Caixa de Direcção

Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica

Introdução......................................................................................................... 3 1. Caixa de Direcção...................................................................................... 4
1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. Enquadramento histórico .......................................................................................... 4 Definição e função...................................................................................................... 6 Tipos de caixas de direcção ..................................................................................... 7 Tipo de funcionamento .............................................................................................. 7 Análise da caixa de direcção .................................................................................... 8 Análise conceptual do equipamento........................................................... 8 Análise técnica............................................................................................... 10 Análise funcional...................................................................................... 10

1.5.1. 1.5.2.

1.5.2.1. a) b) c) d) e)

Ligação mecânica ........................................................................................... 10 Pressão limite................................................................................................... 15 Rotação limite do sector dentado.................................................................. 16 Desgaste do sector dentado.......................................................................... 17 Funcionamento do circuito de óleo da caixa............................................... 17 Análise / Cálculos .................................................................................... 19

1.5.2.2. a.
b.

Relação de transmissão do volante para a roda ........................................ 19

Formula para calcular a inércia do cilindro e do parafuso sem fim, através do tempo de descida (método1) ........................................................................... 21

c. Formula para calcular a inércia do cilindro e do parafuso sem fim, através do tempo de descida (método2)............................................................................ 22 d. e. f. g. h. Inércia do cilindro............................................................................................. 23 Inércia do parafuso sem fim........................................................................... 24 Inércia do sector dentado............................................................................... 24 Inércia total da caixa ....................................................................................... 24 Força necessária para movimentar o volante............................................. 25 1

Caixa de Direcção
Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica

2. Curiosidades - Factores importantes ....................................................... 26 Conclusões ..................................................................................................... 28 Referências Bibliográficas ............................................................................ 29 Web Bibliografia ............................................................................................. 29 Anexos ............................................................................................................ 30
Anexo I – Enquadramento histórico da caixa de direcção............................................ 30 Anexo II - Tipos de caixas de Direcção ........................................................................... 31 Anexo III - Análise conceptual do equipamento ............................................................. 32 Anexo IV - Curiosidades - Factores importantes............................................................ 34

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Caixa de Direcção
Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica

Introdução
A temática do nosso trabalho é a caixa de direcção de um camião (neste caso modelo DAF 95 ATI), que se insere na disciplina de Mecânica Aplicada. A escolha deste tema foi um pouco por acaso, pois como tínhamos a peça em questão, aproveitamos esse efeito para a analisarmos. Assim, o objectivo essencial do nosso trabalho é dar a conhecer um pouco da historia da caixa de direcção, o seu funcionamento, os diferentes tipos de caixas de direcção e analisar relações de estática, cinemática e dinâmica entre os vários componentes da nossa caixa de direcção. A metodologia utilizada foi baseada numa pesquisa exaustiva em sites, em livros e trabalhos já realizados em anos anteriores, cedidos pelo professor da disciplina. Este trabalho está estruturado da seguinte forma: enquadramento histórico da caixa de direcção, definição e a sua função, tipos de caixas direcção, tipo de funcionamento, análise conceptual e funcional da caixa direcção e cálculos.

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Gottlieb Daimler e Wilhelm Maybach. construída e testada em 1885 e. construíram a primeira adaptação da carruagem para o transporte automóvel.15). 14). Em 1886. com um mínimo de esforço para os ocupantes e um máximo de segurança. nomeadamente através de pedais e dispunha de um guiador com uma pequena caixa de direcção que permitia virar a roda dianteira e mudar de direcção (ver anexo I . Á medida que os tempos foram evoluindo e com o aparecimento do motor de combustão interna surgiram meios de transportes com dimensões maiores. em Estugarda. o germano-austríaco Siegfried Marcus construiu uma carroça motorizada que. que o ser humano sempre foi um ser curioso e racional então através da sua racionalidade sempre procurou ferramentas e processos que melhorassem a sua qualidade de vida. contudo. O Benz Velo. tendo por isso havido uma alteração no sistema e tamanho da caixa de direcção.1. tendo como meio de funcionamento a força humana. sobretudo. 4 .fig. Em 1870.fig. Então podemos dizer que embora a caixa de direcção tenha surgido com a invenção da bicicleta. introduzido dez anos depois do primeiro automóvel Benz patenteado a 1885 (ver anexo I . pois esta tinha dimensões e esquema de funcionamento mais aproximado da actualidade e foi a partir dessa que surgiram sucessivas evoluções até aos dias de hoje. expuseram a primeira motocicleta.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 1. não passaria da fase experimental. Caixa de Direcção 1. 13). A primeira noção de direcção surgiu quando nasceu o primeiro meio de transporte a bicicleta (ver anexo I . em 1886.fig. se foram desenvolvendo em torno de um objectivo comum: viajar rápido. Os primeiros automóveis que surgiram foram fruto de sucessivas aproximações e adaptações tecnológicas que. em comparação com a modesta bicicleta. com comodidade e. Enquadramento histórico Desde o início dos tempos. assume-se para este trabalho que a caixa de direcção surgiu quando surgiu o primeiro automóvel. Esse transporte ainda existente. gradualmente.

melhorado gradualmente. Davis e George Jessup em Waltham.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Décadas mais tarde. A direcção assistida foi inventada nos anos 20 por Francis W. por exemplo). muito desgastantes em termos físicos. Neste tempo falava-se e tinha-se um sistema de direcção rústico que sofreu aperfeiçoamento ao longo do tempo. pelo menos nos automóveis europeus. A moda da tracção às rodas da frente. aliado à crescente largura dos pneus. 5 . Apareceu após muitas evoluções um sistema de direcção chamado direcção assistida que permite com menos voltas no volante e menos força se possa mudar de direcção e realizar manobras mais facilmente. tornaram as manobras de um carro sem assistência. A maioria dos novos automóveis tem direcção assistida. cujas vendas ultrapassaram os 15 milhões de unidades. fabricado de 1908 a 1927. Massachusetts. Henry Ford passaria a fabricar automóveis em série. apesar de nos anos 70 e 80 isso ser a excepção à regra. especialmente a velocidades baixas (e a estacionar. o facto de os automóveis se tornarem mais pesados. A Chrysler Corporation introduziu o primeiro sistema de direcção assistida disponível ao público em 1951 na Chrysler Imperial sob o nome de Hydraguide. destacando-se o Ford T.

que é aproveitado para fazer as rodas se mexer em torno de um eixo aproximadamente vertical.enquanto que uma viatura de tracção a trás é empurrada. em que todos os órgãos são transferidos para as rodas de trás do veículo. veículos pesados. havendo uma extrema necessidade de um sistema de direcção o mais fiável/confortável possível. Existem quatro formas de disposição dos órgãos motores e da transmissão num automóvel: o o Motor à frente e transmissão às rodas de trás. É mais frequente ver uma caixa de direcção em meio de transportes.2. habitabilidade e como o motor se situa na frente da viatura toda a parte traseira poderá ficar disponível para alojamento de pessoas e de bagagens. 6 .. Os automóveis com tracção às rodas da frente têm tendência a ter um comportamento subvirador. Consegue-se então perceber a importância do sistema de direcção visto que tracção dianteira mantém bastante bem a trajectória rectilínea.. o conhecido (4 x 4). Agrupamento dos órgãos na parte da frente do veículo. o Disposição inversa à anteriormente referida. A caixa de direcção é uma caixa de engrenagens. A capacidade de se agarrar à estrada é também boa.. mas é preciso impor-lhe firmemente a obediência à trajectória em curva. A forma mais utilizada é a solução de motor á frente com rodas motrizes á frente. motociclos.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 1. automóveis. Definição e função Uma caixa de direcção é um mecanismo que transforma o movimento rotativo do volante em movimento rectilíneo. pois precisam deste componente para virar as rodas e mudar de direcção.. o Transmissão às rodas da frente e de trás. pois proporciona conforto. cujas correspondentes rodas se tornam rodas de tracção e rodas direccionais. e mostra-se pouco sensível aos ventos laterais. pois uma viatura de tracção às rodas da frente é puxada. ou máquinas nas quais se tenham de associar os dois tipos de movimentos. que estão associadas a meios de transporte.

16) é girado pelo volante e faz o sector movimentar-se. que é cremalheira. associado ao sector. O pinhão recebe movimento do volante e acciona uma engrenagem plana. mas não em movimento rectilíneo. • Pinhão e cremalheira. Em cada extremidade desta encontram-se as barras de direcção que se ligam os braços de direcção. Esse tipo de caixa de direcção exige um braço auxiliar. O sistema Pinhão e cremalheira (ver anexo II . pois são eles que permitem controlar esse mesmo mecanismo segundo a vontade do utilizador. permite maiores reduções. Por razões construtivas. O sistema do tipo sector dentado e rosca sem-fim (anexo II . por isso persiste mais nos automóveis. 7 . força manual. Tipo de funcionamento O tipo de funcionamento de um sistema de direcção é accionamento através da força humana. 1. que é responsável por transmitir um movimento aproximadamente rectilíneo às barras de direcção e também aos braços de direcção junto às rodas.3.4. nomeadamente. Tipos de caixas de direcção Existem dois tipos de sistemas de direcção: • Tipo sector dentado e rosca sem-fim.17) tem funcionamento mais simples.fig. em que o condutor vira o volante e através desse movimento o sistema de direcção dá origem ao movimento das rodas. denominado braço Pitman. as caixas tipo sector dentado e rosca sem-fim. A caixa de cremalheira tem um funcionamento mais preciso. 1.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Os sistemas de controlo são de extrema importância em qualquer equipamento. sendo por isso normalmente aplicada em veículos pesados.fig.

Rolamentos de agulhas horizontais 8 . Análise conceptual do equipamento (ver anexo III.Corpo exterior 3 – Pistão 9 .Fixador do parafuso sem fim 11 . que se pretende analisar.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 1.5. Legenda: 1 – Tampa 2 . (2) (3) (1) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (15) (12) (10) (11) (13) (14) Figura 1 . Este modelo tem uma caixa de direcção de modelo chamado TRW e é do tipo sector dentado parafuso semfim. Análise da caixa de direcção O objectivo do trabalho é analisar uma caixa de direcção de um veículo pesado de mercadorias modelo DAF 95 ATI.1. 1.5.Componentes da caixa de direcção modelo TRW (utilizada para a análise).Figuras 1830) Na figura 1 estão presentes alguns componentes da caixa e direcção TRW.Rolamento agulhas verticais 10 .

Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 4 .Eixo de entrada 6 .Vista lateral do sistema de direcção. à excepção de algumas peças interiores. A figura 3 pode-se observar a vista lateral do sistema de direcção e a sua ligação à roda. pode-se ter uma noção da montagem da “nossa” caixa de direcção.Parafusos da caixa direcção TRW 13 .Montagem da caixa de direcção. nomeadamente as esferas e o parafuso sem-fim.Guia das esferas 7 . observando-se onde encaixa cada peça.Parafuso sem-fim 5 .Esferas ou rolamentos 15 . Figura 3 . 9 . Figura 2 . modelo TRW.Sector dentado Através da figura 2.Anilha de encosto 8 .Parafusos de entrada das esferas 14 .Fixador das esferas 12 .

sendo a rotação entre eles limitada.1.Análise técnica 1. A rotação transmitida a partir do volante é então transferida para o parafuso sem fim (12). Análise funcional a) Ligação mecânica (ver figura 4) A energia de rotação é transferida mecanicamente do volante para o eixo de entrada (2) através de tubo com um cardam na zona de ligação com o eixo de entrada (2). Figura 4 Figura 4 . que pudera rodar ate o pistão (13) atingir o curso limite.2.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 1. 10 . O eixo de entrada (2) e o parafuso sem fim podem girar um em relação ao outro.2.5.Caixa de direcção TRW.5.

Figura 5 . devido ao movimento do pistão (13). A barra (18. faz com que um braço (17. ver figura 6). 11 . Quando o sector dentado (11) roda. Os dentes do pistão (13) ao efetuarem o seu movimento transversal provocado pela rotação do parafuso sem fim (12) fazem com que o sector dentado (11) rode em torno do seu eixo. Este braço (17) está ligado a uma barra (18) e ao descrever o seu movimento circular transmite movimento mecânico de translação a essa barra (18.ver figura 5) que lhe está acoplado descreva um movimento circular.Braço da caixa direcção.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica As esferas (10) convertem a rotação do parafuso sem-fim (12) no movimento do pistão (13). Figura 6 . causando assim um atrito mínimo entre o parafuso sem-fim e o pistão (13). ver figura 6) que ao receber o movimento da barra irá fazer com que o pneu rode em torno do seu eixo. ver figura 6) transmite o seu movimento de translação a um braço (19. Na figura 7 encontra-se uma imagem da vista em corte da caixa de direcção usada para a análise neste trabalho. e desde logo se pode observar com mais rigor onde fica cada peça e como se dispõe o mecanismo.Sistema de direcção TRW.

O tubo de entrada e o tubo de saída e os canais conducentes1 ao cilindro terminam no espaço interior do eixo (12).Válvula limitadora de pressão 4 – Tampa 5 .Vista em corte da caixa de direcção TRW.Sector dentado 12 .Afinador da Válvula fim de curso Como se pode observar na figura seguinte (figura 8).Válvula fim de curso 10 .Válvula Controlo 7 – Bucha 8 – Chaveta 9 . a bucha (7) tem 3 furos uniformemente separados. 1 Canais de derivação do óleo.Eixo de entrada 3 . 12 . Legenda: 1 – Chaveta 2 .Barra de torção 6 .Válvula fim de curso 15 .Parafuso sem fim 13 – Pistão 14 .Corpo exterior 16 .Esferas ou rolamentos 11 . o fluxo de óleo da caixa de direcção é controlado pela válvula de controlo (6). Do lado de fora. Esta válvula consiste numa bucha (7) que é anexada á entrada do eixo (2) e no espaço do eixo (12).Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Figura 7 .

Se a entrada do eixo (2) rodar no sentido inverso. 13 . a válvula de controlo (6) fica na sua posição neutra. A pressão nesta situação tem o nome de pressão de circulação. não havendo circulação de óleo entre as cavidades da caixa de direcção. A esta posição chama-se “posição central hidráulica” da caixa de direcção. A posição neutra da caixa de direcção é definida pela fabrica e não pode ser modificado. Se não houver rotação do volante. Se a bucha (7) é rodada em relação ao espaço do eixo (12).Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Os tubos de entrada e saída podem ser ligados aos canais conducentes e às metades do cilindro através da bucha (7). tornando a força do óleo igual em todas as partes do pistão. Devido á válvula controlo (6) libertar óleo para um lado do pistão durante a rotação do volante. a bucha (7) irá mudar a canalização de entrada e trocar ligações de óleo com as metades do cilindro. Na posição neutra o óleo flui para os dois lados do pistão fazendo com que as forças no pistão se distribuam de igual maneira. também se conecta o outro lado do pistão ao tubo de retorno. então metade do cilindro conecta-se aos canais de entrada de óleo e a outra metade aos canais de saída de óleo. Como resultado a pressão aumenta num dos lados do pistão e este move-se. Assim o pistão não se vai mover.

quando não á binário exercido no 14 .Sistema de funcionamento da caixa de direcção TRW. uma barra de torção (5) é montada e conectada entre o eixo de entrada (2) e o parafuso semfim (12). Através da consulta da figura 6 pode-se observar que.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Figura 8 . utilizando chavetas (1 e 8). A barra torção (5) garante que. resulta num movimento de torção da barra de torção (5). Quando o eixo de entrada (2) roda em relação ao parafuso sem-fim (12).

Quando estamos na pressão de circulação.Caixa de direcção modelo TRW 15 . a válvula de controle (6) também retorna à posição neutra e a energia hidráulica na caixa de direcção é desativada. Se a pressão máxima da válvula é atingida. em relação ao parafuso sem-fim (12). b) Pressão limite A pressão de limitação da válvula (3) protege o circuito de óleo da caixa.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica eixo de entrada. Como resultado. uma vez que esta se forra sozinha. a válvula abre e conecta-se ao circuito de retorno do óleo. de pressões excessivas. Figura 9 . a caixa de direcção sangra automaticamente. Dentro da caixa de direcção não existe ar. a entrada (2) retorna á sua posição neutra.

Se numa nova caixa de direcção são montadas as válvulas de fim de curso.Caixa de direcção TRW vista em corte. para que toquem no final. o pistão está equipado com duas válvulas de fim de curso (3 e 8). Os pinos abrem a válvula (5) e as duas metades dos cilindros ficam conectadas.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica c) Rotação limite do sector dentado (ver figura 10) Para reduzir a pressão do sistema. assim tornando possível ás válvulas deslizar dentro do pistão. diminuindo assim o sistema pressão. estas terão de estar salientes o suficiente do pistão. (tampa ou parafuso de ajuste). Os pinos (2 e 9) das válvulas de fim de curso fazem com que o cilindro pare antes que a rotação limite do sector dentado (11) seja atingida. quando o sector dentado (11) se encontra no seu limite de rotação. 16 . O pino (2) da válvula de fim de curso (3) toca na tampa (1). As válvulas de fim de curso são ajustadas automaticamente quando numa nova caixa direcção forem instaladas. antes de ser atingida a rotação limite do sector dentado (11). Figura 10 . As válvulas de fim de curso estão fixadas no pistão utilizando grampos de bucha (4). e o pino (9) da válvula de fim de curso (8) toca no parafuso (10).

provocar maior desgaste. o óleo flui através do tubo (3) para a bomba de pressão (4). através do tubo de retorno (7). ver figura 11). o óleo é devolvido ao reservatório (1). A bomba de pressão (4) ejecta de óleo sob pressão através do tubo (5) na caixa de direcção (6). ao fim de algum tempo. 17 . quando comparada com a pressão a saída da bomba (4).Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica d) Desgaste do sector dentado Na vida útil de uma caixa de direcção o sector dentado (11) e o pistão encontram-se frequentemente na posição central hidráulica. que podem Figura 11 . podendo atingir os 300bar. O desgaste nos dentes do pistão e do sector dentado. embora a pressão ideal de funcionamento seja mais baixa. Para evitar danos no material devido ao excesso de pressão a caixa de direção tem uma válvula reguladora de pressão. O tubo de retorno tem sempre uma pressão baixa. Para eliminar estas folgas o sector dentado pode ser ajustado axialmente. Da caixa direcção (6). A bomba de pressão está acupolada aos carretos da distribuição do motor e recebe movimento mecânico destes. e) Funcionamento do circuito de óleo da caixa (ver figura 12) A partir do reservatório (1). logo é normal que o desgaste nesta posição seja superior ao desgaste dos dentes nas posições limite. utilizando o parafuso (20. vão causar folgas na direcção. A pressão de funcionamento do circuito varia consoante a força necessária para virar as rodas. Este aperto não deve ser demasiado para não causar tensões entre os dentes.Parafuso do sector dentado.

Bomba de pressão 5. 18 .Tubo de retorno do óleo da caixa de direcção para o reservatório Figura 12 .Tubo que liga a bomba de pressão à caixa de direcção 6.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Legenda: 1.Circuito de óleo no sistema de direcção da caixa TRW.Filtro 3.Tubo que liga o reservatório de óleo à bomba de pressão 4.Caixa de direcção TRW 7.Reservatório de óleo da caixa de direcção 2.

2. Análise / Cálculos a) Relação de transmissão do volante para a roda Supondo que: 19 .5.2.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 1.

Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica 2. 5. 20 . 4. 3.

através do tempo de descida (método1): meq 21 .Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Para: vem que: b) Formula para calcular a inércia do cilindro e do parafuso sem fim.

através do tempo de descida (método2): Durante a descida do cilindro a energia potencial transforma-se em energia cinética de translação e energia cinética de rotação. 2. 22 .Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Velocidade do cilindro na descida Relação de transmissão entre o parafuso sem fim e o cilindro De 1. 3 e 4 vem que: c) Formula para calcular a inércia do cilindro e do parafuso sem fim.

1seg.086 metros 23 . x = 0.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica De 4 vem que: De 3 vem que: d) Inércia do cilindro: Tempo de descida = 2.

x = 0.5seg.086 metros f) Inércia do sector dentado: g) Inércia total da caixa: 24 .Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica e) Inércia do parafuso sem fim: Tempo de descida = 1.

2 e 3 vem que 25 . onde: De 1.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica h) Força necessária para movimentar o volante: Sabemos que Logo: .

O Paralelismo divide-se em total e individual (ver anexo IV – Figura 33).Factores importantes Nos sistemas de direcção é também importante o ângulo de alinhamento das rodas. 3 O caster é o ângulo responsável pela estabilidade de direcção e pelo retorno do volante à posição original após uma manobra. caster3 (ver anexo IV – figura 32) e o paralelismo das rodas. esforço excessivo na viragem e deslocação e maior desgaste dos pneumáticos. A cambagem pode ser positiva ou negativa.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Como não temos dados para calcular o momento torçor das rodas que o chão exerce sobre a roda só nos é possível calcular a força necessária para fazer rodar o volante. O câmber é o ângulo determinado pela inclinação da parte superior da roda em relação ao plano vertical. a inclinação influência a estabilidade direccional e o retorno à linha recta após a viragem. 2 26 . podendo estas variar segundo o câmber2(ver anexo IV – Figura 31). Assim. sendo a sua função dar estabilidade ao veículo em curva. Em relação ao câmber. Consiste na inclinação para a frente ou para trás. 2. da parte superior do braço de suporte do eixo. Curiosidades . quando a inclinação é mal regulada pode provocar vibrações no volante (shimmy). A título de exemplo refira-se que. em relação ao plano vertical. um veículo com tracção dianteira terá o câmber mais negativo nas rodas da frente e o oposto se passará para um veículo com tracção posterior. no entanto com a expressão acima deduzida após o cálculo do momento torçor das rodas no pneu será possível calcular a força necessária para fazer o volante rodar. por norma o câmber é mais acentuado nas rodas motoras.

É fácil constatar que um mau alinhamento provoca um desgaste prematuro dos pneumáticos. No entanto. A convergência excessiva provoca maior desgaste na parte exterior da banda de rodagem de um dos pneus. A divergência excessiva provoca maior desgaste na parte interior da banda de rodagem de um dos pneus. A divergência excessiva provoca maior desgaste na parte interior da banda de rodagem dos dois pneus. 27 .Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica A convergência excessiva provoca maior desgaste na parte exterior da banda de rodagem dos dois pneus. o que é um factor importante no consumo de combustível. um mau alinhamento aumenta a resistência ao avanço. Os outros efeitos de um mau alinhamento são dificilmente perceptíveis.

fazendo com que o veiculo mude de direcção. A grande dificuldade encontrada neste trabalho foi o facto de encontrar pouco conteúdo e a temática ser um pouco complexa. A força necessária para rodar o volante é dada pela formula . as evoluções que podem surgir são com o intuito de permitir maior conforto. apesar de complexo. Actualmente (a curto prazo). nomeadamente ao nível do circuito de óleo e ao nível das diferentes pressões existentes. apenas nos limitamos a escolher uma peça que poderíamos ter acesso. tem sofrido alterações ao longo dos tempos. o camião. especificamente para o sistema que se analisou. O sistema de direcção tem uma componente vital para o seu funcionamento – a caixa de direcção. o sistema de direcção é de extrema importância para o mecanismo dos meios de transporte. Ao escolhermos o tema não tivemos o cuidado de pesquisar e procurar informações sobre este. Sendo assim. 28 . De acordo com os resultados obtidos pode-se concluir que.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Conclusões Como se verificou ao longo do trabalho e com a análise e cálculos efectuados. em torno do pistão que o fazem mover. ao analisarmos verificamos que o seu funcionamento tem alguma complexidade. Este sistema. a caixa de direcção tem uma inercia total de e que ao girar o volante 360º a roda irá ter uma rotação de 15º. este facto. menos desgaste dos pneus e acima de tudo menos consumo. Sendo assim. foi um erro fulcral que nos limitou ao longo do trabalho.

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Figura 13 – Bicicleta.Constituintes da Bicicleta.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Anexos Anexo I – Enquadramento histórico da caixa de direcção. 30 . Figura 15 – Benz Velo. Figura 14 .

31 .Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Anexo II .Tipos de caixas de Direcção Figura 16-Caixa direcção sector dentado parafuso sem-fim. Figura 17 – Caixa de direcção Pinhão e Cremalheira.

Corpo exterior. Figura 59 .Tampa. 32 . Figura 23 – Anilha de encosto. Figura 21 – Parafuso sem-fim. Figura 60 – Cilindro/Pistão. Figura 22 – Guia das esferas.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Anexo III .Análise conceptual do equipamento Figura 18 .

Figura 25 – Fixador das esferas. Figura 27 – Parafusos da caixa de direcção. 33 . Figura 28 – Rolamento de agulhas horizontais. Figura 29 – Fixador do parfuso sem-fim.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Figura 24 – Rolamento agulhas verticais. Figura 30 – Sector dentado. Figura 26 – Esferas ou rolamentos.

Factores importantes Figura 32 .Caster. Figura 33 – Paralelismos (total e individual).Curiosidades . 34 . Figura 31 – Câmber.Caixa de Direcção Mecânica Aplicada Engenharia Mecânica Anexo IV .