RESENHA CRÍTICA Autor: José Maria Reganhan

REFERÊNCIA BILIOGRÁFICA: ALVES, Rubens. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. 9. ed. Campinas: Papirus, (DATA DE EDIÇÃO?) 120 p. De início é bom lembrar a dificuldade que é resenhar um texto que ao mesmo tempo é simples, muito denso e cheio de significados e ainda mais de uma maneira muito sintética. Sempre vai ocorrer o problema de algo importante não ser mencionado e sempre sair com mais páginas que requer uma resenha e crítica. Por isso será muito difícil ser sintético num livro muito denso! Sobre Rubem Alves: vida e obra Pesquisas selecionadas na Internet apontam para textos que apresentam uma análise sobre a vida e a obra de Rubem Alves. Sítios sobre literatura (http://www.releituras.com/rubem_alves_bio.asp) e de uma enciclopédia virtual aberta (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves) trazem uma descrição interessante sobre o autor. Rubem Alves, nascido em 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, desde cedo na sua infância defrontou-se com problemas comuns decorrentes das constantes mudanças de estados e escolas. Tais mudanças influenciaram na sua atitude introspectiva e que o direcionaram à sua predileção pelos livros e à religião, base fundamental da sua formação como ser humano. Entre 1953 a 1957 estudou Teologia em São Paulo no Seminário Presbiteriano de Campinas, transferindo-se para Lavras (MG) em 1958 onde passa a exercer as funções de pastor nessa cidade até 1963. Casa em 1959 e têm três filhos Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Sendo esta a musa inspiradora de parte sua obra, os contos infantis. Em 1963, vai para Nova York estudar sua pós-graduação e retorna para o Brasil em maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado como subversivo em 1968, pela igreja presbiteriana, foi perseguido pelo Regime Militar. Abandona a igreja presbiteriana e retorna com a família para os Estados Unidos, fugindo às perseguições pela quais passa. Estando lá faz seu doutorado em Teologia pelo Princeton Theological Seminary. Sua tese de doutorado em Teologia – A teologia da esperança humana – publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books, apresenta as primeiras contribuições daquela que mais tarde será conhecida como a Teologia da Libertação. Voltando ao Brasil é indicado por Paul Singer, economista e professor da USP para lecionar Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP). Em 1971, foi professor visitante no Union Theological Seminary. Em 1973, transfere-se para a UNICAMP, com professor adjunto na Faculdade de Educação. Em 1974, ocupa o cargo de professor titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UNICAMP. É nomeado professor titular da Faculdade de Educação da mesma Universidade e em 1979 torna-se professor livre docente no IFCH. No período de 198º a 1985 ocupa vários cargos na UNICAMP. É eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no mesmo período, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino

Possui vários livros publicados: mais de 10 livros de crônicas. Posteriormente a convite da Fundação Rockefeller faz residência no Bellagio Study Center na Itália.br/). Como autor de inúmeros livros. a de Ghandi e vários vídeos. Camus. parafraseando o apresentador.jf-viladasaves. foi professor visitante na Universidade de Birmingham. ele é na realidade uma obra coletiva. uma biografia. Guimarães Rosa. O único texto que destoa dessa característica é o do prefácio onde o autor procura tornar a redação mais hermética e complexa no discurso. Borges e Fernando Pessoa. Rubem Alves está falando de uma . a culinária. Manoel de Barros. SANTOS (7-24) procura apresentar a obra de Rubem Alves como um livro excêntrico: a) pela natureza do objeto. Na literatura e na poesia. Na Internet Rubem Alves possui atualmente uma página onde procura apresentar um pouco das suas paixões pessoais (http://www. tem os mesmos publicados em inglês. Na seqüência a obra está estruturada em 13 textos. professor emérito da UNICAMP e cidadão honorário de Campinas. Eliot. espanhol. A principal característica do livro é o fato de a maior parte dos artigos serem escritos como um variado conjunto de histórias bem ao sabor de textos para crianças e adolescentes.As lições de uma escola: uma ponte para muito longe onde a partir de um texto mais rebuscado e mais caracterizado com um discurso de pedagogo. mira sobre uma escola primária observada muitas vezes como uma escola “inferior”. um olhar apaixonadamente “Interior”.onde deu vazão à sua outra paixão. onde recebeu a medalha Carlos Gomes por sua contribuição à cultura. O núcleo do livro onde a história da Escola da Ponte é apresentada é um conjunto de 6 crônicas publicadas por Rubem Alves no Correio Popular de Campinas entre o período de 14/05/2000 e 11/06/2000 (páginas 33 a 68). Segundo o prefaciador.2 de 1983 a 1985. além de contar com um trio de boa música ao vivo e onde também participa alunos da Faculdade de Música da Unicamp. Saramago. T.rcts.pt/). mais de 8 livros de Filosofia da Religião. Apesar de o texto ter Rubem Alves como autor. onde além de Rubem Alves participam vários educadores portugueses. localizada no norte de Portugal a 30 quilômetros da cidade de Porto. mais de 10 livros de Filosofia da Ciência e da Educação. b) porque o colaborador “entrecruzando os olhares para dentro e para fora. Rubem Alves é membro da Academia Campinense de Letras. dando canjas em seu recinto. c) porque. mais de 17 livros de Teologia. na cidade de mesmo nome. Em 1988. pintura e literatura. Nietzche. Considera-se um psicanalista “heterodoxo”. mais de 25 livros infantis. É autor de vários livros e colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande aceitação principalmente junto à vestibulandos. Octávio Paz. alemão e romeno. A escola da ciência da vida: o caso da Escola da Ponte O livro a Escola da Ponte é uma coletânea de textos sobre a Escola da Ponte (http://www. numa localidade chamada de Vila das Aves (http://www. No local foram ministrados cursos sobre cinema.rubemalves. Rubem Alves encontra guarida e alegria nas obras de Adélia Prado. A história da Escola da Ponte inicia-se com um prefácio . dentre os quais um apresentado na ECO-92. francês. Inglaterra. Santo Agostinho. dirigindo-se mais a pedagogos do ponto de vista estrito. retira e infere a utopia da realidade”. a descrição de uma escola fora dos parâmetros da escola moderna (ou como Rubem Alves usando sentido figurado fala de uma escola retrógrada).eb1-ponte-n1.com. pois acredita que no mais profundo do inconsciente reside a beleza. Ao se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante em Campinas. uma escola existente a 25 anos onde o aprendizado é auto-realizado por crianças nos 5 anos iniciais da escola fundamental portuguesa. italiano.pt/). S.

por um lado. um testemunho em forma de diário do que representa para o consultor do Centro de Formação Camilo Castelo Branco da Vila Nova de Famalicão sobre o que representa para ele a experiência da Escola da Ponte. onde procura descrever o que é para ele a Escola da Ponte. o da percepção extra-sensorial. uma rasteira que estes aplicavam na linguagem de seus discípulos. desse texto transcreve para o livro. Mas também. a transcrição de uma entrevista sobre a Escola da Ponte ao portal brasileiro Educacional do Grupo Positivo do Paraná (http://www.educacional. um texto coletivo da Escola da Ponte sobre significado para os participantes dessa comunidade educativa. sem imaginar que pudesse existir”. O pássaro é também a estória que pousa no ombro da criança ou adulto que não foi contaminado pelo olhar bruxo. escreve um texto sobre o sentido e o significado do aprendizado existente nessa escola: Koan. A estória do pássaro encantado que ama a liberdade. mais 6 crônicas(ALVES: 33-68) publicadas no Correio Popular de Campinas (SP). mostrando que ao chegar nessa escola foi recebido pelo diretor da mesma que após a troca normal das amabilidades de todo cicerone dá ao visitante estrangeiro. um jornalista português. onde não tem sentido falar de indisciplina e sim de carinho e afeto. uma educação vista como um percurso feito com base no anseio de cada educando e partilhado solidariamente com todos. uma escola que a partir de suas regras auto-definidas exerce uma prática educativa na cidadania. “Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante”. ALVES (25-26). armazenando nas suas penas. representou uma iluminação. a do pássaro no ombro. que voa para longe. dado que ele tem acompanhado avaliativamente o estágio de educadores do citado centro nessa escola. Democrática. Representou também. as crônicas propriamente ditas de Rubem Alves descrevendo a visita à escola. da visita feita por Rubem Alves à mesma na Vila das Aves. que mostra a sua interpretação da visita do educador brasileiro à Escola da Ponte. “a escola com que sempre sonhara. De uma comunidade educativa. Além. Para contar a sua visita à Escola da Ponte na Vila das Aves. pois as normas e regras para seu funcionamento são definidas pelos participantes dessa comunidade educativa. Na tarde cheia de magia da visita de Rubem Alves à Escola da Ponte.com. em vez de mostrar a Escola da Ponte para o educador brasileiro. pelo jornalista Fernando Alves sobre o pássaro que pousou no ombro das crianças dessa escola. as cores dos lugares por onde passa e voltando com saudades ao lugar onde uma menina o espera.sabendo tal pássaro que a menina não vai fechar a sua gaiola. Em sentido figurado tirado da tradição Zen. de uma escola. uma experiência que ele não sabe ser possível de ser (re)duplicada. profundamente democrática e auto-regula. professores e outros funcionários) contribuem para a formação de uma vontade e um saber coletivos. por outro lado. como Rubem Alves contou aos “miúdos” a estória cheia de significados sobre a beleza do aprendizado. Além desse prefácio.3 “experiência de iluminação”. KOAN para Rubem Alves representa segundo a arte de ensinamento dos mestres Zen. tendo como filosofia que permeia o projeto pedagógico. a visita de Rubem Alves representou uma rasteira naquilo que ele espera encontrar na Escola da Ponte. onde as crianças são educadas para a entre-ajuda. ALVES (27-32).br) e afinal a transcrição do programa de estágio apoiado pelo Centro de Formação Camilo Castelo Branco na Escola da Ponte. pois todos os participantes (crianças. ele explica como a visita foi um koan. . inclui uma crônica sobre a visita de Rubem Alves à Escola. Após passar a incumbência para a menina saiu e a “menininha” assume a responsabilidade com inteligência e desenvoltura que o deixou perplexo. Além disso. Auto-regulada. o livro da Escola da Ponte. os pássaros voaram de um poema de Ruy Belo e foram pousar nos ombros dos que estavam sentados em redor do contador de estórias Rubem Alves. pede a uma menina de nove anos para a mesma mostrar-lhe a escola dessa maneira. a abertura do terceiro olho. o do sexto sentido.

normalmente representando o que eles estavam vivendo. p. Rubem Alves usa Marx como exemplo de descrição da manufatura artesanal que estava acabando em sua época.. para falar da Escola da Ponte como um contraponto da escola moderna (a escola taylorista. A ida de Rubem Alves para Portugal está relacionada a um convite que o professor Ademar Santos coordenador do Centro de Formação Camilo Castelo Branco. O convite surgiu a partir da leitura de um antigo livro (Estórias de quem gosta de ensinar). a da linha de montagem). ou as séries. As coordenadas espaciais são as salas de aula e as coordenadas temporais são os anos. Uma escola que o encantou. Para ele.. a estudante explica que: a) a escola não é organizada em classes separadas. Observou-se . Foi no período de 2 a 7 de maio de 2000 que Rubem Alves visita o Centro e em um dos dias é convidado para conhecer a citada escola.. Qualquer criança poderia colocar seu nome em qualquer um desses quadros. alegria e eficiência. ALVES (45-49). Em uma parede existiam dois quadros de avisos.. Nessa escola. pois lá havia disciplina. Isso se observou. Dentro dessas coordenadas espaçotemporais os professores realizam o processo técnico científico de acrescentar aos os alunos os saberes-habilidades que juntos irão compor o produto final.4 Em QUERO UMA ESCOLA RETRÓGRADA (33-38). d) ao final desse período o grupo se reúne e avalia o que ser aprendeu. se encontravam várias frases escritas por alunos. uma com a frase “Tenho necessidade de ajuda em. apresenta um outro instrumento pedagógico. um produto igual a milhares de outros ISO 12. o computador do “Eu acho bom” e o computador do “Eu acho mau”. as crianças aprender a ler. para ajudar no ensino ou solicitar ajuda no aprendizado.. ex. isto é. a escola moderna. concentração. essa prática mostrava que a aprendizagem e o ensino representam uma atividade comunitária. A menina também apresentou uma sala grande sem divisões.e sem ninguém pedir silêncio. ALVES (39-44). O visitante brasileiro percebeu também que as crianças que detinham conhecimento derivado do aprendizado ensinavam as que tinham dificuldades de aprender (entre-ajuda). um pedagogo de voz mansa e poucas palavras. A Escola da Ponte é dirigida por um José Pacheco. a da linha de montagem organiza-se em coordenadas espaciais e temporais. Nela vários grupos de crianças se movimentavam com disciplina . 3º ano e assim sucessivamente. se o grupo realmente aprendeu.” e outro com a frase “Posso ajudar em. c) nele se estabelece um programa de estudo de 15 dias com uma professora. lendo frases inteiras.incluindo crianças com síndrome de Dow . 2º. Em A ESCOLA DA PONTE (2). mostra os principais pontos da forma de como se aprende na Vila das Aves. Em síntese. enquadrado de acordo com a fôrma e que pode entrar no mercado de trabalho. 1º. b) que lá se prende formando pequenos grupos com interesse comum em determinado assunto. e ao final de processo. ele se dissolve e se forma outro grupo para estudar outro assunto.000. A escola retrógrada que Rubem Alves sonha é a escola artesanal que ele pensava que não existia. que expressa o espírito de solidariedade dessa comunidade educativa. Ledo engano! Era a Escola da Ponte. Em A ESCOLA DA PONTE (1). vendo o rosto e o trabalho dos alunos. onde as crianças se expressam sobre coisa boas e más que ocorrem nessa escola. por outro lado. as frases tinham significância parta o estágio de aprendizado dessas crianças. As professoras estavam sentadas com as crianças e atendiam as crianças quando eram chamadas. que orienta sobre o que se deve pesquisar e os locais onde pesquisar.”. dão que essas crianças criaram seus direitos em relação ao aprendizado e para a gestão da escola. incluindo aí a internet. Após passar a tarefa de apresentar a Escola da Ponte ao educador brasileiro visitante. cheia de pequenas mesas próprias para crianças.. Um outro princípio fundamental observado é a pedagogia da cidadania e a cidadania na educação.

Por outro lado. nas suas várias facetas. e para a Geografia e desta para a Literatura. O autor procura mostrar que o aprendizado efetivo possui maior significado se observar que os temas e assuntos que estão sendo estudados na escola. Isto é. uma minhoca. e onde aprendem a disciplina. Já o professor primário é professor de terceira classe. e etc. a do aprendizado por temas pode ajudar na fixação do conhecimento e o encaminhamento transversal por várias áreas do saber humano? Na Escola da Ponte quando ela a visitou. Compara o professor universitário com o professor primário. o destino da ciência que é não é aprendida a partir da experiência é esquecida. para Rubem Alves. mas não é vivenciado pelos alunos é esquecido. e por meio de uma vivência democrática. parece que além de comparar a escola “moderna ”taylorista” a da linha de produção. nasce a fuçação (pesquisa). Usando tal diferenciação ele argumenta que depois de visto que após ter trabalhado muito como professor universitário. não precisa faze mestrado. Professores universitários vivem e gostam das luzes dos palcos. aprendizagem de nada valerá. servirem para a sua vida. E mostra também que usando um mesmo assunto – a caravela – pode-se passar da Física. da curiosidade. e do conhecimento. Na Escola da Ponte. Além disso. principalmente pelo assombro do avanço tecnológico que permitiu tal descobrimento: as caravelas. nem falar inglês e leciona para crianças temas corriqueiros. Em A ESCOLA DA PONTE (5). O autor também argumenta que se a aprendizagem dor encaminhada pelo tradicional programa de aprendizagem. cientista. publica em inglês em revistas internacionais sobre temas complicados. o autor analisa metodologicamente o caso da Escola da Ponte. pesquisador. para questionar a funcionalidade do programa de ensino. Argumenta que desse espanto vida. pois como ele diz “programa cumprido não é programa aprendido”. E por último. E nesse ponto ele é comparativo.5 também o exercício da cidadania em uma Assembléia onde as crianças decidem. uma concha de caramujo. havia um interesse muito grande por parte das crianças pelo Descobrimento do Brasil. nunca é esquecida. como referência. Como o autor mostra como essa outra lógica. observou-se também que o conhecimento pode ser assimilado sem u uso do programa de ensino. é procurado como assessor de governo e empresas. que todas as pessoas conhecem. Argumentou que tal tema por não contar de nenhum programa de ensino. a alegria. a de se estudar por temas e por meio deles passar transversalmente por várias áreas do saber humano. Ele entende que a aprendizagem é efetiva quando é significativa! Pois senão o esquecimento impera e a memória não é ativada. ALVES (50-56). usa como fio condutor a questão da boa memória. Argumenta que o professor universitário é encarado como doutor. tem a capacidade de se assombrar com várias coisas mais simples da vida como um ovo. como se estivesse vendo um prisma ou um diamante. Observou-se também a existência de um tribunal no qual a pena estava direcionada ao incentivo do aprendizado. para a História. sem que para isso elas estudem por meio de um programa! .o conhecimento. na gestão da escola. o papel do professor. Por que elas tem o encantamento do olhar. para a Astronomia. tal fascinação ocorre e porque lá não há competição. poderia ser refutado como tema desnecessário ao aprendizado pela abordagem da escola taylorista. ALVES (63-68). mostrando agora uma outra faceta. Ele entende que o programa que se estuda e que é cumprido. ALVES (57-61). É claro que o espelho para tal análise é a Escola da Ponte! Em A ESCOLA DA PONTE (4). só cooperação. o destino da ciência que se aprende a partir da experiência da vida.dessa fuçação. fez sua preferência pelas crianças. a escola artesanal ele compara o programa de aprendizagem com outra abordagem. já professores primários vivem na penumbra. Mas tendo a Escola da Ponte. Na crônica A ESCOLA DA PONTE (3). com a escola retrógrada.

passou-se de objetivos de instrução para objetivos mais amplos de educação. Aprendeu a liberdade respeitando a liberdade dos outros. Como mãe. Com base em um diagnóstico repleto de interrogações. ALBUQUERQUE (77-95). da Escola da Ponte (69-76).br) procura mostrar o que é para ele essa escola. MALMEQUER.com. as suas impressões da Escola da Ponte. b) nas práticas educativas. PACHECO (97114). com alunos de bairros pobres onde viviam que traziam os problemas sociais de casa para a escola. c) no ensino optou-se pela pesquisa orientada por professores. pesquisa . o Diretor da Escola da Ponte em uma entrevista em sítio do Grupo Positivo (http://www. falta de portas. para ajudá-los aprender em silêncio). onde uma professora escreve representando essa escola. A diferença (na Escola da Ponte não há diferença juntos às crianças. para falar que é ser uma professora e mãe de uma criança que estuda na Escola da Ponte. Escreve sobre o que representa para ela ser professora nessa escola. essa comunidade educativa reorganizou a Escola da Ponte com base em alguns pilares: a) os alunos que tem condições de aprender fácil ajudam a ensinar os alunos que tem dificuldades (inclusão). não tinha banheiro. pois quero melhor educação para seus filhos. sua filha aprendeu o respeito por ela própria e pelos outros.educacional. Para esse educador de voz mansa e de poucas palavras. A resenhista deste texto procura a seguir apenas a relacionar os títulos principais alguns dos dias desse diário. semelhante àquela descrita por Rubem Alves. Para ela o objetivo principal da Escola da Ponte é realmente fazer com que a criança se sinta “o pássaro encantado. O significado e o sentido de estudar na Escola da Ponte é estudar em família. estrutura física precisando de reparos e etc. Aprendeu a ser feliz e a fazer os outros felizes. Em ESCOLA DOS SONHOS EXISTE 25 ANOS EM PORTUGAL. colaboração e solidariedade. cercadas com um “circulo” de outras alunas. Pois quer que seus filhos aprendam a ser cidadãos democráticos. Em um ambiente de compreensão. Salas cheias de meninos (apesar de serem muitas crianças elas serão alunas de muitos professores). O problema é o futuro (os alunos da Escola da Ponte acostumados com o trabalho cooperativo e o espaço compartilhado enfrentarão problemas nas outras séries. com o significado sintético de cada título e que representa o real significado da Escola da Ponte como espaço de uma educação para a vida. Novas tecnologias na escola (a internet e o computador como porta para a escrita e parta a vida). pois a “Escola da Ponte é um espaço onde se vive o que se aprende e se aprende o que se vive”. mas carregarão suas memórias nessa escola para o futuro).6 Em O ESSENCIAL NÃO CABE NAS PALAVRAS. E finalmente para ela a ponte é uma passagem e a escola é uma ponte. A estrutura do prédio apresenta problemas vários na sua parte física. existiam problemas nas carteiras. uma escola taylorista. alunos que exigiam uma atitude de grande atenção e investimento no domínio afetivo e emocional. escolhendo o mês de fevereiro para a cronologia desse diário. existe inclusão). Faltou a professora (na Escola da Ponte há muitos professores para muitas crianças). A Escola da Ponte existe desde 1976 e nessa época era uma escola com vários tipos de problemas de uma escola tradicional. esse consultor do Centro de Formação Camilo Castelo Branco procura transmitir sobre a forma de um diário. respeito. as alunas iam fazer “suas necessidades fisiológicas” fora. solidários e autônomos. Segundo essa professora. Os tempos livres (distraindo-se também se aprende). Educação para a cidadania (a Escola da Ponte vive um projeto educativo de educação da para cidadania). Há música na sala de aula (na Escola de Ponte os alunos têm direito a ouvir música nas salas. sabe que o aprendizado que a sua filha teve carregará para o resto da vida dela e só essa menina saberá explicar. Argumenta tal professora que matriculou e voltará a matricular. com lindas e coloridas penas que canta alegre e com canto afinado”. Em A ESCOLA DA PONTE: BEM-ME-QUER.

Esse educador brasileiro procura falar da história da Escola da Ponte..interrogações e afetos. f) a compreensão do desenvolvimento do sentido crítico e do fomento da partilha da informação. de autarquias... • Os hábitos de trabalho solitário.e a escola retrógrada. contando estórias descrevendo a essência dessa escola na Vila das Aves.. projeto educativo inovador e amplamente partilhado pela comunidade. para também falarem do significado da Escola da Ponte. Qual o quadro de referência do autor Em um só parágrafo. pois chama vários outros educadores e escritores portugueses. procura usar o método comparativo para mostrar as diferenças entre a escola taylorista – a escola moderna . Em TRABALHO COOPERATIVO EM MUDANÇA DE ATITUDES PROFISSIONAISNA ESCOLA DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO.. de ensino mútuo.. Mas além de tudo é bondoso. Mas. apresenta as justificativas de um estágio realizado na Escola da Ponte: • A educação é sempre uma aventura coletiva da partilha. g) do desenvolvimento de novos instrumentos pedagógicos (Tenho necessidade de ajuda.. individualista e não cooperativo de professores são os principais fatores para o empobrecimento dos ambientes de ensino/aprendizagem e das práticas educativas. segurança. Entre a prática educativa amparada no programa de aprendizagem da escola taylorista e a prática educativa da transversalidade buscada por temas de interesse dos alunos. • Assumindo uma perspectiva ecológica de formação continua. h) resolução dos problemas da escola por meio da Assembléia... e dentro de cada grupo. o Centro de Formação Camilo Castelo Branco pretende com esse estágio em difundir experiências inovadoras de trabalho cooperativo desenvolvidas na Escola da Ponte. a descrição conceitual de modelo de escola e de práticas educativas de qualidade. dos Debates e do Tribunal da indisciplina. d) sem deixar de dar o programa o trabalho de ensino/aprendizado passa além de aprender a ler. momentos de trabalho individual.. Como Rubem Alves conta a história da Escola da Ponte O título dessa seção já denuncia a metodologia adotada por Rubem Alves. e a se realizarem como pessoas. Procura comparativamente mostrar também as diferenças entre o professor universitário e o professor primário. e) os alunos gerenciam quase que com total autonomia os tempos espaços educativos. escrever e contar. equipe estável de professores fortemente motivados. computadores do Acho bom.7 realizada por trabalho em grupo heterogêneo de alunos. da comunicação e do desenvolvimento de uma cultura da cooperação. de vizinhos e de associações locais) e dos professores que são uma fonte permanente de informações. de familiares. altas doses de competência e lucidez profissionais tornaram a Escola da Ponte numas da melhores referências de qualidade do sistema educativo de Portugal. trabalho cooperativo.do Acho mau. a escola artesanal – a Escola da Ponte. além disso... as fontes de pesquisa se compõem de bibliotecas (da escola.. da caixinha dos textos inventados e a caixinha dos segredos)...Posso ajudar em. Metodologicamente ele também procura rebuscadamente analisar as diversas facetas da realidade da Escola da Ponte. ajudando as crianças a entenderem o mundo. lideranças persistente. • Autonomia. . o Centro de Formação Camilo Castelo Branco. a gestão dos tempos e espaços permite passar de trabalho em pequenos grupos para participação no coletivo.

muito boas experiências de práticas educativas. ou universitária.8 Apreciação da obra O único aspecto realmente questionável nesse livro sobre a Escola da Ponte é a afirmação que de essa experiência é impossível ser reduplicada. muitas vezes distantes dos grandes centros são desenvolvidas no Brasil. escola média. A quem serve o livro a Escola da Ponte A todos que entendam da beleza do processo de ensino/aprendizagem. O Rubem Alves esquece que no Brasil. independente da sua clientela seja de escola fundamental. Para todos os educadores. . da busca do conhecimento. Especificamente para os educadores que trabalhem com crianças.