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ISSN 1415-434X

AUDITORIAS DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Ano 4. Número 15. Brasília-DF. 2001

Responsabilidade Editorial Instituto Serzedello Corrêa Centro de Documentação - CEDOC SAFS Quadra 4 - Lote 1 - Edifício Sede - Sala 3 70042-900 Brasília-DF Fone: (61) 316-7165 Correio Eletrônico: revista@tcu.gov.br Fundador Ministro Iberê Gilson Supervisor Ministro Valmir Campelo Conselho Editorial Lincoln Magalhães da Rocha, Lucas Rocha Furtado, Luciano Carlos Batista, Eugenio Lisboa Vilar de Melo e Salvatore Palumbo Centro de Documentação Evelise Quadrado de Moraes Diagramação Ismael Soares Miguel Ricardo Oliveira do Espírito Santo

Auditorias do Tribunal de Contas da União — Vol. 1, n. 1 (1998) - . — Brasília: TCU, 1998v. Irregular. ISSN 1415-434X 1. TCU - Auditoria . 2. Auditoria. CDU 657.6(05)

Tribunal de Contas da União
Ministros
Humberto Guimarães Souto, Presidente Valmir Campelo, Vice-Presidente Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça Iram Saraiva Adylson Motta Walton Alencar Rodrigues Guilherme Palmeira Ubiratan Diniz de Aguiar Benjamin Zymler

Ministros-Substitutos
Lincoln Magalhães da Rocha Augusto Sherman Marcos Bemquerer

Ministério Público
Lucas Rocha Furtado, Procurador-Geral Jatir Batista da Cunha, Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin, Subprocurador-Geral Ubaldo Alves Caldas, Subprocurador-Geral Maria Alzira Ferreira, Procuradora Marinus Eduardo de Vries Marsico, Procurador Cristina Machado da Costa e Silva, Procuradora

SUMÁRIO

TRT/2ª REGIÃO - CONSTRUÇÃO DO FÓRUM TRABALHISTA DA CIDADE DE SÃO PAULO - Tomada de Contas Especial Ministro-Relator Lincoln Magalhães da Rocha Ministro-Redator Walton Alencar Rodrigues ..................................................... 7

MRE - AUDITORIAS NAS EMBAIXADAS DO BRASIL EM JACARTA E SEUL Auditoria de Desempenho Operacional e de Conformidade Ministro-Relator Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça ...................................... 293

TRT/2ª REGIÃO - CONSTRUÇÃO DO FÓRUM TRABALHISTA DA CIDADE DE SÃO PAULO Tomada de Contas Especial
Ministro-Relator Lincoln Magalhães da Rocha Ministro-Redator Walton Alencar Rodrigues
Grupo II - Classe IV - Plenário TC-001.025/1998-8, com 44 volumes e 06 apensos: TC-001.838/1998-9, TC-005.005/1998-1, TC-700.214/1998-4, TC-003.858/1999-5, TC-007.506/1999-6 e TC-08.817/2000-8. Natureza: Tomada de Contas Especial. Unidade jurisdicionada: Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Responsáveis solidários: Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 018.559.808/00; Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 022.663.348/91; Incal Incorporações S.A., na pessoa de seus representantes legais, Srs. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) – CPF nº 895.904.738/49 e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente) – CPF Nº 044.497.478/44; Grupo OK Construções e Incorporações S.A, na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal , Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto – CPF nº 010.948.581/53; Antônio Carlos da Gama e Silva – CPF nº 656.554.008/04 e Gilberto Morand Paixão – CPF nº 005.156.717/20 (Engenheiros contratados para efetivar o acompanhamento técnico das obras). Ementa: Tomada de Contas Especial. Processo oriundo de solicitação formulada pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo. Apuração de irregularidades na construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Ação do Controle Externo iniciada em 1992, mediante realização de inspeção, gerando a Decisão 231/96-Plenário (TC-700.731/ 92-0). Realização de outra inspeção. Comprovação da prática de atos irregulares. Audiência dos responsáveis. Prolação do Acórdão 045/99Plenário, representado pela rejeição das respectivas razões de justificativa; aplicação de multa; citação dos responsáveis; conversão do processo em TCE; determinação de nova verificação in loco. Interposição de recursos por parte do Ministério Público/TCU requerendo a revisão de deliberações já adotadas em contas anuais do TRT/SP. Realização dos trabalhos de campo em que se traz aos autos cenário com nova dimensão das irregularidades. Identificação de outros responsáveis. Superfaturamento. Quantificação definitiva do débito. Decisão 469/99-Plenário. Citação solidária. Adoção
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da Decisão 591/2000-Plenário no TC-700.115/96-0, refazendo-se as citações, em solidariedade. Indeferimento pelo Supremo Tribunal Federal do Mandado de Segurança 23.560-8. Apreciação de recursos e de embargos de declaração interpostos contra a Decisão 045/99-Plenário. Apresentação de Questão de Ordem ao Plenário, ensejando entendimento no sentido de esta Tomada de Contas Especial centralizar a discussão quanto à apuração de responsabilidades pelo débito. Decretação da indisponibilidade de bens dos responsáveis. Decisão 26/2001-TCU-Plenário. Exame circunstanciado das alegações de defesa. Inclusão em pauta para julgamento de mérito na Sessão Ordinária de Plenário de 09/05/01. Mandado de Segurança 23.952, interposto pela Incal Incorporações S/A. Deferimento de medida liminar. Retirada do processo de pauta. Franqueamento de vista dos autos fora do TCU, na forma daquele mandamus. Irregularidade das contas. Condenação, de parte, dos responsáveis a débito, em solidariedade. Aplicação de multa. Autorização para cobrança judicial, se necessária. Comunicação ao Congresso Nacional sobre sustação do contrato. Solicitação de medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis. Encaminhamento de cópias do Relatório, Voto e das deliberações. Publicação.

RELATÓRIO
Em exame Tomada de Contas Especial constituída em decorrência de desdobramentos resultantes de solicitação formulada pela Sra. Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo, com vistas à instrução de Inquérito Civil Público objeto de investigação de irregularidades nas obras do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da Cidade de São Paulo. 2. Referida solicitação prendeu-se ao fato de esta Corte de Contas já ter promovido, em oportunidade anterior, inspeção junto ao Tribunal Regional do Trabalho-TRT/SP, ocasião em que as apurações destinaram-se à verificação de irregularidades associadas às obras relativas ao Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. 3. A citada fiscalização foi desenvolvida no ano de 1992, por intermédio da Secretaria de Controle Externo no Estado de São Paulo, cujos trabalhos tiveram como escopo o exame da documentação referente ao certame licitatório a que se referia o Edital de Concorrência nº 01/92, à vista do elevado volume de recursos envolvidos. 4. Rememorando os fatos relativos ao marco inicial dos trabalhos concernentes à ação do Controle Externo, os quais desencadearam processo de fiscalização, como sabemos, de grande relevo, permito-me reproduzir trecho de um dos relatórios elaborados pelo eminente Ministro Adhemar Paladini Ghisi, quando da apreciação da matéria em Sessão de 05/05/99 (Ata nº 16/99), propiciando assim uma melhor compreensão do assunto desde o seu nascedouro, em que pesem as discussões sobre a espécie já travadas no âmbito deste Colegiado:
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“2. Em conseqüência, foi produzido extenso relatório, autuado sob o nº TC700.731/92-0, onde se dava notícia de que o certame havia sido vencido pela empresa Incal Incorporações S. A., que apresentara proposta para construção de um complexo que seria edificado em um terreno de 12.578m2, localizado ‘na Avenida Marquês de São Vicente com a Rua José Gomes Falcão (antiga Rua São Francisco de Assis) e Rua do Bosque’ a ser, também, ‘fornecido’ pela empresa vencedora, que destacou como um dos principais pontos positivos do terreno sua ‘acessibilidade urbana’: localizado a aproximadamente 500m do complexo intermodal de transportes de Barra Funda, com suas estações de metrô e do trem metropolitano da FEPASA, além da proximidade com a Av. Marginal Tietê. 3. A grandiosidade da obra pode ser vislumbrada a partir de alguns dados: um complexo constituído de duas torres, de dezessete andares cada, com uma área construída total de 84.053,96m2; projeto para a instalação de 112 Juntas de Conciliação e Julgamento; auditório para 420 pessoas; 16 elevadores públicos de alta velocidade (120m/m) e quatro elevadores privativos; salas de leilões; salas para as Associações dos Vogais; cobertura com creche, solarium e heliporto ‘para acessos especiais’; estacionamentos no subsolo e térreo com capacidade para 1.500 automóveis; saguão de entrada do andar térreo (Praça da Justiça) com a área de 1.400m2, com cobertura em estrutura metálica espacial; previsão para gerenciamento predial mediante a supervisão da segurança do edifício, de seus funcionários e do público usuário por intermédio de cartões de acesso, de portas com fechaduras eletrônicas e da monitoração dos movimentos internos por circuitos fechados de televisão. 4. Mereceu especial registro por parte da equipe auditora a inadequação do objeto licitado, uma vez que, consoante destacado nos diversos pareceres uniformes, deveriam ter sido realizados dois certames distintos: um para a aquisição do terreno, outro para a realização das obras propriamente ditas. Desse erro inicial, originaramse diversas outras impropriedades decorrentes da elaboração do contrato, uma vez que esse fora redigido como se a operação fosse uma simples ‘aquisição’, e não uma contratação de obra pública, como realmente era. 5. Relevante registrar algumas observações feitas pela SAUDI por ocasião de seu pronunciamento sobre a matéria, colhido por determinação do então Relator da matéria, Exmo. Sr. Ministro Marcos Vilaça: ‘No caso de que tratam os autos, o fato de o edital de licitação ter batizado o objeto licitado por ‘aquisição de imóvel’, quando todas as suas características apontam na direção de uma ‘obra de engenharia’, não autoriza o enquadramento, por parte da contratante, do conseqüente contrato sob a espécie ‘compra e venda’, com todas as suas características e simplificações (...)’. ‘Dentro dessa mesma linha de raciocínio, considerando que o percentual correspondente à aquisição do terreno corresponde a apenas 3% do valor total do contrato, há que se indagar o que seria acessório nesse contrato: o terreno ou a obra? A nosso ver, não é aplicável, ao caso, a conceituação constante do art. 43 do Código Civil, segundo a qual a construção é acessório do terreno. No que tange à
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considerando diversos elementos de comparação. tais importâncias teriam sido repassadas ‘sem a exigência de outras garantias idôneas se não uma escritura de compromisso de venda e compra que. somente se constitui em direito real na condição de vir a exigir o objeto prometido’.731/92-0. Nicolau dos Santos Neto (ex-Juiz-Presidente do TRT/2ª Região e então Presidente da Comissão de Construção do Fórum) e os Srs. 7. na forma sugerida pela Secretaria de Controle Externo/SP. foi constatado que o preço de aquisição ficou cerca de 20% acima dos valores de mercado’ (laudo técnico emitido por engenheiro da Caixa Econômica Federal. praticamente o preço total do empreendimento. Tal fato foi duramente questionado. que apresentaram as justificativas que entenderam pertinentes. Brasília-DF.A. Registrou-se. ressaltou a autoridade signatária da peça exordial deste feito que se encontravam ultrapassados os prazos contratuais avençados entre o TRT/SP e a empresa Incal Incorporações S.materialidade do fato.. contrariando praxe comum nos contratos de obras públicas. Ata nº 17/96). juntou diversos pareceres jurídicos especialmente emitidos por alguns dos mais renomados juristas. uma vez que se pactuou a liberação de parcelas em datas específicas. com vistas à verificação do estágio 10 Auditorias do TCU. que não poderia responder por uma eventual inadimplência. nos autos daquele TC-700. especialmente no que tange ao Estatuto de Licitações e Contratos então em vigor. 6. a citar Miguel Reale. Para tanto. Ao apreciar as apurações resultantes daquela primeira inspeção. Fazendo alusão ao tempo decorrido desde a adoção da mencionada Decisão. por solicitação do então Relator. devendo.. entendemos nós. 6. em nossa opinião. 8. como vimos. então. Foram. após cuidadosa pesquisa no mercado. ouvidos o Sr. reunido em Sessão Ordinária de 08/05/96. prolatou a Decisão nº 231/96Plenário (TC-700. Número 15.” muito faltando ainda para a conclusão da obra. 2001 . Outro ponto sobejamente discutido na oportunidade foi a forma de pagamento acordada. 7.).” 5. independentemente da realização de medições físicas dos serviços realizados.. mormente ante o entendimento então unânime de que a empresa vencedora possuía capital social ínfimo. Com tais justificativas. apresentou manifestação defendendo a legalidade dos procedimentos. (.. Nesse caso. Também a empresa Incal Incorporações S. A. Ano 4. precedendo-se a diversas deliberações que se seguiram. requereu a Sra. Ministro Marcos Vilaça). Procuradora informações sobre as medidas adotadas pelo Tribunal visando ao esclarecimento dos fatos e apuração de responsabilidades. é nítido que a parcela mais expressiva das despesas referemse às obras. Membros da Comissão de Licitação. ainda à época. o que estaria a caracterizar o pagamento antecipado dos serviços. justificando seu interesse nos autos. cujo pleito ensejou a realização de nova inspeção. que ‘quanto à avaliação do custo do imóvel adquirido. o Tribunal Pleno. José Afonso da Silva e Toshio Mukai. Mais ainda.731/92-0. “e já tendo sido pago pelo Tesouro Nacional. ser regida pela legislação aplicável à matéria. o terreno e não a obra deva ser tido como acessório’.

560. Ministro Adhemar Paladini Ghisi (f.00 (sete milhões e seiscentos mil reais).1) ausência de dados necessários à composição dos custos de serviços como estrutura espacial para cobertura e fechamento lateral. instalações elétricas e eletrônicas. não obstante seja desconhecido o montante de recursos financeiros efetivamente empregado pela Contratada nesses contratos. Relator.70%. Ano 4. 290/7. havendo a equipe responsável . d. 8. 50/75 (volume principal-I). Auditorias do TCU. Délvio Buffulin. parágrafo 2º.em que se encontrava a referida obra e sua conseqüente compatibilização com o montante de recursos financeiros efetivamente despendidos. 2001 11 .000. quinhentos e sessenta mil. alínea ‘f’.. fundamentada no art. tendo sido os mencionados agentes públicos interpelados acerca das seguintes questões (f. 43. já são considerados no item ‘0600 – despesas indiretas’. inciso II.600. em que pese sejam itens característicos de ‘despesas indiretas’. esquadrias metálicas. então Presidente do TRT/2ª Região e do Sr. contou com o beneplácito do Sr. e § 4º. defesos a teor do art. d) inobservância ao disposto nos arts.5) dedução indevida de Imposto de Renda sobre o lucro (35%). Número 15. uma vez que autorizam pagamentos com base no montante de recursos financeiros que a Construtora alega ter sido alocado no empreendimento. e não na medição física dos serviços já executados. Brasília-DF.sugerido audiência do Sr. dificultando acompanhamento e fiscalização da execução contratual.A. da Lei nº 8. em torno de 64.666/93. 38 do Decreto nº 93.872/86.2) utilização de ‘verba’ para tais serviços. d. porquanto não cabe incidência sobre uma obra específica. à época Presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. de 98. 7º. implicando a imprecisão do objeto e. visto que. 6º. haja vista que o orçamento aduzido pela Incal Incorporações S. 275/6. para apuração do lucro real do período. há que se considerar todas as operações globais da empresa. sistemas para ‘edifício inteligente’. volume principal-I).31 (quatorze milhões. tendo em vista a incompatibilidade entre o montante de recursos liberados. d. volume principal-I): “a) pagamentos antecipados à Incal Incorporações S. c) distorções nos pareceres técnicos emitidos pelo engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva. da Lei 8. d. duzentos e oitenta e três reais e trinta e um centavos). Nicolau dos Santos Neto. cuja providência. por conseguinte.diante das impropriedades detectadas . tampouco o quanto representa nas medições físicas. a saber: d. b) pagamentos de ‘contratos à ordem’.443/92. no valor de R$ 14. conforme levantamento da Equipe de Inspeção. (base dez/97) não contém os elementos indispensáveis para que a Administração possa aferir a composição de todos os custos unitários.283. inciso IX. e o estágio físico atual da obra.A.3) incidência indevida da taxa de BDI (benefício e despesas indiretas) sobre itens discriminados como ‘custos’ (20% do total do orçamento). c/c com o art.11%. II. Os trabalhos de campo levados a termo resultaram na elaboração do circunstanciado relatório inserido à f. no valor de R$ 7.4) registro do item ‘equipamentos’.

(nove milhões. Brasília-DF. no valor de R$ 2. como os itens: forros (55.000.6) despesas financeiras de 8. elétrica/telefonia (99. de 6% para ‘instalações elétricas/telefonia’ e 10%. paisagismo (33.5%.92%).97%).34%).A. h) tratativas com a Incal Incorporações S. 2001 .2) apropriação indevida de 96. em fase de projeto.05%).d. pressupondo resultados negativos do fluxo de caixa. a despeito da inexecução contratual e do não cumprimento dos prazos estipulados para o término da obra. quanto aos itens: esquadria madeira (86.00 (dois milhões. não obstante constar das planilhas de medição elevados percentuais de execução.60% para 37. o que se afigura descabido.000.42% para 8. respectivamente. especialmente: f.340. encontra-se muito aquém da finalização. ou redes embutidas.2) itens de orçamento nos quais nenhum ou praticamente nenhum serviço foi realizado.25%). f) medições superestimadas de quase todas as parcelas de serviços executadas. impossibilita sua medição.57% para 10. da Lei nº 8. visto que o estágio atual das obras indica que foram consumidos na sua execução volume menor de recursos que os repassados à Incal.1%).76% a título de ‘despesas correntes’. 86 e 87 da Lei nº 8.3) incompatibilidade entre as medições contidas nos pareceres técnicos e as da Equipe de Inspeção. e) inclusão nas medições de itens de serviço não compatíveis com o estágio de desenvolvimento das obras nos períodos referidos. eis que inclui serviços de elevado custo e sequer iniciados. Ano 4.00%). para ‘hidráulica’ e ‘ar condicionado’. impermeabilização (93. bem como inexistência no orçamento do item ‘pisos externos’ (67. a saber: e. vidros (98. esquadria metálica (98.4) medição e pagamento de serviços que constam dos pareceres técnicos. como Estrutura Espacial. tendo em vista se configurar 12 Auditorias do TCU.666/93 à Contratada.67%). quando as obras estavam ainda na fase de fundações. f. revestimentos internos (99. trezentos e quarenta mil reais) e as Passarelas Metálicas. e.60%) e pintura (40. além de não representar um serviço. f. avaliada em R$ 9. pisos internos 97.00% para 0.3) apropriação injustificável na fase de fundações e superestrutura.56%).99%).52% para 11.98%).365. o que.00. elevadores (98.1) o item de serviço ‘Superestrutura’. não se consumindo recursos dessa ordem.80%).80% para 48.60%). e sim ‘pavimentação’. f. instalações hidráulicas (99. g) falta de aplicação das sanções administrativas previstas nos arts. de conseqüência. mas não do orçamento.90%). o qual.80% para 15.11% para 6. Número 15.86% para 20.1) 20% da parcela de elevadores foram apropriados na medição de fevereiro de 1994. ar condicionado (99. § 1º. trezentos e sessenta e cinco mil reais).00%).13% para 51. muito embora esse tipo de despesas seja desvinculado de serviços mensuráveis. tais como ‘revestimentos externos’ (99. e. para aditamentos contratuais não abarcados pelo artigo 65. não obstante nessa fase sejam apenas criadas ‘passagens’ para dutos na estrutura. a despeito de constar como praticamente concluído (99. não foi iniciado. contudo.34%) e ‘instalações segurança’ (40.666/93.

infringindo o disposto nos arts.666/93. uma vez que os créditos recebidos não foram utilizados em despesa pertinente ao programa de trabalho vinculado às atividades da unidade que efetivou o provisionamento. bem como ao TC-005. Ata nº 28/98. afora a conformidade com o interesse público. Número 15. caput. 2001 13 . ainda. de 02/10/91.A. face a existência de produtos similares ao piso elevado ‘Powerflor’. além do que a exclusividade deve recair no fornecimento e não fabricação. 11. ser-lhe-ia encaminhada cópia da mesma (Decisão nº 452/98-Plenário. alertando para o caráter provisório das informações nele contidas até então. à vista do desembolso Auditorias do TCU. que o órgão selecionasse propostas mais vantajosas e indicadas ao atendimento do interesse público. entendendo o Tribunal haver razão legítima para a empresa intervir nos autos. k) declaração indevida de inexigibilidade de licitação. o Tribunal decidiu encaminhar cópia deste feito à Procuradoria-Geral da República. ainda. o que possibilitaria. Em nova intervenção no feito.. a zelosa SECEX/SP ressaltou que. insculpido nos arts. informando-lhe que tão logo fosse proferida decisão definitiva. em Sessão deste Colegiado realizada em 22/07/98. mediante provisão. consoante notícias veiculadas pela imprensa. .666/93. e m) divergências entre os preços contratados com a AMP Conectores Elétricos e Eletrônicos Ltda. 10. porquanto caracterizada sua condição de interessada. resolveu.005/98-1 (em apenso). a Justiça Federal havia bloqueado liminarmente novos repasses de recursos à empresa Incal Incorporações S. contrariando o art. 301/3. i) pagamentos à Incal Incorporações S. impondo-se a realização de certame licitatório para cada tipo de serviço necessário ao funcionamento das Juntas de Conciliação.objeto diverso do originariamente contratado. por conseguinte. em meio aos fortes indícios de desvio de finalidade de recursos públicos no caso presente. o qual implicaria abandono ou retirada de tubulação já embutida na laje para a mesma finalidade. 2º e 3º da mesma Lei. e inciso I. 2º e 3º da Lei nº 8. em observância ao princípio constitucional da isonomia. constantes do extrato de inexigibilidade (DOU de 20/01/98) e do extrato do contrato (DOE de 16/02/98). a Corte de Contas deferir pedido de habilitação à empresa AMP Conectores Elétricos e Eletrônicos Ltda. da Lei nº 8.” 9. 25. l) ausência de regular procedimento licitatório para escolha de pisos elevados.A. Brasília-DF. f. porquanto ausentes os requisitos para a inviabilidade de competição. da substituição do projeto original pelo que propõe o cabeamento sob piso elevado. sendo defesa. com créditos orçamentários recebidos de outros Tribunais do Trabalho. aprovado pela IN/DTN nº 10. volume principalI). em desacordo com o Manual da Despesa da União. resultando em significativo acréscimo de custos e reformas no edifício. Naquela assentada. Ano 4. a escolha de marca. considerando que não foi dada a outros fornecedores a oportunidade de demonstrar os seus produtos. economicidade e oportunidade. Em face de requerimentos juntados ao presente processo. j) não ficou cabalmente esclarecida a questão da conveniência.

do valor de R$ 12.A. consistentes especialmente em efetuar pagamentos antecipados à Contratada. volume principal-I). no montante de R$ 36. 2001 . Número 15.352. gerando. Brasília-DF.. c) celebração de aditamento para fins de revisão contratual. no valor de R$ 34. a unidade técnica comprovou que o TRT/2ª Região.. O pagamento só pode ser processado após o empenho e regular liquidação da despesa. situação esta agravada diante dos indícios de paralisação das obras. mormente tendo em vista a antecipação de pagamentos por parte do TRT/2ª Região. b) medições superestimadas de inúmeros itens de serviços. A partir de consulta realizada junto ao SIAFI. incluindo-se os pagamentos a título de contratos à ordem (aqueles que teriam sido contratados mas não se encontrariam fisicamente na obra).871. oitocentos e quarenta e três mil. 12. por conta de aditivo contratual celebrado em 18/06/98. nos valores de R$ 10. o saldo devedor a favor da contratada totalizava R$ 2. tendo em vista que indicam percentual de execução diverso do efetivamente realizado no período analisado. Em decorrência da solicitação de esclarecimentos levada a efeito.088. 13.760. havia emitido duas ordens bancárias em favor da Incal Incorporações S.m. s. com base na solicitação apresentada pela Contratada de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. verbis (f. trezentos e cinqüenta e sete reais e sessenta e nove centavos).639.09 (dois milhões. seiscentos e trinta e nove mil. qual seja. de conformidade com o contrato original.91 (dez milhões.” 14.. setecentos e sessenta reais e noventa e um centavos) e de R$ 2. 316/ 21. Em arremate. Assim é que não se verificou o bom e regular uso do instrumento de que o administrador dispõe para exigir o 14 Auditorias do TCU. trezentos e cinqüenta e dois mil.357.A. É pacífico que as despesas públicas devem-se nortear por etapas definidas em lei. não se configurar o prejuízo invocado pela Incal Incorporações S. 358/83 do volume principal-II. de fato. 378.93 milhões (f. incompatibilidade entre o montante de recursos financeiros (104%) liberados e o estágio físico do empreendimento (68%). volume principal-II).98 milhões em favor da mencionada empreiteira.843.030.j. havendo a Sra.69 (dois milhões. quando da entrega do habite-se (f. pagamentos efetuados sem contraprestação de serviços. ao final. devidamente examinadas pelo órgão instrutivo à f. Busca o legislador exatamente evitar o que se configurou nos presentes autos. de conseqüência. razão por que foi colhido pronunciamento complementar dos dirigentes sobre o fundamento legal para os pagamentos adicionais então efetuados. os exdirigentes aportaram aos autos as correspondentes razões de justificativa (volumes VI e VII).11. na forma de adiantamentos por serviços ainda não executados. Analista. 328/9. considerando que. volume principal-II): “As peças processuais ora apreciadas demonstram à sacidade que os exdirigentes praticaram atos de natureza grave. trinta reais e nove centavos) em abril/98. a despeito de. Ano 4. destacado as seguintes ocorrências então detectadas: “a) antecipação de pagamento por serviços não realizados. assinalou a instrução.

em seu memorável Voto consignou o Senhor Relator. os procedimentos adotados até a presente data. claro está. não deve servir de estímulo ou exemplo a nenhum outro órgão ou entidade públicos a praticarem atos dessa natureza. como forma de não trazer ônus adicional à Administração. que não são verdadeiras as seguintes afirmações dos responsáveis: . É oportuno que se deixe assente. ainda. Qualquer determinação desta Corte de Contas terá que levar em conta esse aspecto. não se manifestou. de se implementar medidas corretivas e punitivas. tendo em vista a fase conclusiva em que se encontram [encontravam] as obras (. Da leitura das peças que conduziram à Decisão nº 231/96 resta evidenciado que.. Não obstante.)’. Apenas rememorando. já então. É importante ressaltar que tal posicionamento deste Tribunal. decidiu ‘aceitar.” 15. Evidente que quem aceita. Brasília-DF. tendo em vista o tempo decorrido durante a tramitação do processo. As investigações em curso no Ministério Público Federal e na Justiça Federal poderão ainda futuramente demonstrar que a antecipação de pagamentos deu azo a que a Contratada desviasse para paraísos fiscais parte dos recursos que deveriam ter sido aplicados na obra. que vise regularizar as situações inaceitáveis que ainda persistem neste processo. pela Corte. Tais intenções estão explícitas no Voto do Relator. o Tribunal. desde logo. pelo TRT-SP. que o Tribunal.) considerando as últimas informações a respeito do estágio em que se encontram as obras do edifício que irá sediar as Juntas Trabalhistas da cidade de São Paulo. ao submeter a matéria ao descortino do Colegiado para efeito de avaliação das razões de justificativa produzidas pelos responsáveis. a esta altura. Ano 4. 3. qual seja. o pagamento somente após a efetiva liquidação da despesa. também. em setembro próximo.05. Número 15. Ministro Adhemar Paladini Ghisi. verbis (Acórdão 045/99. que então aparentava ser iminente. preliminarmente. ao apreciar a matéria na Sessão de 08. o Tribunal deverá adotar uma das alternativas propostas pelas Unidades Técnicas que se manifestaram nos autos. existia o reconhecimento.este Tribunal ‘teve oportunidade de apreciar e analisar o contrato de que cuidam os autos e concluiu pela sua legalidade.’ 4. Auditorias do TCU. com o fito de não obstar a conclusão da obra. optou pela aceitação preliminar dos procedimentos. quer do procedimento licitatório. nesta assentada. apenas em caráter preliminar. Ata nº 16/99-Plenário): “2. pela aceitação definitiva dos procedimentos. buscando uma solução viável para o presente caso. não podemos deixar de enfrentar a realidade dos fatos. ante as dificuldades. 2001 15 . haja vista a complexidade das ocorrências aqui tratadas.Plenário).96 (Decisão nº 231/96 .. Em Sessão Plenária realizada em 05/05/99.. sem acarretar ônus à Administração. indispensável à elucidação dos fatos em toda a extensão necessária.cumprimento integral daquilo que foi pactuado entre as partes. que conduziu a deliberação então acolhida por esta Casa: ‘ (. Assim.. da ocorrência de diversas impropriedades.

para o seu nome. tendo sido. imediatamente. evitado a situação anômala agora verificada. que já não mais suporta conviver com tanto desperdício. por seus advogados .2ª Região a adoção de providências urgentes no sentido de transferir. Observe-se que pairavam sobre a obra. Ocorre.o valor da obra não foi contestado. Anexo V. Relator daqueles autos.f. Os argumentos então trazidos pelo Exmo. bem como a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos (Lei nº 8. ex-Presidente da Comissão da Construção do Fórum. nesse sentido. naquele momento. 5. possibilitando a realização de pagamentos antecipados..3 da Decisão Plenária nº 231/96: ‘determinar ao Presidente do TRT . prosseguindo com a realização de pagamentos não lastreados pela contraprestação de serviços. por conseqüência. . culminando com a existência de mais uma obra inacabada a onerar os cofres do País. Em que pesem tantos óbices à sua consecução.quer do contrato’ (Firma Incal Incorporações S/A. como se verifica do item 8. entretanto. que os Administradores do TRT-SP simplesmente ignoraram a segunda parte da determinação. agravado pela preocupante situação de crise a que a Nação está submetida. 53. portanto. 331/ 338). era o de não impor novo ônus ao erário que poderia advir de uma prematura anulação do contrato. as obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. deixaram indubitável que a intenção do Colegiado. Indiscutível. f. 7. que não se faz coisa julgada sobre aquilo que não se julgou em definitivo. Tribunal . A respeito de ambas foram exigidas providências corretivas. que o Tribunal não apreciou definitivamente o mérito das questões tratadas nestes autos. Ministro Paulo Affonso. 2001 . por ocasião de consulta encaminhada a este E. Brasília-DF. Ao 16 Auditorias do TCU. Sr. Délvio Buffulin.Vol.666/93). Número 15. duas imputações de irregularidades: a) a ausência de transferência da propriedade do terreno para o TRT-SP. aprovado pelo TCU por ocasião da citada auditoria’ (Srs.’ (grifamos) 6. Ano 4. ‘ao contrário. nos moldes dos contratos de aquisição de coisas prontas e acabadas. incluindo o respectivo terreno. ex-Presidente do TRT -2ª Região. Claro está. É comezinho que a correção dos rumos é sempre preferível às rupturas abruptas. (. e b) sua execução nos moldes dos contratos de direito privado. A transferência foi efetivamente realizada. Nicolau dos Santos Neto. Todavia. 01/02)’. Assim.) 52. pensamos que a paralisação da obra não constitui medida de racionalização administrativa.. em síntese. as medidas então exigidas por esta Corte demonstram claramente que o Tribunal não estava chancelando como ‘regular’ qualquer procedimento até então adotado pelo TRT-SP. restou patenteado que a construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo ocorreu de forma irregular. Observe-se que o cumprimento tempestivo das exigências deste Tribunal teria estancado o procedimento irregular e.

do contrato. não tendo suas justificativas sido suficientes para elidir os pontos questionados. Para tanto. somente poderá trazer maior prejuízo. multa individual no valor máximo permitido pela Lei Orgânica deste Tribunal a cada um dos Administradores. Veja-se que o primeiro autorizou a realização dos pagamentos antecipados.443/92. consoante propõe a SECEX-SP. somente foram ouvidos em audiência prévia. conforme já preconizávamos na Sessão Plenária de 08/05/96 (item 13 do Relatório que antecede este Voto). conforme demonstram documentos acostados aos autos. deve ser aplicada. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. da Lei nº 8. Número 15. ex-Presidente do TRT. Vale frisar que ambos já foram ouvidos em audiência prévia. tem o Tribunal o poder-dever de buscar o ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos. dentre outras medidas. que tem por objetivo específico a aplicação de multa. Nesse aspecto. juntamente com os demais Presidentes. e do Sr. Observe-se que os Srs. na medida em que a exposição prolongada às intempéries comprometerá toda a construção já levantada. Ano 4. 43. Nicolau dos Santos Neto. na condição de ex-Presidente representante do TRT/2ª Região na celebração do contrato inicial. para que a obra finalmente tenha prosseguimento. Ditos responsáveis não foram Auditorias do TCU. entendemos que a conclusão dessa obra não basta. portanto. 55. Nicolau dos Santos Neto. multando os responsáveis. de que os repasses de recursos financeiros superavam o cronograma físico do empreendimento. desde logo. das solicitações de aditamentos contratuais e de verbas para pagamentos à Contratada. exerceu participação insofismável nos fatos ora relatados.contrário. Parágrafo único. Há. 54. durante todo o decorrer da obra. temos a informação de que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região procederá à nova licitação. 2001 17 . Pelo princípio da independência das instâncias. É mister que os responsáveis sejam apontados e responsabilizados. Não podemos. e deles reclamando a reposição dos prejuízos apurados. com base nos laudos. na qualidade de ex-Presidente do TRT e da Comissão da Construção do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da Cidade de São Paulo. bem como a revisão para o reequilíbrio econômicofinanceiro. estudos e conclusões oferecidos pela Unidade Técnica de São Paulo e constantes deste Voto. no âmbito deste Tribunal. configurada a hipótese prevista no art. Délvio Buffulin. Quanto ao Sr. Brasília-DF. hão que ser cumpridas duas regras básicas que sustentam nosso Estado de Direito: refiro-me à observância do devido processo legal e ao direito de ampla defesa. Todavia. que ir além do que propõe a Unidade Técnica. 56. tendo sido signatário. há que se apontar a responsabilidade do Sr. muito embora tivesse comprovada ciência. buscando-se a recomposição dos prejuízos causados ao Erário. e posteriormente como Presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista durante toda a execução da obra. limitar a ação do Tribunal à aplicação dessa penalidade e ao acompanhamento das questões relacionadas que hoje tramitam no âmbito do Poder Judiciário. tantas vezes reafirmado por esta Casa. entretanto. Assim. Nesse sentido.

Partindo-se da premissa mais conservadora. Brasília-DF.279.84. contratado pelo TRT – 2ª Região com a atribuição específica de acompanhar a obra mediante a emissão de relatórios gerenciais. Frise-se. que deveria ter sido realizado. 64. Mais ainda. A diferença a maior. na melhor das hipóteses. visando ao exame da correspondência entre os recursos financeiros alocados e o avanço da implantação do empreendimento. não podem ser tidas como meros equívocos.15% de seu valor corresponderia a 159.4425 UFIRs. equivalente ao prejuízo causado aos cofres públicos pelo descompasso entre a execução física e a financeira. As inconsistências constantes de seus relatórios. Ocorre que foi efetivado pagamento equivalente a 218. solidariamente com Srs. qual seja o da conversão destes autos em Tomada de Contas Especial. O procedimento adequado para tanto encontra-se prescrito no art. Assim. 47 da Lei nº 8. Objetivamente podemos afirmar que os recursos financeiros só poderiam ser liberados à vista das medições efetuadas na obra.161. Desta análise. Muito embora possa se alegar que a mensuração de valores tidos como prejuízos são de difícil quantificação. preste sua sempre valiosa contribuição em processo de reconhecida complexidade e importância. e de pareceres técnicos. Número 15. Destarte.925. existem alguns parâmetros que não podem ser desprezados.650.954.1288 de UFIRs. não mais que 64.298.citados. lícito é raciocinar que se foram concretizados apenas 64. temos que seu valor total corresponderia a 249. sendo. Assim sendo. que a conversão dos autos em Tomada de Contas Especial dará oportunidade a que também o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. portanto.” 18 Auditorias do TCU.209. que efetivamente deram causa ao prejuízo sofrido pelos cofres públicos permitindo que os pagamentos continuassem a ser efetivados.15% da obra. Também não pode ser afastada a responsabilidade do engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva. que convertidas ao padrão monetário vigente equivalem a R$ 57. calculando-se o valor do contrato em moeda constante (UFIR). 2001 . devidamente demonstradas pela equipe de auditoria. considerando que os atos por ele cometidos decorrem de incúria no exercício de sua atividade profissional.5713 UFIRs. Tal importância pode ser imputada à empresa. Juizes Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin.724. mediante a referida conversão a que nos referimos no item 56 retro.882. Ano 4. ilegítima qualquer tentativa de lhes imputar. Este o valor máximo. é da ordem de 58. há que ser considerada a responsabilidade da empresa Incal Incorporações S/A. 58. o débito nesta fase processual.443/92. portanto. entendo que sua responsabilidade deva ser apurada também no âmbito do CREA/ SP. constituindo. má-fé. faz-se necessária sua responsabilização solidária. demonstrando sua evolução física. in loco. isto é. ordenando-se desde logo sua citação. 59.15% do valor do contrato seria devido. e quiçá.374. que ainda não se manifestou sobre o assunto. ainda quando já restava patente o descompasso entre os cronogramas físico e financeiro.7038 UFIRs. 57. negligência. por oportuno.

visando ao exame da correspondência entre os recursos financeiros alocados e o avanço da implantação do Auditorias do TCU. ficando desde já autorizada. à unanimidade. de nova inspeção junto ao TRT . Na ocasião. do art. da quantia de R$ 57. perante o Tribunal.374.2ª Região.443/92. da mesma Lei. e dos Srs. em valores superiores aos mencionados na alínea ‘c’ supra. o recolhimento das referidas quantias aos cofres do Tesouro Nacional. e) remeter cópia do presente Acórdão. Nicolau dos Santos Neto e Antônio Carlos da Gama e Silva. fatos esses que têm apontado para danos superiores aos apurados por este Corte.443/92.560. arbitrando-se-lhes o valor de R$ 17. sejam submetidas a este Plenário. duzentos e nove reais e oitenta e quatro centavos) aos cofres do Tesouro Nacional. perante o Tribunal. após juntadas a estes autos.16.84 (cinqüenta e sete milhões.. c) com fulcro no art. converter os presentes autos em Tomada de Contas Especial para ordenar a citação solidária da empresa Incal Incorporações S. para que apresentem alegações de defesa ou comprovem no prazo de 15 (quinze) dias. individualmente. Número 15. a multa prevista no art. d) tendo em vista a superveniência de fatos novos decorrentes da investigação da CPI do Judiciário. contratado pelo TRT com a atribuição específica de acompanhar a obra mediante a emissão de relatórios gerenciais. A. adotou o Tribunal o Acórdão 045/99-Plenário. Ano 4. determinar a realização. se indispensável. sob a coordenação da SAUDI. 47 da Lei nº 8. até então indisponíveis a este Tribunal em função do sigilo fiscal e bancário. quinhentos e sessenta reais e vinte centavos). Ata nº 16/99): “a) nos termos do parágrafo único. Relator. 58. atualizadas monetariamente a contar do prazo fixado na alínea anterior até a data do efetivo recolhimento. aplicar aos Srs. caso não atendidas as notificações. fixando-se aos responsáveis o prazo de 15 (quinze) dias. com vistas à verificação da necessidade de proceder-se a novas citações dos responsáveis. máxime no que tange à utilização de materiais incompatíveis com aqueles relacionados na proposta apresentada pela empresa Incal Incorporações S. o recolhimento. acompanhado do Relatório e Voto que o fundamentam. para que comprovem. e de pareceres técnicos.20 (dezessete mil. atualizada monetariamente a contar desta data. a contar da notificação. desde logo. a fim de que seja apurado se efetivamente ocorreram danos decorrentes da construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. a requisição de serviços técnicos especializados de que trata o art. f. Brasília-DF. fixando-se o prazo de 30 (trinta) dias para que as conclusões. III.443/92. demonstrando sua evolução física. 43 da Lei nº 8. trezentos e setenta e quatro mil. momento em que a natureza do presente processo passou a ser tipificada como Tomada de Contas Especial (volume principal-II. 543/5. vazado nos termos a seguir reproduzidos. acolhendo as razões apresentadas pelo Sr. a cobrança judicial das dívidas. 2001 19 . Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo para que seja verificada a conduta profissional do engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva.209. aos cofres da União. Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto. b) autorizar. nos termos da legislação em vigor. Délvio Buffulin. ao Conselho Regional de Engenharia. A. 101 da Lei nº 8.

071/98-9. se ainda não o fez. acerca das providências adotadas. ambas destes autos. ipsis litteris: “Dois foram os objetivos básicos da presente inspeção: apurar se o dano causado ao Erário era superior ao indicado no Acórdão 045/99 – TCU – Plenário e avaliar a qualidade técnica da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. Brasília-DF. relativas aos exercícios de 1992.666/93. a continuidade das obras mediante a contratação de empresa idônea. 602/29 (volume principal-II). 50/75 e da Instrução de f. os quais julgo oportuno destacar. 358/383. feito os seguintes registros. bem assim à Dra. em vista das reiteradas inconsistências consignadas nos relatórios e pareceres lavrados pelo referido engenheiro. h) juntar cópia deste Acórdão. bem assim do Relatório de Auditoria de f. também. máxime no que se refere ao percentual de execução dos serviços. 1994 e 1996. acompanhado do Relatório e Voto que o fundamentam. interpôs Recursos de Revisão contra as respectivas deliberações. noticiando ao Tribunal.115/96-0 e TC-700.empreendimento. foi o correspondente Relatório juntado à f.2ª Região que providencie. Elizabeth Kablukow Bonora Peinado. representado pela Sra. à CPI do Judiciário. Ano 4. e i) remeter os presentes autos ao Ministério Público junto a este Tribunal para que verifique da conveniência e oportunidade de interpor recursos de revisão nas contas do TRT/SP relativas aos exercícios de 1992. g) remeter cópia do presente Acórdão. 1994 e 1996 já haviam sido julgadas anteriormente à identificação das anomalias então emergentes. requerendo a reforma daqueles julgados para serem consideradas irregulares aquelas contas. Considerando que as contas do TRT/SP. 18. Procuradora. promovendo. Número 15. no prazo de 30 (trinta) dias. aplicando-se aos administradores as sanções cabíveis (volume principal-II. aos processos TC-700. TC-700. f) determinar ao TRT .279/94-6. nos termos do art. em vista da diversidade de efeitos da declaração de nulidade e da rescisão unilateral do contrato. f. 2001 . de modo a se obter 20 Auditorias do TCU. especialmente quanto à adequação dos materiais ali aplicados. Cristina Machado da Costa e Silva. acompanhado do Relatório e Voto que o fundamentam. Procedida à inspeção determinada por este Colegiado na forma da alínea “d” do Acórdão acima reproduzido. o douto Ministério Público junto ao Tribunal. observada a necessidade de novo procedimento licitatório. 59 da Lei nº 8. a nulidade do contrato. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional. conclusivamente. No que concerne à apuração do dano financeiro sofrido pela União.” 17. cujos trabalhos contaram com a participação de dois engenheiros da Caixa Econômica Federal. para individualização dos fatos ocorridos nos respectivos exercícios e exame em conjunto e confronto. havendo a equipe signatária do elucidativo documento. à Comissão Mista de Planos. 572/80). fez-se necessária a avaliação do imóvel no estado em que se encontra. em caráter de urgência. e à vista do disposto na alínea “i” supra. Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo.

Registre-se. instalações e elevadores. fruto da inexistência de uma fiscalização compatível com o empreendimento e de um projeto básico incompleto. piso de alta resistência moldado in loco. Quanto ao aspecto técnico da inspeção. execução das rampas de ligação entre as duas torres principais e correção das infiltrações de água nos subsolos. de todos os valores recebidos por conta do empreendimento em foco. analisados e comentados. a construtora optou por adotar padrão de acabamento bastante simples em vários itens. Tal comparação firmou a convicção da Equipe de que o valor por ela orçado está plenamente adequado. no que tange aos acabamentos. visto que. forro do teto em gesso. a construção mostra-se bastante sólida. Apesar de não haver qualquer indício de colapso iminente da estrutura em função dessas pendências. apurou que pouco mais de R$60 milhões foram. No que concerne à estrutura. a obra pode ser enquadrada como de padrão de acabamento médio. entre outros. a retroação do efeito desse ato implicará na obrigação de devolução. 4 subsolos com 1500 vagas para veículos e 2 helipontos na cobertura das 2 torres. aqui denominado imóvel-paradigma (item 6. de uma forma geral. Com a finalidade de se confirmar a compatibilidade do valor avaliado neste trabalho com a realidade fática do mercado. conforme demonstrado no item 4.5 milhões (item 6. a Equipe procurou ainda proceder à comparação do montante obtido em seu orçamento com o custo de um edifício semelhante e em fase final de construção. como gesso utilizado no revestimento de paredes. aqui. com a determinação deste Tribunal de que se declarasse nulo o contrato assinado. em valores atualizados. tendo sido apontadas as diversas divergências e incorreções neles presentes (item 4). Ademais. Nesse aspecto. em seu estágio atual. vale cerca de R$62. Ano 4. as conclusões da Equipe de Inspeção são de que o imóvel. em levantamento feito na construtora. 2001 21 . a vultosa quantia de aproximadamente R$232 milhões (item 5. de forma a se evitar qualquer dúvida futura com relação a outros estudos técnicos relativos ao empreendimento (especialmente o orçamento apresentado pela Incal ao MPF/SP e as diversas medições de obra procedidas). a ocorrência de uma série de alterações das poucas especificações inicialmente pactuadas no memorial descritivo. De se ressaltar. enquanto foi paga. Ainda. a necessidade de substituição dos tirantes dos blocos ‘H’ e ‘I’. e pintura látex sobre paredes sem massa. Número 15. de fato.o valor que servirá para efeito de indenização da contratada. pode-se afirmar que não representam o que há de mais atual em termos tecnológicos. até a rescisão do contrato por iniciativa do TRT.7). destinados à obra em questão (item 6. Com relação aos elevadores para o público (em número de 16).1 deste Relatório. havendo alguns requintes como a fachada em pele de vidro.6). o que se mostra como mais um fato a corroborar o resultado alcançado neste trabalho. por parte da Incal.8). a não-solução das mesmas poderá gerar sérios riscos a médio Auditorias do TCU. pode-se afirmar que.2). não havendo indícios aparentes de vícios de execução. Brasília-DF. informações obtidas durante o trabalho de campo dão conta de que a Receita Federal. estes foram. Porém. como problemas que merecem atenção imediata.

que se mencionar a atuação de outro engenheiro. expresidentes do TRT/SP (item 7). Brasília-DF. em vários pontos. Ante o exposto. Quanto à responsabilidade pelo dano ora apurado. Merece registro. compatíveis com o andamento da obra. contratado pelo TRT para o acompanhamento técnico da obra. ex-presidentes daquele Tribunal. cujo parecer propiciou a liberação. f. Cabe ressalvar apenas que a gestão do Sr. em valores superiores aos mencionados na alínea ‘c’ do mesmo Acórdão. Plenário na alínea ‘d’ do Acórdão 045/99. em face da sua exposição a intempéries. em meados de 1998. gerando a necessidade de resserviços.. que não se mostraram. bem como ao levantamento detalhado dos serviços a executar. Com relação à substituição dos tirantes. restou clara a participação. com o objetivo de apurar se efetivamente ocorreram danos decorrentes da construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. vale frisar que a falta de execução ou execução parcial de determinados serviços expõe itens da construção a desgastes para os quais não estão preparados. bem como do engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva. além da empresa Incal Incorporações S. o Sr. afora as medições de serviços apresentadas pelo mesmo. máxime no que tange a utilização de materiais incompatíveis com aqueles relacionados na proposta apresentada pela empresa Incal Incorporações S. conforme já exarado no referido Acórdão nº 045/99. efetivada também pelos Srs. ainda. além de proceder ao pagamento de diversas parcelas à Incal. período em que. nem a grosso modo. foram detectados. Gilberto Morand Paixão (item 4. submetemos os presentes autos à consideração superior informando que. XVI. Por outro lado.A. assinou aditivo contratual majorando o valor final do empreendimento. A solução definitiva dos problemas apontados nos últimos dois parágrafos virá com a retomada das obras. de aproximadamente R$13 milhões. José Victório Moro. verificou-se que: 22 Auditorias do TCU. Ano 4.09.96 e 14. A esse respeito. apesar de a prudência e o zelo não o recomendarem (item 7) Há. 2001 . a ocorrência de água em eletrodutos com a fiação já passada.09. apontou-se a necessidade de o TRT/SP proceder à revisão e adequação dos projetos de arquitetura e instalações. dos Srs. Rubens Tavares Aidar e Délvio Buffulin. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. 58). também.98.1). de forma a subsidiálo quando da licitação para a conclusão do empreendimento (item 5. Apenas para citar alguns exemplos.prazo. Esse fato ora causa a perda de trabalhos já executados. Número 15. o início de oxidação da armadura estrutural em algumas falhas no concreto. o TRT informou que já está tomando providências (licitação em andamento – ver Vol.A. realizados os trabalhos de inspeção determinados pelo E.4).3. a queda de alguns painéis de vidro da fachada e a deterioração de acessos provisórios (de madeira) a alguns pontos da cobertura (helipontos. a utilização indevida de recursos orçamentários recebidos de outros Tribunais do Trabalho para pagamentos à Incal. Délvio Buffulin ocorreu entre 15. reservatórios d’água). ora compromete a própria integridade da obra e de seus freqüentadores.

f. sobretudo o montante expressivo do débito então quantificado. 6. ao mencionado na alínea ‘c’ do Acórdão 045/99 – Plenário. evidenciando os dados novos colacionados. a atuar como engenheiro contratado pelo TRT – 2a Região para o acompanhamento técnico da obra. o emérito Ministro Adhemar Paladini Ghisi.953.461. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). o impacto financeiro advindo dessa incompatibilidade foi contemplado no orçamento elaborado pela Equipe. . Brasília-DF. emitido parecer que ensejou a liberação indevida de R$13.176. possui o valor de R$ 62..953. ressaltou. novecentos e cinqüenta e três mil. 651/3): “5.o valor do prédio em construção denominado Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo.60 (sessenta e dois milhões. valor esse superior.92 a 03. visto que o mesmo passou. assim.A. ao trazer ao Colegiado as conclusões daquele trabalho de campo. procedendo à atestação de serviços não realizados. incluído o respectivo terreno. hoje.951. correspondem a R$231. 2001 23 . Incal Incorporações S. duzentos e vinte e cinco reais e sessenta centavos). novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos).faz-se necessária a inclusão do Sr.75 (duzentos e trinta e um milhões. novecentos e cinqüenta e três mil. quatrocentos e sessenta e um mil. a importância correspondente a R$ 231. cento e setenta e seis reais e setenta e cinco centavos). em valores de abril de 1999. .207.os danos decorrentes do empreendimento em questão totalizam. todavia. a partir de 15.. resta patente a necessidade de serem repostos aos cofres públicos os R$ 169. quatrocentos e noventa e um mil.98. duzentos e sete mil. Auditorias do TCU. Considerando que foram pagos pelo TRT . Ano 4. R$169. nas condições em que se encontra. duzentos e vinte e cinco reais e sessenta centavos). incluído o respectivo terreno (em valores de abril de 1999).054. Os resultados da inspeção não deixam dúvidas: a obra. vez que os preços utilizados em sua composição consideraram os materiais e equipamentos efetivamente empregados.60 (sessenta e dois milhões.. em valores de abril de 1999. . na mesma localidade. cento e setenta e seis reais e setenta e cinco centavos).07. é de R$62. pela referida obra. obra idêntica. Gilberto Morand Paixão como responsável na Tomada de Contas Especial em que foi convertido o presente processo.A.houve a utilização de materiais e equipamentos discordantes do memorial descritivo constante da proposta apresentada pela Incal Incorporações S.2ª Região à empresa Incal Incorporações S. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos).75 (duzentos e trinta e um milhões.225.491.A.951.461.176.225. ipsis litteris (volume principal-II.04.15 (cento e sessenta e nove milhões. portanto. quatrocentos e sessenta e um mil. no estado em que se encontra. Em Sessão realizada em 28/07/99.os valores pagos pelo TRT – 2a Região à empresa contratada para a construção do referido prédio.15 (cento e sessenta e nove milhões. risco para a integridade da obra. posto que constituem evidente parcela superfaturada. Número 15.28 (treze milhões.. em valores de abril de 1999.06. inclusive. tendo.491.” 19. não representando. quatrocentos e noventa e um mil. Esse seria o valor a ser desembolsado caso se pretendesse construir. .98. no período de 10.

conferiam caráter de legalidade a tudo o quanto de irregular vinha ocorrendo. Ata nº 32/99-Plenário). entendendo Sua Excelência que as informações então agregadas aos autos. pelo valor correto. tinha pleno conhecimento da situação precária em que se encontravam as obras. a necessidade de que sejam feitas novas citações. pelo valor integral do débito agora apurado. poderiam subsidiar o exame das peças recursais a que se referia.9 milhões. as citações possuirão outro fundamento: o superfaturamento de toda a obra. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). 2001 . ser solidário pela reposição daquele quantum. sustento que o melhor caminho é o de promover-se novas citações.2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231. lavrou o parecer que conduziu à assinatura de Termo Aditivo para o ‘equilíbrio econômico-financeiro’ do contrato e culminou com o desembolso da vultosa quantia de R$ 12. pelos valores faltantes. mais que qualquer leigo. quatrocentos e noventa e um mil. comunicando-se do fato os responsáveis já citados. Há. relativo à diferença entre os valores pagos pelo TRT . sabedor que era do volume físico ainda pendente de realização. II. 12.” 20. para seu esclarecimento e orientação. contra o Acórdão nº 045/ 99-Plenário. em face de sua inequívoca participação no dano causado ao erário. considerando-se insubsistentes as citações já efetivadas (o que pode ser feito sem a interposição de recurso. Destaco que aquelas já realizadas devem ser consideradas como insubsistentes. Délvio Buffulin e Antônio Carlos Gama da Silva.. determinar a citação solidária da empresa Incal Incorporações S.75) e o custo efetivo do empreendimento.) 13. tem-se como fato que as citações já efetivadas em função do decidido no Acórdão nº 045/99 o foram em valor significativamente abaixo do prejuízo efetivamente causado ao erário.06. com fulcro no art.951.. Justifico: a fundamentação das primeiras citações firmava-se apenas no descompasso entre os cronogramas físico e financeiro. nas condições em 24 Auditorias do TCU.443/92. portanto. Ano 4. portanto. oportunidade em que o Tribunal Pleno deliberou no sentido de: “8. Primeiramente. Agora.1.) 11. o Senhor Relator noticiou a interposição de recursos pelo TRT/SP e pelo Sr. Nicolau dos Santos Neto. posto que se tratam de medidas preliminares). Resumindo. A responsabilidade do engenheiro Gilberto Morand Paixão também foi bem destacada pela equipe de inspeção.491. 14. 21.953. contratado para fiscalizar as obras a partir de 05..176.. da Lei nº 8. posto que alvitro como inconveniente que sejam apenas feitas citações complementares.A. Deve.98. Após as discussões pertinentes. sobreveio a Decisão nº 469/99-Plenário (Sessão de 28/07/99. Em termos conclusivos. O referido engenheiro. pelo valor de R$ 169.(. Número 15. no estágio em que agora se encontra. Brasília-DF. por intermédio do trabalho que acabara de apresentar. As medições da obra por ele assinadas. e dos Srs.15 (cento e sessenta e nove milhões. Nicolau dos Santos Neto. Despiciendo é comentar que o engenheiro. ao afirmarem elevados percentuais de conclusão. (.

cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos) de responsabilidade solidária também do Sr. Elizabeth Kablukow Bonora Peinado. determinou a juntada das contas da unidade jurisdicionada em questão.28 (treze milhões. pelo valor de R$ 169.A. todos em valores de abril de 1999. 2001 25 . da Lei nº 8. encaminhar os autos à 10ª SECEX.054.Plenário. Ano 4.491.15 (cento e sessenta e nove milhões. Procuradora Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo. respectivamente). 1993.60). à Comissão Mista de Planos.054.282/93-9. TC-700.1 a 8.115/96-0 consubstanciando as contas ordinárias relativas ao exercício de 1995.5. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos) é de responsabilidade solidária também do Sr. 8. a citação solidária da empresa Incal Incorporações S. fixando-se-lhes o prazo de 15 (quinze) dias para que apresentem alegações de defesa ou recolham aos cofres do Tesouro Nacional a referida importância.176.4 supra. Ata nº 30/2000).2 com fulcro no art. duzentos e sete mil.115/96-0. para análise dos recursos interpostos pelo TRT/SP e pelo Sr.75) e o valor efetivo do empreendimento nas condições em que se encontra (R$ 62. acolhendo as razões propugnadas por este Relator. Em Sessão de 02/08/2000. Gilberto Morand Paixão.60). Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional.071/98-9 (contas do TRT . 8. 8.461. atualizada monetariamente e acrescida dos juros de mora devidos a contar de maio de 1999.28 (treze milhões. referentes aos exercícios de 1992. TC-700.207. 12.A.2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231. bem assim à Dra. 1994.. Luiz Estevão de Oliveira Neto. TC-700.461. Gilberto Auditorias do TCU.225.que se encontra (R$ 62. quatrocentos e noventa e um mil. verbis: “8. para análise em conjunto e em confronto.109/97-8 e TC-700.225. aos processos TC-700. Délvio Buffulin e Antônio Carlos Gama da Silva. e dos Srs. sendo que desse débito total a parcela de R$ 13. acompanhada do Relatório e Voto que a fundamentam.443/92.951. 1996. comunicar aos responsáveis mencionados no item 8. II. Número 15. do Grupo OK Construções e Incorporações S. desta feita quando da apreciação do TC-700.. sendo desse débito total a parcela de R$ 13. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. relativo à diferença entre as quantias pagas pelo TRT . juntar cópia desta Decisão.” 22. encaminhar cópia desta Decisão. acompanhada do Relatório e Voto que a fundamentam. 8. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos).2. ocasião em que o Colegiado Maior.3. Nicolau dos Santos Neto. TC-700. à CPI do Judiciário.279/94-6.207. Sr. observando-se-lhes como necessária a apresentação de novas defesas ou a re-ratificação daquelas já remetidas ao Tribunal.1 retro acerca da insubsistência da citação que lhes foi anteriormente dirigida. duzentos e sete mil. todos em valores de abril de 1999. contra o Acórdão nº 45/99 . Brasília-DF. Nicolau dos Santos Neto. após adotadas as providências ordenadas nos subitens 8.210/954. nova deliberação adotou esta Corte de Contas no caso TRT/SP (Decisão nº 591/2000.4. que igualmente deve ser citado.953. 1997 e 1998 às contas de 1995 para exame em conjunto e ainda.2ª Região relativas aos exercícios de 1992 a 1997.

Geraldo Brindeiro. De igual forma.. o qual deverá ser igualmente citado. o eminente Ministro Adylson Motta.A. uma vez que o dossiê enviado pelo Sr. Entre os desdobramentos que se seguiram. dilação de prazo. verbis: 26 Auditorias do TCU. Tal posicionamento do Tribunal resultou do exame de fato superveniente de extrema relevância para o julgamento da matéria. adotados pelo Plenário desta Casa de Contas. 13)” 23. também. é acionista controlador da Incal Incorporações S. 721/777 do volume principal-II.. para efeito de responsabilização pelo quantum reclamado. Sr.. permitiram comprovar “. Procurador-Geral da República. pelos Srs. 24.. Ano 4. 29. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. o Tribunal Pleno proferiu a Decisão nº 298/2000 (volume principal-II. passando o percuciente documento a constituir as f. 117. ato também de substancial relevância. atualizada monetariamente e acrescida dos juros de mora devidos a contar de maio de 1999. Sua Excelência levou em consideração. também originário do Ministério Público/TCU. ante o indeferimento do Mandado de Segurança nº 23. Brasília-DF.560-8 impetrado pela Incal Incorporações S. Número 15. Luiz Estevão de Oliveira Neto. oportunidade em que o TCU deliberou no sentido de. todavia. vol. passou a ser arrolado solidariamente no processo. produziu primoroso Relatório. 2001 . diz respeito a indeferimento pelo Supremo Tribunal Federal do Mandado de Segurança nº 23. Em virtude do louvável trabalho elaborado pelo eminente Ministro Adylson Motta. o Grupo OK Construções e Incorporações S. formulado pela douta Procuradoria junto a este Tribunal. Na oportunidade.. cuja peça processual pretendia a supressão da determinação para que o TRT/SP anulasse o contrato celebrado com a empresa Incal. dirigido pelo ex-Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto. deixou de existir a razão que motivou a elaboração de outro recurso. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. Portanto. f. recurso interposto contra o Acórdão nº 045/99-TCU/Plenário. (f. pretendendo a inclusão do Grupo OK entre os responsáveis solidários pela recomposição do patrimônio público que se busca por intermédio deste feito. 26.. com a superveniência da Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário.A.A. a pretensão recursal. apreciando os recursos impetrados pelo TRT/2ª Região. desde 21/02/ 1992. de 08 de junho de 2000. Dr. etc.Morand Paixão. consistente em cópia de documentos obtidos pela Justiça Federal em São Paulo. à vista dos fundamentos ali invocados. Após a inserção aos autos de diversos expedientes relativos a pedido de vista. tornando-se prejudicada. 28.A. por meio do qual a citada empresa havia obtido a concessão de medida liminar no sentido de suspender os efeitos do Acórdão nº 045/99 e da Decisão nº 469/99. sendo detentor de 90% (noventa por cento) das ações ordinárias.” 25. fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias para que apresentem alegações de defesa ou recolham aos cofres do Tesouro Nacional a referida importância. capitaneado pelo Ofício PGR/GAB nº 378. com a prolação da supramencionada Decisão Plenária nº 591/2000. 27.. abordando de maneira pormenorizada os pontos então atacados. que o Grupo Ok Construções e Incorporações S. extração de cópias. 776/ 7).560-8 pelo Supremo Tribunal Federal.

e) enviar cópia do presente Acórdão. dar-lhe parcial provimento.“a) conhecer dos pedidos de reexame interpostos pelos Srs. foram opostos Embargos de Declaração pelo Sr. à Comissão Mista de Planos. que este Plenário. a prolação de novo decisum (Acórdão nº 036/2001-TCU-Plenário). 8443/92. Em face da referida deliberação. para negar-lhes provimento. c) considerar extinto o procedimento recursal no tocante à iniciativa do Ministério Público junto ao TCU. 31. à vista das razões sustentadas pelo Senhor Relator. foi idoneamente concretizada por meio da disciplina estabelecida Auditorias do TCU.” 30. 43. Nicolau dos Santos Neto. c) conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo Sr. no que se refere aos processos de fiscalização de atos e contratos da competência deste Tribunal. porquanto a garantia de contraditória e ampla defesa neles assegurada. de nova empresa. Délvio Buffulin e pelo Sr. da Constituição Federal ou ao art. mais uma vez. sob a alegação de que não seria aquele órgão o destinatário correto da determinação relativa à adoção de medidas com vistas à declaração de nulidade do contrato celebrado para a construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. proceder aos esclarecimentos seguintes: 1) quanto ao primeiro ponto embargado. Presidente do TRT/SP. 31 da Lei n. da Lei n. 8443/92 ao aplicar-se ao recorrente a multa prevista no art. com vistas ao prosseguimento do exame das questões não atinentes à matéria de recurso. b) conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo Sr. Juiz Francisco Antonio de Oliveira. suprimindo-se da alínea ‘f’ do mencionado acórdão a determinação para que sejam adotadas medidas com vistas à continuidade. Nicolau dos Santos Netto. requerido fosse aceita a devolução do Aviso resultante da supramencionada Decisão nº 298/2000-Plenário. para. Tais contestações motivaram. no mérito. Délvio Buffulin. Brasília-DF. 2001 27 . em certame licitatório. ao prolatar o Acórdão nº 298/2000-Plenário. e f) devolver os autos ao Relator originário do feito. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional. das obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. para. b) conhecer parcialmente do pedido de reexame interposto pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região contra o Acórdão n° 045/99-Plenário. teve por pacífico que não houve qualquer violação ao art. negar-lhes provimento. mediante a contratação. d) dar ciência aos recorrentes da presente deliberação. bem assim do Relatório e Voto que o fundamentam. nessa parte. havendo o Sr. dando-lhes provimento. Ministro Adylson Motta: “a) não conhecer como recurso da petição apresentada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. ante as razões constantes do precedente Voto. para. Número 15. Ano 4. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin contra o Acórdão n° 045/99-Plenário. 5º. inciso LV. à Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho. parágrafo único. vazado nos termos a seguir transcritos.

dos procedimentos de fiscalização em relação aos procedimentos em que se desenvolve o julgamento de contas. Em decorrência de Questão de Ordem por mim submetida à consideração deste Colendo Plenário em Sessão de 06 de dezembro de 2000 e em face das ponderações ali expendidas.443/92 que este Tribunal procedeu à realização dos procedimentos de fiscalização inerentes à sua jurisdição com base no que foi prolatada a deliberação contra a qual se insurgiu o recorrente. prolatada neste feito (TC-001. Procurador-Geral do Ministério Público junto a este Tribunal. estabelecida na Lei Orgânica deste Tribunal por força de imperativo constitucional. em virtude do reflexo que poderá advir do julgamento desta TCE sobre as referidas prestações de contas (Ata nº 48/2000. isto é. 34. decidiu o Tribunal Pleno. f. Conseqüentemente. pelo prazo de 01 (um) ano. cujo procedimento citatório foi refeito com o advento da Decisão Plenária 28 Auditorias do TCU. que o atual estágio processual enseja a avaliação da procedência das respectivas alegações de defesa apresentadas pelos interessados.” 32. Ano 4. por unanimidade. 792). à Comissão Mista de Planos. às quais foram juntadas às contas de 1992 a 1994 e 1996 a 1998. Ata 3/2001-Plenário).025/1998-8) em Sessão de 28/07/99 (Ata nº 32/99). Decisão 026/2001. Brasília-DF. bem assim do Relatório e Voto que o fundamentam. 35. portanto. tendo os mesmos sido citados por força da Decisão nº 469/99 – Plenário. Número 15.nos arts. rigorosamente observada na hipótese destes autos. resolveu o Tribunal decretar. lembrando que naqueles autos foi prolatada a Decisão 591/2000. e) dar ciência aos interessados da presente deliberação. Feito este relato. que a presente Tomada de Contas Especial deveria ser examinada em caráter autônomo por este Relator. objeto da segunda citação. em decorrência de requerimento formulado pelo Sr. Vale salientar também que. impende frisar. e que foi no exercício das suas competências firmadas na Constituição Federal e na Lei nº 8. Corte autorizou o desentranhamento de peças do processo referente às contas relativas ao exercício de 1995 (TC-700. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional. e 2) quanto ao segundo ponto embargado. 41 a 47 da Lei Orgânica deste Tribunal. que o qualificativo ‘autônomo’ inserto na expressão ‘procedimento jurisdicional autônomo’ referiu-se à autonomia. cautelarmente. volume principal-II. porquanto responsável pela condução das contas relativas ao exercício de 1995. em todos os seus termos. dando-se notícia aos interessados de que a matéria passaria a ser tratada nestas contas especiais. o Acórdão nº 298/2000-Plenário. a indisponibilidade de bens dos responsáveis arrolados na referida Decisão 591/2000TCU/Plenário. e f) enviar cópia do presente Acórdão.777/20000. à Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho. bens tantos quantos considerados bastantes para garantir o ressarcimento do débito objeto desta Tomada de Contas Especial (TC-017. 33. d) manter íntegro.115/96-0) para este feito. em Sessão Plenária realizada em 31 de janeiro do corrente ano. acolhendo as conclusões deste Relator. 2001 . em Sessão de 13/12/2000 esta e.

115/1996-0. Grupo OK Construções e Incorporações S/A. de 16/08/2000 (f. SECEX-SP. de 16/08/2000 (f. que adotou a seguinte deliberação: (. Contudo. embora tenha sido objeto da segunda citação. a relevância do atual estágio processual. Luiz Estevão de Oliveira Neto . levando em conta. Nicolau dos Santos Neto – Edital nº 10. in litteris: “I) Introdução O Plenário deste Tribunal. seguida.Ofício nº 660. proferiu a Decisão nº 591/200-TCU-Plenário. 36.. SECEX-SP. Sr. Sr. Antônio Carlos da Gama e Silva. A profundidade e o zelo imprimidos pela unidade técnica no exame dos arrazoados ensejou a elaboração de instruções de considerável volume. atendendo ao subitem 8. à época. ao apreciar o presente processo relativo à Tomada de Contas do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região do exercício de 1995. 590/591). Sr. Délvio Buffulin .Ofício nº 659. Exmº Sr. Ano 4. passo a passo. Diretor-Superintendente. José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz . Sr. à vista do detalhamento e da variedade de informações de que dispõem.) 5. Gilberto Morand Paixão . encontrava-se. Incal Incorporações S/A.. SECEX-SP. havendo as instruções resultantes retratado a argumentação oferecida pelos agentes responsáveis.Ofício nº 662. 578/579). Assim. Sr. onde se deu a primeira citação. 586/587). SECEX-SP. Número 15. na pessoa do representante legal. 582/583) e posteriormente pelo Edital nº 17.) 2. DiretorPresidente. acolhendo o Voto do Relator. uma vez que os presentes autos. Incal Incorporações S/A.. (. de 16/08/2000 (f. Sessão de 02/08/2000. SECEX-SP. 639). na Secretaria de Recursos para exame de peças recursais. Fábio Monteiro de Barros Filho . de 16/ 08/2000 (f. pelo correio mediante carta registrada e por intermédio de Auditorias do TCU. Ministro Lincoln Magalhães da Rocha. O Sr. 580/581). transcrevo inicialmente a instrução relativa ao TC-700. Sr. SECEX-SP. de 16/08/2000 (f. 584/585). na pessoa do representante legal. de 20/09/2000 (f.591/2000 adotada no processo referente às contas relativas ao exercício de 1995 (TC-700. Diretor VicePresidente. As alegações de defesa oriundas de ambas as citações mereceram criteriosa análise pela SECEX/SP. ainda. cujos textos julgo imprescindível incorporar neste Relatório. do exame propriamente dito. 588/589). de 16/08/2000 (f. 38. na pessoa do representante legal. mediante os seguintes expedientes: a) Sr. foram promovidas as citações dos responsáveis supramencionados. de 16/08/ 2000 (f.115/1996-0. não obstante tenha sido citado de duas formas distintas. Antonio Carlos da Gama e Silva . Brasília-DF. Ata nº 30/2000 – Plenário). obedecendo à ordem cronológica da análise empreendida pela SECEX/SP.Ofício nº 657.Ofício nº 661. porém mereceu o exame da unidade técnica no primeiro momento. 37. 2001 29 .2 da aludida Decisão..Ofício nº 658.

pois. 54 do mesmo normativo. porquanto além de estarem sob o manto de Decisões definitivas dessa Corte. 22 da Resolução/ TCU nº 77/96 c/c o art. Nicolau dos Santos Neto e Antônio Carlos da Gama e Silva. 7. 639). Apresentaram defesa os Srs. as alegações de defesa aduzidas pelos responsáveis. Não se manifestaram nos autos os Srs. a seguir. 146/302 do Anexo I). e. talvez sem que fosse seu propósito. concluindo. II) Alegações de defesa do Sr. 22 da Resolução/TCU nº 77/96 c/c o art. servindo apenas como subsídio. nossa proposta final de encaminhamento. Gilberto Morand Paixão (f. 22 da Resolução/TCU nº 77/96 preceitua que: ‘Os processos que tenham relação ou dependência entre si poderão ser juntados. acompanhadas da nossa análise. representantes da Incal Incorporações S/A (f. 6. 16/145 do Anexo I). nos termos do art. Apresentamos. Tece ainda as seguintes considerações: a) as questões debatidas nos autos juntados estão plenamente vencidas. para todos os efeitos. 2001 . Luiz Estevão de Oliveira Neto. devendo 30 Auditorias do TCU. 1994 e de 1996 às contas de 1995. além de sacramentadas por Decisões dessa Corte. não foi localizado (f. o Tribunal. determinado pela mencionada Decisão. 01/15 do Anexo I) e o Sr. haja vista que as três primeiras já tinham sido julgadas regulares e que o ato de juntada como determinado pela Decisão nº 591/2000-Plenário acarreta o encerramento dos demais processos. levou inegavelmente a uma impossibilidade de discutir as matérias concernentes aos processos juntados. Número 15. ante o que determinava expressamente o art. 8. Ano 4. Brasília-DF. 12 § 3º da Lei nº 8.443/92. como determinado pela Decisão nº 591/2000-Plenário. com base nas próprias normas desse Tribunal que regiam a espécie. 54 do mesmo normativo. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.1 Análise No que se refere à alegação de que o ato de juntada das tomadas de contas dos exercícios de 1992. Délvio Buffulin (f. e que o encerramento de um processo implica dizer que nele não haverá deliberação. Assim. que só poderiam ser discutidas com a necessária decisão rescindente. representante do Grupo OK Construções e Incorporações S/A (f. 631 e 634). Alegação O responsável afirma que houve um equívoco processual quando da juntada das tomadas de contas dos exercícios de 1992. ensejou o encerramento das questões definitivamente apreciadas nos autos juntados. Luiz Estevão de Oliveira Neto. procedeuse à citação por via editalícia (f. o art. 1994 e 1996 às contas de 1995. apresentamos as nossas considerações sobre a questão: a) com efeito. representante do Grupo OK Construções e Incorporações S/A (f. deveria acarretar o encerramento dos demais processos. tornando-se os mesmos revéis. foram encerradas por força da mencionada Decisão. ante o que determinava expressamente o art. b) termina por concluir que. 01/289 do Anexo II) 8. o procedimento da juntada.servidor designado para esse fim. 01/289 do Anexo II).

b) em relação à necessidade de rever todos os pontos de questionamento nos processos juntados. 54 desta Resolução’ e o art. com o pronunciamento da Unidade Técnica e do Ministério Público. denúncia. no CAPT. bem assim. incs. 22 desta Resolução’. Quanto à afirmação de que a reapreciação dos processos juntados deve revolver todas as etapas de instrução e julgamento. por um exemplo. Ressalte-se que. pois se assim não fosse. II e III e da Lei Orgânica – aliás. em relação ao ponto ora questionado. não podem ser encerrados sem julgamento. no presente processo. conforme os arts. 54. também referem-se a processos da mesma natureza (tomada de contas anuais) e como tais. I da Resolução/TCU nº 77/96 (embora não haja disposição expressa a respeito) não se aplicam ao caso em que todos os processos a serem juntados refiram-se à tomada ou prestação de contas. levando-o a conclusões equivocadas. Brasília-DF. diploma legal hierarquicamente superior à supracitada Resolução. e) dessa forma. 12. 22 e 54. representação) mas nunca os processos de contas. 15 a 19 da Lei nº 8. tais dispositivos devem ser interpretados sistematicamente e em consonância com a Lei Orgânica deste Tribunal. hipótese em que o Tribunal ordenará o seu trancamento e o conseqüente arquivamento do processo.quando for determinada a sua juntada a outro processo. entendemos que. os processos que foram juntados ao processo de tomada de contas relativas ao exercício de 1995. em tal situação. a não ser no caso de as contas serem consideradas iliquidáveis. e não somente da obra. são encerrados os primeiros processos (relatório de auditoria. de processos de relatório de auditoria ou de denúncia/representação que são juntados aos correspondentes processos de tomada ou prestação de contas para subsidiar a análise dos últimos. b) no entanto. que: ‘O processo será encerrado.443/92. tratando-se de todos os pontos de questionamento. c) ora. tecemos as seguintes considerações: a) é certo que esta Corte de Contas ao reapreciar os processos juntados adotará as medidas necessárias no sentido de possibilitar aos responsáveis os direitos da ampla defesa e do contraditório. Número 15. d) conclui-se assim que os arts. em cada processo de ‘per si’. inc. faltou ao responsável interpretar de forma sistemática os citados dispositivos. estariam em nítida contradição com a Lei Orgânica – na prática. I da mesma Resolução. pelo que se depreende dos arts.um deles ser encerrado. nos termos do art. discordamos da opinião do responsável por entendermos que (1) nenhum benefício decorreria (nem aos responsáveis nem ao Tribunal) da revisão de questões em que Auditorias do TCU. inc. 20 e 21 da citada lei. 2001 31 . Ano 4. foi exatamente esse o procedimento adotado. por meio dos instrumentos da citação e da audiência previstos no art. a aplicação de tais dispositivos ocorre quando se trata. ao se promover a citação dos responsáveis. consoante o disposto no art. nas seguintes situações: I . dando-se aos responsáveis os inarredáveis direitos de ampla defesa e do contraditório. inclusive aqueles que não tenham relação com a obra.

2. o Tribunal suprimiu todo um rito processual taxativamente previsto para a apreciação desse tipo de recurso. 1994 e 1996. observância aos pressupostos recursais. Justifica que. em razão do julgamento de mérito do recurso interposto. como após as mesmas. na qualidade de fiscal da lei. rejeitamos a defesa apresentada no item 8 supra. in verbis: 8. 2001 . deixar assente que. Ano 4. necessidade de instauração do contraditório. até que seja aprovada norma disciplinadora do tratamento a ser dispensado ao recurso de revisão interposto pelo Ministério Público junto ao TCU e aos demais recursos interpostos pelo Parquet.5.2. sob pena de nulidade. ou que a reforme. de forma. inclusive. 8. atuação do Relator sorteado até o julgamento que decide acerca da reforma ou não da decisão recorrida. a prestigiar os princípios do contraditório e da ampla defesa. por estar se adotando uma medida meramente protelatória e desnecessária. ao pronunciar as nulidades dos atos processuais.1. obrigatoriedade de audiência do Ministério Público. sob pena de negativa de prestação jurisdicional por parte do Relator sorteado. Faz menção à Decisão nº 789/1998-TCU-Plenário dando ênfase aos princípios a serem observados quando da apreciação dos recursos de revisão. tendo em vista que pende recurso de revisão interposto pelo MP/TCU contra as Decisões nº 168/98-Plenário. inc. respectivamente.2.art.4. a nosso ver. 9. devem ser observados os seguintes princípios. I do CPC) – em suma. somente devem ser analisados os fatos supervenientes. validade e eficácia da decisão recorrida até que o Tribunal prolate nova decisão que a casse. Brasília-DF. observamos que o juiz. pois o contrário seria agir contra o princípio da economia processual e mais ainda. se o mesmo não prejudicar a parte . adotando tal procedimento.2. relacionados ou não com a obra do TRT-SP. quando se tratar de recurso tendente a agravar a situação do responsável. sob pena de infringência ao princípio constitucional da ampla defesa. Número 15. apenas estabelecendo um paralelo com o processos da justiça. pela via recursal (a esse respeito.2.2. Por todo o exposto. que não tenham sido levantados em ocasião anterior. para fins de uniformização: 8. não determinará a repetição de um ato nem lhe suprirá a falta. 8.2 da aludida decisão. objetivando a reabertura das contas referentes aos exercícios de 1992. quando haveria a necessidade de percorrer toda a etapa instrutória e audiência do MP/TCU. tanto antes de ser proferida as decisões. contra o interesse público.2. elencados no subitem 8. 249. em virtude de nulidade devidamente comprovada. 238/97-Plenário e Relação nº 75/97-2ª Câmara. Alegação O responsável alega a impossibilidade do procedimento determinado pela Decisão nº 591/2000-Plenário no que diz respeito à juntada das contas ordinárias do TRT/SP de 1992 a 1998. 8. sob pena de se 32 Auditorias do TCU.nada de novo se tenha a acrescentar e (2) nenhum prejuízo decorreria ao responsável de não se rever questões em que o mesmo já teve oportunidade de se defender. 8.3. cujo formalismo é mais rigoroso.

Entende o responsável que. 238/97-Plenário e Relação nº 75/97-2ª Câmara. respectivamente. consoante previsto no item 8. ou a requerimento de qualquer das partes. tecemos as seguintes considerações: a) Inicialmente achamos relevante relatar as seguintes informações constantes do Voto do Relator na Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. evitar que fossem proferidas decisões contraditórias sobre a mesma matéria. 2001 33 . a prestigiar os princípios do contraditório e da ampla defesa. ao qual caberia presidir a instrução. considerando os seguintes fatos: (1) as irregularidades que deram causa tanto à interposição de recursos para a reabertura das contas dos exercícios de 1992. quando haveria a necessidade de percorrer toda a etapa instrutória e audiência do MP/TCU. suprimiu todo um rito processual taxativamente previsto para a apreciação desse tipo de recurso. de que se teve conhecimento somente após o julgamento dessas contas e (2) a justificativa da juntada das contas deveu-se à conveniência do exame das mesmas em conjunto e em confronto. Ano 4. com base nos mencionados princípios. abrindo possibilidade para que. qual seja. No que tange a essa alegação.tal procedimento objetivou além de tudo. objetivando a reabertura das contas referentes aos exercícios de 1992. pendendo recurso de revisão interposto pelo MP/TCU contra as Decisões nº 168/98-Plenário. de ofício. a interposição de um recurso acarretou o sorteio de um novo Relator. face às ocorrências perpretadas ao longo dos exercícios de 1992 a 1998 .5 do já citado Decisum. inclusive o necessário juízo de admissibilidade. atento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. posteriormente. c) Assim. Em suma. por serem fatos supervenientes. Brasília-DF. inclusive. depreende-se que: (1) o motivo que levou o MP/TCU a interpor os recursos visando à reabertura das aludidas contas do TRT-SP foram as diversas irregularidades verificadas no TC-001. em síntese. observamos que.2. a obra de construção do Fórum Trabalhista e (2) todos os processos acima mencionados (incluindo-se os Auditorias do TCU.. in verbis: (. pudesse esse Tribunal prolatar uma decisão rescindente. constitucionalmente garantido. ao proceder à pura e simples juntada das contas. 105 do CPC. a fim de que sejam decididas simultaneamente.. 1994 e 1996. maculando toda espécie de decisão posterior. de forma. que o Tribunal. que não foram tratadas quando da apreciação das respectivas contas.infirmar o princípio da segurança jurídica e de se afrontarem a coisa julgada.1 Análise Alega o responsável. fazendo.) b) Da análise das informações acima. 9. ao proceder à juntada das contas ordinárias do TRT/SP de 1992 a 1998.025/1998-8. o juiz. 1994 e 1996 bem como à juntada das contas dos exercícios de 1992 a 1998 relacionam-se a uma única matéria. consoante o art. as normas do TCU e o devido processo legal. havendo conexão ou continência. o Tribunal suprimiu rito claramente determinado pelo mesmo de forma cogente. pode ordenar a reunião de ações propostas em separado. Número 15. cabendo ressaltar o fato de que nenhum prejuízo ocasionou aos responsáveis – apenas estabelecendo um paralelo com o processo judicial. impulsioná-la.

10. de forma a evitar decisões contraditórias. tal procedimento objetivou apenas o exame em conjunto e em confronto das contas em questão. sob a condução de um único Relator. 10. com base na interpretação sistemática de dispositivos da Lei Orgânica do TCU. os responsáveis pela gestão. à semelhança do que ocorre nos processos da justiça. quem de direito. quis a norma que se ouvisse. não implicou qualquer cerceamento à defesa do Grupo OK. podemos afirmar. de forma que estes possam trazer seus esclarecimentos sobre os fatos inquinados. A seguir. mas taxativamente reporta-se ao contratante ou à parte interessada somente no juízo de mérito (art. Número 15. É por esse motivo que a Lei se reporta apenas e tãosomente a esses. considerada no contexto do rito processual previsto para a apreciação dos recursos interpostos pelo MP/TCU. carece de sentido a discussão de que os recursos tenham prioridade em relação às contas quanto à sua análise. além de estarem sob a condução de um mesmo Relator e serem analisados e instruídos pela mesma Unidade Técnica – nesse contexto. § 2º da Lei). porquanto essa empresa sequer figurava como responsável naqueles processos. Brasília-DF. tendo em vista a identidade das matérias tratadas. 2001 . considerando que no presente caso. 34 Auditorias do TCU. que antecede o próprio mérito. também não prejudica os direitos dos responsáveis no que diz respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. conforme define a Lei. previstos na lei. 16. Pelo exposto. a ocorrência de irregularidades na obra do Fórum Trabalhista. mencionamos as principais considerações tecidas pelo responsável sobre a questão. a nosso ver. Por último.correspondentes recursos de revisão interpostos pelo MP/TCU) foram reunidos.conforme já dito. que o fato de as contas terem sido juntadas sem que os recursos interpostos pelo MP/TCU tenham sido apreciados. isoladamente considerada. in verbis: Em juízo preliminar. na fase concernente à decisão preliminar. Ano 4. qual seja. § 1º e 12 da Lei). por evidente. com certeza. mesmo não levando em consideração a análise acima. e conferindo-se aos responsáveis todos os direitos inerentes aos princípios do contraditório e da ampla defesa. já que todos os processos estão sendo analisados de forma concomitante. considerando que a Lei não prevê tal possibilidade na hipótese de decisão preliminar (arts. (2) A juntada das contas. ou seja. não acatamos a alegações apresentadas no item 9 supra. não seja possível a citação de ‘particular’ na fase de juízo preliminar de apreciação de contas anuais. Alegação Alega o responsável que. para serem apreciados conjuntamente podemos finalizar a análise concluindo que: (1) A juntada das contas. quando ações propostas em separado são reunidas por conexão ou continência. inicialmente. não representa nenhum cerceamento aos direitos dos responsáveis . todos os processos (incluindo os correspondentes recursos de revisão) encontram-se unidos pelo mesmo elo.

10 § 1º. necessário concluir que haveria. em princípio. como contratante ou parte interessada na prática do mesmo ato haja concorrido para o Auditorias do TCU. Brasília-DF. não participou do certame nem firmou contrato com a Administração. data vênia. para esses fins. a afirmação de que um ‘particular’ poderia ser citado apenas na etapa processual específica e nas condições previstas no art. tendo em vista a expressa menção dessa possibilidade. a lei não prescreve nenhuma restrição à citação de terceiro ‘particular’ na fase de juízo preliminar de apreciação de contas anuais. um particular que nem sequer foi contratado. não pode ser enquadrado como responsável. Aliás. à evidência. 16 da Lei. Por outro lado. 11 e 12) aplicam-se. em que se configure a existência de débito.1 Análise A nosso ver. como aduz o responsável. considerando. está subsumido à gestão dos responsáveis pelo órgão. sem provas bem fundamentadas para tanto. pois. seja gestor de órgão ou entidade fiscalizada pelo Tribunal ou particular sem vínculo com a administração pública. Ano 4. juntados aos autos dois dias antes de sua apreciação por essa Corte. Um último aspecto cabe-nos trazer à consideração de Vossa Excelência. estribada em sólidos fundamentos jurídicos. efetivamente. cabendo lembrar. como veremos mais adiante. sobretudo. 10.) Nessa linha de raciocínio. tendo em vista que os dispositivos da Lei que versam sobre a citação (arts. e frise-se. 2001 35 . 16 da Lei. em síntese: (a) tanto a processos de tomada de contas anual. a possibilidade de citação de particular. cabe lembrar que a relação de responsáveis que consta deste processo.A propósito. que a definição de responsabilidade. A desproporcionalidade de uma decisão preliminar citar um particular por débito que. mas simplesmente à necessidade de fazer constar do Acórdão que deliberou pela irregularidade das contas a existência de responsabilidade solidária ou não do agente público que praticou o ato irregular e do terceiro que. sim.. Por sua vez. corretamente. nesta específica etapa processual. que nem a própria Unidade Técnica que atuou nos autos teve oportunidade de se pronunciar sobre a matéria que envolveu Grupo Econômico. a que o Tribunal tenha atribuída a responsabilidade por prática de ato irregular e/ou dano ao erário. Em suma. Cabe considerar com relação a esse aspecto que não teve essa Corte ensejo de se aprofundar nos fatos. outrossim. é totalmente equivocada. não se podendo olvidar que a Decisão que determinou a citação desse Grupo tomou por base documentos de discutível perfeição. na forma prevista em lei. deve ser vista com os devidos sopesamentos e restrições. a forma pela qual o responsável interpretou os dispositivos da Lei Orgânica do TCU encontra-se equivocada. ante a possibilidade de repercussões de toda ordem que dela pode emanar. e esses são os administradores do Órgão em questão. O citado dispositivo não diz respeito propriamente a uma etapa processual. nessa fase processual. explicitou os responsáveis. Número 15. mas apenas nas condições previstas no art.. (. e porque não dizer. inicialmente. como a tomada de contas especial e prestação de contas e (b) a qualquer pessoa física ou jurídica. bem assim.

No que se refere à alegação de que a citação do responsável teve como base documentos de discutível perfeição e falta de provas bem fundamentadas. e apresentado na sua defesa elementos que permitam concluir pela exclusão da sua responsabilidade. baseou-se no fato de a empresa ter concorrido para o cometimento dos danos causados ao patrimônio público em virtude dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. no qual se incluía a conversão desses autos. o que é absolutamente incabível. já que tal deliberação. está subsumido à gestão dos responsáveis pelo órgão. nada mais do é que o instrumento processual pelo qual se efetiva e concretiza o princípio do contraditório e da ampla defesa. inc. bem assim. 2001 . mediante a remessa de cópia da documentação pertinente ao Ministério Público da União. Não obstante a Decisão nº 469/99-Plenário tenha retificado o aludido Acórdão no tocante ao 36 Auditorias do TCU. tal questão será tratada mais adiante.cometimento do dano apurado – procedimento esse imprescindível para se promover a cobrança executiva do débito pelo Tribunal. conforme será discorrido detalhadamente mais adiante. estribada em sólidos fundamentos jurídicos.025/1998-8. representada pela pessoa do Sr. b) a citação. veiculada mediante a publicação de Acórdão corresponde à decisão final do processo de contas. prevista no art. Pelo exposto. deve ser vista com os devidos sopesamentos e restrições. De acordo com a linha de raciocínio do responsável. e de que há uma desproporcionalidade de uma decisão preliminar citar um particular por débito que. 33 e 48 da Lei Orgânica/TCU suspendeu os efeitos do referido julgado. a oportunidade de pagar o valor do débito que lhe for imputado – dessa forma. bem como para o possibilitar o ajuizamento das ações civis e penais cabíveis. que tinham como objeto Relatório de Auditoria. a citação do Grupo OK. abrindo-se desde logo. No presente caso. 12. tecemos as seguintes considerações: a) o procedimento de imputação de responsabilidade por este Tribunal se dá com base nos elementos contidos nos autos que evidenciam a ocorrência de irregularidades e/ou danos ao erário. c) não observamos assim. consoante o § 3º do mesmo artigo 16. Quanto à afirmação de que a definição de responsabilidade. somente após o julgamento pela irregularidade das contas é que deveria se proceder à citação do terceiro solidário. Brasília-DF. tendo sido o mesmo citado. Alegação O responsável afirma que a interposição de recursos (pedido de reexame e recurso de reconsideração) ao Acórdão nº 45/99-Plenário relativo ao processo TC 001. qualquer falta de fundamento jurídico ou desproporcionalidade da decisão proferida por este Tribunal. Luiz Estevão de Oliveira Neto. em princípio. obviamente o Tribunal deliberará nesse sentido. Ano 4. 11. Número 15. tenha sido ela provocada por gestores do órgão ou entidade sob a jurisdição do TCU ou por terceiros que hajam concorrido para a prática desses atos. II da Lei Orgânica. não acatamos a alegações apresentadas no item 10 supra. consoante os arts. no qual o interessado é chamado a se defender. em Tomada de Contas Especial.

por este Tribunal. bem como os de tomada de contas especial. consoante o art. por meio da qual foi citado o grupo OK. 5º. a liminar concedida permanecia intacta em seus efeitos jurídicos.1 Análise No que concerne ao efeito suspensivo dos recursos interpostos ao Acórdão nº 45/99-Plenário relativo ao processo TC 001. aponta o fato de que o Supremo Tribunal Federal havia concedido liminar expedida no Mandado de Segurança nº 23. mas sim em processo de tomada ou prestação de contas. tendo em vista que a própria Lei Orgânica do TCU prevê no seu art. é a proteção de direito líquido e certo. 11. entendemos que tal afirmação não procede. Brasília-DF. tomada de contas especial. b) assim. necessário se faz recordar a finalidade do instrumento do mandado de segurança. Número 15.025/1998-8. inexiste impedimento legal no sentido de que o Tribunal proceda à citação dos responsáveis em outro processo. e o afastamento desta tomada de contas especial. e do débito que deve ser cobrado exclusivamente por ela. que. entendemos que o mesmo só atinge os efeitos da mencionado Acórdão e portanto. Diz ser incontrastável que a cobrança do débito foi remetida para a tomada de contas especial.montante do débito e à alteração do número de responsáveis. 12. 12 – ‘Decisões em Processo de Tomada ou Prestação de Contas’) – ou seja. LXIX da Magna Carta. tendo em vista que estas não seriam o meio adequado para esse fim. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. inc. II. só poderia ocorrer quando da apreciação dos competentes recursos interpostos no TC nº 001. inc. não amparado por habeas corpus ou habeas data. Como conseqüência. 2001 37 . Quanto à afirmação de que o Tribunal descumpriu determinação do STF ao prolatar a Decisão nº 591/2000-Plenário. Além disso. tecemos as seguintes considerações: a)em primeiro lugar.025/1998-8.560-8. tendo em vista que o débito configurado nas mencionadas decisões foi inteiramente aproveitado. para as contas anuais. No que tange à impossibilidade de cobrança de débito por meio de decisão prolatada nas contas anuais e não em processo de tomada de contas especial. o impetrante do mandado de segurança junto ao STF contra as decisões do TCU (Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário e Decisão nº 469/99-TCUAuditorias do TCU. Ano 4. a lei não determina que a cobrança do débito deva ser realizada exclusivamente em processo de tomada de contas especial. suspendendo o efeito das decisões acima mencionadas e que. manteve na essência as determinações constantes do mesmo. ao prolatar a Decisão nº 591/2000-Plenário. Alega que é um equívoco trazer os débitos discutidos em rito correto e definido pelo próprio Tribunal. que abrange tanto os processos de tomada ou prestação de contas anuais. o Tribunal descumpriu a determinação do Pretório Excelso à época. qual seja. a possibilidade de cobrança de débito em processo de tomada ou prestação de contas (vide o título da Seção II onde se insere o art. até o momento em que a sua defesa fora elaborada. entende que a quantificação do débito e a possibilidade de sua cobrança ainda não se aperfeiçoaram. conforme decidido pelo próprio Tribunal. Dessa forma.

225.15. c) é fato que o STF concedeu liminar suspendendo as determinações do Tribunal contida nas mencionadas decisões. nem a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. em nada ofende a liminar concedida no aludido mandado de segurança. Número 15. inc. portanto.491.461. prevista no art. o fato de o Tribunal ter promovido a citação do Grupo OK por meio de uma outra decisão (Decisão nº 591/2000-Plenário) utilizando-se para esse fim.Plenário) o fez considerando que teve direito seu lesado em virtude de ilegalidade ou abuso de poder. 1994. a Decisão nº 591/2000-Plenário não obriga o responsável a pagar o débito.207. não há o que se falar em direito lesado em virtude de ilegalidade ou abuso de poder – concluímos que não houve. 2001 . 12. conforme discorrido no Voto do Relator que acompanha o Acórdão proferido recentemente pelo Plenário deste Tribunal na Sessão de 29/11/ 2000. Brasília-DF. todos em valores de abril de 1999.. no qual o interessado é chamado a se defender. sendo que desse débito total a parcela de R$ 13.75) e o valor efetivo do empreendimento nas condições em que se encontra (R$ 62. relativos à análise dos recursos no processo TC 001. relativo à diferença entre as quantias pagas pelo TRT-2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231. tendo em vista que a citação. esclareceu que havia deferido a medida acauteladora apenas para suspender ‘a eficácia das decisões prolatadas pelo Tribunal de Contas da União relativamente à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e determinação de que fosse devolvida a quantia nela consignada’ 38 Auditorias do TCU. in verbis: é oportuno registrar que.A. 1993. Délvio Buffulin e Antônio Carlos Gama da Silva. como valor do débito.A.176. na pessoa do seu Diretor superintendente e representante legal. quais sejam: (1) a juntada das contas ordinárias do TRT/SP. Nicolau dos Santos Neto. consoante seus subitens 8. nenhuma violação à liminar concedida pelo STF. 1997 e 1998 às contas do exercício de 1995 e (2) citação solidária da empresa Incal Incorporações S. nessa etapa processual. do Grupo OK Construções e Incorporações S. abrindo-se desde logo. e dos Srs. II da Lei Orgânica. Sr. pelo valor de R$ 169.025/1998-8.951.054. f) em outras palavras.953. quando da apreciação do seu mérito pelo Plenário do STF. 1996. razão pela qual. referentes aos exercícios de 1992.1 e 8. g) ademais. a oportunidade de pagar o valor do débito que lhe for imputado.60).2 resume-se em apenas duas deliberações. conquanto este Tribunal e o Ministério Público que aqui oficia hajam entendido que aquela liminar houvera suspendido in totum o Acórdão n° 045/99-Plenário e a Decisão nº 469/99-Plenário. Gilberto Morand Paixão. e) ora. nada mais do é que o instrumento processual pelo qual se efetiva e concretiza o princípio do contraditório e da ampla defesa. aquele apurado em auditoria realizada anteriormente por este Tribunal (a que alude a Decisão nº 469/99-TCU-Plenário).. o Relator daquele writ. Luiz Estevão de Oliveira Neto. d) do conteúdo da Decisão nº 591/2000-Plenário.28 é de responsabilidade solidária também do Sr. Ano 4.

lotada na Secretaria de Controle Externo de São Paulo. a Equipe que realizou o último trabalho de auditoria. entendeu que cerca de 65% da obra havia sido executada. apenas à guisa de exemplo. d) foi utilizada uma maneira pouco usual para se quantificar o aludido débito – a Equipe desconsiderou todos os aspectos legais. Mesmo uma outra competente Equipe desse Tribunal. de forma mais marcante. do contrato administrativo. Cabe lembrar.. aduzindo que os conceitos e as metodologias anteriormente usadas estavam equivocados. Pelo exposto.04%. qual seja. c) (. jurídicos. b) (. e. Número 15. sob o manto contratual.h) por fim. como é o caso da L. de acordo com os princípio básico que rege todos os contratos. pacta sunt servanda. e até que se tenham definitivamente como ilícitos. a partir da qual os atos eventualmente inquinados deveriam ser analisados. previstas inclusive legalmente. encampou critério de avaliação de mui discutível juridicidade. Auditorias do TCU. considerando inclusive que a obra alcançou um razoável período inflacionário. deveriam ter sido preservados. que naturalmente gravitam em torno de todo contrato. econômicos e financeiros. e da perita designada pelo Ministério Público Federal de São Paulo. tendo em vista os princípios mais basilares de Direito. até o trabalho de inspeção produzido por esta Corte. não nos parece razoável nem justo fundar-se em apenas um procedimento.. além de outros – nenhum desses pareceres são taxativamente convergentes. 12. em princípio. anteriormente. Visando fundamentar tal assertiva.. e) em se tratando de obra executada tendo por base um contrato administrativo são inúmeras as variáveis aí incluídas.) discrepa desse entendimento.) assim. até os tão comuns desequilíbrios da equação econômicofinanceira. entre muitos outros. à vista de tantos outros. cabe ressaltar que em 20/09/2000 o Plenário do STF indeferiu o aludido mandado de segurança (Decisão publicada no Diário da Justiça de 27/09/ 2000). porquanto desprezou toda a lógica contratual que permeia o objeto em discussão. adotando posição em relação à qual há fundada controvérsia. Brasília-DF. desde o reajuste de preços. traz os seguintes argumentos: a) existem inúmeros pareceres a respeito da execução da obra referente ao Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região. f) a quantificação do débito deveria ter sido procedida pela perspectiva contratual tendo em vista que os atos que impulsionaram a obra em comento estavam. Falcão Bauer. Ano 4. A. bem assim. à vista de outros abalizados posicionamentos. que vão desde as medições feitas pelo engenheiro responsável pela obra. 2001 39 . não acatamos a alegações apresentadas no item 11 supra.. passando por escritórios insuspeitos nesse mister. que a Falcão Bauer chegou a considerar que a execução da obra em tela alcançou o percentual de 75. Alegação Aduz o responsável que esta Corte não procedeu corretamente quando da quantificação do débito nestes autos.

Refutamos tal alegação apresentando inicialmente uma síntese dos pontos principais constantes do Relatório que acompanha a Decisão nº 469/1999-TCUPlenário. a) não obstante o TCU tenha determinado ao TRT-SP... no entanto. sequer especifica quais foram esses aspectos. Ano 4. mas sequer especifica quais as variáveis que se aplicariam ao caso concreto e que não teriam sido consideradas. Número 15. já que os projetos a que a Equipe de Inspeção teve acesso não podem ser considerados como tal. f. XV. empresa tradicional na área de custos de obras e contratada pela Incal para a elaboração do orçamento. jurídicos.Plenário). em maio de 1996. a Pini Sistemas Ltda. apresentou diversas planilhas com datas-base distintas. além do entendimento do próprio TCU com base em auditoria realizada anteriormente.666/93)’ (Decisão nº 231/96 – TCU . encontra-se exaustivamente justificado no Relatório do Ministro-Relator que acompanha a Decisão nº 469/1999-TCU-Plenário. 2001 .como é. Falcão Bauer. Brasília-DF. A.a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos (Lei nº 8. 54 da Lei nº 9. b) conforme indica laudo da arquiteta contratada pelo Ministério Público Federal (MPF/SP) para realizar perícia na aludida obra. Alega também que existem inúmeras variáveis que igualmente deveriam ter sido levadas em consideração em se tratando de obra executada tendo por base contrato administrativo. pela perita designada pelo Ministério Público Federal de São Paulo. os pareceres elaborados pela empresa L.784/99.Aponta ainda o responsável o fato de que o prazo prescricional para se atacar as relações travadas na Administração Pública é de cinco anos contados a partir do momento em que os atos são praticados. em nenhum momento aquele Tribunal obteve junto à contratada a planilha orçamentária de obra (Vol. 40 Auditorias do TCU. bem como um cronograma físico-financeiro elaborado a partir de tal planilha . econômicos e financeiros.. conforme prevê o art. 12. mencionando como exemplos. que concluiu que a obra estaria executada em cerca de 65%. ‘. O último procedimento adotado pelo TCU para quantificar o débito atualmente imputado aos responsáveis por irregularidades na obra de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. conforme segue: a) dentre as irregularidades constantes do processo licitatório foram mencionadas a inexistência de projeto básico claro e completo. O responsável alega que o débito deveria ter sido quantificado utilizando-se a ‘perspectiva contratual’ e que não parece razoável nem justo fundar-se em apenas um procedimento. de fato. 123).1 Análise De início observamos que os argumentos trazidos pelo responsável mostramse vagos e imprecisos. Afirma que a Equipe desconsiderou todos os aspectos legais. usual (e também exigido pela lei) em contratos de obra. à vista de tantos outros. bem como a inexistência de projeto executivo. que naturalmente gravitam em torno de todo contrato.

8% executados (Vol. a Incal Incorporações S. XV. 19/20).. f. em seu relatório de novembro de 1997. que não se tratava de uma planilha orçamentária tecnicamente bem elaborada e confiável.. Celso afirmou que a Incal ‘. f. uma torneira ou um vaso sanitário instalado na obra? Ou que 55. d) posteriormente. que 99.’ – em outras palavras não foi um trabalho conclusivo.9% do forro de gesso encontra-se executado. em março de 1998 (Vol. como fez aquele profissional. Auditorias do TCU.. continuou a motivar sistemáticas medições de evolução mensal por parte do Eng. mas um orçamento elaborado pela Pini Sistemas nos moldes estabelecidos pela Incal – esse fato tornou-se claro quando do depoimento prestado pelo Engenheiro Celso Ragazzi (Diretor de Engenharia da Pini) no MPFSP.. quando sua instalação na obra sequer foi iniciada? Até mesmo a formação em engenharia civil é dispensável para que se percebam discrepâncias dessa magnitude. Número 15.. na obra.. por esse motivo. fica claro que os mesmos não representam a realidade fática da obra devendo. que o Eng.lhe forneceu documentos que propiciaram a elaboração de um orçamento apenas parcialmente aberto.sendo que a última delas (de dezembro de 1997) foi submetida a criteriosa análise por parte daquela especialista. informou estarem 98. (2) A análise dessas planilhas demonstra que vinha sendo atestada a execução de vários serviços (Vol. 193. 2001 41 . verificou-se que o orçamento em questão não era um orçamento da Pini Sistemas. f.como atestar. Exemplos disso são a ‘estrutura metálica da rampa’ (para interligação entre os blocos nos diversos pavimentos) e a ‘estrutura metálica espacial’ (fechamento lateral entre as duas torres e cobertura da área central das mesmas). f) quanto às peças técnicas referentes a medições da obra elaborados pelos Engs. c) a constatação de diversas impropriedades nas aludidas planilhas. XV.. Brasília-DF. quantificado e especificado com maior objetividade e clareza. 165. Gama. Naquela oportunidade. sequer o início dos mesmos. Antônio Carlos da Gama e Silva e Gilberto Morand Paixão a equipe de inspeção demonstrou à saciedade que os mesmos não eram confiáveis – apenas a título de ilustração citamos dois exemplos mencionados no Relatório: (1) . então. Desta última..3% das instalações hidráulicas estão executadas se não há sequer um lavatório.’ (grifo nosso). apenas um pequeno protótipo encontra-se no canteiro de obra. levou a especialista a concluir que ‘Face às dúvidas e discrepâncias encontradas nos orçamentos apresentados pela Incal Incorporações S.. f. e) a equipe de inspeção deliberou. o Eng. XV.A. com as peculiaridades que lhe foram apresentadas. 240) sem que se observasse. Ano 4. I. que a impossibilidade do esclarecimento completo dos custos da obra deveu-se ao fato de que não lhe foram apresentados os documentos necessários para tal finalidade’ e concluiu dizendo que ‘. e que o eventual aproveitamento de dados contidos na mesma deveria se dar com extrema reserva.. mas um indicativo das falhas observadas.A. realizou o seu trabalho nos moldes em que foi requerido pelo seu cliente. Até mesmo o item ‘elevadores’. Paixão (Vol. o orçamento do empreendimento contratado ser revisado. 123).

o referencial tomado pela equipe foi o próprio orçamento fornecido pela Incal. desde o reajuste de preços. com relação aos pesos atribuídos às atividades. perguntamos se é possível quantificar o débito utilizando-se apenas a ‘perspectiva contratual’ como defende o responsável. Feitas essas considerações. para a elaboração da planilha de percentuais financeiros. ficou comprometido o percentual financeiro total’. o que permitiu identificar o valor preciso da edificação no estado em que se encontrava. deve ficar desconsiderada a totalização de 75. É óbvio que a resposta é não. Além disso. previstas inclusive legalmente. concordou com a conclusão a que chegou a SAA/TRT. que o mesmo não era merecedor de credibilidade. dilatação do prazo contratual. foram adotados os valores constantes do cronograma físico apresentado no parecer técnico do Eng. 219. Conforme já dito.04% da obra estava executada. obrigatoriedade da retenção de 42 Auditorias do TCU. até os tão comuns desequilíbrios da equação econômico-financeira. Importante ressaltar a absoluta confiabilidade do laudo quanto aos levantamentos de campo. A Equipe de Inspeção.666/93 sob as quais se devem apoiar tanto o procedimento licitatório como a execução contratual (quais sejam. quando o que se verifica no local é que apenas 4 dos 24 elevadores estão efetivamente instalados. após analisar o relatório da Falcão Bauer. inflação. 243).144. fornecida pela construtora. Ano 4. concluindo que 75. 216. considerando inclusive que a obra alcançou um razoável período inflacionário.15% da obra encontrava-se executada. com base no depoimento do Diretor de Engenharia da Pini no MPF-SP. a Equipe de Inspeção optou por realizar um levantamento in loco de tudo o que estava executado até o momento. projeto executivo. discorreu-se exaustivamente sobre a matéria. orçamento com planilhas detalhadas. Nessa ocasião. contratada pelo TRTSP. projeto básico. também foi adotada como referência a planilha fornecida pela Incal. constatou-se posteriormente. Assim. Em relação à auditoria feita pela equipe da SECEX-SP em conjunto com a perita requisitada pelo MPF/SP. Gama. medições físicas. 191. 164. além de outros) apresentam falhas e inconsistências graves. No caso da medição feita pela empresa Falcão Bauer. porém. bem como as memórias de cálculo posteriormente fornecidas pela mesma. tendo em vista estar patente que as tentativas de quantificação de débito acima descritas baseavam-se em premissa incorreta. criação de tributos. chegando à conclusão de que 64. não sendo portanto material confiável. in verbis: ‘Portanto. entendemos que tal alegação já foi refutada anteriormente no Voto do Ministro-Relator que acompanha o Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário. 238. Número 15. tendo sido abordado detalhadamente cada um dos fatos (quais sejam. chegando a novo valor do débito. 196. entre muitos outros. Cabe ressaltar que a própria Secretaria de Apoio Administrativo (SAA) do TRT elaborou uma avaliação do laudo técnico elaborado pela empresa chegando à seguinte conclusão. Brasília-DF.04% encontrada pela Falcão Bauer. ao partir de uma premissa incorreta. 2001 . Com relação à alegação de que em se tratando de obra executada tendo por base um contrato administrativo são inúmeras as variáveis aí incluídas. levandose em conta que todas as peças técnicas exigidas pela Lei nº 8.

sem que houvesse a mesma tivesse sido analisada pela Unidade Técnica competente. à luz do previsto no art. contados da data em que foram praticados.784/99. em que figuram dentre os réus o ex-presidente do TRT. fato esse que culminou no processo de cassação do mandato de senador do Sr. bem como seus respectivos representantes legais. e considerando ainda o ajuizamento. entendemos que o citado dispositivo não deve se aplicar ao caso. o Relatório do Ministro-Relator deveria conter as conclusões da instrução. Ano 4. 1º. salvo comprovada má-fé. inc. conforme prevê o art. não mencionou o responsável a parte final do citado dispositivo que diz ‘salvo comprovada má-fé’: . incluindo o Relatório da equipe de auditoria ou do técnico responsável pela análise do processo.1 Análise Inicialmente cabe tecer algumas considerações sobre as atribuições do Ministério Público junto ao TCU.443/ 92. de acordo com a jurisprudência do STF. o Grupo OK.art. na parte referente à obra do TRT-SP. Luiz Estevão de Oliveira Neto. 13. Tendo em vista que o relatório final da CPI do Judiciário. por meio da Decisão nº 591/2000. Nicolau dos Santos Neto.contribuições federais e fatos imprevistos e imprevisíveis advindos da implantação do Plano Real) que poderia ter onerado a empresa contratada para justificar o aditamento do contrato a título de reequilíbrio econômico financeiro. Por todo o exposto. o que não ocorreu no presente caso. Número 15. quando o mesmo. Por fim. bem como do parecer das chefias imediatas da Unidade Técnica. Brasília-DF. pelo Ministério Público Federal. tendo por base unicamente a provocação do MP/TCU. 13. não acatamos as alegações do responsável apresentadas no item 12 supra. No que diz respeito à alegação de que o prazo prescricional para se atacar as relações travadas na Administração Pública é de cinco anos contados a partir do momento em que os atos são praticados. 54 da Lei nº 9. Acrescenta que a proposição de inclusão do Grupo OK nos autos foi aceita pelo Plenário do TCU. já concluiu pela ocorrência de má-fé na relação entre o particular contratante e a Administração Pública (conforme mencionaremos mais adiante). Demonstrouse de forma didática que essa alegação não procede. Sr. podemos citar: Auditorias do TCU. Dentre essas atribuições. I da Lei Orgânica desta Corte. conforme a Lei nº 8. deveria restringir-se tão somente ao papel de fiscal da lei. das ações cabíveis contra os responsáveis. in verbis: O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos.784/99. conclui que a citada Decisão encontra-se conspurcada no que pertine à inclusão do Grupo OK nos autos. tendo em vista que. Alegação Afirma o responsável que o Ministério Público junto ao TCU agiu com excesso de poder ao atribuir responsabilidade ao Grupo OK. 54 da Lei nº 9. a empresa Incal. por ter atuado como parte. § 3º. 2001 43 .

11). 2001 . perante o Tribunal de Contas da União as medidas de interesse da Justiça. 81. sendo obrigatória sua audiência no processos de tomada ou prestação de contas e nos concernentes aos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias.requerendo. inc. a citação ou a audiência dos responsáveis.art. O MP/TCU é. . De acordo com os artigos da Lei Orgânica acima mencionados. Número 15. como o próprio responsável definiu.comparecer às sessões do Tribunal e dizer de direito.art. inc. perante o Tribunal de Contas da União as medidas de interesse da Justiça. I da Lei nº 8.art. inc. II). ou outras providências consideradas necessárias ao saneamento dos autos. I . entendemos que o MP/TCU cumpriu suas atribuições dentro dos limites previstos na lei. quais sejam. com base em jurisprudência da Suprema Corte. devido à falta de análise da matéria pela Unidade Técnica competente. um órgão de vinculação administrativa com o TCU. b) analisando o teor da citada Decisão. entendemos que tal assertiva não se aplica ao presente caso. 81. 1º. 81. reformas e pensões (art. da Administração e do Erário. Em relação à alegação de que a Decisão nº 591/2000 encontra-se conspurcada no que pertine à inclusão do Grupo OK nos autos. Dessa forma. § 3º. além de atender aos demais dispositivos da mesma lei no que diz respeito à defesa da ordem jurídica . não integrante do Ministério Público da União. requerendo. tendo em vista que o vocábulo ‘parte’ implica a existência de uma demanda judicial. em todos os assuntos sujeitos à decisão do Tribunal. 11 .‘§ 3º Será parte essencial das decisões do Tribunal ou de suas Câmaras: I – o relatório do MinistroRelator. e do Ministério Público junto ao Tribunal’.provocar o Relator do processo no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento. . I). II). in verbis: . 44 Auditorias do TCU. bem como do parecer das chefias imediatas da Unidade Técnica). tecemos as seguintes considerações: a) o art. a atuação do MP/TCU no sentido de provocar o Relator do processo a promover a citação do Grupo OK encontra-se perfeitamente dentro de sua atribuições (art. II . 81. inc. inc. verificamos que o Relatório do Ministro-Relator contém em seu bojo os dois elementos exigidos pelo citado dispositivo legal. bem como à obrigatória audiência nos processos de tomada ou prestação de contas (art. 81. verbalmente ou por escrito. de que constarão as conclusões da instrução (do Relatório da equipe de auditoria ou do técnico responsável pela análise do processo. Ano 4. sem qualquer excesso. Há que se ressaltar que o MP/TCU nunca atua como parte numa relação jurídica processual. da Administração e do Erário (art. e o que ora está sendo objeto de discussão diz respeito à esfera administrativa. as conclusões da instrução e do MP/TCU.443/92 diz.. Quanto à afirmação de que o MP/TCU tenha atuado como parte. Brasília-DF.promover a defesa da ordem jurídica. por não lhe se conferida essa competência. quando deveria restringir-se tão somente ao papel de fiscal da lei.

presunção essa que somente se destruirá após decisão judicial. portanto. 540/541) não constava devidamente registrado nos livros comerciais da empresa (f. estatui. Relatamos abaixo a fundamentação apresentada pelo responsável para sustentar tal alegação: . não acatamos as alegações do responsável apresentadas no item 13 supra. 31 e parágrafo primeiro da Lei nº 6. b) no tocante ao conteúdo desses documentos.. presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de Registro das Ações Nominativas’ e (2) ‘a transferência das ações nominativas opera-se por termo lavrado no livro de Transferências de Ações Nominativas’. 557/564). devendo. o ato que deixar de obedecer esse rito especial’ – Modesto Carvalhosa in Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. conforme já dito anteriormente. I da Lei nº 8. tendo em vista que o instrumento de compra e venda de ações (f. . não se revestindo das formalidades previstas no art.443/92. 369 do CPC. ou movimentação de ações na Junta Comercial. 526/564) tratam de cópias de documentos particulares que não receberam a necessária autenticação. os de compra e venda. o procedimento de transferência está escrito na lei. d) assim.’. 11). chega-se à conclusão de que não houve qualquer infração ao art. Ano 4. de forma que aquele possa ter eficácia. apresentando os seguintes argumentos: a) os documentos trazidos aos autos (f.404/76. § 3º. 1º.as Juntas Comerciais têm a incumbência de examinar se as prescrições legais foram observadas – dessa forma. entende-se que o competente arquivamento Auditorias do TCU. determinando-se sua citação – muito pelo contrário. 2001 45 .’A transferência somente se opera pelo termo lavrado no livro competente da companhia. com base na qual este Tribunal citou o Grupo OK. aduz o responsável que os mesmos não comprovam que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal. Brasília-DF.c) não há qualquer dispositivo na Lei Orgânica que obste o MP/TCU de provocar o Relator do processo no sentido de se proceder à inclusão de responsável. 544/545) e nem na Junta Comercial competente (f.. e autenticidade.. Número 15. assinado pelo vendedor e pelo comprador ou por seu representante legal e devidamente datado.‘presume-se que a pessoa cujo nome consta como proprietário das ações é o legítimo proprietário. sendo assim. Alegação O responsável aponta a deficiência da matéria probante nos autos. ou seja. 233. só é dada por ato de autoridade. inc. . para que estes se aperfeiçoem e passem a existir legalmente. entre os formalismos legais que (1) ‘a propriedade das ações nominativas. portanto. não valendo. . 14. pág. prova pífia e sem valor à luz dos comandos legais. O registro dá autenticidade ao documento.o art. O princípio é rígido. inclusive. que é aptidão para produzir efeitos jurídicos. registrar seus atos.as sociedades anônimas estão sujeitas ao cumprimento do princípio da publicidade. há expressa disposição que autoriza o MP/TCU a provocar o Relator do processo com o intuito de promover a citação dos responsáveis (art. Por todo o exposto. por sua vez.

94 a 98 da Lei das Sociedades Anônimas – cf. j) cópia do livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas da Incal Incorporações S. e o Grupo OK Construções e Incorporações S.A. Ano 4.A. (f.conclui por dizer que por tudo o que se vê.A. . estes. i) cópia do termo de abertura do livro de Registro de Ações Nominativas nº 01 da Incal Incorporações S. em momento algum. Encaminhou na sua defesa os documentos de f. todas e várias. b) atas das assembléias gerais da companhia (f.. 34/117 do Anexo II.no Registro do Comércio é de natureza essencial e constitutiva desse tipo de ato. o pretenso documento em que se pautou essa Corte deixou de se revestir de especial formalidade determinada em lei. qualquer parcela acionária da Empresa Incal. sim.A. bem assim. 64. 76/95 e 109/115 do Anexo II). as Assembléias de Acionistas da Empresa Incal. 59/60 do Anexo II). a possível declaração de vontade. c) cópia do Instrumento de Compra e Venda de Ações e Mandato firmado entre a Monteiro de Barros S. 40/58. de nenhuma forma.até a presente data. 129 do mesmo Código e nem sequer enfeixou as formalidades básicas previstas na Lei das Sociedades Anônimas para ter algum efeito jurídico. 70/75 e 102/107 do Anexo II). devido à absoluta ausência dos seus registros de comércio (f.A. g) cópia do termo de abertura do livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas nº 02 da Incal Incorporações S. Brasília-DF. consoante os arts. h) cópia dos termos de transferências de ações nos 01 e 02. 96.A.A. o Grupo OK nunca deteve. 34/39 do Anexo II). (f. qualquer menção ao Grupo OK. pag. 71. por meio da qual o Grupo OK renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S. constantes do Livro nº 01 (f. concluindo pela impossibilidade de se admitir como válido o instrumento de compra e venda de ações e mandato firmado pela Monteiro de Barros Investimentos S.. 116 e 117 do Anexo II). não se aperfeiçoou. 61 do Anexo II). com incomensurável valor probante. 2001 . d) cópia da carta. foram devidamente registradas na Junta Comercial e nesses assentamentos. com data de 21/02/1992. constantes das seguintes peças: a) parecer do advogado e professor Flávio Rostirola. 89 e 130 do Código Civil. 67 e 98 do Anexo II). não tendo validade – ex vi os arts. que a Monteiro de Barros Investimentos S. 46 Auditorias do TCU. 62 do Anexo II). indicando a integralização e movimentação de ações (f. e o Grupo OK S. . Manual das Sociedades Anônimas de Waldírio Bulgarelli. e) cópia dos termos de transferências de ações nos 03 e 04. possui (f. 66 e 97 do Anexo II). peremptoriamente. Número 15. à vista do comando ínsito no art. f) publicações no Diário do Comércio e no Diário Oficial do Estado de São Paulo comunicando o extravio do livro ‘Transferência de Ações Nominativas’ da Incal Incorporações S. constantes do Livro nº 01 (f.A.A. 69 e 101 do Anexo II). (f. (f. Vale dizer. 63. não constam.A.

bem como no que pertine ao conteúdo desses documentos. Deficiência da matéria probante . Em outras palavras. Por motivos didáticos. 99 do Anexo II). que no dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello. O autor citado escora esta assertiva no dever administrativo de realizar o interesse público.k) cópia do termo de encerramento do livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas nº 02 da Incal Incorporações S. e não os constantes dos autos. pois no procedimento administrativo. e assim. tendo em vista que o instrumento de compra e venda de ações (f. independente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes. (f. deve buscar aquilo que é realmente a verdade. l) cópia do termo de encerramento do livro de Registro de Ações Nominativas nº 01 da Incal Incorporações S. devendo esses. Um dos princípios a serem observados no procedimento administrativo.A.1 Análise O responsável ateve-se. que se aplica perfeitamente à questão em tela. deve-se ter em conta que as cópias dos documentos. O responsável alega que somente os documentos devidamente autenticados na Junta Comercial possuem valor jurídico.falta de autenticação de documentos particulares Em relação a essa questão. Luiz Estevão de Oliveira Neto. Ano 4. ajuizou ação em que figuram dentre os réus as empresas do Grupo OK e seu representante. a Administração deve buscar sempre a verdade substancial.A.A. aliás. ao contrário dos processos da justiça não estão presos a rigoroso formalismo procedimental. (f. com base na qual este Tribunal citou o Grupo OK. 544/545) e nem na Junta Comercial competente (f. na sua defesa. que diferem. 14. com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado. 108 do Anexo II). ser considerados na presente análise. inicialmente cabe esclarecer que os processos que tramitam nesta Corte de Contas pertencem à esfera administrativa. pois. é o denominado princípio da verdade material. segundo a doutrina. seja do ponto de vista formal. previstos nas legislações processuais. ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento. nos quais as análises das provas produzidas nos processos baseiamse em procedimentos rígidos. Ressalte-se ainda que foi o Auditorias do TCU. por não comprovarem que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal. Afirma que não consta dos documentos juridicamente válidos qualquer referência à participação do Grupo OK no quadro societário da Incal Incorporações S. a tentar demonstrar a deficiência da matéria probante nos autos. devido à falta de autenticação de documentos particulares (formalidade exigida no art. Nada importa. Número 15. que. por princípios peculiares. consiste em que a Administração. 540/541) não constava devidamente registrado nos livros comerciais da empresa (f. que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é. 369 do CPC). aos quais o responsável nega o valor probante. Brasília-DF. dividimos a nossa análise nos seguintes tópicos: A. 557/564). por vezes. Ademais. o Sr. in Curso de Direito Administrativo. bem o diz Hector Jorge Escola. dos adotados no processo judicial. 2001 47 . o procedimento administrativo rege-se. são oriundos do Ministério Público Federal.

519/522). Pelo exposto. enviado pelo Exmº Sr.‘Vale lembrar que Fábio Monteiro de Barros Filho – na verdade sócio minoritário da empresa INCAL Incorporações S/A – se encontra preso em São Paulo por determinação do ilustre Juízo da 1ª Vara Federal Criminal. constata-se que o citado parlamentar era e é o maior acionista da empresa INCAL Incorporações S/A. Dessa forma. . Exmº Sr. é o conteúdo das informações que foram fornecidas pelo Ministério Público Federal. do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo. Pois. 2001 . Procurador-Geral da República (OFÍCIO PGR/GAB/ Nº 378. o que é essencial.‘. Brasília-DF.se verifica que o relacionamento existente entre o Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo não se dava apenas no âmbito de transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK Em realidade. inclusive. por ocasião do encaminhamento dos supracitados documentos.‘Tal fato revela a efetiva participação do Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto no esquema criminoso que culminou com o desvio de vultosos recursos públicos federais destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo’. Deficiência da matéria probante – ausência de comprovação de que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal Inicialmente descrevemos de forma resumida a documentação encaminhada pela Procuradoria Geral da República ao Ministério Público junto ao TCU.próprio Procurador-Geral da República. Número 15. . B. de 08/06/2000 – f. do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo. Ano 4. torna-se desnecessária e irrelevante a autenticação dos documentos a que alude o responsável. levando-se em conta o princípio da verdade material que deve nortear os procedimentos desta Corte de Contas. anexada aos autos: a) Ofício do Exmº Sr. Geraldo Brindeiro ao Procurador-Geral do MP/TCU. mas também pelo fato de o citado parlamentar ter sido o maior acionista da empresa Incal Incorporações S/A. concluímos que.. sendo o detentor de 90% (noventa por cento) de suas ações’. contendo as seguintes informações. no presente caso. quem afirmou que a existência do relacionamento entre o Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo não se dava apenas no âmbito de transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK. na presente situação. mediante. in verbis: . o ofício de autoria do próprio Procurador-Geral da República ao Procurador-Geral do MP/TCU. detendo 90% (noventa por cento) de suas ações – tal afirmação consta do Ofício PGR/GAB/Nº 378. 519/522) encaminhando cópia da documentação remetida a essa Procuradoria por juiz da 1ª Vara Federal Criminal. de 08/06/2000 (f. Geraldo Brindeiro. justamente em razão do seu 48 Auditorias do TCU.. rejeitamos a alegação apresentada pelo responsável no que pertine a essa questão.

. com anuência da outra sócia Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. José Ricardo Meirelles requerendo à Justiça Federal a remessa de documentos apreendidos quando da prisão de Fábio Monteiro de Barros ao Exmº ProcuradorGeral da República para as providências cabíveis. 544) confirma o negócio. do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo encaminhando os aludidos documentos ao Exmº Procurador-Geral da República – f.Declara que possui 90% das ações ordinárias da Incal Incorporações S/A.Contrato 2 – 20/02/1992 (f. Exmº Sr.Contrato 4 – 21/02/1992 (f. com anuência da outra sócia Monteiro de Barros Investimentos S/A. objeto da concorrência 01/92 em curso. 2001 49 . . pela construção do prédio pelo TRT. como empreendedora e incorporadora.Declara que a Incal Incorporações S/A poderá ser responsável.Declara que possui 10% das ações ordinárias da Incal Incorporações S/A. .Contrato 1 – 20/02/1992 (f. bem como a descrição de seu conteúdo pelo MPF/SP (550/551).Vende a totalidade das ações ordinárias que possui na Incal Incorporações S/A.: .Declara que possui 5% das ações ordinárias da Incal Incorporações S/A. 526/527) – Monteiro de Barros Investimentos S/A: . Número 15. 521/522. à pessoa física de Fábio Monteiro de Barros Filho. 525. Ano 4. 538/539) – Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. a construção dos edifícios será de responsabilidade da empresa Incal Incorporações S/A. .Vende 50 ações ordinárias que possui na Incal Incorporações S/A. caso a empresa concorrente Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda.Vende 01 única ação ordinária que possui na Incal Incorporações S/A. e que se for ganhadora. . Brasília-DF. . d) Relação dos citados documentos (f..O Termo de transferência nº 02 confirma a transferência de 900 ações ordinárias para a empresa Monteiro de Barros Investimentos S/A (f. 540/541) – Monteiro de Barros Investimentos S/ A: Auditorias do TCU. à empresa Monteiro de Barros Investimentos S/A. b) Expediente com data de 24/05/2000.Contrato 3 – 20/02/1992 (f. documentos esses que têm relação direta com os fatos que estão sendo investigados pelo último. para construção do prédio do TRT/SP. seja considerada vencedora. 532/533) – Fábio Monteiro de Barros: . O Termo de transferência nº 01 (f. 544). .envolvimento nos fatos delituosos com a construção vultosos recursos públicos federais destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo’. à pessoa física João Júlio Cesar Valentini. do Procurador República. conforme explicitado abaixo: . .Declara que é participante da concorrência 01/92. 523/524). e que envolvem pessoa com prerrogativa de foro criminal por exercer cargo político relevante – f. . que correspondem a 5% do capital social. que correspondem a 10% do capital social. c)Expediente do juiz da 1ª Vara Federal Criminal.

No que concerne aos documentos apresentados na sua defesa (f. com base na análise dos documentos fornecidos e analisados pelo MPF/SP. . 545).A. . . caso a empresa concorrente Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. a nosso ver. trata-se da fala do próprio responsável) que aborda justamente a questão em tela. como empreendedora e incorporadora. . mas também pelo fato de o citado parlamentar ter sido o maior acionista da empresa Incal Incorporações S/A. No entanto. seja considerada vencedora. 548). . de 08/06/2000 (f. deparamo-nos com informações contraditórias. em síntese. 2001 . ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A. . como alega o responsável.Declara que possui 100% das ações ordinárias da Incal Incorporações S/ A.Carta 1 – 20/02/1992 – Incal Alumínio renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S/A que a Monteiro de Barros Investimentos possui (f. Em outras palavras. pela construção do prédio do TRT. tratando-se 50 Auditorias do TCU. 547). em não sendo impossível. 546). Cabe ressaltar que tais discursos foram publicados na íntegra no Diário do Senado Federal. de fato.. hipótese essa. Brasília-DF. em função da aquisição da Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda.Declara que Incal Incorporações S/A poderá ser responsável como. aos atos de constituição e de alterações do quadro societário e do capital social da empresa Incal Incorporações S.A. afirma que a existência do relacionamento entre o Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo não se dava apenas no âmbito de transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK. detendo 90% (noventa por cento) de suas ações. obtivemos acesso a alguns dos discursos proferidos pelo Ex-Senador Luiz Estevão (ou seja. os documentos registrados na Junta Comercial. Geraldo Brindeiro. acatar como verídicas as alegações do responsável somente com base na documentação apresentada na defesa. equivaleria a contradizer a informação trazida pelo Exmº Procurador-Geral da República. Visando subsidiar a presente análise.O Termo de transferência nº 3 confirma a transferência (f. Exmº Sr.Carta 2 – 20/02/1992 – Fábio Monteiro de Barros Filho renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S/A que a Monteiro de Barros Investimentos possui (f. 34/117 do Anexo II) que dizem respeito. seria extremamente difícil de acatarmos.. que corresponde a 100% do capital total.Vende 900 ações ordinárias que possui na Incal Incorporações S/A. considerando o teor do Ofício PGR/GAB/Nº 378.Carta 3 – 21/02/1992 – Grupo OK renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S/A que a Monteiro de Barros Investimentos possui (f. verificamos que. 519/522). objeto da concorrência 01/92 em curso caso. que. Número 15. no qual o próprio Procurador-Geral da República. constantes dos autos. não fazem referência à participação do Grupo OK no quadro societário da Incal Incorporações S. Ano 4.

Dentre as tratativas havidas.. Ora. além de não ter sido registrado na Junta Comercial também jamais foi registrado no livro de transferência de ações. precisava que fosse registrado. tendo o capital de 1 milhão de cruzeiros.. mostra. com 90%. de maneira inequívoca. tendo sido firmado em 21 de fevereiro. que mostra quem foram os acionistas dessa empresa ao longo dos últimos 8 anos. e tendo como acionistas a Incal Alumínio. (. a possibilidade de sagrar-se vencedora da licitação. 22/25 do Anexo IV) Vamos aos fatos e aos documentos. no próprio dia 21 de fevereiro. além do contrato citado. Ano 4. o contrato a ser registrado na Junta não seria evidentemente esse. Livro esse registrado na Junta Comercial.A. e Monteiro de Barros.).. houve com o Grupo Incal e com o Grupo Monteiro de Barros . discutindo a possibilidade de associação ou de consórcio. Em nenhuma das páginas consta a participação do Grupo OK. e sim aquele outro que se seguiria ao contrato frustrado de compra de ações por parte do Grupo OK. numa sextafeira. o Grupo OK preparava-se para ser um dos participantes da licitação de construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo.) Portanto. sexta-feira. nos termos daquilo que era previsto no edital. uma certidão da Junta Comercial do Estado de São Paulo. (. o Grupo OK comunicou ao Grupo Incal e ao Grupo Monteiro de Barros que desistia daquela transação já que considerava mais vantajoso associar-se em consórcio a outra empresa. Esse contrato.. O Grupo OK reunia-se com diversas dessas empresas. 2001 51 .) Além de todos esses aspectos. o contrato foi registrado na Junta Comercial.. com 10%. um documento em que a Incal Alumínio. efetivamente. Havia 26 interessados naquela obra que haviam retirado o edital e se dedicado a cumprir todas as etapas atinentes à pré-qualificação.. em fevereiro de 1992. mostrando aqui o contrato de constituição da Incal incorporações S. tivéssemos nós. a participação da Incal Alumínios. de mais de 60 anos de experiência. A prova primeira da veracidade daquilo que está sendo dito encontra-se aqui sobre a mesa. cerca de 600 dólares. Para que isso acontecesse. Monteiro de Barros. transcrevemos alguns excertos das falas do ex-Senador que consideramos de maior relevância: a) discurso publicado no dia 30/05/2000 – pg. permito-me aproveitar os últimos minutos que me restam para abordar a questão do registro nos livros próprios. esse contrato natimorto – porque não chegou a sobreviver a poucas horas – jamais teve existência legal. nesse dia 21 de fevereiro. do Grupo Monteiro de Barros e também da pessoa física do Sr. de material de acesso irrestrito. concluído aquela transação. existe uma fotocópia não autenticada de um Auditorias do TCU. Brasília-DF. 11012 a 11015 (f. de maior tradição no ramo da construção civil. quer na Junta Comercial do Estado de São Paulo – o que nunca ocorreu – quer nos livros ora apresentados desta tribuna do Senado. para se qualificar melhor e pleitear. Alega o Ministério Público que. que faço questão de exibir aqui também. Número 15. que detinha 90% da Incal Incorporações repassava e vendia essas ações para o Grupo OK (. Poucas horas depois. Em 1992. que mostra que. 21 de fevereiro.portanto. Assim. então. autenticado.

ao direito de preferência na aquisição das ações que V. 27/28 do Anexo IV) Tentei.A. Foi publicado também no Diário do Comércio da mesma data: 29 de dezembro de 1993. Só que o que aconteceu com esse livro? Ele foi anulado mediante a posição de um carimbo escrito ‘cancelado’. Mediante essas duas publicações. onde estava o registro daquele natimorto contrato. ao Presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.A. expressamente. b) discurso publicado no dia 31/05/2000 – pg. encontrar uma carta que havíamos enviado àquela empresa comunicando a nossa desistência e o conseqüente desfazimento do negócio. No entanto. 21 de fevereiro de 1992. apresentamos um breve relato das informações adicionais que obtivemos acerca da questão e a nossa análise: a) Informação: Em 21/02/1992. a aquisição de ações da Incal Incorporações pelo Grupo OK. 2001 . 52 Auditorias do TCU. entregues ao Presidente desta Casa. Através do presente. Geraldo Brindeiro. Análise: Confirmada está a nosso ver. quais sejam. E hoje. para minha surpresa e alegria. Luiz Estevão de Oliveira Neto Diretor Superintendente’ Com base nos excertos acima transcritos. por esse contrato aqui que naturalmente. Senador Ramez Tebet. Atenciosamente. podendo V.Sas realizar a transferência de suas ações a quaisquer interessados. Brasília-DF. à época da licitação para contratação da empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. 11086 a 11087 (f. que detinha 90% das ações da Incal Incorporações repassou e vendeu essas ações para o Grupo OK – o ex-Senador confirma a existência de documento que registrou essa transação.registro desse contrato num Livro de Transferência de Ações. Senador Jefferson Péres.. mediante autorização de Junta Comercial de São Paulo. formaliza sua renúncia. foi substituído. encontra-se o documento que passo a ler: ‘São Paulo. a empresa Grupo OK Construções e Incorporações S. Senador Antonio Carlos Magalhães. Esse livro depois foi extraviado.Sas possuem na empresa Incal Incorporações S. Pode ter acontecido. entre os papéis trazidos pelo Procurador-Geral da República. O extravio do livro foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo na data de quartafeira. Ano 4. e ao Relator do processo que pede a perda do meu mandato por quebra de decoro parlamentar. Número 15. a Incal Alumínio. não tem mais o registro daquela transação que não chegou a convalidar. desde a última sexta-feira. o Contrato nº 4 de 21/02/1992 (f. 29 de dezembro de 1993 – a página autêntica está aqui. conforme consta da documentação fornecida e analisada pelo MPF/SP. Monteiro de Barros Investimentos Sª Prezados senhores. bem como o seu cancelamento mediante a posição do carimbo de ‘cancelado’.. comunicando o extravio do livro. Ninguém discute.

Existe. por ter repentinamente percebido que seria mais vantagem associar-se a uma empresa de maior tradição no ramo da construção civil – isso. 2001 53 . fornecida pelo MPF/SP e anexada a este processo. Análise: Não obstante o responsável tenha apresentado na documentação anexa comprovante do extravio do citado livro (f. . § 1º da Lei 6. consoante o disposto no art. b) Informação: Poucas horas depois. uma divergência de informações. Brasília-DF. já teria produzido efeitos no mundo jurídico. 545). o Grupo OK comunicou ao Grupo Incal e ao Grupo Monteiro de Barros que desistia daquela transação já que considerava mais vantajoso associar-se em consórcio a outra empresa. uma fotocópia não autenticada de um registro desse contrato num Livro de Transferência de Ações. a possibilidade de sagrar-se vencedora da licitação. 63/64 do Anexo II). O ex-Senador. 31. .a cópia do Termo de Transferência nº 3 (f. 545) que registrou a transferência dessas ações. além do citado contrato. mas da Monteiro de Barros Investimentos S/A. Essa informação possivelmente esclarece a razão da contradição existente entre as alegações do responsável e a informação trazida pelo Exmº Procurador-Geral da República. não mencionou esse fato na presente alegação de defesa. sem ao menos conhecê-la adequadamente. no entanto. faz menção ao fato de que o Ministério Público detém.540/541) e o Termo de Transferência nº 3 (f. possibilitando-nos concluir que: . de mais de 60 anos de existência. afirma que o mesmo foi anulado e posteriormente extraviado. de 29/12/93.o qual não possui o registro da mencionada transação – e alega ser esse o documento a que se deva atribuir valor jurídico por estar autenticado na Junta Comercial. mais adiante. como afirma o exSenador. ao contrário do que alega o responsável. c) Informação: Num primeiro momento o ex-Senador afirma que a mencionada transação não teve valor jurídico pelo fato de o contrato não ter sido registrado na Junta Comercial nem no livro de transferência de ações da Incal Incorporações. 67 do Anexo II) . no tocante a essa constatação.o responsável apresentou na sua defesa a este Tribunal cópias de páginas do novo livro (f. que se realizou no dia 25/02/92. de maior tradição no ramo da construção civil. tendo sido esse fato (o extravio do livro) publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo. isso por si só. já que a mesma não chegou a se convalidar. Número 15. com base na análise dos documentos fornecidos e analisados pelo MPF/SP.considerando a hipótese de a transferência de ações da Incal Incorporações para o Grupo OK ter sido registrada no primeiro livro. portanto. admite a possibilidade de que a operação tenha sido registrada nesse livro. para depois de algumas horas desistir da transação. o Grupo OK teria se tornado Auditorias do TCU. Análise: A nosso ver. para se qualificar melhor.404/76. soa muito estranho o fato de uma empresa adquirir 90% das ações de outra. Porém. o Grupo OK as adquiriu não da Incal Alumínio. então. Declara que o novo livro que substituiu o anterior não possui o registro da referida transação. ou seja. registrando a transferência das ações da Incal Incorporações para o Grupo OK. Ano 4. tudo às vésperas da licitação. poderia ter sido extraída justamente do Livro de Transferência de Ações Nominativas extraviado em dezembro de 1993.

conforme se depreende da análise dos artigos 171 e 172 da Lei 6. no presente caso. § 3º da Constituição Federal. Ao final das investigações. acabou por propor a responsabilização do Senador Luiz Estevão por atos lesivos ao patrimônio público e por enriquecimento ilícito. entendemos que não se possa negar taxativamente que a transação tivesse produzido efeitos no mundo jurídico. sendo suas conclusões.. afirma o mesmo ter encontrado uma carta de sua autoria enviada à empresa Monteiro de Barros Investimentos S. Assim. expressamente. 2001 . representada pela 54 Auditorias do TCU. formaliza sua renúncia. para o Senador Luiz Estevão. ao direito de preferência na aquisição das ações que a Monteiro de Barros possui na Incal Incorporações S. a empresa Grupo OK Construções e Incorporações S. esse documento (f. o ex-Senador estaria renunciando ao direito de comprar as ações remanescentes de propriedade da Monteiro de Barros Investimentos S. têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.. Por fim. principal responsável pela obra. a CPI do Judiciário chegou à conclusão de que as explicações apresentadas para o relacionamento entre os grupos OK e Monteiro de Barros não eram aceitáveis nem convincentes. efetuados pelas empresas do Grupo Monteiro de Barros a favor das empresas do Grupo OK. também foram evidenciados. pela descoberta de ligações telefônicas do juiz Nicolau dos Santos Neto.A.A. tendo em vista que o exercício do direito de preferência é faculdade própria de quem é acionista. d) Informação: No discurso do ex-Senador publicado no dia seguinte. a CPI já concluiu pela responsabilidade do Grupo OK. o que reforçaria a tese de que ambos os grupos empresarias possuíam interesses comuns nas obras do TRT de São Paulo. se for o caso. a CPI do Judiciário começou a investigar indiretamente o Senador Luiz Estevão. 61 do Anexo II) apenas reafirma a propriedade das ações pelo Grupo OK. Brasília-DF.A. Em seu relatório final. C. Atribui a esse documento a qualidade de prova de que o mesmo nunca fora sócio da construtora Incal.404/76. e o Grupo OK. nos danos causados ao erário a) Relatório Final da CPI do Judiciário (publicado no Diário do Senado Federal . Análise: A nosso ver.proprietário de 90% das ações da Incal Incorporações – assim. Por meio da referida correspondência. Ano 4. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. mediante a qual. Outros fatos que indicam a relação do Grupo OK com a Incal Incorporações S. logo no início dos seus trabalhos. pertencente ao Senador Luiz Estevão. Cabe ressaltar que o artigo 58.A. a CPI identificou depósitos no valor aproximado de US$ 46 milhões.suplemento de 10/12/99) – cópia às f. Número 15. Os indícios da relação do Grupo OK com as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. encaminhadas ao Ministério Público. para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. Assim. responsável pela obra do TRT de São Paulo.. preceitua que as comissões parlamentares de inquérito. 01/370 do Anexo III O Relatório Final da CPI identificou diversas relações entre o Grupo Monteiro de Barros.A.

desde o início.pessoa do Senador Luiz Estevão. resumo minhas conclusões: Primeira. e o segundo. .(. por último.Vale assinalar. porventura identificadas em suas investigações. Tais fatos acabaram por se refletir no exercício do seu mandato de Auditorias do TCU. citamos alguns excertos do Voto do Relator. com ampla repercussão nos meios de comunicação. em favor da manutenção de recursos destinados àquela obra. por não ter poder para processar e julgar os responsáveis pelas irregularidades. para beneficiar-se do comprovado superfaturamento da construção. foragido da Justiça. graves danos à reputação e à imagem pública do Representado. . Esses indícios foram suficientes para motivar inquéritos e denúncias de iniciativa do Ministério Público. in verbis: . nos autos. do ministro Adhemar Ghisi). Para ilustrar o fato. passando pelos negócios nebulosos do seu grupo empresarial com a construtora. por força de decisão judicial que decretou a indisponibilidade de seus bens. no momento. até sua interferência. a se levar em conta os fortes indícios existentes. acatou a denúncia. pela abordagem de um membro do TCU. clandestina. que o Representado. tendo já ajuizado as ações pertinentes.) à vista do que consta dos presentes autos. tem o seu patrimônio pessoal e de suas empresas bloqueado. alguns dos quais somente se tornaram conhecidos depois do seu ingresso nesta casa. além desta Representação. que o Representado. ora recolhido à prisão. antes de se eleger senador. para se informar de processo referente à construção (leia-se declaração. 2001 55 . elevada dose de cinismo. Relator do processo. Somente excesso de ingenuidade ou. verifica-se que a causa da cassação do mandato do Senador Luiz Estevão tem relação direta com os acontecimentos apontados pela CPI do Judiciário. a quem compete a responsabilização dos culpados. b) Cassação do mandato do Senador Luiz Estevão mediante deliberação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na Sessão de 14/06/2000 – parecer do Conselho (f. Brasília-DF. já senador eleito. encaminhou suas conclusões ao Ministério Público.No caso ora em apreciação. no entanto. levaria alguém a duvidar que existiu. no bojo de uma Ação Civil Pública em tramitação no Fórum de São Paulo. que uma de suas empresas perdeu e não cuidou efetivamente de anular. ao contrário. em conluio com o juiz Nicolau dos Santos e o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho. envolveu-se em ilícitos penais de diferentes tipos. uma sociedade de fato. Número 15.. por sua vez. O Ministério Público. Esses indícios se sucederam desde a licitação eivada de irregularidades. Paulo. no momento. os fatos apurados pela CPI do Judiciário revelaram indícios veementes do envolvimento do Representado no esquema fraudulento da construção do TRT de S. entre o Representado e a Construtora Incal. envolvendo o relacionamento entre os grupos OK e Monteiro de Barros no que diz respeito às irregularidades apuradas na obra da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. junto a um dos relatores adjuntos da Comissão Mista de Orçamento. Ano 4. pelos seus contatos telefônicos com o juiz Nicolau dos Santos. o primeiro. 01/21 do Anexo IV) Da análise do parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. elaborado pelo Senador Jefferson Peres..

anexamos aos autos. Tal informação provém do Departamento de Justiça norte-americano que está cooperando com o governo brasileiro nas investigações sobre os destinos dos recursos desviados da obra. a tal ponto que se acha impossibilitado de ocupar postos de direção e exercer funções de relevância no Senado. em face da reação que provoca e do constrangimento que causa nos demais senadores. Segundo a Procuradoria-Geral da República. no esforço de obter vantagens pessoais e de negar ou ocultar o seu envolvimento nos ilícitos mencionados. Segunda. e que promoveu o rastreamento das contas de Luiz Estevão. Por se referir justamente à questão da responsabilidade do Grupo OK e do seu representante. 56 Auditorias do TCU. Conforme o referido artigo. o senador cassado Luiz Estevão teria enviado US$ 1. Embora não tenhamos utilizado como referência. Ressalte-se ainda que o pedido de liminar no sentido de decretar a indisponibilidade de bens dos réus foi preliminarmente deferido e mantido em segunda instância em decisão proferida em 31 de outubro último pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. período em que coincidentemente o TRT liberou maior número de repasses para a Incal por determinação de Nicolau. para fins de consulta. Número 15. em que figuram. Ano 4.05 milhão para a conta do juiz Nicolau dos Santos Neto na Suíça. no caderno de Política. 31 do Anexo IV.05 milhão para Nicolau’ (f. em conluio com os representantes do Grupo Monteiro de Barros. essa revelação derruba a versão de Estevão que sempre negou vinculação com o Ex-presidente do TRT. 38/182 do Anexo IV). as diversas empresas do Grupo OK. 2001 . de 15 de novembro de 2000. no ano de 1994. cometeu desvios éticos que iniludivelmente feriram o decoro parlamentar. conforme documento de f. as notas taquigráficas da Sessão de 14/06/2000 do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que deliberou pela cassação do mandato do Senador Luiz Estevão (f. no decorrer do seu mandato. e desde sua diplomação.senador. Brasília-DF. bem como a pessoa do Sr. que tem como título ‘Estevão enviou US$ 1. em acórdão unânime. c) Atuação do Ministério Público Federal O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública com pedido liminar que tramita na 12ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo. Luiz Estevão de Oliveira Neto. Quaisquer fatos novos sobre a matéria de que a imprensa obtenha conhecimento têm sido prontamente divulgados. tendo como objeto justamente os danos causados ao patrimônio público devido aos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as suas empresas. 29/30 do anexo IV). dentre os réus. que o Representado. d) Notícias veiculadas pela imprensa A matéria relativa ao desvio de verbas na Construção do Fórum Trabalhista de São Paulo teve e continua tendo grande repercussão nos meios de comunicação nacional. achamos importante fazer menção à recente notícia veiculada no jornal ‘O Estado de São Paulo’. o ex-Senador Luiz Estevão.

Análise da defesa apresentada pelo responsável. que permitem concluir a relação do Grupo OK com a Incal Incorporações S. quando na realidade as adquiriu da Monteiro de Barros Investimentos S/A. Conforme já discorrido acima (letra ‘D’ – a.D.A. b. embora não a acatemos pelos motivos expostos acima. no processo de cassação do mandato do Senador Luiz Estevão.A. para beneficiar-se do comprovado superfaturamento da construção’. ‘somente excesso de ingenuidade ou. reforçaria a sua qualidade de acionista daquela empresa. inclusive de maior envergadura e importância. e de conhecimento público. com base num documento que expressa a renúncia ao direito de preferência na aquisição das ações que a Monteiro de Barros possui na Incal Incorporações S. desde o início. consistentes no Relatório Final da CPI do Judiciário. Auditorias do TCU. Ano 4. verificamos que essa questão torna-se pouco relevante. 2001 57 . quais sejam: a) parte do pressuposto de que o Grupo OK adquiriu ações da Incal Alumínio. quanto aos danos causados ao patrimônio público devido aos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. vêm a reforçar e sustentar a inclusão da responsabilidade do Grupo OK no âmbito do procedimento administrativo conduzido por este Tribunal. Em relação à alegação da deficiência do valor jurídico dos documentos acostados aos autos relativos à participação acionária do Grupo OK na Incal Incorporações. tendo obtido êxito na decretação da indisponibilidade dos bens dos mesmos inclusive em segunda instância. apresentamos uma síntese do que se verificou mediante o confronto das informações trazidas aos autos pelo responsável com os discursos proferidos pelo mesmo no Senado Federal. uma sociedade de fato. Dessa forma. elevada dose de cinismo. entre o Representado e a Construtora Incal. levaria alguém a duvidar que existiu. e nas notícias veiculadas pela imprensa estabelecendo a vinculação do responsável com o expresidente do TRT-SP. por todo o exposto. mas não nega a possibilidade de a transação ter sido registrada no livro extraviado (caso em que teria produzido efeitos jurídicos). reportando-nos às palavras do Senador Jefferson Peres no parecer exarado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. clandestina. c) afirma nunca ter sido sócio da Incal. esses elementos. na atuação do Ministério Público Federal que ajuizou ação civil pública em face das empresas do Grupo OK e seus representantes. haja vista a existência de diversos outros elementos. Número 15. levando-se em conta o conjunto das informações pertinentes ao ponto questionado Em primeiro lugar. quando esse documento. ao contrário. c). todos pertinentes à questão em tela. muito pelo contrário. somos pela rejeição das alegações apresentadas pelo responsável a que se refere o item 14 supra. No tocante a essa questão verificamos que os argumentos expostos pelo responsável no Senado Federal com o intuito de afastar o relacionamento do Grupo OK com a empresa Incal apresentam uma série de inconsistências e contradições. Brasília-DF. b) reforça a tese de que a compra dessas ações pelo Grupo OK não teve valor jurídico por não estar registrado no atual Livro de Transferência de Ações Nominativas. Concluímos nossa análise. in verbis.

1 supra. a citação do Grupo OK baseou-se no fato de essa empresa ter concorrido para o cometimento do dano. por não haver qualquer liame entre o Grupo OK e a empresa Incal. 896 do Código Civil Brasileiro que preceitua a não presunção da solidariedade. 2001 . representada pela pessoa do Sr. A responsabilidade solidária a que aludem os arts. tal coligação não resulta em personalidade jurídica própria. fundamentando-se em normas e orientações dimanadas da doutrina e jurisprudência. permanecendo imutável sua personalidade jurídica. mesmo que se atribuísse algum efeito jurídico aos documentos apresentados. por ser resultante da lei ou da vontade das partes e afirma que. 12. in verbis: ‘Desta maneira. Assim. e que. e não no mero fato de ter sido o Grupo OK acionista majoritário da empresa Incal. por si só. § 2º decorre da prática de ato irregular do agente público. pode-se dizer que a sociedade transformada é a própria pessoa jurídica contratada. inc. Considerando que o Grupo OK seja coligada da empresa Incal. Alegação Defende o responsável a impossibilidade da citação solidária do Grupo OK. tenha sido ela provocada por gestores do órgão ou entidade sob a jurisdição do TCU ou por terceiros. I e 16.443/92. jamais poderia ensejar citação solidária. Ano 4. tendo em vista o fato de a contratação da Incal ter ocorrido na vigência da antiga Lei Orgânica do TCU (Decreto-Lei nº 199/67) que não previa a possibilidade da citação solidária. Aduz ainda que a citação solidária obteve fundamento nesta Corte a partir da edição da Lei nº 8.15. no presente caso. houve flagrante presunção de solidariedade.1 Análise Inicialmente cabe esclarecer que o procedimento de imputação de responsabilidade por este Tribunal se dá com base nos elementos contidos nos autos que evidenciam a ocorrência de irregularidades e/ou danos ao Erário. Carlos Pinto Coelho Motta. Conforme já exaustivamente discorrido no subitem 13. pelos danos causados ao patrimônio público em virtude dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as 58 Auditorias do TCU. não compromete a identidade de cada sociedade. Brasília-DF. 15. Luiz Estevão de Oliveira Neto. bem como do terceiro que de qualquer forma haja concorrido para o cometimento do dano apurado. uma vez que. Número 15. Afirma que. não há como se vislumbrar eventual prejuízo à execução dos contratos administrativos em face da simples alteração do tipo societário da contratada. está patente a responsabilidade do Grupo OK. decorrente de lei ou de elementos nos autos. por ser cada uma delas. ou seja. o fato de o Grupo OK ter participação na empresa Incal. por ter participação no seu capital superior a dez por cento.’ Invoca o art. respondendo à consulta relativa à alteração societária de empresa contratada ou licitante. tal procedimento careceria de fundamento legal em relação ao Grupo OK. de acordo com as regras do direito comercial. publicado no Boletim de Licitações e Contratos. Faz menção a um artigo do Prof. personalidade inteiramente distinta e autônoma.

025/1998-8. ainda que a Lei nº 8. Alegação Os responsáveis insurgem-se contra a deliberação. e se tiver mais de um autor a ofensa. 574/576). Nesse sentido.731/1992-0. adotada na Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. retratadas nos TC-001. foram relacionadas diversas irregularidades verificadas no TC-001. rejeitamos as alegações apresentadas pelo responsável no item 15 supra. 2001 59 . dentre os quais se inclui a Incal Incorporações S/A. que causaram prejuízos ao erário e que integram uma seqüência histórica compreendida ao longo dos exercícios de 1992 a 1998. e considerando que a mesma foi eficaz. Assim. entendemos ser perfeitamente cabível a citação solidária do responsável. Dessa forma. em conluio com os representantes do Grupo Monteiro de Barros. no caso de existir débito. porquanto Auditorias do TCU. ‘se a intenção for a de reapreciar aqueles processos. 1518. há que se reconstituir todas as etapas de instrução e julgamento. Tendo em vista que.025/1998-8 e TC-700. todos responderão solidariamente pela reparação. representantes da Incal Incorporações S/A (f. 16.empresas desse grupo. consideradas isoladamente. o Plenário do TCU determinou a citação dos responsáveis. 1518 – Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado.443/92 não fizesse qualquer alusão à questão da responsabilidade solidária. a citação é a fase processual e o meio pertinente para dar ao responsável a oportunidade de defesa. e a devolução aos interessados do direito à ampla defesa e ao contraditório’. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. no sentido de juntar as tomadas de contas dos exercícios de 1992.12. III) Alegações de defesa dos Srs. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo representante do Grupo OK Construções e Incorporações S/A Tendo em vista que não acatamos nenhuma das alegações apresentadas pelo responsável. o Sr. 1518 do Código Civil. face às ocorrências perpetradas naquele período. 01/15 do Anexo I) 17. II da Lei 8. consoante o art. 17. considerando que as mesmas já foram julgadas regulares. in verbis: Art. concluímos pela total rejeição das alegações de defesa do Grupo OK Construções e Incorporações S/A. prevê o seguinte no art. Ao deliberar nesse sentido. que disciplina as regras gerais em matéria de solidariedade. ressalte-se que o Código Civil brasileiro. Ano 4. aplicar-se-ia ao caso em tela. inc. Considerando que as mesmas não foram tratadas quando da apreciação das respectivas contas. Pelo exposto.1 Análise Conforme consta do Voto do Ministro-Relator contido na Decisão nº 591/ 2000 – Plenário (f. Luiz Estevão de Oliveira Neto. 1994 e 1996 às contas de 1995. citada na pessoa do seu representante legal. a regra geral básica estabelecida no art. Número 15.443/92. Brasília-DF. propôs o eminente Ministro o exame das contas do TRT-SP dos referidos exercícios em conjunto e em confronto. Aduzem ainda que.

ao determinar a anulação do contrato celebrado pelo TRT com a signatária. sob a alegação de que a primeira decisão (nº 231/ 96) foi adotada ‘preliminarmente’. pelo qual aprovou os procedimentos adotados pelo TRT até 8/5/96. os procedimentos do TRT/SP adotados até 8 de maio de 1996 –quando proferida a Decisão 231/96 – o que inclui o procedimento de licitação até seu julgamento. por meio do Acórdão nº 45/99-Plenário. Dessa forma. da Constituição. já que consoante a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. por não estar configurado como de execução de obras. Fazem menção a algumas Decisões e Acórdãos do TCU. antes de 60 Auditorias do TCU. entendemos que este Tribunal agiu em conformidade com o ordenamento jurídico vigente. a configuração jurídica do contrato.443/92 prevê como decisão preliminar é aquela pela qual o Relator ou o Tribunal. mas de venda de bem imóvel. É certo. ao menos administrativa . não acatamos a alegação a que se refere o item 17 supra.os Srs. 2001 . Número 15. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz apresentam a defesa ora objeto de análise. 5º. para reforçar a tese de que as decisões dos tribunais de contas operam coisa julgada. que a agravaram. Assim. XXXVI.o que significa que são irretratáveis. não verificamos nenhuma forma de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. os responsáveis tecem as seguintes afirmações. ou seu Regimento Interno. O que a Lei nº 8. e por lhe faltarem cláusulas de cronograma físico-financeiro. haviam sido aceitos como bons e regulares. bem como as opiniões da doutrina e jurisprudência sobre o assunto. como de venda e compra e não de empreitada de obras e outras. violou coisa julgada do próprio TCU. os procedimentos do TRT/SP adotados até 8 de maio de 1996 (data em que foi proferida a mesma). Dessa data até 5 de maio de 1999 – quando proferido o Acórdão 45/99 – não foram feitas novas imputações de irregularidades na contratação. tendo respeitado plenamente os princípios do contraditório e da ampla defesa. da Constituição o que contaminou as decisões seguintes. admitem ou preconizam julgamentos ‘preliminares’. já afastadas com o julgamento de regularidade adotado na decisão 231/96. 18. Brasília-DF. por isso que. anterior e promanada do mesmo órgão (Plenário). O Acórdão 45/99. XXXVI. violou sua própria coisa julgada. de menor relevância. como alegam os responsáveis. de conseguinte. apenas reafirmando-se as antigas. 5º. in verbis: Foram aceitos como bons e regulares. para a corte prolatora. de conseguinte. 469/99-Plenário e 591/2000-Plenário. Ao fazê-lo. que esse TCU. violou coisa julgada do próprio órgão. contrariou decisão sua. Alegação Os responsáveis afirmam que o TCU. de conseguinte. 469/99 e 591/2000. e irrevogáveis.443/92. Ano 4. colidindo o art. nem a Lei Orgânica do TCU (nº 8. Em síntese. de 16 de julho de 1992). o que contaminou as decisões seguintes. pelo exposto. Não se dirá o contrário. nem a Constituição. para a Administração. infringindo o art.

determina que o TRT celebre a escritura definitiva de venda e compra com a signatária. para a corte prolatora. ao menos administrativa. Assim.. pelo Ilustre Relator do Acórdão 45/99. Número 15. determinar outras diligências necessárias ao saneamento do processo (artigo 10º e § 1º). o que significa que são irretratáveis. Ainda que se aceite que houve novas ocorrências – e não houve. que as decisões dos tribunais de contas operam coisa julgada. itens IV e V). o TCU.025/1998-8.) 12. resolve sobrestar o julgamento. o que seria impensável no caso de desaprovação dos mesmos procedimentos.pronunciar-se quanto ao mérito das contas.1.023/1998-8: (.) b) Relatório que acompanha o Acórdão proferido pelo Plenário na Sessão de 29/11/2000.1 Análise Verificamos que essa questão já foi tratada no TC 001. quando de sua celebração. ouvida previamente. mas o de execução de obras. No caso em tela o TCU proferiu julgamento (nº 231/96) em que o mérito do contrato e de sua execução é amplamente examinado. Referida escritura foi lavrada em 19/12/96. utilizandoa como fundamento da nossa análise: a) Acórdão nº 45/1999-TCU-Plenário.. do Código de Processo Civil.. na forma do art. da repartição interessada ou do representante do Ministério Público.. a que segue a aprovação dos procedimentos adotados pelo TRT. No mesmo sentido são as disposições do Enunciado nº 145 da Súmula de Jurisprudência desta Corte quando dispõe: 12. I. de feito. Auditorias do TCU. na espécie. a invocação. para a Administração – cita várias Decisões e Acórdãos do TCU bem como doutrina e jurisprudência sobre o assunto. 42. inexatidões materiais ou erros de cálculo. art. (. nos Relatórios e Votos do Relator que acompanham tanto o Acórdão nº 45/99-TCUPlenário. relativos à análise dos recursos contra a primeira Decisão. transcrevemos parte dessas decisões que versam sobre a matéria. itens 1 a 8 do Voto do Relator: (. para lhes corrigir.. Melhor sorte não terá.27. 463.. Brasília-DF. nos dois primeiros casos. para o que basta ler a motivação das duas decisões – não foram estas que motivaram a determinação de nulidade do contrato. 18. a Procuradoria junto ao Colegiado.27. e irrevogáveis. máxime por nulidade. mas o já surrado entendimento – repetido com ênfase neste julgado 45/99 – de que não é admissível. de ofício ou a requerimento da parte. no mesmo julgamento. questão que remonta a 1992. 2001 61 . ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou ainda. por ocasião da apreciação dos recursos no TC nº 001. O Tribunal de Contas da União pode alterar as suas deliberações (Regimento Interno. o contrato de venda e compra de imóvel. bem como o Acórdão proferido recentemente pelo Plenário deste Tribunal na Sessão de 29/11/2000.) É pensamento unívoco. de que não houve coisa julgada pelo fato de terem ocorrido fatos supervenientes ao primeiro julgado. A realçar a intenção de ratificar a validade do contrato. com a necessária vênia. Ano 4.

conforme consta do item 113 do Voto do Relator .’ c) Voto que acompanha o Acórdão proferido pelo Plenário na Sessão de 29/ 11/2000. ainda que preliminarmente.28. 2001 . o que torna ineficaz. como expressamente consta da decisão. (2) com base na interpretação dos dispositivos legais e constitucionais acerca das atribuições do TCU. foi adotada ‘tendo em vista a fase conclusiva em que se’ encontravam ‘as obras do edifício sede das Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo’ naquela ocasião. Assim. conforme ensinamentos dos doutrinadores retro. fica claro que só há falar-se em ocorrência de coisa julgada relativamente às decisões proferidas pelo TCU quando ele estiver atuando no exercício de seu poder julgador. decorrentes 62 Auditorias do TCU.30. os atos praticados até aquela data pelo TRT. A nosso ver. qual seja o de que as obras encontravam-se em fase conclusiva. motivo pelo qual deduz-se a ocorrência de erro material no seu julgamento. cujo processo foi juntado às contas daquele Tribunal relativas ao ano de 1995. fica claro que ao proferir a primeira Decisão a respeito do tema o TCU baseou-se em pressuposto fático falso.29. qual seja. posteriormente. (3) mesmo considerando que a aludida decisão tivesse operado coisa julgada. por ter sido a mesma baseada em pressuposto fático falso. as alegações quanto à ocorrência da coisa julgada são todas feitas relativamente às inspeções de iniciativa própria do TCU realizadas no âmbito do TRT-SP. considerando que a aceitação dos procedimentos adotados pelo TRT havia sido apenas em caráter preliminar. Número 15. quando proferir decisões em processos de tomada ou prestação de contas – no caso em tela. por ocasião da prolação do Acórdão nº 45/99. verificou-se o completo descompasso existente entre as informações obtidas por esta Corte relativamente à fase em que se encontravam as obras à época da Decisão nº 231/96 e a realidade dos fatos (item 10. Ano 4. No entanto. com os fatos supervenientes. este Tribunal não havia apreciado definitivamente o mérito das questões tratadas nos respectivos autos. tal premissa tornou-se insubsistente à medida que se avançaram as investigações promovidas pelo Ministério Público Federal no que tange a irregularidades na obra do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. acrescentamos um outro fator que deve ter sido considerado quando proferida a Decisão nº 231/96-Plenário. este Tribunal baseouse na premissa de que os responsáveis agiram de boa-fé.em outras palavras. 12.12. restou demonstrado que: (1) ao proferir a Decisão nº 231/96Plenário. ainda não julgadas. a não caracterização de qualquer ato de improbidade administrativa da parte dos responsáveis. deixando de considerar fatos e elementos anteriormente desconhecidos. seus efeitos seriam ineficazes. Diante disto. Brasília-DF. qual seja o de que as obras encontravam-se em fase conclusiva e (4) o princípio da coisa julgada secundum eventum litis impede que o órgão julgador permaneça obrigado a proferir uma decisão no sentido da inocorrência da prática de ato lesivo ao erário com força vinculante para todo o sempre.. o efeito da coisa julgada. e mais. a deliberação da Decisão nº 231/96 no sentido de aprovar..) Em suma. por ocasião da apreciação dos recursos no TC nº 001. 12. Ocorre que. ou seja.025/1998-8 (.9 supra e seus subitens).

utilizando-a como fundamento da nossa análise: a) Relatório que acompanha o Acórdão proferido pelo Plenário na Sessão de 29/11/2000. 19.) b) Voto que acompanha o Acórdão proferido pelo Plenário na Sessão de 29/ 11/2000. pelo Presidente do TRT-SP. a questão da anulação do contrato. O certo. por fim.da investigações da CPI do Judiciário.. já foi tratada no TC 001. com a devida vênia.. Brasília-DF..).1 Análise Verificamos que essa questão. não acatamos a alegação apresentada no item 18 supra. operou efeitos ‘ex nunc’. por escritura definitiva) e a da parte já acabada. Assim.) Em síntese. como está declarado.. Como é típico dessa figura. na parte em que declara a nulidade do contrato celebrado pela impetrante com o TRT. Tece as seguintes considerações. e a perda das edificações ali erigidas (.025/1998-8. aliás.. os principais argumentos trazidos no Relatório e no Voto do Relator sobre a questão foram os seguintes: Auditorias do TCU. convalidado pela Decisão nº 469/99. entre outras inconveniências. restringiu seus efeitos à parte do contrato pertinente ao saldo de serviços necessários para terminar o prédio. em favor dos vendedores. ela propicia a perda do imóvel pela União. Número 15.).. transcrevemos parte dessas decisões que versam sobre a matéria. relativos à análise dos recursos no citado processo. por ato unilateral da Administração... no caso concreto. de efeitos menos penosos para aquela. Pelo exposto. 2001 63 . 19. sob pena de se configurar bis in idem repelido pelo ordenamento normativo. por ocasião da apreciação dos recursos no TC nº 001. mantendo em decorrência a venda do imóvel não edificado (formalizada. por ocasião da apreciação dos recursos no TC nº 001. que chegou a recorrer da determinação desse TCU. pena de se configurar um bis in idem repelido pelo ordenamento normativo (. a decisão do TCU consubstanciada no Acórdão nº 45/ 99. comprovando o prejuízo sofrido pelos cofres públicos causado pelos responsáveis. in verbis: Ora. Ano 4.025/1998-8: Enfrento. por entender que. o contrato já fora declarado rescindido. Alegação Os responsáveis defendem a impossibilidade de se anular contrato já desconstituído pelo ato de rescisão unilateral. antes desconhecidos deste Tribunal por envolverem os institutos dos sigilos bancário e fiscal. Em face do exposto. da mesma forma que a anterior (item 18 supra). no Relatório e Voto do Relator que acompanham o Acórdão proferido recentemente pelo Plenário deste Tribunal na Sessão de 29/11/ 2000.025/1998-8: (. O ato administrativo da rescisão unilateral pressupõe a validade do contrato rescindendo e. ofende coisa julgada material e representa o ‘bis in idem’ de desconstituir o que já estava desconstituído por ato administrativo. é que não se poderá anular contrato já desconstituído pelo ato de rescisão unilateral. (..

000.15. a rescisão efetivada. a quantia de R$ 62. em valores de abril de 1999. não deixa de existir. no sentido da citação dos responsáveis. 64 Auditorias do TCU. impõe-se a decretação de nulidade do contrato em questão. e) a decretação da nulidade deve ser feita segundo os procedimentos estabelecidos na Constituição e na lei – nesse caso.75 que o erário efetivamente despendeu. sistemático. este Tribunal assinou ‘prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei.951. a Administração tem o dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que for declarada a nulidade do contrato. g) deixando o TRT-2ª Região de proceder à anulação do contrato. para que.953.225. tanto no TC-001. do contrato não desconstituirá a transferência de propriedade já operada. consoante determinado no § 1º do art. segundo estabelece o parágrafo único do art. caberá ao Tribunal desse fato dar ciência ao Congresso Nacional.176.176. tendo em vista que a razão de ser desse dano. seja por continuar a considerar a sua rescisão a providência adequada à espécie. seja por se considerar juridicamente impedido de fazê-lo. d) no presente caso. desconstitui-se o contrato desde a sua origem. visto que.no caso. Ano 4. c) trate-se de hipótese de anulação ou de rescisão do contrato administrativo.00. para apresentarem alegações de defesa ou recolherem aos cofres públicos o débito decorrente do dano que se vislumbrou ter sido imputado ao erário. qual seja. tratando-se de contrato. deverá este Tribunal dar continuidade ao iter estabelecido na Constituição.115/1996-0. ou seja. importando no desvio de recursos públicos de mais de R$ 169. adote ele diretamente a providência que se impõe. conseqüentemente. também. na prática. com a adoção do contemplado no inciso IX do art. do total de R$ 231. equivalente ao valor que a contratada aplicou na construção. o contrato sob exame.000. 71 da Lei Maior. 71 da nossa Lei Maior. é o que poderá corresponder à indenização a que ela eventualmente faça jus.491. deliberado adiantamento de pagamentos à empresa privada contratada sem qualquer contraprestação em benefício da Administração.461.a) declarado nulo o procedimento licitatório e. 2001 .60.666/93. f) a determinação inserta na parte final da alínea ‘f’ do Acórdão n° 045/99 (promoção da nulidade do contrato) desencadeou a medida constitucional ínsita ao procedimento de fiscalização reclamada para a regularização das impropriedades verificadas neste caso. em decorrência da nulidade. 59 da Lei 8. do total de R$ 231. tendo em vista que sua execução significou. b) a anulação da licitação e. Número 15.953. o desvio de R$ 169. por conseguinte.025/1998-8 como no TC-700. pois. Brasília-DF. sendo invalidada.75 repassados ao TRT-2ª Região para a construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. o contínuo. essa questão em nada afeta as deliberações já proferidas pelo Tribunal. bem como a incorporação ao patrimônio público da edificação já iniciada. não há que se falar na ocorrência de ‘bis in idem’. uma vez expirado o prazo de 30 dias assinado ao órgão público . se verificada ilegalidade’.

1 supra. Número 15. Aduzem ainda que. suspendeu os efeitos do referido julgado. mas sim em processo de tomada ou prestação de contas. quando da análise da defesa apresentada pelo Sr. 12. 33 e 48 da Lei Orgânica/TCU. que tinham como objeto Relatório de Auditoria. Por todo o exposto. entendemos que o mesmo só atinge os efeitos da mencionado Acórdão e portanto. diante da análise exaustiva da questão em tela. que abrange tanto os processos de tomada ou prestação de contas anuais. manteve na essência as determinações constantes do mesmo. Terminam por concluir que é um equívoco trazer aqueles débitos. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelos representantes da Incal Incorporações S/A Além de termos refutado cada um dos argumentos apresentados pelos responsáveis na análise ora procedida.025/1998-8. tal afirmação não procede. 20.A nosso ver. a possibilidade de cobrança de débito em processo de tomada ou prestação de contas (vide o título da Seção II onde se insere o art. qual seja. 12 – ‘Decisões em Processo de Tomada ou Prestação de Contas’) – ou seja. inexiste impedimento legal no sentido de que o Tribunal proceda à citação dos responsáveis em outro processo.1 Análise Essa questão já foi tratada no subitem 11. Luiz Estevão de Oliveira Neto. também pelo fato de não ter sido apresentada nenhuma justificativa sobre o ponto crucial objeto da citação. não acatamos a alegação a que se refere o item 20 supra. entendem que a quantificação do débito e a possibilidade de sua cobrança ainda não se aperfeiçoaram. 20. o prejuízo Auditorias do TCU. para as contas anuais. tomada de contas especial.025/1998-8. Alegação Os responsáveis defendem que a interposição de recursos (pedido de reexame e recurso de reconsideração) ao Acórdão nº 45/99-Plenário relativo ao processo TC 001. discutidos em rito correto e definido por essa Corte. 2001 65 . entendemos que suas alegações de defesa devam ser rejeitadas na sua totalidade. rejeitamos a alegação a que se refere o item 19 supra. II. tendo em vista que estas não são o meio adequado para esse fim. Ano 4. bem como os de tomada de contas especial. 21. nada mais temos a acrescentar. que permite refutar de forma eficaz a alegação dos responsáveis. Brasília-DF. em Tomada de Contas Especial. consoante os arts. não obstante a Decisão nº 469/99-Plenário tenha retificado o aludido Acórdão no tocante ao montante do débito e à alteração do número de responsáveis. Assim. Como conseqüência. inc. no qual se incluía a conversão desses autos. No que tange à impossibilidade de cobrança de débito por meio decisão prolatada nas contas anuais e não em processo de tomada de contas especial. Apenas reiteramos o que já foi discorrido naquela ocasião. qual seja. a lei não prescreve que a cobrança do débito deva ser realizada exclusivamente em processo de tomada de contas especial. tendo em vista que a própria Lei Orgânica do TCU prevê no seu art. No que concerne ao efeito suspensivo dos recursos interpostos ao Acórdão nº 45/99-Plenário relativo ao processo TC 001.

22.causado aos cofres públicos pela diferença entre os valores pagos pelo TRT-2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231. diante do seu inegável reflexo na gestão dos dirigentes. ou seja. Número 15. que em sua execução abrangeu diversos exercícios. a partir de 1992. Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. cujo mérito ainda não foi julgado. devem ser consideradas quando do exame das tomadas de contas do período inquinado. Tribunal. é evidente. sem prejuízo dos comentários a seguir sobre a pertinência da citação dos responsáveis pelos prejuízos detectados na obra de construção do Fórum Trabalhista nesta tomada de contas. representantes da Incal Incorporações S/A. Conforme já exposto. Délvio Buffulin (f. Ano 4.176.461. analisadas no Acórdão e Decisão retro. b) considerando que se trata do mesmo objeto e que as supracitadas Decisões foram suspensas por liminar do STF. Plenário deste Tribunal.1 Análise O exame de meritis das alegações referidas encontra-se prejudicado por manifesta perda de objeto. Ora. exarada pelo eminente Ministro Marco Aurélio de Mello. A solução adotada pleno E.60). 2001 .225. Concluímos assim. versando rigorosamente a respeito dos mesmos fatos. A despeito disso. uma vez que.1. face as razões sumarizadas a seguir: a) o presente processo pretende impingir ao peticionário e demais citados a mesma sanção aplicada pelo Acórdão 45/99 e pela Decisão nº 469/99. 146/302 do Anexo I) 22. diante do indeferimento do Mandado de Segurança nº 23560-8 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. nos autos do Mandado de Segurança nº 23560-8. Alegação Argumenta o responsável que deve ser suspenso este processo (que equivocadamente denomina de tomada de contas especial).953. consistente na 66 Auditorias do TCU. apurados pela diferença entre os valores pagos pelo TRT-2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo e o valor efetivo do empreendimento. reportamo-nos integralmente às argüições tecidas no item 11. IV) Alegações de defesa do Sr. eventuais prejuízos causados aos cofres públicos. o Acórdão n° 045/99-TCU-Plenário e a Decisão n° 469/99-TCU-Plenário voltaram a produzir seus efeitos. portanto. não se pode dissociar a gestão dos responsáveis nas respectivas contas dos fatos relativos à indigitada obra. que as impropriedades no contrato e execução da obra verificadas nos trabalhos de auditoria de equipe deste C. pela total rejeição das alegações de defesa dos Srs. nas condições em que se encontra (R$ 62.75) e o valor efetivo do empreendimento. deverá ser imediatamente suspenso o andamento deste processo. sob pena de configurar desobediência à ordem judicial emanada pelo Supremo Tribunal Federal. Brasília-DF. sob pena de configurar inegável desobediência à determinação judicial emanada pelo STF.

em 17/04/93. a execução do contrato teve pleno prosseguimento.A. Auditorias do TCU. Número 15. sendo questionados apenas os pagamentos realizados com créditos orçamentários de outros Tribunais. d) na gestão do Juiz José Victório Moro. na modalidade convite. bem como houve designação (Portaria GP n. cabendo lembrar que durante os sete anos de obra do Fórum Trabalhista o TRT teve quatro presidentes. Ano 4. b) os atos questionados decorrentes da licitação e execução do contrato no período de 1992 a setembro de 1996 não dizem respeito a sua atuação à frente do TRT da 2ª Região. foram também efetuados pagamentos à contratada. vem. f) no Acórdão 45/99 não é feita menção à gestão do Sr. em razão do atraso na liberação de recursos orçamentários para o pagamento da entrada pelo Tesouro Nacional. ao encontro deste desígnio. instrumento particular de recibo de sinal e princípio de pagamento e garantia dos direitos e obrigações.juntada de todas as contas e a reabertura daquelas porventura já julgadas.03. José Victório Moro.. para fiscalizar a execução da obra. O responsável aduz ainda que a eventual aplicação de penalidade de recomposição do valor total do alegado descompasso entre o cronograma físico e financeiro da obra não poderá prosperar. na qualidade de presidente da Comissão. 2001 67 . apesar de já se encontrar com significativo atraso. o que foi efetuado na nova decisão. de 16/09/92) dos integrantes da nova Comissão da Construção do Fórum Trabalhista. em 14/04/92. a obra teve prosseguimento. pois. mediante os quais faz uma retrospectiva do andamento do contrato durante as gestões dos ex-dirigentes: a) as irregularidades decorrentes do procedimento licitatório e da execução do contrato abrangem um período nitidamente superior ao lapso temporal em que esteve na presidência. e) ainda na gestão do Sr. Jamil Zantut e Itagiba Souza de Toledo. foi efetuada a contratação. Srs. conforme entende já demonstrado nas alegações de defesa ora ratificadas e nos argumentos desenvolvidos a seguir. c) sob a gestão do Juiz Nicolau dos Santos Neto foi efetuada a licitação que selecionou a empresa vencedora a fim de dar início à obra do Fórum Trabalhista. 23. a qual ressaltou não terem sido encontrados elementos que demonstrassem que o mesmo tinha conhecimento do descompasso existente na execução físico-financeira do contrato. g) na gestão do Juiz Rubens Aidar. Brasília-DF. Alegação Na hipótese de não ser determinada a imediata suspensão do andamento do presente processo. Moro. em razão dos vícios formais e materiais que impossibilitam juridicamente tal conseqüência gravosa aos seus direitos. de set/92 a set/94. assevera que se impõe a ratificação dos argumentos arrolados nas alegações de defesa apresentadas em decorrência do Acórdão nº 045/99 e do pedido de reexame da decisão que lhe impôs a sanção de multa. Nicolau dos Santos Neto. do engenheiro civil Antonio Carlos da Gama e Silva. que presidiu o Tribunal de set/94 a set/96. tendo sido firmado com a Incal Incorporações S.

1 Análise Não restou perfeitamente delineado nos itens acima. É imperioso. na forma de contratos à ordem. Rubens Aidar. permanecendo o acompanhamento da obra sob a responsabilidade da Comissão do Fórum Trabalhista.sendo que. exceto no tocante à determinação dirigida em 08/05/96. o exame conjunto. Brasília-DF. tendo encontrado o contrato em fase adiantada de execução. sob pena de paralisação da obra. são no sentido de que a Decisão proferida por este Tribunal contém contradições que acabam por pretender impor-lhe penalidade extremamente severa e injusta. e que constituem o tópico III da defesa do responsável (III . o que será procedido a seguir. uma vez que é instado a devolver a quantia integral do alegado descompasso financeiro ocorrido durante a execução de todo o contrato: 68 Auditorias do TCU. considerando as medições dos serviços realizados pela Construtora e as contratações de equipamentos e serviços. quais seriam exatamente os vícios formais e materiais aos quais alude na tentativa de refutar o débito que lhe foi solidariamente atribuído. a fim de que se possa efetivamente inferir sobre a procedência ou não das alegações em tela. em 21/10/94. Parece-nos que uma conclusão sobre tais comentários estaria consignada no item V de sua defesa. em 17/06/98 . pois.prorrogação do prazo para o término da obra (de 31/12/97 para 31/12/98). com a supressão das cláusulas abusivas contrárias ao interesse da Administração. com a prorrogação do prazo de conclusão da obra para 04/04/99.DA REGULARIDADE DA CONDUTA DO JUIZ DÉLVIO BUFFULIN). ainda que fora da seqüência textual da peça produzida pelo responsável. k) em virtude de constantes atrasos verificados na liberação de recursos orçamentários durante os cinco anos anteriores à sua gestão. Ano 4. h) no Acórdão do Tribunal de Contas não há referência ao Sr. viu-se compelido. sintetizadas abaixo. Alegação As argüições do ex-Presidente do TRT-2ª Região. para que adotasse providências no sentido de transferir as obras de construção do Fórum.estabelecida repactuação das datas de pagamentos em razão do descumprimento daquelas constantes do aditivo firmado em 21/10/94. Número 15. j) os valores continuaram sendo liberados à Construtora mediante pareceres do engenheiro contratado. com o prosseguimento da obra. assim especificados: em 25/09/96 . e que o adequado cumprimento impunha a alteração substancial dos termos da Escritura de Compromisso de Venda e Compra então vigente. foi firmado o primeiro aditivo ao contrato.estabelecimento do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. apesar do atraso bastante significativo no cumprimento do cronograma físico. i) em set/96 teve início a sua gestão. 2001 . em 19/12/97 . estabelecendo novos prazos para pagamento e conclusão da obra. por meio de escritura pública rerratificada em 15/07/98. 23. a firmar três aditivos ao contrato. 24.

do Código Civil. durante a sua gestão. Gilberto Morand Paixão. Outrossim. g) observa que no máximo poderia ser responsabilizado ao pagamento do descompasso verificado durante sua gestão ou pelo valor do aditamento. No tocante à responsabilidade parcial do Eng. e mesmo assim permaneceu efetuando pagamentos. Número 15. b) entende justificada a citação do Juiz Nicolau. Brasília-DF. 2001 69 . porquanto entende que praticou atos relacionados à obra contratada somente durante o período de dois anos em que exerceu o mandato de Presidente. não caberia citação pelo valor correspondente a todo o período de execução do contrato. se a citação decorreu da circunstância de possuir conhecimento do descompasso físico-financeiro. na condição de Presidente do Auditorias do TCU. que qualquer leigo seria conduzido à ilação de que a situação era grave e importava medidas urgentes. d)alega que. a exegese do art. que dispõe. como se a obra tivesse sido paralisada durante a presidência dos juízes Moro e Aidar . 891. correspondente a todo o período de execução do contrato. ao que parece. cada um será obrigado pela dívida toda’. trazida à cotejo pelo Sr. as medições da obra por ele assinadas. nem Presidente da Comissão de Obras. de forma que não cabe a responsabilização pela totalidade do débito. Gilberto Morand Paixão. Esta é a.207. que não cabe ser responsabilizado por fatos ocorridos no período em que não era Presidente do TRT.1 Análise O responsável não traz em sua defesa novos argumentos que fossem capaz de ensejar a responsabilização parcial pelo prejuízo apurado. verbis: ‘Se. a responsabilidade solidária implica que todos respondem integralmente pelo valor total do débito. tendo em vista que durante sua gestão o cronograma físico-financeiro encontrava-se de tal maneira descompassado. Délvio Buffulin.054.28. f) é como se a obra tivesse começo e fim. em conclusão. a saber. nem Engenheiro responsável pela fiscalização das medições. não poderia ser responsabilizado pelo valor total apurado. Ademais disso. uma vez que permaneceu no comando da Comissão de Obras após o término de seu mandato como Presidente do TRT. invocando. 24.a) os demais ex-Presidentes do TRT da 2ª Região estranhamente não são citados. se a citação decorreu do fato de ter sido responsável pela assinatura do aditamento. ou pela soma dos dois valores. c) apresenta inconformismo com o fato de ser citado solidariamente para restituir o valor total do descompasso identificado. Ano 4. culminando no desembolso da quantia de R$ 13. O ex-dirigente não se pode evadir da responsabilidade. relacionado a ato que praticou. e) seguindo na mesma linha de raciocínio. No caso do Eng. a prestação não for divisível. havendo dois ou mais devedores. pondera que. sendo ele o único ex-Presidente citado para restituir o valor em tela.o que efetivamente não ocorreu. a nosso ver. por não terem tido conhecimento do descompasso físico/ financeiro verificado posteriormente. a citação foi por valor menor. resta perfeitamente delineada sua participação no débito apurado. ou ainda.

ou mesmo planilhas contendo itens de serviços com elevado percentual de execução. como era de conhecimento do responsável. que já há muito apresentava incontestáveis irregularidades que demandavam urgentes medidas saneadoras. Causa espécie o fato de o responsável.0032242-6/98. Délvio Buffulin. o que não se verificou.Órgão. que não haviam sido sequer iniciados. quando na hipótese competiria realizar novo procedimento licitatório etc. determinadas por estes Tribunal em decisão preliminar. tais como. tendo o Ministério Público Federal decidido em favor da recomendação original efetuada pelas Procuradoras responsáveis pelo Inquérito Civil Público. a revisão da 5ª CCR. teria ele poder de mudar o curso dos fatos. Recorreu em instância superior do Ministério Público (5ª Câmara de Coordenação e Revisão . Não se pode conceber que um administrador zeloso. . enquanto não estivesse compatibilizado o cronograma físico com o montante de recursos liberados. indo de encontro também. diante de tantos questionamentos da maior gravidade. medições superestimadas de itens de serviços. tratativa com a Incal Incorporações para aditar indevidamente o contrato. Porém. continuasse efetuando pagamentos de somas vultosas à contratada. 2001 . vale lembrar. perquirindo detalhadamente acerca de inúmeras irregularidades detectadas na obra em apreço. Ministério Público. às recomendações do Ministério Público. Ano 4. de 24/08/98). e 487. na qualidade de presidente do TRT-2ª Região. É sabido que à época a Procuradoria da República em São Paulo. ao contrário. perante a Justiça Federal de Primeira 70 Auditorias do TCU. verbis: ‘V. tendo dirigido ao ex-Presidente ofícios de audiência (Ofícios nos 378 e 379. dirigiu inúmeras recomendações ao Sr. reforçam a convicção de que o ex-dirigente não foi. logrando êxito por um curto período de tempo. esta Unidade Técnica realizava inspeção nas obras do Fórum Trabalhista. Os fatos indicam que o então dirigente empreendeu todos os esforços possíveis para tentar afastar as citadas recomendações. quedasse inerte.5ª CCR). todos os esforços empreendesse para dar continuidade às obras do Fórum.Da Ação Cautelar Inominada No decorrer do Inquérito Civil Público nº 07/97 o Ministério Público Federal propôs a Ação Cautelar nº 98. se agisse com presteza na defesa do erário. de 01/07/98. No mesmo período. notadamente no sentido de que não liberasse verbas para a Incal Incorporações S/A. no mínimo. mesmo sabedor que era da precariedade da obra.2. Fatos trazidos à luz pela CPI do Judiciário. ou melhor. antecipação de pagamentos por serviços não realizados. que favorecia a liberação dos recursos. sem expressar preocupação em investigar a extensão das irregularidades levantadas pelo Controle Externo. este muito além. Brasília-DF. Número 15. cauteloso com a coisa pública. conforme trecho a seguir extraído do Relatório da CPI do Judiciário. foi posteriormente alterada. por força de investigação que vinha procedendo nas obras do Edifício-Sede das Juntas de Conciliação e Julgamento. e ainda amplamente divulgadas pela imprensa.

000. por aditivo de contrato. Solicitadas informações ao Dr.00 (vinte dois milhões de reais) em favor do TRT da 2ª Região. Em um primeiro momento o TRT suspendeu a contratação da AMP e não efetivou o aditivo com a INCAL. como é hoje público e notório.00 (vinte e dois milhões de reais). ou seja.00 (Três milhões e quatrocentos e oitenta e seis mil e trezentos e trinta e cinco reais) e que.000. A Procuradoria da República constatou.184. foram firmadas duas escrituras públicas de retificação e ratificação de aditamento. Entendendo que a licitação seria necessária a Procuradoria da República oficiou ao Juiz Délvio Buffulin para que providenciasse a licitação e se abstivesse de autorizar mais desembolsos à Incal até que houvesse compatibilização entre o cronograma físico de execução da obra e o percentual de recursos já liberados. está longe de ocorrer. da marca ‘powerflor’.muito excedia o saldo devedor a favor da contratada.00 (vinte dois milhões de reais) cerca de R$ 13.20 (trinta e seis milhões e novecentos e trinta e um mil e novecentos e um reais e vinte centavos). pela Comissão de Orçamento da União. contratada sem licitação.000. para a colocação de um piso elevado de sua fabricação. Brasília-DF. que seria de R$ 3.de acordo com a petição do MPF . Número 15.931.335.84 (oito milhões e novecentos e setenta e três mil e cento e oitenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos) para a empresa AMP do Brasil Conectores Elétricos e Eletrônicos.000. em seguida. sobre as finalidades do crédito orçamentário supra. sob o fundamento de evitar dano eminente ao patrimônio público. em São Paulo.000. então Presidente do Tribunal da 2ª Região.instância em São Paulo. em 31/07/98. quantia essa que .486. Foi ainda prorrogado o prazo de conclusão das obras para 04. para obras no respectivo estacionamento. da existência de crédito orçamentário no valor de R$ 22. uma vez que se pediu verbas para um fim. pedido esse que havia sido acolhido e aprovado.98 e 15. e para serviço de telefonia e eletricidade.98 no 14º Tabelionato de Notas da Cidade de São Paulo. que dos R$ 22. Para a Procuradoria da República os fatos supra configuraram 1º) desvio de finalidade dos recursos destinados às obras especificadas no pedido de inclusão de verbas no orçamento da União. Délvio Buffulin.07. Ano 4. o Auditorias do TCU. ainda. mas.973. nos termos contratuais.000. só poderia ser liberado após o término da obra. de que resultou a liberação de R$ 22. Segundo os instrumentos de escritura pública o aditamento deveria ser feito para restabelecer o equilíbrio econômico financeiro do contrato que teria sido prejudicado desde o início do contrato. Informou também que havia pedido de crédito ao Tribunal Superior do Trabalho. 2001 71 . sem licitação. uma vez que o primeiro estava muito abaixo do segundo. vindo a obter êxito. esse magistrado respondeu que iria assinar aditivo contratual para adquirir equipamentos para o Auditório do prédio em questão.000. e R$ 8. Historiando essa ação temos que em fevereiro de 1998 a Procuradoria da República em São Paulo tomou conhecimento.00 (treze milhões) iriam para a Incal Incorporações. lavradas respectivamente em 17.04. Por esses instrumentos comprometeu-se o Tribunal a destinar à INCAL mais R$ 36.99.901.000. o que.06.

em conta remunerada.20 (trinta e seis milhões e novecentos e trinta e um mil e novecentos e um reais e vinte centavos) o valor a ser pago pelo TRT e as verbas orçadas eram de R$ 22 milhões. sem capital social ou bens que pudessem garantir ressarcimento em caso de inadimplência. à disposição e ordem desse juízo. Número 15. qualquer garantia ao TRT para assegurar o cumprimento das suas obrigações contratuais. encaminhando-lhe cópia dos documentos pertinentes. §§ 2º. qual seja. 167. Fábio Monteiro de Barros afirmaram que a 72 Auditorias do TCU. bem como a Lei nº 8. 55. V). 2º) comprometimento de verbas ainda não incluídas no orçamento de 1999.666/93 (arts. bem como das demais parcelas vincendas. por entender que ele teria natureza reparatória. em conta remunerada.. que não caberia mediante cautelar e deferiu o segundo pedido. assunto tratado neste relatório como ‘Operação Panamá’. em paraísos fiscais. na pessoa do Sr. Neste ponto devemos fazer o seguinte esclarecimento. 2º) que fosse determinado ao Presidente do Egrégio TRT-SP. (Decisão de 31 de julho de 1998). Ocorre que o aditivo contratual fixou em R$ 36. 2001 . entre outros. 5º) as verbas previstas no aditivo contratual impugnado iriam continuar a ser liberadas. o depósito judicial. de recursos da ordem de R$ 14 milhões. em decorrência da gravidade dos fatos narrados na inicial. por força de aditivo contratual. Determinou ainda que fosse oficiado ao Banco Central do Brasil. 167). o alegado desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Ademais. dos valores já liberados. 4º) já teria havido liberação. sob pena de cominação de multa diária. da CF. Ano 4. Em seus depoimentos o Juiz Délvio Buffulin e o Sr. pelo art. 9º. VI.931. III. que suspendesse o desembolso da parcela prevista para 4 de agosto (estávamos em 1998). sucessivamente a partir do dia 4 de agosto próximo (recorde-se que o pedido de cautelar é de 30 de julho de 1998). Brasília-DF. Diante da gravidade dos fatos relatados a Procuradoria da República requereu: 1º) que fosse determinado à Incal Incorporadora e à Construtora Ikal Ltda. 3º) inexistência do alegado desequilíbrio econômico-financeiro. o que é vedado. que nas palavras de Sua Excelência ‘revelam indícios vigorosos da ocorrência de graves irregularidades na condução da obra’. uma vez que a instituição do chamado Plano Real. nas respectivas datas. para apuração de eventual irregularidade nos investimentos realizados pela Construtora Ikal Ltda. O Juiz federal que examinou o pedido de cautelar indeferiu o primeiro pedido. Delegado Regional em São Paulo. 3ª) A Incal não apresentou. 2º) haveria fundadas provas de que a Incal vem desviando recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista para paraísos fiscais.901. 7º. nem foi instada a apresentar. o que a Lei Maior também veda (art. sem que a empresa apresentasse qualquer contraprestação de obra pública. na verdade reduziu a inflação a praticamente zero e estabilizou a economia monetária e financeira.acréscimo de obras e serviço no prédio em questão e elas seriam usadas para outro fim. a Procuradoria da República em São Paulo disse as razões pelas quais haveria iminente risco para o patrimônio público: 1º) a empresa Incal foi criada às vésperas do final da licitação. no valor de 1% desse total. efetuando o depósito judicial das mesmas.

Creio que a gravidade deste fato deverá ser sopesada por ocasião do Auditorias do TCU. No que tange à questão da responsabilidade. Ministro-Relator Adhemar Paladini Ghisi. que apreciou pedido de revisão da matéria feito pelo Juiz Buffulin. responsáveis pelo Inquérito Civil Público nº 07/97. mediante a Decisão nº 469/99. cumpre também refutá-la.09. (. verba pública para a contratada sem a observância das normas pertinentes. No tocante à assertiva de que estranhamente os demais ex-presidentes não são citados.) 7. em que ocorreram os pagamentos à conta do indigitado empreendimento.. pelo art. Ano 4. restou evidenciado que o Juiz Délvio Buffulin liberou. ou seja. considerou que não existem documentos suficientes para responsabilizar o Sr. José Victório Moro (ex-Presidente do TRT/SP no período de 15. por exemplo. Isso porque. entre outros. Ocorre que a história foi contada pela metade.025/1998-8. As conclusões da equipe de inspeção foram acolhidas pelo E. 167. a CPI assinala: O Juiz Délvio Buffulin também. de verbas públicas. no episódio do quarto termo aditivo (ver. destacou como ilegal apenas a utilização de crédito orçamentário indevidamente recebido do TRT/ 18ª Região. VI.09.2. in litteris: ‘(.’ Na conclusão do Relatório.. houve o comprometimento de verbas ainda não incluídas no orçamento anual. também facilitou e concorreu para incorporação ilícita.) No assunto referente ao chamado ‘quarto aditivo’ (ver. art. Sr. Plenário. posteriormente a revisão da 5ª CCR foi alterada.92 a 14. Não obstante..recomendação da Procuradoria da República em São Paulo acima referida e feita por intermédio da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão – 5ª CCR foi exorbitante. foi examinada nos autos do TC-001. em 1998. Por outro lado. Assim. qual seja. quanto a esse. o alegado desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. oportunidade em que será sopesada a repercussão no mérito destas de conformidade com a participação de cada ex-dirigente. 167. o acréscimo de obras e serviço e essas verbas foram usadas para outro fim. o que é vedado. Brasília-DF. Número 15.)..g. ao patrimônio da contratada.2. tendo o Exmo. que estão sendo reabertas por meio de Recurso de Revisão impetrado pelo Ministério Público junto ao Tribunal. por exemplo. I). sendo esse fato confirmado pela própria 5ª Câmara. Consuelo Yoshida e Maria Luísa Duarte. deste Relatório). a questão da responsabilidade dos ex-presidentes do TRT-SP no período de 1992 a 1998. o que a Lei Maior também veda (v. da Constituição Federal. tendo o Ministério Público Federal decidido terminativamente em favor da recomendação original feita pelas Procuradoras Elizabeth Peinado. a equipe de inspeção trouxe um maior esclarecimento acerca da participação dos diversos dirigentes do TRT/ SP quanto às irregularidades detectadas. uma vez que se pediu verbas para um fim. Os atos praticados pelos outros gestores serão oportunamente examinados nas pertinentes contas. 2001 73 . assim se pronunciado naqueles autos. o item V. o item V.94) pelas irregularidades apontadas. retificando a posição anteriormente trazida a este Colegiado.

também ocorreu na gestão do Sr. ocasião em que o então presidente do TRT/2ª Região manifestou preocupação advinda de sua visita à obra no dia 7 de abril de 1997. mesmo considerando as análises técnicas do cronograma físico-financeiro elaborado pelo engenheiro contratado. ainda na Sessão de 08. Sr. igualmente ao que defendi no item 7 deste Voto. 10. apenas relembrando. Número 15. Veja-se. Ano 4. A utilização de créditos orçamentários indevidamente recebidos de outros Órgãos integrantes da Justiça trabalhista. Não obstante. 196/197). reabertas em face de Recurso de Revisão interposto pelo Ministério Público. Délvio Buffulin iniciou em set/96. Já no que concerne ao Sr. Ora. consoante registrado na Ata de Reunião de 17. bem assim da utilização indevida dos créditos orçamentários. exatamente 04 meses após a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. Mais ainda. ‘além de proceder ao pagamento de diversas parcelas à Incal assinou aditivo contratual majorando o valor final do empreendimento. em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos na Lei nº 8.’ Em conclusão. tempo suficiente 74 Auditorias do TCU. Rubens Aidar. entendo que a avaliação da gravidade do mencionado descumprimento (e de uma possível aplicação de multa). que dirigiu determinações àquele Tribunal do Trabalho. por derradeiro. os autos contêm elementos que demonstram que o mesmo tinha conhecimento do descompasso existente entre a execução físico-financeira do contrato.282/1993-9). que a gestão do Sr.reexame das contas TRT/SP no referido período (TC-700. motivos pelos quais inferiu devesse ser responsabilizado solidariamente pela mencionada liberação de recursos. o rigoroso cumprimento da Lei nº 8. exigia a clara definição dos projetos. Naquela oportunidade. Não se pode relegar.)’ No item 7 do Relatório.666/93 exigia a imediata compatibilização entre o cronograma físico e financeiro e a cessação de qualquer pagamento antecipado. de forma irregular. Brasília-DF. Délvio Buffulin. (. Rubens Tavares Aidar.04. Teve. o Plenário. aliás. registrou ainda a equipe que o Sr.97 (f.05. poderá se processar no respectivo processo de contas ordinárias (TC-700. que a própria transferência das obras do terreno para o nome do TRT/SP somente veio a ocorrer após a sucessão do Sr.666/93 (Decisão nº 231/96Plenário). Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira. com a previsão contratual do término da mesma. seguindo o Voto condutor do Exmo. 2001 .. pois. destaca a equipe de inspeção: ‘Já no que se refere ao Sr.96. ‘quando lhe pareceu incompatível o estágio da obra com o desembolso financeiro já concretizado.109/978). assiste razão à equipe de inspeção quando comenta que o referido ex-Presidente deixou de dar cumprimento à determinação desta Corte por ocasião da primeira auditoria realizada no TRT/ SP. descrição dos materiais e análise de custos. Délvio Buffulin. 8. 9. Rubens Tavares Aidar. determinou ao Presidente daquele Órgão que adotasse providências urgentes no sentido de transferir as obras de construção do Fórum e o respectivo terreno para o nome daquele TRT e de dar prosseguimento às obras. assim como. apesar de a prudência e o zelo não o recomendarem (item 7)’. uma vez que o Ministério Público junto a este Tribunal já interpôs Recurso de Revisão pertinente..

conferindo-se pleno cumprimento às recomendações oriundas do Tribunal de Contas da União. que concluiu pelo prosseguimento da obra de construção do Fórum Trabalhista. por conseguinte. optando. Argumenta ainda. portanto. Outrossim. foi lavrada a escritura de venda e compra em 19. de modo a adequálas aos ditames da Lei nº 8. tampouco seu antecessor. compatibilizando. Depois. pois que. na mencionada assentada. Ao contrário. Ocorre. restou consignado no texto da Decisão que o mesmo deu pleno cumprimento às recomendações do TCU. dando ensejo aos prejuízos então verificados na execução da obra. 25.666/93. Ano 4. diante da delicada situação por ele enfrentada. que a mera transferência de posse e domínio das obras do Edifício-Sede para o TRT-2ª Região não esgotava o atendimento às determinações deste Tribunal. contrárias ao interesse da Administração. o cronograma físico com o financeiro do empreendimento. É o que se pode inferir de trecho a seguir transcrito. especialmente de que agiu pautado pela legalidade e cautela. não atendeu plenamente à Decisão nº 231/96. mormente com relação às cláusulas abusivas. como vinha até então ocorrendo. Número 15. 25 Alegação O responsável argumenta que devido à sua observância ao resultado da Auditoria Técnica realizada pelo Tribunal de Contas da União finalizada em 1996. Primeiro porque. mas sim levava-se em conta tão-somente o fato de que as obras estavam em estágio avançado. em nenhum momento. adotado pelo Ministro-Relator. que se processou em desacordo com a Lei de Licitações. quando tece Auditorias do TCU.12. registra expressamente aquele decisum que o atendimento foi parcial. pois postura diversa ensejaria graves conseqüências ao patrimônio público. tal como tenta dar a entender.no decorrer do mandato para implementar as determinações proferidas. Brasília-DF. 2001 75 . vale lembrar. providenciou as alterações contratuais. A postura do TCU dando aval ao prosseguimento da obra não se deu por acaso. pelo prosseguimento da obra dentro de uma conduta administrativa pautada pela cautela e observância da legalidade. de modo que não seria razoável nem prudente a aplicação de sanção a quem seguiu as orientações emanadas do Tribunal de Contas da União. sem medir esforços na adoção de medidas de cautela que dispunha. é comezinho que não se pode efetuar pagamentos de vultosa soma. conforme já referido. tendo o TRT como outorgado comprador e a Incal como outorgante vendedora.96. ainda. sem contar com nenhuma garantia. verbis: ‘A transferência do imóvel para o Tribunal Regional do Trabalho foi efetuada por Délvio Buffulin.1 Análise Não merecem acolhida as alegações retro. extraído do Relatório da equipe. E restou muito bem frisado que os procedimentos até então adotados pelo TRT não estavam sendo chancelados por este Tribunal. Isto porque nem o responsável. porém danoso ao erário a paralisação abrupta das obras no estado em que se encontravam. seria simples. Tal circunstância é expressamente referida na decisão ora impugnada. o responsável está interpretando a Decisão deste Tribunal de forma distorcida.’ O responsável assevera que.

Brasília-DF. que o responsável autorizou pagamentos antecipados à contratada. Sr. verbis: ‘(. Sr. Tal decisão somente foi atendida pelo sucessor do responsável. em total desídia com o dinheiro público. os dirigentes do TRT/SP. a transferência de posse do terreno da contratada para o TRT. no tocante ao descumprimento da Decisão nº 231/96 . evitado a situação anômala agora verificada. 38 do Decreto n° 93.TCU .’ (grifo nosso) 76 Auditorias do TCU. Não será permitido o pagamento antecipado de fornecimento de materiais.. o cronograma físico do empreendimento. proferido pelo então Exmo. ao examinar o cumprimento da citada Decisão nº 231/96 – Plenário: ‘6. o pagamento de parcela contratual na vigência do respectivo contrato. de sorte que foi efetuada a determinação desta Corte de Contas com esse intuito. e apenas no tocante à transferência determinada pelo Tribunal (.. e ainda que em valor inferior a 10% do contrato. sem obter qualquer garantia de que a referida construtora executaria a obra nos termos e no prazo avençados. estabelece o art. execução de obra.872/86. notadamente com a supressão das cláusulas abusivas contrárias aos interesses da Administração. por derradeiro.Plenário. segundo a forma de pagamento nele estabelecida. não incluíram nenhuma garantia no indigitado contrato. A transferência foi efetivamente realizada. in verbis: ‘Art.)’(grifo nosso). que os Administradores do TRT-SP simplesmente ignoraram a segunda parte da determinação. que vinha ocorrendo. Número 15. 2001 . por conseqüência. Ocorre. acordo ou ajuste.considerações acerca da responsabilidade do Sr.. prevista no edital de licitação ou nos instrumentos formais de adjudicação direta. Délvio Buffulin.) Para o adequado cumprimento das supracitadas medidas determinadas por este Tribunal. Observe-se que o cumprimento tempestivo das exigências deste Tribunal teria estancado o procedimento irregular e.666/93. todavia. Rubens Tavares Aidar. Tal prática é vedada pelo art.’ Ressalte-se que nos casos de alta complexidade técnica e riscos financeiros consideráveis. ou prestação de serviço. representaria uma cautela para evitar a total desvantagem do Administrador na relação contratual irregular. Ora. e muito. ainda. Contudo. 56. entretanto. mesmo ciente de que os repasses de recursos financeiros superavam.025/98-8. que o limite de garantia de 5% poderá ser elevado para até 10% do valor do contrato. o mínimo que competiria ao dirigente era proceder à aludida transferência. inclusive de utilidade pública. 38. fazia-se imprescindível a alteração substancial dos termos da Escritura de Compromisso de Venda e Compra então vigente. Ano 4. mediante as indispensáveis cautelas ou garantias. conforme exaustivamente referido no TC nº 001.. Ministro-Relator Adhemar Paladini Ghisi. da Lei nº 8. § 3º. prosseguindo com a realização de pagamentos não lastreados pela contraprestação de serviços. Neste sentido. o Voto condutor do Acórdão n° 045/99 – Plenário. convênio. admitindo-se. Cabe trazer à colação. Impende frisar. ainda que não configurasse uma modalidade de garantia na forma preceituada em lei.

amplia-se o universo de competidores.’ Não é o caso dos autos. cuja cópia junta (doc. até que houvesse a necessária compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras. só poderá ocorrer quando previsto no ato convocatório. pois. especialmente aqueles que não disporiam de recursos para custear a prestação. consistentes na aplicação de multas contratuais e suspensão dos pagamentos em favor da empresa Incal Incorporações S. já proferida a Decisão 231/96 – TCU – Plenário. pois. 355): ‘O pagamento antecipado depende da existência de dois requisitos. Registra que durante toda sua defesa irá reportar-se à ‘farta documentação que anexou à sua primeira intervenção. não adotou. as providências de sua alçada. de maneira que persiste a impropriedade.. deixando. na condição de Presidente do TRT/SP. 1 em sua defesa no TC nº 001. bem como assinando novos aditivos contratuais.025/1998-8.Plenário..A respeito da matéria. o Responsável continuou autorizando novos pagamentos à Construtora Incal. Gilberto Morand Paixão (f. Corte de Contas. Porém. Ao contrário. Portanto. já que as razões são as mesmas. Alegação Faz remissão ao seu currículo (juntado como doc. Por isso. com mais de 45 anos de experiência profissional em obras públicas e privadas. alega o responsável que já fora citado e já se defendeu. Délvio Buffulin.A. p. não pode ser responsabilizado pelo dano ao Erário Auditorias do TCU.025/1998-8. que o Sr. 26. aumentando o prejuízo sofrido pelo Erário. 51/72 do Anexo I). Brasília-DF. nos autos do TC nº 001. De ver. logicamente. desse modo. somos conduzidos à ilação de que deva ser refutada a totalidade das alegações de defesa aduzidas pelo responsável.025/1998-8) para alegar que. 2001 77 . As argüições do responsável são sumarizadas nos itens a seguir. preleciona Marçal Justen Filho (in Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. sendo um engenheiro de ilibada reputação. 16/145 do Anexo I) Preliminarmente.Plenário. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo Sr. naquela oportunidade. V) Alegações de defesa do Sr. lá no feito relativo à Tomada de Contas nº 001. a Administração será beneficiada. de f. Número 15. não merece prosperar a assertiva de que cumpriu as orientações emanadas por esta E. Délvio Buffulin Considerando que não foram apresentados elementos que conduzissem à modificação do mérito da Decisão nº 591/2000 do TCU . 27. Délvio Buffulin. Todos competidores terão reduzidos seus custos e. de juntá-la de novo aqui’. no tocante à responsabilidade solidária do Sr. Primeiramente. o pagamento antecipado deverá ser condicionado à prestação de garantias efetivas e idôneas destinadas a evitar prejuízos à Administração. a Administração não poderá sofrer qualquer risco de prejuízo. surpreendendo-se. com esse novo chamamento oriundo da Decisão nº 591/ 2000 do TCU . Desse modo. obtida ao longo de quase 70 anos de vida. 4ª ed. Ano 4. não obstante ciente do grande descompasso entre a execução física e financeira das obras.

não estaria agora participando desse processo. O responsável relata ter ponderado ao referido assessor que o novo profissional necessitaria de um marco. se a fita fosse anteriormente assistida. definição do tipo de material a ser empregado. seja com os antigos integrantes do TRT. Para maior clareza. do relacionamento de diversos Juízes do TRT da 2ª Região. para fiscalizar a execução da obra. informou-se-lhe já existir esse documento. que tomamos a liberdade de contatar o Engenheiro Gilberto Morand Paixão que. haja vista que serviriam de base para as medições e pagamentos. em 08. pavimento e item de serviço executado e a executar. Acrescenta que. 191/193 do Anexo IV.025/1998-8. Número 15. que contém seu depoimento na CPI do Judiciário. Era o denominado ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum da Cidade de São Paulo’. em percentual. e a relação detalhada. conforme ressalta. Nicolau dos Santos Neto. Informa que foi contratado pelo TRT apenas para fiscalizar a execução das obras a partir de junho/98. 2001 . A opção deve-se ao fato de se tratar de pessoa de reconhecida capacidade profissional. apresentou a proposta cujos termos venho submeter à superior apreciação. Sr. cronogramas financeiro e físico. ao contrário do alegado. dado que o TRT necessitava de um novo profissional. venho informar a V. tendo respondido todas as indagações formuladas. 3 na defesa relativa ao TC nº 001. seja com os membros da Construtora. esclarecedor. sob a responsabilidade de um novo engenheiro. de cada prédio. Prisco da Cunha). Gilberto Morand Paixão foi formalmente apresentado ao então Presidente do TRT/2ª Região. a partir de então. 27. merecedor 78 Auditorias do TCU. Ano 4. definindo o realizado e o que faltava ser executado. com uma proposta de trabalho. inexistindo pergunta sem atendimento.025/1998-8). sem qualquer envolvimento anterior. após verificar in loco a situação das edificações. Caso contratado. Em resposta. de modo a ser observada com rigor a exata adequação entre o cronograma físico e o financeiro. com a descrição do conjunto de prédios. bem como analisar genericamente o projeto respectivo. depoimento este.1 Análise De acordo com o documento às f. Exa. Reporta-se a uma fita de vídeo (doc. Délvio Buffulin. preocupado com que a finalização da obra tenha sua evolução acompanhada com o nível técnico que o empreendimento exige. a nosso pedido.que se alega ter havido. o Sr. conforme contrato de trabalho anexo como doc. Consta da referida fita ter sido contatado por um assessor do presidente do TRT (Sr. de notória experiência em obras públicas e privadas.06. 2 em sua defesa naquele processo. 7 referido em sua defesa no TC nº 001. transcrevemos a seguir trechos do referido documento: ‘Na qualidade de Presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da 1ª Instância da Cidade de São Paulo.98. Brasília-DF. só seriam pagas se devidamente assinadas pelo engenheiro. inserido como doc. observa-se que. seguro e preciso. as faturas resultantes das medições. no que faltava ser concluída. Alertou ainda ao Assessor a necessidade de ser verificada a exatidão dos dados contidos no documento. pelo Sr.

bem como possibilitar a explicitação de algum ponto obscuro ou a complementação de dados e informações para melhor entendimento do documento que seria celebrado entre o TRT/SP e a Incal. elaborando uma análise técnica e pontual do documento entregue pelo TRT sobre o reequilíbrio econômico do contrato. Ademais. Devem ser rejeitadas. porém.025/1998-8. como documento 3. Porém. teve conhecimento da aprovação de seu nome como novo fiscal da execução das obras. a contratação oficial. Auditorias do TCU. assinalar alguma impropriedade. Esse exame visava concluir sobre: verificação das premissas básicas apresentadas. atendeu a pedido do Presidente da Comissão da Construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. denominada ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo’. até por falta de competência legal.)’ Vê-se. Nicolau. conforme ressaltado no excerto supra. porquanto esta pertencia exclusivamente à Comissão de Acompanhamento do Empreendimento e à Empresa. por conta da burocracia do TRT.da mais absoluta confiança. Nicolau dos Santos Neto. que são improcedentes os argumentos acima. de fácil percepção em tão curto espaço de tempo. como se procura dar a entender. dada a seriedade. Número 15. O aspecto confiança não se pontua nem se mede em processo aberto de livre competição. fixado o menor preço como critério legal de escolha. mas. o Engenheiro possuía relacionamento com diversos Juízes do TRT. jamais a aprovação do reequilíbrio econômico financeiro. integra sua defesa no TC nº 001. 28 Alegação A partir de maio/98. as alegações referidas. Destaca que a documentação que passou a examinar. tão-somente.. uma análise informal sobre tal reequilíbrio. o preço solicitado afigura-se indubitavelmente abaixo dos praticados por profissionais de engenharia em trabalhos semelhantes. de modo que não procede sua assertiva de inexistência de qualquer envolvimento anterior com os antigos integrantes do TRT. só foi concretizada em 15/06/98.. que não somente iniciou o procedimento inquinado. A propósito. Brasília-DF. (. Ora. 2001 79 . do Presidente do TRT-SP e daquele que assumiria em set/98. como também acompanhou toda a execução da obra. se o responsável foi trazido para ser o engenheiro fiscal da obra pelas mãos do Sr. razoabilidade dos critérios e índices adotados e consistência de cálculos e valores propostos. pois. O Parecer Técnico não objetivava deliberar sobre o Reequilíbrio Econômico. daí o irrisório tempo compreendido entre o pedido de colaboração e a feitura do texto. Episódios em que se questionou a idoneidade de atos relevantes inerentes ao empreendimento impõem cautela redobrada em qualquer providência a ele afeta. Sustenta que o TRT/SP teria solicitado. Em que pese a sua contratação não estar ainda formalizada. portanto. como sustentar a tese de imparcialidade e não envolvimento? Resta evidente que o contato inicial com o Engenheiro foi efetuado pelo Sr. lisura e competência notórias com que conduz seus trabalhos. apenas. Ano 4.

incluiu-se seu nome na página de rosto que capeia o documento intitulado ‘FUNDAMENTOS PARA O REEQUILÍBRIO ECONÔMICO’. dos recursos para a conclusão das obras no período de janeiro a abril do ano seguinte (reporta-se ao doc.em nada conflita com o essencial: o fato de que há muito já estava ele.1 Análise De rejeitar a assertiva do engenheiro responsável no sentido de que não fora contratado com o fim de elaborar análise sobre a solicitação da Incal Incorporações S. 28. 6 juntado a sua defesa no TC nº 001. acertado e aprovado entre o TRT e a Incal’. Ano 4. 80 Auditorias do TCU. 2001 .666/93. ao Sr. a análise do pleito da Incorporadora fazia parte do escopo dos serviços propostos pelo Sr.A. reequilíbrio. mas para permitir o trabalho durante o ano de 1998. Nicolau dos Santos Neto. juntados no TC nº 001. é que esta discussão já vinha ocorrendo muito antes de sua chegada à obra. na verdade. endossando o reequilíbrio (docs. face ao escasso tempo que lhe foi concedido para elaborá-lo .025/98). do art. não se deu em função de sua simples análise técnica. Gilberto ao TRT-2ª Região. O responsável assere ainda que o Tribunal Superior do Trabalho concordou com a solicitação de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro (cita o doc. decorrendo tal decisão de celebração do aditivo de um conjunto amplo de razões. de 04/06/98. convalidando a decisão da Comissão de Acompanhamento do Empreendimento. José Eduardo Ferraz. Sr. anexo à defesa apresentada no TC nº 001.025/98-8). A verdade é que a sua análise. como tendo-o aprovado. em 01.inclusive com a falsificação de forma grosseira de uma rubrica que não é sua . na Lei de orçamento de 1999. 8 e 9.apenas sete dias . afetaram profundamente as condições pactuadas por ocasião da compra e venda o imóvel. Em reforço dessa tese.06. como também à carta da Incal. dando continuidade aos acertos do aditivo a ser posteriormente celebrado. consoante f. Brasília-DF. as quais. argúi o responsável que o Congresso Nacional havia aprovado os recursos necessários ao prosseguimento das obras.cujo texto já estava devidamente acertado entre o TRT e a Incal. evidenciando que a liberação do recurso. segundo consenso do Tribunal e da Construtora. inciso II.98. 11. 185/186 do Anexo IV. com vistas a se eximir da responsabilidade pela celebração do aditamento de reequilíbrio econômico do contrato. existindo entre o TRT e a Incal um acerto anterior. Outra alegação defendida responsável. contendo ainda parecer do jurista Diógenes Gasparini. representante do TRT como Presidente da Comissão da Obra do Fórum Trabalhista.025/98). Frisa que existia previsão contratual. após anos de discussões e tratativas. ao invocar a alínea ‘d’. Reporta-se à correspondência remetida pelo Diretor da Incal. 65 da Lei nº 8. ficando o TRT com o encargo de conseguir a inclusão. Argumenta ainda: ‘à sua revelia . Isto porque. independentemente de possíveis impropriedades semânticas que possa conter pelo uso de palavras nem sempre as mais adequadas. Número 15. de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. não para sua conclusão.

da criação de novos tributos ou contribuições. no entanto. de f. pois como antevêem os doutrinadores. 2001 81 .998. Portanto. em sua defesa referente ao TC nº 001. para formalização do restabelecimento do equilíbrio econômico do contrato existente entre as referidas partes. Número 15.. sugerindo algumas alterações à proposta da INCAL. merecendo especial relevo a de diminuição de valor. Em parecer técnico entregue ao Juiz Délvio Buffulin em 15 de junho de 1.A. que tinha como obrigações contratuais. do Parecer Técnico resultante de sua contratação (f. a recomposição dos preços obriga a análise da ocorrência e de seus efeitos.025/1998-8 (cf.. de fato. Sr.Outrossim. custos e medições das obras relativas à construção do Fórum Trabalhista. Ano 4. em atenção à orientação do Colendo Tribunal Superior do Trabalho.. das condições atuais das obras do empreendimento. f. o Juiz Délvio Buffulin consultou o responsável técnico dentro do TRT. o que requererá o exame e decisão das unidade técnicas desse Tribunal Regional’ (grifo nosso). 196/197 do Anexo IV). constou como objetivo ‘a análise da documentação apresentada pela contratada Incal. convalidando a decisão tomada pela Comissão de Construção.. Délvio Buffulin. conforme doc. conforme ressaltado anteriormente. orçamentos. as de fiscalizar e acompanhar os serviços. implicou o retardamento da execução da obra. a comprovação do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato alegado pela empresa INCAL Incorporações S. motivados pelo cortes no orçamento colocado à disposição daquele Tribunal. verbis: ‘Constatada a sua legalidade e legitimidade.) Nesses termos. Na verdade. o renomado Engenheiro Civil Gilberto Monrad Paixão. para formulação definitiva das condições e diretrizes do aditamento contratual a ser firmado. o descumprimento involuntário das cláusulas econômicofinanceiras por parte desse TRT. Brasília-DF. (. de forma a mensurar. tendo concluído. o aumento dos custos da empresa contratada. ensejam o restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado com a empresa INCAL Incorporações S.’ Também não assiste razão ao responsável quando assevera que o Tribunal Superior do Trabalho anuiu à solicitação de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro. também. para construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. cabendo à contratada. 230 do anexo I): ‘32.’ Ressalte-se ainda as considerações aduzidas pelo ex-Presidente do TRT. a Secretaria de Auditoria do TST examinou a consulta do TRT-2ª Região. impende. bem como pela liberação fragmentada do financeiro pela Secretaria do Tesouro Nacional e.A. concluiu o engenheiro Gilberto Paixão pelo cabimento do pleito de reequilíbrio econômico e financeiro do contrato. que. calcada nos dados informados pelo TRT-2ª Região no ofício GP nº 131/98. 203/204 do Anexo IV. a comprovação do incremento de seus custos. como declarado no ofício sob exame. Auditorias do TCU. aliado ao comprovado aumento de tributos. em decorrência dos atrasos nos pagamento do TRT-2ª Região. contudo.

025/19988). Frustrada a tentativa de aditamento de novos serviços... em despretensioso ‘Parecer Técnico’. para cujo embasamento utilizouse o Parecer indigitado. desta forma. faltando cerca de 20% aproximadamente. referente ao ‘habite-se’). sobressai que. como quer fazer crer o responsável. 6 juntado às alegações de defesa no TC nº 001. face o pagamento de 98% (retida apenas a última parcela. pois. Não há falar-se. impondo-se. referente ao reequilíbrio econômico do contrato. prestando-se. Declara que o valor apurado no reequilíbrio fora desembolsado antecipadamente pelo TRT. Brasília-DF.) Verifica-se.(. 2001 . Vale lembrar que os dirigentes do TRT envidaram esforços inicialmente. precisavam cumprir a mencionada orientação do Tribunal Superior do Trabalho. portanto. do total da obra. para conclusão do empreendimento. segundo se depreende. a despeito de o responsável sustentar a informalidade de seu parecer. nem participou. haja vista que não se configuravam as hipóteses de acréscimo de objeto previstas na Lei nº 8. assim. sem lograr êxito. que o responsável técnico concordou com o pleito apresentado pela Construtora. Dessarte.para que se pudesse dispor dos recursos que possibilitariam a retomada das obras e o 82 Auditorias do TCU. tampouco conhecia os termos e valores da escritura do aditamento para reequilíbrio econômicofinanceiro (conforme doc. o citado ‘Parecer Técnico’. no sentido de firmar termo aditivo de novos serviços com a Contratada. quando da inspeção procedida em 1998 nas obras do Fórum Trabalhista. mais certo ainda que. sem liame com o aditamento de reequilíbrio econômico-financeiro.666/93. as alegações em pauta. A assinatura do 4º aditivo deveria conter os valores relacionados no reequilíbrio . Se é certo que o TRT e a Incal estavam resolutos quanto à celebrar o citado aditamento. partiu-se para a celebração do citado ‘reequilíbrio. Improcedem. ao qual o responsável quer subtrair importância. procedimento refutado por esta Secretaria. caracterizou a base que se buscava para a celebração do indigitado aditamento. ressalvando. Ao contrário. àqueles o parecer constituiu uma peça essencial na tentativa de fundamentar a procedência do pleito da Contratada. ao menos formalmente. 29 Alegação O responsável assevera que não assinou. Desta forma. ainda. a necessidade de redução em mais de R$ 3 milhões e 700 mil reais!’(grifo original) Do excerto supra. Número 15. Os autos contêm elementos inequívocos de que o ‘Parecer Técnico’ serviu sim ao propósito de tentar legalizar a celebração do aditamento. ao atendimento da solicitação do TST para que a comprovação do incremento de custos da Contratada fosse procedida de exame e decisão das unidades técnicas do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. de somenos importância. procedimento licitatório. todavia. incabível negar sua decisiva participação no desenlace do 4º Termo Aditivo. assim não entenderam os dirigentes do TRT-2ª Região. Ano 4.solicitados pela Construtora e aprovados pelo TRT .

Com efeito. haja vista as razões aduzidas no item 28. de modo que a equipe de inspeção não tinha como conhecer da referida contratação. exPresidente do TRT-2ª Região no biênio setembro/1990 a setembro/1992 e da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo no período de 1992 a 1998. por parte do TRT-2ª Região. o 4º aditivo de forma menos gravosa para o próprio TRT. e o TCU concordando com a sua validade e discordando apenas quanto ao valor do mesmo . nos autos do TC 001. dado que. Efetivou-se. e nem poderia. Auditorias do TCU. esse fato não o exime da responsabilidade pelo prejuízo causado ao Erário com a celebração inquinada.qualquer referência ao seu nome. é incluído seu nome no processo TC nº 001. Sr.11. não obstante tivesse decorrido praticamente um ano após a assinatura de seu contrato com o TRT-SP para prestação de serviços técnicos: ‘não há em momento algum do extenso Relatório/Acórdão (41 páginas) .2000.onde exaustivamente é analisado o reequilíbrio econômico-financeiro. sendo que este apresentou uma peça única. em face da sua intervenção. não sendo a ele imputada responsabilidade alguma na lavratura das escrituras em cartório.1 supra. 30. 29. 30. em Sessão de 29. reduziu-se o valor em aproximadamente 3. 2001 83 .cumprimento do cronograma previsto para 1998 e 1999.025/1998-8. Délvio Buffulin. Somente com base em nova inspeção. não há no Relatório e Acórdão resultante remissão ao nome do Engenheiro por uma razão muito simples: a execução dos trabalhos de campo e a elaboração do relatório pertinente ocorreram anteriormente à contratação do Engenheiro. Passemos ao exame da primeira. assim. a equipe de inspeção teve ciência e levou ao conhecimento deste Tribunal a celebração do aludido contrato e suas implicações no dano causado ao Erário. Somente com a nova inspeção. veiculando matéria com conteúdo de recurso contra o Acórdão n° 045/99-Plenário e de alegações de defesa à citação determinada na alínea ‘c’ do mencionado acórdão. representado pelo Sr. Nicolau dos Santos Neto.1 Análise Impõe-se quanto a esta alegação o exame de duas questões.1 Análise Evidente que não assinou o Termo Aditivo. ex-Presidente do TRT-2ª Região no período de 15/09/1996 a 15/09/1998. em segundo. deste Tribunal. às quais nos reportamos integralmente.025/1998-8. Floriano Vaz da Silva. impende rejeitá-la. e também pelo Sr. Essa matéria foi enfrentada pelo E. ao examinar recursos impetrados contra o Acórdão n° 045/99. Contudo. Plenário. Número 15. Quanto à segunda afirmação. determinada no citado Acórdão.7 milhões de reais. de 05/05/99. a assertiva de que o TCU concordou com a validade do citado equilíbrio. Presidente quando da prolação do acórdão recorrido. pois esta atribuição competia aos dirigentes do TRT e à Contratada. a saber: falta de referência ao Engenheiro Gilberto Morand Paixão no Acórdão nº 045/95. Brasília-DF. Ano 4. e seria firmado de qualquer modo. aprovando o citado reequilíbrio’. Alegação Ressalta que seu nome não constou do Acórdão nº 45/99. com ou sem o ‘Parecer Técnico’ do responsável.

). Tece considerações elogiosas acerca de sua performance e reputação na área de engenharia civil. embora de início nenhuma peça seja entregue imediatamente . existindo na obra apenas um protótipo do material.06. Esclareça-se. para se ter a exata dimensão da tese que busca defender o responsável: ‘38. as estruturas metálicas de rampa e a 84 Auditorias do TCU. Brasília-DF. embora conste a participação dos engenheiros da Caixa Econômica Federal. que são antecipada e parceladamente pagos. Aos poucos vão se entregando determinadas partes do equipamento. como no caso das ‘estruturas metálicas das rampas’ e da ‘estrutura metálica espacial’.). 31. a empresa que vendeu o elevador inicie a sua montagem. como. de vez. sustentando ter a Equipe afirmado. na construção civil . Da mesma forma quanto aos elevadores. o respectivo relatório é subscrito apenas pelos três auditores.99 a 02. Convém transcrever excertos das considerações produzidas.(. mas deve ser séria e feita por alguém que tenha capacidade técnica para isso. e ao longo desse período. Acrescenta que a crítica ao trabalho de um profissional pode sempre ocorrer. 2001 . Conclui. No caso. decididamente. partindo de informações incompletas colhidas no TRT. é preciso que se esclareça o seguinte: como se sabe.. conforme afirma: um do maiores nomes da engenharia civil deste país (.e por não serem engenheiros. o que põe em dúvida a certeza técnica do que foi apurado e relatado. entretanto. Os elevadores são equipamentos que levam muito tempo para serem feitos. que isto também ocorre com outros itens da obra. acostumados à obras civis (SIC). só se poderia atestar a execução de um serviço se já estivesse ele no canteiro de obras.. para que. Corte.05. principalmente em um empreendimento de elevado montante de recursos como o do caso em questão. por exemplo. Ora.elas são confeccionadas sob encomenda . que tem o currículo do contestante (..99) e. sem conhecimento de causa. Ano 4. por exemplo. inclusive. resultou plenamente esclarecida a questão do improcedência do pretenso reequilíbrio econômico-financeiro. que a execução de determinados serviços estava sendo atestada sem se observar na obra sequer o início dos mesmos. sendo. sem que... Número 15. cujo pagamento se faz antes mesmo do equipamento ter sido entregue e instalado na construção: é o caso dos elevadores. Não existe no mercado outra forma de contratar este tipo de serviço. ao final.quem os compra deve ir assumindo os seus custos. uma pá de cal sobre as pretensões dos envolvidos em validar os procedimentos em apreço.) Desta forma.. Entende que a equipe de inspeção realizou o trabalho em curto espaço de tempo (24. O pior é saber que tal crítica é feita a um profissional. dos auditores não se pode exigir isso deles . Para a equipe. equivocou-se em sua análise.há determinados itens da obra. isso não ocorreu. nenhuma parte deles seja entregue pelo fornecedor. ao que parece. de imediato. depois de já estar quase a totalidade das peças no canteiro de obras. pondo esta C. a que aludiram os analistas financeiros do TCU. a equipe que fez o relatório do TCU. Alegação De acordo com o responsável.

Ano 4.8% (cf. agravando a tão combalida situação dos cofres públicos. pagos antecipadamente.TCU. é que desconhece a realidade de obras públicas. configura os contratos à ordem invocados pela Contratada já em 1997. Ressalte-se também que a tese defendida de que muitos itens da obra foram pagos antes do equipamento ter sido entregue e instalado na construção. Não é demais lembrar que. 2001 85 . não poderia examinar as ocorrências anteriores a sua chegada ao Tribunal. resumido pelo Ministro-Relator: ‘A declaração do então Presidente evidencia a existência dos pagamentos antecipados.99 . conforme Relatório da Equipe de Inspeção. porquanto resta patente que a empresa não logrou êxito em comprovar que as verbas foram destinadas para pagamentos de tais fornecedores.). Insiste na argüição de que. é por demais descabido. pois pretender que se contabilize como serviço executado quase 24 elevadores. antes de legitimar fatos. consoante se depreende de excertos do Relatório desta Secretaria. improcedentes as alegações dos auditores. adotado pelo Ministro-Relator no TC nº 001. E mesmo que esta fosse uma obra tipicamente da esfera do Direito Privado.Plenário). questão esta enfocada no julgamento do TC 001. pois. a verba teve destinos que não os ora alegados pelo responsável. com a sangria desmedida de recursos desviados para a Contratada.07. sendo que na obra havia apenas 4 elevadores. ou seja. ao contrário do que assegura. ao certo saberia que a estas não se aplicam os argumentos invocados.. ou sequer haviam sido celebrados. Número 15.025/98-8. é compreensível o desconhecimento dessa realidade. efetuada pelo Engenheiro Gama). (.) Evidente. sem ter acesso aos contratos celebrados com aqueles? Caso tivesse investigado melhor. senão. o engenheiro Gilberto deu continuidade às medições anteriores do Engenheiro Gama. conforme se verifica de trecho daquele documento transcrito a seguir: Auditorias do TCU.1 Análise A nosso viso. conforme consta do documento intitulado ‘Procedimento Administrativo TRT/GP 04/98’ (que motivou a rescisão do contrato com a Incal Incorporações S..’ Entende. verificaria que muitos desses contratos encontravam-se inadimplentes. já que executadas por terceiros e não pela Construtora. 98. deveria o responsável cercar-se de todos o cuidados. o Engenheiro Gilberto.025/1998-8 (Sessão de 21. de serviços não realizados ou sequer iniciados. bem como as investigações dos órgãos competentes. no que diz respeito ao seu trabalho. que o Engenheiro Gilberto efetuou medições de itens inexistentes. no sentido de que só poderia assumir responsabilidade a partir de sua contratação. assim. segundo apurou a CPI do Judiciário.cobertura espacial do Bloco B. Como poderia se assegurar de que os serviços com terceiros estariam sendo regularmente pagos pela Contratada. Ademais. medição de nov/97. por caracterizarem antecipação de pagamentos de serviços não realizados. Ademais. 31.Dec.A. não tendo os analistas deste Tribunal formação em engenharia civil. 469/99 . Ressalta ainda dizeres atribuídos ao Relator e ao Presidente da CPI. Sim. Brasília-DF. ainda assim.

Isto porque. deveria estar ciente de toda esta problemática. Sr. Equivocou-se ainda o responsável quanto ao questionamento da certeza técnica do Relatório. muitos dos quais. Sas. tal menção constou inclusive do rodapé do correspondente Relatório. Observa-se mais uma vez a prevalência do interesse privado em detrimento do interesse público. Dessa forma. não merece acolhida sua alegação em defesa dos citados contratos à ordem. ao aceitar o encargo de fiscalizar as obras. prestando seus serviços especializados. 29). as verificações tinham cunho financeiro (para efeito de liberação de recursos). portanto.’ (grifo nosso) Não é demais lembrar que a Equipe de Inspeção solicitou os comprovantes de despesas desses contratos (f. Gilberto. referidos pelo exPresidente. 28). até por falta de previsão regimental. notadamente na elaboração do orçamento apresentado no item 6 daquele relatório (inserido no Vol. sendo feito. XVI). o acompanhamento mensal de sua evolução física (f. de forma inequívoca. pela Comissão. de conformidade com o relatado. isto não impediu que os colegas da CEF participassem ativamente dos trabalhos de campo. com dois analistas formados em engenharia civil. nem poderiam. sem. não merecem acolhida as justificativas aduzidas. Número 15. o acompanhamento passava a ser eminentemente físico. É de indagar se tal preocupação não foi transmitida ao engenheiro Gilberto. lograr êxito. em conjunto com a Equipe. Não era este sabedor da existência de pagamentos antecipados a título de contratos à ordem e dos sistemáticos descumprimentos de prazos de execução pela Contratada. os engenheiros da CEF não subscreveram com a Equipe o Relatório. Cumpre esclarecer que a Equipe deste Tribunal contava sim. Ano 4. contudo. porém. Porém. Brasília-DF. inclusive. que o ex-Presidente do TRT demonstrava preocupação com os ‘contratos à ordem’. quer nos parecer que o Sr. O efeito mais imediato da falta de controle do TRT/SP sobre os aludidos contratos é que estes serviram de pretexto para as inconsistências observadas entre as medições físicas do edifício e a liberação antecipada de recursos. já com seus compromissos financeiros honrados por este Tribunal. foram no sentido de que tais contratos eram administrados diretamente pela Contratada. Assim. visto tratar-se de atribuição privativa do TCU. contratado posteriormente. Délvio Buffulin? Ora. Nicolau dos Santos Neto. 32. As justificativas do Presidente da Comissão da Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. Sr. em sendo o TRT o interessado (caso dos contratos à ordem). 2001 .’ Verifica-se.‘As previsões constantes dos relatórios até então apresentados. que os descumprimentos dos prazos de execução encontram-se diretamente relacionados à ausência de determinados materiais e equipamentos que foram adquiridos por V. como ressaltado. quando interessava à Contratada. sugerem. Alegação 86 Auditorias do TCU. sob a alegação de que a Equipe de Auditoria não tinha formação em engenharia e que os engenheiros da CEF não assinaram o Relatório. nos denominados ‘contratos à ordem’. Por outro lado.

28 (valores de abril/ 99).De acordo com o responsável. como bem ressaltou o já mencionado relatório do TCU (cf. quando. porque verificado que nenhum centavo. nenhuma vantagem. anexo à sua defesa no TC nº 001. 33. Ano 4.025/1998-8). conforme destaca em sua defesa: ‘AS MEDIÇÕES ELABORADAS (pelo engenheiro Gilberto Paixão) A PARTIR DE JULHO DE 1998 NÃO GERARAM PAGAMENTO À CONSTRUTORA. de conformidade com o relatado no item anterior.85% de juros. 33. na verdade. Alegação O responsável insurge-se contra o que considera acusação injusta de causador da liberação de R$ 13 milhões.088. deve ser afastada a alegação em apreço. Número 15.871. Brasília-DF. acabou por reduzir. Ao contrário. 4. nos autos da ação cautelar proposta pelo Ministério Público Federal. a partir de junho98. foi paga a parcela de R$ 13. sendo que nada foi pago pelo TRT à Construtora. do total de R$ 34.7 milhões à empresa. a cujo teor nos reportamos integralmente. não merece acolhida a argumentação. o valor acertado inicialmente entre as partes. Contrariando os interesses da Incal. Assim. Assevera que o documento anexado como n° 12 a sua defesa no TC n° 001. acordados a título de equilíbrio econômico-financeiro. a Equipe de Auditoria (sempre se referindo à Auditoria realizada em atendimento ao Acórdão nº 045/99 e que embasou a Decisão 469/99) constatou que as medições do engenheiro Paixão não causaram qualquer prejuízo ao erário. com lastro no Parecer Técnico do responsável. DADA A SUSPENSÃO DOS MESMOS DETERMINADA JUDICIALMENTE’. 34. 2001 87 . sustando o restante dos pagamentos previstos no aditivo firmado indevidamente entre as partes. alterando-se assim as condições já alinhadas entre a Construtora e o TRT/SP.054. apurou a Equipe que. elaborou precisas ‘planilhas de medição’ (reporta-se ao doc.1 Análise A redução de custos alardeada pelo responsável não trouxe implicações práticas no montante de prejuízos apurados no contrato em tela.1 Análise A maneira ambígua como o responsável invoca o relato da Equipe de Auditoria pode induzir ao falso entendimento da inexistência de pagamentos à Construtora baseados em suas medições.025/98-8 comprova ter sido sua sugestão acolhida. O que efetivamente evitou que o rombo fosse maior foi a medida liminar concedida pela Justiça Federal em São Paulo. correspondente a f.207. Auditorias do TCU. Desta forma. pela variação da TBF. com seu parecer técnico. Alegação Argumenta que a Justiça Criminal já se manifestou e afastou a acusação contra ele. Ademais. 611/612. haja vista que. evitou que o TRT se comprometesse a pagar mais R$ 3. Decisão liminar da Justiça Federal suspendeu os pagamentos seguintes. sugerindo a substituição da taxa de 3.11. p. o que não é verdade. tão logo fora contratado. 496 e 497 do TC nº 700. que entendia mais adequada à reposição. nenhum favor. 32.115/1996-0). não aceitamos a assertiva de que tenha elaborado precisas planilhas de medição. Enfatiza que.

não aceitaria o encargo de fiscalizar o restante da execução da obra. Acrescenta.025/ 1998-8 (doc. Número 15.06. se não houvesse tal documento. nota-se que a denúncia. aos documentos 4 e 5 (este último contendo o parecer técnico). 34. ressentiu a denúncia da falta de descrição fática precisa do tipo penal eventualmente praticado. Diz-se chocado e estarrecido com a afirmativa dos auditores de que não fizera uma medição detalhada de todos os serviços executados e a executar. recebido do TRT. foi ela rechaçada. sendo que todas as medições visadas por ele teriam sido calcadas nos valores e números contidos no citado ‘calhamaço’. 25% a ser pintado. permitindo ao acusado o conhecimento preciso da acusação e o exercício da ampla defesa. no tocante ao Sr. a acolhida da denúncia criminal não constitui condição sine qua non para que haja responsabilização na esfera administrativa. em Brasília.07.98 e 15. oferecida denúncia pelo Ministério Público junto à 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Rechaça a imputação de responsabilidade pelo prejuízo de R$ 13 milhões ao Erário. se constasse do documento que faltava no pavimento do bloco A. porque não existiria o tal ‘calhamaço de 500 páginas’ referido por ocasião de seu depoimento na CPI do Judiciário.teria sido recebida. a titulo de exemplo. para comprovação. sejam os responsáveis solidários impelidos a ressarcir os cofres públicos dos danos causados. 35.ainda que não seja esse alguém o culpado . serviria de base e garantia para o exercício de fiscalização e respaldo das medições dos serviços executados. do 88 Auditorias do TCU.025/1998-8. Por sua vez. anexos ao TC nº 001. parecer esse que integra o documento ‘Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico’. no âmbito deste Tribunal. nesse particular. Reporta-se. de competência desta Corte de Contas. em 17. Argúi que esse documento. No entanto. 2001 . muito ao contrário. consoante referido precedentemente. Alegação O responsável sustenta que as medições da obra se deram todas de forma absolutamente corretas. O responsável pondera que. a demonstrar os elementos e circunstâncias típicas. se houve fato típico.98. Gilberto Morand Paixão. incriminar alguém . tanto que. Ano 4. sob a argüição de que ‘só mesmo o interesse de se atribuir a várias pessoas responsabilidades. com o propósito de. 3).1 Análise Do teor da Decisão Judicial invocada (f. cujos percentuais foram verificados item a item. apuradas as transgressões. impõe-se que. solicitado desde a primeira entrevista com o Dr. face o princípio da independência dos Poderes.para se justificar o entendimento. esse último documento é parte integrante das escrituras de retificação e ratificação lavradas em cartório. 142/143 do anexo I). respectivamente. Brasília-DF. Prisco da Cunha. conforme assinala o referido decisum. ia-se até o local para verificar se realmente faltavam ou não os 25%. Nada impede. Invoca como prova da existência de tal documento o fato de constar anexo à sua defesa inserida no TC nº 001. ao final. Alega que dito ‘calhamaço de 500 páginas’ é parte integrante do ‘Parecer Técnico’ elaborado por ele. foi rejeitada pois.

De acordo com o responsável. liberada na assinatura da escritura de rerratificação do reequilíbrio econômico. pelo qual o TRT pagaria determinada quantia à construtora. Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico do Contrato de Aquisição do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo (ressalta que foram juntados à defesa no TC nº 001. está incluído o valor de R$ 2. Acrescenta que a carta de encaminhamento do respectivo Parecer Técnico demonstra que foi inegavelmente técnico. tendo levado em consideração os documentos então colocados a sua disposição para análise. Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. dizer que. entre muitos outros danos alegados.nem poderia.. para se compreender a culpa que se quer atribuir ao suplicante. a saber: considerações sobre a proposta da Incal S/A para o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato 01/92. Ao contrário. 2001 89 . por pouquíssimo tempo. não se pode olvidar que não assinou o aditivo. Apenas entendeu. o responsável repisa inúmeras vezes que no relatório da Equipe de Inspeção deste Tribunal coloca-se a liberação dos R$ 13 milhões como resultante de seu parecer. do entendimento do próprio TST e da análise técnica da obra. quando prorrogado o prazo de conclusão da obra para abril de 1999.8 milhões referente à última parcela do ‘habite-se’ do contrato firmado em 1992. como quer fazer a inspeção dos auditores. pois quando convidado para exercer o cargo de fiscal da obra já estava convencionada entre as partes a celebração do aditivo pelo qual se faria o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato original. por órgãos oficiais e pela imprensa. Ano 4. até então retida. pelos prejuízos que sofrera pelo atraso de pagamento de faturas.aludido relatório.que se pagasse à Construtora. Número 15. enfatizou que nenhuma vantagem obteve pelo fato de ter sido. não participou de sua elaboração. Aduz ainda: ‘já havia sido inclusive minutada a versão final dos fundamentos para assinatura do pacto.’ Registra ainda que.) não se pode. não ordenou . não tendo qualquer responsabilidade também nesta questão. constatação do estágio atual das obras. diante de todo um respaldo jurídico. engenheiro do prédio do TRT. após 45 anos de desempenho na função de fiscal de obras de muito maior valor e expressão Auditorias do TCU. Em outras palavras e mais claras: só mesmo o interesse em arrumarem um ‘bode expiatório’. Em suma. não compareceu ao ato de assinatura de escritura. o TRT liberou o que já havia combinado antes com a INCAL. ser viável o reequilíbrio econômico para a conclusão do empreendimento. conclusão e os seguintes anexos: 1. x ou y.. 2. por causa do parecer do suplicante. a fim de recompensá-la. (. o que no dizer dele não é verdade. de forma injusta e lamentável. Absolutamente não!’. vendo seu conceito profissional ser denegrido. referese a ‘pessoa sobre quem se fazem recair as culpas alheias ou a quem são imputados todos os reveses’. Em suas observações finais.025/1998-8 como documento de nº 10). na parcela de R$ 13 milhões. Brasília-DF. de imediato. ao longo de todo o contrato. porque não tinha esse poder . passou a partir de então a viver um pesadelo. que na singela lição do Dicionário Aurélio.

Ainda de conformidade com o relatado pela Equipe de Inspeção deste Tribunal. com isso. conforme pode ser facilmente atestado e comprovado em todos os locais onde trabalhou. Entrementes. portanto. o que permitiria determinar. sob a alegação de já estar anexado ao TC nº 001. beneficiando-se. Brasília-DF. encontra-se o citado ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum da Cidade de São Paulo’ que constituiria o calhamaço. e. tornada insubsistente. conforme reconhece o TRT no Procedimento Administrativo TRT/GP 04/98 (Vol. 90 Auditorias do TCU. 195/202 do Anexo IV). procurando-se manchar sua honra. seria elaborar um novo orçamento geral da obra. produzido pela Incal Incorporações S.025/ 98-8. Dessarte. não juntado na presente defesa. vez que. A opção. de ter causado dano ao erário. os orçamentos e outros documentos da lavra da Contratada estavam eivados de vícios. como de início aventado pela equipe. seu valor total. com precisão. tanto nas reuniões como nas visitas realizadas na obra. XV do TC nº 001. o qual teria embasado seu Parecer. deve ser. Número 15. seu caráter. Isto porque. sendo acusado de ser partícipe. o Parecer foi elaborado tendo por sustentáculo a documentação fornecida pela Comissão da Construção do Fórum Trabalhista da 1ª Instância da Cidade de São Paulo. bem como as informações prestadas pelos técnicos das partes envolvidas. quando a mesma demonstra possuir incoerências inexplicáveis. mas sim. • Descritivo Geral. Entre os documentos relacionados. disponibilizado pelo TRT/SP. Infere-se daí que toda a base de argumentação do responsável é respaldada no documento supra.025/1998-8 e inserido às f. Foram produzidos sob premissas incorretas. • Cronograma Financeiro da Obra.025/1998-8. observa-se que o aludido ‘calhamaço’. desde logo. sua probidade e correção com que sempre exerceu a profissão. 211/213 do Anexo IV deste Processo). 196 (Anexo IV). • Descritivo dos Serviços a serem executados. por ocasião de sua contratação como fiscal da obra. não pode levar a um resultado correto. não foi produzido por ele. Da leitura do Parecer Técnico (constante do TC nº 001.025/1998-8. consoante f. 35. naquele TC: ‘Utilizar a planilha de percentuais financeiros fornecida pela Incal.do que a do TRT/SP. como demonstrado à saciedade no TC nº 001.A. 2001 . Ano 4. bem como. o real estágio (em termos percentuais) em que ela se encontra na presente data. ora juntado por cópia às f. ao lado de pessoas com as quais nenhuma relação tem. não esclarece em que exato sentido esse documento se prestaria a elidir a ressalva apontada.1 Análise O responsável restringe-se a dizer que existe o tal documento (calhamaço). • Relação dos Serviços e Posição Física da Obra. • Cronograma Físico da Obra. composto de: • Distribuição dos Blocos.

de pleno direito. sendo revisado e complementado onde necessário. contida na alínea ‘f’ do Acórdão 045/99. considerando a ocorrência relatada no subitem 4. da citada Lei. inciso III. na forma da legislação em vigor. com aplicação de multa ao mesmo responsável. inciso I. no entanto. em conclusão. que não se dispõe de elementos que possam servir de base à elaboração de um orçamento completo. desde logo. Esse levantamento permitiu identificar o valor preciso da edificação no estado em que se encontra. 165. 28. de forma a permitir a adequada instalação das Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo.1 da instrução de f. até a data do recolhimento. propondo: I ) sejam julgadas irregulares as contas do Sr.1 deste. deva ser rejeitada a totalidade das alegações ora produzidas. perante este Tribunal.443/92. conforme mencionado no item 4. inciso II. com base nos arts. 2001 91 . nos termos dos arts. alínea ‘b’. considerando a determinação do Plenário dessa Corte de Contas. nos termos do art.Ocorre. parágrafo único. Rubens Tavares Aidar. deve ser mantida a ressalva. o contrato TRT-Incal. a cobrança judicial da dívida a que se refere o item anterior. consubstanciadas nos itens supra. inciso I. VI) Proposta de encaminhamento Diante do exposto. 305/308 e 478/482 e os pareceres do douto Ministério Público (f. c/c o art. o real projeto executivo do Fórum Trabalhista. Número 15. submetemos os autos à consideração superior. que. que deve considerar o máximo aproveitamento do já executado. Brasília-DF. calculados a partir do dia seguinte ao término do prazo ora estabelecido. entendemos. Na realidade. alínea ‘a’. caso não atendida a notificação. finalmente. e 23.5 descrevem a metodologia utilizada para definição do valor. 1 º. alínea ‘a’. O item 6. que não está completo e não atende às necessidades do TRT.443/92. do Regimento Interno. a saber: o anteprojeto da época da contratação. o projeto executivo da Incal. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo Sr. o recolhimento da referida quantia aos cofres do Tesouro Nacional.1 a 6. e. e considerando o discorrido nas instruções de f. existem 3 objetos de análise. atualizada monetariamente e acrescida de juros de mora. além de insuficiente para uma orçamentação precisa. ainda a ser elaborado. para que prove. 305/308. 58. no sentido de tornar nulo. 36. Gilberto Morand Paixão Considerando que as argüições aduzidas pelo responsável. inciso III. 2) seja autorizada. Ano 4. Constatada a inviabilidade de se obter um orçamento confiável da obra completa e. da Lei n º 8. 311/312 e 484/485). não vinha sendo seguido pela contratada. e 19. Auditorias do TCU. não foram suficientes para isentá-lo da responsabilidade atribuída no tocante à execução das obras das Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo. 16. da Lei n º 8. inciso III. a contar da notificação. fixando-lhe o prazo de quinze dias. optou a Equipe de Inspeção por realizar levantamento in loco de tudo o que está executado até o momento.’ Nesse sentido.

de funções gratificadas instituídas por atos administrativos. Gilberto Morand Paixão. da Lei nº 8. alínea ‘a’. 18 e 23. nos termos dos arts. Ano 4. atualizado monetariamente e acrescido dos juros de mora devidos a contar de 01/05/1999. do Regimento Interno/TCU: a) Srs. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). e as empresas Incal Incorporações S/A e Grupo OK Construções e Incorporações S/A. Luiz Estevão de Oliveira Neto. nos termos do art. Brasília-DF. dispensando-se a etapa processual de cientificação da rejeição das alegações de defesa. quitação. inciso IV. condenando-os solidariamente ao pagamento das importâncias especificadas. 165. a contar da ciência. duzentos e sete mil. o prazo máximo de 180 dias. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz e do Grupo OK Construções e Incorporações S/A.443/92. caso não atendida a notificação. para os casos de emergência ou calamidade pública. inciso I. Nicolau dos Santos Neto. pelo valor de R$ 13. e fixando-lhes o prazo de quinze dias. Délvio Buffulin e Antônio Carlos da Gama e Silva. 23. para que comprovem. desde logo.3) sejam julgadas regulares com ressalva as contas dos responsáveis arrolados à f. 6) seja determinada ao TRT/2ª Região/SP. concedendo-lhes. inciso II. 5) seja autorizada.666/93. da Lei n º 8. 4) sejam considerados revéis os Srs. quatrocentos e noventa e um mil. tornar nula a criação. atualizado monetariamente e acrescido dos juros de mora devidos a contar de 01/05/1999.054. 28. 92 Auditorias do TCU. 6 º da Lei n º 1. a adoção das seguintes medidas: a) no prazo de quinze dias. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos). na pessoa do seu atual Presidente. 23 dos autos.443/92. da citada Lei c/c o art. alínea ‘a’. Nicolau dos Santos Neto e Antônio Carlos da Gama e Silva. a cobrança judicial da dívida a que se refere o item anterior. e rejeitadas as alegações de defesa dos Srs. 2001 . calculadas a partir da data discriminada até a efetiva quitação do débito. representada pelos Srs. atualizadas monetariamente e acrescidas dos juros de mora. nos termos do art. previstos no art. o recolhimento das referidas quantias aos cofres do Tesouro Nacional. Número 15. por absoluta falta de amparo legal.081/50 e o correspondente artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias.491. d) não mais proceda à utilização de créditos recebidos mediante provisão em despesa pertinente a programa de trabalho diverso daquele relativo ao da unidade que efetuou o provisionamento. a partir da vigência da atual Constituição Federal. c) atentar para o disposto no art. por conseguinte. perante o Tribunal. da Incal Incorporações S/A. representado pelo Sr. 3º da decisão Normativa/TCU nº 35/2000. pelo valor de R$ 169. b) observar. inciso II. inciso II.951. consoante o art. 24.207. por constituir desvio de finalidade na aplicação dos recursos orçamentários. quando da necessidade de aquisição de veículos para uso em serviço.15 (cento e sessenta e nove milhões. da Lei n º 8. 1 º.28 (treze milhões. inciso III. b) Sr. 16. Délvio Buffulin e Gilberto Morand Paixão. inciso III.

Alegações de defesa do Sr. relativos à concessão da vantagem constante do art. 01/38) 17. principal). f. ao Ministério Público da União e ao Congresso Nacional. Número 15.f. adotada nesta TCE. Ciente. 20. foi procedida por meio do Edital nº 10.” 39) Complementarmente.2000. 05/ 39). Nicolau apresentou alegações de defesa em duas outras oportunidades. 184. mister destacar que o Sr.05. 1059/1117): “II . 21. bem como do Relatório e Voto que o acompanharem. e 9) seja remetida cópia do Acórdão a ser proferido. arrimada no art. Tal maneira de chamamento. a fim de assegurar-lhe o direito de defesa. a argumentação produzida pelos interessados e o exame de sua pertinência promovido por Analistas no âmbito da Secretaria de Controle Externo no Estado de São Paulo (volume principal-III. 111 da Constituição Federal.025/1998-8. Em que pese sua omissão. uma única peça (vol. Nicolau dos Santos Neto (vol.115/ 1996-0. consoante atestam os recibos de 07.99 (f. Tais justificativas serão examinadas.06. tempestivamente. determinada pela Decisão Plenária nº 591/2000. f.7) seja determinada à Secretaria do Tesouro Nacional a adoção de medidas no sentido de impossibilitar a transferência de recursos mediante provisão de um Tribunal Judiciário para outro. o responsável apresentou. respectivamente mediante os Ofícios Secex/SP nº 278/99 e 281/99. os documentos de f. deveu-se à fuga empreendida pelo responsável. que foi exaustivamente analisada pela Secretaria de Recursos. 14. cabe ressaltar que a citação do Sr. 22 . Na primeira ocasião. para todos os efeitos. conforme constatado no âmbito dos Tribunais que integram a Justiça do Trabalho. inciso III. inc. manifestou-se quando notificado e citado. veiculando matéria de conteúdo de recurso contra o citado decisum e de alegações de defesa ao expediente citatório. principal). Sr. sem prévia autorização legislativa. 1º da Resolução TCU nº 08/93. 05/39. portanto. Não atendendo à citação. da Lei n º 1. publicado no DOU de 21. no processo TC nº 001.08. consubstanciada no TC nº 700. conforme amplamente noticiado nos veículos de comunicação. por constituir infração ao art. Ministro Adylson Auditorias do TCU. em 22. 8) sejam encaminhados à 2ª SECEX/TCU. revisão do entendimento firmado por este Tribunal de Contas da União. 552 e 556/557 do vol. Brasília-DF. Nicolau dos Santos Neto. contemplando. configurou-se naqueles autos sua revelia. 14 . 18. 194 e 201/244. pelo Ministério Público junto ao TCU e pelo Gabinete do Exmo. 2001 93 . de forma a ampliar-lhe as oportunidades de defesa.2000. passo a reproduzir a instrução advinda das citações resultantes da Decisão nº 469/2000-Plenário. 568/570 do vol.99. de 25. Observando o procedimento mais favorável ao interessado. igualmente. em que fora instado a fazê-lo. de 16. vol. para análise e. processou-se como recurso a peça apresentada.f. Ano 4.711/52 aos Srs. mediante cópia. Juízes Classistas.08. se for o caso. 19. VI c/c o art. 167.06. Inicialmente.99 (f. em virtude do Acórdão Plenário nº 045/99.

Ciente. principal). no que diz respeito ao Sr. em 09. de 09. tornou insubsistente a citação anteriormente formulada. principal). 94 Auditorias do TCU. 585 e 659/660 do processo principal). manifestou-se quando citado. por insubsistente.99. para. referido no item 4). que alterou os valores anteriormente apurados e incluiu outro responsável (cf. considerando que já contém o resumo das alegações prestadas e respectiva análise. 25. 571a/571b do vol. Nesta oportunidade. em conclusão.09. representantes da Incal Incorporações S/A (f. Desse modo. que.99 (f. entre outras medidas. 24. bem como a correspondente documentação juntada. no outro. constituem os volumes 40 a 43. 27. por meio do Ofício Secex/SP nº 489/99.05. como atesta o recibo às f. de 09. Plenário editou a Decisão nº 469/99. de 25. tornando desnecessária a adução de defesa em relação ao Acórdão nº 045/99. Ano 4.99 (f.08. de 29. em face disto. suas alegações de defesa (volume 22 do presente). cujos argumentos foram completamente rejeitados por este TCU. enquanto decorria o lapso temporal correspondente às prorrogações de prazo para apresentação de defesa (f. concluir pela rejeição das alegações de defesa aduzidas. diante de nova inspeção realizada no TRT/2ª Região. Nicolau dos Santos Neto deve ser responsabilizado solidariamente pelos prejuízos ao Erário na condução do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. o E. o Sr. uma após a outra. repeliu-se. Na segunda ocasião. o mesmo argumento é chamado ‘Segunda Preliminar’. principal. em cumprimento à Decisão Plenária nº 469/99. 664/665 do vol. principal) e nº 488. 22.99 (f. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo Sr. reportamonos integralmente ao Relatório e Voto que fundamentam o Acórdão Plenário nº 298/2000. 664/665 do vol. 23. portanto. Da análise. As alegações de defesa da Incal Incorporações S/A. III .08. cabendo. 2001 . a convicção no sentido de que o Sr. relativa ao acórdão nº 045/99-Plenário e à Decisão nº 469/99-Plenário. Nicolau dos Santos Neto Em resumo. Plenário. as justificativas oferecidas. Isto porque.00.Motta. por meio de seus representantes legais. Número 15. Nicolau dos Santos Neto. 01/59 do volume 40) 26. ser refutada a totalidade das alegações de defesa aduzidas. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.11. Permanece. Nicolau protocolou tempestivamente. pois não apresentam novos elementos capazes de modificar o mérito dos referidos decisum. 662/663 do vol. respectivamente comunicados por meio dos Ofícios Secex/SP nº 283. as alegações ora examinadas. decorrentes das citações contidas no Acórdão nº 045/99-Plenário e Decisão nº 469/99-Plenário. verifica-se que são rigorosamente iguais àquelas oferecidas em atendimento ao Acórdão Plenário nº 45/99 (itens 20 e 21 retro).Alegações de defesa dos Srs. Cabe esclarecer que a Incal apresentou uma única peça. Apenas diferem entre si quanto à ordenação das duas preliminares invocadas: num processo determinado argumento é nominado ‘Primeira Preliminar’. não merecem acolhida. ante a igualdade das justificativas argüidas. Brasília-DF. culminando na prolação do Acórdão nº 298/2000.

afirmam. no uso de sua autonomia administrativa. Número 15. 2001 95 . por força de medida liminar deferida pelo Exmo. e que. o E. Alegação Sustentam os responsáveis que. hipótese corriqueira no mundo dos negócios privados e freqüente no campo das ações administrativas. ao passo que o pertinente exame das alegações foi transposto para o volume 39. Dessa forma. apresentou alegações de defesa nos autos do TC nº 700. constituindo o volume 32 (f. Assim. caracterizado pela participação da Administração com supremacia de poder.1 Análise Em 20/09/2000. 164/182. 29. Alegação Preliminarmente. Ministro Nelson Jobim. em conformidade com o propugnado no edital. sem a correspondente contraprestação. 29. 01/15). indeferiu o aludido Mandado de Segurança (Decisão publicada no Diário da Justiça de 27/09/2000). aquele órgão da Justiça do Trabalho. inconfundível com qualquer contrato de obras e serviços. Brasília-DF. alegam os responsáveis que os efeitos do Acórdão nº 045/ 1999-TCU-Plenário e da Decisão nº 469/1999-TCU-Plenário encontram-se provisoriamente suspensos. Tal circunstância tornou insubsistente a alegação a que se refere o item 29 supra. Plenário do STF. como de compra e venda. sob pena de violar o instrumento editalício e desrespeitar o contrato celebrado. 30. mas de firmar um negócio jurídico de compra e venda de coisa futura. Logo. as quais foram transpostas para o presente processo. Tecem ainda as seguintes considerações: a) não poderia o TCU declarar o ajuste em comento como contrato de obra pública. Ano 4. qual seja a de examinar a espécie sob o ângulo de quem examinasse licitação e contrato para a realização de obras. contrato de compromisso de compra e venda. não teria sido a de estipular típica empreitada de obra ou serviço. Outrossim. impetrado pela Incal Incorporações S/A junto ao Supremo Tribunal Federal. concluem. Sr. Sr. optou pela realização de certame licitatório. cujo vencedor seria convocado para assinar contrato de compra e venda do imóvel ou. as partes estariam em igualdade de condições. às f. no contrato de compra de imóvel. Auditorias do TCU. c) a manifesta vontade das partes.28. acolhendo voto revisor do Exmo.560-8. se fosse o caso. em regime de empreitada. concluem que esta Secretaria partiu de uma premissa falsa. b) tal diferenciação é de suma importância. antes mesmo da escritura. uma vez que o contrato de obra pública é espécie do gênero contrato administrativo. a título de entrada. partindo desse equívoco inicial. embora o TRT-SP não estivesse obrigado a licitar o imóvel. com o voto divergente apenas do Relator. Ministro Marco Aurélio no Mandado de Segurança nº 23.115/96-0. sob regência do direito privado. enquanto que. as impugnações suscitadas se tornam igualmente contaminadas de erro. não haveria dúvida alguma quanto à qualificação jurídica do contrato. não teria havido pagamento antecipado. em cumprimento à Decisão Plenária nº 591/2000.

conforme demonstrado no excerto a seguir: ‘(.) b) Voto condutor da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário: ‘(.pois tratar-se-ia. 1094 do Código Civil. sustentando que tal assertiva significaria a invasão da independência do TRT/SP. por incidirem sobre contrato de compra e venda. 31. pois faltaria a esta Corte de Contas competência para determinar àquele órgão como proceder. convém tecer alguns comentários a respeito. na espécie. Do mesmo modo. não restando qualquer dúvida de que se trata de contrato de obra.1 Análise Quer nos parecer que os prejuízos ensejados pela forma de contratação adotada pelo TRT/SP encarregaram-se de comprovar a correção do entendimento da equipe de auditoria.. Brasília-DF. Sr.1 Análise A natureza jurídica do contrato objeto do certame licitatório em tela foi exaustivamente analisada no Relatório e Voto condutores da Decisão nº 231/96TCU-Plenário.) Assim. da lavra do então Exmo. caem por terra as alegações apresentadas pelos responsáveis. de arras confirmatórias. do TCU. registre-se que a mesma já foi analisada no Voto condutor da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário.. regido pelo direito comum. A seu viso. portanto. fazemos as seguintes transcrições. cujo entendimento foi ratificado nos Acórdãos nº 045/1999 e 298/ 2000-TCU-Plenário. Alegação Os responsáveis criticam o entendimento da equipe auditora de que deveriam ter sido realizados dois certames distintos... inferem que..) 92. 31. uma vez que estas se fundamentam na hipótese de que estar-se-ia diante de contrato de compra e venda. No que diz respeito à discricionariedade da Administração. 30. Ministro-Relator Paulo Affonso Martins de Oliveira.. Número 15. que se configura. na verdade. Restou assente. não acolhemos as alegações apresentadas no item 30 supra. prévia ou posterior. in verbis: a) Relatório condutor da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário: ‘(. a decisão de comprar o imóvel e de como fazê-lo não estaria sujeita à aprovação. regido pelo direito privado. Ano 4. instituto jurídico previsto no art. exaurindo-se qualquer dúvida sobre a questão. que todas as etapas 96 Auditorias do TCU. Pelo exposto. contrato de obra. um para a aquisição do terreno e outro para a realização das obras propriamente ditas. tendo em vista que a matéria foi levantada nos pareceres dos doutos juristas quando afirmaram. A título elucidativo. 2001 . seriam juridicamente inconsistentes as propostas da Secex/SP no sentido da devolução aos cofres públicos da importância paga a título de sinal e da anulação da licitação e do contrato. com veemência. Quanto à questão da discricionariedade da Administração.

quando todas as suas características apontam na direção de uma ‘obra de engenharia’.. principal). haja vista estarem sendo agora questionados pelos responsáveis. a competência desta Corte de Contas para fiscalizar atos e contratos está claramente estampada na Constituição Federal. 2001 97 . inclusive: assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. e sustar. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe. Constatou-se preliminarmente naqueles autos ser o custo de aquisição do terreno muito inferior ao da obra (correspondente a apenas 3% do valor total do contrato). Entendeu o então Assessor da Saudi que o fato de a parcela mais expressiva das despesas referirem-se às obras. não é Auditorias do TCU. que evidentemente não se encontra em discussão nessa oportunidade. impessoalidade. a execução do ato impugnado. submetida a procedimento licitatório que. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade.’ Por outro lado. Número 15. 32. não há liberdade nem vontade pessoal. o saudoso Hely Lopes Meirelles escreveu: ‘Na Administração Pública. moralidade. Alegação Os responsáveis criticam a afirmativa da SAUDI de que o fato de o edital de licitação ter batizado o objeto licitado por ‘aquisição de imóvel’. incisos VIII e IX). na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. qualificar o contrato como de empreitada de obra. Dessa forma. com todas as suas características e simplificações.731/92-0 (às f. Ocorre que a própria Constituição preceitua em seu art. sob pena de se violar as condições do edital.’ Sobre o assunto. em que pese essa questão ter sido debatida no TC nº 700. 37. 93. na sua Lei Orgânica e em seu Regimento Interno. A lei para o particular significa poder fazer assim. comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal (Constituição Federal. A Administração Pública direta. uma vez realizado.1 Análise Reportamo-nos ao relatado no item 30. ‘caput’. art. no qual ficou patente não restar qualquer dúvida sobre a natureza jurídica do contrato objeto do certame licitatório em tela. por parte da contratante. conduziam à ilação de que. Asseveram ainda que não poderia esta Corte de Contas. tratando-se evidentemente de contrato de obras públicas. 588 do vol. se verificada ilegalidade. tomada por um órgão do Poder Judiciário. só poderia resultar num contrato de compra e venda. publicidade.. Brasília-DF. dos Estados. não merece acolhida a alegação contida nesse item.1. principalmente a escolha de sua modalidade. Ademais. não autoriza o enquadramento. Sustentam que não se trata de enquadramento. Ano 4. do conseqüente contrato sob a espécie ‘compra e venda’. o seguinte: ‘Art. indireta ou fundacional. nesse caso. 70. 32. se não atendido. 37. compete trazer à colação os argumentos ali aduzidos. cabendo-lhe. de qualquer dos Poderes da União. sob o argumento de ser o valor do terreno inferior ao da obra.. mas de decisão legítima.dos procedimentos licitatórios ficavam adstritas ao Poder Discricionário do Administrador. para o administrador público significa deve fazer assim.

como pretender vender à União um imóvel cujo terreno onde seria erigido ainda não existia? Incabível.08. sob pena de se abrir um precedente que aniquilaria de vez com as licitações. do excerto acima. A despeito de o enquadramento legal que pretendem os responsáveis dar ao contrato não ter sido aceito por este Tribunal. Depois. (Dos Contratos e das Declarações Unilaterais de Vontade. segundo preleciona Silvio Rodrigues: ‘Na compra e venda. posteriormente ao início dos 98 Auditorias do TCU. que não poderia subsistir a tese defendida pelos responsáveis. não restava à época configurada tal premissa. figura esta totalmente estranha à Administração Pública. porém. tal tese não vingaria. Tal posição constitui. falar-se em ‘titularidade de domínio’. o promitente vendedor apenas promete que. devesse ser aplicado o Estatuto das Licitações e Contratos em vigor. ou seja. p. 1997. Saraiva. venderá o imóvel prometido. Com efeito. excelente garantia para o vendedor’. 166/171 do TC 700. 2001 . Assessor: Corroborando esse entendimento e. Contudo. se 97% do valor do contrato referia-se aos projetos e obras. conforme apontado pelo Equipe de Inspeção (f. mormente em se considerando que seria. o vendedor se obriga a transferir o domínio e este efetivamente se transfere. obviamente. no que tangia à construção de obras públicas. ao contrário do que afirmam os defensores da Empresa. no futuro. no caso em tela. quem dirá o imóvel. concluindo essa Corte de Contas nos julgados em que se analisou a natureza do contrato. Acrescenta o Sr. com a Administração Pública. e se receber o preço. pois. Os entes públicos poderiam. Ano 4. se fosse considerada a possibilidade dessa contratação. 16. Ora. tenha sido negligenciada quando da fase de habilitação. vol. é de supor a preexistência de um titular de domínio do imóvel prometido. sendo que a empresa contratada não detinha o propriedade do terreno à época da licitação. Não é demais lembrar que a aquisição do terreno ocorreu apenas em 19. é o que se observa no contrato firmado entre o TRT/2ª Região e Incal Incorporações S/A: ‘uma excelente garantia para o vendedor’. segundo o qual a construção é acessório do terreno. como o foi no presente caso. Todavia. Primeiramente. custeada tal ‘coisa futura’ com recursos públicos.aplicável o art. estas constituíam o principal e não o acessório.92 (f. com a transcrição do título no Registro de Imóveis. dever-se-ia aplicar o Estatuto então vigente. 282). 3. não havia sequer o terreno.231/1992-0). Assim. ainda assim. referente à necessidade de prévia regularização do imóvel. 43 do Código Civil. nos moldes do direito privado. como se afirmou. na mera promessa bilateral de venda e compra. apenas ad argumentandum tantum. pois. notadamente a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. De modo que continua titular do domínio. essa questão já foi enfrentada. em tese. 160). contratar aquisição de ‘coisa para entrega futura’. só para o vendedor. afastando-se as regras do direito civil. é sintomático o fato de que a regra constante do item 1.2 do Edital. À vista da materialidade das obras. Concluiu. portanto. o qual será de futuro transferido. Brasília-DF. Número 15. Afinal.

Número 15. Alegação Insistem os responsáveis que estar-se-ia diante de um contrato de compra e venda. não havendo necessidade de medições prévias. Pelo exposto. Outrossim.92). a obrigação se cumpriria pela obediência às datas previstas para pagamento. acerca da vedação de pagamentos antecipados por parte da Administração Pública. com recursos do Erário. Acrescem ainda os responsáveis: O que é grave aqui é a omissão da referência.1. que só mesmo estando presente a má-fé para se aceitar uma anomalia dessa natureza.pagamentos pelo TRT/SP (a partir de 10.731/1992-0. para ser utilizada durante mais de um ano. existente nesse laudo. um particular qualquer que figurasse como parte jamais entregaria antecipadamente à contratada a fabulosa quantia de US$ 22 milhões. da forma que melhor lhe aprouvesse. não havendo qualquer prova nesse sentido. conforme restou discutido à exaustão no TC 700. a preço fechado. 34. nos moldes do direito civil. de que essa diferença é aceitável. na espécie. Alegação Remontando ao parecer da Saudi. não procedem as alegações dos responsáveis. Pelo exposto. pois. um contrato de compra e venda. devido aos fatos de que se tratava de contrato de longo prazo. à título de entrada. reportamo-nos às considerações constantes do item 38.04. no sentido de que se configura um contrato de obras públicas. caso realmente se tratasse de um contrato de direito civil. como pretende a Incal Incorporações S/A . Isso sem contar que a empresa constituída especialmente (e indevidamente) . uma vez que fundamentada na hipótese de que se caracteriza. sem nenhuma contraprestação de serviços. deve-se considerar que a construção foi iniciada somente após decorrido mais de um ano do início dos pagamentos.09. Tal característica ‘peculiar’ evidentemente não se coaduna com a natureza do contrato de compromisso de venda. o preço ‘ficou cerca de 20% acima dos valores de mercado’. Outrossim. tendo sido pactuado entre as partes pagamentos parcelados. Ademais disso.1.1 Análise Novamente reportamo-nos ao item 30. Lembram que tal assunto surgiu quando a Caixa Econômica Federal emitiu laudo. como sucedeu no presente caso. de acordo como os elementos de comparação que adotara.92). não procede a alegação. e anteriormente à celebração da Escritura de Compromisso de Venda e Compra (datada de 14. Ano 4. numa época Auditorias do TCU. declarando que. sob a égide do direito administrativo. constante do TC nº 700. deve ser rejeitada a alegação do item 33. vale dizer. Assim. 33.Incal Incorporações S/A para a execução do contrato não tinha capacidade financeira para custear os elevados valores envolvidos no empreendimento. Conclui-se. de tal sorte que. haja vista o capital simbólico com o qual foi constituída. regido pelo direito comum. 2001 99 . 33. os responsáveis afirmam que a referência a um possível sobrefaturamento do preço do imóvel é mera alegação.731/92-0. Brasília-DF. no qual restou pacificada a discussão acerca da natureza jurídica do contrato em tela.

de tal sorte que tratar-seia de matéria vencida. não há como separar os fatos. Ao contrário do que afirmam.92 m2.500.de inflação muito alta. conforme se verifica a seguir: ‘Por outro lado foi apresentado pela INCAL uma pesquisa de empreendimentos de alto padrão e prédios inteligentes. obtendo-se o custo por metro quadrado de US$ 1. em face do princípio da ampla defesa.’ Dados extraídos do TC nº 700. é importante analisá-las. contrato de longo prazo. 34.3’. De ver também que os levantamentos desse Tribunal foram iniciados naquele período. Número 15. os responsáveis não contaram a história por inteiro. esse valor refere-se a prédios com todos os equipamentos de controle: padrão construtivo e localização superior ao do contratado.626.22). em 27. cujo valor de venda encontrase na ordem de US$ 1. de forma que. nada disso. TCU citou esse laudo apenas em parte.’ Estranhamente. o valor do contrato alcançava US$ 139. Ano 4. OBSERVAÇÕES FINAIS No item 5 chegamos a uma diferença de 20% a menos do valor contratado para o empreendimento. Sustentam ainda que esta Corte de Contas teria julgado legal o contrato em questão. por meio da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. como bem ressaltou o Sr. 2001 . 100 Auditorias do TCU. para uma área total de 85. Ou seja.1 Análise Não obstante as assertivas dos responsáveis referirem-se a questões já debatidas no TC nº 700. não menciona as palavras inflação. conforme declarado na proposta comercial da empresa contratada (f. que não se encontra agora em exame. Assessor da Saudi no processo citado: É de se notar que o valor do metro quadrado construído. consoante se verifica do trecho transcrito daquele parecer. É estranho que o E. diante da continuidade da execução das obras.94.796.22.12. fato que reitera as suspeitas sobre a prática de sobrepreço implícitas nos dados mencionados no subitem 3. fundamental na conclusão do parecer da Saudi.731/1992-0. 106). TCU justifique sua decisão em documento que diz exatamente o contrário do que essa decisão afirma (grifo do original). Primeiro porque contêm afirmações que não correspondem à realidade. são improcedentes as alegações dos responsáveis.92. no caso do contrato em tela (US$ 1.731/1992-0 indicam que. uma vez que fazem remissão aos fatos ali registrados. Omitiram outra observação do parecer técnico da CEF. Ou seja: essa diferença de preço foi justificada no próprio laudo da Caixa Econômica Federal e a decisão do E. o parecer técnico da CEF. Brasília-DF.02. ao contrário do edifício em questão cujo valor de venda não contempla a instalação desses equipamentos. omitindo a referência ao fato de que tal preço era aceitável.00 o m2 de área total.89. verbis: ‘13. pode ser justificado devido a variação do custo da construção ser maior que a variação do dolar.612. Quanto ao mérito. Tal variação. chega a ser maior que o valor de venda de empreendimentos de padrão mais elevado e dotados de todos os equipamentos que os fazem ‘inteligentes’. datado de 28. como ocorria na data do contrato. a preço fechado.11.225.626. de coisa julgada. porém.

Sr.ou. o Tribunal aceitou os procedimentos adotados pelo TRT/2ª Região até aquela data. A. uma vez que o laudo emitido pela CEF foi superado em razão de minuciosa inspeção posteriormente realizada por equipe de analistas lotados na Saudi. com vistas à avaliação técnica e de custo de reprodução da obra de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. às f. era o de não imputar novo ônus ao erário. tendo o seu relatório fornecido subsídios para a Decisão nº 469/99-TCU-Plenário. Nesse sentido. embora o TRT-2ª Região tenha pago à Incal Incorporações S. 35. Os argumentos do Exmo. a obra por ela construída tem o valor de apenas R$ 62.461. do seguinte teor: ‘14. Ministro-Relator Adylson Motta. Número 15. Brasília-DF. nesse montante. que fiz questão de transcrever. transcrevemos a seguir: ‘No que diz respeito à tese de que o sobrepreço de cerca de 20% calculado no parecer técnico do engenheiro da Caixa Econômico Federal estaria incorreto pela utilização. cai por terra diante dos novos elementos colhidos na última inspeção realizada pelo Tribunal nas obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo.1 da instrução transposta para o vol.461. Ministro Paulo Affonso deixaram indubitável que a intenção do Colegiado. Consoante se verifica da mencionada Decisão nº 231/96. por conseguinte. 165/174. Seseg e Secex/ SP.231/1992-0). naquele momento. ainda que correto. as alegações em tela.Não obstante as inconsistências nas alegações apresentadas.’ (grifou-se) Por sua vez. transcritas no item 9 do Relatório condutor do Acórdão nº 045/99-TCU-Plenário. que tratam minuciosamente da matéria. Alegação Asserem os responsáveis que não seriam aplicáveis as recomendações propostas pela Secex/SP (no TC nº 700. por meio do Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. pois tais recomendações Auditorias do TCU.’ Reportamo-nos ainda aos itens 18 e 18. de imóveis inadequados . mas também ficou claro que não estava o Tribunal chancelando como ‘regular’ qualquer procedimento até então adotado por aquele TRT. Sr.65. cujo Voto condutor.225. rejeitando. como parâmetro de comparação. cabe esclarecer que seu exame encontra-se prejudicado por manifesta perda de objeto. em um nível aceitável. da lavra do Exmo. a quantia de R$ 231. ao contrário do que alega o recorrente.60. que seria decorrente de uma hipotética anulação do contrato.176. apenas em caráter preliminar. A referida equipe avaliou o imóvel. o valor do terreno). a alegação da suposta violação da coisa julgada já foi exaustivamente analisada e rejeitada nos Relatórios e Votos condutores dos Acórdãos nº 045/99 e 298/2000-TCU-Plenário. em R$ 62.953. 39. Como exaustivamente demonstrado no voto condutor da Decisão nº 469/99-Plenário. Ano 4. Esta Corte de Contas ratificou tal entendimento quando da apreciação de Recurso de Reconsideração do Acórdão nº 045/99. bem assim dos fundamentos do Voto do Relator.60 (incluído. a preços de abril de 1999.225. com o auxílio de uma equipe de engenheiros da própria Caixa Econômica Federal. no estado em que se encontra. vale transcrever trecho do Relatório concernente ao Acórdão 045/99. 2001 101 .

seja determinado ao Órgão de Controle Interno do TRT que registre nas contas anuais esclarecimentos sobre a afetividade da adoção das medidas supra sugeridas.inclusão de cláusulas necessárias. no que diz respeito à transferência da propriedade do imóvel para o E. art. a SECEX-SP entendeu que deveriam ser adotadas as seguintes providências: ‘a .imediata transferência da propriedade do terreno no qual está sendo assentada a obra. Brasília-DF. pois.2 . em sendo considerados suficientes os dados do parecer técnico da CEF como indícios de lucro abusivo por parte da Contratada. na forma prevista no inciso I do art.300/86.previsão de garantias idôneas e suficientes ao adimplemento do contrato. não teriam obedecido à lei civil. afirmam que a Incal submeteu-se às recomendações a ela dirigidas. transcrito a seguir para melhor clareza. e também quanto ao desrespeito à licitação. Ao final de todo o exame.basearam-se na premissa errada de que se estava tratando de contrato de obra pública e não de compra e venda de imóveis. Acrescentam que são recomendações abusivas e violentas. c . 102 Auditorias do TCU. d .6 . inexistindo lei que permita ao TCU alterar a natureza jurídica do ato jurídico praticado. 5º. b . c/c alínea ‘a’.suspensão do pagamento de parcelas do preço até que o estágio físico da obra se equipare ao montante de recursos financeiros já liberados antecipadamente à favor da Contratada. b. 2001 .5 . 35. Nada obstante. 9º do Decreto-lei nº 2. em síntese. Número 15.supressão das cláusulas abusivas contrárias ao interesse da Administração. 55 e seus incisos do Estatuto atual. inciso II.2ª Região.3 . b.seja considerada ilegal a contratação da construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo na modalidade ‘aquisição de edifício a construir’ ao invés de obra pública de engenharia. seu objeto e a natureza do contrato de compra e venda daí resultante.seja substituída a ‘Escritura de Compromisso de Venda e Compra’ relativa à construção supracitada por contrato administrativo de empreitada por preço global. para o TRT . b. b. legítima e legalmente.2ª Região.4 .sejam auferidos os eventuais prejuízos causados ao Erário e revisto o preço inicial ajustado. foi extraído pelo Relator do TC nº 700. tendo em vista as seguintes alterações: b. TRT . consoante previsto no art.1 . Ano 4. sem prejuízo de imputação de responsabilidades aos agentes públicos causadores dos prejuízos.731/1992-0: ‘9. b.estabelecimento de cronograma físico-financeiro que vincule a liberação dos recursos financeiros ao cumprimento de etapas de execução física nas datas consignadas.1 Análise O item 9 mencionado. especialmente no que diz respeito à impossibilidade de um contratante exigir do outro o cumprimento de sua obrigação enquanto não cumprir a sua.

58 da Lei nº 8. Sr. 31 da IN/TCU nº 09/95. Presidente em exercício no período em questão. Dessarte.seja ouvido o Ministério Público junto a esta Corte de contas para que promova as medidas que entender necessárias.05. ao julgar o referido processo. com o sentido de ‘provisória’ ou ‘sujeita a exame posterior’. Ano 4. a acolhida daquelas determinações implicaria por termo ao regalo até então reinante naquela contratação. prevaleceria sobre a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário.96 (f. 720/741. a única providência adotada foi a transferência da propriedade ao TRT/SP efetuada por meio da ‘Escritura de Venda e Compra’ datada de 19. tendo em vista. o Tribunal Pleno decidiu. pelo que nos reportamos integralmente àquelas. Outrossim. no sentido de considerar regulares os procedimentos adotados pelo TRT-SP. imediatamente. os pagamentos antecipados persistiram. o registro feito pelo Relator no sentido de não haver encontrado indícios de improbidade administrativa nesses procedimentos.96. bem como o pronunciamento final de f.seja considerada atendida a exigência de audiência prévia de que trata o inciso III do art. no texto da referida Decisão. Quanto às demais. ainda.’ Na assentada de 08. e f . sem prejuízo de que seja aplicada a multa prevista nos incisos II e III do art. Brasília-DF. incluindo o respectivo terreno. no entanto. Sustentam. Alegação Afirmam os responsáveis que o Voto do então Exmo. Número 15. Plenário somente seria obedecida se de fato fossem efetuadas as medidas operacionais sugeridas pela equipe de inspeção. como bem disseram os responsáveis.666/93). o cronograma físico não foi compatibilizado com o financeiro. 36. rejeitando as alegações contidas nesse item. nem Auditorias do TCU.determinar ao Presidente do TRT-2ª Região a adoção de providências urgentes nos sentido de transferir. Já se disse nestes autos e tornamos a repisar que a determinação do E. 2001 103 . nem a Constituição Federal. As cláusulas abusivas permaneceram intocadas. não ocorreu. Assim.443/92 aos responsáveis. 126 do vol. principal). o que.1 acima. as obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. tendo em vista as extensas justificativas dos responsáveis anexas às f.2 .1 e 32. considerando as explanações contidas nos itens 30. bem como a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos (Lei nº 8. nada foi modificado. Senhores Membros da Comissão Especial de Licitação e ao Exmo. sobretudo. Nicolau dos Santos Neto. dentre outras medidas: 8.e . Sr.12. defendem que. 3 a 24 do Anexo I. Ministro Carlos Átila Alvares da Silva. Ao contrário. entendemos dispensáveis novas considerações. para o seu nome. transcritas acima. no tocante à natureza jurídica do contrato. Afinal. é compreensível que a empresa responsável rejeitasse com veemência as medidas saneadoras determinadas pelo TCU. que não poderia esta Corte de Contas interpretar a palavra ‘preliminarmente’.

1 da instrução de f. O Tribunal Pleno.1 Análise Inicialmente. das demolições necessárias. Brasília-DF.aceitar.1 .2. Por outro lado.2. o custo dos projetos de execução. com fundamento nos artigos 14. que. estes últimos da ordem de 98. como aliás está bem claro no item 11. exaurindo-se qualquer dúvida que pudesse restar sobre a questão.1). 165/174 do vol. considerava regulares os procedimentos adotados pelo TRT-SP. inciso IV. diante das razões expostas pelo Relator.15% das ações previstas. os procedimentos adotados até a presente data. o registro feito pelo Relator. pois. foi modificada a forma de aferir os prejuízos decorrentes das irregularidades nas obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. e 23.1 da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. constatou terem sido desenvolvidas apenas 64. e não de compra e venda. cumpre esclarecer que o Exmo. Sr. não prevaleceu o Voto do referido Ministro. tendo em vista. 37. sobretudo. contando com o auxílio de arquiteta do Fundo de Construção da Universidade de São Paulo – FUNDUSP.. Asserem que teriam sido cometidos dois erros: a) no percentual de 64.. que tratam da matéria.) 11. no sentido de não haver encontrado indícios de improbidade administrativa nesses procedimentos. pelo TRT-SP. o exato sentido da palavra ‘preliminarmente’ no texto daquela Decisão foi exaustivamente analisado no Voto condutor do Acórdão nº 045/1999TCU-Plenário.. 36.. ou seja.70%. admitem ou preconizam julgamentos preliminares. inciso III.15 % não estariam incluídos o valor do terreno. tendo em vista a fase conclusiva em que se encontram as obras do edifício sede das Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo. 39. DECIDE: 8. Dessarte. etc. 37.2 daquele decisum. in verbis: 8. Ministros com voto vencido no tocante ao item 8. do DL 2. Ano 4. reportamo-nos aos itens 18 e 18.1: (. em razão de minuciosa inspeção posteriormente realizada por equipe de analistas lotados na Saudi. Assim. Seseg e Secex/SP (referida no item 34. Passou-se então a orçar apenas o que estava executado na obra. cujo entendimento. contrariamente ao que afirmaram os responsáveis. diverso do pretendido pelos responsáveis.1 Análise Estas alegações encontram-se prejudicadas por manifesta perda de objeto. b) o parecer fundamentou-se na premissa de que se trataria de contrato de obra. (.. não aceitamos as alegações apresentadas no item 36. preliminarmente. Ministro Carlos Átila Alvares da Silva foi voto vencido no tocante ao item 8. Alegação Tecem críticas ao parecer da equipe de auditoria que. tendo esta Corte de Contas decidido de outro modo. Carlos Átila Álvares da Silva.) 11. denotando um descompasso entre os valores devidos e os valores pagos. Portanto.a Lei Orgânica do TCU ou seu Regimento interno.2. 2001 . foi ratificado no Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. Número 15. o valor do imóvel nas condições em que se encontrava.300/86. 104 Auditorias do TCU.

04% encontrada pela Falcão Bauer. Do exame da referida planilha. de fato. 2001 105 . em dez/98. permitindo determinar com precisão seu valor total. e superestimativa da taxa adotada para as leis sociais (198. sua planilha não oferecia dados confiáveis. Por ocasião das primeiras inspeções realizadas por este Tribunal. Por outro lado. porém. constataram-se inúmeras discrepâncias. inclusão incabível de despesas financeiras na composição do BDI.75%). Sobre o resultado obtido pela empresa. Assim. Apenas em 1998. com relação aos pesos atribuídos às atividades. tais como: grande número de itens orçados como ‘verba’.443/92. ante as distorções assinaladas. face a falta de elementos que pudessem servir de base à elaboração de um orçamento completo. Muito embora a PINI seja empresa tradicional no ramo. informa a PINI que não lhe foram disponibilizados todos os documentos necessários para a elaboração do orçamento completo da obra. Número 15. pelo menos no que se refere à definição do percentual da obra já executado. Conforme relatório da equipe de inspeção às f. a Incal apresentou uma planilha. Isto porque havia Auditorias do TCU. por exigência do Ministério Público Federal. fornecida pela construtora. 635/646 do vol. Brasília-DF.. nem o TRT/SP. Ano 4. ao partir de uma premissa incorreta. Também foi afastada tal opção. estudou-se a viabilidade de elaboração de um novo orçamento geral da obra. foram requisitados à Caixa Econômica Federal os serviços técnicos especializados de que trata o art. verbis: Portanto. incidência indevida de impostos (ISS) sobre a parcela correspondente aos materiais aplicados (quanto aos impostos utilizados na obtenção do BDI). bem como o real estágio físico naquela data. a mudança de critério para aferição do débito decorreu dos fatores a seguir sumarizados. o setor competente do TRT assinalou. tendo por objeto o levantamento dos serviços executados na construção do prédio do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da Cidade de São Paulo. Falcão Bauer. repasse indevido do imposto de renda ao contratante. tampouco a contratada forneciam planilha orçamentária. a equipe não poderia contar com o citado orçamento da PINI para efetuar a quantificação físico-financeira da obra. o TRT celebrou contrato com a empresa L.Para auxiliar neste mister. uma vez que tiveram por referencial o citado orçamento. até a data da paralisação dos serviços da obra em epígrafe. ficou comprometido o percentual financeiro total. Ressalte-se ainda que. Diante desses fatos. deve ficar desconsiderada a totalização de 75. visando determinar o percentual físico executado e a executar. como custo. usual em contratos de obra. principal. haja vista ter por base documentos fornecidos pela Incal. elaborada pela empresa PINI Sistemas Ltda. Importante ressaltar a absoluta confiabilidade do laudo quanto aos levantamentos de campo. não merecedor de credibilidade. 101 da Lei nº 8.A. como é. Desta forma. bem como um cronograma físico-financeiro elaborado a partir de tal planilha. as vistorias e medições supra restaram prejudicadas. impossibilitando o esclarecimento de todos os custos.

admitindo-se. por exemplo. que em tese atenderia às reais necessidades do TRT/SP.1 Análise Verifica-se que os argumentos apresentados não elidem a ocorrência do pagamento antecipado. 38 (do Decreto nº 93. somam-se às demais evidências dessa irregularidade. Não será permitido o pagamento antecipado de fornecimento de materiais. embora muito próximo do real estágio da construção. execução de obra. pois implica adaptações para fazer frente às novas tecnologias. com várias divergências em relação ao original.60. pelo contrário. portanto. ou prestação de serviço. convênio. as obras só teriam início com o pagamento integral da entrada (da ordem de R$ 34. 2001 . segundo a forma de pagamento nele estabelecida.’ (grifou-se) 106 Auditorias do TCU. instalações etc. prevista no edital de licitação ou nos instrumentos formais de adjudicação direta. acordo ou ajuste. Número 15. não acolhemos as alegações apresentadas no item 37 supra. consoante ressaltado no Relatório de Inspeção às f.não um. Ano 4.225. e o definitivo (ainda inexistente.07 em 21. encontra-se prejudicado. somente após a sua regular comprovação (por meio de medições). encomendados materiais de demorada produção industrial (como. 38. bem como demolidas as construções nele existentes.10. o pagamento de parcela contratual na vigência do respectivo contrato. caberia à Administração providenciar o pagamento dos correspondentes itens de serviço na planilha contratual. tal como os demais. especialmente no sistema de comunicação de dados). de acordo com a cláusula indevidamente ajustada. Cumpre esclarecer que a questão do pagamento antecipado já foi analisada no Relatório condutor do Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. a inviabilidade de se obter um orçamento confiável da obra. conforme já referido. por se tratar de obra pública.854.731/92-0). mediante as indispensáveis cautelas ou garantias. executados tapumes. sem ter iniciado as obras. do seguinte teor: ‘Art. Alegam que durante esse período teria sido comprado o terreno. sinalizações. Pelo exposto. Constatada. conforme apontado no TC nº 700.872/86).461. inclusive de utilidade pública. todavia. razão pela qual. possui a ressalva de ter por referencial o supracitado orçamento fornecido pela Incal. locações. pois que. mas três projetos: o original. sondagens. o cálculo do percentual de 64.369. Por esses motivos. o em andamento.15% levantado pela equipe de inspeção em maio/98. estudos técnicos. Afinal. os elevadores) e adotadas providências no tocante ao projeto executivo de arquitetura. Alegação Os responsáveis criticam o Relatório condutor do Acórdão nº 045/99-TCUPlenário no tocante à afirmativa de que a contratada ficou durante quase dois anos com aproximadamente 21 milhões de dólares em caixa (montante referente a parte da entrada. fundações. chegando ao valor de R$ 62. 38. tais despesas deveriam primeiramente ser realizadas pela contratada e. a equipe optou por realizar levantamento in loco do que estava executado até aquele momento.94). estrutural. 640. Brasília-DF.

p. trouxe consigo um grande risco. a par das impropriedades já apontadas. Ano 4.’ (grifou-se) 39. de realizar a construção de um edifício mediante uma pretensa operação de compra e venda de coisa futura.7 milhões terem sido entregues à contratada sem sequer essa pseudo-garantia. Primeiramente. segundo ensina Marçal Justen Filho (in Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. DE ALUMÍNIO (juntos não correspondiam a 1% do valor do contrato). acrescentando-se às mesmas juros. o pagamento antecipado deverá ser condicionado à prestação de garantias efetivas e idôneas destinadas a evitar prejuízos à Administração.. pois as despesas fixas continuaram a ser incorridas. na medida em que implicou na entrega. Alegação Defendem os responsáveis ser justificável o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Brasília-DF. de uma elevada quantia de recursos públicos. configura direito expressamente previsto no contrato de compra e venda. bem assim da suspeita de prejuízo ao erário pela prática de sobrepreço. no exercício de 1992. Toshio Mukai. a Administração não poderá sofrer qualquer risco de prejuízo. Mais grave ainda foi o fato de. José Afonso da Silva. 40). Diante disso. só poderá ocorrer quando previsto no ato convocatório. Porém. a uma empresa privada desprovida de patrimônio para responder por uma eventual inadimplência. in verbis: ‘O pagamento antecipado depende da existência de dois requisitos. Ives Gandra da Silva Martins. 355). devida aos atrasos de pagamento. Número 15. E COM. uma parcela de US$ 21. pelos seguintes motivos: a) o aumento de prazo para a execução do empreendimento teria provocado aumentos consideráveis de custo. 42 e 43). Auditorias do TCU. 2001 107 . amplia-se o universo de competidores.2 milhões. Acrescentam às suas justificativas os documentos intitulados ‘Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico’ e ‘Programa de Conclusão de Obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo’ (respectivamente vol. e da INCAL IND. Outro aspecto abordado pela SAUDI diz respeito à forma de pagamento acordada em confronto com o ínfimo capital social da INCAL INC. como vimos. somente se constitui em direito real na condição de vir a exigir o objeto prometido.Outrossim. por parte da Administração. no caso em tela. a Administração será beneficiada. bem como os pareceres dos juristas Miguel Reale.. Manuel Alceu Affonso Ferreira e Diógenes Gasparin (vol. desse modo. feita pelo TRT. conforme se verifica no trecho a seguir extraído do Relatório condutor da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário: ‘37. Por isso. da ordem de US$ 139. b) a diminuição do ritmo da obra. aumentos de preços dos fornecedores etc. no entender do Assessor: (grifou-se) ‘A opção. sem a exigência de outras garantias idôneas se não uma escritura de compromisso de venda e compra que. Desse modo. especialmente aqueles que não disporiam de recursos para custear a prestação.’ (grifou-se) De se ressaltar que. o TRT-SP não adotou as indispensáveis cautelas ou garantias que eventualmente pudessem autorizar o pagamento antecipado nos termos do mencionado dispositivo legal. 4ª ed. Todos competidores terão reduzidos seus custos e.

que consideramos oportuno transcrever: (. não acolhemos as alegações apresentadas no item 39 supra. Número 15. 40 os responsáveis apresentam alegações com referência à Decisão nº 469/99. denotando claramente desvio dos recursos financeiros que deveriam ser empregados nesta obra. motivo pelo qual deixamos de tecer novos comentários. Ministro-Relator Adylson Motta. 2001 . Sobre os itens medidos e inexistentes.. Alegação Às f. não fazem remissão os responsáveis. concluindo.. 6) relação dos serviços e posição física da obra. 3) descritivo dos serviços a serem executados. Acerca do mérito das informações contidas nesse documento. Outrossim. Brasília-DF. de acordo com a Construtora. 36 do vol. restringindo-se apenas a sustentar a legalidade do contrato. desde logo. assim. 4) cronograma físico da obra. 108 Auditorias do TCU. seria de 80. que se encontra dividido em 6 partes. já tendo sido considerados por este Tribunal.39. levantando dúvidas sobre o Relatório de Inspeção produzido em cumprimento ao Acórdão nº 045/99. da lavra do Exmo. reportamonos às considerações expendidas nos itens 81 a 95. e financeiro. as informações ali constantes dizem respeito às características do prédio. 40. Preliminarmente.. este Tribunal teceu valiosas considerações (Acórdão nº 298/2000). Assim sendo. fazemos a seguinte transcrição.1 Análise Tal argumentação já foi exaustivamente analisada e rejeitada no Relatório e Voto condutores do Acórdão nº 045/99-TCU-Plenário. Ante o exposto.25 %. Sr. ficando patente que tal ajuste é incabível. abrangendo o período de junho/98 a abril/99. dos materiais empregados e dos serviços a serem executados. a título elucidativo.) Acrescente-se que o documento intitulado ‘Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico’ e os pareceres dos renomados juristas e mestres do direito referidos acima são os mesmos já apresentados anteriormente às Decisões acima mencionadas. o documento intitulado ‘Programa de Conclusão de Obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo’. Ano 4. a saber: 1) distribuição dos blocos. bem como aos cronogramas físico. quando então se analisou a matéria. em linhas gerais. in verbis: a) Voto condutor do Acórdão nº 045/99-TCU-Plenário: (.) Restou. 2) descritivo geral. verifica-se que não é feita menção aos itens superavaliados apontados tanto na citada inspeção como também naquela realizada em abril/98. e ao percentual de execução física da obra. compreendendo os meses de julho/98 a abril/99. Verifica-se que. que. cujo entendimento foi ratificado por meio do Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. questão essa já superada no âmbito desse Tribunal. no que toca aos citados pareceres. que a referida peça não traz novos elementos a favor do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato em questão.. 5) cronograma financeiro da obra.

do mandado nº 03/99. opinou pela rescisão unilateral do contrato. TCU. tentando proteger seus direitos. Sustentam que não tiveram oportunidade de defesa naquele processo administrativo (instaurado pelo TRT/2ª Região. Além disso. foram ter vistas e requerer cópias dos autos do aludido processo. comentamos os dois.os trabalhos da equipe de inspeção deste TCU. buscando atender determinação desse E. em juízo. Auditorias do TCU. conclusiva ou única. a defesa parte do pressuposto de que a equipe deste TCU. Ao fim. concluem os representantes da empresa que estariam sendo prejudicados pela prepotência das Decisões deste TCU. ou. Destaque-se. Tratava-se de mais um elemento analisado em conjunto com outros tantos. valeram-se de medida judicial contra a União. da qual resultou uma medida liminar arrestando os bens da empresa Recorrente e dos seus administradores e determinando a conclusão da obra no prazo de cinco meses (. Ano 4. inclusive. por meio de ‘Medida Cautelar de Vistoria’ (f. as condições em que se encontrava o empreendimento. como querem fazer crer os responsáveis. por exemplo. perdas e danos morais (f. Brasília-DF. esclarecidas. notificaram o TRT/2ª Região e seu presidente para responsabilizá-los por prejuízos. 122/129 do vol. medições de obra. Relatam que. para registrar. Relatórios de vistoria técnica. em processo administrativo. que tal metodologia de trabalho já havia sido descrita por aquela equipe: A análise dos documentos técnicos já gerados e emitidos por outros profissionais é uma fase necessária à avaliação que ora se pretende fazer.submetidos à análise da Equipe.. os responsáveis não deixam claro a quem se dirige tal reclamação: se. cabe ressaltar que o Relatório elaborado pela aludida Comissão apenas auxiliou .como seria esperado . também. ao procedimento instaurado pela Justiça Laboral. os Relatórios elaborados pelas empresas Falcão Bauer e PINI e pela perita contratada pelo Ministério Público Federal. cobra-lhes quantias não devidas. 132/ 139 do vol. Aduzem que tomaram ciência do Relatório elaborado pela referida Comissão somente após a rescisão do contrato quando. em conjunto com os engenheiros da Caixa Econômica Federal. de forma que eventuais discrepâncias entre os diversos elementos técnicos que compõem o processo sejam. deferido pelo Juiz da ação civil pública. Número 15. que. por meio da Portaria nº GP/016/ 98). 40.). ao instaurado por este TCU. 41). não se constituindo em peça determinante. como. No que pertine ao cerceamento do direito de defesa. considerou apenas a conclusão a que chegou a ‘Comissão de Acompanhamento dos Procedimentos Relativos à Construção do Fórum da Capital’. 2001 109 .. sendo-lhes violado o direito ao devido processo legal e ao contraditório. exclusivamente. bem como o descumprimento ao item 6. em face desta rescisão unilateral. desde logo. orçamentos e estudos de preços devem ser – e o foram .Quanto ao Relatório de Inspeção.1 Análise De plano. além de aplicar-lhes multas enormes e descabidas. que. 41). citam o pedido do Ministério Público Federal. Afim de que não paire dúvidas. inclusive. Como exemplo desta opressão.

indubitavelmente.).. Presidente do E. que a defesa da contratada não conseguiu elidir os motivos apresentados no mencionado relatório. Consoante destacado nos itens 27 e 28 desta instrução. Número 15. impende rejeitar a justificativa apresentada. além do desencontro no relacionamento do TCU.) 110 Auditorias do TCU. MPF e a CEF. Isso causou transtornos ao desenvolvimento dos trabalhos de campo. podemos. em 24. para as providência cabíveis. f.). uma vez que os próprios responsáveis informam que quando da instauração do procedimento administrativo e da apresentação do relatório da Falcão Bauer (. foi dada oportunidade a Recorrente de se manifestar. 2001 .03. Documentos importantes para a análise técnica do empreendimento (como a planilha orçamentária da contratada.No âmbito da Justiça trabalhista. Assim. instalações elétricas e telefônicas. decidiu pelo encaminhamento do relatório ao Juiz Floriano Vaz da Silva.. A Secretaria de Apoio Administrativo do TRT. Ora. Brasília-DF.. 107/108 e 122/123). Ano 4. hidro-sanitárias e de ar condicionado). Desse modo. não é possível afirmar se este direito constitucional foi ou não observado por aquele órgão integrante do Poder Judiciário. com repercussões na fase de elaboração do presente relatório. No mesmo sentido é o excerto da Ata da Reunião da Comissão que aprovou o Relatório Final. na esfera de atuação deste TCU.99: (. 41. 41. Alegação Quanto à ausência de plantas do imóvel e dos respectivos projetos de execução.). fundações e cálculo estrutural.. Tais manifestações deixam transparecer que houve a formação do contraditório naqueles autos administrativos.1 Análise Em princípio. cópia e prazo para apresentação de defesa.. a empresa Incal. não nos parece que tal tenha ocorrido. que foi concedida aos responsáveis oportunidade de defesa. não possuía nem mesmo um jogo completo de plantas do imóvel (projetos de arquitetura. o que fez de maneira ampla e minuciosa (.. a Comissão. por meio de seus representantes legais. asserir que foi concedido aos responsáveis pleno direito de defesa.. de sua leitura. comprometendo o cumprimento do prazo previamente fixado para conclusão dos serviços. à qual se subordina o Serviço de Engenharia e Arquitetura. (. ante a ausência de maiores provas que corroborem o suscitado. alegam que os mesmos encontravam-se em poder do TRT/2ª Região e que jamais lhes foram solicitados. o TRT/2ª Região. o trecho transcrito vai de encontro ao alegado. sendo que em todas as fases foilhe deferido acesso aos autos. Ademais. vale reproduzir trecho do Relatório de Inspeção: ‘Essa fase de análise da documentação técnica teve seu andamento bastante prejudicado.. Já. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. XV.. foi citada em três diferentes oportunidades.. por exemplo) foram obtidos junto ao MPF/SP. conforme se verifica nas respostas às solicitações da equipe (Vol. Tal fato demonstraria a má vontade com que alguns dos membros do TCU vem agindo contra a Recorrente (.) Consigna. depreendendose.

Os projetos do empreendimento foram sendo entregues à equipe à medida que o TRT conseguia cópia dos mesmos junto aos projetistas. Quanto às especificações, estas surpreendentemente não existiam, conforme informado pelo TRT (Vol. XV, f. 123). Em seu lugar, havia apenas um memorial descritivo resumido do imóvel. (Vol. II, f. 01 a 28)’. Nos casos como o que aqui se examina, fiscalização de contratos, a ação deste Tribunal dá-se sobre o órgão público contratante, ainda que atinja terceiros interessados, isto porque este TCU não tem competência para realizar auditorias em empresas privadas, mesmo que contratadas pela Administração Pública Federal. Recaindo sua atuação sobre os órgãos públicos, são eles que fornecem os documentos necessários ao desempenho de nossas atividades fiscalizatórias. Assim, não caberia à equipe de fiscalização, como sugerido pela defesa, ficar-lhe solicitando documentos que deveriam estar prontamente disponíveis no órgão fiscalizado. Ademais, olvidaram-se os representantes da Incal que à época da citada inspeção (maio a junho de 1999), não se encontrava mais a contratada no canteiro de obras, haja vista que o então Presidente do TRT/2ª Região determinou, em 25.03.99, a Rescisão Unilateral do Contrato com a Incal Incorporações S/A (f. 63 do vol. 12). No local da obra em que deveriam estar armazenados os documentos, a equipe encontrou uma total desorganização, como acima mencionado, jogos incompletos ou inexistentes de plantas dos inúmeros projetos a serem analisados. Nada obstante, infere-se, pela leitura do segundo parágrafo retro transcrito, que a equipe, mesmo pressionada pelo exíguo tempo que lhe foi concedido, aguardou o recebimento de cópias dos projetos do empreendimento, que foram obtidas junto aos projetistas. Tal fato indica que se buscou, por outros caminhos, reunir a documentação necessária ao exame da questão. Portanto, depreende-se que a ausência de documentos para exame não pode ser atribuída à ‘má vontade dos membros deste TCU’, mas sim à desorganização da empresa e/ou do contratante. 42. Alegação Contestam a afirmação às f. 635, item 4.1, de que as especificações de materiais não existiriam, argumentando que, quando da concorrência para aquisição do imóvel, teriam apresentado uma proposta técnica composta dos seguintes documentos: Volume I – Projeto Básico; e Volume II – Memorial Descritivo e de Acabamento. Logo, a seu entender, não faltavam informações para que se realizasse o acompanhamento da implantação do empreendimento. 42.1 Análise Reportamo-nos ao relato da equipe de inspeção no citado item 4.1. Ali, afirmou-se que as especificações de materiais não existiriam, conforme noticiado pelo TRT (vol. 15, f. 123), havendo, em seu lugar, tão-somente, um memorial descritivo resumido do imóvel (vol. 2, f. 01 a 28). Tal situação, no entender da equipe, demonstraria que o imóvel a ser adquirido não estava adequadamente caracterizado: Além da inexistência das especificações, verificou-se que o projeto

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executivo que estava sendo implantado não era condizente com o memorial descritivo apresentado na fase de licitação. Aliás, registre-se que o mesmo diagnóstico fora feito por outra equipe deste Tribunal (TC nº 700.731/1992-0), que, em Relatório de 03.12.1992, destacava: Verificamos ainda a ausência de especificações técnicas complementares, definindo os materiais, acompanhamento e controle de qualidade da construção, o que propiciaria ao TRT – 2ª Região conhecimento do que está efetivamente comprando, evitando, desta forma, alterações à revelia. Desse modo, ante os reiterados relatos de auditores deste TCU, não há como aceitar a alegação da empresa de que os documentos existentes permitiriam um adequado acompanhamento das obras em tela. 43. Alegação A título de ilustração, citam alguns exemplos que este TCU apontou como diminuição, mas que, segundo alegam, teriam, na verdade, provocado aumento de custos, absorvidos pela contratada, a saber: aumento da área a ser utilizada para os sanitários dos andares tipos e aumento no número de elevadores. Quanto a este item, insurgem-se contra a afirmação da equipe de que os elevadores previstos nos anteprojetos eram panorâmicos. Contestam um documento da firma Falcão Bauer (f. 165/167, vol. 18), que, no seu entender, fora elaborado com o objetivo de má-fé de induzir respostas que favorecessem o TRT, em detrimento do outro laudo da mesma Falcão Bauer, contratado pelo próprio TRT, que atesta, para a execução de obra o percentual de cerca de 75%, não considerando os materiais e equipamentos que estão no almoxarifado da obra ou com fornecedores, eleva o percentual ao nível de cerca de 84%. 43.1 Análise De rejeitar a alegação preliminar referente aos pretensos aumentos de custos absorvidos pela contratada. Observa-se que, quando da primeira inspeção efetuada por este Tribunal nas obras do Fórum Trabalhista, já alertava a equipe sobre as alterações injustificadas no projeto básico, sendo citada, dentre outras, a modificação na disposição e tipos de elevadores, bem como de sanitários para atendimento do público, cuja proposta inicial previa quatro boxes masculinos e quatro femininos, contudo nas plantas foram alterados para duas pias e dois boxes masculinos e duas pias e dois boxes femininos. Salientou então a equipe os riscos provenientes da elaboração e execução de um projeto pelo próprio licitante, cujas alterações posteriores poderiam fugir ao controle do Administrador, implicando, inclusive, na possibilidade de o TRT - 2ª Região receber um prédio não condizente com aquele pelo qual pagou. Nas demais inspeção efetuadas na obra, observou-se que os vícios perduravam, conforme relatado às f. 635/636. Acerca da questão dos elevadores panorâmicos, tal fato foi constatado não apenas por equipe deste Tribunal, como também em procedimento administrativo instaurado pelo TRT/SP. Consoante assinalou a Secretaria Administrativa do TRT/
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SP às f. 182 do vol. 18: Informa a empresa Falcão Bauer, em seu Laudo Técnico, que o exame do anteprojeto sugere de forma inequívoca que os elevadores públicos previstos inicialmente para o empreendimento seriam do tipo ‘panorâmico’. Efetivamente, a simples observação do caderno ilustrativo que serviu à apresentação do projeto que disputou o procedimento licitatório, demonstra que o empreendimento seria dotado de elevadores panorâmicos, fato esse ratificado pelo seu autor, Arqtº Décio Tozzi. (grifamos). Vê-se, pois, que é incabível a alegação dos responsáveis no sentido de que ‘o exame do projeto sugere de forma inequívoca que os elevadores públicos não são do tipo panorâmico.’ (grifo do original). Sobre o número de elevadores, nota-se que houve elevação de quatro relativamente ao projeto original. Conforme alegam os responsáveis às f. 151 do vol. 18: estudos específicos sobre os fluxos intensos das pessoas no edifício exigiram um aumento do número de elevadores, 4 a mais de uso público e não houve alteração de custo para este Tribunal (...) No tocante à esta assertiva, cabe remissão ao citado relatório da Secretaria Administrativa do TRT/SP, o qual esclarece, em suma, que o memorial descritivo aprovado pela Prefeitura previa claramente que os 16 elevadores de público (havia também 4 privativos) teriam velocidade de 180 m/m e paradas em todos os andares e subsolos, ao passo que os encomendados à SUR S.A possuíam as seguintes características (f. 182 do vol. 18): 08 elevadores p/ 20 pessoas c/ 19 paradas e velocidade de 90 m/m 08 elevadores p/ 20 pessoas c/ 19 paradas e velocidade de 150 m/m 04 elevadores p/ 09 pessoas c/ 24 paradas e velocidade de 105 m/m (Juiz) 04 elevadores p/ 20 pessoas c/ 05 paradas e velocidade de 45 m/m (subsolo) (todos com revestimento interno de laminado plástico e piso de vinil amianto) Questionou-se, dessa forma, naquele Relatório, se o peso percentual de 5,19% do valor da obra atribuído pela Incal para esse item seria proporcional aos 24 elevadores referidos pela Construtora, considerando que são, efetivamente, de visível simplicidade, em relação aos 16 previstos no projeto inicial. Sobre essa alteração, informam que foi dirigido ofício à empresa fabricante de elevadores, não constando resposta até aquela data (f. 190 do vol. 18). Em resumo, verifica-se que houve sim acréscimo do número de elevadores, porém com características que indicam serem de tipos totalmente diferente (de panorâmico para convencional), bem como de qualidade e especificação inferior ao inicialmente previsto. Aliás, os responsáveis não aduziram nenhuma comprovação do alegado ‘aumento de custos’, cujos fatos indicam não ter ocorrido. Quanto ao item ‘sanitários’, reportamo-nos novamente ao supracitado Laudo, para rejeitar a alegação em tela. Diversamente da afirmação dos responsáveis, consta às f. 161 e 170 do vol. 18, que, em resposta a quesito formulado pelo TRT/SP, a empresa Falcão Bauer confirmou ter havido diminuição do número de sanitários, de 16 previstos no projeto original para 8 por pavimento típico, sendo 4 de funcionários e 4 para o público.
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No que tange à contestação ao documento elaborado pela empresa Falcão Bauer, também não merece prosperar. Cabe informar, preliminarmente, que este documento contêm respostas a quesitos formulados pela Secretaria Administrativa do TRT, ensejados após o confronto do Laudo da Falção Bauer com o projeto original da obra e outras informações sobre as alterações nele ocorridas. Conforme ressaltado pela Secretaria Administrativa do TRT (f. 173 do vol. 18): O Laudo da Falcão Bauer foi elaborado com elementos e subsídios fornecidos pela empresa construtora. Desta forma o resultado obtido de 75,04% não corresponde à realidade, pois muitos dados importantes lhe foram sonegados. À mesma conclusão chegou a equipe de inspeção deste TCU, a qual afirmou que, por isso, não se poderia utilizar os percentuais ali apontados como correspondentes à execução das obras. Ademais, a questão relativa ao valor das obras e ao percentual de execução das mesmas já foi totalmente debatida por este TCU, especialmente na assentada de 28.07.99 (Decisão nº 469/99-Plenário), encontrando-se as principais conclusões consubstanciadas no item 37.1, às quais nos remetemos integralmente. 44. Alegação Trazem à baila outros dois pontos, que, segundo entendem, merecem melhores esclarecimentos: a) o valor da avaliação da obra no seu estado atual; b) a comparação com o imóvel paradigma. No primeiro ponto, asserem que o valor da obra seria de R$ 196 milhões, incluindo o valor do reequilíbrio econômico financeiro do contrato. Logo, seria inverídica a afirmativa deste TCU que a importância gasta na obra totalizaria um montante de R$ 231.953.176,75 e que haveria um valor de R$ 169.491.951,15 a ser devolvido aos cofres públicos. Afirmam não existir nenhum valor a ser ressarcido, visto que as quantias pagas pelo TRT/2ª Região corresponderiam exatamente ao percentual físico executado da obra, qual seja de 75% ou 84%. Além disso, insistem na tese de que as prestações pagas decorriam do contrato firmado, considerado lícito e válido, por força da Decisão nº 231/96. Prosseguem, informando que o Laudo elaborado pela PINI Sistemas apontou um custo total de R$ 167.408.628,72, sem considerar o preço do terreno e demais despesas necessárias para a viabilização do empreendimento, tais como custos administrativos, emolumentos e lucro da Incorporadora. Quanto ao valor do terreno (R$ 6.828.327,67 - atualizado o valor original de Cr$ 19.911.249.733,00 pela variação da UFIR), citado no item 6.6, às f. 646 do vol. principal, sustentam que, apesar da escritura definitiva de compra e venda ter sido assinada em 19.08.92, a aquisição do terreno ocorreu em data anterior, fevereiro de 1992. Esta compra, realizada num período inflacionário, fora ainda parcelada, de modo que o valor atualizado efetivamente pago, considerando o IGP, seria de R$ 19.256.165,00, correspondente a R$ 1.530,00/m2.

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Citam, na tentativa de corroborar que a quantia acima seria compatível como os preços da região, um terreno localizado em área vizinha, cuja matrícula anexam (f. 172/173 do vol. 41), informando que fora comprado por R$ 1200,00/ m 2. Acrescentam que a diferença entre o valor do terreno onde estava sendo construído o Fórum Trabalhista e o utilizado como exemplo justificar-se-ia pelo fato daquele terreno possuir três frentes e o mercado imobiliário sempre estar sujeito a flutuações e variações. 44.1 Análise Os pagamentos executados pelo TRT/2ª Região foram minuciosamente analisados por este TCU. Naquela oportunidade, o Exmo Sr. Ministro Adhemar Paladini Ghisi, em Voto condutor do Acórdão Plenário nº 045/99, elaborou planilha dos desembolsos financeiros ocorridos e atualizados pela UFIR, no período de 10.04.92 a 16.03.98, tendo concluído que se pagou à contratada 218.650.161,5713 UFIR’s. Posteriormente, a equipe de inspeção designada para atender à alínea ‘d’ do referido Acórdão, elaborou nova planilha, relativa ao período de 10.04.92 a 03.07.98, atualizada pela UFIR e pela variação do índice publicado pelo SinduscomSP (indexador adotado no contrato) até abril de 1999, apontando um gasto total de 237.413.691,66 UFIR’s, equivalente a R$231.953.176,75 (vol. 15, f. 01/02). O Demonstrativo Orçamentário/Financeiro elaborado pelo TRT (vol. 15, f. 83/92), apresenta todos os pagamentos efetuados à Incal, inclusive com repasses de outros Tribunais do Trabalho. Vê-se, portanto, que as planilhas referidas não deixam dúvida quanto ao valor real pago à contratada. Frise-se, que foram utilizados os mesmos critérios de reajuste acordados no contrato original. Incabível, portanto, e sem a menor sustentação, o valor apregoado pela Contratada, que, aliás, não apresenta sequer um cálculo que o comprove. No tocante ao percentual de execução física da obra, novamente lembramos que a questão foi examinada no item 37.1, sendo, pois, incabível a assertiva de que a execução física atinge os percentuais argüidos pelos responsáveis. Sobressai ainda que os responsáveis sequer apresentam um percentual fixo, vale dizer, referem-se a dois como sendo válidos, isto é, ou 75% ou 84%. Tais percentuais, originam-se, ao que parece, do relatório elaborado pela empresa Falcão Bauer, que, repise-se, sofreu ressalvas por parte deste TCU (Decisão Plenária nº 469/99). Vale lembrar que a peça da equipe de inspeção, adotada como Relatório da citada Decisão, ratificou, no item 4.3.3, após exame do material produzido pela referida empresa, bem como do relatório ‘avaliação do laudo técnico’ (vol. 18, f. 172 e segs.), as conclusões da Secretaria de Apoio Administrativo/SAA do TRT/2ª Região, no sentido de desconsiderar a totalização de 75,04 %, porquanto obtida a partir de uma premissa incorreta. No respeitante ao relatório da PINI, a equipe de inspeção, no item 4.2, às f. 636/638 do vol. principal, apontou as inconsistências nele contidas, mormente as relativas à composição do BDI e às taxas sociais, consoante visto no item 37.1. Ao
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final, concluiu que não se tratava de um orçamento da PINI Sistemas, mas elaborado pela PINI Sistemas nos moldes estabelecidos pela Incal. Desse modo, a equipe ponderou que não se tratava de uma planilha orçamentária tecnicamente bem elaborada e confiável, e que o eventual aproveitamento de dados contidos na mesma deveria se dar com extrema reserva. No que tange ao preço do terreno, a equipe de inspeção, no item 6.6, às f. 646 do vol. principal, apenas atualizou, pela variação da UFIR, o valor despendido pela contratada na aquisição, tomando por base o valor do imóvel, constante da Matrícula emitida pelo 15º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (vol. 15, f. 100/106). Não se discutiu, nesse item, a ocorrência ou não de sobrepreço. Simplesmente, visando obter o total gasto na obra, procedeu à atualização de valores, utilizando o mesmo critério adotado pelo Exmo. Sr. Ministro Adhemar Ghisi na Decisão nº 469/99. Pelo acima exposto, rejeitamos as justificativas apresentadas. 45. Alegação Quanto ao imóvel paradigma, afirmam que a Torre Norte do Centro Empresarial Nações Unidas/CENU não se presta à comparação realizada, por se tratar de contratação distinta da aqui discutida: aquela, por administração; esta, a preço fechado. Assinalam, ainda, as seguintes diferenças: • o imóvel paradigma não estaria localizado na mesma área do empreendimento, sendo, inclusive, oposto em relação à localização do Fórum Trabalhista de São Paulo; • nas proximidades do CENU, não existiria estação de metrô, além do que as vias de acesso e infra-estrutura pública seriam precárias para atender às necessidades locais; • a região do CENU não estaria preparada para receber um edifício público com demanda diária de 15.000 pessoas; • em face da construção ser realizada pelo sistema de administração, o CENU não contemplaria uma série de despesas, relacionadas às f. 53/54 do vol. 40. Entendem que a obra em questão deveria ser comparada com a Torre Oeste do CENU e não com a Norte, isto porque aquela contemplaria os mesmos custos incorridos pela Incal. Se assim se procedesse, verificar-se-ia que o custo/m2 daquela torre, de R$ 4.365,00, seria compatível com o do Fórum Trabalhista. Logo, não haveria superfaturamento. Apresentam preços de quatro diferentes empreendimentos, localizados na mesma região do Fórum Trabalhista e executados pelo sistema de preço fechado, que seriam superiores aos cobrados pela empresa Incal, a saber:
Empreendimento Memorial Trade Center River Point Office Memorial Office Building Centro Empresarial Água Branca Estágio Pronto Em início de construção Final de construção Construção em andamento Valor/ m2 (R$) 2.222,00 3.167,00 3.500,00 3.500,00

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45.1 Análise De plano, cabe destacar que o imóvel paradigma foi utilizado tão-somente para reforçar as conclusões a que a equipe chegou no item 6.5, ‘Valor da Avaliação’, às f. 646 do vol. principal Ali, declarava-se que o prédio do Fórum Trabalhista de São Paulo, no estado em que se encontra, utilizando-se os quantitativos levantados conforme descrito no item 6.1 e os preços unitários definidos como discriminado no item 6.2, considerando, ainda, as taxas de BDI e encargos sociais determinados, nos itens 6.3 e 6.4, respectivamente, alcançou o valor de R$ 55.632.897,93, de acordo planilha anexa (Vol. XVI, f. 03/12). A esta conclusão somaram-se as observações expendidas pela Receita Federal, que confirmariam os valores despendidos pela contratada., conforme item 6.8, às f. 647 do vol. principal: ‘Em visita ao MPF/SP, soube-se da conclusão de trabalho de fiscalização efetivado pela Receita Federal nas Construtora Ikal Ltda. (subsidiária da Incal para a execução da obra), no qual se constatou que aquela empresa escriturou o correspondente a R$ 60.341.944,08 (valor atualizado até junho de 1998) como custos da obra do Fórum Trabalhista (Vol. XVIII, f. 65)’. Malgrado tais elementos já fossem suficientes para estabelecer o valor da obras, a equipe buscou outro parâmetro: a comparação com o imóvel paradigma. Na ocasião, já se vislumbrava a dificuldade de estabelecer-se comparações, conforme se depreende do texto a seguir transcrito: ‘O grande porte da obra em análise (4 subsolos + 20 pavimentos e 85.600 m2, área essa registrada no alvará de construção) dificulta a detecção de outras construções que se prestem à comparação desejada’. Não obstante, por recomendação dos profissionais da CEF, utilizou-se a Torre Norte do CENU como paradigma, por possuir 4 subsolos + 36 pavimentos e 138.000 m2, empregar moderna tecnologia de execução e apresentar padrão de acabamento superior ao do Fórum Trabalhista. Em resumo, o valor estimado da obra não resultou da simples comparação de preço com o imóvel paradigma, tampouco do mero confronto de preço/m2; antes sim, foi produto de um árduo trabalho de levantamento dos quantitativos de serviços executados e definições de preços unitários, da taxa de BDI e da taxa de leis sociais, ao qual se somaram a pesquisa relativa ao imóvel paradigma, com características semelhantes às obras do Fórum Trabalhista (quatro subsolos + 36 pavimentos, 24 elevadores importados e área construída de 138.000 m2), bem como o trabalho de fiscalização empreendido pela Receita, que auditou valores escriturados pela própria Construtora. De destacar que o preço/m2, insistentemente enfatizado pela defesa, é apenas um referencial, um parâmetro, devendo ser utilizado com maiores cautelas. Isto porque as características de cada obra se alteram, tais como: número de subsolos, tecnologia de execução, material de acabamento, velocidade de elevadores, infraestrutura disponível, entre outras. Tal fato impede que se faça uso, isoladamente, deste parâmetro, como se fosse um critério único e absoluto. A par disso, devemos considerar que os empreendimentos citados pela defesa têm custos com publicidade, propaganda, comissão de vendas além de uma taxa de
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jamais se buscou ou se pretendeu inocentar ou culpar qualquer dos envolvidos. Tal deficiência também foi registrada pelo TRT/2ª Região que. apurar o ocorrido. contém orçamento e cronograma físico e financeiro ajustado para o término da obra 4. nem. principal. O documento acima (anexo sob o nº 9).1.4. tais recomendações eram hipotéticas. induzir instâncias superiores (o que eqüivaleria a menosprezar-lhes os poderes de raciocínio e discernimento). Revisão de projetos Situação atual 1.. ficando ali consignada a ausência daqueles documentos. 635/636 do vol. 2. A título de exemplo. O levantamento foi executado e é parte integrante da escritura de rerratificação datada de 17. inferior ao preço de compra e venda do mesmo imóvel pronto’. porque condicionados às vendas futuras. Levantamento dos serviços a executar 3. A revisão de projetos foi discutida no item 4. 2. aquele que mais preocupava era o que dizia respeito às adaptações para informática. Isto é. não se demonstravam desarrazoadas. Ano 4. rejeitamos o alegado. mas.1 Análise De pronto. conforme salientado no Relatório condutor da Decisão nº 231/96-TCU-Plenário: ‘o custo da realização de uma obra. asseveram que a equipe de inspeção induziu os membros deste TCU a incorrerem em erro. Supervisão técnica e fiscalização permanente 46. chamado de Programa de Conclusão das Obras do Fórum. não se prestam para a finalidade pretendida. pois. Todos os projetos estão completos e adequados ao escopo do contrato. demonstram as sugestões da equipe e o que seria a situação atual: Sugestões da equipe 1. unicamente. visto que o quadro demonstrava que a conclusão das obras não propiciaria a ocupação do edifício. Não há necessidade de revisão. Desse modo. f. em atendimento à determinação exarada no item ‘f’ do Acórdão nº 045/99-Plenário. Brasília-DF. seja por administração própria ou contratada. f. O TRT tinha contratado fiscalização para o acompanhamento e emissão de medições mensais. Estando a 1ª Instância da capital totalmente informatizada. Cabe frisar que as questionadas recomendações (item 5. Dentre os itens não contemplados pelo projeto. Número 15. Alegação Por derradeiro. 46. optar pela realização de novo certame licitatório para finalização da obras do Fórum Trabalhista. o que contribui para aumento do preço/m2. ainda assim. 3. 643 do vol.06. em procedimento administrativo. é. impende registrar que a atuação da equipe deste TCU restringiuse ao exame técnico da questão. para o caso de aquele Órgão. Outrossim. de longe. Visouse. 2001 .risco maior. estavam sujeitas a ocorrência de um fato futuro. Elaboração de planilha orçamentária 4. conforme demonstraremos a seguir. não 118 Auditorias do TCU.98. anotou: As constatações causaram surpresa.. principal) dirigiam-se ao TRT/2ª Região. de regra.

225. 21 e f. no que tange à responsabilidade solidária da Incal Incorporações S/A.115/96-0 (Tomada de Contas . Délvio Buffulin (f.84 (Acórdão nº 045/99-TCU-Plenário). Ano 4. tal deveria ocorrer. No que pertine ao levantamento dos serviços a executar.Alegações de defesa do Sr. 47. relativa à diferença entre as quantias pagas pelo TRT . f. já reclamaria o recomendado. decorrentes do seu abandono. 43). consoante já referido anteriormente. Sobre a supervisão técnica e fiscalização permanente.2. a leitura do item 4.2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231. 637/638 do vol. ou seja.374. reclamavam serviços específicos. 01/19 do vol. A esse respeito. todas do Plenário.exercício de 1995). 26) 48.953. Brasília-DF. rejeitamos a alegação apresentada. Não se questionava a existência ou não do aludido documento. 01/ 55 do vol. representantes da Incal Incorporações S/A Tendo em vista que não foram aduzidas novas argumentações que conduzissem à modificação do mérito do Acórdão nº 045/99 e Decisões nº 469/99 e 591/00. às.461. em valores de abril 1999. a saber: a) nos autos do TC nº 001. na condição de terceiro responsável.3 daquele Relatório para constatar a precariedade e a não confiabilidade das medições executadas.951.209.491.025/98-8 (inspeção convertida em TCE) . O Sr.’(vol. de forma a subsidiá-lo quando da licitação para a conclusão do empreendimento. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. por si só. f. Quanto à planilha orçamentária. preliminarmente pelo total de R$ R$ 57.176.seria possível a mudança de qualquer Junta sem que houvesse a elaboração e posterior execução do projeto de lógica totalmente concluído.75) e o valor efetivo do empreendimento nas condições em que se encontra (R$ 62. 12. Pelo exposto. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelos pelos Srs. consoante referido anteriormente. b) nos autos do TC nº 700. basta uma leitura atenta do item 4. em havendo outra licitação. na forma já referida. Délvio Buffulin apresentou defesa relativamente ao débito que lhe fora solidariamente imputado em três oportunidades. mas a sua capacidade de espelhar fielmente o empreendimento. bem como ao levantamento detalhado do serviços a executar.60). em face das divergências apontadas nos diversos levantamentos realizados. principal. Auditorias do TCU. revela as ressalvas que a equipe de inspeção teceu em relação ao orçamento apresentado pela Construtora. entendemos deva ser rejeitada a totalidade das alegações de defesa ora aduzidas III .por duas vezes. Número 15. posteriormente pela soma de R$ 169. é elementar que. 2001 119 . os problemas apresentados na obra. como observado pela equipe de inspeção: A solução definitiva dos problemas apontados nos últimos dois parágrafos virá com a retomada das obras. Além disso.15 (Decisão nº 469/99-TCU-Plenário). quando da citação determinada pela Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. Esta situação. apontouse a necessidade de o TRT/SP proceder à revisão e adequação dos projetos de arquitetura e instalações.

Ano 4. as pertinentes alegações foram rerratificadas pelo responsável em todas as oportunidades de defesa. No âmbito do TCU. ao fixar o recolhimento aos cofres da União da quantia aproximada de R$ 57. 01/53). inciso LV. concluindo esse tópico..) Patente é a semelhança do objeto ou da causa de pedir.. pois.000. da Constituição Federal. o processo administrativo. aplicar de maneira subsidiária a legislação processual civil.0036590-7). Muito embora o TCU tenha declarado insubsistente a citação determinada por este Acórdão. ainda.’ O responsável aduz também a seguinte argumentação: ‘Pode-se. Brasília-DF. 26. pelas razões a seguir. que afasta a insegurança jurídica e a instabilidade nas relações humanas mediante a utilização de institutos como a litispendência e a conexão. de modo a prosperar a insegurança jurídica e a instabilidade nas relações humanas. A litispendência verifica-se quando se reproduz ação anteriormente julgada. nos dizeres de Vicente Greco Filho. não se pode duvidar que tanto a Justiça Federal.’ 50. Número 15. Serão analisadas a seguir as alegações aduzidas em atendimento ao Ofício Secex/SP nº 280. ‘o sobrestamento da Tomada de Contas Especial que tramita neste Tribunal de Contas (TC nº 001.00. sendo que a ação será idêntica a outra se tiver as mesmas partes. 50.2 da Decisão nº 469/99 a necessidade de apresentação de novas defesas ou a rerratificação daquelas já remetidas ao Tribunal. previsto no art. Alega ainda: ‘torna-se inconcebível. 301. em trâmite na 12ª Vara Federal da Justiça Cível de São Paulo (ação Civil Pública nº 98. quanto este Tribunal de Contas. impondo-se. desconsidera que o Juiz Délvio Buffulin figura no polo passivo em demanda judicial cuja conseqüência jurídica não é outra senão aquela também perseguida pelo Tribunal de Contas da União. acatando o mesmo ‘pedido’. regulada por meio 120 Auditorias do TCU.0036590-7). a realização de processo e a aplicação de sanções semelhantes por diversas autoridades. dentro do Estado Democrático de Direito. Ressalta que o Acórdão em questão.025/98-8) até a decisão final do feito que tramita na 12ª Vara da Justiça Federal de São Paulo (proc. Alegação Em sede de preliminar. sujeita-se a uma tramitação própria. de 25/05/1999.’ Requer. 2001 .000. 5º. relativo ao Acórdão nº 045/99 -Plenário (vol. o presente exame. estabelecia o item 8. com o objetivo de sobrestar o processo.49.1 Análise Não merece acolhida a preliminar de litispendência contida no item 50. sustenta o responsável ser indevida a aplicação da recomposição de débito por dano ao erário em concomitância à ação civil pública ajuizada com a mesma finalidade. f. estarão. à matéria sobre a qual incidirá a atuação jurisdicional. inciso V e parágrafo 1º e 2º do Código de Processo Civil)2 (. 98. as mesma causa de pedir e o mesmo pedido (art. Isto porque. O objeto da ação diz respeito ao pedido. caso entendam cabível a aplicação do ressarcimento. Neste âmbito.

. A existência de uma ação em trâmite na Justiça Federal não pode obstar nem causar o sobrestamento do julgamento desta TCE. § 3º. Decisão nº 97/96-2ª Câmara. que o risco de um ressarcimento em duplicidade por parte do responsável está de todo afastado. Ata 14/96. Ata 40/94. do Regimento Interno e demais normas editadas pelo Tribunal. se o fato ilícito. quando. ps.100/97-2). Suas decisões têm caráter administrativo. sendo que aquelas que resultem imputação de débito ou multa. enfim. o mesmo respeito e acatamento que merecem os atos emanados do Poder Judiciário no exercício da competência que lhe é conferida pela Constituição. ainda quando esse ato anterior é uma decisão judicial definitiva. este Tribunal não está na posição de quem se encontra vinculado a praticar um mero ato de submissão a uma anterior vontade jurídica.. 71. 2001 121 . apud Egas Moniz de Aragão. têm eficácia de título executivo extrajudicial (CF. 585. quando julga. Ata 37/94. Na condição de órgão auxiliar do Poder Legislativo (CF. ademais. Reparar com lucro para o titular da pretensão seria enriquecê-lo injustificadamente’ (Pontes de Miranda. art. Ano 4. art.) Não é que o TCU tenha o direito de realizar essas atribuições. 71. esse mesmo respeito e acatamento haverá de conferir-se aos atos desta Corte de Contas quando proferidos no exercício do restrito rol de competências que a Constituição Federal lhe comete nos incisos do seu art. E diferentemente não haveria de ser.1999). Decisão nº 261/99-2ª Câmara. VII).09. mas sim que o exercício de tais competências constitucionais é uma obrigação. 28/29) (. deve-se rejeitar a preliminar suscitada. afirmando: ‘De fato. Número 15. pois que ‘a finalidade da indenização é dar ao patrimônio ofendido. não tivesse ocorrido. Revista de Processo. opera por força de mandato constitucional. v. Acórdão 406/99-2ª Câmara). fiscaliza. sob pena de. bem assim como no Poder Judiciário (Acórdão nº 436/94-1ª Câmara.. (. Registre-se que no Acórdão 406/1999-2ª Câmara (DOU de 13. Brasília-DF. 71. o Ministro-Relator Adyson Motta tece considerações sobre o instituto da litispendência. Decisão nº 66/94-2ª Câmara.da Lei Orgânica. tal como é no momento. caput) o TCU não exerce atividade jurisdicional. 44. Daí que. notas sobre liquidação de sentença. um poder-dever em face do qual esta Corte não pode omitir-se em hipótese alguma. aí sim.)’ Assim. mas sim de ser ou não constitucionalmente investido de competência para produzir tais atos. Note-se. Não se trata de ser mais ou menos importante. que tenha feito coisa julgada’ (Declaração de voto no TC-800. Decisão nº 278/94-2ª Câmara. aprecia.. CPC. especialmente face a independência entre as instâncias judicial e administrativa. art. em razão da orientação já sumulada nesta Corte no sentido de que os valores eventualmente já satisfeitos deverão ser considerados para efeito de abatimento na execução (Enunciado nº 128). estar praticando um ato inconstitucional. Auditorias do TCU. já consagrada no âmbito desta Corte. Ata 10/94. absoluto ou relativo. o que possa torná-lo igual ao que seria.

Assere ainda que: ‘O exercício da função julgadora. a saber. que em certos casos prescinde de exaustiva investigação prévia. Nesse sentido. Alegação A argüição do responsável é no sentido de que o Tribunal não poderia impor o recolhimento de débito em processo de fiscalização. impende trazer à colação trecho do Voto do Relator (f. O vício emerge da aplicação de sanção ao final de aludido procedimento inquisitorial. ao passo que agora busca seja reconhecida a invalidade da decisão que declara sua responsabilidade e a constatação de dano ao Erário. pedindo que fosse reconhecida a invalidade da decisão que aplicou tal pena. Segundo ele. é o inquérito policial)4’ (destaques do original). Refuto-a firmado no que anteriormente consignei no tocante às diferenças entre processo de fiscalização e processo de contas. Délvio Buffulin. por se identificar com uma das questões suscitadas na primeira das preliminares articuladas pelo recorrente Nicolau dos Santos Neto. que não lhe foi assegurada defesa técnica. Quanto à sua preliminar. 122 Auditorias do TCU. mas simplesmente porque o procedimento em tela cinge-se ao papel investigatório. 13). Tribunal. Brasília-DF.1 Análise As argumentações do responsável são do mesmo teor das produzidas no recurso impetrado contra o referido Acórdão. 193 do vol. pois simplesmente não existe acusação formal (exemplo típico. devendo ser refutada a alegação em pauta. Outra diferença básica reside na ausência de contraditório e ampla defesa na fase de investigação. a alegação de que a aplicação da multa importou violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. também por inobservância aos princípios mencionados. aduzindo a seguinte argumentação: ‘Nada disto houve. também aqui motivada pelo desconhecimento do recorrente quanto à disciplina jurídica aplicável no âmbito do controle externo. diz respeito justamente a essa fase ulterior em que surge a possibilidade de aplicação de sanções. teria ocorrido vício procedimental gerador da recomposição de débito e indevida confusão entre fiscalização e julgamento. ao que acrescento apenas uma consideração. Ano 4. é aqui rejeitada pelas mesmas razões de direito antes expostas.51. assim. Quero apenas fazer um breve esclarecimento. em face da ponderação do recorrente na linha de que a multa não poderia ser aplicada em fiscalização por ser essa uma ‘mera investigação [que] não tem como resultado a sanção’. aplica-se in casu o mesmo entendimento esposado pelo E. ‘(grifo do original). dele conheço como um pedido de reexame. 51. não por qualquer desatino deste E. A mera investigação não tem como resultado a sanção. com a distinção de que ali o responsável deu maior enfoque à questão da sanção na forma de multa. Número 15. pelos mesmos fundamentos antes apresentados. em razão da inobservância do devido processo legal e da ampla defesa. Dessarte. também. Insiste. 2001 . Tribunal naquela assentada. verbis: ‘No que diz com o recurso do Sr.

VIII) e legal (Lei nº 8. 43.) VIII . a perseguir objeto distinto de um julgamento de contas. da Câmara dos Deputados. entre outras cominações..realizar.443/92. entre nós ‘fiscalização’ diz respeito a um procedimento jurisdicional autônomo. 153/154 do vol. que estabelecerá. diante de decisão que impõe o recolhimento de alto valor de débito. quando então constituía um processo de fiscalização. senão.. Sobre a matéria. Ao proceder à fiscalização de que trata este Capítulo. inspeções e auditorias de natureza contábil. 71. como já demonstrado. e que.. ao perfeito deslinde da questão (f. o Tribunal de Contas da União tem a seguinte competência. único). Ano 4. 2001 123 . se faz imprescindível a observância de todas as garantias à defesa. de Comissão técnica ou de inquérito. transcrevemos abaixo trecho de análise da Secretaria de Recursos.) IV . a cargo do Congresso Nacional. com valor apenas instrutório para um subseqüente procedimento onde se procede ao julgamento. na Constituição Federal e na Lei nº 8. e demais entidades referidas no inciso II. art. multa proporcional ao dano causado ao erário. a categoria ‘fiscalização’ não tem a ver com um mero procedimento preliminar de investigação. do Senado Federal. na condição de Presidente em exercício do TRT-2ª Região. Anteriormente à conversão desse processo em tomada de contas especial.. pode ser concluído com decisão de conteúdo sancionador em face de conduta antijurídica dos responsáveis. a nosso ver.443/92. que regulamenta o dispositivo constitucional supracitado. cabe tecer as considerações a seguir. em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. financeira.É que.) Auditorias do TCU.443/92. orçamentária. o Relator ou o Tribunal: (. 71. as sanções previstas em lei. par. na forma da Lei Orgânica e do Regimento Interno deste Tribunal. a Lei n° 8. análogo. 13): ‘Conforme estabelece a Constituição Federal de 1988. por iniciativa própria. mediante ofícios dirigidos por esta Secretaria. vejamos. constante do Relatório do Ministro-Relator. operacional e patrimonial. aplicável. O presente processo encontra-se revestido de todas as garantias constitucionais de ampla defesa e devido processo legal. Executivo e Judiciário. Ao contrário. determina o seguinte. inc. O controle externo. Délvio Buffulin. regulado por normas processuais específicas. 43. in verbis: ‘Art.. Número 15. (. ao qual compete: (. inquisitorial. Brasília-DF.. ao inquérito policial. nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo. embora a terminologia possa ter confundido o recorrente.aplicar aos responsáveis. por expressa previsão constitucional (CF. in verbis: ‘Art. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União.’ (grifou-se) Outrossim.’ Acerca da argüição do responsável de que. art. houve a audiência do Sr. como sustentado.

000. 308. em 14.se verificar a ocorrência de irregularidade quanto à legitimidade ou economicidade. Parágrafo único. objetiva conceder ao responsável a oportunidade de apresentar razões de justificativa acerca de irregularidade verificada em processos de fiscalização. 58 desta Lei. vol. a possibilidade do TCU aplicar-lhe multa. apresentar razões de justificativa. 322. O Tribunal poderá aplicar multa de até Cr$ 42. a contar de 30. principal). foi devidamente comunicado da audiência. o Tribunal aplicará ao responsável a multa prevista no inciso III do art. f.mo Sr. os princípios do contraditório e da ampla defesa.07. pode-se afirmar que o TCU tem competência Constitucional e Legal para.1998. a referida audiência visa justamente dar ao responsável a oportunidade de defesa. vol. E. Número 15. II. Délvio Buffulin. ao proceder à fiscalização de atos e contratos.1998. principal) e em 14.. (. Não elidido o fundamento da impugnação. o Responsável.II .1998 (Ofício n° 378. (f.. 290 a 293. 43. Ministro-Relator Adhemar Paladini Ghisi. em razão do grande número de questões e da complexidade das mesmas. conforme estabelece o art. sendo tal solicitação atendida plenamente pelo então Ex.. determinará a audiência do responsável para. vol. solicitou a prorrogação do prazo para atendimento da audiência promovida nos termos do Ofício n° 378 (f. 58. determinar a audiência do responsável para apresentar razões de justificativa.000. principal). da Lei n° 8. Ano 4. vol.08. ou valor equivalente em outra moeda que venha a ser adotada como moeda nacional. no prazo estabelecido no Regimento Interno. Ou seja. caso não elidido o fundamento da impugnação.. O Responsável. Em 06. aos responsáveis por: (. Ressalte-se que a audiência. Sr. o qual autorizou a prorrogação do prazo da referida audiência por mais trinta dias. ao final.) Art. expressamente. Cabe agora verificar se. 124 Auditorias do TCU. o TCU tem a incumbência de aplicar multa ao responsável. (.1998 (Ofício n° 489. no caso em comento. 329. não se tratando apenas da coleta de informações. principal). somente após examinar as razões de justificativa apresentadas. como ocorre em inquéritos policiais. respeitando. se verificada a ocorrência de irregularidade quanto à legitimidade ou economicidade.08. indicaram de forma clara e objetiva as questões para as quais o Responsável deveria apresentar razões de justificativa. alertando. segundo aduz o Recorrente. pois. foram respeitados tais preceitos constitucionais e legais..) III . caso este rejeitasse suas razões de justificativa. Os ofícios em apreço. no prazo estabelecido pelo Regimento Interno deste Tribunal (quinze dias). f. ao contrário do que afirma o Recorrente.ato de gestão ilegítimo ou antieconômico de que resulte injustificado dano ao Erário. 2001 ..)’ (grifou-se) Ante o exposto.00 (quarenta e dois milhões de cruzeiros). Brasília-DF.443/92.07.

já convertido em tomada de contas especial. da Lei 8. apresentar defesa ou recolher a quantia devida. as quais. foi ouvido em audiência. O TCU. com fulcro no art. 47 da Lei nº 8. no âmbito deste Tribunal. somente foram ouvidos em audiência prévia.443/92. na forma do art. da Lei 8. hão que ser cumpridas duas regras básicas que sustentam nosso Estado de Direito: refiro-me à observância do devido processo legal e ao direito de ampla defesa. respeitando plenamente os princípios do devido processo legal. 47 da Lei nº 8. do contraditório e da ampla defesa’ (grifos originais). portanto. II. o TCU. 534. O procedimento adequado para tanto encontra-se prescrito no art. Seguindo o trâmite legal (art.443/92. Para tanto.O Responsável. 12. 43. ilegítima qualquer tentativa de lhes imputar.’ (grifou-se) Isto posto. Isto é. Brasília-DF. qual seja o da conversão destes autos em Tomada de Contas Especial. o processo. apresentou defesa. tendo em vista restar configurada a ocorrência de irregularidades que resultaram em dano ao Erário. verifica-se que o TCU agiu em conformidade com o estabelecido pela Constituição Federal e pela Lei n° 8. qual seja. o débito nesta fase processual. no Decreto-lei nº 200/ 67. ou seja. vol. o prazo para a apresentação das razões de justificativa estabelecido no Regimento Interno deste Tribunal. vol. quando solicitado. III. o processo de fiscalização foi convertido em tomada de contas especial.443/92. sendo. no prazo estabelecido no Regimento Interno. principal) e deliberação do Plenário deste Tribunal (f. 500 a 545. inclusive dilatou. 358 a 383. portanto. em processo concernente à fiscalização de atos e contratos. Portanto. devidamente analisada. II. Número 15. etapa esta agora em exame. principal). Em resumo. vol. na Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União e no respectivo Regimento Interno. Ano 4. o Responsável apresentou as razões de justificativa. Auditorias do TCU. 2001 125 . Observe-se que os Srs. foram citados os responsáveis para. dentro de sua competência Constitucional e Legal.443/92). que tem por objetivo específico a aplicação de multa. aplicou-lhe a multa prevista no art. ordenando-se desde logo sua citação. não foram suficientes para descaracterizar as irregularidades apontadas. Em atendimento aos supracitados ofícios. conforme determina o parágrafo único do art. por conseguinte. vê-se que o responsável foi chamado no momento próprio. vale trazer à baila excerto do Voto condutor do Acórdão ora guerreado. Nesse sentido. principal): ‘56. Ditos responsáveis não foram citados.443/92. teve o prazo de quarenta e cinco dias para atender a audiência promovida nos termos do Ofício n° 378 e o prazo de quinze dias para atender a audiência promovida nos termos do Ofício n° 489. concedeu ao Responsável a oportunidade de defesa. após analisar e rejeitar as razões de justificativa apresentadas pelo Responsável. 58. 43 da mesma Lei. conforme exaustiva análise realizada pela SECEX/SP (f. ipsis litteris (f. A natureza jurídica do processo de tomada de contas especial é administrativa e segue regras próprias definidas na Constituição Federal. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. seguiu o trâmite estabelecido na Lei Orgânica deste Tribunal.

como bem observou a Unidade Técnica. dispensável nova análise. 39). não restando configurado qualquer dano ao Erário decorrente dos atos por ele praticados.12. Dessarte. portanto. 39. 52. apresentou Pedido de Reexame (trecho acima extraído). não merece acolhida a preliminar em tela. Ano 4. porém danoso ao erário a paralisação abrupta das obras no estado em que se encontravam. Às f. Informantes (item 25. 26).1. 2001 .1 Análise As argumentações acima são do mesmo teor das constantes do item 25. alegou o responsável que empregou todas as medidas de cautela que poderiam ser tomadas por agente público. sem medir esforços na adoção de medidas de cautela de que dispunha. optando. Alegação No que diz respeito às questões de mérito. A postura do TCU dando aval ao prosseguimento da obra não se deu por acaso. conferindo-se pleno cumprimento às recomendações oriundas do Tribunal de Contas da União. pelo prosseguimento da obra dentro de uma conduta administrativa pautada pela cautela e observância da legalidade. solicitou e teve concedida vistas do processo. tendo o TRT como outorgado comprador e a Incal como outorgante vendedora. em observância às orientações deste Tribunal de Contas da União bem como do Tribunal Superior do Trabalho. de modo que não seria razoável nem prudente a aplicação de sanção a quem seguiu as orientações emanadas do Tribunal de Contas da União. 192 do vol. sendo. Ademais. 25 de sua defesa (vol. Argumenta ainda. aduzindo as seguintes considerações (f. conforme já referido no item 2. reportamo-nos integralmente às considerações ali tecidas pelos Srs. pois postura diversa ensejaria graves conseqüências ao patrimônio público. em inobservância ao devido processo legal e ampla defesa. absolutamente não se sustenta. vem exercendo o responsável. 193/194 do vol.Além dos estágios acima. No Voto. oferecidas em atendimento à Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. 126 Auditorias do TCU. verbis: ‘No tocante ao argumento de que ele teria observado as orientações deste Tribunal. Número 15. Não há falar-se. rejeitamos as argüições ora aduzidas. 13). Ao contrário. o Ministro-Relator refuta as argumentações. Brasília-DF. transladadas para o presente processo. seria simples. finalizada em 1996. portanto. verbis: ‘Frise-se que a transferência do imóvel para o Tribunal Regional do Trabalho foi efetuada por Délvio Buffulin. as questões foram percucientemente examinadas pela Secretaria de Recursos. às f. 192/194 do vol. em toda a plenitude. diante da delicada situação por ele enfrentada. Da mesma forma. os direitos que lhe são conferidos pelos diplomas legais que consubstanciam a competência constitucional deste Tribunal.96. no Pedido de Reexame interposto pelo Responsável. devido à sua observância ao resultado da Auditoria Técnica realizada pelo Tribunal de Contas da União. f. acrescenta que. foi lavrada a Escritura de Venda e Compra em 19. que concluiu pelo prosseguimento da obra de construção do Fórum Trabalhista.’ 52. pois. bem como embargo. Assim. nos momentos oportunos. O responsável assevera que.

verbis: ‘Já em relação aos seus antecessores. em síntese. Srs. que o procedimento adotado para a liberação dos recursos à Construtora. Antes. vol. 53. f. entendemos oportuno ressaltar a análise daquela Unidade Técnica.115/1998-8. Logo.A. Nicolau dos Santos Neto. José Victório Moro e Rubens Aidar. Tece considerações sobre os atos de gestão praticados pelos demais Presidentes do TRT-2ª Região. 39). de sorte que nos reportamos às considerações expendidas no item 23. 2001 127 .000. José Victório Moro e Rubens Tavares Aidar (ex-presidentes do TRT/SP nos períodos de 1992/1994 e 1994/1996. seus antecessores no período de construção das obras do Fórum Trabalhista.1 e 24. prosseguindo na prática de vultosos adiantamentos à construtora. referentes ao TC nº 700. 20 a 24). proferida em 08/05/1996. não há referência aos antecessores supracitados no Acórdão nº 045/99 do Tribunal de Contas da União (vol. 13). ao ignorar a determinação para ‘a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos’. tendo em vista que já existe apreciação deste Tribunal a respeito. Ano 4. o Juiz presidente da Comissão de Construção. à qual nos reportamos.1 Análise Ressalte-se que as alegações desse item são do mesmo teor das consubstanciadas nos itens 23 e 24 da instrução juntada ao vol. 39 (f. não obstante a relevância de muitos desses atos na condução da obra do Fórum Trabalhista.000. 183/185). Brasília-DF. argumentando. Srs.Embora ciente da Decisão nº 231/96-Plenário. sem qualquer preocupação com a correspondente contraprestação dos serviços de execução da obra. que as alegadas irregularidades decorrentes do procedimento licitatório e da execução do contrato abrangem um período nitidamente superior ao lapso temporal em que ele esteve na Presidência do Tribunal. e diversas outras autoridades judiciárias e administrativas do TRT-2ª Região.00 no período de 11/10/1996 a 16/03/1998. Sr. Auditorias do TCU.1 (f. Dessa forma. o recorrente não lhe deu cumprimento integral. 156. do incrível montante de mais de R$ 42. f. Número 15. principal. 196). 185/191 do vol. foi o mesmo utilizado pelos seus antecessores. sem qualquer benefício para a Administração.. Alegação O Responsável argúi. A questão em apreço também foi enfrentada pela Secretaria de Recursos no Pedido de Reexame (f. havendo atos praticados no período de 1992 a setembro de 1996 que não dizem respeito à sua atuação à frente do TRT da 2ª Região. de que lhe parecia ‘incompatível o estágio da obra com o desembolso financeiro já concretizado’ (vol. permitiu o recorrente a continuidade do ajuste como se de coisa privada se tratasse. que importou na entrega à Incal Incorporações S. Enfatiza que. em síntese. nem mesmo a convicção por ele externada na reunião que convocou e da qual participaram os representantes da Incal. ao contrário do alegado. E não o impediu dessa prática. ‘ 53. considerado lesivo ao interesse público. o que decorreu dos atos praticados pelo recorrente foi um gravíssimo prejuízo ao patrimônio público. 26.

o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. encontra-se atualmente tramitando nesta Unidade Técnica. argumenta que os seus atos como ordenador de despesas seriam do primeiro tipo. 128 Auditorias do TCU. a legitimidade. todas as demais que ingressaram nesta Secretaria no período de 1992 a 1999 estão abertas para que se possa inferir os reflexos dos pertinentes atos praticados pelos diversos gestores na execução das obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. f. distinguiu dois grupos: aditivos de readequação de pagamentos e prazos (Segundo e Terceiro Termos Aditivos). Brasília-DF. 147/148 do vol. in Ata n° 32/97 – TC n° 700. e aditivo de reequilíbrio econômico-financeiro e prorrogação do prazo de entrega do imóvel (Quarto Termo Aditivo).1999. interpôs. 35. Cabe registrar que as alegações desse item são absolutamente iguais às produzidas no Pedido de Reexame já apreciado por este Tribunal. considerando a gravidade de fatos colacionados. uma vez que. Ano 4. Quanto ao exercício de 1992. 2001 .07. 22/28). Nesse sentido.282/93-9 – Tomada de Contas do TRT/SP referentes ao Exercício de 1992). MinistroRelator. tendo sido sugerida audiência dos responsáveis nos períodos inquinados. 13): ‘Invocando a distinção doutrinária entre atos de mera rotina e atos de conteúdo decisório.respectivamente). Sr. da Lei n° 8.109/97-8 – Tomada de Contas do TRT/SP referentes ao Exercício de 1996 (f. No que se refere aos aditivos contratuais assinados. importa assinalar que os recursos relativos às contas de 1994 e 1996 foram instruídos. a existência de documentos e fatos novos. em 15. embora reconhecendo a sua natureza como atos de conteúdo decisório. Alegação O Sr. o recorrente. Número 15. RECURSO DE REVISÃO contra as seguintes decisões: Acórdão n° 168/98 – TCU – Plenário (TC n° 700. da Comissão da Construção do Fórum e do engenheiro encarregado da fiscalização. desprovido de conhecimento técnico para tomar decisões de natureza administrativa.210/95-4 – Tomada de Contas do TRT/SP referentes ao Exercício de 1994) e Deliberação proferida pela 2ª Câmara na Relação n° 75/ 97. o interesse de agir e a tempestividade. 54. restringiase a apor sua assinatura em documentos apenas para dar encaminhamento ao procedimento administrativo. À guisa de complementação. III. traça um paralelo entre os atos que podem ser considerados como de rotina e outros relacionados a decisões administrativas mais relevantes. após a manifestação técnica de uma série de agentes. as quais já foram realizadas. sustentando que não lhe competia a prática de uma série de atos relativos à execução do contrato durante o período de seu mandato. Daí decorreria a impossibilidade de se lhe atribuir qualquer responsabilidade pelos fatos ocorridos (vol. Em síntese. vol. Acórdão n° 238/97 – TCU – Plenário (TC n° 700. assumindo a feição de verdadeiros atos administrativos vinculados.443/92. com fulcro no art. 20. principal). além das tomadas de contas ora mencionadas. Délvio Buffulin defende a legalidade dos atos praticados em sua gestão. 572 a 580. Adylson Motta (f. assim resumido pelo Exmo. de modo que apresentamos abaixo excerto da matéria.

tendo o seu Ministro-Presidente sido ‘categórico em afirmar o cabimento do pleito apresentado pela construtora’. informou o recorrente que. 20. devendo ser restabelecido pela Administração quando violado. razão pela qual não há hipótese de discricionariedade da administração. a pretexto de uma suposta conformação dos seus atos como de mera rotina. ensejam o restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado com a empresa INCAL Incorporações S/A. Rubens Aidar. Além disso. da Constituição Federal e Lei n° 8. cabendo à contratada.’ (grifo do original). acolho como razão de decidir a pertinente análise efetivada pela 10ª SECEX. responsável pela assinatura. 39 do Decreto nº 93. Brasília-DF. conforme admissão de fatos pelo TRT da 2ª Região.. Número 15. art. implicou o retardamento da execução da obra. a par de plenamente conforme ao ordenamento jurídico vigente.872/86 — a rigor. No que diz respeito aos aditivos de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. no entanto. 37. necessariamente vinculados a anteriores manifestações de outros agentes ou instâncias administrativas. reportamo-nos às considerações ali expendidas pelo Exmo. do Primeiro Termo Aditivo de readequação de pagamentos e prazos (vol. f. 194 do vol. para construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. devido a reiterados atrasos na liberação dos recursos orçamentários. o reequilíbrio econômico-financeiro tem previsão legal. f. o que. assegura-se que a intangibilidade do equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo configura um direito adquirido da contratada. existem os pressupostos de sua validação.Com respeito aos aditivos de readequação de pagamentos e prazos. em 21. 37. que. conta com respaldo doutrinário e. apresentando resposta nos termos seguintes (vol. 90 do Decreto-lei nº 200/67 — para refutar a idéia de que em tais Auditorias do TCU. 30/33).1 Análise Considerando que a matéria em tela foi apreciada no citado Pedido de Reexame (vol. Ano 4. o descumprimento involuntário das cláusulas econômicofinanceiras por parte desse TRT. ao art. Ministro-Relator. 13). o recorrente argumentou que. tanto no ordenamento jurídico (art. XXI) Nesses termos. aliado ao comprovado aumento de tributos. Em especial. 54. a comprovação do incremento de seus custos. celebrou o Segundo e o Terceiro Termos Aditivos. 20. a fim de evitar a paralisação da obra e eventual ação judicial por parte da construtora. 2001 129 . o que requererá o exame e decisão das unidades técnicas desse Tribunal Regional’. a seguir reproduzidas: ‘Com respeito à tentativa do recorrente de evadir-se da sua responsabilidade como gestor dos recursos públicos. Sr. Sr.666/93) quanto na doutrina e na jurisprudência. XXI.A. 40 – destaques do original): ‘Assim. como declarado no ofício sob exame. seguiu idêntico procedimento adotado pelo seu antecessor. vez que está vinculada à obrigatoriedade de serem ‘mantidas as condições efetivas da proposta’ (Constituição Federal. sustentou que. consultou o Tribunal Superior do Trabalho. especificamente acerca do pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato formulado pela Incal Incorporações S.1994. afigura-se absolutamente procedente a referência ao art.10. inc.

Brasília-DF. 71.. par. bens e valores públicos da administração direta e indireta’.666/93 e o art. designar o representante da Administração para acompanhar e fiscalizar a execução do contrato e os membros da Comissão da Construção do Fórum. guarde. respectivamente. gerencie ou administre dinheiros. para que estes o auxiliem corretamente na execução do contrato. competia ao Recorrente. logicamente. Ano 4. Nicolau dos Santos Neto.000.. o art. para dizê-lo com Goethe. como implicação desse princípio inerente ao regime republicano.. com culpa ‘in eligendo’. Entretanto. por considerar que ‘tais recursos orçamentários foram creditados para ‘Construção do Fórum Trabalhista da Primeira Instância da Cidade de São Paulo – SP’. ou que. o art. 55. assuma obrigações de natureza pecuniária’ (CF. no essencial as alegações do recorrente se identificam com as apresentadas pelo Sr. pública ou privada. E. na condição de Presidente. defendeu o recorrente a licitude da utilização de R$ 22. 148 do vol. como demonstra.000. no mínimo. em nome desta. 130 Auditorias do TCU. o ordenador de despesas deve cercar-se de agentes idôneos com aptidão técnica suficiente. Em suma. 70. 2001 . entendemos que não merecem prosperar as alegações de defesa contidas no item 54. 67 da Lei n° 8. verbis: ‘Finalmente. no caso em comento. art. ‘quem não sabe prestar contas (.00 (vinte e dois milhões de reais) dos recursos orçamentários de 1998 para o pagamento do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. único). bens e valores público ou pelas quais a União responda. 13). arrecade. da Constituição atribui a este Tribunal precisamente o dever de ‘julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros.. No tocante aos aditivos que modificaram às condições financeira do contrato.casos a irresponsabilidade do gestor decorreria de cingir-se ele à ‘assinatura de documentos para encaminhamento de processos administrativos’. em razão da nossa Constituição impor que ‘prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica. Número 15. Alegação Também a argüição ora produzida é idêntica a referida no Pedido de Reexame (f. E. os pareceres elaborados por tais agentes não têm força de legitimar a ação do ordenador de despesas que estará agindo. II. pelo que reporto-me às considerações que a respeito delas antes desenvolvi ao examinar a questão (.)’ Face o acima exposto. que utilize. Acrescento aí apenas que a tese da irresponsabilidade administrativa dos gestores com respeito a atos administrativos para cujo aperfeiçoamento concorram outros agentes não tem acolhimento no direito positivo brasileiro.) permanece nas trevas ignorante e vive o dia que passa’. 122 do Regulamento Geral do TRT da 2º Região’. o que. do que pôde a Unidade Técnica concluir: ‘No caso de se tratar de contratos de grande complexidade. pelo que passamos a reproduzir excerto da matéria constante do Relatório do Ministro condutor daquele feito.

em face das restrições do art. Ministro-Relator. que afastam a argüição de inobservância ao direito de ampla defesa e configuração de listispendência. tendo como finalidade principal o término da construção’ (vol. f. motivou a propositura de ação judicial por parte da Procuradoria da República no Estado de São Paulo. na propalada ‘readequação econômica do contrato’. Sr. ‘Em particular. não havendo. seja sobrestado ‘o presente processo em virtude da indevida aplicação da sanção de ressarcimento pelo dano pretensamente causado ao erário público em concomitância à ação civil pública ajuizada com a mesma finalidade.1 Análise Diante das razões acima expostas. Alegação Às f. acrescida das cautelas indispensáveis e esperadas de tão relevante cargo público. segundo informado ao Ministério Público Federal pelo próprio recorrente. serão analisadas as alegações de defesa às f.00. 26. da Constituição Federal. o responsável faz uma retrospectiva dos principais atos da sua gestão e dos demais presidentes à frente das obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo.1. no Auditorias do TCU. 20. mormente aquelas consubstanciadas nos itens 50.’ Diante do exposto. 45). ao menos.1. como registrado na análise da 10ª SECEX. 21. implantação de serviços de telefonia e eletricidade e obras no estacionamento do futuro prédio do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. Fato esse que. Concluiu o recorrente afirmando que sua conduta ‘pautou-se pela estrita observância ao princípio da legalidade. 58. I e VI. relativo à Decisão nº 469/99-TCU-Plenário. até o julgamento final desta última’ e sejam julgadas ‘improcedentes as alegações que justificaram esta Tomada de Contas Especial. Brasília-DF. 21. 56.000. Alegação O pedido deduzido à guisa de conclusão é no sentido de que seja acatada ‘a argüição de vício de procedimento por cerceamento de defesa.’ (vol. incs. aliás. f. da dotação de R$ 22.1 Análise Acerca da alegação supra.DA CONSTRUÇÃO DA OBRA E A GESTÃO DO DR. qualquer resquício de dano causado ao erário público’ (vol.000. 01/19 do vol. rejeitamos a alegação em tela. tendo em vista a sua conformação como ato de improbidade administrativa. 04/10 do vol. de 09/08/1999. 56. repita-se. que fora destinada. 51. 20. não há como aceitar a tese do recorrente no sentido da possibilidade de utilização. assim se manifestou o Exmo. 2001 131 . 57. para aquisição de equipamentos. 46/47). Ano 4. f. relativas ao item ‘II . apresentadas em atendimento ao Ofício Secex/SP nº 490.autoriza que sejam utilizados estes recursos na readequação econômica deste contrato. no lapso temporal da sua gestão. Número 15. DÉLVIO NA PRESIDÊNCIA DO TRT-2ª REGIÃO’. 167. Nos próximos itens. 53). formulando acusação formal a fim de que seja efetivamente assegurado o direito de ampla defesa. as solicitações finais aduzidas pelo responsável devem ser rejeitadas.’ 55.

Alegação O responsável afirma nesse item que a decisão proferida por esse Tribunal contém contradições que acabam por lhe impor penalidade extremamente severa e injusta. Assim. f.1 dessa instrução e nos demais itens ali citados.1 Análise Tais questões foram examinadas no item 53. 21). não havendo novos fatos. todas do Plenário. 26. 32. não obstante sua gestão abarcasse dois anos do total do período de construção das obras. reportamo-nos às considerações produzidas. Nota-se que são basicamente as mesmas constantes das f. considerando que a matéria encontra-se percucientemente examinada por este Tribunal.1 Análise O exame dessas alegações consta do item 52. 20. Brasília-DF. no que tange à responsabilidade solidária do Sr. Número 15. 20/25 do vol. Finaliza solicitando que este Tribunal decida pela sua não responsabilização pelos atos eventualmente lesivos ao erário identificados neste autos.115/96-0). 10/11 do vol. Délvio Buffulin Tendo em vista que não foram aduzidas novas argumentações que conduzissem à modificação do mérito do Acórdão nº 045/99 e das Decisões nº 469/ 99 e 591/00. 151/156 do vol. 19/22 do vol. 158/164 do vol. 186/191 do vol. são as mesmas contidas às f. Importa salientar que as argüições oferecidas nesse sentido são do mesmo teor das consubstanciadas às f. 60. sendo despiciendo. f. em síntese. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo Sr. 59. 39. 156/157 do vol. pois. 32 (peças transpostas do TC nº 700.período de 1992 (início da licitação) a 1996 (início de sua gestão na presidência do TRT/SP). e f. visto que não foram acrescentadas assertivas que impusessem novo exame na presente informação. 14/19 do vol.1 às f. Assim.1 supra e dos pertinentes itens ali citados. reportamo-nos integralmente às considerações referidas. 2001 . Portanto. 61. 59. considerando que a matéria foi enfrentada em todas essas oportunidades. 20 (Pedido de Reexame contra o Acórdão 045/99). outras considerações. e que o responsável não traz em sua defesa novos argumentos.1 Análise As alegações em tela foram percucientemente enfrentadas pela instrução no item 24. 32 e f. ter sido responsabilizado por todo o débito. tendo em vista. reportamo-nos ao entendimento consubstanciado nestes itens. 58. 26 (alegações referentes ao Acórdão 045/99). Ano 4. 25/26 do vol. Alegação As argumentações aduzidas pelo responsável no item III ‘DA OBSERVÂNCIA ÀS RECOMENDAÇÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO PELO EXPRESIDENTE DO TRT-2ª REGIÃO JUIZ DÉLVIO BUFFULIN’ (f. 60. 132 Auditorias do TCU.

98.Alegações de defesa do Sr.08.115/96-0.054. nos autos do TC nº 700. quando da citação determinada pela Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. com vistas a complementar a defesa do interessado. Informantes naquela instrução (f. IV . Verifica-se. da citada Resolução. foi incluído como responsável solidário.exercício de 1995). uma vez que o TC nº 001.194/ 210 do vol. Gilberto Morand Paixão. a saber: a) nos autos do TC nº 001. As argüições e documentação apresentadas pelo Sr. o exame desses documentos. preliminarmente. 01/22 do vol. 39). 933 do vol. seu exame somente ocorrerá nessa oportunidade. De ressaltar. 39. no entanto.115/96-0 (item ‘b’) já foram minuciosamente examinadas. somente com a Decisão nº 469/ 99-TCU-Plenário. 67. 63.12. na forma do art. Impõe-se.28 (quantia indevidamente liberada em razão de parecer pelo mesmo emitido). para exame dos recursos formulados em face do Acórdão nº 045/99-Plenário. não obstante esta defesa tenha ingressado nessa Secretaria anteriormente à defesa referida na alínea ‘b’ do item retro. por conseguinte. 24 e 25 desses autos. consoante referido no item 3. Gilberto Morand Paixão encontram-se consubstanciadas nos volumes 23.194/210 do vol. 64. oportunamente. ao contrário. Brasília-DF. Destarte. observa-se a inexistência de novos argumentos. cabe nos reportamos integralmente às considerações tecidas pelos Srs. ao relator do feito para apreciação. assim. inciso I. O responsável apresentou defesa relativamente ao débito que lhe fora solidariamente imputado em duas oportunidades. pelo valor de R$ 13. 2001 133 . 39 da Resolução nº 136/2000 deste Tribunal. Confrontando-se as presentes alegações com as referidas na alínea ‘b’ do item 64. o responsável remeteu-se inúmeras vezes a documentos que estariam contidos nos volumes 23/25 dos presentes autos.06. Ano 4.00.115/96-0.025/ 98-8 encontrava-se na Secretaria de Recursos. Serão analisadas.207.99. que na defesa atinente ao TC nº 700. Gilberto Morand Paixão (f. tendo em vista que sua contratação se deu em 15.Délvio Buffulin. que às f. b) nos autos do TC nº 700.não foi citado quando do Acórdão nº 045/99-TCU-Plenário. Número 15. 65. entendemos deva ser rejeitada a totalidade das alegações de defesa aduzidas. o responsável complementou com novos argumentos a defesa que ora se analisa. os quais relacionamos a seguir. para melhor entendimento: Auditorias do TCU. As alegações de defesa pertinentes ao TC nº 700.025/98-8 (inspeção convertida em TCE) .115/1996-0 (Tomada de Contas . Tal solicitação encontra arrimo no art. tendo sido citado por meio do Ofício nº 492. posteriormente ao período em que equipe de inspeção dessa Secretaria realizou o trabalho. cabendo sua remessa. as alegações de defesa afetas à Decisão nº 469/99-Plenário. Registre-se. Dessarte. Registre-se que. que quando da citação posterior. 39 consta pedido de sustentação oral formulado pelo Sr. de 09. constando a instrução por translado às f. 66. 23) 62. 40. em 14.

com visitas. tendo por objeto a ‘fiscalização e acompanhamento das obras relativas a construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo (. e outros inerentes à contratação. 23). verbis: ‘Paragráfo Primeiro: A Fiscalização das obras.06. 68.98 (f. 23/31 . 161 .Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo (f.06. 23). O parágrafo primeiro da citada cláusula dispõe. 25). Dos documentos listados acima. 23). 168 . 8) doc. 11) doc. Em 15. sendo por demais concisos. INCAL INCORPORAÇÕES S/A.98. contendo consulta a respeito da possibilidade do restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado com a Incal (citado no item 10). 23). 6 .98 (f.98 (f.’ (cláusula primeira). 4) doc.06. dirigido ao presidente do TST (Ministro Ermes Pedro Pedrassani).escritura de retificação e ratificação e aditamento celebrada entre o TRT/2ª R. 2001 . Nicolau dos Santos Neto. vistorias. 163/167 do vol. 23). 3) doc.99). custos e medições do empreendimento. 6) doc. datado de 16. 5 .). 11 . 12) doc. 162 . 149/156 . Nicolau dos Santos Neto.. datado de 06. Verifica-se ainda que o preço global do contrato totalizou R$ 8. 01/157 .vol. e Ofício do TST.06. englobará o acompanhamento dos serviços. 38/148 .Fundamentos para o restabelecimento do equilíbrio econômico do contrato de aquisição do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo (f. contatos com o responsável pela construção.contrato de trabalho firmado com o TRT -2ª Região (f.vol. Nicolau dos Santos Neto.parecer técnico (f. Ano 4. 1118/1122 do vol.vol.vol.vol.06.05. do TRT/2ª Região (assinado por Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto). é importante destacar: 69.expediente da Incal Incorporações S/A dirigido ao Sr. 4 .fita de vídeo referente ao depoimento prestado na CPI do Judiciário (vol. conforme ordens bancárias juntadas às f.98 (f. 7. 23). 23). datado de 16. elaboração de relatórios. 2 . contendo a pertinente resposta à consulta. 9) doc.04. 8 .planilhas de medição (f.’ 70. e a Incal Incorporações S/A em 17. 2) doc.vol. objeto deste contrato.98 a 14.vol. 01/366 .00 (cláusula quarta).000. 32/37 .1) doc.06. 23).vol. Poderse-ia argumentar que isto decorre do fato de que houve dispensa de licitação.06. firmou o responsável contrato com o TRT-2ª Região. resultando no preço médio de R$ 800. 23).expediente da Incal Incorporações S/A dirigido ao Sr. de 01. principal. 157/160 . 10 (anexo II da defesa) . orçamentos. datado de 04. 23). tendo 134 Auditorias do TCU.. 24).vol. 10) doc. 12 .expediente da Incal Incorporações S/A dirigido ao Sr. Brasília-DF. 9 .curriculum do engenheiro Gilberto Morand Paixão (f.Ofício GP nº 131/98. 5) doc.vol.98 (f. Observa-se que os termos e cláusulas do contrato não apresentam a extensão exigida por um contrato desse gênero. 71. Número 15.00 por mês (vigência de 15.98. 1 . 3 (anexo I da defesa) . 7) doc.

apenas para que se tenha uma noção de custos.612. 72. informamos no quadro a seguir os valores mensais cotados no convite nº 35/93. Nesse sentido.93. tais como carta-contrato. 76. Vale invocar.743. Ou seja. que não representa sequer a metade do recebido pelo seu antecessor? 75. Ano 4. autorização de compra ou ordem de execução de serviço.em vista que os preços propostos eram inferiores aos limites previstos para licitação.985. à época da contratação do engenheiro antecessor. mas sim uma contratação por valor irrisório. Número 15. totaliza 85. 1123/1132 do vol. um procedimento simplificado.05.05.000.98 R$ 20. em 12. se levarmos em conta que o engenheiro Gilberto Morand Paixão reside na cidade do Rio de Janeiro.000. Antônio Carlos da Gama e Silva Valor em 12. 73.66 R$ 7. com vistas a desburocratizar as ações do administrador. in casu.396. não se pode olvidar. 2001 135 .00.06.000. apenas uma vez por mês. principal): Empresa Cipel Construtora e Incorporadora Pereira e Pessine Ltda.201. entrementes. Não se deve relegar que.82 R$ 1. Ademais. se o engenheiro Gama recebia o valor mensal de R$ 1.523. Cesat Engenharia e Planejamento Ltda.96 Auditorias do TCU. muito pouco restaria do pagamento mensal de R$ 800. consoante dispõe o art. Quer nos parecer. argumento da CPI do Judiciário no sentido de que os valores irrisórios pelos quais foi contratado o engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva indicavam a existência de conluio entre ele e os responsáveis no TRT 2ª Região pela sua contratação e os responsáveis pela empresa construtora da obra. somadas as despesas de locomoção e estadia.000. não se configura um procedimento simplificado. principal). fato este que conduziria a um instrumento de contrato facultativo ou substituível por outros instrumentos hábeis.65 pelo contrato de fiscalização da obra (ordens bancárias de f. atualizados monetariamente até a data da celebração do contrato com o engenheiro Gilberto Morand Paixão (f. 62 da Lei de Licitações. nota de empenho de despesa. facultado pela lei nos casos de contratos por valores inferiores aos limites exigíveis para licitação. envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros. já seria um prazo irrisório para acompanhar obras de tamanha complexidade. 1133/ 1143 do vol.00 Cr$ 176.00 Cr$ 40. que esse não é o ponto.00 Valor em 15. cuja área construída. ainda. na hipótese de se deslocar a cidade de São Paulo para dar cumprimento ao contrato. 74. o que dizer do montante pago pelo mesmo serviço ao engenheiro Paixão. notadamente do porte do Edifício-Sede das Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo. que.93 Cr$ 449. Ao contrário.814. para obras de grande vulto. deve dispor o Administrador zeloso de uma fiscalização compatível com a magnitude do empreendimento. Ora.92 m2. por si só. absolutamente atípica em contratos de fiscalização de obras. Brasília-DF.

Essa é a análise que sobressai do contrato de trabalho juntado pelo responsável em suas alegações de defesa. Ano 4.864. a posição física da obra é de 80. 25) o engenheiro Morand afirma que considerou um total de 80. para uma vigência de três meses. ao passo que no parecer técnico (f. Brasília-DF. 83. um custo médio mensal de R$ 20. pois. Infere-se. base dez/97. 366 do documento. inserido no vol. que uma tarefa de tal porte seja efetuada por um único profissional.A. verificamos que o contrato celebrado com a empresa L. e por um custo tão irrelevante. 157 do vol. E mais. Também foram realizadas visitas a fornecedores da Incal. principal). porém absolutamente necessárias para que se tenha dados fidedignos sobre o empreendimento. foi utilizado o orçamento elaborado pela PINI Sistemas Ltda. as equipes deste Tribunal que realizaram inspeção nas obras do Fórum Trabalhista contaram com a colaboração de técnicos de outras entidades. 24. ao responder pergunta formulada na CPI. que incluiu contato com todos os fornecedores conhecidos da contratada. haja vista que às f. Conforme relata a equipe (f. Não se pode conceber.10 (ordens bancárias de f.75% a executar. no exercício de 1999 (de 24. totalizou R$ 62. No ano seguinte. 196/203). no último mês de maio. relata a equipe (f. 2001 . Falcão Bauer. É interessante registrar que tal documento não foi apresentado à equipe deste Tribunal que fez inspeção nas obras no período de 01 a 17 de abril de 1998. isto é. este documento foi confeccionado pela contratada. 15. foram requisitados engenheiros da CEF. nota-se que não é informada a data de elaboração ou ainda em que período é retratada a posição física da obra. daí. 81. também não foi apresentado o citado documento. a empresas subcontratadas e a edifícios similares.f. com a finalidade de oferecer Laudo Técnico da obra (vol.592. Contou a referida empresa com uma equipe de cinco engenheiros e oito técnicos para o determinado trabalho. Outrossim. Ainda para que se tenha uma idéia dos preços de mercado. 18 . No que diz respeito ao documento 3. principal): ‘Quanto à afirmação desse profissional. É de presumir que se refira a 31/05/98.. Do exame do aludido Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Número 15. que todas as tarefas que envolvem as obras do Fórum Trabalhista são complexas.03. com a arquiteta da Fundusp.. 136 do vol. 1144/11460. Ao contrário. 79. com esporádicas visitas mensais. 82. f. o responsável reporta-se ao mesmo como tendo respaldado o seu parecer técnico que é parte integrante do pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. 78. fizeram um trabalho minucioso. durante seu depoimento à CPI do Judiciário (em curso no Senado 136 Auditorias do TCU. 53/54 do vol. ramificação da Incal Incorporações S/A. Segundo depoimento do responsável. 612 do vol. Na primeira oportunidade.25% das obras executadas até 31/05/ 98.77.05 a 02.06). quando da inspeção procedida em atendimento ao Acórdão nº 045/99. porém da Construtora Ikal Ltda. 80. Consta do cabeçalho do documento o nome não da contratada. O setor de engenharia do TRT.25% executado e 19. quando passou a participar do processo (vale lembrar que estavam alijados do acompanhamento da obra).

ou seja.25% de Auditorias do TCU. pois. por esta consultoria. com a quantificação de todos os serviços executados e a executar (que. Trata-se. o qual não foi apresentado em nenhuma oportunidade às equipes de inspeção. Isto porque. Ano 4. 151 do vol. principal). Número 15. de que havia elaborado uma medição detalhada da obra. instalações eletro-mecânicas.98 pelo engenheiro Gilberto). Ocorre que. vejamos.25% executado e 19. 84. o engenheiro já fazia remissão ao documento epigrafado. 366 do citado documento (inserido no vol. na verdade. 89. de per si. pois assinala o engenheiro no citado parecer técnico (cf. que em 15. XV. f. havia dois documentos distintos. De assinalar que o citado documento vem juntado à defesa da Incal incorporações S/A apresentada em nov/99. 90. embora não seja datado. Ora. indicando a posição de junho/98 a abril/99 (presume-se que se trata de previsão. data de seu parecer técnico.70% do preço global ajustado no contrato inicial (f. subdivididos por blocos e respectivos pavimentos). causa estranheza que não tenha sido disponibilizado às equipes de inspeção deste Tribunal. Assim. não obstante reiteradamente solicitados os cronogramas físicos e financeiros detalhados da obra e outros elementos que pudessem subsidiar nossos trabalhos. 154 do vol. Vê-se pois.’ 85. 86. segundo os documentos apresentados à equipe de inspeção que esteve nas obras em abril/98. constando 98. é mencionado já em 15. 111 e 129). 87.98.06. a posição física da obra totalizava 80. em 31/ 05/98. Daí dizer que esses dados. Note-se. como assegura o engenheiro. equipamentos e serviços especiais. f. O programa analisado e rubricado. qual seja. 25). 8 e f. Brasília-DF. conforme referido no item 81. 98. fará parte integrante desse Parecer. procedido nessa oportunidade.70% de cronograma físico-financeiro em um e 80. inclusive. discriminando os percentuais executados e os a executar para cada item de serviço. no mesmo período. constituíam um ‘calhamaço de 500 páginas).75% a executar. senão. 24). se tal documento embasou. neste ato. constatamos a exatidão das informações contidas nesse documento. verbis: ‘ANÁLISE Após o estudo do documento ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo’. O exame desse documento.06. de uma relação de serviços (obras civis. 2001 137 .04. encerram uma contradição.Federal). em suas palavras. 88. 51 e 142 do vol. conforme referido. o TRT informou desconhecer tal documento (Vol. seu parecer técnico. como justificar que. bem como cronogramas físicos e financeiros do empreendimento. um dos quais somente agora foi trazido à luz. dos esclarecimentos prestados pelos Engenheiros responsáveis pelos serviços e tendo conferido os itens e seus respectivos percentuais de execução. em 01. contendo dados dispares. consoante f. o TRT/SP já havia liberado à contratada. vem corroborar as inúmeras inconsistências já levantadas pelas equipes de inspeção desse Tribunal. que este documento muito provavelmente existia desde a inspeção efetuada em 1998.98. no mesmo período.

que acompanhou o parecer técnico do Sr. Ou seja. Número 15. cujos itens de serviços totalizavam uma liberação de recursos da ordem de 98. pois.98. Délvio Buffulin. principal. Resulta. a verba não foi repassada para os tais ‘contratos à ordem’. justificativa plausível. os engenheiros contratados. Ainda sobre essa questão. o presidente do TRT/ 2ª Região. 91. então presidente do TRT/SP. trasladadas do TC 700. 39. Sobre as planilhas de medição citadas no item 4 acima. 140/248 do vol. de conformidade com o relatório de f.06. em conclusão. pois tiveram acesso ao tal ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo’. 94. 23. efetivamente. 92. 24). 611/ 612 do vol. A tese dos contratos à ordem defendida pelos responsáveis. apresentando apenas o orçamento da INPI.vol. parecer este por sua vez utilizado pelo Sr. e foram oportunamente examinadas por equipe de inspeção deste Tribunal. vale lembrar. que o mencionado ‘Programa de Conclusão das Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo’ (f. E mais. 52 do vol. sob nova gestão. em 17. 15. encontrando-se. teria norteado o parecer técnico da lavra do engenheiro Morand. Ano 4. Nicolau dos Santos Neto. conforme relata a equipe (f.obra executada em outro. 01/366 . havia um descompasso tão significativo entre o cronograma físico e o financeiro do empreendimento. que seriam pagamentos efetuados a fornecedores por serviços que não se encontravam fisicamente no canteiro de obras. a despeito de conter informações inconsistentes e sem conexão com a realidade da execução física da obra. porquanto respaldado em premissas que os fatos relatados demonstraram infundadas. Constatou-se. Sr. para fundamentar a celebração de Aditamento com a Incal Incorporações S/A. observa-se que já haviam sido inseridas às f. quando. e o presidente da Comissão Especial de Licitação. reportamo-nos às ponderações inseridas às f. constituiu Comissão para investigar os apregoados contratos.054. Délvio Buffulin. foi exaustivamente debatida. o próprio engenheiro Gama. esta tese. 203/205 do vol. do qual destacamos o excerto a seguir: 138 Auditorias do TCU. saliente-se que o TRT/2ª Região posteriormente rejeitou esta alegação da contratada. Sr.11. superada. mantendo contato com alguns dos principais fornecedores e subcontratados identificados.871.70% do preço inicialmente contratado. rejeitando. 2001 . 93. Gilberto Morand Paixão. que inexistia.28. eram conhecedores desse documento. dos quais foi liberada a parcela de R$ 13. vol. Brasília-DF.115/96-0. a Incal não comprovou estes contratos.088. como até hoje inexiste. 157/160). portanto. visando o pretenso equilíbrio econômico-financeiro do contrato (cf. que a Incal estava inadimplente com a maior parte destes. principal). Isto porque. Ademais disso. no valor de R$ 34. A respeito. e não se sustentou. 95. Daí que.207. afirmava que o empreendimento estava 80% acabado. 96. e simplesmente o sonegaram àquela equipe de inspeção. em depoimento prestado ao Ministério Público Federal. sendo que a defasagem entre o estágio físico e o montante liberado do preço era atribuída aos citados ‘contratos à ordem’. as alegações aduzidas. assim.

informou estarem 98. Essa questão é defendida pelo responsável às f. 02. XV. e não na medição física dos serviços já executados De observar que simplesmente foi dada continuidade às medições anteriores efetuadas pelo Eng. Vê-se. apenas um pequeno protótipo encontra-se no canteiro de obra. 39. 23). 81). Até mesmo o item ‘elevadores’. 240) sem que se observasse. Gama. Da mesma forma que seu antecessor. pois. Exemplos disso são a ‘estrutura metálica espacial’ (fechamento lateral entre as duas torres e cobertura de área central das mesmas). quando assegura que há determinados itens da obra cujo pagamento se faz antes mesmo do equipamento ter sido entregue e instalado na construção. 238. 193.8% executados (Vol. insistindo na argüição de que. I. 99. Ano 4. ou transporte ou instalação. deve-se rejeitar a alegação. ou em fase de fabricação. Paixão. do Vol. o Procedimento Administrativo TRT/GP 04/98. em segundo. que é vedada na Administração Pública. 2001 139 . (. que as planilhas em tela apresentam dados não fidedignos. 191. citando como exemplo o caso dos elevadores. 203/205 do vol. Floriano Vaz da Silva. 12/13 (vol. apresentou parecer técnico favorável à solicitação de reequilíbrio econômico-financeiro feita pela Incal10 (Vol. 196. cabe ressaltar que. não eram verdadeiras.’ 97. Gama. demonstrou que as afirmações da Contratada. XV). 144. em seu relatório de novembro de 1997. No tocante ao parecer técnico referido no documento 5 (item 67). f. sequer o início dos mesmos. quando restou evidenciado.. Esse parecer fundamentou a liberação de cerca de R$13 milhões à contratada (os três últimos pagamentos dos relacionados à f. 147/ 154). pois constatou-se que a empresa estava absolutamente inadimplente com alguns dos seus principais fornecedores. 165. VIII. f. 164. Desta última. Gilberto emitiu pareceres que autorizam pagamentos com base no montante de recursos financeiros que a Construtora alegava terem sido alocados no empreendimento. 243). f. já havia sido convencionada entre as partes (TRT e Incal) Auditorias do TCU.1 da instrução de f. 219. f. o eng. reportamo-nos integralmente às considerações contidas no item 31. Quanto a esta alegação. quando o que se verifica no local é que apenas 4 dos 24 elevadores estão efetivamente instalados. Número 15. continuou a motivar sistemáticas medições de evolução mensal por parte do Eng. Desta forma. conforme se verifica especialmente às f. instaurado na gestão do Dr. 123). e com outros sequer havia formalizado qualquer pedido. 100. as quais foram refutadas pelas equipes de inspeção que estiveram no canteiro de obras. f.‘No que concerne à atuação do Eng.) A análise dessas planilhas demonstra que vinha sendo atestada a execução de vários serviços (Vol. o responsável refuta com veemência a assertiva da equipe de que suscitou a liberação de R$ 13 milhões. XV. a realização de pagamentos por serviços não realizados. quando foi convidado para exercer o cargo de fiscal da obra. que o Eng. Paixão (Vol. 508/510 e 515/517. logo após ser contratado pelo TRT (Vol.. 98. XV. primeiramente. Brasília-DF. na obra. no sentido de que todos os equipamentos e instalações encontravam-se contratados. 216.

105. 15 e f. uma vez que não foi signatário da escritura de retificação e ratificação e aditamento celebrada entre o TRT/2ª Região e a Incal Incorporações S/A. 23). de refutar a alegação. 102. Brasília-DF. 157 do vol.’ (f. 01/157 do vol.11 140 Auditorias do TCU. denominado ‘Fundamentos para o restabelecimento do equilíbrio econômico do contrato de aquisição do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo’ (f. consoante referido anteriormente. das obras executadas do empreendimento contratado por esse Tribunal Regional do Trabalho. consoante se extrai do trecho a seguir transcrito: ‘Participaram e aprovaram as proposições afeitas nesse parecer os responsáveis pela Incal Incorporações S/A. Ano 4. É evidente que não poderia assinar. 104. não há como alegar desconhecimento dos fundamentos do futuro termo. Ora. 132. não há agora como defender a tese de que não teve responsabilidade na celebração do termo aditivo de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. tudo ainda em conjunto com a contratada. R$ 34. 39 (item 29. ofereceu sugestões. 200 do vol. 15 e f. sendo rejeitadas as alegações supra. Quanto ao documento 6. mediante o qual se faria o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato original. 101.1. Tal alegação foi examinada às f. 107. 39. in verbis: ‘Concluímos a favor da viabilidade e aprovação do pleito do reequilíbrio econômico financeiro devidamente ajustado por essa consultoria que tendo auditado as contas que foram apresentadas. tendo em vista que o citado documento registrava o montante pleiteado pela contratada a título de prejuízo. 197/199 do vol.1). 108. de acordo com o parecer técnico (f. 157/160 . Assim é que se o engenheiro analisou. 15). se a celebração do termo teve por base o mencionado documento 10. cumprindo acrescentar nessa oportunidade as considerações abaixo. O exame de tal parecer já foi detalhadamente procedido no item 28. No que diz respeito aos documentos 6 e 10 cabe aduzir as considerações a seguir. Assevera o responsável no mencionado documento (f. No entanto. vol. 106. às f. 2001 . 25). portanto. concluiu pela viabilidade e aprovação. sendo. acrescentando nesta oportunidade as considerações a seguir. Nesse sentido. 25). qual seja.2ª Região.871.06. nem participou. 25) e esse documento foi examinado pelo engenheiro.a futura celebração de um aditamento. 136 do vol. tampouco conhecia os termos e valores da escritura do aditamento para reequilíbrio econômico-financeiro. não é parte no contrato. haja vista a participação efetiva e a ‘aprovação’ da contratada na feitura do parecer. em 17. pois. Constata-se ainda que o parecer técnico elaborado pelo responsável não apresentou a isenção que caberia na espécie.’ (grifo nosso) 103.vol. Número 15.088.98 (f. 137 do vol. Não assiste razão ao responsável quando afirma que não assinou. 157 do vol.25% até 31/05/98. considerou um total acumulado de 80. é improcedente a assertiva de que não conhecia os termos da Escritura. suas principais argumentações são de que não pode ser responsabilizado. reportamo-nos àquelas argüições.

114. os doutrinadores antevêem que a recomposição dos preços obriga a análise da ocorrência e de seus efeitos. Gilberto Morand Paixão Tendo em vista que. 40 do vol. Informantes. refutando o entendimento do responsável no sentido de que o Tribunal Superior do Trabalho anuiu à solicitação de restabelecimento do equilíbrio econômicofinanceiro. e de que teria convalidado a decisão tomada pela Comissão de Construção. por não se configurarem as hipóteses de acréscimo de objeto estabelecidas na Lei nº 8. Ano 4. Brasília-DF. tal análise técnica foi procedida pelo engenheiro Gilberto Morand Paixão (f. assevera que comprovam serem as tratativas para celebração do termo de aditamento para fins de reequilíbrio do contrato anteriores à sua contratação. o aumento dos custos da empresa contratada. do exame da documentação em tela. vol. para cujo embasamento utilizou-se o Parecer indigitado. Conclusão relativa às alegações de defesa apresentadas pelo Sr. não exime de responsabilidade o engenheiro que contribuiu para a concretização do feito. Essa argumentação foi refutada na instrução contida no vol.) 112. pois.A. subitem 28. de forma a mensurar. Desta forma. os quais foram sendo examinados oportunamente nos diversos itens. quando da inspeção procedida em 1998 nas obras do Fórum Trabalhista. 39 procedeu oportunamente à análise..1. Acerca do documento 11. Com efeito. o fato de ser antigo o pleito das partes. 20). 109. 198 do vol. 9 e 12..’ Assim. No tocante aos documentos 8.. partiu-se para a celebração do citado ‘reequilíbrio. um dos quais. 115. Entretanto. 110. Conforme bem ressaltaram os Srs. asseverou aquele órgão técnico. não merece acolhida a defesa apresentada. de rejeitar a alegação. relativos a expedientes dirigidos pela Incal ao Sr. 113. desta forma. cabendo ressaltar as ponderações ali produzidas (f. conforme também ressalvado pela instrução: ‘Frustrada a tentativa de aditamento de novos serviços. não foram aduzidas novas provas que conduzissem à modificação do mérito das Decisões nº 469/99 e Auditorias do TCU. Sobre a fita de vídeo contendo o depoimento (documento 7). de fato. Número 15. há muito a contratada e os dirigentes do TRT/SP empreendiam esforços para firmar aditivos. impondo-se. in fine). considerações e pareceres jurídicos contratados para fundamentar o pleito. com os cálculos. 41. (. procedimento licitatório. 2001 141 . de sorte que não poderia ser incluído como responsável. 39. a instrução à f. Assim. refutado por esta Secretaria. 25). 199.(f. de modo que nos remetemos às argumentações ali aduzidas. De acordo com o presidente à época. até porque o responsável já havia invocado em sua defesa inúmeros pontos argüidos no depoimento à CPI. Nicolau dos Santos Neto (na qualidade de presidente da comissão especial de acompanhamento das obras). não trouxe elementos que pudessem modificar nosso entendimento. a Secretaria de Auditoria do TST enfatizou a necessidade de comprovação do desequilíbrio econômicofinanceiro do contrato alegado pela empresa Incal Incorporações S.666/93. 111.

entendemos deva ser desconsiderada as proposições contidas no item 4. Dessarte. representante legal do Grupo OK Construções e Incorporações S/A. alíneas ‘a’ e ‘b’. dadas por devidamente examinadas. somos conduzidos à ilação de que deva ser refutada a totalidade das alegações de defesa apresentadas pelo responsável. Examinou-se conjuntamente nesta instrução. Número 15.025/1998-8 (Acórdão nº 045/99-Plenário e Decisão nº 469/99-Plenário) e uma vez no TC nº 700. Brasília-DF. portanto.115/96-0 (Decisão nº 591/ 2000-Plenário). Compareceu a esta Secretaria para ter vista aos autos. porquanto foragido à época. aduziu defesa somente no TC nº 700. no que tange ao perfazimento do débito. todas do Plenário. tendo em vista que sua inclusão como responsável ocorreu em razão de fatos supervenientes trazidos pela CPI do Judiciário.443/92. 2001 . que vinha tratando da questão do Fórum Trabalhista. emergindo. 142 Auditorias do TCU. devendo. assim.025/1998-8. Ministro-Relator Lincoln Magalhães da Rocha.99). a proposição que ora alvitramos irá considerar também as alegações e pertinentes análises e propostas efetuadas no aludido TC nº 700.04. o Sr. no que tange à responsabilidade solidária do Sr. ser considerado revel. do TC nº 700. c) o Sr.115/1996-0. em vista do princípio da ampla defesa.99) e posteriormente Decisão nº 469/99-Plenário (Sessão de 21.07. consoante referido nos itens 3 e 4. ex vi do disposto no § 3º do art. entendemos. porquanto referem-se ao débito em exame nesses autos. foi comunicado a todos os responsáveis que o prosseguimento da apuração dos fatos relativos à construção do Fórum Trabalhista de 1ª Instância da Cidade de São Paulo estaria sendo conduzido neste processo. Vale lembrar ainda que. os seguintes aspectos a ressaltar: a) embora revel no TC nº 700. sendo as conclusões daquela instrução consubstanciadas na presente proposição. Considerando que os fatos tratados em ambos os processos são do mesmo teor. porém. Luiz Estevão de Oliveira Neto. d) considerando que o presente processo passou a conduzir as questões atinentes ao Fórum Trabalhista. dando-se prosseguimento ao processo. b) o Sr. 118.591/00. ambos proferidos nos autos do TC nº 001. 117.115/1996-0. por conseguinte.00. devem ser consideradas aquelas alegações como parte integrante desses autos e. transpôs-se para estes autos as alegações de defesa e outros documentos contidos no TC nº 700.12. Nicolau dos Santos Neto apresentou defesa no processo em exame. face Despacho do Exmo. deva ser desconsiderada a revelia. as alegações de defesa produzidas em face do Acórdão nº 045/99-Plenário (Sessão de 28. devendo subsistir apenas as questões relativas às pertinentes contas. 12 da Lei nº 8. para todos os efeitos. V) Conclusão e Proposta de Encaminhamento 116. Antonio Antônio Carlos da Gama e Silva foi citado em três oportunidades: por duas vezes no TC nº 001.115/1996-0. não atendeu à nenhuma citação. Ano 4. Gilberto Morand Paixão.115/ 1996-0. Em conseqüência. e item 5. Sr. de 18. conforme relatado no item 5.115/1996-0. Pelo mesmo raciocínio conduzido na alínea ‘a’ retro.

Número 15. mediante relacionamento com a Incal Incorporações S/A. do exame. 120. quanto aos ex-dirigentes. concorreram para a formação do prejuízo os engenheiros contratados pelo TRT/SP com vistas à fiscalização da obra. investigado em sede própria. ex-contratada do TRT/SP para a construção do Fórum Trabalhista. 2001 143 . 122. Ao contrário.119. 127. 125. Não obstante seja a boa-fé fruto de presunção. 126. não lograram comprovar a boa e regular aplicação dos recursos públicos na construção do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da cidade de São Paulo. Os documentos apresentados pelos responsáveis. já por ocasião da análise das alegações de defesa. A empresa Incal Incorporações S/A. Outra questão de relevo diz respeito às alterações na sistemática vigente do art. 123. julgando o Tribunal o mérito definitivo pela irregularidade das contas já na mesma sessão em que promova a rejeição das alegações de defesa. promovidas por meio da Decisão Normativa TCU nº 35/2000 (publicada no DOU de 27. Ano 4. muito além do percentual de execução físicofinanceira da obra e a apresentação de planilhas e cronogramas físicos com medições superfaturadas ou fictícias. na condição de terceiro interessado que concorreu para o cometimento do dano. Brasília-DF. 124. a prática de atos administrativos eivados de vícios. dentre outros procedimentos. quanto para fins de complementação. devidamente descritas nessas instruções ora consolidadas.2000. Também o Grupo OK Construções e Incorporações S/A. 23 §§ 1º e 2º. que estabelece. Da mesma forma. Detectou-se. na medida em que efetuaram medições incompatíveis com o real estágio físico-financeiro do empreendimento. da Resolução TCU nº 36/95. III. no desvio de verbas do Fórum Trabalhista. houve interrupção de pagamentos à Incal Incorporações S/A no período de agosto Auditorias do TCU. posteriormente incluído como responsável nesta Tomada de Contas Especial. Seção 1. 121. à luz desse novo normativo. pois. também não logrou êxito em elidir as irregularidades que lhe foram imputadas. em que ocorreu a liberação de recursos pelo TRT-2ª Região. que resultaram em formação de vultoso prejuízo ao erário. 128. a necessidade de a Unidade Técnica examinar. suprimese a etapa processual que fixa novo prazo para recolhimento do débito. a imprescindível boa-fé. da Lei 8. mormente as questões dos vultosos pagamentos recebidos do TRT/SP. tanto a título de alegações de defesa. pág. Cumpre.443/ 92. Se. restar constatada a ausência desses requisitos. 16.11. os documentos inseridos nessa TCE apontam para a inequívoca sociedade de fato constituída entre os dois entes. 90). examinar a questão específica levantada nestes autos. com conseqüente movimentação financeira de aproximadamente US$ 46 milhões de dólares. o fato é que não vislumbramos nas condutas dos responsáveis solidários. Conforme relatado anteriormente e apurado pela CPI do Judiciário. não aduziu documentação hábil a afastar a participação deste Grupo. a boa-fé do responsável e a inexistência de outras irregularidades relacionadas no art. no período de 1992 a 1999.

atualizado monetariamente e acrescido dos pertinentes juros de mora. do Regimento Interno). a cobrança judicial da dívida. 1º. Diante do exposto. submetemos os autos à consideração superior. inciso II. fixará a responsabilidade solidária: a) do agente público que praticou o ato irregular. representada pelos Srs. Ano 4. da Lei 8. desde logo. de responsabilidade solidária também do Sr. neste período não ocorreu uma única transferência de recursos do Grupo Monteiro de Barros para as empresas do Grupo OK Construções e Incorporações S/A . da mesma lei. inciso III. como contratante ou parte interessada na prática do mesmo ato. 16. Número 15. desse débito total. 16. de qualquer modo haja concorrido para o cometimento do dano apurado.491.99. em síntese. representado pelo Sr. o que se comprova às f.951. propondo: a) com fundamento nos arts.’ 130. não serem aceitáveis nem convincentes ‘as explicações trazidas sobre a origem da extensa movimentação financeira entre o Grupo Monteiro de Barros e o Grupo OK. Luiz Estevão de Oliveira Neto. duzentos e sete mil. os Srs. a contar da notificação. a parcela de R$ 13. que dispõe: ‘§ 2º Nas hipóteses do inciso III. inciso III.054. o Grupo OK Construções e Incorporações S/A.05. na forma da legislação em vigor. inciso I.443/92. Gilberto Morand Paixão. sendo. 28. até a data do recolhimento. o Tribunal. 526/527 do processo principal.443/92. Brasília-DF. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso nacional. 165. 2001 . perante o Tribunal (art. de onde inegavelmente se originaram todos os pagamentos feitos pelo Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK. com a fixação do prazo de 15 (quinze) dias. e b) do terceiro que. as empresas do Grupo OK foram beneficiárias de quase 36.15 (cento e sessenta e nove milhões. Ressalte-se que a fixação da responsabilidade solidária é imposta pelo art. ao pagamento da quantia original de R$ 169. 19 e 23. da Lei nº 8. à Comissão Mista de Planos. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos). O Relatório da CPI registra que. para comprovar. caso não atendida a notificação. condenando solidariamente a empresa Incal Incorporações S/ A. bem como do Relatório e Voto que o fundamentarem. § 2º. quatrocentos e noventa e um mil.443/ 92. alínea ‘a’. o que reforça a suposição de que esta movimentação possa efetivamente estar relacionada a interesses comuns nas obras de construção do TRT de São Paulo. ao julgar irregulares as contas. Concluiu. da Lei 8. c) sejam encaminhadas cópias do pertinente Acórdão. calculados a partir de 01.207. 129. alínea ‘b’. nos termos do art.28 (treze milhões.’ 131. c/c os arts. alíneas ‘c’ e ‘d’. b) seja autorizada.35 % de todos os pagamentos efetuados pelas empresas do Grupo Monteiro de Barros. Délvio Buffulin e Antônio Carlos da Gama e Silva. o recolhimento do valor do débito aos cofres do Tesouro Nacional. Coincidentemente. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). naquele período. sejam julgadas irregulares as presentes contas. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. à Procuradora-Chefe da Procuradoria da 144 Auditorias do TCU. Nicolau dos Santos Neto. III. alíneas c e d deste artigo.de 1992 a julho de 1993.

025/ 1998-8). 1151/1165): “6.025/1998-8. compõe-se do exame complementar das alegações de defesa apresentadas pela empresa Incal e pelos Srs.64.2000. em 06. 39.República no Estado de São Paulo e ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho. Délvio Buffulin. no TC nº 001. f. o Sr.A. em 13. 9. f. 2001 145 . por meio de seus representantes legais. Secretário. 10. De início. 132/212. Nicolau dos Santos Neto. que suspendia os efeitos das decisões proferidas nos autos da TCE. ou seja. Gilberto Monrad Paixão e Antônio Carlos da Gama e Silva e a empresa Incal Incorporações S/A. por força das Decisões relativas a este processo (TC nº 001. em face da inclusão do Grupo OK Construções e Incorporações S. com proposta de mérito. Acontece que. Ao externar o posicionamento a seu encargo. encontrava-se o processo de contas ordinárias. por meio de seus representantes legais. Nesta ocasião. Respondidas as formalidades e analisadas as justificativas apresentadas. com realce para a efetiva caracterização da participação do Grupo OK como terceiro beneficiário. 8. restava apenas apreciar os recursos interpostos pelos responsáveis contra as Decisões proferidas Auditorias do TCU.12. TC nº 700. nova citação dos envolvidos. Esta divisão decorreu das decisões que foram adotadas por este TCU no transcorrer das apurações. isto é. a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. dar seguimento às investigações dos fatos concernentes às obras do Fórum no processo de Tomada de Contas do TRT/2ª Região. ambos do Plenário. 7. bem como da análise das defesas oferecidas pelo Sr. Lembre-se que. por conseguinte.115/1996-0. às f. resolveu. o que possibilitava dar-se continuidade ao exame da questão em tela no TC nº 001. Diretor da 2ª Divisão Técnica da SECEX/SP. este TCU. Decisão Plenária nº 591/2000.025/ 1998-8. Gilberto Paixão e Délvio Buffulin. Posteriormente. A primeira. Brasília-DF. proferida nos autos do TC nº 700. Srs. A segunda. Nicolau dos Santos Neto.” 40. ora em análise. Ano 4. em Sessão de 02/08/2000. inicialmente. 11. Para dar total cumprimento ao decidido por este TCU. em face da Decisão nº 591/2000 – TCU – Plenário. exercício de 1995. como responsável solidário.115/96-0. diz respeito à análise da defesa apresentada pelos Srs. ensejando. foram citados os Srs. 12. vol. em razão das citações determinadas pelos Acórdão nº 045/99 e Decisão nº 469/99. cabe comentar que o presente processo contém duas instruções. 39. conforme consignado abaixo (volume principal-III. Délvio Buffulin e Gilberto Monrad Paixão e pelas empresas Incal e Grupo OK. Número 15. acompanhado pelo Sr. em condições de ser julgado por este TCU. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.2000. tece importantes considerações sobre a matéria. vol. já havia sido revogada.12. o Tribunal Pleno decidiu que as questões relativas ao Fórum Trabalhista deveriam ser tratadas nos autos da Tomada de Contas Especial já instaurada. aquiescendo às conclusões de mérito preconizadas pelos Analistas.

2001 . vol. os Srs. Plenário. o Parecer do Exmo. 13. aduzir alguns argumentos em relação à defesa apresentada pelo Grupo OK. dois gestores principais. volume II do Principal. 01/32. gostaria de. De início. este TCU. os quais foram apreciados em Sessão de 14. para instrução. as quais foram sumariadas e examinadas às f. Brasília-DF.11. 39.03. f. Buffulin.08. 14. 33. período de 1992 a 1998.2000. Com efeito. serem apreciadas conjuntamente. Procurador-Geral junto a este TCU. outros argumentos não abordados na instrução. Pela lógica decorrente das peculiaridades processuais que estão a recair sobre as contas anuais do TRT/SP. Ministro-Relator posicionou-se: ‘13. negou-lhes provimento. de 02. 16. 18. f. Sr. divididas em liminares (6) e de mérito (3). 01/289. vol. Verifica-se que a finalidade da juntada dos processos foi evitar a prolação de sentenças contraditórias.01. Neste propósito. vol. f.1’ e ‘c. 33. procedendo aos esclarecimentos constantes no item ‘c. Acórdão nº 298 – TCU – Plenário. Nicolau. e repercutiriam nas contas correspondentes. de maneira que é de todo conveniente que o julgamento dessa questão se faça nos respectivos processos de contas ordinárias. com o fim de uniformizar os julgados relativos à matéria. 1 – Da Juntada. defende o raciocínio de que se deva reuni-las. o que foi realizado em Sessão de 29. Comunicados. na ordem e na forma nominada pela defesa. 132/ 212. 933/934. sob a condução de um único Relator. 1992 a 1998. Decisão nº 591/2000. 133/164.’ 146 Auditorias do TCU. Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto quedaram-se inconformados e interpuseram novos recursos.025/1998-8. o Exmo. Findas as observações iniciais. deu-lhes provimento. convém que as contas ordinárias correspondentes a todo esse período sejam reunidas para. cabe recordar que o procurador legalmente constituído trouxe em socorro do seu representado 9 (nove) alegações.2’ do mencionado decisum.2000. Acórdão nº 36/ 2001 – Plenário – TCU. são arrolados como responsáveis. com a condução de um único Relator. Embargos de Declaração. serem apreciadas conjuntamente’. assim sinalizava: ‘Bom ainda de ver que dois ex-presidentes do TRT-SP e. 19. para. Vencidas as etapas processuais. foram os autos remetidos a esta Secex em 22.03. é que o Sr. ProcuradorGeral junto a este Tribunal. Ano 4. ao bem elaborado relatório dos AFCE’s Renato Tomiyassu Obata e Sandra Elisabete Alves dos Santos.nos autos do TC 001. Número 15. No mérito. é que se deu a reunião de todos os processos. Considerando ainda que o prejuízo ao erário apurado decorre de pagamentos realizados no período de 1992 a 1998. Sr. no que tange ao Sr. ‘sob a condução de um único Relator. f. portanto. tendo em vista que os fatos narrados nesta TCE abrangiam diferentes exercícios.2001. no meu entender. 17. quanto aos Embargos opostos pelo Sr. e em relação a alguns itens. Acompanhando tal manifestação. Passo a acrescer. 15.

assim. especialmente em razão das posteriores medidas intentadas para viabilizar a continuidade da apreciação do feito. todas elas requerendo. Auditorias do TCU. suspendendo. Sobre o assunto. 29. de ordem processual.560-8).00: Desde logo. Ministro-Relator Adylson Mota. rejeita-se o alegado. sempre limitado. Jamais se pretendeu. Ao que tudo indica. 20. esclareceu que havia deferido a medida acauteladora apenas para suspender ‘a eficácia das decisões prolatadas pelo Tribunal de Contas da União relativamente à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e determinação de que fosse devolvida a quantia nela consignada’ (vol. quando da apreciação do seu mérito pelo Plenário do STF. quando menos. A questão específica. deixei registrado que a deferia ‘na extensão pretendida’. Assim. Brasília-DF. a cada vez que efetivadas. 4 . f. 81/82): ‘A leitura atenta da liminar forneceria mais luzes quanto à extensão desta. a eficácia das decisões prolatadas pelo Tribunal de Contas da União relativamente à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e determinação de que fosse devolvida a quantia nela consignada. transcrevo trecho do voto proferido pelo Exmo. como destacado pela defesa. Número 15. 21. posta à consideração do Colegiado defende a importância do exame das contas do TRT-SP em conjunto e em confronto. é oportuno registrar que. no item 3.11. motivadas fundamentalmente pela liminar concedida no mandado de segurança impetrado junto ao Supremo Tribunal Federal pela Incal Incorporações S.14.A. consignou aquele Relator (vol. Dos excertos acima transcritos. 29. retratadas nos TC 700. resultou tal conclusão de exame aligeirado. f. para liberá-los’. enfrentando precisamente o argumento articulado no parecer do Procurador-Geral da República no sentido de que a liminar fora concedida em extensão superior à requerida pelo impetrante.025/1998-8 nos diversos exercícios em que as obras foram executadas. Ano 4. novos pronunciamentos da 10ª SECEX e do Ministério Público. sobre o extravasamento do pedido formulado pela Impetrante. é fácil concluir que a juntada dos processos objetivou avaliar o reflexo das impropriedades detectadas no TC nº 001. quem sabe em virtude da sobrecarga de processos e da escassez de tempo. face à ocorrências perpetradas ao longo dos exercícios de 1992 a 1998. o Relator daquele writ. Sr.731/1992-0 e TC-001. ressalto que restou prejudicado ou. Aliás. encerrar este ou aquele processo. dificultado o exame dos presentes recursos em um prazo menor. A esse respeito.025/1998-8’. Com efeito.Da impossibilidade de trazer débito quantificado em outros autos sobre o qual pende recurso e liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. em Sessão Plenária de 29. (MS 23. no parecer do Procurador-Geral da República. 81). conquanto este Tribunal e o Ministério Público que aqui oficia tenham entendido que aquela liminar houvera suspendido in totum o Acórdão n° 045/99-Plenário e a Decisão nº 469/99-Plenário. sem dar margens a indesejáveis contradições. Faz-se indispensável este esclarecimento diante da assertiva peremptória. 2001 147 .

segundo o Relator do mandado de segurança. do acima reproduzido. chamada ‘CPI do Judiciário’. em virtude da cassação da liminar concedida. nenhuma limitação que impedisse este TCU de dar seguimento à apuração dos fatos.94. Nicolau dos Santos Neto. reuniu farto material. 194/283 daquele volume. e US$ 40. Não havia. Tal montante foi creditado. 59 ligações do ex-Juiz Nicolau dos Santos Neto para empresas do Grupo OK e outros 9 telefonemas para aparelhos de uso pessoal do ex-Senador.04. para a Conta NISSAN. 26. pelo Senado Federal. sem causa justificada. conforme se verifica às f.em 12. Número 15. Brasília-DF.00. vol. veio à tona a participação do Grupo OK nas ilegalidades ocorridas na licitação e execução do contrato relativo às obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. em 14. a saber: US$ 713. num período de um ano. conforme relatado no item 8. e mais 302 dirigidas diretamente a telefones do ex-Senador. às escâncaras. vol. entre as empresas do Grupo Monteiro de Barros e empresas do Grupo OK. mantida no DeltaBank em Miami e de titularidade do ex-Senador. em três parcelas. Também. 2001 . Vê-se. Foram registradas. da ordem de US$ 1 milhão. 8 . 38.00. Nos quatro primeiros meses de recebimento de recursos do TRT-SP. Ano 4.349 ligações entre 1991 e 1999. 25. nesta última conta. a CPI consignou (f.0494. Posteriormente. 1060 da instrução. haveria uma expressiva movimentação financeira. 24. Com a criação. demonstrando. 34. conforme documentos contidos no vol. 196.00. verificou-se que este envolvimento era mais íntimo. da Comissão Parlamentar de Inquérito. US$ 247. 148 Auditorias do TCU.000. Ademais. Esta relação estaria caracterizada por um fluxo elevado de telefonemas entre os dois grupos. conforme demonstrado às f.22. O Relatório da CPI. houve também transferências de recursos de empresas do Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK. 34. 206. Em relação às transferências financeiras entre empresas do Grupo MB e do Grupo OK. ainda. originárias da conta LEO GREEN e JAMES TOWERS. 2.000. no período de 1992 a 1999. num total de 2. a exata extensão da medida liminar. seria impossível a citação solidária do Grupo OK 23. que.000. 34): 1.04. a sociedade de fato estabelecida entre o Grupo OK e o Grupo Monteiro de Barros. à f.Mesmo que tivessem algum efeito jurídico os documentos apresentados. em 26. Coincidentemente neste período não houve uma única transferência de recursos do Grupo Monteiro de Barros para o Grupo OK.94. a argumentação encontra-se superada. num total aproximado de US$ 46 milhões de dólares. mantida no Banco Santander na Suiça e de titularidade do Sr. vol. houve interrupção de pagamentos do TRT-SP às empresas do Grupo Monteiro de Barros. pois. O rastreamento da contas do ex-Juiz revelou transferências financeiras. De agosto de 1992 a julho de 1993. restringiu-se à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e à determinação de que fosse devolvida a quantia consignada nas Decisões.

a CPI e. o representante legal do Grupo Monteiro de Barros. ainda que irregularmente a partir de julho de 1993 até dezembro deste mesmo ano. É claro que sempre poderá ser dito. afirmou que as transferências havidas arrimavam-se nos seguintes negócios: a) aquisição de um terreno. 6. declarados por ambos os grupos como sendo referentes a outros negócios. o Ministério Público Federal. Não havia nenhum negócio que suportasse tais movimentações. posteriormente. e d) amortização de empréstimos concedidos pelo Banco OK ao Grupo Monteiro de Barros. Indagado a respeito.3. ele só poderia fazer os pagamentos dos seus outros negócios com o Grupo OK. 4. 37. também. Prosseguindo em seu trabalho investigativo. vol. 27. Número 15. Tudo não passava de uma farsa. 5. quando também se reiniciaram as transferências a empresas do Grupo OK. Após análise parcial dos dados apresentados pela Receita (em virtude da demora do Grupo OK em entregar os livros fiscais requisitados). Dos 76 meses. o recebimento pela venda de terrenos. em 55 há um correspondência entre as liberações do TRT e as transferências do Grupo OK. b) aquisição de fazenda localizada no município de Santa Terezinha/MT. à saciedade. que tais transações comerciais foram engendradas com o fim exclusivo de justificar as escandalosas e infundadas transferências de recursos ao Grupo OK. a CPI concluiu: Como podemos observar. que como a única fonte de recursos do Grupo Monteiro de Barros era a obra do TRT de São Paulo. Fábio Monteiro de Barros. Durante este período há uma coincidência entre os meses de recebimentos de recursos do TRT-SP pelo Grupo Monteiro de Barros e as transferências feitas ao Grupo OK. conforme sumariado abaixo. c) compra de participação no empreendimento denominado Terminal Intermodal de Cargas Santo Antônio em Duque de Caxias/RJ. em 24 meses não houve liberação para o Grupo Monteiro de Barros e. a CPI solicitou à Receita Federal que realizasse diligência nas empresas do Grupo OK que foram citadas no depoimento prestado pelo representante do Grupo Monteiro de Barros. participação em empreendimentos e reembolso de pagamentos de empréstimos não condizem com a conta contábil em que foram escrituradas: ‘contrato de mútuo v. Mas os dados registrados acima apresentam. portanto. Brasília-DF. 29. quando recebia estes recursos. guardam uma evidente correlação com os pagamentos entre a primeira e última liberação de verbas públicas do TRT de São Paulo. Auditorias do TCU. um inegável relação entre os pagamentos ao Grupo OK e a entrada de recursos provenientes da obra do TRT de São Paulo. Ano 4. apresentadas pelo Grupo OK à Receita. demonstraram. imóveis’. de propriedade do Grupo OK. 28 Enquanto se examinavam as alegações apresentadas. que os pagamentos feitos pelo Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK. 2001 149 . em 34 meses houve transferência do Tesouro para o Grupo Monteiro de Barros e deste para o Grupo OK. na verdade. Sr. Os pagamentos do TRT-SP forma retornados. significando. não houve deste para o Grupo OK. glebas rurais. localizado no Bairro do Morumbi em São Paulo/SP.

o contrato apresentado. portanto de publicidade. nem ao MPF escritura pública definitiva de venda e compra do aludido imóvel. sendo este montante compatível com o valores declarados nas escrituras de venda e compra retro mencionadas. aqueles órgãos refutaram as justificativas apresentadas. os envolvidos. Brasília-DF. quando chamados a dar explicações. o montante alegado pelos envolvidos. sendo certo que a partir de então jamais houve mudança na propriedade do imóvel. tal parcela em R$ 1. • .607. inexistiriam investimentos. em síntese. • . Imóveis’. não teria firmas reconhecidas. • . pagamentos da ordem de US$ 13. • .30.A e da Monteiro de Barros Construções e Incorporações Ltda como ‘Investimento no Exterior’ ou ‘Adiantamento a Fornecedores’. Número 15. em recente desapropriação de parte da Fazenda em tela.340. como sendo o valor da transação: US$ 15. • . o Incra valorou. R$ 5 milhões.41. carecendo.88. e o declarado nas escrituras de venda e compra. os registros públicos apontaram que os terrenos (o contrato acima citado refere-se a dois terrenos) foram adquiridos pela Renovadora de Pneus OK Ltda.94. benfeitorias ou despesas de manutenção nas glebas rurais em comento que justificassem a estrondosa diferença entre os valores acima apontados.1 milhões do Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK. • . não se prestando.08. Em relação ao terreno localizado no Bairro do Morumbi em São Paulo/ SP. que não condiz com a operação de venda de imóvel alegada. outras empresas do Grupo OK. No tocante à aquisição de Fazenda no município de Santa Terezinha/MT. que não figuraram como outorgantes vendedoras do imóvel. foram apontadas as seguintes ocorrências: • . celebrado em 07. antecessora do Grupo OK Construções e Incorporações S/A em condomínio com a Argon – Comércio e Construções Ltda. em 15. e registraram tais recebimentos a crédito de conta do passivo ‘Contrato de Mútuo v. os cheques relativos aos pagamentos efetuados foram escriturados na contabilidade da empresa construtora Incal S. 150 Auditorias do TCU. foram beneficiárias dos pagamentos efetuados a título do suposto negócio. nos seguintes argumentos: • . que estimou o valor da transação em US$ 2 milhões. apoiados. o que evidencia a impossibilidade do Grupo Monteiro de Barros ter despendido uma importância de US$ 15. evidentemente. • . em sete vezes.1 milhões. com anuência do proprietário. ultrapassa. formando um conjunto de depoimentos contraditórios. 2001 .04.. nem fora registrado em cartório. alteraram seguidamente (à medida que as investigações avançavam) as versões dos fatos. 31. o preço das terras previsto no contrato de venda e compra. ao lançamento de operação atinente à aquisição de imóvel. • .1 milhões para aquisição de toda a área rural. sem causa justificada. Ano 4.. não se apresentou à ‘CPI do Judiciário’.

• . mediante reembolso ao Grupo OK de eventuais despesas efetuadas. na CPI e no MP. Número 15. e jamais pertenceram ao Grupo Monteiro de Barros. entre a concessionária e empresas do Grupo OK. o Termo de Acordo firmado. 2001 151 . No que tange ao Terminal de Cargas em Duque de Caxias/RJ. No item 5 do referido laudo. em 1989. como ‘Adiantamento a fornecedores’. quando de sua prisão por força de mandados expedidos pela Justiça Federal. vol.. ‘Investimentos no Exterior’ e ‘Contrato de Mútuo’. seria o momento em que o documento é salvo pela primeira vez.• . foram escriturados. as empresas do Grupo OK não apresentaram nenhum documento que comprovasse a realização de despesas com o projeto do Terminal de Cargas. a Receita Federal informou que a maioria dos cheques apresentados como relativos ao hipotético desfazimento de parceira. na contabilidade da empresa Construtora e Incorporadora Moradia Ltda. Ano 4. Auditorias do TCU. ao mesmo tempo. o Estado do Rio de Janeiro providenciou a denúncia do contrato firmado com a Monteiro de Barros Empreendimentos Imobiliários e Participações S/A. 33.A e de outras empresas do Grupo Monteiro de Barros como ‘Investimento no Exterior’ ou ‘Adiantamento a Fornecedores’. Brasília-DF. evidentemente. a Receita Federal apurou que diversos cheques relacionados aos pagamentos efetuados ao Grupo OK foram escriturados na contabilidade da Construtora Incal S. como ‘Contrato de Mútuo v. Imóveis’. • . 36. Some-se a estas informações.03.96. não espelhando evidentemente os fatos alegados. 03/23. • . em face da inadimplência contratual desta firma. • . Fábio Monteiro de Barros Filho. nas empresas do Grupo OK. ao lançamento de operação atinente à aquisição de imóvel. no notebook e nos disquetes apreendidos em poder do Sr. continham fortes indícios de falsificação. segundo a PF. do Grupo OK. em relação a três cheques. por meio do qual estas desistiam da suposta parceria estabelecida no período de fev/94 a mar/96. em 01. senão vejamos. encontrava-se sem firmas reconhecidas e sem registro em cartório. decorrente de aquisição de glebas rurais e que os demais cheques recebidos pelo Grupo OK foram escriturados na conta contábil ‘Contrato de Mútuo v. verificou. às f. 3/4 das glebas rurais que compõe a aludida fazenda constituem propriedade do Grupo OK. levar-nos a inferência de que alguns contratos apresentados. não se prestando. Imóveis’. e. objeto de licitação promovida. serviços de sondagem de solo. 32. nas empresas do Grupo Monteiro de Barros. 34. apurou-se: • . pela Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro e adjudicado à Monteiro de Barros Empreendimentos Imobiliários e Participações S/A (concessionária). a concessionária não realizou nenhuma obra ou serviço de infraestrutura no terreno. elaborado pela Polícia Federal-PF. o fato do Laudo de Exame. • . tendo executado. tão-somente. que. analisou-se a data de criação dos arquivos. que não existira nenhum lançamento específico. que sequer apresentou projeto executivo.

de qualquer modo haja concorrido para o cometimento do dano apurado. a realidade factual. o Tribunal.759. vol. com insistência. verifica-se que diversos arquivos. Merece também relevo. 142/146. para postular. f. que comprova o envolvimento do ex-Senador. a revisão de corte. perante aquele Parlamentar. transferido pelas empresas do Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK. como representante legal da empresas do Grupo OK. Ressalte-se que a fixação da responsabilidade solidária é imposta pelo art. é totalmente descabida a alegação da defesa.Tal informação. o relato do Ministério Público Federal de que o Deputado João Fassarella. Dessa forma. 9 – Impossibilidade da citação solidária do Grupo OK 39. nas irregularidades cometidas na construção do Fórum Trabalhista.. apesar de sujeita a restrições apontadas por aquele órgão policial. 16. 156/159. ao julgar irregulares as contas. Por conseguinte. Assim. Da aludida tabela. deve-se a sua condição de terceiro interessado que concorre para o cometimento do dano. Luis Estevão. representante legal do Grupo OK. foram criados em 1999. f. da Lei nº 8. Impende destacar ainda que. relativos aos supostos negócios firmados entre os dois Grupos empresariais. ante a farta documentação coligida. De destacar que o chamamento do Sr. na proposta da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. e b) do terceiro que. 147/ 150.681. mas se referem ao exercício de 1994. que dispõe nos seguintes termos: ‘§ 2º Nas hipóteses do inciso III. existiria um montante de US$ 2. não representado. Brasília-DF. ‘Contrato de Promessa de Cessão de Direitos’. fixará a responsabilidade solidária: a) do agente público que praticou o ato irregular. Esta situação de beneficiário origina-se do seu envolvimento direto no desvio dos recursos alocados às obras do TRT/2ª Região. preparouse a tabela às f. dos quais ele já se havia locupletado em grande parcela. como contratante ou parte interessada na prática do mesmo ato. pode ser um indicativo da veracidade de uma data em documentos. alíneas c e d deste artigo. alvitrado pelo indicado Relator. noticiou que . Tal conduta vem corroborar o interesse direto do co-réu na liberação de recursos para a obra. em depoimento espontâneo prestado àquele órgão.443/92. 2001 . 36. conforme amplamente demonstrado no Relatório elaborado pela CPI do Poder Judiciário. Número 15.. então no exercício da Relatoria da Área dos Poderes na Comissão de Orçamento. carecedora de justificativa por parte dos envolvidos. 38. entretanto. 37. segundo o Parquet Federal. 40. como sobejamente comprovado e acima descrito. Ano 4. f.’ 152 Auditorias do TCU. 19/22.no início de 1999. contendo a relação de todos os arquivos examinados e suas datas de criação. o co-réu LUIZ ESTEVÃO DE OLIVEIRA NETO interveio diretamente.44. não restaria outra opção a este TCU senão chamá-lo ao processo. alínea ‘b’. § 2º. 36. 35. Esta ocorrência leva-nos à ilação de que tais arquivos foram criados com o fim único de justificar as hipotéticas transações comerciais alegadas. à guisa de exemplo: ‘Contrato de Cessão de Direitos’. ‘Contrato de Consolidação’.

a seu viso. 2001 153 . reiterado pelo Of. 44. ainda. Portanto. conforme Termo de Retificação e Ratificação de Escritura Pública de Venda e Compra levado a registro perante o 15º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo. o recurso interposto. e Auditorias do TCU. Número 15. II do principal. Em resposta ao Aviso nº 8484-SGS-TCU.2ª Região que providencie. Tal entendimento estaria corroborado pela Cláusula Sexta do instrumento acima referido. no referente ao TRT/ 2ª Região. o atual Presidente do TRT/2ª Região traz ao conhecimento deste TCU a transferência. inexistindo discricionariedade desta Corte quanto à investigação da responsabilidade da empresa envolvida. acerca das providências adotadas. envolvendo bem imóvel da União seria o Procurador Chefe da Fazenda Nacional. Inconformado. 46. no tocante à representação legal. Assim. fica declarado que a aquisição foi feita pela União. aquelas referentes à decretação de nulidade do contrato. este TCU acatou. Procurador-Chefe da Fazenda Nacional. Brasília-DF. que a cláusula quarta do referido documento prenotado consta ter havido a ocorrência de erro na indicação do adquirente nomeado e. a nulidade do contrato. Presidente daquele órgão trabalhista. f. Da apreciação – Acórdão nº 298/2000 -. aceitando as alegações concernentes às providências para a continuidade das obras e rejeitando. em caráter de urgência. 957/963. cuja representação se declara corrigida neste termo. não se pode acatar o suscitado pelo defendente.666/93. a autoridade competente para o ato de assinatura de escritura pública. f. O mencionado Acórdão trata do exame de recursos interpostos contra o Acórdão nº 045/99. que. 45. Informa. III . se ainda não o fez. cabendo à AGU a adoção das providências necessárias ao cumprimento ou manifestação sobre o assunto. nos termos do art. dispunha: f) determinar ao TRT . promovendo. por meio do Ofício TRT/GP nº 014/00. a continuidade das obras mediante a contratação de empresa idônea. 43. noticiando ao Tribunal. f. parcialmente. 59 da Lei nº 8. 47. sob o argumento de que não seria aquele órgão o destinatário correto do Aviso que encaminhou a decisão. volume 33. no prazo de 30 (trinta) dias. pelas razões expostas na petição de f. o então Presidente daquele Tribunal interpôs Pedido de Reexame contra o determinado.41. para a União Federal. também. observada a necessidade de novo procedimento licitatório. in verbis: no intuito de sanar o erro apontado. da posse e propriedade do Fórum Trabalhista de 1ª Instância da Cidade de São Paulo. 803/805. 01/33. 954/956. o Sr. em conseqüência. em vista da diversidade de efeitos da declaração de nulidade e da rescisão unilateral do contrato. Ciente do decisum. na pessoa do Sr. que encaminhou o Acórdão nº 298/2000 ao Tribunal Regional do Trabalho/2ª Região. contudo. Ano 4. requer que este Tribunal aceite em devolução cópia que lhe fora enviada para conhecimento do Acórdão nº 298/ 2000-Plenário. nº 53/01.MANIFESTAÇÃO DO TRT/2ª REGIÃO QUANTO AO ACÓRDÃO Nº 298/2000 42. vol.

176. cabendo à Advocacia Geral da União a adoção das providências necessárias ao cumprimento ou manifestação sobre o assunto. Procurador Chefe da Fazenda Nacional. 49... não há que se falar na ocorrência de bis in idem. em voto condutor do Acórdão nº 298/2000 – TCU – Plenário. conforme se depreende dos textos a seguir transcritos: E aí. do total de R$ 231.461.953. é o que poderá corresponder à indenização a que ela eventualmente faça jus.9 Realmente ocorreu rescisão unilateral anteriormente às determinações desta Corte. pois. exarado às fls 915 do processo em referência.225. ao elaborar o requerimento da cassação da liminar e denegação da segurança do Mandado de Segurança nº 23560-8 impetrado pela Incal Incorparações. este TCU enfatizou a necessidade de se proceder à anulação do contrato. com independência de qualquer consideração pragmática quanto ao que seja mais interessante para este Tribunal. não ser este Tribunal o destinatário correto do Aviso que encaminhou a decisão. Ao fim.75 que o erário efetivamente despendeu. 50. De plano. (Voto referente ao Acórdão nº 298/ 2000 – TCU – Plenário). representada. como também pelo Exmo. o contrato sob exame. Portanto. conclui o ilustre interessado que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região não possui legitimidade para realizar qualquer ato envolvendo o imóvel em debate. o que apenas pode ser feito segundo os procedimentos estabelecidos na Constituição e na lei. 48. acórdão ora em discussão. impõe-se a decretação de nulidade do contrato em questão. 52. a quantia de R$ 62. Nesse caso. Brasília-DF.) Por tais razões. a referida determinação deveria ser dirigida à AGU. Nestas manifestações. nestes casos. é bem de ver. 2001 . por conseguinte. Número 15.60. Ano 4. a impossibilidade de ser dado cumprimento à determinação contida no v. verifica-se que o atual Presidente do TRT/2ª Região não se julga competente para dar cumprimento à determinação deste TCU. Sr. conforme despacho de 03 de agosto de 2000. Ministro Adylson Motta. desconstitui154 Auditorias do TCU. equivalente ao valor que a contratada aplicou na construção. Logo. porquanto o imóvel em comento ter sido registrado em nome da União. restando. No entanto. em seu entendimento. Ainda no Relatório do mencionado Acórdão. Portanto. (. pelo Sr. 51. declarado nulo o procedimento licitatório e. Do acima transcrito.autorizado pela Secretária de Patrimônio da União. daí. data vênia. parto de uma conclusão que reputo inapelável: a hipótese que enfrentamos nestes autos é de ordem a reclamar a nulidade do contrato. a quem caberia adotar as providências contidas naquele decisum. como bem assentou a 10ª SECEX. teceu-se comentários a respeito das possíveis implicações que adviriam desta determinação: 11. seus efeitos apenas poderiam prosperar enquanto durasse a validade do contrato e da licitação que lhe deu origem. cabe comentar que a questão referente à nulidade do contrato em tela já foi plenamente analisada pela Consultoria-Geral desta Casa. em decorrência da nulidade.

Só pode declarar nulo um contrato. nenhum ressarcimento a ser-lhe realizado. do contrato não desconstituirá a transferência de propriedade já operada. Isto é.666/93. dispõe o art.951.. conforme verificado no Relatório de Inspeção elaborado pela Secretaria de Auditoria e Inspeções do TCU (ver subitem 15. É fato que o ajuste que se examina foi acordado entre uma empresa privada e a União (embora não mencionada na escritura de compromisso de venda e compra). 49. é justamente o valor de indenização que a empresa Incal tem direito.. decorre da lei e por ela é delimitada. 56. por intermédio do então Presidente.461. Ano 4. também. 59 da Lei 8. requisito da validade do ato administrativo. no ato representada pelo TRT/2ª Região.se o contrato desde a sua origem. Só pode anular ou declarar nulo um procedimento licitatório a autoridade administrativa competente para aprová-lo.225. de forma unilateral ou em comum acordo. visto que. pertinente e suficiente para justificar tal conduta. nas condições em que se encontra. Assim.15 deverão retornar aos cofres públicos. Nicolau dos Santos Neto. 49 da Lei 8. entendeu-se que a decretação de nulidade do contrato não provocará a desconstituição da transferência de propriedade realizada. 55. mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.’ (grifos do original) Isto é. segundo estabelece o parágrafo único do art. Desse modo. devendo anulá-la por ilegalidade. a diferença entre esses valores.. A farta documentação juntada a estes autos demonstra que a contraprestação pecuniária superou.’ a nulidade do contrato. guarda-se a mesma analogia.75 (em valores de abril de 1999) pagos pelo TRT/SP à empresa Incal. Número 15.953. a anulação da indigitada licitação e. porque a Administração Pública nada tem a indenizar à empresa Incal. em meu entendimento.666/93: Art. e muito. incluído o respectivo terreno’. R$ 169. 57. A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente poderá revogar a licitação por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado.. apenas as partes envolvidas podem promover alterações na relação contratual. definido que o contrato deve ser declarado nulo e que tal declaração não implicará o desfazimento da transferência do imóvel realizada. 54. a Administração tem o ‘.491. Portanto. nos termos da lei. não há. não havendo. pois equivale ao valor do prédio em construção denominado Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. nenhum reparo a ser feito à aludida Decisão. A competência. Auditorias do TCU. cabendo ao TRT/ 2ª Região dar-lhe cumprimento. 2001 155 . Brasília-DF. Sr. R$ 62.1). de ofício ou por provocação de terceiros. Em resumo.60. Com efeito. No caso de contratos. conseqüentemente.dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que for declarada. portanto. os serviços executados pela contratada. a autoridade administrativa que o celebrou. bem como a incorporação ao patrimônio público da edificação já iniciada. dos R$ 231. resta perquirir se a determinação foi dirigida a quem de direito.176. (Grifo nosso) 53. a rescisão efetivada. Com efeito. sendo invalidada.

deixando o TRT-2ª Região de proceder à anulação do contrato. penso que. ante a resistência do TRT/2ª Região em acatar a Decisão deste TCU. adote a providência que se reclama. Em conclusão. apenas um provimento jurisdicional externo à vontade do órgão — tipicamente na via judicial. Diante destas considerações. não existem providências a ser adotadas pela AGU. É dizer. com respeito ao recurso do TRT-2ª Região. 71 da CF. Portanto. No entanto. a partir da conta mantida pela 156 Auditorias do TCU. Brasília-DF. 71 da nossa Lei Maior. para que. seja por se considerar juridicamente impedido de fazê-lo. 2001 . mas assim não valorada por quem a julgou. para que. consoante determinado no § 1º do art. 54 da Lei nº 9. seja por continuar a considerar a sua rescisão a providência adequada à espécie. como a mencionada declaração não implicará anulação da transferência de propriedade. uma vez expirado o prazo de 30 dias assinado ao órgão público. rejeito essa alegação do recorrente. ou. como poderá um órgão público vir a ser obrigado a dar à sua vontade um conteúdo contrário ao que julga conforme ao Direito? E. Ademais. deverá este Tribunal dar continuidade ao iter estabelecido na Constituição. 59. tratando-se de contrato. Mantidos contatos com o Ministério Público Federal. IV . a saber: a) rastreamento bancário procedido pelo BANCO CENTRAL DO BRASIL. resta dar ao caso a solução aventada por aquele i. eventualmente. não faz sentido expedir-se determinação àquele órgão em substituição à encaminhada ao TRT/2ª Região.784/99? Ou no caso em exame seria essa restrição superada pela cláusula de exceção decorrente da má-fé dos atingidos pela anulação? Penso que essa situação encontra a sua solução naquela adotada ordinariamente em nosso Direito quando se cuida de questionar judicialmente um determinado ato ou contrato administrativo. Ano 4. Ministro Adyson Mota. estaria alcançada essa eventual providência do TRT-2ª Região pelo prazo decadencial de 5 anos impeditivo da anulação de atos administrativos fixado no art. Relator. Por conseguinte. Sr.58. in verbis: como poderá o órgão público efetivar a medida que ele considera juridicamente imprópria e cujos pressupostos fáticos são distintos daqueles que reconheceu existentes para adotar a medida que julgou conforme ao Direito. mais ainda. voto por que se lhe dê provimento apenas na parte em que antes mencionei. foi-nos comunicado a existência de outros documentos imprescindíveis para formação de juízo de mérito sobre o ocorrido. Número 15. De conseguinte. mas também na via da função de controle externo firmada na Constituição Federal — é que poderia impor-lhe a realização da conduta que ele reputa não jurídica.JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS 61. entendo que a medida mais adequada ao deslinde da questão aqui debatida seria a comunicação do ocorrido ao Congresso Nacional. possibilidade antevista pelo Exmo. consoante determinado no § 1º do art. adote ele diretamente a providência que se impõe. Em suma. no mês de dezembro de 2000. caberá ao Tribunal desse fato dar ciência ao Congresso Nacional. (Grifo nosso) 60. No caso. que a lei lhe impede.

à f. 2001 157 . esta Secex solicitou ao Exmo. Número 15. e f) cópia das petições iniciais das Ações Civis Públicas nº 98.81.61. a partir do comunicado. Auditorias do TCU. 935/943. logo após a satisfação do procedimento indicado no item ‘b’ pregresso. Ministro-Relator Lincoln Magalhães da Rocha que autorizasse a expedição de ofícios ao Ministério Público Federal e ao Juiz Federal da 12ª Vara da Subseção Judiciária de São Paulo para que enviassem a este TCU os documentos acima mencionados.CONCLUSÃO 67 Os acontecimentos acima narrados demonstram.025/1998-8 da documentação adcional obtida. a sua condição de revel. Brasília-DF. 66.012554-5. não localizado até aquele momento. Segundo. Sr. b) cópia da Carta Rogatória expedida pela Confederação Suíça – autos nº CR 89933-3/080. não se alterando. sob os codinomes LEO GREEN – conta nº 602627 e JAMES TOWER – conta nº 602631. obteve vista aos autos e cópia integral dos volumes 34 a 38. ocasião na qual. d) a expedição das necessárias comunicações. e) cópia da Denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal no processo criminal nº 1999. Relator concordou com o proposto por esta unidade e determinou ainda as seguintes providências: b) a juntada aos autos do TC – 001. o Grupo OK. vedado pelo ordenamento jurídico pátrio.61. 64. também. relativa ao caso CONTREC/MANAUS TRADING. Das comunicações expedidas. Ano 4.INCAL INCORPORAÇÕES no Banco do Brasil recebedora das 80 (oitenta) ORDENS BANCÁRIAS DO TRT/SP. o i. Antônio Carlos da Gama e Silva.000636-1. 62. verificase. constituídos dos novos documentos acostados. destacam-se dois fatos. para ciência dos novos documentos acostados aos autos. prosseguiu-se a instrução do feito. recibou o expediente a ele endereçado. Primeiro. que o Grupo OK foi regiamente beneficiado com os recursos desviados do TRT/2ª Região. 797. que o Sr. mas ainda assim permaneceu silente. por intermédio de advogado legalmente constituído. 63. Assim. d) cópia do Laudo nº 01320/00-SR/SP da Seção de Criminalística da Polícia Federal. satisfeitas as medidas alvitradas. deve ser noticiado aos interessados que o prosseguimento da apuração dos fatos relativos à construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo será conduzido no TC – 001. mas não se manifestou sobre os mesmos. V . portanto. esta unidade expediu os ofícios de f.00. fixando prazo de 5 (cinco) dias.025/1998-8. Dando cumprimento ao referido despacho. 65. Em face disto. caracterizando um enriquecimento sem causa justificada. c) cópia dos documentos bancários relativos às contas mantidas por LUIS ESTEVÃO DE OLIVEIRA NETO no Delta Bank de Miami. de forma inequívoca. à f. 940. Em despacho. c) a abertura de vista aos responsáveis alcançados pela documentação superveniente.0036590-7 e 2000.

. afim (sic) de que tanto a obra iniciada como o bem adquirido permaneçam incorporados ao patrimônio público’. em parte. nos termos do art. conforme preconiza o art. . considerando válida a citação efetuada.68 Dessa forma.117. representado pelo Sr.Geral. Brasília-DF. tendo concluído ser essa a providência cabível para o caso. para que adote as providências a seu cargo. não se pode olvidar que. Ano 4. também estamos de acordo com tal providência. [. Sr.. aplicação de multa aos agentes responsáveis. o Tribunal analisou a matéria relativa à anulação do contrato. aduzindo apenas que. manifestamos nossa anuência à proposta oferecida às f. lembrando que sugestão nesse sentido já fora aventada pelo Exmo.443/92. solidariamente. do ponto de vista estritamente do interesse público e da economicidade. Mais ainda. retificado. 71. forte em parecer de jurista consultado. na forma do parecer abaixo transcrito (volume principal-III. consistente na rescisão do contrato. extraímos os trechos seguintes: ‘O recorrente sustentou que solução mais adequada já havia sido adotada.) De plano. o nobre órgão do Ministério Público. sugerindo. bem como a solicitação das medidas necessárias ao arresto dos seus bens.] 158 Auditorias do TCU. 57 da Lei nº 8.. verifica-se ser mais apropriada a rescisão do contrato. aquiesço às conclusões de f. pelo item ‘b’ do Acórdão nº 298/2000 – Plenário – TCU. 1117. no sentido de que sejam as contas julgadas irregulares e condenados os responsáveis solidários ao recolhimento do débito. Ministro-Relator Adylson Motta.116 e 1. adicionalmente. Lucas Rocha Furtado. no voto que conduziu o Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário (f. Número 15. e considerando que os recursos repassados a este Grupo pelo Grupo Monteiro de Barros não tiveram causa justificada. Ao prolatar o mencionado Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. § 1º. De seu turno. da execução das obras e da inequívoca comprovação de deliberado desvio de recursos públicos. entende este representante do Ministério Público que deverão ser os responsáveis apenados com multa de até cem por cento do valor atualizado dos danos causados aos cofres públicos. da Constituição Federal. anui ao encaminhamento de mérito propugnado para a espécie. 2001 . Do voto do Relator. Dr. a relutância do TRT/2ª Região em cumprir o determinado no item ‘f’ do Acórdão nº 045/99 – Plenário – TCU. 1.. 871). que ‘ainda que juridicamente possa parecer mais adequada a anulação da licitação e da avença. 71 da Constituição. Argumenta.” 41.III Quanto à comunicação ao Congresso Nacional para os fins de sustação do contrato. ao recolhimento do débito apurado nestes autos. 69 Neste sentido. f. 1167/77): “(. urge condená-lo. nos termos previstos no § 1º do art. porque restou caracterizada a participação do Grupo OK como terceiro beneficiário. seja comunicado ao Congresso Nacional. Diante da gravidade das irregularidades ocorridas. acolhendo as razões apresentadas pela Unidade Técnica. Procurador.

na realidade.225. que dons deveria ter uma Comissão de Licitação para poder comparar. Nessa hipótese deverá acompanhar a proposta técnica. a quantia de R$ 62. que deverá. independentemente do estágio da obra (início. Afinal. A.75 que o erário efetivamente despendeu. novo ou usado. afinal. e por que não um contrato privado sui generis? Execução essa que. ser implantado pelo concorrente sob sua total responsabilidade’. que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Julgamento. é o que poderá corresponder à indenização a que ela eventualmente faça jus’ (f. Brasília-DF. impõe-se a decretação de nulidade do contrato em questão. e entre elas aferir como a proposta mais vantajosa. 868/869). A isso se seguiu a execução do contrato.176. projeto de adaptação com o respectivo prazo de execução e entrega. assim caracterizado por quem a contratada consultou: uma simples aquisição de imóvel na modalidade compra e venda de coisa futura emptio rei speratae. que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Julgamento. uma aquisição de imóvel no sistema de preço fechado. equivalente ao valor que a contratada aplicou na construção.60. importando. em consórcio com a Construtora Augusto Veloso S. que deverá. deliberado. ‘chaves na mão’. Nesse caso. Número 15.a Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. ser implantado pelo concorrente sob sua total responsabilidade’.00. das quais apenas as duas primeiras lograram ultrapassar a fase de qualificação. sistemático. como se de índole privada fosse. o que apenas pode ser feito segundo os procedimentos estabelecidos na Constituição e na lei. 2001 159 .000. Portanto. a inviabilizar a participação dos 29 potenciais interessados que retiraram o edital e.A e a Empreendimentos Patrimoniais Santa Gisele Ltda -. Ano 4.O quadro teratológico com que aqui nos deparamos teve a sua gênese já no edital de licitação. desde o seu primeiro dia. em caso de aprovação.461. a contemplar objeto supostamente alternativo. adiantamento de pagamentos à empresa privada contratada sem qualquer contraprestação em benefício da Administração. um desvio de recursos públicos de mais de R$ 169. Auditorias do TCU. do total de R$ 231. meio ou fim). na prática. como bem assentou a 10ª SECEX. também a própria escolha da proposta mais vantajosa para Administração. ii) com um ‘Imóvel em construção. deverá acompanhar a proposta técnica. projeto de adaptação com o respectivo prazo de execução e entrega. pronto. em caso de aprovação.000.953. coisas tão diferentes e de preços tão desproporcionados como: i) um ‘Imóvel construído. não tivessem sido apenas 3 os que dentre eles apresentaram propostas . iii) com um ‘Terreno com projeto aprovado que deverá acompanhar projeto de adaptação que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Julgamento’. o Grupo OK de Construções e Incorporações S. iv) com um ‘Terreno com projeto elaborado especificamente para a instalação das Juntas de Conciliação e Julgamento’. sabemos todos agora. talvez. quem sabe uma aquisição de imóvel pronto e acabado. apenas significou o contínuo.

como se sustenta.. Mas. Não está em causa neste feito. Isso porque. com apenas um voto divergente. Ademais. está-se considerando exatamente a diferença entre o valor despendido pelo erário – R$ 231. a despeito da anulação do contrato. estar-se-ia diante de um enriquecimento sem causa (legítima) do particular contratado.225. Frise-se: o Supremo Tribunal concluiu ser válida a determinação do Tribunal no sentido de que o TRT promovesse a nulidade do contrato nos termos do art. O contrário seria absurdo. Assim. esse é tema sobre o qual não me manifesto.915. Ministro Nelson Jobim. dando execução à determinação do TCU. E não se diga que se poderiam condenar os responsáveis pela totalidade dos valores repassados pelos cofres públicos – R$ 231.. portanto. que a determinação do TCU é perfeitamente válida. Ano 4.É certo que a decretação de nulidade não faz com que as partes retroajam ao staus quo ante de forma absoluta. No caso. Sr. antijurídico. como afirmado no voto vencido. 59 da Lei nº 8. 160 Auditorias do TCU. há efeito simplesmente mandamental [na determinação do TCU]. decretar tal nulidade.666/93.491. A sentença ou a decisão administrativa é que poderá ter eficácia desconstitutiva’ (grifamos).953. [. após todos esses anos.461.] Caberá ao TRT. desarrazoado e. 2001 . nos termos do art. a determinação dirigida ao TRT nos termos da alínea ‘f ’ do Acórdão nº 45/99–TCU-Plenário no sentido de que aquele Tribunal promova ‘a nulidade do contrato. visto que.560-8 – DF. Afirmando que a determinação do Tribunal de Contas da União tem efeito mandamental (e não desconstitutivo) assim se manifestou o Exmo.75 – de forma que a propriedade do imóvel retornasse ao particular.666/93’ já foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal quando da apreciação do mérito do Mandado de Segurança nº 23. ao determinar-se a anulação do contrato e condenar-se os responsáveis ao recolhimento do valor de R$ 169.60. Brasília-DF. Redator para o Acórdão: ‘A meu juízo. Entendeu a Suprema Corte. Tal solução. não sendo possível. caso não se preservasse a transferência da propriedade para a União.953.176. não atenderia ao interesse público. permaneceria a União e a sociedade desprovidas do fim almejado quando da celebração do contrato: a instalação do Fórum da Justiça do Trabalho de Primeira Instância para a prestação dos serviços jurisdicionais à comunidade.R$ 62. há de se preservar a transferência da propriedade do imóvel para a União. Número 15. Note-se que o Redator do Acórdão do STF não firmou posição sobre a possibilidade de a Administração declarar a nulidade ela mesma ou se seria necessário que ajuizasse a ação anulatória. 59 da Lei nº 8. ajuizar a ação adequada.75 – e o que foi efetivamente aplicado na aquisição do terreno e construção do edifício . administrativamente. simplesmente.176.15.

pois. conforme apontado pelo Equipe de Inspeção (f. Com efeito. a despeito do rótulo que as partes lhe tenham dado. compete trazer à colação os argumentos ali aduzidos. tenha sido negligenciada quando da fase de habilitação. Entendeu o então Assessor da Saudi que o fato de a parcela mais expressiva das despesas referirem-se às obras. 588 do vol. como o foi no presente caso. nesse caso. acrescenta a Unidade Técnica (f. que evidentemente não se encontra em discussão nessa oportunidade. afastando-se as regras do direito civil. segundo o qual a construção é acessório do terreno. No âmbito deste Tribunal de Contas. Os entes públicos poderiam. principal). o voto que conduziu o Acórdão do Supremo Tribunal Federal não se manifestou explicitamente sobre a natureza jurídica do contrato celebrado. conforme síntese elaborada pela Unidade Técnica às f. Número 15. 16. estas constituíam o principal e não o acessório. Além disso. apenas ‘ad argumentandum tantum’. 1. haja vista estarem sendo agora questionados pelos responsáveis. no que tangia à construção de obras públicas. 43 do Código Civil.731/92-0 (às f. Acrescenta o Sr. custeada tal ‘coisa futura’ com recursos públicos’ (grifamos). se 97% do valor do contrato referia-se aos projetos e obras. sendo que a empresa contratada não detinha o propriedade do terreno à época da licitação. de há muito não há dúvidas de que o contrato celebrado. contratar aquisição de ‘coisa para entrega futura’. é sintomático o fato de que a regra constante do item 1. O ponto que pode parecer mais tormentoso diz respeito à transferência do terreno para a União. devesse ser aplicado o Estatuto das Licitações e Contratos em vigor. entretanto.2 do Edital. À vista da materialidade das obras.069: ‘[. 282). sobre a natureza jurídica do contrato firmado. Nesse sentido. 1068 a 1. como se afirmou.]em que pese essa questão ter sido debatida no TC nº 700. que não poderia subsistir a tese defendida pelos responsáveis. Ora. Constatou-se preliminarmente naqueles autos ser o custo de aquisição do terreno muito inferior ao da obra (correspondente a apenas 3% do valor total do contrato). entretanto. referente à necessidade de prévia regularização do imóvel. Brasília-DF. não é aplicável o art. 1.070. é um contrato para construção de obra pública. conduziam à ilação de que. Ano 4.. dever-se-ia aplicar o Estatuto então vigente. Assessor: Corroborando esse entendimento e. concluindo essa Corte de Contas nos julgados em que se analisou a natureza do contrato. 2001 161 . ao contrário do que afirmam os defensores da Empresa. regido pelos princípios e normas do Direito Público.069 a 1. Auditorias do TCU. sob pena de se abrir um precedente que aniquilaria de vez com as licitações. Essa matéria.070): ‘A despeito de o enquadramento legal que pretendem os responsáveis dar ao contrato não ter sido aceito por este Tribunal. notadamente a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário. já foi enfrentada pelo TCU. figura esta totalmente estranha à Administração Pública. em tese.Da mesma forma.064 a 1.. mormente em se considerando que seria. essa questão já foi enfrentada. a exaustiva análise já realizada no âmbito deste Tribunal encontra-se bem sintetizada às f. Concluiu.

Não é demais lembrar que a aquisição do terreno ocorreu apenas em 19. 160). à título de entrada. De modo que continua titular do domínio.se fosse considerada a possibilidade dessa contratação. Brasília-DF. submetido aos princípios e às normas de Direito Público. excelente garantia para o vendedor’. o vendedor se obriga a transferir o domínio e este efetivamente se transfere.09. venderá o imóvel prometido. 1997. 3. um particular qualquer que figurasse como parte jamais entregaria antecipadamente à contratada a fabulosa quantia de US$ 22 milhões. com a Administração Pública. Ano 4. não restava à época configurada tal premissa. nos moldes do direito civil. Depois. Isso sem contar que a empresa constituída especialmente (e indevidamente) .731/92-0. p. por intermédio do TRT. porém. não temos dúvidas em reafirmar que o contrato celebrado entre a União. conforme restou discutido à exaustão no TC 700. tal tese não vingaria. haja vista o capital simbólico com o qual foi constituída. só para o vendedor. obviamente. como sucedeu no presente caso. portanto. vale dizer. e anteriormente à celebração da Escritura de Compromisso de Venda e Compra (datada de 14. ou seja. Saraiva. com a transcrição do título no Registro de Imóveis. com recursos do Erário. Ademais disso. Contudo. pois. deve-se considerar que a construção foi iniciada somente após decorrido mais de um ano do início dos pagamentos. 166/171 do TC 700. sem nenhuma contraprestação de serviços. segundo preleciona Silvio Rodrigues: ‘Na compra e venda. quem dirá o imóvel. Conclui-se. Número 15. de Direito Administrativo. Assim. Por todas essas razões. posteriormente ao início dos pagamentos pelo TRT/SP (a partir de 10. Outrossim. é um contrato de Direito Público. é o que se observa no contrato firmado entre o TRT/2ª Região e Incal Incorporações S/A: ‘uma excelente garantia para o vendedor’. Tal posição constitui.231/1992-0).para a execução do contrato não tinha capacidade financeira para custear os elevados valores envolvidos no empreendimento.08. Primeiramente.92). Afinal.04. caso realmente se tratasse de um contrato de direito civil. para ser utilizada durante mais de um ano. é de supor a preexistência de um titular de domínio do imóvel prometido. e a Incal Incorporações S/A. em especial ao Estatuto das Licitações e Contratos. pois. vol. o promitente vendedor apenas promete que.Incal Incorporações S/A . como pretende a Incal Incorporações S/A .92). 2001 . Todavia. não havia sequer o terreno. o qual será de futuro transferido.92 (f. como pretender vender à União um imóvel cujo terreno onde seria erigido ainda não existia? Incabível. da forma que melhor lhe aprouvesse. a despeito do rótulo que lhe deram as partes. na mera promessa bilateral de venda e compra. (Dos Contratos e das Declarações Unilaterais de Vontade. falar-se em ‘titularidade de domínio’. que só mesmo estando presente a má-fé para se aceitar uma anomalia dessa natureza’ (grifamos). Tal característica ‘peculiar’ evidentemente não se coaduna com a natureza do contrato de compromisso de venda. ainda assim. no futuro. no caso em tela. e se receber o preço. nos moldes do direito privado. 162 Auditorias do TCU. do excerto acima.

fato esse. na Ação Civil Pública nº 2000.012554-5.02. inclusive. ancorados no art. diante da indubitável afronta à legalidade e à moralidade que se verifica no presente caso. segundo consta do Relatório da CPI. ante a relutância do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em cumprir a determinação do TCU. que a Administração tem o poder e o dever de anular o contrato celebrado. entre os citados Grupos. a fim de que o Parlamento exerça a competência que lhe confere o § 1º do art. que juntos passaram a constituir uma sociedade de fato. 2) elevada movimentação de recursos financeiros. segundo cópias de documentos obtidos pela Justiça Federal de São Paulo (anexo ao TC-700.Como conseqüência. determinante no processo de cassação do ex-Senador. na qualidade de réu.666/93 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal.61. num total aproximado de US$ 46 milhões (quarenta e seis milhões de dólares americanos). como pessoa física. e aqueles feitos pelo Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK. 54 da Lei nº 9. E não se diga que a Administração estaria obstada pelo prazo decadencial de 5 anos previsto no art. que movimentaram entre si aproximadamente US$ 46 milhões (quarenta e seis milhões de dólares americanos). Diretor de Divisão no sentido de que.00. o dispositivo não se aplica aos casos em que o TCU. 3) ausência de movimentação financeira entre os dois Grupos justamente no período (ago/92 a jul/93) em que houve interrupção dos pagamentos feitos pelo TRT/SP à empresa construtora.35% de todos os pagamentos efetuados. 71 da Constituição Federal. exercendo sua função constitucional de controle externo. Auditorias do TCU. representado pelo Sr. que deteria 90% (noventa por cento) das ações ordinárias. 2001 163 . Ano 4. pelo Grupo Monteiro de Barros teve como beneficiário o Grupo OK. pois. Primeiro porque o caso é de inegável má-fé. sem justificativas convincentes.784/99. Basicamente. também não temos dúvida em afirmar. movimentações essas retomadas logo após aquele período. não se aplicando o mencionado prazo conforme prevê o próprio normativo. conforme já afirmado por este Tribunal de Contas. Brasília-DF. cumpre ressaltar os fundamentos que deram ensejo à fixação da responsabilidade solidária do Grupo OK. .A. no período de 1992 a 1999. Assim. Luiz Estevão de Oliveira Neto. como provam as inúmeras circunstâncias envolvendo ambas as empresas. Número 15. 36. determina à Administração que anule o ato. seja o fato comunicado ao Congresso Nacional. os fatos que comprovam a existência da sociedade de fato entre os dois grupos são os seguintes: 1) a muito provável assunção do controle acionário da Incal Incorporações S/A pelo Grupo OK em 21.1992.115/1996-0). 59 da Lei nº 8. no período de 1992 a 1999. bem como sua inclusão. concordamos com a proposta apresentada pelo Sr.IV Em que pese já exaustivamente examinado pela Unidade Técnica. inclusive com coincidências de datas entre os pagamentos efetuados pelo TRT/SP à Construtora Incal S. A solidariedade advém da inequívoca relação constatada pela CPI entre a citada empresa e o Grupo Monteiro de Barros. Segundo porque.

Esclarecemos que essa medida tem amparo explícito na Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União (Lei nº 8. aos dirigentes das entidades que lhe sejam jurisdicionadas. conforme o caso. caso seja acatada nossa proposta quanto ao mérito das presentes contas. O proprietário dos bens arrestados fica privado do direito de aliená-los. Propomos. e que estamos a propugnar com inteira segurança e convicção que o Tribunal de Contas da União posicione-se pela irregularidade das contas aqui examinadas. denotando interesse direto do ex-parlamentar na consecução daquela obra. Brasília-DF. então. 5) postulação feita no início do ano de 1999 pelo representante do Grupo OK. O Tribunal poderá. Número 15. entre outros fatos. que o TCU solicite à Advocacia-Geral da União a adoção das medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis arrolados nesta Tomada de Contas Especial. 38 dos presentes autos). impendenos. Luiz Estevão de Oliveira Neto. codinomes do ex-parlamentar para as contas que mantinha no DELTABANK em Miami (documentos contidos no vol. solicitar à Advocacia-Geral da União ou. 2001 . Luiz Estevão de Oliveira Neto. a fim de garantir direitos do credor. decida também no sentido de que sejam adotadas medidas concretas que visem à garantia da execução do débito apurado neste processo. pois.’ Lembremos que o arresto constitui um procedimento judicial de natureza cautelar. mantida no Banco Santander na Suíça. 61. ao Deputado João Fassarella. por intermédio do Ministério Público. então Relator da Área dos Poderes na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional. b) cinqüenta e nove (59) ligações feitas pelo ex-Juiz Nicolau dos Santos Neto para o Grupo OK e nove (9) diretamente para o ex-Senador. por dívida líquida e certa. a partir das contas de ‘LEO GREEN’ e ‘JAMES TOWERS’. -VConsiderando que o presente feito chegou à sua fase de julgamento.349) ligações no período de 1991 a 1999 entre as duas corporações e outras trezentas e duas (302) feitas pelo Grupo Monteiro de Barros para o Sr.443/92): ‘Art.4) expressivo número de telefonemas feitos pelos principais envolvidos dirigidos ao Grupo OK ou diretamente ao ex-Senador. trezentas e quarenta e nove (2. a saber: a) duas mil. propor desde já ao Tribunal que. Além do relacionamento entre os mencionados Grupos Econômicos e o exSenador Luiz Estevão de Oliveira Neto. pois gravados ficam enquanto 164 Auditorias do TCU. é também inequívoca a relação entre o exJuiz Nicolau dos Santos Neto e o mesmo ex-Senador. Sr. ante a extraordinária e excepcional relevância do presente caso. a transferência de US$ 1 milhão (um milhão de dólares americanos) em favor do ex-magistrado junto à conta NISSAN. no sentido de que esse último revisse os cortes feitos nos recursos destinados ao Fórum Trabalhista de São Paulo. Ano 4. devendo ser ouvido quanto à liberação dos bens arrestados e sua restituição. as medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito. de sua titularidade. como prova. consistente na arrecadação ou na apreensão de bens do devedor.

Ou seja. põe ou tenta por os seus bens em nome de terceiros. II e III do mencionado artigo 813 do CPC. É de se notar que as hipóteses de cabimento de arresto previstas nos incisos I. livres e desembargados. Isso. aliena ou tenta alienar bens que possui. somente aplicável em determinadas situações. carregam uma característica comum: todas elas têm como motivação um comportamento suspeito do devedor. já que o arresto carrega em si características semelhantes às da penhora. Ano 4. hipotecálos ou dá-los em anticrese. que tem domicílio: a) se ausenta ou tenta ausentar-se furtivamente. II – quando o devedor. acima transcrito. as quais foram dispostas no artigo 813 do Código de Processo Civil (Lei nº 5. o legislador não fez constar da norma exigência expressa de motivação para o ato. em outros termos.443/92). podendo recair sobre quaisquer que sejam de propriedade do devedor. 813. Todavia.01. que possam inviabilizar a execução da dívida. excetuados os impenhoráveis. Brasília-DF. Entendemos que as características e peculiaridades do caso abordado nesta Tomada de Contas Especial constituem motivos mais que suficientes para que o Auditorias do TCU. intenta aliená-los. todas elas visam a barrar os efeitos de ações supostamente fraudulentas do devedor. com base nas características e peculiaridades de cada caso em que condenar responsável em débito. O arresto tem lugar: I – quando o devedor sem domicílio certo intenta ausentar-se ou alienar os bens que possui. No caso da solicitação de arresto prevista no artigo 61 da Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União.1973): ‘Art. O que fez o legislador foi deixar que o próprio Tribunal decida sobre essa questão. ou. ou comete outro qualquer artifício fraudulento.’ Inquestionável que a potestade de solicitar arresto atribuída ao Tribunal de Contas da União. Número 15. contrai ou tenta contrair dívidas extraordinárias. de modo algum equivale a dizer que uma solicitação de arresto feita pelo TCU à Advocacia-Geral da União possa se apresentar desprovida de motivação. equivalentes às dívidas. II e III do artigo 813 do CPC não se estende aos casos de cabimento de arresto previstos no inciso IV do mesmo artigo.869.estiverem na órbita judicial e sujeitos a responderem como garantia da dívida. mas antes é dependente do que dispuserem as leis que tratam dos casos específicos em que também tem lugar a referida medida cautelar. III – quando o devedor. a fim de frustrar a execução ou lesar credores. por estar insculpida em lei (artigo 61 da Lei nº 8. de 11. Quis o legislador brasileiro que o arresto constituísse uma medida excepcional. todavia. b) caindo em insolvência. ainda que distintas. O arresto não visa a bens determinados. a motivação para o arresto não se refere necessariamente ao comportamento suspeito do devedor. nessa última hipótese. ou deixa de pagar a obrigação no prazo estipulado. que possui bens de raiz. sem ficar com algum ou alguns. IV – nos demais casos expressos em lei. enquadra-se na hipótese do inciso IV do artigo 813 do CPC. a motivação comum às hipóteses previstas nos incisos I. 2001 165 .

Em primeiro lugar. que o caso do TRT de São Paulo suscitou em grande parte da população brasileira uma enorme desconfiança em relação ao Estado. conforme já expusemos. para a conta ‘NISSAN’. Nicolau dos Santos Neto. Lembremos. na Suíça. Constataram-se. as transferências financeiras originadas das contas de sugestivas identificações ‘LEO GREEN’ e ‘JAMES TOWERS’. desde o início dos acontecimentos relativos ao caso que ora se examina. também. de titularidade de alguns dos responsáveis arrolados nestes autos. em Miami. vez que esse tipo de desconfiança costuma levar o cidadão a não mais se sentir como contribuinte de um Estado idealizado como a personificação de um contrato social. Número 15. Nicolau dos Santos Neto. há que se considerar o extraordinário valor do débito que está sendo imputado aos responsáveis. Lembremos. organizado com o fim único de impor à sociedade os interesses daqueles que dominam direta ou indiretamente a máquina estatal. é importante que não deixemos cair no esquecimento o histórico de atitudes ardilosas protagonizadas por alguns dos responsáveis arrolados neste processo. a fuga do Sr. o histórico das atitudes ardilosas dos que neste processo figuram como responsáveis revela uma tendência de comportamento. ainda. por exemplo. que foram constatados vultosos depósitos em contas bancárias no exterior. Trata-se de um dos maiores e mais propalados casos de corrupção ocorridos no país nos últimos tempos. desperta a suspicácia e reforça o receio de se ver frustrada uma futura execução. Ano 4. 2001 . fluxos financeiros de grandes somas entre contas bancárias no exterior de alguns dos responsáveis (como exemplo. ainda. Luiz Estevão de Oliveira Neto. foram desviados mais de 73% dos recursos financeiros destinados à construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. de titularidade do Sr. esses responsáveis têm agido com a clara intenção de se esquivar do controle das autoridades brasileiras e ocultarem o produto de seus crimes. Ainda que a motivação para o arresto solicitado pelo TCU não dependa necessariamente do comportamento do devedor. nessa infindável cronologia de comportamentos escorregadios. que visa ao bem comum. que o rastreamento dos valores pagos pelo TRTSP à Incal revelou a ocorrência de freqüentes remessas de recursos financeiros para o exterior. do Delta Bank. Merece ser citada. de titularidade do Sr. mafioso. ocorrida no ano de 2000. 166 Auditorias do TCU. realizadas com o fito de dissimular o desvio dos recursos que deveriam se destinar à construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. mas a se sentir como vítima da extorsão praticada por um Estado desvirtuado. sem receio de incorrer em exagero. do Banco Santander. Ousamos mesmo afirmar. Em suma. Isso preocupa.Tribunal de Contas da União proceda à solicitação do arresto dos bens dos responsáveis arrolados nos autos. A fúria com que foram atacados os recursos públicos destinados àquela obra feriu os brios da sociedade brasileira e deixou no contribuinte uma sensação de vergonha. De acordo com os números apurados no processo. Evidenciouse que. sempre realizados poucos dias após o TRT-SP emitir ordens bancárias em favor da Incal. insegurança e humilhação. Brasília-DF.

Quanto ao segundo dos quesitos previstos no artigo 814 do CPC. Analisando a aplicação desse dispositivo em caso de solicitação de arresto oriunda do Tribunal de Contas da União.’ Feitas estas considerações.443/92. Número 15. deve ser observada a exceção prevista no inciso I do artigo 816 do CPC. Estado ou Município. mediante a Decisão nº 26/2001-TCU-Plenário. É de se informar que contra a referida decisão já se insurgiram alguns dos responsáveis. nos casos previstos em lei. de forma que deixariam de garantir a execução da dívida. Brasília-DF. Até o momento. que são essenciais para a concessão do arresto: (1º) a prova literal da dívida líquida e certa e (2º) a prova documental ou a justificação das situações previstas no artigo 813 do mesmo código. esta Corte de Contas. já houve por bem decretar. entendemos ter restado indiscutível a competência do Tribunal de Contas da União para solicitar o arresto dos bens dos responsáveis arrolados nesta Tomada de Contas Especial. O juiz concederá o arresto independentemente de justificação prévia: I – quando for requerido pela União. de forma a assegurar que os bens já constritos pela indisponibilidade não venham a ser deteriorados ou desviados pelos respectivos proprietários. evidenciamos à exaustão que a solicitação de arresto no presente caso é acolhida plenamente pela legislação processual civil brasileira. No entanto. Isso porque somente após condenar em débito pode o TCU solicitar o arresto.Dispõe ainda o Código de Processo Civil. 2001 167 . quando se tratar de requerimento de arresto feito pela AdvocaciaGeral da União com base em solicitação originada no Tribunal de Contas da União. E. senão simplesmente frágil. em seu artigo 814. Auditorias do TCU. ainda que já se tenha decretado a indisponibilidade de bens. Ano 4. subsistem ainda algumas questões relacionadas à medida cautelar aqui proposta. há que se considerar que. essenciais à concessão da medida cautelar. Além disso. com a interposição de recursos que visam a lhes devolver o direito de dispor de seus bens Todavia. quando se presta a garantir isoladamente a execução de uma dívida. sempre estará satisfeito o primeiro dos quesitos previstos no mencionado artigo 814 do CPC. Situações históricas revelam que não são raros os casos em que a indisponibilidade dos bens revela-se medida ineficaz. visando a impedir eventuais alienações daquilo que servirá provavelmente à cobertura do dano apurado. de forma muito acertada. consoante o que dispõe o artigo 24 da Lei nº 8. a seguir transcrito: ‘Art. nessa hipótese. 816. cautelarmente. é medida prudente que se promova o arresto. a indisponibilidade dos bens dos responsáveis arrolados no processo ora sob exame. sobre as quais impende-nos discorrer. a decisão do Tribunal de que resulte imputação de débito ou cominação de multa torna a dívida líquida e certa e tem eficácia de título executivo. é de se concluir que.

o arresto visa à mantença da integridade física dos mesmos. mesmo que sua penhora seja cronologicamente posterior à penhora de terceiro sobre os mesmos bens. Número 15. vistas essas medidas como formas de se garantir a execução de débito. Brasília-DF. com vantagens indiscutíveis ao credor diligente. Julgada procedente a ação principal. § 2º. preventivamente. tem mais chances de ver-se ressarcido dos valores a haver. promove o desapossamento jurídico dos bens. mesmo que esses permaneçam em poder do devedor. razão pela qual outorga-se a preferência a partir daquele primeiro momento. além da agilidade fruto do aproveitamento dos elementos do arresto na convolação em penhora. é contada a partir da data do arresto. destinadas ao mesmo fim de impedir. da Lei nº 8. 821. em relação a outros eventuais credores. reza a doutrina e a jurisprudência predominante. à motivação da solicitação de arresto.O arresto. a indisponibilidade de 168 Auditorias do TCU. o arresto se resolve em penhora. o arresto precedente pode vir a influenciar positivamente a preferência daquele credor quando face à concorrência com outra penhora efetuada por terceiro que. que deverá. Significa dizer que a preferência do credor. ainda que já se tenha decretado a indisponibilidade dos bens. 818. Ambas não devem se confundir. Enquanto a indisponibilidade impede que o devedor aliene ou onere certos bens até a apuração e a liquidação final de sua responsabilidade. diferentemente. uma outra importante vantagem do arresto em relação à indisponibilidade dos bens decretada pelo TCU. que o credor mais diligente. 2001 . Outro motivo que julgamos de suma relevância e que serve. É de mencionar. Estamos a falar do prazo de vigência dessas medidas. a não ser pelo fato de que são providências acolhidas pelo sistema jurídico geral. sob as penas da lei. não há a necessidade de repetir-se o mesmo ato com denominação e finalidade diversas. aquele que. sem delongas. adicionalmente. tenha solicitado o arresto dos bens de seu devedor. não alteradas na presente Seção. terá preferência ao recebimento da importância aquele que já tenha antes arrestado os bens. como medida cautelar.’ Ademais. é o efeito de antecipação da penhora que provavelmente virá a tomar lugar na ação de execução. pois é fato que os elementos que servem ao arresto são aproveitados quando da convolação desse em penhora. evitando que seus proprietários devedores adotem ou deixem de adotar medidas que resultem em adulteração dos bens. A indisponibilidade e o arresto são medidas complementares e antecedem a penhora. essa última de natureza executória. eventuais manobras fraudulentas por parte do devedor. preservá-los para fins de provável penhora. com base no citado artigo 821 do CPC. mesmo sendo o arresto e a penhora medidas de natureza cautelar e executória.443/92. não tenha requerido anteriormente o arresto. ainda. respectivamente. Razão disso é que. Nos termos do artigo 44. Tal preceito encontra-se estabelecido nos artigos 818 e 821 do Código de Processo Civil: ‘Art. ou seja. visto que. Ano 4.’ ‘Art. ou seja. Aplicam-se ao arresto as disposições referentes à penhora.

para as quais tem-se previsto tal efeito. contra uma decisão do TCU que venha a acolher nossa proposta de solicitação à AGU da medida cautelar aqui tratada. a contar da notificação. Nicolau dos Santos Neto. como no presente caso. o recolhimento do valor do débito aos cofres do Tesouro Nacional. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). ser alterada em suas pretensões em decorrência de interposição de recurso. 3º da Decisão Normativa TCU nº 35/2000. ao pagamento da quantia original de R$ 169. . III. § 3º.491. duzentos e sete mil. todos do Plenário). 16.951. 16. na prática. Diante disto. condenando solidariamente a empresa Incal Incorporações S/A. 1º. 2001 169 . alíneas ‘c’ e ‘d’.15 (cento e sessenta e nove milhões. perante o Tribunal (art. inciso III. do Código de Processo Civil. representada pelos Srs. 165. Diferentemente da indisponibilidade. 16. 520. Ano 4. Acórdão nº 086/97 – Ata nº 16/97. Pudesse uma deliberação do TCU que verse sobre medida cautelar. Número 15.VI Por todo o exposto este representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. Decisão nº 485/99 – Ata nº 33/99. adequar-se a eventuais delongas que o processo judicial de execução venha a sofrer. os Srs. desse débito total. a de garantir a conservação dos bens que servirão à execução da dívida.g. Brasília-DF. caso o Tribunal de Contas da União acate nossa proposta de solicitação de arresto dos bens dos responsáveis arrolados nos autos. eventuais recursos que venham a ser interpostos pelos responsáveis não terão efeito suspensivo. todos da Lei nº 8. inciso III. inciso IV. § 2º. assim o faça em deliberação distinta daquela que vier a registrar o julgamento do mérito das presentes contas. Gilberto Morand Paixão. alíneas ‘a’ e ‘b’. manifesta-se no sentido de que: a) a) com fundamento nos arts. atualizado Auditorias do TCU. representado pelo Sr. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. cabe-nos salientar que. quatrocentos e noventa e um mil. Por fim. Decisão nº 971/2000 – Ata nº 46/00. Luiz Estevão de Oliveira Neto. a teor do que dispõe o art. podendo.28 (treze milhões. o Grupo OK Construções e Incorporações S/A.443/92. sugerimos que. com a fixação do prazo de 15 (quinze) dias. para comprovar. o arresto pretendido não possui previsão de vigência. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos). inciso I. 19 e 23.207. e no art. consoante estabelece o artigo 24 da Resolução TCU nº 36/95 e a exemplo de inúmeras decisões já proferidas por este Tribunal (e.bens decretada pelo TCU não poderá exceder um ano. alínea ‘a’. do Regimento Interno). anuindo às propostas da Unidade Técnica. estaria desfeita sua principal razão de existência. aplicado subsidiariamente às decisões emanadas deste Tribunal.054. de responsabilidade solidária também do Sr. Délvio Buffulin e Antônio Carlos da Gama e Silva. qual seja. sejam as presentes contas julgadas irregulares. diferentemente da deliberação que venha a conter o julgamento de mérito das presentes contas. Daí que o efeito suspensivo inerente a alguns tipos de recurso não podem ser aplicados a medidas cautelares. sendo. a parcela de R$ 13.

443/92. seja o fato comunicado ao Congresso Nacional a fim de que este exerça a competência que lhe confere o § 1º do art. por imposição do disposto no artigo 226. com a designação oportuna de nova data para sua inclusão”. tal prerrogativa. 1. havendo este Relator. retificada. inciso II.181/ 3). 2001 . a cobrança judicial da dívida. 57 da Lei nº 8. postulou a Incal a retirada do processo “daquela ordem do dia. e) sejam encaminhadas cópias do pertinente Acórdão. ainda. propõe este representante do Ministério Público que o Tribunal. Referida providência ensejou a juntada de manifestação adicional acerca das peças analíticas produzidas pela Unidade Técnica. à Comissão Mista de Planos. razão por que formulei o despacho abaixo 170 Auditorias do TCU. obteve cópia das instruções elaboradas pela SECEX/SP. até a data do recolhimento. passando os mencionados elementos a constituir o volume 44. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional. f.” 42 . calculados a partir de 01. conforme preconiza o art.15). na forma da legislação em vigor.443/ 92. da Lei 8. caso não atendida a notificação.443/92. b) seja autorizada.III. 44. em parte. as medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis.A. em parte. nos termos do art. Incluído o feito em pauta para ser julgado em Sessão Plenária de 09/05/ 2001. Na ocasião. em deliberação distinta do Acórdão que vier a julgar a presente Tomada de Contas Especial. f. 42). exame grafotécnico com o objetivo de comprovar a falsificação de rubricas (como se suas fossem) apostas na capa e na folha 34 do documento intitulado “Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico” (vol. Número 15. d) ante a relutância do TRT/2ª Região em promover a nulidade do contrato. conforme previsto no art. Gilberto Morand Paixão. Conclusos os autos para julgamento. compatível com a data agendada para o referido julgamento (volume principal . à Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho. desde logo. o Sr. conforme determinado pelo TCU (alínea ‘f ’ do Acórdão nº 45/99–Plenário. 61 da Lei nº 8. ficando assente que o referido procedimento poderia ser exercido no âmbito do próprio Tribunal e em momento anterior. bem como do Relatório e Voto que o fundamentarem. Brasília-DF.491. por meio deste Ministério Público junto ao TCU. irresignada com o tratamento dispensado a seu requerimento.05. 71 da Constituição Federal. encaminhando. 28. Outrossim. do RI/TCU. a empresa Incal Incorporações S. por intermédio de advogado devidamente credenciado (volume principal – III. pela alínea ‘b’ do Acórdão nº 298/2000–Plenário). o interessado.monetariamente e acrescido dos pertinentes juros de mora.951. bem como do parecer do douto Ministério Público junto a este Tribunal. c) seja aplicada a cada um dos responsáveis a multa individual limitada ao valor atualizado do dano causado ao Erário (R$ 169. Ano 4. solicite à Advocacia-Geral da União. autorizado. 45. parágrafo 2º. requereu vista do processo fora das dependências do Tribunal. 43.99. 1.178/80).

para tanto. uma vez que existe impedimento normativo para que o processo seja compulsado pela(s) parte(s) fora das dependências do TCU (§ 2º do art. até que fosse alcançado o atual estágio de exame de mérito. o referido Relator. para que se opere a retirada de pauta do processo. em caráter excepcional. de forma autônoma. ter deferido a dilação de prazo para apresentação de defesa por mais 30 (trinta) dias. determinando o encaminhamento de seu inteiro teor à interessada. o Relator original do feito. foi comunicada. como pretendido pelo nobre causídico. foi providenciada. passo a considerar: a) no curso processual destes autos. à data de 18 de setembro de 2000.115/1996-0. nesta oportunidade. quando este TC-001. Ministro Adhemar Paladini Ghisi.025/1998-8 na pauta de julgamento agendada para a Sessão Ordinária de Plenário de 09/05/2001. nestes autos (f. em 13 de setembro de 1999. determinou a disponibilização dos autos à interessada.. a Incal Incorporações S. No que se refere ao argumento oferecido. g) efetivada tal medida. que o tratamento dispensado ao recente requerimento de 03/05/01 (f. autorizei. ao dispor sobre pedido formulado pela empresa.reproduzido. de 16/08/00) até a data limite de 06 de outubro de 2000. além de. 2001 171 . Fábio Monteiro de Barros Filho. a contar do transcurso do período inicialmente fixado (f. 1178. a Incal Incorporações S. foi de atendê-lo em parte (franqueamento de vista ao processo).A. volume III do processo principal) teria impossibilitado “o exercício pleno do direito de defesa” até a sessão retrocitada. 226 do Regimento Interno). Sr. d) em sede do TC-700. a prorrogação do prazo inicialmente fixado para atendimento da citação em mais 30 (trinta) dias. f) concluso o processo para efeito de julgamento de mérito. autorizou fossem concedidas vista e cópia do processo. ao analisar novo pleito da Incal Incorporações S. Ano 4. em relação ao pleito anterior da mesma procedência (Despacho de f. o Gabinete deste Relator. contados da data em que se desse ciência do franqueamento do processo para a respectiva vista (f. teve assegurada a plenitude das suas prerrogativas. a prorrogação de prazo para a apresentação de defesa (ref. Auditorias do TCU. 584 do volume II do processo principal). em caráter excepcional. empreendeu contato telefônico. c) novamente. 1180 do volume III do processo principal). 683 do volume II do processo principal). comunicando a data de julgamento do processo. ao Ofício 659 – SECEX/SP. e) em 09/02/2001.189/90): “Alega.A. a inclusão deste TC-001. verbis (f. bem como. a título contributivo com os interessados. b) em 29 de junho de 1999. 1.A. A conduta deste Relator. em 27/04/2001. na pessoa do Sr. 911 do volume II do processo principal). Brasília-DF. por meio do Sr. Fábio Monteiro de Barros Filho. em caráter excepcional. que o prosseguimento da apuração dos fatos relativos à construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo passou a ser tratado.025/1998-8 já se encontrava sob a condução deste Relator. Número 15.

172 Auditorias do TCU. Ano 4. comprometeria o julgamento da matéria na data em que foi legalmente programado. o prazo então requerido. pelo contrário. não houve restrição alguma para que a Incal Incorporações S. Murillo Alves Ferraz de Oliveira. art. 226). sob a argumentação desarrazoada que se procurou emprestar aos fatos. fundado em motivo justo. além de não existir amparo nas normas que regem a atuação do TCU para que a Incal obtivesse vista dos autos fora das dependências do órgão.” Por todo o exposto. de vital interesse para a sociedade brasileira. 51). j) isso posto. art. se concedido. n) ademais.h) somente após essa iniciativa. pelo prazo de cinco dias.A.A. Brasília-DF. fizesse uso de suas prerrogativas legais. l) em razão do Despacho mencionado no item anterior. representada pelo Dr. c) óbvio está que a plenitude de defesa há que ser exercida de modo a não prejudicar a própria prestação jurisdicional do Estado. Número 15. vem contando a empresa com o beneplácito desta Corte em lhe conceder acréscimos de prazo para a formulação/apresentação de defesa. impetrado pela Incal Incorporações S. como mencionado nos itens pregressos. foi autorizado. uma vez que verificado o seu caráter meramente protelatório.A. p. sob a crença de que tenha existido restrição ao pleno direito de defesa. de 05 (cinco) dias. b) na situação em tela. o prazo requerido inviabilizaria o julgamento do processo na data programada. e justamente no dia em que foi publicada a mencionada pauta na imprensa oficial (DO de 03/05/2001. tem competência para negar pedidos da espécie. e d) assim. à saciedade. é que o distinto procurador pretende embasar a retirada do processo de pauta. à data de 04/05/2001. 226 do RI/TCU). o Excelentíssimo Senhor Ministro Nelson Jobim. ao examinar o Mandado de Segurança 23. BSB/DF). para requerer vista dos autos.952. 2001 . fora do Tribunal. do Supremo Tribunal Federal. m) como demonstrado.” 46. o acesso aos autos na sala dos advogados (Anexo II do TCU. e o) o § 3º do aludido artigo do RI/TCU dispõe: “o pedido de juntada de documento poderá ser indeferido se o respectivo processo já estiver incluído em pauta.. resulta de todo descabida a alegação da parte interessada. não há razão para procrastinar o referido julgamento. voltou aos autos. Comunique-se o inteiro teor à parte interessada. sala 303. uma vez que o Regimento Interno deste Tribunal faculta ao Relator sejam indeferidos pedidos de vista ou cópia desde que haja motivo justo (§ 4º. no dia previsto para a apreciação da matéria. 09/05/2001. i) além de existir impedimento para a retirada do processo das instalações deste TCU (§ 2º. conclui-se: a) a inteligência dos §§ 3º e 4º do artigo 226 do RI/TCU deixa claro que o Relator. Seção I. em caso de interesse da empresa. Contudo. é que a Incal Incorporações S.

4. sob a condução deste Relator. assim como das demais peças correlacionadas. Colegiado.025/1998-9 pelo mesmo Relator da Prestação de Contas do exercício de 1995. foi decidido que o assunto.115/ 1996-0. Precedeu a atual etapa de ajuizamento de mérito o exame pelo Colegiado das peças recursais contrárias aos termos do Acórdão 045/99-TCU-Plenário e Decisão 469-TCU-Plenário. Os argumentos ofertados. 5. É o Relatório. na órbita do TC-001.115/1996-0 (Tomada de Contas do Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região. e dos Embargos Declaratórios posteriormente oferecidos a esta última deliberação.025/ 1998-8). operado mediante a prolação do Acórdão 036/ Auditorias do TCU. ante os possíveis reflexos oriundos do julgamento da Tomada de Contas Especial sobre as já citadas contas ordinárias. autorizei a prorrogação do prazo de vista. decorrem de citações dirigidas aos responsáveis em razão das seguintes deliberações: Acórdão 045/99-TCU-Plenário (Diário Oficial de 19/05/1999).115/1996-0). a SECEX/SP promoveu o traslado das alegações de defesa apresentadas pelos responsáveis no TC-700. então sob a Relatoria do Sr. Diante da questão de ordem suscitada na Sessão Extraordinária de Caráter Reservado. Decisão 469/99-TCUPlenário (Diário Oficial de 05/08/1999).A. 2001 173 . acesso ao TC-700. ainda. assegurando. dessa feita para que se opere o exame das alegações de defesa dos responsáveis implicados no desvio de recursos públicos destinados à obra de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. e Decisão 591/2000-TCU-Plenário (Diário Oficial de 15/08/2000). Ministro Adhemar Paladini Ghisi.115/96-0 relativo às contas ordinárias do exercício de 1995. 3.2000. levados a efeito por meio do Acórdão 298/00-TCU-Plenário. ora submetidos ao descortino deste E. cuidando para que os interessados tomassem ciência do que fora decidido e executado. por força do comando contido no item “c” do Acórdão 045/99 (Sessão Plenária de 05 de maio de 1999. em caráter autônomo. ambos relacionados a este processo. processo transformado em Tomada de Contas Especial. 2. Número 15. de 06. 47. Superados os trâmites de natureza processual. a partir de então. a vista dos autos fora das dependências do Tribunal. Ano 4. exercício de 1995). para o âmbito deste processo. VOTO Volta à apreciação desta Corte a matéria versada nestes autos do TC .deferiu medida liminar “para sustar o julgamento do processo”. Ata 16/99). a respeito do processo apto a conduzir o exame do débito verificado em relação à obra do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. ainda. matéria tratada em sede das contas anuais do exercício de 1995 (TC-700.025/ 1998-8. e do processo de Tomada de Contas Especial (TC-001. adotada no TC700.001. em atenção a requerimento firmado por representantes da aludida empresa. contratada pelo TRT-2ª Região junto à empresa Incal Incorporações S. concedendo. Brasília-DF. Posteriormente. Sessão Ordinária de 29/11/00. deveria ser analisado.12.

ante os fatos questionados.731/92-0). assim como à quase totalidade das conclusões por ela alcançadas.2001–TCU-Plenário. Parte substancial da defesa. Da densa produção intelectual trazida aos autos em prol da isenção de responsabilidade dos agentes e empresas arrolados na lide. naquilo que é essencial. pelas razões que adiante comentarei. uso de faculdade discricionária. da sugestão que preconiza a aplicação da multa prevista no art. aparecem em mais de uma defesa. e b) a natureza peculiar do contrato celebrado (compra e venda de coisa futura – emptio rei speratae). ou os teores de mais de uma. partilha este Relator igual entendimento. ambos sob a competente Relatoria do Sr.. também constou do rol de argumentos analisados em sede recursal. Das numerosas alegações sustentadas pelos responsáveis. à exceção da orientação de mérito associada à participação do engenheiro Gilberto Morand Paixão no feito. 57 da Lei 8. 2001 . pelo princípio da separação de poderes consagrado no texto constitucional. Ano 4. em atenção aos instrumentos citatórios referenciados. Trilham nesse norte os tópicos de defesa que dispõem sobre: a) a prerrogativa de o TRT-2ª Região fazer. como resultante do processo licitatório guiado pelo Edital de Concorrência 01/92.025/98-8). 6. Ministro Adylson Motta. ante o fato de não ter sido capaz de afastar das práticas sub judice os motivos que estão a respaldar a fundamentação de irregularidade. Brasília-DF. esse extrato das alegações. em parte. Outras. 8.A. 11.443/92 a todos responsáveis. Sessão de 14/03/01. das seguintes deliberações: Decisão 231/96-TCU-Plenário (TC700. Em relação às proposições consignadas pelo Parquet especializado. 174 Auditorias do TCU. aparecem nas razões que conformaram o teor de uma. Esses questionamentos. salvaguardada. minuciosamente examinados e considerados. são privativas à linha de defesa de um dado interessado.300/86). na oportunidade própria. regido pelos cânones do direito privado (artigo 1122 do CC e inciso III do artigo 14 do então vigente DL 2. como crêem os signatários tenha feito. não foi recepcionado por parte deste Colegiado. pois estão intimamente associados à questão vestibular referente ao alcance fiscalizador do Tribunal de Contas da União sobre o compromisso pactuado entre o TRT-2ª Região e a empresa Incal Incorporações S. eis que. adstritas a condutas pessoais dos implicados. 7. Desde já. Todavia. já que a referida unidade se houve de forma elogiável ao longo dos diversos estágios percorridos no trato de tão importante matéria. deixo consignado o meu apoio ao minucioso exame processado pela SECEX/SP. 12. Acórdão 045/99-TCU-Plenário e Acórdão 298/2000-TCU-Plenário (os dois últimos correspondentes a este TC-001. Número 15. objeto de exame neste momento. A . 9. são recorrentes. Da sujeição do assunto à alçada fiscalizadora do Tribunal de Contas da União 10. inclusive. algumas. extraídos do conjunto das defesas ora submetidas ao exame deste Tribunal. alguns itens sobressaem como essenciais ao encaminhamento analítico do feito. constante das peças contestatórias (Acórdão 298/2000-TCU-Plenário).

) 51. Deixemos claro (pela última vez esperamos): o Legislativo ou o Judiciário não podem substituir a Administração na prática de atos que são privativos de autoridade administrativa’.. seguindo a mesma temática anteriormente sustentada e dando ênfase à questão referente ao poder discricionário.. e para que não persistam dúvidas quanto à validade da intervenção do Tribunal no assunto de que se cuida. A. assim como ofereço à colação considerações complementares. o titular da SECEX-SP buscou em citações de Hely Lopes Meirelles seu posicionamento a respeito. Brasília-DF.731/92-0). outras peças foram juntadas ao processo. a saber: ‘A competência discricionária não se exerce acima ou além da lei senão como toda e qualquer atividade executória com sujeição a ela (. Portanto. Auditorias do TCU. Ano 4. sua pretensão de substituir a opção discricionária da Administração do Tribunal Regional pela sua opção [da unidade técnica do TCU] desemboca nessa inconstitucionalidade. razão porque é inaceitável sob o aspecto jurídico. hoje aposentado.. o eminente Relator da matéria. No julgamento firmado por meio do Acórdão 231/96-TCU-Plenário (TC700.. dentre outras afirmativas. colocando.. Tanto os inspetores da SECEX-SP.) 47. quanto os auditores da SAUDI.. (.)’. em homenagem ao princípio da ampla defesa e do due process of law. o seguinte: ‘Essa visão é completamente ignorada pela auditoria do TCU. Relativamente à competência discricionária invocada pelos doutos juristas. Número 15. Após vista concedida à empresa contratada. Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira. nos termos constitucionais em vigor. Paulo de Tarso.13.. 14. da possibilidade de o TRT-2ª Região ter feito uso de sua capacidade discricionária na definição do procedimento licitatório e no tipo de contratação pactuado. 2001 175 . No Voto afim: “(. é que resgato parte do que foi disposto em relação a esses pontos. questão esta inteiramente dentro da discricionariedade administrativa. da legitimidade e da economicidade. No entanto. fez consignar: No Relatório correspondente: “(.. Em momento algum da análise da matéria este Tribunal levantou qualquer restrição quanto à necessidade e conveniência da instalação do Fórum Trabalhista...1. Dr. especialmente o novo Parecer jurídico emitido pelo Professor Toshio Mukai acerca da manifestação do Assessor da Saudi [à época]. O ilustre jurista rebateu todos os pontos levantados pela Secretaria de Auditoria e Inspeções. limitaram seu exame aos aspectos da legalidade. 48.) Discricionariedade é liberdade de ação administrativa dentro dos limites permitidos por lei (.) 91.

Ano 4.T. de qualquer dos Poderes da União. fazendo-o na conformidade da intentio legis. instituto – como visto . optasse por relegar a supremacia pública. o da ausência de amparo legal para que o TRT-2ª Região. desde o seu primórdio. com plena liberdade.. 2001 . o saudoso Hely Lopes Meirelles escreveu: ‘Na Administração Pública. 57/58). para o administrador público significa deve fazer assim . 17. 37.) ‘Ora. por lei. tidas como indispensáveis à execução da missão institucional de sua competência. A lei para o particular significa poder fazer assim. a Administração Pública está.. com veemência. Número 15. trago à baila o lúcido pensamento do Professor Celso Antônio Bandeira de Melo. que dispõe em relação ao ponto versado: “(. caput. paulista dos cânones do Regime Jurídico Administrativo adotado pelo direito brasileiro: o das prerrogativas e sujeição do poder público. pessoais. que tem de agir. 93. que todas as etapas dos procedimentos licitatórios ficavam adstritas ao poder discricionário do administrador. O espírito do questionamento foi.R. para robustecer o entendimento esposado por este Tribunal de Contas da União acerca do assunto.’. publicidade e eficiência. Brasília-DF. De regra. na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. Há adscrição a uma finalidade 176 Auditorias do TCU. moralidade.’ Sobre o assunto.que se traduz na idéia de indeclinável atrelamento a um fim preestabelecido e que deve ser atendido para o benefício de um terceiro. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe.” 15. A Administração Pública direta. nem a autodeterminação da finalidade a ser buscada. adstrita ao cumprimento de certas finalidades. tendo em vista que a matéria foi levantada nos pareceres dos doutos juristas quando afirmaram. contanto que não viole alguma lei. preferindo firmar contrato como mero particular. logo na origem do rito fiscalizador atinente às obras de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo foi situado por esta Corte de Contas que as restrições firmadas não se direcionavam à capacidade de o TRT-2ª Região definir as suas necessidades estruturais e/ou operacionais.92. É em nome do interesse público – o do corpo social. A esse propósito. pelo contrário. nem a procura de interesses próprios. sendo-lhe obrigatório objetivá-las para colimar interesse de outrem: o da coletividade. exerce ‘função’. No que diz respeito à discricionariedade da Administração convém tecer alguns comentários a respeito. 16. típica do direito privado. É situação oposta à da autonomia da vontade. fazendo-o pois. Onde há função. no ato inquinado. os interesses que lhe apetecem. neste último alguém busca. não há liberdade nem vontade pessoal. impessoalidade. dos Estados.. principalmente a escolha de sua modalidade. 37. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade. Como se vê.. Portanto. não há autonomia da vontade. o seguinte: ‘Art.. indireta ou fundacional. Ocorre que a própria constituição preceitua em seu art. consignado na obra Curso de Direito Administrativo – 11ª edição (p. Questionava a Corte de Contas o inexplicável afastamento das autoridades do T. nem a liberdade em que se expressa. em proveito próprio.

os sujeitos de Administração Pública têm que buscar o atendimento do interesse alheio. quando da definição dos procedimentos licitatórios regulados pelo Edital de Concorrência 01/92. [para a] Administração que. Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado. alto risco . revestido da condição de guardião do interesse público. Ano 4.A. a seu alvedrio. decorre a seguinte conclusão: “(. representava “. no caso de função pública.A. que o administrador público. ainda. também denominado interesse primário.) 5. Brasília-DF. ora antagônicos).previamente estabelecida e. e não o interesse de seu próprio organismo. deve agir orientado para a obrigatoriedade de perseguir sempre a forma contratual mais adequada e segura à preservação dos interesses da coletividade. para cumprir a lei e alcançar os fins por ela almejados.. há submissão da vontade ao escopo pré-traçado na Constituição ou na lei e há o dever de bem curar um interesse alheio que. que a condução do processo licitatório e a posterior contratação da empresa Incal Incorporações S. da coletividade como um todo e não da entidade governamental em si mesma considerada. impossível associar à conduta do TRT-2ª Região. Interesse secundário é aquele que atina tão-só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode-lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa. vale dizer.. por exercerem função. Ora. pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do estado como representante do corpo social. a dizer. sob a pretendida regência do direito privado. Claro ficou. qua tale considerado. pois. tomados em seu todo. como senhor. a prerrogativa de uso do poder discricionário posto ao alcance de seu então dirigente. e interesse secundário. exposto no texto intitulado “Desvio de Poder” (Revista de Direito Administrativo 172).. em relação a essa prática. ao mesmo tempo em que atuou como se particular fosse – sem Auditorias do TCU. 2001 177 .) Com efeito. E o faz. e muito menos o de seus agentes estatais... entregues a seu cargo. 21. Número 15. por meio da diligente equipe de inspeção lotada na SECEX/SP. Cura interesses dos cidadãos. porém na qualidade de agente assujeitado ao dever de desempenhar cometimentos. para o fim situado.... é o interesse público. (. não como dominus. no caso. o da coletividade. de Celso Antônio Bandeira de Mello. que vieram a culminar na contratação da empresa Incal Incorporações S. qual seja. os autores italianos fazem acepção entre interesse público propriamente dito. Indiscutível. exatamente porque são discerníveis o interesse público e o interesse meramente das pessoas estatais (ora coincidentes. Do pensamento.” 20. Aliás.. qualquer embasamento capaz de fundar. desde o 1º trabalho de fiscalização levado a termo por este Tribunal. quem administra interesses públicos gere negócio alheio..” 18. Nesse diapasão. 19. como coletividade.

. o analista da SAUDI. Equivale dizer. o custo da realização de uma obra.. etc..) 36. cujos projetos e planos de construção estejam previamente disponíveis no mercado. é bem diferente da aquisição de um imóvel onde será. apartamentos. Nesse último caso. tendo em vista as cláusulas abusivas acordadas” (item 89 do Voto condutor da Decisão 231/96-TCU-Plenário.. 2001 . Número 15. no futuro. seria a negação e a fuga a todas as normas legais pertinentes à contratação de obras públicas. é 178 Auditorias do TCU. se generalizada. na verdade. imposto aos usuários que necessitam dos serviços jurisdicionais daquela Corte Trabalhista. privados das condições adequadas de atendimento. mais tarde.. permanece inacabado. A nosso ver. (. construído um edifício. E. afirmou ser ‘inegável a existência da figura da compra e venda de coisa futura’ (artigo 1122 do C.supremacia do poder – agiu na condição de personalidade pública. ‘. ao caso. à época. Ano 4. Dentro dessa mesma linha de raciocínio. cujas obras serão inteiramente financiadas pela Administração e o mesmo se destina específica e exclusivamente para um determinado órgão público. Relator do feito.’. a conceituação constante do artigo 43 do Código Civil. fez registrar: No Relatório “(. assumindo graves riscos na qualidade de financiadora das obras de engenharia em andamento e. Na apresentação inaugural do assunto a este Colegiado (Decisão 231/96. Brasília-DF. prolatada na Sessão Plenária de 08/05/1996). além do vultoso prejuízo pecuniário perpetrado contra o Tesouro Nacional. Da divergência sobre a natureza do contrato celebrado 24.C. de regra. e inciso III do artigo 14 do então vigente DL 2300/86). com os acontecimentos que revelaram os desvios de recursos destinados às obras de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. segundo a qual a construção é acessório do terreno. não é aplicável. posicionando-se em situação de inferioridade com supremacia do particular contratado. hoje. ‘. Sessão Plenária de 08/05/1996).. o Sr.. teremos. para agravar. o terreno ou a obra?’. como é sabido. lojas. 22. No que tange à materialidade do fato. há também o dano de natureza social. não uma aquisição. é. o que seria acessório nesse contrato. o qual.. com o agravante de que. no que diz respeito às instalações utilizadas para tal fim. indagou. prática que. Ministro Paulo Affonso. Assim. inferior ao preço de compra e venda do mesmo imóvel pronto . Desnecessário frisar que o temor então demonstrado pelo Tribunal. seja por administração própria ou contratada.) 34. devendo ocorrer independentemente da adesão da Administração ao empreendimento. 23. o Analista confrontou o valor total do contrato com o percentual correspondente à aquisição do terreno constatando que 97% do montante correspondem aos projetos e obras.. veio a se materializar.. demonstrando que a compra antecipada de salas comerciais. os quais se vêem. conseqüentemente. ao apresentar as características usuais de uma compra antecipada.

no Relatório pertinente ao Acórdão 045/1999-TCU-Plenário..)” No Voto: “(. com a utilização do certame licitatório. Situação bem diferente da que ocorre.) Auditorias do TCU. a operação se caracteriza como contratação de obra de engenharia. Tecendo ainda comentários a respeito do mesmo assunto. o que não condiz com a realidade. Civil. Número 15. 25.) 74... será definitivamente transferido para o contratante. quando. então. . (. in litteris: “(. no primeiro caso acima referido. e Com.. exclusivamente. cuidou de afastar qualquer pretensão de acolhimento ao argumento utilizado. 26. assumindo quaisquer responsabilidades pela execução das obras”.’ 75.’ 37. ou mesmo para órgãos públicos.. uma obra inteiramente financiada pelo mencionado licitante. a contratada vai executar obra de construção privada em seu terreno e por conta própria e só depois de pronto o imóvel. dos recursos do órgão contratante (TRT). ser regida pela legislação aplicável à matéria. dispondo no Voto condutor do Acórdão 298/2000-TCU-Plenário. art.nítido que a parcela mais expressiva das despesas referem-se às obras. Ministro Adylson Motta. ao examinar a peça recursal de interesse do Sr. Já a segunda situação envolve simplesmente um contrato de natureza privada. presentes no julgamento representado pela Decisão 231/96-TCU-Plenário (Ata 17/ 96). e da Incal-Ind.. que não estão. ainda na planta.. o Sr. Nicolau dos Santos Neto. 66. a certa altura. o Professor José Afonso da Silva. em nossa opinião. com a observação de todos os requisitos e exigências atinentes à espécie licitatória. Nesse caso. com o competente ‘Habite-se’..]: ‘. Brasília-DF. ainda que entre os adquirentes estejam administradores públicos. o Sr.. o terreno e não a obra deva ser tido como acessório.. afirmou [na consulta encomendada pela Incal Incorporações S. no caso. Ano 4. tendo em vista que o prosseguimento das obras não ficaria a depender exclusivamente dos recursos dos adquirentes.A. se transformará em bem público de uso especial (Cód. Outro aspecto abordado pela SAUDI diz respeito à forma de pagamento acordada em confronto com o ínfimo capital social da Incal Inc. Ministro Adhemar Ghisi. especialmente no que tange ao Estatuto de Licitações e Contratos então em vigor. entendemos nós. ao lado de outros recursos interpostos contra o Acórdão 045/99-TCU-Plenário (Ata 16/99). Por sua vez. quando se trata de construção pelo setor privado de um edifício de apartamentos ou de salas comerciais. isto é. cujas unidades foram integralmente vendidas. 76. cujo instrumento idôneo deve ser o contrato da administração pública. para particulares. 2001 179 . resgatou os principais pontos dessa questão.. Mais recentemente. II). que haviam assinado um documento caracterizado como ‘promessa de compra e venda futura’. Assim. visto que dependiam. de Alumínio (juntos não correspondiam a 1% do valor contratado. No caso em tela. O equívoco aí está exatamente na afirmação de que as obras seriam construídas por conta própria da contratada (Incal). devendo.

A. também não ter atendido as exigências que lhe permitiriam situarse como compra e venda de coisa futura. com recursos públicos federais. 30.08. frente ao montante pactuado para a realização da obra. a título de argumentação. Ano 4. no período de 26/10/92 a 13/11/92. Das defesas apresentadas 32. foi ela rechaçada por este Tribunal já na Decisão 231/96-Plenária.A. ao comentar. já deixava patente. e antes mesmo da formalização da Escritura de Compromisso de Venda e Compra (datado de 14. até o momento em que. sujeito. a hipótese de se conferir à contratação da Incal Incorporações S. objetivando a aquisição 180 Auditorias do TCU. não correria às expensas de recursos próprios da contratada. quando da contratação da Incal Incorporações S. 28. então.1. a pautar-se no campo do direito privado. Não bastasse. à míngua de outros predicados econômicos-financeiros da Incal Incorporações S. mas sim dos valores pagos pelo TRT a título de parcelas do montante acordado. dedico atenção às defesas oferecidas pelos responsáveis. de acordo com o Código Civil. às regras do direito civil. com respeito à alegação de que o contrato em questão seria de compra e venda. 27.. que presidiu aquele Tribunal Regional no período de setembro de 1990 a setembro de 1992. realizou inspeção ordinária rotineira no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. providencia-se a transferência do domínio para o comprador. 2001 . 29. à época do negócio. o que resulta descabido e à margem das disposições legais que então regulavam a espécie. Este Tribunal. É que o simbólico capital social da empresa contratada. inegável que o TRT-2ª Região se prestou ao papel de financiador de empreendimento particular. o que ocorreu em 19. tendo constatado numerosas e graves irregularidades em relação à Concorrência 01/ 92. A SECEX/SP. assim. publicou o esdrúxulo e nada convencional Edital de Concorrência 01/92.92). Nicolau dos Santos Neto. ao acolher as razões então aduzidas pelo Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira. ao distinguir conceitualmente contrato privado da Administração e contrato administrativo:. em momento posterior ao início dos pagamentos feitos pelo TRT (a partir de 10.A.. 31. A seguir. que o cumprimento do compromisso (entrega futura do imóvel com a transferência de domínio para o TRT2ª Região). no caso em análise. essa não tinha titularidade do domínio do terreno. ressalta a unidade técnica que. B. Note-se que.04.. o promitente vendedor mantém a titularidade do domínio do bem.. satisfeitos os pagamentos acordados. por meio da SECEX/SP. Brasília-DF. a ausência de fundamento justificável para que o TRT-2ª Região abrisse mão da prerrogativa da supremacia e contratasse como se mero particular fosse. valendo destacar: a) em janeiro de 1992. diante da promessa bilateral de compra e venda de coisa futura.Dessa forma. a referida empresa não havia sequer adquirido o terreno.A. assinala que. já que só veio a adquiri-lo tempos depois. há o agravante de o contrato celebrado com a Incal Incorporações S. Número 15. a presunção de contrato regido pelo direito privado. A responsabilidade administrativa-financeira do Juiz Nicolau dos Santos Neto 33.92). Ademais. o Sr.92. Nessa condição.”.09.

Tendo em vista suprir solicitação do Ministério Público Federal. o Sr. e o Consórcio Grupo OK/Augusto Velloso – tendo a primeira sido vencedora. avaliado naquela época em R$ 57. 34.02.209. o relator original do feito (TC-001. foi expedido ao Sr.98 e 488/SECEX/SP. fato que contrariou o artigo 40 do Decreto-lei 2300/86. cujo Relator foi o Sr. objetivando fosse verificado o estágio de execução da referida obra e sua conseqüente compatibilização com o montante de recursos financeiros até então despendidos. Pelos ofícios nos 379. Nicolau dos Santos Neto. Nicolau dos Santos Neto. Realizada inspeção nas obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo e constatado o descompasso do seu cronograma físico-financeiro procedeu-se à audiência do responsável. 38.98. 37.025/98-8). em construção ou a construir.A. recepcionando as conclusões do brilhante voto do Ministro Adhemar Paladini Ghisi. 39.374. conforme exaustiva análise realizada pela competente SECEX/SP. apenas 3 apresentaram proposta. que se deu em 14/09/92. último dia de sua gestão frente àquele órgão.05. c) o objeto da Concorrência 01/92 foi adjudicado em favor da Incal Incorporações S. 294/297 e 324/328 do Vol. 2001 181 . Objetivando o saneamento das irregularidades.1025/98-88) e comprovado o descompasso físico-financeiro. Nicolau dos Santos Neto o ofício 078/93/Secex/SP. Ano 4. sem contar com nenhuma garantia por parte dessa empresa. para que o responsável adotasse as providências que se faziam necessárias. resultaram na Decisão 231/96. somente 2 (duas) foram classificadas – a Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. Em atendimento aos supracitados ofícios. Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira. Número 15. autorizou a realização de nova inspeção. à época Presidente da Comissão de Construção do Fórum da Justiça Trabalhista de 1ª Instância. Ministro Adhemar Paladini Ghisi. não foram suficientes para descaracterizar as irregularidades apontadas.A. o responsável apresentou suas razões de justificativa.de imóvel pronto. e e) o Juiz Presidente do TRT/São Paulo. cuja assembléia geral de constituição foi realizada em 19. de 24. Destas. trezentos e setenta e quatro Auditorias do TCU. amplamente discutida neste autos. Por conseguinte. O responsável ofereceu alegações de defesa que. empresa estranha à dita concorrência. 36. Sr. d) em suma. 35.84 (cinqüenta e sete milhões.07. adequado para a instalação de Juntas de Conciliação e Julgamento da cidade de São Paulo. Plenário.. este E. 487 de 15. após analisadas pelos órgãos técnicos desta Corte. adjudicou-se uma obra de US$ 139 milhões em favor de uma empresa estranha à licitação. fez adiantamentos à empresa adjudicada em data anterior à assinatura do contrato. foi ouvido (f.. então vigente. em data posterior à publicação do Edital. com capital integralizado irrisório de US$ 70. e Monteiro de Barros Investimentos S.92. pelo Acórdão 045/99-TCU-Plenário (TC 00. pelos sócios acionistas Incal Indústria e Comércio de Alumínios Ltda. no período de 01/04/92 a 15/07/92. b) das 29 empresas que adquiriram o Edital. as quais. Brasília-DF. principal). 40. ou seja.

mil.15 (cento e sessenta e nove milhões. aplicou multa ao responsável.60 (sessenta e dois milhões. este E. esta Colenda Corte. Assim. ao ter novamente presente o TC 001. Os resultados da inspeção não deixam dúvidas: a obra no estado em que se encontra. 43. duzentos e vinte e cinco reais e sessenta centavos). pelo novo valor. a importância correspondente a R$ 231.115/96-9. possui o valor de R$ 62. cento e setenta e seis reais e setenta e cinco centavos). Nicolau dos Santos Neto.176.951. A peça apresentada como defesa pelo Sr. determinando.225. Nicolau dos Santos Neto. no que tange ao perfazimento do débito. entendo. ainda. Acolhendo suas razões. em que pese sua omissão. 6.08. pela referida obra. foi processada como recurso.08. A este chamamento. 2001 .. Relatório de Inspeção. Nicolau dos Santos Neto foi realizada por meio do Edital nº 10. exercício de 1995. em vista do princípio da ampla defesa. culminando no Acórdão nº 298/2000. na mesma localidade. no processo ora em exame. Brasília-DF.461. Suficiente e devidamente analisada por nossa Secretaria de Recursos e pelo Ministério Público junto ao TCU. 41. Considerando que foi pago pelo TRT – 2ª Região à empresa Incal Incorporações S. resta patente a necessidade de serem repostos aos cofres públicos os R$ 169. 45. No entanto. Número 15. de 16. mister destacar que o Sr. 182 Auditorias do TCU. determinando a citação solidária do Sr. TC nº 700. Ano 4. considerando que os fatos tratados em ambos os processos são de igual teor.A. 1º da Resolução TCU nº 08/93. arrimado no art. publicado no DOU de 21. ao tempo em que tornou insubsistente a citação que lhe foi anteriormente dirigida (Acórdão 045/99).99. ordenou a citação de todos os envolvidos. 44. Antes de serem apreciadas as defesas das citações originadas dos acórdãos 045/99 e 469/99. incluindo o respectivo terreno (em valores de abril de 1999). posto que constituem evidente parcela superfaturada.025/98-8.07. quando notificado e citado em virtude do Acórdão nº 045/99. ao ter presente o processo de Tomada de Contas do TRT/2ª Região. em decorrência de sua fuga. configurando-se naqueles autos a sua revelia. proferiu a Decisão nº 591/ 2000/TCU-Plenário. onde se incluiu o Grupo OK como responsável solidário.75 (duzentos e trinta e um milhões. face à fuga empreendida pelo responsável.2000. hoje. Desta feita a citação do Sr. quatrocentos e noventa e um mil. novecentos e cinqüenta e três mil.953. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). quatrocentos e sessenta e um mil.2000. onde estava sendo conduzida a questão do Fórum Trabalhista. o insigne Ministro Adhemar Ghisi. obtiveram suas colocações e conclusões aquiescência por parte do Relator. recepcionando voto deste Relator. deva ser desconsiderada a revelia. asseverou: “5. Nicolau apresentou alegações de defesa nas duas outras oportunidades em que fora instado a fazê-lo. originando nova citação. Plenário proferiu o Acórdão nº 469/99. transformou os autos em Tomada de Contas Especial. não respondeu o responsável. Esse seria o valor a ser desembolsado caso se pretendesse construir. Na assentada de 28. Ministro Adylson Motta. duzentos e nove reais e oitenta e quatro centavos).” 42. obra idêntica. nova inspeção em face das apurações decorrentes da CPI do Judiciário.

impõe-se ressaltar que. 45. Esse procedimento justificase por entender que as alegações do responsável. Alegações estas apresentadas. desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário’... identificação dos responsáveis e quantificação do dano’ (Lei nº 8. ‘pela mesma razão.destaquei). a ressarcir os cofres da União e ao pagamento de multa. (. seria uma irracionalidade desconsiderar-se todo o custoso e exaustivo procedimento apuratório anteriormente realizado e deixar de proceder-se. 8º. Ano 4..) Quanto à primeira. art.1 Posicionamento do Relator 01: Esse questionamento já constitui objeto de coisa julgada operada pela decisão do recurso interposto pelo defendente de que resultou o Acórdão 298/2000.1... (. Logo. ‘ao exercer a fiscalização. tendo em vista as provas já coligidas nesse procedimento. 48 . é de todo destituído de sentido o argumento no sentido de que seria ‘impossível a conversão determinada no acórdão simultaneamente com condenação a ressarcimento à União’ e. art. não se cuidando de simples instauração de tomada de contas especial com vistas a. se configurada a ocorrência de desfalque. desde logo. por isso que idôneos a permitir a constatação da ‘ocorrência de desfalque.1. neste caso. Dessa forma. até agora o Tribunal neste feito não condenou ninguém a restituir qualquer valor a título de ressarcimento pelos danos que se evidenciam ter sido causados ao erário. somente a partir daí. desde já. De um lado. a conversão do processo em tomada de contas especial’ (Lei nº 8. Brasília-DF. Reitera que a finalidade da Tomada de Contas Especial é justamente a identificação dos possíveis responsáveis e do eventual dano. caput e § 1º). o Tribunal ordenará. a constituição de uma tomada de contas especial a partir de autos nos quais já se efetivaram diversos procedimentos investigatórios. impossível a condenação na multa do artigo 47. na forma como segue: 45. apresentadas quando citado em cumprimento à decisão nº 469/99.) De outro lado. Argumento 01: o defendente contesta a decisão que simultaneamente converteu os autos em Tomada de Contas Especial e o condenou. desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário. se afiguram como responsáveis pelos prejuízos imputados ao patrimônio público. são rigorosamente iguais àquelas minuciosamente analisadas e contestadas no referido decisum. impossível a conversão determinada no Acórdão simultaneamente com condenação e ressarcimento à União.443/92.cujas considerações de seu judicioso voto trago à lume. proceder-se à inicial adoção das medidas tendentes à ‘apuração dos fatos. como decidido no referido acórdão’.) Auditorias do TCU. “(. quando lhe foi negado provimento. à citação daqueles que.443/92. de uma conversão em tomada de contas especial.. ao contrário do que asseverou o recorrente. e isso com base no valor do dano por igual já previamente quantificado. Trata-se. solidariamente com outro responsável. por inarredável imposição legal. ou seja. 2001 183 . Número 15.

2001 . Isso porquanto. da Lei 8. no entender do recorrente. não se vislumbrando qualquer vício nos procedimentos adotados pelo Tribunal.. ‘a questão da licitação para a aquisição do imóvel destinado à instalação das Juntas de Conciliação e Julgamento de São Paulo. argumentando “assim.” 45.1. 43 da Lei nº 8. É que a multa ao recorrente aplicada fundou-se — menciona-o expressamente o acórdão condenatório — no parágrafo único do art. do artigo 10. Ano 4. laborou em fenomenal equívoco o recorrente — e.2. em sede de recursos interpostos contra o Acórdão 045/99 e que resultou no Acórdão 298/2000. na companhia de muita gente que não conhece a conformação específica conferida pela Constituição Federal e pela Lei nº 8..Em conclusão.443/93. 45.2 Argumento 02: pugnou pela nulidade da decisão recorrida “por violar o direito constitucional do respeito a coisa julgada” sustentando que o TCU estaria proferindo um segundo julgamento acerca de uma mesma questão já decidida anteriormente. pelo que ‘para que fosse possível haver nova decisão a primeira teria que ser forçosamente nos termos do § 1°. o que implicaria a nulidade da última deliberação. 19 desse diploma legal. para que fosse possível haver nova decisão a primeira teria que ser forçosamente nos termos do § 1º. é de refutar-se essa outra impugnação à conta de uma segunda incompreensão do recorrente com respeito à disciplina jurídica atinente às normas processuais observadas neste Tribunal.443/92. sustentou o recorrente que ‘pela mesma razão. do artigo 10.) Passo a segunda preliminar suscitada pelo recorrente.. como decidido no referido acórdão’. Posicionamento do Relator 02: Matéria já examinada por este egrégio Plenário.) Portanto. Brasília-DF. prevista no art. que não tivesse havido pronunciamento quanto ao mérito e sobrestado o julgamento”. foi exaustivamente debatida por este Egrégio Tribunal de Contas que adotou decisão definitiva sobre o assunto’.443/92. “(. resgato-as aqui: 184 Auditorias do TCU. Ainda como matéria articulada na primeira preliminar. da Lei 8. Pelos seus jurídicos fundamentos.. A par de renovar as razões que venho de apresentar. ‘por violar o direito constitucional do respeito à coisa julgada’. isto é que não tivesse havido pronunciamento quanto ao mérito e sobrestado o julgamento’.443/92 ao processo desenvolvido no âmbito do Tribunal de Contas da União — ao inferir da singela citação a ele dirigida houvera este Plenário decidido pela sua ‘condenação a ressarcimento à União’. o recorrente nada apresentou de novo que pudesse trazer sequer alguma sombra de dúvida quanto à pertinência das razões sustentadas pelo eminente Relator do acórdão quando enfrentou essa mesma questão. nada tendo a ver com a multa aplicável em processo de contas. a pugnar pela nulidade da decisão recorrida. Nesse ponto. nesse ponto. isto é. (. impossível a condenação na multa do artigo 47. impõe-se rejeitar essa primeira preliminar. Número 15.

portanto. claro está. para o seu nome. É comezinho que a correção dos rumos é sempre preferível às rupturas abruptas. as medidas então exigidas por esta Corte demonstram claramente que o Tribunal não estava chancelando como ‘regular’ qualquer procedimento até então adotado pelo TRT-SP. Auditorias do TCU.3 da Decisão Plenária nº 231/96: ‘determinar ao Presidente do TRT . imediatamente. também.2ª Região a adoção de providências urgentes no sentido de transferir.) 5. deixaram indubitável que a intenção do Colegiado. bem como a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos (Lei nº 8. Qualquer determinação desta Corte de Contas terá que levar em conta esse aspecto. naquele momento. Ministro Paulo Affonso. Indiscutível. Sr. como forma de não trazer ônus adicional à Administração. Número 15.Claro está. Todavia. nesse sentido.. em síntese. incluindo o respectivo terreno.Os argumentos então trazidos pelo Exmo. Tais intenções estão explícitas no Voto do Relator. tendo em vista o tempo decorrido durante a tramitação do processo. era o de não impor novo ônus ao erário que poderia advir de uma prematura anulação do contrato. que então aparentava ser iminente. entretanto. haja vista a complexidade das ocorrências aqui tratadas. Brasília-DF. com o fito de não obstar a conclusão da obra. Ano 4. A respeito de ambas foram exigidas providências corretivas. indispensável à elucidação dos fatos em toda a extensão necessária. Relator daqueles autos.Da leitura das peças que conduziram à Decisão nº 231/96 resta evidenciado que. evitado a situação anômala agora verificada. Observe-se que pairavam sobre a obra. em setembro próximo. que o Tribunal não apreciou definitivamente o mérito das questões tratadas nestes autos. 7.‘3.. duas imputações de irregularidades: a) a ausência de transferência da propriedade do terreno para o TRT-SP.A transferência foi efetivamente realizada. que o Tribunal.. que conduziu a deliberação então acolhida por esta Casa: ‘(. prosseguindo com a realização de pagamentos não lastreados pela contraprestação de serviços. que os Administradores do TRT-SP simplesmente ignoraram a segunda parte da determinação. da ocorrência de diversas impropriedades.) considerando as últimas informações a respeito do estágio em que se encontram as obras do edifício que irá sediar as Juntas Trabalhistas da cidade de São Paulo.’ (grifamos) 6.. possibilitando a realização de pagamentos antecipados. as obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. pela Corte. Ocorre. nos moldes dos contratos de aquisição de coisas prontas e acabadas. 2001 185 . que não se faz coisa julgada sobre aquilo que não se julgou em definitivo’. e b) sua execução nos moldes dos contratos de direito privado. (. Observe-se que o cumprimento tempestivo das exigências deste Tribunal teria estancado o procedimento irregular e.666/93). Não obstante. já então. não podemos deixar de enfrentar a realidade dos fatos. como se verifica do item 8. por conseqüência. existia o reconhecimento. optou pela aceitação preliminar dos procedimentos.

45. ‘Ementa 186 Auditorias do TCU.3. também rejeito a segunda preliminar. permito-me tecer algumas breves considerações: 45. 38.J. 45. Os atos que o gestor pratica.” 45.666/93.3. Relatora a Desembargadora Nancy Andrighi do T.3. hoje ilustrando o S. p. Transcrevo da publicação mensal “Fórum Administrativo”.D. Ano 4..4. interessante tese foi vitoriosa no MS 3626/934.. porque não decide. Quanto à escusa absolutória que o defendente Nicolau dos Santos Neto buscou ao repetir os argumentos já enfrentados anteriormente no voto condutor do Acórdão recorrido. Número 15. também um processo de fiscalização —.8. fundamentalmente alicerçados nas manifestações dos diversos pareceristas contratados pela Incal Incorporações S. o que o recorrente qualifica de ‘primeira decisão’. a Decisão nº 231/ 96-Plenário (Ata 17/96).3.. 105: “Penalização de Advogado O Poder Judiciário já entendeu que o Advogado não pode ser isoladamente multado.443/92 — uma decisão de processo de contas — para que pudesse ser prolatada deliberação com o teor do acórdão recorrido. Alega que toda a discussão sobre o presente processo parte do pressuposto errado de que houve licitação para obra. 2001 .F.3. foi proferida quando da apreciação de Relatório de Auditoria realizado em 1992 no TRT-2ª Região — logo. Em primeiro lugar. mais exatamente compra para entrega futura.3.. Tal porém não é a tese predominante hoje na Corte de Contas que tem afirmado a responsabilidade pessoal do administrador por seus atos. igualmente já considerados pelo Tribunal. O processo jurídico é apenas uma orientação para o gestor que tem o líbito de seguir ou não a orientação. Brasília-DF. número 1. ano 1..3. quando na verdade houve a licitação para compra de coisa específica. 45.3. em 31 de agosto de 1994.3.J. Pelo exposto. 45.(.7.039/93-9.) Ora.T. março de 2001. Posicionamento do Relator 03: Assunto já rebatido em oportunidades anteriores quando submetido à consideração do Plenário deste Tribunal. 45. entendo que a competência para exercer cargo ou função pública é do próprio ocupante do cargo.1.A.3. ao interpretar o art. Assim no TC 649. A propósito. 45. É verdade que em alguns julgados aparece interpretação de que se o administrador atua segundo tese razoável firmada pelo órgão jurídico não pode ser condenado. Acórdão 71635. são praticados sob a sua responsabilidade e não dos assessores jurídicos que a ele assistem.5. § único da Lei 8.2. sujeito às regras do Direito Privado.6. Argumento 03: questiona o defendente que o contrato para a construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo seria de compra e venda. por meio do Acórdão 079/95 a Corte julgou irregular a existência de edital padrão em relação a aprovação pelo órgão jurídico. 45. pelo que beira o absurdo postular-se que este Tribunal deveria ter proferida uma decisão preliminar no sentido do § 1° do artigo 10 da Lei 8.

II – Compete exclusivamente ao Conselho da Seção da Ordem dos Advogados do Brasil o processo disciplinar dos advogados. 98. principalmente quando envolve obras de grande vulto.’ Quando emitir parecer. relativo ao exercício da profissão. DF. Em conseqüência. a Administração Pública. e a penalidade deve seraplicada solidariamente ao Advogado e o gestor responsável. O Administrador. induzindo a autoridade em erro grave.” 45. como mero particular. Tal conceituação vem demonstrar que somente em casos especialíssimos a Administração pode abrir mão de sua supremacia e contratar como mero particular. 31 de agosto de 1994.Mandado de Segurança I – Considera-se eivado de ilegalidade o ato emanado do Tribunal de Contas. Tribunal de Justiça do Distroto Federal. intitulada ‘Contratos Administrativos em espécie’. às regras do direito civil. p.9. III – Ao Tribunal de Contas resguarda-se o poder de representar ao órgão competente as irregularidades e abusos no trabalho profissional da impetrantes. não teria cabida o despojamento das potestades públicas agindo. (. ao acolher as razões então aduzidas pelo Ministro Paulo Affonso Martins de Oliveira. Número 15. os erigidos constitucionais e legalmente como interesses públicos. foi ela rechaçada por este Tribunal já na Decisão nº 231/96-Plenário.. Brasil. Quanto mais se busca conhecer as características entre as duas espécies de contratos mais se convence de que a opção correta.. Brasília. porém. então. Brasília-DF. Professora-Assistente de Direito Administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Procuradora do mesmo Município. ou se defenda. Relator designada: Nancy Andrighi. Acórdão 71635.3. os seguintes ensinamentos: ‘À Administração Pública impende perseguir fins públicos. sujeito. contratando como e se lhe apetecesse. com respeito à alegação de que o contrato em questão seria de compra e venda. Mandado de Segurança 3626/ 934. é imprescindível invocar os princípios vetoriais da função Administrativa: supremacia do interesse público e a indisponibilidade deste interesse. Diário de Justiça da República Federativa do Brasil. a Administração Pública encontra-se manietada aos Auditorias do TCU. de autoria da Drª Lúcia Valle Figueiredo. deve adotar sempre o instrumento contratual mais adequado e seguro quanto a esse aspecto. Evidentemente.) Assim sendo. Esgotado também o assunto no relatório e voto condutores do Acórdão 298/2000: “(. Ano 4.. Ainda que à míngua de disposições expressas. Vale registrar ainda. 10307. deve ser o contrato público da Administração. praticado em Processo Administrativo. que determinou à impetrante que pagasse valor certo a título de pena proporcional ao dano causado ao erário. essa possibilidade permanece. conforme matéria publicada na Revista do Tribunal de Contas do Município de São Paulo.) Dessa forma. 97.. na qualidade de guardião do interesse público. ao distinguir conceitualmente contrato privado da Administração e contrato administrativo: ‘96. 2001 187 .

o Decreto-lei nº 2. mas se encaixa perfeitamente nos elementos identificadores de ‘Obras e Serviços’ e. prática que. Brasília-DF.. Isto é. então. respeitados os princípios constitucionais em vigor. bem como os da Lei nº 8. No caso concreto sob exame.. asseverar a inexistência de possibilidade jurídica de se subsumir a Administração apenas às normas de Direito Privado’. Como ressaltou o Assessor da SAUDI: ‘. e os contratos da Administração Pública são regidos por leis específicas.4.300/86 (então vigente). portanto imóveis residenciais. então. cai por terra diante dos novos elementos colhidos na última inspeção realizada pelo Tribunal nas obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. 100.)’ 101.300/86.. de um procedimento administrativo totalmente desaconselhável e que não deve servir de estímulo ou exemplo a nenhum órgão da Administração Pública Federal. Posicionamento do Relator 04: Tema totalmente exaurido no que se refere à apreciação por esta Corte de Contas.Conclui-se.. Impõe-se. Os preceitos do DL. Tal observação vem ratificar colocação anterior no sentido de que a caracterização do objeto previsto na Concorrência nº 01/92 não corresponde à espécie ali indicada. Número 15. uma vez que já refutado no Acórdão 298/2000 e nos Embargos de Declaração impetrados. embora o TRT-2ª Região tenha pago à Incal Incorporações S. demonstrando a intenção dos legisladores quando definem ‘Obras e Serviços’ e ‘Compras’. Como exaustivamente demonstrado no voto condutor da Decisão nº 469/99-Plenário. ainda que de luxo.666/93 (atual Estatuto de Licitações e Contratos da Administração Pública). Ano 4. 2.. como tal. 99. Tratase. “(. nos termos da legislação específica citada. deveria ter sido tratada’. ante a presença do TRT-SP. se generalizadas seria a negação e a fuga a todas as normas legais pertinentes à contratação de obras públicas. 45. não cabendo buscar fundamento legal nos Códigos supracitados. 2001 . impunha às partes obediência aos preceitos nele inseridos. não deixando qualquer dúvida a respeito das características de um e outro fato gerador de licitação. Sustenta que o citado parecer incidiu em erro substancial ao comparar coisas distintas.) No que diz respeito à tese de que o sobrepreço de cerca de 20% calculado no parecer técnico do engenheiro da Caixa Econômico Federal estaria incorreto — pela utilização. A. que os contratos privados são regulados pelo Código Civil e pelo Código Comercial. não caracterizando superfaturamento de preço. ainda que correto. como parâmetro de comparação. de imóveis inadequados — ou. pois.fins que lhe cumpre perseguir.. dispõem acerca da matéria de forma clara e objetiva. (. que resultaram no Acórdão 036/2001-Plenário. ao contrário do que alega o recorrente. uma vez que o avaliador incluiu na comparação apartamentos. não se caracteriza como ‘Aquisição de imóvel’. a quantia de R$ 188 Auditorias do TCU.41.” 45. Argumento 04: alegou que o sobrepreço de 20% calculado no parecer técnico do engenheiro da Caixa Econômica Federal estaria incorreto. em um nível aceitável. como conclusão preliminar. agasalhando a magnífica lição de Agustín Gordillo.

. quase impossibilitando a continuidade da avença. 45.461. já ratificado neste Voto. suscetíveis de levar à excessiva oneração de um dos contratantes em benefício do outro. a preços de abril de 1999. torna-se insustentável a postulação do recorrente no sentido de que o pagamento antecipado dos serviços não importou em violação ao art.. aliás. que as partes pactuaram inicialmente. “ 45. a obra por ela construída tem o valor de apenas R$ 62. 196) —.60. a legitimidade de uma tal modificação do contrato prende-se inegavelmente à idéia de restabelecer o equilíbrio entre encargos e benefícios que as partes inicialmente acordaram. 2001 189 .. quer quanto à sua própria ocorrência quer quanto às suas implicações. Afirma que a lei não exige que a criação ou alteração de tributos ou encargos legais crie dificuldades insuperáveis. de que se cuida aqui inquestionavelmente de hipótese em que deveriam ter sido adotados os procedimentos inerentes a um contrato administrativo de obras e serviços.) Raia pelo nonsense a pretensão mesma do recorrente de querer justificar as impropriedades verificadas na execução financeira do contrato em questão com base na necessidade de proceder-se à sua adequação econômico-financeira.225.872/96. 38 Decreto nº 93.. por se tratar de simples compra sujeita ‘às condições de pagamento semelhantes às do setor privado’. Número 15. Ademais. onerando o contrato.953.1. então vigente à época dos fatos ora apreciados. É sob essa feição de uma ‘teoria da imprevisão’ que a velha cláusula rebus sic stantibus.231.5. entre os encargos do contrato e a retribuição da Administração para a justa remuneração Auditorias do TCU. que “não foi examinado pelo ilustre Relator (. principal. importando esse vultoso dano ao erário que agora. se intenta ressarcir.872/96. Constitui objeto de coisa julgada. talvez tardiamente. Da mesma forma. 38 Decreto nº 93.176. essa idéia traduziu-se no comando jurídico.) a alteração da incidência de tributos. Sr Délvio Buffulin. não há como divergir da conclusão de que essa sistemática prática de antecipação de pagamentos foi feita sem ‘as indispensáveis cautelas ou garantias’ requeridas no art. Posicionamento do Relator 05: a matéria questionada já mereceu apurado exame quando submetida à apreciação deste Colegiado.5. diante do evidente descompasso entre a execução física e financeira do contrato —fato. Ora. em face do seguro entendimento deste Tribunal. segundo o qual os contratos administrativos poderiam ser justificadamente alterados por acordo entre os contratantes ‘para restabelecer a relação. eventualmente afetado pela superveniência de fatos imprevisíveis. a que compareceu e apresentou esclarecimentos o recorrente como ‘Juiz responsável pela Comissão de Construção’ (vol. atenuadora do rigorismo do pacta sunt servanda. “(. Brasília-DF. Argumento 05: sustentou. ressurgiu no Direito administrativo deste século. fl. quanto ao tema do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Aplicada à relação jurídico-administrativa e à luz do Direito brasileiro. Ano 4. reconhecido em Ata de reunião convocada pelo então Presidente do TRT-2ª Região.65. de que trata o Acórdão 298/2000.

em 17/06/1998. ou seja.. por conta de mudanças na incidência de tributos. quando não inviabilizou. Por óbvio. art.. da Constituição Federal”. a de prejuízos em decorrência do expurgo da inflação passada. argumentando: “em primeiro lugar. estando previsto no contrato a correção monetária integral.6.1. essa é a realidade. o Supremo Tribunal Federal não acolheu a tese do recorrente quanto à ocorrência de violação da proibição constitucional de adoção de lei ofensiva ao ato jurídico perfeito (CF. Posicionamento do Relator 06: assunto esgotado quando da análise procedida no voto condutor do Acórdão 298/2000. portanto. importando. lamentavelmente. as justificativas oferecidas pelo recorrente são incapazes de justificar as medidas efetivadas para o ‘reequilíbrio’ financeiro do contrato. De conseguinte. a celebração.6.901. dos quais.000.931. prestou-se apenas a agravar esse quadro pesadamente desequilibrado contra a Administração. no que se refere às medidas introduzidas pelo Plano Real. não se poderia impingir à contratada a aplicação nos preços de correção apenas por períodos anuais. 45. a execução da obra. em face de novos encargos alegadamente a ele impostos. por violar o artigo 5º. serviço ou fornecimento.da obra. tinham a sua contrapartida na retribuição a ela devida como encargo do contratado. a forma como determinada a conversão dos valores para a nova moeda — pela média dos valores reais dos preços antigos — dificultou dessa feita. sem qualquer previsão inflacionária prevista nos preços. não se poderia cogitar do restabelecimento do equilíbrio econômico e financeiro do contrato exclusivamente com consideração aos interesses do contratado de acréscimo na retribuição da Administração. inciso XXXVI. Brasília-DF. ironicamente à guisa de reequacionamento financeiro do contrato.) Ora. Necessariamente — trata-se de ‘manutenção do inicial equilíbrio’ — haveria que se ponderar se os encargos impostos à Administração na execução do contrato.10. no seu ilícito enriquecimento em prejuízo do patrimônio público. a remuneração paga. 2001 . cerca de R$ 13. como demonstrado à saciedade nestes autos. de sorte que esse recebera remuneração muito superior aos serviços que executara. ‘d’). II. 55. já de há muito os encargos imputados à Administração não tinham a sua correspondência nos encargos devidos pelo contratado.00 vieram a ser efetivamente pagos. Ademais. Ano 4. elevando a remuneração da empresa contratada em mais R$ 36. o que o Plano Real modificou foi apenas a periodicidade dos reajustamentos para anual. “(. 190 Auditorias do TCU. Ainda. conferir-se qualquer validez à alegação clássica apregoada nas outras experiências brasileiras com planos econômicos.000. objetivando a manutenção do inicial equilíbrio econômico e financeiro do contrato’ (Decreto-lei nº 2300/86. Argumento 06: a defesa reputou equivocado o entendimento do Relator com respeito à alteração da forma de correção monetária instituída pelo Plano Real. do seu 4º Termo Aditivo. Não bastasse isso. E aí. Número 15.” 45.

Voto. II. Assim. para a prática de improbidade. na qualidade de presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista. enquanto presidente daquele Tribunal Regional do Trabalho e da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista teve participação insofismável nos fatos relatados. no estrito cumprimento de seu papel constitucional. A par de tudo aqui tratado. 47. restringindo o caráter isonômico da licitação. para justificar a readequação econômico-financeira de contrato cuja execução era gravosamente desequilibrada contra a Administração. Em todas as etapas das investigações. para desviar dinheiro público para fins ilícitos. mantendo íntegro todos os termos do Acórdão 298/2000-Plenário. pois. em face do inadimplemento do contratado aos seus encargos de execução das obras como contrapartida aos elevados pagamentos que percebia. da Lei nº 8. Observo que os fatos narrados ao longo de todo o processo investigatório.art. omissão da exigência de projeto básico (artigo 6º do Decreto-lei 2300/86). o preceito do art. o Sr. tendo sido normalmente aplicados aos diversos contratos celebrados em nosso país os novos critérios de reajustamento estabelecidos. no qual resultou no Acórdão 36/01-Plenário. estando devidamente demonstradas as numerosas irregularidades perpetradas pelo Sr. XXXVI). 5º. dentre outras medidas. ‘d’. Finalmente. o TCU procurou definir responsabilidades. Nicolau dos Santos Neto. a sociedade brasileira. 2001 191 . tendo sido signatário. na prática. pelo improvimento do recurso do Sr. cansada da impunidade. ‘d’. portanto. assinatura de contrato contendo autorização de liberação de recursos sem vinculação à efetiva realização Auditorias do TCU. 51. 65. quais sejam: realização de licitação com objeto genérico. um dos pilares da democracia moderna. agia como verdadeiro agente político. Vê-se. correspondente ao art.” 46. que lhe negou provimento. 49. Número 15. à fiscalização e ao controle dos órgãos competentes. espera a recomposição do patrimônio público e almeja uma decisão justa sobre a questão. o Sr. 55. 48. buscando o estabelecimento do contraditório e abordando a questão sob enfoque técnico. Nicolau dos Santos Neto interpôs ‘Embargos de Declaração”. objeto da Decisão 298/2000. a cargo dos competentes técnicos desta e. II. Corte. Nicolau dos Santos Neto. não se descuidou da necessidade do devido processo legal. E o Sr. como vimos de expor com respeito às alegações concernentes às alterações de tributos. 50. sem prejuízo de conferir aos envolvidos ampla defesa. em todo o decorrer da obra. como faz o recorrente. que. não tem o menor sentido invocar. Nicolau dos Santos Neto. do Decreto-lei nº 2300/86. ou seja. Brasília-DF. no que tange ao item que trata das alegadas “irregularidades ocorridas no laudo técnico apontado pela Caixa Econômica Federal”.666/93. Note-se que. especialmente da SECEX/SP. Nicolau dos Santos Neto. Ano 4. e que resultaram nas deliberações aqui referidas. manipulando as administrações do TRT e patrocinando interesses próprios e de terceiros. nos levam a afirmar que a forma de contratação promovida foi realizada com o fim deliberado de fugir às normas de direito e ipso facto. das solicitações de aditamentos contratuais e de verbas para pagamentos à contratada. não obstante o acerto das medidas até então adotadas. E esta Corte.

conforme determinação inserida no item 8. de conseqüência. entendo devidamente caracterizada a responsabilidade solidária do indigitado pelos prejuízos causados ao erário na condução das obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. gerando. cabendo destacar.666/93. Ano 4. quatro meses após a Decisão 231/96-TCUPlenário. incluindo o respectivo terreno. para o nome daquela Corte Trabalhista. as abaixo sintetizadas: a) antecipação de pagamentos por serviços não realizados. liberação de verba sem a devida contraprestação de serviço. incorrendo em irregularidades observadas em inspeção realizada pelo TCU. à época.2. B. com o compromisso de finalizar a sua execução. consoante disposto na cláusula IX da referida Escritura.12. 53. a despeito de não se configurar o prejuízo invocado pela INCAL Incorporações S/A. Sr. Brasília-DF. ao apreciar as razões de justificativas apresentadas pelo responsável. entre outras irregularidades. e face a inconsistência das alegações de defesa e razões de justificativas oferecidas. com base em solicitação apresentada pela contratada de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. e c) celebração de aditamento para fins de revisão contratual.A. as obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. 2001 . A gestão do Sr.2 da referida Decisão. Todavia. foi promovida a audiência prévia do Sr. o TRT/SP deixou de atender. a adoção de providências urgentes no sentido de transferir. imediatamente. a qual determinou ao Presidente do TRT/SP. tendo em vista que indicam percentual de execução diverso do efetivamente realizado no período analisado. Dando cumprimento à aludida determinação do Tribunal. onde a INCAL Incorporações S. Número 15. b) medições superestimadas de inúmeros itens de serviços. A responsabilidade administrativa-financeira do Juiz Délvio Buffulin 52.666/93. adjudicação do objeto da licitação à empresa que não participou do certame. 54. incluindo-se os pagamentos a título de contrato à ordem (aqueles que teriam sido contratados mas não se encontrariam fisicamente na obra). vendeu para o TRT/SP o empreendimento. mormente tendo em vista a antecipação de pagamentos por parte do TRT/2ª Região. 56. O Tribunal. relatadas anteriormente. por relevantes e/ou persistentes ao longo do período de execução das obras. o TRT/SP firmou Escritura de Compra e Venda. bem como a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra. Quanto às irregularidades apuradas pela equipe de inspeção deste Tribunal. assinatura de contrato contendo cláusulas contrárias ao edital. 192 Auditorias do TCU. Délvio Buffulin. no que concerne à obediência às normas e aos preceitos contidos na Lei 8.das etapas da obra. incompatibilidade entre o montante de recursos financeiros liberados e o estágio físico do empreendimento. Ministro Adhemar Ghisi. por intermédio do Relatório do Exmo.96. em obediência rigorosa a normas e preceitos contidos na Lei 8. Délvio Buffulin no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região iniciou-se em setembro de 1996. 55. em 19.

60. conforme demonstraram documentos acostados aos autos. Délvio Buffulin. No entanto. por ter autorizado a realização dos pagamentos antecipados. após Auditorias do TCU. Délvio Buffulin a multa prevista no art. Brasília-DF. Foi lembrado. fato do príncipe. e da ocorrência. O referido Relator. bem como por ter promovido a revisão do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. objetivando obter esclarecimento acerca do mencionado Acórdão.11. Posteriormente. aludida anteriormente. muito embora tivesse comprovada ciência. São três os requisitos necessários à aplicação do “fato do príncipe”: a) o nexo direto de causalidade entre o encargo criado e os bens vendidos/ serviços prestados.871. também. o pensamento do saudoso Hely Lopes Meirelles. o TRT-2ª Região. Délvio Buffulin. o fato que mais chamou a atenção do Relator foi o relativo aos pagamentos efetuados à firma INCAL sob a alegação da quebra do equilíbrio financeiro do Contrato. o Sr. fatos imprevistos e imprevisíveis – ou teoria da imprevisão. Não obstante. ressaltou que diversos pontos de importância foram registrados no relatório elaborado pela SECEX/SP. 2001 193 . imprevista e imprevisível. 57. nenhum desses três requisitos ocorreu no caso concreto. Sr. foi conhecida como “Pedido de Reexame” e no mérito negado seu provimento por intermédio do Acórdão 298/2000. geral. assinatura de aditivos e contratações sem procedimentos licitatórios.06. Ano 4. o qual.088. Tal peça recursal. 61. tais como: irregularidades relacionadas às inconsistências de medições.443/92. Ministro Adylson Motta. o Sr.entendeu que as mesmas eram insuficientes para o saneamento da questão. de que os repasses de recursos financeiros superavam o cronograma físico do empreendimento. Inconformado com a penalidade que lhe foi aplicada. em 17. Número 15. interpôs o recurso “Embargos de Declaração”. b) a imprevisibilidade do ônus. positiva ou negativa. ao ser apreciada pelo TCU. que onera substancialmente a execução do contrato administrativo”. verificado com a criação de Tributos-IPMF e CPMF e obrigatoriedade da retenção das contribuições federais dos valores pagos à Contratada INCAL. Os pontos alegados pelo responsável que o levaram a realizar o referido aditamento foram: “fato da administração. por intermédio de Relatório elaborado pelo Exmo. caracterizado pela dilatação do prazo. O nobre Relator apontou a responsabilidade do Sr. alterações de projetos. aplicando ao Sr.98. Délvio Buffulin impetrou recurso contra o Acórdão 045/99 e apresentou novas alegações de defesa à citação determinada na alínea “e” do aludido Acórdão. por Sua Excelência. em seu voto condutor do Acórdão 045/99-TCUPlenário. na oportunidade. do “fato do princípe”. assinou aditamento obrigando-se a pagar à INCAL R$ 34. 59. da Lei 8. que explica que: o “fato do princípe é toda determinação estatal. 58. III. e c) a materialidade do ônus imposto ao particular contratante. 58. Na opinião daquele Relator. oriundos da implantação do Plano Real. representado por seu Juiz Presidente Délvio Buffulin. a título de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e nos termos da Escritura de Retificação e Ratificação e Aditamento.

. em: a) não conhecer como recurso da petição apresentada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. o Sr. no que se refere aos processos de fiscalização de atos e contratos da competência deste Tribunal. rigorosamente observada na hipótese destes autos. 48 da Lei nº 8. 8443/92 ao aplicar-se ao recorrente a multa prevista no art. e) dar ciência aos interessados da presente deliberação.443/92 que este Tribunal procedeu à realização dos procedimentos de fiscalização inerentes à sua jurisdição com base no que foi prolatada a deliberação contra a qual se insurgiu o recorrente. deu ensejo ao Acórdão 36/2001. Número 15. e 2) quanto ao segundo ponto embargado. reunidos em Sessão Plenária. da Constituição Federal ou ao art. Nicolau dos Santos Neto. para negar-lhes provimento. dando-lhes provimento. que o qualificativo “autônomo” inserto na expressão “procedimento jurisdicional autônomo” referiu-se à autonomia. Délvio Buffulin. com fundamento nos arts. porquanto a garantia de contraditória e ampla defesa neles assegurada. teve por pacífico que não houve qualquer violação ao art. e f) enviar cópia do presente Acórdão. Faz-se necessário frisar que. relativa à soma de R$ 169. à Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho”.115/96-0 (Tomada de Contas – exercício de 1995). parágrafo único. e que foi no exercício das suas competências firmadas na Constituição Federal e na Lei nº 8. à Comissão Mista de Planos. proceder aos esclarecimentos seguintes: 1) quanto ao primeiro ponto embargado. 62. 31 da Lei n. bem assim do Relatório e Voto que o fundamentam. estabelecida na Lei Orgânica deste Tribunal por força de imperativo constitucional. inciso LV. dos procedimentos de fiscalização em relação aos procedimentos em que se desenvolve o julgamento de contas.15 e nos autos do TC 700.491. Délvio Buffulin ofereceu defesa relativamente ao débito que lhe fora solidariamente imputado. 41 a 47 da Lei Orgânica deste Tribunal. ante as razões constantes do precedente Voto. b) conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo Sr.443/92 e 230 do Regimento Interno deste Tribunal. na defesa aduzida em cumprimento às citações determinadas pela Decisão 469/99-TCU-Plenário e posteriormente pela Decisão 591/ 194 Auditorias do TCU. ao prolatar o Acórdão nº 298/2000-Plenário. em mais duas outras oportunidades. com o seguinte teor: “(. da Lei n. 5º. para. c) conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo Sr. 8443/92. 32 e 43 c/ c o art.ser examinado pelo Plenário do TCU. 63. 43. em todos os seus termos.) ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União. foi idoneamente concretizada por meio da disciplina estabelecida nos arts. 2001 . d) manter íntegro. Ano 4. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional. ante as razões expostas pelo Relator. o Acórdão nº 298/2000-Plenário. Vale lembrar que. quando da Decisão 469/99-TCU-Plenário. quando da citação determinada pela Decisão 591/00 -TCU-Plenário. que este Plenário.. Brasília-DF.951.

71. bem como do correspondente pedido de reexame da decisão que lhe impôs a sanção de multa.1. enfim. Ministros Adhemar Paladini Ghisi e Adylson Motta. Ata 37/94.”.1. mas sim de ser ou não constitucionalmente investido de competência para produzir tais atos. Daí que. mas sim que o exercício de tais competências constitucionais é uma obrigação. Ano 4. que tenha feito coisa julgada. foram minuciosamente analisadas pelos Relatores. à luz de Decisões proferidas por este Pretório. Decisão 278/94-2ª Câmara. Decisão 66/94-2ª Câmara. a Unidade Técnica extrai o seguinte trecho: “De fato.2. Quanto à última deliberação citada. quando do proferimento da Decisão 469/99-TCU e do Acórdão 298/2000-TCU. Decisão 97/96-2ª Câmara. ainda quando esse ato anterior é uma decisão judicial definitiva. 64. considerando. também. no que tange às alegações de defesa e às razões de justificativas apresentadas pelo Sr. nas diversas oportunidades. suas decisões têm caráter administrativo e aquelas que resultarem em imputação de débito ou multa. Dessa forma. que tal questão encontrase solucionada no âmbito deste Tribunal. estar praticando um ato inconstitucional. terão eficácia de título executivo extrajudicial. Argumento: é indevida a aplicação da recomposição de débito por dano ao erário em concomitância à ação civil pública ajuizada com a mesma finalidade. Decisão 261/99-2ª Câmara.. Ata 40/94. opera por força de mandato constitucional. que. Acórdão 406/99 – 2ª Câmara). respectivamente. aí sim. um poder-dever em face do qual esta Corte não pode omitir-se em hipótese alguma.025/98-8 e TC 700.1. Brasília-DF.) Não é que o TCU tenha o direito de realizar essas atribuições. quando. aprecia. esse mesmo respeito e acatamento haverá de conferir-se aos atos desta Corte de Contas quando proferidos no exercício do restrito rol de competências que a Constituição Federal lhe comete nos incisos do seu art. Número 15. é claro. o mesmo respeito e acatamento que merecem os atos emanados do Poder Judiciário no exercício da competência que lhe é conferida pela Constituição. o responsável tornou a rerratificar as alegações de defesa anteriormente apresentadas em face do Acórdão 045/99. Não se trata de ser mais ou menos importante. São elas. sob pena de. Por outro lado. em trâmite na 12ª Vara Federal da Justiça Civil de São Paulo (Ação Civil Pública 98. como a Secretaria Técnica. Assim. Entendo. 2001 195 . divididas em questões preliminares e de mérito: 64. este Tribunal não está na posição de quem se encontra vinculado a praticar um mero ato de submissão a uma anterior vontade jurídica.115/96-0. Posicionamento do Relator: questão analisada pela SECEX/SP. apesar de muitas delas se repetirem nos TC-001. uma vez que. (. 64. como órgão que presta auxílio ao Poder Legislativo. as quais consagram a independência entre as instâncias judicial e administrativa (Acórdão 436/94-1ª Câmara. fiscaliza. em razão da audiência e das citações a ele dirigidas. quando julga. vale repassá-las.00-TCU-Plenário. 64. não há que se falar em Auditorias do TCU. Ata 14/96. não exerce atividade jurisdicional..0036590-7). Délvio Buffulin. Ata 10/94. à época.1.

quando. dele conheço como um pedido de reexame.443/92. pode ser concluído com decisão de conteúdo sancionador em face de conduta antijurídica dos responsáveis”. É que. tendo em vista que o fato de existir ação na órbita da Justiça Federal não impede que haja. nesta Corte. embora a terminologia possa ter confundido o recorrente. III) e legal (Lei nº 8. pelos mesmos fundamentos antes apresentados. análogo.443/92. com valor apenas instrutório para um subseqüente procedimento onde se procede ao julgamento. Ministro Adylson Motta. Número 15. a alegação de que a aplicação da multa importou violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. rejeitando os argumentos oferecidos. ao que acrescento apenas uma consideração. daí. e que. O Relator. Délvio Buffulin. Vale esclarecer que. art. quando prolatou o Acórdão 298/2000-TCU/Plenário. a perseguir objeto distinto de um julgamento de contas. regulado por normas processuais específicas. assim consignou: “No que diz com o recurso do Sr. tendo em vista que o devido processo legal deixou de ser observado. como já demonstrado. 64. na Constituição Federal e na Lei nº 8. deu significado mais relevante ao aspecto da multa que lhe foi imposta. 2001 . na presente alegação. 64. Argumento: o Tribunal não poderia impor o recolhimento do débito em processo de fiscalização. a saber. Quero apenas fazer um breve esclarecimento. é aqui rejeitada pelas mesmas razões de direito ante expostas. o Sr. relativo ao Pedido de Reexame impetrado pelo Sr. a categoria ‘fiscalização’ não tem a ver com um mero procedimento preliminar de investigação. no que alude à aplicação de multa em processo de fiscalização. Posicionamento do Relator: essa questão já foi apreciada pelo Tribunal. em face da ponderação do recorrente na linha de que a multa não poderia ser aplicada em fiscalização por ser essa uma ‘mera investigação [que] não tem como resultado a sanção: Refuto-a firmado no que anteriormente consignei no tocante às diferenças entre processo de fiscalização e processo de contas. também aqui motivada pelo desconhecimento do recorrente quanto à disciplina jurídica aplicável no âmbito do controle externo. Ao contrário. Délvio Buffulin. como sustentado. Nesta oportunidade. Délvio Buffulin. ao inquérito policial. Ocorre. inc.2. par.1. considerando. Quanto à sua preliminar.2. 64. processo de Tomada de Contas Especial. Brasília-DF. inquisitorial. o responsável apenas repete os argumentos produzidos no recurso por ele impetrado. 43. pleiteia seja reconhecida a inviabilidade da decisão que 196 Auditorias do TCU. por expressa previsão constitucional (CF. lá. também. utilizando-se basicamente dos mesmos argumentos. por se identificar com uma das questões suscitadas na primeira das preliminares articuladas pelo recorrente Nicolau dos Santos Neto. a independência entre as instâncias judicial e administrativa.2.ar.2. ao abordar o assunto. Ano 4.listispendência. entre nós ‘fiscalização’ diz respeito a um procedimento jurisdicional autônomo. Único). principalmente. vício procedimental gerador da recomposição de débito e indevida confusão entre fiscalização e julgamento. solicitando que o Tribunal revisse tal decisão.71.

1.21 do presente processo. Argumento: o responsável empregou todas as medidas de cautela que poderiam ser tomadas por agente público. se faz imprescindível a observância de todas as garantias à defesa. quando prolatou o Acórdão 298/2000TCU/Plenário. posteriormente. Délvio Buffulin. sob pena de configurar inegável desobediência à determinação judicial emanada pela Corte Suprema. quando concedeu ao responsável prazo. 64. Délvio Buffulin foi citado. antes de ser apenado com multa. constantes das fls. relativo ao Pedido de Reexame impetrado pelo Sr. exarada pelo eminente Ministro Marco Aurélio de Mello. 64. à época. o recorrente não lhe deu cumprimento integral. este Tribunal procedeu de acordo com a Constituição Federal e com sua Lei Orgânica (Lei 8. as quais citaram os responsáveis arrolados nos autos do TC-001.1. foram suspensas por liminar do STF.4. Número 15. do devido processo legal. foi ouvido em audiência prévia em processo de Relatório de Auditoria.560-8 impetrado pela firma Incal Incorporações S/A. 01/19 do vol. Brasília-DF. Posicionamento do Relator: tal questão encontra-se atualmente superada. bem como do TRT/SP. em observância às orientações do TCU. apresentando as alegações de defesa. absolutamente não se sustenta. por parte deste Tribunal. como bem observou a Unidade Técnica. solicitou a suspensão do andamento do processo.3. ao considerar que as Deliberações do TCU (Acórdão 45/99 e Decisão 469/99). não restando configurado qualquer dano ao erário decorrente dos atos por ele praticados.determina sua citação em razão do débito configurado nos autos e da inobservância. 64. quando procedeu-se a conversão dos autos em Tomada de Contas Especial.5. também.1. Argumento: argúi o responsável que. para que ele se manifestasse acerca dos pontos questionados. Délvio Buffulin exerceu. rejeitando os argumentos oferecidos. e. ao ignorar a determinação para ‘a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e procedimentos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos’. 64.5. Este Relator entende. 2001 197 .3.025/98-8. diante de decisão que lhe impõe o recolhimento de alto valor de débito. por intermédio dos instrumentos de audiência e citação. Argumento: o Sr. que foi observado o devido processo legal na medida em que o responsável. os direitos de ampla defesa que lhe são conferidos pela lei. uma vez que o Supremo Tribunal Federal indeferiu o Mandado de Segurança 23. 64. em toda plenitude. Ano 4. 64.4. o Sr. Auditorias do TCU. por determinação da Decisão 469/99 – TCU-Plenário (procedimento fundamental para que se pudesse propor a condenação do responsável ao ressarcimento do débito). Ministro Adylson Motta. Délvio Buffulin. ou seja. O Relator. Embora ciente da Decisão nº 231/96-Plenário. proferida em 08/05/1996. 64. por manifesta perda de objeto.443/92). Posicionamento do Relator: como bem frisou a Unidade Técnica. Posicionamento do Relator: esse assunto já foi abordado pelo Tribunal.2. E assim aconteceu.3. assim consignou em seu Voto: “No tocante ao argumento de que ele teria observado as orientações deste Tribunal. o Sr.

deixando de lado. principal. autorizou pagamentos antecipados à firma contratada. Apresenta inconformismo por ter sido citado solidariamente para restituir o valor total do débito.1. como exigir da contratada a execução da obra. Brasília-DF. fl.6.. Argumento: as irregularidades decorrentes do procedimento licitatório e da execução do contrato abrangem um período nitidamente superior ao lapso temporal em que ele esteve na Presidência do Tribunal. havendo atos praticados no período de 1992 a setembro de 1996 que não dizem respeito a sua atuação a frente do TRT da 2ª Região. Examinada com bastante desvelo pelo nobre Relator. Dessa forma. Ano 4. ainda. o que decorreu dos atos praticados pelo recorrente foi um gravíssimo prejuízo ao patrimônio público. também. sem obter qualquer garantia de que a referida construtora executaria a obra nos termos e no prazo avençados. objetivando compatibilizar o cronograma físico com o montante de recursos liberados. O responsável. sem qualquer benefício para a Administração. Sr. 64. Ao contrário. Nicolau dos Santos Neto. quando. não só o ocorrido durante a sua gestão.666/93. 196). o Juiz-Presidente da Comissão de Construção do Fórum. de que lhe parecia ‘incompatível o estágio da obra com o desembolso financeiro já concretizado’ (vol. E não o impediu dessa prática.000.A. permitiu o recorrente a continuidade do ajuste como se de coisa privada se tratasse. o Sr. Délvio Buffulin tinha conhecimento do descompasso físico-financeiro. Nicolau dos Santos Neto e diversas outras autoridades judiciais e administrativas do TRT-2ª Região. mesmo sabendo do descompasso físico/financeiro existente no empreendimento e. Logo. a não ser repisar o fato de que o Sr. 2001 .” 64. que importou na entrega à Incal Incorporações S. o Juiz presidente da Comissão de Construção. sem qualquer preocupação com a correspondente contraprestação dos serviços de execução da obra. conforme trecho transcrito acima. na sua opinião.00 no período de 11/10/1996 a 16/03/1998. Sr. O Sr.2. Posicionamento do Relator: ainda não apreciada pelo TCU.000. Délvio Buffulin procurou de todas as formas possíveis dar continuidade às obras. 64.6. essa questão merece maior reflexão. 64. e diversas outras autoridades judiciárias e administrativas do TRT-2ª Região. tanto que em reunião que convocou e da qual participaram os representantes da Incal.Antes. não teria nada a acrescentar. caberia a ele adotar providências urgentes no sentido de resguardar o erário. também. Número 15. nem mesmo a convicção por ele externada na reunião que convocou e da qual participaram os representantes da Incal. externou que lhe parecia “incompatível o estágio da obra com o desembolso financeiro já concretizado”. deveria ser chamado a responder acerca da importância relativa aos fatos ocorridos no período em que era Presidente do TRT/SP. da situação por ele encontrada. prosseguindo na prática de vultosos adiantamentos à construtora.2.6. mesmo tendo evidências dos graves problemas 198 Auditorias do TCU. Délvio Buffulin cumpriu apenas parte da Decisão 231/96. a primordial exigência de se obedecer rigorosamente às normas e procedimentos contidos na Lei 8. do incrível montante de mais de R$ 42. ainda. ao contrário do alegado. mas.5.

para que estes o auxiliem corretamente na execução do contrato. na condição de Presidente.3. 67 da Lei nº 8. acolho como razão de decidir a pertinente análise efetivada pela 10ª SECEX.6. ao art. O Relator. Argumento: defende a legalidade dos atos praticados em sua gestão. respectivamente. Délvio Buffulin tivesse adotado todas as medidas preventivas e corretivas sugeridas.666/93 e o art. ou seja. o foram no mínimo. levantados tanto pela Procuradoria da República como pela Unidade Técnica deste Tribunal em São Paulo. 90 do Decreto-lei nº 200/67 – para refutar a idéia de que em tais casos a irresponsabilidade do gestor decorria de cingir-se ele à ‘assinatura de documentos para encaminhamento de processos administrativos’. 64. estando caracterizada a responsabilidade solidária do Sr. o ordenador de despesas deve cercar-se de agentes idôneos com aptidão técnica suficiente. relativo ao Pedido de Reexame impetrado pelo Sr.existentes. tanto pela Procuradoria da República como pela SECEX/SP. 64. como demonstra. levou a não só consolidar o prejuízo anterior à sua gestão. diante da situação extremamente comprometedora para o TRT/SP. Ministro Adylson Motta. 64. bem como a aumentar o dano causado ao erário. do que pôde a Unidade Técnica concluir: ‘No caso de se tratar de contratos de grande complexidade. a pretexto de uma suposta conformação dos seus atos como de mera rotina. Délvio Buffulin. quando prolatou o Acórdão 298/2000TCU/Plenário. Brasília-DF. Seu comportamento. traçando um paralelo entre os atos que podem ser considerados como de rotina e outros relacionados a decisões administrativas mais relevantes. E. 122 do Regulamento Geral do TRT da 2ª Região’. designar o representante da Administração para acompanhar e fiscalizar a execução do contrato e os membros da Comissão da Construtora do Fórum. Friso que a consolidação do descompasso físico-financeiro poderia ter sido evitada se o Sr.7. assim consignou em seu Voto: “Com respeito à tentativa recorrente de evadir-se da sua responsabilidade como gestor dos recursos públicos. os pareceres elaborados por tais agentes. rejeitando os argumentos oferecidos. Dessa forma. Délvio Buffulin com os demais responsáveis pelo total do débito apurado. Em especial.872/86 – a rigor. Acrescento aí apenas que a tese da irresponsabilidade administrativa dos gestores com respeito a atos administrativos para cujo aperfeiçoamento concorram outros agentes não tem acolhimento no direito positivo brasileiro. Entretanto.6. objeto da citação determinada. com culpa ‘in eligendo’. pública Auditorias do TCU. 64. competia ao Recorrente. no caso em comento. 39 do Decreto nº 93. entendo como ultrapassado esse assunto. 2001 199 . em razão de nossa Constituição impor que ‘prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica. R$ 169 milhões.7. pela Decisão 591/2000-TCU-Plenário. afigura-se absolutamente procedente a referência ao art.1 Posicionamento do Relator: essa questão já foi apreciada pelo Tribunal. o art. Número 15.4. necessariamente vinculados a anteriores manifestações de outros agentes ou instâncias administrativas. Ano 4. também. sustentando que não lhe competia a prática de uma série de atos relativos à execução do contrato durante o período de seu mandato.

000. Em suma. Argumento: defendeu o responsável a licitude da utilização de R$ 22. art. no lapso temporal da sua gestão. assuma obrigações de natureza pecuniária’ (CF.2. Fato esse que. 64. E..ou privada. No tocante aos aditivos que modificaram as condições financeiras do contrato. bens e valores públicos da administração direta e indireta’. 70 par. Ministro Adylson Mota. Délvio Buffulin.8.7. para aquisição de equipamentos. arrecade. para dizê-lo com Goethe.)” 64. relativo ao Pedido de Reexame impetrado pelo Sr. tendo como finalidade principal o término da construção”. Nicolau dos Santos Neto. motivou a propositura de ação judicial por parte da Procuradoria 200 Auditorias do TCU. Entendo. autoriza que sejam utilizados estes recursos na readequação econômica deste contrato. o representante da administração para acompanhar a obra e os membros da comissão de licitação. que fora destinada.00 (vinte e dois milhões de reais) dos recursos orçamentários de 1998 para o pagamento do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.000. qualquer resquício de dano causado ao erário. por ser Presidente do TRT/SP. incs. ‘quem não sabe prestar contas (. II. que utilize. à época. que o administrador público não pode eximir-se da responsabilidade pelos seus atos e no caso do Sr. Brasília-DF. não havendo. o art. como o Exmo. não há como aceitar a tese do recorrente no sentido da possibilidade de utilização. único). assim consignou em seu Voto: “Em particular. ao menos.1. da Constituição atribui a este Tribunal precisamente o dever de ‘julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros.) permanece nas trevas ignorante e vive o dia que passa’. Délvio Buffulim. guarde. também. da dotação de R$ 22. repita-se. por considerar que “tais recursos orçamentários foram creditados para Construção do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da Cidade de São Paulo. implantação de serviços de telefonia e eletricidade e obras no estacionamento do futuro prédio do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. no essencial as alegações do recorrente se identificam com as apresentadas pelo Sr.000.00. Posicionamento do Relator: essa questão já foi apreciada pelo Tribunal. Ano 4. Concluiu o recorrente. Número 15.” 64. em nome desta. O Relator. como implicação desse princípio inerente ao regime republicano. como registrado na análise da 10ª SECEX. I e VI. (. 167. quando prolatou o Acórdão 298/2000TCU/Plenário. logicamente. fica patente sua responsabilidade nos resultados negativos decorrentes das irregularidades incorridas. por sua exclusiva competência. pelo que reporto-me às considerações que a respeito delas antes desenvolvi ao examinar a questão. Sr. Ministro Adylson Motta. acrescida das cautelas indispensáveis e esperadas de tão relevante cargo público. gerencie ou administre dinheiros. segundo informado ao Ministério Público Federal pelo próprio recorrente. na propalada ‘readequação econômica do contrato’. como competia a ele designar. aliás. afirmando que sua conduta “pautou-se pela estrita observância ao princípio da legalidade. 71. o que.. da Constituição Federal. bens e valores públicos ou pelas quais a União responda.8. 2001 . rejeitando os argumentos oferecidos. ou que...000. em face das restrições do art.

considerou que não existem documentos suficientes para responsabilizar o Sr. 64. inclusive por ele próprio. concordando com o Exmo. assim.9.09. os quais foram Auditorias do TCU.282/1993-9). retificando a posição anteriormente trazida a este Colegiado. a título de equilíbrio econômico-financeiro do contrato.8. Sr. 64. Rubens Tavares Aidar..9. Vale insistir. Creio que a gravidade deste fato deverá ser sopesada por ocasião do reexame das contas do TRT/SP no referido período (TC-700. que os argumentos oferecidos pelo Sr. implantação de serviços de telefonia. quando prolatou a Decisão 469/99. cujo Relator. Ministro Adhemar Ghisi assim se expressou em seu voto: “’(. a equipe de inspeção trouxe um maior esclarecimento acerca da participação dos diversos dirigentes do TRT/ SP quanto às irregularidades destacadas.) 7. poderá processar-se no respectivo processo de contas ordinárias (TC-700. considerou a equipe de inspeção: “(. terão suas contas apreciadas por este Pretório quando da análise dos respectivos processos de prestações de contas. Délvio Buffulin. tendo em vista que a solicitação da Incal.” 64. vejo que os demais gestores do TRT/SP.. caracterizando. igualmente ao que defendi no item 7 deste Voto.1. de forma irregular.” 64. Argumento: alega o responsável que estranhamente os demais expresidentes do TRT/SP não são citados pelo Tribunal de Contas da União. uma vez que o Ministério Público junto a este Tribunal já interpôs Recurso de Revisão pertinente. no valor de R$ 22 milhões. tal procedimento.2.94) pelas irregularidades apontadas.3 Na linha do nobre Relator. Délvio Buffulin são improcedentes.9. (.da República no Estado de São Paulo. nítido desvio de finalidade. eletricidade e obras no estacionamento do futuro prédio.. antecessores do Sr. Exmo. Quanto ao Sr.9. Não obstante.) 9. também ocorreu na gestão do Sr. 2001 201 . 10.09.92 a 14. Ministro Adylson Motta. Sr. tendo em vista a sua conformação como ato de improbidade administrativa. quanto a esse. Posicionamento do Relator: tal questão foi apreciada pelo TCU.. entendo que a avaliação da gravidade do mencionado descumprimento (e de uma possível aplicação de multa).2. deveria ter sido cuidadosamente analisada por todos os responsáveis pela obra. pleiteando recursos adicionais... tendo em vista que a dotação orçamentária liberada. José Victório Moro (ex-Presidente do TRT/SP no período de 15. Assim. bem assim da utilização indevida dos créditos orçamentários. Brasília-DF. que esclareceu devidamente o assunto.109/978).)” 64. reabertas em face de Recurso de Revisão interposto pelo Ministério Público. Número 15. A utilização de créditos orçamentários indevidamente recebidos de outros Órgãos integrantes da Justiça trabalhista. Rubens Tavares Aidar. Ano 4. destinava-se à aquisição de equipamentos. No que tange à questão da responsabilidade. destacou como ilegal apenas a utilização de crédito orçamentário indevidamente recebido do TRT/ 18ª Região.

não implementou. Os argumentos sustentados nessas peças. revisão para o reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato. 202 Auditorias do TCU. de 25/05/99. proporcionou a consolidação do débito anterior à sua gestão. Os responsáveis foram chamados à lide em oportunidades distintas. Brasília-DF. já abordadas neste Voto.A. 70. acompanhados das considerações formuladas por este Relator. 69. entendo estar devidamente caracterizada a responsabilidade do Sr. incorrendo em várias irregularidades. a Incal apresentou uma única peça de defesa. Fábio Monteiro de Barros Filho. acostada nestes autos. minuciosamente examinados no bem elaborado exame operado pela SECEX/SP. no sentido de adotar providências imprescindíveis. serão abordados a seguir. José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. de 16/08/2000. 68. além de deixar de atender aos sucessivos expedientes encaminhados ao TRT/SP. ao assim proceder.3. relacionada à autorização de realização de pagamentos antecipados. Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.. Délvio Buffulin.A. B. Face à inconsistência das alegações de defesa e razões de justificativas oferecidas pelo responsável.3. das deliberações adotadas pelo Plenário deste Tribunal por meio do Acórdão 045/99-TCU-Plenário e Decisão 469/99-TCUPlenário.reabertos em decorrência de Recurso de Revisão interposto pelo Ministério Público junto ao TCU. na totalidade. da mesma data. no que tange ao cumprimento dos ditames da Lei nº 8.666/93. trasladadas para o presente processo. dirigido ao Sr. Plenário/TCU). bem como ante às deliberações desta Corte de Contas acerca do assunto (Acórdãos nº 045/99 e nº 298/ 00 e Decisões nº 469/99 e 591/00.115/1996-0. A responsabilidade administrativa-financeira da Incal Incorporações S. e 488. 67. 71. exercício de 1995). respectivamente.08. na medida em que. abrangendo os fatos tratados nos referidos decisa. naquilo que têm de essencial. Em relação a essas convocações. de 09.. a unidade técnica promoveu o envio do Ofício 659-SECEX/SP. B. houve o encaminhamento dos instrumentos citatórios representados pelos Ofícios 283/SECEX-SP. e do Ofício 660-SECEX/SP. No âmbito do TC-001.115/1996-0 (Contas Ordinárias do TRT-2ª Região São Paulo. tais como: aplicação de multas contratuais e suspensão dos pagamentos à INCAL Incorporações S. 2001 . Das alegações constantes do TC-700. em razão. mesmo estando ciente de que o desembolso de recursos da União ultrapassava em muito a execução física da obra. Apresentaram alegações de defesa a este Tribunal. em virtude da Decisão 591/2000-TCU-Plenário.025/1998-8. destinado ao Sr. na condição de representantes da empresa Incal Incorporações S. até que houvesse a compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras. que termino de analisar detidamente. Entendo que o Sr. os Srs. Na esfera do TC-700. Número 15. Ano 4. Délvio Buffulin.1. 66. Os interessados fizeram chegar ao respectivo processo a defesa de interesse da Empresa. tanto pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo como pela SECEX/SP.99. 65. SECEX-SP. a Decisão nº 231/96-TCU.A.

Tais julgamentos demonstram. quais sejam. qual seja: o de verificar se os fatos supervenientes. e a devolução aos interessados do direito à ampla defesa e ao contraditório. de 29/11/2000. ao apreciar a matéria na sessão de 08. infringindo o art. Logo.96. violou coisa julgada do próprio órgão. 1994 e 1996. haviam sido aceitos como bons e regulares. b) a da inexistência de práticas de improbidade. Os elementos correspondentes ao desvio de recursos da obra de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo não foram originalmente considerados no exame da gestão anual dos dirigentes do TRT-2ª Região. que o Tribunal. Posicionamento do Relator 01: o propósito da Decisão 591/2000-TCUPlenário foi o de reunir. d) Auditorias do TCU. quanto o Acórdão 298/2000-TCU-Plenário. 79. por meio do Acórdão 45/99-TCUPlenário.A.” 73.. deverão disponibilizar aos interessados o acesso às prerrogativas processuais que lhes são de direito.72. não há que se cogitar de que tal medida possa representar possível prejuízo direto aos interesses da Incal Incorporações S. o que. 1994 e 1996 às contas do exercício de 1995. 75. Ademais. 74. após reabertos. Número 15. o fez sob o amparo de algumas premissas: a) a da iminente conclusão da obra. c) a da conveniência de não impor novo ônus ao erário. 76.05. com relação ao comando prolatado no sentido de determinar a juntada das tomadas de contas dos exercícios de 1992. acerca do assunto versado. Ano 4. oferecem reflexo à gestão dos responsáveis principais. nos autos do TC-700. conforme situado nos Relatórios e Votos que embasam tanto o Acórdão 45/99-TCU-Plenário. Considera que “se a intenção fora de reapreciar aqueles processos. os procedimentos do TRT/SP. a 469/99-Plenário e a 591/2000-Plenário. 78.731/92-0. claro está que os processos alusivos ao exercício de 1992. Argumento 02: alega que o TCU. da Constituição Federal. nos termos da Decisão nº 231/96-TCU/Plenário. 77. adotados até 08 de maio de 1996 (data da prolação do citado decisum). por extensão. Para que seja possível o exato atendimento à Decisão 591/2000-TCUPlenário (o exame em conjunto das contas anuais do TRT ao longo do período 1992 a 1998). alusivas ao período de 1992/1998. Brasília-DF. 2001 203 . sob a orientação de um único Relator. o conjunto das contas ordinárias do TRT-2ª Região. já que. contaminou as decisões posteriores. haja vista o fato de terem sido supervenientes aos referidos julgamentos. à saciedade. 5º. XXXVI. que não figura na relação processual das mencionadas contas anuais. há que se reconstituir todas as etapas de instrução e julgamento. Posicionamento do Relator 02: O raciocínio sustentado pela defesa já foi rebatido em oportunidades anteriores nas quais este processo foi submetido à consideração do Colegiado. a reabertura das ditas contas ocorreu com escopo definido. Argumento 01: oferece crítica aos termos da Decisão 591/2000-TCUPlenário. a fim de permitir a verificação dos reflexos decorrentes das irregularidades associadas às obras de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo na gestão dos respectivos dirigentes daquele Órgão.

deixando para a órbita das contas anuais os aspectos de legalidade associados à prática licitatória e à contratação da empresa. Lógico está que o TCU. não tendo o condão de fazer coisa julgada material. ‘Art. Número 15. 85. Posição essa também compartilhada por este Relator. As passagens transcritas no Relatório precedente. repelido pelo ordenamento normativo. mediante parecer escrito e devidamente fundamentado. em sede de recursos interpostos contra o Acórdão 045/ 99-TCU-Plenário. de acordo com os preceitos da Lei 8. endossado. 204 Auditorias do TCU.025/1998-8 ‘11. Na ocasião. buscou assegurar o interesse público mais imediato (a conclusão da obra.2. também. por este Relator. alusivas ao exercício de 1995.a de que a aceitação preliminar configurar-se-ia mediante a adoção de providências acautelatórias determinadas ao TRT-2ª Região (e que posteriormente não foram cumpridas na sua totalidade). A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente poderá revogar a licitação por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado. 84. traduzem. prolatado em julgamento anterior a que foi submetido este processo. impende entender-se que a citada decisão prolatada pelo Ministro Paulo Affonso revestiu-se de caráter de mera decisão interlocutória e de impulso processual. por ocasião da apreciação dos recursos no TC 001. com a conseqüente instalação e funcionamento das Juntas do Trabalho da cidade de São Paulo). nesta oportunidade. ditaram. Argumento 03: preconiza a impossibilidade de se anular contrato já desconstituído pelo ato de rescisão unilateral. em relação ao ponto questionado.666/93: 11. 2001 . naquela oportunidade. Posicionamento do Relator 03: Trata-se de matéria já examinada pelo Tribunal de Contas da União.1. devendo anulá-la por ilegalidade. referentes aos Relatórios e Votos condutores do Acórdão 045/99-TCU-Plenário e do Acórdão de 298/2000TCU-Plenário. consubstanciados nos atos que causaram o desvio de recursos federais e o adiamento constante da conclusão da obra. 80. de ofício ou por provocação de terceiros. As ilegalidades encontradas pelo TCU nas diversas inspeções realizadas no TRT-SP dizem respeito ao procedimento licitatório realizado. que resultou no entendimento consagrado no Acórdão 298/2000TCU-Plenário. a matéria recebeu o seguinte tratamento. sob pena de se configurar bis in idem. pertinente e suficiente para justificar tal conduta. No que concerne ao aspecto formal da alegação de defesa res judicada. Neste caso.2. 49. Os acontecimentos posteriores. No Relatório correspondente (Ata 47/2000): “a) Relatório que acompanha o Acórdão proferido pelo Plenário na Sessão de 29/11/2000. 83. Ano 4. Brasília-DF. e f) a de que o mérito da questão seria apreciado definitivamente no âmbito das contas ordinárias do órgão. a retomada do assunto por este Tribunal (TC-001. como não poderia deixar de ser. a íntegra do pensamento já firmado por este Tribunal acerca do assunto.025/ 1998-8). 82. 86. 81.

§ 2° A nulidade do procedimento licitatório induz à do contrato. e. o contrato dele decorrente. no caso. Brasília-DF. haja vista a impossibilidade material de manutenção da validade de contrato que teve origem em procedimento licitatório nulo. Ano 4. ressalvado o disposto no parágrafo único do art. de acordo com o texto legal transcrito.’(grifos do original) 11. consequentemente. o que ocorre. porquanto ser logicamente impossível a rescisão de contrato nulo ab initio. 11.6. 11. Número 15. é mera declaração de nulidade. Desta forma. Assim. A declaração que se fará agora terá o condão tão-somente de reconhecer este estado em que já se encontrava o certame e. 11. no caso concreto. ao contrário do que alegou a empresa interessada. (. como se observa na redação do artigo 59 supra.. é dever da Administração indenizar a contratada pelo que esta houver executado e por outros prejuízos comprovados. 11. 59 desta Lei.8.9.3. 11. conforme preceituou o Julgado desta Corte. pois. o contrato dele decorrente. promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa. não há que se falar em impossibilidade de se anular o que já fora revogado. Realmente ocorreu rescisão unilateral anteriormente às determinações desta Corte. o que não seria possível. A nulidade. é característica intrínseca ao ato. é necessário frisar que. Portanto. declarado nulo Auditorias do TCU. tendo-lhe acompanhado desde a sua origem. consequentemente.5. declarar nulo o aludido certame. 2001 205 . A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados. 59 desta Lei. a Administração apenas reconhece o fato de o contrato decorrente do procedimento licitatório ser nulo desde o seu início. No entanto. Portanto. No entanto. é a rescisão unilateral do contrato pelo TRT. contanto que não lhe seja imputável. com este ato (declaração). ao invés de a Administração do TRT rescindir o contrato com a impetrante. ainda que considerado nulo o contrato em tela. sob pena de caracterização de enriquecimento ilícito. veja-se a redação do § 2º do artigo 49 da mesma lei.. vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. no caso. A confirmar tal entendimento.§ 1° A anulação do procedimento licitatório por motivo de ilegalidade não gera obrigação de indenizar. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele. deve ela. 11. que determina que a nulidade do procedimento licitatório induz à do contrato. deveria produzir. ordinariamente. Ou seja. Diversa não poderia ser a determinação legal. além de desconstituir os já produzidos. Parágrafo único.7.) Art. ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 59. seus efeitos apenas poderiam prosperar enquanto durasse a validade do contrato e da licitação que lhe deu origem.4. pelo disposto no parágrafo único do artigo 59 acima.

nas condições em que se encontra. dos R$ 231. que ‘ainda que juridicamente possa parecer mais adequada a anulação da licitação e da avença. Como vimos.953. R$ 62. bem como a incorporação ao patrimônio público da edificação já iniciada.dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que for declarada. o contrato sob exame.461. essa questão em nada afeta as deliberações já proferidas pelo Tribunal. não há que se falar na ocorrência de ‘bis in idem’.. visto que.75 (em valores de abril de 1999) pagos pelo TRT/SP à empresa Incal. em vista da diversidade de efeitos da declaração de nulidade e da rescisão unilateral do contrato. é justamente o valor de indenização a que a empresa Incal tem direito.75 repassados ao TRT-2ª Região para a construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. a Unidade Técnica. Número 15. a Administração tem o ‘. conseqüentemente. consistente na rescisão do contrato. do contrato não desconstituirá a transferência de propriedade já operada. no sentido da citação dos responsáveis..491. pois.666/93.491. conforme verificado no Relatório de Inspeção elaborado pela Secretaria de Auditoria e Inspeções do TCU (ver subitem 15.951.115/1996-0.’ a nulidade do contrato.953. incluído o respectivo terreno’. 206 Auditorias do TCU.1). Ano 4.951. a anulação da indigitada licitação e. 2001 . por fim. não se pode olvidar que. Brasília-DF.176.. em valores de abril de 1999. Portanto. acerca das providências adotadas’ (parte final da alínea ‘f’ do Acórdão 045/99-Plenário). também. do total de R$ 231. O recorrente sustentou que solução mais adequada já havia sido adotada. verifica-se ser mais apropriada a rescisão do contrato. por conseguinte. a rescisão efetivada. a questão da anulação do contrato.60. Isso porquanto a razão de ser desse dano.. em decorrência da nulidade. sendo invalidada.666/93. noticiando ao Tribunal. Como consignado no Relatório. Argumenta.15. não deixa de existir segundo se trate de hipótese de anulação ou de rescisão do contrato administrativo.” No Voto: “(. R$ 169.176. nos termos do artigo 59 da Lei 8. opina por manter-se inalterada essa determinação do Tribunal. na sua manifestação final. pois equivale ao valor do prédio em construção denominado Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. aqui como no TC-700.’ Isto é. Evidentemente... desconstituise o contrato desde a sua origem. forte em parecer de jurista consultado. para apresentarem alegações de defesa ou recolherem aos cofres públicos o débito decorrente do dano que se vislumbrou ter sido imputado ao erário. a diferença entre esses valores. este Tribunal determinou ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região que promovesse ‘a nulidade do contrato. 59 da Lei 8. do ponto de vista estritamente do interesse público e da economicidade. Isto é.o procedimento licitatório e. afim (sic) de que tanto a obra iniciada como o bem adquirido permaneçam incorporados ao patrimônio público’.15 deverão retornar aos cofres públicos. com a chancela do Ministério Público. segundo estabelece o parágrafo único do art.) Enfrento.225. no prazo de 30 (trinta) dias. o desvio de R$ 169.

parto de uma conclusão que reputo inapelável: a hipótese que enfrentamos nestes autos é de ordem a reclamar a nulidade do contrato. novo ou usado. que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Auditorias do TCU. a inviabilizar a participação dos 29 potenciais interessados que retiraram o edital e. Afinal. a contemplar objeto supostamente alternativo. coisas tão diferentes e de preços tão desproporcionados como: i) um ‘Imóvel construído. É dizer. com independência de qualquer consideração pragmática quanto ao que seja mais interessante para este Tribunal. não tivessem sido apenas 3 os que dentre eles apresentaram propostas — a Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. deveria propor ação específica para alcançar tal fim — como sustentado na impetração. o TRT-2ª Região poderia simplesmente promover a decretação administrativa da nulidade do contrato ou. retirava a eficácia integral tanto do Acórdão 045/99-Plenário quanto da Decisão 469/99-Plenário. na realidade. pronto. Não. Portanto. que dons deveria ter uma Comissão de Licitação para poder comparar. Ano 4.Não obstante. também a própria escolha da proposta mais vantajosa para Administração. penso que a decisão a ser tomada por este Tribunal deve atentar para essa faceta da questão. 2001 207 . e entre elas aferir como a proposta mais vantajosa. em cujo âmbito se proferiu a liminar que. mencionou-se que não seria aquele momento o apropriado para decidir se. que o Supremo Tribunal Federal indeferiu aquele mandado de segurança. Nessa hipótese deverá acompanhar a proposta técnica. considerou-se que a determinação deste Plenário limitara-se a ordenar ao TRT-2ª Região a proceder à anulação do contrato. mas sim o entendimento de que a deliberação deste Tribunal não tinha um efeito desconstitutivo do contrato — como sustentara o impetrante e acolhera o Relator do writ — mas meramente mandamental. A. projeto de adaptação com o respectivo prazo de execução e entrega.A e a Empreendimentos Patrimoniais Santa Gisele Ltda —. Somente essa providência da Administração é que poderia ter eficácia desconstitutiva do contrato. E — julgo oportuno trazer ao conhecimento deste Colegiado — não foi por se considerar que este Tribunal tinha competência para determinar a anulação do contrato. em consórcio coma Construtora Augusto Veloso S. O quadro teratológico com que aqui nos deparamos teve a sua gênese já no edital de licitação. É nesse ponto que exsurge um aspecto relevante que não pode ser desconsiderado ao ensejo do exame do presente recurso. foi essa determinação que ensejou a impetração do mandado de segurança junto ao STF. E aí. ao dar cumprimento à determinação que recebeu deste Plenário. não foi esse o fundamento do voto revisor vencedor. em detrimento da rescisão que dele efetivara o TRT-2ª Região. Brasília-DF. o Grupo OK de Construções e Incorporações S. segundo entendeu-se. Número 15. Na argumentação condutora do indeferimento do mandado de segurança. das quais apenas as duas primeiras lograram ultrapassar a fase de qualificação. ao contrário.

iii) com um ‘Terreno com projeto aprovado que deverá acompanhar projeto de adaptação que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Julgamento’. em um desvio de recursos públicos de mais de R$ 169.225. ao qual compete: (. meio ou fim).00. deliberado.. ser implantado pelo concorrente sob sua total responsabilidade’. se verificada ilegalidade. independentemente do estágio da obra (início. Número 15. se não atendido. que atenda as necessidades das Juntas de Conciliação e Julgamento. sabemos todos agora.75 que o erário efetivamente despendeu. a quantia de R$ 62. 208 Auditorias do TCU. no prazo de noventa dias. sistemático. X – sustar.000. que deverá. é o que poderá corresponder à indenização a que ela eventualmente faça jus. 71.. o Tribunal decidirá a respeito’. iv) com um ‘Terreno com projeto elaborado especificamente para a instalação das Juntas de Conciliação e Julgamento’. A isso se seguiu a execução do contrato. quem sabe uma aquisição de imóvel pronto e acabado. comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.. § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo. Portanto. uma aquisição de imóvel no sistema de preço fechado. como bem assentou a 10ª SECEX. o que apenas pode ser feito segundo os procedimentos estabelecidos na Constituição e na lei. ‘chaves na mão’. a cargo do Congresso Nacional. ii) com um ‘Imóvel em construção. apenas significou o contínuo. projeto de adaptação com o respectivo prazo de execução e entrega.953.) § 1º No caso de contrato. assim caracterizado por quem a contratada consultou: uma simples aquisição de imóvel na modalidade compra e venda de coisa futura ‘emptio rei speratae’ talvez. não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior. em caso de aprovação. que solicitará. Ano 4. em caso de aprovação. adiantamento de pagamentos à empresa privada contratada sem qualquer contraprestação em benefício da Administração. o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional.) IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. como se de índole privada fosse. No ponto. importando.461. ao Poder Executivo as medidas cabíveis. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. 2001 . ser implantado pelo concorrente sob sua total responsabilidade’. Brasília-DF.. e por que não um contrato privado ‘sui generis’? Execução essa que. deverá acompanhar a proposta técnica. do total de R$ 231. na prática. que deverá. afinal. equivalente ao valor que a contratada aplicou na construção. Nesse caso. dispõe a nossa Carta: ‘Art. desde o seu primeiro dia.Julgamento. (. impõe-se a decretação de nulidade do contrato em questão.176.60.000. a execução do ato impugnado. de imediato. O controle externo.

ou. quer digam respeito a atos quer a contratos. E. reclamada para a regularização das impropriedades verificadas neste caso. Auditorias do TCU. Esse procedimento de matriz constitucional foi concretizado. já que. como poderá um órgão público vir a ser obrigado a dar à sua vontade um conteúdo contrário ao que julga conforme ao Direito? E. que a lei lhe impede. De conseguinte. 2001 209 . consoante o preceituado no seu art. Daí decorrerá a necessidade de o TRT-2ª Região se posicionar em face da determinação deste Tribunal. Número 15. como demonstrado. seja por se considerar juridicamente impedido de fazê-lo. e com essa conformação é que foi observado no caso em discussão. seja por continuar a considerar a sua rescisão a providência adequada à espécie. Portanto. se verificada ilegalidade”. a determinação inserta na parte final da alínea “f” do Acórdão 045/99 desencadeou a medida constitucional. mais ainda. no âmbito dos processos de fiscalização de atos e contratos. apenas um provimento jurisdicional externo à vontade do órgão — tipicamente na via judicial. Brasília-DF. ínsita ao procedimento de fiscalização. É dizer.O comando constitucional deixa claro que o constituinte instituiu. na nossa Lei Orgânica. uma vez expirado o prazo de 30 dias assinado ao órgão público. deixando o TRT-2ª Região de proceder à anulação do contrato. no âmbito do exercício da função de controle externo. deverá este Tribunal dar continuidade ao iter estabelecido na Constituição. a hipótese dos autos é efetivamente de nulificação do espúrio contrato.784/99? Ou no caso em exame seria essa restrição superada pela cláusula de exceção decorrente da má-fé dos atingidos pela anulação? Penso que essa situação encontra a sua solução naquela adotada ordinariamente em nosso Direito quando se cuida de questionar judicialmente um determinado ato ou contrato administrativo. 45. 71 da Lei Maior: este Tribunal assinou “prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. uma vez executado com observância de todos os preceitos constitucionais e legais atinentes. eventualmente. Impugnada pelo recurso de que ora se cuida. mas também na via da função de controle externo firmada na Constituição Federal — é que poderia impor-lhe a realização da conduta que ele reputa não jurídica. aquela determinação terá a sua eficácia revigorada com o não provimento desse apelo. com a adoção do contemplado no inciso IX do art. mas assim não valorada por quem a julgou. esse procedimento pode inegavelmente promover a desconstituição de contratos administrativos firmados e executados com violação ao Direito. que se apresentam desconformes ao Direito. penso que. um procedimento específico para o acertamento das situações jurídico-administrativas. estaria alcançada essa eventual providência do TRT-2ª Região pelo prazo decadencial de 5 anos impeditivo da anulação de atos administrativos fixado no artigo 54 da Lei 9. Em suma. o que suscita uma questão jurídica importante: como poderá o órgão público efetivar a medida que ele considera juridicamente imprópria e cujos pressupostos fáticos são distintos daqueles que reconheceram existentes para adotar a medida que julgou conforme ao Direito. Ano 4.

025/1998-8 90. B. decorrente da interposição de recursos ao Acórdão 45/99-Plenário. 210 Auditorias do TCU. as determinações que nele constavam. manteve. junto ao STF.2. da apuração do débito em referência. nos Acórdãos 045/1999-TCU-Plenário e 298/2000-TCU-Plenário. que envolvia a conversão desses autos em tomada de contas especial. Número 15. Posicionamento do Relator 04: Tal sorte de raciocínio encontra-se superada na oportunidade. para que. caberá ao Tribunal desse fato dar ciência ao Congresso Nacional. Sessão de 29/11/2000-Ordinária). o aspecto associado ao rito procedimental adequado para a apuração do débito já foi equacionado na Questão de Ordem submetida ao Colegiado na Sessão Extraordinária de Caráter Reservado de 16/12/2000. 89. Brasília-DF. no essencial. Argumento 05: alega. 94. 92. 93. Conclui asseverando ser um equívoco deslocar a apuração do débito do rito apropriado (TCE) para o âmbito das contas anuais (TC-700. em complemento. adote ele diretamente a providência que se impõe. para sustentar o raciocínio de que o contrato celebrado foi o de compra e venda regido pelo direito comum. Posicionamento do Relator 05: Não subsistem mais os efeitos da medida liminar declinada. Aduz. Acredita que tais recursos tenham suspenso os efeitos do referido julgado.025/19988. como pelo fato de os recursos que se interpuseram referenciados já terem sido julgados (Acórdão 298/2000-TCU-Plenário. 91. Argumento 06: discorre sobre a autonomia administrativa do TRT-2ª Região e o regramento constante do instrumento licitatório que amparou a contratação da Empresa.3. de forma autônoma. que. em preliminar. ratificados. que os efeitos do Acórdão 045/ 1999-TCU-Plenário e da Decisão 469/1999-TCU-Plenário estão temporariamente suspensos. interposto pela Incal Incorporações S. embora a Decisão 469/99-TCU-Plenário tenha retificado o referido Acórdão. ao acolher o Voto revisor do Sr. Sr. no processo TC-001. em virtude de o Plenário do STF. em Sessão de 20/09/2000. por seu turno. Ademais.” 87. 2001 .No caso. não só pelas razões aduzidas pela unidade técnica nesse particular. em razão da medida liminar deferida pelo Exmo.560-8. Argumento 04: dispõe a respeito do efeito suspensivo. conforme decisão veiculada no Diário da Justiça de 27/09/ 2000. Ministro Marco Aurélio no Mandado de Segurança 23.560-8. Ademais esse Relator já ofereceu considerações adicionais sobre a matéria na parte introdutória deste Voto.A. 88. consoante determinado no § 1º do artigo 71 da nossa Lei Maior. haja vista aos termos do Relatório e Voto condutores da Decisão 231/96-TCU-Plenário. Ministro Nelson Jobim. Das alegações acostadas ao TC-001. tratando-se de contrato. Posicionamento do Relator 06: o assunto encontra-se exaurido no que se refere à apreciação pela Corte de Contas. Ano 4. quando se decidiu que a Tomada de Contas Especial tratará.115/1996-0). haver indeferido o Mandado de Segurança 23.

dentro de critérios seguros. em contraposição ao argumento de defesa de que o pacto estava agasalhado pela regência do direito privado. e tenha se arvorado a relevar interesses ínsitos à sua atuação como integrante da administração pública. que dissera. que o preço ficou cerca de 20% acima dos valores de mercado. ainda. Lembra que a assertiva foi feita com base em laudo emitido pela Caixa Econômica Federal. de contrato sob a espécie de “compra e venda”.731/920 e no exame efetuado pela unidade técnica deste Tribunal. 96. Ano 4. Auditorias do TCU. pelo TRT-2ª Região. consoante consta no Relatório pregresso. Retoma a tese de que a Decisão 231/96-TCU-Plenário julgou como sendo legal o dito contrato. Posicionamento do Relator 07: conforme enfocado anteriormente. Argumento 07: apregoa a independência do TRT-2ª Região. sendo o valor do terreno inferior ao da obra. como o de gerir os recursos do Erário. Repudia. pelos motivos expostos naquela ocasião. ocasião na qual a unidade técnica deste Tribunal fez consignar que o fato de o edital de licitação ter situado o objeto do certame como sendo “aquisição de imóvel”. quando todas as suas características apontam na direção de uma “obra de engenharia”. sem que para isso houvesse a necessidade de medições prévias. Argumento 10: faz referência ao parecer da Saudi. lançado no TC700. o que explica a pertinência de terem sido feitos pagamentos parcelados. sem que para isso contasse com o prévio ou posterior aval do TCU. Como dito. provindos da coletividade. Inadmissível que.731/92-0.731/1992-0. de tal indicação. deve o contrato ser qualificado como de empreitada da obra. foi suprimida a referência constante no laudo de que a diferença é aceitável. Brasília-DF. no que diz respeito à decisão de comprar o imóvel e de como fazê-lo. a matéria foi também estudada na introdução deste Voto. 97. Argumento 08: dirige crítica à afirmativa da SAUDI. o Órgão tenha pretendido abdicar da supremacia inerente ao Poder Público. revestido de todas as suas características e implicações. 98. em nome da discricionariedade. Posicionamento do Relator 09: já foi consagrado pelo Plenário desta Corte o entendimento de que se ajusta à situação o contrato de obra. 99. Número 15. A visão deste Relator está estampada no início deste Voto.95. ante o critério de comparação adotado. o argumento utilizado pelo TCU de que. 2001 211 . Destaca que. a alegação de que o TRT-2ª Região tenha feito uso de sua capacidade discricionária para orientar a licitação e a contratação da Empresa dentro de seus interesses se apresenta de todo desarrazoada. lançada no TC700. em negócios com pessoas jurídicas privadas. Argumento 09: insiste na ponderação de que o contrato celebrado é de compra e venda. pautados no regramento legal existente. Afirma não existir qualquer prova nesse sentido. 100. Posicionamento do Relator 08: os motivos que desautorizam a linha de raciocínio sustentada na defesa foram devidamente comentados no TC-700. 101. não tem o condão de amparar a celebração. quando analiso a questão da natureza do contrato. por meio do qual os signatários mencionam um possível sobrefaturamento no preço do imóvel.

in verbis: “No que diz respeito à tese de que o sobrepreço de cerca de 20% calculado no parecer técnico do engenheiro da Caixa Econômica Federal estaria incorreto – pela utilização.”(grifou-se) 105. assistida por engenheiros da própria CEF. Posicionamento do Relator 11: despropositado retornar. Argumento-11: Alude à inaplicabilidade das recomendações sugeridas pela Secex/SP (no TC-700. de imóveis inadequados – ou. Posicionamento do Relator 10: a intervenção da unidade técnica. Como exaustivamente demonstrado no voto condutor da Decisão 469/99-Plenário. A ponderação sobre a ocorrência da coisa julgada já foi explorada em momentos antecedentes. O Sr. reproduzidas no item 9 do Relatório condutor do Acórdão 045/99-TCU-Plenário. “contrato de longo prazo”.A. em um nível aceitável. Sessão de 29/11/2000-Ordinária). Conclui com o pensamento de que inexiste lei que autorize o TCU a alterar a natureza jurídica do ato praticado. Ano 4. quando do exame da defesa da Incal Incorporações S. Número 15. inclusive. 106. e a “preço fechado”. 212 Auditorias do TCU. o que desfigura a intenção dos defendentes de querer atribuir ao laudo sentido distinto do contido na realidade. registrou a respeito em seu voto (Acórdão 298/2000-TCU-Plenário. embora o TRT-2ª Região tenha pago à Incal Incorporações S. ter presente que a retomada dessa discussão é inócua.102. tenha havido menção às expressões “inflação”. haja vista ao fato de o assunto já ter sido enfrentado. Na mesma trilha de entendimento foi editado o Acórdão 298/2000TCU-Plenário. em instância recursal coroada com a edição do Acórdão 298/ 2000-TCU-Plenário (Sessão de 29/11/2000). Seseg e Secex/SP.A. olvidando a lei civil e a regra própria da licitação. igualmente. a obra por ela construída tem o valor de apenas R$ 62. 107. a quantia de R$ 231.953. à discussão sobre a natureza do contrato. ainda que correto. Brasília-DF.225. Diz que a Incal cumpriu a determinação associada à transferência da propriedade do imóvel para o TRT-2ª Região. refuta que no parecer técnico da CEF. ao relatar os recursos interpostos ao Acórdão 045/99. ante o fato de terem sido baseadas em premissa errada (contrato de obra pública em vez de contrato de compra e venda de imóveis). esse entendimento da defesa já foi refutado. Ministro Adylson Motta. 108.461.. ao contrário do que alega o recorrente. Acresce o protesto de que tais recomendações são abusivas e violentas. como parâmetro de comparação. cai por terra diante dos novos elementos colhidos na última inspeção realizado pelo Tribunal nas obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. por equipe de analistas lotados na Saudi.65. O relatório resultante do trabalho de fiscalização deu amparo à prolação da Decisão 469/99TCU-Plenário. 2001 . já que as conclusões alcançadas pelo laudo emitido pela CEF se fazem superadas em decorrência da inspeção posteriormente realizada.176.231/1992-0). a preços de abril de 1999. a esta altura. 103. datado de 28/02/94. no caso. Importante. Na presente oportunidade. 104.60.

111. ao postular esse raciocínio. Auditorias do TCU. o Presidente proclamará o resultado.15% das ações previstas teriam. Assere que a equipe. de que a palavra “preliminarmente”. além de situar uma defasagem entre os valores devidos e os valores pagos (estes na ordem de 98. penso. diante do fato de a equipe de inspeção. consta da disciplina inserta no artigo 59. Como situado pela Secex/SP. Diverge da interpretação firmada pelo Tribunal de Contas da União. Advoga a inexistência de amparo legal para que o Tribunal proceda aos julgamentos preliminares. Encerrada a votação. incorreu nos erros que menciona. Posicionamento do Relator 13: Não mais se oferece campo para a rediscussão desse tópico. sido desenvolvidas. Número 15. em julgado precedente. o que não seria..)” 113. tal como a Secex-SP. (. 59. 110. teria ocorrido a cessão das regalias indevidamente conferidas à empresa. incumbida do último trabalho.109. senão como pretender que um único voto vencido suplante a posição da maioria dos membros. declarando-o: I – por unanimidade. do seu agrado. Argumento 13: Oferece críticas ao parecer da equipe de auditoria. a forma de apurar os prejuízos foi modificada. tendente a considerar regulares os procedimentos adotados pelo TRT-SP. 112. II – por maioria. Ministro Carlos Átila Álvares da Silva. 116. III – por mérito. prevalece sobre a Decisão 231/96-TCU-Plenário. sendo ratificado em nível do julgamento de recurso (Acórdão 298/2000-TCU-Plenário). à época. por evidente. 114. 115. que essa atitude é explicada pelo fato de. verificou que tão-somente 64. Ano 4. também.. No Regimento Interno/TCU. valendo-se do auxílio de arquiteta do Fundo de Construção da Universidade de São Paulo-FUNDUSP. Posicionamento do Relator 12: o argumento produzido pela defesa chega a ser bisonho e demonstra falta de conhecimento elementar acerca da lógica de funcionamento de um órgão colegiado. a qual. in litteris: “Art. Argumento 12: Sustenta que o voto proferido na ocasião pelo Sr. nada havendo que se aproveite da inteligência perseguida pela defesa. IV – por voto de desempate. já mereceu exame anterior do Colegiado. Brasília-DF. uma vez que houve manifesta perda do objeto em decorrência dos resultados da auditoria realizada por força do comando contido no item “d” do Acórdão 045/1999-TCU-Plenário. Quanto ao sentido pretendido para a palavra “preliminar”. 2001 213 . se tivessem sido implementadas tais medidas. possa adquirir o sentido do “provisória” ou “sujeita a exame posterior”. empregada em item da Decisão 231/96-TCU-Plenário.70%). à vista dos pressupostos firmados pelo Relator do feito. Quanto ao motivo de a defesa repudiar os termos das recomendações dirigidas ao TRT-2ª Região. o assunto.

4ª ed. execução de obra. Cabe registrar que não havia um referencial definitivo em que se basear. especialmente aqueles que não disporiam de recursos para custear a prestação. O raciocínio do Tribunal de Contas da União está estribado no fundamento de que. fundações. Porém. ou prestação de serviço. encomendados materiais de demorada produção industrial (por exemplo. sondagens.. a demolição das construções nele existentes. o pagamento de parcela contratual na vigência do respectivo contrato. 119. in litteris: “Art. Posicionamento do Relator 14: persiste. a insistência da defesa em descaracterizar a figura do pagamento antecipado. convênio. ficando quase dois anos com essa quantia em caixa. Ministro Adylson Motta no voto condutor do Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. acordo ou ajuste. 118. 120. a Administração será beneficiada.38 (do Decreto 93. das sinalizações. nesse período. sem ter iniciado a obra. só poderá ocorrer quando previsto no ato convocatório. inclusive de utilidade pública.355). sendo o compromisso caracterizado como obra pública. o projeto definitivo. estrutura e instalações. Argumento 14: dirige crítica ao Relatório condutor do Acórdão nº 045/ 99-TCU-Plenário. a realização dos estudos técnicos. (grifou-se) Outrossim. o valor do imóvel nas condições em que se encontrava. à luz das reais necessidades do TRT-2ª Região. o pagamento antecipado deverá ser condicionado à prestação de garantias efetivas e idôneas destinadas a evitar prejuízos à Administração. prevista no edital de licitação ou nos instrumentos formais de adjudicação direta. segundo a forma de pagamento nele estabelecida. admitindo-se. Desse modo. Número 15. 2001 . quando necessários. entre outros. Ano 4. amplia-se o universo de competidores. indispensável a existência de contraprestações da contratada equivalentes aos valores a ela repassados. e desconhecido. Justifica que.(grifou-se) “ 214 Auditorias do TCU. no ponto. No caso de adiantamentos. a execução dos tapumes. já que dependia das definições correspondentes às adaptações que viessem a ser consideradas necessárias. pois conhecidos o projeto original e o em andamento. Daí a decisão de orçar apenas o que estava executado na obra.872/86). 117. todavia. qual seja. teria ocorrido a compra do terreno. Não será permitido o pagamento antecipado de fornecimento de materiais. inafastável a assunção das indispensáveis cautelas ou garantias. na parte que afirma ter a contratada recebido aproximadamente 21 milhões de dólares. Todos competidores terão reduzidos seus custos e. a Administração não poderá sofrer qualquer risco de prejuízo. com várias divergências em relação ao original. Primeiramente. Por isso. Brasília-DF.ter se deparado com a ausência de elementos precisos que pudessem favorecer a elaboração de um orçamento completo da obra. locações. A esse respeito. mediante as indispensáveis cautelas ou garantias. in verbis: O pagamento antecipado depende da existência de dois requisitos. dispôs o Sr. desse modo. segundo ensina Marçal Justen Filho (in Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. os elevadores) adotadas as providências atinentes ao projeto executivo da arquitetura. p. àquela altura.

nas seguintes categorias:’Consultorias Técnicas’.” 40. Na tentativa de obter novos recursos a título de reequilíbrio econômicofinanceiro. resta o possível “prejuízo correspondente ao aumento de despesas em função do aumento do prazo da entrega e das repetidas reduções no ritmo da obra. Auditorias do TCU. Finalizando o exame das diversas componentes que a Incal argumenta teriam causado o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. 42. ‘Cópias e Outros’. ‘Ferramentas e Materiais de Proteção’. ‘Despesas Administrativas’. verificado desde o início do contrato. não creio assistir razão à Incal. Argumento 15: oferece justificativas para o reequilíbrio econômico e financeiro do contrato. ‘Equipamentos e Materiais de Segurança’. ‘Despesas Administrativas Diversas’.121. percuciente exame por parte deste Colegiado. os argumentos existentes nos documentos “Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico” e “Programas de Conclusão de Obras do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo”. Ano 4. ‘Alimentação e Transportes’. ‘Encargos Folha Obra + Escritório’.’ 41. 2001 215 . Também neste aspecto. individualmente em cada mês daquele período. Alegou a empreiteira que o prejuízo adveio do ‘aumento das despesas indiretas pela necessidade de permanência por período superior ao contratado. Deveria a Empresa ter procedido dessa forma. em oportunidades antecedentes. nesse quesito. a Incal apresentou quadro demonstrativo do qual consta ‘um resumo da evolução das despesas indiretas mensais ao longo do período Julho/95 a Março/ 98’. deixa patente a existência de pagamentos antecipados. Cita como acréscimo aos interesses da empresa. ‘Mão de Obra (Folha Obra)’. sem que houvessem sido adotadas as devidas cautelas ou garantias. O desequilíbrio entre os desembolsos e a execução física da obra. Ives Gandra da Silva Martins. ‘Aluguéis de Máquinas e Equipamentos p/ Administração’. Toshio Mukai. Não é necessário recorrer ao auxílio dos teóricos da Administração para ser afirmado que os quadros empregatícios das empresas devem ser adequados às demandas existentes. ao aumento das despesas diretas por aumento do prazo de entrega e a necessidade de demissões para adequação ao ritmo de trabalho por força de falta de fluxo financeiro (receita) compatível com a necessidade e velocidade do andamento dos serviços. ‘Mão de Obra’. Com base nessas deliberações tem-se o seguinte entendimento: . José Afonso da Silva. 124. por parte do TRT-2ª Região. Manuel Alceu Affonso Ferreira e Diógenes Gasparini. ‘Mão de Obra (Folha Escritório Sete de Abril)’. na forma que menciona. ‘Aluguéis de Máquinas e Equipamentos’ e ‘Manutenção de Máquinas e Equipamentos’.no voto que precede o Acórdão 045/99-TCU-Plenário “39. e se não o fez foi por imprevisão administrativa. 123. no qual foram listados os gastos. ‘Combustíveis e Lubrificantes’. Número 15. Posicionamento do Relator 15: o assunto em análise também mereceu. Brasília-DF. 122. ‘Outros (Prestação de Serviços)’. além dos presentes nos pareceres dos juristas Miguel Reale. ‘Despesas Administrativas – Geral’. como comprovado no Relatório e Voto que embasam o Acórdão 045/99-TCU-Plenário e nos fundamentos que sustentam a forma de decidir consubstanciada no Acórdão 298/2000-TCU-Plenário.

água.09. Brasília-DF. Ocorre que houve diminuição no ritmo das obras. 45. o recorrente limitou-se praticamente a repetir os argumentos já enfrentados anteriormente no voto condutor do acórdão recorrido. do pessoal que trabalha no escritório financeiro.. Constituiriam. 44. e olvidaram-se os responsáveis pela Incal. de fato.95. assim. ditas despesas.07. ainda que houvesse a individualização de tais despesas. dos serviços de reprografia (‘cópias e outros’).92 e 24. todas as despesas seriam incorridas no período de 14. aumento de despesa. igualmente já consideradas pelo Tribunal. da prestação de serviços. de monta inexpressiva.43. uma análise detalhada do ‘quadro’ permite-nos compreender o raciocínio irreal desenvolvido pela Incal: o prazo inicial para a execução do contrato expirava em 24. Ora. Ministro Adylson Motta. mas apenas sua diluição em um tempo maior. Tais despesas. fundamentalmente alicerçados nas manifestações dos diversos pareceristas contratados pela Incal Incorporações S. não imputáveis à Administração. quando a obra deveria ser entregue: assim.no exame dos termos dos recursos interpostos contra o Acórdão 045/99TCU-Plenário (Acórdão 298/2000). também seriam demitidos ao final do contrato)”. diga-se. não foram por ela individualizadas. 47. é nosso entendimento de que aí também não foram criadas novas e expressivas despesas. O mesmo se pode dizer da mão-de-obra. Ano 4. passando a trabalhar com um número menor de empregados (que. que poderiam constituir um legítimo prejuízo para a contratada.95 são exatamente as mesmas que deveriam ter sido realizadas entre 14. . essas seriam de pequena monta. luz).09. incremento com a redução do ritmo das obras (a exemplo das despesas de vigilância. Ressaltei que o raciocínio é inaceitável.95. A. pelas regras da boa administração. insuficientes para provocar comprometedor desequilíbrio econômico-financeiro do contrato.07. Não houve.07. e explico: se as despesas estão sendo incorridas nesse período. Se cumprido o prazo inicial do contrato. portanto. Exemplificando: as ‘Consultorias Técnicas’ ocorridas após 24. De outra sorte. que a redução do ritmo das obras também se faz acompanhar da redução das despesas – pelo menos assim deveria ter ocorrido. quando muito.95. por óbvias razões. manutenção de máquinas próprias – posto que as máquinas alugadas também poderiam ser devolvidas -. das despesas com combustíveis e lubrificantes. como pretendo ter demonstrado. 2001 . relatados pelo Sr. aspectos secundários do negócio. consideradas como de seu risco inerente e. uma vez que a Empresa optou por pleitear valores difíceis de serem reconhecidos como devidos. Antecipou essa despesa. Quanto ao ‘aumento das despesas diretas por aumento do prazo de entrega e a necessidade de demissões para adequação ao ritmo de trabalho por força de falta de fluxo financeiro (receita) compatível com a necessidade e velocidade do andamento dos serviços’. “No mérito.07.92 e 24. é porque não o foram antes – deveriam ter sido. Não se pode negar que algumas despesas sofrem. 46. A Incal teria que demitir os empregados ao término da obra. todas as despesas incorridas após aquela data constituiriam prejuízo a ser indenizado pela União. Número 15. 216 Auditorias do TCU.

em associação com os engenheiros da Caixa Econômica Federal. 4ª ed. de modo a ‘exercer influência sobre a criação do Direito’. uma vez que hauridas das observações críticas e sistemáticas de todo o universo examinado. na primeira. Kelsen enfatizou com vigor a distinção entre uma ‘interpretação jurídico-científica’ e uma interpretação que ‘um advogado. ps. 2001 217 . ‘propõe ao tribunal apenas uma das várias interpretações possíveis da norma jurídica a aplicar a certo caso’. As conclusões alcançadas pela equipe de auditoria do TCU foram independentes. no Relatório citado. Posicionamento do Relator 16: a metodologia de trabalho utilizada pela equipe de inspeção do TCU apenas considerou o Relatório da Comissão como instrumento de auxílio. no mérito. Comunica a adoção de medida judicial voltada para o resguardo de seus direitos. cada vez mais intensa na experiência brasileira. embora ‘isto não lhes [possa]. o jurista. Brasília-DF. Martins Fontes. propõe ao tribunal’. a pedido dos responsáveis e particulares eventualmente envolvidos. deve servir de estímulo a este Tribunal para dar a devida consideração à advertência formulada pelo insuspeito Hans Kelsen quanto ao valor jurídico de tais manifestações. com o que não estariam desempenhando ‘uma função jurídico-científica mas uma função jurídicopolítica (de política jurídica)’. Na segunda. Segundo Kelsen. os juristas ‘não o podem fazer em nome da ciência jurídica. no sentido de rescisão unilateral do contrato. suscitando dúvidas sobre o Relatório de Inspeção gerado em atendimento ao Acórdão 045/99. conclui Kelsen. nada de novo acrescentam à tese do reequilíbrio econômico-financeiro do referido contrato. essa prática. deixando a decisão quanto à interpretação legítima ‘ao órgão que. o intérprete ‘não pode fazer outra coisa senão estabelecer as possíveis significações de uma norma jurídica’. ser proibido’. ao contrário. 1995)” 125. de contratação de juristas influentes para. Auditorias do TCU. E. emitirem as suas opiniões acerca de questões discutidas em juízo. Quanto aos elementos contidos no documento denominado “Programa de Conclusão de Obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo”. a Secex/SP logrou demonstrar que. na 2ª edição da sua Reine Rechtslehre. no interesse do seu cliente. Com efeito. só considerou a conclusão alcançada pela investigação administrativa a cargo da “Comissão de Acompanhamento dos Procedimentos Relativos à Construção do Fórum da Capital”. Alega a subtração da oportunidade de defesa no processo administrativo. 395-396. Número 15.Aliás. Argumento 16: faz referência à Decisão 469/99-TCU-Plenário. é competente para aplicar o Direito’. 126. Assinala que a prepotência das decisões do TCU estão a prejudicar os representantes da empresa 127. Entende que a equipe de auditoria do TCU. no impactante capítulo sobre a interpretação jurídica. evidentemente. no que conta com o beneplácito deste Relator. segundo a ordem jurídica. Ano 4. inserido em uma etapa do trabalho de avaliação por ela realizado. como freqüentemente fazem’ (in ‘Teoria Pura do Direito’. no interesse do seu constituinte.

131. o TRT-2ª Região. Em relação ao exercício do direito de defesa. fica prejudicada a presente alegação da empresa. no que se refere aos procedimentos adotados pelo TCU. B. Ano 4. de um jogo completo de plantas do imóvel. na proporção em que o TRT-2ª Região conseguia cópia dos projetos com os projetistas. Importante destacar. 75. Argumento 17: menciona que as plantas do imóvel e os respectivos projetos de execução estavam em poder do TRT-2ª Região. de 16/08/2000 (f. 39). dizem respeito a questões específicas relacionadas a aspectos de engenharia/projeto da obra de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Posicionamento do Relator 17: no Relatório de Inspeção do TCU.A.81. B. Luiz Estevão de Oliveira Neto. em Sessão Plenária de 02/08/2000 (Decisão nº 591/2000). Este Tribunal. 134. acolhendo Voto do presente Relator. para que apresentasse as suas alegações de defesa ou recolhesse a quantia devida aos cofres do Tesouro Nacional. deixo de oferecer considerações adicionais quanto a essas alegações. não há que se cogitar tenha existido restrição a essa possibilidade. item 42 da transcrição até f. o Ministério Público Federal e a Caixa Econômica Federal. sequer. A responsabilidade administrativa-financeira do Grupo OK Construções e Incorporações S. também. está indicado que a Secretaria de Apoio Administrativo do TRT-2ª Região (unidade estruturada. Brasília-DF. em termos organizacionais. acima do Serviço de Engenharia e Arquitetura) não dispunha.115/1996-0). Os argumentos seguintes oferecidos pela Incal Incorporações S. Número 15. No caso como esse. mediante o Ofício nº 661. adotando como meus os termos da análise empreendida pela Unidade Técnica (f. sendo a ela franqueado o uso das faculdades processuais pertinentes. Foi promovida a citação do referido responsável. 2001 . que apresentou os seus elementos de defesa que foram devidamente analisados pela diligente SECEX/SP 218 Auditorias do TCU. o que demonstra a má-vontade com que alguns membros do TCU vêm agindo contra a recorrente. Entende que houve desencontro no relacionamento entre o TCU. por falecer competência ao TCU para estender sua ação à administração do ente privado contratado.4. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. cabendo a essa adotar as providências junto às empresas privadas por ela contratada. item 47 da transcrição). relativas ao exercício de 1995.128. dentre outras. A satisfação do pedido ocorreu com o tempo. que a condução dos trabalhos de inspeção está direcionada para a unidade jurisdicionada ao TCU. Sr. 133. tendo em vista que a empresa foi citada em três etapas processuais distintas. que aborda o assunto. Alega que tais peças jamais foram solicitadas à empresa. Por essa razão. no sentido de que se procedesse à citação solidária do Grupo OK Construções e Incorporações S. ao analisar a Tomada de Contas do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TC nº 700.A. Demais argumentos: 132. quando das solicitações feitas pela equipe de inspeção. SECEX-SP. 135.3.3. 129. 74/75 do vol. adotou deliberação.A. 130.

Os Problemas da Quantificação do Débito. 1151/1165). Considerando que o Plenário deste Tribunal. Número 15. 1994 e 1996 às contas de 1995. Da Impossibilidade de Citação de Particular por Decisão Preliminar.4. ante o que determinava o art. considerando que as três primeiras já tinham sido julgadas regulares e que tal ato de juntada acarreta o encerramento dos demais processos. 54 do mesmo normativo.115/1996-0. 138. f.1. com base na qual essa Corte citou o Grupo OK. não se manifestou sobre os mesmos. Analistas de Finanças foram aduzidos relevantes argumentos quanto à defesa apresentada pelo Grupo OK pelo Diretor Técnico da 2ª Divisão. uma vez que foram sacramentadas e encerradas por Decisões desta Corte e que o Auditorias do TCU. Sérgio Ricardo Ayres Rocha (volume principal-III. Mesmo que tivessem algum efeito jurídico os documentos apresentados.. Luiz Estevão de Oliveira Neto. 136. por intermédio de advogado legalmente constituído. concernente à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. concedendo vista dos aludidos documentos. Argumento 01 (Da Juntada) 140. obteve vista dos autos e cópia integral dos volumes 34 a 38. a matéria do TC nº 700. As alegações de defesa foram apresentadas pelo procurador do responsável.025/1998-8). B. em razão de cuidarem de um mesmo assunto. Sr. 22 da Resolução/TCU nº 77/96 c/c o art. Analistas de Finanças Sandra Elisabete Alves dos Santos e Renato Tomiyassu Obata (f. Do Recurso de Revisão. em 06/12/2000. constituídos dos novos documentos acostados. decidiu que as questões pertinentes ao TRT/2ª Região deveriam ser tratadas nos presentes autos de Tomada de Contas Especial (TC nº 001. Da Impossibilidade de Trazer Débito Quantificado em Outros Autos sobre o Qual Pende Recurso e Liminar Concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Brasília-DF. Ressalte-se. Discrepâncias com outros Pareceres. passou igualmente a ser no momento analisada. que passaremos a tratar conjuntamente. seria impossível a citação solidária do Grupo OK. 139. que ante a juntada de novos documentos aos autos. Da impossibilidade da forma como interveio o Ministério Público) e três de mérito (nominadas pelo responsável como: A Deficiência da matéria probante nos autos. 132/212 do vol. O responsável assevera que houve um equívoco processual quando da juntada das tomadas de contas relativas aos exercícios de 1992. Aduz ainda o seguinte: . Os Atos Protegidos pelo Manto Contratual. observando-se que as duas últimas questões de mérito foram aqui tratadas conjuntamente. Vale observar que à percuciente análise das alegações de defesa pelos Srs. 137.A. por seu representante legal.as questões constantes dos autos juntados estão plenamente vencidas.pelos Srs. Ano 4. Impossibilidade da citação solidária do Grupo OK). encaminhados a este Tribunal pelo Ministério Público Federal. legalmente constituído. 39). por oportuno. todavia. foi expedida comunicação ao Grupo OK Construções e Incorporações S. inclusive do Relatório da CPI do Judiciário. sob a forma de seis questões preliminares (nominadas pelo responsável como: Da Juntada. O Grupo OK. 2001 219 .

quanto à reapreciação dos processos juntados.nesse sentido.encerramento de um processo implica que nele não haverá deliberação. e não somente da obra. 220 Auditorias do TCU. . 22 e 54 da Resolução/TCU nº 77/96 devem ser interpretados sistematicamente com a Lei Orgânica deste Tribunal. conclui-se que os arts.1.a reapreciação dos processos juntados deve revolver todas as etapas de instrução e julgamento. em que estes. 1994 e de 1996 às contas de 1995. . ante o que determinava o art.no pertinente ao ponto questionado. ou seja. . cuidando-se de todos os pontos de questionamento.esta Corte de Contas. desse modo. . pois tal procedimento de encerramento de processos estaria em contradição com a Lei Orgânica. adotará as medidas necessárias de forma a propiciar aos responsáveis os direitos de ampla defesa e do contraditório. 142. o procedimento da juntada levou à impossibilidade de se discutirem as matérias relativas aos processos juntados. tomada de contas anuais e. conforme os arts.os arts. 22 e 54. consoante determinado pela Decisão nº 591/2000 – Plenário. a SECEX/SP ressalta: . Brasília-DF. 54 do mesmo normativo. Análise da SECEX/SP 141. deveria acarretar o encerramento dos demais processos. . I da Resolução/TCU nº 77/96 não se aplicam à situação em que todos os processos a serem juntados sejam tomada ou prestação de contas. No tocante à alegação de que o ato de juntada das tomadas de contas dos exercícios de 1992. que só poderiam ser discutidas mediante decisão rescindente. em cada processo de per si. após serem juntados aos correspondentes processos de tomada ou prestação de contas. são encerrados. 20 e 21 da referida Lei. e não somente da obra. 2001 .com base nas próprias normas desse Tribunal que regiam a espécie. conforme se depreende dos arts. 15 a 19 da Lei nº 8. incs. mas nunca os processos de contas. mediante a citação e a audiência previstas no art.os processos que foram juntados aos processos de tomada de contas relativas ao exercício de 1995 são da mesma natureza. servindo apenas como subsídio. dando-se aos responsáveis os inarredáveis direitos de ampla defesa e do contraditório. A aplicação de tais dispositivos se dá em relação a processos de relatório de auditoria ou de denúncia/representação. a SECEX/SP tece as seguintes considerações: .443/92. por estarem sob o manto de Decisões definitivas dessa Corte. inc. B.4. 22 da Resolução/TCU nº 77/96 c/c o art. Quanto à afirmação de que o reexame dos processos juntados deve revolver todas as etapas de instrução e julgamento. faltou ao responsável a interpretação sistemática dos citados dispositivos. com o pronunciamento da Unidade Técnica e do Ministério Público. 12. tratando-se de todos os pontos de questionamento. não podem ser encerrados sem julgamento. a não ser no caso de serem as contas consideradas iliquidáveis.1. com o pronunciamento da Unidade Técnica e do Ministério Público. Número 15. em cada processo de per si. sendo que o Tribunal ensejou o encerramento das questões definitivamente apreciadas nos autos juntados. Ano 4. dando-se aos responsáveis os inarredáveis direitos de ampla defesa e do contraditório. levando-o a conclusões equivocadas.

Nessa circunstância o Tribunal ordenará o seu trancamento e o arquivamento do respectivo processo. de acordo com o art. mas não os processos de contas. II da Lei Orgânica deste Tribunal. 146. quando do pronunciamento das nulidades dos atos processuais. Por essa razão foram reunidos todos os processos. Os processos de auditoria ou de denúncia/ representação são então encerrados.2. tanto assim que o responsável ora se manifesta. em observância ao art. I do CPC.II e III da Lei Orgânica. Posicionamento do Relator 01 144. 2001 221 . em virtude de haver sido promovida a sua citação. podemos concluir que os processos de tomada de contas anuais não podem ser encerrados sem julgamento. 22 e 54 da Resolução/TCU nº 77/96 devem ser interpretados de forma sistemática e em consonância com a Lei nº 8. . Auditorias do TCU. rejeita as alegações de defesa apresentadas no item B. ao determinar a juntada dos processos.443/92. 15 a 21 da Lei nº 8. Rever todos os pontos de questionamento nos processos juntados. com a condução do presente Relator. se o mesmo não prejudicar a parte. até mesmo aqueles que não tenham relação com a obra. Dá-se a aplicação dos arts. por fim. que não tenham sido levantados em ocasião anterior. não se pretendendo. por todo o exposto. 145. pois de outra forma seria agir contrariamente ao princípio da economia processual e ao interesse público.4. A SECEX/SP. visto que se estaria adotando uma medida protelatória.1. procedimento já observado no presente processo. encerrar este ou aquele processo. visto que foi promovida a citação dos responsáveis. também. como a Secretaria Técnica. inc. em relação às contas dos diversos exercícios do TRT/SP. relacionados ou não com a obra do TRT-SP. 147. os arts. é contrário ao princípio da economia processual e como bem destacou a Secretaria Técnica. que este Tribunal. aí sim. Fazendo-se um paralelo com os processos da justiça. do confronto dos referidos dispositivos com os arts. Brasília-DF.4. estes são juntados aos correspondentes processos de tomada ou prestação de contas. visto que os fatos apontados nesta tomada de contas especial abrangem os exercícios de 1992 a 1998 e teriam reflexos nas respectivas contas. buscou com isso evitar que fossem prolatadas decisões contraditórias.devem ser analisados somente os fatos supervenientes. que os dispositivos a que o responsável se reporta. como alegou a defesa.443/92. Os procedimentos deste Tribunal pautam-se por observar o princípio do contraditório e da ampla defesa. 148. salvo se se tratar de contas que foram consideradas iliquidáveis. 143. contra o próprio interesse público. inc. 12. Ano 4.1 supra. ou seja. servindo como subsídio à análise das contas. Número 15. Ressalto. 22 e 54 da Resolução/TCU nº 77/96 em se tratando de processos de auditoria ou de denúncia/representação. Nesse sentido. Entendo. B. o juiz não determinará que um ato seja repetido nem que lhe seja suprida a sua falta. pois nenhum benefício traria ao responsável nem ao Tribunal. por estar se adotando uma medida meramente protelatória e desnecessária. 249.

Alega que a pura e simples juntada das contas pelo Tribunal suprimiu rito claramente determinado pelo mesmo de forma cogente. ressaltando os princípios a serem observados quando da apreciação dos recursos de revisão. por serem fatos supervenientes.4. maculando toda espécie de decisão posterior. 238/97-Plenário e Relação nº 75/ 97-2ª Câmara. em se tratando de recurso tendente a agravar a situação do responsável. rejeito as alegações apresentadas no item B. validade e eficácia da decisão recorrida até que o Tribunal prolate nova decisão que a casse. 2001 .4. B.149. respectivamente. impulsionando-a. A Unidade Técnica. na qualidade de fiscal da lei. Por todas as razões expostas.025/1998-8 e que não foram tratadas na ocasião do exame das respectivas contas. Análise da SECEX/SP 153. com a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. em face de que pende recurso de revisão interposto pelo MP/TCU contra as Decisões nos 168/98-Plenário. ressaltando o fato de que nenhum prejuízo ocasionou aos responsáveis.1.4.1. de forma. 152. 151. Ano 4. Reporta-se à Decisão nº 789/1998-TCU-Plenário. ensejando a possibilidade para este Tribunal vir a prolatar uma decisão rescindente. em virtude de nulidade devidamente comprovada. Aduz que o Tribunal.2. tais como observância aos pressupostos recursais. evitar que fossem proferidas decisões contraditórias a respeito da mesma matéria. em razão do julgamento de mérito do recurso interposto. Número 15. destacando excertos do Voto do presente Relator na Decisão nº 591/2000-TCU-Plenário. de que se teve conhecimento somente após o julgamento dessas contas e que a justificativa da juntada das contas deveu-se à conveniência do exame delas em conjunto e em confronto.2 da referida decisão.001. além de tudo. expõe que o motivo da interposição dos recursos pelo MP/TCU. Argumento 02 (Do Recurso de Revisão) 150. E estabelece 222 Auditorias do TCU. obrigatoriedade de audiência do Ministério Público. cabendo a este presidir a instrução. visando a reabertura das contas referentes aos exercícios de 1992. adotando tal procedimento. fazendo o necessário juízo de admissibilidade. O responsável tem a compreensão. 1994 e 1996. com base nos supracitados princípios. B. atuação do Relator sorteado até o julgamento que decide acerca da reforma ou não da decisão recorrida. sob pena de nulidade. de que a interposição de um recurso ensejou o sorteio de um novo Relator. inclusive. supra. constantes do subitem 8. a prestigiar os princípios do contraditório e da ampla defesa. suprimiu todo um rito processual taxativamente previsto para a apreciação desse tipo de recurso. Discorre a Secretaria Técnica que tal procedimento objetivou. O responsável alega a impossibilidade do procedimento determinado pela Decisão nº 591/2000-Plenário no que se refere à juntada das contas ordinárias do TRT/SP de 1992 a 1998. Brasília-DF. em virtude das ocorrências perpretadas ao longo dos exercícios de 1992 a 1998. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. ou que a reforme. necessidade de instauração do contraditório. objetivando a reabertura das contas do TRT-SP. quando haveria a necessidade de percorrer toda a etapa instrutória e audiência do MP/TCU.2. foi a verificação de diversas irregularidades constantes do TC.

a ocorrência de irregularidades na obra do Fórum Trabalhista.um paralelo com o processo judicial que. Ano 4. encontram-se unidos pelo mesmo elo. também não prejudica os direitos dos responsáveis no tocante aos princípios do contraditório e da ampla defesa. supra. 157. para que sejam decididas in simultaneo processu. Brasília-DF. ou seja. A Unidade Técnica. de acordo com o art. pelas razões expostas. sob pena do seu cerceamento de defesa não procede. que. estando sob a condução de um mesmo Relator e sob a análise e instrução de uma mesma Unidade Técnica. e possibilitando aos responsáveis o exercício dos direitos concernentes aos princípios do contraditório e da ampla defesa. pode ordenar a reunião de ações propostas em separado. inclusive os correspondentes recursos de revisão. Dessa forma. considerando que todos os processos. veio facilitar o exercício da ampla defesa pelo responsável. sendo-lhe possibilitado todos os direitos para exercitar a sua defesa. 159. Fazendo-se um paralelo com o processo judicial.2. 155. 154.2. como bem destacou a diligente SECEX/SP. Posicionamento do Relator 02 158. ainda. A juntada das contas ordinárias do TRT/SP de 1992 a 1998 sem que os recursos interpostos pelo MP/TCU tenham sido apreciados em nada feriu os princípios do contraditório e da ampla defesa. uma vez que a empresa sequer figurava como responsável naqueles processos. uma vez que estão sendo apreciados de forma concomitante. o juiz. pode o juiz. A SECEX/SP destaca ainda que o fato de haver ocorrido a juntada das contas sem a apreciação dos recursos interpostos pelo MP/TCU não implicou qualquer cerceamento à defesa do Grupo OK. de oficio. 2001 223 . ou seja. previstos na lei. considerando que todos os processos estão sendo examinados simultaneamente. 105 do CPC. de ofício. Número 15. no contexto do rito processual previsto para a apreciação dos recursos interpostos pelo MP/TCU. sem contar. B. rejeita as alegações de defesa apresentadas no item B. a SECEX/SP. ou a requerimento de qualquer das partes. observando-se assim os referidos princípios constitucionais. sob a condução de um mesmo Relator e sob a análise e instrução de uma mesma Secretaria Técnica. conforme o art. A alegação do responsável de que a análise dos recursos de revisão teria que ter prioridade sobre os exames das contas.4. entende a Secretaria Técnica que carece de sentido a discussão de que a análise dos recursos tenha prioridade sobre as contas. no caso de haver conexão ou continência. encontram-se unidos pela mesma questão. pelo contrário. a fim de que sejam decididas simultaneamente. ou a pedido de qualquer das partes. mas. ordenar a reunião de ações propostas em separado. havendo conexão ou continência. a ocorrência de irregularidades na obra do Fórum Trabalhista.4. A SECEX/SP expõe que a juntada das contas não representa nenhum cerceamento aos direitos dos responsáveis e que. 156. inclusive aqueles em que foram interpostos recursos de revisão. a juntada das contas em si em nada prejudicou a defesa do Grupo OK. tendo em vista que todos os processos.2. visto que sequer essa empresa figurava como responsável naqueles processos. Auditorias do TCU. 105 do CPC.

tanto a processos de tomada de contas anual. 2001 . 10. -”desproporcionalidade de uma decisão preliminar citar um particular por débito que. a lei não prescreve nenhuma restrição à citação de terceiro “particular” na fase de juízo preliminar de apreciação de contas anuais. cabendo lembrar.a interpretação realizada pelo responsável dos dispositivos da Lei Orgânica do TCU encontra-se equivocada. parágrafo 1º. como a tomada de contas especial e prestação de contas e a qualquer pessoa física ou jurídica. Argumento 03 (Da Impossibilidade de Citação de Particular por Decisão Preliminar) 161. em princípio. rejeito as alegações apresentadas no item B. considerando que a definição de responsabilidade “deve ser vista com os devidos sopesamentos e restrições. está subsumido à gestão dos responsáveis pelo órgão.160. 16. Análise da SECEX/SP 163. Por todas as razões expostas. Assim.3. como veremos adiante. Brasília-DF. bem assim. supra. ao considerar que a Lei não prevê tal possibilidade no caso de decisão preliminar (arts. tendo em vista que efetivamente não participou do certame nem firmou contrato com a Administração. a que o Tribunal tenha atribuída a responsabilidade pela prática de ato irregular e/ou dano ao erário. 11 e 12) aplicam-se. e frise-se. § 2º da Lei). como alega o responsável. . nesta etapa processual específica. estribada em sólidos fundamentos jurídicos. O responsável afirma não ser possível a citação de “particular” na fase de juízo preliminar de apreciação de contas anuais. 162. não pode ser enquadrado como responsável.1. Número 15. outrossim. 10. -”Cabe considerar com relação a esse aspecto (consideração acima a respeito de desproporcionalidade de uma decisão preliminar) que não teve essa Corte ensejo de se aprofundar nos fatos. 16 da Lei. § 1º e 12 da Lei). nessa fase processual. considerando que os dispositivos da Lei que tratam da citação (arts. B. em síntese. -haveria a possibilidade de citação de particular apenas nas condições previstas no art. sem provas bem fundamentadas para tanto. em que se configure a existência de débito. em face da expressa menção dessa possibilidade.” 4. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. A SECEX/SP rebate a alegação como se segue: . O responsável tece considerações sobre a matéria no seguinte sentido: -um particular que nem sequer foi contratado. que nem a própria Unidade Técnica que atuou nos autos teve oportunidade de se pronunciar sobre a matéria que envolveu Grupo Econômico.3.2. juntados aos autos dois dias antes de sua apreciação por essa Corte. mas taxativamente reporta-se ao contratante ou à parte interessada somente no juízo de mérito (art. como previsto em lei. 16 da 224 Auditorias do TCU. quer se trate de gestor de órgão ou entidade fiscalizada pelo Tribunal ou particular sem vínculo com a administração pública.”. Aliás. não se podendo olvidar que a Decisão que determinou a citação desse Grupo tomou por base documentos de discutível perfeição.2.4.4.”.é totalmente equivocada a afirmação de que um “particular” poderia ser citado apenas na etapa processual específica e nas condições previstas no art. Ano 4.

em princípio. chamando o interessado a se defender e abrindo-se. tendo em vista que o referido dispositivo não se refere propriamente a uma etapa processual. rejeita as alegações apresentadas no item B. inc. A SECEX/SP. teve por base o fato de a empresa ter concorrido para o cometimento dos danos causados ao patrimônio público em face dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. . 12. . desde logo. . do mesmo art. . 164. o que é absolutamente incabível.a citação do Grupo OK. estribada em sólidos fundamentos jurídicos. supra. Luiz Estevão de Oliveira Neto.3. . Posicionamento do Relator 03 165. nada mais é que o instrumento processual pelo qual se efetiva e concretiza o princípio do contraditório e da ampla defesa. obviamente o Tribunal deliberará nesse sentido.Lei. mediante a remessa de cópia da documentação pertinente ao Ministério Público da União (parágrafo 3º. há de se considerar que o procedimento de imputação de responsabilidade por este Tribunal decorre do exame dos elementos contidos nos autos que evidenciam a ocorrência de irregularidades e/ou danos ao erário. II da Lei Orgânica.não existe qualquer falta de fundamento jurídico ou desproporcionalidade da decisão proferida por este Tribunal. Brasília-DF. bem assim. tal questão será tratada mais adiante. uma vez que tal deliberação. desse modo. É equivocada a interpretação realizada pelo responsável no sentido de que não seria possível a citação de “particular” na fase de juízo preliminar de apreciação de contas anuais e de que haveria uma etapa processual específica para a Auditorias do TCU. “deve ser vista com os devidos sopesamentos e restrições. pelas razões expostas.no tocante à afirmação de que a definição de responsabilidade.3. e de que há uma desproporcionalidade de uma decisão preliminar citar um particular por débito que. Ano 4. a oportunidade de pagar o valor do débito que lhe for imputado.quanto à alegação de que a citação do responsável teve como base documentos de discutível perfeição e falta de provas bem fundamentadas.a citação. está subsumido à gestão dos responsáveis pelo órgão”. 2001 225 . como contratante ou parte interessada na prática do mesmo ato haja concorrido para o cometimento do dano apurado – tal procedimento é imprescindível para a promoção da cobrança executiva do débito pelo Tribunal. assim como para possibilitar o ajuizamento das ações civis e penais cabíveis.2. prevista no art. 16). tenha sido ela provocada por gestores do órgão ou entidade sob a jurisdição do TCU ou por terceiros que hajam concorrido para a prática desses atos.4. corresponde à decisão final do processo de contas.4. Número 15. representada pela pessoa do Sr. mas sim à necessidade de fazer constar do Acórdão que deliberou pela irregularidade das contas a existência de responsabilidade solidária ou não do agente público que praticou o ato irregular e do terceiro que. havendo o mesmo sido citado e apresentado defesa cujos elementos permitam concluir pela exclusão de sua responsabilidade. veiculada mediante a publicação de Acórdão. a citação do terceiro solidário somente seria possível após o julgamento pela irregularidade das contas. Consoante a linha de raciocínio do responsável. B.

Esta Corte de Contas.025/1998-8. conforme decidido pelo próprio Tribunal. Argumento 04 (Da Impossibilidade de Trazer Débito Quantificado em Outro Processo sobre o Qual Pende Recurso e Liminar Concedida pelo Supremo Tribunal Federal) 169. suspendendo o efeito das decisões supracitadas e que. que cuidam da citação. 11 e 12 da Lei nº 8. rejeito as alegações apresentadas no item B. Entende. e o afastamento desta tomada de contas especial. alcançam qualquer pessoa física ou jurídica. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. de acordo com os arts. Por todas as razões expostas. para a promoção de cobrança executiva do débito pelo Tribunal e demais providências cabíveis. 33 e 48 da Lei Orgânica/TCU. A Decisão 469/99-Plenário.4. 166. 167. para as contas anuais. que a quantificação do débito e a possibilidade de sua cobrança ainda não se aperfeiçoaram. consoante bem expôs a SECEX/SP.025/19988.443/92. B. no qual constava a conversão desses autos. 171. e do débito que deve ser cobrado exclusivamente por ela. toma como base os elementos constantes dos autos que apontam as irregularidades e/ou danos causados ao erário.4. manteve na essência as determinações constantes do mesmo. Número 15. 16 da Lei nº 8. 168. 10. Aduz que é um equívoco trazer os débitos discutidos em tomada de contas especial. 170. a quem este Tribunal tenha atribuído a responsabilidade pela prática de ato irregular e/ou dano ao erário. Destaca ainda o fato de que o Supremo Tribunal Federal havia concedido liminar expedida no Mandado de Segurança nº 23. oportunidade ao interessado de exercer o contraditório e a ampla defesa.4.referida citação e que se daria consoante o art. não obstante tenha retificado o aludido Acórdão em relação ao montante do débito e à alteração do número de responsáveis. a 226 Auditorias do TCU. tendo em vista que estas não seriam o meio adequado para esse fim. desde logo. Brasília-DF. Ano 4. haja vista a que tal dispositivo legal não diz respeito ao procedimento da citação mas à consignação no Acórdão que deliberou pela irregularidade das contas da existência de responsabilidade solidária ou não do agente público que praticou o ato irregular e do terceiro que haja concorrido para o cometimento do dano apurado. suspendeu os efeitos do referido julgado. Os arts. em Tomada de Contas Especial. conseqüentemente. Alega o responsável que a interposição de recursos (pedido de reexame e recurso de reconsideração) ao Acórdão 45/99-Plenário concernente ao processo TC-001.3 supra. até o momento em que a sua defesa fora elaborada. 2001 . ao proceder à imputação de responsabilidade. em que se configure a existência de débito. Diz ser incontrastável que a cobrança do débito foi remetida para a tomada de contas especial. rito correto e definido pelo próprio Tribunal.443/92. só poderia ocorrer quando da apreciação dos competentes recursos interpostos no TC nº 001. dando assim. que tinham como objeto Relatório de Auditoria. seja pelo gestor do órgão ou entidade fiscalizada pelo Tribunal. seja por terceiro que haja concorrido para o cometimento desses atos. parágrafo 1º. quer se trate de gestor de órgão ou entidade fiscalizada pelo Tribunal ou mesmo particular sem vínculo com a administração pública.560-8.

liminar concedida permanecia intacta em seus efeitos jurídicos. O Tribunal, desse modo, descumpriu a determinação da Suprema Corte à época, tendo em vista que o débito configurado nas referidas decisões foi inteiramente aproveitado, por este Tribunal, quando prolatou a Decisão nº 591/2000-Plenário, mediante a qual foi citado o grupo OK. B.4.4.1. Análise da SECEX/SP 172. A SECEX/SP rebate as alegações da seguinte forma: - quanto ao efeito suspensivo dos recursos interpostos ao Acórdão nº 45/99Plenário relativo ao processo TC 001.025/1998-8, entendemos que somente atinge os efeitos do referido acórdão e portanto, não há impedimento legal para que o Tribunal proceda à citação dos responsáveis em outro processo; - no pertinente à impossibilidade de cobrança de débito por meio de decisão prolatada nas contas anuais e não em processo de tomada de contas especial, entendemos que tal afirmação não procede, considerando que a própria Lei Orgânica deste Tribunal prevê no seu art. 12, inc. II, a possibilidade de ser realizada a cobrança de débito em processo de tomada ou prestação de contas (vide o título da Seção II onde se insere o art. 12 – “Decisões em Processo de Tomada ou Prestação de Contas”). A lei não determina que a cobrança do débito deva ser realizada exclusivamente em processo de tomada de contas especial, mas sim em processo de tomada ou prestação de contas, que abrange tanto os processos de tomada ou prestação de contas anuais, como os de tomada de contas especial. 173. Em relação à afirmação de que o Tribunal descumpriu determinação do STF ao prolatar a Decisão nº 591/2000-Plenário, a SECEX/SP tece as seguintes considerações: - a finalidade do instrumento do mandado de segurança, à vista do art. 5º, inc. LXIX da Carta Magna, é proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; - desse modo, o impetrante do mandado de segurança junto ao STF contra as decisões do TCU (Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário e Decisão nº 469/99-TCUPlenário) o fez considerando que teve direito seu lesado em virtude de ilegalidade ou abuso de poder; - constitui fato relevante o STF ter concedido liminar suspendendo as determinações do Tribunal contida nas mencionadas decisões; - o conteúdo da Decisão nº 591/2000-Plenário, conforme seus subitens 8.1 e 8.2 resume-se em apenas duas deliberações: (1) a juntada das contas ordinárias do TRT/SP, referentes aos exercícios de 1992, 1993, 1994, 1996, 1997 e 1998 às contas do exercício de 1995 e (2) citação solidária da empresa Incal Incorporações S.A., do Grupo OK Construções e Incorporações S.A., na pessoa do seu Diretor superintendente e representante legal, Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto, e dos Srs. Nicolau dos Santos Neto, Délvio Buffulin e Antônio Carlos Gama da Silva, pelo valor de R$ 169.491.951,15, relativo à diferença entre as quantias pagas pelo TRTAuditorias do TCU. Ano 4. Número 15. Brasília-DF. 2001 227

2ª Região à conta das obras de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo (R$ 231.953.176,75) e o valor efetivo do empreendimento nas condições em que se encontra (R$ 62.461.225,60), todos em valores de abril de 1999, sendo que desse débito total a parcela de R$ 13.207.054,28 é de responsabilidade solidária também do Sr. Gilberto Morand Paixão; - o fato de o Tribunal ter promovido a citação do Grupo OK mediante uma outra decisão (Decisão nº 591/2000-Plenário) utilizando-se para esse fim, como valor do débito, aquele apurado em auditoria realizada anteriormente por este Tribunal (a que alude a Decisão nº 469/99-TCU-Plenário), em nada ofende a liminar concedida no referido mandado de segurança, haja vista a que a citação, prevista no art. 12, inc. II da Lei Orgânica, nada mais é do que o instrumento processual pelo qual se efetiva e concretiza o princípio do contraditório e da ampla defesa, no qual o interessado é chamado a se defender, abrindo-se, desde logo, a oportunidade de pagar o valor do débito que lhe for imputado; - a Decisão nº 591/2000-Plenário não obriga o responsável a pagar o débito, nem a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, motivo pelo qual, nessa etapa processual, não há o que se falar em direito lesado em virtude de ilegalidade ou abuso de poder, concluindo-se, assim, que não houve, portanto, nenhuma violação à liminar concedida pelo STF; - conforme discorrido no Voto do Relator que acompanha o Acórdão proferido recentemente pelo Plenário deste Tribunal, na Sessão de 29/11/2000, quanto à análise dos recursos no processo TC 001.025/1998-8, o Relator daquele writ esclareceu a extensão da medida liminar concedida pelo STF contra as decisões do TCU no sentido de suspender a eficácia das decisões prolatadas por esta Corte de Contas no pertinente à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e determinação de que fosse devolvida a quantia nela consignada; - ressalte-se que o Plenário do STF, em 20/09/2000, indeferiu o aludido mandado de segurança (Decisão publicada no Diário da Justiça de 27/09/2000). 174. A SECEX/SP, pelas razões expostas, rejeita as alegações apresentadas no item B.4.4 supra. B.4.4.2. Posicionamento do Relator 04 175. A interposição de recursos ao Acórdão nº 45/99-Plenário, em relação ao presente processo TC 001.025/1998-8, somente atinge os efeitos do referido decisum, não havendo impedimento legal para que o Tribunal realize a citação dos responsáveis em outro processo. 176. Consoante o art. 12, inc. II, da Lei nº 8.443/92, a cobrança do débito pode ser efetuada mediante processo de tomada ou prestação de contas, que podem ser tanto tomada ou prestação de contas anuais como os de tomada de contas especial, portanto, não constitui empecilho o fato de a questão do débito ser tratada nos autos da tomada de contas anuais. Esta matéria encontra-se superada, visto que as questões concernentes ao Fórum Trabalhista estão sendo tratadas nos presentes autos. 177. No tocante à alegação de que o Tribunal descumpriu determinação do STF ao prolatar a Decisão nº 591/2000-Plenário, não procede, valendo destacar o
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Voto do Ministro Adylson Mota, em Sessão Plenária de 29.11.00, na ocasião da análise dos recursos no presente processo, in verbis: é oportuno registrar que, conquanto este Tribunal e o Ministério Público que aqui oficia hajam entendido que aquela liminar houvera suspendido in totum o Acórdão nº 045/99-Plenário e a Decisão nº 469/99-Plenário, o Relator daquele writ, quando da apreciação do seu mérito pelo Plenário do STF, esclareceu que havia deferido a medida acauteladora apenas para suspender ‘a eficácia das decisões prolatadas pelo Tribunal de Contas da União relativamente à declaração de insubsistência da escritura de compra e venda e determinação de que fosse devolvida a quantia nela consignada’. (grifo nosso) 178. À vista da exata extensão da medida liminar, verifica-se que esta Corte de Contas, ao prolatar a Decisão nº 591/2000-Plenário, em nada feriu a determinação do STF, considerando que deliberou para que fossem juntadas as contas ordinárias do TRT/SP, relativas aos exercícios de 1992, 1993, 1994, 1996, 1997 e 1998 às contas de 1995 e fosse promovida a citação dos responsáveis, inclusive a do Grupo OK. Portanto, o citado decisum não obrigou o responsável a pagar o débito, mas ensejou a que o interessado exercesse o seu direito de defesa. Além do que, tal matéria já encontra-se superada, tendo em vista que o Plenário do STF, em 20/09/ 2000, indeferiu o referido mandado de segurança, consoante Decisão publicada no Diário da Justiça de 27/09/2000. 179. Por todas as razões expostas, inclusive pela nossa Secretaria Técnica, rejeito as alegações apresentadas no item B.4.4 supra. B.4.5. Argumento 05 (Os Problemas da Quantificação do Débito. Discrepâncias com outros Pareceres. Os Atos Protegidos pelo Manto Contratual) 180. O responsável afirma que “esta Corte não procedeu corretamente quando da quantificação do débito nestes autos, adotando posição em relação à qual há fundada controvérsia, à vista de outros abalizados posicionamentos, bem assim, encampou critério de avaliação de mui discutível juridicidade, porquanto desprezou toda a lógica contratual que permeia o objeto em discussão, a partir da qual os atos eventualmente inquinados deveriam ser analisados, tendo em vista os princípios mais basilares de Direito.” 181. A fim de fundamentar tal assertiva, expõe os seguintes argumentos: - “existem inúmeros pareceres a respeito da execução da obra referente ao Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região, que vão desde as medições feitas pelo engenheiro responsável pela obra, até o trabalho de inspeção produzido por esta Corte, passando por escritórios insuspeitos nesse mister, como é o caso da L. A. Falcão Bauer, e da perita designada pelo Ministério Público Federal de São Paulo, além de outros – nenhum desses pareceres é taxativamente convergente; - “ (...) assim, não nos parece razoável nem justo fundar-se em apenas um procedimento, à vista de tantos outros. Cabe lembrar, apenas à guisa de exemplo, que a Falcão Bauer chegou a considerar que a execução da obra em tela alcançou o percentual de 75,04%. Mesmo uma outra competente Equipe desse Tribunal, lotada

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na Secretaria de Controle Externo de São Paulo, anteriormente, entendeu que cerca de 65% da obra havia sido executada”; - “ (...) discrepa desse entendimento, a Equipe que realizou o último trabalho de auditoria, aduzindo que os conceitos e as metodologias anteriormente usadas estavam equivocados”; - usou-se uma maneira pouco usual para a quantificação do aludido débito – a Equipe desconsiderou todos os aspectos legais, jurídicos, econômicos e financeiros, que naturalmente gravitam em torno de todo contrato, e, de forma mais marcante, do contrato administrativo; - em se tratando de obra executada tendo por base um contrato administrativo “são inúmeras as variáveis aí incluídas, previstas inclusive legalmente, desde o reajuste de preços, considerando inclusive que a obra alcançou um razoável período inflacionário, até os tão comuns desequilíbrios da equação econômico-financeira, entre muitos outros” - a quantificação do débito deveria ter sido feita pela perspectiva contratual considerando que os atos que impulsionaram a obra em comento estavam, em princípio, sob o manto contratual, e até que se tenham definitivamente como ilícitos, deveriam ter sido preservados, conforme o princípio básico que rege todos os contratos, qual seja, pacta sunt servanda; - o prazo prescricional para se atacar as relações travadas na Administração Pública é de cinco anos contados a partir do momento em que os atos são praticados, de acordo com o art. 54 da Lei nº 9.784/99. B.4.5.1. Análise da SECEX/SP 182. A SECEX/SP refuta as alegações apresentadas da forma como se segue: - os argumentos trazidos pelo responsável mostram-se vagos e imprecisos, pois ao afirmar que a Equipe desconsiderou todos os aspectos legais, jurídicos, econômicos e financeiros, que naturalmente gravitam em torno do contrato, sequer especifica quais foram esses aspectos. Alega que inúmeras variáveis deveriam ter sido levadas em consideração em se tratando de obra executada tendo por base contrato administrativo, contudo, sequer especifica que variáveis se aplicariam ao caso concreto e que não teriam sido consideradas; - o último procedimento adotado por este Tribunal para a quantificação do débito atualmente imputado aos responsáveis por irregularidades na obra de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo encontra-se exaustivamente justificado no Relatório do Ministro-Relator que acompanha a Decisão nº 469/1999-TCUPlenário. 183. Quanto à alegação de que o débito deveria ter sido quantificado utilizandose a “perspectiva contratual” e que não parece razoável nem justo fundar-se em apenas um procedimento, à vista de tantos outros, a SECEX/SP rejeita tal alegação, apresentando uma síntese dos principais pontos constantes do Relatório que acompanha a Decisão nº 469/1999-TCU-Plenário, da seguinte forma: - dentre as irregularidades constantes do processo licitatório foi mencionada a inexistência de projeto básico claro e completo e de projeto executivo, tendo em
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vista que os projetos a que a Equipe de Inspeção teve acesso não podem ser considerados como tal; - apesar de o TCU haver determinado ao TRT-SP, em maio de 1996, “...a efetivação de medidas com vistas ao prosseguimento da respectiva obra em obediência rigorosa às normas e preceitos contidos no atual Estatuto de Licitações e Contratos (Lei nº 8.666/93)”, consoante a Decisão nº 231/96-TCU-Plenário, em nenhum momento aquele Tribunal obteve junto à contratada a planilha orçamentária da obra, assim como um cronograma físico-financeiro elaborado a partir de tal planilha, como é, de fato, usual e também exigido pela lei em contratos de obra; - de acordo com o laudo da perita requisitada pelo Ministério Público Federal (MPF/SP) para averiguação da referida obra, a Pini Sistemas Ltda., empresa tradicional na área de custos de obras e contratada pela Incal para a elaboração do orçamento, apresentou diversas planilhas com datas-base distintas, sendo que a última delas (de dezembro de 1997) foi submetida a criteriosa análise por parte daquela especialista; - a verificação de diversas irregularidades nas referidas planilhas, levou a especialista a concluir que em vista das dúvidas e discrepâncias encontradas nos orçamentos apresentados pela Incal Incorporações S.A ., ficou claro que os mesmos não representavam a realidade fática da obra e, por esse motivo, o orçamento do empreendimento contratado deveria ser revisado, quantificado e especificado com maior objetividade e clareza,ou seja, não foi um trabalho conclusivo, mas um indicativo das falhas observadas; - foi verificado, posteriormente, que o orçamento em questão não era da Pini Sistemas, mas sim um orçamento elaborado pela Pini Sistemas nos moldes estabelecidos pela Incal. Tal fato tornou-se claro pelo depoimento prestado pelo Engenheiro Celso Ragazzi (Diretor de Engenharia da Pini) no MPF-SP, em março de 1998, quando afirmou que a Incal forneceu-lhe documentos que ensejaram a elaboração de um orçamento apenas parcialmente aberto; que a impossibilidade do esclarecimento completo dos custos da obra decorreu do fato de que não lhe foram apresentados os documentos necessários para tal finalidade e concluiu dizendo que realizou o seu trabalho nos moldes requeridos pelo seu cliente, a Incal Incorporações S.A., com as peculiaridades que lhe foram apresentadas; - a equipe de inspeção concluiu que não se tratava de uma planilha orçamentária tecnicamente bem elaborada e confiável, e que o eventual aproveitamento de dados contidos na mesma deveria se dar com extrema reserva; - em relação às peças técnicas concernentes a medições da obra elaboradas pelos Engs. Antônio Carlos da Gama e Silva e Gilberto Morand Paixão, foi demonstrado à saciedade pela equipe de inspeção que elas não eram confiáveis, considerando, a título de exemplificação, que foi atestado que 99,3% das instalações hidráulicas estavam executadas, quando não havia sequer lavatório, uma torneira ou um vaso sanitário instalado na obra, ou que 55,9% do forro de gesso encontrava-se executado, quando sequer foi iniciada sua instalação na obra;

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- não é possível quantificar o débito com a utilização apenas da “perspectiva contratual” como defende o responsável, uma vez que todas as peças técnicas exigidas pela Lei nº 8.666/93 (tais como projeto básico, projeto executivo, orçamento com planilhas detalhadas, medições físicas, além de outros), sob as quais se devem apoiar tanto o procedimento licitatório como a execução contratual, apresentam falhas e inconsistências graves, não se tratando, portanto, de material confiável; - a auditoria feita pela equipe da SECEX/SP em conjunto com a perita requisitada pelo MPF/SP, que concluiu que 64,15% da obra encontrava-se executada, tomou como referencial o próprio orçamento fornecido pela Incal, o qual não era merecedor de credibilidade, consoante depoimento do Diretor de Engenharia da Pini no MPF/SP; - a empresa Falcão Bauer, contratada pelo TRT-SP, ao proceder à medição e concluir que 75,04% da obra estavam executados, havia adotado também como referência a planilha fornecida pela Incal. Para a elaboração da planilha de percentuais financeiros, foram adotados os valores constantes do cronograma físico apresentado no parecer técnico do Eng. Gama. Ressalte-se que a própria Secretaria de Apoio Administrativo (SAA) do TRT avaliou o laudo técnico elaborado pela empresa e concluiu que deveria ser desconsiderada a totalização de 75,04% encontrada pela Falcão Bauer, pois apesar da absoluta confiabilidade do laudo quanto aos levantamentos de campo, contudo, ao partir de uma premissa incorreta, fornecida pela construtora, com relação aos pesos atribuídos às atividades, ficou comprometido o percentual financeiro total. A Equipe de Inspeção concordou com a conclusão da SAA/TRT, após o exame do relatório da Falcão Bauer e das memórias de cálculo fornecidas pela mesma; - considerando que as tentativas de quantificação de débito acima mencionadas estavam baseadas em premissa incorreta, a Equipe de Inspeção optou por realizar um levantamento in loco de tudo o que estava executado até o momento, possibilitando, assim, a identificação do valor preciso da edificação no estado em que se encontrava, chegando a novo valor do débito; - quanto à alegação de que em se tratando de obra executada tendo por base um contrato administrativo “são inúmeras as variáveis aí incluídas, previstas inclusive legalmente, desde reajuste de preços, considerando inclusive que a obra alcançou um razoável período inflacionário, até os tão comuns desequilíbrios da equação econômico-financeira, entre muitos outros”, tal alegação já foi refutada anteriormente no Voto do Ministro-Relator constante do Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário, havendo sido, nessa ocasião, tratada exaustivamente a matéria, abordando-se detalhadamente cada um dos fatos (inflação, dilatação do prazo contratual, criação de tributos, obrigatoriedade da retenção de contribuições federais e fatos imprevistos e imprevisíveis advindos da implantação do Plano Real) que poderia ter onerado a empresa contratada para justificar o aditamento do contrato a título de reequilíbrio econômico financeiro. Foi demonstrado didaticamente que não procedia essa alegação;

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Auditorias do TCU. Ano 4. Número 15. Brasília-DF. 2001

- no tocante à alegação de que o prazo prescricional para se atacar as relações travadas na Administração Pública é de cinco anos contados a partir do momento em que os atos são praticados, consoante o art. 54 da Lei nº 9.784/99, o responsável não mencionou a parte final do citado dispositivo que diz “salvo comprovada má-fé”. Considerando que o relatório final da CPI do Judiciário, na parte relativa à obra do TRT-SP, já concluiu pela ocorrência de má-fé na relação entre o particular contratante e a Administração Pública, culminando no processo de cassação do mandato de senador do Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto, e à vista do ajuizamento pelo Ministério Público Federal das ações cabíveis contra os responsáveis, em que figuram dentre os réus o ex-presidente do TRT, Sr. Nicolau dos Santos Neto, a empresa Incal, o Grupo OK, assim como seus respectivos representantes legais, o citado dispositivo não se subsume à hipótese do presente caso, sendo portanto despicienda. 184. A SECEX/SP, por todos os motivos expostos, refuta as alegações do item B.4.5 supra. B.4.5.2. Posicionamento do Relator 05 185. O responsável alega que a Equipe desconsiderou diversos aspectos, tais como legais, jurídicos, econômicos e financeiros, que envolvem todo contrato, assim como não observou inúmeras variáveis, que deveriam ser consideradas por se tratar de obra executada tendo por base contrato administrativo, todavia, sequer especificou quais foram esses aspectos ou mesmo as variáveis que deixaram de ser observadas. 186. Aduz o responsável que a quantificação do débito dever-se-ia calcular utilizando-se a “perspectiva contratual” e não com base em um único procedimento, contudo, ressalte-se que o último procedimento adotado por este Tribunal quanto à quantificação do débito encontra-se detalhado no Relatório que acompanha a Decisão nº 469/1999-TCU-Plenário, cujos principais pontos a SECEX/SP precisamente listou em sua análise constante do item B.4.5.1 precedente, rebatendo tal alegação. 187. Assim, quantificar o débito sob a “perspectiva contratual”, como argúi o responsável, é inexeqüível, considerando que as peças técnicas exigidas pela Lei nº 8.666/93 (tais como projeto básico, projeto executivo, medições físicas, dentre outras), que servem de base ao procedimento licitatório e à execução contratual, não são confiáveis, à vista das graves falhas verificadas. 188. A equipe da SECEX/SP ao realizar auditoria conjuntamente com a perita requisitada pelo MPF/SP, ao chegar à conclusão de que 64,15% da obra encontravamse executados, tomou como base o orçamento fornecido pela própria Incal, que carecia de confiabilidade, segundo o Diretor de Engenharia da Pini, na ocasião do seu depoimento no MPF/SP. E, ainda, a Falcão Bauer ao realizar a medição, concluindo que 75,04% da obra estavam executados, igualmente tomou como base a planilha fornecida pela Incal, sendo que na planilha de percentuais financeiros, foram utilizados os valores fornecidos pelo parecer técnico do Engenheiro Gama, nada confiáveis, conforme já exposto pela Unidade Técnica. Sublata causa tollitur effectus. 189. À vista das aludidas medições baseadas em premissa incorreta, a Equipe de Inspeção realizou levantamento in loco, de forma a verificar o preciso valor da construção no estado em que se encontrava, obtendo o novo valor do débito.
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ainda. considerando inclusive que a obra alcançou um razoável período inflacionário. parágrafo 3º. Por todas as razões expostas. ou seja. 1º. a meu ver. representada pelo Sr.4. por se aplicar ao caso ora em exame. Nemo auditur tempitudinem suam allegaras! 193. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. do citado dispositivo legal. destacando que o prazo prescricional para se atacarem as relações travadas na Administração Pública é de cinco anos contados a partir do momento em que os atos são praticados. o Relatório do Ministro-Relator deveria conter as conclusões da instrução. B. desde o reajuste de preços. no tocante à alegação do responsável de que em se tratando de obra executada tendo por base um contrato administrativo são inúmeras as variáveis aí incluídas. mediante a Decisão nº 591/2000. Ano 4. teve unicamente por base a provocação do MP/TCU. ficando demonstrado didaticamente a improcedência dessa alegação. ou outras 234 Auditorias do TCU. aceita pelo Plenário deste Tribunal. Número 15. A SECEX/SP refuta as alegações no seguinte sentido: . omitiu a parte mais importante. foi verificada mediante o relatório final da CPI do Judiciário. 2001 . 196. 54 da Lei nº 9. entre muitos. I da Lei Orgânica.190. salvo comprovada má-fé. quando tratou da obra do TRT-SP. decorrendo daí a cassação do mandato do Sr.784/99. 195. à vista do previsto no art. sem que a mesma tivesse sido analisada pela Unidade Técnica competente.443/92. inc. as atribuições do Ministério Público junto ao TCU são a de provocar o Relator do processo no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento. O responsável ao reportar-se ao art.4. por ter atuado como parte.de acordo com a Lei nº 8. a citação ou a audiência dos responsáveis. considerando que. de forma exaustiva e detalhando cada um dos fatos. Conclui que a citada Decisão encontra-se conspurcada no concernente à inclusão do Grupo OK nos autos. rejeito as alegações apresentadas no item B. Considerando que a má-fé por parte do Grupo OK. Análise da SECEX/SP 197. o que não ocorreu no presente caso. Acompanho a SECEX/SP.6.4.1. não corre o prazo prescricional previsto no aludido diploma legal. Aduz que a proposição de inclusão do Grupo OK nos autos. até os desequilíbrios da equação econômico-financeira. estando aí incluídos o Relatório da equipe de auditoria ou do técnico responsável pela análise do processo e o parecer das chefias imediatas da Unidade Técnica. conforme jurisprudência do STF. de que tal alegação já foi refutada no Voto do Ministro-Relator que acompanha o Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário.6. Luiz Estevão.5 supra. B. Luiz Estevão de Oliveira Neto. em virtude da presença da má-fé. Argumento 06 (Da Impossibilidade da Forma como interveio o Ministério Público) 194. 191. Brasília-DF. figurando. quando deveria limitar-se tão somente ao papel de fiscal da lei. O responsável alega que o Ministério Público junto ao TCU agiu com excesso de poder ao atribuir responsabilidade ao Grupo OK. 192. o Grupo OK e seu representante legal dentre os réus em ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal.

suas atribuições dentro dos limites legais. . qualquer infração ao art. I da Lei nº 8. ao provocar o Relator do processo a promover a citação do Grupo OK. inc. as medidas de interesse da Justiça. aos demais dispositivos legais quanto à defesa da ordem jurídica.consoante os artigos da Lei Orgânica supracitados. 11). ainda. sendo obrigatória sua audiência nos processos de tomada ou prestação de contas e nos concernentes aos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias.“parágrafo 3º Será parte essencial das decisões do Tribunal ou de suas Câmaras: I – o relatório do Ministro-Relator. A SECEX/SP. 2001 235 . 1º. requerendo.a afirmação de que o MP/TCU tenha atuado como parte.providências consideradas necessárias ao saneamento dos autos (art. inc. mas muito pelo contrário. . uma vez que o vocábulo “parte” implica a existência de uma demanda judicial e o que está sendo ora discutido refere-se à esfera administrativa. visto que há expressa disposição que autoriza o MP/TCU a adotar tal procedimento (art.443/92. verbalmente ou por escrito. in verbis: . . 1º. . ante as razões expostas. 81. Auditorias do TCU. II). determinando-se sua citação. da Administração e do Erário (art.o art. I da Lei nº 8. e do Ministério Público junto ao Tribunal”. comparecer às sessões do Tribunal e dizer de direito. não integrante do Ministério Público da União. requerendo. parágrafo 3º. cumprindo. I). reformas e pensões (art. Número 15.443/92 dispõe. 81. .não houve.6 supra. inc. Ano 4. inc. quando deveria restringir-se tão somente ao papel de fiscal da lei não se aplica ao caso presente. de que constarão as conclusões da instrução (do Relatório da equipe de auditoria ou do técnico responsável pela análise do processo. assim como à obrigatória audiência nos processos de tomada ou prestação de contas (art. promover a defesa da ordem jurídica. sem qualquer excesso. em todos os assuntos sujeitos à decisão do Tribunal.não há nenhum impeditivo na Lei Orgânica que obste o MP/TCU de provocar o Relator do processo no sentido de se proceder à inclusão de responsável. parágrafo 3º. verifica-se que o Relatório do MinistroRelator contém em seu bojo as conclusões da instrução e do MP/TCU. o MP/TCU. considerando não lhe ser conferida tal competência e que se trata sim de um órgão de vinculação administrativa com o TCU.da análise do teor da citada Decisão. atendendo.4. perante o Tribunal de Contas da União as medidas de interesse da Justiça. assim. inc. a SECEX/SP expõe as seguintes considerações: . em virtude da falta de análise da matéria por parte da Unidade Técnica competente. 11). perante o Tribunal de Contas da União. inc. I). bem como do parecer das chefias imediatas da Unidade Técnica). Quanto à alegação de que a Decisão nº 591/2000 encontra-se conspurcada no concernente à inclusão do Grupo OK nos autos. atuou perfeitamente dentro de suas atribuições (art. 198. II). 199. 81. Ressalte-se que o MP/ TCU nunca atua como parte numa relação jurídica processual. a Administração e do Erário (art. Brasília-DF. 81. desse modo. 11). não acata as alegações do responsável apresentadas no item B.

Brasília-DF. o Ministério Público junto ao TCU.4.promover a defesa da ordem jurídica. sem qualquer força vinculante. Ano 4. É sempre uma postulação ou uma proposta que é feita ao órgão judicante junto ao qual atua. utilizando-se da prerrogativa prevista no art. São suas atribuições: I . A doutrina do Ministério Público que durante 17 (dezessete) anos absorvi.promover junto à Advocacia-Geral da União ou. 207. Daí a sua natureza de órgão do Poder Executivo com exercício junto ao Poder Judiciário. 203. reformas e pensões. como na curadoria de ausentes. II . Lei 8. remetendo-lhes a documentação e instruções necessárias. requerendo. sem falar na ação civil pública em que surge como Autor.B. não havendo qualquer excesso. da Administração e do Erário. 209. 201. 2001 .interpor os recursos permitidos em lei. visto que provocou o Relator do processo a promover a citação do Grupo OK. mas não tem força deliberativa. Daí que a virtude da ???????? os gregos tanto apreciavam dava ser o apomágio dos integrantes desse órgão defensor de interesses impessoais. cumprindo as suas atribuições dentro dos limites previstos em lei. julgo oportuno tecer algumas breves considerações.comparecer às sessões do Tribunal e dizer de direito. promoveu a defesa da ordem jurídica. Unânime é também a doutrina no sentido de considerá-lo “parte” no processo penal. defensor dos interesses impessoais da coletividade. verbalmente ou por escrito. sendo obrigatória sua audiência nos processos de tomada ou prestação de contas e nos concernentes aos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias. desempenhou o seu papel. as medidas previstas no inciso II do art. Posicionamento do Relator 06 200. 61 desta Lei.6. Sua competência encontra-se elencada no artigo 81 da Lei Orgânica do TCU. conforme o caso. da Administração e do Erário e atendeu à obrigatória audiência nos processos de tomada ou prestação de contas.2. 11. 206. Assim sendo. de 16/07/92. em todos os assuntos sujeitos à decisão do Tribunal. 28 e no art. 236 Auditorias do TCU. III . IV . 204. No que concerne ao processo administrativo. No que se refere ao processo cível são múltiplas as atividades desse órgão e vão desde o de mero fiscal até o de substituto processual. 205. requerendo perante este Tribunal as medidas de interesse da Justiça. 208. é pacífica no sentido de considerálo custos legis. 202. Sua presença sempre opinativa ou postulativa faz-se importante no desenvolvimento do processo.443. perante os dirigentes das entidades jurisdicionadas do Tribunal de Contas da União. Número 15. No que concerne à intervenção do Ministério Público que os doutos patronos dos responsáveis invectivam. perante o Tribunal de Contas da União as medidas de interesse da Justiça. sua atuação é também meramente opinativa. enquanto militava nesse setor da atividade jurídica.

estatui.4. entende-se que o competente arquivamento no Registro do Comércio é de natureza essencial e constitutiva desse tipo de ato. para que estes se aperfeiçoem e passem a existir legalmente. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. entre os formalismos legais que (1) “a propriedade das ações nominativas. Brasília-DF. O princípio é rígido. portanto. Auditorias do TCU. presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de Registro das Ações Nominativas” e (2) “a transferência das ações nominativas opera-se por termo lavrado no livro de Transferências de Ações Nominativas”. portanto. “A transferência somente se opera pelo termo lavrado no livro competente da companhia.. com base na qual essa Corte citou o Grupo OK) 211. o responsável apresentou a seguinte fundamentação: . prova pífia e sem valor à luz dos comandos legais.as sociedades anônimas estão sujeitas ao cumprimento do princípio da publicidade. B. por sua vez. não se revestindo das formalidades previstas no art.o art. Ano 4. os de compra e venda. o ato que deixar de obedecer esse rito especial” – Modesto Carvalhosa in Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. assim. presunção essa que somente se destruirá após decisão judicial. Dessarte.210. de forma que aquele possa ter eficácia. haja vista que o instrumento de compra e venda de ações não constava devidamente registrado nos livros comerciais da empresa nem na Junta Comercial competente.. O responsável alega a deficiência da matéria probante nos autos.7. rejeito as alegações apresentadas no item B. os mesmos não comprovam que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal. não valendo.. ou seja. constituindo. 94 a 98 da Lei das Sociedades Anônimas – cf. 31 e parágrafo primeiro da Lei nº 6.4. com base na qual este Tribunal procedeu à citação do Grupo OK. pág. Manual das Sociedades Anônimas de Waldírio Bulgarelli. consoante os arts. só é dada por ato de autoridade. que é aptidão para produzir efeitos jurídicos. . devendo.6 supra. pág.“presume-se que a pessoa cujo nome consta como proprietário das ações é o legítimo proprietário. O registro dá autenticidade ao documento. não procede a imprecação feita na defesa do responsável e. Argumento 07 (A Deficiência da matéria probante nos autos.” . inclusive.quanto ao conteúdo desses documentos. assim. e autenticidade.404/76. 369 do CPC.as Juntas Comerciais têm a incumbência de examinar se as prescrições legais foram observadas – dessa forma. 233. . . registrar seus atos.os documentos trazidos aos autos tratam de cópias de documentos particulares que não receberam a necessária autenticação. 2001 237 . . A fim de sustentar a segunda alegação supracitada. ou movimentação de ações na Junta Comercial. 212. 71. por todas as razões expostas. apresentando os seguintes argumentos: . assinado pelo vendedor e pelo comprador ou por seu representante legal e devidamente datado. o procedimento de transferência está escrito na lei. Número 15.

Vale dizer. o Grupo OK nunca deteve.A.” 213.7. qualquer menção ao Grupo OK.1. 89 e 130 do Código Civil.4. previstos nas legislações processuais. mediante a qual o Grupo OK renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S. a possível declaração de vontade. A SECEX/SP. que segundo Celso Antônio 238 Auditorias do TCU.1 Análise da SECEX/SP 215. sendo que o procedimento administrativo é regido por princípios que lhe são peculiares. qualquer parcela acionária da Empresa Incal. assim como quanto ao conteúdo desses documentos. 214. 34/117 do Anexo II. 2001 . em face da ausência de autenticação de documentos particulares (consoante exigido pelo art. com data de 21/02/1992. peremptoriamente. à vista do comando ínsito no art. 129 do mesmo Código e nem sequer enfeixou as formalidades básicas previstas na Lei das Sociedades Anônimas para ter algum efeito jurídico.A. sob o aspecto formal.por tudo o que se vê. tendo em vista que somente os documentos devidamente autenticados na Junta Comercial possuem valor jurídico. Aduz o responsável que.7. sendo que nesses documentos juridicamente válidos não se encontra qualquer referência à participação do Grupo OK no quadro societário da Incal Incorporações S. com incomensurável valor probante.A. estes.publicações no Diário do Comércio e no Diário Oficial do Estado de São Paulo comunicando o extravio do livro “Transferência de Ações Nominativas” da Incal Incorporações S. próprio dos processos da justiça.. devidamente listados pela SECEX/SP às f. Ano 4. possui.4.Deficiência da matéria probante – falta de autenticação de documentos particulares 216. B. todas e várias. de nenhuma forma.1. devem os mesmos ser considerados no presente exame e não os que constam dos autos. não tendo validade – ex vi os arts. Brasília-DF. O responsável encaminhou na sua defesa os documentos de fls. foram devidamente registradas na Junta Comercial e nesses assentamentos. por meio da qual este Tribunal citou o Grupo OK. Número 15. destacando-se os seguintes: . em vista de não comprovarem que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal. sim. não constam. tal como o princípio da verdade material. a Unidade Técnica divide a sua análise nos tópicos a seguir: B. 369 do CPC).150/151 do volume 39. que a Monteiro de Barros Investimentos S. A SECEX/SP esclarece que os processos que tramitam nesta Corte de Contas.A. cujas provas ali produzidas têm por base rígidos procedimentos. . as Assembléias de Acionistas da Empresa Incal. não estão presos ao rigoroso formalismo procedimental. o pretenso documento em que se pautou essa Corte deixou de se revestir de especial formalidade determinada em lei. ao considerar que o responsável limitou a sua defesa à tentativa de demonstrar a deficiência da matéria probante nos autos. bem assim. por pertencerem à esfera administrativa. em momento algum. . De forma didática.cópia da carta. não se aperfeiçoou.até a presente data. em face de que o instrumento de compra e venda de ações não constava devidamente registrado nos livros comerciais da empresa e nem na Junta Comercial competente.

Sr. 219. Brasília-DF. ainda. José Ricardo Meirelles. A SECEX/SP descreve inicialmente a documentação encaminhada pela Procuradoria Geral da República ao Ministério Público junto ao TCU. detendo 90% (noventa por cento) de suas ações. ProcuradorGeral da República para as providências cabíveis. Luiz Estevão de Oliveira Neto e que o próprio Procurador-Geral da República. independentemente do que a parte ou as partes tenha trazido aos autos. além de se proceder mediante transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK. in Curso de Direito Administrativo. Sr. configuravase também pelo fato de o citado parlamentar ter sido o maior acionista da empresa Incal Incorporações S/A. o qual deve orientar os procedimentos deste Tribunal. a Secretaria Técnica rejeita a alegação apresentada pelo responsável quanto a essa questão.Bandeira de Mello. B. como se segue: a) Ofício do Exmº. encaminhado ao Procurador-Geral do MP/TCU.o Sr. anexada aos autos. b) Expediente com data de 24/05/2000. a SECEX/SP conclui ser desnecessária e irrelevante a autenticação dos aludidos documentos. a Administração deve buscar sempre a verdade substancial. à qual estavam destinados vultosos recursos públicos federais. do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo. com as seguintes informações: . em razão do seu envolvimento nos fatos delituosos relativos à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. sendo que. Ante o exposto. Procurador-Geral da República (ofício PGR/GAB/Nº 378.2. afirmou que a existência do relacionamento entre o Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. em vista do dever administrativo de realizar o interesse público.1. do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo. consiste em que. 217. de 08/06/2000. solicitando à Justiça Federal o envio de documentos apreendidos na ocasião da prisão de Fábio Monteiro de Barros ao Exmº. 2001 239 . à vista do princípio da verdade material. mediante o Ofício PGR/GAB/Nº 378. Geraldo Brindeiro. no procedimento administrativo. do Procurador da República. o Sr. Nesse sentido. sócio minoritário da empresa INCAL Incorporações S/A encontra-se preso em São Paulo por determinação do Juízo da 1ª Vara Federal Criminal. Ressalta. Deficiência da matéria probante – ausência de comprovação de que o Grupo OK tenha figurado como sócio da empresa Incal 220. 218. Exmº. fato este que revela a sua efetiva participação no esquema criminoso que ensejou o desvio de vultosos recursos públicos federais destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Ano 4.4. que ajuizou ação em que são réus as empresas do Grupo OK e seu representante. documentos esses que possuem Auditorias do TCU. Exmº. Número 15. o importante é o conteúdo das informações fornecidas pelo Ministério Público Federal. encaminhando cópia da documentação remetida a essa Procuradoria por juiz da 1ª Vara Federal Criminal. Sr.7. Fabio Monteiro de Barros Filho. DE 08/06/2000). a Unidade Técnica que as cópias dos documentos são oriundos do Ministério Público Federal.

Carta 3 – 21/02/1992 – Grupo OK renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S/A que a Monteiro de Barros Investimentos possui.Declara que a Incal Incorporações S/A poderá ser responsável. presentes nos autos. considerando o teor do Ofício PGR/GAB/Nº 378. . ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A. a SECEX/SP verifica que os documentos registrados na Junta Comercial. pela construção do prédio do TRT. a Secretaria Técnica discorre que não se poderia acatar como verídicas as alegações do responsável apenas com base na documentação apresentada na sua defesa. Todavia. assim como a descrição de seu conteúdo pelo MPF/SP. Sr. 240 Auditorias do TCU. encaminhando os aludidos documentos ao Exmº. Brasília-DF. Exmº.relação direta com os fatos que estão sendo investigados pelo último. 2001 . . detendo 90% (noventa por cento) de suas ações. 221. c) Expediente do juiz da 1ª Vara Federal Criminal. d) Relação dos citados documentos.Contrato 4 – 21/02/1992 – Monteiro de Barros Investimentos S/A: . e que envolvem pessoa com prerrogativa de foro criminal por exercer cargo político relevante. Geraldo Brindeiro afirma que a existência do relacionamento entre o Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo não apenas se dava no âmbito de transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK..A. 223. . do Júri e das Execuções Penais da 1ª Subseção de São Paulo. 222. que corresponde a 100% do capital total. 151/157 do volume 39. No tocante aos documentos apresentados na sua defesa que se referem aos atos de constituição e de alterações do quadro societário e do capital social da empresa Incal Incorporações S. Ano 4.A. informação esta baseada na análise dos documentos fornecidos e examinados pelo MPF/SP. Número 15.Declara que possui 100% das ações ordinárias da Incal Incorporações S/A. objeto da concorrência 01/92 em curso. que tratam da questão em tela e que foram publicados na íntegra no Diário do Senado Federal e que se encontram às f. Dentre esses documentos. a Unidade Técnica trouxe excertos dos discursos proferidos pelo ex-Senador Luiz Estevão (publicados nos dias 30/05/ 2000 e 31/05/2000). em função da aquisição da Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. A fim de subsidiar a presente análise. não noticiam a participação do Grupo OK no quadro societário da Incal Incorporações S. 08/06/2000.Vende 900 ações ordinárias que possui na Incal Incorporações S/A. destacam-se os seguintes: . em que o próprio Procurador-Geral da República. como também pelo fato de o citado parlamentar ter sido o maior acionista da empresa Incal Incorporações S/A.O Termo de transferência nº 3 confirma a transferência. Procurador-Geral da República. como empreendedora e incorporadora. . caso a empresa concorrente Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda seja considerada vencedora.

ter encontrado uma carta de sua autoria. conforme o previsto no art. Número 15. por não ter sido o contrato registrado na Junta Comercial nem no livro de transferência de ações da Incal Incorporações. considerando configurar-se prova de que nunca fora sócio da construtora Incal. a SECEX/SP apresenta um breve relato das informações adicionais que obteve a respeito da questão e a sua análise: . que não possui o registro da aludida transação. o ex-Senador afirma que a referida transação não teve valor jurídico. menciona o fato de que o Ministério Público detém. À vista dos excertos dos discursos proferidos pelo ex-Senador Luiz Estevão. Contudo. 2001 241 .A. portanto. como afirma o ex-Senador. Brasília-DF. uma fotocópia não autenticada de um registro desse contrato num Livro de Transferência de Ações. formalizando a sua renúncia ao direito de preferência na aquisição das ações que a Monteiro de Barros possui na Incal Incorporações S. Auditorias do TCU. mas sim da Monteiro de Barros Investimentos S/A.Informação: em 21/02/1992. consoante a documentação fornecida e analisada pelo MPF/SP (Contrato nº 4 de 21/02/1992 e o Termo de Transferência nº 3). não mencionou esse fato na presente alegação de defesa. com base no exame dos documentos fornecidos e analisados pelo MPF/SP. de 29/12/93. é que se deve atribuir valor jurídico por estar autenticado na Junta Comercial. mais adiante. Contudo.Informação: o ex-Senador afirma. A Secretaria Técnica expõe que. já que a mesma não chegou a se convalidar. 225. 226. afirma que o mesmo foi anulado e posteriormente extraviado. que detinha 90% das ações da incal Incorporações repassou e vendeu essas ações para o Grupo OK. Discorre que o novo livro que substituiu o anterior não possui o registro da referida transação. Ano 4. A SECEX/SP entende que está confirmada a aquisição de ações da Incal Incorporações pelo Grupo OK. à época da licitação para contratação da empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. . como confirma o ex-Senador sobre a existência de documento que registrou essa transação. . em seu discurso. § 1º da Lei nº 6. ou melhor. tal fato por si só já teria produzido efeitos jurídicos.224. apesar de o responsável haver apresentado o comprovante do extravio do citado livro na documentação anexa.Informação: a princípio. uma divergência de informações. o Grupo OK ter-se-ia tornado proprietário de 90% das ações da Incal Incorporações. o responsável afirma que ao novo livro. Há. contudo. Tal informação possivelmente esclarece o motivo da contradição existente entre as alegações do responsável e a informação trazida pelo Exmº. na hipótese de a transferência de ações da Incal Incorporações para o Grupo OK ter sido registrada no primeiro livro.. O ex-Senador admite a possibilidade de que a operação tenha sido registrada nesse livro. conclui que o Grupo OK adquiriu as ações não da Incal Alumínio. a Incal Alumínio. 31.404/76. não se podendo negar de modo taxativo que a transação tivesse produzido efeitos no mundo jurídico. Procurador-Geral da República. fato este publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo. além do mencionado contrato. possibilitando concluir que a cópia do Termo de Transferência nº 3 poderia ter sido extraída do Livro de Transferência de Ações Nominativas extraviado.

identificou que as empresas do Grupo Monteiro de Barros haviam efetuado depósitos de aproximadamente US$ 46 milhões a favor das empresas do Grupo OK. A SECEX/SP entende que a referida carta apenas reafirma a propriedade das ações pelo Grupo OK.1.7. que uma de suas empresas perdeu e não cuidou efetivamente de anular. entre o Representado e a Construtora 242 Auditorias do TCU. os fatos apurados pela CPI do Judiciário revelaram indícios veementes do envolvimento do Representado no esquema fraudulento da construção do TRT de S. Esses indícios se sucederam desde a licitação eivada de irregularidades. já senador eleito. Relator do processo. até sua interferência.227. foragido da Justiça. o ex-Senador estaria renunciando ao direito de comprar as ações remanescentes de propriedade da Monteiro de Barros Investimentos S. A CPI. o relacionamento do Grupo OK com as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo foi evidenciado pela descoberta de ligações telefônicas do juiz Nicolau dos Santos Neto para o Senador Luiz Estevão. ainda. nos autos. B.404/76. por sua vez. A CPI concluiu pela responsabilidade do Grupo OK. o primeiro. elevada dose de cinismo.4. Número 15. 229. em favor da manutenção de recursos destinados àquela obra. como pode ilustrar alguns excertos do Voto do Relator. Nesse sentido. junto a um dos relatores adjuntos da Comissão mista de Orçamento. o motivo da cassação do mandato do Senador Luiz Estevão tem relação direta com os acontecimentos apontados pela CPI do Judiciário. envolvendo o relacionamento entre os grupos OK e Monteiro de Barros no tocante às irregularidades apuradas na construção da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. ao contrário. acatou a denúncia e ajuizou as ações pertinentes. visto que o exercício do direito de preferência é faculdade própria de quem é acionista. em conluio com o juiz Nicolau dos Santos e o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho. para se informar de processo referente à construção (leia-se declaração. que.A. como se deduz do exame dos arts. De acordo com o parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. pelos seus contatos telefônicos com o juiz Nicolau dos Santos. 228. Brasília-DF. Ano 4. 2001 . Segundo o Relatório Final da CPI.A. desde o início. Paulo. b) Cassação do mandato do Senador Luiz Estevão mediante deliberação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na Sessão de 14/06/2000 – parecer do Conselho. e o segundo. 230. pela abordagem de um membro do TCU.3. do Ministro Adhemar Ghisi). elaborado pelo Senador Jefferson Peres. ora recolhido à prisão. foram identificadas diversas relações entre o Grupo Monteiro de Barros e o Grupo OK. E. levaria alguém a duvidar que existiu. Outros fatos que indicam a relação do Grupo OK com a Incal Incorporações S. ao final das investigações. no momento. representada pela pessoa do Senador Luiz Estevão e encaminhou as suas conclusões ao Ministério Público. nos danos causados ao erário a) Relatório Final da CPI do Judiciário (publicado no Diário do Senado Federal – suplemento de 10/12/99). passando pelos negócios nebulosos do seu grupo empresarial com a construtora. in verbis: “ No caso ora em apreciação. Somente excesso de ingenuidade ou. 171 e 172 da Lei º 6.

por último. quando na realidade as adquiriu da Monteiro de Barros Investimentos S.. Luiz Estevão de Oliveira Neto. levando-se em conta o conjunto das informações pertinentes ao ponto questionado 235. no bojo de uma Ação Civil Pública em tramitação no Fórum de São Paulo. Consoante o mencionado artigo.A. visando afastar o relacionamento do Grupo OK com a empresa Incal. Brasília-DF. no caderno de política. no momento. o Ex-Senador Luiz Estevão. que trata da questão da responsabilidade do Grupo OK e do seu representante. Por meio do confronto entre as informações trazidas aos autos pelo responsável e os discursos proferidos pelo mesmo no Senado Federal. assim como a pessoa do Sr. por força de decisão judicial que decretou a indisponibilidade de seus bens. figurando entre os réus as diversas empresas do Grupo OK. contudo não nega a possibilidade de a transação ter sido registrada no livro extraviado (caso em que teria produzido efeitos jurídicos). Destaque-se aqui recente notícia. Auditorias do TCU.05 milhão.Incal. Número 15. Análise da defesa apresentada pelo responsável. Vale assinalar.4.7. 232. veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.05 milhão para Nicolau”. b) alega que a compra dessas ações pelo Grupo OK não teve valor jurídico pelo fato de não estar registrado no atual Livro de Transferência de Ações Nominativas. B. apresentam-se as seguintes inconsistências e contradições: a) parte do pressuposto de que o Grupo OK adquiriu ações da Incal Alumínio. Ano 4. uma sociedade de fato. em razão dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as suas empresas. bem como promovendo o rastreamento das contas de Luiz Estevão.4.1. que o Representado. em acórdão unânime. de 15 de novembro de 2000. em conluio com os representantes do Grupo Monteiro de Barros. período coincidente com a liberação pelo TRT do maior número de repasses para a Incal por determinação do próprio Nicolau. em 1994. para beneficiar-se do comprovado superfaturamento da construção. o senador cassado Luiz Estevão teria enviado para a conta do juiz Nicolau dos Santos Neto na Suíça. tendo como objeto os danos causados ao patrimônio público. O pedido de liminar no tocante à decretação da indisponibilidade de bens dos réus foi preliminarmente deferido e mantido em segunda instância por meio da decisão proferida em 31 de outubro último pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. clandestina. Foi ajuizada ação civil pública com pedido liminar pelo Ministério Público Federal que tramita na 12ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo. tem o seu patrimônio pessoal e de suas empresas bloqueado. tendo como título “Estevão enviou US$ 1. 234. d) Notícias veiculadas pela imprensa 233.” c) Atuação do Ministério Público Federal 231. 2001 243 . US$ 1. Essa informação foi fornecida pelo Departamento de Justiça norte-americano que está auxiliando o governo brasileiro a investigar sobre o destino dos recursos desviados da obra.

enviado pelo Procurador-Geral da República. Em suma. considerando que não estão autenticados e não comprovam que o Grupo OK figurou como sócio da empresa Incal. B. O responsável alega a deficiência dos elementos probantes nos autos. à vista de documento que trata da renúncia ao direito de preferência na aquisição das ações que a Monteiro de Barros possui na Incal Incorporações S. a Administração deve buscar a verdade substancial a fim de realizar o interesse público. Posicionamento do Relator 07 239.7 supra. A alegação quanto à questão da deficiência do valor jurídico dos documentos acostados aos autos concernentes à participação acionária do Grupo OK na Incal Incorporações mostra-se pouco relevante em comparação à existência de vários outros elementos de maior envergadura e de conhecimento público. Nesse sentido. bem como nas notícias veiculadas pela imprensa. ressalte-se que os documentos. todos os elementos retromencionados. cujo valor probante o responsável questiona são provenientes do Ministério Público Federal. no processo de cassação do mandato do Senador Luiz Estevão. vêm reforçar e sustentar a inclusão da responsabilidade do Grupo OK no âmbito do procedimento administrativo conduzido por este Tribunal. independentemente do que as partes aportem aos autos.A. não estão adstritos a rigoroso formalismo procedimental. consistentes no Relatório Final da CPI do Judiciário. encaminhando os referidos documentos. reforçaria a sua qualidade de acionista daquela empresa. 237. Número 15.. o qual ajuizou ação contra o Grupo OK e seu representante legal. com a obtenção de êxito na decretação da indisponibilidade dos bens dos mesmos inclusive em segunda instância. Segundo este princípio. Exmº. observando sim determinados princípios administrativos. O Ofício PGR/GAB/Nº 378. 244 Auditorias do TCU. os processos que tramitam neste Tribunal por pertencerem à esfera administrativa.A. 238. informa que a existência do relacionamento entre o Senador Luiz Estevão e a empresa responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo não se limita às transferências de recursos daquela construtora pertencente ao Grupo Monteiro de Barros para empresas do Grupo OK. refuta as alegações do item B. Sr. pelo contrário.4. tal como o princípio da verdade material. estabelecendo a vinculação do responsável com o ex-presidente do TRT-SP.7. ante todas as razões expostas. Como bem expôs a SECEX/SP. Geraldo Brindeiro ao Procurador-Geral do MP/TCU. A SECEX/SP. 240. que permitem concluir a relação do Grupo OK com a Incal Incorporações S. a que estão sujeitos os processos da justiça.4. 2001 . na atuação do Ministério Público Federal que ajuizou ação civil pública em face das empresas do Grupo OK e seus representantes. 236. quanto aos danos causados ao patrimônio público em razão dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Luiz Estevão de Oliveira Neto.c) afirma nunca ter sido sócio da Incal. Brasília-DF. Ano 4.2. com base nos quais esta Corte de Contas citou o Grupo OK. o Sr. quando esse documento. de 08/06/2000. 241. uma vez que o instrumento de compra e venda de ações não se encontra registrado nos livros comerciais da empresa nem na Junta Comercial competente.

havendo sido o extravio do livro publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo. 243. 2001 245 .mas também pelo fato de ter sido o referido parlamentar o maior acionista da empresa Incal. Acompanho o entendimento da SECEX/SP no sentido de que se a transferência de ações da Incal Incorporações para o Grupo OK foi registrada no primeiro livro. conforme consta da documentação fornecida pelo MPF/SP. 245. em momento seguinte. Não obstante o ex-Senador afirmar que a aludida transação não teve valor jurídico em virtude de o contrato não haver sido registrado na Junta Comercial nem no livro de transferência de ações da Incal Incorporações. afirma que o mesmo foi anulado e posteriormente extraviado. mas sim da Monteiro de Barros Investimentos S/A. 31. como afirmou o ex-Senador. detendo 90% (noventa por cento) de suas ações. contudo. O confronto do conteúdo do discurso do ex-Senador com a documentação fornecida pelo MPF/SP leva-nos a concluir que a cópia do Termo de Transferência nº 3. A acareação realizada pela SECEX/SP entre o conteúdo dos discursos proferidos pelo ex-Senador Luiz Estevão (publicados no Diário do Senado Federal) e as informações adicionais obtidas pela Secretaria Técnica a respeito do relacionamento entre o Grupo OK e a empresa Incal. Dentre a documentação encaminhada pela Procuradoria Geral da República ao Ministério Público junto ao TCU. Ano 4. Todavia. admitindo a possibilidade de que a operação tenha sido registrada nesse livro. 247. Aduz que o novo livro que substituiu o anterior não contém o registro da referida transação. em vista de o ex-Senador ter confirmado a existência de documento que registrou essa transação. 244. à vista do conteúdo das informações fornecidas pelo próprio Ministério Público Federal. menciona que o Ministério Público detém. registrando a transferência das ações da Incal Incorporações para o Grupo OK. 246.404/76. o Grupo OK adquiriu as referidas ações da Incal Incorporações não da Incal Alumínio. pelo princípio da verdade material. acima citada (Contrato nº 4 e o Termo de Transferência nº 3). torna-se irrelevante a autenticação dos documentos. de 29/12/93. por esta não ter chegado a se convalidar. que detinha 90% das ações da Incal Incorporações repassou e vendeu essas ações para o Grupo OK. uma fotocópia não autenticada de um registro desse contrato num Livro de Transferência de Ações. in verbis: Auditorias do TCU. O ex-Senador. em que o Grupo OK renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações da Incal Incorporações S/ A que a Monteiro de Barros Investimentos possui. de acordo com o que dispõe o art. § 1º. da Lei nº 6. tal fato já teria produzido efeitos no mundo jurídico. Brasília-DF. poderia ter sido extraída do supracitado Livro de Transferência de Ações que fora extraviado em dezembro de 1993. enseja a concluir que a Incal Alumínio. o Termo de Transferência nº 3 que confirma a transferência e a Carta 3. Assim sendo. destaca-se o Contrato 4. em que a Monteiro de Barros Investimentos S/A vende 900 ações ordinárias que possui na Incal Incorporações S/A ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A. 242. além do referido contrato. Número 15.

ter-se-ia o Grupo OK tornado proprietário de 90% das ações da Incal Incorporações. representante legal do Grupo Monteiro de Barros. tendo em vista que as empresas do Grupo Monteiro de Barros depositaram o montante aproximado de US$ 46 milhões de dólares. 251. compra de participação no empreendimento denominado Terminal Intermodal de Cargas Santo Antônio em Duque de Caxias/RJ. que alega como prova de nunca ter sido sócio da construtora Incal. observando-se ainda um elevado fluxo de ligações telefônicas entre os dois grupos. após ter sido questionado sobre a razão dessas transferências de recursos ao Grupo OK. entre 1991 e 1999. Brasília-DF. 254. 253. considerando que o exercício do direito de preferência é próprio de quem é acionista.. Ficou demonstrada à saciedade pelo Relatório da CPI a sociedade de fato estabelecida entre o Grupo OK e o Grupo Monteiro de Barros (fls. aquisição de fazenda localizada no município de Santa Terezinha/MT. 31 – A propriedade das ações nominativas presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de ‘Registro das Ações Nominativas’. 250. Ano 4. num total de 2. tais como a aquisição de um terreno localizado no Bairro do Morumbi em São Paulo/SP. 252.A. verificou-se a participação do Grupo OK quanto às ilegalidades ocorridas com as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. 246 Auditorias do TCU.” 248. 2001 . 171 e 172 da Lei nº 6. 194/283 do vol. a favor das empresas do Grupo OK. Apenas exemplificando. dos 76 meses. à vista dos arts. afirmou que era com base em negócios. entre 1992 a 1999. tão-somente reafirma a propriedade das ações pelo Grupo OK. O Sr. datado e assinado pelo cedente e pelo cessionário. mantida no DeltaBank em Miami e de titularidade do ex-Senador Luiz Estevão.“Art.404/ 76. mediante a qual renuncia ao direito de preferência na aquisição das ações que a Monteiro de Barros possui na Incal Incorporações S. A relação do Grupo OK com as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo foram verificadas também à vista das 59 ligações telefônicas realizadas pelo ex-Juiz Nicolau dos Santos Neto às empresas do Grupo OK e ainda mais 9 telefonemas diretamente para o ex-Senador. de propriedade do Grupo OK. na Suíça. 249. Dessa forma. e amortização de empréstimos concedidos pelo Banco OK ao Grupo Monteiro de Barros. sem razão justificada. § 1º . Mediante a CPI do Judiciário. ou seus legítimos representantes. A CPI constatou a extrema coincidência de que os períodos em que os recursos do TRT-SP eram repassados para o Grupo Monteiro de Barros eram os mesmos em que as empresas do referido Grupo transferiam recursos para as empresas do Grupo OK. de sua autoria. consoante bem destaca a SECEX/SP. Fábio Monteiro de Barros. o montante de US$1 milhão. 34). em 55 existe uma correspondência entre as liberações do TRT e as transferências ao Grupo OK.A transferência das ações nominativas opera-se por termo lavrado no livro de ‘Transferência de Ações Nominativas’.349. provenientes da conta LEO GREEN e JAMES TOWERS. As contas do ex-Juiz foram rastreadas e detectou-se que foi depositado em sua conta. Número 15. A carta a que se referiu o ex-Senador.

261. visando unicamente beneficiar-se do superfaturamento da construção. Destaque-se aqui depoimento prestado pelo Deputado João Fassarella ao Ministério Público Federal. ao examinar dados obtidos pela Receita Federal. envolvendo o relacionamento entre os Grupos OK e Monteiro de Barros. Por todas as razões expostas. leva-nos a concluir. pois haviam sido arquitetados tão-somente para justificar as volumosas e absurdas transferências de recursos ao Grupo OK. A conclusão a que chegou a CPI do Judiciário foi a de que as justificativas apresentadas para o relacionamento entre os Grupos OK e Monteiro de Barros não eram aceitáveis nem convincentes. relatando que o Sr. que fosse revisto o corte em relação à proposta da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo e que havia sido proposto por aquele Relator. analisados conjuntamente. em razão dos acontecimentos apontados pela CPI do Judiciário. a responsabilização do Grupo OK. por sua vez. uma sociedade de fato. representada pelo Senador Luiz Estevão e encaminhou as suas conclusões ao Ministério Público. imóveis” em que haviam sido escrituradas. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar deliberou pela cassação do mandato do Senador Luiz Estevão. 262.7 supra. participação em empreendimentos e reembolso de pagamentos de empréstimos não condiziam com a conta contábil “contrato de mútuo v. mesmo que se atribuísse algum efeito jurídico aos documentos Auditorias do TCU. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. 258. em conluio com o Grupo Monteiro de Barros. 2001 247 . havendo obtido êxito na decretação da indisponibilidade dos seus bens inclusive na segunda instância. 256. quanto às irregularidades verificadas na obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. no parecer exarado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Brasília-DF. Sr. glebas rurais. dirigiu-se diretamente àquele Parlamentar. clandestina. 263. Número 15. na Sessão de 14/06/2000. seria impossível a citação solidária do Grupo OK/ Impossibilidade da citação solidária do Grupo OK). como bem ressaltou o Senador Jefferson Peres. A CPI. Em momento seguinte. Luiz Estevão de Oliveira Neto. rejeito as alegações do item B. solicitando. 259.4. Essa diversidade de elementos. provenientes da realização de diligência nas empresas do Grupo OK. O Ministério Público Federal. de que houve. Propôs assim. no início de 1999. Luiz Estevão de Oliveira Neto. B. em razão dos danos causados ao patrimônio público em virtude do desvio de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.255. já ajuizou ação civil pública contra as empresas do Grupo OK e seu representante legal. O responsável discorre quanto à impossibilidade da citação solidária do Grupo OK. 260. concluiu que os fatos do recebimento pela venda de terrenos.4. desde o início entre o Grupo OK e a Construtora Incal. 257. que se encontrava no exercício da Relatoria da Área dos Poderes na Comissão de Orçamento. Argumento 08 (Mesmo que tivessem algum efeito jurídico os documentos apresentados. insistentemente.8. Ano 4. a CPI e o Ministério Público Federal demonstraram que os referidos negócios tratavam sim de uma grande farsa.

ou seja. Número 15. .” 266. 896 do Código Civil Brasileiro que dispõe sobre a não presunção da solidariedade. quer tenha sido provocada por gestores do órgão ou entidade sob a jurisdição do TCU ou por terceiros. uma vez que não há qualquer liame entre o Grupo OK e a empresa Incal. e considerando que a contratação da Incal ocorreu na vigência do Decreto-lei nº 199/67.o procedimento de imputação de responsabilidade por este Tribunal se dá baseado nos elementos presentes nos autos que evidenciam a ocorrência de irregularidades e/ou danos ao Erário. in verbis: “Desta maneira. consoante já exposto anteriormente. 12. 267. B.1. . a regra geral básica 248 Auditorias do TCU. consoante as regras do Direito Comercial. de o Grupo OK ter participação na empresa Incal jamais poderia ensejar citação solidária. em conluio com os representantes do Grupo Monteiro de Barros.443/92.4. Ano 4.443/92 não fizesse qualquer menção à questão da responsabilidade solidária. Reporta-se a um artigo do Prof. não há como se vislumbrar eventual prejuízo à execução dos contratos administrativos em face da simples alteração do tipo societário da contratada. da Lei 8. inc. tendo em vista normas e orientações dimanadas da doutrina e jurisprudência. Brasília-DF. Luiz Estevão de Oliveira Neto. representada pela pessoa do Sr. parágrafo 2º. Afirma ainda que a citação solidária obteve fundamento neste Tribunal a partir da edição da Lei nº 8. Acorre ao art. que não previa a possibilidade da citação solidária. assim como de terceiro que de qualquer forma haja concorrido para o cometimento do dano apurado. não haveria fundamento legal para tal procedimento quanto ao Grupo OK. I e 16. Considerando que o Grupo OK seja coligada da empresa Incal.443/92.apresentados. A SECEX/SP refuta as alegações como se segue: . em relação aos danos causados ao patrimônio público em razão dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as empresas desse grupo. 265. o Grupo OK foi citado com base no fato de essa empresa ter concorrido para o cometimento do dano. o fato. não compromete a identidade de cada sociedade. 264. A responsabilidade solidária. Alega que. uma vez que.está patente a responsabilidade do Grupo OK. pode-se dizer que a sociedade transformada é a própria pessoa jurídica contratada. 2001 . advém da prática de ato irregular do agente público.8. por ser cada uma delas personalidade inteiramente distinta e autônoma. em resposta à consulta pertinente à alteração societária de empresa contratada ou licitante. visto que esta decorre da lei ou da vontade das partes e aduz que houve flagrante presunção de solidariedade em relação ao presente caso. aplicar-se-ia ao caso em comento. Carlos Pinto Coelho Motta. por ter participação no seu capital superior a dez por cento. permanecendo imutável sua personalidade jurídica. publicado no Boletim de Licitações e Contratos. tal coligação não resulta em personalidade jurídica própria. e não por ter sido acionista majoritário da empresa Incal. Dessa forma. por si só. Análise da SECEX/SP 268.ainda que a Lei nº 8. de que tratam os arts.

1 e B.2 precedentes. assim. A par de todas as alegações e elementos de defesa apresentados pelo responsável. parágrafo 2º da Lei Orgânica do TCU tratam da responsabilidade solidária. mas sim o fato de ter concorrido para o desvio dos recursos públicos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. inclusive pela nossa Secretaria Técnica. Brasília-DF. não importa se o Grupo OK era acionista majoritário da empresa Incal. as volumosas transferências de recursos do Grupo Monteiro de Barros para as empresas do Grupo OK. sem razão justificada. refuta as alegações apresentadas no item B. o ajuizamento de ação civil pública pelo Ministério Público Federal contra as empresas do Grupo OK e seu representante. Número 15. Por todas as razões expostas. de titularidade do Sr. B. que dispõe. tais como o conteúdo do Relatório Final da CPI do Judiciário. não obstante os elementos trazidos aos autos pelo responsável.4. 1. já minuciosamente exposto nos itens precedentes. Em observância ao princípio da verdade material. I e 16.4. como contratante ou parte interessada na prática do mesmo ato. toda uma gama de informações e fatos relevantes foram analisados conjuntamente.4. A SECEX/SP. buscou-se por todos os meios possíveis obter a verdade substancial e. 12. 269. 276. rejeito as alegações apresentadas no item B.7.8 supra. desse modo. Luiz Estevão. Do exame conjugado dessas informações. e se tiver mais de um autor a ofensa. Nesse contexto. 274. na Suíça.8.4.prevista no art. demonstrando a sociedade de fato estabelecida entre o Grupo OK e o Grupo Monteiro de Barros.2. sendo.” 273.A. e por esta razão esta Corte de Contas determinou a sua citação solidária e ainda à luz do art. 1518 – Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado.518 do Código Civil Brasileiro. Os arts. de qualquer modo haja concorrido para o cometimento do dano apurado. inc.. pelos motivos expostos. Posicionamento do Relator 08 270. perfeitamente cabível a citação solidária do responsável.7. com a decretação da indisponibilidade dos seus bens.4. in verbis: “Art. resultante da prática de ato irregular do agente público e do terceiro que. o montante de US$ 1 milhão depositado na conta do ex-Juiz Nicolau dos Santos Neto. No concernente à alegação do responsável quanto ao questionamento do efeito jurídico dos documentos apresentados como prova de um relacionamento entre o Grupo OK e a Empresa Incal. entendo que tal matéria foi devidamente tratada nos itens B. 271. 1518 do Código Civil. Ano 4. Luiz Estevão Auditorias do TCU. provenientes da conta em Miami.8 supra. 272. por seu representante legal. Sr. 275. tenho a compreensão de que o mesmo não logrou êxito em sanear os questionamentos concernentes às irregularidades apuradas na obra da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. todos responderão solidariamente pela reparação. chega-se a uma única conclusão: a responsabilização solidária do Grupo OK Construções e Incorporações S. 2001 249 .

Como referido em outras oportunidades. mas que apenas apresentavam os percentuais de execução de serviços e a correspondente parcela financeira a liberar. Assim. contendo tabelas às quais se referia como cronogramas físico-financeiros. 281. consideravam-se como recursos alocados.03. Este é o ponto. alínea “f”. art. por conseqüência. 6º. porém tendo em vista o montante de recursos financeiros que a Contratada alegava terem sido alocados no empreendimento. qual seja. Ao contrário. Número 15.666/93. e. e pior. advirta-se. Comumente chamados de planilhas de medições. contando com orçamentos detalhados em planilhas. c/c o art. que seriam serviços e materiais contratados de terceiros pela Incal.93 a 16.98. sendo. Note-se que o engenheiro não procedia a uma medição efetiva do estágio físico da obra. medições de serviços inexistentes. como etapa física executada. artigos 62 e 63 e Decreto nº 93. permanecendo com essa atribuição no período de 17. inciso IX. mais especificamente para saldar os alegados “contratos à ordem”. que motivou sua inserção como responsável nesses autos: os relatórios e pareceres por ele produzidos não guardavam correspondência com a realidade. para efetuar pagamentos antecipados. 2001 . elementos esses que deveriam constar de um projeto básico. 284. no tocante aos danos causados ao Erário em razão dos desvios de recursos destinados à construção do referido Fórum Trabalhista de São Paulo. 279. fundamentados em quantitativos de serviços e fornecimentos que expressassem a composição de todos os custos unitários. em detrimento da aplicação na obra. 250 Auditorias do TCU. o TRT 2ª Região verificou a inadimplência da Incal. Na prática. na forma estabelecida na Lei nº 8. B.05. mormente com alguns de seus principais fornecedores. Decorria daí um permanente descompasso entre o cronograma físico e o financeiro do empreendimento. Com supedâneo nesse esquema. limitava-se a sugerir o percentual que o TRT poderia pagar à Construtora. 282.5. 7º.782/86.de Oliveira Neto. não com base na medição do avanço físico. por ocasião da rescisão contratual. O engenheiro Antonio Carlos da Gama e Silva foi contratado pelo TRT/ SP para executar os serviços de supervisão e fiscalização da obra. 280. mas que não estariam fisicamente na obra. defesos pela Lei nº 4. insustentável a tese de que as verbas públicas estariam sendo alocadas no pagamento desses fornecedores. contribuíram para um grandioso esquema de repasse espúrio de verbas públicas. e mais. 283. Brasília-DF. incompatíveis com o estágio de desenvolvimento da obra nos períodos avaliados. consoante art. A responsabilidade administrativa-financeira do Engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva 277. Ano 4. o seu trabalho consistia na emissão de relatórios periódicos. 38. da citada Lei. o engenheiro Gama incluía em seus relatórios medições superestimadas. tais relatórios nada mais eram que atestados utilizados pelo TRT-2ª Região. § 2º. 278. esses “contratos à ordem” foram um dos motivos ensejadores do desvio de recursos. Não é demais lembrar que. os denominados “contratos à ordem”.320/64. portanto.

Ano 4.” 289. que ‘preliminares’ poderiam ser esses com valor tão expressivo? Mais uma vez. entendo que sua responsabilidade deva ser apurada também no âmbito do CREA/ SP. Realizada nova inspeção nas obras. quando do proferimento da Decisão nº 469/99-TCUPlenário: “Do relatório de dezembro de 1994 (Vol. faz-se necessária sua responsabilização solidária. Ora. e quiçá. Brasília-DF. ‘canteiro’. consta dos autos a apropriação. depara-se com uma peça técnica que não se mostra minimamente confiável. verbis: “Também não pode ser afastada a responsabilidade do engenheiro Antonio Carlos da Gama e Silva. é oportuno transcrever trechos do v. Diante dessas graves irregularidades destacadas pela SECEX/SP. e de tal modo que privilegiasse os interesses da contratada. 287. fls. de 23. se as atividades ‘projetos e aprovações’. receberam medições sistemáticas do engenheiro em percentuais muito além dos efetivamente verificados na obra. dedução indevida de imposto de renda. “paisagismo”. visando ao exame da correspondência entre os recursos financeiros alocados e o avanço da implantação do empreendimento. o eminente Ministro-Relator Adhemar Paladini Ghisi arrolou o engenheiro como responsável. v. “impermeabilização”. ‘mobilizações’. “esquadria metálica”. 79). Assim. tais como: imprecisão de diversos itens constantes da planilha financeira fornecida pela Contratada. em relatório adotado pelo Ministro-Relator. “pisos internos”. destaca-se a participação do item ‘terreno-preliminares’. devidamente demonstradas pela equipe de auditoria. quando da prolação do Acórdão n. Número 15. “pintura”. as ações de acompanhamento e fiscalização da execução contratual. má-fé. de 20% do item “elevadores”. Mais ainda. I. 2001 251 .285. Nesse sentido. itens tais como “forros”. contratado pelo TRT – 2ª Região com a atribuição específica de acompanhar a obra mediante a emissão de relatórios gerenciais. quando as obras estavam ainda na fase de fundações. 17). composição indevida do BDI (Bonificação e Despesas Indiretas). g. considerando que os atos por ele cometidos decorrem de incúria no exercício de sua atividade profissional. superestimativa das taxas relativas às leis sociais. e de pareceres técnicos. ‘demolição’ e ‘fundações’ estão em outros itens (Vol. constituindo. fls. Voto. “ar condicionado”. o que faz supor que sua elaboração deuse exclusivamente para cumprir uma formalidade. omitindo-se dados importantes para composição de valores significativos do empreendimento. “hidráulica”. 286. assinalou a equipe.70% do valor total do empreendimento.. “revestimentos internos”. Auditorias do TCU. demonstrando sua evolução física. Observaram as Equipes que efetuaram Inspeção nas obras do Fórum Trabalhista diversas outras inconsistências. Do mesmo modo. na melhor das hipóteses. A propósito. 045/99. negligência. dificultando. As inconsistências constantes de seus relatórios. E tudo isso com o beneplácito do engenheiro Gama. 288. não podem ser tidas como mero equívocos. elevado número de itens orçados como “verba”. “instalações elétricatelefonia”. etc. em total dissonância com a realidade. IX. por conseguinte. “esquadria madeira”.

como atestar. XV. constando do expediente o ciente do responsável. requereu dilação de prazo para apresentação de defesa (fls. fls.00 (fls. 666/667 do vol. 219. Gama de novembro de 1997 (Vol. sequer o início dos mesmos. onde obteve a vista e as pertinentes cópias. Gama. principal). em 05. quando o que se verifica no local é que apenas 4 dos 24 elevadores estão efetivamente instalados.8% executados (Vol.99. respectivamente por meio do Ofício SECEX/SP nº 282. que o Eng.80% do empreendimento. 216. I. Número 15. Desta última. 144. continuou a motivar sistemáticas medições de evolução mensal por parte do Eng. o Sr. e do Edital nº 17. .. Ano 4. 684 do vol.99 (fls. principal.. 291.08. de 29. Antônio Carlos da Gama e Silva foi citado para adução de alegações de defesa. destaca-se o relatório do Eng.em face do Acórdão nº 045/99-Plenário (TC nº 001. 164. 68/69 do vol. a inconsistência desse dado não deixa margem a dúvidas. O interessado compareceu à SECEX/SP. uma torneira ou um vaso sanitário instalado na obra? Ou que 55. em seu relatório de novembro de 1997.06. apenas um pequeno protótipo encontra-se no canteiro de obra. por meio do Ofício SECEX/SP nº 491. de 24. como considerar confiáveis os relatórios do Eng. (. extração de cópias e prorrogação de prazo para apresentação de defesa. 571-g do vol. Paixão (Vol. como fez aquele profissional. 558/559 do vol. e comunicado por meio do Ofício SECEX/SP nº 613.09. de 25..99 (fls. da seguinte forma: . quando sua instalação na obra sequer foi iniciada? Até mesmo a formação em engenharia civil é dispensável para que se percebam discrepâncias dessa magnitude. Até mesmo o item ‘elevadores’.” 290.025/1998-8). .99 (fls. fls.11.) A análise dessas planilhas demonstra que vinha sendo atestada a execução de vários serviços (Vol. principal).09. 165. 123). na obra. Novamente. solicitou vista aos autos. em 06. de 09. sendolhe concedido por meio do r. 243).9% do forro de gesso encontra-se executado.05. 123). da qual teve ciência em 24. 292. que 99. 39). principal). 678/679 do vol. pois.025/1998-8). principal). de 20.10.3% das instalações hidráulicas estão executadas se não há sequer um lavatório. Despacho de fls. 240) sem que se observasse. Acerca dessas irregularidades. Brasília-DF. 683 do vol.08. Exaustivamente demonstrada nestes autos (e resumida na página 10 do Relatório do Ministro Adhemar Ghisi que fundamentou o Acórdão 045/99). por meio do Ofício SECEX/SP nº 658. 2001 . fls.99. principal). 193. 191.00 (fls. de 16. 127 do vol. I.99 (fls.99. Apenas para ilustrar. conforme fls. que atesta e execução de 97. 698/699 do vol. pedido acolhido pelo Relator em caráter 252 Auditorias do TCU. em 05. informou estarem 98. 39).em face da Decisão nº 591/00-Plenário (TC nº 700. Além disso. Exemplos disso são a ‘estrutura metálica da rampa’ (para interligação entre os blocos nos diversos pavimentos) e a ‘estrutura metálica espacial’ (fechamento lateral entre as duas torres e cobertura da área central das mesmas). e do Edital nº 11. principal). fls. XV.10. 196.em face da Decisão nº 469/99-Plenário (TC nº 001.99 (fls. 685/686 do vol. 238. principal.Já em um período mais recente.08. Não há. Gama.115/1996-0).

. Número 15. foi chamado aos autos.99 (fls. Entrementes. Antonio Carlos da Gama e Silva pela totalidade do dano imposto ao Erário. Em 31. Conforme registra o Relatório que antecede a este Voto. citado. manteve-se silente. ensejando. 295. ao Sr.01. A responsabilidade do Sr. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos).01. Brasília-DF.025/ 1998-8 (fls. a partir do comando consubstanciado na Decisão Plenária 469/99 (Ata 32/99). ensejou a liberação da referida quantia em favor da mencionada empreiteira. As medições por ele apresentadas não se mostraram em nenhum momento condizentes com o real andamento da obra. proposta esta à qual me alinho.6. sob a forma de citação. não atendeu a nenhuma citação. A responsabilidade administrativo-financeira do Engenheiro Gilberto Morand Paixão 297. que se ofereceram ao responsável todas as oportunidades regimentais para apresentação de ampla defesa. 701 do vol. ex vi do disposto no § 3º do art. ainda. sendo-lhe atribuída a responsabilidade solidária pelo débito de R$ 13. o responsável tomou ciência da comunicação constante do Ofício SECEX/SP nº 038. o objeto do procedimento citatório levado a termo. entendo como caracterizada a responsabilidade solidária do Sr. de conseqüência. com vistas ao favorecimento ilícito da Incal Incorporações S/A.443/92. que constituem. duzentos e sete mil. Gilberto Morand Paixão atribui-se. celebrado logo em seguida.054.01. o mencionado Sr. 940). 12 da Lei nº 8. que. o desvio de verbas registrado pela CPI do Judiciário. 299.207. volume principal-II).A. 298. cujo instrumento resultante. a elaboração das chamadas planilhas de medição. haja vista que. de 08. de 26. Observa-se. portanto. 294. permanecem na íntegra.. 702/702-a do vol. pois. Esse despacho foi comunicado por meio do Ofício SECEX/SP nº 786. a despeito das graves irregularidades acima enumeradas. ao contrário. no sentido de que o prosseguimento da apuração dos fatos relativos à construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo seria conduzida no processo de Tomada de Contas Especial. Gilberto Morand Paixão passou a ser questionada no presente processo a partir da inspeção processada por força do Acórdão 045/99.28 (treze milhões. razão pela qual a Unidade Técnica entendeu configurada a revelia. as quais. por intermédio de seus relatórios. principal). Em conclusão.01. prolatado pelo Tribunal Pleno em Sessão realizada em 05/05/99 (f. Vê-se. sugerindo fosse dado prosseguimento ao processo. B.12. à vista da emissão de Parecer Técnico por meio do qual manifestou-se favoravelmente à viabilidade do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado entre o TRT e a empreiteira Incal Incorporações S. e objeto de investigação nas esferas competentes. para todos os efeitos. propiciou a liberação indevida de vultosa quantia à Contratada. Além da questão atinente à formulação do aludido Parecer Técnico e seu desdobramento. 296. em suma. Ano 4. 2001 253 . 545. TC nº 001. principal). portanto. considerando que já havia sido concedida dilação de prazo (fls.excepcional. nas quais o profissional apontava percentuais de Auditorias do TCU. ficou patente que se prestavam ao cumprimento de mera formalidade. 293.

Em termos de comprometimento para fins de apuração de responsabilidade a que se destinam. não há negar que sobressai o aspecto atinente à feitura do parecer técnico consignando o posicionamento do profissional em defesa do indigitado reequilíbrio econômico-financeiro.8% executados. em seu correspondente relatório. 302. volume principal – II).e o responsável por inúmeras vezes destaca este aspecto – as medições elaboradas a partir do mês de julho de 1998 não geraram pagamentos à empresa construtora. na obra. concluíram “que também os relatórios do engenheiro Paixão não podem ser considerados confiáveis” (f. f. quando o que se verifica no local é que apenas 4 dos 24 elevadores estão efetivamente instalados”. 300.execução de serviços e a correspondente parcela financeira a liberar (volume principalI. 306. volume principalII). f. entre outros aspectos. A título exemplificativo. Antônio Carlos da Gama e Silva. a cargo da equipe de inspeção. em relação à última. 611/12) . 240) sem que se observasse. Sustentam. 612. mediante a firmatura do reequilíbrio econômico-financeiro e as medições de serviços vistas como incompatíveis com o efetivo andamento da obra.. Ano 4. ainda. 305. Resgatando. havia servido de parâmetro para a realização de uma medição detalhada da obra. informou estarem 98. 611/12. sendo que a análise de tais planilhas. conforme assegurou a equipe de inspeção (volume principal – II. Número 15. registraram também os Analistas que “até mesmo o item ‘elevadores’. segundo depoimento do interessado junto à CPI do Judiciário. f. por fim. 254 Auditorias do TCU. 165. 612. isoladamente. 2001 . documento esse que.A. estas contas de natureza especial. os signatários do relatório de inspeção que o TRT informou desconhecer o chamado “calhamaço de 500 páginas”. em seu relatório com posição no mês de novembro de 1997. apenas um protótipo encontrava-se no canteiro da obra (f. a equipe de inspeção. Mesmo porque. não é demais frisar que as implicações que motivaram a inclusão do engenheiro Gilberto Morand Paixão no rol de responsáveis nesta Tomada de Contas Especial estão atreladas à elaboração do parecer técnico que precedeu ao repasse da quantia de R$ 13. o objeto da citação. sequer o início dos mesmos”. à vista da determinação judicial que sobreveio.. “continuou a motivar sistemáticas medições de evolução mensal por parte do engenheiro Paixão . as apurações feitas quando da realização dos trabalhos de campo. 303. Brasília-DF. sendo que. faz alusão à “estrutura metálica de rampa” (destinada à interligação entre os blocos nos diversos pavimentos) e à “estrutura espacial” (fechamento lateral entre as duas torres e cobertura da área central das mesmas). 304. porquanto constituiu. com a quantificação de todos os serviços executados e a executar. possibilitou a demonstração de que “vinha sendo atestada a execução de vários serviços (volume XV. Portanto. Pelas razões circunscritas aos fatos supramencionados. in fine). 193. 301.2 milhões à Incal Incorporações S. que o engenheiro” antecessor. os técnicos responsáveis pelas verificações in loco.

entendendo o órgão instrutivo que sua defesa e elementos complementares mostram-se insuficientes para desfazer a compreensão original concebida pela equipe de inspeção quanto à responsabilidade que recai sobre seus ombros.025/98-8). Tais documentos.115/96-0. Todavia. Entretanto. cujo posicionamento conclusivo foi acompanhado pelo ilustre representante do Parquet especializado. Gilberto Morand Paixão foi citado tanto por força da Decisão 469/ 99. na forma autorizada pelo STF.307. “devem ser vistos com moderação. Ano 4. consoante despacho deste Relator. havendo o interessado. a partir de autorização deste Relator. Ato contínuo. o interessado juntou ainda. apensado aos autos alegações de defesa a bem de seus direitos. 309. bem como cópia do parecer lavrado pela douta Procuradoria-Geral junto a este Tribunal. 308. Dr. quanto da Decisão 591/2000 adotada nas contas do TRT/ SP. Gilberto Morand Paixão fez juntar aos autos exame grafotécnico.025/98-8 e TC-700. verificou a unidade técnica que referidas justificativas não contemplam nova argumentação em relação às juntadas ao TC-700.A. havendo o presente processo sido excluído de pauta por força de medida liminar deferida pelo Supremo Tribunal Federal à Incal. o Sr. Brasília-DF. além de outros documentos. obteve cópia das instruções elaboradas pela unidade técnica relativas a ambas as alegações de defesa aportadas aos respectivos processos (TC-001. relativas ao exercício de 1995. prolatada neste feito. Logo em seguida. encontrando-se o processo em poder da Incal Incorporações S. o aludido agente. além de uma fita de vídeo relativa ao seu depoimento junto à Comissão Parlamentar de Inquérito do Judiciário. 2001 255 . As manifestações empreendidas no âmbito da SECEX/SP. 311. consubstanciadas no TC-700. 310. foram anexados a este feito passando a constituir o volume 44. e dado o reduzido espaço de tempo verificado entre a sua devolução e a presente data. haja vista as providências já anteriormente adotadas quanto à inclusão da matéria em pauta. por exprimirem opiniões carentes de demonstração fática”. acompanhadas de elementos correspondentes. O Sr. manifestação acerca das instruções formuladas pela SECEX/SP. sobretudo.. inclusive fora das dependências do Tribunal. juntamente com o referido exame grafotécnico. Lucas Rocha Furtado. segundo entende.115/96-0. Quando da análise das alegações de defesa carreadas ao presente processo (TC-001. entendendo que não poderia deixar de responder “a determinadas insinuações” constantes daqueles pareceres. encontram-se orientadas para a responsabilização do mencionado agente. 313. não houve manifestação da Secretaria de Controle Externo no Estado de Auditorias do TCU. para efeito de vista do processo. os quais. estas apresentadas complementarmente por força da segunda citação e já examinadas naquela ocasião. encontrando-se os autos conclusos para julgamento. relativamente ao exame de tais alegações. comprovando a falsificação de duas rubricas (como se suas fossem) apostas na folha de rosto do documento denominado “Fundamentos para o restabelecimento do Equilíbrio Econômico” (volume 42) e na página 34 daquela peça processual. Número 15.115/96-0). logo em seguida aos dois chamamentos. 312.

Manteve contato com o Sr. inobstante tivesse decorrido praticamente um ano após a assinatura de seu contrato para prestação de serviços técnicos. ressalvando. a razão de seu nome não ter sido incluído no expediente citatório no primeiro momento deve-se ao fato. de que as apurações que geraram os primeiros levantamentos foram processadas anteriormente à celebração do contrato laboral do engenheiro.3. suportadas nos elementos correspondentes. o Sr. bem como do Ministério Público em relação à documentação adicional apensada pelo Sr. Argumento: não tinha o interessado qualquer envolvimento com membros da construtora nem com integrantes do TRT/SP. e a Decisão 469/99 fundamentou-se nos dados constantes do relatório de inspeção realizada no período de 24/05 a 02/07/99. no Relatório e Voto que fundamentam o Acórdão 045/99-TCU-Plenário. por ocasião da visita de dirigentes do Tribunal Superior do Trabalho à obra do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. segundo declaração prestada à CPI do Judiciário. de qualquer remissão ao nome do responsável. 316. Brasília-DF. 33/37). 316. separadamente. Procurador-Geral junto ao TCU. e. Gilberto Morand Paixão.2. 314. as respectivas avaliações. que se valeu este Relator também dos documentos que agora passaram a constituir o volume 44. daí porque seu nome constou apenas da segunda citação. Entretanto. f. Gilberto Morand Paixão. com o advento da inspeção realizada por determinação do Acórdão nº 045/99 é que se pôde apurar os fatos que lhe são atribuídos. dirigindo-se de igual forma ao ilustre Sr. por ter alcançado compreensão em parte diferenciada em relação aos posicionamentos então emprestados aos autos relativamente ao responsável em epígrafe. Prisco da Cunha. Presidente do TRT. 2001 . porquanto praticados posteriormente à realização da primeira verificação in loco. Cronologicamente. f. posteriormente à aludida contratação (volume prinicipal-II. assessor do Sr. Após proceder a detido exame das ponderações produzidas pelo interessado. portanto. a qual estendeu-lhe a responsabilidade. Posicionamento do Relator: à época da realização dos trabalhos de campo que resultaram na citação comandada pelo mencionado Acórdão. contudo. em seguida. 317. 316. Portanto. 256 Auditorias do TCU. peço vênia aos zelosos membros da SECEX/SP. o contrato de trabalho do Sr. f. Gilberto Paixão data de 15/06/98 (volume 23. tem-se que o Acórdão 045/99-Plenário foi prolatado a partir de informações colhidas no TRT/SP por intermédio da inspeção realizada no mês de abril de 1998 (volume principal – I. Ano 4. tendo sido contratado pelo Sr. Ao realizar o detalhado exame que lhe coube. a SECEX/SP destacou os argumentos invocados pelo responsável. 315. contratado.São Paulo. aduzindo.1. Nicolau dos Santos Neto uma única vez. ainda. Número 15. Gilberto Morand Paixão não havia sido. aí sim. 316. cujo procedimento passo igualmente a adotar. simplesmente. ressaltando os aspectos essenciais invocados pelo Sr. transpostos para o relatório que fundamentou a Decisão 469/99. Argumento: inexistência. 588 e 593). 25/28).

4. para o período de 15/06/98 a 14/04/ 99. consoante o respectivo princípio. o responsável lança “um repto” no sentido de “que se aponte um só juiz do TRT/SP. após verificar in loco a situação das edificações. portanto. Argumentos: contestações relativas às observações expendidas pela unidade técnica. frente à gravidade e ao grande número de irregularidades perpetradas pelo Sr. 317. diante das duas informações antagônicas. tomamos a liberdade de contatar o engenheiro Gilberto Morand Paixão que. segundo ele.00 (oitocentos reais) mensais. aqueles trabalhos eram importantes para o seu currículo. 318. seus deslocamentos para a cidade de São Paulo não exigiam custo adicional em função de outros compromissos naquela localidade.. Paixão acerca da veracidade da aludida carta firmada pelo Juiz Nicolau.115/96-0 (anexo IV. que “. 2001 257 .. o interessado aduz que não era o responsável pela execução da obra. Naquele expediente. Brasília-DF. não devendo ser considerada a comparação feita entre sua remuneração e o custo da empresa Falcão Bauer que contou com 5 engenheiros e 8 técnicos. não se pode exigir prova negativa do Sr. os argumentos contrapostos pelo interessado. estando ali consignado que o responsável foi formalmente apresentado ao então Presidente do TRT/SP. R$ 8. f. apenas R$ 800. apresentou a proposta cujos termos venho submeter à superior apreciação”. quando faltavam apenas 20% para a conclusão dos serviços. Em todas as suas intervenções no feito. E aduz que “causa espanto” o crédito dado ao ex-juiz. 31/3).3. relativamente à contratação do profissional de engenharia. representando. ainda. Auditorias do TCU. Nicolau dos Santos Neto.317. acentua o signatário. 191/3). com o qual o suplicante tenha algum relacionamento”. f. funcionando sim como fiscal do TRT. considerando. Délvio Buffulin.1 Posicionamento do Relator: assinala a SECEX/SP que informações noutro sentido registram o documento constante do TC-700. Em suas alegações complementares. isto é. vem agora o engenheiro (volume 44. Sr. mostram-se coerentes com tal negativa. Número 15. a nosso pedido. em média. pelo Sr. Ano 4. adquire vulto a contestação das informações consubstanciadas no documento por ele firmado. Em suas alegações apresentadas por último (volume 44. “depois de tudo o que já se apurou acerca dele – em detrimento do que vem afirmando o suplicante há dois anos”. 317. Nicolau dos Santos Neto. Adicionalmente. O certo é que. a esse respeito. Gilberto M. Sr. as despesas adicionais resultantes de seus deslocamentos para a cidade de São Paulo. Nicolau dos Santos Neto e que mantinha relacionamento com diversos juizes do TRT da 2ª Região. De fato. Reforça suas afirmações anteriores e acrescenta que o parecer do órgão instrutivo se valeu do que o ex-juiz Nicolau afirmou na carta. “à insinuação da equipe técnica da SECEX/SP de que o suplicante não seria imparcial e de que realmente está envolvido” com diversos juízes do TRT. uma vez que reside no Rio de Janeiro. em que pese o teor do documento a que se refere a unidade técnica.2. f. 317. no tocante ao baixo valor pelo qual o profissional em questão foi contratado.000. bem como analisar genericamente o projeto respectivo.00 (oito mil reais). 29/31) responder.

318.2. previa também o contrato (cláusula primeira). acompanhamento dos serviços. sob pena de responsabilidade. na época. d) responder. Brasília-DF. entretanto. a transferência de responsabilidade do CONTRATADO para outras entidades. conforme registrado à f. parece que a retribuição financeira mostravase incompatível com as numerosas atividades exercidas pelo profissional. c) munir o CONTRATANTE de todas as informações solicitadas pelo mesmo. 319. compuseram a equipe responsável pela execução da inspeção dois analistas com formação em engenharia civil (Srs. tais como junto à Câmara Brasileira da Indústria da Construção-CBIC. b) acompanhar e apresentar ajustes à execução dos projetos de arquitetura e instalações. indiscutivelmente. 318. durante a vigência do contrato. Posicionamento do Relator: como bem enfatizou o órgão instrutivo. tal fiscalização exigia apenas 3 a 4 visitas mensais à obra. empreiteiros. uma vez que comprovam que. que no caso couber. 23. 319. 43/66) reforçam sua argumentação. por todas as informações e levantamentos constantes do Relatório Gerencial de Acompanhamento e Fiscalização.2 Além das tarefas supramencionadas. não foi subscrito pelos engenheiros da Caixa Econômica Federal que compuseram a equipe. sob nenhum pretexto.3. da qualificação técnica necessária à realização dos levantamentos pertinentes. contatos com a empreiteira. Outrossim. medições. consultores. concernentes ao objeto deste contrato. entidades associadas à CBIC. FINEP. elaboração de relatórios. f. etc. Num primeiro momento. COBRACON. cujo relatório. integralmente. 33/37): “O CONTRATADO.1. custos. estabelece a cláusula segunda do respectivo contrato de trabalho. conforme alega. 319. Argumento: questionamentos relativos à certeza técnica dos trabalhos realizados pelos Analistas do TCU. e seus subcontratados (projetistas.1. orçamentos. f. 2001 . Ano 4. verbis (vol.4. Comitê Técnico de Certificação de Aços Longos para Construção Civil. compromete-se a: a) apresentar mensalmente o Relatório Gerencial de Acompanhamento e Fiscalização a ser elaborado mediante vistorias no local e acompanhamento dos trabalhos da INCAL INCORPORAÇÕES S/A. 318.00592-1/D-RJ). Comissão do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Número 15. Posicionamento do Relator: ao dispor sobre as obrigações do contratado. compromissos outros exigiam sua presença na cidade de São Paulo. a execução de atividades de fiscalização incluindo vistorias. Parágrafo Primeiro: O CONTRATANTE não aceitará. etc. os documentos por ele juntados nesta oportunidade (volume 44. ou profissionais. Importante que. dispondo aqueles profissionais. o fato de os engenheiros da CEF não terem firmado o correspondente relatório não invalida aquele documento. para a 258 Auditorias do TCU. De certa forma.” 318. 603 do volume principal-II. consoante seu depoimento junto à CPI do Judiciário. André Luiz Mendes. CREA 831. fornecedores de materiais e equipamentos). CREA 4938/D-DF e Júlio César de Freitas Guimarães.

1. por intermédio de expediente dirigido ao Sr. apesar de já amplamente apresentado a V. de forma a deflagrar o primeiro repasse à contratada da ordem de R$ 13. fato que. Exas. na qualidade de Presidente da Comissão da Construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. ao fazer alusão aos recursos obtidos pelo TRT. 320.2 milhões em favor da Incal. vê-se que procede a sua alegação no sentido de que não foi contratado para decidir sobre o citado reequilíbrio. para fiscalização das obras. associada a sua necessidade para o término da obra. do montante das verbas para o prosseguimento das obras ao longo de 1998. Na oportunidade. ser assinalada alguma impropriedade que nele pudesse constar.2. 320. se fosse o caso. tinha poderes para firmá-lo. Argumentos: não fora contratado para decidir sobre o reequilíbrio econômico-financeiro firmado entre a Incal e o TRT/SP. seria o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato assinado “de qualquer maneira”. constituiu a razão maior do chamamento aos autos do Sr. Falsificação de sua rubrica. vem sendo postergado em prol da causa maior. Na verdade. Número 15. comprovam essa afirmativa. Interessava-se saber se era factível o programa de conclusão das obras dentro do prazo e condições constantes dos documentos propostos. já que os recursos encontravam-se totalmente esgotados.6. a aprovação no Congresso Nacional. “conforme publicação no Diário Oficial da União”. assegurou Auditorias do TCU. não se pode negar que. Ocorre que atribui-se-lhe a responsabilidade por ter manifestado “a favor da viabilidade e aprovação do pleito” formulada pela empresa Incal. que é não sofrer interrupções no andamento das obras do empreendimento.” 320. a sua contratação. 320. em fins de 1997. o aspecto atinente à elaboração do Parecer Técnico que precedeu ao desembolso do valor de R$ 13. pouco antes. e atenta a esse detalhe.5. 598 (volume principal-II) firmado pelo Sr. Gilberto Morand Paixão. em nossas reuniões. verbalmente. não devendo caber-lhe culpa pela celebração do contrato. 2001 259 . a despeito da questão associada à inconsistência das medições consignadas nas referidas planilhas. Em 2/4/98. “desde que. a operação já estava sendo negociada entre as partes.2 milhões.4. Foi contratado sim para fiscalizar a execução da obra. conforme comprova o expediente de fl. 320. porém. 320. por conta do reequilíbrio econômico-financeiro. Nicolau dos Santos Neto. Independentemente de sua análise. devendo. a Incal ratifica sua “incondicional lealdade e empenho em concluir” o empreendimento. uma vez que não tinha competência para tal.3. somados aos elementos apensados pelo responsável. contaram sim os trabalhos com a participação de engenheiros da Caixa Econômica Federal. se essas poderiam ser realizadas por intermédio do restabelecimento de equilíbrio econômico.consecução dos respectivos resultados. 320. conforme alega. Ano 4. A ele foi solicitado uma opinião escrita acerca da viabilidade do reequilíbrio. e muito menos. Brasília-DF. Presidente da própria CEF. Posicionamento do relator: conforme disse anteriormente. De fato. haja vista as tratativas entre a Incal e o TRT. haja o reequilíbrio econômico do contrato. e os documentos constantes dos autos. anteriormente à contratação do engenheiro. examinando os termos do seu contrato de trabalho.

ainda que involuntariamente. 163/5). a Incal juntou o chamado “Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico” documento contendo um conjunto amplo de razões que. Ano 4. Em anexo ao referido expediente. Observa-se que na escritura de retificação e ratificação e aditamento. f. f. constatou-se a criação de tributos e contribuições posteriormente à assinatura do referido contrato. observa-se que os vários fundamentos expostos sob a forma de considerações passaram a ser as razões oficiais. Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (volume 23.a construtora que era “absolutamente prioritária a aprovação desse equilíbrio econômico”. 320. Portanto.7. fundamentaram a solicitação de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro contratual. em elevado estágio de acerto entre o TRT – 2ª Região e a empresa Incal Incorporações S. o que requereria o exame e decisão das unidades técnicas do TRT/SP (volume 23.9. verbis: “O documento analisado não deixa dúvida de que o TRT da 2ª Região incorreu. 320.8. formulando consulta acerca do cabimento do restabelecimento econômico que se buscava. acrescentando que caberia à contratada. 161). A despeito de tal sinalização. Em 1 de junho de 1998. em uma clara manifestação de apoio à contratada. anteriormente à contratação do engenheiro Gilberto Morand Paixão. Em resposta ao consulente. f. finalizou o Sr. solicitando” àquele órgão a “análise do mesmo com a maior brevidade possível” (volume 23. o prédio seria concluído nos termos acordados. segundo a Incal. Tais fatos. 157/60). f. assinalou o dirigente máximo do TST. Diógenes Gasparini (volume 42. lavrada em cartório quando da formalização do multicitado reequilíbrio (volume 23. ou. desde o início. Presidente. ainda. 111/38) condizente com o pleito. 320. Em 6/5/98 a Incal encaminha ao TRT “o disquete contendo a última versão do documento intitulado ‘Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico’. Brasília-DF. e. o Juiz Délvio Buffulin dirigiu expediente ao Sr.A.10. as diversas razões que justificavam o requerimento da Incal. o malfadado reequilíbrio econômico-financeiro já estava sendo discutido. afetaram profundamente as condições que haviam sido anteriormente pactuadas (volume 42. remetendo. no mínimo oficializadas do 260 Auditorias do TCU. 320. 320. enumerando ali. contudo. f. 1/109). 320. 166/7). 2001 . Por outro lado.11. Compreendo que o Parecer Técnico ora discutido foi apenas mais um documento. corroborando suas “ponderações acerca do legal e necessário aditamento contratual para o restabelecimento do equilíbrio econômico da contratação”. Novamente. consoante o mencionado ofício. Número 15. com a implementação de tal instrumento. a comprovação do incremento de seus custos.” 320. f.13.12. aliás. havendo ressaltado que. em 4/6/98 (volume 23. em atraso no cumprimento do cronograma de pagamento do contrato. a Incal envia à contratante parecer do Prof. 162). 33 volumes contendo os comprovantes das despesas indiretas.

o reequilíbrio econômico-financeiro seria celebrado. argumentos esses por meio dos quais as partes insistiam em fazer prevalecer desde anteriormente. onde assentam-se as bases do reequilíbrio.838/98-9. por intermédio da prática do sem número de irregularidades desde o início da obra. fato do príncipe.16.14. por certo. lê-se. 320. De acordo com o referido documento. A idéia atinente ao ajuste contratual remonta a período bem anterior. Gilberto Morand Paixão não agiu de forma decisiva para que a avença fosse celebrada. determinando a juntada dos autos ao presente processo.18. Gilberto Morand Paixão. fato da administração. 70): “Pouco antes. pelo Juiz Nicolau dos Santos Neto. destaca-se ainda o Programa de Conclusão das obras do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. o eminente Ministro Adhemar Ghisi não conheceu da consulta. o conjunto de razões que dariam amparo à recomposição das condições anteriormente ajustadas. reforçando em expediente seguinte. versando a consulta sobre caso concreto. Número 15. constituía. descritivo geral e dos serviços a serem executados. por intemédio do TC-001. por esta razão. documento esse elaborado ao longo de diversos meses anteriormente à contratação do engenheiro. através da correspondência datada de 20 de outubro de 1997. Desde a apresentação de suas alegações de defesa em momento anterior. cronograma físico e financeiro da obra. o chamado “Calhamaço” nos dizeres do Sr. Desse modo.300/86 vigente à época do procedimento licitatório e contratação decorrente. a obtenção desenfreada de vantagens ilícitas. obstinação desmedida para a formalização do instrumento então perseguido.19.15.20. 2001 261 . tais considerações são consistentes na validade e legalidade do ato nos termos do Decreto-lei 2. Gilberto Morand Paixão proclamava a falsidade de duas rubricas (uma na folha de rosto e outra na folha 34) do documento intitulado Fundamentos para o Restabelecimento do Equilíbrio Econômico. 320. independentemente do seu parecer. diante da expectativa da assinatura do aditivo. 320. assiste razão ao engenheiro quando assegura que. responder pelo débito. 320. Aliás. não devendo. Portanto. no entendimento de diversos autores por meio de suas obras e pareceres. data maxima venia. 320. declara” 320. relação dos serviços e posição física do empreendimento. 320. Ano 4.666/93. também. f. Contudo. Brasília-DF. fatos imprevistos e imprevisíveis. Ora. Como também elemento de suporte do restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. além de outros aspectos restritivos. em 03/04/98 o Juiz Délvio Buffulim também dirigiu consulta a este Tribunal objetivando obter o aval da Corte de Contas acerca do reequilíbrio econômico-financeiro. a empresa construtora. Auditorias do TCU. dada a idéia já preestabelecida de se pactuar o instrumento em epígrafe. cujo teor contempla a distribuição dos blocos. convencido estou de que o Sr. no instrumento de aditamento de contrato como forma pela qual deve se materializar. No relatório referente ao Procedimento Administrativo TRT/GP 4/98. o Sr.17.documento. bem como da Lei 8. firmado em 24/08/98. cujas tratativas vinham desde setembro de 97. verbis (volume 15.

7/27).4. assim. 159. Gilberto Morand Paixão insiste em afirmar que. com o “objetivo. calculava-se o valor financeiro correspondente para efeito de reembolso à construtora. 611/12). por sua vez. não tendo havido a legitimação de itens incompatíveis com o andamento dos serviços. a evolução gradativa dos vários serviços realizados nos respectivos blocos. Posicionamento do Relator: As medições realizadas pelo engenheiro Gilberto Morand Paixão consistiam na confirmação da execução dos diversos itens da obra.15% identificado. à vista da execução de tais atividades. 321. Existiam materiais e equipamentos no almoxarifado. 321. dá conformidade às suas alegações. ar condicionado. 34). alocados fora do empreendimento. uma vez que. respectivamente. conforme traduz o próprio nome do documento. o Sr.320. Incal Incorporações S. f. f. 321. quando de sua contratação.A. sobretudo em relação aos chamados “contratos à ordem”. f. 321.” 320.2. por exemplo. foram elaboradas 06 (seis) planilhas de medição.04% defendidos pela empresa Falcão Bauer (volume 18. 321. De um modo geral. a obra contava com 80. 17). passando a fazer parte da escritura respectiva (ver volume 23. do Rio de Janeiro.21.”. o reequilíbrio do contrato.. correspondentes.3. seja no pagamento de “sinal” para obtenção de certos equipamentos. f. que consistiam na liberação proporcional de recursos destinados à contratação de equipamentos e serviços. etc. cláusula 1ª).A. de dar maior credibilidade ao ato que se estava praticando”. sem a sua autorização. Todavia. Ano 4. todos para entrega futura.22 Além das rubricas apostas naquele documento (capa e f. na mesma época.25% efetivamente concluída. Nesta oportunidade. eis que as mesmas efetivamente não promanaram do punho do Sr. A partir do percentual de execução encontrado. Argumento: todas as medições visadas pelo interessado corresponderam aos serviços efetivamente realizados. em relação a pisos.. No referido laudo (f. dados os efeitos da medida liminar resultante da Ação Cautelar impetrada pelo Ministério Público. Número 15. aos meses de junho a novembro de 1998 (volume 115.1. instalações elétricas. o suplicante aduz que foram grafados na folha de rosto do mesmo. seja na fabricação de itens especiais ou sob ecomenda. efetivamente. 20). f. do percentual de 64. por certo. Inexistiram medições sem a respectiva comprovação física. Gilberto Morand Paixão. Desse modo. o perito “aponta a falsidade das rubricas examinadas. 262 Auditorias do TCU. hidráulicas. elevadores. 2001 . os termos “devidamente aprovado por: engº Gilberto Morand Paixão. Brasília-DF. havendo referido percentual de execução física conflitado com os 75. compreendo que faltaram ao profissional o zelo e cautela exigidos para a espécie. Entretanto. e calculando em termos percentuais. elaborado pelo Instituto Carlos Éboli. verificando. tais medições não geraram pagamentos a Incal Incorporações S. Juiz Nicolau dos Santos Neto. o parecer grafotécnico por ele juntado aos autos (volume 44. 140/248). por equipe de inspeção deste Tribunal. consoante observação da equipe de inspeção (volume principal-II. dissonante. fundamentou ele.

sequer deu início à fabricação em razão de não haver recebido nenhum valor por parte da construtora”. f. Gilberto Morand Paixão. realizado. f. que foram por diversas vezes alterados. 43 e volume principal-I. 56). comprovou-se que o percentual de 1. 321.8. 321. 53/4). o percentual residual em relação à rubrica “fabricação” foi visado como tendo sido executado. A propósito da medição relativa à estrutura metálica espacial supramencionada. os projetos encontravam-se “engavetados na empresa aguardando os acontecimentos” (volume 12. f.com o apoio do Fundo de Construção da Universidade de São Paulo – FUNDUSP (volume 1. f. verificando posteriormente as posições físicas e financeiras de diversas contratações. Porém. 24). o cerne da questão gravita em torno da confirmação mensal de percentuais de execução diversos daqueles efetivamente realizados. Entap Engenharia e Construções Metálicas Ltda. “desenvolveu os projetos. cujo procedimento poderia elevar aquele percentual de execução.. portanto para comprovação em época oportuna. 70/1): Auditorias do TCU. de onde se extrai declaração da construtora.9. f. 321. ou nem mesmo haviam sido firmados. o percentual considerado como executado na época. Observa-se que. 321. conforme assegura o chamado Procedimento Administrativo TRT/GP 04/98. 321. comprovou o TRT. e diante da expectativa da assinatura de termo aditivo objeto de tratativas discutidas desde o mês de setembro daquele ano. Brasília-DF. f. documento esse que deu ensejo à rescisão do contrato celebrado com a Incal. 321. consoante relatório de 22/03/99. sobretudo em decorrência de a mesma não ter honrado seus compromissos previstos contratualmente (volume 12. o responsável em epígrafe atestou como executado o percentual remanescente em relação ao item “fabricação” da chamada estrutura metálica espacial (volume 15. Contudo. f.11. somado a diversos outros merecedores de igual avaliação. Acredito que uma melhor verificação por parte do Sr.10. Ano 4. ficando pendentes os itens “entrega” e “montagem” do bem. em seus levantamentos. quando da segunda medição. verbis (volume 15. foi de fato. 24/30). Conforme o mencionado documento. 321. Número 15. em relação aos chamados contratos à ordem. não tenha considerado a existência de materiais e equipamentos que se encontravam no almoxarifado.75% que faltavam para a conclusão da obra como um todo) relativo à conclusão do equipamento. afirmaram os técnicos do TRT que os referidos materiais eram pouco representativos (volume 34. teria permitido a comprovação de que muitos dos contratos celebrados entre a Incal e empresas fornecedoras encontravam-se inadimplentes. 165).5. essa relativa ao mês de julho de 1998. por intermédio de da correspondência datada de 20 de outubro de 1997. que a empresa responsável pela fabricação do equipamento. para efeito de acompanhamento. representaram o valor monetário ali expresso para efeito de repasse à Incal por parte do TRT. Ou seja. verificou o TRT a existência de várias pendências junto aos fornecedores. 2001 263 . O mencionado relatório retrata diversas outras pendências por parte de empresas contratadas pela Incal. Embora a empresa Falcão Bauer.6. De qualquer forma. Dessa forma. contudo.2496% (em relação aos 19.7.

Em que pese suas alegações de defesa.encontram-se contratados.12. merecendo ressaltar que o tema foi objeto de questionamentos por meio do próprio TRT. A multa como sanção e a regra do ne bis in idem 325. Inviável. Sr.443/92. Medidas sugeridas pelo Ministério Público em caráter opinativo B. 323. à época. via Procedimento Administrativo GP 04/98 (volume 12. f. Brasília-DF. Antônio Carlos da Gama e Silva.transporte e outros em fase de instalação na obra e. sob todos os aspectos. nos termos do artigo 58. Contudo. não tendo sido o Parecer Técnico o elemento indutor decisivo para o desfecho verificado.13 Relativamente ao item alusivo a elevadores. e. contudo. à luz de todas as peças constantes dos autos. ante a manifesta intenção de os dirigentes do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região atender o requerimento formulado pela Incal Incorporações S. 16/18 e 25). julho.A. B.“Declaramos. que todos os equipamentos e instalações previstos naqueles instrumentos . da Lei 8. manifesta-se de acordo com a criteriosa análise da Unidade Técnica. É certo que as medições elaboradas pelo Sr. 2001 . estava absolutamente inadimplente junto a alguns dos principais fornecedores com os quais havia contratado. Lucas Rocha Furtado. estando alguns em fabricação . também. com outros. as manifestações externadas pela SECEX/SP e pelo douto Ministério Público. Dr. 321. Gilberto Morand Paixão posicionaram-se muito aquém dos elevados índices confirmados pelo engenheiro antecessor. Ao que parece. acompanhando. serão implantados na sua totalidade até a entrega prevista do empreendimento em fevereiro de 1998. agosto.Escrituras e Aditivos . setembro e novembro de 1998. faltou a prudência exigida para o exercício de tais atividades. que o referido Sr. porém não empreendeu o cuidado necessário para desenvolver um rigoroso acompanhamento da fiscalização dos serviços ali executados.7. entendo que ao mencionado profissional. pois conforme já verificado. inciso I. o cumprimento do prazo declarado bem como inverídica a declaração de que todos os equipamentos e instalações estavam contratados”. sugerindo a aplicação de multa ao responsável. em parte. deve ser eximido da responsabilidade pelo débito que se lhe atribui. Entretanto. justificando também procedimentos praticados sob a forma de contratos à ordem. frente à magnitude daquele empreendimento.” 321.7. 322.1. observa-se que o Sr. que “a correspondência não retrata a verdade. 264 Auditorias do TCU. Ano 4. assegurou o TRT. 324. Entendo. Gilberto Morand Paixão atestou a execução de percentuais respectivos ao longo dos meses de junho. permanecem ainda controvérsias em relação ao assunto. acolhendo a proposta no sentido de que sejam as contas julgadas irregulares e condenados os responsáveis ao recolhimento do débito. em relação ao reequilíbrio econômico-financeiro. a empresa. portanto. a ele não foi dado conhecer o histórico das irregularidades praticadas naquele âmbito. deixo de acolher as alegações de defesa relativas à elaboração das planilhas de medição. por meio do documento supramencionado. Número 15. sequer havia ainda formalizado qualquer pedido. Dessa forma. O douto representante do Ministério Público.

994/96-2 (Acórdão nº 220/97 . ordinariamente. a aplicação de multa em processo concernente a matéria de fiscalização de atos e contratos é perfeitamente admissível. Forçoso convir. convertido aquele processo de fiscalização em Tomada de Contas Especial. 331. juntamente com as pessoas físicas e jurídicas que deram causa ao prejuízo inquinado. destarte. divirjo do Parquet especializado. 327. 330. os agentes identificados no Rol de Responsáveis pela administração de órgãos e entidades do Poder Público Federal e. ser alcançados pelo poder fiscalizador do TCU agentes públicos secundários. Na primeira classe de responsáveis. 8. na condição de beneficiários de recursos federais. eventualmente. Em face do normativo indicado. concorram para a perda. Nesse sentido. a multa prevista no art. na assentada 17. pessoas físicas e jurídicas estranhas ao serviço público e representantes da Administração Pública Estadual/Municipal.443-92. destacandose a participação do Sr. que.20. Sr. com fundamento no art. aplicar desde logo multa. de alguma forma. e os que apenas se submetem ao julgamento deste Tribunal quando praticam atos que resultam em dano ao Erário. data maxima venia. ao detectar atos irregulares quando da realização de inspeções e auditorias. com o compromisso acordado. quando do julgamento do TC nº 18. e de solicitação à Advocacia-Geral da União para adoção das medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis arrolados nesta Tomada de Contas Especial. 2001 265 . qual seja. 58. todos aqueles que. Passo a examinar a primeira delas. ex-presidentes daquela Corte do Trabalho.326. III. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. Número 15. Brasília-DF. 57 da Lei n 8. antecipar a avaliação sobre parcela dos atos de gestão dos responsáveis. uma vez que se trata da mesma irregularidade que deu azo à multa no decorrer da fiscalização. E é na aplicação de sanção a estes gestores que. Ministro Carlos Átila. este Tribunal já lhes aplicou. tem o mister de prestar contas. encontram-se os Srs.560.97. arbitrando-se-lhes o valor de R$ 17. O TCU tem a prerrogativa de. o dano causado ao Erário em face das irregularidades constatadas nas obras do Fórum Trabalhista de 1ª Instância da cidade de São Paulo.09. que a imposição de nova multa nesse processo de Tomada de Contas Especial àqueles gestores configuraria dupla apenação. 43. Emergem do judicioso parecer duas novas providências. da Lei n. Nicolau também como presidente da Comissão Especial de Construção do Fórum Trabalhista. podendo. 329. 332. distingo duas espécies de responsáveis: aqueles que. trago à colação excertos do Voto vencedor do Exmo. da mesma lei. Como já tive oportunidade de me manifestar neste Plenário. 328. individualmente. e que merecem maior reflexão: a proposta de aplicação a todos os responsáveis da multa estabelecida no art. sujeitam-se à jurisdição dessa Corte.443-92. divergindo parcialmente do Auditorias do TCU. faltosos.Plenário. Ano 4. o que implica. examina-se agora a plenitude das ações dos gestores citados. extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário. em tese. neste caso. de alguma forma. ordinariamente. parágrafo único. Isto porque. Dessarte. Ata 36/97). independendo de prévia apreciação das contas anuais. Ocorre que.

a apreciação da gestão como um todo e. VOTO por que o Tribunal aprove o ACÓRDÃO que ora submeto à apreciação desta Primeira Câmara.99.1ª Câmara. do Regimento Interno. Ora.” 333. 58. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. da lavra do Exmo. 335.06. Número 15. não tenho dúvidas de que o são. a gestão dos administradores públicos é avaliada de forma global nas respectivas contas anuais. Brasília-DF. É bem de ver que podem ser suscitados questionamentos sobre a natureza da responsabilidade de terceiros. se necessária. Assim. a meu ver. nesse contexto. 218.” 334. configura dupla apenação. No mesmo sentido. No tocante à proposta do douto Ministério Público para apenação dos demais responsáveis. na forma estabelecida neste Capítulo.443/92. por irregularidades que já deram ensejo à multa no processo de fiscalização. 218. Corte de Contas. de 1992. para fins do disposto no art.entendimento esposado pelo Relator.” 338. pois. 337. a prevalência do entendimento jurisprudencial no âmbito desta Corte no sentido de que a cominação de multa em processo de contas. Não poderá. acompanho integralmente. no qual foi aplicado ao recorrente a multa prevista no art. por ocasião da apreciação de processos oriundos de fiscalização. pela prática de ato ilegítimo e antieconômico de que resultou dano ao Erário. Afinal. Todavia. deve ser considerado o Acórdão 99/95-TCU-Plenário. o que caracterizaria. nada impede que sanção seja aplicada aos responsáveis. 8. Ministro-Relator Walton Alencar Rodrigues. Note-se. o Acórdão 237/99 . O Tribunal de Contas da União poderá aplicar aos administradores ou responsáveis que lhe são jurisdicionados as sanções prescritas na Lei n. 336. Por essas razões. A meu ver. evidentemente tem a prerrogativa de também aplicar-lhes as sanções que a Lei faculta. da Lei nº 8. Ano 4. ao que consta. in casu. se o TCU tem competência para instaurar a tomada de contas especial desses responsáveis. e à vista das considerações ora expendidas. os agentes em apreço estão perfeitamente abarcados na segunda espécie de 266 Auditorias do TCU. penso eu. proferido em Sessão de 22. porquanto já concretizada por meio do Acórdão nº 045/99-Plenário.ainda não houve apenação. ser aplicada ao responsável mais de uma multa pela mesma ilegalidade. Neste caso. Sr. Assim concluindo. in verbis: “Art. no âmbito da competência deste Tribunal. Questão de relevo que exsurge do judicioso parecer é no sentido de se os mencionados responsáveis estariam sujeitos à jurisdição desta C. entretanto. dupla apenação. do seguinte teor: “O julgamento das contas anuais dos responsáveis constitui. teceu as seguintes considerações: “De fato. deva ser dispensada a aplicação de multa para os dois gestores. Srs. em essência. 2001 . como é o caso desta TCE. inciso III. 339. estou convicto de que. quem pode o mais pode o menos.443. eminente Ministro Adhemar Ghisi. pela irregularidade verificada que foi considerada grave pelo Relator . conforme razões a seguir. antes do julgamento das contas pertinentes ao respectivo exercício.

ainda quando o façam apenas ocasional ou episodicamente.. 218 acima transcrito. Número 15. extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário.443-92: “Art. de pessoas alheias à intimidade do aparelho estatal (com exceção única dos recrutados para serviço militar) . além de prever a obrigação de reparar o dano.. Art. arrecade. 2001 267 . em todo o território nacional.” 341. Ano 4. órgão ou entidade a que se refere o inciso I do art. compete. exercem função pública. Por oportuno. 12ª Edição. assuma obrigações de natureza pecuniária. órgão de controle externo. bens e valores públicos ou pelos quais a União responda. ou que.) c) particulares em colaboração com a Administração 10. 1º desta lei. concorreram para o dano ao Erário. Diz o artigo 1º da Lei 8. mas antes tem embasamento no ordenamento jurídico que norteia a competência e jurisdição deste Tribunal.” 343. pp. Editora Malheiros. não restam dúvidas de que. isto é. gerencie ou administre dinheiros. vejamos: 342. se os referidos agentes estão submetido à jurisdição deste Tribunal. extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário. 5º A jurisdição do Tribunal abrange: I – qualquer pessoa física. Esta terceira categoria de agentes é composta por sujeitos que. e as contas daqueles que derem causa a perda. bens e valores públicos das unidades dos poderes da União e das entidades da administração indireta. que utilize. nos termos da Constituição Federal e na forma estabelecida nesta Lei: I – julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros.443/92. (. ainda que às vezes apenas em caráter episódico.) Art. Confrontados os dispositivos epigrafados com aquele contido no art. Brasília-DF. e que no presente caso. (. se não. Ressalto ainda que a noção de terceiro responsável não me parece ser construção de caráter meramente acadêmico. são pessoas físicas e jurídicas estranhas ao serviço público. em nome desta. Auditorias do TCU. II – aqueles que derem causa a perda. 1º Ao Tribunal de Contas da União. e estando plenamente demonstrada nos autos a responsabilidade pelos atos inquinados. 4º O Tribunal de Contas da União tem jurisdição própria e privativa. a Lei nº 8. incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal. sem perderem sua qualidade de particulares – portanto.. acena com a possibilidade de aplicação de multa. 340. trazemos à colação os ilustrados ensinamentos do eminente Professor Celso Antônio Bandeira de Mello. 218 e 224: “Esta expressão – agentes públicos – é a mais ampla que se pode conceber para designar genérica e indistintamente os sujeitos que servem ao Poder Público como instrumentos expressivos de sua vontade ou ação. sobre as pessoas e matérias sujeitas à sua competência. colhidos de sua obra “Curso de Direito Administrativo”.. guarde.responsáveis a qual me referi acima..

443/92. e se. cabível quando o responsável for julgado em débito. assim se pronunciou: “42. no caso de o agente não estar ordinariamente obrigado a prestar contas. em montante de até cem por cento do valor atualizado do dano causado ao Erário. de 1992. do qual trago à lume os seguintes excertos. entretanto. Antônio Carlos da Gama e Silva refletiria satisfatoriamente às irregularidades por ele cometidas. se os agentes em exame figuram nessas contas como responsáveis. 348. da lavra da douta Representante do Ministério Público. Ministro Adhemar Ghisi. Dra. tiveram suas contas julgadas irregulares. por conseguinte. 2001 . expressamente. que a jurisdição somente alcance a reparação do dano. entre outras cominações. Veja-se ainda que a competência constitucional do Tribunal de Contas da União não está adstrita à fiscalização e julgamento das contas. tendo em vista as razões já expostas. Matéria similar foi julgada por este Tribunal. e restando comprovado que agiram em conjunto com a vontade deliberada de auferir vantagens indevidas. em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. e inexistindo débito nesta TCE. Gilberto Morand Paixão. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. verbis: “12. Ano 4. 71 da Constituição Federal. o art. poderiam surgir questionamentos acerca da possibilidade de aplicação da referida sanção. deva ser apenado o Sr. Cristina Machado da Costa. entendo que deve ser aplicada multa individual a todos os envolvidos e não apenas aos empregados da Caixa. o nobre Relator do feito. na forma estabelecida neste Capítulo.” 346. Assim. que estabelecerá. que: “Art. 347. 13. compete ao TCU aplicar aos responsáveis. Não há negar que. uma vez que essa questão foi resolvida no âmbito interno da Caixa Econômica Federal. 218. a má-fé dos responsáveis. multa proporcional ao dano causado ao erário. 268 Auditorias do TCU. Quanto ao Sr. 14. ao elencar as pessoas que estão sujeitas às sanções previstas na Lei nº 8. estabelece. em virtude da exigüidade de julgados onde o Tribunal tenha aplicado multa a pessoas que não figurem no rol de responsáveis. Segundo o inciso VIII do art.344. O Tribunal de Contas da União poderá aplicar aos administradores ou responsáveis que lhe são jurisdicionados as sanções prescritas na Lei nº 8. Brasília-DF. 57. Ao revés. Antônio Carlos da Gama e Silva com o mesmo quantum já aplicado aos Srs. Entretanto. notadamente o dispositivo constitucional retro. penso que 50% (cinqüenta porcento) do valor da pena imposta ao Sr. Por derradeiro. Número 15.” 345. do Regimento Interno. as sanções previstas em lei. se causaram dano ao Erário. não se encontra na Lei Orgânica nenhum dispositivo que prescreva. 218. conforme precedente contido no Acórdão nº 117/97-Plenário (Ata nº 22/97). Caracterizada. Por seu turno. não há porque não ser aplicada a multa do art. 349. entendo que.443. em obediência aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. “caput”.

Sr. endosso na íntegra o lúcido pronunciamento. no sentido de que. a tradição. Com efeito. medida plausível para assegurar. no Código de Processo Civil. 353. como referido pelo Parquet especializado. aplacaria o leque de medidas procrastinadoras.A. a transferência de bens.A. B. Assinala que. bem como. a imprensa noticiou recentemente que um dos principais envolvidos no desvio de verbas das obras. No tocante à providência alvitrada pelo Ministério Público. nas manifestações do Ministério Público e nos julgados deste Tribunal. vejo que sanção mais intensa retrataria plenamente o comprometimento e a contribuição que essas firmas ofereceram no sentido de robustecer o gravíssimo prejuízo imposto ao erário. conquanto ressalte que a motivação para o arresto solicitado pelo TCU não depende necessariamente do comportamento do devedor. Brasília-DF. Dessa forma. outrossim.7. engendrou artifícios para transferir um apartamento em Miami. esses responsáveis têm agido com a clara intenção de se esquivar do controle das autoridades brasileiras e de ocultar o produto de seus crimes. o que. Registre-se que essas medidas estão amparadas expressamente na Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União (Lei nº 8. evitando-se. e Grupo OK Construções e Incorporações S.2.. 354. 355. Feitos esses comentários. que os bens já contritos pela indisponibilidade venham a ser deteriorados ou desviados pelos respectivos proprietários. O Ministério Público. objetivando excluí-lo da relação de bens bloqueados pela Justiça de São Paulo. Desconstituição ou desfazimento do ato administrativo maculado 357. 356. Nada impede. objetivando resguardar bens suficientes para a solução da dívida. examino agora a proposta formulada pela SECEX/SP. em seu art. Outro aspecto importante ressaltado na manifestação do Ministério Público é de que não cabe efeito suspensivo em relação a medidas cautelares. conduzem à ilação de ser exeqüível a adoção de medidas concretas. que se garanta a eficácia da indisponibilidade de bens.7. Ministério Público. Ano 4. acatada pelo d. desde o início dos acontecimentos relativos ao caso em exame. O arresto dos bens e o papel da Administração Geral da União 351.3. fartamente evidenciadas nos pareceres técnicos. assim. Nicolau dos Santos Neto. em tese. subsidiariamente. são de todo oportunas as providências ora alvitradas. visando à garantia da execução do débito apurado neste processo. em prejuízo da garantia de execução do débito. no sentido de que seja solicitada à Advocacia-Geral da União a adoção das medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis arrolados nesta Tomada de Contas Especial. reporta-se ao histórico de atitudes ardilosas protagonizadas por alguns dos responsáveis arrolados nestes autos. ante a relutância Auditorias do TCU.350. 61. senão um dos mentores. As circunstâncias que envolveram o presente caso. No que se refere às Empresas Incal Incorporações S. Não se pode olvidar que a indisponibilidade de bens decretada pelo TCU tem termo final previsto na Lei Orgânica.443/92). bem como em outras alçadas competentes que investigam a questão. B. ao passo que o arresto não possui vigência estabelecida. em andamento nesta Corte. com a promoção do arresto. Número 15. 352. 2001 269 .

Isso porque. Frisa o Ministério Público que o Supremo Tribunal Federal. E ainda. em suma. Posteriormente. ordinariamente. que a rescisão do contrato. não obstante possa parecer juridicamente mais adequada a anulação da licitação e da avença.560-8 – DF. 358. 359. e por fim. ter efeito mandamental. seja o fato comunicado ao Congresso Nacional. Insurgindo-se. 71 da Constituição Federal. tanto a obra iniciada. da providência determinada. 360. do ponto de vista estritamente do interesse público e da economicidade. quando da apreciação do mérito do Mandado de Segurança nº 23. O entendimento prevalecente nas aludidas oportunidades foi o de que.do TRT . na manifestação do Sr. Em seguida. por não estar em causa naquele feito. desconstitutivo do contrato. o TRT-2a Região argüiu. desarrazoado e. desde a origem. O contrário seria absurdo. sendo a providência apropriada a decretação da nulidade do contrato. permaneçam incorporados ao patrimônio público. isto é. no Acórdão nº 045/99-Plenário. acolhida pelo Ministério Público. promovendo a nulidade do contrato.915. está-se considerando exatamente a diferença entre 270 Auditorias do TCU. não se pode olvidar que. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele. a despeito da anulação do contrato. portanto. 59. em sede recursal. Acerca da matéria. impetrado pela Incal Incorporações S/A. ou se o TRT deveria propor ação judicial específica. não se pronunciou a Suprema Corte acerca da forma adequada. mostrava-se melhor solução. todos os atos deveriam ser desfeitos. e não. ao determinar-se a anulação do contrato e condenar-se os responsáveis ao recolhimento do valor de R$ 169. se poderia ser simplesmente por decretação administrativa. do seguinte teor: “É certo que a decretação de nulidade não faz com que as partes retroajam ao status quo ante de forma absoluta. providência já adotada. a fim de que.2ª Região em cumprir a determinação do TCU (alínea “f” do Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário).F. além de desconstituir os já produzidos”. a fim de que o Parlamento exerça a competência conferida nos termos do § 1º do art. como sustentara o impetrante.T. No caso. Primeiramente. A questão da nulidade do contrato foi amplamente debatida no âmbito deste Tribunal. por meio da Consultoria-Geral do TCU. antijurídico. cabe invocar a manifestação do Ministério Público. no requerimento de cassação da liminar e denegação da segurança do Mandado acima citado. ex vi do art. Assevera que. há de se preservar a transferência da propriedade do imóvel para a União. sustando o contrato impugnado. A eficácia desconstitutiva somente seria alcançada com a adoção. Brasília-DF. cujo teor transcrevo para perfeito elucidamento: “Art..491. a qual. Diretor da 2ª Divisão Técnica da SECEX/SP. a rescisão do contrato configura-se mais apropriada. Ano 4.15. concluiu ser válida a referida determinação do TCU. Número 15. deveria produzir. 59 da Lei de Licitações e Contratos Administrativos. como o bem adquirido. afirmou o S. por parte da administração do TRT. 362. conforme referido precedentemente. estando o procedimento licitatório e o correspondente contrato eivados de vícios. 2001 . ocasião em que o Plenário prolatou o Acórdão nº 298/2000-TCU-Plenário. 361.

Dessa forma. 363. Há que se lembrar que a Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade. são suficientes à comprovação de vícios no procedimento licitatório e do contrato dele originado. por motivo de conveniência ou inoportunidade. o interesse público. Ed.) é a prerrogativa que alguns chamam de autotutela e que não deixa de corresponder a um dos atributos dos atos administrativos. atingindo garantias ou deveres fundamentais à execução do objeto. no sentido de que se negam hoje os efeitos de ontem. portanto. 78 da Lei nº 8. Conforme comprovado com o advento da CPI do Judiciário. porque deles não se originam direitos. Maria Sylvia Zanella Di Pietro. caso não se preservasse a transferência da propriedade para da propriedade para a União. Outrossim. Somente assim. No dizer da ilustre administrativista. retroativamente. ab initio. a apreciação judicial”. Conforme amplamente debatido nesses autos. Ano 4. Ou seja. como se de índole privada fosse. cujo principal efeito foi o contínuo. deliberado adiantamento de pagamentos à contratada. 364. 2001 271 . São Paulo. Auditorias do TCU. o ato viciado e seus efeitos. poder-se-ia aniquilar. a decretação da nulidade do contrato. em total descompasso como o cronograma físico da obra. e. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo. 12ª Edição. p. Com efeito. Assim.”(grifos originais). in Direito Administrativo.65”. Brasília-DF.225. 367. Malheiros. 252-253: “(. desde então. portanto. sistemático. seguiu-se a execução do contrato. dispõe a Súmula 473 do STF: “A Administração pode anular seus próprios atos. assiste razão ao Ministério Público.. Número 15. que diz respeito à sua executoriedade pela própria Administração. impondo.666/93. o instituto da rescisão não extingue o ato ilegal. 398): “Vale dizer: a anulação opera ex tunc. dando azo a um desvio de recursos públicos de mais de R$ 169 milhões. Estes fatos. Ela fulmina o que já ocorreu. elencadas no art. e.75 – e o que foi efetivamente aplicado na aquisição do terreno e construção do edifício . ocorrem por motivo de inconveniência ou inoportunidade do ato.o valor despendido pelo erário – R$ 231. tendo. pp. por conseguinte. as formas de rescisão contratual. por conseguinte. Esta decide e põe em execução a própria decisão. Ademais.. o rastreamento destes recursos revelou a remessa de grande soma para contas do exterior e transferências financeiras suspeitas originadas de contas de titularidade de alguns dos responsáveis arrolados nesses autos. quando eivados de vícios que os tornam ilegais.R$ 62.461. em grau máximo. Ao contrário da nulidade. Atlas. Não operam efeitos exnunc. o poder-dever de anular os atos que contrariam a lei. esta sim. uma vez que a mera revogação do contrato não invalida o passado.” 365. afigura-se-me a invalidação do ato como inafastável para o administrador. 13ª Edição. respeitados os direitos adquiridos.176.953. ou revogá-los. estar-se-ia diante de um enriquecimento sem causa (legítima) do particular contratado. 366. os vícios macularam desde a fase do edital. de per si.60. em todos os casos. e ressalvada. operando efeitos ex-tunc. dizem respeito a ofensas às exigências legais e contratuais. A isso.

o aspecto formal do ato é de muito maior relevância do que no direito privado. 2001 . 371. a impossibilidade de ser dado cumprimento à determinação. essa relevante questão jurídica não foi conhecida nem enfrentada por este Tribunal ao ensejo da apreciação do Relatório de Auditoria que resultou no Acórdão nº 045/99-Plenário. entendeu que. 13ª Edição. 375. argumentou o TRT/SP que não possuía legitimidade para realizar qualquer ato envolvendo o imóvel em debate. mesmo quando anteriormente sob a responsabilidade daquele Tribunal. assim se manifestou o Relator do Recurso. eminente Ministro Adylson Motta: “Ora. Ora. pois que. Finalizando. verbis: “No direito administrativo. alegava-se que. corrigindo erro na indicação do adquirente nomeado e. restando. ao ser cientificado da deliberação contida no Acórdão 298/2000.368. em conseqüência. daí. com a transferência do domínio do imóvel para a União. São Paulo. Menos ainda. Em conclusão. caberia à Advocacia Geral da União a adoção das providências necessárias ao cumprimento ou manifestação sobre o assunto. Brasília-DF. 374. Ao examinar embargos de declaração (Acórdão nº 036/2001-TCUPlenário). tal formulação: “transferência do domínio do imóvel em questão para a União” . o que se verificou na hipótese foi meramente a formalização do ato administrativo. Sustação do contrato pelo Congresso Nacional 372. no tocante à assertiva de que a Advocacia Geral da União seria o órgão legitimado para adotar providências dessa alçada.4. B. Número 15. p. Atlas. É pacífico na doutrina que a observância do aspecto formal constitui requisito de validade do ato. Acerca do tema. Desta feita. ao argumentar que não seria legitimado para efetivar qualquer ato referente ao imóvel. Posteriormente. a recusa do TRT – 2ª Região em dar cumprimento à determinação em apreço fundamentava–se em novo fato. Enfrento. nessa oportunidade. a questão de quem seria o destinatário correto para efetivar as providências atinentes à nulidade do contrato. pois. é pelo respeito à forma que se possibilita o controle do ato 272 Auditorias do TCU. no tocante à representação legal. passando a posse e propriedade do Fórum Trabalhista à União. in Direito Administrativo. Com efeito. 373. 370.7. 369. Ano 4. não se afigura apropriada. 192. Ed. invoco o esmerado ensinamento da Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. não assiste razão ao TRT/SP.em rigor jurídico. razão pela qual nem foi nem poderia ter sido considerada na deliberação deste Tribunal que apreciou os Pedidos de Reexame contra ele interpostos. consignou ser matéria da competência exclusiva do Relator originário do feito. já que a obediência à forma (no sentido estrito) e ao procedimento constitui garantia jurídica para o administrado e para a própria Administração. como bem asseverou o Relator do Acórdão supra. muito menos agora ao ensejo do exame dos presente Embargos de Declaração”. A meu ver. o imóvel em apreço já pertencia à União. foi retificada a escritura pública. Nesse sentido.

Ano 4. 49 da mesma Lei elucida a questão.PGFN. A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente poderá revogar a licitação por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado. quer pelos seus destinatários. do CC). Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interessadas. segundo se depreende da leitura do Termo. Melhor dizendo. E de outra forma não poderia ser. inciso I. da Caixa Econômica Federal. 49. para fins do disposto na Lei nº 8. I. Não há. do Decreto-lei nº 147/67. que são bens da União os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos. consoante reza o art. o mesmo não ocorre no tocante ao contrato originalmente celebrado com a Incal Incorporações S/A. 380.145) que o imóvel da matrícula foi adquirido para uso do TRT/SP. dispõe o art. processando-se o ato de transferência. E foi o que de fato ocorreu. 382. 381. a regularização dos imóveis da União. inciso V.” 376. Se no que tange à questão da propriedade. 60 da Lei nº 8. Número 15. Brasília-DF. Isto porque. Contrariamente ao entendimento defendido pelo TRT-2ª Região.administrativo. sempre que necessário. junto aos órgão municipais e aos Cartórios de Registro de Imóveis. Na forma do art.SPU e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional .666/93. o TRT-2ª permanece na condição de contratante.666/93. 378. quer pela própria Administração. da Constituição Federal. com o concurso. sustento que tais matérias não se confundem. possui a propriedade pública. na condição de Órgão da Administração Pública Federal Direta. será promovida pela Secretaria do Patrimônio da União . 377. as quais manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sistemático do seu extrato. conforme já exposto nesse Voto. Consta do Termo de Retificação que a União foi representada pela PGFN. Consignou ainda o Termo de Retificação (AV.636/98.112. 2001 273 . pertinente e suficiente para justificar Auditorias do TCU. óbice jurídico.” 379. 14. 60. Apenas a União. verbis: “Art. na Gerência Regional do Patrimônio da União em São Paulo. portanto. na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno (art. que se formalizam por instrumento lavrado em cartório de notas. vislumbra-se a efetiva regularização. é a autoridade legitimada para declarar a nulidade do contrato. não afasta a responsabilidade do TRT/SP como autoridade administrativa competente. O teor do art. 14. 13 . Nesse sentido.666/93 estabelece a formalização de registro em cartório para essa espécie de contrato. 20. uma vez que o Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região não possui personalidade jurídica própria. que somente com a decretação da nulidade. 3º da Lei nº 9. firmando meu convencimento de que a matéria da nulidade em discussão é de âmbito administrativo. de tudo juntando-se cópia no processo que lhe deu origem. Também a Lei nº 8. atenderia plenamente ao interesse público. salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis. No que tange à legislação aplicável. quer pelos demais Poderes do Estado. conforme se verifica a seguir: “Art. de conformidade com o art. o fato de a propriedade pertencer à União.

nem poderia ter. Ora. Ausência de boa-fé dos responsáveis 385. não há que se falar em rejeição das alegações de defesa e concessão de 15 (quinze) dias para recolhimento da importância devida. “na hipótese de não se configurar a boa-fé do responsável ou na ocorrência de outras irregularidades relacionadas no artigo 16. de ver que a AGU não tem. 131 da Constituição Federal. que solicitará. desde logo. Dessa forma. bem como as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. de conseqüência. 71. tendo em vista que. Ano 4. Não obstante seja a boa-fé fruto de presunção.. evidentemente. endosso o entendimento uníssono dessa Corte. 2001 . a imprescindível boa-fé. seja o fato comunicado ao Congresso Nacional. distratos. conforme o artigo 3º da Decisão Normativa TCU 35/2000 (publicada no DOU de 27. Os documentos apresentados pelos responsáveis. ante a relutância do TRT/2ª Região em promover a nulidade do contrato. p.tal conduta. III.11. é implausível pretender legitimar a Advocacia Geral da União para declarar a nulidade do contrato. Seção I. no presente caso. 71 da Constituição Federal. Neste contexto. objeto da presente Tomada de Contas Especial. e.. de ofício ou por provocação de terceiros. bem como em todo o Relatório precedente. o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional. judicial ou extrajudicialmente. é a de representar a União. Nesse campo fica também evidenciada a ausência dessa condição. Número 15. (. “Art. mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.” 383. pela alínea “b” do Acórdão nº 298/2000–Plenário). da Lei 8. tendo em vista a competência que lhe é conferida nos termos do § 1º do art.. no sentido de que. preconizada no art. Em face dessas razões. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. ao qual compete: (. 274 Auditorias do TCU. em relação aos devedores. A competência desta Instituição.) § 1o No caso de contrato. em parte. 388. 387. o julgamento definitivo pela irregularidade das contas”.443/92. retificada. Por último. tanto a título de alegações de defesa.. devendo anulá-la por ilegalidade. Brasília-DF. o Tribunal proferirá. 90). não lograram comprovar a boa e regular aplicação dos recursos públicos na construção do Fórum Trabalhista de Primeira Instância da cidade de São Paulo. nas condutas dos responsáveis solidários. O controle externo. trago à baila a análise associada a eventual presunção de boa-fé dos resposnáveis. dentre os quais se incluem. conforme determinado pelo TCU (alínea “f” do Acórdão nº 45/99–Plenário.)” C. a capacidade para celebrar contratos. devidamente descritas nesse voto. de imediato.2000. 384. vez que os indigitados contribuíram deliberadamente para configuração do débito. 386. ao Poder Executivo as medidas cabíveis. competência para substituir a Administração em seus encargos e prerrogativas próprias da ação administrativa. o fato é que não vislumbramos. a cargo do Congresso Nacional. quanto para fins de complementação.

Na qualidade de engenheiro. distribuídos a todos os gabinetes. Divirjo. Ano 4. o sr. ambiciosa de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. a prática de atos administrativos eivados de vícios. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. Paixão o exame de pleito da construtora.00 (três milhões e setecentos mil reais). solicitou o TRT ao sr. Gilberto M. recebi o Relatório e vários outros elementos de defesa. do voto do Relator em relação à responsabilização do engenheiro Gilberto Morand Paixão. VOTO Ministro-Redator Walton Alencar Rodrigues Gostaria de cumprimentar o E. voto por que o Tribunal adote as Deliberações que ora submeto ao Egrégio Colegiado.700. e neles verifiquei a impossibilidade de atribuição ao engenheiro de conduta passível de determinar prejuízo ao Erário. que estariam a dar suporte aos pagamentos. No tocante ao primeiro ponto. que implicaram a redução do preço pleiteado pela construtora Incal em cerca de R$ 3. estando fora da órbita em que gravitava dizer da validade jurídica do contrato. apresentados pelo sr. Embora eivado de vícios insanáveis. e para verificar se o valor. em razão do débito apurado. como contratado. Comprovou-se. para fiscalizar a obra. no sentido da sua absoluta inocência. Auditorias do TCU. Paixão procedeu à avaliação técnica e matemática rigorosa das memórias de cálculo apresentadas e não à avaliação jurídica da perfeita conformação das cláusulas contratuais. Número 15. com exceção de três pontos fundamentais. no período de junho de 1998 a abril de 1999. segundo os termos do contrato vigente. na sua participação. análise essa que resultou em recomendações e ajustes de valores. na linha das manifestações da Unidade Técnica e da Procuradoria. período em que já estava o edifício em adiantado estado de execução. que resultaram na formação deste vultoso prejuízo ao erário. aos quais adiro. para avaliar se os valores apresentados pela empresa eram aceitáveis. Antes da retomada das obras. Dessarte. com as adequações que julgo convenientes.000. para embasar a contratação. como ao fim e ao cabo declarou esta Corte. resultante de tal repactuação. Gilberto M. Relator pela minudência e atenção com que elaborou seu relatório e voto. quanto aos ex-dirigentes. assim. pelo TRT. de seus termos e de eventual repactuação.389. no drama em que se intenta enredá-lo: a análise realizada pelo engenheiro cingiu-se à verificação da conformidade dos valores apresentados às regras previstas no contrato e da compatibilidade entre o valor resultante e o novo cronograma de execução da obra. o contrato foi apresentado ao engenheiro como documento lícito e idôneo. e em relação à não-aplicação dessa multa ao srs. era compatível com o montante da obra a ser então concluído. 390. com longa tradição de competência. Gilberto Morand Paixão. Brasília-DF. em relação ao valor da multa aplicada aos responsáveis. com a lei. 2001 275 . Há vários pontos relevantes para a formação de minha convicção.

Neste caso específico. Nestes casos. tais itens vão sendo pagos conforme o cronograma de execução previsto. a responsabilidade pela decisão de efetuar a repactuação e realizar pagamento antecipado de valores. adotado e mantido pelas sucessivas administrações da corte regional. tomaram subrepticiamente de empréstimo a consolidada reputação do profissional. na sua percepção. nestes específicos itens. em grande parcela. quando é recebido no canteiro de obras uma parte de um elevador. peças feitas sob encomenda. é que no curso da obra não haja. entregues e montadas com os percentuais constantes do cronograma. data venia. Isto é. já há muito tomada. Além disso. ordinariamente. que apresentaria divergência quanto ao que foi posteriormente apurado pela empresa Falcão Bauer. Esse entendimento foi agora parcialmente acolhido pelo eminente Relator. tendo comprovadamente evitado prejuízo 276 Auditorias do TCU. contudo. antecipadamente. integralmente. tenho firmada a convicção que o sr. tampouco prejuízo algum que tenha sido causado ao Erário por sua participação como fiscal da obra.Naturalmente que a administração do TRT e a Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo valeram-se da análise técnica do engenheiro para justificar decisão. Seria completamente desarrazoado e injusto atribuir ao engenheiro. o que o engenheiro está a atestar é o decurso do prazo contratual e a obrigatoriedade de honrar uma fatura apresentada na obra em face de um cronograma contratualmente previsto. Assim. Número 15. com as derivações resultantes do ilícito. Na verdade. Gilberto Morand Paixão atuou com lisura e correção. muito embora o objeto contratado esteja ainda em vias de ser fabricado. Brasília-DF. discrepância desarrazoada entre o que se realizou do contrato e o que estava previsto no cronograma. de lesar o Erário. Restou. Trata-se de dois itens relativos a contratos executados fora do canteiro de obras e que tiveram cronograma de execução e pagamento ajustado conforme o prazo residual para conclusão das obras. de repactuar cláusulas e elevar o valor do contrato. ou a sua cabine. tal como o seu motor. tais objetos são fabricados ao longo de tempo razoavelmente longo e pagos. Uma refere-se à estrutura metálica espacial e a outra ao item elevadores. ou entregue ou montado. responsabilidade residual do sr. segundo um cronograma de pagamentos. não havendo exata proporção entre parcelas fabricadas. intencionalmente estabelecido e com desiderato certo. Neste caso específico do TRT. O que se há de cuidar. objeto de visto do engenheiro na medição de cada mês. Dele discordo. Durante o decorrer normal de uma obra. para tentar tornar aparente que a repactuação decorreria de imperativo de ordem técnica e não da existência de regime contratual teratológico. não vislumbro na atuação do responsável nenhuma conduta culposa ou incompatível com o zelo profissional devido. e este é o zelo que se exige do profissional de engenharia. responsável pela análise do valor pleiteado. a contratação de um elevador ou de uma estrutura metálica. importa no desembolso antecipado de parte do valor acordado. 2001 . Ano 4. não é esta parte referida a um exato percentual do bem total. Gilberto Morand Paixão em razão de que haveria incorreções em dois itens relativos às medições por ele feitas no curto espaço de tempo em que esteve fiscalizando a obra. conforme o caso.

em locupletamento em benefício próprio.443/92. mas durante todo o curso da obra do TRT ele se portou como fiel executor dos desígnios urdidos pelo juiz Nicolau dos Santos Netos. considero insuficiente o valor da multa proposta pelo Relator. e a imediata exclusão. em razão de haverem sido ouvidos em audiência a respeito dos ilícitos administrativos praticados nos períodos de suas gestões na presidência da corte trabalhista e de não terem logrado justificar tais ilícitos causadores de dano ao Erário. com a exclusão de sua responsabilidade e conseqüente supressão do item 8. a magnitude dos prejuízos causados à União e a não-conclusão da obra. ou seja. como impõe a Lei 8. o intuito de lucro ilícito. Esse dano. 58. ampla margem de liberdade para fixação de seu valor e. estava ainda em vias de preliminar quantificação. Brasília-DF. VOTO por que o engenheiro Gilberto Morand Paixão seja excluído do rol de responsáveis deste processo. A anterior imposição da multa decorreu do comando expresso do art. e pelo art.700.00 (três milhões e setecentos mil reais). 43. em detrimento de relevantes interesses sociais. parágrafo único e do art. tomando em conta a conduta eivada de má-fé de todos os envolvidos.000. o que implica. no acórdão e decisão.3 do acórdão proposto. Por essas razões.00 (dez milhões de reais). correlatamente. VOTO no sentido de que a multa individual a ser aplicada. Ano 4. 71 da Constituição Federal e do art. seja da ordem de 5% do valor do dano causado. 2001 277 . verifico que não se comprovou locupletamento pessoal. VIII. de qualquer menção à lisura ou à diligência com relação à sua atuação profissional. a autorizar a imposição de multa de até 100 % do valor atualizado do débito. No tocante ao tópico seguinte. não vislumbro. e. absolutamente. da ordem de R$ 3. desde logo.maior para o Erário. evidente nas práticas adotadas. Número 15. 71. inc.000. a existência de bis in eadem na aplicação da multa ao Juiz Nicolau dos Santos Neto e ao Juiz Délvio Buffulin. devidamente atualizado. para conversão do processo de auditoria em Tomada de Contas Especial e citação dos responsáveis. ao mesmo tempo. 57 da Lei 8. em seu art. naquele momento. Relativamente à conduta do Juiz Délvio Buffulin.000. deve guardar a proporcionalidade justa com o valor da lesão ao Erário. devendo o seu valor consistir em instrumento de justa reprimenda e retribuição às irregularidades cometidas. entretanto. Auditorias do TCU. Com as devidas vênias ao Relator. a fixação do valor da multa pelo Tribunal de Contas da União deve atender ao princípio da proporcionalidade relativamente ao dano causado ao Erário. ante o que estabelecem os termos do inciso VIII do art. 57 da Lei 8.443/92. III da Lei 8. o valor do dano causado ao Erário e à coletividade. fixando-a no valor de R$ 10. Na forma expressamente autorizada pela Constituição Federal. grave responsabilidade para os magistrados investidos nessa competência.443/92. A multa prevista em tal dispositivo legal há de ser fixada como síntese de processo em que se aquilata a culpabilidade dos agentes. sobretudo. Tendo em mira o prejuízo sofrido pela União e o dolo de dano ao Erário e à sociedade.443/92 e a Carta Magna.

da Lei Orgânica. pudesse como que imunizar os principais responsáveis pelo imenso prejuízo causado à Nação. da Lei 8. segundo os propósitos do juiz Nicolau. não seria razoável que a multa do art. Brasília-DF. III.560. Por essas razões. em face apenas da conduta devidamente comprovada.000.443/92 e ao inciso VIII do art. de lesão ao Erário em cerca de 169 milhões de reais.443/92 impõe a aplicação de multas diferenciadas. admitir que a primeira multa . VOTO por que sejam incluídos no acórdão proposto pelo Relator os itens 8. determina a Constituição Federal e a Lei Orgânica desta Corte que ela verifique ainda o cabimento e a adequação de multa de até 100% do valor do débito. pela multa derivada da expressa dicção do inciso VIII do art.443/92. a supressão da multa aplicada no anterior julgamento dos fatos. pela Constituição Federal. Número 15. de forma explícita. da mesma lei. Poder-se-ia. 2001 . em razão de considerá-las incondizentes com a prova dos autos. também. de forma injustificada. e do art. parágrafo único e no art.000.20. III. relativamente à sanção principal. 58. pois. Ano 4.443/92.000. em razão da hipótese naquele momento verificada. em prol da continuidade da obra. atende ao disposto no art.2. mas. quando muito. Apurado ao final o débito.00 (um milhão de reais). ou substituída.00 (dez milhões de reais). e 8. com intuito de causar injustificadas delongas neste julgamento. o dano causado ao Erário. do acórdão proposto pelo relator toda e qualquer alusão à falta de diligência do engenheiro Gilberto Morand Paixão. Proponho. em auditoria. merecedor de multa menor no valor de R$ 1.4. anteriormente aplicada. 71 da Lei Maior e tem por medida o valor do débito apurado. não promover a quantificação final do débito . prevista para o fato mais grave.pudesse ser absorvida. retardou as diligências propostas e interpôs recursos impertinentes e desarrazoados. 58. pois. Mesmo quando todos os atos ilícitos já estavam devidamente comprovados. 43. Nicolau dos Santos Neto a multa individual de R$ 10. independentemente do valor do dano causado. Suprimo. 278 Auditorias do TCU. posteriormente comprovado.dificultando sobremaneira a atividade de controle do TCU.5. também. para aplicar ao sr. em vista da diversidade e da gravidade dos fatos ora comprovados.00 (um milhão de reais). limitada à época em R$ 17. no desempenho de suas atribuições.000. determinada e autorizada não só pela Lei Orgânica desta Corte. já em sede da Tomada de Contas Especial. Torna-se. permanecendo apenas a multa ora aplicada. 58.000. De fato. Ele agiu sempre.aplicada segundo expressa previsão do art. para aplicar ao sr. § único. 57 da Lei 8. Délvio Buffulin a multa de R$ 1. que cuida do fato de descumprimento de norma. enquanto a multa.000. 57 da Lei 8. 43. menos onerosa. 71 da Constituição Federal e do art. inciso III. São hipóteses normativas diversas a que a Lei 8. A que se aplica nesta oportunidade obedece estritamente ao art.2.

7. 8. 6. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) – CPF nº 895. Considerando que a redução no ritmo das obras não pode ser tido. quando publicou o Edital de Auditorias do TCU. Número 15. Representante do Ministério Público: Dr. Brasília-DF. a execução da obra deixou de obedecer aos princípios basilares da administração pública.717/20 (engenheiros contratados para fiscalizar a execução das obras).A.808/00. Srs. relacionados à forma de contratação do objeto pactuado. 5. 4.TCU . Acórdão: VISTOS. Considerando estar devidamente demonstrada a responsabilidade do Sr.559. Relator: Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha.Plenário 1. 3.581/53. Considerando que. sendo indevidamente caracterizado o contrato como de entrega de coisa pronta e acabada.025/98-8 2. como fator que dê ensejo ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. na pessoa de seus representantes legais. Considerando que ficou demonstrada a existência de vícios de origem.348/91. posto que não restaram demonstrados os prejuízos que o justificassem. Classe de Assunto: IV – Tomada de Contas Especial. Considerando que a liberação de recursos financeiros não guardou compatibilidade com o cronograma de execução física das obras. desde o erro inicial. em detrimento do contrato de obra pública que se fazia apropriado à espécie.ACÓRDÃO NÃO ACOLHIDO ACÓRDÃO Nº /2001 . Processo TC nº 001. Lucas Rocha Furtado – Procurador-Geral.156. presidente do TRT/SP.478/44.663. 2001 279 .. in casu. Antônio Carlos da Gama e Silva – CPF nº 656. o qual objetivava verificar a compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. Grupo OK Construções e Incorporações S. relatados e discutidos estes autos que tratam de Tomada de Contas Especial decorrente da conversão do Relatório de Auditoria realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em São Paulo (alínea “c” do Acórdão nº 045/99). Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto – CPF nº 010.738/49 e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente) – CPF nº 044. Responsáveis: Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 018. Unidade Técnica: SECEX-SP. sendo efetuados diversos pagamentos sem que houvesse. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. Ano 4. Órgão: Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região – São Paulo.008/04 e Gilberto Morand Paixão – CPF nº 005.904. a efetiva contraprestação de serviços. concomitantemente.A. Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 022. máxime no que concerne à etapa de liquidação da despesa.554.497.948. Nicolau dos Santos Neto. Incal Incorporações S.

A. Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto continuaram autorizando a realização de novos pagamentos. participou. Considerando que a natureza genérica do objeto licitado restringiu o caráter isonômico da licitação..300/86. agravando o desequilíbrio do cronograma físico-financeiro. de solicitações de aditamentos contratuais e de verbas para pagamentos à contratada. inclusive restabelecendo um suposto equilíbrio financeiro alegado pela firma Incal Incorporações S. dando. além de deixar de adotar as providências de sua alçada. Considerando que não existem motivos ensejadores de revisão contratual em decorrência da criação de impostos ou tributos.300/86.Concorrência nº 01/92. consoante demonstram.. Délvio Buffulin. não atendeu integralmente à determinação constante da Decisão nº 231/96 – TCU – Plenário. Considerando que. Considerando que o Sr. Brasília-DF. contrariando o disposto no art. antes mesmo da assinatura do contrato. 40 do Decreto-lei nº 2. A. à saciedade.A. até que houvesse a necessária compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras. os elementos constantes dos autos. Considerando que os Srs. causa e continuidade ao prejuízo sofrido pelo Erário. Considerando que foi definido como objeto do procedimento licitatório a “aquisição de imóvel pronto. 280 Auditorias do TCU. no que tange ao cumprimento dos ditames da Lei nº 8. de cláusulas que beneficiam a contratada em detrimento da administração. Considerando que não procedem as alegações da empresa Incal Incorporações S. Considerando a inclusão. em conclusão ou a construir”. bem assim solicitando e assinando novos aditivos contratuais. Nicolau dos Santos Neto. A. Número 15. enquanto Presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista. em desacordo ao disposto no art. e pagamentos de parcelas sem a devida contraprestação de serviços. ensejando uma série de irregularidades causadoras de vultoso prejuízo ao erário. 2001 . os Srs. quando todas as suas características apontavam na direção de uma “obra de engenharia”. provocada pelo desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. A.. Considerando a ausência de projeto básico de engenharia.. Ano 4. contrariamente ao que alegava a Incal Incorporações S. por conseguinte. Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) e Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP e da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo) eram conhecedores do descompasso existente entre a execução física e financeira das obras. Considerando que o objeto da licitação foi adjudicado à empresa estranha ao certame licitatório. 6º do Decreto-lei nº 2. Considerando a realização de adiantamentos. Considerando que o Sr. consistentes na aplicação de multas contratuais e suspensão dos pagamentos destinados à firma Incal Incorporações S.666/93. mesmo detendo esse conhecimento. em todo decorrer da obra. no sentido de que a incompatibilidade entre o cronograma físico e o financeiro seria apenas aparente. no contrato assinado com a Incal Incorporações S.

Luiz Estevão de Oliveira Neto. em conluio com o Grupo Monteiro de Barros. apresentou as suas alegações de defesa. apresentava falsas posições sobre a execução do ajuste. sem razão justificada. na condição de empresa contratada para a construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Sr. inclusive na segunda instância. Sr. representada pelo Sr. por seu representante legal. os quais propiciaram Auditorias do TCU. contratado pelo TRT/SP com a atribuição específica de acompanhar a obra. Considerando que a CPI do Judiciário demonstrou de forma exaustiva a sociedade de fato estabelecida entre o Grupo OK e o Grupo Monteiro de Barros.A. Considerando que o Grupo OK Construções e Incorporações S/A. Brasília-DF. Número 15. Considerando que. Ata nº 16/99). concorreu diretamente para o desvio de recursos públicos federais.. tendo em vista a transferência de volumosos recursos pelas empresas do Grupo Monteiro de Barros às empresas do Grupo OK. por atos lesivos ao patrimônio público e por enriquecimento ilícito. 2001 281 . Sessão Plenária de 05/05/99 (DO de 19/05/1999. regularmente citado. envolvendo o relacionamento entre os Grupos OK e Monteiro de Barros no concernente às irregularidades apuradas na obra de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.A. Considerando que a causa da cassação do mandato do então Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto tem relação direta com os acontecimentos apontados pela CPI do Judiciário. ainda reivindicou a formalização de termo aditivo orientado para o “reequilíbrio econômico financeiro do contrato”. a Incal Incorporações S. Considerando que a Incal Incorporações S. na medida em que foi verificado o descompasso existente entre os valores pagos àquela empresa e o quantum apurado a título de custo de reprodução das etapas de execução da obra de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Considerando que o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra as empresas do Grupo OK e de seu representante legal. Luiz Estevão de Oliveira Neto.Considerando que a Incal Incorporações S. conforme trabalho de auditoria conduzido pela SECEX/SP. tendo como objeto os danos causados ao patrimônio público em face dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as suas empresas. na totalidade. que não lograram sanear os questionamentos relativos às irregularidades verificadas na obra da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.A. de sorte a desviar parte significativa dos recursos públicos federais que a ela eram pagos como contrapartida aos supostos serviços prestados. Considerando que a CPI do Judiciário concluiu pela responsabilização do Grupo OK. no tocante às parcelas recebidas pela contratada sem que houvesse. de sua autoria. Ano 4. por força do comando expedido no item “d” do Acórdão nº 045/99. não obstante haver se beneficiado desde o início da avença. é decorrente da emissão de relatórios. tendo obtido êxito na decretação da indisponibilidade dos seus bens. a efetiva contraprestação da sua parte. Luiz Estevão de Oliveira Neto. Considerando que a responsabilidade solidária do engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva.

em conseqüência. Gilberto Morand Paixão juntou aos autos alegações de defesa acompanhadas de documentos correspondentes. mesmo após de terem sido oferecidas por este Tribunal todas as oportunidades de defesa. trouxe ao processo elementos adicionais de defesa. Considerando que o Parecer Técnico elaborado pelo engenheiro Gilberto Morand Paixão foi expedido em momento no qual já havia a manifesta intenção de o TRT-2ª Região atender o pleito formulado pela Incal Incorporações S. o referido profissional foi citado para apresentar alegações de defesa. não comprovados 282 Auditorias do TCU. pertinente ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. duzentos e sete mil. Considerando que o engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva não alertou a Administração acerca das irregularidades que vinham sendo praticadas. o engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva permaneceu silente. que nas medições técnicas subscritas pelo citado profissional foram lançados certos itens de execução. 2001 . em cumprimento à aludida Decisão nº 045/99 – TCU – Plenário. em atendimento a ambas as citações. sua revelia (§ 3º do art.28 (treze milhões. bem como o douto Ministério Público junto a este Tribunal. baseada em medições por ele apresentadas que não se mostraram condizentes com o real andamento da construção.054. não atendendo a qualquer citação que lhe foi dirigida. todavia. Número 15. Considerando que o referido interessado. consistentes em laudo de exame grafotécnico e argumentação complementar. solicitou e obteve vista dos autos e cópia de peças processuais de seu interesse.. Brasília-DF. Considerando que. à data de 07/05/2001.443/92). entendendo aquela unidade técnica. promover o recolhimento da quantia de R$ 13. Considerando.A. sendo que igual chamamento foi-lhe dirigido por força da Decisão nº 591/2000 – TCU – Plenário.liberação indevida de recursos à contratada. o Sr. em solidariedade. Ano 4. prolatada no TC-700. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos) aos cofres do Tesouro Nacional. Considerando que o engenheiro Gilberto Morand Paixão passou a fazer parte da relação processual a partir das apurações verificadas por intermédio da inspeção determinada pela Decisão nº 045/99 – TCU – Plenário. neles incluída uma fita de vídeo referente ao seu depoimento junto à Comissão Parlamentar de Inquérito do Judiciário. prolatada no presente processo em Sessão de 05/05/1999. Considerando que. 12 da Lei nº 8. caracterizando.115/96-0 em Sessão realizada em 02/08/2000. por meio de procuradores legalmente constituídos. Considerando que os referidos elementos ensejaram acurado exame no âmbito da Secretaria de Controle Externo no Estado de São Paulo. ou. Considerando que. Considerando que o referido Parecer não foi o elemento indutor decisivo para o entendimento que resultou na celebração do compromisso de reestabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. assim.207. Considerando que. que não logrou o interessado afastar a compreensão original quanto à responsabilidade que sobre ele recai.

da mesma Lei. já foram apenados em processo de fiscalização com a multa prevista no artigo 58. condenando-os solidariamente ao pagamento da quantia Auditorias do TCU. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente). ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União. 16.443/92.A.951. na pessoa de seus representantes legais.posteriormente nos trabalhos de fiscalização empreendidos pelo TCU e pelo TRT-2ª Região.491. inciso I.443/92. Srs. Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP). Antônio Carlos da Gama e Silva (engenheiro). na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal.15 (cento e sessenta e nove milhões. reunidos em Sessão Plenária. retificada. Brasília-DF. 2001 283 . neste processo. por intermédio das citações a eles dirigidas. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. e que a aplicação de nova multa aos Srs. é da ordem de R$ 169. e do Sr. Considerando ainda a relutância do TRT/2ª Região em promover a nulidade do contrato. da Lei nº 8. o Tribunal de Contas da União poderá aplicar aos administradores ou responsáveis que lhe são jurisdicionados as sanções prescritas no Título V. 218 da Lei nº 8. pela mesma irregularidade que deu ensejo à multa no processo de fiscalização. em: 8. Considerando que. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. Considerando que os Srs.20 (dezessete mil. da mesma Lei. Considerando que tais medições não chegaram a ensejar pagamentos à firma contratada.443/92. pela alínea “b” do Acórdão nº 298/2000–Plenário). os demais responsáveis arrolados nestes autos estão sujeitos à competência e jurisdição do Tribunal de Contas da União. inciso III. em parte. inciso III. uma vez que sobrestados por força de acontecimentos supervenientes. do Grupo OK Construções e Incorporações S. julgar irregulares as contas dos Srs. Considerando que não está configurada nos autos a boa-fé dos responsáveis pelo débito (Decisão Normativa nº 35. nos termos dos artigos 1º. Capítulo I. e que aos mesmos foi dada ampla oportunidade de defesa. Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP). implicaria dupla apenação. incisos I e II. mas demonstram falta de diligência no desempenho das tarefas para as quais fora contratado o profissional. 5º. na forma do art. da Lei nº 8. Sr. Considerando que o prejuízo causado aos cofres públicos pelo descompasso entre a execução física e a financeira.560. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos).A. c/c os artigos 19. ao acolher as conclusões do Relator. da Lei 8. quatrocentos e noventa e um mil. arbitrada no valor de R$ 17. Ano 4. da Empresa Incal Incorporações S.1 – com fulcro nos artigos 1º. Considerando que a fiscalização foi convertida na presente tomada de contas especial. alíneas “c” e “d”. conforme determinado pelo TCU (alínea “f” do Acórdão nº 45/99– Plenário. caput. na condição de responsáveis que praticaram atos de gestão ilegítimos e antieconômicos de que resultou injustificado dano ao Erário.. Luiz Estevão de Oliveira Neto. Número 15. Considerando que.. de 22 de novembro de 2000). e 23. inciso I. quinhentos e sessenta reais e vinte centavos). III.443/92.

da Lei nº 8.6 . e 8. § 3º.2 e 8.000.3 pregressos). quatrocentos e noventa e um mil. 8. 71 da Constituição Federal. tendo em vista a competência que lhe é conferida nos termos do § 1º do art. com a fixação do prazo de 15 (quinze) dias. retificada.15 (cento e sessenta e nove milhões. bem como do presente Acórdão. 16. inciso III. 2001 .05.780. III.1 – Incal Incorporações S. Luiz Estevão de Oliveira Neto.491.000. Valor: R$ 17.Ordinária. Ministros presentes: LINCOLN MAGALHÃES DA ROCHA Ministro-Relator 284 Auditorias do TCU. alínea “b”. 8. a contar da notificação.560. para que comprovem perante o Tribunal. 10. a multa prevista no artigo 57 da Lei 8. fixando-lhe o prazo de 15 (quinze) dias. aplicando ao responsável a multa no valor de R$ 8. até a data do efetivo recolhimento. o recolhimento da mencionada quantia. da Lei 8. do referido diploma legal.3 – Antônio Carlos da Gama e Silva (engenheiro). julgar irregulares as contas do Sr. Diretor VicePresidente). em parte. aos cofres do Tesouro Nacional: 8. do Regimento Interno). fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias. ao Ministério Público da União. a contar da notificação.2. setecentos e oitenta reais).A. a relutância do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em promover a nulidade do contrato celebrado com a Incal Incorporações S/A.443/92. Brasília-DF. Gilberto Morand Paixão (engenheiro). 9. 11.autorizar a remessa de cópia destes autos.000. Valor: R$ 3. individualmente.00 (três milhões de reais). na forma da legislação em vigor. calculados a partir de 01. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos).original de R$ 169. Valor: R$ 3. quinhentos e sessenta reais e vinte centavos).951. para adoção das medidas de sua competência que entenda pertinentes. o recolhimento das quantias. parágrafo único.000. a contar da notificação. pela alínea “b” do Acórdão nº 298/2000–TCU-Plenário. 16. Fábio Monteiro de Barros Filho.1. (representado pelo Sr. inciso I.20 (dezessete mil. a seguir discriminadas. 8.443/92. perante o Tribunal (artigo 165. o recolhimento do valor do débito aos cofres do Tesouro Nacional.A.2 – Grupo OK Construções e Incorporações S. acompanhado do Relatório e do Voto que o fundamentam. caso não atendidas as respectivas notificações. conforme determinação contida na alínea “f” do Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário.comunicar ao Congresso Nacional. Especificação do quorum: 11.2. Ano 4. Ata nº 28/2001 – Plenário.3 – com fundamento nos artigos 1º.2 . para que comprove perante o Tribunal. Número 15.2. c/c o artigo 19.1999. 8.1. Diretor Superintendente). (representada pelos Srs.00 (três milhões de reais). com base no art. desde logo. a cobrança judicial das dívidas (itens 8. e 8. alínea “a”. atualizado monetariamente e acrescido dos consectários legais devidos.00 (oito mil.4 – autorizar. Data da sessão: 11/07/2001 . para que comprovem.aplicar às empresas e ao responsável abaixo indicados.5 . 8.443/92. 8. Diretor-Presidente e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz.

concomitantemente. Antônio Carlos da Gama e Silva – CPF nº 656. Processo TC nº 001. Brasília-DF.PLENÁRIO1 1.663.559.348/91. Incal Incorporações S. presidente do TRT/SP. relacionados à forma de contratação do objeto pactuado.497.. 8.008/04 e Gilberto Morand Paixão – CPF nº 005. desde o erro inicial. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) – CPF nº 895. 3. e Considerando que ficou demonstrada a existência de vícios de origem.A. sendo efetuados diversos pagamentos sem que houvesse. Relator: Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha. Classe de Assunto: IV – Tomada de Contas Especial. Luiz Estevão de Oliveira Neto – CPF nº 010. o qual objetivava verificar a compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras de construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo. Ano 4. quando publicou o Edital de 1 Publicado no DOU de 09/08/2001.ACÓRDÃO Nº 163/2001 . Considerando que a redução no ritmo das obras não pode ser tido. em detrimento do contrato de obra pública que se fazia apropriado à espécie. na pessoa de seus representantes legais. in casu. 5. 285 Auditorias do TCU. Unidade Técnica: SECEX-SP. a execução da obra deixou de obedecer aos princípios basilares da administração pública. Representante do Ministério Público: Dr. Considerando estar devidamente demonstrada a responsabilidade do Sr. posto que não restaram demonstrados os prejuízos que o justificassem.738/49 e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente) – CPF nº 044. a efetiva contraprestação de serviços. Órgão: Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região – São Paulo. Considerando que. Acórdão: VISTOS. Grupo OK Construções e Incorporações S. 7.478/44.717/20 (engenheiros contratados para fiscalizar a execução das obras). relatados e discutidos estes autos que tratam de Tomada de Contas Especial decorrente da conversão do Relatório de Auditoria realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em São Paulo (alínea “c” do Acórdão nº 045/99). 4. Sr.581/53. 2001 .948.TCU . Nicolau dos Santos Neto. Lucas Rocha Furtado – Procurador-Geral.808/00.025/98-8 2. Srs. sendo indevidamente caracterizado o contrato como de entrega de coisa pronta e acabada.156. Número 15.904. Responsáveis: Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 018.554.A. Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 022. como fator que dê ensejo ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Redator: Ministro Walton Alencar Rodrigues 6. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. máxime no que concerne à etapa de liquidação da despesa. Considerando que a liberação de recursos financeiros não guardou compatibilidade com o cronograma de execução física das obras.

em conclusão ou a construir”. bem assim solicitando e assinando novos aditivos contratuais. em todo decorrer da obra. ensejando uma série de irregularidades causadoras de vultoso prejuízo ao erário. Nicolau dos Santos Neto. A.. 286 Auditorias do TCU. Brasília-DF. A. A. não atendeu integralmente à determinação constante da Decisão nº 231/96 – TCU – Plenário.. Considerando que não existem motivos ensejadores de revisão contratual em decorrência da criação de impostos ou tributos. e pagamentos de parcelas sem a devida contraprestação de serviços. agravando o desequilíbrio do cronograma físico-financeiro. 40 do Decreto-lei nº 2. à saciedade. enquanto Presidente da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista. de cláusulas que beneficiam a contratada em detrimento da administração.A. 2001 . os Srs. dando. Considerando que os Srs. 6º do Decreto-lei nº 2. inclusive restabelecendo um suposto equilíbrio financeiro alegado pela firma Incal Incorporações S. além de deixar de adotar as providências de sua alçada. Considerando que o objeto da licitação foi adjudicado à empresa estranha ao certame licitatório. Considerando que não procedem as alegações da empresa Incal Incorporações S. Considerando a realização de adiantamentos. Considerando que foi definido como objeto do procedimento licitatório a “aquisição de imóvel pronto.666/93. até que houvesse a necessária compatibilização entre os cronogramas físico e financeiro das obras. consistentes na aplicação de multas contratuais e suspensão dos pagamentos destinados à firma Incal Incorporações S. no que tange ao cumprimento dos ditames da Lei nº 8. Considerando que a natureza genérica do objeto licitado restringiu o caráter isonômico da licitação. A. participou. antes mesmo da assinatura do contrato. Considerando que o Sr. os elementos constantes dos autos. contrariamente ao que alegava a Incal Incorporações S. Número 15. contrariando o disposto no art. causa e continuidade ao prejuízo sofrido pelo Erário. Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) e Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP e da Comissão de Construção do Fórum Trabalhista da Cidade de São Paulo) eram conhecedores do descompasso existente entre a execução física e financeira das obras. mesmo detendo esse conhecimento.300/86. em desacordo ao disposto no art.Concorrência nº 01/92. por conseguinte. Ano 4. no sentido de que a incompatibilidade entre o cronograma físico e o financeiro seria apenas aparente. consoante demonstram.. Considerando que.300/86. quando todas as suas características apontavam na direção de uma “obra de engenharia”. Considerando a ausência de projeto básico de engenharia. provocada pelo desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto continuaram autorizando a realização de novos pagamentos. de solicitações de aditamentos contratuais e de verbas para pagamentos à contratada. Délvio Buffulin. no contrato assinado com a Incal Incorporações S. Considerando a inclusão.. Considerando que o Sr.

2001 287 . na medida em que foi verificado o descompasso existente entre os valores pagos àquela empresa e o quantum apurado a título de custo de reprodução das etapas de execução da obra de construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. Considerando que a CPI do Judiciário demonstrou de forma exaustiva a sociedade de fato estabelecida entre o Grupo OK e o Grupo Monteiro de Barros. tendo como objeto os danos causados ao patrimônio público em face dos desvios de recursos destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo para as suas empresas. na totalidade. por seu representante legal. Luiz Estevão de Oliveira Neto. envolvendo o relacionamento entre os Grupos OK e Monteiro de Barros no concernente às irregularidades apuradas na obra de construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.A. por força do comando expedido no item “d” do Acórdão nº 045/99. a Incal Incorporações S. apresentava falsas posições sobre a execução do ajuste.Considerando que a Incal Incorporações S. Considerando que o Grupo OK Construções e Incorporações S/A.A. Considerando que a responsabilidade solidária do engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva. Considerando que a causa da cassação do mandato do então Senador Luiz Estevão de Oliveira Neto tem relação direta com os acontecimentos apontados pela CPI do Judiciário. de sorte a desviar parte significativa dos recursos públicos federais que a ela eram pagos como contrapartida aos supostos serviços prestados. ainda reivindicou a formalização de termo aditivo orientado para o “reequilíbrio econômico financeiro do contrato”. Sr. Brasília-DF. Ata nº 16/99). regularmente citado. Considerando que a Incal Incorporações S. Ano 4. na condição de empresa contratada para a construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo. por atos lesivos ao patrimônio público e por enriquecimento ilícito. Luiz Estevão de Oliveira Neto. inclusive na segunda instância. tendo em vista a transferência de volumosos recursos pelas empresas do Grupo Monteiro de Barros às empresas do Grupo OK. os quais propiciaram Auditorias do TCU. Sr. em conluio com o Grupo Monteiro de Barros.A. a efetiva contraprestação da sua parte. Considerando que o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra as empresas do Grupo OK e de seu representante legal. Número 15. representada pelo Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto. Sessão Plenária de 05/05/99 (DO de 19/05/1999. conforme trabalho de auditoria conduzido pela SECEX/SP. é decorrente da emissão de relatórios. concorreu diretamente para o desvio de recursos públicos federais. tendo obtido êxito na decretação da indisponibilidade dos seus bens. não obstante haver se beneficiado desde o início da avença. Considerando que a CPI do Judiciário concluiu pela responsabilização do Grupo OK. sem razão justificada. contratado pelo TRT/SP com a atribuição específica de acompanhar a obra. de sua autoria. apresentou as suas alegações de defesa.. no tocante às parcelas recebidas pela contratada sem que houvesse. Considerando que. que não lograram sanear os questionamentos relativos às irregularidades verificadas na obra da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.

liberação indevida de recursos à contratada. à data de 07/05/2001.443/92). em conseqüência. que nas medições técnicas subscritas pelo citado profissional foram lançados certos itens de execução. pertinente ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Considerando que. Considerando que o engenheiro Gilberto Morand Paixão passou a fazer parte da relação processual a partir das apurações verificadas por intermédio da inspeção determinada pela Decisão nº 045/99 – TCU – Plenário.054. solicitou e obteve vista dos autos e cópia de peças processuais de seu interesse. Considerando que o prejuízo causado aos cofres públicos pelo descompasso entre a execução física e a financeira.491. Considerando que o Parecer Técnico elaborado pelo engenheiro Gilberto Morand Paixão foi expedido em momento no qual já havia a manifesta intenção de o TRT-2ª Região atender o pleito formulado pela Incal Incorporações S.28 (treze milhões.951. prolatada no presente processo em Sessão de 05/05/1999. o referido profissional foi citado para apresentar alegações de defesa. neles incluída uma fita de vídeo referente ao seu depoimento junto à Comissão Parlamentar de Inquérito do Judiciário. 12 da Lei nº 8. Considerando que o referido Parecer não foi o elemento indutor decisivo para o entendimento que resultou na celebração do compromisso de reestabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. mesmo após de terem sido oferecidas por este Tribunal todas as oportunidades de defesa. em cumprimento à aludida Decisão nº 045/99 – TCU – Plenário. todavia. duzentos e sete mil. em atendimento a ambas as citações. Número 15..15 (cento e 288 Auditorias do TCU. não atendendo a qualquer citação que lhe foi dirigida. não comprovados posteriormente nos trabalhos de fiscalização empreendidos pelo TCU e pelo TRT-2ª Região.A. assim. 2001 . promover o recolhimento da quantia de R$ 13. o engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva permaneceu silente. uma vez que sobrestados por força de acontecimentos supervenientes. cinqüenta e quatro reais e vinte e oito centavos) aos cofres do Tesouro Nacional.207. prolatada no TC-700. Considerando que o referido interessado. consistentes em laudo de exame grafotécnico e argumentação complementar que excluem sua responsabilidade destes autos. é da ordem de R$ 169. trouxe ao processo elementos adicionais de defesa. baseada em medições por ele apresentadas que não se mostraram condizentes com o real andamento da construção. por meio de procuradores legalmente constituídos. o Sr. Considerando que. Gilberto Morand Paixão juntou aos autos alegações de defesa acompanhadas de documentos correspondentes. Considerando que. Considerando que o engenheiro Antônio Carlos da Gama e Silva não alertou a Administração acerca das irregularidades que vinham sendo praticadas. ou. sendo que igual chamamento foi-lhe dirigido por força da Decisão nº 591/2000 – TCU – Plenário. Ano 4. Considerando. Considerando que. caracterizando. sua revelia (§ 3º do art. Brasília-DF. Considerando que tais medições não chegaram a ensejar pagamentos à firma contratada.115/96-0 em Sessão realizada em 02/08/2000. em solidariedade.

443/92.560.20 (dezessete mil. III. alíneas “c” e “d”. julgar irregulares as contas dos Srs.. na forma do art. a multa prevista no artigo 57 da Lei 8.1 – com fulcro nos artigos 1º.sessenta e nove milhões. em parte. do Grupo OK Construções e Incorporações S.A. 16. quinhentos e sessenta reais e vinte centavos).1 – Incal Incorporações S.2. pela alínea “b” do Acórdão nº 298/2000–Plenário). atualizado monetariamente e acrescido dos consectários legais devidos. já foram apenados em processo de fiscalização com a multa prevista no artigo 58. Brasília-DF. o recolhimento das quantias.443/92.443/92. e que aos mesmos foi dada ampla oportunidade de defesa. de 22 de novembro de 2000). ao acolher as conclusões do Relator..1999. inciso I.491. condenando-os solidariamente ao pagamento da quantia original de R$ 169. da mesma Lei. Sr. Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP). com a fixação do prazo de 15 (quinze) dias. Srs. da Lei 8.000. Considerando que. inciso III. 8. e do Sr. arbitrada no valor de R$ 17. incisos I e II. quatrocentos e noventa e um mil. a contar da notificação. nos termos dos artigos 1º.00 (dez milhões de reais). Considerando que não está configurada nos autos a boa-fé dos responsáveis pelo débito (Decisão Normativa nº 35. ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União. 2001 289 . quatrocentos e noventa e um mil. inciso I. aos cofres do Tesouro Nacional: 8. por intermédio das citações a eles dirigidas. até a data do efetivo recolhimento. e 23. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente). Luiz Estevão de Oliveira Neto. inciso III. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante legal. Considerando que os Srs.443/92. na forma da legislação em vigor. Antônio Carlos da Gama e Silva (engenheiro). novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos). (representada pelos Srs. Capítulo I. da Lei nº 8. para que comprovem. 5º. retificada. Considerando que. Diretor-Presidente e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz. a contar da notificação. da Empresa Incal Incorporações S. da mesma Lei. Número 15. da Lei nº 8. o Tribunal de Contas da União poderá aplicar aos administradores ou responsáveis que lhe são jurisdicionados as sanções prescritas no Título V. Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP). o recolhimento do valor do débito aos cofres do Tesouro Nacional.15 (cento e sessenta e nove milhões. conforme determinado pelo TCU (alínea “f” do Acórdão nº 45/99– Plenário. do Regimento Interno). os demais responsáveis arrolados nestes autos estão sujeitos à competência e jurisdição do Tribunal de Contas da União. III. c/c os artigos 19. em: 8. fixando-lhes o prazo de 15 (quinze) dias.aplicar às empresas e aos responsáveis a seguir indicados. perante o Tribunal (artigo 165. reunidos em Sessão Plenária.A. Fábio Monteiro de Barros Filho. a seguir discriminadas. caput. Diretor VicePresidente).443/92.05.A. Auditorias do TCU. na condição de responsáveis que praticaram atos de gestão ilegítimos e antieconômicos de que resultou injustificado dano ao Erário.2 . calculados a partir de 01.000. para que comprovem perante o Tribunal. novecentos e cinqüenta e um reais e quinze centavos).951. individualmente. alínea “a”. Valor: R$ 10. na pessoa de seus representantes legais. Considerando ainda a relutância do TRT/2ª Região em promover a nulidade do contrato. Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin. Ano 4. 218 da Lei nº 8.

(representado pelo Sr. Guilherme Palmeira.00 (dez milhões de reais).560.20 (dezessete mil.4 – Sr.6 . 8. Diretor Superintendente).7 . § 3º.05. 8. Luiz Estevão de Oliveira Neto. com base no art.000. Gilberto Morand Paixão (engenheiro).000.443/92. 8. em parte. a relutância do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em promover a nulidade do contrato celebrado com a Incal Incorporações S/A. Brasília-DF. Data da sessão: 11/07/2001 . Valor: R$ 10. ao Ministério Público da União. quinhentos e sessenta reais e vinte centavos).1.A.autorizar a remessa de cópia destes autos. da Lei nº 8. Ministro com voto vencido: Lincoln Magalhães da Rocha (Relator).5 – Antonio Carlos da Gama e Silva (engenheiro).000. 9. Valmir Campelo. pela alínea “b” do Acórdão nº 298/2000–TCU-Plenário.2. 8. e 8.2.4 – acolher as alegações de defesa do Sr. 71 da Constituição Federal.1.Ordinária. 8. desde logo. Ano 4. 8.000.5 – autorizar. acompanhado do Relatório e do Voto que o fundamentam. Ministros presentes: Humberto Guimarães Souto (Presidente). 8. 11. 16.3 pregressos). Valor: R$ 17.2 – Grupo OK Construções e Incorporações S. excluindo-se sua responsabilidade destes autos.2. Adylson Motta.025/1998-8).3 – tornar insubsistentes as alíneas “a” e “b” do Acórdão nº 045/1999 . aprovado na Sessão Ordinária realizada em 05. caso não atendidas as respectivas notificações.00 ( um milhão de reais). Iram Saraiva. Ubiratan Aguiar e o Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha (Relator). bem como do presente Acórdão.00 (dez milhões de reais).3 – Sr. 2001 . conforme determinação contida na alínea “f” do Acórdão nº 45/99-TCU-Plenário.1999 (TC-001. Ata nº 28/2001 – Plenário. Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça.000.2.Plenário. HUMBERTO GUIMARÃES SOUTO Presidente WALTON ALENCAR RODRIGUES Ministro-Redator Fui presente: LUCAS ROCHA FURTADO Procurador-Geral 290 Auditorias do TCU. 10.comunicar ao Congresso Nacional.2. Número 15. e 8.8. Valor: R$ 10. a cobrança judicial das dívidas (itens 8. para adoção das medidas de sua competência que entenda pertinentes. tendo em vista a competência que lhe é conferida nos termos do § 1º do art. Délvio Buffulin. Nicolau dos Santos Neto. 11.000. Valor: R$ 1. Walton Alencar Rodrigues. retificada.2 e 8. Especificação do quorum: 11.

61 da Lei 8.1 – com fulcro no art.025/1998-8.156. à Procuradora-Chefe da Procuradoria da República no Estado de São Paulo.remeter cópia da presente Decisão e do Acórdão que a acompanha. Relator: Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha. Responsáveis: Délvio Buffulin (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 018.554. Data da sessão: 11/07/2001 .1 do Acórdão que acompanha a presente Decisão. ao Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho. ao Presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Fábio Monteiro de Barros Filho (Diretor-Presidente) – CPF nº 895.TCU . 7.904. Unidade Técnica: SECEX-SP. 8.443/92. Incal Incorporações S.. diante das razões expostas pelo Relator.663. Antônio Carlos da Gama e Silva – CPF nº 656. 8. dentro do prazo estabelecido. Ano 4. tendentes ao arresto dos bens dos responsáveis elencados no item 3 precedente. 2001 . Nicolau dos Santos Neto (ex-Presidente do TRT/SP) – CPF nº 022. Grupo OK Construções e Incorporações S. na pessoa do seu Diretor Superintendente e representante. Sr. o recolhimento do valor indicado no item 8.808/00.008/04 e Gilberto Morand Paixão – CPF nº 005.559. Órgão: Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.717/20 (engenheiros contratados para fiscalizar a execução das obras). Brasília-DF.A. 10. se necessárias para assegurar a execução do débito. Processo: TC-001. Luiz Estevão de Oliveira Neto – CPF nº 010948581/53. 3. 5. 6.2 . Classe: IV – Assunto: Tomada de Contas Especial. aos Presidentes dos Tribunais Regionais do Trabalho e ao Juiz Federal da 12ª Vara da Subseção Judiciária de São Paulo.PLENÁRIO2 1. Representante do Ministério Público: Dr. Srs. na pessoa de seus representantes legais. 2 Publicada no DOU de 09/08/2001. DECIDE: 8. 291 Auditorias do TCU. 2.DECISÃO Nº 423/2001. solicitar à Advocacia-Geral da União a adoção das medidas. Ata nº 28/2001 – Plenário. bem como do Relatório e do Voto que os fundamentam. 9.478/44. Número 15.3 – determinar a inclusão do presente trabalho na publicação “Auditorias do TCU”.A. caso não haja.Ordinária. Decisão: O Tribunal Pleno.738/49 e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz (Diretor Vice-Presidente) – CPF nº 044.. Lucas Rocha Furtado – Procurador-Geral. e 8.497. à Comissão Mista de Planos. Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional.348/91. 4.

11. Guilherme Palmeira. Ubiratan Aguiar e o Ministro-Substituto Lincoln Magalhães da Rocha (Relator). Brasília-DF. Walton Alencar Rodrigues. Iram Saraiva. Adylson Motta. Especificação do quorum: 11. 2001 . Número 15.1. Valmir Campelo. Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça. HUMBERTO GUIMARÃES SOUTO Presidente LINCOLN MAGALHÃES DA ROCHA Ministro-Relator 292 Auditorias do TCU. Ano 4. Ministros presentes: Humberto Guimarães Souto (Presidente).

507-15 . o cumprimento das metas previstas e a obediência aos dispositivos legais aplicáveis aos aspectos da economicidade.MRE .e Sergio Barbosa Serra . RELATÓRIO Este processo trata de auditoria de desempenho operacional e de conformidade realizada nas Embaixadas do Brasil em Jacarta e em Seul.953/2001-5 Natureza: Auditoria de Desempenho Operacional e de Conformidade Entidade: Ministério das Relações Exteriores – Embaixadas do Brasil em Jacarta e Seul. Responsáveis: Embaixadores Jadiel Ferreira de Oliveira – CPF nº 380. Ementa: Relatório de auditoria no exterior. b) analisar as causas de práticas antieconômicas e ineficientes. As embaixadas foram escolhidas em razão da importância crescente dos países do bloco asiático no cenário internacional e por nunca terem sido auditadas pelo Tribunal. Determinações e recomendações. foi por mim coordenada. Realização de auditorias no MRE.CPF nº 380. e tem como foco principal os seguintes aspectos: a) examinar como os órgãos e entidades públicas administram seus recursos. o objetivo da auditoria de desempenho operacional é examinar a ação governamental quanto à sua economicidade. Ricardo André Becker e Sergio Freitas de Almeida.377. INTRODUÇÃO Segundo os padrões estabelecidos no Manual de Auditoria de Natureza Operacional do TCU. integrada pelos AFCEs Luiz Henrique Pochyly da Costa.697-04 -. para ciência e adoção das providências cabíveis. Ano 4. A equipe de auditoria. conforme aprovado pelo Plenário do TCU em sua Decisão nº 120/2001. eficiência e eficácia. Remessa de cópia da Decisão. aprovado pela Portaria nº 144/2000.AUDITORIAS NAS EMBAIXADAS DO BRASIL EM JACARTA E SEUL Auditoria de Desempenho Operacional e de Conformidade Ministro-Relator Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça Grupo I – Classe V – Plenário TC-003. Auditorias do TCU. eficiência e eficácia da gestão. O relatório de auditoria encontra-se transcrito a seguir. Número 15. respectivamente. 2001 293 . no período de 14 a 25/05/ 2001.400. Relatório e Voto a diversas autoridades. Brasília-DF. Fixação de prazo para cumprimento.

O custo desta auditoria foi equivalente a menos de 0. representar e negociar os interesses do Brasil nos planos bilateral e multilateral. Fixadas essas diretrizes. orçamentária e financeira. c) adequação dos recursos humanos e materiais dos postos às competências e atividades desenvolvidas. a legalidade dos procedimentos administrativos dos postos. serão apresentadas informações gerais sobre os países em que atuam e examinados cada um dos postos auditados. de organização. melhorar os controles internos e assegurar a observância das normas legais e regulamentares. ainda. 294 Auditorias do TCU. foram avaliadas as seguintes áreas: a) ações desenvolvidas com a finalidade de informar. Além disso foram examinados os serviços consulares prestados pelos postos. e d) organização das atividades internas do posto. EMBAIXADA DO BRASIL EM JACARTA 1. Número 15. b) relações entre as embaixadas e as unidades da Secretaria de Estado do Ministério das Relações Exteriores.029% do orçamento do TCU para o presente exercício. A fiscalização concentrou-se na aferição dos resultados alcançados pelas diversas áreas das embaixadas em sua missão de manter o governo brasileiro informado sobre o cenário internacional. Brasília-DF. inclusive quanto aos seus resultados em termos de metas alcançadas. visando simplificar rotinas. de trabalhar para marcar a presença e difundir a imagem de nosso país no exterior e de defender os interesses nacionais em negociações externas de caráter bilateral ou multilateral. financeiros e humanos alocados a essas áreas e os procedimentos operacionais de natureza administrativa. representar e negociar para proteger e promover os interesses nacionais. A seguir. de procedimentos operacionais e de acompanhamento gerencial. 2001 . Foi verificada. no que diz respeito à gestão orçamentária e financeira e à provisão de meios para que os postos possam cumprir sua missão finalística.1. Visão Geral da Indonésia O quadro abaixo apresenta alguns dos principais indicadores econômicos da Indonésia. A auditoria realizada nos postos diplomáticos em Jacarta e Seul teve por objetivo principal a avaliação da eficácia das embaixadas no atingimento dos seus objetivos finalísticos em suas vertentes clássicas de informar.Seu âmbito é o processo de gestão nos seus múltiplos aspectos – de planejamento. Ano 4. 1. a adequação dos meios materiais.

51 448 246 202 44 1999 207 151. É um país multiétnico cujo maior grupo é o javanês. fábricas e são a coluna vertebral da economia indonésia. tais como Cingapura (onde os chineses representam a grande maioria da população).Informações Gerais População (milhões) PIB (US$ bilhões com ajuste da variação cambial) PIB per capita Crescimento do PIB Inflação Comércio Global (US$ bilhões) Balança comercial (US$ bilhões) BRASIL Comércio total (US$ milhões) Exportações brasileiras (US$ milhões) Importações brasileiras (US$ milhões) Balança comercial Brasil/Indonésia (US$ milhões) 1997 200 215. Sulawesi e Irian Jaya).508 ilhas. e Tailândia.10 19. porém.8 461 -13. em larga medida. Na Indonésia. varia de país para país. Há cinco ilhas principais (Sumatra. A inserção dos chineses étnicos nessas sociedades. Filipinas. 3% de católicos e 2% de hinduístas concentrados em Bali.18 21.80 519 278 241 37 Fonte: Indonesian Bureau of Statistics GEOGRAFIA E CULTURA A Indonésia é um país arquipélago com 17. Dos estreitos laços comerciais com a Índia existentes antes do século XVI resultaram impérios poderosos. pela Holanda. hotéis. seguido pelos sundaneses. Política interna A história inicial da Indonésia é marcada pela diversidade de regiões que somente com o tempo passaram a se influenciar mutuamente. A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e possui a segunda maior superfície de floresta tropical e uma das maiores biodiversidades do mundo. madurenses e malaios. 2001 295 . há mais de duzentos anos. ao longo dos anos esses imigrantes ascenderam social e economicamente e hoje dominam 70% do PIB privado do país. Fenômeno similar ocorre em outros países do Sudeste Asiático.5 % 9. dois arquipélagos maiores (Nusa Tenggara e Molucas) e sessenta arquipélagos menores. à ética de trabalho confucionista.76 603 348 255 93 1998 204 98. com 45% da população. Ano 4. A área marítima (incluindo a zona econômica exclusiva) é quatro vezes maior do que a superfície terrestre do país.2 730 0. Auditorias do TCU. que foram trazidos para Java como trabalhadores braçais para as plantações de chá.7 963 4. mineradoras. Quase 90% da população é islâmica.5% 75. dos quais cerca de 15 são usados por mais de um milhão de pessoas. onde a maioria da população é islâmica.67 24.66 415 221 194 27 2000 210 88.3% 20. Java.35 % 61. Aproximadamente 4% da população é formada por chineses indonésios. Número 15. Há cerca de 6% de protestantes. O idioma oficial é o bahasa indonésio. plantações de borracha e óleo de palma.2 420 3.12 11.2% 58.7% 50% 95. Os chineses indonésios controlam grandes conglomerados que incluem bancos. Brasília-DF. não há praticamente integração. Outros 668 idiomas são falados no arquipélago.5% 72. Kalimantan. Graças. Malásia.

constituído de 700 membros). apesar de seus esforços para unir as diversas forças de oposição ao antigo governo (militares. A ocupação da Holanda pelas forças alemãs e a invasão das Índias Orientais Holandesas pelo Japão em 1942 quebraram a hegemonia holandesa e criaram condições favoráveis ao nacionalismo indonésio. instituições financeiras multilaterais. Número 15. como ficou conhecido o período Sukarno. J. Os interesses europeus pelo comércio de especiarias produzidas na Indonésia e a criação da Companhia das Índias Orientais em 1602 iniciaram o domínio holandês sobre o arquipélago. 2001 . cuja anexação não foi reconhecida pela ONU.em 1967. Com a rendição do Japão em 1945. reeleito para mais seis mandatos de cinco anos. o território ganhou sua independência a partir do plebiscito de 30/08/1999 que foi seguido de violência e da intervenção da ONU. O nacionalismo indonésio é um fenômeno mais recente. que. cuja influência cultural permanece forte em muitas partes do país. Ano 4. além de facilitar a cooperação econômica e a coordenação de posições em questões de segurança e economia 296 Auditorias do TCU. o governo da Holanda assumiu diretamente os interesses da Companhia e a conquista colonial se estendeu até a primeira metade do século XX. O maior desafio do atual governo é manter a integridade territorial da Indonésia. Em 1926. religiosas e regionais que têm produzido confrontações sangrentas em algumas de suas ilhas. estudantes e tecnocratas). o governo foi transferido ao General Suharto. não obteve o apoio necessário para suas pretensões de reeleição. seguida da criação em 1927 da Associação Nacionalista Indonésia. Política externa A fundação da Association of Southeast Asian Nations – ASEAN . Somente em 1949. a Holanda reconheceu a independência da ex-colônia. criou um mecanismo regional de consultas e coordenação com os países vizinhos. cujo Secretariado-Geral tem sede em Jacarta. tendo perdido o apoio militar.fundados nas crenças budista e hindu. foro máximo do sistema político indonésio. Brasília-DF. políticos. Em outubro de 1999. Em 1799. Em março de 1966. Em 1975. A religião islâmica foi introduzida no século XIII e se difundiu gradativamente por todo o arquipélago. Sukarno fundou um “clube de estudos gerais” que pregava a luta pela independência. o Presidente renunciou em favor do Vice-Presidente B. sob a liderança de Sukarno e Mohamed Hatta. governos de países doadores. precursora do Partido Nacionalista Indonésio (PNI). a Assembléia Consultiva do Povo rejeitou seu relatório de governo. os nacionalistas. Os primeiros quinze anos da história da Indonésia como país independente foram marcados pela instabilidade política e por declínio econômico. Após 23 anos de dominação. proclamaram a independência do país. Um golpe fracassado em setembro de 1965 marcou o fim da “Velha Ordem”. vítima de tensões étnicas. após longa luta armada. Habibie. o que abriu caminho para a eleição do atual Presidente Abdurrahman Wahid (a escolha do presidente é feita pela Assembléia. a Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa do Timor Leste. Em maio de 1997.

todavia. Número 15. as instituições financeiras multilaterais consideravam excelente a situação macroeconômica da Indonésia. A ASEAN foi sendo cada vez mais percebida como símbolo de paz e segurança na região. Por trás desses indicadores favoráveis.5% em 1996. petróleo e mineração. a economia é muito dependente de produtos primários. a economia indonésia passou a crescer rapidamente. chegando a 6. Ano 4. Em 1992. Com a ascensão de Suharto. as finanças públicas estavam equilibradas e a dívida pública era decrescente. quando foi lançada a proposta de criação da Área de Livre Comércio da ASEAN. principalmente Sumatra. ao apoio externo e à estabilização obtida. A produção de petróleo aumentou e os investimentos industriais continuaram a concentrar-se no centro político e econômico do País. passando a exercer papel central na política externa indonésia. posição geográfica e recursos naturais. Ao contrário dos demais “tigres asiáticos”. Economia Do século XIX até a independência. sem ênfase para o desenvolvimento econômico. a política econômica foi modificada e graças às reformas. pois não se quantificara a dívida das empresas privadas). Brasília-DF. No início do século XX. A agricultura é a principal empregadora de mão-de-obra e respondeu por 18% do PIB em 1999. Não há uma base industrial ampla como no Brasil. Java. por temer a maior competitividade de seus parceiros. a Indonésia conseguiu adiar sua implementação por um período de quinze anos. a Indonésia ainda não tem uma importância econômica proporcional ao seu tamanho. a diminuição das exportações e o crescimento da inflação. e a outras ilhas. fertilizantes e cimento. Em Sumatra desenvolveu-se a indústria de gás natural. mas outras províncias também se beneficiaram. A mineração emprega poucos trabalhadores. Java era uma enorme “plantation” de açúcar e o sistema se estendera a outros produtos agrícolas como o café e a borracha e também a extração mineral do estanho e do petróleo. o mecanismo decisório por consenso permitiu à Indonésia retardar as propostas de liberalização do comércio intra-regional. No período Sukarno. O fluxo de capital estrangeiro vinha aumentando. Sua dívida externa oficial atingira US$ 110 bilhões (a real era ainda maior. Crise asiática Até 1997.internacional. A indústria de transformação aumentou sua participação para 24. ao lado das grandes propriedades agrícolas.5% do PIB e concentra-se em alimentos. têxteis. No início dos anos 1960. população. ou cerca de 50% do Auditorias do TCU. A inflação era declinante. por exemplo. os objetivos principais do governo eram a consolidação da unidade territorial e o estabelecimento de um sentido de identidade nacional. com queda da inflação e aumento de poupança e investimento. Apesar de o PIB ter triplicado entre 1965 e 1990. o governo colonial holandês administrou a Indonésia como uma economia agrícola de exportação. mas representa 12. a situação externa era vulnerável. O país havia crescido quase trinta anos ininterruptos ao ritmo anual médio de 7%.5% do PIB e contribui significativamente para a receita de exportações. Ao mesmo tempo. a Indonésia começou a enfrentar problemas com a dívida externa. 2001 297 .

confecções. As exportações brasileiras somaram US$ 278 milhões contra importações de US$ 241 milhões. Relações bilaterais As relações com o Brasil que se vinham intensificando até 1997. a economia da Indonésia retomou o caminho do crescimento. Número 15. gordura vegetal e animal. açúcar. por meio do qual os 298 Auditorias do TCU. A inflação caiu para 20. que se desvalorizou 53%. 2001 . Ano 4. soja para ração. Nos anos 1970 o comércio bilateral aumentou. caiu em 1999 para US$ 415 milhões. Brasília-DF. a infra-estrutura e os serviços públicos são deficientes e os procedimentos burocráticos considerados excessivos e onerosos. aço. Apesar das dificuldades políticas. em 1975.5% e para 2001 o FMI estima uma expansão de 5%. cacau. Os principais produtos de exportação do Brasil são minério de ferro. a inflação atingiu 58. por ocasião da visita do Chanceler Ali Alatas ao Brasil. os principais produtos de exportação estão se esgotando (petróleo e derivados) ou dependem de importações (têxteis.8 bilhões em 1998. fios têxteis e motocicletas. que havia atingido em 1996 o valor recorde de US$ 623 milhões. O intercâmbio comercial entre os dois países. celulose. fumo.5% em 1999 e se prevê 3% para 2001. Não houve mudança significativa no perfil do intercâmbio de bens. As exportações brasileiras que chegaram a US$ 414 milhões em 1995. cuja legitimidade estava associada ao período de crescimento econômico. Passado o choque de 1997/98. mas o relacionamento político foi prejudicado pela anexação de Timor Leste pela Indonésia. o comércio cresceu para US$ 519 milhões no ano 2000. A crise indonésia eclodiu em 14/08/1997 quando se permitiu a flutuação da moeda local (rúpia Indonésia). depois da Tailândia. a crise financeira fez o PIB cair de US$ 210 bilhões em 1996 para US$ 98. O ano de 1998 foi difícil para a Indonésia. o PIB aumentou 3. pneus.5% e a rúpia se desvalorizou 72% entre janeiro e junho de 1998. senão no caso de algumas operações de importação de petróleo cru. foram afetadas de forma significativa pela crise financeira na Ásia. Além disso. foi firmado um Memorando de Entendimento sobre Consultas Políticas. Em meados da década de 1990. Em 1996. Além disso. No atual processo de reaproximação. impulsionadas pelo crescimento econômico da Indonésia.PIB. autopeças e produtos de engenharia civil. calçados esportivos e produtos eletrônicos de consumo). o comércio entre os dois países atingiu o patamar de US$ 500 milhões e a Indonésia firmou-se como o segundo maior parceiro comercial do Brasil no Sudeste Asiático. mas o país ainda não se recuperou plenamente. Embora a quase universalização do ensino primário possa ser considerada um dos principais sucessos da era Suharto. caíram para US$ 221 milhões em 1999. O relacionamento entre o Brasil e a Indonésia ainda está abaixo do seu potencial. Na economia. Na área política houve a queda de Suharto. Em 2000. pouco se avançou em relação à qualificação da mão-de-obra para a indústria e o setor de serviços. o governo indonésio parece ter conseguido restaurar a confiança no sistema bancário. A Indonésia tem exportado borracha natural.

o que indica o bom relacionamento atual entre os dois países. na prática. um na Universidade da Indonésia e outro na Universidade Atma Jaya. visita que foi retribuída pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso em janeiro deste ano. das quais participam brasileiros. Ano 4. As instruções de caráter conjuntural recebidas da Secretaria de Estado abrangem pedidos de apoio e solicitações para que se realizem gestões especificas. bem como os Ministros da Agricultura e da Indústria e Comércio. o relacionamento político entre os dois países encontra-se no mais alto nível desde os anos sessenta. acompanhar a situação política e econômica daquele país e a evolução da política externa indonésia. membros da sociedade local. Número 15. especialmente no que diz respeito ao Timor Leste”. e o Memorando de Entendimento entre o Banco Central do Brasil e o Bank of Indonesia. há entendimentos para a criação de dois Centros de Estudos Latino-Americanos. assinado em 18/09/ 1996. que pedem selos. folhetos e informações gerais sobre o Brasil. e está sendo traduzida a brochura “Brazil in Brief”. as ações de natureza permanente do posto. O presidente Abdurrahman Wahid esteve no Brasil. distribuindo-os como material de promoção cultural para escolas. 1. A Vice-Presidente Megawati Sukarnoputri deverá vir ao Brasil este ano. Brasília-DF. Atividades de Representação Segundo o chefe do posto. latino-americanos.dois governos previram reuniões periódicas para exame de assuntos da agenda bilateral e troca de idéias sobre temas regionais e internacionais. destinam-se a “aprofundar em todos os níveis as relações Brasil-Indonésia. Auditorias do TCU. As atividades de promoção e difusão cultural são incipientes e estão a cargo de uma auxiliar local que traduz e supervisiona a impressão de brochuras e folhetos sobre o Brasil. A situação de Timor Leste foi superada com o plebiscito e a passagem do território à administração da ONU. festas de carnaval em hotéis de Jacarta. Até o início deste ano. Políticas e Diretrizes Estabelecidas para o Posto O Ministério das Relações Exteriores não formaliza satisfatoriamente políticas e diretrizes a serem observadas pela Embaixada do Brasil em Jacarta. pois não havia nenhum outro diplomata no posto. Segundo informações prestadas pelo Embaixador.3. 2001 299 . todos os contatos externos da embaixada eram mantidos pelo seu titular. empresários e personalidades políticas. 1. apesar do problema do Timor Leste. e organiza. ambas em Jacarta. participa do Bazar de Caridade do Corpo Diplomático. Diariamente são respondidas cartas de alunos de todos os níveis. Foi elaborado um folheto sobre o Brasil inteiramente em bahasa indonésio. Na área cultural. Há dois acordos internacionais vigentes entre os dois países: o Memorando de Entendimento para o estabelecimento de consultas bilaterais. A embaixada fomenta a difusão da música brasileira. realiza anualmente a festa nacional do Brasil. As autoridades indonésias reconheceram o esforço do Brasil em desempenhar um papel construtivo e sem antagonismo antes da consulta popular e agora na transição para a independência plena da ex-colônia portuguesa. em setembro do ano passado. firmado em 15/07/1997. em colaboração com a Associação dos Brasileiros na Indonésia.2.

com o apoio do Assessoria de Comunicação Social do Itamaraty. Apesar das limitações do Setor, em 1999 foi trazido para a Indonésia, com financiamento privado, o grupo de dança João de Barro, da Bahia, que se apresentou nas principais cidades do país. Este ano estão-se buscando patrocinadores para levar a Jacarta o grupo do Teatro Viladança, também da Bahia. Houve apenas uma participação em exposição coletiva de pintura latino-americana, realizada em 1998, em Jacarta, com obras de artistas brasileiros lá reunidas. Nunca houve doações de livros brasileiros a bibliotecas indonésias. Há dez anos, a embaixada fez traduzir do português para o bahasa indonésio o livro “A escrava Isaura”. Na área econômica, está-se buscando reformular, com novos membros e o estabelecimento de um programa de atividades, o Conselho Empresarial BrasilIndonésia, criado em 1997, mas que permaneceu inativo durante toda a crise asiática. Há contatos com a imprensa, rádio e televisão. A imprensa indonésia dá pouca cobertura a notícias econômicas sobre a América Latina e é muito voltada para os acontecimentos internos. As matérias sobre o Brasil tratam geralmente da oscilação de preços de commodities, do Plano de Retenção do Café, do qual a Indonésia participa, ou de disputas na Organização Mundial do Comércio, tais como a controvérsia entre a Embraer e a Bombardier, ou ainda o episódio do embargo à carne bovina brasileira pelo Canadá. Com a finalidade de fazer os comentaristas indonésios conhecerem melhor o Brasil, a embaixada transformou em brochura um recente trabalho do Council on Foreign Relations norte-americano sobre relações Brasil-Estados Unidos, que foi remetido aos dirigentes dos principais jornais e revistas econômicas indonésias, acompanhado de um artigo da empresa de consultoria norte-americana A.T. Kearney, na qual o Brasil é mencionado como o terceiro maior destinatário de investimentos estrangeiros no mundo. A visita da Presidente Fernando Henrique Cardoso à Indonésia foi tema da reportagem de capa e de um suplemento sobre o Brasil publicados pela revista Kapital. Houve boa cobertura do evento. Pouco antes da visita, dois jornalistas indonésios foram ao Brasil: um do Kompas, principal jornal em língua indonésia, e outro do Indonesian Observer. Ambos escreveram artigos favoráveis ao País, ao retornar a Jacarta. A embaixada acompanha o relacionamento econômico entre o Brasil e a Indonésia e mantém contato com instituições de crédito situadas no país, fornecendo dados e informações sobre a evolução da situação brasileira. O posto elabora e remete aos principais grupos econômicos indonésios, por correio eletrônico, uma resenha de artigos publicados na imprensa internacional, para mantê-los a par da evolução da economia brasileira nos últimos anos. Há boa receptividade desses grupos e cogitase de melhorar o formato da resenha. O posto mantém relações com o Center for International and Strategic Studies, instituto acadêmico de excelência na Indonésia. Por ocasião da auditoria, o Itamaraty estava organizando um seminário sobre a Ásia e havia gestões para trazer ao Brasil os Professores Jusuf Wanandi e Hadisoesastro, ambos daquela instituição.
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Nos últimos seis anos, foram realizados quatro seminários sobre economia brasileira. O mais recente ocorreu durante a visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso a Jacarta, que fez o principal pronunciamento do encontro. A embaixada tem participado da preparação de projetos de instruções ou das definição da posição brasileira em conferências internacionais realizadas na Indonésia. São exemplos os trabalhos elaborados para a conferência anual da International Pepper Association, da qual o Brasil e a Indonésia são membros, e cujo secretariado está em Jacarta, e para a reunião de cúpula do G-15, realizada entre 26 e 31 de maio deste ano, da qual participou o Vice-Presidente Marco Maciel. Houve na mesma ocasião uma exposição internacional dos países membros do G-15, na qual foi montado um estande informativo sobre a Embraer, Avibras, negócios agrícolas no Brasil e produtos de informática. O posto divulga informação turística sobre o Brasil e estimula a formação de grupos de indonésios que, em número crescente, visitam o País. 1.4. Atividades de Informação Há facilidade de acesso à imprensa escrita, rádios e estações de televisão. A embaixada subscreve publicações especializadas em economia e negócios na Indonésia, bem como adquire e coleciona documentação e estatísticas relevantes sobre a economia local. Os meios de comunicação funcionam em bahasa indonésio, mas existem dois jornais e algumas revistas em língua inglesa, de boa qualidade (The Jakarta Post, The Indonesian Observer, Tempo e Kapital). A embaixada mantém o Ministério informado sobre a economia indonésia, suas relações econômicas internacionais e a promoção comercial. Não há periodicidade fixa para a elaboração de relatórios, que são emitidos à medida que novos fatos acontecem ou novos cenários se esboçam. Além disso, diariamente se remete à Secretaria de Estado uma resenha da imprensa indonésia e internacional sobre a situação política e econômica daquele país, e outra especial sobre o Timor Leste. 1.5. Atividades de Negociação Sempre que necessário, a embaixada coordena ou apóia negociações técnicas de agências governamentais e de missões empresariais brasileiras na Indonésia. Há empresas de consultoria econômica que ocasionalmente prestam serviços ao Secom, como ocorreu para a elaboração do guia “Como Exportar para a Indonésia”. Na área de captação de investimentos indonésios para o Brasil, há três projetos em fase de implantação decorrentes da ação do Setor de Captação de Investimentos Estrangeiros da embaixada. O primeiro refere-se à formação da joint venture entre o Grupo Sampoerna, da Indonésia, com um grupo paulista para a fabricação de cigarros de cravo em São Paulo, que já se encontra em operação. Outro grupo indonésio, o Djarum, está-se instalando na Bahia, também para fabricar cigarros de cravo, em um empreendimento industrial que gerará inicialmente 450 empregos diretos na região do Centro Industrial de Aratu, próximo a Salvador. Por fim, o Grupo Kedaung decidiu, no final do ano passado, montar uma fábrica de produtos de vidro na Bahia, na região de Camaçari, utilizando sílica de uma jazida perto de
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Belmonte, na região dos rios Jequitinhonha e Pardo. Estima-se que o empreendimento gerará cerca de 1.500 empregos diretos, incluído o pessoal dedicado à extração de sílica. Projetos de colaboração brasileira estão sendo discutidos na área da indústria açucareira, cultura de soja, de milho e de mandioca. Em troca, busca-se assistência técnica e investimentos dos indonésios na área de borracha natural e óleo de palma. Discutem-se também negócios no setor aeroespacial com vistas a vender aviões civis (ERJ-145) da Embraer a empresas indonésias e a estabelecer uma futura associação entre a Embraer e a Indonesian Aerospace para a produção de aviões Tucano destinados à Forca Aérea Indonésia e ao mercado da ASEAN. 1.6. Serviços Consulares A comunidade brasileira na Indonésia é pequena e está registrada no Setor Consular. É crescente a demanda por vistos brasileiros, sobretudo para turismo e negócios. O atendimento aos pedidos de atos notariais se dá no prazo máximo de 48 horas. O pagamento dos emolumentos é feito diretamente ao Banco Crédit Lyonnais, situado no mesmo edifício onde está instalada a chancelaria, e o interessado recebe o documento contra a apresentação do comprovante de depósito. Raramente, o Setor é chamado a assistir brasileiros presos, desvalidos ou familiares de mortos. As ações necessárias são supervisionadas pelo chefe do posto. Com a chegada neste ano de um Primeiro Secretário, a coordenação da área consular passará a ser de sua competência. Há um número significativo de pedidos de emissão de passaportes e documentos de viagem para brasileiros, que buscam a embaixada para obter novo passaporte alegando haverem sido roubados em Bali. O atendimento é feito com cautela, pois desconfia-se da venda desses documentos a quadrilhas internacionais. Nos pedidos considerados suspeitos, o Setor Consular fornece apenas um Título de Nacionalidade para que o interessado possa retornar ao Brasil. Caso contrário é emitido um passaporte de curta validade, que permita ao nacional concluir a viagem iniciada. São raros os pedidos de repatriação. Em geral o Setor Consular informa o Itamaraty do ocorrido e fornece nomes, endereços e números de telefones de parentes que possam financiar a viagem de retorno. Não há registro de casos de adoção de menores brasileiros na Indonésia e o Setor atende normalmente os poucos pedidos de alistamento e adiamento de serviço militar. Há controle sobre opção de nacionalidade brasileira e de processos de perda de nacionalidade. O posto mantém uma relação de nomes e endereços de advogados civis e criminalistas para atender cidadãos brasileiros em dificuldades. O atendimento ao público é feito das 9:00 às 17:00h. Dois servidores, incluindo o único Oficial de Chancelaria lotado no posto, ocupam-se do atendimento consular. São emitidos, em média, cinco vistos dos diversos tipos por dia, movimento que se intensifica próximo ao período de Carnaval no Brasil, quando são fornecidos aproximadamente dez vistos por dia. A Tabela de Emolumentos Consulares está exposta ao público em local visível.
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1.7. Estrutura Organizacional A Embaixada do Brasil em Jacarta é dividida nos seguintes setores: Setor Político, Setor de Promoção Comercial, Setor de Captação de Investimentos, Setor Consular, Setor de Comunicações e Arquivo, Setor de Administração, Setor de Contabilidade e Setor Cultural. Essa divisão não difere da que tradicionalmente existe na maior parte das embaixadas brasileiras, à exceção do Setor de Captação de Investimentos. O Setor Político tem por atribuições acompanhar as notícias mais importantes de forma a manter a Secretaria de Estado informada a respeito dos principais fatos da vida política e econômica da Indonésia e fazer contatos pessoais com diplomatas de outras embaixadas e autoridades locais. O setor político está atualmente sob a responsabilidade do Primeiro Secretário. O Secom é responsável, entre outras atividades, por auxiliar as empresas brasileiras interessadas em exportar para a Indonésia; apoiar as empresas indonésias, que estejam interessadas em importar produtos brasileiros ou em fazer investimentos diretos no Brasil em sua área de atuação; identificar e sugerir alternativas para remover eventuais obstáculos e restrições às exportações brasileiras na Indonésia; realizar análises de competitividade e de concorrência; apoiar as entidades públicas e privadas na participação em feiras, missões empresariais e outros eventos de interesse para a promoção comercial; registrar empresas não-brasileiras na rede BrazilTradeNet; captar oportunidades comerciais; divulgar ofertas de exportação de produtos; elaborar ou atualizar o guia da série “Como Exportar”. O Setor de Captação de Investimentos representa uma inovação da Embaixada em Jacarta cuja criação ilustra a importância atribuída ao tema pelo atual titular do posto. Entre as principais atribuições do setor estão identificar e contatar potenciais investidores no Brasil; coletar e organizar documentos para apresentação aos potenciais investidores; organizar seminários a fim de promover o Brasil; provocar demandas de investimento no Brasil; elaborar informações sobre projetos; e planejar e organizar missões empresariais de interesse para a expansão das exportações brasileiras ou para captação de investimentos diretos. O Setor Consular é responsável, entre outras atividades, por assistência e proteção aos cidadãos brasileiros no exterior; concessão e prorrogação de documentos de viagem; concessão de vistos consulares; atos do registro civil; atos notariais; atividades ligadas ao serviço eleitoral. O Setor de Comunicações e Arquivo é responsável por enviar malas diplomáticas, telegramas, ofícios, faxes e outros registros, bem como arquivar os documentos do posto. O Setor de Administração é responsável por selecionar e treinar novos colaboradores; manter atualizado fichário de pessoal; realizar procedimentos da área de Patrimônio e de modernização administrativa. O Setor de Contabilidade é responsável por administrar as dotações orçamentárias; lançar as entradas e saídas no Sistema de Administração dos Postos ADMP -; efetuar pagamentos dos salários da equipe local e das compras realizadas;
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elaborar relatórios contábeis; preencher mensalmente o formulário de execução financeira concernente ao setor. O Setor Cultural é responsável por divulgar a cultura brasileira; difundir a língua portuguesa; desempenhar atividades de organização de eventos culturais e estabelecer contatos com vistas à sua realização. O setor vem funcionando de maneira incipiente, contando com apenas uma auxiliar local, que não fala português. A embaixada ressente-se da falta de material de divulgação cultural sobre o Brasil, mas não tem feito esforços consistentes para tornar mais regular a remessa desse tipo de material por parte dos setores responsáveis do MRE. O Setor de Promoção Comercial – Secom – e o Setor de Captação de Investimentos são os mais importantes. Nas palavras do titular do posto, “a Embaixada do Brasil em Jacarta é na verdade um grande Secom”; nele estão lotados quatro dos nove auxiliares locais. Os resultados obtidos e as perspectivas de novos negócios a médio prazo indicam o acerto da criação do Setor de Captação de Investimentos. Algumas atividades a cargo do Secom têm sido prejudicadas pela situação de instabilidade política e econômica vivida pela Indonésia desde 1996. Um exemplo é a promoção da participação brasileira em feiras, que não vem sendo realizada. No entanto, com a retomada do crescimento econômico naquele país, as oportunidades comerciais tendem a se intensificar. A embaixada tem procurado fomentar ações em três áreas consideradas prioritárias para o relacionamento comercial Brasil-Indonésia: agribusiness, indústria aeroespacial, petróleo e gás. A Indonésia é o oitavo produtor mundial de petróleo, mas já esgotou a exploração em águas rasas e se prepara para buscar petróleo em grandes profundidades. A Petrobras pode auxiliar o lado indonésio com a tecnologia necessária para essa exploração. A embaixada realizou contatos com a Organização Nacional da Indústria de Petróleo, que participou de seminário em Jacarta em janeiro do corrente ano e manifestou interesse em retornar com uma delegação de empresários brasileiros da área. Merece destaque a iniciativa em andamento de se realizar um amplo estudo das rotinas de trabalho da embaixada, de modo a aperfeiçoar sua administração, com a identificação de eventuais pontos fracos e a adoção das medidas corretivas apropriadas. Em razão da insuficiência de recursos humanos, não há um Setor CientíficoTecnológico e de Cooperação Técnica na embaixada, apesar do bom potencial de intercâmbio entre Brasil e Indonésia na área. 1.8. Recursos Humanos Durante o período de realização da auditoria, a Embaixada do Brasil em Jacarta contava com a seguinte lotação:

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Quadro de Pessoal – Jacarta
Função Quadro permanente Embaixador Primeiro Secretário Oficial de Chancelaria Assistente de Chancelaria (missão transitória) Contratados locais Auxiliar administrativo Assistente técnico Pessoal de apoio Pessoal de apoio Lotação Chancelaria Chancelaria Chancelaria Chancelaria Quantidade 1 1 1 1

Chancelaria Chancelaria Chancelaria Residência

7 2 5 4

Do total de nove auxiliares administrativos e assistentes técnicos lotados na chancelaria, seis têm nível superior e, desses, três possuem pós-graduação, o que indica a boa qualificação dos recursos humanos contratados localmente. O Setor de Captação de Investimentos é um bom exemplo da adequada política de contratação de pessoal desenvolvida pela embaixada. Seu chefe é um profissional com experiência no setor bancário e pós-graduação na área de finanças, o que garante um diferencial nas negociações com empresas indonésias e brasileiras interessadas em descobrir novas oportunidades de comércio e investimento. Outro exemplo é a contratação de uma auxiliar administrativa que está revisando todos os processos administrativos do posto, com vistas a aperfeiçoá-los e a eliminar eventuais redundâncias. Essa funcionária possui mestrado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Aplicam-se aos contratados locais as disposições da legislação trabalhista e previdenciária da República da Indonésia, em conformidade com a Lei brasileira nº 7.501/86. Verificou-se que o recolhimento da contribuição previdenciária vem sendo feito em dia, à exceção da do Sr. José William Bráulio Gomes, brasileiro, cujo processo visando à sua filiação ao sistema previdenciário brasileiro encontra-se em tramitação no Ministério desde 1986. Os servidores Antonius Sigit Budiarto, Ade Mustafa, Vidya Hermanto, Rudy Handoko e Herman Sudjarti foram contratados após julho de 1995 sem a realização de processo seletivo, o que contraria o art. 9º do Decreto nº 1.570/95. As demais contratações posteriores a 1995 seguiram o processo seletivo previsto na legislação. Durante a realização da auditoria foi autorizada pela Secretaria de Estado reposição salarial de 20,5% aos auxiliares administrativos e assistentes técnicos, que visa a minimizar as perdas causadas pela desvalorização da rúpia. O posto se encontrava sem diplomatas lotados permanentemente (exceto o Embaixador) desde 1992. O Primeiro Secretário foi removido há menos de dois meses. Nos últimos anos, serviram apenas alguns servidores diplomáticos em missão transitória, em geral para substituir o titular durante seus afastamentos regulamentares.
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A falta de diplomatas com lotação permanente em Jacarta, confrontada com a crescente importância econômica do país e da região, sugere a inexistência de uma política coerente de alocação de recursos humanos nos postos por parte do Ministério das Relações Exteriores. Em apoio a essa constatação verifica-se que a representação de outros países na Indonésia possui diplomatas em quantidade superior à do Brasil. São exemplos a Argentina com 3; Chile, 3; Portugal, 3; Espanha, 5; México, 6; África do Sul, 6. A representação da Indonésia no Brasil conta com 8 diplomatas, além de um adido militar. 1.9. Recursos Materiais A chancelaria está instalada no décimo sexto andar de um edifício moderno, situado em avenida central de Jacarta, prédio onde também se encontram as embaixadas da Argentina, México, Venezuela, Uzbequistão e Croácia. O mobiliário é adequado e encontra-se em bom estado. Os computadores e demais equipamentos de informática são modernos e em quantidade suficiente. As despesas com aluguel e condomínio atingem o montante de US$ 82,448.00 anuais. O pagamento é feito trimestralmente, de forma antecipada. A residência da embaixada está situada em bairro de qualidade e foi amplamente reformada há dois anos às expensas da proprietária do imóvel, sem ônus para o Tesouro. O valor do aluguel foi renegociado em bases vantajosas, aproveitando a situação favorável do mercado. O valor do aluguel para o período de três anos que vai de 1/1/1999 a 31/12/2001 é de US$ 126,000.00 com pagamento antecipado de todo o valor. O contrato de aluguel anterior era de US$ 144,000.00. A embaixada dispõe de dois automóveis de representação, um de serviço e uma motocicleta, todos em bom estado. Em abril deste ano foi permutado um Mercedes Benz E 320, ano 1996, por outro, ano 2001, sem desembolso, graças à isenção do imposto de importação concedida às representações diplomáticas. Em maio foi realizada a permuta de um Volvo 960, ano 1995, com valor estimado de US$ 11,000.00 por um Mercedes E 320, ano 2001, com desembolso de US$ 23,000.00. Ambas as operações foram previamente autorizadas pela Secretaria de Estado. Completam a frota uma van Toyota Kijang LGX 1800, ano 1996, que deverá ser trocada até o final do ano, e uma motocicleta Yamaha RXK, ano 1998. De maneira geral, pode-se dizer que a embaixada dispõe de boas condições materiais para o cumprimento de sua missão. 1.10. Recursos Financeiros Segundo opinião manifestada pelo titular do posto, os recursos colocados à sua disposição são de maneira geral insuficientes para o correto desempenho das atividades do posto. No entanto, ciente das dificuldades orçamentário-financeiras que o Brasil atravessa, a embaixada tem procurado otimizar a administração dos valores que recebe e não considera a escassez de recursos financeiros seu principal problema, mas sim a insuficiência de pessoal, tanto diplomático como administrativo.

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Auditorias do TCU. Ano 4. Número 15. Brasília-DF. 2001

ao responsável pelo Setor de Contabilidade cabe a realização. 2000 e no 1º trimestre de 2001.12. Uma no banco Crédit Lyonnais para os depósitos dos emolumentos consulares e outra no ABN AMRO Bank para os saques dos adiantamentos repassados pelo Escritório Financeiro em Nova York – EFNY -.ADMP . para a aquisição de material de consumo e permanente. contabilização e prestação de contas da despesa. No que tange à execução financeira e orçamentária. Foram detectadas algumas impropriedades em relatórios gerados pelo ADMP em razão de inconsistências do sistema. Auditorias do TCU. consiste em sacar todo os recursos repassados e guardá-los no cofre do Setor de Contabilidade da Chancelaria. O Sistema de Administração dos Postos . Não são realizados procedimentos licitatórios. Uma nova versão já estava sendo instalada. Ainda que tenham sido obtidos os valores com os salários dos servidores do MRE. bem como pela forma de classificação das despesas. Brasília-DF. orçamentária. de maneira geral. efetivamente. a totalidade dos custos de manutenção da embaixada. Custo da Embaixada Os quadros abaixo apresentam as despesas realizadas pelo posto nos anos de 1999. Ano 4. portanto. 1. A questão de apropriação de despesas será tratada no item 3: “Principais Constatações e Recomendações”. de material. Ressalte-se que em razão das dotações utilizadas pelo MRE. As verificações mais relevantes estão registradas no item 3: “Principais Constatações e Recomendações”. inclusive os dos salários dos contratados locais. Não há sistemática de cadastramento de fornecedores de material e de prestadores de serviços.1. apesar de certas dificuldades e entraves em sua operação. esses valores não representam. das diárias e ajudas de custo referentes às despesas dessa embaixada. atos ilegais ou irregularidades graves.é utilizado normalmente. patrimônio. Não há segregação de funções. Na Indonésia não existe a praxe de pagamentos em cheque.11. junto ao EFNY. O procedimento do posto. Procedimentos Operacionais Com relação aos procedimentos operacionais. licitações e contratos e recursos humanos. compras. a equipe de auditoria não constatou. Foram examinados os procedimentos de administração financeira. Todos os pagamentos são feitos em espécie. verificou-se que a embaixada mantém apenas duas contas bancárias. segundo a responsável pelo sua alimentação. Número 15. 2001 307 . há pelo menos as despesas com passagens aéreas que não foram devidamente consignadas nos quadros a seguir relacionados. ainda que simplificados. Por ser um posto muito pequeno.

00 2000 Valor Percentual 39.65 0.22 0.Serviços e Manutenção do Posto.43 6. Despesas Realizadas – 2001-1º trimestre (US$) Dotação SMP – Serviços e Manutenção do Posto PCL – Pessoal Contratado Local LIM – Locação de Imóveis Servidores do Quadro – pagos pelo EFNY Diárias e ajudas de custo – pagas pelo EFNY Diversas . ADC – Assistência diplomática e consular. PSE) TOTAL 1999 Valor Percentual 38.703.505.78 Percentual 18.00 151.Despesas Realizadas (US$) Dotação MP (Manutenção do Posto: água.576.299. TB – Transporte e bagagem.TB.27 90.) IM (Imóveis: residência e chancelaria – aluguel etc.85 0.5 4.13.15 12.942. Número 15.977. PSE – Prestação de serviços eventuais. ACS – Atividades culturais.12 31. Brasília-DF.974. mat.00 44.00 Legenda: TB – Transporte e bagagem. As dotações PAT e PAP foram agrupadas na nova dotação PCL – Pessoal Contratado Local.257.34 50. As dotações IM e RD passaram ser contabilizadas sob o nome de LIM – Locação de Imóveis.563. 308 Auditorias do TCU. 1.) PAP (Pessoal de Apoio) RD (Residência Diplomática: servidores do MRE) PAT (Pessoal Administrativo e Técnico) Servidores do Quadro (pagos pelo EFNY) Diárias e ajuda de custo (pagas pelo EFNY) Diversas (EMP.00 4.24 431.71 130.418. etc.735.14 113.23 100.00 53.253.0 16.00 41. ACS. Para o exercício de 2001.40 1. REA – Recursos remanescentes do exercício anterior. As dotações MP e COM foram fundidas na dotação SMP. 2001 . ACS – Atividades culturais.26 100. luz.35 Legenda: EMP – Equipamentos e material permanente. cons. ACS.781. DPR.0 22.08 33.61 129.00 5. COM – Comunicações.299.22 15. ADC TOTAL Valor 65. DPR – Diárias.25 2. PC. TB. Os valores relativos ao ano de 2001 abrangem apenas o primeiro trimestre.27 0.15 25.57 28.94 6.860.030.55 100.87 139.061.52 669.350.373.35 358.73 3. houve fusão de dotações e adoção de nova nomenclatura.26 2.170.65 41.615.81 851.38 12.00 24.104.53 276. COM. REA/2000.00 19. Renda Consular O quadro abaixo apresenta um resumo dos principais serviços prestados pelo Setor Consular em Jacarta e dos correspondentes recursos arrecadados. PC – Promoção comercial.230. Ano 4.62 43.

93 2.792 -1.6 10. Para um observador externo parece ser uma sociedade sem classes. oficiais e de cortesia Vistos de turista Vistos de negócios Outros tipos de visto (cientista/pesquisador. laissez-passer e autorizações de retorno ao Brasil) Vistos diplomáticos. Ano 4. As distinções sociais só se tornam aparentes em decorrência de estudo e qualificação acadêmica.485 693 1.8. estudante. e possui 47 milhões de habitantes.35 766 43. casamento e óbito.Atividade Consular Documentos de viagem (passaportes diplomáticos. religioso) Atos notariais e de registro civil (certidões de nascimento.1.307 5. Número 15.7% 7. a sociedade coreana é notavelmente igualitária.099 1999 46.00 599 45. reconhecimentos de firmas.3% 332. Informações Gerais População (milhões) PIB (US$ bilhões com ajuste da variação cambial) PIB per capita Crescimento do PIB Inflação Comércio Global (US$ bilhões) Balança comercial (US$ bilhões) BRASIL Comércio total (US$ milhões) Exportações brasileiras (US$ milhões) Importações brasileiras (US$ milhões) Balança comercial Brasil/Coréia (US$ milhões) 1997 45. comuns.239 1.60 39. seja do Estado. área equivalente à do estado de Pernambuco. com 99. a ostentação é socialmente condenável. situada no nordeste da Ásia.99 476.628 8. entre o Mar do Japão e o Mar Amarelo.723 -6.659 935 1. oficiais.724 -789 Geografia e cultura A República da Coréia ou Coréia do Sul ocupa cerca de 45% da área da península coreana.8% 2.8% 263. EMBAIXADA DO BRASIL EM SEUL 2.675.27 457. artista/desportista.7 6. Brasília-DF.655.00 177 16.119 910 1. Visão Geral da República da Coréia O quadro abaixo apresenta alguns dos principais indicadores econômicos da República da Coréia.03 2.0% 4.8 8.00 2.4 9.45 2.86 405.200 km².551 10. seja da empresa. Essa ênfase na harmonia social tende a hierarquizar as relações Auditorias do TCU.711 -472 1998 46. certificados de residência e atestados de vida) Renda consular em US$ 1998 57 34 216 185 60 1999 55 81 306 198 44 2000 41 262 309 257 48 2001 15 15 136 67 37 583 35.79 2. coesa em sua determinação de defender-se.590. Embora haja grandes fortunas.209 -299 2000 47.950 1.5% 225.600. Uniforme em sua cultura.43 317.5% 280.9% 0. A influência do confucionismo é significativa e é aos ideais confucianos de harmonia e ordem que a sociedade coreana deve sua maleabilidade diante dos desafios que tem enfrentado.75 11. ou de cargo e função na estrutura. trabalho.78 .44 23. autenticações de cópias. 2001 309 .

Em 1948. Em 1949. empreendeu um grande esforço de recuperação que fez o PIB crescer mais de 10%. em decorrência da crise asiática. retiradas as tropas americanas e soviéticas. 2001 . o que na esfera dos negócios resulta em perda de criatividade e flexibilidade. por estimular a criação das estruturas empresarias que se expandiram nas décadas seguintes. Em 1992 realizaram-se as primeiras eleições democráticas no país. a Península continuava em ebulição. diante das dificuldades provocadas pela crise de 1997. A par disso. Como parte do acordo entre os partidos que formaram a coalizão vencedora. que no final de seu mandato. Com a derrota do Japão em 1945. seja empresarial. e ao sul a República da Coréia. em julho de 1953 as forças de ambos os lados celebraram um armistício. Qualquer deliberação tem de ser levada a instâncias superiores. Na Coréia moderna isso tem significado que uma decisão de um superior hierárquico é infalível e incontestável. mesmo que flagrantemente danosa à entidade.entre indivíduos e grupos e a reduzir a autonomia dos escalões inferiores. para fins de receber a rendição de tropas japonesas. seja oficial. Brasília-DF. foi eleito o atual presidente Kim Dae-jung. em novembro de 1997. Depois de três anos de combates. considerado o pai do desenvolvimento econômico sul-coreano. bem como entre suas estruturas político-sociais. Ano 4. a divisão da Coréia pelo paralelo 38º. área que excluiu a Coréia. 310 Auditorias do TCU. até hoje em vigor. a democracia coreana se consolida sem conflitos ideológicos importantes. valendo-se da extraordinária capacidade da sociedade coreana de mobilizar-se em torno de objetivos considerados fundamentais. encorajou a Coréia do Norte a invadir a parte sul em 1950. Número 15. que. depois de uma queda de 6. Entre 1960 e 1979 exerceu o poder o General Park Chung-hee. o presidente Kim Dae-jung prometera adotar o parlamentarismo em 2000. o que desencadeou a intervenção de tropas americanas lideradas pelo General MacArthur. quando as reservas externas do país estavam abaixo de US$ 3 bilhões. Em dezembro de 1997.7% no ano anterior. No entanto. consolidando a divisão da Península. Há grandes paralelismos entre as diversas fases da história dos dois países. os Estados Unidos e a União Soviética acertaram. pró-americana. frugal e trabalhadora que a Coréia tem seu único recurso vital. A definição norte-americana acerca do perímetro de segurança e interesse vital dos Estados Unidos na Ásia. Política interna A influência da civilização chinesa sobre a Coréia sempre foi fundamental. comunista. instalaram-se dois governos na Península: ao norte a República Popular Democrática da Coréia. o governo tem adiado sua implementação. é na sua população estudiosa. que escolheram como presidente Kim Young-sam. verificada a impossibilidade de conciliação entre as duas metades. viu-se obrigado a recorrer ao FMI. Notavelmente desprovida de recursos naturais.

em junho de 2000. conseguiu obter apoio suficiente para lançar sua sunshine policy. iniciou uma ampla reforma agrária e um grande esforço de alfabetização e universalização do ensino básico. em dezembro de 2000. Daewoo. Kim Dae-jung implantou uma política de engajamento construtivo com a Coréia do Norte que culminou com a histórica cúpula realizada em Pyongyang. do Prêmio Nobel da Paz. Independentemente disso. o governo de Park Chung Hee lançou um programa de investimentos para expansão da indústria com fortes incentivos à exportação dirigida ao mercado norte-americano. dificuldades decorrentes do segundo choque do petróleo e da instabilidade política doméstica. a estratégia de desenvolvimento baseada na indústria de exportação era a única alternativa capaz de garantir a obtenção de divisas. informática. Na década de 1970. equipamentos pesados e outros. O setor industrial coreano está baseado em grupos empresariais de grande porte chamados “Chaebols” (Samsumg. Para enfrentar essa situação. A maioria é controlada por famílias que adotam estilo paternalista de administração. Economia Até os anos 1950. sem recursos agrícolas ou minerais abundantes e dependente de ajuda externa. referida à fábula de Esopo que relata uma aposta feita entre o Sol e o Vento para decidir qual dos dois conseguiria fazer um viajante abandonar o manto de lã com que este se abrigava. Kim Dae-jung. automóveis. ferramentas elétricas. Sob pressão dos Estados Unidos. construção naval. Na década de 1960. foi um fator essencial para atingir o grau de diversificação e sofisticação dos produtos exportados a partir dos anos 1980. com a formação de engenheiros e cientistas. De outra parte. bem como os incentivos à educação. Isso levou ao desaparecimento da classe dos grandes proprietários rurais (yangban). com um significativo déficit em conta corrente. é impressionante o sucesso econômico da Coréia do Sul.). e sua luta histórica pela democracia e direitos humanos valeram-lhe a outorga. Para a Coréia do Sul. Seus esforços em favor da reconciliação entre os dois países. Ano 4. passaram por momentos de grande hostilidade e tensão. eletrônica. que atua nos setores de telecomunicações. de aproximação entre as duas Coréias. o Governo promoveu a Auditorias do TCU. com ênfase nos setores intensivos em mão-de-obra. de 1945 a 1994. fizeram com que o PIB caísse pela primeira vez desde 1962. a economia coreana cresceu à taxa média de 9% ao ano e as exportações à média de 36% anuais. com o assassinato do presidente Park. A elevação do nível educacional. Sem abrir mão de uma forte postura defensiva. O maior é o Daewoo.Política externa O tema mais importante para a Coréia do Sul se refere à divisão da Península e às relações entre as duas Coréias. Merecem destaque as políticas públicas de apoio e fiscalização do setor exportador. No início dos anos 1980. Brasília-DF. Número 15. 2001 311 . Hyundai etc. licenças de importação e proibição de investimentos estrangeiros em diversos setores da economia. a Coréia do Sul era um país subdesenvolvido de base agrária. A reconstrução após a Guerra da Coréia contou com o apoio decisivo dos EUA. empossado em 1998. que. o mercado doméstico foi protegido por meio de tarifas.

de construção.4 bilhões em 1989 para US$ 104. embora com expressivos déficits na conta-corrente. Alíquotas proibitivas. cuja demanda tem crescido significativamente. minérios. incentivou a reestruturação das empresas e iniciou um processo gradual de abertura e desregulamentação da economia. Coréia e Chile iniciaram negociações para o estabelecimento de um acordo de livre comércio e estão sendo discutidas iniciativas semelhantes com a Tailândia. Em 1999. ferro e aço. variando entre 106. respectivamente). goza de ampla proteção e assistência. Nos últimos anos. com crescimento superior a 10%. monitores.3 bilhão. Ano 4. resíduos de indústrias alimentares. 2001 . Mais da metade das exportações coreanas para o Brasil estão concentradas no item “máquinas.7% em 1998 e o desemprego cresceu de 2% para 8. Nesse período foram direcionados incentivos às indústrias de informática e microeletrônica. passou de US$ 29.6% das importações do Brasil no período de janeiro a novembro de 2000 (US$ 521. aparelhos e material elétrico” (telefones. Em 1999. bem como ao setor automobilístico. A agricultura.8% e o FMI prevê 6. Relações bilaterais A Coréia do Sul respondeu por 1% das exportações e 2.1% e 926. o PIB continuou crescendo à taxa média de 7. Após 1997. pastas de madeira e alumínio. de telecomunicações e de transporte aéreo e 312 Auditorias do TCU. dos juros internacionais e do dólar em relação ao iene japonês. A tradicional política de rejeitar acordos bilaterais e regionais flexibilizou-se. Em 1999. responderam por 75% das exportações brasileiras. empresas coreanas passaram a atuar no Brasil nos setores automotivo. No mesmo ano o crescimento foi de 8. porém. a Coréia começou a enfrentar problemas de competitividade com a indústria estrangeira e com as exigências de abertura comercial decorrentes do seu ingresso na OCDE. No início dos anos 1990.8% (para a mandioca). Número 15. Brasília-DF.1%.estabilização econômica.4 milhões e US$ 1.7 bilhões em 1996. tubos de imagem para TV). por ser um setor politicamente sensível. Mesmo assim. Os investimentos estrangeiros diretos aumentaram e o volume de reservas atingiu US$ 92. a economia coreana recuperou-se extraordinariamente. são aplicadas a 99 produtos. eletrônico.5% para 2001. a Coréia do Sul liberalizou substancialmente seu regime comercial e de investimentos.7 bilhões em outubro de 2000. Haveria potencial para ampliação das exportações de produtos agropecuários.5% ao ano. desde que fossem removidas as barreiras não-tarifárias hoje existentes. A Crise asiática Após 30 anos de crescimento ininterrupto à taxa média de 9% ao ano. por sua vez. A partir de 1986 o crescimento acelerou-se e a conta-corrente passou a registrar importantes superávits como conseqüência da queda nos preços do petróleo. O saldo da conta-corrente foi de US$ 26 bilhões e a inflação ficou abaixo de 1%. A dívida externa. Japão e Nova Zelândia. a crise financeira de 1997 foi devastadora: o PIB caiu 6. As tarifas de importação ainda são elevadas (média de 50%).

Com a finalidade de promover a imagem do Brasil. os investimentos coreanos no Brasil foram da ordem de US$ 228 milhões. sobretudo nos últimos dez anos. O atual Presidente coreano planeja visitar o Brasil no segundo semestre deste ano.2. a promoção do intercâmbio econômico-comercial e a concertação política sobre temas da agenda mundial”. Além disso. Políticas e Diretrizes Estabelecidas para o Posto O Ministério das Relações Exteriores não formaliza satisfatoriamente políticas e diretrizes a serem observadas pela Embaixada do Brasil em Seul. aponta a maior freqüência com que se têm reunido os Foros de Consulta entre os dois países (Comissão Mista.3. vistos etc. 2001 313 . investimentos. que esteve no Brasil pouco antes da visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso à Coréia. a embaixada convidou e preparou um programa de atividades para um jornalista coreano. Atividades de Representação O relacionamento com autoridades da chancelaria e do governo coreano em geral é livre e freqüente nos diferentes níveis hierárquicos. 2. Segundo informações prestadas pelo Embaixador. época em que se intensificou o relacionamento entre os dois países a partir da visita pioneira do ex-Chanceler Francisco Rezek em 1991.marítimo. Mecanismo de Consultas Políticas e Comissão Brasil-Coréia para o Século 21). a embaixada está em entendimentos iniciais com a Câmara de Comércio e Indústria da Coréia e Auditorias do TCU. Ano 4. assim. a fim de colher dados e depoimentos para matéria publicada localmente. No que se refere às instruções de caráter conjuntural. tributação. e. Há também o interesse de empresários coreanos nas áreas de telefonia celular. aparelhos de telecomunicações. da Kobrasco em Vitória-ES. Brasília-DF. O chefe do posto crê que tais objetivos vêm sendo alcançados. equipamentos elétricos e siderurgia. da LG Eletrônica na Zona Franca de Manaus e em Taubaté-SP e da Kia Motors na Bahia. à qual se seguiu a visita do chanceler coreano ao Brasil em 1995 e a troca de visitas de Chefes de Estado (Presidente Kim Young-sam em 1996 e Presidente Fernando Henrique Cardoso em janeiro último). Há 17 acordos internacionais vigentes entre os dois países versando sobre comércio. A Hyundai mostra-se interessada no setor petroquímico. o Embaixador destaca o papel do posto no acompanhamento dos efeitos da crise asiática de 1997 sobre a economia coreana e as medidas adotadas pelo governo daquele país para revertê-la. Número 15. “os objetivos permanentes da presença diplomática brasileira na República da Coréia são o estreitamento da amizade entre os dois países. No momento. 2. uma vez que as informações transmitidas sobre a evolução da conjuntura à Secretaria de Estado e ao Ministério da Fazenda serviram de subsídio para a definição de políticas para o enfrentamento de situação semelhante pela economia brasileira. Os contatos com profissionais dos jornais diários publicados em inglês são esporádicos. A barreira do idioma impede o acompanhamento em relação à mídia em coreano. projetar imagem positiva do Brasil junto aos leitores coreanos. turismo. Segundo o Banco Central do Brasil. Destacam-se os empreendimentos da Samsumg na Zona Franca de Manaus.

As informações sobre política interna consideradas relevantes pela chefia do posto são enviadas regularmente à Secretaria de Estado. assim como tem acesso a instituições artísticas e acadêmicas através da Coordenação de Assuntos Culturais do Grupo da América Latina e do Caribe. material sobre a economia coreana produzido por órgãos governamentais e pelo meio acadêmico assim como assina revistas e publicações especializadas no setor. que se reúne periodicamente. 314 Auditorias do TCU.4. no segundo semestre deste ano. Brasília-DF. embora informe a Secretaria de Estado sobre as principais tendências observadas. O posto acompanha a evolução da política externa coreana. indicando seus efeitos para o relacionamento com o Brasil. cursos de língua portuguesa em algumas universidades com as quais a embaixada afirma se relacionar. A embaixada mantém diálogo com dirigentes de entidades culturais e com personalidades coreanas ligadas ao Brasil. tais como visitas de autoridades estrangeiras à Coréia e viagens de representantes governamentais locais ao exterior. O posto recebe. O chefe do posto e diplomatas têm proferido palestras sobre cultura brasileira. Atividades de Informação Existem na Coréia três jornais diários em língua inglesa. assim como suas iniciativas em organismos regionais como a ASEAN e outros. Número 15. A indexação. A embaixada utiliza essas fontes. tanto para participar de conversações e negociações bilaterais quanto de reuniões em foros multilaterais. 2001 . A embaixada dispõe de dados para o acompanhamento da evolução da economia do país. incluindo-se análise de suas implicações para a política externa do País. mas considera importante dispor de recursos para contratar tradutor e. assim como informações mais detalhadas sobre as empresas coreanas com investimentos no Brasil.com um canal de televisão. O idioma e a falta de servidores dedicados ao acompanhamento de temas econômicos dificultam o contato com universidades ou institutos de pesquisa coreanos e impedem que o posto promova conferências de divulgação da economia brasileira. como convidados de universidades e outras instituições coreanas. Existem. 2. A correspondência com entidades culturais locais é habitual. Informações e análises sobre os eventos mais importantes são remetidas à Secretaria de Estado. a embaixada não se ocupa sistematicamente dessa atividade. comparecido a seminários e conferências. assim. abrangendo sua atuação diplomática nos âmbitos regional e global. no entanto. Acompanha-se também a condução do processo de reconciliação com a Coréia do Norte e as relações da Coréia com seus vizinhos mais próximos. com regularidade. Ano 4. Não há leitorados ou centros de estudos brasileiros na Coréia. poder acompanhar o noticiário dos jornais publicados na língua coreana. a ser transmitido na Coréia durante a planejada visita do Presidente coreano ao Brasil. Por não haver servidor encarregado exclusivamente de temas econômicos. a fim de organizar a ida ao Brasil de equipe de filmagem que produzirá programa informativo e atualizado sobre o País. catalogação e atualização da documentação e das estatísticas significativas é feita por servidor coreano do Setor de Promoção Comercial.

Não há produção sistemática de relatórios e resenhas aprofundados sobre intercâmbio comercial. 2001 315 . A embaixada desconhece a presença de pesquisadores brasileiros no país. é preciso contratar profissional especializado. assim como nas reuniões de consultas políticas e conversações especializadas. com o pedido de que sejam divulgados nos meios interessados brasileiros. porém. Há disponibilidade de firmas que fornecem serviços de consultoria ou de advocacia.O posto subsidia a participação de delegações brasileiras nas reuniões das Comissões Mistas bilaterais. 2. a produção de eventos que não envolvam despesas de maior vulto. Os resultados. Para gestões mais elaboradas. de caráter sucinto. Atividades de Negociação Os canais de interlocução com o Governo coreano são os habituais. Usualmente a embaixada utiliza pessoal próprio. de interesse de empresas. Raramente recebe material promocional de eventos realizados no Brasil nesse campo. Não existe um cadastro de centros de pesquisa. Por instrução do Departamento de Promoção Comercial. A embaixada informa o Ministério sobre as oportunidades de participação brasileira em eventos culturais organizados localmente. como sempre. Costumeiramente são transmitidos à SERE os convites e oportunidades de participação em eventos culturais organizados localmente. assim como colaborou na atualização do Maço Básico e de um Guia de Seul preparado para a visita do Presidente da República. Em face da distância entre os dois países e das limitações financeiras. Algumas delas constam de cadastro próprio. A embaixada apóia as missões oficiais de autoridades e empresários brasileiros à Coréia. transmite a informação à Secretaria de Estado. Brasília-DF. A desejável catalogação da informação científico-tecnológica disponível. O Secom realiza o levantamento de informações cadastrais de empresas locais. Ano 4.5. tem procurado estimular. com a cooperação de instituições culturais locais. os custos envolvidos com a viagem de artistas. com vistas à recuperação e divulgação direta ou pela SERE. caso haja necessidade. O posto nunca foi procurado para encaminhar projetos de trabalho de pesquisadores locais a entidades ou empresas brasileiras. não é exercida. considerando-se. sem dificuldades para marcar reuniões ou realizar contatos. Em alguns casos é necessário contar com intérprete. Na área de Promoção Comercial o posto aponta a expansão do número de potenciais importadores coreanos inseridos no sistema BrazilTradeNet e a intensificação dos contatos com as diversas associações que reúnem o setor Auditorias do TCU. Número 15. o posto começou a produzir relatórios trimestrais de suas atividades. As informações sobre empresas brasileiras são solicitadas ao Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores. A comunidade brasileira radicada no país é pequena (uma centena de pessoas) e inexiste programa de intercâmbio de pesquisadores entre institutos ou universidades brasileiras e coreanas. são quase nulos. universidades e institutos de pesquisas brasileiros. Quando toma conhecimento de evento de âmbito internacional promovido na Coréia ou é solicitada por instituição local a divulgá-lo.

o Secom se encarrega de agendar encontros ou intermediar contatos entre empresários brasileiros e coreanos. O Setor de Promoção Comercial da embaixada recebe. Não obstante. não tem havido participação brasileira em feiras ou exposições específicas no país. Korea International Trade Association. prestando-lhes apoio nas negociações com seu interlocutores coreanos. em janeiro de 2001. algumas empresas solicitam e obtêm entrevista com o diplomata encarregado do setor. Eventualmente. o posto mantém o Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores informado a respeito de eventos merecedores da participação de representantes do setor privado brasileiro. ambos assinados durante a visita presidencial. Korea Chamber of Commerce and Industry. O chefe do setor informou que tem buscado relacionar-se com os diferentes órgãos do governo brasileiro assim como com associações empresarias nacionais. com base em relatório recebido do Departamento de Imigração do Ministério da Justiça 316 Auditorias do TCU. Brasília-DF. Quando solicitado. Ano 4. Indústria e Energia da Coréia.empresarial coreano.6. assim como acompanhou recentemente as negociações relativas aos Acordos de Isenção de Vistos e de Cooperação para Usos Pacíficos da Energia Nuclear. como foi recentemente o caso das equipes do Ministério da Ciência e Tecnologia e da FIRJAN. O Setor Consular enviou aproximadamente 100 cartas com novos pedidos de matrícula aos nacionais. mas organizou seminário empresarial no contexto da visita presidencial de janeiro de 2001 e mantém contato com as principais associações empresariais do país tais como a Association of Foreign Trading Agents of Korea. que estiveram na Coréia para explorar possibilidades de trabalhos conjuntos na área de ciência e tecnologia. Número 15. de dois a três telefonemas de empresários coreanos interessados na importação de produtos brasileiros. O posto está acompanhando presentemente a negociação de Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério do Comércio. Korea Trade Investment Promotion Agency e Small and Medium Industry Promotion Corporation. A promoção de investimentos coreanos no Brasil e vice-versa é desenvolvida por meio do sistema. Os contatos com personalidades do meio científico e técnico e com operadores de acordos de cooperação ocorrem no contexto da organização de missões técnicocientíficas brasileiras. A emba