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O Beijo Sedutor da Serpente

O Beijo Sedutor da Serpente

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ISBN:

978-85-7795-068-3

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Categoria:

Vida Cristã, Esctologia, Ministério,

 

Engano

Editora Naós

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Capa:

Av. Fuad Lutfalla, 1226

Filipe Crespo

02968-000

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Diagramação e editoração:

São Paulo , SP

Ubirajara Crespo

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Tel: (11) 3992-8016

 

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Larissa Vazquez

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1ª edição - Outubro/2010

artigos.

  • 231.6 Crespo, Ubirajara O Beijo Sedutor da Serpente/

M316i

Ubirajara Crespo. São Paulo: Naós, 2010. 96 p. ISBN: 978-85-7795-068-3 1.Vida cristã , 2. Escatologia , 3. Espiritualidade

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO Cordeiro por Fora, Serpente por Dentro O processamento de nossa religiosodade precisa ser feito por

Cordeiro por Fora, Serpente por Dentro

O processamento de nossa religiosodade precisa ser feito por dentro e por fora. “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa,

justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes.” Paulo exibiu sua espiritualidade diante dos olhares humanos e diante de “Deus”, que vê os corações. O que ele mostrou para Deus, mostrou também para todo mundo.

A religiosidade não passa de um fundo falso, construído para esconder aquilo que é realmente importante. Algo que na calada da alma é costurado com muita concentração. É o nosso charco interior. Na camada mais externa mostramos uma aparência de piedade, mas debaixo da tampa escondemos sonhos eróticos, ressentimentos, intrigas e invejas. Quando mencionou o olho impuro e o olhar contaminado pela lascívia, Jesus revelou que antes de ocorrer na fachada, aconteceu debaixo de um fundo falso. Antes de ser praticado, o mal passa por um período de gestação. Não pode haver uma decisão mais desastrada do que a de esperar a poeira abaixar, ou a de deixar como está para ver como é que fica.

Para que serve uma comunidade que não examina, não trata nem cura, mas sentencia? A vida em grupo experimentada por Paulo não pode se restringir à casca, verniz, e retoques no batom - nela escancaramos a porta dos fundos. Se o ambiente for realmente cristão, o pecado não provocará exclusão, mas tratamento. A rejeitada é a encenação. Enquanto o pecado permanecer sob uma máscara litúrgica, jamais será tratado. É

O Beijo sedutor da serpente

o mesmo que tentar esconder o reumatismo com anti-inflamatórios e analgésicos. A dor passa, mas a doença fica.

A necessidade de aceitação nos leva a procurar auditórios que aplaudem personagens dramáticos. Uma relação simbiótica entre o enganador e o amante de ilusões. Vivemos em grupo como se estivéssemos representando um papel que agrada a plateia, mas que não é de verdade. “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.”

Para que a verdade prevaleça, tanto a pessoa quanto a sociedade precisam de cura. Este livro tem por objetivo examinar, diagnosticar e tratar. Que Deus o use para a Sua glória e não para a minha.

O BEIJO DA SEDUÇÃO

O BEIJO DA SEDUÇÃO A batalha não termina quando você perde algo ou alguém, mas quando

A

batalha não termina quando você perde algo ou alguém, mas quando

você perde a si mesmo. De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Acontece, por exemplo, no momento em que o servo se torna árbitro? Segundo Paulo, o perigo é iminente, caso contrário, não precisaríamos ser advertidos:

“Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal” (Cl

2.18).

Esta mudança de hábito ocorre depois que dons e talentos sobem à cabeça e a fonte destas dádivas muda de endereço. Ir da luz para as trevas ou das trevas para a luz é um tráfego que se intensifica na medida em que nos aproximamos do destino final: O Reino definitivo de Yeshua.

No meio deste caminho haverá muita gente trocando de lado, sem trocar de discurso e sem admitir clara e publicamente essa troca. Com o aumento desse trânsito, o engarrafamento tornará difícil saber quem está indo e quem está vindo. O discurso religioso, mesmo desacompanhado da prática, ainda atrai muita gente, por isso não vale a pena abandoná- lo.

Como saber se o discurso é praticado pelo seu apresentador? Pergunta que se torna difícil de ser respondida quando a distância entre o pregador e os seus ouvintes aumenta.

Essa distância é intensificada pela construção de grandes auditórios e pelo cerco do discursador por seguranças, que dificultam a aproximação. Como saber se ele faz o que prega se o que sabemos a seu respeito é o

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O Beijo sedutor da serpente

que diz do palco? O discurso pode ser apenas uma cantada, mais um beijo sedutor da serpente. Reluz, mas não agrega valor; late, mas não morde.

Papagaios percebem que, ao reproduzirem alguns sons, atraem o afago e a admiração de seus expectadores. A alienação é o prato preferido do totalitarismo eclesiástico. Somente ao cair em ouvidos bem informados o discurso sedutor se esvazia. Então vamos esvaziá-lo.

O beijo pode sair pela culatra

A lei da causa e efeito cabe como uma luva em nossas relações interpessoais. Uma ação nossa provoca uma reação no outro. É dando que se recebe, mas se der para receber, atrairá “amigos” que só investem em quem pode dar retorno, assim como você fez com ele.

Da mesma forma, esse efeito bumerangue também funciona em nosso relacionamento com Deus, onde tudo o que vai, volta. O Pai, porém, não nos devolve o mal na mesma proporção, pois seríamos totalmente consumidos.

A sua resposta não é destemperada nem a sua abordagem interesseira, mas justa. Um justo não faz vista grossa para o erro, pois o salário do pecado ainda é a morte. Ele mostra o mal e avisa a respeito das consequências.

O Pai joga areia na fonte do mal e corta o seu abastecimento:

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” (Cl 3.5).

Essa fonte produz material para a construção de um altar para a adoração de si mesmo, a mais nefasta forma de idolatria já inventada.

O hedonista se deixa seduzir por este tipo de beijo, pois visa somente a satisfação pessoal, mesmo que dure apenas um momento ou que alguém pague um alto custo por ele. A Egolatria nos aproxima de pessoas com potencial para nos dar prazer, posição e dinheiro. Aproximo-me da

moça porque é bonita, do empresário porque tem dinheiro e do político porque faz indicações.

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O Beijo da Sedução

O desejo maligno assume várias formas nesse altar, provocando a

ira de Deus. Naquele está a fonte geradora de problemas duráveis e

eternos. O beijo pode sair pela culatra, pois “

por estas coisas é que

... vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]”.

Não se deixe enganar por quem ensina que seu algoz é o diabo e transfere para este a responsabilidade de seus problemas. Se durante uma batalha espiritual você fizer dele o seu alvo principal, desperdiçará munição. Mire no seu próprio pé, a carne é a fonte que precisa secar. Se não balançarmos o bife diante de olhares famintos do inimigo, ele não terá onde jogar os seus dardos.

Vamos terminar esta conversa como Paulo introduziu o assunto, dando a razão pela qual devemos suprimir a nossa natureza carnal:

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória” (Cl 3.4).

A luz produzida por Cristo, durante a sua manifestação, será tão intensa que nada ficará sem ser revelado. Inclusive nós e a verdade a nosso respeito. Estaremos todos debaixo desse holofote. Até aquilo que escondemos debaixo do tapete se manifestará. Podemos jogar toda a sujeira debaixo de cobertas costuradas com linguagem gospel e lacinhos litúrgicos.

A caca vai ser jogada no ventilador.

Para que a nossa natureza terrena não seja denunciada, não adianta disfarçá-la, só matando, só enterrando. Somente debaixo de muitos palmos de terra a carne não se manifestará.

ABERTA A TEMPORADA DE ASSÉDIO A temporada de caça à vitima sempre esteve aberta, mas hoje,

ABERTA A TEMPORADA DE ASSÉDIO

A temporada de caça à vitima sempre esteve aberta, mas hoje, depois

de assumir disfarces geniais, ganhou espaço entre aqueles que foram convocados por Deus para denunciar seus excessos. Refiro-me à religiosidade e suas multifacetadas formas eclesiásticas. Alguns contos do vigário são antigos, como vender bilhete premiado, e ainda existe gente caindo nessa esparrela. A oportunidade de colocar a mão na bufunfa costuma ser tentadora. Muitos golpes são tremendamente criativos, mas apesar de serem muitos, ainda há espaço para inovações, e até para sofisticados arsenais tecnológicos.

A verdadeira armação se esconde atrás de uma isca que oferece a possibilidade de ascensão social e/ou ganho inesperado e fácil. Com esse material a engenharia do golpe monta um esquema que alimenta e mexe com ambições, soberbas e disposição de ultrapassar alguém que parece inocente. O golpista se mostra para a possível vítima desempenhando o papel de ingênuo, bem-intencionado e facilmente manipulável. Uma armação capaz de resgatar alguns de nossos impulsos mais primitivos.

O sucesso da armação depende da arte cênica e da capacidade de manipulação da isca utilizada para atrair a presa. Depende também dos sonhos, desejos e ambições da vítima. Esse espírito já entrou em fortalezas das mais resistentes e o último reduto já caiu. Hoje, podemos afirmar, sem medo de errar, que um dos palcos mais utilizado pelos espertalhões é o auditório religioso.

Tiago 4.1-3: “De onde procedem guerras e contendas 1 que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais 2 e nada tendes; matais, e invejais, e

1 3163 mache. 1) luta ou combate 1a) daqueles em armas, uma batalha 1b) de pessoas em discrepância, adversários, etc., discussão, contenda 1c) disputa.

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Aberta A Temporada De Assédio

nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”

O sistema que rege a vida no Planeta Terra é formado por interesses de etnias, costumes, filosofias, posições políticas, status, ideologias e religiões. Todos disputando territórios que julgam ter o direito de cobiçar. Empresas tentam conquistar fatias cada vez maiores do mercado. Traficantes e milicianos matam pelo controle de pontos de distribuição de drogas. Partidos negociam cargos e costuram alianças. Nações procuram supremacia; e até pedintes, lavadores de para-brisas e malabaristas de farol lutam por espaço nos cruzamentos.

Todos possuem táticas peculiares para a realização de seus sonhos de conquista. Terroristas, por exemplo, fazem atentados contra compatriotas e usam seus corpos como projéteis ideológicos contra nações supostamente opressoras, mas distantes e inatingíveis. Um jeito estranho de fazer guerra, mas tem quem goste.

Neste jogo do poder, vale tudo: articulações, ameaças, alianças, assassinatos, panetone gate, mentiras, formação de quadrilha, corrupção, desvios de verbas, dinheiro na cueca e, em embrulhos com versões gospel, na Bíblia.

Ao nosso redor fervem disputas - verbais, profissionais, sociais, físicas – e agressões armadas. O importante é ganhar a discussão, não importa quem saia ferido. Como aprendizes de feiticeiros, lançamos sobre nós mesmos maldições que não são capazes de serem desfeitas. Construímos costumes sociais que, no final das contas, se voltam contra nós. Poluímos a atmosfera espiritual que também respiramos.

O que está por detrás de tudo isso, senão a vontade de satisfazer uma carne faminta por ganhos extras e doses elevadas de poder?

A cobiça se move por detrás de fachadas cobertas por camadas como aparência de zelo, sobrenaturalidade, emocionalismo, voz trêmula, frases populistas, tremeliques e fervor litúrgico. Tudo preparado para angariar adeptos, aumentar a quantia recolhida, alimentar o estrelismo

2 1937 epithumeo. 1) girar em torno de algo. 2) ter um desejo por, desejar. 3) cobiçar, ansiar. 3a) daqueles que procuram coisas proibidas.

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O Beijo sedutor da serpente

do líder e manter o delírio coletivo. A cobiça, que nem sempre é apenas uma inclinação da carne, mas um demônio, um ser pessoal, nos domina e determina as nossas escolhas. O demônio é atraído por um impulso para satisfazer um desejo de nossa carne. Esse desejo abre uma brecha por onde penetra uma entidade capaz de transformar desejo em obsessão, a qual tenta nos tornar dependentes e escravos dela.

São vários os instrumentos utilizados pelo espírito de cobiça. Um dos mais eficientes é o delírio religioso coletivo. Ele, diga-se de passagem, é um item imprescindível para a construção de massas estimuladas por causas não compreendidas totalmente. Objetivos são expressos por jargões bem montados, mas não mensuráveis. Isso explica a obsessão de grandes pregadores por auditórios que funcionam como batedeiras de pão, onde a massa é manipulada até ganhar a forma desejada. Suas igrejas mais parecem uma padaria, onde o formato é determinado pela fornada. A fornada do ano é a da prosperidade, ano que vem será a da submissão, no seguinte teremos o ano da conquista, e assim por diante. Esses pacotes religiosos são montados com material colhido nos nossos desejos por satisfação carnal, o que deveria ser destruído.

Você já se viu como um ingrediente involuntário dessa massa mesmo sem saber exatamente qual o tipo de bolo que sairia dela? Geralmente o resultado final é que os líderes ficam com o recheio e os ouvintes com o chantili.

Como estes corações são conquistados? A cobiça é o ponto de abordagem, o gancho que leva ao nó final do conto da prosperidade, da submissão e da sacolinha, etc.

A nossa cobiça é o nosso “Calcanhar de Aquiles 3 ”. Oferte mais para ganhar mais, receber a cura e ganhar a sua casa própria. A triste constatação é que o povo tem a cobertura que merece.

3 Calcanhar de Aquiles. O ponto mais vulnerável de uma pessoa ou organização. Referência ao calcanhar do herói lendário Aquiles, da Guerra de Tróia, que teria sido

mergulhado por sua mãe, Tétis, nas águas do rio Estige para protegê-lo. Porém, ao segurar a criança pelo calcanhar direito, impediu essa parte do seu corpo de receber a invulnerabilidade.