You are on page 1of 4

FEUDALISMO NA AMÉRICA LATINA: UM DEBATE

Baschet inicia este tópico questionando duas teorias da historiografia colonial latina: o modelo de colonização que fora implantado no continente teria sido o feudal e este se estenderia até os dias atuais. Teóricos do marxismo afirmam, por tanto, que os países da América latina viveriam num estado anterior ao capitalista e que por tanto este estágio deveria ser remediado com o apoio dos “burgueses progressistas”. Uma outra vertente, afirma que a América Latina teria aderido ao capitalismo desde o século XVI. No entanto, segundo Ernesto Laclau, professor da Universidade de Essex na Inglaterra, ser possível trata-se de uma teoria da dependência, enfatizando o laço entre o desenvolvimento das zonas centrais do sistema e a manitenção do arcaísmo da sua periferia sem por isso afirmar que a América Latina estava integrada ao capitalismo mundial desde o século XVI. Ou como coloca o próprio Baschet: “é igualmente possível admitir que a América colonial permanecia précapitalista sem por isso fazer o jogo das ortodoxias stalinistas”. Depois dele, vários teóricos serão apontados para a discussão tais como Enrique Semo, que aponta para uma formação socioeconômica na qual o que ele coloca como “despotismo tributário”, feudalismo e capitalismo embrionário estariam na sociedade latino americana de maneira simultânea, desde sua colonização, como disse “inserem [se] nos poros da sociedade „pré-capitalista‟ colonial”. Já para Ciro Flamarion Cardoso, aponta para necessidade de tal discussão acerca destas especificidades dos diferentes modos de produção colonial dentro dos cânones do marxismo. Jérôme Baschet, continua em sua argumentação trazendo vários outros exemplos de teóricos que postularam contra ou à favor da tese do feudalismo tardio latino, no entanto, pode-se encerrar esta discussão com as palavras de Marcello Carmagnani e Ruggiero Romano, que afirmam que neste panorama

socioeconômico da América Colonial não se pode fazer uma caracterização global. Presumimos que pelo fato de terem ocorrido pelo menos dois modelos de

basicamente. contudo.. mas sem Estado definido. Desenvolvimento dos poderes monárquicos do estado. etc. Porém. isto seria admitir uma visão caricatural e unilinear da história reduzia. os autores sugerem o abandono de um debate como este que privaria todos de uma perspectiva útil para captar em sua globalidade e longa duração. conflitos e divergências no interior da igreja. marcada por uma mistura de conivência e de concorrência e suscetível de equilibrar diversamente suas relações e suas respectivas prerrogativas. sem. entre outras. um caráter de universalidade. os fenômenos históricos de grande alcance. por tanto.colonização – luso e hispânico – e que a situação econômica dos países latinos é. UMA DEFINIÇÃO DE FEUDALISMO O historiador francês trás como definição para o modo de produção feudal o sistema cuja estrutura é um entrelaçamento de relações múltiplas. alianças entre grupos urbanos. nobres e não-nobres. mas como os . clérigos e laicos. desenvolvimento das trocas. etc. de acordo com o autor. por serem em geral muito visíveis estas características são claremente submetidas às precedentes: estruturação vassálica e lutas internas no seio da aristocracia. Enfim. como as tensões entre campo e cidade. ao menos. mas sem mercado. que explicaria. E. mostra que as características do sistema feudal dizem respeito. de onde sairá o estado. O autor com isso limita-se ao essencial da caracterização das sociedades feudais. Em suma. conduzir à verdadeira alternativa. à existência de tensão entre monarquia e aristocracia. estes são os aspectos mais visíveis da dinâmica feudal. a proliferação dos eventos ou a extensão das experiências deste modo de produção. tias como senhores e produtores dependentes. de uma diferença gritante. que seria a nobreza ou a monarquia. Eles seguem afirmando que o ponto chave da discussão está no fato de que alguns teóricos tentam dotar os conceitos de capitalismo e feudalismo um caráter maior do que realmente tem. outras cujo papel seriam importante sem ser tão fundamental. hoje. Podendo-se identificar nelas algumas artiluções principais.

PARTE DE MAYANA. são constatadas também as diferenças suficientemente improtantes para acrescentar que seria ilegítimo definir a condição da América Latina apenas com este termo. PARTE DE MAYANA. observando a presença das características comuns para considerar. UM FEUDALISMO TARDIO E DEPENDENTE? Com este tópico o autor pretende apontar a necessidade de reconhecer o caráter determinante do laço com a metrópole e as especificidades da organização colonial. PARTE DE MAYANA. E Ele mesmo responde que como já havia exposto. há de se levar em conta as especificidades da realidade colonial. PARTE DE MAYANA. como o próprio Baschet expõe. Para. marcada por uma situação de dependência e uma posição periférica que permitem a possibilidade de formas de organização e de . E ele o faz comparando a sociedade feudal européia e o mundo colonial latino.colocar em paralelo com os acontecimentos europeus e latino americanos? É o que o autor se proporá a analisar no próximo tópico. PARTE DE MAYANA. ESBOÇO DE COMPARAÇÃO ENTRE EUROPA FEUDAL E AMÉRICA COLONIAL PARTE DE MAYANA. pertinente a aplicação do conceito de feudalismo. PARTE DE MAYANA. PARTE DE MAYANA. além disso: quais as vantagens que poderia se tirar da noção de feudalismo tardio e dependente? Indaga posteriormente o autor. PARTE DE MAYANA. então. Mas. PARTE DE MAYANA.

Não é classificá-la apenas.exploração específicas e diversificadas. salienta o próprio autor. CONCLUSÃO: ALÉM DA NOMECLATURA. O autor tenta realizar nesta parte. Em momento algum o intuito da discussão foi reproduzir na realidade latina colonial os esquemas de época e espaço europeus. não teria sentido para a atual historiografia que busca muito mais interpretar e compreender do que catalogar. . muitas vezes a história passa é analisada nos moldes europeus e o que se faz e prensar os outros continentes neste mesmo molde a fim de ter a necessidade de elaborar nenhum outro. Haja vista as especificidades de cada local. isto. integrando esses traços singulares em um sistema em que prevalece a lógica do centro. colocar uma etiqueta. Ou seja. uma análise das condições e especificidades locais. nas quais se exerce as relações de dependência conducente a uma articulação dominante. longe de criar um obstáculo à identificação atenta das realidades sociais complexas e diversificadas que aí se manifestam. RELAÇÕES BOAS PARA PENSAR O objetivo deste texto não é. uma apresentação da sociedade medieval e de sua dinâmica em paralelo com a situação das colônias para que se possa compreender sua formação e por tanto julgar suas condições atuais partindo de uma postura mais crítica e embasada. pois. Neste tópico ele apenas traça um quadro geral que considera ser mais conveniente. como diz o próprio autor. para uma abordagem mais detalhada e bem elaborada. sobre a realidade social e histórica da América latina. A utilidade do reconhecimento do sistema vigente nas terras latino americanas é ajudar a melhor identificar a lógica fundamental que serve de base à organização e à evolução do mundo colonial e se. ela contribua a lhes dar um sentido. absolutamente.