::apresentação

::
Caro (e)leitor,

O dia 31 de maio de 2011 pode ser considerado uma data especial para os estudantes de Direito da UFSC: a primavera chegou mais cedo ao CCJ e trouxe uma nova concepção de CAXIF. Após anos de gestões fechadas, a “Primavera nos Dentes” implantou um modelo de Centro Acadêmico aberto e horizontal, no qual as decisões não eram exclusividade de uma diretoria hierárquica, mas sim fruto de debates entre todos os estudantes do Curso que se propuseram a construir o CAXIF. Abandonamos uma suposta avaliação de curso por meio de um questionário on-line para optar por um modelo que, ao criar um espaço real de diálogo em sala de aula, pudesse identificar os problemas estruturais da nossa graduação e, a partir disso, propor soluções. Substituímos o Congresso pago por um inteiramente gratuito e acessível a toda a comunidade universitária. Apesar das sacanagens de São Pedro, fizemos o nosso Happy Hour, garantimos cerveja para muitos outros eventos e evoluímos para novas formas de integração, como Saraus, Direito Achado no Bar, Karaokê, Batalha de Ipods e a disputadíssima Guerra Fria. Abolimos o degradante Leilão e proporcionamos aos calouros uma Recepção com festas e eventos acadêmicos, colocando-os em contato com o Curso e a Universidade. E nada disso poderia ter sido feito caso fôssemos desorganizados, concorda!? Além disso, a realização de cada um desses eventos implica uma série de decisões políticas, grandes ou pequenas, do preço do ingresso à escolha do tema de uma mesa do Congresso. E essa é apenas uma das facetas do posicionamento político a que um Centro Acadêmico não pode se furtar. Enquanto Gestão do CAXIF nos posicionamos diante da Greve dos Servidores Técnico-administrativos, nas eleições para Reitoria, na Audiência Pública sobre a Defensoria e sobre a redução da maioridade penal, com relação ao manual dos calouros da UFPR e sobre o Exame de Ordem. Esse é também o papel do Centro Acadêmico: ser um ente político de transformação do Curso, da Universidade e da própria sociedade. O CAXIF, portanto, não pode se limitar a uma mera prestação de serviços, mas deve ser sim o espaço por excelência de organização estudantil. Essa foi a concepção de centro acadêmico que norteou a atuação da Gestão Primavera nos Dentes e é assim que a Chapa Tanto Mar, se eleita, vai continuar construindo o CAXIF: sempre aberto, horizontal e atuante!

::organização interna::
Diferentemente do que aconteceu na eleição passada, neste ano não é grande surpresa que tenhamos mais de 20 presidentes – o que, no fim das contas, é o mesmo que não ter presidente algum. Isso não é sinônimo de desorganização! Pelo contrário, uma gestão horizontal permite que todos se sintam parte do CAXIF, independentemente de integrarem a diretoria. Organização, por sua vez, não pressupõe hierarquia. Assim, propomos uma organização interna baseada em uma secretaria geral, uma coordenação de ensino-pesquisa-extensão e coordenações especiais. - Secretaria Geral: será responsável pela organização das pautas das reuniões ordinárias a partir do contato com o coordenador de ensino-pesquisa-extensão e coordenadores especiais. A Secretaria Geral compreende ainda a divulgação das reuniões, bem como a comunicação geral do CAXIF. Englobará também a gestão financeira da entidade. - Coordenação de Ensino-pesquisa-extensão: as pautas dessa coordenação são variadas e não se limitam a eventos pontuais, mas são processos interligados entre si e necessitam de um acompanhamento geral de todas as atividades que digam respeito ao ensino, à pesquisa e à extensão. Essa coordenação, portanto, será responsável pelo andamento harmônico de pautas como Avaliação de Curso, Congresso, Semana Jurídica, Minicursos, Representação Discente, Assembleias, Concursos de Professores, entre outros. - Coordenações especiais: assim como ocorreu durante toda a Gestão Primavera nos Dentes, cada evento terá um coordenador tirado em reunião aberta, que se responsabilizará pela organização e delegação de tarefas para cada atividade específica que o CAXIF promover. E a coordenação de integração? Isso significa que não haverá festas? Não. Essa coordenação não se faz necessária, pois cada evento de integração terá um coordenador definido nas reuniões abertas do CAXIF. Além disso, nossa Chapa entende que integração não compreende apenas as festas e os eventos esportivos, mas também atividades como Mostra de Pesquisa, Congresso, Semana Jurídica e as próprias reuniões do CA. Portanto, Recepção dos Calouros, Festas e Atividades Esportivas terão coordenadores específicos. Importante! Reuniões ordinárias: como já vem acontecendo há um ano, as reuniões do CAXIF serão abertas a todos os estudantes do Curso e seus horários e pautas serão divulgados com a maior antecedência possível. Reuniões mensais de planejamento: serão reuniões especiais, com local mais interessante e menos formal, onde discutiremos com todos os interessados os rumos do CAXIF e definiremos planejamentos em curto prazo, priorizando sempre o potencial criativo dos nossos estudantes. Além disso, será um espaço para reflexão de pautas importantes do Curso e da UFSC, bem como temas que estejam em voga naquele momento.
mas certamente esqueceram uma

semente nalgum canto de jardim

::princípios::
::abertura:: ::posicionamento político::
Entendemos que é fundamental construirmos um projeto político de universidade. Todo nosso cotidiano no ambiente universitário, da sala de aula ao Restaurante Universitário, passa por decisões políticas que não podemos ignorar. E para além dos muros da UFSC, devemos participar ativamente das discussões que concernem à sociedade em geral e ao Poder Público. A função política é indissociável da palavra Centro Acadêmico, e, nesse sentido, é indispensável que formemos nossos posicionamentos na construção diária do CA. Afinal de contas, não podemos nos iludir e acreditar que, quando nos abstemos de um posicionamento, não estamos nos posicionando. A abstenção é também uma posição, e uma posição pela conservação das coisas tal qual estão. Abertura é garantir o espaço para que todos os estudantes interessados possam realmente ajudar a construir coletivamente o CA, por exemplo, participando das suas reuniões. Para isso, o CA não deve esperar que os estudantes espontaneamente venham até ele, mas deve sim estimulá-los a fazê-lo, buscando-os na sala de aula, nos corredores, no toco ou onde quer que os estudantes estejam reunidos, trazendo-os para debater abertamente. Nesse sentido, para que a abertura seja ampla, o CA deve compreender que cada aluno tem seus interesses e aptidões pessoais e cabe ao CA procurar entender tais individualidades e proporcionar a participação de todos em quaisquer atividades. Trata-se de reconhecer a pluralidade dos estudantes, visando abarcá-los no processo de construção do CA, por mais diferentes que sejam uns dos outros.

::horizontalidade::

Esse principio muita gente já conhece. É a velha história dos “28 presidentes”. A horizontalidade se fundamenta em dois valores primordiais: respeito e igualdade, tanto entre os integrantes da chapa/gestão do CA, como entre o CA e os demais estudantes do Curso.Horizontalidade é ausência de hierarquia, a qual se efetiva quando são abertos espaços para a livre manifestação da individualidade e da diversidade. Isso significa, por exemplo, que, num ambiente horizontal, todos têm oportunidade de falar e que as falas de todos, independentemente de seu conteúdo, têm o mesmo espaço. É importante notar, contudo, que horizontalidade não é falta de organização.Tampouco se trata de simplesmente deixar que as pessoas falem sem que sejam escutadas. Aliás, horizontalidade não diz respeito apenas a espaços de fala, mas norteia todas as nossas atividades enquanto grupo. Assim, o revezamento de tarefas e de funções, por exemplo, viabiliza que cada um conheça todos os aspectos de um movimento político, dê importância a cada um deles e se sinta verdadeiramente sujeito desse processo. Como, porém, tomar uma decisão se houver opiniões divergentes? Apenas por meio do embate de idéias é possível tentar chegar a um consenso. À exposição de uma proposta, segue-se a defesa de outra e se procura modificá-las para contemplar os mais diversos interesses. Em últimos casos, esgotada a discussão e, prevalecendo opiniões divergentes, vota-se.

::por que não há conflito entre esses princípios?::
Ouve-se nos corredores que os princípios elencados pela chapa Tanto Mar não se coadunam. Diz-se que o posicionamento político de uma gestão não pode ser construído em uma estrutura horizontal e aberta, pois, se assim fosse, deveria aceitar passivamente toda a diversidade de opiniões. Por que, contudo, a chapa Tanto Mar discorda dessa afirmativa? Acreditamos que uma chapa verdadeiramente horizontal pressupõe falta de hierarquia. Isto se reflete tanto na estrutura formal da gestão quanto na organização e formato de nossas reuniões. Assim, além de não termos um presidente e de não identificarmos o trabalho de toda uma gestão na figura de um indivíduo, não há, em nossas reuniões, uma pessoa ou um grupo seleto de pessoas que venha a deliberar unilateralmente. Afinal, não buscamos nesses espaços uma mera consulta legitimadora, em que não é propiciado poder de deliberação aos estudantes que dela fazem parte. Para a nossa chapa, horizontalidade significa, também, nesse sentido, igualdade de poder de fala, já que esta é precondição de um debate verdadeiro. A tarefa da gestão é garantir um espaço de igualdade de falantes, o que não implica em igualdade de ideias e, embora o resultado ideal do diálogo seja o consenso, compreendemos que, em determinadas situações, haverá divergências inevitáveis e uma ideia pode se sobrepor à outra. Horizontalidade apenas se institui plenamente a partir do momento em que há espaços de discussão abertos: ambos se constituem simultaneamente. Garantem-se espaços abertos cujos atores são tanto os membros da gestão quanto os membros do curso, independentemente destes serem daquela. É importante salientar que o compromisso da gestão é assegurar a instituição desses espaços para que se tornem autônomos; verdadeiros campos de disputa entre os atores. Portanto, a gestão não atua como um terceiro imparcial, mas sim com um dos atores aptos ao debate. Já que cada sujeito é composto de diversas histórias, experiências e interpretações da realidade, o nosso papel não é negar as diferenças, mas, o contrário, reconhecendo a diversidade, cabe-nos assegurar espaços do contraditório em que ela possa afluir. Isso não significa, contudo, que a gestão não possa se posicionar diante das demandas políticas e sociais referentes ao curso e à sociedade e, por isso, vir a confrontar determinadas compreensões da realidade, porque, nesses casos, o não posicionamento é um posicionamento tácito. Todo grupo está fundado em uma quantidade de consensos internos. Só há duas chapas, porque há grupos de consensos mínimos não coincidentes. Mas como fazer para isso não virar arbitrariedade? A única forma para que não se torne um exercício arbitrário de faculdades de poder é garantir que haja espaços públicos, abertos e horizontais.

::integração::
A integração é o alicerce da legitimidade do CA. O que isso quer dizer? O CA, sem os estudantes, é uma instituição vazia. E quando os estudantes não interagem uns com os outros, com as instâncias deliberativas da Universidade e com o mundo, é como se eles não existissem enquanto corpo estudantil com interesses comuns. Daí a importância da integração, que se dá em vários âmbitos: 1. A primeira integração necessária é a dos estudantes entre si, sendo viabilizada por meio da arte, da cultura e das festas. Em um curso sem comunicação entre as 20 turmas, é por meio de um interesse comum extra-acadêmico que é possível proporcionar a convivência entre os estudantes. Além disso, tanto as festas quanto as manifestações artísticas são importantes formas de expressão, que constituem um alívio às tensões vividas em nosso cotidiano. 2. Também importante é a integração dos estudantes com as instâncias deliberativas da Universidade, o que inclui o Centro Acadêmico, o Conselho de Representantes de Turma, a Coordenação do Curso, os Conselhos, etc. Busca-se aqui romper o obstáculo que existe entre corpo universitário e os órgãos que o “representam”, desmitificando o monstro da política estudantil. É preciso informar constantemente o que ocorre nos espaços remotos de deliberação, tanto da Coordenação, quanto da Reitoria, a fim de que seja fomentado o debate e fortalecida a representação discente. 3. Por fim, temos a integração estudante-mundo. O futuro operador do direito precisa entender o contexto social no qual está inserido, ultrapassando os limites que a dogmática lhe impõe. É necessário, portanto, que o estudante se sensibilize com o mundo e interaja com a sociedade. Nesse sentido, apoiamos o fomento da extensão na Universidade. Além disso, acreditamos que se integrar com o mundo é explorar o universo acadêmico, estabelecendo vínculos com outros cursos e visando a uma formação interdisciplinar. Cabe ao CA, portanto, viabilizar a integração acadêmica, possibilitando aos estudantes o contato e a percepção de uma realidade distinta daquela em que vivemos, bem como fomentando debates acerca de importantes questões que frequentemente são silenciadas em nossas salas de aula. A integração, no entanto, só poderá ser eficaz a partir do fortalecimento e aprimoramento da Comunicação, como meio de dar ciência a todos os estudantes dos acontecimentos que ocorrem dentro e fora da Universidade. Acreditamos que esse é o primeiro passo para desenvolver no acadêmico o interesse de participar das atividades do CA. Como? Justamente ao informar o que acontece a nossa volta e, mais do que isso, ao ultrapassar os limites da mera informação e, assim, fornecer ao estudante espaço em que ele possa se manifestar livremente.

::autonomia::
Consiste em abdicarmos de nossos interesses particulares e de relações com grupos políticos, inclusive professores, no momento em que estes se confrontarem com os interesses estudantis. Isso significa que o CA pautará as demandas dos estudantes, independentemente de quaisquer pressões externas. Não deixaremos, por exemplo, de fazer críticas a professores só porque eles financiaram determinado evento ou porque trabalham em parceria com o CA.

::protagonismo estudantil::

Nós estudantes, enquanto sujeitos que dão vida à Universidade, temos o direito e o dever de protagonizar as discussões do espaço no qual estamos inseridos. Nesse sentido, o CA constitui o único lugar no curso que nos permite discutir de estudante para estudante o que queremos para o curso, para a Universidade e, até mesmo, para a sociedade como um todo. É no Centro Acadêmico e demais espaços do Movimento Estudantil que podemos, coletivamente, nos tornar protagonistas de decisões que, em muitos casos, definem os rumos de nossa graduação e, quiçá, de nossas vidas. Protagonismo estudantil é, portanto, inserir-se na construção do CA de forma crítica, reflexiva, responsável, mas, sobretudo, formuladora e propositiva. Propositiva no sentido de buscar alternativas e soluções criativas, com os pés cravados na realidade para os problemas debatidos, para além de uma atuação meramente reativa.

::como um CA deve exercer legitimidade e representatividade::
O CAXIF passa, como todos sabem, por eleições anuais para escolha de sua diretoria. Trata-se de um processo que concede à diretoria eleita legitimidade para agir dentro dos limites estatutários. Há sempre um debate em torno daquilo que é função do Centro Acadêmico, mas, de fato, não há dúvidas quanto às suas prerrogativas. É certo que a Diretoria eleita detém legitimidade. Mas legitimidade para fazer o quê? Para representar o estudante. Isso significa que ela deve gerir as finanças do CA, exercer a representação discente e executar tudo o mais quanto sustentou ser função do CA durante as eleições. Quando exercemos nosso direito de voto estamos - ou deveríamos estar - cientes do projeto político no qual cada grupo se afirma. Votar é conferir legitimidade, ou, para ser mais claro, dar o aval para que se cumpra tal projeto político. Ser representativo não significa ficar “neutro”, calado ou inerte, não significa sequer agradar à maioria a maior parte do tempo. Ser representativo significa manter-se fiel à plataforma política eleita. Isso a que se tem chamado representatividade nos corredores do CCJ simplesmente não existe em lugar nenhum do mundo. Um mandato político pressupõe tomada de decisões e essas decisões não podem aguardar um consenso absoluto para serem tomadas, do contrário simplesmente não seriam tomadas. Para tanto, basta imaginar um presidente que, diante de um incidente diplomático ou de uma crise, espere o consenso de todos os cidadãos para se manifestar ou tomar uma medida. Somos livres para criticar as opções de nossos representantes, porém não faz sentido algum criticá-los pelo fato de terem optado. O posicionamento político do representante não exclui a pluralidade e liberdade de expressão do representado.

::ensino, pesquisa e extensão::
Na velha concepção do tripé universitário, ensino, pesquisa e extensão aparecem enquanto eixos isolados, tratados de modo fragmentado, o que limita o potencial de cada uma dessas áreas. É por isso que a chapa Tanto Mar defende a superação desse modelo e a interação entre ensino, pesquisa e extensão, de modo a proporcionar uma formação mais ampla ao estudante ccjotiano. Contudo, no ambiente universitário, ainda prevalece a idéia do tripé, o que resulta em um evidente descompasso entre os incentivos destinados a cada eixo e na valorização de determinadas políticas acadêmicas em detrimento de outras, o que ficou bastante claro ao longo dos Fóruns Participativos de preparação do novo modelo de gestão da reitoria. No Fórum sobre a graduação discutiu-se a importância de avaliações discentes calcadas na discussão coletiva de problemas. Já no Fórum da pesquisa, chamou atenção o fato de que ela foi associada à pós-graduação, como se não fosse possível pesquisar na graduação. Discutiu-se a respeito das limitações às bolsas de pesquisa disponíveis, não só por seu número reduzido, mas também pela necessária vinculação às linhas de pesquisa dos professores, o que acaba dificultando o desenvolvimento de projetos autônomos. O Fórum da extensão, por sua vez, trouxe dados concretos acerca da desvalorização da atividade extensionista na universidade, como a inexistência de uma pró-reitoria própria e o número insuficiente de servidores técnicos que atuam na área. Bom, e por que falar dos Fóruns, referentes a toda a UFSC em uma eleição do Centro Acadêmico de Direito? Porque o cenário do CCJ não é tão diferente do que acontece nos outros cursos. Apesar dos avanços trazidos pela avaliação de curso de 2011.2, a sala de aula, espaço privilegiado do ensino, ainda é marcada por forte hierarquia e pelo papel passivo do estudante no processo de aprendizagem, o qual fica sujeito, dentre outros coisas, ao despreparo de professores substitutos e ao uso desregrado de seminários. No tocante à pesquisa, o que se observa é o aumento exponencial de estagiários e não de pesquisadores, seja pelo desvio de bolsas em funções burocráticas, seja pelo valor destas, inferior ao da bolsa permanência e milhas distante de uma bolsa-estágio no TJ. Além disso, hoje se discute no Direito uma nova regulamentação do TCC, para muitos, o único momento de pesquisa na graduação inteira. Quanto à extensão, prevalece o conceito de que ela é tudo que não seja ensino ou pesquisa, o que é, justamente, um dos grandes entraves ao seu fomento. Assim, além das palestras no auditório, o EMAJ também é caracterizado como extensão e só ele representa uma multiplicidade de problemas tão grande que, durante a Semana Jurídica, surgiu entusiástica proposta de implosão do Escritório Modelo. Por fim, observa-se que outros projetos de extensão, como o SAJU, enfrentam todos os obstáculos inerentes à extensão, somados à dificuldade de se firmar como projeto sério perante o curso pela ausência de um professor que o direcione. A chapa Tanto Mar acredita que pensar o ensino, a pesquisa e a extensão no curso de Direito da UFSC passa, necessariamente, pela revalorização dos espaços da sala de aula e, a partir disso, pela mobilização dos estudantes. E é papel do Centro Acadêmico atuar por essas demandas, não só dentro do CCJ, mas para além das nossas paredes, construindo o movimento estudantil em torno de pautas essenciais a toda graduação.

::avaliação de curso::

A gestão Primavera nos Dentes realizou no semestre passado uma avaliação de curso que propunha a transformação da sala de aula em um espaço público de discussão real, para além dos limites inerentes a um formulário on-line. A avaliação queria entender por que as salas de aula do nosso curso sofrem, fase após fase, um contínuo processo de esvaziamento e, a partir disso, buscar soluções para os problemas identificados. Além disso, o primeiro processo de avaliação também pretendia ser o início de uma responsabilização recíproca de estudantes e professores pela qualidade da nossa graduação, superando assim o pacto de mediocridade que, frequentemente, impera no CCJ. Mas, para tanto, era necessária a mobilização do corpo discente. E talvez o lançamento de um vídeo (muito) bacana não tenha sido suficiente para que os objetivos da avaliação fossem esclarecidos; para que a avaliação não fosse interpretada como uma caça às bruxas nem se convertesse em uma desculpa para faltar à aula. Além das críticas relativas à época de realização da etapa coletiva e à aparente ausência de resultado, a gestão Primavera nos Dentes se deparou com o dilema do primeiro semestre de 2012: a avaliação, para ocorrer depois da primeira prova, teria que ser realizada em meados de maio, isto é, durante o tradicional período eleitoral. Mas a gestão já não poderia mais atuar enquanto tal e a avaliação, ainda não consolidada dentro do curso e perante os professores e o Departamento, não poderia tampouco ser puxada por um ou outro estudante em cada turma. Faz parte da própria concepção do processo avaliativo repensá-lo continuamente e modificá-lo sempre que necessário. Por esse motivo e por entendermos que avaliar deve ser parte da cultura do CCJ, defendemos a realização de uma assembleia sobre a avaliação, no mês de junho, logo depois da posse da próxima gestão, a fim de que os estudantes decidam em que termos ela acontecerá no primeiro semestre de cada ano (ao menos, até que se reúna uma assembleia com quórum para votar uma mudança estatutária que altere a data das eleições do CAXIF), responsabilizando cada indivíduo por esse processo. E por que consideramos que a continuidade da avaliação de curso é tão essencial? Porque, para além de situações pontuais, como mudanças pedagógicas significativas em determinadas matérias e pedidos de ressalva na aprovação de estágio probatório, entendemos que foi a avaliação que criou entre os estudantes um espaço para debater sobre a contratação de professores substitutos e suas implicações; sobre o emprego de seminários como método de ensino; sobre a ausência de diálogo entre professores e, consequentemente, o reflexo negativo que isso tem em matérias sequenciais; sobre as deficiências dos processos meramente “medidores” que se tem em sala e a questão da bibliografia indicada pelos docentes, bem como, da sétima fase em diante, sobre as mazelas do Escritório Modelo. Enfim, defendemos a avaliação de curso porque ela é o instrumento que o estudante de Direito tem para pensar o seu curso e, assim, transformá-lo.

:: concurso de professores::

Os concursos são a porta de entrada dos professores na Universidade, onde devem ser selecionados os candidatos mais qualificados para o cargo. Para tanto, acreditamos que defender um projeto de curso a longo prazo implica a lutar pela contratação de cada vez mais professores efetivos. O nosso problema não é com os professores substitutos em si, mas com o vínculo a que ficam submetidos; pois, embora existam professores substitutos muito bons, acabam permanecendo na universidade por um período de apenas dois anos e com um salário bem menor que o de professores efetivos, ficando dedicados apenas ao ensino e não permitindo que proponham projetos de extensão e de pesquisa na universidade, já que estes projetos necessitam de um tempo maior de dedicação e de maturação, tempo este que ultrapassa o vínculo temporário que tem o professor substituto com a universidade. Para a chapa Tanto Mar, a política de contratação de professores substitutos precariza a formação do estudante e põe em risco a própria função da universidade, ao inviabilizar a pesquisa e a extensão, funções estas essenciais para proporcionar formas de pensamento e atuação autônomas e distintas das que vêm sendo praticadas na sociedade. Cabe ao CAXIF acompanhar os concursos de professores – tal como foi realizado pela última gestão – para garantir a fiscalização do processo e aumentar as chances de identificar problemas na seleção que prejudiquem a escolha do melhor candidato. Sabe-se que nenhum processo de seleção éplenamente livre de hipóteses de erros e/ou fraudes que comprometam sensivelmente o resultado do mesmo. Pensando no interesse dos estudantes, o CA deve se apropriar destes espaços para garantir que a melhor escolha seja feita para o corpo discente. Pretendemos continuar com essa política e torná-la ainda mais apta a garantir a melhor escolha para todos nós, estudantes. Neste sentido, propomos a elaboração de um instrumento de avaliação para análises cada vez precisas dos concursos, que permitam uma melhor comparação entre os candidatos. Julgamos, também, imprescindível atuar na fiscalização dos estágios probatórios de professores, como já vem sendo feito pela última gestão. A chapa Tanto Mar acredita que esse procedimento, o do estágio probatório, não é mera formalidade, devendo ser avaliada a performance acadêmica e profissional do professor para a sua aprovação, também como o seu comprometimento para com a instituição e com os estudantes.

:: prática jurídica e emaj::

A gestão Primavera nos Dentes, cumprindo com sua proposta de avaliar o CCJ, organizou, além da avaliação de curso, uma comissão para discutir e pensar os problemas do EMAJ, surgida a partir de um debate entre os professores sobre os rumos da atual prática jurídica no nosso currículo durante a Semana Jurídica de 2011. Dos esforços da última gestão surgiu um diagnóstico que conta como maior proeza do Escritório Modelo “reunir os problemas mais escabrosos dos curso - desde a precariedade de sua estrutura física de apoio até absurdos administrativos”e que “ainda que o estudante de Direito queira aproveitar o EMAJ (...) ele não consegue”. Desse diagnóstico, apontaram-se três problemas principais: falta de comunicação, falta de informação e falta de autonomia, bem como propostas de melhorias, dentre as quais destaca-se aqui a proposta de transformar o EMAJ em órgão suplementar. Nesse sentido, é importante lembrar que o EMAJ, ao ser transformado em órgão suplementar da UFSC (parecido com o que hoje é o HU), terá maior autonomia administrativa e financeira, o que possibilitará, por exemplo, que o Escritório Modelo faça convênios que permitam a diversificação da sua demanda. Outro exemplo, comum em algumas capitais, são os escritórios modelos que mantém convênios de apoio com as respectivas Defensorias Públicas. Um convênio como este tornará possível a criação de projetos extensionistas dentro do EMAJ, bem como a viabilidade do Escritório Modelo propor ações civis públicas e ações populares. Este ano, a Chapa Tanto Mar se propõe a criar o Observatório do EMAJ, um espaço que terá a finalidade não só de continuar o debate entre os estudantes, professores e servidores, mas, especialmente, consolidar uma discussão sobre a implantação do currículo 2010.1 no que toca a reformulação da prática jurídica do nosso Curso. No novo currículo, extinguiram-se as disciplinas “prática jurídica real” e “prática jurídica simulada”, substituindo-as por “prática jurídica”, de cinco créditos, que será ministrada integralmente no EMAJ. Apartir de 2013.1, portanto, o Escritório Modelo será reformulado e é importante que essa reformulação seja debatida ao longo desse ano, para que os estudantes se posicionem a esse respeito. Constatou-se, em relação à exclusão das disciplinas de prática jurídica simulada, que existem técnicas que são próprias dessas disciplinas, como redação de contratos e registro de empresas, e que, embora façam parte da atividade de boa parte dos profissionais do Direito, seriam excluídas do currículo. Por isso é necessário que, ao pensarmos a reformulação do EMAJ, debata-se e proponha-se não apenas mudanças na sua estrutura física, mas, sobretudo, um novo projeto polítio-pedagógico, que consiga abarcar o mais variado leque de situações da prática jurídica cotidiana.

::ensino, pesquisa e extensão::
::bolsas desviadas::
As bolsas de monitoria cumprem o papel de iniciar o estudante no âmbito acadêmico e, ainda, auxiliar os estudantes que procuram as monitorias para aperfeiçoar o aprendizado da sala-de-aula. Infelizmente, a realidade das bolsas no CCJ continua sendo a de desvios de finalidade, fazendo com que o caráter pedagógico destas sejam deturpados. Além disso, a precária divulgação das bolsas faz com que poucos estudantes fiquem sabendo destas. Por esta razão, a chapa Tanto Mar pretende fazer a defesa permanente das funções que a bolsa deve prioritariamente atender: o aprimoramento do aprendizado e a inserção do estudante na academia. Para isso, defendemos o levantamento das bolsas disponíveis no curso de Direito e a divulgação e orientação massiva sobre os processos seletivos que estiverem ocorrendo.

::congresso::
Entre os dias 10 e 13 de abril de 2012 a Gestão “Primavera nos Dentes” promoveu o VII Congresso de Direito da UFSC, evento que marcou o aniversário de 80 anos da nossa Faculdade e do CAXIF e reuniu mais de 1700 pessoas para a discussão de temas atuais do direito e da sociedade. Foram mais de 25 conferências no auditório principal, mais de 20 palestrantes de fora da UFSC, 3 oficinas de extensão e uma mostra de pesquisa com a inscrição de quase 50 trabalhos. E tudo isso foi de graça! A fórmula para realizar um grande Congresso gratuito é simples e está longe do mundo do fantástico, como bradaram alguns há um ano. A última gestão do CAXIF empenhou-se em buscar apoios institucionais dentro da UFSC, através das pró-reitorias e das fundações de apoio, e fora da UFSC, com entidades como OAB, Tribunal de Justiça e ESMESC, sendo todas essas verbas destinadas ao fomento de atividades científicas. Acreditamos que o VIII Congresso de Direito deve seguir neste rumo: ter seus temas e palestrantes definidos em reuniões abertas, possuir espaço para oficinas de extensão, publicar todos os seus debates, construir uma mostra de pesquisa cada vez mais forte e ser totalmente gratuito.

:: tcc::

O Curso de Direito deve possibilitar aos graduandos os recursos necessários para, ao final de dez semestres de faculdade, ter capacidade de escrever e desenvolver problemáticas acerca dos temas atinentes ao universo jurídico. Nesse sentido, a existência do TCC cumpre minimamente a função da pesquisa na graduação, e é, para a maioria dos acadêmicos, o único contato com ela ao longo dos cinco anos de curso. Está em pauta no Colegiado de Curso uma proposta de nova regulamentação para o TCC. Dentre as principais mudanças estão a criação de novas modalidades, a “semana do TCC” e a possibilidade de avaliar os trabalhos em painéis temáticos em vez de bancas individuais. A linha-mestra dessa nova proposta é a flexibilização do TCC. Dentre as novas modalidades está o artigo científico: um texto menor e menos complexo. A adoção dessa possibilidade demonstra a flexibilização que norteia essa proposta de regulamentação e uma tomada de postura: em vez de aprimorar o espaço da universidade a fim de que os alunos possam produzir um trabalho de qualidade,flexibiliza-se o trabalho para que ele possa ser produzido na estrutura precária da pesquisa em nosso curso. Já a criação de uma “semana do TCC” não apresenta avanços significativos à atual dinâmica e, ainda, dificultaria o convite a professores de fora da UFSC, já que o convite teria de ser feito para uma semana específica. Não bastasse isso, a aglutinação de todos os trabalhos em uma única semana não seria possível sem que se flexibilizasse, também, o modo como eles são apresentados: a adoção de painéis temáticos ao invés de apresentações individuais. Os painéis temáticos consistiriam em uma banca única, indicada pelo Coordenador de TCC, para um grupo de trabalhos correlatos. Nem é preciso alongar-se sobre a dificuldade de um único grupo de três profissionais do direito avaliar um grande número de TCCs, desde a leitura dos trabalhos à efetiva correção e atenção ao tema. O que salta aos olhos nesse projeto é o descaso com a produção científica no nosso curso. É a universidade a serviço do enxugamento teórico e da massificação do conhecimento.

::semana jurídica::
A última gestão buscou inovar a Semana Jurídica. Passou-se do modelo de Semana Jurídica obscurecida pelas sombras do Congresso de Direito para o de evento acadêmico com brilho próprio, voltado aos alunos do CCJ e com fins substancialmente distintos dos do Congresso, de modo que um complementasse o outro. Pautou-se a Semana Jurídica na graduação, discutindo-se que tipo de curso queremos ter. O tripé universitário foi o principal objeto de assunto: um novo modo de ensino do Direito foi pensado em diferentes momentos do evento: como o que discutiu a educação jurídica; a geralmente preterida pesquisa, por sua vez, teve seus momentos na mostra e na exibição de trabalhos dos grupos de pesquis do CCJ; já a extensão, apresentou, entre outros, o tema da assessoria jurídica popular. Será dado continuidade ao modelo atual, debatendo os aspectos do nosso Curso e buscando melhorias. Ao mesmo tempo, será pensada a função do nosso Curso – único público do Estado -, perguntando qual seu papel na sociedade e qual o papel da Universidade Pública na formação de profissionais que atuarão nessa sociedade. Buscando aperfeiçoar o modelo, propomos uma Semana Jurídica temática, com diretriz que deverá ser definida em reunião aberta e que tenha relevância no dia a dia do estudante e do profissional do Direito. Haverá intervenções pontuais sobre aspectos relacionados ao tema e privilegiar-se-á o trabalho e a pesquisa dos profissionais do nosso Centro de Ciências Jurídicas.

:: a extensão e o saju::
Por percebermos que a extensão é o eixo mais esquecido do tripé, a gestão Primavera nos Dentes procurou, inicialmente, fomentar no curso de Direito, uma discussão sobre a própria idéia de extensão e, a partir disso, concretizou alguns espaços voltados à sensibilização do estudante para a realidade que está além das salas de aula do CCJ e também espaços que, minimamente, propusessem uma alternativa às palestras, como as oficinas da Semana Jurídica e do Congresso. Acreditamos que, além de repensar o EMAJ, é papel do CAXIF promover a desmitificação do nebuloso cocceito de extensão; mobilizar os estudantes para que se envolvam em projetos extensionistas e apoiar de forma efetiva os grupos de extensão, como o “Cinema e Direito” e o SAJU, de iniciativa integralmente estudantil. A respeito do SAJU, cumpre esclarecer que ainda que membros do SAJU façam parte da nominata da chapa Tanto Mar, não há correspondência perfeita entre esses grupos e tampouco relações de ingerência entre um e outro. O SAJU é autônomo e está aberto para todos os estudantes do CCJ que aceitem o desafio de fazer uma extensão de caráter emancipatório. Mas, então, por que tocar nesse assunto? Porque a chapa Tanto Mar vê no SAJU possibilidades reais de transformação do curso, inclusive colocando-o, a longo prazo, como alternativa ao estágio obrigatório do EMAJ.

::integração::
Acreditamos que a integração cumpre importante papel dentre as funções do Centro Acadêmico, pois se trata de uma forma de mobilizar os estudantes, colocando-os em contato entre si e proporcionando uma convivência que ultrapasse os limites da sala de aula. É também um direito estudantil ter acesso à arte, cultura e divertimento no âmbito da universidade. Além disso, as festas são a principal forma de financiamento de um Centro Acadêmico verdadeiramente autônomo. Assim, a última gestão do Centro Acadêmico deu especial atenção a este princípio fazendo, sem sombra de dúvidas, um número significativamente maior de festas do que era de praxe nas gestões até então. Privilegiaram-se as festas no Campus, por serem mais democráticas, baratas e acessíveis, não sendo excluídas, contudo, festas em outros ambientes. Implementamos o ”Direito Achado no Bar”, realizado inúmeras vezes ao longo do ano passado; consagramos o modelo de Sarau, com um clima mais intimista, criativo e artístico; inventamos a “Batalha de Ipods”, que foi um verdadeiro sucesso; realizamos uma Festa do Curso, a “Guerra Fria”; mantivemos o modelo de Happy Hour e realizamos os tradicionais campeonatos de futebol. Porém, integração não se dá apenas dentro dos eventos construídos pelo Centro Acadêmico, como festas e esportes, mas também na participação cotidiana no CAXIF ou, ainda, nos espaços viabilizados pelo Congresso e pela Semana Jurídica.As mostras de pesquisa são ótimo exemplos de espaços que cumprem a função da integração entre estudantes do mesmo curso, de outros cursos e também de outras universidades. Além disso, a participação no movimento estudantil proporciona inúmeras chances de integração e ampliação dos horizontes de experiência pessoal, política e teóricas dentro da Universidade.

::defensoria pública::
O Estado de Santa Catarina é o único da federação que não possui uma defensoria pública estadual organizada. Mas este vergonhoso título está com os dias contados. No dia 14 de março, os ministros e ministras do Supremo Tribunal Federal julgaram inconstitucional o modelo catarinense que delega a defesa dos cidadãos menos favorecidos à Ordem dos Advogados de Santa Catarina (OAB/SC), conferindo prazo de 12 meses para que seja estruturada a instituição em nível estadual, conforme determina a Constituição. Os ministros do STF ainda criticaram o Estado pela “incompreensível inércia” e pela “transgressão do texto constitucional”, nas palavras do ministro Celso de Mello. Para ele, a omissão na criação da Defensoria Pública configura “inaceitável atentado ao direito fundamental das pessoas necessitadas e desassistidas”. A inércia do governo é ainda mais alarmante quando atentamos para o fato que a sociedade se engajou no Movimento pela Criação da Defensoria Pública de Santa Catarina criando um projeto de lei de iniciativa popular que colheu mais de 46mil assinaturas de eleitores catarinenses que foi apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina- ALESC - em junho de 2010, e desde aquela data se encontra engavetada na Comissão de Constituição e Justiça. Esta atitude demonstra o desrespeito das autoridades do Estado para com as cidadãs e os cidadãos catarinenses, notadamente com aqueles e aquelas que mais necessitam de atenção e de amparo. O grupo que forma a chapa Tanto Mar acompanha o Movimento pela Criação da Defensoria Pública de Santa Catarina desde a formulação do projeto de lei de iniciativa popular, participando da coleta de assinaturas durante o ano de 2010 e estando presentes em seções na ALESC. No último ano, enquanto gestão do CAXIF, participamos das reuniões do Movimento e de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, sempre defendendo a necessidade da criação da Defensoria catarinense. A partir de agora, com a decisão do STF, a tarefa principal do Movimento e das entidades que o integram é participar das discussões que antecederão a criação do órgão, não podendo deixar que o governo ignore o projeto de lei popular que está engavetado. Nós, enquanto estudantes de Direito do único curso público do Estado devemos ter um papel ativo nessa construção, participando dos espaços de debate e formulação. Precisamos também pensar qual modelo de defensoria pública queremos para o nosso Estado e fomentar esse debate dentro de nossa Faculdade. Por isso, acreditamos que o CAXIF deve ter um papel central na promoção de debates sobre o tema dentro do nosso curso e deve participar ativamente dentro do Movimento pela Criação da Defensoria Pública em Santa Catarina, dando visibilidade e divulgando as ações do movimento.

sei que há léguas a nos separar, tanto mar, tanto mar sei também quanto é difícil, pá, navegar, navegar

::espaços de representatividade::
:: voto universal para as eleições de direção de centro::
Por que a chapa Tanto Mar defende e reivindicará o voto universal nas eleições para direção do Centro de Ciências Jurídicas? Entendemos que um processo democrático pressupõe a participação de todas as pessoas com igual poder de voto. No entanto, o que hoje acontece no CCJ e, em geral, na UFSC, é a instituição do voto paritário como norma das eleições aqui dirigidas. O voto paritário institui um modelo de eleições participativas baseadas na divisão de setores, em que cada setor da universidade (docentes, técnico-administrativos e estudantes) possui peso de 1/3 nas eleições. Isto significa dizer, por exemplo, que cada voto de professor equipara-se a mais de 20 votos de estudantes no CCJ. O atual método das eleições por voto paritário perpetua uma lógica de “democracia” baseada na meritocracia, o que implica, obviamente, não a escolha da maioria, mas de uma elite, que, em nosso caso, é intelectual. Isso seria reconhecer que, neste método eleitoral, uns são melhores que outros. Publicamente, porém, a defesa do método é calcada na transitoriedade da passagem dos estudantes pela universidade, os quais, por esse motivo, não poderiam decidir sobre os rumos desse espaço. É que, para os autores dessa justificativa, passa (convenientemente) despercebido o fato de que as grandes conquistas da UFSC, por exemplo, partiram dos estudantes aqui alocados de forma temporária, tais como o restaurante universitário, a moradia estudantil e as bolsas-permanência - mudanças estas que se perpetuaram no tempo, para além da temporariedade da estadia de seus protagonistas. Sabe-se que, sendo esta uma universidade pública, deve cumprir determinadas funções na sociedade que extrapolam os interesses individuais de seus membros (sejam eles professores, técnicos ou estudantes). E, por isso, nada mais justo que garantir a todos os integrantes desta universidade o poder de decidir qual papel querem que esta instituição cumpra para fora de seus muros. Assim, não é preciso que apenas um grupo de “iluminados” decida majoritariamente a função e o projeto de nossa universidade. Na realidade, o que acontece em nossas eleições com voto paritário é que o espaço público de disputa de concepções e de projetos políticos se enfraquece. O que vemos, então, é a prática funesta da cooptação de votos, em que se disputa não o curso ou a universidade e suas concepções políticas, mas o setor com mais poder de voto, pois é mais fácil cooptar poucos eleitores com grande poder de voto do que disputar politicamente nas salas de aula e nos corredores. Uma eleição verdadeiramente democrática deveria levar para os espaços da sala de aula os debates a cerca do papel da universidade na sociedade e as formas de sua concretização, assim como os projetos político-pedagógicos que cada candidato idealiza para seu centro. O voto universal, apesar de raro, já existe em nossa universidade no centro de filosofia e ciências humanas. Portanto, é uma realidade que pode e deve ser trazida ao CCJ e encabeçada por todos os seus estudantes. A chapa Tanto Mar acredita na viabilização deste processo e pretende encabeçar o movimento do voto universal para a Direção do CCJ. Isto porque acreditamos que a luta por uma verdadeira democracia fora dos muros da universidade começa aqui dentro, com os estudantes participando ativamente das decisões e dos rumos que levem à construção da universidade necessária para a superação dos problemas sociais do nosso país.

::nominata::
aristóteles da silveira filho – 6ª carla de avellar lopes – 4ª carlos emanuel rodrigues bezerra – 1ª domitila villain santos – 4ª felipe dutra demetri – 8ª geovani vasconcelos ambrósio – 6ª glenda vicenzi – 4ª gregório furtado swiech – 4ª guilherme de melo costa – 9ª guilherme filipe a. dos santos – 3ª gustavo debiasi adolpho de souza – 3ª gustavo zatelli correa – 8ª joão daniel feltrin – 2ª josé guilherme surdi – 9ª junia botkowski – 10ª lucas gonzaga censi – 8ª márcia de moura irigonhê – 5ª maria luiza de s. schreiner pereira – 5ª marina barcelos de oliveira – 2ª marina straginski carmona – 10ª marja mangili laurindo – 6ª murilo rodrigues da rosa – 4ª nayara aline schmitt azevedo – 7ª pedro buss martins – 2ª rafael luís innocente – 8ª raul vinícius da silva – 1ª renata volpato – 5ª rodrigo alessandro sartoti – 8ª roger de oliveira franco – 4ª ruan s. andrade – 1ª samir leonardo hallack mokdisse – 7ª victor cavallini – 7ª vitória de macedo buzzi – 4ª

::representação discente::
::colegiado do departamento::
titular: carla de avellar Lopes suplente: samir l. h. mokdisse titular: glenda vicenzi suplente: pedro buss martins

::colegiado do curso::
titular: rafael luís innocente suplente: domitila villain santos titular: gregório furtado swiech suplente: murilo rodrigues da rosa

::conselho da unidade::
titular: rodrigo a. sartoti suplente: marina b. de oliveira titular: renata volpato suplente: raul vinícius da silva titular: vanessa rodrigues ferreira suplente: joão daniel feltrin

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful