Atualidades em Desenvolvimento Sustentável

Lima Deleon Martins Thales Reis Hannas Rita de C. M. de Oliveira Ventura Anandy Kassis de Faria Alvim-Hannas Jane Alves Mendonça Lidiane Hott de Fúcio Lílian Beatriz Ferreira Longo Lívia Paula de Almeida Lamas Luciana Bosco e Silva Ludmila Breder Furtado Mônica de Oliveira Costa Ruteléia Cândida de Souza Silva

Lima Deleon Martins Thales Reis Hannas Rita de C. M. de Oliveira Ventura Anandy Kassis de Faria Alvim-Hannas Jane Alves Mendonça Lidiane Hott de Fúcio Lílian Beatriz Ferreira Longo Lívia Paula de Almeida Lamas Luciana Bosco e Silva Ludmila Breder Furtado Mônica de Oliveira Costa Ruteléia Cândida de Souza Silva

Atualidades em Desenvolvimento Sustentável
1ª Edição

Suprema Gráfica e Editora Ltda. Manhuaçu – MG 2012

FACIG Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu Avenida Getúlio Vargas, 733. Coqueiro, 36900-000 Manhuacu, MG - Brasil - Caixa-Postal: 161 Telefone: (33) 33317000 Fax: (33) 33317171 http://www.facig.edu.br ISBN: 978.85.8179.007-7. Abril 2012

COORDENAÇÃO EDITORIAL: Lima Deleon Martins PROJETO GRÁFICO, CAPA E DIAGRAMAÇÃO Wagner Nunes Rodrigues Henrique Rodrigues Nunes Lima Deleon Martins FICHA CATALOGRÁFICA: Antônio Almiro de Amorim Ferreira

MARTINS, Lima Deleon B386a Atualidades em desenvolvimento sustentável / Lima Deleon Martinset al;. Manhuaçu: FACIG, 2012. 141f.

ISBN: 978.85.8179.007-7. 1. Desenvolvimento sustentável. 2.Recuperação de àreas degradadas. I. Título. FACIG CDD -363.7

Os textos apresentados nessa edição são de inteira responsabilidade dos autores. Os organizadores não se responsabilizam pela revisão ortográfica e gramatical dos trabalhos apresentados. Não é permitida a reprodução total ou parcial desta publicação sem a autorização expressa dos organizadores.

Presidente: Aloísio Teixeira Garcia. Coordenadora do curso de Serviço Social: Ruteléia Cândida de Souza Silva. MINAS GERAIS. Secretaria Geral: Lílian Beatriz Ferreira Longo. Coordenadora do curso de Construção de Edifícios: Luciana Bosco e Silva. Coordenadora do curso de Direito: Lívia Paula de Almeida Lamas Coordenadora do curso de Engenharia Civil: Aparecida Mucci Castanheira. Diretora Acadêmica: Rita de Cássia Martins de Oliveira Ventura. Coordenador do curso de Ciências Contábeis: Mônica de Oliveira Costa. Coordenador do curso de Administração: Jane Alves Mendonça. Diretor Executivo: Thales Reis Hannas. Coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas: Ludmila Breder Furtado. Coordenador do curso de Gestão de Turismo: AnandyKassis de Faria Alvim Hannas.DIRIGENTES EM EXERCÍCIO DA FACULDADE DE CIÊNCIAS GERENCIAIS DE MANHUAÇU. Thales Reis Hannas. . Coordenadora do curso de Matemática: Lidiane Hott de Fúcio. Ricardo Reis Cordeiro. Mantenedores: Aloísio Teixeira Garcia. Coordenadora do curso de História: Luciana Bosco e Silva. Coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo: Luciana Bosco e silva. Coordenadora do curso de Marketing: AnandyKassis de Faria Alvim Hannas. Coordenadora do curso de Gestão Ambiental: Lima Deleon Martins. .

Um dos grandes desafios colocados para a sociedade e a ciência no mundo contemporâneo é a busca por soluções de âmbito geral com intuito de gerar o desenvolvimento sustentável. pela ajuda dos colaboradores envolvidos com o desenvolvimento sustentável. em discussões para melhoria dos serviços e difusão de novas ideias. também. Proporcionando a difusão de atualidades em relação ao desenvolvimento sustentável. Para isso deve-se proporcionar uma mudança de mentalidade. provocando a necessidade da interdisciplinaridade.Apresentação Desenvolvimento sustentável é um conceito aparentemente indispensável nas discussões sobre a política do desenvolvimento deste século. Com isso o objetivo desta obra é apresentar atualidades referentes à problemática da sustentabilidade frente ao desenvolvimento nas suas múltiplas dimensões. envolvendo a comunidade acadêmica assim como profissionais. através de um espírito participativo de toda comunidade. Este conceito se espreme entre as varias ciências. conscientizando multi-áreas em relação à necessidade de adoção de novas posturas diante dos dilemas ambientais. A publicação desta obra se tornou possível graças a empenho de todos os funcionários da FACIG e. Obrigado! Boa leitura! Editores 5 .

Colaboradores ANANDY KASSIS DE FARIA ALVIM-HANNAS Possui graduação em Desenho Industrial pela Universidade do Estado de Minas Gerais (1996) e Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1998). Email: faranamariano@yahoo. Email: anandyalvim@hotmail.br Lattes: http://lattes. Tutora Presencial no Polo UAB EaD.br/4720842553863917 FARANA DE OLIVEIRA MARIANO Graduada em Ciências Contábeis pela FaculdadesDoctum. M. Especialista em Gestão de Negócios com ênfase em Consultoria pelo Instituto Pró-Minas.com. Atualmente é professor de Contabilidade da FACIG. Professora na Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu – FACIG. Email: fabricio@paxa. nos seguintes temas: marketing.br/2596176468066660 DANIEL PENA PEREIRA Eng. estratégia.com..br/2567096987268896 6 .cnpq. Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES). Atua. Atualmente é professora titular da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu e coordenadora dos cursos superiores de tecnologia em Marketing e Gestão do Turismo.cnpq. principalmente.br/2498772606424942 FABRÍCIO AFONSO DE SOUZA Mestrando em Ciências Contábeis pela FUCAPE Business School.br Lattes: http://lattes.. Contadora . Doutorando em Produção Vegetal.geraes@gmail. Graduado em Ciências Contábeis pela FACIG.cnpq.com Lattes: http://lattes.com Lattes: http://lattes. Sc. Agr.cnpq. UFES. design e turismo. Email: daniel.

br Lattes: http://lattes. Email: lidianehott@yahoo. Email: janeagronegocio@hotmail. Email: jfamaral@cca. Graduação em Ciências . Agr.edu.cnpq. Email: secretaria@facig. Especialização em Matemática e Estatística pela Universidade Federal de Lavras (2006).br/4664314129442086 7 . Sc.br/8439393300744502 JOSÉ FRANCISCO TEIXEIRA DO AMARAL Eng.br/0071083371874362 LÍLIAN BEATRIZ FERREIRA LONGO Possui Graduação em Administração pela Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (2006). Professora e Coordenadora de Curso de Administração e Administração com linha de formação em Gestão do Agronegócio Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG).com.FACIG..br/1032225749434466 LIDIANE HOTT DE FÚCIO Possui mestrado em Engenharia e Ciência dos Materiais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2007).Licenciatura Plena com Habilitação em Matemática pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Santa Marcelina (2004). Atualmente é Secretária Geral da FACIG ..cnpq.Colaboradores JANE CORRÊA ALVES MENDONÇA M. em Administração pela FEAD-Minas.com Lattes: http://lattes. D.cnpq. Atua no Ensino Superior e na Coordenação do Curso de Matemática na Faculdade de Ciências Gerenciais .Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.br Lattes: http://lattes. Sc. Professor do Departamento de Engenharia Rural do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES).ufes.br Lattes: http://lattes.cnpq.

.. Coordenadora do curso de Direito da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. Agr.cnpq.cnpq.br/6664929604769400 8 . Email: livialamas@gmail. Pós-graduada em Desenvolvimento de Aplicações para Web pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES) e coordenador e professor do curso de Gestão de Ambiental da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG). Professora e coordenadora na Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.com Lattes: http://lattes. Construções e História da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.cnpq.bosco@gmail.br/6374513428469600 LÍVIA DE PAULA ALMEIDA LAMAS Mestre em Direito Constitucional e Teoria do Estado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sc. Mestre em Informática pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Arquiteta. doutorando em Produção Vegetal. Email: luciana.br/9540018938581399 LUCIANA BOSCO E SILVA Doutora em Artes Plásticas (EBA/UFMG).Colaboradores LIMA DELEON MARTINS Eng.com Lattes: http://lattes.Mestre em Estética e História da Arte (USP).com Lattes: http://lattes.cnpq. Coordenadora dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo. Possui graduação em direito pelo Instituto Vianna Junior e licenciatura em letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Email: deleon_lima@hotmail.br/3648232292584141 LUDMILA BREDER FURTADO Graduada em Tecnólogo em Processamento de Dados pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. M.com Lattes: http://lattes. Email: ludmilabreder@gmail. É especialista em Direito Público pela Faculdade de Direito de Ipatinga.

cnpq.edu. com ênfase em Ciências Contábeis. Agr.br/4465967474423006 RITA DE CÁSSIA MARTINS DE OLIVEIRA VENTURA Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Viçosa (1994). mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001).br Lattes: http://lattes.cnpq. gestão de pessoas.com Lattes:http://lattes.cnpq. Email: mphollanda@hotmail. Sc.. D.br/0637911374423006 9 . Email: rita@facig. Atualmente é professora e assessora na Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG). qualidade de vida no trabalho e organizações.. comportamento organizacional. Atua principalmente nas seguintes áreas: comprometimento organizacional. Email: tomaz@cca. Agr. Tem experiência na área de Administração.ufes.com Lattes: http://lattes. Diretora Acadêmica e professora de graduação e de pós-graduação na Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG). mestrando do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal na linha de pesquisa de Planejamento e Manejo de Recursos Hídricos no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES).br/4465967413374429 MÔNICA DE OLIVEIRA COSTA Possui graduação em Ciências Contábeis nas Faculdades Integradas de Caratinga (2004)..br Lattes: http://lattes.cnpq.Colaboradores MARCELO ANTONIO TOMAZ Eng.br/7116075671588859 MAYCON PATRICIO DE HOLLANDA Eng. Professor do Departamento de Produção Vegetal do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES). Email:monicafacig@gmail.

Coordenadora da Pesquisa “Mapeamento Integrado do Município de Manhuaçu-MG.cnpq. Email:sdalcomuni@terra.br Lattes: http://lattes. Sc. aluno de Iniciação Científica da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. Assistente Social. D.br/549551773932 RUTELÉIA CÂNDIDA DE SOUZA SILVA Mestre em Política Social (UFES). Email: robertomutum2011@gmail.com..as@gmail.com Lattes: http://lattes.Colaboradores ROBERTO AVELINO CECÍLO Eng.com.com Lattes: http://lattes.cnpq. Consultora em Desenvolvimento Sustentável. Agrícola. Email: rute. Professor do Departamento de Engenharia Florestal.br/5497084995510727 ROBERTO VICENTE SILVA DE ABREU Graduando em Engenharia Civil. Email: racecilio@yahoo. Coordenadora do Curso de Serviço Social da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. Professora associada e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES).br/4393932625470768 SÔNIA MARIA DALCOMUNI Doutora em Economia pela UniversityofSussex – Inglaterra.cnpq.br/1887792001697768 10 .br Lattes: http://lattes.cnpq.

M.cnpq. Sc.br Lattes: http://lattes. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais.br/5867897379303922 WESLEY AUGUSTO CAMPANHARO Eng. Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES).com Lattes: http://lattes.cnpq.Colaboradores THALES REIS HANNAS Mestre em Administração pela PUC MG. Pós-graduado em Informática na Educação pela UFLA. Agr. Email: wesley-ac@hotmail.com Lattes: http://lattes.br Lattes: http://lattes.br/0154094974905867 WERITON AZEVEDO SOROLDONI Especialista em Gestão e Manejo Ambiental de Sistemas Agrícolas pela Universidade Federal de Lavras e Gestão de Agronegócios pela Universidade Federal do Espírito Santo. Email: wagnernunes86@hotmail. Professor dos Cursos de Administração. Atualmente é Diretor da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.com. Exerceu durante cinco anos trabalho de avaliador de cursos do INEP / Ministério da Educação.. Email: wsoroldoni@yahoo.br/6672059696937513 11 . mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais na linha de pesquisa de Sensoriamento Remoto e Manejo de Bacias Hidrográficas no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES).br/1278583371354201 WAGNER NUNES RODRIGUES Eng. Graduado em Gestão de Tecnologia pela UNIP. Doutorando em Produção Vegetal.cnpq. Administração com linha de formação em Gestão do Agronegócio e Gestão do Turismo da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG).. Pós-graduado em Análise de Sistemas pela UNA / BH. Florestal. Email: thales@facig.cnpq. Pós-graduado em Formação em Educação a Distância pela UNIP.edu.

........................................................................................................... 77 Capítulo 7 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental ............................ 67 Capítulo 6 Sustentabilidade.................................................................................. 21 Capítulo 3 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos ................... 13 Capítulo 2 Recuperação de Áreas Degradadas .....................Sumário Capítulo 1 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu................................ 36 Capítulo 4 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais ................................................................................................... 124 12 ..................... Cooperativismo e Comércio Justo: Um Estudo Sobre a Experiência da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região do Caparaó-ES ............................ 57 Capítulo 5 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar................................................... 107 Capítulo 8 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível?............................... Minas Gerais: ...........................

Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. Minas Gerais: Exigente. de Oliveira Ventura AnandyKassis de Faria Alvim-Hannas 13 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. como a vida! Capítulo 1 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. como a vida! . Minas Gerais: Exigente. M. como a vida! Thales Reis Hannas Rita de C. Minas Gerais: Exigente.

cujos mantenedores foram convidados a se instalar no município em parceria com um empresário local. inscrita no CNPJ/MF sob o número 03. Atualmente os cursos oferecidos pela instituição. A instituição possui dois campi. além de ser cortada também pela rodovia estadual MG 111. sendo oficializado pela Portaria Ministerial de número 262 de 30 de janeiro de 2002. O Campus Ilha de Excelência (Avenida Getúlio Vargas. A constatação veio de uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário UNA de Belo Horizonte. Manhuaçu é uma cidade polo para comércio. Fundada no ano de 2000. comercialização e produção de café. sendo inclusive referenciada pelo Ministério da Saúde como tal. tornou-se nos últimos anos. Juntamente com este credenciamento. O credenciamento da instituição ocorreu no ano de 2001. na ocasião. 733. 600. estão apresentados na Tabela 1.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. entidade privada. saúde e. Sediada em Manhuaçu. Bairro Coqueiro. CEP 36900-000) e o Campus Alfa Sul (Rua Darcy César de Oliveira Leite. Administração. como a vida! . cujas aulas foram iniciadas em 2002. Manhuaçu – MG. O convite ao Centro Universitário UNA é um indicativo da estratégia da instituição: ser referência de qualidade no ensino superior no país. com fins lucrativos.752. Esta instituição foi a primeira instituição de ensino superior da América Latina a obter o certificado de qualidade ISO 9000. Sua fundação foi motivada pelo fato do município ser. CEP 36900-000). A INSTITUIÇÃO A Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu é mantida pelo Centro Superior de Estudos de Manhuaçu Ltda. o único município de tal porte em todo o Estado de Minas Gerais a não contar com instituição de ensino superior. Manhuaçu – MG. com a especificação dos primeiros cursos superiores a serem implantados. a Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu com a qualidade do seu ensino atrai estudantes de diversas cidades dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.343/0001-09. Minas Gerais: Exigente. BR 262 e BR 116. 14 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. foi autorizado pelo Ministério da Educação o funcionamento do primeiro curso superior. Bairro Alfa Sul. quando teve início o processo de instalação da sua sede e quando foi elaborado o seu primeiro Plano de Desenvolvimento Institucional. também referência em educação para toda a região de influência de Manhuaçu. município mineiro estrategicamente localizado na interseção de duas importantes rodovias federais.

617 de 12 de novembro de 2009 Autorizado pela portaria 786 de 30 de junho de 2010 Autorizado pela portaria 1. 15 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.354 de 22 de dezembro de 2010 Novos cursos estão com os projetos pedagógicos prontos ou em desenvolvimento para serem implantados nos próximos anos. Reconhecido pela nº 470 de 22 de dezembro de 2011. como a vida! . conforme o PDI da instituição.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Tabela 1 –Cursos oferecidos atualmente pela Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu (FACIG – MG) autorizado e reconhecido pelo Ministério da Educação Curso Administração Análise e Desenvolvimento de Sistemas Gestão de Turismo Marketing Construção de Edifícios Gestão Ambiental Ciências Contábeis Serviço Social Matemática História Engenharia Civil Arquitetura e Urbanismo Ato legal Reconhecido pela portaria 3. Além destes cursos de graduação.119 de 18 de dezembro de 2008 Autorizado pela portaria 1. Reconhecido pela 491 de 20 de Dezembro de 2011.  Compromisso com a excelência. formando profissionais comprometidos com a ética. Seus valores são:  Administrar com transparência e respeito à diversidade. visando contribuir para o desenvolvimento do país”. A Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu possui como missão “ensinar com excelência. Reconhecido pela portaria 467 de 27 de junho de 2008 Autorizado pela portaria 1.791 de 27 de outubro de 2010 Autorizado pela portaria 2.831 de 8 de novembro de 2005 Reconhecido pela portaria 214 de 7 de março de 2007 Reconhecido pela portaria 276 de 15 de dezembro de 2006 Reconhecido pela Portaria 471 de 22 de Novembro de 2011. competentes e conscientes do seu papel social. a instituição oferece pós-graduação lato sensu em Gestão Empresarial. Minas Gerais: Exigente.

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 Inovação e criatividade na construção do conhecimento;  Integridade e seriedade;  Responsabilidade Social.

Desde sua fundação, a instituição tem contribuído para o crescimento de Manhuaçu e sua região de entorno, sendo confirmado pelo Censo 2010 que o município foi um dos que mais cresceu em todo o Estado de Minas Gerais no período de 2000 a 2010. Novos negócios foram implantados no município para atender aos jovens que cessaram de migrar, aos professores contratados de outras regiões do país que se estabeleceram no município e aos estudantes de outras cidades da região de influência de Manhuaçu – há turmas em que apenas 10% dos alunos são residentes de Manhuaçu. Diversos dos seus ex-alunos foram aprovados em concursos públicos, conseguiram promoções e expandiram seus negócios próprios ou de familiares, motivo de orgulho e comprovação da contribuição da instituição ao país. A Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu – Facig – tem como lema “exigente, como a vida!”. Objetiva, com isso, cultivar nos jovens a superação aos obstáculos impostos pela vida, bem como transmitir a seriedade de suas atividades acadêmicas. Por seu posicionamento de mercado, pela qualidade das suas práticas educacionais e pelo amplo emprego de novas tecnologias, em um curto período de tempo, a Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu se consolidou como a mais conceituada instituição de ensino da região. A confirmação é atestada pelo IGC 2009 – Índice Geral de Cursos, calculado pelo Ministério da Educação, onde a Facig não é apenas a melhor instituição de ensino superior da região, mas superior a 88% das instituições de ensino superior de todo o país. No ENADE de Administração de 2006, aFacig obteve o mesmo conceito que a Universidade Federal de Viçosa (UFV). No IGC 2009, a instituição obteve a classificação de terceira melhor instituição privada de todo o Estado de Minas Gerais entre aquelas com mais de um curso, atrás somente da PUC de Belo Horizonte e do IBMEC. A Facig foi classificada como superior a todas as instituições privadas dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Em 2010, mais um indicador do Ministério da Educação que comprova a excelência do ensino da instituição: o curso superior de tecnologia em Marketing da instituição é o melhor de todo o Estado de Minas Gerais (Tabela 2).

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Tabela 2 –Indicadordo Ministério da Educação que comprova a excelência do curso superior de tecnologia em Marketing da Facig, no Estado de Minas Gerais
Instituição Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix Centro Universitário de Belo Horizonte Faculdade Politécnica de Uberlândia Faculdade Una de Contagem Universidade Presidente Antônio Carlos Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Centro Universitário Uma Instituto Belo Horizonte de Ensino Superior Sigla FACIG IMIH UNI-BH FPU FUNAC UNIPAC FESBH FACISA UNA IBHES CPC 3,126977 2,991703 2,944301 2,589387 2,554674 2,352281 2,211803 2,189171 2,176189 1,724699

Fonte: INEP Desde 2009 cursos da instituição constam entre os cursos “estrelados” do Guia do Estudante. Em 2010, a instituição obteve duas grandes conquistas, que lhe conferiram projeção nacional. A Facig foi a vencedora do Prêmio Nacional de Gestão Educacional na categoria Gestão Administrativa Financeira, prêmio concedido pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino – CONFENEN – emparceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior – ABMES – ecom a Associação Nacional dos Centros Universitários – ANACEU. O prêmio visa estimular a divulgação e a disseminação de boas práticas relacionadas à gestão educacional. A relevância do prêmio pode ser constatada pelas instituições vencedoras. Na categoria Responsabilidade Social, a agraciada foi a Fundação Torino, colégio da FIAT Automóveis localizado em Belo Horizonte - MG. Outra relevante conquista da instituição foi ser finalista do concurso Choque de Gestão promovido pela Revista Exame PME da Editora Abril, onde após concorrer com cerca de 200 empresas de todo o país, dos mais diversos setores, a FACIG se classificou entre as quatro finalistas, tendo sido apresentada na edição da revista do mês de setembro de 2010. Merece destaque, ainda, de que a instituição é uma das três únicas instituições de ensino superior de todo o Estado de Minas Gerais a possuir parceria com a Microsoft, maior empresa de software do mundo, estando seus produtos instalados em mais de 90% dos computadores utilizados em todo o planeta, o que lhe proporciona o título de instituição Microsoft IT Academy e o acesso por toda a sua comunidade acadêmica ao currículo oficial dos cursos da Microsoft.

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A visão direcionada à vanguarda do conhecimento foi retratada com a inauguração do Campus “Ilha de Excelência”, quando a instituição passou a oferecer uma estrutura ímpar, com sete laboratórios, salas de aula com excelente iluminação e ventilação, auditório, salas de estudos, sala de áudio visual, biblioteca, sala de reunião, sala de professores, sala dos coordenadores de cursos, sala do NDE, secretaria, tesouraria, cantina, central de cópias e quadra poliesportiva. Todas as instalações estão preparadas para atender aos portadores de necessidades especiais, inclusive banheiros. Em 2011, novo marco para a instituição, com a inauguração do novo campus, Campus Alfa Sul, sede própria, cujo projeto foi desenvolvido a partir de técnicas que aliam modernidade, conforto e funcionalidade, fruto da experiência trazida pelos mantenedores da instituição após a visita a instituições de ensino superior da Europa, evento organizado pelo SEMESP – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Contando com número de professores em tempo integral e com titulação que lhe permitem ascender ao patamar de Centro Universitário, a Facig reafirma seu propósito de contribuir para a consolidação de uma educação que prepare efetivamente para os desafios dos tempos atuais, ensinando a aprender, preparando para a vida, para a carreira e para o exercício da cidadania e da democracia.

1.1.

Responsabilidade social

Que país queremos ser? O que desejamos para nosso próprio futuro e para o futuro das próximas gerações? Onde queremos estar em dez, vinte ou trinta anos?

Apesar de o Brasil ser um candidato natural a protagonista da economia de baixo carbono devido à abundância de fontes renováveis de energia, água, sol, florestas nativas e uma das mais exuberantes biodiversidades do planeta, estas características naturais não garantem esta posição. Apenas com ações concretas das instituições e dos indivíduos conseguiremos passar do discurso à prática e preservar e preparar o nosso planeta para o futuro. Nossas ações são orientadas por nossa missão e por nossos valores que ressaltam nossa responsabilidade social. Na prática, isso também se traduz em produzir mais com menos recursos e atentar para o desenvolvimento sustentável do país. Temos compromisso com a qualidade, segurança, ética e com o meio ambiente onde estamos inseridos. A população brasileira economicamente ativa vem crescendo significativamente nos últimos anos – de 89 milhões em 2003 para 101 milhões em 2009. Durante esse mesmo período, o número

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onde.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável de estabelecimentos comerciais cresceu 50. à tarde e à noite. Minas Gerais: Exigente. devido à nossa exigência. Todos os nossos funcionários são contratados seguindo rigorosamente a legislação brasileira. Estas são algumas de nossas ações para contribuir visando transformar o mundo em um lugar melhor para se viver! 2. o país ainda enfrenta sérios problemas na área trabalhista. que sem este benefício. como a vida! . bem como oferecer bolsas de estudos aos melhores alunos destas escolas.0% e foram criados mais de 12. que tem por objetivo enriquecer o acervo bibliográfico das escolas públicas. é marco da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. formando profissionais que irão estudar o funcionamento do meio ambiente e das diferentes formas de organismos vivos e sua relação com o ser humano. desenvolver e executar projetos objetivando a preservação do meio ambiente. Finalmente. deixada de lado por grande número de organizações. dificilmente encontrariam condições de ingressar no ensino superior. oferecemos aos mesmos: estacionamento. A aceitação da diversidade.5 milhões de novos postos com carteira de trabalho assinada (empregos formais). Nosso maior compromisso com o desenvolvimento sustentável é a oferta do Curso Superior em Gestão Ambiental. tornando o trabalho uma atividade arriscada e incerta. Além disso. auxílio funeral. que deveriam pagar impostos. A maioria das coordenações de cursos da instituição está a cargo de mulheres! Aplicamos há alguns anos a Olimpíada do Conhecimento. Instalamos torneiras de fechamento automático em nossos banheiros e implantamos lixeiras para a coleta seletiva de lixo por todo o campus. a despeito dos avanços constatados em termos do combate ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.uma funcionalidade no novo sistema permitiu a redução de 67% da emissão de papel com os boletos bancários das mensalidades. Uma ação de destaque foi realizada pela empresa em 2010 com a troca do software ERP. Alguns dos empregadores informais. seguro de vida. diminuindo a base de arrecadação do Estado de maneira importante. estes ainda persistem no país. Procuramos contratar serviços e produtos de empresas com valores próximos aos nossos. descontos para estudar extensivo aos dependentes e lanche pela manhã. visando planejar. cerca de 50% são informais e não usufruem de muitos de seus direitos trabalhistas constitucionais. Dos seus 92 milhões de trabalhadores inseridos no mercado de trabalho em 2009. plano de saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS Um dos principais esteios da Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu é o compromisso em 19 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. Apesar desses avanços. não o fazem.

O primeiro ponto é no transcorrer do desenvolvimento curricular do curso que é quando o discente é estimulado a realizar ações que corroboram para o fazer profissional e para a formação de um cidadão consciente de seu papel na região e em seu País. cada vez mais. Toda esta política converge para o desenvolvimento de um ensino pautado em preocupações teóricas com visões práticas capazes de criarem interatividade constante entre discentes e professores como meio facilitador do processo de aprendizagem.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável oferecer uma educação qualificada. Cientes deste compromisso a FACIG espera se consolidar. Neste contexto. motivaram a FACIG a se expandir dentro de uma realidade possível. na qual os valores humanos e a qualidade de vida sejam direitos de todos. E o segundo ponto inicia-se quando o mesmo se forma e tem a capacidade de assumir o seu papel dentro de uma esfera social realizando o seu trabalho com as habilidades desenvolvidas dentro do espaço educacional e. do conhecimento tácito. pode-se dizer que a educação atuante e desenvolvida na FACIG está contida em dois pontos principais da vida das pessoas que por aqui passam. Alicerçados por esse compromisso. inserida em uma perspectiva de uma instituição de ensino superior contemporânea e moderna. como a vida! . visando melhorias contínuas. em seu mercado de atuação como uma instituição de qualidade superior fundamentada em seu lema de atuação: Exigente como a Vida! 20 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. a Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu é uma instituição que busca permanentemente estimular o progresso econômico e social por meio da formação de cidadãos e da educação para a construção de uma sociedade justa. ética e crítica. valorizado durante a sua formação na IES. respeitando as especificidades e características de cada curso e do ambiente no qual a instituição está situada. capaz de contribuir para as transformações e avanços da sociedade brasileira. O objetivo de implementar o desenvolvimento educacional e sócio-econômico regional. Minas Gerais: Exigente.

como a vida! . Minas Gerais: Exigente.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Recuperação de Áreas Degradadas Capítulo 2 Recuperação de Áreas Degradadas Wagner Nunes Rodrigues Lima Deleon Martins Daniel Pena Pereira Marcelo Antonio Tomaz 21 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu.

O desmatamento e a pecuária causaram grandes problemas de erosão durante os períodos clássicos grego e romano. Levantamentos mundiais registraram que 15% dos solos de regiões habitadas do planeta foram classificados como degradados devido às atividades humanas (OLDEMAN. com uma perda na ordem de cinco milhões de hectares por ano.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. Minas Gerais: Exigente. buscando suprir a expansão da população mundial. 1994). As práticas conservacionistas adotados pela civilização inca se perderam 22 Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu. A distribuição desse total de áreas degradadas no mundo é apresentada na Figura 1. O processo de degradação ambiental devido às atividades antrópicas ocorre desde épocas antigas.1% ao ano tem sido relatado nos solos agrícolas do mundo.vemcausando a redução das formações vegetais naturais. Essa degradação está relacionada principalmente a práticas agrícolas inadequadas. INTRODUÇÃO A crescente pressão devido àdemanda por áreas aptas para atividades agrícolas. a pressão populacional e a exploração inadequada dos recursos naturais. com consequente esgotamento de recursos naturais. Figura 1 . Um processo de degradação que chega a uma taxa de 0. como a vida! . 1994).Distribuição do total de áreas degradadas no mundo (Adaptado de OLDEMAN.

o superpastejo. CORRÊA & MELO. os processos que são considerados mais responsáveis pela degradação são o desmatamento. A irrigação adotada pelos sumérios causou salinização dos solos (TOY & DANIELS. Atualmente. ÁREAS DEGRADADAS O termo área degradada está associado a ecossistemas alterados. 1998. 1998). as atividades agrícolas e a exploração intensa da vegetação. Devido aos inúmeros processos e fenômenos biológicos. 2004). onde ocorreu algum processo de degradação ambiental. 2. que tem fornecido auxílio econômico. as estimativas indicam que o processo de desmatamento e as atividades agropecuárias são os principais responsáveis pela degradação dos solos brasileiros (TAVARES. envolvendo profissionais de diferentes áreas de conhecimento para que uma abordagem holística possa ser realizada (DIAS & GRIFFITH. Essas ações devem apresentar caráter multidisciplinar. removidas ou 23 Recuperação de Áreas Degradadas .. que devido aos prejuízos financeiros causados pelas alterações climáticas.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável devido à destruição do império e a introdução de culturas e tecnologias espanholas. O presente capítulo irá abordar conceitos sobre a degradação de ambientes. 2004). Quando o nível de degradação ainda permite que o ambiente se recupere. a degradação e a recuperação de áreas degradadas são atividades de grande complexidade. os organismos internacionais. No Brasil. SOUZA. sendo necessárias intervenções para que o mesmo se recupere (CARPANEZZI et al. diz-se que o mesmo está degradado. burocrático e de apoio apesquisa. 2008). Já quando a degradação não mais permite a recuperação natural do ambiente. a recuperação de áreas degradadas pode ser conceituada como sendo um conjunto de ações que visam restabelecer as condições de equilíbrio e sustentabilidade em um sistema natural. Na América do Sul. 1998). 1990. ou seja. físicos e químicos envolvidos. como exemplos temos a Organização das Nações Unidas (ONU). quando o ambiente mantém sua capacidade de regeneração. têm voltado interesses para os procedimentos de recuperação. Nesse contexto. assim como os processos e atividades relacionados à recuperação de áreas degradadas. vários grupos têm contribuído em nível internacional. o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) (SOUZA. considera-se que o ambiente está perturbado e a adoção de medidas intervencionistas pode acelerar o processo de recuperação ambiental. como as seguradoras. apesar da ausência de avaliações exatas. A crescente mobilização mundialrequerendo novos modelos de desenvolvimento que sejam menos impactantes ao ambienteresultou em um expressivo aumento no apoio às pesquisas na área de recuperação ambiental. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis define que “a degradação de uma área ocorre quando a vegetação nativa e a fauna forem destruídas.

Como exemplos mais marcantes desse tipo de degradação. 2004).Atualidades em Desenvolvimento Sustentável expulsas. alteração na qualidade da água. A degradação ambiental ocorre quando há perda de adaptação às características físicas. eliminação ou expulsão da fauna do local. químicas e biológicas do ecossistema. Uma área degradada. juntamente com a eliminação da sua capacidade de regeneração biótica (perda do banco de sementes. e a sua recuperação pode não ocorrer ou ser extremamente lenta. provocando grande alteração na composição do mesmo e podendo resultar em degradação. que juntos somam uma área desmatada de mais de três milhões de quilômetros quadrados (PIOLLI et al. 3. a Floresta de Araucárias e a Amazônia. perda da camada fértil do solo. dependendo da intensidade. 1990). mas se perdem antes que possam ser absorvidos pelas novas plantas que se estabelecem na área. Desmatamento A retirada da cobertura vegetal. temos o desmatamento de diversos biomas brasileiros como a Mata Atlântica. Além disso. requerendo a ação antrópica (SOUZA. após o distúrbio. pode ser considerada uma degradação ou uma perturbação ambiental. 2004). Já incêndios naturais são raros. principalmente em áreas de produção agrícola e áreas protegidas. os nutrientes presentes nas cinzas acabam não sendo incorporados 24 Recuperação de Áreas Degradadas . Além de alterar o microclima. químicas e biológicas e é inviabilizado o desenvolvimento sócio-econômico” (IBAMA. a camada fértil do solo for perdida. removida ou enterrada. EXEMPLOS DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL 3. houve também o aumento do uso do fogo no processo de preparo da área para o cultivo. Com a expansão agrícola do último século.. O termo degradação tem sido associado a efeitos negativos ou adversos causados ao ambiente que decorrem principalmente devido à intervenção do homem. ocorre perda da capacidade de adaptação devido a alterações das características físicas. 2008). Incêndios e queimadas Incêndios provocados.2. o Cerrado. sendo raramente empregado para alterações oriundas de processos naturais (TAVARES.1. causam grandes prejuízos ao ambiente. e a qualidade e o regime de vazão do sistema hídrico forem alterados. as queimadas causam a rápida decomposição da matéria orgânica do solo causada pela queimada provoca perda de nutrientes.. entre outros). 2004). 3. pode apresentar eliminação da vegetação nativa.alteração no regime hídrico. e pesquisas têm demonstrado que os incêndios em florestas na maioria das vezes são provocados pelo homem (PIOLLI et al. Nessa situação de degradação. visto que os mesmos são disponibilizados.

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ao solo da área, já que o vento e a água carreiam as cinzas com facilidade, resultando no empobrecimento do solo (PIOLLI et al., 2004).

3.3. Degradação do solo e erosão A remoção de horizontes superficiais do solo também resulta em degradação. Essa remoção pode ser causada, por exemplo, por operações de terraplenagem e apresenta potencial de regeneração natural lento, em alguns casos, mesmo com intervenções de 30 anos, a regeneração natural se mostra quase insignificante (RODRIGUES et al.,2007a). Regiões que foram exploradas para a extração mineral podem apresentar degradação do solo, sendo normal a ocorrência de problemas como: compactação, aumento da densidade do solo, redução da taxa de infiltração, deficiência de oxigênio, aumento da resistência à penetração de raízes, redução da capacidade de armazenamento de água e redução do teor de matéria orgânica (MOREIRA, 2004). A utilização de práticas agrícolas inadequadas e o desmatamento são os principais responsáveis pelos processos erosivos. A erosão, que na maioria das vezes já é resultado de algum processo de degradação ambiental, pode resultar em outros tipos de degradação à medida que se desenvolve, culminando em processos de assoreamento de rios e perda de áreas agricultáveis. Em cidades, a erosão pode provocar sérios prejuízos e desastres causados por deslizamentos de encostas, assoreamento de rios e até mesmo a transmissão de doenças (PIOLLI et al., 2004).

3.4. Descarte de resíduos industriais As atividades das indústrias geralmente resultam em resíduos que são descartados em áreas de deposição ou lançados em cursos hídricos. Muitas vezes esses resíduos não podem ser decompostos através de processos naturais, e em alguns casos podem conter metais pesados na sua composição, sendo acumulados nos organismos vivos. Quando descartados no solo, esses resíduos formam áreas impróprias tanto para outras atividades humanas quanto para o desenvolvimento da maioria das espécies que naturalmente eram encontradas na região (PIOLLI et al., 2004).

3.5. Modelos de agricultura não sustentáveis A Revolução Verde resultou em diversos impactos ambientais negativos. No modelo agrícola gerado pela citada revolução, era empregado o uso intensivo de insumos industriais, herbicidas e inseticidas que causam poluição e contaminação ambiental com substâncias tóxicas, além de alterar a composição natural das áreas. Além disso, a prática da monocultura, também adotada nesse

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modelo, causa a redução da biodiversidade e perda de variabilidade genética das espécies na região, podendo ainda facilitar a ocorrência de processos erosivos (PIOLLI et al., 2004). Modelos alternativos, menos impactantes para o ambiente, vêm sendo desenvolvidos. Tecnologias diversas como a permacultura, os sistemas agroflorestais, a agricultura biodinâmica e o controle biológico de pragas já estão disponíveis, assim como os modelos de agricultura orgânica ou agroecológica, que permitem cultivos sustentáveis e rentáveis, com menor impacto ambiental. Souza (2004) afirma que a partir da introdução do modelo agroquímico e da incorporação denovas tecnologias de manejo do solo e melhoramento genético, foram acompanhadas pelo abuso na utilização de equipamentos pesados, resultando em diversos problemas ambientais como a erosão, a poluição, a proliferação de pragas e doenças por falta de seus inimigos naturais, entre outras sérias alterações no agroecossistema, resultando na maioria dos casos emum processo de degradação ambiental.

4. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Os termos recuperação, reabilitação e restauração vêm sendo utilizados e, de maneira geral, referem-se ao processo inverso à degradação. A recuperação é o processo de reparação dos recursos em uma área, suficiente para o restabelecimento das espécies naturais da região, em composição e frequência (GRIFFITH, 1986). A reabilitação é o retorno de uma área degradada a um estado biológico apropriado, mesmo que não resulte na utilização da área para a produção a longo prazo, visando a recreação ou a valorização estética e ecológica, por exemplo (MAJER, 1989). A restauração é um processo de retorno ao estado original da área, antes da degradação, em termos de fauna, vegetação, topografia, solo, hidrologia, entre outros, o que representa um objetivo praticamente inatingível (TAVARES, 2008). A restauração de ecossistemas degradados depende de conhecimento em diversas áreas, especialmente na reconstituição de sua estrutura e da dinâmica das comunidades que estão presentes no mesmo (ALMEIDA, 2000).

4.1. Caracterização de uma área degradada Devido a sua inquestionável importância para a produção agrícola, o solo é um dos componentes do agrossistema que tem sido mais estudado. A caracterização do solo durante os estádios iniciais de degradação, no entanto, é uma tarefa de difícil visualização. É possível que um solo cultivado esteja sofrendo erosão laminar, por exemplo, sem que o seu efeito venha a ser notado na produtividade da cultura agrícola implantada sobre o mesmo, visto que a perda de finas camadas dos horizontes superficiais do solo seria um processo progressivo e, muitas vezes, quase visualmente imperceptível (SOUZA, 2004). Em regiões montanhosas, o declive do relevo pode

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acentuar a erosão, levando a redução da cobertura do solo e, se esse processo não for interrompido, pode resultar na evolução para uma erosão em sulcos, e até mesmo voçorocas. Os pesquisadores têm lançados esforços para entender o processo e também têm buscado identificar características do solo associadas a essas alterações, desse modo seria possível caracterizar o processo de degradação a partir do surgimento dessas alterações.No entanto, existe grande dificuldade para se estabelecer quais características são mais adequadas para quantificar e caracterizar o processo, assim como quais são os padrões de referência que devem ser utilizados (DIAS & GRIFFITH, 1998). Atualmente, admitem-se diversas abordagens sobre a caracterização de um ambiente degradado. Como exemplos, temos a abordagem restritiva ou segmentada, que preconiza a análise de cada componente, facilitando sua visualização e quantificação; e a abordagem ampla ou nãosegmentada, que busca a avaliação do ambiente como um conjunto de componentes em equilíbrio (COELHO, 2001). A atividade do homempode causar degradação física, alterando, por exemplo, a textura, estrutura, profundidade, densidade, taxa de infiltração e capacidade de retenção de água do solo; química, alterando os teores de carbono e nitrogênio contidos na biomassa microbiana; e biológica, alterando o carbono orgânico total e o teor de matéria orgânica no solo. Quando essas características podem ser identificadas e quantificadas, é possível utilizar as mesmas como indicadores da qualidade do solo (REINERT, 1998). Aadequada utilização desses indicadores depende de uma visão holística do sistema e da definição criteriosa de valores de referência para a avaliação dos estádios de degradação. Para tal, ainda é necessária a realização de pesquisas focadas na degradação para que seja possível estabelecer rotinas confiáveis e funcionais para o monitoramento e avaliação da degradação (DIAS & GRIFFITH, 1998; SOUZA, 2004). Rodrigues et al. (2007a) afirmam que ainda são raras as pesquisas sobre qualidade do solo sob o aspecto da degradação ambiental. E os mesmos autores ressaltam que as pesquisas nessa área precisam evoluir para que sistemas de monitoramento e diagnóstico mais fáceis e práticos sejam implementados, visto que a recuperação de áreas degradadas não consiste de ações isoladas, mas de um conjunto de atividades com o objetivo de recompor a paisagem que foi negativamente alterada (DIAS FILHO, 1998; DIAS & GRIFFITH, 1998). O banco de sementes é composto pelas sementes viáveis presentes no solo de uma determinada área (HARPER, 1977), e está relacionado com a capacidade de estabelecimento de populações vegetais e de manutenção da diversidade de espécies na área após os distúrbios que causaram a sua degradação. Devido ao exposto, o banco de sementes tem sido utilizado como um

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. REVEGETAÇÃO A recuperação e o desenvolvimento de uma cobertura vegetal que seja capaz de se autosustentaré meta fundamental em grande parte dos projetos de recuperação de áreas degradadas.. 1998). Algumas estratégias de recuperação Os métodos de recuperação de áreas degradadas sofreram mudanças ao longo dos anos. a topografia. 1998). 2008.2007a. Cenários de degradação O monitoramento é uma atividade fundamental no acompanhamento das alterações que ocorrem no sistema e uma das formas para avaliar o estádio de degradação ou de recuperação de áreas é a comparação dessas áreas com paisagens naturais próximas.Nos últimos anos. tem ocorrido um crescimento no interesse e na busca por novas alternativas ecológicas de recuperação de áreas degradadas. 2007. 2009. 2007b). RODRIGUES et al. onde são estabelecidas as condições da área e os objetivos da recuperação. devido à evolução das pesquisas e do surgimento de novas tecnologias.3.2.3. RODRIGUES et al. 2004. 28 Recuperação de Áreas Degradadas . depende da comparação entre comunidades vegetais que estão em diferentes fases fenológicas. 2009). a geologia. que serão consideradas áreas de referência.1. delimitando as metas sobre qual o uso que se pretende realizar na área após o processo de recuperação (TOY & DANIELS. pois a identificação das áreas de referência requer experiência e. a cobertura vegetal. a hidrologia. 1994). 4. 4. assim como a biodiversidade e o objetivo de uso da área após recuperação devem ser levadas em consideração (TOY & DANIELS. os procedimentos de comparação não são de fácil realização. com ênfase na recomposição da diversidade de espécies no sistema e na sustentabilidade dos ecossistemas recuperados (CHOI. A compatibilidade entre as espécies nativas da região e as espécies introduzidas para a recuperação. A estratégia para promover a revegetação de uma área degradada varia de acordo com o tipo de ecossistema. muitas vezes. MARTINS. MARTINS. O procedimento mais adequado para o sucesso da recuperação é a elaboração de cenários pré e pós-degradação. através de características locais como o clima.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável indicador ecológico para monitorar e avaliar a regeneração de ecossistemas em recuperação (BRAGA et al.. o manejo do solo (CURTIA et al.. 4. No entanto.

4. armazenar e retornar o horizonte orgânico superficial do solo. a profundidade. são propensas a recuperação por meio da revegetação. A qualidade do solo é definida por suas propriedades físicas. 1987). Em relação à vegetação. 2002). a capacidade de retenção de água. Áreas degradadas que foram sujeitas a remoção da vegetação e do solo. tal como a distância entre o local e do banco de sementes.. atenuar e degradar compostos nocivos ao ambiente. físicas e biológicas deverão ser realizadas (TOY e DANIELS.. entre outros (DORAN & PARKIN. 2002). O processo de regeneração natural de um ambiente degradado tem início com a chegada de sementes de espécies vegetais na área. Nesses casos. associa-se aos solos de melhor qualidade a capacidade de tamponar. da compactação. é responsável pela estruturação do solo. LYLE. 1994. A cobertura vegetal. criando uma defesa física eficiente contra a ação erosiva da água (PRANDINI et al. entre outros (ALMEIDA. TOY et al. A recuperação da cobertura vegetal permite a regeneração através dos processos que a vegetação exerce sobre a morfologia. química e biologia do solo. 1982). da instabilidade da superfície do solo. os atributos de maior interesse são: o pH. será necessário o uso de um material substituto para a recuperação. 1998. 1998). GARAY et al. forma uma densa malha de raízes na porção superficial do solo. 1994. Em alguns casos mais drásticos.Quandoesse procedimento não for possível. o sistema radicular de algumas espécies vegetais.. químicas e biológicas. Além disso. seu estabelecimento e sua reprodução. a porosidade. Em relação ao solo. a estrutura. da acidez. 29 Recuperação de Áreas Degradadas . A determinação das espécies mais aptas a se estabelecerem no local é influenciada pelas características do local. 2003.3. 2002). SPOSITO. em especial as espécies florestais... um novo topsoil deve ser criadopara servir como substrato para odesenvolvimento da vegetação futura. 2002. além de melhorar o aspecto visual da área (RESENDE et al. a textura. ou parte das camadas do solo.2. o local degradado já não apresenta mais qualquer vestígio de topsoil. e uma criteriosa seleção desse material e posterior trabalho sobre suas características químicas. como resultado da consequente influência de seu sistema radicular. RESENDE et al. que é chamado de topsoil. é interessante conhecer o tipo e a intensidade de cobertura que ela promove. Além disso. Um solo de melhor qualidade tem maior capacidade de promover o crescimento de plantas e regular o fluxo de água no sistema. o teor de nutrientes a espessura dos horizontes. (2002) afirmam que conhecer os atributos do solo e da vegetação que podem interferir no processo de degradação ambiental é de fundamental importância para entender o processo. em função da maior atividade microbiológica dos mesmos (DORAN & PARKIN.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Resende et al. TOPSOILING Atividades humanas que necessitam de revolvimento do solo (ao exemplo da mineração) devem preservar.

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4.3.3. ACÚMULO DE MATÉRIA ORGÂNICA A manutenção de restos vegetais é essencial para o equilíbrio da matéria orgânica no solo. Os microrganismos utilizam esses materiais como fonte de nutrientes e energia para o seudesenvolvimento, resultando na liberação de substâncias orgânicas no solo. Essesprocessos biológicos que ocorrem na matéria orgânica são fundamentais para o equilíbrio no ecossistema (NOVAIS et al., 1990). Os processos de acúmulo de matéria orgânica e de ciclagem de nutrientes em um ecossistema são essenciais para a sua recuperação e para que o mesmo atinja um equilíbrio ecológico. Estes processos podem ser restabelecidos através da seleção e da reposição do material orgânico,oriundo de resíduos vegetais e animais, que aporta o solo, associado com as correções necessárias. Resíduos de diversas naturezas produzidos pelo homem podem ser empregados, ao exemplo do lodo de esgoto, rejeitos alimentares e cinzas de carvão, que, de acordo com as suas características, podem atuar como corretivos e beneficiar a reciclagem de nutrientes no solo. Apesar disso, é válido ressaltar que esses materiais devem ser criteriosamente avaliados e cuidadosamente administrados antes de seu emprego no solo, para evitar a contaminação por metais pesados ou tóxicos e assegurar que os teores de nutrientes estão balanceados e passíveis de liberação (SOUZA, 2004).

4.3.4. TRANSPOSIÇÃO DE SERAPILHEIRA A presença da serapilheira na superfície do solo, além de facilitar a incorporação de novas sementes, é particularmente importante suprir o solo e as plantas com nutrientes durante a sua decomposição, esse processo é considerado essencial na restauração da fertilidade do solo nos ambientes que estão no início do processo de sucessão ecológica (EWEL, 1976). Segundo Martins (2007), transpor a serapilheira e o banco de sementes do solo pode ser uma alternativa viável para aceleração do processo de sucessão em áreas em que o solo foi degradado, visto que em uma camada superficial de solo ou de restos vegetais estão presentes sementes de diferentes espécies, nutrientes, matéria orgânica e microrganismos, essenciais para a recuperação da fertilidade e da atividade biológica destes solos. Mas é válido ressaltar a dificuldade em se definir qual o melhor componente a ser utilizado, devido à grande variabilidade que pode ser encontrada na composição da serapilheira e do banco de sementes de diferentes locais.

4.3.5. RECUPERAÇÃO DE VOÇOROCAS As voçorocas são formadas, geralmente, em rupturas da encosta do terreno ou em áreas onde a cobertura vegetal foi reduzida. Em casos extremos de erosão, pode ocorrer a formação de voçorocas de grandes dimensões. Nessas situações, planos de recuperação imediatos devem ser

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executados. A recuperação de voçorocas consiste no processo de desvio da água, no preenchimento da área onde o solo foi perdido e na sua revegetação (SELBY, 1993). Em determinados casos, a redução do ângulo dos taludes laterais ou mesmo a reconstrução das paredes laterais do interior da voçoroca será necessária para a sua recuperação. Esses procedimentos devem ser executados fora do período chuvoso e as águas da cabeceira e laterais da voçoroca devem ser desviadas (SOUZA, 2004). Em alguns casos, o preenchimento total da voçoroca é possível de ser executado, ou mesmo a construção de bancadas no interior da mesma. Para evitar o avanço da voçoroca, o passo fundamental é a revegetação dos taludes laterais da voçoroca, normalmente essa revegetação é feita com espécies gramíneas, leguminosas herbáceas, espécies arbustivas ou também pode ser adicionada serapilheira (IBAMA, 1990). Outra alternativaé a construção de pequenas barragens dentro da voçoroca, que podem ser construídas com pedras soltas ou muros encravados nas paredes laterais e no fundo, a fim de evitar que a água cause erosão no fundo e nos lados das grotas (MARÇAL & GUERRA, 2001).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Desde tempos antigos, a humanidade vem enfrentando problemas devido à degradação ambiental resultante de atividades antrópicas executadas de maneira inadequada e com práticas insustentáveis. As atividades do homem, que muitas vezes foram e ainda são baseadas em modelos de produção que objetivam apenas a maximização do retorno econômico, sem preocupações com a conservação ambiental acabaram, em muitos casos, exaurindo o ambiente e provocando a perda de sua capacidade de recuperação natural. Devido a esse cenário, existe a necessidade de intervenção para que os ambientes degradados possam se recuperar, no entanto, a solução para os problemas ambientais não é tão simples ou fácil de ser executada. Atualmente, a preocupação com o aspecto de preservação ambientaltem crescido no mundo, ecasos de sucesso na recuperação de áreas degradadas e novas tecnologias de produção, preconizando o desenvolvimento sustentável, têm surgido a cada dia. Apesar disso, esse tema ainda está longe de ser concluído, pois a recuperação de áreas degradadas é uma ciência relativamente nova e a adoção dos novos modelos sustentáveis de desenvolvimento ainda não é uma prática consolidada pela maioria.A conscientização ambiental, aliada ao apoio ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias a serem empregadas na recuperação são peças fundamentais para o avanço da humanidade em direção a uma relação mais harmônica com a natureza.

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Recuperação de Áreas Degradadas

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Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos Capítulo 3 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos Daniel Pena Pereira Lima Deleon Martins Wagner Nunes Rodrigues Marcelo Antonio Tomaz José Francisco Teixeira do Amaral 36 Recuperação de Áreas Degradadas .

A implantação e a manutenção de sistemas de produção agrícola. utilizando-se o emprego de tecnologias nem sempre compatíveis com os aspectos sociais. apesar de reconhecê-lo como fundamental para a sobrevivência de futuras gerações. AQUECIMENTO GLOBAL Segundo IPCC (2001). mas mesmo o maior destes valores primitivos é muito menor do que suas concentrações atmosféricas atuais. visando a manutenção. Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). não está encontrando tantos adeptos para colocá-lo em prática em face de sua complexidade e resistência do modelo econômico.000 anos passados. ambientais e culturais têm provocado desequilíbrios sócioambientais profundos. interagindo e mostrando que é necessária a proposição de práticas e inovações a fim de preservar.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. que contemple o crescimento econômico com sustentabilidade e respeito à natureza. O desenvolvimento sustentável. 37 Recuperação de Áreas Degradadas . 2. este trabalho contemplará conceitos e definições relacionadas aos temas Desenvolvimento Sustentável e Biodiesel. além de se estabelecer princípios de uso adequado dos recursos naturais. ecológicos. O esgotamento de tais modelos agrícolas tem levado a novos enfoques e desafios para a prática de uso e manejo de agroecossistemas. as concentrações de gases atmosféricos do efeito estufa aumentaram no século XX em consequência das atividades humanas. conservar e recuperar os agroecossistemas. interagindo-o com os princípios de sobrevivência de todas as espécies. Quase todos os gases do efeito estufa alcançaram seus níveis gravados mais elevados nos anos 1990 e continuam a aumentar (Figura 1). a recuperação e o crescimento econômico do homem. Visando demonstrar as possibilidades de se colocar em prática tais ações. comprometendo a sobrevivência das próximas gerações. de acordo com os estudos recentes do painel climático da ONU. derivados dos “modelos industriais de desenvolvimento”. levar em consideração que as gerações futuras também dependerão desses recursos para sua sobrevivência. sem. A reversão dessa situação envolve planejamento de ações a partir dos conhecimentos gerados pelos próprios moradores locais. contudo. INTRODUÇÃO O homem vem ao longo dos séculos praticando uma cultura de uso predatório dos recursos naturais visando o seu crescimento econômico. tão abordado nos dias de hoje. O dióxido de carbono atmosférico e o metano variaram substancialmente durante ciclos glacial-interglacial nos 420.

aumentando a 6. 38 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Dos anos 1750 a2000. com principal responsabilidade sobre o transporte rodoviário. o desmatamento é responsável pelo resto. são os mais importantesgases do efeito estufa. Estas taxas de aumento são improcedentes.500 milhões toneladas anualmente. A queima do combustível fóssil liberou-se na média 5. pelo ano 2012. a concentração do CO2 aumentada por 31±4%. De acordo com Labeckas&Slavinskas (2006).Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Figura 1 .3 Gt C/ano na década subsequente. que gera 84% das emissões de CO2 relacionadas ao transporte. causados pela atividade humana.Indicadores da influência humana nos principais gases da atmosfera durante o período industrial. A comissão de política europeia de papel prediz que. Aproximadamente três quartos do aumento no CO2 atmosférico durante os anos 1990 foram causados pela queima de combustíveis fósseis. e ade CH4levantaram-se por 151±25%. tratores poderosos.4 Gt C/ano (gigatoneladas de carbono) durante os anos 1980. a poluição ambiental do ar aumentou drasticamente durante as últimas décadas por causa do número crescente de trens pesados. respectivamente. as emissões do CO2 do transporte se terão levantado a aproximadamente 1. O CO2 e CH4. Com a mudança do uso da terra. modernas máquinas agrícolas e carros pessoais.

Recentemente. a agricultura.3ºC e 0. o calor do sol se dissiparia no espaço e tornaria a Terra inabitável para a maioria das espécies. que podem afetaro derretimento do gelo polar. as propostas de controle ambiental das emissões globais tem sido frequentemente ratificadas (DANTAS. Não fosse assim. Ferramentas que devem ser embasadasna compreensão do comportamento do sistema global que define o ambiente de nosso planeta e as opções que estão disponíveis para responder às mudanças neste sistema complexo (INTER AMERICAM INSTITUTE FOR GLOBAL CHANGE RESEARCH. elevando os níveis do oceano. As mudanças no uso de terra. durante a Conferência Eco 92. 2007). As atividades humanas afetam o ambiente. O debate internacional sobre mudanças climáticas acarretadas pela influência humana tem se intensificado desde 1988. Aqueles que promovem política e decisões para nossa sociedade necessitam de ferramentas aptas para ajudar-lhes a enfrentar este desafio. nos últimos anos observou-se uma perigosa intensificação desse fenômeno. podem quebrar ecossistemas naturais e afetar a química da atmosfera. Dois anos depois.3ºC nos últimos quarenta anos. e a extração de recursos naturais aumentaram. como derrubar florestas para a produção agrícola. o IPCC divulgou seu primeiro relatório. 39 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Desde o protocolo de Quebec. Em 1992. confirmando a ameaça das mudanças climáticas e recomendando um tratado global para discussão do problema.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Assim. o efeito estufa é um fenômeno natural da atmosfera terrestre pelo qual o calor das irradiações solares é parcialmente retido. (2007). foi realizada a chamada Cúpula da Terra. 3. Cientistas apontam que a temperatura média global aumentou entre 0. Os impactos humanos no ambiente aumentaram enormemente.2ºC a 0. as atividades humanas tiveram um papel cada vez mais importante na mudança ambiental global. discussões são permanentes na mídia. enquanto a população do mundo cresceu e a escala de atividades humanas tais como a indústria. A mudança ambiental global é um dos desafios maiores na face da humanidade de hoje. é afetada em muitas maneiras importantes por mudanças no sistema ambiental global. que poderá alterar o equilíbrio do sistema climático e trazer sérias consequências para a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas do planeta. devido ao aumento da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera causada pelas atividades humanas. a vida e a sociedade humana. EFEITO ESTUFA E PROTOCOLO DE KIOTO Conforme descrito por Aracruz Celulose S. no último século.6ºC desde o final do século XIX e de 0. 2003). no Rio de Janeiro. Projeções do IPCC estimam uma variação de cerca de 2ºC até 2100.A. quando 175 países assinaram a Convenção sobre Mudanças Climáticas. com a criação do IPCC. no Rio de Janeiro. Outro fator é o deslocamento na circulação e na temperatura do oceano. Canadá (1988) e a conferência internacional Rio 92. No entanto. As emissões industriais na atmosfera podem influenciar o clima.

ondas de calor e elevação dos níveis do mar. mesmo com as medidas dos cortes.2% entre 2008 e 2012. O Protocolo de Kioto abrange seis gases de efeito estufa produzidos por atividades humanas: dióxido de carbono. O Brasil vive a situação ambígua de ser o país das hidrelétricas e do etanol. Teixeira Júnior (2006) alerta que o clima do planeta Terra nunca registrou alterações tão dramáticas quanto agora. Com o Protocolo de Kioto. advertiu para o perigo de mais secas. A União Europeia deixa claro que a elevação de dois graus pode significar mudanças perigosas para o sistema climático. continha. óxido nitroso. metano. hidrofluorcarbonos (HFCs). perfluorcarbonos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF6). adotado em 1997 como um componente da Convenção Marco sobre Mudanças Climáticas. Afirma que as temperaturas subirão entre 2 e 2.2% a 3% do produto interno bruto mundial até 2030. A emissão dos gases do efeito estufa continua crescendo. políticos e investidores acreditam que essa é uma tarefa que também cabe às empresas. quando a Rússia ratificou o documento. consumidores. mas também de ser visto como vilão do desmatamento na Amazônia. em relação aos níveis verificados em 1990. Cada vez mais. pela primeira vez. Controle (2007) relatou que o IPCC emitiu seu primeiro relatório em fevereiro de 2007. China e Índia continuam queimando carvão para empurrar sua economia adiante. dependendo da rigidez dos cortes. Ambientalistas alertam que acabou o tempo de contestação dos governos.4°C acima dos níveis pré-industriais. O Protocolo de Kioto.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável com o objetivo comum de reduzir a níveis seguros as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera. fome. em abril. O segundo. cria-se um mercado mundial de crédito de carbono. dizendo que pelo menos 90% da culpa pelo aquecimento podem ser atribuídos aos humanos. As negociações em torno do Protocolo se estenderam até 2004. apesar do Protocolo de Kioto e dos limites impostos aos países ricos. um acordo vinculante que obrigava os países industrializados a reduzir suas emissões de GEE em 5. o trabalho precisa começar hoje. O relatório calcula que a estabilização das emissões nocivas custará entre 0. O aumento de dois graus centígrados pode afetar um sexto da população do planeta. 40 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . O Tratado de Kioto entrou em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005. Para entrar em vigor . Para estabilizar os níveis de CO2 na atmosfera a níveis seguros amanhã.passando a ser um Tratado .era necessária a aprovação de um número de países que representasse pelo menos 55% das emissões mundiais de carbono. Os países que não conseguirem reduzir suas emissões de GEE poderão comprar créditos dos países que contribuem para retirar esses gases da atmosfera em quantidade maior do que emitem.

São exemplos. basicamente de fumaça. à produção de energia. Poluentes atmosféricos são substâncias transportadas pelo ar (sólidos. A participação humana no processo de poluição do ar se iniciou quando o homem aprendeu a utilizar o fogo e. a poluição atmosférica era relacionada à fumaça. 41 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Em 1952 morreram quatro mil pessoas. 2003). às cidades e residências e às atividades agropecuárias. crescente e atribuído ao famoso fogo de poluição. A poluição do ar não é um problema recente. vinda de pessoas queimando madeira ou carvão para se aquecerem. Instalação de filtros e outras medidas de controle de efluentes e emissões reduziram o impacto da poluição no município de Cubatão. a poluição atmosférica ou poluição do ar está constantemente na mídia devido aos problemas do aquecimento global. No Brasil. Na tabela 1. na Inglaterra. visual. POLUIÇÃO DO AR Definição de poluição é a emissão de resíduos sólidos. estão relacionadas às principais fontes de poluição do ar e os principais poluentes emitidos. necessárias medidas e leis drásticas para resolver o problema. as erupções vulcânicas e os incêndios florestais. luminosa. só cresceu. Destes. Atingiu níveis alarmantes. crianças nasciam com problemas na formação do cérebro. em Cubatão. A alocação de recursos e a mobilização da sociedade foram imprescindíveis para o controle das emissões. líquidos ou gases) que ocorrem na atmosfera terrestre em altas concentrações o suficiente para comprometer a saúde de pessoas e animais. até surgirem os primeiros sinais de baixa qualidade do ar londrina. O uso do carvão como combustível cresceu desde a idade média até os séculos XV e XVI. O número de mortes era alto. líquidos e gasosos em quantidade superior à capacidade de absorção do meio ambiente. aos transportes. As principais atividades humanas que produzem poluição do ar estão relacionadas às atividades industriais. Era uma poluição. desde então. sendo assim. A própria natureza tem na sua constituição fenômenos geológicos que são grandes fontes de poluentes. SP (Dantas. Esse desequilíbrio interfere na vida dos animais e vegetais e nos mecanismos de proteção do planeta. danificar plantas e estruturas e contaminar o ambiente. Na antiguidade. tais como: poluição atmosférica.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 4. Existem diversos tipos de poluição. sonora. aquática.

compostos orgânicos voláteis e material particulado. óxidos de metais e gases orgânicos e inorgânicos. Assim. Empresas como a Wal Mart e a GE determinaram metas de economia de energia e de vendas de equipamentos que não agridam o meio ambiente. Monóxido de carbono Agropecuárias Residências Fonte: Dantas. os dois bancos produzem 80 mil toneladas de CO2 por ano (TEIXEIRA JÚNIOR. 2003 5. A tendência de redução de emissões está difundida nos setores de negócios. Os bancos ABN Amro Real e Bradesco adotaram o conceito neutro em carbono. Poeiras. fumaça. monóxido de carbono. óxidos de enxofre. O uso total dos biocombustíveis. óxidos de enxofre. óxidos de enxofre e óxidos de nitrogênio. Material particulado e gás fluorídrico. são a única maneira lidar com os desafios novos de problemas ambientais. Juntos. ônibus da cidade e os setores agrícola e florestal. óxidos de nitrogênio. linhas de ferro. Monóxido de carbono. Óxido de enxofre. nitrogênio. Analisaram o impacto de suas atividades. metano. como a energia limpa e renovável no transporte em estradas. ácido sulfúrico. Hidrocarbonetos. preserva-se a diversidade da natureza e protege-se a saúde dos povos e a vida selvagem também (LABECKAS & SLAVINSKAS. com um respeito especial aos parques nacionais. Material particulado e óxidos de enxofre Resinas gasosas. óxido nitroso e material particulado. 2006). Na Inglaterra. Dióxido de carbono. MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS A popularidade crescente de combustíveis renováveis apoia-se na intenção de criar novas oportunidades para uma agricultura multifuncional e sustentável no desenvolvimento rural em mercados orientados de produção de óleos vegetais não alimentares. fuligem.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Tabela 1 –Principaisfontes de poluição do ar e seus principais poluentes ATIVIDADES Queima de carvão Queima de óleo combustível Refinarias Indústria de aço Indústria química Indústria de fertilizantes Indústria de celulose Indústria de plástico Transportes POLUENTES Cinzas. óxidos de nitrogênio. 2006). Dióxido de carbono. calculando o montante de gases emitidos anualmente. 42 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . o CarbonDisclosure Project objetiva ver o que as maiores empresas de capital aberto do mundo estão fazendo para reduzir emissões de CO2: quantas toneladas de CO2 emitem e como anda sua matriz energética.

110.A.A.960 45. 2007). 43 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . de aproximadamente cem viagens diárias de caminhões .400 24.7 0.100 5.3 100.As estimativas de estoques de carbono nas áreas de plantios e de reservas nativas da Aracruz podem ser visualizadas na Tabela 2.383.780 296.300 122.000 2. Uma delas foi a implantação do modal de transporte marítimo de madeira.280 1. no Espírito Santo (ARACRUZ CELULOSE S. A Aracruz aderiu à Bolsa de Carbono de Chicago (CCX) em 2005 e foi a primeira empresa latino-americana a assumir metas de redução de emissões de GEE.420 5. que possibilitou a redução. na rodovia BR 101. Tabela 2 –Estimativade estoques de carbono nas áreas de plantio e de reservas nativas da Aracruz Celulose Ecossistema Estimativa do estoque de carbono em reservas nativas – dezembro 2006 Biomassa (t/ha) Área (ha) Total de C (t) % Total C 384 92 13 15 40 47 135 12..que levam madeira dos plantios até a Unidade Barra do Riacho.9 2.000 340.175.215 46..0 21.5 5.750 102. A Aracruz Celulose acompanha atentamente as discussões globais sobre mudanças climáticas e está consciente da importância do controle das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera como forma de prevenir os efeitos adversos dessa concentração e garantir o equilíbrio climático do planeta. Nos últimos anos.500 13.025 896.400 6.6 17. As metas assumidas pela Empresa na CCX estabelecem uma redução de 1% das emissões de 2003. 2005). 3% das emissões de 2005 e 4% das emissões de 2006 em relação à linha de base. 2% das emissões de 2004. diversas iniciativas da empresa vêm contribuindo para esse objetivo.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável No Brasil.0 Estágio avançado¹ Estágio médio¹ Estágio inicial¹ Várzeas Restinga Mussununga Brejo Total ¹Área de reserva de Mata Atlântica Fonte: Aracruz Celulose S. 2007. a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) testa o desempenho de duas locomotivas movidas com mistura de 20% de biodiesel ao diesel convencional (COMPANHIA VALE DO RIO DOCE.200 46.100 14.0 6.

Isso oferece um potencial significativo dentro de vinte anos. Normas de construção mais severas. contribuem para reduzir as emissões industriais. aumentar os impostos de compra de automóveis e combustíveis. Cerca de 30% das emissões de CO 2 devido ao setor da construção poderia ser evitado dessa maneira. Os edifícios são um dos maiores emissores de CO2. Todos os setores possuem potencial significativo de redução de emissões até 2030. levando em conta a diminuição dos custos de calefação/eletricidade. 3. A um preço de carbono situado entre vinte e cem dólares a tonelada. Reduzir a poluição dos transportes. a captura e armazenamento de CO2consiste em captar as emissões de CO2 das grandes instalações industriais e armazená-las sob a terra. Subvenções.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 6. Reduzir as emissões da indústria. Isso permitirá que as energias renováveis sejam competitivas em relação às fósseis. 5. moradias melhor isoladas. Reforçar as restrições de emissão de CO 2 para os veículos. mais interessará aos usuários de energias fósseis recorrerem a tecnologias e modos de consumo mais sábios. Edifícios mais ecológicos. sistemas de calefação e ar condicionado mais sábios permitiriam importantes economias energéticas. em poços de petróleo antigos ou cavernas. geotérmico e outras energias limpas com subvenções. 2. Reduzir o uso das energias fósseis (petróleo. A um preço de 25 dólares a tonelada de CO 2. 44 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . incentivar os transportes públicos e os meios de transportes não motorizados. solar. os biocombustíveis representariam uma parte do mercado de 10%. A utilização do chamado preço do carbono seria uma das principais opções para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa. incentivos fiscais. gás. certificados de emissões de CO2 e mercados de permissões. as energias renováveis poderão representar de 30% a 35% do abastecimento de eletricidade até 2030. MEDIDAS SUGERIDAS PELO IPCC Para mitigar todo o efeito maléfico do aquecimento global. Tecnologia ainda experimental. até 2020. e mais rápida e abundante será a redução das emissões. como o mercado europeu de carbono iniciado pelo Protocolo de Kioto. Incentivar as energias renováveis. Diminuir as subvenções às energias fósseis e impor uma taxa-carbono. Incentivar e favorecer o desenvolvimento eólico. 4. com um maior benefício. segundo o IPCC: 1. carvão). obrigações regulamentares ou tarifas impostas. Quanto mais alto for esse preço. Controle (2007) divulgou as medidas sugeridas pelo IPCC.

de gases e/ou partículas prejudiciais à saúde humana ou ao meio ambiente. o IPCC (2007) diz que uma grande variedade de políticas nacionais e de instrumentos está disponível aos governos para criar os incentivos para mitigar as mudanças climáticas. enquanto que o desmatamento volta a mandar quantidades importantes de CO2 para a atmosfera. por causa dos aumentos em preços de óleo cru. Segundo Miragaya (2005). como o monóxido de carbono. depois o armazena. dos recursos limitados do óleo fóssil e dos interesses ambientais houve um foco renovado nos óleos vegetais e nas gorduras animais para produzir biodiesel. o óleo vegetal foi testado por Rudolf Diesel como o combustível para seu motor. Incentivos financeiros permitiriam modificar as práticas agrícolas e preservar as florestas. Cem anos atrás. O uso continuado e crescente do petróleo intensifica a poluição de ar local e amplia os problemas do aquecimento global causado por CO2. Agricultura e florestas. a emissão dos gases em ambientes fechados de minas subterrâneas. 1999). Dentre as vantagens ambientais do uso de biocombustíveis líquidos destaca-se a diminuição das emissões. conforme as regiões de sua fabricação e emprego. o combustível de biodiesel tem o potencial reduzir o nível dos poluentes e o nível de elementos carcinogênicos potenciais ou prováveis (MA & HANNA. e líquidos: alcoóis (etanol produzido de cana-de-açúcar e metanol. Recentemente. Sua aplicabilidade depende das circunstâncias nacionais e de uma compreensão de suas interações. A vegetação absorve o CO2 na fase de crescimento. 7. Em seu relatório mais recente. como uma atitude ambientalmente mais amigável. pelos veículos automotores. mas a experiência da execução em vários países e setores mostra que há vantagens e desvantagens para cada instrumento. os quais podem se sólidos: lenha e carvão vegetal. Dentro deste aspecto. O uso de biocombustíveis apresenta várias justificativas econômicas. Em um caso particular. frações apropriadas do óleo cru foram refinadas para servir como combustível.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 6. principalmente o dióxido de carbono. consideram-se como biocombustíveis os produtos originados da biomassa usados na produção de energia. 45 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Nos anos 1930 e 1940. gasoso: biogás. óleos e gorduras de origem vegetal ou animal e o biodiesel. sociais e ambientais. muitos estudos estão sendo feitos para viabilizar a sua implementação. de madeira). os óleos vegetais foram usados como combustível diesel. hidrocarbonetos e óxidos de enxofre e nitrogênio e de gases do chamado efeito estufa. Com o advento do petróleo barato. COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS De acordo com as medidas sugeridas pelo IPCC. mas somente em situações da emergência. a ampla utilização dos biocombustíveis traz alívio para o planeta.

o biodiesel puro é usado extensamente. como uma alternativa barata e conveniente nos motores diesel convencionais. filtração deficitária e volatilidade baixa. marítima e fluvial. na substituição da lenha e carvão mineral ou vegetal no fogão doméstico (SATURNINOet al. um dos combustíveis renováveis mais populares é o éster metílico de canola (RME – biodiesel de canola) porque seu uso em motores diesel contribui a uma redução da poluição de ar ambiental. obtidos da reação química de transesterificação de qualquer triglicerídeo (óleos vegetais. Também. Para viabilizar a produção dos microorganismos que produzem essas enzimas. óleos/gorduras animais. viscosidade. unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Implica no abastecimento de tratores e máquinas agrícolas. reaproveitamento de óleos usados em frituras e de rejeitos da extração e purificação de diversos óleos) com um álcool de cadeia curta. a Embrapa está lançando também um grande projeto de florestas plantadas energéticas. 46 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . É biodegradável e não tóxico. visto que na França. 2007). essa questão é muito mais ampla e complexa. Suécia. sediada no estado do Rio de Janeiro. funcionamento de motores estacionários. 1999). Embora a maioria da população urbana associe combustível apenas ao abastecimento de veículos. ônibus e caminhões. Espanha. metanol ou etanol. desde a montagem dos primeiros protótipos de motores de ignição por compressão por Rudolf Diesel. O biodiesel é um combustível constituído de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos. conhecidos como biodiesel. está desenvolvendo estudos para a produção do etanol a partir de enzimas extraídas do bagaço da cana-de-açúcar e de outros resíduos agrícolas e florestais. Biodiesel O biodiesel é um combustível diesel alternativo. feito das fontes biológicas renováveis tais como os óleos vegetais e as gorduras animais.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A Embrapa Agroindústria de Alimentos. Na Europa. Há registros da utilização do combustível de óleos vegetais ou de seus ésteres. 7. 2005).1. República Tcheca e outros países europeus até 25-30% misturas RME-Diesel do combustível convencional são populares. como madeiras. como no funcionamento de muitas máquinas de beneficiamento de produtos nas comunidades do interior sem acesso à energia elétrica. é ambientalmente benéfico (MA & HANNA. Na Áustria e na Alemanha. no final do século XIX (MIRAGAYA. Labeckas&Slavinskas (2006) ressalta que a aplicação do óleo puro de canola. Será estudado o aproveitamento dos resíduos de florestas de eucaliptos e pinhos para a produção de biocombustíveis (AGÊNCIA BRASIL. tanto na geração de energia elétrica. Itália.. foi mal promovida por causa de alguns problemas técnicos relacionados à densidade elevada. navegação aérea. tem perfis baixos da emissão e. assim. 2005).

tais como material particulado e a fumaça. 2006). Carrarettoet al.5% e 3% respectivamente. De diversos métodos disponíveis para produzir o biodiesel. Grande contribuição foi o teor de oxigênio presente no biodiesel.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Para solucionar os inconvenientes do uso direto de óleos vegetais nos motores diesel. 1981). A emissão de fumaça e de monóxido de carbono foi reduzida em 4%. A finalidade do processo é abaixar a viscosidade do óleo ou da gordura (Ma& Hanna. A vantagem principal relacionada ao uso de biodiesel de canola nos motores diesel é o índice de oxigênio elevado dos ácidos graxos. Segundo Labeckas&Slavinskas (2006) e Carrarettoet al. Adição de biodiesel de canola ao combustível diesel também melhora as propriedades lubrificantes das misturas de combustível quando comparadas ao combustível diesel convencional de baixo teor de enxofre (LABECKAS & SLAVINSKAS. a transesterificação de óleos naturais e as gorduras é atualmente o método escolhido. Nabiet al. 1999). Foi feita produção em escala semiindustrial da mistura de ésteres etílicos com o óleo de dendê. (2004). Testes conduzidos em motor diesel operado com mistura de 20% biodiesel de soja com combustível diesel provou que o índice de fumaça. 2% a 29% e 3% a 60%. nenhum sulfato é formado e as emissões do material particulado podem ser reduzidas em até 24%. ao contrário. O processo industrial não apresentou dificuldades técnicas. 47 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . enquanto que as emissões de NOx aumentaram de 0. RME são biodegradáveis. Os valores de NOx. hidrocarbonetos (HC) e emissões de fumaça e material particulado. As reduções no CO2 e nas emissões de fumaça e o aumento na emissão de NOx com misturas diesel-biodiesel de óleo de Nim podem ser associados com o índice de oxigênio no combustível. (2004) observaram que a média de redução em CO e HC. estudos iniciados na Bélgica em 1940 visaram a transesterificação. (2006) testaram o efeito da mistura de biodiesel de Nim ao diesel em motores diesel. os CO e os HC estiveram diminuídos de 8% a 63%. causa uma combustão mais completa e origina emissões mais baixas de espécies prejudiciais. junto com um NOx mais elevado. enquanto que a emissão de NOx foi aumentada em 5%. as reduções em monóxido de carbono. 2006). para utilização direta em motores diesel. comparando os resultados com a performance do combustível diesel convencional. Em muitas investigações. as características da emissão dos motores diesel que operam em RME e das suas misturas com combustível diesel foram relatadas nos vários papéis de pesquisa. foi de 13. Como outros combustíveis renováveis. A transesterificação melhora as propriedades técnicas do RME de modo que se encontre com as exigências ser usado nos motores diesel modernos. nas exaustões foram determinadas. sendo muito baixo o consumo energético para sua obtenção (MARTINS. não-tóxicos e livres de enxofre e. sendo de acordo com os muitos resultados na literatura. Assim. consequentemente. respectivamente. com uso de biodiesel a 30% em mistura.5% a 18% (LABECKAS & SLAVINSKAS. tiveram um aumento de 9%.

que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. Além do óleo como principal importância econômica. a produção e uso do biodiesel. 11. As regiões tropicais do planeta possuem condições privilegiadas de adaptação e com bons rendimentos para essas plantas. nessa importante cadeia produtiva.097. tanto técnica. Com a Lei. como economicamente. Para estimular ainda mais esse processo. a partir de 2007 (BRASIL. Esse percentual obrigatório será de 5% oito anos após a publicação da referida lei (ou seja. sobretudo em se considerando a possibilidade de conciliar sinergicamente todas essas potencialidades. É forte o enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional. é estabelecida a obrigatoriedade da adição de um percentual mínimo de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor. em 2013). havendo um percentual obrigatório intermediário de 2% três anos após a publicação da mesma. 2007). Para tanto. há o aspecto social. em qualquer parte do território nacional. via geração de emprego e renda (GOVERNO FEDERAL. Tabela 3 -Benefícios do uso do óleo vegetal para o campo e para o Brasil No campo Auto-suficiência energética Conservação do solo Desenvolvimento da infra-estrutura rural Diversificação de atividades Fixação do homem no campo Incremento de produção No país como um todo Mecanização rural Mecanização e mobilização local e nacional Substituição do diesel fóssil Economia de divisas Menor dependência de hidroeletricidade Menor dependência de sistemas de distribuição de eletricidade Melhoria das condições de vida no campo Prosperidade Renda rural maior e mais segura Suprimento com alimentícios Desenvolvimento industrial Desenvolvimento da infra-estrutura rural Vantagens ecológicas Valorização do solo Fonte: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. de fundamental importância.2. as plantas oleaginosas reúnem uma ampla diversidade no seu aproveitamento.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável As oleaginosas são representadas por diversas famílias botânicas. o Governo Federal lançou o Selo Combustível Social. Estes benefícios estão listados na Tabela 3. 48 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Programa do Governo Federal e legislação O Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) é um programa interministerial do Governo Federal que objetiva a implementação de forma sustentável. 7. um conjunto de medidas específicas visando estimular a inclusão social da agricultura. 2005). o Governo Federal instituiu a Lei nº. 2005. de 13 de janeiro de 2005. Além das vantagens econômicas e ambientais.

maracujá. surgindo com isso algumas implicações: aumento do consumo de água e de agrotóxicos. como o feijão e o milho (GOVERNO FEDERAL. a crescente demanda global de energia. os impactos ambientais da queima desse combustível. No Semi-Árido. em especial a derivada de combustíveis fósseis (petróleo. os combustíveis à base de biomassa (biocombustíveis) assumem a liderança.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável O cultivo de matérias-primas e a produção industrial de biodiesel. investido no biodiesel – consideradouma das formas mais eficazes de minimizar a emissão de poluentes na atmosfera. do outro.5 mil. devia-se ao esgotamento dessas fontes energéticas. por exemplo. os altos preços do petróleo. Um dos motivos para a aposta no biodiesel é a gama de matérias-primas que pode ser utilizada. 49 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . No Semi-Árido brasileiro e na região Norte. sessenta e as de carvão 220 anos. sobretudo no setor de transporte. as discussões sobre mudança da matriz energética mundial ganham força.2 mil quilos por hectare. algodão. especialmente quando se considera o amplo potencial produtivo da agricultura familiar. ou seja. linhaça e tomate. promovendo. ausência de políticas e programas definidos condena a sociedade a reproduzir erros ambientais e sociais do passado. De um lado. 7. carvão e gás). a inclusão social. como soja. agravando o problema do aquecimento global. O cenário das mudanças climáticas e o Protocolo de Kioto fizeram o setor sucroalcooleiro enxergar grandes oportunidades de colocação de seu produto no mercado.3. Nesse cenário. À medida que cresce a preocupação com os impactos do aquecimento global. a maior preocupação em relação à dependência de energia. amendoim. a renda anual líquida de uma família a partir do cultivo de cinco hectares com mamona e uma produção média entre setecentos e 1. Sem revisão dos modelos de consumo. pode variar entre R$ 2. a inclusão social é ainda mais premente. Também podem ser usadas gorduras animais e residuais. mamona. o Brasil tem. expansão da fronteira agrícola. dendê. oiticica. canola ou colza. Segundo alguns estudos. dessa forma. Para sustentar uma matriz energética menos nociva ao meio ambiente e economicamente mais viável. a área pode ser consorciada com outras culturas. as reservas de petróleo aguentariam mais quarenta anos. Antes da popularização do fenômeno do aquecimento global. 2007). no meio. a cadeia produtiva do biodiesel tem grande potencial de geração de empregos. como outras nações. contaminação de lençóis subterrâneos e o desmatamento e a eliminação de fragmentos florestais. no nível atual de consumo global de combustíveis fósseis. abacate. as de gás natural. Além disso.5 mil e R$ 3. girassol. babaçu. Limites sócio-ambientais A demanda mundial de energia cresce em ritmo acelerado.

7. Isso pode fragilizar o compromisso de aumentar a inclusão social.A. esse tipo de modelo poderia se ajustar facilmente no setor de energia.promover a educação preservacionista. A exemplo disso. o erro da abundância poderá se repetir. O biodiesel para abastecer grandes indústrias como a Aracruz Celulose e a Samarco poderia também possuir uma base semelhante. a estrutura fundiária das propriedades que participavam do Programa de Fomento Florestal implantado pela Aracruz Celulose S. atender e resolver questões do campo. Sem essas informações e revisão dos níveis de consumo. favorecendo a arrecadação dos municípios envolvidos com o Programa de Fomento. o que evidencia o perfil jovem e de grande potencial produtivo da população.5% habita na zona rural. e . 50 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . .5% habitam na zona urbana e 33. A soja e a cana-de-açúcar podem sobrepor outras culturas e empurrá-las em direção à região amazônica.permitir a geração de impostos. . Fica evidente a necessidade de programas que incentive a fixação da população na área rural.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Se por um lado os biocombustíveis ajudam a resolver o problema das mudanças climáticas.criação de alternativa de renda para os pequenos e médios proprietários rurais. por outro eles tendem a agravar problemas ambientais locais. 66. mostrou 75% das propriedades com área menos de dez hectares e 25% com área entre dez e cem hectares.A. através dos contatos realizados pelo corpo técnico da Aracruz e cultura proporcionada pela implantação de reflorestamentos. Outro fator a ser considerado é a faixa etária daquela população: 33% da população concentram-se na faixa etária de zero a 14 anos e 44% na faixa etária de 14 a 39 anos. facilitando a mudança da matriz energética do Brasil. da população residente na área de influência do Programa de Fomento Florestal da Aracruz Celulose. De acordo com o diagnóstico ambiental feito por Floresta (2004). Fomento para grandes empresas Nas últimas décadas. A maioria dos cidadãos brasileiros desconhece a dimensão social e ambiental da expansão do mercado de biocombustíveis. mesmo diante de tantos esforços para mudar a matriz energética (VICTOR. 2006). direta e indiretamente reduzindo o êxodo rural. o fomento florestal ganhou forma tecnológica e opção de diversificação de produção acessível ao produtor. No período de 1990-1998. sendo o Programa de Fomento uma importante ferramenta para atingir esse objetivo. gerar emprego.4.: . Alguns dos objetivos específicos do Programa de Fomento Florestal implantado pela Aracruz Celulose S.promover a geração de empregos. Isso mostra que a grande maioria é pequenos produtores.

vinte hectares de extensão. as compras da companhia geraram uma renda média de mais de 17 mil reais por agricultor. Grande parte do interesse dos agricultores na produção vem do fato de que o fumo é. além de um moderno complexo de processamento. dos quais apenas 10%. fazem desta a principal atividade econômica das pequenas propriedades espalhadas por quase setecentos municípios. A empresa fornece insumos e presta orientação aos produtores em todas as fases da cultura de produção do fumo. a Souza Cruz emprega. . a Souza Cruz atua de maneira integrada com cerca de 45 mil famílias de agricultores. produzindo outras culturas e criando animais – especialmente aves. 51 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos .1 bilhão de reais em 2004. dois hectares são empregados na produção de fumo. nos três estados da região Sul. trouxeram destaque mundial para a Souza Cruz na produção do fumo em folha. Para obter a sua matéria-prima. além de garantir a compra de toda a produção. mostra ainda que: . Conforme relatado por Souza Cruz (2007). .Mais de 22% da safra de fumo de 2003/2004 foram comprados pela Souza Cruz. um dos poucos produtos agrícolas que.A produtividade do colaborador da Souza Cruz é 23 vezes maior que a média brasileira. suínos e bovinos.A Souza Cruz está em 87% dos municípios produtores de fumo da região sul. A alta produtividade e estabilidade do mercado. devido ao sistema integrado de produção. onde os preços mínimos são estabelecidos antes da safra.Em 2004. . pois 100% do abastecimento da indústria de fumo no sul do Brasil advêm de áreas de pequenos produtores. Este estudo da Fundação Getúlio Vargas. ou seja. em média.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Outro modelo de fomento no Brasil. uma colheita rende aproximadamente dois mil quilos de fumo por hectare. também mostra eficiência no sistema.As despesas sociais da companhia somaram 1. sobre a contribuição econômica da Souza Cruz ao desenvolvimento do Brasil. . No restante da propriedade o fumicultor diversifica. a produção de fumo. Os produtores típicos são minifundiários com propriedades que têm. segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. No Brasil.O faturamento bruto das vendas da cadeia produtiva da Souza Cruz superou 7. durante cerca de quatro meses ao ano. principalmente nos três estados da região Sul do Brasil. gera cerca de 240 mil empregos e é responsável por mais de quatro bilhões de reais em arrecadação de impostos e taxas por ano. pioneirismo e parceria com os produtores de fumo. Em geral. em um sistema pioneiro de parceria que funciona desde 1918. no Brasil. cerca de nove mil pessoas e sua cadeia produtiva.5 bilhões de reais em 2004. na época da safra. . têm a venda de toda a produção garantida e apresenta altos níveis de sustentabilidade.

Assim. Tabela 4 –Cenáriosesperados de redução da poluição do ar.O total de impostos e contribuições da cadeia produtiva da Souza Cruz ultrapassa quatro bilhões de reais por ano. Os cenários de redução da poluição do ar. B20. com o uso de B20. com a implementação do uso do biodiesel.10 ton CO2.784 ton CO2 anuais. 52 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . Utilizando a cultura do pinhãomanso.283.hidrocarbonetos: 60%. Isso mostra o benefício de não afetar áreas produtivas de alimentos ou carne.857 -41. podem ser vistos na Tabela 4.2% da área produtiva não utilizada. torna-se possível abastecimento de biodiesel para a Samarco e Aracruz Celulose.589 kg de óleo por hectare. em volume.200 ha.283 125.642 Redução na emissão1 (ton CO2 ano-1) 0 -13. o sucesso potencial na modalidade de fomento. com a implementação da mistura de 20% de biodiesel ao diesel convencional.726. de acordo com o protocolo de cálculo adotado por GreenhouseGasProtocolInitiative (2004). A contribuição na redução da poluição seria de 27. Do montante total do consumo de 50. Jatrophacurcas L. em 2005. e . para substituir 10% do diesel fóssil. . CENÁRIOS DE REDUÇÃO DA POLUIÇÃO COM USO DE BIODIESEL Tendo em vista.856 ton CO2 a menos. a Samarco e Aracruz Celulose geraram de 139.498 69.44 m3 de óleo diesel. seria necessário o cultivo de aproximadamente 3. representaria o uso de apenas 2.785 -69.monóxido de carbono: 29%. B30 e B50 Combustível B0 Óleo Diesel B10 Biodiesel 10% B20 Biodiesel 20% B30 Biodiesel 30% B50 Biodiesel 50% 1 Emissão total (ton CO2 ano-1) 139. essas empresas reduziriam a emissão dos gases nas seguintes proporções: .. com as misturas B10.índice de fumaça: 63%. para as empresas Samarco e Aracruz Celulose no ano base de 2005.642 Protocolo de cálculo adotado por GreenhouseGasProtocolInitiative. como cultura de biomassa e com produtividade considerada de 1.355 111.928 -27. com a implementação do uso do biodiesel. à mistura de 30%. a redução da poluição seria de 41.426 97. para o consumo dessas duas empresas. 8. 2004. Dentro do Estado do Espírito Santo.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável .

produzidos em 144. o aumento de renda do produtor rural.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Para metas mais arrojadas. com 39. se toda a área produtiva não utilizada fosse convertida em áreas de cultivo de biomassa. são visíveis e prevalece em algumas situações ate os dias de hoje. o aproveitamento de terras degradadas.838 ha. que ocupam parcela substancial na área do Estado. de substituir 50% do diesel fóssil consumidos pelas duas empresas. Outrossim. O uso dessa área no Estado do Espírito Santo ocuparia aproximadamente 11% da área produtiva não utilizada. A produção de energia. com a cultura do pinhão-manso. abasteceria 31% de toda a demanda de óleo diesel no Estado do Espírito Santo. Assim. 53 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos . a redução da poluição do ar e. finalmente. seriam necessários 15. com reflexos diretos na atividade econômica das propriedades. a implementação do biodiesel favorece a fixação do homem no campo. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso inadequado dos recursos da terra e a inobservância das leis vigentes ao longo de várias décadas. Outra grande fatia de produção de biomassa seria o melhor aproveitamento de áreas com pastagens degradadas. A ausência de um plano de ordenamento territorial fundamentado para o desenvolvimento sustentável tem contribuído para a manutenção do atual estágio socioeconômico e biofísico.960 ha.4% de ocupação. passando por diversas gerações. então. garantir que as gerações futuras possam usufruir melhor dos recursos naturais. aproximadamente. de cultivo em pinhão manso com finalidade energética.148 m3 de biodiesel. 9. com consequências danosas ao equilíbrio ambiental e ao ecossistema local. representaria uma oferta de 230. convergindo para um status de descapitalização no meio rural e indução do êxodo para as cidades. no ano de 2005.

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Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais Capítulo 4 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais MayconPatricio de Hollanda Wesley Augusto Campanharo Roberto Avelino Cecílo 57 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos .

Uma das formas de se operacionalizar esta tarefa é a realização do manejo integrado de bacias hidrográficas (MIBH). monitoramento e gestão ambiental. biofísico e das formas de desenvolvimento sustentáveis. juntamente com a observância de suas interações. extrapolando-se a ideia técnica e polarizada do termo. são áreas estratégicas para o alcance do Desenvolvimento Sustentável. econômico. o incentivo à capacitação e extensão para melhorar a produção. ou 58 A Sustentabilidade Ambiental com o Biodiesel: Perspectivas e Impactos .Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. implementação e avaliação de planos de manejo com baixas inversões. A bacia hidrográfica como unidade geográfica é ideal para se caracterizar. destacando-se sua essencialidade como assim dependência das necessidades humanas frente aos seus diversos usos. Assim. o desenvolvimento de programas informativos sobre educação ambiental. a elaboração. De uma forma ampla. diagnosticar. INTRODUÇÃO A conservação dos recursos naturais. drenadas por um rio e seus afluentes. organização do espaço regional. onde as águas pluviais. e a criação de condições para que os agricultores possam dar continuidade aos projetos. faz-se importante o conhecimento de fatores sócio-culturais e o envolvimento da comunidade no processo. ações sócio-políticas. A partir desta compreensão integrada. demográfico. os estudos relacionados ao planejamento das atividades antrópicas e o uso dos recursos naturais. 2. avaliar e planejar o uso dos recursos. devendo-se observar a valorização das praticas tradicionais de produção sustentável. 1995). Tais unidades devem ser analisadas dentro de uma perspectiva múltipla e diversificada.1 Conceitos Bacia hidrográfica segundo Barrella (2001) é definida como um conjunto de terras delimitadas por divisores de água nas regiões mais altas do relevo. ou escoam superficialmente formando os riachos e rios. falham por trabalharem de forma separada as questões sócio-econômicas dos aspectos ambientais. Uma das formas de se reverter esta situação é a realização de ações de manejo envolvendo de forma integrada os estudos referentes às inter-relações dos subsistemas social. uma abordagem sobre Bacias Hidrográficas se insere nos princípios do Desenvolvimento Sustentável. proteção ambiental. Isso ocorre pela falta de conhecimento das dinâmicas ambiental e sócio-econômica e do conflito que possa existir entre as metas de desenvolvimento socioeconômico e a capacidade suporte dos ecossistemas (PIRES & SANTOS. baseados em modelos clássicos. aplicadas em nível local ou regional. BACIA HIDROGRÁFICA: CONCEITOS E FUNDAMENTOS 2.

Figura 1 .Atualidades em Desenvolvimento Sustentável infiltram no solo para formação de nascentes e do lençol freático. geologia. os sistemas físicos. b) Físico: integrado pelo solo. recursos hídricos e clima (temperatura. a agricultura e a pecuária. Adicionalmente. radiação. na qual este desenvolve suas atividades econômicas e sociais gerando diferentes efeitos favoráveis e desfavoráveis. a exploração de recursos 59 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . sub-solo. 2002. destaca. 2002).Ilustração de uma bacia hidrográfica mostrando os divisores de água. c) Econômico: integrado por todas as atividades produtivas que realiza o homem envolvendo.. a água. as sub-bacias e a drenagem principal. os sistemas bióticos (flora e fauna). Esse conjunto forma um sistema que envolve quatro subsistemas: a) Biológico: constituído pela flora e pela fauna existentes. evaporação. em muitos casos. No território compreendido entre os divisores de água (locais mais elevados que conformam os limites topográficos externos da bacia) e o exutório (local no curso de água principal para onde flui toda a água precipitada sobre a bacia hidrográfica) coexistem de forma interdependente e interagem. entre outros). tal que toda vazão efluente seja descarregada por uma simples saída (Figura 1). complementarmente. em um processo permanente e dinâmico. além do sistema sócio-econômico (população em geral e usuários dos recursos naturais) ali existentes. os cursos de água servem como elementos de comunicação entre os habitantes da bacia e. desta com o exterior da mesma (adaptado de DOUROJEANNI. dentre outros. Fonte: ANA. Nele encontram-se os recursos naturais e a infra-estrutura criada pelo homem. et al. Word Vision (2004). que este é um espaço tridimensional que integra as interações entre a cobertura do terreno. as profundidades do solo e o entorno das linhas divisórias das águas. ao definir bacia hidrográfica de forma semelhante ao acima citado.

a indústria e agroindústria. (FAO. energia. 1991 citado por LIMA. 1994. sendo fundamentais para o abastecimento dos lençóis freáticos. saúde. d) Social: composto pelos elementos demográficos. fatalmente. estas áreas podem ser constituídas pelos topos de morros e chapadas. propriedade de terras. a vida silvestre. onde a água.2 Divisões da paisagem As bacias hidrográficas compõem ecossistemas adequados para avaliação dos impactos causados pela atividade antrópica que podem acarretar riscos ao equilíbrio e à manutenção da quantidade e a qualidade da água. uma vez que estas variáveis são relacionadas com o uso do solo (FERNANDES & SILVA. as fibras. Estas áreas devem. e. como se segue: Zonas de recarga: As zonas de recarga são normalmente áreas com solos profundos e permeáveis. uma vez que as mesmas exercem uma grande influência sobre a redistribuição as água da chuva. De acordo com Souza & Fernandes (2000) a paisagem de uma bacia hidrográfica pode ser dividida em zonas hidrogeodinâmicas. cidades. Dentro desta ótica. 2008). à contaminação do lençol freático carreados pelas águas que infiltram no solo. políticos e legal. BARUQUI & FERNANDES. Zonas de erosão: As zonas de erosão se encontram imediatamente abaixo das áreas de recarga. a infra-estrutura de apoio e serviços (estradas. educação. 1995). institucionais.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável naturais. culturais. ser mantidas sob vegetação nativa. ou bacia de drenagem quando atua como uma área que está sendo drenada pelos cursos d‟água (SILVA. onde se distribuem as vertentes em declives e comprimentos de rampas favoráveis a processos erosivos 60 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . os alimentos. A bacia hidrográfica é também denominada de bacia de captação quando atua como coletora das águas pluviais. habitação. Se estas áreas forem utilizadas e ocupadas com atividades agropecuárias. dentro do possível. com relevo suave. a recreação e outros componentes ambientais podem ser produzidos para atender às necessidades da crescente população mundial. as pastagens. 2. Esses elementos variam de acordo com a dimensão da bacia e sua localização geográfica. dentre outros). O uso indiscriminado de agroquímicos pode levar. a bacia hidrográfica tem que ser considerada como unidade fundamental para o planejamento do uso e conservação de recursos múltiplos. assentamentos. a madeira. 1985). a função de recarga pode ser prejudicada pela impermeabilização decorrente da compactação dos solos pela mecanização agrícola e pisoteio pelo gado. Nas diferentes bacias hidrográficas. organizacionais.

Podem ser cultivadas com lavouras anuais/perenes e pastagens. visando proteger suas funções hidrológicas. sem destruir ou afetar adversamente o solo e a água. Estas áreas são as principais contribuintes para o carreamento de sedimentos para os cursos d‟água e reservatórios podendo causar assoreamento e elevação da turbidez das águas superficiais. cordões em contorno e outras medidas adequadas a cada situação e condições climáticas. Pelo fato do lençol freático estar muito próximo à superfície neste segmento da paisagem. vulgarmente denominadas várzeas.Existe uma interrelação delicada entre o uso da terra. especialmente para a agricultura familiar. de forma que os comprimentos de rampas sejam seccionados através de faixas vegetativas de retenção. acesso de animais à água. nos períodos de chuva. cuja largura é estabelecida de acordo com a largura do curso d‟água. algumas destas planícies apresentam sérios riscos de inundações que podem inviabilizar a instalação de infra-estruturas e residências bem como a utilização agropecuária. (1991). (2008). 61 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . regularização de vazões e proteção da fauna aquática. são essenciais na busca da sustentabilidade. O que quer que aconteça a um. Zonas de Sedimentações – Várzeas: O segmento mais baixo das bacias hidrográficas são as planícies fluviais. MANEJO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS Segundo Brooks et al. esta estratégia de uso dos recursos naturais implica em dois importantes conceitos. Esta vegetação é de fundamental importância na contenção de sedimentos.. manejo de bacias hidrográficas é definido como o processo de organizar e orientar o uso da terra e de outros recursos naturais numa bacia hidrográfica. a fim de produzir bens e serviços. afetará os outros. que constituem a zona de sedimentação nas bacias hidrográficas. 3. De acordo com Lima. etc. com a finalidade de se reduzir o escoamento superficial e aumentar a infiltração. a saber: 1º.Principalmente nas regiões mais acidentadas estas planícies apresentam considerável aptidão para o uso agropecuário. aplicação de agro-químicos. É neste segmento da paisagem que deve permanecer a vegetação ciliar (mata ciliar). erosão de margens.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável podendo ser acelerados pelo uso impróprio. o solo e a água. Entretanto. terraços. exigem-se cuidados redobrados quanto à instalação de fossas sanitárias. A preservação e restauração destas zonas. desde que sistemas de controle à erosão sejam implantados. Nestas áreas o escoamento superficial tende a predominar sobre o processo de infiltração. ecológicas e geomorfológicas.

recuperação de áreas degradadas. assim como qualquer outra atividade antrópica de alteração da paisagem. a média bacia. proposição de alternativas produtivas em consonância com as aptidões agroclimáticas das bacias hidrográficas e distribuição dos sistemas viários (SOUZA & FERNANDES. rigorosamente.) De acordo com Cecílio et al. os objetivos básicos do manejo de bacias hidrográficas são: (a) tornar compatível a produção com a preservação ambiental. proteção de nascentes. (2007). Os diagnósticos necessários ao manejo de bacias hidrográficas são:a) Diagnóstico físico-conservacionista. etc. 2000) (Figura 2). d) Diagnóstico da vegetação.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 2º. Para tanto. pois integram medidas de saneamento básico e saúde pública. 62 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . e) Diagnóstico da água. e (b) concentrar esforços das diversas instituições presentes nas varias áreas de conhecimento. limite de municípios. O manejo correto de bacias hidrográficas envolve a elaboração de diversos diagnósticos que levantam todos os problemas da bacia. As práticas de manejo integrado de bacias hidrográficas vão além da aplicação de técnicas de manejo e conservação de solos em nível de propriedades rurais isoladas. a localização adequada das explorações e a maneira correta de executá-Ias. f) Diagnóstico da fauna. b) Diagnóstico sócio-econômico. integrando conclusões e recomendações para a recuperação total do meio ambiente (são os prognósticos) (SILVA & RAMOS. a fim de que todas as atividades econômicas dentro da bacia sejam desenvolvidas de forma sustentável e trabalhadas integradamente. identificam os conflitos e indicam as soluções em todos os níveis. eg) Diagnóstico do solo.Existe uma interligação entre as cabeceiras. a baixa bacia e o estuário. critérios para delimitação de reservas florestais/ecológicas. c) Diagnóstico ambiental. 2001). devem ser planejados com base nos limites naturais das bacias hidrográficas e não nos limites políticos (limite de propriedade. esta estratégia implica em que o uso dos recursos naturais. Em outras palavras. é preciso observar.

ao ordenamento do uso/ocupação da paisagem. A Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento ao definir desenvolvimento sustentável como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. 2000). aqui entendido como o uso dos recursos naturais para fins múltiplos e ocupação dos ecossistemas. Em resumo. ser considerado uma proposta concreta para desenvolvimento sustentado. De modo que a proposta para manejo integrado de recursos naturais em nível de bacias hidrográficas refere-se. observadas as aptidões de cada segmento e sua distribuição espacial na respectiva bacia hidrográfica. considerando-se o contexto das bacias hidrográficas. ao crescimento econômico e a equidade social (ESPINOSA. Todas estas medidas são planejadas e implantadas. 63 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . de forma a minimizar impactos negativos e garantir o desenvolvimento sustentado. as medidas de manejo integrado de bacias hidrográficas procura adequar a interveniência antrópica às características biofísicas destas unidades naturais. observados seus respectivos limites de aptidão. 1993). pode desta forma. procurou incorporar a conservação ambiental. correção e mitigação de prováveis impactos ambientais indesejáveis sob o ponto de vista econômico.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A B Figura 1–Práticasde manejo adotadas em uma bacia hidrográfica: figura (A) manejo incorreto e figura (B) manejo correto. atentando para a prevenção. sob gestão integrativa e participativa. social e ecológico (SOUZA & FERNANDES.

monitorar os efeitos da aplicação dessas tecnologias. além de difundir. recuperação de áreas degradadas. no que diz respeito à estrutura e diferentes instâncias institucionais e organizacionais que sustentam o desenvolvimento humano da região onde o mesmo deve acontecer. além de constituir um instrumento coerente para planejamento do uso dos recursos naturais e da ocupação do espaço geográfico. (f) capacidade operacional das estações de tratamento de água. Para que ocorra um Manejo de forma sustentável. 1994). estender a capacitação para assistentes técnicos atuantes nas regiões do entorno. planos diretores municipais e de grandes/médias bacias hidrográficas. (j) erosão do solo e assoreamento de material carreado. compostos químicos. implementar essas tecnologias em bacias hidrográficas de referência. escasso. Nitratos. (k) usos indiscriminados de nutrientes e defensivos agrícolas. tanto rural quanto urbano. Dessa forma. em fundamentos e tecnologias associadas a processos de saneamento do espaço rural. etc. da natureza dos processos de degradação ambiental instalados e o grau de comprometimento da produção sustentada existente (FERNANDES & SILVA. Através do manejo de bacias hidrográficas. as tecnologias preconizadas e os benefícios promovidos pelos processos de saneamento do espaço rural. (h) lançamento in natura dos esgotos domésticos e efluentes líquidos industriais. (i) disposição inadequada dos lixos urbanos. único. essencial à vida. (b) comportamento de caudais em períodos de estiagem. (d) contaminação por organismos patogênicos.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A subdivisão de uma bacia hidrográfica de maior ordem em seus componentes (sub-bacias hidrográficas) permite a pontualização de problemas difusos. (2000). no âmbito regional. (e) concentração de metais pesados.. proteção de mananciais para abastecimento público e de reservatórios para geração de energia e perenização de cursos d‟água. e estar distribuída de forma desigual no planeta. tanto no que se refere ao contexto biofísico envolvido. como. APLICAÇÕES DO MANEJO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS Pelo fato da água ser um recurso natural. sobretudo em aspectos relacionados aos estudos de impactos ambientais (EIA/RIMA). carga orgânica (DBO). entre outros. a metodologia de manejo integrado de bacias hidrográficas pode ser aplicada em uma variada gama de atividades inerentes às atividades antrópicas. também. (c) turbidez das águas. torna-se fundamental a capacitação de equipes de assistentes técnicos. Segundo Souza & Fernandes. manejo de bacias hidrográficas abrange diferentes escalas espaciais e temporais. o manejo e a preservação de bacias hidrográficas tornaram-se temas relevantes nos últimos anos. 64 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . planos de controle ambientais. tornando mais fácil a identificação de focos de degradação de recursos naturais. podem ser realizados estudos referentes à: (a) águas subterrâneas. (g) degradação ecológica. 4.

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Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar Capítulo 5 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar Wesley Augusto Campanharo MayconPatricio de Hollanda Roberto Avelino Cecílio 67 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais .

a partir da consolidação da revolução industrial (FIGUEIREDO. Planos de Bacias Hidrográficas. incentivando a participação institucional e dos cidadãos.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. levando à melhoria de uma determinada situação e ao desenvolvimento das sociedades. ao menos. para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis. 2006). por meio de procedimentos e métodos. Com isso. Planos de Manejo. inicialmente com a organização da 68 Manejo de Bacias Hidrográficas e a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais . induzindo a relações mais estreitas entre sociedade e autoridades locais e regionais (SANTOS. o de orientar os instrumentos metodológicos. conforme avançava na Europa o processo de urbanização. este capítulo vem fornecer uma breve explanação sobre o Zoneamento de forma a introduzir todas as formas de utilização deste instrumento de planejamento nas várias linhas de conhecimento. identifique e defina o melhor uso possível dos recursos do meio planejado. bem como ter clareza sobre os objetivos para os quais eles serão dirigidos. Planos Diretores. dentre outros. Este processo é centrado na tomada de decisões. HISTÓRICO Zoneamento vem sendo utilizado desde quando as sociedades foram formadas. Inicialmente o conceito do zoneamento ficou fortemente atrelado à regulação do uso do solo urbano acompanhando a matriz de estudos relativos ao saneamento do meio urbano e à saúde da população que remontam ao século XVIII. e para que isso seja feito de maneira adequada é necessário localizá-los e conhecê-los em quantidade e qualidade. Um importante papel destinado ao planejamento é. Trabalho como Estudo de Impacto Ambiental. Em suma. legislativos e de gestão para o desenvolvimento de atividades em um determinado espaço e tempo. pois os homens sentiram a necessidade de “esquadrinhar” seus territórios para distribuir suas atividades de maneira organizada (DEL PRETTE & MATTEO 2006). 2004). INTRODUÇÃO O planejamento é um processo contínuo que envolve a coleta. o zoneamento passou a ser utilizado de forma mais sistemática. Zoneamentos. Devendo reconhecer minimamente o dinamismo dos sistemas que compõem o meio. bem como o conhecimento dos conflitos decorrentes de sua conservação ou uso. pois é um produto que subsidia a elaboração de normas além de fornecer melhores critérios à gestão do território. ainda. Desta maneira. organização e análises sistematizadas das informações. Sua finalidade é atingir metas específicas no futuro. 2. em determinadas situações. são considerados como instrumentos do planejamento. subsidiadas num diagnostico que. é necessária alguma forma de espacialização dos recursos apresentados pelo diagnóstico. administrativos.

modelos numéricos e estatísticos. (SCHUBART. de 2/3/1894. 69 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . Posteriormente. com variáveis solidamente ligadas. MÉTODOS A realização do zoneamento consiste no levantamento das informações geográficas. 1995 citado por FIGUEIREDO. Cada compartimento é apresentado como uma “área homogênea”. no qual as autoridades locais deverão determinar onde devem ser construídas as fábricas e oficinas. 2006). estendendo-se. 2009). através da criação dos parques e reservas. ou seja. têm-se relatos da utilização dos zoneamentos urbanos no Decreto Estadual 233. a seguir. Becker &Egler (1996) afirmam que atualmente só é possível com o desenvolvimento de técnicas de coleta. que institui o Código Sanitário do Estado de São Paulo. 2004 apud FRITZSONS & CORREA. houve o aparecimento dos zoneamentos setoriais. e assim por diante (DEL PRETTE & MATTEO. com estrutura e funcionamento uniforme. de recursos minerais. equações de regressão e simulações podem prever cenários futuros de zoneamento. No Brasil. de recursos florestais. 1999). Como esta identificação das informações e potencialidades deve ser atualizada permanentemente e em tempo real. de áreas de proteção. considerando mesmo as alterações na temperatura média global e mudanças nas áreas (ASSAD et al. obtida pela avaliação dos atributos mais relevantes e de suas dinâmicas. O enfoque analítico refere-se aos critérios adotados a partir do inventário dos principais temas. para o mundo rural. Antes de tudo. resultando em síntese do conjunto de informações (SANTOS. bem como do ordenamento da agricultura. uma zona (ou unidade de zoneamento) delimitada no espaço. dentro de enfoques analítico e sistêmico. 3. utilizando os mais diversos qualificativos: zoneamentos industriais. enquanto que o enfoque sistêmico refere-se á estrutura proposta para a integração dos temas e aplicação dos critérios.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável distribuição das atividades intra-urbanas. zoneamento é um trabalho interdisciplinar predominantemente qualitativo. tratamento e análise de informações por meio de Sistemas de Informações Geográficas. mas significativa diferença ente ela e os outros compartimentos (SANTOS. Cada unidade possui alto grau de associação dentre si. 4. mas que lança mão do uso de análise quantitativa.. 2004). destinados a organizar atividades específicas. 2006) Atualmente modernas técnicas de zoneamento envolvendo inúmeros cálculos. 2004). que permitem o estabelecimento de relações espaciais entre informações temáticas georreferenciadas. e para onde deverão ser removidas as que são prejudiciais. que por sua vez vão formar um banco de dados geográficos sobre o referido território que deve ser continuamente atualizado (MEDEIROS. CONCEITO Zonear é a compartimentação de uma região em porções territoriais.

acertos e conflitos. fragilidades.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Após levantamento das informações e estruturação de um banco de dados. 2004). esses são espacializados e/ou modelados.297 de julho de 2002. diagnósticos e prognósticos ambientais que servirão de base para o zoneamento e fornecerão os subsídios à gestão do território. assegurando a distribuição adequada dos usos do solo em uma área urbana. Desta forma. O ZEE que tem como objetivo diagnosticar vulnerabilidades e potencialidades naturais e socioeconômicas. inicialmente. bem como fazer o arranjo jurídico-institucional. 2009). suscetibilidades. são produzidas análises. houve o aperfeiçoamento da criação de zonas homogêneas e disseminação do zoneamento em outras áreas do conhecimento. 5.938/1981). expressando as potencialidades. Zoneamento Ambiental É o zoneamento que leva em consideração. vocações.3. com padrões urbanísticos que garantam condições mínimas de habitabilidade e sustentação de necessidades básicas (FAZANO. 5. Zoneamento Urbano O Zoneamento urbano é o instrumento legal que o planejamento urbano tem para a implantação de planos de uso do solo. a seguir serão apresentados alguns tipos de zoneamentos bem como alguns exemplos de zoneamentos peculiares. Zoneamento econômico ecológico (ZEE) É um tipo de zoneamento estabelecido como instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente segundo a Lei 6938 de agosto de 1981 e cujos critérios mínimos são estabelecidos pelo Decreto nº 4. 2001). recuperação e de desenvolvimento com conservação (FRITZONS & CORREA.2. A partir da modelagem dos dados contidos nesse banco de dados geográficos e da combinação adequada (agrupamento em zonas homogêneas) das informações geradas a partir destes dados. É elencado como um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6. prognosticar uso do território e tendências futuras e propor diretrizes de proteção. 5. O resultado do zoneamento pode ser apresentado na forma de mapa. matriz ou índice (SANTOS. apenas o aspecto preservacionista. Tais produtos caracterizam-se por conterem informações integradas do território. 5. TIPOS E EXEMPLOS DE ZONEAMENTO Com o grande desenvolvimento em tecnologias.1. O 70 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . principalmente com o avanço no que se diz respeito aos sistemas de informações geográficas e técnicas de zoneamento.

aumentando a produtividade e mantendo a qualidade da produção. ecológico. em atividades agropecuárias. 5. Zoneamento agroclimático. 71 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . pecuária. pode-se fazer a delimitação da aptidão de áreas sob o aspecto edáfico e juntá-las à climática. (FRITZONS & CORREA.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável termo. 2002). extrativismo. Estas informações permitem a adequação das necessidades socioeconômicas às possibilidades físicas e ecológicas da região. silvicultura. planejamento territorial. Como o solo é o outro componente do meio físico que é mais utilizado na agricultura. para delimitar a vocação agrícola das terras (PEREIRAet al. de forma a se obter zonas que apresentam as potencialidades de suporte do meio físico de acordo com os condicionadores naturais. posteriormente. quais as limitações de uso do solo. uso agrícola direcionado. resultando na ocupação ordenada e sustentável do território (JIMÉNEZRUEDA et al. em função dos modificadores socioeconômicos. 2009) Com estas formas de zoneamento é possível determinar o que e onde será possível plantar. Oharaet al. concluiu que o zoneamento geoambiental mostrou-se bastante adequado para os diversos planejadores que buscam subsídios técnicos para a definição e prioridades nos estudos de obras de engenharia. Zoneamento agroecológico envolve o estudo do uso do solo para a agricultura. 2009). cobertura vegetal e uso das terras. o que pode ser feito para combater esses problemas. com a prerrogativa de englobar as questões social e econômica à ambiental (FRITZONS & CORREA. facilitando o rendimento da mão-de-obra (FRITZONS &CORREA. (2003) em um zoneamento geoambiental para determinar a aptidão física da implantação de obras viárias na região do Alto-médio Rio Paraíba do Sul (São Paulo).5. e potencial social para diferentes atividades. formando o zoneamento edafoclimático ou ecológico das culturas. O denominado zoneamento agrícola envolve o zoneamento ecológico e o levantamento das condições socioeconômicas das regiões. agrícola e agroecológico A determinação da aptidão climática de áreas para o cultivo de espécies de interesse agrícola é a base do zoneamento agroclimático. 5.4. sustentabilidade à erosão. quais as causas da poluição ambiental e da erosão do solo. a partir da elaboração de mapas com informações sobre caracterização climática. conservação e preservação ambiental. recursos hídricos. 2009). solos. e como reduzir os gastos com insumos agrícolas. evolui para Zoneamento Ecológico-Econômico. 1995). dentre outras aplicações relacionadas com o meio físico. aptidão agrícola. potencial para uso de máquinas. proteção ambiental. Zoneamento Geoambiental É um tipo de zoneamento voltado para os elementos e aspectos naturais do meio físico e biótico.

7. 72 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar .Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 5.. Mato Grosso do Sul e Ceará (ALIB. Buriolet al. Pará. sendo o segundo atlas linguístico elaborado no Brasil. houve a grande melhoria nos serviços de Saúde Pública (CARVALHO et al. o Esboço de um atlas linguístico de Minas Gerais (EALMG) teve seu primeiro volume publicado em 1977. os princípios de um verdadeiro zoneamento não têm condições de serem aplicados a todo e qualquer tipo de região geográfica e social. e com isso. Segundo a ALiB (Projeto Atlas Linguístico do Brasil) a realização desses atlas se deu. José Ribeiro. 6. 2010). requer uma multidisciplinaridade plena. quando aplicável a uma determinada área ou espaço. concluindo que para o completo desenvolvimento da larva só será possível em ambientes protegidos. 5. Desta maneira. no estado do Rio Grande do Sul. pelo fato de pretender identificar as potencialidades especificas ou preferenciais de cada um dos subespaços ou subáreas do território em estudo (AB‟SABER. Sergipe. Tendo como autores os professores Mário Roberto LobuglioZágari. 1989).6. porém vem sendo aplicado mais intensamente nos últimos anos devido ao advento de Sistemas de Informação Geográficas. Minas Gerais. Paraíba. Paraná. Sua aplicação ou utilização em relação a um determinado espaço geográfico exige método. como consequência das dificuldades para elaboração de um atlas nacional em um país de extensão territorial tão grande quanto o Brasil. e revelou que o Estado possui condições hídricas de desenvolvimento favorável ao desenvolvimento da larva do mosquito transmissor ao longo dos doze meses do ano em todo o território. Não existe qualquer possibilidade de dar à questão um tratamento empírico ou endereçar a ela uma abordagem linear e epidérmica. 2000). porém em todo o ano a probabilidade de ocorrerem temperaturas mínimas consideradas letais para a larva são altas. reflexão e estratégias próprias. José Passio e Antônio Gaio. inicialmente. Atualmente existem atlas linguísticos para a Bahia. o falar paulista no sul-sudeste e o falar mineiro no centro-leste. Zoneamento Linguístico O Brasil conta hoje com uma diversidade de atlas linguísticos regionais publicados. CONSIDERAÇÕES Zoneamento exige uma série de entendimentos prévios. Por sua vez. Zoneamentos na área da saúde A utilização de mapas e a preocupação com a distribuição geográfica de diversas doenças é bem antiga. (2009) promoveu o zoneamento climático para o desenvolvimento da larva do mosquito transmissor do vírus da dengue. Os resultados do atlas apontam para a confirmação da existência de três falares distintos no território mineiro: o falar baiano ao norte.

precipitação. e para obtenção de cada parâmetro deste existe um tipo de erro. pois os dados são transformados e classificados em áreas mais ou menos adequadas para uma finalidade. relevo. pois como o resultado é oriundo através da sobreposição de outras informações a fim de se obter zonas homogêneas. como por exemplo. e especificamente os Zoneamentos obtiveram novas possibilidades de Análises Espaciais dos critérios utilizados para a delimitação das zonas (PAULA & SOUZA. Dependendo da metodologia aplicada á geração de dados espaciais e determinações de zonas homogêneas são inferidas mudanças abruptas nos limites entre superfícies contínuas de características primárias (como por exemplo: temperatura. enquanto o planejamento estabelece diretrizes e metas a serem alcançadas dentro de um cenário temporal para esses espaços desenhados. o 73 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . Cabe ressaltar que ao se utilizar escalas diferentes podem ocorrer deslocamentos de informações entre uma característica e outras. Desta maneira. onde em escalas com menor nível de detalhamento (escalas pequenas. Ex: 1:200.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Para tentar amenizar possíveis erros ou dificuldades encontradas em zoneamentos. o especialista que finaliza o trabalho no zoneamento não realizou um planejamento(SANTOS. há todo um trabalho adiante de definição de diretrizes. dos dados para geração das zonas. O erro conceitual é quando um zoneamento no qual determinadas zonas são demarcadas por uma única atividade ou processo dominante e não pela integração de dados comuns a todas as zonas. Assim. erros metodológicos. a seguir será descrito alguns tipos de erros que didaticamente foram divididos em: erros conceituais. 2007). e não uma mudança brusca como quando utiliza lógica Booleana. alguns autores afirmam que ao utilizar a lógica Fuzzy. percebe-se uma mudança gradual de uma característica para outra. Em suma. O zoneamento é uma estratégia metodológica que representa uma etapa do planejamento. 2004). Outro erro conceitual é adotar como sinônimos planejamento e zoneamento. criando-se áreas ambíguas. até a metodologia empregada deve ser criteriosamente observada de acordo com o objetivo do zoneamento. quando existe diferenciação entre relevo suave e íngreme. programas. Sem integração. deste o processo de escolha do componente SIG. estas áreas ambíguas não são criadas. o resultado não é representativo do meio. Quando o zoneamento está finalizado. entre outros). erros inerentes ao processo. participação pública consenso entre cenários e definição de premissas gerenciais. Deve ser lembrado que no próprio processo de zoneamento existe o erro inerente a este instrumento. O avanço técnico-científico do Geoprocessamento e dos Sistemas de Informações Geográficas-SIG permitiu a avaliação de situações ambientais com uma precisão adequada e com economia apreciável do esforço humano na coleta e reorganização dos dados. Outro erro bem comum quando se trabalha com dados espacializados é a questão da escala de trabalho.000) os dados de características pontuais não serão significativos dentro do seu zoneamento.

74 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . ou então o planejador tenta afunilar ao máximo o nível de informações que acabará não obtendo resultados significativos tornando o projeto de zonear muito trabalhoso. Assim cabe o planejador verificar a confiabilidade do resultado final obtido.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável resultado obtido no final do processo terá um erro embutido.

297. da Lei no 6.2. 2009. São Carlos: UFSCar. ESTEFANEL. PINA. Diário Oficial da União.. Lei nº 4. Regulamenta o art. Origens e possibilidades do zoneamento ecológicoeconômico no Brasil.24-36. de 31 de agosto de 1981. e dá outras providências.bairro Cidade Aracy. e dá outras providências. Revista eletrônica de Comunicação Informação e Inovação em Saúde. Zoneamento ecológico e econômico da Amazônia: Questões de escala e método. 1981. M.G. A. DEL PRETTE.5. A. 2 set.ZEE. 1989. de 31 de agosto de 1981. GRACIOLI.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 7.C. B. E.. Lei nº. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AB‟SABER. DF. B. Ministério do Meio Ambiente. F. Proposta de zoneamento ambiental estudo de caso . v. FRITZSONS. S.3. Colômbo. Brasília.. BURIOL. CCETCentro de Ciências Exatas e de Tecnologia. BECKER. 6. M.Econômico do Brasil . Brasília. Mestrado (Engenharia Urbana)-UFSCAR. 11 jul.S. São Carlos. Documentos Embrapa Floresta.. CHAGAS.938. 75 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar .. 2000. D.938.Conceitos básicos de Sistemas de Informação Geográfica e Cartografia aplicados à saúde. Rio de Janeiro. 2001. Zoneamento climático das condições para o desenvolvimento da larva do mosquito transmissor do vírus da dengue no Estado do Rio Grande do Sul. inciso II. SANTOS. 1996. Caderno de Referência Subsídio ao Debate. 2009. p. FANTINELI. Brasília. BRASIL. 164 p. G. O Zoneamento ecológico-econômico como instrumento de gestão territorial. seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. G.. FAZANO. E. n. C. MATTEO. Estudos Avançados. 2001. C.. estabelecendo critérios para o Zoneamento Ecológico. DF. A. SAE-Secretaria de Assuntos Estratégicos/ MMA-Ministério do Meio Ambiente. V.. C. CARVALHO. S. K.EGLER. 9o. M.3. Brasília. A. BRASIL. 2002. Detalhamento da Metodologia para Execução do Zoneamento Ecológico-Econômico pelos Estados da Amazônia Legal. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. de 10 de julho de 2002. A. Diário Oficial da União. São Paulo. SP. v. A. M. Brasília: OPAS. ECiv. A. 2006. P. n. K. CORREA..

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Cooperativismo e Comércio Justo: Um Estudo Sobre a Experiência da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região do Caparaó-ES WeritonAzevedo Soroldoni Sônia Maria Dalcomuni Jane Corrêa Alves Mendonça 77 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar .Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Sustentabilidade. Cooperativismo e Comércio Justo: Um Estudo Sobre a Experiência da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região do Caparaó-ES Capítulo 6 Sustentabilidade.

fome. Atualmente. se convive com as consequências da busca desenfreada por riqueza e progresso desta sociedade que cresceu. é nas organizações que ações em prol do desenvolvimento sustentável devem acontecer. que é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades (ALBUQUERQUE. As discussões se aprofundam quando em 1987 é publicado pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento o documento intitulado “Nosso Futuro Comum”. Neste contexto inserem-se as organizações cooperativas que atuam no Fair Trade. desemprego. dentre outros. aquecimento global. contribui para mudanças na cultura desenvolvimentista e possibilitam a inserção de cooperativas. muitos são os questionamentos e discussões acerca da forma pela qual a sociedade tem buscado e qual desenvolvimento tem alcançado. Considerando-se que desenvolvimento sustentável implica um processo em que fatores sociais. 2009). os problemas sociais e ambientais também foram se agravando. estejam inter-relacionando-se de forma equilibrada. INTRODUÇÃO Ao longo dos séculos a sociedade alcançou avanços tecnológicos incontentáveis. Essa internalização do desenvolvimento sustentável pelas organizações como fator de mudanças internas e. dentre outros. culturais. cujas atividades são guiadas por valores e princípios. onde se expressa o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Neste contexto. 78 Zoneamento: Ferramenta Multidisciplinar . oriundos do cooperativismo. violência. políticos e econômicos. poluição. Porém. fato que proporcionou também benefícios diversos aos seres humanos. ecológicos. externas. percebe-se que neste processo de transformação os indivíduos têm um papel fundamental. produzindo e consumindo sem pensar muito nas possíveis implicações deste caminho. são alguns dos problemas em termos sociais e ambientais observados hoje como resultados do crescimento guiado essencialmente por interesses econômicos. Porém.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. que buscam o equilíbrio entre o social e o econômico nesse processo transformador. Este fato explicita de forma clara um alerta global para a necessidade urgente de alterar o desenvolvimento econômico em direção à sustentabilidade. ou ainda “Relatório de Brundtland”. para que os reflexos de suas ações sejam ampliados atingindo a sociedade como um todo. O êxodo rural. posteriormente. ao longo dos últimos anos.

Cooperativismo e Comércio Justo . por caracterizar-se num modelo essencialmente excludente e concentrador. transparência quanto à composição de preço e sustentabilidade do pequeno produtor.. Neste contexto. desenvolvimento sustentável. 2009). ambientais. inserindo-o nos temas: comércio internacional. 2008) sugere que o Fair Trade pode ser estudado sob o prisma teórico de várias matrizes. sul do estado do Espírito Santo. pela aplicação dos direitos sociais. geração de empregos e manutenção de sistemas produtivos mais sustentáveis. R. através de parcerias comerciais sólidas. No Brasil. pode-se afirmar ainda que o Fair Trade constitui-se num modelo de relação entre produtor e consumidor mais profunda do que uma relação apenas mercadológica. tem enfrentado dificuldades na produção e inserção de seus produtos no mercado. ético e solidárioabrangendo formas alternativas de comércio que objetivam a promoção regional dentro do país (DALCOMUNI. busca alternativas a manutenção e sustentabilidade de produtores familiares e de suas atividades produtivas nos municípios de Iúna e Irupi. F. Isso é possível. que se apresenta. Envolve consciência quanto à forma de produção. portanto. política pública. Nesse sentido. ao agravamento das condições da sustentabilidade ambiental. Inserida neste contexto. inseridos na microrregião do Caparaó Capixaba. No Brasil. o que lhes garante preço justo pelo produto e. ocupação e organização do espaço por meio do trabalho do homem. movimento social e cidadania. observa-se que a agricultura familiar. tornando-o acessível e justo. o modelo tradicional de monocultura e a grande exploração conduziram. seja pelo reduzido tamanho do negócio ou por fatores associados ao processo de internacionalização das economias. por 79 Sustentabilidade. pautadas no diálogo. de et al. O Fair Trade é alicerçado numa parceria comercial que valoriza os produtores marginalizados do processo comercial internacional. apesar de inegável contribuição e importância para a segurança alimentar. principalmente. o Fair Trade é conhecido como comércio justo. Em contraponto. principalmente o familiar (DALCOMUNI. a Cooperativa de Agricultores Familiares da Região do Caparaó (COOAFACI). econômicos e culturais. Num esforço conjunto os cooperados comercializam sua produção de café através do Fair Trade. essencial como instrumento para o desenvolvimento sustentável. em decorrência da degradação dos ecossistemas e do agravamento dos problemas sociais no campo. 2009). o que contribui ao desenvolvimento sustentável das atividades desenvolvidas pelos produtores que utilizam esta estratégia comercial. a cooperação e utilização de formas alternativas de comercialização por esses produtores tem se mostrado importantes na manutenção dessa forma de organização produtiva – a familiar. transparência e respeito. dentre outros. Neste trabalho o tema desenvolvimento sustentável norteou a utilização teórica do Fair Trade. forma de cooperação internacional.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Almeida (apud OLIVEIRA.

econômica. buscou-se analisar a COOAFACI. além desta introdução. além das informações obtidas de fonte primária através de entrevista estruturada aplicada ao presidente da COOAFACI e dados secundários advindos da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. além de elencar os benefícios e entraves ao comércio justo para a COOFACI e seus cooperados. Considerações acerca da construção dos problemas ambientais 80 Sustentabilidade.2. No capítulo seguinte. Portanto.uma vez que os mesmos encontravam-se comprometidos com o processo de colheita do café. cultural e ambiental das propriedades rurais familiares que derivam. considerando os principais aspectos teórico-conceituais quanto ao desenvolvimento sustentável. Na sequência. por fim. são apresentadas as considerações finais.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável conseqüência e exigências desse mercado. O Fair Trade ou comércio justo como alternativa a comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar. como é realizado pela COOAFACI. agricultura familiar. este trabalho está dividido em cinco partes. referências e apêndice. tem atuado e contribuído ao desenvolvimento sustentável. Pretendiase efetuar a aplicação de questionário junto aos produtores familiares cooperados a COOAFACI. se destaca alguns aspectos também teórico-conceituais sobre o comércio justo. a contribuição de todos para o desenvolvimento sustentável da região. AGRICULTURA FAMILIAR COOPERATIVISMO E FAIR TRADE: ASPECTOS TEÓRICOS-CONCEITUAIS. não se obteve sucesso nas respostas. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. não apenas sobre o aspecto mercadológico. Assim. breve descrição da experiência da COOAFACI no comércio justo e. Cooperativismo e Comércio Justo . se apresenta como uma importante possibilidade de ligação entre o consumidor e produtor. transparência na composição do preço e sustentabilidade do pequeno produtor. Para responder tal questionamento. posteriormente. considerando sua inserção no Fair Trade ou comércio justo. Para se alcançar os objetivos propostos o presente trabalho alicerçou-se na revisão bibliográfica sobre os temas centrais abordados acima. No primeiro capítulo apresentam-se os principais aportes teórico-conceituais que subsidiaram o desenvolvimento do trabalho. O Fair Trade exige da cooperativa e seus cooperados diversos atributos que garantem a permanência e acesso ao mercado externo para seus produtos e somam-se como certeza ao consumidor de que está adquirindo um produto isento de contribuição a insustentabilidade social. no atual contexto do paradigma da sustentabilidade. é exposto um breve panorama da agricultura familiar e produção cafeeira no Espírito Santo e. questiona-se como uma organização cooperativa. entretanto. mas envolvendo conscientização dos meios de produção. cooperativismo e Fair Trade. 2. 2.

se espalhou e dominou o cenário durante os séculos XIX e XX.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Dentre as espécies animais existentes. 3). se deu sempre à revelia e com a modificação do ambiente antural. estes pacotes começam a ser utilizados nos anos de 1960 e 1970 com a prioridade do subsídio de créditos agrícolas para estimular à grande produção agrícola. A produção de alimentos em abundância permite um grande incremento da população e por consequência maior ocupação dos espaços em detrimento do ambiente natural. A política de crédito rural subsidiada. 2009. característica que só foi possível porque o homem sempre criou no seu entorno um meio ambiente próprio. Os fatores acima foram agravados no espaço rural. devido à urbanização acelerada. herbicidas e fertilizantes químicos. consumo excessivo de recursos naturais. por exemplo). o homem é a que apresenta maior capacidade de adaptação ao meio natural. entre outros (DIAS. Ao produzir seu próprio alimento o homem depara-se com o excedente de alimentos. esse processo de intensificação da capacidade humana de intervir no ambiente natural foi se desenvolvendo de forma gradativa e cumulativa.000 e 10. e desflorestamento. Ao estabelecer a criação de um meio artificial para o cultivo de plantas e gado – surgimento da agricultura-. o homem além de estabelecer uma relação de propriedade privada com o ambiente tem-se o início de um processo de transformação da relação homem-natureza. A construção de um espaço próprio de vivência. do solo. inerente à revolução e largamente utilizada. agroindustrial. diferente do natural. contaminação do ar. quando a produção industrial adquiriu a forma dos pacotes tecnológicos da Revolução Verde. sendo que alguns não renováveis (petróleo e carvão mineral. No século XVIII. das águas. Até que há aproximadamente entre 8. Durante milhares de anos. vilas. 6). No Brasil. aparentemente. provocando profundas alterações no meio ambiente natural. induziu a adoção de um padrão 81 Sustentabilidade. fato que propiciou a diversificação das funções existentes e a concentração humana em locais específicos – aldeias. as empresas de maquinários e de insumos industriais para uso agrícola – como tratores. p. e principalmente a ocupação dos espaços naturais. Cooperativismo e Comércio Justo . p.000 anos houve uma primeira grande revolução científico-tecnológica que provocou enormes impactos no ambiente natural devido ao aumento da capacidade produtiva humana (DIAS. 2009. A industrialização trouxe vários problemas ambientais. mas durante muito tempo as modificações provocadas. a Revolução Industrial – inicialmente surgida na Inglaterra-. não foram significativas se comparadas às dos dias atuais. como: alta concentração populacional. cresceu a necessidade de atendimento dessa população. cidades-.

Com significativo número de representantes de países e organizações não governamentais. SEIFFERT. a publicação do relatório intitulado “Os Limites do Crescimento” pelo Clube de Roma. conduziriam a escassez desses recursos e elevaria a níveis perigosos a contaminação do ambiente. ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo. também denominada Cúpula da Terra. DIAS. 2009). social e ambiental (SACHS. assim expresso: É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades (BRUNACCI & PHILIP Jr. As discussões mundiais acerca dos problemas ambientais se seguiram. o documento intitulado “Nosso Futuro Comum”. a Agenda 21. também conhecido como Relatório de Brundtland – homenagem a primeira ministra da Noruega e presidente da comissão. num prazo de 100 anos. a exaustão de solos. Cooperativismo e Comércio Justo .1. DIAS &FREIRE.culminou. Somam-se ainda como problemas causados pela Revolução Verde no Brasil: o desmatamento. 2009). GroHarlemBrundtland . em 1987.1. 2005. Para tanto. 2001). DALCOMUNI. a cidade do Rio de Janeiro. aponta que a definição de Agricultura e Desenvolvimento Rural Sustentável resultou de uma reunião da FoodandAgricultureOrganization(FAO) em 1991 em DenBosh. a poluição das águas e os problemas de saúde dos trabalhadores rurais (BATALHA. deixava claro que inalterado o ritmo de crescimento populacional as projeções para os níveis de poluição e utilização dos recursos naturais. DIAS. 2009. DIAS. onde se estabeleceu o desenvolvimento sustentável como uma das metas a serem alcançadas por governos e sociedade mundial. Suécia. um dos documentos resultantes dessa Conferência. e no contexto deste trabalho. a Organização das Nações Unidas (ONU). 2. Nesse mesmo ano. nas suas premissas econômica. 2002. Não obstante. Em 1992. estabeleceram-se as primeiras discussões quanto ao conceito de desenvolvimento sustentável (DALCOMUNI. em 1972. Resultado de três anos de trabalho da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 2009). 2005. constitui-se a ferramenta mais abrangente para que se obtenha o desenvolvimento sustentável. ou ainda Eco-92. até então. 2005.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável tecnológico que veio acompanhado de degradação ambiental e ruptura social. recebeu 179 representantes de países para Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD). O documento definia Desenvolvimento Agrícola Sustentado como: 82 Sustentabilidade. 2004. O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO NOVO PARADIGMA Elaborado por Dennis Meadows. com a conceituação do termo desenvolvimento sustentável.

p. atualmente isso significa: advogar um novo estilo de desenvolvimento que seja ambientalmente sustentável no acesso e no uso dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade. culturalmente sustentável na conservação do sistema de valores. integraçãoe equilíbrio entre as cinco dimensões de sustentabilidade ou pressupostos básicos. politicamente sustentável ao aprofundar a democracia e garantir o acesso e a participação de todos nas decisões de ordem pública. 156). da água e dos recursos genéticos animais e vegetais. que será alcançado através da ampliação. as discussões recentes trazem um amadurecimento do conceito de desenvolvimento sustentável. na pesca) resulta na conservação do solo. ser tecnicamente apropriado. Notadamente. Essas dimensões são apontadas por Sachs (apud SEIFFERT. apesar de sua evolução e sua reatualização permanentes. socialmente sustentável na redução da pobreza e das desigualdades sociais e promotor da justiça e da eqüidade. 3. cultural e geográfica ou espacial. Este novo estilo de desenvolvimento tem por norte uma nova ética do desenvolvimento. social.277). econômica. p. ZYLBERSZTAJN.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável o manejo e a conservação da base de recursos naturais. de maneira a assegurar a obtenção e a satisfação contínua das necessidades humanas para as gerações presentes e futuras. ética na qual os objetivos econômicos do progresso estão subordinados às leis de funcionamento dos sistemas naturais e os critérios de respeito à dignidade humana e de melhoria da qualidade de vida das pessoas (GUIMARÃES apud BRUNACCI. e a orientação da mudança tecnológica e institucional. Assim. 2009.28) como: ecológico. na exploração florestal. A inter-relação e interdependência desses pressupostos são essências ao desenvolvimento sustentável e. Tal desenvolvimento sustentável (na agricultura. PHILIP Jr. p. 83 Sustentabilidade. Cooperativismo e Comércio Justo . determinam a integração nacional através dos tempos. portanto. AGRICULTURA FAMILIAR: DA INCLUSÃO SOCIAL E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA ATIVIADADE PRODUTIVA A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E PRODUÇÃOD E ALIMENTOS. além de não degradar o ambiente. economicamente viável e socialmente aceito (FAO apud NEVES. 2000. 2005. Após décadas de discussões a ações objetivando a prática do desenvolvimento sustentável frente à realidade das incertezas ambientais. práticas e símbolos de identidade que. por exemplo. tem-se ainda que reafirmar que o processo de desenvolvimento deve ater-se ao homem como centro e razão para mesmo e não a economia. melhor compreendê-los torna-se fundamental para sua prática.

por conseguinte a substituição de termos obedece. de pequena extensão territorial e produção. como o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e na criação do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário). WILKINSON. em parte. político-econômicos e sócio-culturais. ou seja. Contudo. 2005 e BATALHA. a utilização do trabalho assalariado em caráter complementar e a tomada de decisões imediatas. 200. A evolução conceitual e. nota-se. a direção do processo produtivo conduzido pelos proprietários. além de ações mais efetivas nas políticas de Reforma Agrária. 2001. ou pequenas propriedades que apresentam aspectos sustentáveis e inovadores. 2005). compõem de forma determinante um cenário diversificado sobre a agricultura brasileira. torna-se importante destacar a divulgação do estudo realizado no âmbito de um convênio de cooperação técnica entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). de forma democrática. nesse caso a agricultura familiar (BATALHA. em sua maioria. que por sinal obedeceram. Caracterizando-a assim. Interesses que resultaram em políticas públicas. mas está fundamentada também em formulações conceituais desenvolvidas pela comunidade acadêmica nacional e apoiada em modelos de interpretação de agências multilaterais. agricultor familiar. onde se pode encontrar desde propriedades patronais. às reivindicações das organizações de trabalhadores rurais e à pressão dos movimentos sociais organizados. são diversas as terminologias empregadas para se referir ao mesmo sujeito: camponês. ou ainda minifúndios com condições de pobreza mais tênue capacidade de gestão e produtividade. para fins de delimitação conceitual. até médias e pequenas propriedades. com grande extensão territorial e produção em grande escala. um crescente interesse pela agricultura familiar no Brasil. como a FAO.2000). apesar da existência de parâmetros estabelecidos. pequeno produtor. a ênfase na diversificação produtiva e na durabilidade dos recursos e na qualidade de vida. a partir dos anos 1990. famílias que utilizam os recursos naturais como exclusiva fonte de sobrevivência. Cooperativismo e Comércio Justo . à própria evolução do contexto social e às transformações sofridas por esta categoria. Historicamente. o IICA e o Banco Mundial. Políticas. mas é resultado também de novas percepções sobre o mesmo sujeito social (SOUZA FILHO. agricultor de subsistência. com gestão bem definida do seu produto. O modelo familiar então apresenta como características a relação íntima entre trabalho e gestão. As características de formação da agricultura familiar. 2005). lavrador. são diversas. Pode apresentar-se como única alternativa a subsistência. SOUZA FILHO. como de formação complexa. ligadas ao alto grau de imprevisibilidade do processo produtivo (FAO/INCRA. Afora as divergências. que define agricultura familiar: 84 Sustentabilidade.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Fatores ambientais. 1994). processo e mercado (DENARDI.

excluídos os garimpeiros e faiscadores. atendendo. No Brasil. Guanziroli (citado porCARMO. 200?). prevista na Lei 11. (BRASIL. refere-se a um amplo guarda-chuva conceitual. destaca a relação de parentesco e disponibilidade de mão-de-obra ao afirmar que: a agricultura familiar é aquela em que a gestão.. constata-se que o uso do termo “agricultura familiar”. II . IV . Esta lei considera: [. surge a delimitação formal do conceito de agricultor familiar.. [. p. a qualquer título. considerando as tipificações acadêmicas ou a delimitação legal do conceito. quando a exploração se efetivar em tanques-rede. 1996. aos seguintes requisitos: I . aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República em 24 de julho de 2006.compreender e considerar as especificidades de uma dada situação concreta torna-se imprescindível para todos os envolvidos em processos de desenvolvimento sustentável (ALTAFIN. e onde a maior parte do trabalho é fornecida pelos membros da família. que abriga distintos tipos e situações.] aqüicultores que explorem reservatórios hídricos com superfície total de até 2 ha (dois hectares) ou ocupem até 500m³ (quinhentos metros cúbicos) de água. b) a maior parte do trabalho é igualmente fornecida pelos membros da família. de cada estado.. (INCRA/FAO. mas dentro de cada região. de cada município ou de um território. III ..não detenha.. c) a propriedade dos meios de produção (embora nem sempre da terra) pertence à família e é em seu interior que se realiza sua transmissão em caso de falecimento ou aposentadoria dos responsáveis pela unidade produtiva. não apenas entre as regiões.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável [. Corroborando com as classificações acadêmicas em alguns aspectos e avançando em outros. 2000). inclui ainda [. área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais. 2006).tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento. a unidade produtiva e os investimentos nela realizados são feitos por indivíduos que mantêm entre si laços de consangüinidade ou de casamento. simultaneamente.dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. [.. Conhecer.] agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural.] extrativistas pescadores que exerçam essa atividade artesanalmente no meio rural.. Cooperativismo e Comércio Justo .4)..] a partir de três características centrais: a) a gestão da unidade produtiva e os investimentos nela realizados são feitos por indivíduos que mantém entre si laços de sangue ou casamento. Tendo em conta o atendimento de tais requisitos..326..] silvicultores que cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável daqueles ambientes. 85 Sustentabilidade.utilize predominantemente mão-deobra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento.

. já formatado. De acordo com Franklin. 2002. pois ele e sua família vivem dos produtos da terra. de uma nova abordagem de desenvolvimento. ao longo dos últimos anos. p. engendra forte concentração de renda e exclusão social. 2006). com suas levas de bóiasfrias e alguns trabalhadores residentes vigiados por ficais e dirigidos por agentes.] a agricultura familiar [. seja pela contribuição econômica que pode dar seja em virtude dos aspectos distributivos e de eqüidade que estão associados à agricultura familiar (BUAINAIN.] apresenta um perfil essencialmente distributivo..1. Em outras palavras. ainda segundo o autor. 47). enquanto que o empresário capitalista pode despedir empregados considerados „excedentes‟. resultando num relacionamento mais harmonioso com o ambiente natural. 395). Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável A partir dos anos 1990. sustentabilidade deve ser entendida como a capacidade de uma região em constituir seu padrão de desenvolvimento. região ou nação têm. 1994. Sob o prisma da sustentabilidade (estabilidade. guardam forte relação com as tradições culturais inerentes ao meio. resiliência e eqüidade) são muitas as vantagens apresentadas pela organização familiar na produção agropecuária. num padrão de desenvolvimento diferenciado (BECKER. Nesse sentido. numa lógica de racionalização 86 Sustentabilidade. Conquistou.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 3. enquanto que o segundo pode decidir mais livremente onde e como investir seu capital. independentemente do mercado. pelas suas diferenças culturais. sustentabilidade deve ser compreendida como as múltiplas alternativas que cada localidade. por muitos autores. [.. o que em função da relação familiar. Ao mesmo tempo.Segundo Becker. A relação entre agricultor e o ecossistema. Veiga (1994) argumenta que “a agricultura patronal. ambientais e valores (éticos e morais) de se inserir no processo geral de desenvolvimento. vem sendo tratada como prioridade na agenda da política pública. Cooperativismo e Comércio Justo . Também ocupa um espaço importante na agenda de desenvolvimento sustentável do país. pode-se afirmar que apesar de considerada. de certa forma. a agricultura familiar tem ocupado um inegável espaço na economia e sociedade brasileiras. devido à sua ênfase na diversificação e na maleabilidade de seu processo decisório (VEIGA. maior espaço ante o cenário político e. Uma das principais diferenças entre o produtor familiar e o empresário capitalista é que o primeiro precisa produzir. outros a consideram como um resultado. p. Ressaltando o aspecto de sustentabilidade. base das atividades relacionadas a agricultura familiar.. além de ser incomparavelmente melhor em termos socioculturais. possibilita a manutenção e utilização de práticas amparadas por técnicas tradicionais. por consequência. como fator norteador para se atingir diferentes formas de desenvolvimento. enquanto”.

90). assim. Apesar da modernização que inseriu nos mercados uma parcela de agricultores. no Brasil. A manutenção de valores culturais locais. por exemplo -. conhecimentos tradicionais. ensejando a possibilidade de uma inserção na economia de mercado e de solução de graves problemas sociais e ambientais. também é responsável pela marginalização de um grande número de famílias de pequenos agricultores familiares. 2006). como instrumento norteador capaz de fornecer os meios para a exploração de potencialidades e superação de obstáculos estruturais do pequeno produtor rural. o resgate de tradições e convívio familiar e comunitário – festas folclóricas. seu objetivo é maximizar a utilização de trabalho em lugar de maximizar o lucro ou algum outro indicador de eficiência. A diversificação dos sistemas produtivos associados a agricultura familiar são importantes não apenas para manutenção da estabilidade do agroecossistema. o aumento dos problemas enfrentados pelas populações urbanas que tem levado à busca de modos de vida mais 87 Sustentabilidade. 1994. escassez de recursos financeiros etc. comercial ou financeiro. as características de rompimento com a monocultura. a redução de custos monetários. Cooperativismo e Comércio Justo . membros de sua família: seu comprometimento de trabalho pode ser considerado como total. este cenário contribui para que novas práticas produtivas possam minimizar tal marginalização. a flexibilidade da relação com o trabalho. em função dos sistemas de produção mais intensivos. possibilitar acesso aos alimentos e autopromoção da segurança alimentar – produção para autoconsumo. 2000). INCRA/FAO. 60 hectares para geração de um emprego. por exemplo. 1994. em média. Características marcantes da agricultura familiar alicerçam os preceitos de sustentabilidade. (FRANKLIN apud BRUMER. 2000). Na geração e manutenção de postos de trabalho. aliada ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF). nos estabelecimentos de caráter familiar. enquanto nos estabelecimentos patronais são necessários. mas também diz respeito a sua capacidade de fornecer volumes de alimentos ao mercado. acesso a tecnologias sustentáveis e ampliação de emprego no campo (BUAINAIN. permitem a geração e manutenção de mais postos de trabalho (VEIGA. Porém. são necessários apenas 9 hectares.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável econômica. considerando as especificidades do trabalho familiar. Por possuir estrutura produtiva diversificada a agricultura familiar tem grande capacidade de se adaptar as variações do mercado. p. produzindo alimentos com grande regularidade e estabilidade (INCRA/FAO. A revalidação dessas práticas teria. Carmo (2000) afirma que a agricultura familiar emerge. Apesar desta última dispor de uma área três vezes menor que a detida pelas fazendas do grupo patronal. de certa forma. mesmo que de forma subordinada ao capital agroindustrial. o produtor familiar não pode fazer o mesmo com seus trabalhadores.

quando esses tiveram a iniciativa de organizarem-se em associação e. Isso significa dizer que a componente cultural do modo de vida rural tem relevância na busca de um novo paradigma de desenvolvimento e que. [. 88 Sustentabilidade. em tribos indígenas ou em antigas civilizações. 2003).1. tem resultado na valorização da tradição da agricultura familiar. social e economicamente justas.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável saudáveis. não obteve sucesso. responsável por parte significativa das dinâmicas rurais e de grande relevância na articulação rural-urbana. Nesse contexto. Registros de cooperação e a associação solidária foram identificados e relatados desde a pré-história da civilização.” 3.. em Manchester. o cooperativismo. econômicos e culturais no espaço agrário. considerando as dificuldades ou acesso restrito aos mesmos pela maioria dos produtores. utilizando recursos como maior número de mão-de-obra ou ainda a produção de insumos e matérias-primas utilizados na propriedade (MEDEIROS. inicialmente. 205) “estas características intrínsecas ao segmento de produção agrícola familiar permitem aproximá-la aos princípios/estratégias dos ideais da sustentabilidade. 2007). posteriormente como cooperativa (SCHNEIDER. Porém. são algo que remontam a história antiga da humanidade. segundo Finatto&Salamoni (2008. a agricultura familiar tende a minimizar esta dependência em função de técnicas produtivas menos onerosas e mais sustentáveis. Cooperativismo e Comércio Justo . p. em 1844-. são apontados como precursores da sociedade moderna cooperativa e os fundadores do movimento cooperativo. sendo a sua melhor elaboração a que conhecemos por sendo a iniciativa de 28 tecelões – do bairro de Rochdale.. Altafin (2010) afirma que: a agricultura familiar é reconhecida como importante ator social. Apesar da dependência por suprimentos e implementos que auxiliam o processo produtivo. especialmente em municípios menores. que enfrentavam condições de trabalho miseráveis e salários baixos. Assim. América do Norte e Japão. desprovidos de recursos para aquisição dos bens com elevados preços.] configurando novas dinâmicas nos âmbitos sociais. a agricultura familiar tem sido identificada como tendo papel de destaque. 2001). dentre ela o cooperativismo. Relatos ainda evidenciam que as cooperativas começaram como pequenas organizações na Europa Ocidental. ainda por volta de 1850.1. Na forma de empreendimento econômico. principalmente alimentação e moradia. Inglaterra. os pioneiros de Rochdale (BATALHA. COOPERATIVISMO Diferentes formas de cooperação. à valorização por alimentos produzidos sem o uso de agrotóxicos. nessa componente.

A legislação brasileira. em 27 de outubro de 1889. 2010). de acordo com Pinho (2004). voluntariamente. 1998). em 1881. Estão alicerçadas em valores de “ajuda mútua e responsabilidade. com forma e natureza jurídica próprias. destacando-se sua 89 Sustentabilidade. mas que emergiram no século XX. por sua vez considera cooperativa como: “uma associação autônoma de pessoas que se unem. O ramo agropecuário apresenta um número significativo de cooperativas (1.000 cooperativas com mais de 550. pode ser classificada em diferentes ramos. de natureza civil. 2004. embora incipiente e quase interrompida durante o escravismo. já existiam aproximadamente 1. 4°.118). De fato. Em função da globalização. 2006. p. Nesse contexto. Queiroz (1998. p. (art.579) (OCB. de 16-12-1971).” Já no Brasil. equidade e solidariedade” (OCB. apresenta-se como importante alternativa ao dinamismo do ponto de vista econômico e social.767) e de empregados (134. no início do século XX algumas cooperativas começaram a surgir.000 associados. de cooperados (968. Existe uma diversidade quanto ao tipo de cooperativas. historicamente. por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida”. A natureza dessas cooperativas. desde os primórdios da colonização portuguesa. para satisfazer aspirações e necessidades econômicas. A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB. que tinham conhecimento do sucesso de associações de crédito cooperativo para pequenos agricultores na Alemanha e na Itália.611). tendo por base modelos trazidos por imigrantes estrangeiros ou por idealistas brasileiros. a história do cooperativismo no Brasil tem aspecto formal com a fundação da Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários de Ouro Preto. Pinho afirma que. 2010). A formação de cooperativas. da Lei n° 5764. para os países em desenvolvimento. as cooperativas agrícolas tem sido obrigadas a buscar soluções que garantam a competitividade e a sustentabilidade da agricultura da própria cooperativa como empresa e do corpo cooperado (PINHO. igualdade. foi vertiginoso. Cooperativismo e Comércio Justo .11) afirma que “na Europa. pode ser observado o processo de criação de uma cultura de cooperação. segundo a OCB.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A partir da criação da primeira cooperativa. do aumento crescente da competição internacional e do protecionismo agrícola de países desenvolvidos. democracia. constituídas para prestar serviços aos associados” (BRASIL. o crescimento e disseminação da idéia do cooperativismo. Ainda segundo Pinho (2004). sociais e culturais comuns. define assim as cooperativas: “são sociedades de pessoas. a cooperativa agrícola “é o mais bem estruturado ramo cooperativo brasileiro”. 2009). não sujeitas à falência.

atração de novos serviços e firmas complementares e até mesmo efetivação da formação de novas cooperativas. FAIR TRADE OU COMÉRCIO JUSTO De acordo com o conceito apresentado na Conferência Anual da InternationalFederationofAlternative Trade (IFAT). As vantagens inerentes a formação de cooperativas locais são evidenciados através do enraizamento de investimentos. 2004). 3. 2007) as primeiras idéias sobre a necessidade de um comércio justo. transparência e respeito. respectivamente. Inserida num contexto mais específico. p. a obra foi escrita por Eduard Douwes Dekker. Cooperativismo e Comércio Justo . que busca maior eqüidade no comércio internacional. em 2001. vem se apresentado.1. iniciativas de religiosos com caráter predominantemente filantrópico. ético e solidário. A cooperativa. caracterizam os primeiros registros de ação sistemática de comércio justo.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável contribuição no desenvolvimento das atividades agropecuárias. assim como. No final do século XIX. alternativo ou solidário foram laçadas em 1860 com a publicação de um livro em que o personagem de nome Max Havelaar denunciava as injustiças no comércio de café entre a Indonésia e os Países Baixos. principalmente no Brasil. notadamente nos países emergentes (FREITAS. evitando o êxodo rural. Salienta-se. Segundo Silva (apud TIBURCIO. contribuindo de forma decisiva à retenção do mesmo no campo.2. gerando assim divisas para determinada região e emprego. a formação de cooperativas rurais podem contribuir para aumento da renda dos agricultores. 30). contraponto à prática capitalista que passa pela exclusão social e elevada concentração de renda. que as cooperativas e o cooperativismo apresentam-se nesse cenário de globalização como instrumento à produção com qualidade e escala. aumento do fluxo no comércio local. e consequentemente os problemas sociais das cidades. um holandês que tinha por pseudônimo “Multatuli”. o termo Comércio Justo foi assim definido: Comércio justo é uma parceria comercial. assim como o cooperativismo. não sendo. Essas 90 Sustentabilidade. 2000). como uma importante alternativa aos desafios da globalização mercantil. como o aumento do número de favelas. portanto. 2007. onde o crescimento do cooperativismo se deve fundamentalmente a esse setor (NASCIMENTO. baseada no diálogo. porém. apud SEBRAE. e ainda. instrumentos de oposição ao capitalismo. Ele contribui para o desenvolvimento sustentável por meio de melhores condições de troca e a garantia dos direitos para os produtores e trabalhadores marginalizados – principalmente do sul” (IFAT. geração de aprendizado técnico local. Ainda segundo este autor. marginalização e o desemprego. e constitui uma declaração contra a forma como os holandeses governavam a sua colônia na Indonésia.

Comércio Justo envolve gestão transparente e relações comerciais que tratam de forma justa e respeitosa os parceiros comerciais. 2007). durante a qual os produtores e suas organizações de comercialização podem melhorar suas habilidades de gestão e seu acesso a novos mercados.Comércio Justo é um meio de desenvolver a independência do produtor.Um preço justo no contexto regional ou local é aquele que foi acordado por meio do diálogo e da participação. A comercialização do suco de laranja produzido pela Paraná Citrus S. Nesse sentido. localizada em Paranavaí (PR). mas permite uma produção socialmente justa e ecologicamente segura.A. quais sejam: Gerando oportunidades para produtores economicamente em desvantagem -Comércio Justo é a estratégia para a diminuição da pobreza e o desenvolvimento sustentável. o comércio justo surge a partir de 1970. que conduziam a organização de grupos de trabalhadores rurais e realizavam a venda informal de artesanato (DINIZ e FERRARI.. estas organizações pautam suas atividades nos princípios-chave do comércio justo. Treinamento e apoio (capacitybuilding) . comercializam café através da FairtradeLabellingOrganisationsInternational(FLO). Suíça e Áustria. a comercialização do café apresenta outra iniciativa de grande relevância. Ele proporciona pagamento justo 91 Sustentabilidade. Relacionamentos de Comércio Justo proporcionam continuidade. para a Alemanha. assim como em outros países. denominado “Suco Justo”. através do trabalho de organizações não governamentais europeias ligadas às igrejas. 2002). Organizações como a Articulação Central das Associações Rurais de Ajuda Mútua (ACARAM) do município de JiParaná em RO e a Federação de Associações Comunitárias Rurais de Iúna e Irupi (FACI) sediada no Estado do Espírito Santo. Pagamento de um preço justo . sendo o produto de destaque para todos os importadores (SEBRAE. Transparência e co-responsabilidade (accountability) . Cooperativismo e Comércio Justo .Atualidades em Desenvolvimento Sustentável iniciativas compreendiam basicamente. No Brasil. a comercialização entre produtorespobres do sul e consumidores da Europa (SAMPAIO & FLORES. Seu propósito é de gerar oportunidades para produtores que foram explorados economicamente ou marginalizados pelo sistema convencional de comércio. é conhecida como uma das primeiras iniciativas de inserção dos produtos brasileiros no mercado justo se deu através de um projeto piloto da FLO. Assim. 2002). Ele cobre não somente os custos de produção.

Condições de trabalho .Produtos de Comércio Justo são aqueles produtos certificados sob o sistema de certificação da FLO (FairTradeLabellingOrganisationsInternational) e/ou produzidas por organizações de Comércio Justo (SEBRAE. o conceito para o Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Solidário (SBCJS). segurança. Igualdade de gêneros . e deve estar em conformidade com a convenção das Nações Unidas sobre os direitos da criança e com as leis e normas vigentes no contexto local.Comércio Justo significa um ambiente de trabalho seguro e saudável para os produtores. p. sempre que possível. Cooperativismo e Comércio Justo . Favorecer a co-responsabilidade entre os diversos atores das Redes de Produção e Comercialização.Comércio Justo significa que o trabalho de mulheres é valorizado e recompensado corretamente. Mulheres são sempre remuneradas por suas contribuições no processo produtivo e detêm poderes em suas organizações. em 2006. 2007. obrigações educacionais e necessidade de brincar. que estão em desvantagem ou marginalizados pelo sistema convencional das relações comerciais que privilegiam agrande escala. A participação de crianças não deve afetar negativamente seu bem-estar.O Comércio Justo estimula ativamente melhores práticas ambientais e a aplicação de métodos responsáveis de produção. ajudam os produtores com o acesso a financiamento antes da produção ou mesmo antes da colheita. Os comerciantes de Comércio Justo garantem pagamento imediato para seus parceiros e. Praticar remuneração e preço justos para quem produz e consome. Organização dos Produtores Familiares de Comércio Justo e Solidário (OPFCJS) e Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) definiu-se. rurais e urbanos. tendo como características:    Contribuir para a construção de relações justas e solidárias no mercado. Organizações e produtos de Comércio Justo . 92 Sustentabilidade. após cinco consultas organizadas pelo Fórum de Articulação do Comércio ético e Solidário (FACES). 31). a partir do estabelecimento de relações justas e solidárias entre todos os elos das Redes de Produção. resulte em uma forma de fortalecimento dos Empreendimentos Econômicos e Solidários. No Brasil.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável para os produtores e leva em consideração o princípio do pagamento igual para trabalho igual para homens e mulheres. O meio ambiente . Considera-se Comércio Justo e Solidário o fluxo comercial diferenciado que.

contra 15. também chamado norte-sul.4%. área e valor bruto da produção.2 milhões de estabelecimentos agrícolas no Brasil. seja entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.7% em relação ao senso de 1996. KRUGLIANSKAS. L. 2009). a preservação ambiental e a defesa da saúde humana (SEBRAE.A. 2009. abrangendo formas alternativas de comércio. ou entre países em desenvolvimento – comércio sulsul. categorias familiares por tipo de renda e patronal Categorias Estabelecimentos Área total Valor bruto da produção 93 Sustentabilidade. Tabela 1 - Número de estabelecimentos. e um valor bruto de produção que chega a 37. que priorizam e tem como foco iniciativas que contribuam de forma decisiva a promoção regional dentro do país.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável    Considerar a diversidade étnica e cultural e valorizar o conhecimento e a identidade das comunidades tradicionais nas relações comerciais. conforme TAB. o comércio justo.367. para a construção coletiva e participativa dos mecanismos de controle e fomento para o desenvolvimento local sustentável. Panorama da agricultura familiar e produção cafeeira do estado do Espírito Santo – Região 4.. Fomentar a integração efetiva entre produtor e consumidor. p. ALIGLERI. 1. possui 24. ou seja. 32).1. ou fair trade. Portanto. 2007. L. a agricultura familiar teve um acréscimo de 0. p. isto é. Promover as práticas de produção. da seguinte forma: de um total aproximado de 5. “é um dos pilares da sustentabilidade econômica. Cooperativismo e Comércio Justo .2% da patronal. de acordo com pesquisa realizada pelo Censo Agropecuário IBGE (2006). ecológica e social” (ALIGLERI. 66). comercialização e consumo que tenham como princípios o fortalecimento da justiça social. No entanto detêm uma extensão de terra menor e apresenta um valor de produção inferior em comparação à da patronal. 4. COOAFACI: EXPERIÊNCIAS.6% das propriedades patronais (MENDES. expostas no capítulo 1 deste trabalho.902. 4.. o cenário da agricultura familiar no país apresenta-se.8% em comparação a 62. do Caparaó Considerando as devidas caracterizações para a delimitação conceitual e de abrangência sobre a agricultura familiar no Brasil.7%. em 2006 representou 84.3% de extensão territorial contra 75. POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES NO COMÉRCIO JUSTO.

também é responsável pela alocação de mão-de-obra empregada no campo. Censo Agropecuário 2006.0 37.764.175.941. segundo a agricultura familiar Brasil . provenientes do trabalho em diversas áreas do agronegócio brasileiro.2006 Categorias Total Total De 14 anos e mais Total Familiar Não Familiar Fonte: IBGE.587 100. principais 94 Sustentabilidade.6 329.250. exclusivamente.821. Tabela3 – Pessoalocupado no estabelecimento.283 10. Censo Agropecuário 2006.701 1. Dessa forma são quase 13 milhões de pessoas que sobrevivem.489 4.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Número % Hectares % 1000 reais % Total Total Familiar Não Familiar 5.0 24.792.179 11. por idade e principais características do pessoal ocupado em relação ao total. mais de 2 milhões de pessoas são provenientes de mão-de-obra empregada com grau de parentesco.608 100.478 11.2 Fonte: IBGE.393 80. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).453 249. 2009). pois percebe-se que os programas de alfabetização para adultos necessidade de maior empenho do setor público.367. Cooperativismo e Comércio Justo .4% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil. Tabela 2 .801.940 100. 12. Esse é fator instigante. contribuindo assim para a redução do êxodo rural.4 15.453.Pessoal ocupado no estabelecimento.367.559 Na Tabela 2 em relação a 3.7 143. mais de 11 milhões são originados da agricultura familiar. sendo que desse total mais de 10 milhões possuem 14 anos ou mais (Tabela 2 e 3) (MENDES.724 1.036. com laço de parentesco com o produtor. Dentre o total de quase 13 milhões de pessoas que ocupam o estabelecimento rural.656.309 54.690. além de representar 84.3 75.902 807.8 62.135. a agricultura familiar é responsável por sete a cada dez empregos no campo. sendo que apenas 341 mil recebiam salário. com laço de parentesco com o produtor. Nota-se também que ainda há grande índice de analfabetismo entre os trabalhadores rurais e são poucos que possuem algum tipo de qualificação profissional.701 89.0 84. A agricultura familiar. da renda agrícola.

aproximadamente. com participação de 64% e bovinocultura.75 Parceiro Empregado 9.761 Fonte: IBGE.70 19.67% da mão-de-obra empregada na produção agropecuária caracteriza-se como familiar. 2007). que participa com 77% (Tabela 5).28 Contratada Temporária 4.933.122. a microrregião do Capará aparece na quinta posição quanto comparado a outras 95 Sustentabilidade.97 3.73 68.252.Brasil – 2006 Residiam Categorias no estabelecimento Total Familiar Não Familiar 10. fruticultura com 60% e avicultura.40 5.39 Fonte: Censo Agropecuário 1995/96. Dores do Rio Preto.12 3.632 1. O Valor Bruto da Produção Agropecuária é composto principalmente por café.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável características do pessoal ocupado em relação ao total.910 53. Ibitirama. com 17% (PEDEAG. Tabela 4 . Guaçuí. Divino de São Lourenço.163 Recebiam salário 537. Iúna. Na microrregião do Caparaó 68. Irupi. Censo Agropecuário 2006.640 Trabalhavam somente em atividade não agropecuária 223.795 6.43 2.098 8. segundo a agricultura familiar . Os produtos agropecuários mais encontrados nas propriedades são: café.Agricultores Familiares – Composição da Força de Trabalho Empregada da Agropecuária – Espírito Santo – 1995/96. IBGE.236. em contraponto a região Central-Serrana que possui 85. Na Tabela 5 é possível comparar o percentual de estabelecimentos que exploravam a cafeicultura. A região do Caparaó apresenta uma distribuição fundiária composta por 91% de propriedades com menos de 50 ha.45 4. caracterizando a predominância da agricultura familiar.390 Sabiam ler e escrever 8. Alegre e São José do Calçado. semelhantemente ao que ocorre com a região Serrana.00 3. este fato reforça a importância de atividades cooperativistas como alternativas ao fortalecimento da agricultura familiar. conforme Tabela 4. Com adaptações.729 170. Composta pelos seguintes municípios: Ibatiba.65 Outra Condição 3.708 1.949 Tinham qualificação profissional 286. A força de trabalho atuante nas propriedades é de base familiar. com 45%.015 196. em percentual Microrregião Estado Caparaó Familiar 77.984.089 116.7%.93 Central-Serrana 85. Cooperativismo e Comércio Justo .964 341.671 169.53 2.39%. Muniz Freire. Elaboração: Convênio INCRA/FAO. olericultura com 22%.67 Contratada Permanente 5.188. bovinocultura com 50. se for considerado apenas este fator.

44 51.61 29. Polo Colatina.14 45.85 87.61%. A integração com o mercado denota. por exemplo. com 76.50%.50 35.38 79.64 Integrado 12.23 15.23 Pouco Integrado 81.89 53. em percentual.26 16. Com adaptações.49 79.79 40.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável microrregiões do estado. Noroeste I e Sudoeste Serrana.50 28. Elaboração: Convênio INCRA/FAO.04 10. com 87. Tabela 6 .33 34.58 38. estando a sua frente às microrregiõesNoroeste II. 96 Sustentabilidade. 79.99 7.04% de pouco integrada.13 31.54 22. Tabela 5 . conforme Tabela 6. 86.35 17. Elaboração: Convênio INCRA/FAO. Produto Caparaó Noroeste I Noroeste II Colatina Sudoeste Serrana Café Bovinocultura Leite Bovinocultura Corte Olericultura Avicultura 76.96 34.04 Fonte: Censo Agropecuário 1995/96.86 5.64% como muito integrada ao mercado à microrregião do Caparaó alcançou o percentual de 81. Cooperativismo e Comércio Justo . e sobre este aspecto enquanto a microrregião Metrópole Expandida Sul apresentou um percentual de 61.12 Fonte: Censo Agropecuário 1995/96.35 20. a possibilidade de sustentabilidade econômica das atividades desenvolvidas por agricultores familiares.33% e 79.Distribuição dos agricultores familiares com base na integração com o mercado.13.96 18.96% dos estabelecimentos envolvidos com a referida produção. respectivamente. IBGE. produzido basicamente por produtores familiares na microrregião.46 61.Agricultores familiares – percentual de estabelecimentos que exploravam o café e outras culturas citadas. Microrregião Caparaó Expandida Sul Muito Integrado 6.46 86. no mínimo.11 15. Pode-se afirmar que a COOAFACI apresenta-se neste cenário como alternativa a comercialização do café.36 38.

sendo aproximadamente 95% deles. fundada em 13 de agosto de 2005. que é o órgão máximo de decisão da cooperativa”. Assim. Dentre os seus objetivos. conselho de administração. segundo seu presidente. surgiu do esforço conjunto de agricultores familiares associados a associações de produtores rurais familiares que por sua vez compõem a Federação das Associações Comunitárias Rurais de Iúna e Irupi (FACI). ela ocorre até o terceiro mês de cada ano. sendo esta cooperativa a primeira organização a ser certificada para comercializar café arábica através do comércio justo no Brasil. As atividades administrativas são desenvolvidas numa sede anexa a um armazém cedido pelo município de Iúna a cooperativa. inclusive por limitações legais para o desenvolvimento de algumas atividades como a comercialização do café. do respeito às questões ambientais e sociais e. A Cooperativa dos Agricultores Familiares do território do Caparaó (COOFACI). e foi eleito em 2007 para um mandato até 2010. por meio da produção sustentável. e reeleito para seu segundo mandato até dezembro de 2012. Senhor Paulo. “todas as decisões são tomadas de forma democrática. sobretudo na busca por melhorias na eficiência produtiva das propriedades. diretores executivos e conselho fiscal. A cooperativa disponibiliza aos seus 120 associados. a o presidente da cooperativa destaca “a melhoria da qualidade de vida no meio rural. Os cooperados a COOFACI estão inseridos no processo de produção fair trade. da cooperativa no comércio justo COOAFACI: a experiência O texto produzido neste tópico teve como referência entrevista estruturada aplicada ao presidente da COOAFACI. Atualmente a COOFACI possui 120 cooperados e indiretamente mais de 660 famílias associadas à FACI. em 2003.2. localizado no município de Iúna e construído com a finalidade e em local definidos pelas associações filiadas a FACI. Cooperativismo e Comércio Justo . Senhor Paulo Márcio Reis Fernandes.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 4. A COOAFACI possui uma estrutura administrativa composta por assembleia geral. um armazém com capacidade par 25 mil sacas de café. através da adoção de práticas agrícolas sustentáveis”. agricultores familiares. De acordo com presidente da COOAFACI. e ainda uma vez por mês o conselho de administração se reúne para tomada de decisões de cunho 97 Sustentabilidade. Portanto a COOAFACI se constitui num braço comercial da FACI. a gestão social da cooperativa é exercida através da “assembleia geral. sendo todos os ocupantes dos cargos eleitos democraticamente. e atualmente são cooperados e agricultores familiares. que é produtor rural. a COOFACI se apresenta como um importante instrumento operacional para a comercialização dos produtos dos sócios das associações comunitárias filiadas à FACI.

assim como. administração rural. uso adequado do solo. preservação ambiental. Cooperativismo e Comércio Justo . quitação de dívidas da cooperativa – o que possibilitou mais investimentos. pela BCS e OkoGarantie. cessão do espaço físico para armazenagem do café e apoio na estruturação e organização de associações. são considerados importantes pela diretoria da cooperativa. De modo geral a organização prima por parceiros comerciais duradouros que reconhecem e valorizam a importância os processos produtivos adotados pelos produtores associados à COOAFACI e. porém ainda não possuem projetos específicos.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável administrativo”. uma vez por ano ou sempre que solicitado. além dos mesmos se encontrarem à disposição dos cooperados. certificados pela Fair Trade LebellingOrganization(FLO). desejos do consumidor e solidificar as bases associativistas e cooperativistas. já que os benefícios econômico. são apresentados os demonstrativos financeiros de cada mês. são notórios. A cooperativa busca parceiros e fontes de financiamento para disponibilizar aos produtores cursos sobre qualidade de café. são repassados aos produtores todas as informações relacionadas aos contratos ou parcerias comerciais estabelecidas. para a produção de café orgânico de uma associação. No momento em que são efetivados os contatos para levantamento dos volumes disponíveis para venda. No que tange a implementação de ações que valorizam a participação da mulher ou ainda projetos educacionais e outros voltados para crianças. As regras impostas pela certificadoras são rígidas e abrangem aspectos econômicos. Apesar dos benefícios mencionados a cooperativa não possui nenhuma ação que facilite aos produtores acesso ao crédito.investimentos ou divisão dos prêmios provenientes da comercialização fair trade – que inicialmente é depositado em conta bancária. de qualidade de vida etc. ambientais e culturais. adolescentes e jovens. porém garantem a satisfação dos cooperados. Ainda são definidos nesta instância deliberativa a aplicação dos recursos financeiros . para o comércio justo. Como mencionado pelo presidente da cooperativa “com essas certificações alcançamos clientes e mercados específicos. ele afirmou que isto ocorre desde que não inviabilize a execução de algum projeto. São também apontados como benefícios aos produtores associados melhorias em infraestrutura. prevenção no uso de agroquímicos. 2009. por exemplo. com 98 Sustentabilidade. entre outros. legislação ambiental. preços diferenciados e ainda fazemos um trabalho social e ambiental”. “no último ano. Quando questionado sobre o acatamento da opinião dos produtores associados pela diretoria da COOAFACI. com os objetivos de atender as especificações sobre o aspecto de qualidade. através de um convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. de acordo com o presidente da COOAFACI. oferecemos assistência técnica a 200 associados de associações comunitárias rurais e cooperados”. sociais. ou ainda. associativismo e cooperativismo. consequentemente.

são observados pelo profissional responsável. porcos. pato.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável exceção da disponibilidade de uma sala com microcomputadores que atende aos associados e seus familiares. e o período de carência do produto. a cana-de-açúcar. o entrevistado afirmou que é possível observar significativa mudança em algumas propriedades no que se refere à melhoria nas moradias. fixação no campo e alto estima. na opinião do presidente da COOFACI. Este fato pode ser expresso. o uso adequado de equipamentos de segurança. os próprios agricultores trazem para cidade ou solicitam aos órgãos públicos que recolham em períodos alternados. com a finalidade de aumentar a renda da propriedade. quando se observa a preocupação e implementação de ações pelos produtores na recuperação de áreas degradadas. a banana. e ainda possuem pequena criação de gado de leite. o feijão. Já a diversificação agrícola é incentivada e apoiada pela COOAFACI. assistência a saúde etc. 99 Sustentabilidade. a forma de aplicação. Contudo. quando questionado sobre a possibilidade de se afirmar mudanças na estrutura familiar dos cooperados como o retorno de algum integrante. como forma de reduzir ao mínimo possíveis impactos ambientais. A utilização de agroquímicos é limitada a uma lista de produtos permitidos pela certificação e são usados pelos cooperados. a ausência de informação. os produtores buscam os resultados positivos sobre este aspecto apenas naqueles obtidos pela cooperativa. por exemplo. galinha. a mandioca. em casos de propriedades próximas a zona urbana. após a criação da COOAFACI. de nascentes. por exemplo. em outros. melhorar a qualidade de vida no campo e ainda para que o produtor não tenha apenas a monocultura cafeeira como fonte de renda. o entrevistado afirma que “ainda não podemos analisar dessa forma os nossos resultados. peixe. não foi informado se os produtores recebem informações dos procedimentos corretos para destinação final do lixo dentro da propriedade. Porém. as queimadas e corte da vegetação nativa foi reduzida em função da fiscalização e comprometimento do desempenho dos produtores para atender as especificações do comércio justo. pode-se observar que o lixo das residências é depositado em reservatórios cavados em áreas específicas nas propriedades rurais mais distantes da zona urbana. carneiros etc. Cooperativismo e Comércio Justo . Ainda no que tange as questões ambientais. Porém. acredito que nos próximos anos veremos alteração nesse quadro”. onde ainda se constata apenas esforços no sentido de cumprir o que determina a legislação – atitude atribuída. De forma geral. recargas d‟água e matas ciliares. A utilização mais sustentável dos recursos naturais por produtores associados à cooperativa pode ser observada em alguns casos. Na maioria das propriedades essa diversificação pode ser exemplificada através da produção consorciada com o café de culturas como: o milho. saneamento. Quando há extrema necessidade do uso de produtos proibidos. eletrificação rural.

é importante não apenas para manutenção da estabilidade do agroecossistema. provocaram um efeito multiplicador das diferenças econômicas e sociais. Os progressos no campo da ciência e a tecnologia que se produziram nas últimas décadas promoveram um nível muito alto de globalização. 5. o desfio de muitas vezes por iniciativa própria buscar alternativas para novos cenários. de forma profunda. a burocracia de órgãos públicos. portanto o êxodo rural. entre outros em todo o mundo. A diversificação associado à produção cafeeira dos produtores cooperados à COOAFACI. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na última década do ano de 1990 e primeira década do ano de 2000. e consequentemente os problemas sociais das cidades.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável O comprometimento dos cooperados. a falta de infraestrutura da cooperativa. O homem teve que encontrar alternativas tecnológicas para suprir suas necessidades e atender uma população cada vez maior. é que se agravou. Notadamente a formação da cooperativatem contribuído para aumento da renda dos agricultores familiares cooperados. alternativa de renda. principalmente com a intensificação da industrialização e o consequente aumento da capacidade de intervenção do homem na natureza. a falta de apoio dos órgãos públicos. que atrelada à desigualdade crescente entre diferentes países e inclusive em seu interior na capacidade de gerar e aceder aos novos conhecimentos e tecnologias. do solo. enfim. Aos agricultores familiares que ainda resistem no campo. a falta de informação técnica aos agricultores. restam políticas públicas quase sempre ineficazes e o desafio constante de sobreviver frente à exclusão tecnológica. e inclusive no interior das nações desenvolvidas. de acesso ao mercado consumidor. além de adaptar as variações também do mercado justo. Uma situação possível de ser verificada pela evolução do quadro de contaminação do ar. possibilitar acesso aos alimentos e autopromoção da segurança alimentar – produção para autoconsumo. ampliando a brecha existente entre países ricos e pobres. aquecimento global. portanto. a baixa rentabilidade das propriedades rurais. entre outros. os problemas ambientais na terra. Resultado disso. Cooperativismo e Comércio Justo . contribuindo de forma decisiva à retenção do mesmo no campo. da água. não só na área de produção. é a ocupação desordenada de áreas urbanas que se caracteriza pelo esvaziamento das áreas agrícolas em função de um modelo de produção focado em culturas extensivas e mecanizadas sendo. de informação. mas também diz respeito a sua capacidade de fornecer volumes de alimentos ao mercado. mas de administração rural e adequação ambiental são apontados como vulnerabilidades e desafios a sustentabilidade das atividades desenvolvidas pela COOAFACI. como o 100 Sustentabilidade. evitando. concentradoras de terras e altamente insustentáveis quanto aos meios e forma de produção.

ainda não se observa nenhuma ação específica que contemple esse princípio do comércio justo. Diante do exposto. não sendo comum. A transparência das atividades desempenhadas pelo conselho administrativo da COOAFACI coadunam com os preceitos do cooperativismo e comércio justo. envolvendo uma gestão transparente e relações comerciais que tratam de forma justa e respeitosa os parceiros comerciais e produtores cooperados. a baixa rentabilidade das propriedades rurais. Por fim. em alguns casos. o comprometimento dos cooperados.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável aumento do número de favelas. 101 Sustentabilidade. A sustentabilidade da produção cafeeira com vistas ao comércio justo tem encontrado maior viabilidade nas ações implementadas pela COOAFACI. Este cobre não somente os custos de produção. marginalização e o desemprego. No que tange a igualdade de gêneros. ainda se limitam as cumprir requisitos legais e. não só na área de produção. essa não é uma preocupação patente. na COOAFACI. a burocracia de órgãos públicos. que apesar de moderadas possuem importância crucial para a geração de oportunidades para produtores economicamente em desvantagem – a exemplo do preço justo pago pelo café. a falta de infraestrutura da cooperativa. sugere-se que sejam feitos novos estudos. portanto a premissa do comércio justo quanto a manutenção dos direitos da criança e adolescentes conforme a convenção das Nações Unidas sobre os direitos da criança e com as leis e normas vigentes no contexto local. daquele inerente ao preço pego pela produção. aqueles previamente autorizados pelo sistema de certificação. mas de administração rural e adequação ambiental são apontados como vulnerabilidades e desafios a sustentabilidade das atividades desenvolvidas pela cooperativa. fato não analisado neste trabalho por razões já mencionadas. por exemplo. No entanto. entende-se que a atuação da COOAFACI no mercado justo tem contribuído à materialização de ações que conduzem à produção familiar a sustentabilidade. mulheres na composição estrutural da COOAFACI. Apesar de manter um espaço com microcomputadores a disposição dos filhos dos cooperados. nenhuma outra ação foi identificada permeando. As questões ambientais. a falta de informação técnica aos agricultores. além de proporcionar pagamento justo para os produtores e leva em consideração o princípio do pagamento igual para trabalho de homens e mulheres. no entanto a co-responsabilidade desses com o conselho administrativo apresenta pouco comprometimento. apesar de identificadas mudanças positivas. mas permite uma produção socialmente justa e ecologicamente segura. Nos métodos de produção são utilizados alguns agroquímicos. Cooperativismo e Comércio Justo . a falta de apoio dos órgãos públicos. procurando analisar o posicionamento dos cooperados sobre os temas tratados.

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Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental Capítulo 7 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental Mônica de Oliveira Costa Farana de Oliveira Mariano Fabrício Afonso de Souza Lívia de Paula Almeida Lamas 107 Sustentabilidade. Cooperativismo e Comércio Justo .

sustentabilidade e empresa de forma harmônica e benéfica surge a Contabilidade Ambiental que vai além de identificar. A sociedade a cada dia torna-se mais exigente e passa a cobrar e até mesmo obrigar que as empresas tomem medidas eficazes e preste conta disso. Desta forma. estão se vendo obrigadas a adotarem uma gestão de prevenção. A partir daí surge à preocupação da harmonização dos esforços do desenvolvimento econômico e industrial com a preservação do meio ambiente e da biodiversidade. Cooperativismo e Comércio Justo . O início da acaloração de tal discussão dá-se no ano de 1987 com a Publicação do Relatório de Brundtlant que foi batizado com o título de Nosso Futuro Comum. preservação. sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Enfim.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. conferência realizada no Rio de Janeiro pelas Nações Unidas. controlar e analisar auxilia também na tomada de decisão. Tendo em vista que com a propagação das ideias de um mundo mais sustentável a sociedade está mais consciente e interessada nos aspectos ambientais. uma vez que a legislação é muito bem elaborada acerca de questões ambientais. pois precisam assegurar sua sobrevivência e reputação no mercado. 2. Para estabelecer essa relação sociedade. mas também nas empresas exigindo delas respeito ao meio ambiente. INTRODUÇÃO Desenvolvimento sustentável tem sido alvo temático de diversas ciências em suas discussões e em suas pesquisas. mensurar. E mais tarde o tema volta com maior força no Rio-92. que contempla “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes. é necessária a Contabilidade está preparada e munida de ferramentas que atendam estas questões que anseiam as empresas e foi a partir desta demanda que surge a Contabilidade Ambiental. demonstrar. meio ambiente. A Contabilidade Ambiental dará maior aporte a Gestão Ambiental. com o objetivo de reduzir a degradação dos sistemas ecológicos e promover um desenvolvimento sustentável. pois os relatórios fornecidos por ela beneficiará a gestão que terá maior segurança nas formulações de estratégias e também ajudará a entender o que poderá ser um investimento e o que poderá ser um gasto ambiental. isso fez com que os profissionais da classe contábil se unissem e estudassem um modo de atender a necessidades das empresas frente à gestão do meio ambiente e da sustentabilidade sem colocar em risco o seu patrimônio. recuperação e controle ambiental. Por esta razão. CONTABILIDADE AMBIENTAL 108 Sustentabilidade. as empresas devem apresentar-se atentas ao mercado e às exigências de seus stakeholders. a sociedade começa exercer pressão não só sobre o governo.

2. Contabilidade Ambiental Gerencial A Contabilidade Gerencial é o resultado da necessidade que a empresa apresenta de obter informações adequadas que auxilie com maior grau de facilidade a escolha da melhor decisão. Deve-se. relatando adequadamente em termos contábeis e econômicos as modificações das entidades em decorrência de suas ações. 2. assegurando que os princípios contábeis estejam sendo aplicados aos custos. 1. e também auxiliando na preservação ambiental e contribuindo com o desenvolvimento sustentável. análise. de 2005. mas sim uma especialização da mesma. sendo o “relatório financeiro contábil sobre passivos e custos ambientais” realizado pelo ISAR (United NationsIntergovernanmentalWorkingGroupof Experts onInternational Standards ofAccountingandReporting) o responsável deste feito. processando e gerando informações que deem subsídios a empresa e sua gestão de forma a tomar a melhor decisão. preservando que os fatos ambientais contábeis tenham a clareza e evidência de que os usuários buscam e necessitam (JÚNIOR. preparação. resolve que a Contabilidade Gerencial é o processo de identificação. Deste modo a Contabilidade Ambiental pode se dividir em dois aspectos comumente usados na literatura: Contabilidade Financeira Ambiental.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A Contabilidade Ambiental não é uma nova Contabilidade é importante que saibamos que ela é o conjunto de informações que deverá relatar de forma correta e precisa. Com relação ao objetivo da Contabilidade Ambiental Financeira é de apoio ao usuário externo na tomada de decisão e avaliação de desempenho. Para Paiva (2003) a Contabilidade ambiental deve ser entendida como a responsável pelo levantamento. mensuração. analisando a empresa como unidade sólida em sua totalidade em relação à questão ambiental. que se preocupa mais na questão dos relatórios usados pelos usuários externos. aos ativos e aos passivos ambientais. identificação e registro dos dados referentes aos eventos ambientais ocorridos. na verdade isso não significa o surgimento de uma nova contabilidade. portanto. interpretação e comunicação das informações 109 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . está por sua vez tende a direcionar o gestor em relação à tomada de decisão em questões ligadas ao meio ambiente. entender que Contabilidade Ambiental Financeira como uma ramificação da contabilidade que deve registrar toda e qualquer transação na empresa que impacta diretamente ou indiretamente o meio ambiente e que os efeitos desta transação atinjam a posição econômica e financeira da empresa. Contabilidade Ambiental Financeira Em fevereiro de 1998 a Contabilidade Ambiental Financeira passa a ser considerada como uma ramificação da contabilidade. A SMA 2 nº. acumulação. E a Contabilidade Gerencial Ambiental. 2. 1998).1.

a Contabilidade Ambiental Gerencial deve auxiliar a gestão a tomar à decisão mais acertada dando suporte à organização a reconhecer a questão ambiental como uma das suas prioridades destacando sua importante relação com o desenvolvimento sustentável. e ainda conservar os recursos. passados. Podemos assim. as empresas necessitam assumir maior responsabilidade ambiental. 2. cujo objetivo principal é apresentar as contribuições que a contabilidade ambiental juntamente com o processo de gestão ambiental proporcionará para a empresa. gerenciando os impactos ambientais da atividade de uma empresa de maneira responsável ambientalmente. se elaborem métodos sistematizados com intuito de avaliar quantitativo e qualitativamente o custo dessas alterações ambientais. 110 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . algumas empresas são as responsáveis pelo esgotamento e pelas alterações ocorridas nos meio ambiente. como obtenção de maquinas e equipamentos.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável financeiras utilizadas pelos gestores para planejamento. e também estabelecer políticas. Esse impacto pode ser causado pela ação do homem e também por empresas. o consumo que foi utilizado relativo a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviços. com pequenas alterações. Os gastos devem estar relacionados a procedimentos ambientais que tragam benefícios. quanto na sociedade e no meio ambiente.2. Nos processos de recuperação ou restauração do meio ambiente exige que sejam feitos reparos no processo operacional da empresa. e os gastos necessários para prevenção e recuperação do meio ambiente. presentes e futuros. À relevância das questões ambientais.1. tanto aos procedimentos de segurança dentro da empresa. analisando o processo para determinar a melhor atitude a ser tomada. dando ênfase na demonstração de seus gastos ambientais. para eliminar ou reduzir os efeitos negativos que causam estragos ao meio ambiente. ou menor. causando grandes modificações ao meio ambiente. avaliação e controle dentro de uma organização. definir como gastos de natureza ambiental. é relevante para que. bem como outros gastos direcionados aos objetivos e exigências ambientais de uma empresa. recursos para consumo. por isso é importante a publicação do passivo ambiental nas demonstrações. conhecido os impactos e possíveis danos. os passos tomados ou exigidos com o objetivo de prevenir ou reduzir os impactos ambientais. devem propiciar a redução e prevenção de contaminações ambientais que possam ocorrer como resultado de operações futuras. programas e práticas que adequem sua operacionalidade ao meio ambiente sem afetar sua continuidade. Compreendem os gastos. GASTOS AMBIENTAIS O impacto ambiental pode ser grande. Deste modo.

Os gastos ambientais são representados então por todos os custos dos recursos gastos pelas atividades desenvolvidas pela organização. será denominado de custos internos. mas que ela deverá cumprir exigências normativas para eliminação e redução dos efeitos originados pela atividade. prevenção e recuperação ambiental que serão utilizados no processo de eliminação e redução dos impactos ambientais de poluição. serem capazes de gerar resultados econômicos favoráveis. ocasionados pela poluição do ar. proteção e recuperação do meio ambiente. Se esses gastos estiverem relacionados ao processo produtivo de bens de consumo. onde servirão de base para determinar o preço de venda dos produtos. interferiram de algum modo no equilíbrio ambiental. Agora se os gastos forem utilizados como custo com tratamento de doenças respiratórias. Os gastos por sua vez. para que o dano incorrido ao meio ambiente não possa ser impedido e possua obrigação de ser corrigido no futuro. que por causa de suas ações adotadas em projetos. propondo benefícios.2. mas que visem à preservação. valores e direitos. 111 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . todo o esforço direto ou indiretamente que visem única e exclusivamente à preservação do meio ambiente. e a imagem da organização perante a sociedade. e operação dos ativos da empresa. por exemplo. serão denominados custos externos pela contaminação ambiental que seu processo produtivo gera no meio ambiente e na sociedade. de modo a sanar o prejuízo causado ao meio ambiente e a sociedade. por meio da conservação do meio ambiente. adquirindo ativos que ofereçam melhorias nos processos industriais com a intenção e obrigação de preservação do meio ambiente. Para a natureza contábil dos eventos econômicos ambientais os ativos ambientais também são caracterizados como recursos econômicos controlados por uma organização. mão-de-obra. da redução e prevenção da contaminação ambiental permitindo que os recursos naturais estejam disponíveis para a geração futura. podem ser denominados de gastos internos ou externos. investimentos adquiridos na intenção de amenizar impactos ao meio ambiente. 2. esses recursos econômicos são controlados por uma entidade que tem por objetivo de suas transações ou eventos. fazendo com que as empresas tenham que se preocupar com o controle dos impactos ambientais. pelos quais a companhia não se responsabiliza financeiramente.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Para isso então os gastos também devem ser relacionados à melhoria de segurança. O ativo ambiental é pelos investimentos que a empresa possui destinado à assistência. Em contabilidade os ativos são bens. matéria prima. através da eficiência. ATIVOS AMBIENTAIS O mercado está a cada vez mais acessível e competitivo. como por exemplo. que formam o patrimônio de uma entidade. eficiência. e que se espera benefícios futuros. melhorando a qualidade de vida. essas despesas representam todo o empenho.2.

resultantes de eventos ocorridos pela atividade de uma empresa. originando como contrapartida. do ponto de vista econômico compreende que suas atividades econômicas sejam norteadas para a dialética de resultados. 2. prevenir e reduzir os danos ambientais causados por essas atividades. na conservação do meio ambiente com o objetivo de preservar. a empresa é cada dia mais formada por um sistema social organizado em que além de contribuir ao desenvolvimento econômico. representando. portanto compreende as origens de recursos representados pelas obrigações para com terceiros. de elementos consumidos durante o processo de produção e aqueles provenientes de penalidades impostas às organizações por infração à legislação ambiental. O Passivo ambiental está relacionado a toda obrigação contraída voluntária ou involuntariamente destinada á aplicação em ações de controle. deve desenvolver relações de sustentabilidade nas relações com o meio ambiente e com a sociedade. da aquisição de insumos que serão utilizados no processo operacional para que este não produza resíduos tóxicos. tem sido prejudicada. a responsabilidade social da empresa com os aspectos ambientais. proteger.3. mas percebemos que hoje. depuradores de águas químicas. gastos para 112 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . um ativo ou custo ambiental. Os passivos ambientais originam-se do investimento de ativos para diminuição dos impactos ambientais ocasionado por chaminés. por detrimento ao meio ambiente e a domínio de terceiros. Os materiais. favorecendo melhoria na qualidade de vida que nos últimos tempos. preservação e recuperação do meio ambiente. decorrentes do uso errado de seus equipamentos de produção e prestação de serviços. as empresas se conscientizam das necessidades ambientais e sociais e não somente econômicas. assim. As obrigações ambientais decorrentes de ativos ambientais. consequentemente o bem-estar da sociedade. PASSIVOS AMBIENTAIS A empresa. preservando o meio ambiente.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A responsabilidade em questões ambientais tem-se manifestado na adoção de praticas. a obrigação. O passivo ambiental.2. O Passivo Ambiental compreende as obrigações ambientais correspondentes aos danos causados ao meio ambiente. que vem comprometer o meio ambiente. o desenvolvimento das tecnologias deverá ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação. que se traduzem em ações adequadas às exigências ambientais. Os ativos ambientais são todos os materiais adquiridos e utilizados em favor do meio ambiente no intuito de protegê-lo das possíveis ações negativas devido às atividades econômicas efetuadas pela organização. resultantes de eventos ocorridos que necessitarão de ativos para o seu pagamento.

a prioridade do passivo ambiental é o controle e reversão dos impactos causados pelas atividades econômicas no meio ambiente. originando como contrapartida. tais passivos são destinados á aplicação em ações de controle. considerando que nos dias de hoje. com o conseqüente retorno. essas informações permitem que seus usuários se baseiem nessas informações. gastos para compensar danos irreversíveis. e a população devido aos impactos no meio ambiente. RECEITAS AMBIENTAIS A contabilidade sempre teve como papel primordial a produção de informações a cerca do desempenho econômico e financeiro das organizações. para preservação e proteção ao meio ambiente. etc. causado por efeitos nocivos provocados pelo processo operacional da entidade. provocando inúmeras catástrofes ambientais. através de suas atividades de exploração dos recursos naturais. essenciais para a tomada de decisões. pois em alguns casos a existência de um passivo ambiental pode comprometer a própria continuidade da empresa. algumas empresas fazem avaliações da empresa para verificar a existência de danos ambientais. A omissão da empresa em relação ao passivo ambiental pode entrar em contradição a sua política organizacional e ambiental. e de confiança. está comprometendo o padrão de vida da sociedade. Por fim. referente aos benefícios econômicos que serão sacrificados em virtude da obrigação contraída com terceiros. é possível definir que a ciência contábil caracteriza-se por instrumento de informação e avaliação para quem investe. as organizações. 2.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável recuperação e tratamento de áreas contaminadas. Este objetivo circunda a necessidade que os investidores de capital têm pelo crescimento de seus negócios. um ativo ou gasto/custo ambiental.2. tanto para longo quanto para curto prazo. Os passivos ambientais deverão ser reconhecidos a partir do momento da ocorrência do fato gerador do passivo ambiental. o passivo ambiental é toda obrigação contraída voluntária ou involuntariamente que ocasionou a degradação do meio ambiente. como também á tentativa de reduzir o desgaste da imagem da empresa com a opinião pública.4. já que suas demonstrações costumam fornecer cenários e expectativas do 113 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . uma vez que a contabilidade tem a função de fornecer informações econômicas e financeiras aos seus usuários. multas por infrações ambientais. que devem ser conveniente. acionistas e principalmente com o meio ambiente. Assim. decorrentes de danos causados ao meio ambiente em função de suas atividades. A divulgação do passivo ambiental tem grande importância. isso faz com que as empresas mantenham um compromisso com a responsabilidade social preocupando-se com clientes. com o desenvolvimento da tecnologia. preservação e recuperação do meio ambiente.

destruindo através da poluição ou através da extinção. o que poderia inicialmente vir antes de um processo de agressão. há uma motivação de se adaptar as tradicionais demonstrações incluindo nelas aspectos e fatos ligados a esta área 114 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . a contabilidade reconhece estas receitas e delas extrai os custos e despesas inerentes ao negócio. a conduta de uma empresa em relação ao meio ambiente. Especificamente. a questão ambiental não possui tratamento diferenciado. Há aí uma motivação de sacrifício dos resultados econômicos em função da preservação. gastos oriundos de punições e reparos necessários ao meio ambiente resultam na classificação dos passivos ambientais. Assim. quando há por parte da sociedade o reconhecimento da política de preservação da mesma. até mesmo em aspectos relacionados à postura ambiental da organização. As receitas são a base ou a fonte do retorno econômico das organizações. bem como participação no faturamento total da empresa que possui atuação responsável junto ao meio ambiente. obrigações relacionadas a custos ambientais incorridos pelas empresas. Pode ocorrer ainda a geração de doenças diversas. áreas ambientais. uma organização deve apresentar dados relativos ao meio ambiente. conjunto de informações de desempenho econômico e financeiro. configuradas como responsabilidade do agressor. entre outros. pode ser considerado inadequado conceituar a existência de demonstrações ambientais. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ADAPTADAS AO MEIO AMBIENTE As demonstrações contábeis. Esta conduta será definida em função da existência ou não. encontra-se o aspecto ambiental. Dentro deste contexto. impactantes negativos às empresas. do contrário. compõem um rol que expressa o estado de uma organização sob diversos aspectos. da geração de resíduos pelas empresas. sobretudo a sua postura de conservação. Tais impactantes. já que ocasionam indenizações e aposentadorias não programadas. Ao evidenciar suas demonstrações. vendas de produtos resultantes da sobra de insumos de processo produtivo. são contabilizados em confronto às receitas ambientais.2. dentre eles. Pode-se dizer que este conceito contábil tem por finalidade refletir nas demonstrações contábeis. buscando esclarecer aos usuários diversos sobre os impactos e oportunidades relacionados ao mesmo.5. Assim. oriundos de agressões praticadas contra o meio ambiente. depositados de forma indevida no meio ambiente.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável sucesso e do fracasso de um negócio. pois geram a necessidade de investimentos de reabilitação dos danos causados ou multas e potenciais indenizações. o termo receita ambiental é empregado para definir os ganhos de mercado de uma empresa oriundos de operações de venda e prestação de serviços. envolvendo-a. dando à empresa a classificação de postura ambiental correta. Entretanto. causando mortes e processos de invalidez. 2. Enquadram-se neste conceito as receitas derivadas da prestação de serviços especializados em gestão ambiental.

o que levaria a resultados desastrosos. junto à sociedade preocupada com a causa ambiental. Neste sentido. tendem a valorizar mais as empresas que tem papel de destaque em questões ambientais. fomentados pela necessária manutenção de sua relevância. elenca informações que resumem três aspectos distintos sobre uma organização: sua situação patrimonial. como produtos desprezados e falta de crédito de confiança. financeira e econômica. BALANÇO PATRIMONIAL ADAPTADO AO MEIO AMBIENTE O Balanço patrimonial. usuários de informações. sendo impostas sanções difíceis de serem superadas. verificando-se operações ligadas a ganhos e perdas.2. clientes reagiriam em favor da organização. seja em sua reputação. estes relatórios evoluíram constantemente. 2. sobre bons e maus investimentos no mercado. Assim. A uma imagem negativa seria criada para uma organização que omitir este tipo de informação. visto que consumidores. Parece estar clara a atual necessidade de produzir demonstrações contábeis que possam refletir a atitude ambiental das organizações. as demonstrações contábeis necessitam dar ao seu usuário informações a cerca da conduta ambiental de uma organização.6. Este fenômeno cria duas consequências negativas distintas às organizações. a divulgação de informações ambientais pode ser vista como oportunidade de beneficiamento a organização. Ao falar de tradição. O principal balizador junto à questão contábil é que sendo instrumento de análise e tomada de decisões corporativas. dando a elas o julgamento dos consumidores e investidores. as empresas o fazem. Isto porque ao reconhecer positivamente que uma empresa promove ações de conservação e proteção ao meio ambiente. 115 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . mas com profundidade. criam impactos positivos e negativos nas empresas. muito além da análise de desempenho econômico e financeiro. uma vez que clientes estariam dispostos a aderir ao seu produto em detrimento aos das demais organizações não conscientes. seja em seu valor. o que refletiria no seu desempenho. A consciência ambiental da população faz com que a mesma almeje conhecer os compromissos a serem cumpridos pela organização. A consciência ambiental tem sido empregada mundialmente de forma maciça. bem como a resolução das mesmas. cobrando assim esclarecimentos sobre a origem de tais necessidades. incorporando a cada fase da economia mundial. É possível dizer que a informação divulgada sobre investimentos ambientais de proteção.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável distinta. preservação ou mesmo recuperação podem criar junto à sociedade uma imagem mais valorizada da organização. Apesar de não haver instruções robustas para a divulgação de informações ambientais. peça fundamental das demonstrações contábeis. novos ajustes. pode ser possível identificar e analisar de que forma as questões ambientais são tratadas ali. Estas divulgações. garantida. mesmo que provenientes de falhas cometidas. mesmo que parcialmente pelas demonstrações contábeis. cabe ressaltar haver a necessidade de divulgação nas demonstrações contábeis de obrigações ambientais assumidas pela organização. Entretanto.

o que impacta nos resultados. Contudo. em conjunto às informações ambientais. incluindo o balanço patrimonial. com o avanço tecnológico e globalização dos mercados. o processo de preparação e elaboração de informações personalizadas gera custos adicionais. expondo diretrizes da organização. mas. Motivado pela crescente necessidade de mais informação.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Primeiro. As notas explicativas. por seu papel de detalhamento de informações que não podem ser vistas nestas demonstrações. nas mais diversas áreas ações que busquem minimizar seu impacto ambiental e ainda promovam o desenvolvimento econômico sustentável. fazendo pensar a viabilidade deste procedimento. NOTAS EXPLICATIVAS As organizações têm incorporado em seus diversos procedimentos. 2. as notas explicativas aumentaram de ocorrência e volume. o que torna a ação de omissão de informação um risco para os negócios. estrutura de vendas e também ações ambientais. Sabe-se que existe mesmo que involuntariamente motivação para que as organizações divulguem balanços capazes de melhorar sua imagem ambiental aos olhos do mercado e do consumidor. no rol de informações importantes não somente ao mercado comum. tornaram-se mais valorizadas ao longo dos anos. a divulgação adicional torna públicas informações consideradas estratégicas aos concorrentes. Apesar disso. sobretudo na discussão do papel das organizações junto à luta pela preservação ambiental e melhoria das condições de desenvolvimento sustentável. Este cenário tem impacto direto nas demonstrações contábeis elaboradas atualmente. gerando uma demonstração que reúna estes dois aspectos e motivem usuários a analisar fatores como o quanto uma organização emprega em investimentos ambientais proporcionalmente aos seus ganhos gerais. Assim. peça chave da contabilidade como ciência social. Estas informações são visualizadas e analisadas no balanço. quando usuários estão buscando de forma crescente nelas.2. como a redução do custo de capital e o aumento da liquidez. informações que os orientem sobre a conduta das organizações onde pretendem investir seu capital. Ocorre então a necessidade de mesclar informações financeiras às de caráter ambiental. conceituadas por relatórios complementares as demonstrações como o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). 116 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . como também o quanto esta agride o meio ambiente. Segundo. uma vez que ocorre a criação de imagem ambiental positiva. espera-se que benefícios superem os custos de divulgação ambiental.7. em função dos retornos obtidos periodicamente. distinguir e selecionar empresas ambientalmente conscientes das não conscientes. empregando os aspectos tradicionais como políticas de controle de estoques. tornou-se rápido e fácil aos interessados na informação. a apresentação do balanço patrimonial adaptado ao meio ambiente pode trazer benefícios à organização.

como forma de se diferenciarem das demais. conforme dispõe as normas ISO 14001. quando são divulgados. Uma das consequências dessa pressão foi a implantação do Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA) por algumas empresas. mas também exige maior cuidado junto a sua imagem ambiental aos olhos do mercado. sobretudo. de forma que. oriundas de ações ambientais. ao dispor que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.3. pela sociedade e também pelo mercado internacional a recuperar os danos por elas causados. por exemplo. divulgada em suas demonstrações contábeis. corresponde à parte do sistema de 117 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . Assim. e atingiu o seu ápice. na medida em que a informação contábil produzida atualmente está sendo sustentada pela adoção de padrões internacionais (IFRS). as notas explicativas tendem a ganhar maior destaque no processo de tomada de decisão. 225 dá início ao capítulo destinado ao meio ambiente e a sua proteção.” Neste sentido. começaram a ser pressionadas pelo Poder Público. a partir dessa época. Os resultados esperados podem variar entre a maximização do retorno de investimento e a maior facilidade de captação de recursos no mercado nacional. ao analisar as notas os usuários tomadores de decisão esperam visualizar informações que indiquem a direção a ser tomada em função do negócio e do investimento. cujo objetivo maior prioriza comparabilidade e transparência. por exemplo. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. Essa tomada de consciência da sociedade foi de grande relevância para o controle do uso dos recursos naturais pelo homem. O Sistema de gestão ambiental. Auditoria Ambiental Os recursos naturais durante muito tempo foram vistos como uma fonte inesgotável. Todavia a partir da década de 50. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Por tratar-se de demonstração complementar. ele passou a buscar meios para evitar a sua escassez. há aí a oportunidade de mitigar o possível impacto causado pelo balanço patrimonial. Por outro lado. o que colocaria em risco a vantagem inicialmente obtida. quando usuários poderão visualizar oportunidades aproveitadas para maximizar o valor da firma. explicando a origem do fato e apresentando as ações corretivas que irão minimizá-lo ou extingui-lo. com o esclarecimento dos fatores que envolvem a questão. que com o art. para a organização divulgadora. com a Constituição da República Federativa de 1988. ainda nas notas é possível melhorar a imagem apresentada no balanço sobre as ações positivas já realizadas pela organização. fica evidente considerar que a consciência ambiental de uma organização. seus passivos ambientais. 2. as empresas por serem as maiores responsáveis pela degradação do meio ambiente. no Brasil. o homem começou a tomar consciência da sua fragilidade. Assim. oferece a ela oportunidades de crescimento econômico e expansão do negócio. Em uma análise generalizada.

se essas medidas têm desempenho satisfatório. Segundo Sirvinnskas (2011. com regulamentações e normas e com a com a política ambiental da empresa (caso exista). A implementação desse SGA constitui uma estratégia para que o empresário identifique oportunidades que reduzam os impactos de sua atividade sobre o meio ambiente. “assim como a auditoria contábil é instrumento básico para a indicação da situação financeira de uma empresa. a sua imagem no mercado e suas possibilidades de sucesso. de melhoria da imagem da empresa no mercado.” dentre outras. para evitar acidentes e. ele precisa ser periodicamente monitorado e avaliado. Essa verificação é realizada a partir de uma ferramenta chamada Auditoria Ambiental (AA). à comunidade e ao setor público. se ocorreram impactos que não estavam previstos. procedimentos. uma vez implantado um SGA. eventos. de forma a melhorar. a auditoria ambiental é o instrumento indispensável para a avaliação da sua gestão ambiental”. processos e recursos para desenvolver. e para comunicar os resultados deste processo ao cliente”.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável gestão global que inclui estrutura organizacional. atingir.188). ao mesmo tempo. consequentemente. executado para avaliar. tenham maior cuidado com o processo de produção. são muitas as vantagens da auditoria ambiental: “a) a identificação e registro das conformidades e das não conformidades com a legislação. se as atividades. práticas. responsabilidades. e) assessoramento de gestores na implementação da qualidade ambiental na empresa. e como os impactos previstos se realizaram. A Auditoria Ambiental pode ser considerada como o elemento básico para a obtenção de maior controle e segurança do desempenho ambiental de uma empresa. ela pode ser conceituada como “o processo sistemático e documentado de verificação. Para Sirvinnskas (2011). esta deve ser analisada de acordo com os níveis de poluição que a empresa 118 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . de forma objetiva. bem como. No entanto. bem como se. Para Canter(1984). d) provisão de informações à alta administração evitando-lhe surpresas. concomitantemente. Para Rovere (2000). b) prevenção de acidentes ambientais. implementar. segundo as normas ISO 19011. atividades de planejamento. apesar de não haver uma periodicidade fixa para a realização de auditoria ambiental. a auditoria permite averiguar se as medidas de mitigação e monitoramento previstas foram instaladas. Atender aos mencionados princípios por meio de uma metodologia prática para a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental é garantia de redução de impactos ambientais e. para verificar se os objetivos pré-estabelecidos estão sendo alcançados. c) melhor imagem da empresa junto ao público. ou ainda. analisar criticamente e manter a política ambiental da instalação. p. sistema de gestão e condições ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria. posto que ela possibilita que estas identifiquem as áreas de risco e.

Então. pois ao se implementar um sistema de gestão ambiental. o SGA depende da auditoria para poder evoluir na perspectiva de melhoria contínua. minimizando os prejuízos financeiros oriundos das multas administrativas e das provenientes da responsabilidade civil. Ou seja. Diante disso as empresas contam como forte aliada a contabilidade. pois caso contrário à pressão feita pelos seus stakeholders poderia comprometer sua existência. que luta pelos seus interesses e de suas gerações futuras foi necessário que às empresas repensassem suas ações no mercado e procurassem a se envolverem nas questões ambientais passando a ter comportamento sustentável. como um instrumento preventivo para eventuais danos ao meio ambiente. bem como dos equipamentos de controle de poluição que ela dispõe e da capacitação de seus funcionários. 3. sustentabilidade na empresa pode ser atingida por meio das ações ecológicas convergindo para a ecoeficiência. preocupando-se com a preservação da empresa e do meio ambiente. Na sociedade atual muito tem se discutido e pesquisado o tema desenvolvimento sustentável. automaticamente implementa-se a auditoria ambiental periódica. deve ter como objetivo a compatibilização dos seus resultados com o desenvolvimento econômico sustentável. A auditoria ambiental se constitui. Dada a atenção merecida a esse contexto a Contabilidade Ambiental pode diferenciar e classificar as ações de sustentabilidade ambiental da empresa e possibilitar o fornecimento de 119 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . Com o surgimento de uma população mais informada e consciente. também chamado sustentabilidade. como uma das principais aliadas do Sistema de Gestão Ambiental à medida que este se reporta à função primordial de evitar os riscos e a ocorrência dos danos ambientais. entre outros documentos. garantido o acesso de futuras gerações. a contabilidade ambiental. pois o papel dela é demonstrar através de seus relatórios . dessa forma. como forma especializada da contabilidade. Contudo. qual a verdadeira situação da empresa e desta maneira assegurar aos gestores. A proteção do meio ambiente pode também ser advinda de outras atividades da empresa que podem contribuir até mesmo para redução do impacto negativo nos negócios. portanto. investidores e clientes sua responsabilidade no que tange o meio ambiente. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Desenvolvimento Sustentável. pois com as seres de catástrofes naturais que vem ocorrendo leva a população a refletir e buscar soluções para conter a fúria da natureza. consisteem fazer uso dos recursos naturais renováveis e não renováveis de maneira consciente procurando não degradar ou eliminar tais recursos. A auditoria ambiental funciona.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável causa.

RIBEIRO. 2008).Atualidades em Desenvolvimento Sustentável informações úteis sobre a ecoeficiência dos negócios (VELLANI. possibilitando a tomada de decisões mais racionais e seguras no intuito de garantir a continuidade e o sucesso da empresa. 120 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental .

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Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 123 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental .

Atualidades em Desenvolvimento Sustentável A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? Capítulo 8 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? Luciana Bosco e Silva RuteléiaCândida de Souza Silva Roberto Vicente Silva de Abreu 124 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental .

Mas. tão diferente. do outro lado do mangue? Lá é tão bonito. principalmente. no espaço da cidade. especialmente. Para agravar ainda mais essa situação. da mecanização do campo e. por que a gente veio morar aqui no mangue?”. alternativas de enfrentamento às desigualdades sociais que se multiplicam no espaço rural. a partir da concentração de populações com nível de pobreza social muito acentuado – marcado pelos baixos salários ou até mesmo pelo desemprego – em determinadas áreas sem 125 A Ciência Contábil à Favor da Sustentabilidade da Gestão Ambiental . Diante da adoção de novas técnicas agrícolas. aquelas ligadas à questão ambiental e habitacional. é como fosse um outro mundo. particularmente. do aumento do desemprego se estabelece um movimento em que um expressivo número de trabalhadores – atraídos pela possibilidade de conquistar melhores condições de vida – se veem compelidos a buscar. é possível identificar essa realidade." Josué de Castro. E circunscrito numa totalidade dialética resultante das leis tendenciais que regem o capitalismo em seu movimento de reprodução ampliada – cuja unidade se forma na diversidade –. Numa simples incursão pelo cenário urbano brasileiro. esse movimento se depara com um quadro socioespacial desigual e excludente em que se expressa. aos conflitos espaciais deles decorrentes. Homens e caranguejos. consequentemente. acompanhado da adoção de novos padrões de sociabilidade e cultura. o resultado é um agravamento das múltiplas expressões da questão social. de modo especial. quando articulados. por que aqui no mangue. a correção das chamadas “disfunções urbanas” – com ênfase em seus aspectos meramente físicos – aliada a ineficiência dos dispositivos de controle urbanístico de uso e ocupação do solo. sobretudo. No entanto.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 1. na segregação espacial dos territórios da cidade. pelo agravamento dos níveis de degradação ambiental e pela afirmação de um quadro de exclusão socioespacial em patamares jamais vistos. por que não fomos morar na cidade. Num contexto em que o modelo de planejamento praticado não corresponde ao movimento da sociedade na construção do meio urbano. reforçam a dinâmica excludente que sempre esteve presente no processo de formação socio-histórica brasileira. INTRODUÇÃO “– Pai. todo esse processo vem reforçar o quadro de depreciação da qualidade de vida. traduzida. O deslocamento de populações da zona rural para o meio urbano tem se constituído num dos mais importantes movimentos populacionais da atualidade e está diretamente vinculado a um conjunto de mudanças estruturais na economia e na sociedade.

a partir dos anos de 1990. 2001). com o crescimento do debate em torno do desenvolvimento sustentável e sua apropriação pela comunidade técnico-científica. na sociedade brasileira poucos avanços tem sido identificados na consolidação desses novos marcos normativos. recentemente. Embora esse processo remonte. Esse direcionamento tem se constituído no fio condutor das diretrizes para a política urbana inseridas na Constituição Federal Brasileira de 1988 – capítulos da Política Urbana e do Meio Ambiente – (BRASIL.. é no último quartel deste último século que essa temática se torna objeto recorrente de análise e debate por parte de diversos estudiosos dos mais variados campos das ciências humanas e sociais e até mesmo de alguns governantes que buscam. ao final do século XIX e início do século XX. o trabalho.. de 10 de julho de 2001 (BRASIL. a saúde. sendo visíveis os esforços da sociedade para consolidar marcos institucionais capazes de contemplar um novo modelo de gestão e de desenvolvimento sustentável que alia demandas já apresentadas às práticas sociais contemporâneas. nos novos Planos Diretores e no Estatuto da Cidade. cabendo ao Estado protegê-lo e implentá-lo por meio de leis e políticas públicas. a previdência social. Inclusive. com o passar do tempo se tornaram um grave problema que reforça um quadro de disparidade socioespacial e de discriminação de diversos segmentos marginalizados na sociedade. Mas ainda que novas possibilidades de ação política tenham se efetivado. cujo objetivo centra-se na reversão da lógica excludente de produção e apropriação do espaço urbano e no reconhecimento dos conflitos socioambientais. resultante de um desenvolvimento seletivo e excludente que privilegia alguns espaços e negligenciam outros. sindicais e ambientais e do Movimento Nacional pela Reforma Urbana – MNRU. tem-se a adoção de novas atitudes. poucos municípios brasileiros conseguiram avançar na regulamentação desses instrumentos legais que servem de diretrizes para formulação de uma nova política urbana. a assistência aos desamparados [. 126 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . reduzir essa disparidade. tem-se observado importantes avanços na condução política das ações de planejamento urbano e ambiental. 2000). o direito a moradia torna-se um Direito Fundamental. O artigo 6º da Carta Constitucional de 1988 prescreve que "são direitos sociais a educação. E se por algum tempo as favelas e cortiços se constituíram numa possível solução para o problema habitacional. positivado pela Constituição Brasileira. a proteção à maternidade e à infância.]” (BRASIL. a segurança. de modo especial. com as contribuições de movimentos socioambientalistas ligados a vertentes populares. ainda que de modo incipiente. Assim.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável infraestrutura adequada. Desde então. nas Leis Orgânicas Municipais (LOMs). o lazer. que ganham força no período pré e pós-constituinte e. 2000). no Brasil. A partir desse momento. a moradia.

correspondente à Zona da Mata. Agência Regional do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS. como saúde. energia elétrica. a inexistência de moradias dignas para uma parcela expressiva da população. na microrregião que recebe seu nome e sob sua respectiva influência. mas da garantia mínima de infraestrutura básica – como água. as cidades mais desenvolvidas economicamente sofrem os impactos desse processo. O RETRATO DA QUESTÃO HABITACIONAL EM MANHUAÇU: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES Com base no histórico da qualidade de moradia no Brasil. é visível. constata-se que a questão de habitação é sim um problema atual e acontece. Hodiernamente. uma possibilidade de melhoria contínua de suas condições de vida. Além do mais.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável No entanto. esgoto. Conta com uma extensão territorial de 628. Manhuaçu insere-se na Região 11. capaz de oferecer. Agência Regional do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG. o direito a moradia diz respeito ao acesso a uma habitação adequada. 2. No contexto da divisão da macrorregião mineira. o que tem contribuído ainda mais para o desenvolvimento da região: Superintendência Regional de Ensino. saneamento – e de acesso aos equipamentos sociais. educação. Esta polarização socioeconômica é em função de sua localização privilegiada. sendo constituída por 16 municípios vizinhos. principalmente. com acesso a duas rodovias federais (BR-262 e BR-116). colocando em riscos muitas vidas. segurança. Agência Regional do Instituto 127 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . Agência Regional do Instituto Estadual de Florestas – IEF. Muito mais do que a presença de um abrigo ou teto. fato esse que pode ser constatado na cidade de Manhuaçu-MG. comércio e serviços públicos.43 (seiscentos e vinte e oito vírgula quarenta e três) quilômetros quadrados. aos moradores. à medida que se constata um quadro de ocupação desordenada em bairros caracterizados pelo inchaço populacional. O município de Manhuaçu situa-se na porção leste do Estado de Minas Gerais. não se trata apenas da moradia em si. Agência Regional da Receita Federal. A questão da moradia no Brasil é preocupante. Décimo Primeiro Batalhão da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. da intensa comercialização de café. lazer e cultura. constituindo-se numa cidade polo da região. sendo que uma parcela significativa das já existentes não possuem condições mínimas de habitabilidade. em todo perímetro urbano brasileiro. O município conta com diversas instituições públicas. embora exista previsão legal. uma vez que “amontoados de casas” são construídos em lugares inadequados e sem qualquer infraestrutura básica. próximo à divisa com o estado do Espírito Santo. Agência Fazendária Regional Estadual. com pouco espaço disponível para novas construções. em grandes e médios centros urbanos. dos serviços prestados no setor de saúde.

não alcançam êxito e acabam agravando os índices de desigualdade social e de déficit habitacional do município. existe um grande mercado para máquinas e implementos agrícolas. visando o aproveitamento da matéria prima abundante. idosos. programas e obras públicas.574 habitantes (IBGE.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Mineiro Agropecuária – IMA. A realidade do município.129. conforme registro do Sindicato Rural Patronal. Ministério Público do Estado de Minas Gerais. pessoas com deficiência e instituições de atendimento a crianças e adolescentes privados do convívio familiar.893 propriedades agrícolas. bem como a atuação dos demais segmentos da sociedade. indubitavelmente. produzidas por. recebendo um significativo contingente de trabalhadores que se deslocam do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida e trabalho. Ainda neste segmento. de exclusão social. 128 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? .505.833. de violência. o Atlas da Exclusão Social no Brasil (AMORIM. reflete a herança histórica do “coronelismo” que marcou e ainda marca as sociedades rurais brasileiras. de desigualdade. apresentava equivalente a 0. o município de Manhuaçu concentra uma população de 79. a partir da desorganização política dos segmentos vulnerabilizados. 5. 0. de escolaridade.974.1 milhões de sacas de café por ano. O perfil industrial de Manhuaçu volta-se para indústrias do segmento de café. 0. O Município produz cerca 4. apresenta alguns indicadores sociais que caracterizam o município quanto ao índice de pobreza que. 2011). negros. aproximadamente. Por ser um polo socioeconômico o município vivencia os impactos do êxodo rural.165. Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater. tais iniciativas. de alfabetização. da inexistência de estudos prévios capazes de fornecer subsídios que orientem a definição de prioridades. sobretudo. Ao mesmo tempo. A exemplo. em 2000. muitas vezes. dentre associações e movimentos sociais de segmentos específicos como moradores de determinados bairros. de emprego formal. sendo que os índices que medem o desenvolvimento humano mostram uma realidade que requer ações capazes de reverter o quadro de exclusão social. o desenvolvimento do município de Manhuaçu se dá de forma desordenada. a resignação e a “naturalização” da pobreza. 0.565. Fórum da Justiça de Primeira Instância. 0.484. pacientes oncológicos e de insuficiência renal. como na maioria dos municípios brasileiros. 0. o que decorre. projetos. especialmente. Atualmente. 0. mulheres. 2003). O município também conta 54 (cinquenta e quatro) entidades da sociedade civil registradas no âmbito do Conselho Municipal de Assistência Social. Entretanto. POCHMANN. A vivência neste contexto possibilitou verificar a ausência de consciência política. Delegacia de Alistamento Militar e Batalhão do Corpo de Bombeiro. Junta de Conciliação e Julgamento – Justiça do Trabalho.

O que se percebe na cidade de Manhuaçu é que as condições de vida e de moradia de milhares de pessoas em determinados bairros é extremamente precárias. uma vez que certas famílias apresentam padrões socioeconômicos muito abaixo dos padrões necessários a sua subsistência1. à medida que uma parcela significativa do esgoto urbano local não recebe nenhum tipo de tratamento. 129 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . acarretando sérios transtornos e riscos à qualidade de vida da população.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Mas além do êxodo rural. Há. Todo esse contexto tem contribuído para agravar ainda mais o déficit habitacional da cidade. Outro fator a ser considerado é a inexistência de rede de saneamento básico. quanto à necessidade de adequação das unidades habitacionais. 23% da população de Manhuaçu vive em condição de pobreza. o esgoto retorna para dentro das casas. 1 Segundo dados do IBGE (2010). à margem da BR-262. o que tem acarretado o lançamento de efluentes domésticos nos corpos d‟água do Rio Manhuaçu (Foto 1). a localização do município. inclusive. Tais políticas devem englobar tanto aquelas moradias sem condições de serem habitadas devido à precariedade das construções ou em virtude de terem sofrido desgaste da estrutura física e que devem ser repostas. se constituindo numa das principais fontes poluidoras do ecossistema aquático do município. muitos casos em que nos períodos de alta pluviosidade. sobretudo. mediante a existência da coabitação familiar ou de moradia em locais destinados a fins não residenciais. o que tem tornado cada vez mais latente a necessidade da formulação de políticas habitacionais na tentativa de solucionar graves problemas sociais decorrentes desse déficit. também tem contribuído para intensificar o crescente fluxo migratório de trabalhadores que buscam novas oportunidades de emprego.

assim. Manhuaçu é marcada por bairros mais desenvolvidos e industrializados e outros bairros nas periferias em que as condições de moradia são precárias e fora dos padrões mínimos de qualidade 130 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . o que requer investimentos em políticas habitacionais. Toda essa situação resulta em um desenvolvimento urbano que ocorre de forma irregular. A população que vive em áreas de risco. O que se observa é que não faltam irregularidades nas diversas formas de ocupações. a população vai deixar de lado um cenário que se apresenta de forma degradante – e até mesmo assustador. leitos de rios. isso porque uma parcela significativa da população vive em lugares não habitáveis. dentre outras. tanto de saúde quanto de estadia. implicando em grandes impactos ambientais. fazendo com que a população tenha garantido o direito constitucional à habitação digna. nota-se que a questão habitacional em Manhuaçu é um assunto de extrema importância.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Foto1 –Visualização do lançamento de efluentes domésticos no Rio Manhuaçu. uma vez que pode colocar em risco a vida de famílias e/ou comunidades inteiras – para ter acesso. está sujeita a doenças e catástrofes. A isso de somam os problemas relacionados a construções irregulares em áreas de voçorocamento. Logo. desmoronamento de encostas. sociais e econômicos para a cidade de um modo geral. Somente. sendo que a melhoria nas condições socioeconômicas deve ser prioridade.

o que pode ocasionar erros e consequentes catástrofes habitacionais. em que a questão habitacional se alia a inexistência de infraestrutura urbana. ao escasso acesso aos serviços públicos e. Como as demais cidades de médio e grande porte. com ausência de políticas públicas efetivas no combate ao tráfico de drogas. o Bairro Santana. já que nesse local são identificados vários casos de prostituição e de tráfico de drogas. nos bairros mais movimentados. localizadas em regiões periféricas. como rachaduras precoces ou a queda do domicílio. ou seja. uma vez que a maior incidência de pessoas nas calçadas de tais bairros faz com que a probabilidade da obtenção de “esmolas” aumente. Isso se deve ao fato de que as mesmas são construídas pelos próprios moradores. Manhuaçu apresenta bairros em que as casas estão em péssimas condições.Terminal rodoviário de Manhuaçu.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável de vida. em grande parte. de modo mais preocupante. É grandioso também o número de pessoas em situação de rua que se alojam. Sem esquecer que é nas redondezas do Terminal Rodoviário de Manhuaçu (Foto 2) que se encontra o bairro com maiores índices de tráfico de drogas e prostituição. em grande parte. principalmente. 131 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . à prostituição e o que é mais grave: a exploração sexual de adolescentes. Foto2. as referidas moradias não atendem aos aspectos mínimos de proteção da saúde e do bem estar das pessoas que as habitam. na região da Baixada. fato esse amplamente divulgado e costumeiro nas páginas policiais da cidade. como o Bairro Coqueiro e o Bairro da Baixada. saneamento básico.

lê-se nas páginas policiais do jornal da cidade ocorrências de roubos e crimes cometidos nesses locais. Diariamente. e a proposta de alguns vereadores e líderes da cidade de separar os passageiros na rodoviária das pessoas que estão ali só para se aproveitar. com isso as crianças que estão neste lugar apenas esperando seu horário de saída do ônibus não precisariam ver cenas absurdas de assédio sexual explícito e roubo.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável As estratégias apresentadas para conter tal situação se limitam a um projeto de lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas mediações da rodoviária como forma de coibir os pontos de encontros entre usuários. Como exemplo tem-se o vulgo Bairro Campo de Avião (Foto 3 e 4). 132 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . Analisando os tipos de casas e a condição de moradia em alguns bairros de Manhuaçu. locais em que várias casas estão em condições precárias se assemelham às casas de favelas em grandes cidades. criar um cordão de isolamento na tentativa de inibir furtos e assédio. uma vez que os moradores de tais localidades estão marcados pelo estigma preconceituoso. ou seja. Segundo os mesmos. o Bairro Santa Luzia e o Bairro Santana. é por essas e outras razões que a melhoria das condições sociais das pessoas desses bairros se faz mais que necessário. Foto3 – Moradias precárias no Bairro Campo de Avião. notase que os problemas são visíveis e falta uma maior intervenção governamental em tais áreas. 6 e 7). Uma realidade totalmente diferente da vivida pelos moradores do Bairro Alfa Sul (Foto 5.

Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Foto4– Moradia precária no Bairro Campo de Avião. Foto5– Moradia no Bairro Alfa Sul. 133 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? .

As condições de habitabilidade de muitas famílias de Manhuaçu apontam para a existência de deficiências e precariedades na estrutura física dos imóveis. uma vez que improvisações são recorrentes de tal situação. como a coabitação familiar. que consiste no convívio de mais de uma família em 134 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . Portanto. a realização de um estudo mais detalhado sobre as condições de habitação na cidade permitirá reunir substratos comprobatórios de mais inadequações e precariedades.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Foto6– Moradia no Bairro Alfa Sul. Foto7 – Moradia no Bairro Alfa Sul.

adobe. cada caso merece um estudo específico para que soluções adequadas sejam apresentadas a problemas específicos. entra nesse aspecto a falta de infraestrutura dos domicílios. madeira aproveitada. madeira. Tipo de localidade Se a localidade do imóvel é de risco social ou não. Revestimento das paredes Tipo de abastecimento de água Revestimento cerâmico.Principais quesitos a serem analisados na classificação dos imóveis. plástico emulsionável. Além do mais. tipo de construção. reboco sem pintura. uma vez que muitas habitações não precisam ser demolidas e sim reformadas. outros. É outro padrão que serve para análise comprobatória. própria. como deficiência nas redes sanitárias. Quadro 1 . Situação do imóvel Tipo de construção Material predominante na cobertura (telhado) Cerâmica vitrificada. poço/nascente. fossa rudimentar. vala. céu aberto. Filtração. tipo de iluminação. outro. Tratamento de água Rede pública. invadida ou arrendada. sem tratamento. taipa não revestida. além do mais serve de base para uma análise do serviço público. tratamento de água e escoamento sanitário. material predominante na cobertura (telhado). sem revestimento. reboco com pintura. conforme demonstrado no quadro a seguir. rio. já que esse é um fator de extrema importância porque é desse item que se avaliará a solução para a casa. taipa revestida. Dentre os principais fatores que precisam ser analisados estão aqueles relacionados às condições físicas da moradia e de sua localização. laje de concreto. rio. Telha. outro material. assim dever ser levado em conta para uma análise superficial. cloração. outro. zinco. taipa sem revestimento. se é cedida. palha. assim como nos próximos itens. já que a laje de concreto pesaria muito no orçamento de uma família pobre. fervura. elétrica e o adensamento familiar.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável uma mesma casa com espaço apenas para uma. Exprime o grau de qualidade da água ingerida.escoamento sanitário. Relaciona-se com a saúde dos moradores. Tijolo/alvenaria. revestimento das paredes. Fator Escoamento sanitário de extrema importância já que os dejetos sanitários se não escoados em locais correto causam doenças graves. alvenaria sem revestimento. madeira aparelhada. reboco e caiação. uma vez que se a mesma não for de qualidade pode causar riscos à saúde. outro. cimento grosseiro. Sendo assim. cerâmica porosa. Diz respeito à posse do tal imóvel. tendo como quesitos centrais de análise: tipo de localidade. material aproveitado. tipo de abastecimento de água. fossa séptica. já que Revestimento de piso na maioria dos domicílios localizados em regiões periféricas não possuem piso cerâmico e sim cimento grosso ou queimado. É a condição de posse da habitação. Rede pública. alugada. tipo de lote em que a casa se situa. carro pipa. 135 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . Por esse quesito é possível analisar o nível socioeconômico da família. situação do imóvel. É uma das partes mais importantes de uma casa. tratamento de água. revestimento de piso. destino do lixo no domicílio. cimento queimado.

Coletado. precisa apresentar uma boa distribuição de moradores por cômodo. causando futuras catástrofes. ou seja.  Tipologia 1: Tipo de localidade: sem risco social Situação do imóvel: próprio Tipo de construção: tijolo/alvenaria Material predominante na cobertura (telhado): laje de concreto Revestimento de piso: cerâmico Revestimento das paredes: cerâmico ou reboco com pintura Tipo de abastecimento de água: rede pública Tratamento de água: filtração Escoamento sanitário: rede pública Tipo de iluminação: rede pública Tipo de lote em que a casa se situa: comprado Destino do lixo no domicílio: coletado  Tipologia 2: Tipo de localidade: de risco social Situação do imóvel: invadido 136 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . comprado ainda em pagamento. É um paradigma que deve ser considerado porque em muitos locais há o hábito de fazer os chamados “gatos”. o adensamento familiar. outro. óleo. sem relógio. Lote comprado já pago. sendo casa se situa que muitas casas são construídas em áreas irregulares e de preservação ambiental. jogado em rio ou lago. lampião. Entra-se agora nas questões de posse do terreno.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Tipo de iluminação Rede pública. Logo. outro. enterrado. céu aberto. queimado. fazendo com que soluções distintas sejam dadas de acordo com as particularidades de cada família. relógio comunitário. Destino do lixo no domicílio Outro fator de extrema importância é a análise da quantidade de pessoas por cômodo e quantos desses compartimentos são usados como dormitórios. invadido. a categorização das condições dos domicílios em questão dará uma visão pormenorizada de cada família. querosene. assim os restos são jogados em qualquer lugar já que há falta de acesso a caminhões e aos profissionais que recolhem o lixo e isso compromete o meio ambiente e a saúde das pessoas. gás de botijão. Esse item se faz necessário já que uma habitação deve conter mais que paredes fortes e telhado resistente. Em muitos lugares não há coleta de lixo. lote em área Tipo de lote em que a de preservação ambiental. vela.

Além do mais. Cabe ressaltar que um a porcentagem da carência habitacional de cada casa pode ser calculada pela seguinte equação: (SCH ) *100 ICH  12 Onde ICH é o Índice de Carência Habitacional e o SCH é o Somatório de Carência Habitacional. uma vez que os efluentes domiciliares e demais resíduos sólidos têm como destino os rios e áreas de disposição inadequada. rio ou lago. invadido. cerâmico ou reboco com pintura. rio ou a céu aberto. o segundo tipo de domicílio causa mais danos à natureza. sem revestimento. porém. rede pública. palha.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Tipo de construção: taipa não revestida Material predominante na cobertura (telhado): palha Revestimento de piso: sem revestimento Revestimento das paredes: sem revestimento Tipo de abastecimento de água: direto de lagos e rios Tratamento de água: sem tratamento Escoamento sanitário: rio ou a céu aberto Tipo de iluminação: óleo ou querosene Tipo de lote em que a casa se situa: invadido Destino do lixo no domicílio: rio ou lago Usando os parâmetros adotados no quadro acima e comparando as diferentes tipologias é possível validar a seguinte hipótese: quanto mais um domicílio se aproximar das classificações da tipologia 1 o seu risco e a necessidade de melhorias é menor. direto de lagos e rios). sendo que ele vai de zero (sem risco social. comprado) até um (de risco social. sem revestimento. contaminando o meio ambiente e causando problemas de saúde para a população em geral. cerâmico. sem tratamento. coletado. laje de concreto. tijolo/alvenaria. óleo ou querosene. taipa não-revestida. invadido.rede pública. rede pública. 137 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . quanto mais ele se aproximar da tipologia 2 as melhorias são urgentes e deve ser tratado como prioridade. O somatório é executado da seguinte maneira:  Cada item das tipologias do quadro 01 recebe um valor. próprio. filtração.

sobremaneira. contribuirá. quando se fala em déficit habitacional. já que o ICH se apropinqua de 1. Descoberto o SCH se faz a aplicação do mesmo na Eq. como se elas por si só pudessem dar conta da complexidade que envolve a temática em questão. Assim. a ação do poder público. Tal dimensão suplanta o caráter meramente imediatista de algumas ações que recorrentemente têm assumido o status de “solução redentora” de todos os problemas habitacionais. entretanto quanto mais o valor se afasta de zero e se apropinqua de 1 a situação do imóvel se mostra crítica.01. logo vem à mente o conhecido discurso em torno da construção de “casas populares”. Dessa feita. Nos dias atuais. de modo especial. Porém quanto mais próximo da Tipologia 2 maior o Índice de Carência Habitacional. com a efetiva participação da sociedade. Dentre as mazelas sociais que a população local está submetida. da ocupação do solo em benefício de toda a sociedade. deve contemplar uma dinâmica que também envolve a regulamentação do uso da propriedade urbana. como é o caso dos direitos fundamentais de cada cidadão. poder publico e áreas técnicas – no enfrentamento da questão habitacional. enfim. torna-se fundamental a ação do poder público na construção de políticas – urbana e habitacional – efetivas que ofereçam melhor qualidade de vida à população. já que a concentração de domicílios em condições precárias em Manhuaçu é maior em bairros onde os problemas sociais afloram. Muito além da construção de unidades habitacionais. 138 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . por meio de instrumentos como o Plano Diretor.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável  O valor 0 (zero) representa que a situação do imóvel é boa. para se obter o valor do SCH basta somar o valor dado a cada um dos doze itens das tipologias. ao meio ambiente. Note que as respostas do questionamento da Tipologia 1 são as ideais. estadual e municipal. aos seus extratos mais empobrecidos. 3. devendo ser articuladas e realizadas a partir de estudos que viabilizem a atuação das três esferas de governo: federal. o déficit habitacional tem se constituído num grave problema que tem acarretado impactos nocivos à saúde. para o respeito e fortalecimento da cidadania e dos direitos garantidos em Lei Maior. ou seja quanto mais as respostas em relação a uma casa se aproximarem dos resultados da Tipologia 1 menor será a porcentagem de carência habitacional do domicílio. CONSIDERAÇÕES FINAIS Então qual seria a relação entre os problemas habitacionais e os problemas sociais? A resposta para esse questionamento é simples. principalmente o municipal. sendo que cada resposta da Tipologia 1 vale zero e cada resposta da Tipologia 2 vale um. ao desenvolvimento local sustentável. Isso porque o envolvimento de todos os sujeitos sociais – sociedade civil. dos espaços urbanos.

por exemplo. como parte integrante do direito à cidadania e. o equacionamento do déficit habitacional ao invés de se constituir enquanto política pública de caráter permanente do Estado. viabilizadora de direitos sociais e de cidadania e promotora de desenvolvimento social.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável Grande parte das medidas adotadas são implementadas sem um estudo prévio da realidade local. mas reforçar a necessidade das ações ser precedida de um estudo das condições iniciais e vivenciais de cada família e das interfaces do problema habitacional com as demais expressões da questão social. Sendo assim. geração de emprego e renda. num conjunto articulado de proposições capaz de contemplar o maior número possível de demandas apresentadas pela população usuária. promoção à saúde. em alguns casos. Ainda que o Estatuto das Cidades (BRASIL. por conseguinte. 2004) apresente as diretrizes necessárias à regulamentação da utilização do espaço urbano. dentre outras. Muito mais que atuar diretamente no enfrentamento das mazelas 139 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . econômico e ambiental da região. em 2004 – a questão habitacional – como muitas outras políticas – tem assumido um caráter efêmero e de extrema focalização na pobreza. Não se quer com tal assertiva. dificultando o deslocamento das famílias realocadas para o trabalho e escola. 2001) e a Política Nacional de Habitação (BRASIL. dentre outros. ambientais. em 2001. uma vez que muitas famílias cadastradas nos programas não são contempladas e. e a Política Nacional de Habitação. as casas providas pelo governo situam-se em áreas sem qualquer proximidade com o polo econômico da cidade. por si só não conseguem abarcar a complexidade que envolve o direito à cidade. se constituindo numa “política pobre para os pobres”. deixando de contemplar variáveis importantes para o alcance efetivo das ações. No caso específico de Manhuaçu. as ações em torno da questão habitacional exigem a adequação das ações desenvolvidas ao princípio da participação e mobilização comunitária. sociais. entretanto. Embora a sociedade brasileira tenha vivenciado avanços significativos em torno dessa problemática – a exemplo. aspectos econômicos. Normalmente. a realização de estudos pode contribuir. como. preservação do meio ambiente. Em várias cidades onde programas de habitações populares foram implantados a recorrência de falhas no sistema de atendimento das famílias tem comprometido a efetividade das ações. dentre outros aspectos. Em muitos casos. o Estatuto das Cidades. tem se caracterizado como programa de ação de um governo específico. Isso faz com que ocorram equívocos e a adoção das medidas se tornem pouco eficientes no enfrentamento do déficit habitacional. para a formulação de uma política habitacional que contemple as múltiplas determinações do real. Outro grande desafio que se coloca nos dias atuais refere-se à apropriação de um referencial técnico-operativo capaz de garantir às famílias o direito à cidade. negar a importância da construção de casas populares. do direito à dignidade humana. sequer são propostas ações que atendam às demandas inerentes a sua condição de habitabilidade.

mas de vias asfaltadas. 140 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . pode consolidar um modelo de gestão da cidade que. ao invés de oficializar a ocupação de lugares impróprios e de risco – negligenciando as condições de habitabilidade local –. Enfim. unidades básicas de saúde e de educação infantil.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável sociais. escolas. além da adoção de medidas preventivas. prioriza a construção não apenas de unidades habitacionais. o poder público municipal assume definitivamente sua condição de agente garantidor dos direitos fundamentais de cidadania. o poder público. assim.

Promulgada em 5 de outubro 1988. v. CASTRO.br/cidadesat/topwindow. 2003. ______. Estatuto da Cidade. de 10 de julho de 2001. Saraiva. Constituição da República Federativa do Brasil. Ricardo (Orgs. 2001. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo de 2010. Márcio. Ministério das Cidades. Atlas da Exclusão Social no Brasil. Brasília: Senado. 5 nov. 2004.). 141 A Questão Habitacional em Manhuaçu e a Garantia de Direitos de Cidadania: Uma Equação Possível? . 221 p. 2001. Josué de. 25. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.Atualidades em Desenvolvimento Sustentável 4.257.gov. Acesso em: 1 de Agosto de 2011. 1. AMORIM. São Paulo.ibge. IBGE. ______. 1. São Paulo: Cortez. Disponível em: http://www. Homens e caranguejos. ed. REFERÊNCIA BRASIL. Política Nacional de Habitação. Brasília. Lei nº 10. 2000.htm?1. Secretaria Nacional de Habitação. ed. POCHMANN.

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