Colégio Dom Diogo de Sousa

Carácter épico de “Felizmente há luar!”
A obra “Felizmente há luar!” de Luís de Sttau Monteiro é um drama narrativo, de carácter social, dentro dos princípios do teatro épico, uma vez que apela à reflexão pela parte do espectador, não só no quadro da representação, como também da sociedade em que se insere. Na peça, a ruptura com a concepção tradicional da essência do teatro aristotélico é evidente em três aspectos: - O drama não se destina a criar o terror e a piedade; - Não se procura a função catártica realizada através das emoções; - O espectador não se identifica com o herói da peça. Assim, Sttau Monteiro segue a linha do teatro de Brecht, poeta e dramaturgo alemão, que era adepto dos ideais marxistas, pelo que o seu teatro tem como principal preocupação levar os espectadores a reflectir sobre os acontecimentos passados e a tomar posição na sociedade em que se insere. Para Brecht, o teatro é uma espécie de compromisso, com o objectivo de mudar a sociedade, como vemos pelo seu lema: “o teatro não está ao serviço do poeta, está ao serviço da sociedade”. Para conseguir estimular uma atitude critica nos espectadores, Brecht recorreu à técnica de distanciação/distanciamento, que propõe um afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador e a história narrada, de modo a que: - Todos possam fazer juízos de valor sobre o que está a ser representado de uma forma mais real e autêntica; - Envolver o espectador no julgamento da sociedade, tomando contacto com a realidade; - Levar o espectador a reagir criticamente e a tomar uma posição face aos acontecimentos sociais. Na obra, as influências do teatro de Brecht são visíveis na evocação de situações e personagens do passado (movimento liberal oitocentista *) e usa-as como pretexto para falar do presente (ditadura dos anos 60 #), pondo em evidência a luta do Homem contra tirania, a opressão, a traição, a injustiça e a perseguição. Assim, o autor recorreu a um acontecimento histórico com marcas similares ao presente para que o espectador toma-se consciência da sua situação actual. Aliás, o expoente máximo da obra (execução do general e grito de esperança de Matilde) tem como função levar o público a tomar uma posição activa no sentido de modificar a politica vigente.

Stephane Azevedo – 12ºA – Nº23

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“Há homens que lutam um dia, e são bons; Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida, Estes são os imprescindíveis.”

* - Século XIX – 1817: período de agitação social que levou à revolta liberal de 1820; presença da corte no Brasil; senhores da regência; regime absolutista e tirânico; estratificação social; povo oprimido e resignado; miséria, medo, ignorância, conspiração e censura # - Século XX – 1961: período de agitação social dos anos 60; guerra colonial; regime ditatorial; povo oprimido e explorado; miséria, medo, analfabetismo, conspiração, censura e perseguição

Stephane Azevedo – 12ºA – Nº23

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