Artigo

1. Introdução; 2. A natureza do protecionismo recente; 3. Estimativas da evolução e do impacto do protecionismo; 4. A crise de endividamento externo da América Latina.

ses industrializados contribuiu significativamente para a estagnação das exportações da América Latina na primeira metade da década de 80. Ao afetar de forma negativa as exportações, o protecionismo dos países industrializados traduz-se evidentemente em diminuição da capacidadede importar das economias latino-americanas, o que dificulta a superação da crise econômica em que se encontra a maior parte da região. Na realidade, o crescimento do protecionismo constitui apenas um dos elementos de uma deterioração global do contexto internacional em que se insere a questão do endividamento externo da América Latina. Não apenas no plano comercial, mas também no plano financeiro, as condições externas com que se defróntam as economias latino-americanas têm evoluído de forma geralmente desfavorável ao longo da década de 80. Taxas de juros internacionais extraordinariamente elevadas em termos reais e a forte contração dos influxos de capital transformaram as economias da América Latina em exportadoras de recursos reais. Estimativa da Cepal situa em nada menos que US$106 bilhões a transferência de recursos financeiros realizada pela América Latina entre 1982e 1985.O impacto profundamente negativo desta transferência foi magnificado pelo lento crescimento do comércio mundial e por uma acentuada deterioração nos termos de troca. Combinadas com políticas domésticas muitas vezes inadequadas, essas tendências internacionais acabaram resultando na crise econômica mais séria enfrentada pela América Latina desde os anos 30. A finalidade deste trabalho é apresentar algumas informações sobre a evolução e os efeitos do protecionismo dos países industrializados e discutir os principais aspectos da crise de endividamento externo da América Latina. A primeira seção descreve as origens do movimento protecionista recente, sua natureza e os principais instrumentos utilizados. Na segunda seção, são apresentadas diversas estimativas do impacto do protecionismo. A seção final examina as implicações da transferência de recursos ao exterior e procura mostrar o caráter insustentável da situação que vem prevalecendo nos últimos anos. 2. A NATUREZA DO PROTECIONISMO RECENTE O protecionismo é uma prática quase tão antiga quanto o intercâmbio comercial entre países. O que tem variado ao longo do tempo são a natureza das restrições, o alcance e a profundidade das medidas, e os produtos ou setores atingidos. Entre o término da 11Guerra Mundial e o início da década de 70, o comércio mundial experimentou um processo significativo de liberalização, como resultado de diversas rodadas de negociações multilaterais patrocinadas pelo Gatt (General Agreement on Tariffs and Trade). De fato, estima-se que ao fim da Rodada Kennedy, concluída em 1967, teria ocorrido uma diminuição na tarifa média de importação dos principais países desenvolvidos, de cerca de 40070 em meados da década de 30,
abr./jun. 1987

Protecionismo dos países industrializados e dívida externa Latino-americana *
Maria Silvia Bastos Marques Paulo Nogueira Batista Jr.
Respectivamente economista e chefe do Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional (Cemei) do IBRE/FGV.

1. INTRODUÇÃO O protecionismo dos países industrializados representa, como se sabe, um obstáculo poderoso à solução do problema da dívida externa latino-americana. Os seus efeitos negativos sobre o desempenho econômico e a capacidade de pagamento da América Latina são conhecidos. Dada a importância desses mercados, as medidas de contenção das importações e de subsídios às exportações adotadas pelos países industrializados vêm prejudicando de modo significativo tanto as quantidades como os preços dos produtos exportados pelas economias latino-americanas. Ainda que o impacto do protecionismo não possa ser quantificado com precisão, não resta dúvida quanto ao fato de que a redução no acesso aos mercados dos paíRev. Adrn. Empr.

Rio de Janeiro, 27 (2) 3647

May 1986.3 31.4 12. • Não-padronizadas pela OCDE. Fonte: OCDE. permaneceram com suas tarifas de importação praticamente intocadas nesta rodada. Observe-se ainda que os cortes tarifários foram menores no caso dos produtos industrializados de interesse específico dos países em desenvolvimento.8 11. as reduções de tarifas devem ser implementadas até 1987. Espanha.8 Dezesseis países' 3.4 6.21tfo e 6. 7ltfo sobre produtos industrializados e 2ltfo sobre matérias-primas.8 3.0 0.3 Fonte: OCDE.2 4.6 3.4 Total OCDE 4.3 Esta situação de desequiTabela 2 Taxas médias de desemprego! em países da OCDE Período 1964-73 1974-75 1976-79 1980-82 1983-85 Sete principais países' 3. as práticas comerciais de todos os países desenvolvidos. Finlândia. como têxteis e calçados. em princípios da década de 70 o comércio internacional de manufaturas estava substancialmente livre de protecionismo.6 -62.6 5.9 0. A extensão e duração do 37 Divida Externa .2 10. Estados Unidos.para 7. 'Produto nacional bruto. que não conseguiu reverter a tendência crescente do desemprego.6 7. os cortes de tarifas determinados na Rodada Kennedy para produtos com maior peso na pauta de exportações dos países em desenvolvimento foi de apenas 201tfo.3 56.2 10.2 1.0 4.4 3. países europeus da OCDEe Japão: taxas de desempregoe de crescimento do produto real. De acordo com estimativas da United Nations Conference on Trade and Development (Unctad).3 -1. Este movimento de liberalização foi. sobreveio o segundo choque do petróleo em 1979.8 8. líbrio entre os diferentes percentuais de redução das tarifas manteve-se essencialmente inalterada após a Rodada Tóquio. atingindo um nível tarifário médio de 2. Japão e Reino Unido.9 -0. entre 1980 e 1982 (tabelas' 1 e 2). Dec.6 7.6 2.0 5. 'Ver tabela 1'Os sete principais países mais Austrália.1 -124. em maior ou menor grau. seguido de novo período de recessão.3 5. Economic Outlook.2 0. 85.9Itfo. continuaram efetivas políticas agrícolas fortemente protecionistas. França. resultando em tarifas médias da ordem de 4. e saldos comerciais Discriminação Taxas de desemprego' (em %) 1983 1984 1985 Taxas de crescimento do produto real' (em %) 1983 1984 1985 Saldo da balança comercial (US S bilhões) 1983 1984 1985 Estados Unidos OCDE Europa Japão 9.2 6.6 2. Áustria.5 44. encerrada em 1979.3 Tabela 3 Estados Unidos. tornou-se cada vez mais difícil.0 2.5 2. •Alemanha. A grande maioria dos produtos agrícolas. resistir à onda de reivindicações protecionistas. Este processo de liberalização.2 4.7 3. Neste contexto.op. menos significativo do que sugerem os dados sobre a evolução dos níveis de proteção tarifária. De acordo com o disposto nas negociações. Na medida em que provocou aumento da capacidade ociosa na indústria e das taxas de desemprego.0 -114. Após a recuperação relativamente lenta de 1976-79. 1985.7 2.5 7. Dec. 9ltfo para os membros da Comunidade Econômica Européia (CEE)." Apesar do desequilíbrio na distribuição dos cortes de tarifas.2 Tabela 1 Taxas médias de crescimento do produto real em países da OCDE Período 1964-73 1974-75 1976-79 1980-82 1983-85' Sete princi pais países' 4.2 5.! Este movimento em direção a uma redução expressiva das tarifas médias continuou até a Rodada Tóquio. cito May 1986 .1 4.7 2. Alguns produtos. que representam parcela substancial das exportações dos países latino-americanos.1 4. Suécia e Surça.2 6. que não teria sido possível sem o vigoroso crescimento experimentado pelas economias industrializadas entre 1945 e 1973. para os governos dos países industrializados. Itália. entretanto. Bélgica. Canadá. Países-Baixos. cit. foi interrompido e subseqüentemente revertido após a primeira grande recessão do pós-guerra. • Pádronízadas pela OCDE. Noruega. contra 33ltfo de redução na tarifa média global da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento). ficou basicamente à margem do processo de redução tarifária. Como se sabe. a recessão do período 1974/75 foi profunda e ocorreu em todos os principais países industrializados ao mesmo tempo. O Japão antecipou a execução dos cortes para março de 1983. contra 35ltfo a 40ltfo para os dos países industrializados. 'Para o ano de 1985 foi utilizado o produto nacional bruto.0 Fonte: OCDE.op. Na CEE e nos Estados Unidos. May 1986. a recessão desencadeou fortes pressoes protecionistas que influenciaram. As tarifas médias de importação dos produtos de especial interesse para os países em desenvolvimento sofreram queda de cerca de 261tfo. 3 Itfopara os Estados Unidos e entre 5 .

o que pode ser atingido pelo estabelecimento de preços mínimos. não chegando sequer a se aproximar das taxas médias do período 1976-79que. Um indicador muito utilizado para avaliar o alcance do protecionismo é a razão entre o valor das importações sujeitas a barreiras e o valor total das importações. compras governamentais preferenciais. não houve reversão do movimento protecionista. Além disso. qualidade. restrições "voluntárias" de exportações (como. exigências aplicáveis a importações específicas. trouxesse arrefecimento do protecionismo. os acordos bilaterais relacionados ao comércio de têxteis. de acordo com o volume de bens importados (quotas tarifárias). Nos países europeus da OCDE e no Japão. etc. nesse período. Com a perda de importância da tarifa como instrumento protecionista. para as importações de produtos agrícolas. já haviam sido inferiores às verificadas entre 1964e 1973(tabela 1). Entre estes.e o que o singulariza são a diversidade e o alcance das restrições utilizadas. surgidas em meados da década de 70. O quarto tipo de medidas consiste em exigências de formalidades alfandegárias adicionais ou certificados de cumprimento de determinados padrões estabelecidos pelo país importador quanto a saúde. Entre elas. a percentagem sujeita a restrições é significativamente mais alta do que Revista de Administração de Empresas O primeiro conjunto de medidas abrange mecanismos como depósitos de importação. a recuperação não foi suficientemente forte para reduzir as taxas de desemprego sem precedentes e a maioria dos países industrializados por taxas crescentes de desemprego. por acordos de restrições "voluntárias" de preços entre exportadores e importadores. um obstáculo prático para negociações voltadas para a liberalização do comércio. O controle de níveis de preços tem por objetivo manter o preço das importações em um patamar desejado. em particular. a fixação de quotas. controle de níveis de quantidade. As medidas não-tarifárias foram classificadas em cinco categorias principais:" paratarifárias. os próprios exportadores concordam em aplicar' 'voluntariamente" estas restrições e as demandas são retiradas. e representa. etc. facilidades de crédito.desemprego. as estimativas disponíveis não deixam dúvida de que o protecionismo se intensificou na primeira metade da década de 80. A substituição das tarifas pelas barreiras não-tarifárias como principal instrumento protecionista tem diversas implicações. não ocorrendo qualquer registro oficial de ação protecionista. nem sempre prevista') nos estatutos do Gatt. De acordo com a definição da Unctad. Como as negociações multilaterais de comércio criavam restrições à elevação das tarifas de importação. a recuperação teve um caráter marcadamente desigual. as novas pressões protecionistas. os países importadores utilizam ações antidumping ou de direitos compensatórios para obter restrições "voluntárias" às exportações ou aumentar o preço dos bens importados. Uma delas é a falta de transparência das práticas comerciais. Embora este movimento. Os Estados Unidos lideraram o processo de retomada do crescimento e experimentaram sensível redução das taxas de desemprego. entre 1981e 1984. pela cobrança de direitos compensatórios ou antidum38 . ping. as barreiras não-tarifárias compreendem todos os regulamentos públicos e práticos governamentais que implicam tratamento entre produtos domésticos e estrangeiros de produção idêntica ou similar. negociados no âmbito do Acordo de Multifibras . que tem sido chamado de "neoprotecionismo". a proporção das importações afetadas aumentou em todas as categorias consideradas. aço. portanto. A terceira categoria de restrições inclui medidas destinadas a impedir. controle de níveis de preços.. Esta falta de transparência impede a quantificação adequada da contribuição das barreiras não-tarifárias para os níveis globais de protecionismo. e as que beneficiam a produção de bens que competem com as importações: subsídios. pelo monitoramento dos preços dos bens importados. não represente um fenômeno novo no cenário do comércio mundial. limitar ou monitorar as importações. por conseguinte. as principais medidas internas compreendem as que regulam a venda dos produtos domesticamente. por sua vez. o protecionismo é mascarado por requisitos sanitários ou padrões técnicos. segurança. as taxas médias de crescimento do produto real dos países industrializados em 1983-85foram relativamente baixas. por exemplo. a existência de um sofisticado arsenal de restrições não-tarifárias. calçados. traduziram-se em rápida proliferação de variadas formas de barreiras não-tarifárias. a aplicação de maiores tarifas em determinadas épocas do ano (tarifas sazonais) ou a utilização de tarifas diferenciadas. etc. destacam-se indústrias como têxteis e vestuário. contra os países latino-americanos. Constata-se. concessões tributárias. Finalmente. construção naval. em que houve deslocamento de vantagens comparativas para os países em desenvolvimento. as práticas comerciais têm apresentado correspondência cada vez menor com os princípios estabelecidos pelo Gatt. destacam-se a proibição de importar determinados produtos. Note-se ainda que. Para evitar prejuízos maiores. Outras vezes.Pode-se verificar que. o movimento protecionista tem-se voltado mais fortemente contra os países em desenvolvimento e. Além disso. etc. No entanto. que cresceu quase continuamente a partir de 1974 deram lugar a pressões particularmente intensas nos setores mais expostos àcompetição estrangeira. internas (non-border measures). a partir de 1983. A tabela 4 mostra a parcela das importações de alguns paísesdesenvolvidos sujeita a barreiras não-tarifárias. mas apresentaram saldos fortemente negativos em sua balança comercial.s Esperava-se que a retomada do crescimento nas economias desenvolvidas. Algumas vezes. ESTIMATIVAS DA EVOLUÇÃO E DO IMPACTO DO PROTECIONISMO Apesar das dificuldades de quantificação das barreiras não-tarifárias ao comércio. como impostos de consumo discriminatórios.MFA) e as autorizações condicionais de importações. 3. por exemplo.

7 6.7 14. vestuário e calçados dos países em desenvolvimento. 2 Nove países. abro 1986.0 1. tanto no que diz respeito a tarifas quanto a medidas não-tarifárias. os países latino-americanos são os mais atingidos.6 11.1 2. World development reporto 1986.8 11.5 1984 21.0 3.0 2.9 e evidenciam de forma mais direta o caráter discriminatório das medidas não-tarifárias impostas pelos países industrializados.5 1984 10. semestre. seguidas de perto pelas da América Latina. Além disso.2 2. setores em que estespaíses possuem vantagens comparativas reais ou potenciais.8 1. Austrália. Não incluem proteções administrativas tais como medidas de monitoramento e direitos compensatórios e antidumping. recentemente têm sido impostas novas barreiras sobre produtos "não-tradicionais" que os países em desenvolvimento estão começando a exportar.8 Fonte: Cepal.2 11.1 Proporção das importações sujeita a barreiras não-tarifárias Países em desenvolvimento de: América África Ásia Países socialistas Países desenvolvidos 27.2 3. e que o aumento do protecionismo foi mais intenso no caso dos produtos agrícolas.6070 das importações oriundas dos países em desenvolvimento estiveram sujeitas a restrições não-tarifárias.2 0.3 2.6 2.2 1.0 12.2 9. também enfrentem barreiras significativas.6 2.3 7. contra apenas 11. De fato.7 12. mimeogr.3 6.4 3.6 02 0. Exclusive combustíveis.5 11. 39 . embora as exportações de manufaturados.2 23. que são os mais DiVida extema Tabela 6 CEE.20. Nos Estados Unidos.4 9.0 0.5 12. a América Latina parece ser a mais afetada pelo protecionismo dos países desenvolvidos.3 7.5 Tabela 5 Percentagemdas írnportações' sujeitas a barreiras não-tarífãrias" nos mercados dos países industrializados Origem das importações Mercado Países industrializado s 1981 CEE Japão Estados Unidos Todos os países índustrializado s 10. Tabela 4 Percentagem das importações sujeita a determinadas medidas não-tarífãrias em alguns países desenvolvidos! Tipos de medidas Paratarifárias Produtos 1981 1982 1983 1984 2 afetados pelo protecionismo dos países industrializados. Unidos. Argentina e Venezuela) forem selecionados Argentina e Brasil. Se dos quatro países latino-americanos com maior dívida externa (Brasil.5 16.0 3. têxteis.2 3. que são relativamente mais importantes para os países em desenvolvimento. México. Considerando-se Todos Agrícolas Ind ustriais Todos Agrícolas Ind ustriais Todos Agrícolas Industriais 0.8 3. Os níveis mais altos de proteção.4 9.6 Controle de preços Controle de quantidade Fonte: Unctad.3 25. Finlândia.concentram-se nos produtos agrícolas. Estados Japão.5 25. Fonte: World Bank. Divisão de Comércio Internacional e Desenvolvimento.9 33. como têxteis e vestuário.4 23. como aço e maquinaria elétrica.3 0. 1 Áustria.9 4.3 6.6 12. 11 constata-se que os níveis estimados de proteção contra alguns dos principais produtos da pauta de exportações são extremamente elevados (tabela 7).7 3.5 12.1 20. 10 Entre as regiões em desenvolvimento. 2 Primeiro to trade and structural adjustment.7 10.8 0. as restrições impostas às exportações de produtos agrícolas. Noruega e Suíça. 1 Ponderadas em função do volume de comércio. o nível de proteção (tarifário e não-tarifário) é mais elevado para as exportações dos países em desenvolvimento da Ásia.3 1.5 10.5 1. Estes dados agregados refletem.para os produtos industriais.2 10.4 5.8 10.9 25. Japão e Estados Unidos: barreira tarifárias e não-tarifárias em 1983 (em %) Importador Exportador Países em desenvolvimento de: América África Ásia Países socialistas Paises desenvolvidos CEE2 Tarifa média Japão 1 Estados Unidos 2. Em 1984.4 8.9 7.5 23.6 4. Geneva. 1 2 Os dados apresentados na tabela 5 confirmam o recrudescimento do protecionismo no período 1981-84. a tabela 6 permite verificar que no caso da CEE e do Japão.3 12.3070 no caso dos produtos provenientes dos países industrializados. Problems oi protectionism and structural adjustment: Report by the Unctad secretarial.3 19.3 23. 1985. Parto I: Restrictions Mar.7 18.9 19.3 6. superiores a 100070. principalmente.2 23.1 14.9 2.0 22.3 Países em desenvolvimento 1981 21.9 12.8 13.8 4. EI proteccionismo de los paises industrializados: estragegias regionales de negociación y defensa.9 19. mimeogr.1 6. CEE (10 países).

ou apenas favorecendo as exportações dos países em desenvolvimento (prejerential basis). As vendas anuais dos países fortemente endividados.980 1.773.MFN . Neste caso.604 2.217 33. o que sugere que haveria discriminação mais acentuada contra estes países.1 513. 12 na hipótese de liberalização do comércio (tabela 9).traç4ó de Emprelll.Tabela 7 Níveis médios de proteção contra alguns dos principais produtos das pautas de exportações da Argentina e Brasil (em %) Exportador/produto Argentina Carne fresca Trigo Milho graúdo Frutas c nozes Legumes frescos Açúcar e mel Têxteis Couro Ferro e aço Vestuário Brasil Carne fresca Preparados de carne Preparados de peixe Preparados de frutas Açúcar e mel Café e suas manufaturas Cacau e suas manufaturas Tabaco e suas manufaturas Tecidos Ferro c aço Calçados Valor das exportações em 1980 (USS milhões) Níveis estimados CEE de proteção' Estados Unidos Japão 686. Cacex. poderiam sofrer um incremento de cerca de 160/0em relação ao valor exportado em 1980. estes países têm sido então compelidos a cortar suas importações.661 33. ou o equivalente a 11% do valor de suas exportações em 1980. Em todos os casos ocorreria aumento substancial das exportações dos países em desenvolvimento. .d.basis).1 Fonte: Banco do Brasil. As estimativas foram realizadas supondo-se a remoção de barreiras tarifárias e não-tarifárias aplicadas às exportações de todos os países (mostjavoured nation .6 132.689 2. apenas as exportações brasileiras para os Estados Unidos. CEE e Japão poderiam aumentar cerca de US$ 35 bilhões. Os resultados são bastante expressivos.7 331. contribuição considerável para a solução do problema da dívida.6 375.3 374.9 816. 46 O 10 n. por sua vez.: n.Sujeitas a restrições B/A (em %) 1982 3.5 120.9 140.3 1984 7.109 27. cito . 25 27 68 5 35 79 46 61 78 18 27 39 4 20 68 35 9 Fonte: Cepal. as exportações anuais dos países em desenvolvimento para os Estados Unidos.6 1985' 6. a Unctad procurou estimar os incrementos que poderiam ocorrer nas exportações dos países em desenvolvimento. tornando ainda mais difícil o processo de ajustamento. Para contornar esta deficiência. e atinge atualmente cerca de 1/3 das exportações totais (tabela 8). baseado na geração de volumosos saldos comerciais.6 295. mas apenas comércio realizado apesar das restrições.9 e não-tarifárias (foram calculados 118 120 63 36 42 160 59 18 43 59 118 130 44 36 160 93 12 74 59 43 27 os equivalentes 328 145 n. Tarifárias e não-tarifárias. desencadeando pressões recessivas e inflacionárias.0 310. Como se poderia esperar. que a razão entre o valor das importações sujeitas a barreiras e o valor total das importações é um indicador que subestima o impacto do protecionismo sobre os fluxos de comércio.1 320. sem dúvida. ções.3 881.2 411.990 1. op. 'Total exclusive café em dezembro e sujeito a alterações. o que representaria.4 2.3 654. 13 Revista de Admini. verifica-se que o protecionismo tarifário e não-tarifário aumentou no passado recente. 194 84 44 13 25 8 18 328 174 80 194 44 161 173 352 13 8 16 ad vaiarem destas restrições).3 143. Observe-se. Impossibilitados de obterem superávits com base no aumento das exporta40 Tabela 8 Exportações brasileiras para os Estados Unidos sujeitas a barreiras comerciais! (US$ milhões) Discriminação A .7 289. Referem-se a barreiras tarifárias Obs. O efeito estimado é especialmente significativo para os países com elevada dívida externa.d. como seria preferível. . = nâo-dispornvcl.d. uma vez que não leva em conta o aumento das exportações que poderia resultar de iniciativas de liberalização.3 180. entretanto.Total geral B .5 387.9 1983 4.938 38. o impacto de uma remoção preferencial das barreiras comerciais é ainda mais significativo.1 696.

4 4.6 Remoção preferencial de barreiras comerciais Tarifas 7. Ao restringir as oportunidades de comércio para os países endividados.9 4.9 0. na medida em que contemplam apenas o setor protegido. O movimento de liberalização do comércio iniciado no pós-guerra visava a permitir uma melhor utilização das vantagens específicas dos diferentes países. afetando os setores dos países desenvolvidos voltados para a exportação.6 13.8 2. Coréia do Sul.4 2. Nos cinco anos que antecederam à crise financeira de 1982.7 38.7 3. o que se verifica atualmente é que os países industrializados estão impedindo os países em desenvolvimento de explorarem adequadamente suas vantagens comparativas em produtos intensivos em mãode-obra. Filipinas. Em contraste.6 80.7 0. em grande medida. ocorre perda de excedente do consumidor.8 4.0 0.10 da entrada líquida de capitais.7 34.8 11. México. Argélia.2 8. Turquia e Venezuela. a década de 80 ficará marcada como um período de graves dificuldades econômicas e sociais provocadas.2 2. cortam suas importações.0 0.8 12. Marrocos. Tabela 9 Estimativas do aumento das exportações dos principais produtos dos países em desenvolvimento sob cenários alternativos de liberalização do comércio (USS bilhões) Aumento projetado das importações Mercado Parceiro comercial Importações (1980) Remoção MFN de barreiras comerciais Tarifas 1) CEE Países em desenvolvimento Fortemente endividados' 2) Japão Países em desenvolvimento Fortemente endividados 3) EUA Países em desenvolvimento Fortemente endividados Total (1+2+3) Países em desenvolvimento Fortemente endividados 167. Chile. asfixiados por suas dívidas externas e sem contar com recursos novos nos mercados financeiros internacionais. portanto.5 1. uma vez que os países em desenvolvimento. o que ain41 .4 Total 17.3 3. entretanto.9 14.1 31. que os custos do protecionismo não recaem apenas sobre os países exportadores.9 0. Paquistão. estão sendo impedidos pelos países industrializados de recorrer ao único meio pelo qual podem pagar o serviço de suas díDivida externa vidas sem custos econômicos e sociais insuportáveis.4 6.3 7.0 67. o uso dos instrumentos protecionistas está atingindo um estágio tal que permite traçar um paralelo com a situação dos anos 30.0 1. op. o protecionismo pode constituir-se. 4. Hoje. Colômbia.5 18.5 1. em decorrência do maior preço doméstico do produto importado. os princípios da não-discriminação.2 2. em um dos principais fatores responsáveis pela falência da estratégia de ajustamento externo que vem sendo utilizada desde a crise de 1982. como naquele período.9 11. Em termos de equilíbrio geral. Brasil. ineficiência alocativa dos recursos produtivos.Deve-se observar.i+ Os benefícios auferidos pelos países que aplicam as barreiras ao comércio são parciais.1 4. os pagamentos líquidos de juros e lucros corresponderam a cerca de 5011.2 Medidas não-tarifárias 11.7 0.7 10.4 2.0 Total 19. na ausência de financiamentos adequados. Como se pôde constatar. os países latino-americanos.7 Medidas não-tarifárias 11.1 4. Egito. Iugoslávia. e mesmo o objetivo de preservar o emprego po- de ser frustrado (em termos globais). pela violenta reversão dos fluxos de recursos externos que transformou as economias da região em exportadoras líquidas de recursos reais.9 1. além de inibirem o crescimento de suas exportações não-tradicionais e dificultarem o ajustamento dos países devedores.8 20.8 7.8 Fonte: Unctad. acordos bilaterais e pela intensificação do comércio administrado.4 4.9 7. em particular.5 4. Na verdade.4 2.9 4.0 7.3 6. Argentina. do multilateralismo e da liberdade de comércio têm sido substituídos por práticas discriminatórias.9 6.2 311. pelá evolução adversa das condições internacionais e.7 76. A CRISE DE ENDIVIDAMENTO DA AMÉRICA LATINA EXTERNO Na história da América Latina. cito .2 35.

esta abrupta reversão no fluxo de recursos financeiros entre a América Latina e o resto do mundo teve impacto extremamente negativo sobre o desempenho das economias da região em 1982-85.2 -18. 1985.7 -28.8 8. em média. mostram que as exportações da América Latina em 1985 foram inclusive inferiores às verificadas em 1981.3 56.1 38. a já referida intensificação do prot~çt!.9 108.1 89.0 10.2 5. a retração do nível de atividade econômica dos países industrializados.1 29.6 95.9 15.1 103.9 15.43 1983 -2.8 38.9 18.8 87.0 Fonte: Cepal.2 102. De 1982 em diante.9 43.03 40.9 97.7 360.9 57. 'Preços ao consumidor (dez.8 8.7 6.3 82.7 Pagamentos lfquidos de juros e lucros (2) 4. Em uma primeira fase.6 116.0 5.4 Exportações de bens e serviços (4) Transferências de recursos/ exportações de bens e serviços (em %) (5) = (3)/(4) 12.9 -31.0 31.2 10. a diferença entre as remessas de juros e lucros e o ingresso de capitais foi coberta por perdas substanciais de reservas internacionais. Balanço prelimtnar da economia latino-americana em 1985.9 35.6 1982 -1. 42 Revista de Administração de b'mprelOs .7 36. em média.2' 185.3 55.1 318.8 14.4 14.9 61..5 35.5 58. a situação alterou-se por completo.7 34.5 6. resultando em transferência negativa de recursos de US$ 27 bilhões por ano.1 26.9 27. cito 1 Dados preliminares.0 8. devido à inclusão da dívida dos bancos comerciais do México.8 328.1 Transferências de recursos financeiro s (3) = (1) .4 113. 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 19851 da permitiu aos países latino-americanos absorverem US$12 bilhões por ano.0 107.5 131.7 11. as remessas de juros e lucros passaram a superar amplamente os ingressos de capitais.. dez.5 56.1 35.6 41.2 17.3 19.2 23.).3 -30.5 19.S 37.2 13.6 -1.6 34.9 1981 0. Como seria de se prever.(2) 3. 1 Dados preliminares.3 9. No entanto.8 -18. Este processo teria sido menos doloroso se a ampliação dos superávits comerciais tivesse decorrido de um aumento das exportações. 'Cifras não comparáveis com as de anos anteriores a 1982. não resta dúvida de que os fatores externos mencionados representaram obstáculo decisivo à ampliação dos Tabela 11 América Latina: alguns indicadores econômicos Discriminação Taxa de crescimento do PIB (em %) Taxa de inflação' (em %) Exportações de bens (em USS bilhões) Importações de bens (em USS bilhões) Superávit comercial (em USS bilhões) D{vida/ externa bruta (em USS bilhões) Juros/exportações de bens e serviços (em %) 1980 5.3 4.4 11.1 28.9 11.5 -22.0 Fonte: Cepal.3 15. Os dados da Tabela 11.8 17.1 90.2 97. Ainda que se possa atribuir parte da responsabilidade pelo desempenho desfavorável das exportações à inadequação das políticas domésticas. como se sabe.6 17. Mas o efeito mais permanente da transferência foi.9 25.5 -1.4 78./dez.7 277.4 8.3 91.0 29. mimeogr.8 3.3 368.8 -30.5 84.1 87.2 36.Tabela 10 América Latina: entrada líquida de capitais e transferência de recursos financeiros (US$ bilhões) Perrodo Entrada líquida de capitais (1) 7.6 10. o equivalente a nada menos que um quarto das exportações de bens e serviços (tabela 10).1 47.8 10.7 27.43 19851 2.Ísmo e o colapso dos preços dos produtos primários cnaram um contexto externo pouco propício à expansão das exportações.4 222. Balanço preliminar .7 21.5 344.03 1984 3.4 57.2 -25. o de forçar a América Latina a gerar superávits comerciais sem precedentes.

3 13.0 9.2 12.2 8.1 1.4 5.5 5. 3 Média de janeiro a setembro.7 21.6 5. efeito perceptível em termos de contenção do processo inflacionário. London Interbank offered rate.0 4.6 bilhões em 1985 (tabela 11).4 6.5 6.9 2.4 9. as conseqüências do ajustamento externo foram desastrosas.5 7.0 6. o resultado foi uma combinação de recessão profunda e prolongada com intensa aceleração inflacionária.1 4.Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional-IBRE/FGV.3 11. Apesar de a América Latina estar atravessando a crise recessiva mais séria desde os anos 30.9 1.8 7.7 6.4 3.0 3.3 18.3 5.0 4.3 8.2 19842 14.6 Média 1980-86 Fontes: Dados brutos .5 23. entretanto. a redução do PIB por habitante é estimada em 9% entre 1980 e 1985. Progresso sócio-econômico na América Latina .1 19.2 0.9 2.8 22.5 4.1 18.4 3.3 3. Os dados para o período 1960-69 referem-se à taxa para depósitos em dólares pelo prazo de 90 dias.6 1983 16.3 1. Para a maior parte dos países.6 2.6 5.4 25.5 2.4 22. a partir de 1970. 43 Dfvida externa .1 17.2 -1.1 12.0 17.) Período 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1963 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 19863 Libor nominal' (1) 4.9 2.2 8.1 2. Estas últimas acusaram redução de 41010. 'Calculadas em moeda nacional a preços correntes.8 13.1 5.3 18.5 2.5 6. 20 dados para o período de 1960-78 referem-se à prime-rate dos bancos de primeira linha da praça de Nova Iorque.2 11.8 12.1 0.0 7. passando de US$97.4 7.0 9.3 6. desvalorizações cambiais e/ ou políticas comerciais restritivas foram acionadas.7 16.6 9.8 8.0 16.2 -1.6 2.8 4.2 6.Banco Central do Brasil.2 2.3 1.7 2.8 24.0 6.8 14. 'Dados preliminares.8 6.6 2.7 6. No plano social.2 Fonte: Banco Interamericano de Desenvolvimento.15 A recessão não teve.1 1.dívida externa: crise e ajustamento.2 18.8 Média 1960-79 6.3 1. Gazeta Meréantil e Fundo Monetário Internacional.9 11.8 9.4 -0. Elaboração .9 8. exceto Cuba.8 1. Relatório de 1985.1 2.a.5 10.5 4.6 8.3 4. Para a América Latina como um todo.9 5.0 4.4 5. Com exportações decrescentes ou estagnadas.4 1.8 6.0 24.0 2.8 6.saldos comerciais pela via de um aumento das exportações.3 17.9 0.3 17.8 4.6 bilhões em 1981 para US$57.5 1.2 4.7 15.4 17.2 5.1 3.7 -0. com intensidade variável.3 13.9 0.2 3.1 7.1 (%) (4) = (1)/(3) Libor real Prime-rate real (5) = (2)/(3) 3.8 10.6 3.6 6.8 4.9 11.4 9.8 23.6 1.3 16.9 6.1 6.3 3. Tabela 13 Libor e prime-rate: taxas nominais e reais (Médias de dados diários .% a.5 7.3 3.7 1982 17. Medidas de redução da demanda agregada. referem-se à taxa para depósitos em dólares pelo prazo de 180 dias.7 5.5 4.6 3. a partir S de 1979. para garantirem-se os superávits comerciais na dimensão requerida pelo serviço da dívida externa.2 14.8 7. nesse período houve queda do produto per capita em todos os países da região.2 6.7 7. a inflação subiu na maioria dos países. Embora a precariedade das esTabela 12 Taxa de investimento fixo bruto em sete países da América Latina' (em percentagens do PNB) Países Argentina Brasil Chile Colômbia México Peru Venezuela Média 1980/81 20.5 6.9 4.1 Prime-raie nominal' (2) 4.6 11.9 19.0 10.2 7.2 2.4 (%) 2. De fato.5 0.9 1.7 19.2 3.4 2.7 2.5 4.3 1.2 1. as taxas são específicas do Citibank. a transferência de recursos para o exterior acabou sendo garantida por violenta compressão das importações.6 2.6 IPC (EUA) (3) 1.1 9.8 0.2 12.1 1. a taxa de inflação média pende- rada pela população aumentou de 58% em 1981 para nada menos que 328% em 1985 (tabela 11).8 7. .0 17.8 6.8 3.7 2.1 5.8 13.

8' 8.25' 1. nas quais a persistência dos déficits externos é atribuída aos déficits governamentais.0 6.6 6.88 0.63 0.50 1. Isto por várias razões.0 11. na maior parte dos países. não deve haver dúvida quanto ao fato de que a combinação de recessão e inflação teve impacto fortemente negativo sobre as populações latino-americanas.25 1.0 10.0 12.63 0.40 1..0 14.0 12.42 1.0 7.00 1.7 7.44 1.0 7.16 2.0 11. Mar.0 Comissões (em%) 1. Como a dívida externa encontrava-se geralmente concentrada nas mãos do governo e de suas empresas. a aceleração inflacionária provocou diminuição das receitas em termos reais. traduzindo-se.58 1.88 0.5 7.17 As indicações são de que.38 1. Para financiar a aquisição desses superávits.13 1.13 Prazo (em anos) 11. a raiz do problema da transferência de recursos reais está no desequilíbrio entre a entrada de capitais novos e a renda líquida enviada ao exterior sob a forma de juros e outros rendimentos do capital estrangeiro.00 0.50 1.41 Segunda rodada 1983/84 Margem sobre a Libor' (em %) 2.0 9. com exceção da Colômbia (tabela 12). que não foi compensado por empréstimos adicionais de outras fontes.95 2. com os níveis de investimento observados no passado recente.38 1.25 1. os superávits comerciais foram produzidos baTabela 14 o aspecto mais preocupante da crise econômica latino-americana talvez seja.0 9. Balanço preliminar.0 6. em diversos países. por sua vez.08 0. e República Federativa do Brasil. 1985-1986 Financing Pian.38 1. América Latina: condições de renegociação da dívida externa com bancos comerciais Primeira rodada 1982/83 País Margem sobre a Libor' (em %) 2. Os vencimentos correspondentes foram incorporados a acordos negociados posteriormente. Nos países onde a recessão veio acompanhada de aceleração inflacionária. A situação foi agravada pelo fato de que a queda das receitas ocorreu simultaneamente a uma explosão das despesas financeiras do setor público.25' 2.50 1. cit.0 8.7 Comissões (em%) 0.39 1. De fato.0 9. entretanto. a elevação dos juros internacionais e as sucessivas desvalorizações das taxas cambiais refletiram-se em substancial aumento da parcela da receita pública comprometida com os pagamentos de juros da dívida externa. os governos foram freqüentemente levados a emitir dívida interna. 16 sicamente pelo setor privado.25 2.25 Prazo (em anos) 6.88 1.32 2. em redução dos salários reais médios e elevação dos níveis de desemprego subemprego.66 1. as economias da região não serão capazes de sustentar taxas de expansão comparáveis às que foram alcançadas nos anos 60 e 70.15 1.13 1. Ao reduzir a disponibilidade de recursos para investimento.05 1. foram as medidas adotadas para corrigir o desequilíbrio externo que freqüentemente provocaram aumento desestabilizador das necessidades de financiamento do setor público. a um também expressivo aumento dos pagamentos de juros e lucros (tabela 10).25 2. o impacto da transferência recaiu basicamente sobre a formação de capital fixo. porque a recessão reduziu as receitas tributárias do governo assim como as receitas operacionais das empresas públicas.38 1.25 1.753 44 DMda extenra . Ao contrário do que costumam sugerir análises de tipo tradicional.03 Comissões (em%) Terceira rodada 1984/85 Margem sobre a Libor' (em%) 1. o serviço da dívida externa pode. por um lado. o efeito da transferência de recursos sobre os níveis de investimento agregado. .88 0.5 Fontes: Cepa!.0 8. através da elevação do serviço da dívida interna. portanto.0 9.75 1.0 7. afetar de forma duradoura o processo de desenvolvimento econômico da América Latina.50 1.00 0. o processo de ajustamento das contas externas conduziu também a um agravamento dos desequilíbrios financeiros internos em muitos países da região. pressionando as taxas de juros nos mercados domésticos de crédito e agravando assim.25' 1.00 1.28 2.38 0. A menor entrada de capitais reflete. Além disso. Como não foi possível comprimir drasticamente as taxas de consumo.. Dados referentes aos sete principais países da América Latina revelam ter havido queda significativa da taxa bruta de investimento fixo em todos esses países. a tendência à redução das receitas públicas foi reforçada pelos efeitos predominantemente negativos do aumento da inflação.25 1. Como já foi indicado. Esse desequilíbrio se deve. o virtual fechamento do mercado bancário internacional.9 11. novamente. quando não foi possível reduzir a defasagem entre o fato gerador e o recolhimento do imposto.0 12.16' 2.753 Prazo (em anos) 9.0 9.tatísticas sobre emprego e salários impeça uma mensuração adequada dos efeitos da crise. I Margem média. o desequilíbrio das contas públicas.0' 6. Em primeiro lugar.25 2.25 2. 3 Acordo não concluído.4 10. 12. a uma expressiva redução dos ingressos de capital e.05 13. 'Este acordo nunca entrou em vigor. 1986. por outro. Argentina Brasil Costa Rica Cuba Chile Equador Honduras México Panamá Peru República Dominicana Uruguai Venezuela 1.75 1.

Mesmo o acordo recentemente concluído pelo México.0 ao 8.nos primeiros seis meses e 0. a redução dos empréstimos externos veio acompanhada de redução dos investimentos estrangeiros diretos e de fuga de capitais domésticos.0 ao 8.375 do 3.a tranche de USS220 milhões 0.0 e 5. 10 5 7 5 n. os spreads cobrados pelos bancos comerciais nos acordos de renegociação da dívida têm sido bastante elevados (tabela 14). o peso da conta de juros deriva não apenas do grau de endividamento externo. American Can Company Valor da o~eração (US milhões) 650 300 650 285 430 330 Prazo (em anos 8 8 10 7 5 5 Carência (em anos) 4 5 31/2 n.A.A. (AOGAS) Banque de L'Agriculture et du Developpernent Rural (BAOR) Gulf Canada Corp. 1979.15 sobre a outra metade 0. Obs.375 nos primeiros três anos e 0. 81.25 nos primeiros 90 dias de utilização cumulativa e 0. 7 1/3 n. que prevê um spread de 0.d.0 ano 0. (TUPRAS) International Investment Bank 3.05 0.125 0. 4 Com opção de 0.5% sobre a CD rate ou a US prime sem spread nos primeiros três anos e 0.20 na La tranche de USSllO e 0. 10 5 1/2 Fonte: Euromoney. entretanto.0 ano.375 nos primeiros três anos e 0.: n.25 Canadá Espanha Estados Unidos 250 5 5 Burroughs Corporation EBS Finance Corpo França Electricité de France (EOF) Sanofi S.0 ao 10.resultou em aumento adicional das taxas médias de juros.5 no 4.000 450 800 250 400 300 300 250 250 250 250 8 5 10 5 7 8 8 7 3 3 n.T. 3Renegociação de empréstimo de USS250 milhões assinado em ago.125 O 0. Fuerzas Electricas de Cataluna S.d.0 ano 0. na pesada carga de juros da dívida externa.50 do 6.0625 no período restante 0. que tem ficado sistematicamente acima da Iibor desde 1979. Aug.375 na 2.d.0 ano" 0.d. que equivale a aproximadamente 36% das exportações latino-americanas (tabela 11).5 do 4.0 ano O.d. o fato de boa parte das operações contratadas ter sido atrelada à prime rate norte-americana.625 0. Além disso. 45 .0 ao 8. Ceskoslovenska Obchodni Banka (COB)3 Turkish Petroleum Refineries Corp. mas também de taxas de juros reais extraordinariamente elevadas.0 e 7. pode ser considerado ainda bastante desfavorável quando comparado às condições que vêm sendo praticadas no mercado internacional.125 sobre 125 milhões e 0.A.375 nos primeiros cinco anos e 0.A. ou subsidiária Hungria Noruega Surça Tchecoslováquia Turquia União Soviética National Bank of Hungary Den Norske Stata Oljeselskap A/S (STATOIL) Compagnie Financiêre Michelin S. Como se sabe. 1986. flutuou nos últimos anos entre 5% e 7% Divida externa em termos reais. = não-disponível./Sept.375 do 6. I Empréstimos assinados recentemente de valor igualou superior a USS 250 milhões. Em muitos países.Tabela 15 Condiçõesde empréstimos externos sindicalizadosa países selecionados' País Abu Ohabi Argélia Tomador Abu Dhabi Liquefaction Company L.35 0.O.0 ao 8.25 nos primeiros dois anos e 0.375 0.375 no 6. contra apenas 2070 em média nas décadas de 60 e 70 (tabela 13). (FECSA)2 Pacific Lighting Corpo Transamerica International Holdings Inc. denominados em dólares e com remuncração atrelada à Libor. Thomson S. o problema básico encontra-se. No caso da América Latina.25 nos primeiros cinco anos e 0.50 nos primeiros cinco anos e 0.35 no período restante 0.125. A taxa interbancária de Londres. que serve de referência para a maior parte das operações bancárias internacionais. 2Renegociação de empréstimo assinado em dez.0 ano 0.625% sobre a CD rate ou US prime sem spread do 4.8125% sobre a libor.0 ano 0. 31/2 5 Spread (% sobre a Libor) 0.

etc. 24). redução do protecionismo dos países industrializados.20 n.13 1. o protecionismo não dá sinais de redução.95 1.. que se situam. a situação atual não poderá ser sustentada. mimeogr. só escaparão da crise os países que estiverem dispostos a defender os seus interesses até as últimas conseqüências e a romper as regras que vêm balizando a administração da crise da dívida externa desde 1982. 25 a 28 novo 1986.89 1. Obs.32 1. Andrzej & Wilters.04 1985 1. Revista de Administração de Empresas .56 0.82 1. o Brasil já vinha pagando spreads da ordem de 2% sobre a /ibor desde fins de 1980. No que se refere a spreads. por estar limitado às amortizações de 1985/86. combinando redução drástica das taxas.46 0.d.99 1. 1.98 0.Ospreadpago pelo Brasil continua sendo.04 1.61 1. (Pamphlet Series. reabertura dos mercados de crédito.Banco Central do Brasil. 'Média simples para os países relacionados.d.19 0. parece pouco provável a curto e médio prazos.28 0.67 Fontes: Brasil .64 1. Demais países . tional Monetary Fund.16 1. 12.71 n.97 0.Tabela 16 Relação entre exportações e importações para países selecionados! Países Países inâustrtalizaâos" Alemanha Ocidental Canadá Estados Unidos França Itália Japão Reino Unido Países em desenvolvimento' África' África do Sul Argélia Nigéria Ásia' Coréia India Malásia República Popular da China Cingapura Europa Oriental' Romênia Iugoslávia Oriente Médio' Arábia Saudita Emirados Árabes Unidos Iran Kuweit Libia América Latina' Argentina Brasil Chile Colômbia Equador México Peru Uruguai Venezuela 1984 1. dos de 1983e 1984(tabela 14). mimeogr. 1. Alan. os bancos comerciais relutam em reiniciar o fluxo de empréstimos voluntários.95 1. p. Oct. 32. lntemational Financial Stattsttcs.61 1. Winston.02 0. Latin American and Caribbean countries in lhe World System: past problems and future prospects. 107.1 % ou mais das exportações mundiais. Como se verifica na tabela 15. Ao contrário do que ocorreu com outros países da América Latina.so extremo. n.27 2. Uma solução cooperativa para o impasse em que se encontra a região. A falta de cooperação externa e a profundidade da atual crise econômica e social não deixam aos países da América Latina a alternativa de aguardar passivamente uma modificação para melhor das condições internacionais. um dos mais altos. '0 grupo de países selecionados inclui os sete principais países industrializados e todos os países em desenvolvimerr. 1986. PUC/RJ. Isto implica fundamentalmente limitar a carga de juros.18 O custo médio da dívida brasileira foi ainpa agravado pelas elevadas margens negociadas nos ac~r46 IInternationaI Monetary Fund. = não-disponível. ago. o Brasil constitui um c. Neste contexto.03 1. 2Abreu. e Nogués.70 1.60 1. os empréstimos sindicalizados assinados por diversos países no passado recepte carregam spreads reduzidos.d.Interna. p. The extent of non-tariff barriers to industrial countries imports. que deve estar atualmente em 2% ou mais.67 0.15 0. Marcelo de Paiva & Fritsch.57 0. p. senão o mais alto.93 1.94 1.programa econômico.96 n. 1. os países selecionados participam com 0. 2.98 1. do mundo. Brasil.04 0. 1985.35 0.d.18 1.60 n.33 n. 2.5% ou mais das exportações mundiais 11 para os quais dados estão disponíveis.92 1. Olechowski.96 1.19 1.41 1.70 0.39 0. set.94 1.95 1. 1978. 1985.93 1.03 1.59 1. As taxas de juros continuam excepcionalmente elevadas em termos reais e não há perspectiva de redução significativa.30 1. os créditos de fontes oficiais continuam limitados.5% acima da libor. Textos para discussão.62 0. n.1250/0e 0.86 n.d.33 1.23 1.d.: n. A menos que a América Latina esteja resignada a renunciar ao desenvolvimento econômico. 1. World Bank discussion paper. 0.92 0. não afetou de modo substancial o spread efetivo sobre o estoque da dívida brasileira com os bancos comerciais.w O acordo recentemente assinado. na maior parte dos casos.03 0. 1.77 2.97 1.93 1. Rio de Janeiro. Jan. No caso da América Latina. Além disso. spreads e comissões incidentes sobre a dívida com refinanciamento de uma parte significativa dos juros devidos ao longo dos próximos anos. Julio J.25 2.03 0. The rise in protectionism. entre 0. portanto.91 1.40 0. que envolvesse diminuição das taxas de juros de mercado.o membros do Fundo Monetário Internacional que respondem por 0..39 1.54 1.17 1. * Trabalho preparado para o XXII Congresso Larmo-americano de Industriais. 23% da dívida externa brasileira encontram-se vinculados àprime rate. v.d.42 0.1986.65 2.85 1.

World Bank. agora também na Fundação Getulio Vargas. 1986.Rio de Janeiro . 5Para uma análise mais detalhada dos fatores que explicam a adoção de medidas protecionistas ver International Monetary Fund. ver Banco Interamericano de Desenvolvimento. a política de prazos mínimos imposta pelo Banco Central. p. El proteccionismo y América Latina en la década dei ochenta. 12. ISCepal. Para outras classificações de barreirasnão-tarifárias. 3-7.FAO. ver Nogués. 22-3. etalii. out. p. Além disso. 17Para uma análise do comportamento recente da relação poupança-investimento nestes sete países. ' 18BancoCentral do Brasil. a respeito. na medida em que não foi possível levar em conta.9. 6VerAbreu.Osspreadsrelativamente elevados pagos pelo Brasil antes da crise de 1982refletem. 9. Progresso sócio-econômico na América Latina . podem estar subestimando os ganhos potenciais advindos de uma liberalização do comércio. e Unctad. p. (Unctad. 12 93. e Unctad. JulioJ. 1985. El proteccionismo de los paises industrializados: estrategias regionales de negociacion y defensa. p. p. ago. p. Balanço preliminar da economia latino-americana em 1985. Banco Interamericano de Desenvolvimento. IOWorld Bank. 1986. Comercio Exterior. Relatório 1985' BID. p. op. 12-22. Unctad. entre outros fatores. mimeogr. llCepal. Mar. Visite as livrarias da FGV. p. 9Estes dados subestimam o aumento das restrições. op. cito tabelas 4 e 6. embora apreciáveis. não foram consideradas todas as restrições não-tarifárias que afetam suas exportações. Marcelo de Paiva & Fritsch.Dívida externa: crise e ajustamento Relatório. ago. 1986. cit. o fato de que muitas barreiras comerciais são aplicadas de maneira discriminatória contra os países em desenvolvimento. e não os efeitos da intensificação das já existentes. op. 1981. 1985. Fernando de & Gitli. 30-6. op. 35-53. 8Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). 24. 4Id. Progresso sócio-econômico na A mérica Latina . abr. Part I: Restrictions to trade and structural adjustment. 85. 12Foram selecionados 150produtos que representam mais de 85070 das exportações dos países em desenvolvimento. "Unctad. nas simulações. p. p. Geneva. Notas sobre la economía y el desarrollo. Informativo Mensal. 86. cit. 143-4. p. com o intuito de manter certo controle sobre o perfil da dívida. op. 2. op. 13. p. ver Obras da FAO • Agricultura • Produção e proteção vegetal • Produção e saúde animal • Pesca ií't • Alimentação e nutrição • Desenvolvimento econômico e social • São alguns dos temas dos livros e periódicos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação . ibid. cit. op.) 14Para uma estimativa dos custos do protecionismo. 4-8. p.RJ 47 . cit.p. p. tabela 3. cit. Ver.000 .3Id. e Matteo.feb. cit. maio 1982. 16Cepal.p. op. 41. 18-23. DfvidIJ extema Solicite catálogo. na medida em que consideram somente as novas barreiras. Eduardo. Progresso sócio-econômico na América Latina: Rela: tório. Winston. 6-7. mimeogr. México. 32-3. cit. dez. p. Brasil Programa Econômico. 13Valea pena ressaltar que estes resultados. 35-64. ibid. World Development Report 1986.Dívida externa: crise e ajustamento. p. op. E peça pelo Reembolso Postal à: FGV/Edltora Divisão de Vendas Caixa Postal 9052 20. jan. 1986. cit. mimeogr. Proteccionismo y ajuste estructural: reflexiones en ocasión dei XX Aniversario de la Unctad. 40-1. Problems of protectionism and structural adjustment: report by the Unctad secretariat. Divisão de Comércio Internacional e Desenvolvimento. 19BancoCentral do Brasil. 1981.

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