UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS PROGRAMA DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS DISCIPLINA – ESTADO E POLÍTICAS PÚBLICAS PROFESSOR – JORGE ANTÔNIO SANTOS

SILVA

CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA

CARLOS EDUARDO DA MATTA COSTA ELIENE DOS SANTOS MOREIRA LETÍCIA MARTINS RUBENS DAVID GABRIEL NUNES

SALVADOR 2010

.................................................................................................................................................FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS SOCIAIS............................5 2.................................................2 Histórico dos Programas Sociais.................................8 3............................................................1Distribuição de Renda...........................3 Programa Bolsa Família....................................................7 2...............................................4 2....................................................................................SUMÁRIO UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS.INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................................................3 2....................................13 Referências Bibliográficas...........................................1 SUMÁRIO......2 1...............14 2 ...................................CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................

A Contabilidade Social. é necessário fazer estudos estatísticos de ordem econômicas.). A ideia que originou este estudo foi a necessidade de avaliar o potencial bélico da nação rival. O maior avanço desta área da Contabilidade se deu no século XX a partir de 1920. Para compreender o motivo do aparecimento destes fenômenos sociais. através do Programa Bolsa Família. pois quase metade da população brasileira é formada por pobres e extremamente pobres. O estudo da Contabilidade Social inicia-se desde o final do século XVII motivado pelo crescimento e desenvolvimento econômico da época. Já o Crescimento Econômico é o aumento do produto agregado do país estudado a partir das contas nacionais. O objetivo deste artigo é fazer um paralelo entre a Contabilidade Social e os programas de distribuição de renda. que estes fenômenos são observados com mais facilidade. INTRODUÇÃO A pobreza e a desigualdade social no mundo são fenômenos visíveis em todas as sociedades humanas através dos tempos. etc. renda. como o Brasil. mas especificamente a partir de 2003. O Desenvolvimento Econômico é avaliado a partir de indicadores de qualidade de vida e diferenças sociais e econômicas da população. desde que a economia do Brasil ganhou estabilidade. que era analisado usando conceitos de renda nacional. enquanto técnica de registro e mensurações. Comparando-se estes dois conceitos. a mais precisa possível. analfabetismo. mas é nos países menos desenvolvidos econômica e socialmente. o País deixa a desejar. despesa. a Contabilidade Social utiliza indicadores percentuais que indicam o nível de pobreza. quando os estudiosos começaram a reconhecer a variação de conceitos de renda (produto nacional. da economia de um país (PEREIRA 1972). mortalidade infantil e etc.1. Nos dias atuais. preço de mercado. 3 . após a Primeira Guerra Mundial. renda per capita. O Brasil tem tido bons índices de Crescimento Econômico quando comparado com outros países em desenvolvimento. a Contabilidade Social está presente em todas as nações. Entretanto. mostrando como esta técnica contábil pode contribuir com os governos de diversos países na adoção dos programas de distribuição e transferência de renda. os índices de pobreza e de pessoas extremamente pobres têm reduzido bastante. mensurando o desenvolvimento e o crescimento nacional e avaliando como está sendo feita a geração e a distribuição de renda. é a área do conhecimento capaz de fazer estas avaliações. preparados e sistematizados com o objetivo de possibilitar uma visão quantitativa. mas em se tratando de Desenvolvimento Econômico. uma das causas dessa redução é atribuída à política de distribuição de renda adotada pelo atual governo federal.

Caracterizou-se por isoladas estimativas de renda nacional e da fortuna nacional que tinham o objetivo de avaliar o poderio bélico dos países rivais. Contabilidade Social é definida como uma técnica. que se propõe a apresentar uma síntese de informações. cifradas em unidades monetárias. A terceira etapa da Contabilidade Social iniciou após a Segunda Guerra Mundial e continua até os dias de hoje. bem como recentes aperfeiçoamentos qualitativos. A primeira etapa iniciou-se na segunda metade do século XVII indo até a década de 1930. teve como principal motivação a necessidade de melhor compreensão do processo econômico global e de seus resultados. entre os diversos setores e agentes do sistema econômico de um país (ROSSETI 1995).2. não só de interesse para atividades de defesa e segurança. o atendimento de necessidades estatística das Nações Unidas e de outras entidades internacionais que se originaram no pós-guerra. a motivação para a elaboração dos trabalhos. de curto e de longo prazo. sobre os vários tipos de transações econômicas que se verificaram. As principais motivações que levaram o desenvolvimento da Contabilidade Social nesta terceira etapa foi o fornecimento de dados agregativos para a formulação e acompanhamento da política econômica governamental. em determinado período de tempo. o conhecimento da estrutura e do potencial dos sistemas econômicos nacionais. mas também com vista à promoção do crescimento das nações subdesenvolvidas e por último. Os sistemas de Contabilidade Social evoluíram bastante desde então. O foco da Contabilidade Social nesta etapa era o planejamento de políticas anti-depressão e o levantamento de estatísticas que envolvessem as transações econômicas nacionais definindo a estrutura e o potencial do sistema econômico da nação (AMARAL). bem como a abrangência dos dados deste trabalho também foi divergente. que têm possibilitado maior refinamento conceitual e estimativo mais preciso (ROSSETI 1995). abrangendo um período bastante longo marcado por diversos pensamentos econômicos tais como o Mercantilismo e as Revoluções Liberais. Como a conjuntura econômica vivida em cada etapa foi diferente. O histórico do desenvolvimento conceitual da Contabilidade Social é usualmente dividido em três etapas. FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS SOCIAIS De uma forma geral. 4 . A segunda etapa se estende da década de 1930 ao período pós I Guerra Mundial. tendo como principal característica a descoberta e a definição de conjuntos interligados de Contas Nacionais. similar às dos sistemas convencionais de contabilidade.

Entretanto. ou seja. ou seja. isto irá causar uma desigualdade social no país. então diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor. do Ministério da Justiça na Assembléia Legislativa do Ceará afirmou que o problema do Brasil não é a geração de renda e sim a sua distribuição. o acesso à educação. o que significa que estes 15% dificilmente irão conseguir ter alguma ascensão social. nos últimos anos. tem se verificado que o número de pessoas que estão em estado de pobreza e extrema pobreza têm diminuído graças às novas políticas de distribuição de renda que vem sendo implantadas no Brasil. bem como contabilizar as transações e relações de diferentes setores avaliando desta forma. A geração de renda é resultado da interligação de quaisquer dos três setores de produção.1 Distribuição de Renda Um dos pontos importantes para a análise destes dados econômicos e das transações econômicas é avaliar a geração de renda ligada diretamente aos fatores de produção que são originados em qualquer atividade que exija o emprego de recursos econômicos tais como capital e trabalho. Em palestra realizada em 2005 ocorrida no Ceará sobre o lançamento da campanha “Educação para o consumo – Necessidade e direito do cidadão”. empresas e governo e esta diretamente ligada com a qualidade de vida da população (AMARAL). todos os países passaram a utilizá-los com o objetivo de mensurar os dados econômicos com quadros numéricos. se existir uma boa geração de renda e estes recursos não estiverem sendo distribuídos de forma adequada. De acordo com Morishita 34% da população brasileira vivem em estado de pobreza e 15% vive em extrema pobreza. a maior parte das riquezas geradas no país fica nas mãos da minoria enquanto que a maioria da população vive em condições de pobreza ou de extrema pobreza. consequentemente. 5 . as unidades familiares. secundário ou terciário. inclusive. É preciso avaliar o grau de geração e distribuição de renda entre estes setores. à saúde e até mesmo a bens duráveis. onde se esta empregando os recursos de determinado país. sejam primário. porém a sua distribuição é uma das piores do mundo.Com a evolução dos Sistemas de Contabilidade Social. 2. aos poucos. diminuirá o nível de qualidade de vida das pessoas. melhorando desta forma as qualidades de vida das pessoas e a sua auto-estima. Estas políticas estão facilitando. O Brasil é um exemplo de um país que tem uma boa geração de renda. Ricardo Morishita. com os agentes ativos que operam o sistema econômico.

percebese que os princípios fundamentais constituintes não estão sendo respeitados na prática. Apesar de o Brasil conter uma enorme riqueza em recursos naturais. A Constituição Brasileira pode ser considerada uma das mais avançadas do mundo quando se trata da matéria direitos humanos e sociais coletivos. culturais e até mesmo tecnológicos. Os índices de desigualdade social começaram a apresentar queda no Brasil após a implantação do Plano Real em 1994. que indicam o nível de renda que cada pessoa deve possuir para satisfazer as suas necessidades básicas. A análise destes indicadores no Brasil tem mostrado que existe uma forte concentração de renda no País. erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos. Um dos fatores que contribuíram para a redução do Índice de Gine. percebe-se que os legisladores já estavam preocupados com o problema da desigualdade social brasileira. por isso que é um país considerado como o dos piores em termos de distribuição de renda no mundo. garantir o desenvolvimento nacional. Os indicadores de Linha de Pobreza. consequentemente. pior é a distribuição de renda de um determinado país. poder fazer planejamentos financeiros de longo prazo. como o índice de analfabetismo e mortalidade infantil são importantíssimos para avaliar o desenvolvimento de uma nação. O Brasil sempre esteve em torno de 0. O brasileiro passou a ter um ganho real do valor do seu dinheiro e. foram os programas sociais de distribuição de renda lançado pelo governo federal que será tratado no próximo tópico. além da estabilidade econômica.6 neste índice. e os relacionados à saúde e educação. 6 . quando o País começou a ter uma estabilidade econômica.A distribuição de renda de um país é medida através do Índice de Gini que varia de zero a um: onde quanto mais próximo do número um. Observando a evolução do gráfico do Índice de Gine abaixo. Ao ler estes princípios fundamentais da Constituição. Um dos fundamentos da Constituição é a dignidade da pessoa humana descrito no artigo 1º inciso III e no artigo 3º descreve os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil como construir uma sociedade livre. percebe-se que a desigualdade social tem diminuído bastante de 1994 até 2007. justa e solidária. O problema da desigualdade social do Brasil vem desde o período da colonização.

com o intuito de proteger a parte mais pobre da população. Foi criado então um sistema de Previdência Social. nos anos 1980. Estes programas começaram a surgir a partir do século XX nos países desenvolvidos. Foi a partir deste movimento que as políticas compensatórias de transferência de renda foram difundidas por todo o mundo. Neste período. foi na Era Vargas (1930 a 1945) que as primeiras idéias de projetos deste âmbito surgiram. Mais tarde. Um exemplo disso é que em 1975.Gráfico 1 . Após esta grande crise. logo outros países começaram a adotar esta mesma política. a Previdência Social evoluiu e passou a ter uma responsabilidade maior do que na Era Vargas. e com seus efeitos positivos na diminuição da desigualdade. com o objetivo de oferecer um seguro social total. muitos governos implantaram um benefício para os cidadãos chamado Salário-Desemprego. na qual são discutidos os programas sociais de renda mínima e os direitos básicos de toda a população. à medida que o Estado de Bem-Estar-Social ia sendo consolidado. transferindo assim uma renda complementar que garantisse os direitos básicos de todo e qualquer cidadão. Fonte: PNAD (IBGE) 2. inclusive nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. tentando assim amenizar a desigualdade e a pobreza. foi notório o crescimento da desigualdade social e do aumento da pobreza e miséria no país. quando houve um grande número de pessoas que perdeu o emprego em toda a Europa.2 Histórico dos Programas Sociais Uma das formas que os países encontram para diminuir a desigualdade social é através de programas de distribuição de renda. pois mudou para um conceito de proteção social em relação à parte mais desfavorecida da população (A CONTABILIDADE.Índice de Gini no Brasil -1995-2007. 2010). O primeiro programa social de transferência de renda que surgiu foi no Reino Unido em 1908. que abrangesse todas as pessoas da população. (APOSENTADORIA. inspirado na legislação previdenciária social dos Estados Unidos. os países da Europa se uniram para formar a Rede Européia de Renda Básica. 2010). 7 . No Brasil.

melhorar o acesso a educação e a saúde no país. Foi criado o Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à educação (o Bolsa Escola).836. o popular Betinho conclamou a sociedade brasileira a se indignar contra a fome. dando assim. em termos de redução da desigualdade no país. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de 1999. que. eram desviados para outros projetos do governo. Foi considerado como sendo um dos maiores Programas do mundo em termos de transferência de renda. O índice de Gine brasileiro tem caído constantemente. de 1995. 2010). O resultado da criação deste programa foi um sucesso. Nenhum destes programas foi eficaz no seu objetivo de criação. a miséria. a Miséria e pela Vida. O problema da desigualdade social crescia de tal forma. final do governo de Fernando Henrique Cardoso. foi criado o Programa Bolsa Família. o governo brasileiro passou a lançar programas mais objetivos visando às políticas sócias.Foi na década de 1990 que os programas de transferência de renda começaram a ter um destaque maior. com a eleição do metalúrgico e sindicalista Luís Inácio Lula da Silva. como o Programa Saúde da Família (PSF).3 Programa Bolsa Família O Programa Bolsa Família foi criado pela lei nº 10. o Programa Comunidade Solidária. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996. em 1993. onde o governo iniciou uma política de transferência direta de renda (MORAES). o Programa Habitar Brasil. criação da Contribuição sobre Movimentações Financeiras (CPMF) para aumentar os recursos destinados à saúde. o Programa de Ação social de Saneamento (PASS) de 1995. e o Programa Auxílio-Gás. Em 2003. Programa do Agente Comunitário da Saúde (PACS). os recursos que deveriam ser usados para melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS). pois atende mais de 11 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil (BRASIL. uma prova que o pobre no Brasil esta ficando menos pobre. pois os recursos destinados tinham seu orçamento enquadrado à política macroeconômica restritiva adotada pelo governo (MORAES). A partir do ano de 2001. Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) de 1995. Diversos projetos foram implantados com o intuito de combater a pobreza. líderes como o sociólogo Herbert de Souza. 8 . criando a campanha nacional de Ação da Cidadania Contra a Fome. 2. um dos mais importantes movimentos sociais já vivenciados aqui no Brasil. No caso da CPMF. de 09 de janeiro de 2004 com o objetivo de transferir renda para a população das camadas menos favorecidas do Brasil. de 1996 e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) de 1996. que foi resultado da unificação de todos os outros programas de distribuição de renda.

00 e R$140. Caso essas condições não sejam cumpridas. só podem se beneficiar do programa se tiverem crianças ou adolescentes de até no máximo 17 anos.O Bolsa Família beneficia as famílias pobres – com renda mensal por pessoa R$70. com renda mensal por pessoa de até R$70.00 3 0 1 0 1 1 R$ 134.00 R$ 101. Porém não basta somente estar dentro desses critérios para fazer parte desse programa social.00.00 e R$140. Observa-se também que as pessoas que estão na faixa de renda por pessoa entre R$70. como:  Manter as crianças e adolescentes com uma freqüência escolar mínima de 85%.00 9 .00 R$90.00 R$ 123.00 (como se pode ver na tabela a seguir): Famílias com renda familiar mensal de até R$ 70 (famílias extremamente pobres) Número de crianças e anos 0 1 Número de anos 0 0 Básico Básico + 1 variável Básico + 2 variáveis Básico + 3 variáveis Básico + 1 BVJ Básico + 1 variável + 1 BVJ Valor do benefício R$ 68.  Cumprir os cuidados básicos de saúde (estar em dia com o calendário de vacinação para as crianças e fazer o acompanhamento pré-natal das gestantes na família). A renda por pessoa é calculada a partir da soma dos valores que todas as pessoas ganham morando na mesma casa. Já as famílias que são classificadas como extremamente pobres. a família está sujeita a perder este benefício que pode variar entre R$22. podem ganhar o benefício independente de possuírem ou não crianças ou adolescentes na família.00 adolescentes de até 15 jovens de 16 e 17 Tipo de benefício 2 0 R$ 112. O Bolsa Família é um programa que possui algumas condições exigidas para participar.00 – e também aquelas as quais se encontram em situação de extrema pobreza.00 e R$200. e depois dividindo pela quantidade de membros existentes na família.00.

00 3 0 1 1 2 2 R$ 167.00 R$ 134.00 R$ 66. 2 R$ 200.00 2 1 R$ 77.00 2 2 R$ 178.00 Famílias com renda familiar mensal de R$ 70 a R$ 140 por pessoa (famílias pobres) Número de crianças e anos 0 1 2 3 0 1 Número de anos 0 0 0 0 1 1 Não recebe benefício básico 1 variável 2 variáveis 3 variáveis 1 BVJ 1 variável + 1 BVJ 2 variáveis + 1 BVJ 3 variáveis + 1 BVJ 2 BVJ Valor do benefício adolescentes de até 15 jovens de 16 e 17 Tipo de benefício R$ 22.00 3 0 1 2 R$ 99.00 R$ 66.2 1 Básico + 2 variáveis + 1 BVJ Básico + 3 variáveis + 1 BVJ Básico + 2 BVJ Básico + 1 variável + 2 BVJ Básico + 2 variáveis + 2 BVJ Básico + 3 variáveis + 2 BVJ R$ 145.00 10 . 2010.00 R$ 33.00 R$ 44.00 R$ 156.00 R$ 55.00 3 Fonte: BRASIL.

o número de famílias cadastradas. com renda per capita mensal de até R$140. no Sistema Cadastro Único.00 e é destinado às famílias que se encontram em situação de extrema pobreza. Para cada criança ou adolescente de até 15 anos em casa é pago um valor de R$22.00. o número de 11 . um valor de R$66.00 é de 15. O valor desse benefício é de R$33. 2010. E o número de famílias atendidas até fevereiro de 2010 é de 12.482. Na Bahia. que não tenham crianças ou adolescentes em casa.00 3 Fonte: BRASIL. sendo que cada família pode receber até no máximo três variáveis (equivalente a R$66.00. que possuam adolescentes entre 16 e 17 anos freqüentando a escola.707.370. podendo ser pago até no máximo duas vezes. em janeiro de 2010. 2) Benefício Variável: é pago para as famílias pobres e extremamente pobres que tenham crianças ou adolescentes em casa. ou seja.00 Como se pode observar na tabela acima existem três tipos de benefícios instituídos pelo Bolsa Família.407.00 por adolescente. que são: 1) Benefício Básico: possui um valor de R$68. 3) Benefício Variável Vinculado ao Adolescente (BVJ): pago também para todas as famílias que se enquadrem no perfil de pobres ou extremamente pobres. De acordo com o MDS (Ministério de Desenvolvimento Social).776.00). para evitar que haja duplicidades e fraudes no programa (A CONTABILIDADE. 2 R$ 132.1 2 1 variável + 2 BVJ 2 variáveis + 2 BVJ 3 variáveis + 2 BVJ R$ 88.50 é de 18. Cada membro das famílias que são beneficiadas por esse programa recebe um Número de Identificação Social (NIS).042 e o cadastro de famílias com renda de até R$232. 2010).00 2 2 R$ 110.

o Programa Bolsa Família enfrenta várias dificuldades que são:  Dificuldades quanto à focalização do público alvo.253.famílias cadastradas com renda per capita de até R$140.50 é de 2. já que ele não tem potencial de erradicação da miséria e pobreza no Brasil. A estabilidade da economia desde 1994 fez com que os trabalhadores tivessem um ganho real no aumento dos seus salários. criação do Programa Universidade para Todos (ProUni).  O Bolsa Família é um programa de distribuição de dinheiro para os mais pobres. Estes programas educacionais facilitam a valorização do capital intelectual melhorando a renda do trabalhador. o sistema de educação pública no país ainda é bastante precário. nunca saindo de fato da pobreza. Observando estes números. visto que o custo de vida é elevado em muitas regiões do país. 2010).  Os valores dos benefícios são ainda considerados baixos como complementaridade de renda. Apesar deste sucesso na melhoras dos índices de desigualdade social. se realmente as crianças e adolescentes estão freqüentando a escola e se as necessidades básicas de saúde estão sendo cumpridas. pode-se perceber que apesar de o Bolsa Família conseguir melhorar a vida de muitos brasileiros. ou seja. mas que este não chega até elas. e de famílias com renda de até R$232.625.00 é de 1. de assegurar que aqueles benefícios estão sendo destinados às famílias que realmente necessitam daquela renda complementar (ROCHA. fazendo com que muitos se acomodem. os seja. 12 .938.912. o governo lançou outros programas educacionais como a políticas de cotas raciais nas Universidades Federais.  O programa não pode ser visto como resolução para todos os problemas.567. fazendo com que a tão sonhada igualdade social no Brasil esteja longe de ser atingida apesar de os índices de desigualdade terem melhorados. Ele somente ameniza as condições de vida das pessoas mais pobres ao invés de atacar as causas da pobreza. além disso. e também quando esse valor é comparado ao valor da renda nas áreas mais ricas.189. ainda existem muitas famílias que precisam deste benefício. O total de famílias beneficiadas na Bahia é de 1. A causa da queda da desigualdade social no Brasil não pode ser atribuída apenas ao Bolsa Família.  Apesar de o benefício estar diretamente ligado à freqüência escolar.  Dificuldades quanto ao acompanhamento das condicionalidades das famílias beneficiadas.

Além disso. impediram o sucesso destes programas. O Estado precisa fazer mudanças estruturais no seu modelo econômico. o Brasil ainda ocupa uma posição de um dos piores países em se tratando deste assunto. este programa ainda não conseguiu atender a todas as famílias que precisam deste benefício. contribuiu-se para gerar mais empregos e melhorar ainda mais a distribuição de renda no país. reformas tributárias diminuindo os impostos dos pobres. pois um país com menos problemas sócio-econômico além de produzir mais riquezas. mas só com a estabilidade econômica na década de 90 que os planos de transferência de renda começaram a ganhar mais foco. Desde a época da Era Vargas que se tenta amenizar esta desigualdade. foi criados programas de transferência de renda direto. como por exemplo. Foram feitas várias tentativas com a criação de diversos programas. Estima-se que quase 13 milhões de famílias vivam em pobreza absoluta não conseguindo atender as suas necessidades básicas.Os empresários também se beneficiaram com a estabilidade econômica. como o Bolsa Escola e o Programa Auxílio Gás. mas a falta de orçamento aliada com a política econômica restritiva do governo. para tentar melhorar o quadro da desigualdade social. mas não deve associar este progresso só a este programa. mas é preciso que se faça mais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme foi apresentado neste artigo. Apesar dos avanços em termos de distribuição de renda ultimamente. Fica evidente que um problema histórico não pode ser resolvido da noite para o dia. apresentando então o resultado esperado de transferir renda para quem realmente precisa. Em 2003 o governo unificou todos os programas criando o Bolsa Família. O Bolsa Família de fato ajudou e ainda ajuda a diminuir a pobreza do Brasil. pois a chance de se conseguir financiamento de longo prazo para financiarem seus projetos aumentou. 13 . dar uma melhor qualidade de vida para a sua população. A partir de 2001. O governo tem dado passos importantes para cicatrizar esta chaga social. desta forma. 3. o governo passou a focalizar as pessoas que realmente precisavam receber os benefícios. pôde-se perceber que a Contabilidade Social preocupa-se em analisar as estatísticas econômicas mensurando e classificando as transações que envolvem a vida econômica de um país.

Acesso em 10 de abril de 2010.Referências Bibliográficas A CONTABILIDADE social e os programas de transferência de renda: um estudo do Programa Bolsa Família em Tangará da Serra. Sobre a Recente Queda da Desigualdade de Renda no Brasil. IPEA. Disponível em: http://www. APOSENTADORIA e Previdência Social. Disponível em: <www. José Paschoal.br/f_aposentadoria2.undppovertycentre.pdf.br /bolsafamilia/>. disponível em http://www.ipeadata. 14 . AMARAL. Róber Iturriet Avila. Nota técnica. 1995.br/content/aplicacao/eventos/forumbnb2009/docs/politicas.gov. Acesso em 08 de abril de 2010. Andrea Cristina. Contabilidade social. MDS. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Yoshiaki Nakano. Disponível em: http://www. Acesso em 08 abr 2010. Agosto De 1972. Programa Bolsa Família. Atlas. Benefícios e Contrapartidas. Stefano José Caeteno Da Silveira.com. Contabilidade Social. Disponível em: <http://www.br/bolsafamilia/o_programa_bolsa_familia/beneficios-econtrapartidas Acesso em: 10 de abril de 2010.org/publications/mds/3P.pdf>.br. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.gov.renascebrasil. MORAES.mds. DF. Brasília. Acesso em 10 de abril de 2010 LUÍS Carlos Bresser-Pereira. A Contabilidade Social e os Programas de Transferências de Renda – Um estudo do Programa Bolsa Família em Tangará da Serra disponível em http://www.pdf. Apostila Da Fgv/ Sp: EcMakro-L-9. Disponível em: www.htm>. São Paulo: Ed.mds.org/publications/mds/3P.gov. <http:// BRASIL. Rafael.bnb. ROSSETTI. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(a).gov. Políticas Sociais No Brasil Pós Plano Real.ipc-undp.

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