DIREITO À VIDA OBSERVAÇÃO: A inviolabilidade do direito à vida – art.

5to, caput – enquanto direito individual fundamental, não abrange toda e qualquer forma de existência, referindo-se tão somente à vida humana. Ligado de forma indissociável à dignidade da pessoa humana, valor constitucional supremo e um dos fundamentos da República Federativa do Brasil – CF, art. 1.°, III – o direito à vida deve ser compreendido em dupla acepção: I. O direito a permanecer vivo II. O direito a uma existência digna – CF, art. 170. DIFERENÇA ENTRE INVIOLABILIDADE E IRRENUNCIABILIDADE Inviolabilidade consiste na proteção contra violações por parte de terceiros. Não se confunde com irrenunciabilidade, a qual atinge a própria pessoa envolvida, impedindo-a de abrir mão deste direito. O DIREITO À VIDA, PELO FATO DE SER PRESSUPOSTO DE TODOS OS DEMAIS DIREITOS ADQUIRE PESO ELEVADO NA PONDERAÇÃO COM OUTROS BENS JURÍDICOS, MAS PODE SER CONSIDERADO UM DIREITO ABSOLUTO? Além da hipótese de pena de morte em caso de guerra declarada, prevista expressamente no texto constitucional – CF, Art. 5°, XLVII, a inviolabilidade de tal direto pode ser afastada em casos de colisão com o mesmo bem titularizado por terceiros, como nos casos de legítima defesa e estado de necessidade, ou ainda, em hipóteses excepcionais, como outros valores constitucionalmente assegurados, como os direitos fundamentais de uma gestante. INÍCIO DA VIDA HUMANA Dentre as inúmeras concepções existentes acerca do início da vida humana, quatro podem ser destacadas: 1. 2. 3. 4. Corrente da Concepção Corrente da Nidação Corrente da Formação da Placa Neural Corrente da pessoa humana “tout court”

1ª – Defende que a vida humana teria o seu início a partir da concepção, com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, da qual resulta um ovo ou zigoto. O Pacto de São José da Costa Rica, incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto 678/1992, dispõe que o direito à vida deverá ser protegido por lei e, em geral, a partir da concepção. Atenção: Marcos de Almeida advoga que a idéia de proteção da vida humana pelo Estado a partir da concepção não resiste à análise do que ocorre cotidianamente no organismo das mulheres. Segundo o professor de Bioética da Universidade Federal de São Paulo, a maioria dos embriões é expulsa durante a menstruação sem que a mulher perceba, sendo que apenas 27% dos óvulos fecundados resultam em bebês. Revista época n° 465. 2ª – A segunda corrente entende que vida humana em potencial começaria a partir do início da vida viável – NIDAÇÃO – Uma vez que o embrião não pode se desenvolver fora do útero. Esta ocorre com a fixação do zigoto no útero materno. 3ª - Por outro lado, há quem sustente que o dado fundamental deva ser a capacidade neurológica de sentir dor ou prazer, o que ocorre por volta do décimo quarto dia após a concepção. De acordo com esta terceira corrente, a vida humana surgiria a partir da formação do sistema nervoso central.

Na ação direta de inconstitucionalidade – ADI 3510. No julgamento prevaleceu o voto do ministro Carlos Ayres Britto – Relator -. sendo que “a inviolabilidade de que trata o Art. 5to da Lei Maior diria respeito exclusivamente a um indivíduo já personalizado”. sem o consentimento da gestante: • Pena . • Art. dotadas de personalidade civil – CC. o STF analisou a constitucionalidade da Lei 11. pelo Conselho Federal de Medicina: “um pré-embrião em estágio de oito células sem desenvolvimento da placa neural não pode ser considerado um ser humano. 125 . começa.reclusão. . não se manifestando uma clara definição. desde que a medida seja constitucionalmente adequada à proteção do feto. Assim como são expectativas de vida os gametas masculinos e femininos. de 3 (três) a 10 (dez) anos. Segundo o relator.Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: • Pena . Juridicamente a vida teria seu início a partir da formação da placa neural. ou se o consentimento é obtido mediante fraude. porque nativiva”. que permite a utilização de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos e de pesquisa.OBSERVAÇÃO: Esse é o entendimento do Tribunal Constitucional da Alemanha – “Vida. no qual ficou consignado que as pessoa físicas ou naturais seriam apenas as que sobrevivem ao parto. grave ameaça ou violência.Aplica-se a pena do artigo anterior. se a gestante não é maior de 14 (quatorze) anos. É uma expectativa potencial da vida. ou é alienada ou débil mental. Qualquer opção que venha a ser adotada deve se pautar por critérios científicos e racionalmente justificáveis tendo em vista que a laicidade do Estado brasileiro torna ilegítima a adoção de argumentos religiosos na esfera pública. quando o feto passa a ter capacidade de existir sem a mãe.detenção. no décimo quarto dia depois da concepção – O processo de desenvolvimento que então tem início é contínuo. mas não fixou o momento a partir do qual a vida humana deve ser protegida. O ABORTO e a EUTANÁSIA ABORTO NO CÓDIGO PENAL • Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento • Art. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 124 . 105/2005 – Lei da BIOSSEGURANÇA.Provocar aborto. A inexistência de uma resposta consensual não impede a fixação legislativa do início e do grau de proteção do direito à vida. 4ª – A quarta concepção adota o entendimento de que a passagem da “pessoa humana em potencial” para a “pessoa humana tout court” ocorre entre a vigésima quarta e a vigésima sexta semanas de gestação. nem se permitindo qualquer delimitação precisa entre as várias fases de desenvolvimento da vida humana” – Luís Roberto Barroso – Gestação de fetos anencefálicos e pesquisas com células-tronco. Art. 126 . a Constituição “não faria de todo e qualquer estágio da vida humana um autonomizado bem jurídico. • Aborto provocado por terceiro • Art. mas da vida que já é própria de uma concreta pessoa. A Constituição brasileira de 1988 assegurou a inviolabilidade do direito à vida. Processo Consulta n° 1698/1996. • Parágrafo único . é defendida por Luís Roberto Barroso. de 1 (um) a 3 (três) anos. Atenção: Essa concepção. no mesmo sentido. 104. no sentido de existência em desenvolvimento de um indivíduo humano. que cita o entendimento adotado.reclusão. formação da placa neural. por volta do 14° dia após a fecundação. isoladamente” – CFM. de acordo com reconhecidas descobertas biológico-fisiológicas. OBSERVAÇÃO: Este é o entendimento adotado pelo Comitê de Ética da França. p. 2°-. A lei 9.Provocar aborto com o consentimento da gestante: • Pena .434/1997 permite a retirada de órgãos destinados a transplante após o diagnóstico de “morte encefálica” do doador. ou seja.

• Aborto no caso de gravidez resultante de estupro • II . lhe sobrevém a morte. por qualquer dessas causas.As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. quando incapaz.se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. 127 . • Art. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo.• Art. . a gestante sofre lesão corporal de natureza grave.se não há outro meio de salvar a vida da gestante. de seu representante legal. 128 . se. se.Não se pune o aborto praticado por médico: • Aborto necessário • I . e são duplicadas.

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