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Orientações sobre espaços passíveis de compartilhamento nos Cras O Cras é uma unidade pública descentralizada da assistência social, responsável

pela oferta (obrigatória) do principal serviço de proteção social básica: o Paif, tipificado por meio da Resolução CIT nº109, de 11 de novembro de 2009. Embora seja um equipamento estatal, os espaços físicos nem sempre são de propriedade das prefeituras municipais. Muito embora a propriedade seja um elemento importante para a execução dos serviços, é possível que a implantação de Cras se dê em imóveis cedidos ou alugados. Diante das dificuldades dos municípios na aquisição de imóveis para implantação do Cras, muitos gestores optam por implantar CRAS em imóveis compartilhados. Considerando essa realidade, este documento explicita que tipo de compartilhamento tem sido praticado, com base nos dados dos Censos Cras 2008 e 2009, e orienta Estados, Distrito Federal e municípios, responsáveis pelo apoio técnico e financeiro. Prerrogativas Os documentos “Orientações Técnicas para o Centro de Referência da Assistência Social – Cras” e “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços orientam gestores e projetistas municipais” 1 e estabelecem parâmetros fundamentais referentes aos espaços físicos dessas unidades. São espaços mínimos exigidos para que um imóvel possa ser a sede de Cras e, portanto, que obrigatoriamente oferte o Paif 2 : • recepção; • sala de atendimento; • sala de multiuso; • sala de coordenação; • copa; • conjuntos de instalações sanitárias; • almoxarifado. A quantidade e a metragem dos espaços ficam condicionadas à relação entre famílias referenciadas ao Cras e a sua capacidade de atendimento anual. 3 É imprescindível que os espaços que compõem os Cras garantam acessibilidade aos seus usuários. O documento “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços” propõe a adoção do “conceito contemporâneo de ‘acessibilidade’ (que) transcende o favorecimento à autonomia de acesso a pessoas com deficiência, abrangendo, mais
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Neste documento, são apresentados modelos de plantas e sugestões de soluções e adaptações para o gestor municipal e deve ser fonte de estudo e consulta periódica. 2 Estes espaços devem assegurar adequada iluminação, ventilação, conservação, privacidade, salubridade e limpeza, e que expressem a cultura local.
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“A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços. Orientações para gestores e projetistas municipais”; página 29.

• estruturas administrativas. Isso quer dizer que os Cras não podem funcionar nestes espaços. ao órgão gestor cabe a organização e gestão do Sistema Único de Assistência Social (Suas) no âmbito do município. O funcionamento do Cras em estruturas administrativas. entre outras. que as “criança” ou “idosos”. • organizações não governamentais (ONGs). e as Orientações Técnicas do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) não é permitido o compartilhamento dos CRAS com: • associações comunitárias. o que implica garantia de um espaço de uso “equitativo. ainda que relativas à assistência social. Explicando melhor. a oferta do Paif cabe aos Cras e. Garantidos os recursos humanos e os espaços exigidos para oferta do Paif.098/2000.048/200 e nº10. Por sua vez. e a norma técnica ABNT NBR 9050: 2004. os Cras devem estar adequados às normativas relacionadas à garantia de acessibilidade. Isto significa. natural. prejudicando a garantia da 4 Página 40. também demandam condições de acessibilidade próprias”. todas as pessoas que fogem ao arquétipo de homem/mulher adulto(a). intuitivo e seguro. por exemplo. públicos frequentes nos Cras. prevista em Lei e na Política Nacional de Assistência Social. prefeituras.296/04. Não obstante a adoção deste ‘desenho universal’. (propiciando a) redução do esforço físico e da informação perceptível para todos” 4 . versátil. conforme disposto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais. exclusivamente à esfera estatal. Aos Cras cabe a oferta do Paif e a organização. o Cras materializa a descentralização dos serviços. e. sob pena do não cumprimento da premissa de oferta estatal do Paif. Neste sentido. Ou seja. De acordo com o previsto nas Orientações Técnicas do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). articulação e coordenação da rede socioassistencial de seu território. é vetado que os Cras funcionem em imóvel compartilhado com associações comunitárias ou ONGs. . deve-se observar as regulações específicas quanto aos espaços apresentados na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais e demais normativas específicas de cada serviço. os Cras podem ofertar outros serviços da Proteção Social Básica (PSB). as funções desta unidade pública local não devem ser confundidas com as do órgão gestor da política de assistência social (ou outro qualquer).amplamente. induz a equívocos quanto às responsabilidades específicas das equipes de referência. de 1º de Julho de 2008. Sobre compartilhamento Segundo a Resolução CIT nº 06. subprefeituras. que regulamenta as leis nº 10. Para tanto. como secretarias municipais de assistência social ou outras secretarias municipais e/ou estaduais. Dentre os principais instrumentos reguladores destacam-se o Decreto nº 5. ao possibilitar que essas assumem tarefas que não lhe são próprias.

bem como as especificidades relativas à acessibilidade. Da mesma forma. desde que seu espaço físico seja proporcional ao quantitativo de pessoas atendidas em todos os serviços. desde que seja estabelecida agenda compartilhada para a utilização do espaço. considera-se. sejam passíveis de compartilhamento. D) Copa. desde que o trânsito de públicos distintos não prejudique o desenvolvimento das ações do Paif e de gestão do Cras. desde que haja capacidade de suporte às atividades realizadas no Cras. ou voltado para alocar materiais pedagógicos e de suporte para as atividades coletivas. em geral encontra-se nos CRAS dois tipos principais de almoxarifado: voltado para alocar produtos alimentícios (quando as unidades oferecem alimentação a públicos determinados). 5 Conforme disposto no documento “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços. São passíveis de compartilhamento os seguintes espaços. Garantidas as restrições anteriormente explicadas. que determinados espaços nas edificações onde funcionam os Cras. . a identidade do equipamento enquanto lócus da execução do principal serviço da PSB deve ser preservada. poderá compartilhar a copa. resguardando-se a primazia da oferta do Paif. observando a exclusividade de uso dos seguintes espaços: recepção. F) Áreas externas. essas dimensões devem ser revistas. E) Salas de multiuso e auditórios. B) Banheiros. nos locais de mais fácil visualização para população usuária. previstos no documento “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços: Orientações para gestores e projetistas municipais”. C) Almoxarifado. Orientações para gestores e projetistas municipais” (páginas: 35-36). desde que este possua condições para acondicionamento em separado dos itens pertencentes a cada serviço. preferencialmente em armários com chave 5 . uma copa de 5m² destina-se exclusivamente às atividades do Paif. Ou seja. desde que respeitados os cálculos de capacidade. sala de atendimento individual (garantindo sigilo no atendimento). desde que resguardadas as seguintes premissas: A) Primazia da oferta do Paif. a identidade do Cras deve ser garantida por meio de placas padrão e sinalizações estrategicamente posicionadas nas áreas externas do imóvel. sempre que o Cras funcionar junto com outros equipamentos públicos em uma mesma edificação: A) Entrada. seu vinculo e referência dos usuários. O documento apresenta a sugestão de que a organização destes espaços leve em consideração demandas locais. podendo ser planejado em consórcio com a sala multiuso. descumprindo o princípio da descentralização e territorialização dos serviços.oferta dos serviços. Segundo o documento já citado. Caso o Cras oferte outros serviços. sala da coordenação e sala multiuso. ou seja. com clara identificação daquilo que se refere ao Cras. B) Garantia de identificação do equipamento. ou seja. desde que resguardada a existência de recepção exclusiva para o Cras (adequado. sobretudo para edifícios com diferentes serviços em diferentes andares ou para Cras instalados em construções de grandes dimensões). se o Cras compartilha edificação com serviços de outras políticas públicas.

.Tal situação não deve ser entendida como compartilhamento de espaço. mas uma cessão de uso de espaço físico do Cras para atividades de interesse público ou social e que extrapolam o serviço Paif. Também é um importante documento para os Conselhos de Assistência Social e demais atores que participam do controle social da política de assistência social. coordenadores e equipes técnicas responsáveis pela implantação. uma agenda também deve ser elaborada e a primazia da oferta do Paif assegurada. sua articulação com a Proteção Social Especial e com os demais serviços locais. CRAS: A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços o Orientações para gestores e projetistas municipais Guia que responde de que maneira a estrutura física do CRAS pode favorecer a qualificação da prestação de seus serviços essenciais. Nesse caso. organização e consolidação da Proteção Social Básica de Assistência Social. Documentos e links relacionados: Centro de Referência de Assistência Social (Cras) – Orientações Técnicas Publicação destinada a gestores.