservada pelas leis posteriores.

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obdecer ao espirito liberal do novo regimen que o dec. n. 848, de 11 de Outubro de 1890, não se referiu a esse instituto. Adoptando a mesma orientação, o| Projecto de código civil brasileiro, em sua forma primitiva, expressamente o aboliu no artigo 42, da lei de introducção (l). Não obstante os tribunaes e os escriptores jurídicos ainda consideram vigente o instituto, por não ter apparecido uma lei que o desterrasse de nosso systema legislativo (*). § 68
COMMISSÕES ROGATÓRIAS

Commissões rogatórias são pedidos que um jui\ dirige a outro para obter delle um acto judiciário ou uma informação no interesse da justiça. Em alguns paizes a lei obriga o juiz a attender a essas precatórias dos tribunaes extrangeiros, em outros elías se effe-ctuam em obediência á determinação de tractados internacionaes. Na Europa continental, este serviço complementar da justiça está regulado pela convenção de Haya, de 14 de Novembro de 1896, concluída entre a Hollanda, a Bélgica, a França, a Suissa, o Luxemburgo, a
(0 Diz o citado artigo: «Não se exigirá que preste fiança ás custas aquclle que invocara intervenção dos tribunaes brasileiros, para a solução de um conrlicto jurídico de ordem privada, ainda que resida tora da Republica». O «Projecto» actual adoptou pensamento inteira mente contra rio, exigindo uma caução, para pagamento das custas do processo, ao extrangeiro residente fora da Republica, si nclla não possuir bens immoveis. Evidentemente é uni regresso a fornias de mais rigor do que as que, neste ponto, nos legara o dec. de 10 de Junho de i85o. Contra a doutrina deste artigo, ai leguei razões que mo parecem producentes. Veja-sc o meu livro a Em Defcza do Projecto do Código civil brasileiro», pags. 34:5-349. Quando a opinião esclarecida reclama a liberdade pura c simples do «tòrum», como é que o código civil brasileiro ha de manter ainda esse embaraço da fiança erguido <un limine li tis»? (2) Veja-se, além da citada monographia de ALMEIDA NOGUEIRA, um julgado do Supremo Tribunal federal, publicado no «Direito», vol. 76, pags. 355-356,

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Hespanha, Portugal e a Itália, á qual adheriram também a Suécia, a Noruega, a Allemanha, a Austria-Hungria, a Dinamarca, a Romania e a Rússia (»). No Brasil o assumpto esta regulado pela lei n. 221, de 20 de Novembro de 1894, art. 12, 'i 4, que dispõe:! J« as_rogatórias emanadas de auctoridades extrangeiras serão cumpridas somente depois que obtiverem o ^wcequatur do governo federal, sendo exclusivamente competente o juiz seccional do Estado onde tiverem de ser executadas as diligencias decretadas». Este é o principio geral que não contraria o que tòr ajustado por tractados internacionaes. Os juizes encarregados de satisfazer uma carta rogatória seguirão a sua própria lei quanto ao modo e ás formas de proceder e de produzir as provas. No que disser respeito ao direito substantivo, appli-carão a lei reguladora da relação jurídica, coincida ou não com alexfori. Limitar-se-ão a cumprir o que lhes é solicitado, e si na execução da rogatória surgir alguma difficuldade que interesse á substancia da causa, devolverão as partes ao tribunal que a está examinando (*). 69

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§

EXECUÇÃO DAS SENTENÇAS EXTRANGEIRAS

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U I. Na execução das sentenças proferidas por tri-bunaes extrangeiros ha"uma forma particular da applicação do direito extranho, a applicação indirecta,' pois, na sentença, a lei já se objectivou e a efficacia extraterritorial do julgado é apenas uma consequência que lhe é attribuida para complemento de sua própria força e satisfacção da justiça. Ha que distinguir na sentença a verdade jurídica, expressa pela auctoridade do caso julgado, e a força
(1) Vejam-se Con-ruzzi, MEILI e CLUNKT, citados á nota a, da pag. 3I4J| ADDK: DESPAC.NET, «Prccis», n. 1H0. (a) DESPAGNET, «Précis», n. 188.

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executória, que presuppõe a intervenção do poder publico afim de que se cumpra o que a sentença declarou ser o direito. I Quando se tracta de considerar e sentença ex-i trangeira, no seu effeito de produzir caso julgado, attendese apenas a um direito adquirido no extran-geiro. Si esse direito foi legitimamente adquirido, deve ser respeitado por todos os Estados. A legitimidade aqui não será apreciada sob o ponto de vista do direito interno, pois que a sentença definitiva, da qual resulta o caso soberanamente julgado, | se presuppõe proferida por juiz competente de accôrdo com as leis de seu paiz. E' apreciada em face do direito internacional. Si o Estado attribue aos seus' juizes competência para julgar certas questões, estes não podem reconhecer a efficacia das sentenças sobre ellas proferidas no extrangeiro, porque ta es sentenças oífendem o direito publico.-interno. Assim, por exemplo, uma sentença extrangeira decidindo uma contenda levantada a respeito da propriedade de um immovel situado no Brasil, não pôde ser acatada na Republica. Desde, porém, que o Estado não reivindica a competência sobre o negocio para os seus juizes, a sentença extrangeira deve ser respeitada como emanação da soberania de outra nação. A vida internacional o reclama e os interesses da justiça o exigem (1). II. Tractando-se da execução extraterritorial,das sentenças, pergunta-se: qual o seu fundamento ? Na doutrina e nas legislações encontramos a maior divergência. No direito romano vigorava o principio: extra íerriforium jusdicenti impune non paretur (2). O respeito ás sentenças morria nas fronteiras da circum-scripção jurisdiccionaldojuiz. Todavia, uma sentença
(i) PILLET, «Príncipes », j| 3oi. {2)
D. 2,1, Ir. 20.

proferida em Roma podia ser executada nas províncias pelos respectivos presidentes (1) e parece que os povos subjugados não tinham muito que gabar á justiça das decisões romanas, si é verdade o que contra ellas articulou MIRTHRIDATES justificando a sua revolta contra o povo dominador (9). Em tempos anteriores, refere MOREAU ( 3 ), quando Roma pouco se distinguia dos pequenos Estados que a cercavam, as contendas entre indivíduos de nacionalidades diffe-rentes eram decididas por juizes tirados de ambas as nações, formando um tribunal especial. Entre Roma e a confederação latina, havia um tractado regulando esta matéria. No direito moderno, podemos distinguir diversos systemas. Em primeiro logar, destaca-se o da territorialidade absoluta de MERLIN, BOLCENNE e outros, que não descobre fundamento scientifico ou racional no instituto da execução extraterritorial das sentenças. A sentença é uma expressão da soberania e esta não pôde actuar fora de suas fronteiras nem sobre juizes que são orgams de outra soberania. Esta argumentação é improcedente, porque assim como o commercío internacional reclama a efficacia extraterritorial das leis, que é expressão directa da soberania, necessita do reconhecimento internacional das sentenças de direito privado. Sem isso, os interesses indivicíuaes da sociedade internacional muito soffre-riam. Por outro lado, os juizes que executam as sentenças extrangeiras não se fazem instrumentos da soberania dos Estados extrangeiros; funccionam como orgams da sociedade internacional e servem aos interesses da justiça: recebem do Estado que os nomeia o principio da auetoridade e protegem os direitos individuaes que se reflectem além dos limites de cada paiz.
M MOHTSSQUWU, «Espritdeslois», XI, cap. XIX. (3) ■. E'ffets d es jugeroents ctrnngcrs en matierc civilc», pag. ti.

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Falam outros na comiías gentium, num quasi con4 tracto estabelecido entre as partes litigantes de accen tarem a sentença; em um a lex specialis relativa ao caso litigioso que deve ser respeitada como lex gene-ralis, na solidariedade da justiça entre os differentes povos (x); mas a explicação mais satisfactoria deste phenomeno jurídico da funcção extraterritorial das sentenças é a concepção da sociedade internacional que nol-a oíferece. A sociedade internacional tem de exercer, como organismo social que é, funcções legislativas e judiciarias. Desde que lhe falta o elemento politico da auctoridade para exercel-as, serve-se dos orgams dos diversos Estados. Assim o juiz que decide um litigio em um paiz, desde que interesses internacionaes estejam em jogo, sentenceia, não para um só Estado, mas para todos os que entram "nos limites da sociedade internacional, e, consequentemente, a execução desses julgados se opera como si tivessem sido proferidos dentro do mesmo circulo nacional. PILLET, com muita razão, vê, na execução das sentenças extrangeiras, um caso de direito* adquirido (-). III. As legislações podem ser distribuídas em differentes grupos. O primeiro é composto por a aquellas que recusam aos julgados extrangeiros força executória. Entram nesta classe a hollandeza, a suecca, a noruegueza (,8). Outros paizes estabelecem umadistincção-Havendo tractado, o exequaturé concedido ás sentenças extrangeiras, segundo asclasulas estabelecidas. Não havendo tractado, as sentenças extrangeiras poderão tornar-se
(i) Vejam-se indicações mais circumstanciadas sobre'essas doutrinas cm MAKNOCO e SOUZA, * Execução estraterritorial das sentenças»; WHARTON, « Privaie international law», 'i 671; DAGUIN, «De 1'autorité et de 1'execution des jueements étraiu;ers»; VAREILLES SOMMIERES, «Synthese», II, ri. 669 c segs.; BAR, « Lahrbuc 1», \ 49; AsstR ET RIVIER, u Eléments », jj 89. (2) «Príncipes», \ 3o2. (3) ASSKR et RiviKR, «E'lcments», \ 89; Cu. COKSTANT, «De lcxecution des jugements étrangers», pags. 171 e 189; MARNOCO e SOUZA, «Execução extraterritorial das sentenças», n. 22; GRASSO, «op. cit.», g 111, nota 3oi.

Não se diga que a soberania extrangeira. E' por ventura declarar !(i) «Precis». estão em perfeita harmonia com a solução racional. AUDINET e outros procurem justificar essa descabida supremacia que se arrogam os tribunaes francezes. Sem duvida. destaca-se VAREILLES-SOMMIERES. 678. aceres-centa o douto professor. A expressão—declarar executórias—de que se serve o artigo 2123 do código civil. embora su mm a ria mente. aos casamentos e a outros actos quaesquer. muitas outras auctoridades se! pronunciam de modo differente. em principio. Na França. ns. belga e de alguns cantões suissos. 41 . 194->95-| {2} «Synthese». devem ser válidos aos olhos do mundo inteiro: esta regra deve ser applicada ás sentenças como aos contractos.CLÓVIS BEVILÁQUA 321 executórias mediante a revisão da causa. Mas não detemos reconhecer a soberania dos Estados extra ligeiros sobre o seu próprio território? Foi lá que as sentenças que nos occupam foram pronunciadas».. « Ella se exerceu em seu próprio território. mostrando que tal doutrina se não funda em dispositivos da legislação franceza. se exerce em França por meio da execução extraterritorial das sentenças. Este systema dai revisão de meritis.. de quem transcrevo as seguintes ponderações: «Todos os actos executados no território de um Estado. entretanto. a auctoridade da cousa julgada é uma emanação da soberania. embora espiritos liberaes como DESPAGNET (l). para designar a missão dos tribunaes francezes em relação ás sentenças extrangeiras é incompatível com o systema da revisão. em sua essência. Entre os escriptores que assim se manifestam. na conformidade de suas leis. n. é preciso que os outros Estados reconheçam a validade dos factos realisados sob a sua direcção e os tomem em consideração quando for occasião disso» (2). mas justamente porque se exerceu legitimamente. é o da jurisprudência franceza. no seu domínio próprio. «Os textos.

*. «o art. cit.. '& 89.n. A Rússia . '^7 A Allemanha.. « op. 1»..». ASSKR et RIVIER. .. talvez inteiramente diverso»? Além disso.. O Chile. cit. 20. 151. «op. 168.».». Outros paizes distinguem as sentenças para o fim de lhes conceder execução. tudo depende da vontade soberana do príncipe. Venezuela.. arts. .». a Hespanha.. pags.„. «op. pag. i83.:-. cil. as sentenças eiveis extrangeiras tornam-se executórias na Itália. g 111. Líruguay.. n..».„... Hop. «op..™„^r.322 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO p. executório um julgamento.».. GRASSO. o México. «op. 169 e 204..adoptou o systema da reciprocidade diplomática... pags.. substitui!-o porj outro. (1) «Synthese».. (3) COKSTANT. a Áustria.. que é também seguido em Neufchatel (4). tit. que antes do código de procedimento civil'de 1902. • (4) COISTANT. nota 3Q3. MARNOCO e SOUZA. a Hungria.. Segundo o art... entre as que se referem a nacionaes e as que se referem a extran geiros (a). 239-248).. si as sentenças dos tribunaes civis extrangeiros não tivessem na França a auctoridade de cousa julgada de que incontestavelmente gozam as sentenças criminaes» (*).. 141.941 do código do processo civil italiano. cit. cit. n.„. r. 79. 5 do código de instrucção criminal reconhece formalmente que as sentenças criminaes extrageiras têm auctoridade de cousa julgada na Franca» e «haveria um disparate em nossas leis. a3 e 26. n... A Itália inaugurou o systema liberal da delibação que é certamente o que melhor satisfaz ás necessidades do momento histórico actual. diversos cantões suissos.™. era collocado entre as nações que recusavam auctoridade de cousa julgada e força executória ás sentenças extrangeiras.. Em Mónaco. (3) CONSTANT. a Bolívia e o Equador acceitam o systema da reciprocidade de facto ( 3 ).„v „. ASSER et RIVIBR. revel-o. i 89. hoje deve ser collocado entre as nações que adoptam o principio da reciprocidade de facto i citado código. MARNOCO C SOUZA. «op. ... MARNOCO C SOUZA.^.. cii. 679. -•.. 27. 100. « E'Iéments». cit. mediante um julgamento de delibação pela corte de appellação em cuja jurisdicçãotêm de ser executadas. «op.„ ..

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Nesse julgamento apenas tem o tribunal italiano de examinar: si a sentença foi pronunciada por juiz competente; si as partes foram regularmente citadas; si se fizeram representar ou foram legalmente coèsjy deradasreyeis; si a sentença contém disposição contraria ao direito publico interno do reino. O systema italiano foi adoptado em Portugal, em Basiléa, em Buenos-Aires ( ^ e no Brasil. Na Inglaterra e nos Estados-Unidos da America do Norte também é similhante o systema acceito. Para que uma sentença obtenha, em relação a esses dois paizes, effeito extraterritorial exigem-se: competência do juiz, citação das partes, somma determinada nas acções in persotiam e para pagamentos de dinheiro, e, finalmente, a referida sentença deve ter passado definitivamente em julgado (2). IV. No Brasil esta matéria encontrou a sua primeira regulamentação nos decs. de 27 de Julho de 1878 e 27 de Julho de 1880 que desenvolveram a idéa contida na lei n. 2615, de 4 de Agosto de 1875, art. 6, g 2, de se regular a execução das sentenças eiveis dos tribunaes extrangeiros. O primeiro dos decretos citados regula a execução das sentenças extrangeiras no Brasil, no caso de haver reciprocidade, e o segundo oíferece providencias para o caso de esta não existir. Havendo reciprocidade, a sentença extrangeira tornava-se executória, mediante o cumpra-se do juiz brasileiro; não havendo reciprocidade, a execução do julgamento proferido pelas justiças extrangeiras
(1) CONSTA.NT, «op. cit.», pag. 198; DESPAGNKT, «Prccis», n. 201; MAKNOCO H SOUZA, «op. cit., ns. 29 e 40-44»; Cod. de processo civil portu-auez, arts. 1087-ioqo. , .*■'■ ., (2) E' o que ensinam WHARTON, «Private International law», g 040 e segs.: CONSTANT, «op. cit.», pag. 89 e segs. e ASSER, «E'lements»,g 89. Todavia ha uma certa complexidade sinão vacillação no direito inglez, de onde resulta que umas vezes se applica o principio da reciprocidade e outras vezes a sentença extrangeira é apenas considerada como prova ou um titulo sobre o qual se pronuncia o magistrado (GRASSO, «op. cit.», g m, nota Í92; MARNOCO E SOUZA, «op. cif.», n. 24).

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dependia do exequatur concedido pelo poder executivo. O dec. de 24 de Outubro de 1890, reproduziu, quanto ás fallencias, o disposto no dec. de 27 de Julho de 1878. Este systema foi, porém, modificado pela lei de 20 de Novembro de 1894, art. 12, $4, que afasta a condição da reciprocidade, exime as sentenças extran-geiras do exequatur do poder executivo, e submette-as á homologação do Supremo Tribunal federal, com audiência das partes e do procurador geral da Republica. Havendo algum tractado entre o Brasil e a nação de onde provém a sentença, observar-se-á 0 quê tiver sido estipulado. No processo de homologação, observar-se-á o seguinte, diz alei: a) « Distribuida a sentença extrangeira, o relator mandará citar o executado para, em oito dias, contados da citação, deduzir por embargos a sua opposição, podendo o exequente em egual prazo contestal-os; ■ b) « Pôde servir de fundamento para a opposição: 1.°, qualquer duvida sobre a authenticidade do documento ou sobre a intelligencia da sentença; 2.0, não ter a sentença passado em julgado; 3.°, ser a sentença proferida por juiz ou tribunal incompetente; 4.0, não terem sido devidamente citadas as partes, ou não se ter legalmente verificado a sua revelia, quando deixarem de comparecer; 5.°, conter a sentença disposição contraria á ordem publica ou ao direito publico interno da União. Em caso algum é admissível producção de provas sobre o fundo da questão julgada ». 1 Si a sentença é nulla, si oífende os preceitos do direito publico brasileiro, o Supremo Tribunal lirnita-se a declarar a sua inexequibilidade. O respeito devido á dignidade do poder judiciário extrangeiro assim o exige.

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Feita a contestação ou findo o prazo para ella destinado, o procurador da Republica emittirá o seu parecer e com elle os autos irão ao relator e succes-sivamente aos revisores. Confirmada a sentença extrahir-se-á a carta respectiva com a homologação, para ser executada no juizo seccional a que pertencer. Si a execução da sentença fôr requerida por via diplomática, sem o comparecimento do exequente, será ex officio nomeado um curador para repre-sental-o epromover em seu nome o que for de direito. Também será nomeado um curaaor ex officio ao executado si não comparecer, si estiver ausente, si fôr menor ou interdicto. ■ Ao processo de homologação, segue-se o de execução perante o juiz seccional, observando-se os preceitos communs para a execução das sentenças eiveis. Estabelecido este systema, que exactamente corresponde ás aspirações do direito internacional privado, sobreveio a lei n. 85g, de 16 de Agosto de 1902, que, nos arts. 98-1133, mandou applicar, quanto ás sentenças declaratórias de fallencias fora da Republica, ô systema do dec. de 1878, sem a exigência da reciprocidade, mas o seu regulamento (dec. n. 4855, de 2 de Julho de 1903), nos arts. 63-75, restabeleceu o systema da homologação, como se verá melhor-mente no g seguinte, n. II. As disposições da lei sobre fallencias e as de seu regulamento não se conciliam, e como as primeiras têm preeminência sobre as segundas, a conclusão a que devemos chegar é que, existe, actualmente, no Brasil dois systemas sobre a | execução das sentenças extrangeiras: o do cumpra-se para ás sentenças declaratórias de fallencia e o da homologação para as outras sentenças commerciaes ou eiveis í1).
'1) Veja-se a respeito JoÁo CABRAL, «Das fallencias», notas 3oi e 004.

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V. As sentenças extrangeiras dependentes de homologação, para se tornarem exequíveis no Brasil são as que emanam do poder judicial. Consequentemente os actos administrativos, embora revestindo ai forma externa de uma sentença estão fora dessa categoria. Quanto ás sentenças arbitraes, pensam alguns auctores que são verdadeiras sentenças e, portanto, devem ser homologadas. O melhor parecer, porém, é certamente o daquelles que vêem no juizo arbitral um mero contracto, desde que desap-pareceu das diversas legislações o juizo arbitral forçado (*)• Este ultimo seria uma verdadeira sentença, como será todo aquelle em que intervier, nomeanclo árbitros, o poder judicial. O primeiro constitue um simples accôrdo das partes, um contracto de ordem privada. As sentenças proferidas em jurisdicção voluntária, segundo alguns, não podem produzir effeitos extraterritoriaes (2), segundo outros devem produzil-os independentemente de exequatur (3). I A classificação dos actos de jurisdicção voluntária ou graciosa varia com as legislações, si bem que, haja sempre uma certa base commum e um certo numero de actos que apparece constantemente em todas ellas. PIMENTA BUENO ofFerece, a titulo de exemplo, extensa enumeração delles segundo a lei brasileira. Pertencem á jurisdicção voluntária, diz elle: '« a abertura do testamento e termo delia, nomeação de tutor ou curador ao menor, demente ou ausente, a | apresentação do fallido e declaração da abertura da fallencia, concordatas, moratória, demarcações ou
(■) BROCHES, « Cours », III, pag. i5o; BAR, O Lehrbuch », jj 53; MARNOSO e SOUZA, «op. cit. », n. 5g; PIMENTA BUENO, « Direito internacional privado», n. 286. (2) MORKAU, «Effcts internationaux d es jugements», pag. 36. (3) BONFILS, «De la compétence des tribunaux français a 1'égard des étrangérs», pag. 209. Parece ser também esta a opinião de PIMENTA BUENO, «Direito internacional privado»^ 11. .252.

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tombos, emancipações, supplemento de edade, partilhas, posse em nome do ventre, protestos, reduccão do testamento nuncupativc, etc. Os actos ou assentos do estado civil, as diversas escripturas publicas de contractos, procurações e outros similhantes entram na mesma generalidade» (l). Desde que, em taes actos, intervém o juiz com a sua sentença, não ha razão para que esta sua decisão seja tractada por modo diíterente da decisão proferida em litigio judiciário (*). Não intervindo sentença devem ser apreciados, quanto á forma e quanto á substancia, segundo os princípios geraes relativos,aos actos jurídicos. VI. As sentenças de que aqui se tracta são as eiveis e commerciaes. As sentenças criminaes não se executam extraterritorialmente. Todavia na vida internacional não era possível que taes julgamentos limitassem seus effeitos rigorosamente ás fronteiras do paiz onde fossem proferidos. Em primeiro logar ha que considerar o instituto da extradição, segundo o qual o condemnado pelasauetoridades judiciaes de um paiz, que se refugiou em outro, pôde ser, pelo poder competente deste ultimo, entregue ao do primeiro. A extradição resulta ou de tractados internacionaes ou da benevolência dos governos. Em segundo logar, as sentenças penaes extrangeiras podem ter alguns effeitos, apreciadas como factos de existência irrecusável, segundo já foi exposto no g 32. Cabe aceres-sentar que os effeitos civis de uma sentença penal podem repercutir no extrangeiro. Assim é que a obrigação por perdas e damnos, em consequência de uma condemnação penal, pôde se fazer effectiva no
(i) PIMENTA BUEMO, »op. cit.», n. 217. A declaração de fallencia será muitas vezes proferida em jurisdiecão contenciosa.... .. (a) MAKKOCO B SOUZA, «op. cit.», n. 61. Esta e a jurisprudência seguida pelo Supremo Tribunal federal.

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extrangeiro (l),;Ou, mais geralmente, os damnos cau-| sados por delictos verificados por tribunaes extrangeiros podem ser exigidos no paiz onde se achar domiciliado o criminoso (2). A sentença criminal não se executa no extrangeiro, mas não pôde ser considerada um facto inexistente.
(i) BAR, «Lehrbuch», | 6o. (2) PIMENTA BUENO, «po. cit.», 11. 3i3; MARNOCO E SOUZA, «op. cit.n, n. 5a. As condemnações por perdas e damnos em consequência de delictos são verdadeiras sentenças civis, ainda quando pronunciadas no foro criminal, diz FIORE.

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CAPITULO X

I

Das fallencias %
§ 70

m

8
UNIDADE E UNIVERSALIDADE DA FALLENCIA

I- E de grande interesse doutrinário e pratico indagar si a declaração da fallencia realisada em um pai/ abrange todo o património do individuo ou se restringe aos bens situados no paiz em que se abriu o concursus creditorum. Sobre este ponto muito se tem escripto, sem que haja accôrdo entre as aucto-ridades. Pensam alguns que a sentença declaratória da fallencia é puramente local, territorial. Baseados outros na unidade e universalidade da fallencia, afiirmam a ex tratem tonalidade dessa sentença. ~kl A territorialidade da fallencia é sustentada por escriptores eminentíssimos ( 1). Os argumentos por elles geralmente invocados são os seguintes: a] As leis sobre fallencias são de ordem publica; «podem passar pelo typo das leis de credito publico e garantia social», diz PILLET (*). No regimen internacional das fallencias não é o caracter, social ou individual das leis que as regulam que devemos principalmente considerar (e ha claramente as duas feições
(i) BAR. «Lehrbuch», g 55; THALLKR, «Des faillites en droit compare», II, n. 277; VAHEILLES-SOMMIERBS, «Synthése», I, ri- 4" e segs.; PILLET, «Príncipes»,! 3o6 e segs.; WHARTON, «Private international law», g jj 799, 806-807. Não existe entre estes escriptores accArdo sobre os diversos pontos da questão. Alguns dellcs, como BAR E THALLER, occupam uma posição intermédia entre o universalismo e o territorialismo. (a) «Príncipes», g 3o6, nota 1. 43

mas já uma execução. mas sim a execução extraterritorial da sentença que a decreta. pag. Enca rando a questão por este lado. . Não se tracta. c) As leis de fallencia.330 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO no concurso). 455. Este é um dos pontos em que o critério dos estatutos é falho por completo. E' um outro modo de dizer o que affirma PILLET. II. Tracta-se apenas de considerar o estado de fallencia como definitivamente estabelecido e. para garantia de todos os credores. depois de mostrar a insufficiencia dos fundamentos da universalidade da fallencia. n. o que é differentc. este é precedido por um facto pessoal: a cessação dos pagamentos. cujo argumento já foi acima considerado. allega os (i) «Des failtites en droit compare». pertencem. Portanto. notando que a res judicata aqui abrange o património do devedor em sua totalidade e não os bens individualmente. portanto.' Si na fallencia ha um aspecto real. ut singuli. e toda execução tem um caracter eminentemente territorial. porém. em um paiz. ainda que se ache espalhado por diversos paizes. observa VAREILLES-SOM2 MIERES ( ). diz THALLER (l). o egrégio professor de Lile invoca uma doutrina cujos fundamentos são hoje victoriosamente combatidos e geralmente repellidos. o que principalmente importa saber é si o juiz prolator da sentença tem competência internacional e si o julgamento regularmente profe rido não otfende á ordem publica interna do paiz onde vae ser executado. Além disso. ao estatuto real. recaem sobre os bens do devedor e em rigor podem ser classificadas entre as leis de policia e segurança. as leis de outro relativas a essa execução geral que é a fallencia. (a) «Synthese». 353. d) BAR. a apprehensão dos bens. a dos estatutos. de applicar. desta cados. |l b) A fallencia é uma penhora que abrange todos os bens do devedor. nãoé uma condemnação. >. reflectindo-se esse estado sobre todo o património do devedor.

§ 55... ...... em tempo.. (2) «Privatç intçrnational Iaw». g 007.. gravíssimos perigos dos uaes só é possível escapar decretando a territoriali-ade absoluta das fallencias (2).. na simplicidade apparente da ubiquitous bankruptcy. E como essa operação fraudulenta pôde ser ainda repetida.. .... pôde não estar em condições de lhe ser aberta a fallencia em outra localidade onde possue egualmente algum outro estabelecimento ou certos bens..„ 33 I interesses dos credores nacionaes que devem ser especialmente protegidos { l ) ......... os seus bens do estabelecimento onde a quebra está eminente para o outro onde o não ameaça a mesma sorte.. defraudando assim um grupo de credores. é....... o da egualdade entre todos os que pertencem á sociedade internacional... que é declarado fallido onde possue um estabelecimento..... 3 (i) «Lehrbuch».. Além da preferencia que devem ter os credores domiciliados em cada paiz sobre os bens ahi situados. pois que o devedor pôde passar..CLÓVIS BEVILÁQUA —*" .... Si lhe vendaram os olhos foi para que ella se não deixasse induzir por essas e outras predilecções e) WHARTON descobre. . o segundo grupo de credores pôde em seguida ver fugir-lhe a presa que lhe parecia segura... mostrando perigos reaes na territorialidade da fallencia.. lembra o illustre internacionalista a variedade das legislações.... A questão é complexa e o argumento é contraproducente.. em vista das quaes um individuo.. mas o ponto de vista do direito internacional não é esse de collocar os interesses das pessoas domiciliadas num dado paiz em posição melhor do que os direitos dos que se acham no extrangeiro.. Os interesses dos credores nacionaes ou domiciliados no paiz poderão ser equitativamente resalvados num concurso universal......* . r Tambem não podem ser os intuitos da justiça attender mais carinhosamente aos que lhe ficam ao alcance da mão e como que mais aparentados do que aos que se acham mais afastados.... ao contrario..«.

332 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Quanto á variedade das leis. «La dottrina giuridica dei fallimento nel diritto internazionale priva to». O que justifica este principio é. Sr>LiD0Nio LEITE. Conseguintemente.». a própria natureza do instituto da fallencia. e todos os seus bens. i 4. n. possa obter um pagamento integral em detrimento dos outros ». «fazer da insolvabilidade do devedor uma infelicidade commum para todos os seus credores. 422. é justamente a tarefa do direito internacional privado encontrar as soluções que as harmonisem nas suas divergências e peculiaridades. BOISTEI. jf ia'3. (i) SAVICNV. n. extendendo-se os seus effeitos a todos os bens do devedor onde quer que estejam e a todos os seus credores. sem que algum. MARNOCO e SOUZA. bis. JITTA.. VIOABI. formando uma só massa. proferido esse julgamento pelo jui\ competente. a fallencia tem por fim. Consiste a unidade e universalidade da fallencia em ser declarada a fallencia por um só jui\ e. cit. SURVILLE et ARTHUYS. «op. n. « Droit interna-tional prive ». • . no rateio dos créditos. salvo excepções limitativamente indicadas. devem ser distribuídos por todos os seus credores sem dis-tincção de nacionalidade nem de domicilio. como bem diz DES-PAGNET (*). 48. «Droit romain ». «Del fallimcnto nel diritto internazionale priva to». sua fallencia deve ter effeito universal. ASSRII. sejam nacionaes ou extrangeiros. Não menos conspícuas auctoridades defendem o principio da unidade e universalidade das fallencias. DESPAGNET. VIII. 899. 422. «La codifica tion du droit international de la faillite». 75. WE'SS. «fléments». 65o c segs. n. pag. si o devedor tiver bens em diffe-rentes paizes. «Précis de droit commerciale*. 7690-7696. jf 3cj_|. 572. Sendo os bens do devedor a garantia com muni de seus credores. CAULE. ns.. de modo que tenha cada um. «Diritto commerciale ». « Précis W. (2) « Précis >. FIORE. BONELLI. «Del fallimento». VIII. «Unidade e universalidade da fallencia>. « Manuel». o que importa dizer a sua extraterritorialidade (x). em ser reconhecido por toda a parte... uma parte do activo. antes de tudo. n. pag.

mas ainda os conluios e a fraude entre alguns delles e o devedor commum teriam a porta aberta. arts. 859. 221. não somente haveria desegualdade entre os credores. são motivos a invocar em favor da universalidade que é mais económica e mais prompta. entre nós. solvente e capaz. até porque entre os diíferentes julgamentos pôde haver contrariedade. 12. A lei brasileira mostrou-se desprendida de preconceitos. Veio em seguida o dec. acceito o principio da territorialidade. em outro. Na Itália. E tinha razão. Desde que o património se dividir em tantas parcellas quantas forem as sedes dos bens do insolvente. desde muito foi acceito o principio da unidade e universalidade da fallencia. Foi o dec. 91-106. que a declaram no extrangeiro. de 24 de Outubro de 1890. As legislações e a jurisprudência ainda não se renderam a estas razões. n. estabelecera o processo geral de homologação das . i3-22. arts. que. n. Como. 6982. as delongas que as successivas declarações de fallencia acarretariam.CLÓVIS BEVILÁQUA 333 Ha. extranhava que alguém fosse fallido e incapaz em um logar e. O antigo commercialistaitaiiano. porque na sociedade internacional não ha de ser universal ? Por fim ha razões de ordem pratica. As disposições deste ultimo decreto foram transcriptas pela lei n. porem. uma razão de justiça. LUCA. art. os gastos. arts. dentro de cada palz. Além disso. os princípios geraes sobre as sentenças de paizes foraneos.'de 27 de Julho de 1878. a fallencia é geral abrangendo todos os bens ao devedor. 2 4. essa divisão do estadoda pessoa é inadmissivel. em seguida. que reproduziu a mesma doutrina com certas modificações. II. embora com certas restriccões justificáveis. 917. 98-113. porém. de 20 de Novembro de 1894. E si. e. realisou essa reforma legislativa. proclamou essa doutrina em seus traços essenciaes. a lei n. de 16 de Agosto de 1902. applicando-se ás sentenças.

letra h). alterando o systema do citado regulamento de 1878. 101). 6375. . 1 . de 27 de Julho de 1878. 221. art. 100). «As dietas sentenças. salvo as restricções ade-ante declaradas» (Art. depois de receberem o cumpra-se dos juizes brasileiros e da publicação do cumpra-se. Ainda que este juiz seja forçosamente o federal. n. arts. é o juiz da secção onde a sentença tiver de ser executada. as sentenças extrangeiras que abrirem fallencias a negociantes que tenham domicilio no paiz onde foram proferidas » (art. de 27 de Julho de 1878. 63 do seu regulamento. e para mandar executal-a pelo juiz seccional a quem-tal deva caber. arts. 6982. entrou em duvida si fora intenção do legislador abrir. Ha inobscurecivel antinomia entre os arts. em relação ás fallencias. pois que a matéria é de aireito internacional privado (Const. uma excepção ao regimen que adoptara. n. de 2 Junho de 1903. 60. O systema da homologação confere exclusivamente ao Supremo Tribunal federal competência para verificar si a sentença pôde ser executada no Brasil. produzirão na Republica os elfeitos que. Determinam os primeiros: « Serão exequíveis no Brasil. que.. Estatue o segundo: «As sentenças extrangeiras. haja ou não reciprocidade legislativa ou diplomática. depois de averiguar si ella preenche as condições do dec. Adensaram-se essas duvidas com o regulamento n.334 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO sentenças extrangeiras. O systema do cumpra-se attribue ao juiz nacional competência para executar a sentença extrangeira. declarou em vigor o regimen da lei n. roo -101.2. declaratórias da fallencia de negociantes domiciliados no paiz onde foram proferidas não serão exequíveis na Republica. da lei de 16 de Agosto de 1902. mediante as formalidades do dec. 6982. por direito. 4855. são inherentes ás sentenças de declaração de fallencia. sem previa homologação do Supremo Tribunal federal». aliás com excellente intenção. e o art.

As sentenças extrangeiras declaratórias de fallencia não impedem os credores domiciliados no Brasil de M Foi aueter desse projecto o Dr. entretanto. cit. Emquanto. e só com a exhibição da sentença e do acto da nomeação em forma authentica. da homologação. (3) Lei cit. curadores ou outros representantes Iegaes da massa terão qualidades para requerer. subsistem as divergências apontadas e forçoso é reconhecer* que o direito pátrio estabelece dois modos de execução de sentenças extrangeiras: o da homologação para as sentenças eiveis e commerciaes em geral. Attendendo a essa divergência que parece ter surgido de uma inadvertência do legislador. que lhe expôs: a justificação no opúsculo «Failencias». 103. os syndicos. diligencias conservatórias dos direitos da massa. sem obrigação de prestar caução judicatum solvi (*). looá. foi proposto. o restabelecimento do systema da homologação (l). e o do cumpra-se para as sentenças declaratórias de failencias. administradores. de 16 de Agosto de 1902. 04. não se converte em lei esse projecto. nos termos seguintes: Independentemente do cumpra-se ou. poder-se-ia suppôr que o cumpra-se era a mesma homologação. Os actos que importarem execução de sentença não poderão ser praticados sinão depois que a sentença se tornar executória segundo o direito pátrio (*). é consagrado o principio da unidade e universalidade das failencias com algumas restricçoes. Reg. g 2. PARANHOS MONTENEGRO. jj 2. Reg. e intentar acções.-.CLÓVIS BEVILÁQUA 335 Si a lei de 6 de Agosto de 1902 não fizesse remissão ao dec. transigir.. si para isso tiverem poderes. mas essa referencia não permitte similhante suppo-sição.. art. art. cobrar dividas. 85g. n. em um novo projecto de lei sobre failencias. de 2 de Junho de iqo3.. (2) Lei n. si admitti-rem. Rio de Janeiro. de 27 de Julho de 1878. art 64. porém. na Republica. 48J. Em qualquer dos regimens. art. . 102.

cit. (3) Lei cit. Reg. Reg.. executando os bens sitos na Republica (2). 68. 66. arts.. o estabelecimento existente na Republica se não considerará comprehendido nos effeitos da fállen-cia aberta no extrangeiro ( 3 ).. art. art. art. podem tornar-se eflectivas medidas assecuratorias sobre bens existentes na Republica mediante certas rogatórias. art. cit. cit. Desde que se tracta da liquidação do património do devedor psra distribuil-o por seus credores. Reg. art.. 104. 71. nem de proseguir nas acções já ajuizadas contra o fallido. 67. arts. § 71 COMPETÊNCIA EM MATÉRIA DE FALLENCIAS. sobre cuja massa terão preferencia... (4) Lei cit. ainda que tenha praticado accidentalmente actos de com-mercio em outra nação.336 DIREITO INTERNACIONAL ÊRlVADO executir as suas hypothecassobre bens aqui situados (x). art. Reg. porém. Como. QU nella mantenha agencias filiaes que operem por conta e sob a responsabilidade do estabelecimento principal situado no Brasil.. será isso motivo para que os credores locaes possam pedir a declaração da í alienei a do estabelecimento situado na Republica.. pr. ico. concorrendo com os locaes (s). declarado fallido por sentença extrangeira.. que resultarem a favor do fallido. concordam os auetores e as legislações que o juiz competente seja o do domicilio do devedor (i) Lei cit. cit. A unidade da fallencia presuppõe a unidade* do juizo. cit. Reg. A LEI APPL1CAVEL I. io5-ioo. 69-79» (D) Lei cit. serão postas á disposição dos credores do concurso aberto no extrangeiro (4). io3.. 107.. Si o commerciante. art. os credores não locaes farão valer os seus direitos perante o juiz da fallencia. tiver domicilio distincto e separado no Brasil. (a) Lei cit. Sendo o insolvente domiciliado no Brasil. . Mas as sobras. art.

. sob a presidência de M. ó mantenga en ella agencias ósucursales que obren por cuenta y responsabilidad de la casa principale. 608-609). pag. 33y _ igo porrugt—_ belecimento. foi votada a seguinte resolução: II tribunale competente per dichiarare il fallimento e continuare la procedura fino ai termine e quello dei luogo ove il commerciante ha il suo principale stabihmento. O artigo 35 dotractado de Montevideo sobre direito commercial internacional é do teor seguinte: Son jueces competentes para conocer de los iuicios de quiebra. fallencias. Considera-se domicilio das sociedades commerciaes o logar onde está estabelecida. Alguns auctores pensam que o juiz competente devia ser o determinado pela lei nacional do devedor. segundo reclama o principio da unidade e universalidade. art. No Congresso de Turim. 608.». (3) Veja-se JITTA. 35).. WEISS sustenta que. I 894. como distincto do domicilio commercial. deve-se preferir sempre o foro do principal estabelecimento. em 1884 (V. Si o principal estabelecimento.'segundo a legislação local. com o domicilio commercial do^ negociante. não coincidir com a sede da sociedade ou. sem fraude. II. § 14.. do Instituto de direito internacional. O domicilio de que aqui se tracta é o commercial que é o logar onde o commerciante tem o seu principal estabelecimento. pags.CLÓVIS BEVILÁQUA l commum ( ).. (2) Em CLUNBT. ou na falta de uma tal sede a do logar de seu domicilio. em 1880. da resolução sobre connictos em matéria de.. CLUNBT. 43 . cit. essa lei deve ser a . art.. do Congresso de Montevideo {Derecho comercial internacional. «op. mas esse modo de ver é inacceitavel e geralmente repellido (3). devendo a fallencia ser submettida a uma lei única. «Adde»: resoluções do Congresso de Turim..VNCINI e sendo relator o illustre CARLB. 1894. aun quando la persona declarada en quiebra practique accidentalmentc actos de comercio en otra nacion. o que centralisa o movimento geral das transacções.. sessão de Paris. los dei domicilio comercial dei taludo. sua sede social (2). 2. E a doutrina mais seguida e a que tem por si a auctóridade do Instituto de direito internacional que adoptou a seguinte resolução: «A auctóridade competente para declarar a fallencia é a do logar onde o devedor tem a sede principal dos seus negócios.

dos quaes não pôde dispor em prejuízo de terceiros. mas o principio deve ter a generalidade que lhe attnbue o Instituto de direito internacional: tudo o que concerne á administração. A lei brasileira. outra é a orientação dos escriptores que dão preferencia á lei do Estado onde a lallencia foi declarada. das resoluções. Entre os eífeitos da fallencia está a incapacidade do fallido que varia segundo as legislações. tudo o que concerne á administração.338 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO < pessoal do devedor (1). A fallencia. entregando-a á lei local. 108. inclusive a concordata entre o fallido e seus credores e a rehabilitação do fallido. a distribuição do activo entre os credores. 608. Teremos neste caso uma derrogação do principio. á liquidação e ás soluções da fallencia. em umapalavra. art. E' mais certo (0 «Manuel». os poderes dos administradores da fallencia. 655-65g. pags. Si ao individuo é declarada a quebra no seu próprio paiz. como bem observa DESPAGNET. se refere á classificação dos créditos. . «não accarreta uma verdadeira incapacidade: o fallido conserva a situação jurídica que anteriormente tinha. não ha excepção alguma. 3. Sobre este assumpto. a lei local dirá si elle incorre em incapacidade e até onde. Nem outra cousa se deprehende da lei pátria. a verificação e a admissão dos créditos. segundo o qual a capacidade das pessoas se regula pela lei de sua pátria (lex patrice) ? Não . as formas a seguir no processo. (2) CLUNET. á liquidação e ás soluções da fallencia será regulado pela lei do Estado onde ella for declarada. matéria em que" o juiz está adstricto á sua própria lei. pag. porque se tracta de execução e processo. 1894. será regulado pela lei do Estado onde foi declarada a fallencia» (*). é claro que a sua lei pessoal é que determinará a incapacidade decorrente desse estado. Si é no extrangeiro que lhe abrem a fallencia. somente é desapossado de seus bens. art. apezar das attenuações razoáveis com que adopta o principio da unidade e universalidade da fallencia. o Instituto de direito internacional assentou a seguinte regra: « As condições exigidas para a declaração da lallencia. os eífeitos da l al lencia posteriores á sentença declaratória. porém. Em geral.

..... 859.. Essas incapacidades... opposições se podem levantar ao accòrdo. V Diz a lei brasileira.-. regulam-se pela mesma lei que regula a fallencia. Podemos. portanto.... 433. Ella indica o modo de formar a concordata.. como se constitue a maioria para resolver.... si se tracta das que se referem ao direito de disposição do fallido durante o processo da fallencia...CLÓVIS BEVILÁQUA 33g ... no caso de ser declarada mais de uma fallencia. que as incapacidades do fallido serão reguladas pela lei onde elle tiver seu domicilio pessoal. As incapacidades que as legislações ligam ás con dem nações criminaes em matéria de fallencia (2) como consequências de sentenças penaes não devem ser reconhecidas fora do paiz onde a condemnação foi proferida.. em qualquer hypothese. art. n. a necessidade de homologação. hão de se reger por essa mesma lei que presidiu á condemnação. pôr de lado o estatuto lpessoal do fallido.... ..... que.. como esta é uma só.. serão reguladas naturalmente pela lei do logar onde se está effectuando a liquidação do património..| dizer que a fallencia torna os bens do fallido indisponíveis para elle do que affirmar que ella o torna incapaz de dispôr-delles. no. Não parece a melhor solução. ~-á-«»-t». ... § 72 CONCORDATA E DA REHABILITAÇÃO As concordatas....... art 2?. seus eífeitos.. pois que a sua incapacidade é sempre consequência (i) «Précis»........ (2) Lei brasileira... como incidentes do processo de fallencia... não nos occupar de sua lei pessoal ( ).. Si se tracta das restricções consequentes á condemnação penal.... n.. A capacidade do devedor para pedir concordata é egualmente determinada pela lei territorial e não pela pessoal..

porque. . 111. (2) Lei n. 8. As concordatas e outros modos de prevenir a fallencia. 4855. sob firma diversa. haverá pluralidade de fallencias. esta hypothese somente se verifica ou quando o devedor tem no Brasil um domicilio distincto e separado ou quando é sócio de estabelecimentos differentes. porém. A lei brasileira. só serão obrigatórios para os credores residentes no Brasil. 109.Í9. a unidade da fallencia. porque. A rehabilitação do fallido deve ser proferida pelo tribunal que declarou a fallencia. porque somente elle dispõe dos elementos precisos para conhecer as. 43b. a fallencia se dividirá segundo os logares onde se faz preciso uma liquidação particular. nesses casos. si estes forem citados para nelles tomar parte e depois do exequatur do juiz brasileiro (2). homologados por tribunaes extrangeiros. Dada. em mais de um paiz. Dec. n. « Précis». condições da fallencia e a moralidade do fallido. nesses casos. (1) DESPAGNICT. art. art. 7Í. art.340 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO de factos illicitos do insolvente ou de prescripcões de ordem publica (l). 11. diz que a rehabilitação só produzirá effeitOj quando tiver sido declarada por todos os tribunaes perante os quaes se processaram as fal-j lencias.

o dever de lhes assegurar. implica da parte dos Estado» comprehendidos na communhão internacional. e. pôde ter algum vicio inicial em relação á vida internacional. deve ser considerado tal segundo a lei nacional que presidiu ao seu nascimento. não deve perder esse caracter. com o direito adquirido na ordem jurídica interna. . «Esta idéa. embora se mostre regularmente adquirido sob o ponto de vista do direito interno. observa PILLET. e.TÍTULO III Dos direitos adquiridos § 73 INDICAÇÕES ESSENCIAES SOBRE O PRINCIPIO DO RESPEITO AOS DIREITOS ADQUIRIDOS. onde quer que -sejam apresentados. o direito oíferece um aspecto internacional. Si o direito adquirido tem uma origem puramente nacional e interna. NA ORDEM INTERNACIONAL A concepção da sociedade internacional reclama o respeito aos direitos adquiridos além dos limites de cada paiz. Si. todo o effeito compatível com as exigências da ordem publica» (1). em seu território. Tracta-se do direito adquirido sob o ponto de vistaj internacional. em todos os casos. (i) «Príncipes». neste caso. o que não coincide. perderá a sua feição ou antes a sua funcção internacional. í 297. na ordem internacional. com a obrigação de nada fazer do que possa enfraquecer ou anniquilar um direito regularmente adquirido. porém.

e o confticto das leis. porque a existência da relação de direito já está definitivamente estabelecida (*). na ordem commum pelaqual as matérias jurídicas são expostas. Em primeiro logar. g 273. que é a base da solução que o juiz vae dar. o juiz considera-os em sua qualidade de casados. d) no direito dps credores. como doutrina PILLET. esta qualidade. Em rigor deviam todos esses casos ser aqui estudados. e) nas concordatas celebradas no extrangeiro. porém. o que temos de examinar são os seus eífeitos. determinado segundo a lei que presidiu á sua formação. todos elles tiveram opportunidade de ser considerados á proporção que se desenvolviam os vários assumptos. . nos conflictos de leis o direito está em seu período de formação ou no momento de sua acquisição.342 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Muitas questões de direito internacional privado somente da idéa do respeito devido aos direitos regularmente adquiridos podem receber uma solução racional e satisfactoria. Exemplos notáveis delias temos: a) na efficacia extraterritorial das sentenças. mas estes bastam para mostrar a luz que a idéa do direito adquirido traz ás questões de ordem privada internacional. Outros exemplos poderiam ser recordados. b) no caso de divorcio legalmente pronunciado no extrangeiro entre pessoas hábeis para se devorciar. Como. Quando cônjuges de nacionalidade extran-geira se apresentam ao juiz local para que este resolva uma contestação que entre ambos se levantou. no ponto de vista internacional. Tra-etandose de direitos adquiridos. c) no direito dos successivos en-dossadòres e do acceitante. resta-me apenas accentuar a differença que ha entre o direito adquirido. é. supponhamos. para os cônjuges íigu(i) «Príncipes». por sua lei nacional. quando a fallencia do insolvente se abre no extrangeiro. sobre um direito decorrente do seu regimen de bens. quer devam se tornar executórias no extrangeiro. quer actuem estas puramente como res judicatae.

CLÓVIS BEVILÁQUA 343 rados. por isso que nos conflictos a lei extrangeira apparece no momento de formar-se a relação jurídica. não têm os juizes do occidente razão para consideral-os inexistentes. Ao contrario. que os Estados reconheçam a efricacia internacional dos direitos legitimamente adquiridos em outro. Uma expressão desse facto. Muitas delias já foram apontadas em vários pontos deste livro. o alarma da sociedade local mais considerável. Contestado o seu direito elle prova a sua acqui-sição segundo a lei competente. Nem as leis dos dois paizes. Outras muitas hypótheses se poderiam imaginar para mostrar a differenca essencial entre o conflicto de leis e o direito adquirido. O que se destaca é um estado de direito que as nações vivendo sob o regimen jurídico devem! respeitar. nem noutro paiz culto. E' condição para que entre os povos se estabeleçam relações de caracter individual de modo permanente e seguro. Alguém apresenta-se como proprietário de um bem. o da origem dos interessados e o de seu domicilio actual. ninguém os poderia realisar no Brasil. Não se deu aqui uni conflicto de legislações. Os casamentos polygamicos são repellidos pelo direito occidental. as resistências da ordem publica poderão ser maiores. e sim apenas foi mantido o effeito próprio do direito de propriedade. e mais eloquente. O juiz local reconhece a verdade do allegado e assegura a protecção do Estado ao proprietário. um direito adquirido. Mas ^i se rtractar da successão de filhos oriundos de casamentos dessa espécie realisados na Turquia. Em segundo logar. . hão de partir delles para assegurar aos herdeiros os direitos que lhes competir segundo a sua lei nacional. é a regra locus regit aclum. nem outras quaesquer se acham era conflicto. Em todas se mostrou dominando como uma força essencial ao mechanismo da vida internacional o principio de que os Estados devem respeito aos direitos adquiridos nos outros Estados.

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.....„. O direito antigo........ Personalidade e territorialidade das leis.... Razão de ser do direito internacional privado....... Jus gentium. A diversidade das leis resultante das condições ethnicas......... 11 CAPITULO II Os systemas g 2.. O direito romano. .. económicas e politicas de cada povo e da fl soberania dos Estados. Professio júris................ J PARTE GERAL CAPITULO I Idéa geral do direito internacional privado § i... Direito germânico...... psychicas. Personalidade das leis.. Expansão individual além das fronteiras dos Estados............. O feudalismo o a territorialidade .ÍNDICE ANALYTICO PÁGS Prologo .... históricas.° Conceito do direito internacional privado.. O commercio internacional.........° Origens históricas..

.... A comity dos escriptores inglezes vae sendo substituída por outras idéas mais solidas. A egualdado júri* ..... A theoria da reciprocidade substituo a idéa de justiça pela de conveniência...... WESTLAKE e HARRISON consideram o direito internacional privado um ramo do direito nacional.. Modificações á doutrina trazidas por VAREILLES-SOMMIERES...... O desenvolvimento da idéa de justiça. PAGS. WAECHTER e SAVIGNY.. . 29 Eschola allemã.. WHARTON. no austríaco e em VAREILLESSOMMIERES.... ACCURSIO.... AUBRY. Observações de LAINÉ e J. A sua feição moderna no código civil francez." '* Theoria dos estatutos.. Estatutos reaes e pessoaes....... Theorias allemãs no curso do século XIX e... ... BARTOLO.. *-'õ 5.. .. Contrariedade entre a idéa de reciprocidade o os fins do direito internacional privado . BAR. Critica de A... O código civil.. BROCHER.. A forma dos actos... 28 8 6.. 19 8 4-Theoria da urbanidade e da utilidade.. BALDO... e os estatutários franceses o hollandezes. Censuras de WHARTON e FIORE... As idéas capitães do systema de SAVIGNY... Critica da theoria.. A sede da relação de direito. Condensação de HUBERO..° Theoria da reciprocidade.. as de SCHAEFNER. SAVIGNY. em particular... Opiniões contrarias dos internacionalistas... A cortezia e a utilidade explicam a extraterritorialidade das leis para os estatutários.. .. Resumo da theoria dos estatutos por VAREILLES-SOMM IERES .. PILLET.. A communhão jurídica entre os povos.348 ÍNDICE ANALYTICO l 3.° Eschola anglo-norte-americana..

° Eschola italiana e franco-belga. A ordem publica. As divergências de AssERetRiviER. 0 reg 737. Crítica da tbeoria nacionalista.. As reformas do ensino. Estraterritorialidado e territorialidade. Tbeoria de BAR. Os princípios do direito.. As leis prohibitivas. A forma dos actos. Resumo da doutrina pelo próprio auetor.. TEIXEIRA DE FREITAS adopta a lei do domicilio para regular a capacidade das pessoas.... LAI NE. Pillet. As obrigações.. defeitos e lacunas delia. o reg... aliás ja modificada. ...ÍNDICE ANALYT1C0 dica entro o nacional e o estrangeiro. AUIJRY.. A discussão do . . Suas lacunas.. As leis relativas ao estado e a capacidade das pessoas.Pouco desenvolvimento desta ordem do estudos no Brasil.. JiTTA e J......1 § 9-° O systema de A.. As idéas de MANCIXI. _*] $ IO \Á doutrina do direito internacional privado no Brasil. para abraçar a doutrina vencedonra nas Conferencias de Haja.. § 8. os interesses da sociedade e doa indivíduos... . A suceossíio tnortis causa. a natureza da relação jurídica. as ordenações. Disposições pre liminares do Código Civil italiano... Tbeoria do FIORK... SURVILLE ET ARTHUYS. Os caracteres da lei: continuidade e generalidade. Opiniões divergentes.. Os direitos reaes. O fim das leis é o critério para distinguil-as cm terrítoríaes e extraterrítoríaes.......... A nacionalidade.. como forma da personalidade da lei. Princípios que resumem a thooria de BROCHER. AODINET.. .. de 1851*1 o Congresso de Montevideo. O código civil dosviou-se da tradicção scicntifica alleraã.. WEISS.... Excelloncias. Suas idéas. reetricta pela ordem publica. Sua influencia na America do Sul. .. Exposição e critica das idéas deste ultimo. Os antigos praxistas.. PIMENTA BUENO. Elogio que lhe faz EEIDEI.. A autonomia dos Estados.. 855..) A cschola franco-belga: LAURENT.

Os dois aspectos da sociedade internacional.° O direito extrangeiro deve ser collocado no mesmo pé de egualdade que o direito nacional e ser applicado sempre que sob os seus auspícios tiver nascido a relação jurídica. CAPITULO III Princípios fundamentaes do direito internacional privado Jdêasprimordiaes.° Sua organisação diffusa e incompleta associa o sentimento de pátria ao de humanidade 5. JITTA.... se oppõo ao dosçnvpl- . 6. Princípios que devem dominar a matéria. CATELI. Direito internacional publico o direito internacional privado.." As leis internacionaes devem inspirar-se nos princípios superiores do direito e nos interesses geraes da humanidade.. ENDEMANN.35o ÍNDICE ANALYTICO ultimo Projecto de código civil. Os escriptores ainda não lhe deram o necessário relevo.... l... Universalismo e individualismo do direito da sociedade internacional. salvo oflonsa á ordem publica e aos bons costumes....° O direito internacional privado é a organisação jurídica da sociedade internacional.. O que a respeito escreveram DE GREEF.. MARNOCO o SOUZA e CARLE.. Sua relação com a communhão do direito da theoria de SAVIGNY. Dilatação crescente do âmbito do direito. 7. 8.. FIORE.. Disposições que esse Projecto consagra ao direito internacional privado..nos livros de doutrina. 2... Conceito da sociedade internacional. 4. O humanismo do direito internacional privado não.. Insufficieneia dos systemas... .° Conformidade da concepção aqui ex posta com a de PJLLET. PJLLET... ....... g 12 A sociedade internacional..ANI.. WINDSHEID..° Esta serve-se das leis e dos tribunaes dos Estados por não ter uma organisação politica.....° Os membros da sociedade internacional são os homens considerados como taes e não como súbditos de um Estado. 3.° A sociedade inter nacional...

...... quando applicada... Também a Kj utilidade justifica essa nppíicação. ...... . 0 preconceito da personalidade e a idóa exagerada de soberania territorial impedem de ver claro nesto ponto...... . Ordem publica interna e internacional.. A allomã estabelece a melhor doutrina.. 08 internacional das leis de direito pri Razões de applicação da lei extrangeira.. Direito pátrio..... I.. a lei extrangeira deve ser applicada. Opiniões divergentes. DESPAGNET. A lei extrangeira. Prova da lei extrangeira. Critica de VAREILLES*SOM-MlERES.. 75 Noção da ordem publica e dos bons costumes. As legislações. As ordenações e as leis pos teriores.... Funcção internacional das leis de ordem privada....---------------wu . ... .. incor pora-se á legislação pátria. .... Ordem publica. Soa inobservância dá logar a recursos. Por uma razão superior de direito.. quando íôr a reveladora do direito.. Sua tendência a desapparccor no domínio internacional........ I.. Definição de leis de ordem publica....... II. WEISS e PiLLBT reconhecem a inconsistência da doutrina. . ... .... III.. Pressão das necessidades geralmente sentidas... DistincçAo entre .. - Novicow........ÍNDICE ANALYTICO 35 I PA08. . ... IV.. 70 Consequência da não applicação da lei ex trangeira. ......... Opinião de Conclusjlo....... i i' .. Outras leis.... nmento das nacionalidades..... ... . . on Funcção vado...... O Projecto de código civil....... .... Opiniões do BAR e WHARTON . II.. O principio do coacção no direito da sociedade internacional. A doutrina.. Voto do Instituto de direito internacional. A opinião mais libera).... Fácil comprehensão e difficil analyse da idéa do ordem publica e bons costumes.

Opiniões divergentes. . ... O direito publico internacional não tem a segurança que lhe pedem os que o invocam em apoio do internacional privado.... Doutrina de LABBÉ. Fontes geraes e espociaes... ......... Bons costumes. .... Categorias de leis de ordem publica. VI. Variam noa dois domínios o sujeito e a relação de direito.. O que caracterisa uma relação jurídica de ordem privada... O con flicto das leis....... Noção de direitos adquiridos em matéria internacional.... III..ífta^ l 20 A theoria do retorno......... Posto do direito internacional privado na encyclopedia Jurídica.. BROCHER o PILLET.... I 17 Taxinomia do direito internacional privado. . Pensam muitos que o direito internacional privado é um ramo do internacional publico.. Variação das leis de ordem publica segundo os tempos e os logares.. Comparação com as leis. Contestação a PRIDA.352 ÍNDICE ANALYTICO a ordem publica interna e a internacional.. Exercício em um paiz de direitos adquiridos em outro.... Tri plico objecto: a condição jurídica dos extrangeiros... BAR e FEDOZZI. Opinião de VAREILLES-SOMMIERES e CIMBALI. Enumeração das fontes: a lei....... .... .... Devemos delle excluir o direito penal internacional.. Valor dos tractados...... Os auetores expõem diversamente e diversamente enumeram as fontes do direito internacional privado............. I 19 Objecto do direito internacional privado.. Antithese entro direito privado e publico... Preconceitos c objurgatorias.. . Importância da questão. . a tradição. os tractados. V..... Extraterritorial idade das null idades por offensas ás leis de ordem publica... os costumes e a doutrina . IV.... ..... mas não o processo na parte correspondente ao direito privado. Fontes do direito internacional privado.......

....... Opinião de B...y- ... LAINÉ attribue á theoria do retorno um equivoco essencial...... segundo JHERING.. Explicação de KEIDEL e FIORE..... ... A Germânia.. Con testação..... P 22 Direito moderno: a) direito pátrio. lei alleciã de introducção ao codigp civil.. Hostes e peregrini........................... A revolução franceza inaugura uma era nova para o direito dos extrangeiros. Modifica ções a esse direito introduzidas pelo commercio.VRTIN.. Preconceitos a eliminar.. Grécia e Roma..... A jurisprudência..... O direito atheniense e o romano... •«....ÍNDICE ANALYTICO Valor de sua argumentação... Aber tura dos portos brasileiros ao commercio das nações amigas. A feição do direito moderno sob esse ponto de vista. As Conferencias do Haya........... cavagem. Outros vêem no retorno um moto continuo.. Regimen feudal... Re futação delias.... Apreciação de seu parecer. Opinião de WESTLAKE........ Os estudantes.. Os sentimentos guerreiros e religiosos dos agrupamentos sociaes antigos eram contrários ao extrangeiro.... Tempos coloniacs.... Jus delraclus. Legislações: código civil de Zurich. PARTE ESPECIAL TITUTO I OS EXTRANGEIROS PERANTE O DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO CAPITULO ÚNICO Condição jurídica dos estrangeiros § 21 Direito antigo. dos Grisões.. Como este ultimo resolve a questão. índia. Objecções de PILLET.. Direito pátrio....... Egypto.... 0 Instituto de direito internacional.. de Zng... 45 \:........... jus albinagii...

. Opinião liberal... Rússia........ Incapazes por direito brasileiro .. Três categorias de legislações: as que restringem a capa cidade do extrangeiro ou a fazem depender da reciprocidade.... r%_'................„„ ....... o exercício da tutela e a caução judicatum solvi......... v...... Montenegro e Áustria... venezuelano.. 115 I 23 Direito moderno: b) legislações extrangeiras... Hespanha....„... México e Japão................. Segundo grupo: Portugal.... argentino......... Romania......... Noruega..... Suissa e Canadá. PAGS........ Conclusão..... Hollanda.. .... Primeiro grupo: Estados Unidos da America do Norto... Doutrina de LAURENT..... A Constituição republicana.«.......354 ÍNDICE ANALYTICO ......................... uruguayano. Dis posições relativas á herança dos estrangeiros... Expulsão dos estrangeiros. Código chileno............. peruano............ Terceiro grupo: Paizes da America do Sul...... Bélgica... Inglaterra. as que proclamam a egualdade como regra. 13á .......... PILLET............ e as que consagram pura e simplesmente o principio da egualdade... Itália.. Maior rigor das legislações a respeito das pessoas jurídicas. França... Estado physico..... MOREAU E GNEIST............. Allemanba. Noção de estado.. O direito bra sileiro .......... 119 § 24 Pessoas jurídicas... 130 TITULO II CONFLICTO DAS LEIS CIVIS CAPITULO I Das p e s s o a s § 25 Capacidade das pessoas.. mas estabele cem algumas limitações.............. As conservatórias inglezas..

-. A nacionalidade é mais estável e mais característica da individualidade. Protecção que o Estado dwve aos seus súbditos.. Conciliação proposta por CHAUSSE entre a lei do domicilio e a da nacionalidade.ÍNDICE ANALYTICO § 26 Qual a lei reguladora da capacidade em geral. IV. A nacionalidade é mais fácil de determinar do que o domicilio. a franceza. O sentimento de pátria. Razões de ordem scientifka. II. territo- . a da Suissa. a austríaca.«. a da Hespanha. A lei pessoal deve emanar do Estado a que o individuo pertence e não daquclle onde elle se acha. Qual deve sor a lei pessoal ? II. Reparos sobre o argumento extrahido da estatística. I. Seguem o systema domiciliar: a lei argentina. a belga. a ingleza.. Difficuldade proveniente da publicação das leis estrangeiras. Estados sem unidade jurídica.. Theoria que adopta a lei do domicilio. III. a italiana. Apreciação desses argumentos.. A nacionalidade não é base do direito iuternacional. Conclusões. a dinamarqueza.. a paraguaya. a portugueza. Argumentos a favor dessa theoria. . Systema compósito.-. Si o domicilio é o centro da actividade jurídica da pessoa 6 mudarei com facilidade pela vontado o mesmo contra a vontade da pessoa. a allemí. Relações entre cônjuges. a mexicana. a venezuelana. A lei é a expressão dos costumes. a canadense. Correlação entre o direito e a psjcbologia nacional. mas a lei reguladora da capacidade. das necessidades e do caracter dos povos. I. Seguem o systeraa nacionalista: a lei brasileira. A capacidade é attributo essencial da pessoa. Legislação comparada sobre a matéria do § anterior. Passagem da theoria estatutária do domicilio para a nacionalista. V.. a hollan-deza. III. a russa. a norte-americana. Relações entre pães e filhos. Refutação das idéas de QUINTANA. Intervenção. Leis de direito privado sobre a protecção dos individues e sobre a ordem publica. Ha individues disputados por mais de uma pátria ou sem pátria alguma como os ha com mais do um domicilio ou sem domicilio algum. a da Romania.

.. I... V . A maioridade...... III.. Direitos de que gozam os brasileiros nataralisados ...... ..................... Competência do juiz local.. Uruguay e Colômbia......356 ÍNDICE ANALYTICO PAGS.. . Não so deve ter em consideração a nacionalidade dos indivíduos que compõem a pessoa jurídica..... Obri gações . Opiniões divergentes.. Mudança de nacionalidade da pessoa jurídica....As pessoas jurídicas não podem ter um estatuto pessoal difforente do das pessoas physicas.... 158 Interdieção.. 157 § 3o Nacionalidade das pessoas jurídicas de di reito privado."'........ . 154 §29 nacionalidade brasileira........... A emancipação regula-se pelo estatuto pessoal do menor.... .. ip$ emancipação e restituição in in- .... A lei brasileira a respeito.. Quem é brasileiro........ A brasileira casada com extrangeiro não perde a sua nacionalidade... ....... Prodigalidade.................. A interdieção deve ser apreciada segundo a lei pessoal daquelle que se pretende interdizer ou já foi interdicto. Modo de obtel-a no Brasil..... 149 § 28 Da segundo a Constituição federal......... A capacidade depende da lei nacional ao tempo em que o acto foi praticado. Naturalisação. O Con gresso de Montevideo e as Conferencias de Haya.. II....... Que pessoas podem pedira interdieção........ . IV...... Os actos jurídicos perfeitos e os direitos adquiridos........'...... . A restituição m inlegrum depende da lei pessoal do incapaz e da lei territorial a que está submettida a relação de direito. rial e nacionalista do Chile.. Influencia da mudança de nacionalidade sobre a lei pessoal......... tegrum......... • ..

Lex rei sitce... . Razão de ser da applicação lex silus. BAR. O art.. Hl. Explicação racional..-........... Legislações a respeito desta matéria... Os moveis estão.... Clas sificação das cousas em moveis e immoveis.. 21?8 do código civil franeez... I 32 Influencia das condemnacões penaes extrangeiras sobre a oapaeidade.. Projectos brasileiros. II.. Indicações históricas. Extensão dessa loi... Doutrina antiga.. III... IV. Constituição do direitos reaes.. CAPITULO II Dos bens 154 g 33 Princípios geraes. I... SAVIGNY.... Os holographos era direito necrlandez. Sua obrigatoriedade nos primeiros tempos.... A regra refere-se á forma de todos os actos. •... mas não á capacidade......... 167 CAPITULO III Dos aotos jurídicos § 34 A regra locus regit actum.. STORY..... O Projecto suisso.. PlMENTA . submettidos ao mesmo principio.... II.... Attenuações a esse principio.......... Excepção admittida por SAVIGNY.. Direito feudal..... Noções de acto e forma. DESPAGNET. I..... Reacção....... As cousas situadas em um paiz estão sujeitas ás suas leis e á jurisdicção de suas auctoridades .. PILLET..... A regra refere-se á forma propriamente dieta ou extrínseca.NIDICE ANALÍTICO 35 — ""*................... SURVILLE ET ARTHUYS...... Os testamentos conjunctivos.. ■ não produzem effeito fora do paiz onde são pronunciadas..... Opinião dos estatutários. E' a lei que dá vida ao acto.° .. .. Fundamento racional da regra... As sentenças penaes PAGS... e esta tanto pôde ser a do logar quanto a pessoal. BUENO.......

... 184 § 36 Legislação comparada...... SURVILLE ET ARTHUYS e E..... brasileiro de 19 de Janeiro do 1890. PILLET. Lacuna do Projecto actual.358 ÍNDICE ANALYTICO PASS . de Zurich..... Opinião de WEISS. projecto belga....v .. A" Conferencia de Haya.. Â lei belga de 16 de Dezembro de 1851.. 187 § 37 Prova dos actos.. dos Grisões....... lei allemã.. BAR.... Actos praticados em fraudo da lei......... factos jurídicos que não são declarações de vontade estranhos á regra locus regil aclum . Os auetores divergem quanto a sabor si a regra é obrigatória ou facultativa. pliação do principio. . A jurisprudência frauceza..... NAQUET sustentam que é facultativa... Congresso de Montevideo... projecto suisso........ ...... ... LAURENT..... IV... Hypotheca....... Direito inglez.... ^v 173 §'35 Caracter jurídico da regra loous regil aclum.... Actos praticados em serviços de guerra . ASSER ET RIVIER e FIORE pensam de modo differente. .. Connexão da forma com a prova.. Opinião de VARKII.... Lei brasileira.. As pessCas que se acharem no estrangeiro pódom recorrer ás auetoridades diplomáticas ou consulares do sou paiz. Am OS são 197 199 .... Si a escriptura publica fõr da substancia do acto.. A doutrina.......... O dec....... Critica de ENDEMANN a esta lei...... hollandez. Limitações á regra lor-us regil aclum.. DESPAGNET.... ..LES-SOMMIERES................. Direito francez.. Justificativa de KEIDEL.. Usucapião. Distincções........... chileno. g 38 Da prescripção... Aetos exequíveis no Brasil.. Direito da família. A doutrina írff que emerge das factos observados sem prevenções . Disposição do Projecto primitivo.......... Os Projectos brasileiros . argentino... uruguayano e colombiano.. ir ... Critica de seus dispositivos. hespanbol......

.....lei brasileira...... "'. Critica dessa opinião.... 215 pessoaes entre os cônjuges... A Einfuerwiggesfílz... allomão. Os códigos das nações cultas........ 203 § 4o Celebração do casamento.... Applicação subsidiaria da lei territorial.. Direito inglez e nortc-aniericano...... A regra loeua regit aclum.. 213 ?.. Casamentos celebrados perante agentes consulares o diplomáticos. IV.... BROUGHAM.... Direito brasileiro.. WHARXON .... 42 Relações soal do marido....... Noção geral. CAPITULO rv Direito da família Capacidade para contrahir casamento... Proclamas. II..... Impedimentos sem efficacia extraterritorial ... opposições o registro........... A Convenção de Haya.. I...... Opi niões de LAURENTedo WHARXON.. a.. Congresso de Montevideo. Direito pátrio. III....-. 208 § 41 Nullidades.INDIDE ANALYTICO "»>' ... .. O direito brasileiro. a lei allemã ....... III....... II.. Incapacidade das partes............... o direito francoz. o Congresso de Montevideo........ A lei nacional doa contrahentes regula a capacidade nupcial.. e WHARTON.. A Convonção do Haya de 12 de Junho de 1902.. Refu tação da doutrina do BAR... Conferencia de Haya.............. Estatuto pes .. Opiniões de PHIUMORE.. Ex cepções de ordem publica... A Convenção de Haya. belga o grego... Direito francez....... O Projecto de código civil brasileiro. o código civil italiano..... I.... Lei do logar da celebração... MI>ÍM 35q ^ PAGS......

Relações económicas entre as cônjuges. Possibilidade de rctorsão... Resulta. 210 l 44 Casamento "putativo' Lei pessoal do marido. MERLIN... VAREILLES-SOUMIERES e BAR.. II. A sociedade internacional. Comparação com outros casos.. Objecções do Snr. Resolução do Congresso de Montevideo. ao tempo em que é apresentado o pedido para a effectuação do mesmo divorcio. Excepções á liberdade de pactuar um re gimen.. do accôrdo dos contrahentes. IV.... Efficacia extraterritorial do di vorcio... IV. FADDA.. Argumentação de FIORE. I.. Applicação da lei pessoal. Opinião de FIORE.. Resposta de RENALULT. A questão no Direito da família.. Refuta ção.. Conflicto de legislações a respeito ... Ob jecções á opinião desses escriptores.36o ÍNDICE ANALÍTICO §43 PAG8.. Alguns escriptores dão pre ferencia á lex fori. A Convonção de Haja.. 225 §4 5 Do divorcio. Essas excepções entram na esphera do estatuto pessoal... Fixação delias.. sobre a influencia da lei do logar da selebração. FIORE. O divorcio obtido in fraudem legis. em regra.... III. I.. A ella oppõe-se ANTOINE.. A autonomia da.. Portugal e Hespanha... no Projecto de código civil e perante o Congresso jurídico americano. WHARTON... Não podem os juizes do um paiz cuja lei não auctorisa o di vorcio a vinculo decretal-o com apoio no estatuto pessoal das partes...... BAR.. A jurisprudência italiana.. Opiniões divergentes. Opiniões divergeutes. LU. Con testação.. PILLET. II.. 226 ... Inalterabilidade dos pactos ante-nupciaes. Presumpções....... Doutrina italiana. DESPAGNET... OLIVER y ESTELLER... vontade.. Legislação da AUemanha.. Doutrina anglo-norte-americana. FEDOZZI. Parecer de GARCIA MORENO. Parecer de WEISS . A juris prudência italiana. BENZA e MATTIROLO são favoráveis á solução dada.. Regimen dos bons no casamento.. A lei reguladota do divorcio é a pessoal do marido.... Re solução da questão pelo respeito aos direitos adquiridos....

..ÍNDICE ANALYTICO § 46 Filiação legitima e natural... Contestação da legitimidade....... Sua efficacia nos paizes que desconhecem esse instituto........... Territorialismo do direito inglez e norte-americano... Reconhecimento dos filhos naturaes.. Campo de influencia 4o lei pessoal... ........ Prasos para exercer a acção do contestação da legitimidade........ I........... Doutrina anglo-nortc-americana........ ........ Lei pessoal do filho. Lei local..... quanto á capacidade........ Identidade dos preceitos referentes ás duas instituições.............................. Legitimação por subse quente matrimonio.... Si o extrangeiro deve ser excluído do exercido de tutoria. 46 .... Opposição do ordem publica................. Lei pessoal dos pães o do filho... Influencia da mudança do nacionalidade do pae entro o momento da concopçilo e o do nascimento. Outras espécies de legitimação...... Competência das auetoridades estrangeiras inclusive os cônsules..... Providencias da ler fori.. Tutela e Curatela.. I.................... II... A lei pessoal neste caso é a vigente ao tempo da concepção do filho.............. Lei pessoal dòincapaz.. Lei pessoal do filho. quanto á forma..... Idéa do pátrio poder no direito moderno....... Lei pessoal do impetrante... Lei pessoal das partes.................... Reconhecimento forçado... In fluencia da lei local... I 48 Pátrio poder. Lei pessoal do pae e do filho........ Convenção do Haya....................... Opiniões divergentes... §47 Adopção. Curadoria........... Lei do logar do acto..... III.. I 49 Alimentos.... II...

. Cousas accessorias. Servidões.. Usufructo paterno.. Lei do pavilhão........... Opiniões de DESPAGNET e CARLOS DE CARVALHO.... I... Marcas de fabricas situadas no estrangeiro.. Posse. Que lei deve reger o direito dos auctores... Contracto o direito real.362 ÍNDICE ANALYTICO PAG»...'Disposições da lei brasileira. a substancia o os effei tos da . Marcas de fabrica e de commercio...... I... Hypotheca.... Modo de effectuár a protecção internacional das marcas entro os paixes que celebraram o accôrdo de 1891. CAPITULO V Direito das cousas l 5i Da sobre as cousas alheias.. são territoriaes..... 249 posse.. As leis que organisam a propriedade fazem parte do direito social. 255 I" í 53 Direito industrial. Bemissâo a outros paragrnphos. Hypotheca judicial. a forma do acto. Direito pátrio.. da propredade e dos direitos reaes § 52 Direito auctoral.. Patentes de invenção...... Lei territorial.. Hypotheca legal.. A capacidade das partes..... II. Lex rei sita. As dispo sições da lei brasileira applicam-se anacionaes o a extrangeiros residentes no território da Republica.. Direito brasileiro.. Doutrina dominante na França. A questão em face do direito brasileiro... Convenção de Paris e Protocollos de Madrid. Alienações de navios. 258 CAPITULO VI Direito das obrigações ' §54 Obrigações voluntárias (doutrina)........ Hypotheca de navios.

. lei ajloniã... WALCHTER........... Solidariedade.. I..... código civil do Peru e do Uruguay......... direito ottomano... commercial portuguez...... Doutrinas de SAVIGNY.............. Rússia e alguns Estados norteamericanos.. 'Congresso de Montpvidnn Lc\ IUUU. Contractos concluidos por mandatário..... Código civil italiano.... Tudo quo se refere á execução dependo da lei do logar onde cila se realisa... Pretendida analogia entre os quasi-contractos e as convenções........ Suissa. Obri gações condicionaes.. III...... civil argentino........... Detenção pessoal... legislação suecca e austríaca... Argentina....... Systema da lei domiciliar..... bespanhol. Colômbia o Paraguay... código civil de ... ■■— . Lei brasileira........»*. Responsa bilidade civil por actos de terceiro.-„.... jurisprudência ingleza e norteamericana.*. Os chamados qnasi-con tractos............."'"..... 1.... Código civil hollandcz.... Lei territorial.... Presumpções snpplotivas da vontade... Código civil italiano... II. Systema estatutário. •' ^r »•"......... ..ÍNDICE ANALYTICO """".. CAPITULO VII Direito das suecessões l 57 A lei reguladora das suecessões.. Systema da territorialidade absoluta... outros effeitos decorrentes dos contractos... Contractos inter ábsentes. Lei do onde so origina o vinculo obrigacional.. Systemas da expedição o da cognição. BROCHER e FIORE... Actos illícitos. chileno e colombiano..... I § 56 Das obrigações não voluntárias. Autonomia da vontade.. Interpretação dos contractos... II..„] obrigação.... ^j * S 55 Legislação comparada sobre as obrigações voluntárias..... BAR e WINDSHEIL Lei do togar do contracto. Código civil francez... Doutrina allemã.. SAVIGNY e FIORE. beneficio da divisão... Chile.—*■ ..• ■•>... Systema da lei nacional...

"-% ..tf . Successão dos espúrios... Zurich e dos Grisões...PIMENTA BUENO. Doutrina seguida em Portugal.... Papel da vontade. Interpretação das clausulas do tes tamento Direitos do mutação da propriedade .. Separação dos patrimónios.. a he resia e a escravidão como causas de incapacidade suecessoria....... distribuição da herança entro os herdeiros........ Objecção de RAMIRES..Jurisprudência do Supremo ■ Tribunal federal... ........ Influencia do domicilio. Ordem publica..... Justificação dessa preferencia. 275 § 58 Apreciação successorio..... Quota disponível. Consequência da mudança de nacionalidade...... morgados...... Fideicommissos.. PILLET E BAR sobre essa matéria. Partilhas....364 INDIÇE ANALYTICO PAGS. Pessoas jurídicas estrangeiras.. ... Doutrina dos reinicclas...... I... Regula mentos de 8 de Novembro de 1851 e do 2õ de Novembro de 1850....... .. Forma do testamento.. 280 da theoria nacionalista no direito § 59 Direito brasileiro...' Unidade e universalidade da successão....... A doutrina dos últimos Projectos.............. pactos suecessorios. Acção da lei..... Os antigos estatutá rios..... 288 l 6o Limitações e applicações... Refutação de sua doutrina..... A morte civil.......... O Instituto de direito internacional. O património transmittido por via de successão constitue uma imiicrsilas...... A Conferencia de Haya.. II.. Preferencia da doutrina pela lei nacional... O herdeiro é o continuador da pessoa do de cujug.... A doutrina em diversos paizes da Europa. ... § 6i 290 Do Ioga?' em que deve ser feito o inventario e liquidada a successão.. ..... Successão do Estado....... Não se devem confundir alienações entre vivos com transmissões por causa de morte..

. Obrigações das pessoas que tomam parte na letra de cambio... Lei do pavilhão..................... ....—------.. Qualidade de commorciante.. VAREILLES-SOMMIERES.... Capacidade para commerciar......... 306 § 65 Direito Abalroamento..... inventario e partilha do' espolio Competência da justiça local. 302 CAPITULO VIII Direito commereial § 63 Principios geraes.... ........ Fretamento....ÍNDICE ANALYTICO 365 r»'*^. Tendência universalista do direito ma rítimo.. Recurso para o Supremo Tribunal federal......... Forma da letra de cambio ............. Fretamento... Auxiliares do commercio. Jurisprudência francesa.. Responsabilidades do proprietário do navio..» 295 PAQS... Salvados... Decreto de 8 de Novembro de 1851........ Eschola italiana..... Mulher commerciante... A lei suissa. Nacionalidade do navio...... Avarias..• -------------.............. Navios. Abalroamento... . . 307 marítimo.............. Obrigações do commorciante.-----..... ■-. Pon derações finaes .............. Ju risprudência brasileira.. A doutrina na Beptiblica Argentina....... 305 §6 4 Direito cambial. Commercialidade dos actos. ........ Arrecadação....... Sua critica.. Registro.. II.. ...... Lei allemã sobre letras de cambio Código federal suisso das obrigações.. I Do §6'2 I espolio do extrangeiro... Diroito anglo-norte-ame ricano...... Lei pessoal.......Avarias.. Theoria de I WAHI...

. Applicação indirecta do direito extrangeiro... Definição de caução judi- § 68 Commissões rogatórias... Caso julgado. Convenção de Haya. PILLET... Sysleraa do arbítrio do principe.. Paizes que mantêm esse instituto. Extradição. Apreciação da competência do ponto de vista internacional II. Reciprocidade legislativa e diplomática.. Com petência..... Seu processo..... Provas. .. . Outros systemas. III. Ordinaíoria litis e deci sória litis. Seu caracter na legislação pátria._„ .. V. Territorialidade absoluta. Histórico da fiança ás custas no Brasil. Direito italiano e francez... Decretos referentes a esta matéria. Lei oxtrangeira.. 313 judicatum solvi.. Jurisdicção voluntária..VGS... 316 § 69 Execução das sentenças extrangeiras.'-. Lrx fori Lei reguladora da relação. Objecções que se levantam contra elle. Systenia da dolibação. IV... Distincção entre nacionaes e extrangeiras.. Doe.. O que seja...366 ÍNDICE ANALYTICO P. Opinião do VAREILLKS-SOMMIERES.. Execução extraterritorial das sentenças.. de 11 de Outubro de 1890. O Projecto de código civil. 317 ...... II. Legislações que recusam força executória ás sentenças extrangeiras... .. Lex fori.. Qual o verdadeiro prin cipio em matéria de competência internacional .. A sociedade internacional. Direito romano.. Systema da revisão de meritis.... Direito brasileiro... Paizos que o não conservam.. Effeitos inter-nacionaes do ordem civil das scntonçns nenaes. .. Lei de fallencias e o seu regulamento.. Direito brasileiro. Sentenças penaes. Sentenças arbitraos. VI. I. Homologação. CAPITULO IX Direito processual § 66 Noções preliminares.. I. 311 § 67 Caução caium solvi.

. Re solução de instituto de direito internacional. 336 2 72 Concordata e rehabilitação....... Lei applicavel....:.. Justificação do principio tirada da própria natureza do instituto.... I.....ÍNDICE ANALYTICO .* . CAPITULO X Dâs fallencias § 7° invocados a favor da territorialidade da fallencia |'' e a respectiva refutação.. Os congressos de Turim e de Monte video.. 367 PÀGS... da justiça na distribuição do património e de razões de ordem pratica.. O systeroa do cumjnase para as fallencias o o da homologação para as outras sentenças eiveis e commerciaes.... A rehabilitação do fallido deve ser concedida pelo tribunal que declarou a fallencia . Incapacidades do fallido.. A lei brasileira.. competência do juiz do domicilio comroercial do devedor. Opinião de WIESS sobre a applicação da lei pessoal do devedor..... Solução de lei brasileira .. Antinomia entre a lei de 16 de Agosto de 1902 e o regulamento de 2 de Junho de 1903. Argumentos 329 7» Competência em matéria de fallencia.. | 339 .. ....... A juris prudência italiana............ . O instituto de direito internacional. Lnidade e universalidade da fallencia no direito brasileiro. Disposições de lei do fallencias e de seu regu lamento ........... ...... II..... Lei da fallencia............. Unidade e universalidade das fallencias.. .. I. Em que consiste a unidade e universalidade da fallencia. II. Disposição da lei brasileira...

....... x adquirido no direito internacional privado.... concordatas...... divorcio pronunciado no estrangeiro... Diífereoça entre o direito adquirido na ordem internacional e o confiicto das leis . Era que consiste a expressão do direito .... na ordem internacional..... contracto cambial.. Casos diversos do direitos adquiridos: sentenças estrangeiras......368 ÍNDICE ANALYTICO TITULO III Dos direitos adquiridos § 73 Indicações essenciaes sobre o principio do respeito dos direitos adquiríamos........ fallcncia..

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