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PSI-2211 Circuitos El´etricos I

N´ umeros Complexos, Sinais Senoidais, e Fasores
V´ıtor H. Nascimento
15 de mar¸ co de 2006
1 Introdu¸ c˜ao
N´ umeros complexos s˜ao muito utilizados no estudo (e projeto) de sistemas dinˆamicos lineares,
em particular em teoria de circuitos el´etricos. Vamos aqui procurar mostrar as principais
raz˜oes para a utiliza¸ c˜ao de n´ umeros complexos para modelar circuitos el´etricos lineares.
Nosso roteiro ´e o seguinte: faremos inicialmente uma breve revis˜ao das propriedades de
n´ umeros complexos que ser˜ao importantes para n´os, depois discutiremos em mais detalhes
por que e como usar n´ umeros complexos.
Antes de tudo isso, vamos procurar ver a principal raz˜ao para trabalhar com complexos,
atrav´es de um exemplo bem simples. Considere o circuito da figura 1. Pela 1
a
Lei de
Kirchhoff (que veremos logo mais, e decorre das nossas hip´oteses de conserva¸ c˜ao da carga e
propaga¸ c˜ao instantˆanea da corrente), a corrente i
0
(t) deve ser igual `a soma de i
1
(t) e i
2
(t),
para todo tempo. Como a excita¸ c˜ao do circuito ´e constante, i
1
= E/R
1
e i
2
= E/R
2
s˜ao
constantes, e conclui-se facilmente que
i
0
(t) ≡ i
1
+ i
2
= E
_
1
R
1
+
1
R
2
_
.
2
i
1
i
0
R
2
E
i
1
R

+
Figura 1: Circuito em corrente cont´ınua
O circuito visto pela fonte de tens˜ao, que ocorre freq¨ uentemente como parte de circuitos
maiores, ´e chamado divisor de corrente (cont´ınua). Igualmente freq¨ uente ´e o circuito visto
1
pela fonte de tens˜ao da figura 2, tamb´em um divisor de corrente, mas agora alternada.
Como se sabe, a tens˜ao fornecida pela rede de distribui¸ c˜ao de energia el´etrica ´e senoidal,
com freq¨ uˆencia (no Brasil) de 60Hz. Essa ´e uma das raz˜oes (h´a v´arias outras, que veremos
ao longo deste e de outros cursos) para o interesse em se procurar formas simples de se
analisar circuitos com alimenta¸ c˜ao senoidal, ou seja, em que as tens˜oes e correntes tˆem a
forma (veja a figura 3)
v(t) = E
m
cos(ωt + φ), i(t) = I
m
cos(ωt + θ),
em que
• E
m
e I
m
s˜ao as amplitudes dos sinais senoidais (medidas em volts ou amp`eres, conforme
o caso),
• ω ´e a freq¨ uˆencia angular do sinal (medida em radianos por segundo - rad/s). O per´ıodo
do sinal senoidal ´e
T =

ω
,
e a freq¨ uˆencia c´ıclica (medida em hertz - Hz) ´e o inverso do per´ıodo:
f =
1
T
=
ω

.
+

0
i
R
~ ω E cos( t)
C
i i
R C
Figura 2: Circuito em corrente alternada
Aten¸ c˜ao para n˜ao misturar f e ω! As unidades s˜ao diferentes!
• φ e θ s˜ao as fases dos sinais (medidas em radianos ou em graus
1
).
Repare que, como cos(θ) = cos(θ+k2π), para qualquer k inteiro, v´arios valores diferen-
tes de fase resultam essencialmente no mesmo sinal. Usualmente a fase ´e definida para
1
Um costume bastante comum ´e misturar unidades e escrever, por exemplo, v(t) = 2 cos(2πt +45

) (V,s).
Nesta express˜ ao, a freq¨ uˆencia angular ´e dada em radianos por segundo (ou seus m´ ultiplos): ω = 2π rad/s,
ou f = 1Hz. No entanto, a fase ´e dada em graus! Para saber o valor da tens˜ao em um dado instante de
tempo, por exemplo, t = 1s, deve-se tomar cuidado para se usar apenas uma unidade. Assim,
v(1) = 2 cos(2π.1 + 45.π/180) = 2 cos(2π + π/4) =

2V.
2
0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01
−1
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
0.8
1
t (s)
Período
A
m
p
l
i
t
u
d
e

−θ (°)
_____
360°
⋅ Período
Figura 3: Fun¸ c˜ao senoidal v(t) = sen(400πt + 60

) (V,s).
−π < θ ≤ π ou 0 ≤ θ < 2π, dependendo do gosto de quem escreve, ou da conveniˆencia
para resolver um certo problema. Repare que, na figura 3, o sinal foi definido como
tendo uma fase de 60

, mas o c´alculo indicado pelo gr´afico resultaria em uma fase de
−300

. Como −300 = 60 −360, o ˆangulo ´e o mesmo nos dois casos.
S˜ao portanto necess´arios trˆes parˆametros para descrever uma tens˜ao ou corrente senoidal:
a freq¨ uˆencia, a amplitude, e a fase. Como em diversas aplica¸ c˜oes a freq¨ uˆencia de todos os ge-
radores ´e a mesma e n˜ao varia (60 Hz para a rede de distribui¸ c˜ao, por exemplo), normalmente
pode-se trabalhar com apenas dois parˆametros, amplitude e fase. Uma tens˜ao ou corrente
cont´ınua ´e definida por apenas um parˆametro (um n´ umero real). Como uma fun¸ c˜ao senoidal
de uma dada freq¨ uˆencia ´e definida por dois parˆametros, ela pode ser representada por um
´ unico n´ umero complexo. Como veremos a seguir, isso torna a resolu¸ c˜ao de circuitos RLC
alimentados por geradores senoidais essencialmente igual `a resolu¸ c˜ao de circuitos resistivos
em corrente cont´ınua.
Vamos ver como isso ´e feito em um exemplo: suponha que se saiba que a tens˜ao v(t) do
gerador da figura 2 seja
v(t) = 180 cos(2π60t + 30

)(V,s),
e que R = 1kΩ, C = 1µF. Quanto vale ent˜ao i
0
(t)? Podemos proceder assim: primeira-
mente, como i
R
(t) ´e a corrente em um resistor ideal, sabemos que
i
R
(t) =
v(t)
R
=
180
R
cos(2π60t + 30

)(A,s) = 0,18 cos(2π60t + 30

)(A,s),
ou seja, a corrente no resistor tem as mesmas freq¨ uˆencia e fase da tens˜ao, mas uma amplitude
3
igual a 180/R amp`eres. Para calcular i
C
(t), basta usar a rela¸ c˜ao
i
C
(t) = C
d v(t)
d t
= −180.2π60C sen(2π60t + 30

) =
= 21600πC sen(2π60t −150

),
onde usamos o fato de −sen(x) = sen(x − 180

). Al´em disso, lembrando que sen(x) =
cos(x −90

), podemos escrever
i
C
(t) = 21600πC cos(2π60t −240

) = 0,06786 cos(2π60t −240

).
Agora variaram tanto a amplitude quanto a fase do co-seno, mas novamente a freq¨ uˆencia se
manteve.
Para calcular i
0
(t), basta fazer novamente
i
0
(t) = i
R
(t) + i
C
(t) = 0,18 cos(2π60t + 30

) + 0,06786 cos(2π60t −240

).
´
E poss´ıvel simplificar esta express˜ao? Vendo os gr´aficos de i
R
(t), i
C
(t), e de i
0
(t), apresenta-
dos na figura 4, pode-se notar que i
0
(t) ´e tamb´em um sinal senoidal, com a mesma freq¨ uˆencia
de i
R
(t) e de i
C
(t), mas com amplitude e fase diferentes. Deve portanto ser poss´ıvel escrever
i
0
(t) na forma
i
0
(t) = I
0
cos(2π60t + φ
0
). (1)
O problema agora ´e determinar os valores de I
0
e de φ
0
de uma maneira simples e r´apida.
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03
−0.2
−0.15
−0.1
−0.05
0
0.05
0.1
0.15
0.2
i
r
(t)
i
C
(t)
i
0
(t)
Figura 4: Correntes i
0
, i
R
, e i
C
(amp`eres).
4
Como veremos logo mais, essa maneira simples e r´apida envolve a utiliza¸ c˜ao de n´ umeros
complexos, representando um sinal senoidal qualquer por um n´ umero complexo chamado
fasor. Logicamente, ´e poss´ıvel determinar a amplitude e a fase de i
0
(t) no nosso exemplo
diretamente atrav´es de rela¸ c˜oes trigonom´etricas. No entanto, a representa¸ c˜ao complexa
(fasorial) leva a express˜oes muito f´aceis de lembrar, e permite a generaliza¸ c˜ao de v´arios
conceitos simples usados em corrente cont´ınua para corrente alternada em regime senoidal.
Antes de vermos como fazer isso, vamos `a recorda¸ c˜ao sobre n´ umeros complexos.
2 N´ umeros complexos
Vamos come¸ car com uma recorda¸ c˜ao r´apida de defini¸ c˜oes e opera¸ c˜oes que j´a devem ser
conhecidas de todos. Em seguida trataremos de diferentes formas de se“ver”(ou representar)
um n´ umero complexo, que ser˜ao muito ´ uteis no futuro.
2.1 Defini¸c˜ao e opera¸c˜oes b´asicas
Defini¸ c˜ao
Vamos usar aqui a nota¸ c˜ao usual em Engenharia El´etrica, definindo
2
j

=

−1.
Ou seja, define-se j como sendo um n´ umero que, elevado ao quadrado, resulta em −1. j ´e
chamado um n´ umero imagin´ ario: vocˆe pode ir `a feira e comprar 1,48 bananas, se o vendedor
for paciente, ou at´e mesmo voltar para casa com -1,48 bananas (uma d´ıvida), mas n˜ao h´a
um sentido f´ısico ´obvio para j bananas. No entanto, n´ umeros imagin´arios s˜ao ´ uteis porque
simplificam a resolu¸ c˜ao de diversos problemas — um exemplo ´e a solu¸ c˜ao de circuitos el´etricos
com entradas senoidais, mas h´a diversos outros: usando n´ umeros imagin´arios podemos dizer
que todo polinˆomio p(x) = a
0
+ a
1
x +· · · + a
n
x
n
de grau n tem exatamente n ra´ızes, e que
pode ser fatorado na forma
p(x) = (x −x
1
)(x −x
2
) . . . (x −x
n
).
Isso n˜ao seria verdade se os x
k
fossem restritos apenas a n´ umeros reais.
N´ umeros complexos tˆem v´arias outras utilidades: representar os sinais recebidos em
sistemas de comunica¸ c˜oes digitais [1]; propriedades de fun¸ c˜oes de vari´aveis complexas s˜ao
essenciais para se projetar filtros anal´ogicos e digitais [2] e para encontrar integrais definidas
de fun¸ c˜oes reais complicadas [3]. . . A lista ´e longa.
Um n´ umero complexo z ´e composto por uma parte real e uma parte imagin´ aria, de modo
que, para n´ umeros reais a e b,
z = a + jb.
A parte real de z ´e a, e a parte imagin´aria, b, e escreve-se
Re{z} = a, Im{z} = b.
2
O s´ımbolo

= significa “igual por defini¸ c˜ ao”.
5
Pode-se definir opera¸ c˜oes de adi¸ c˜ao, subtra¸ c˜ao, multiplica¸ c˜ao e divis˜ao de n´ umeros com-
plexos de maneira que todas as propriedades importantes dos n´ umeros reais sejam satisfeitas
tamb´em para os n´ umeros complexos. As defini¸ c˜oes adequadas s˜ao:
Soma e subtra¸c˜ao
Para se somar dois n´ umeros complexos, basta somar as partes reais e imagin´arias corres-
pondentes. Assim, se z
1
= a
1
+ jb
1
e z
2
= a
2
+ jb
2
, ent˜ao
z
3

= z
1
+ z
2
= (a
1
+ a
2
) + j(b
1
+ b
2
),
e portanto,
Re{z
1
+ z
2
} = a
1
+ a
2
, Im{z
1
+ z
2
} = b
1
+ b
2
.
Para a subtra¸ c˜ao z
1
−z
2
, basta inverter os sinais de a
2
e b
2
.
Produto
O produto de um n´ umero complexo z = a + jb por um real c ´e definido por
c · z = (c · a) + j(c · b),
e o produto de dois n´ umeros complexos z
1
= a
1
+ jb
1
e z
2
= a
2
+ jb
2
´e dado por
z
1
· z
2
= a
1
a
2
+ ja
1
b
2
+ jb
1
a
2
+ (j)
2
b
1
b
2
= (a
1
a
2
−b
1
b
2
) + j(a
1
b
2
+ a
2
b
1
).
Divis˜ao e conjuga¸ c˜ao
Para dividir z
1
por z
2
= 0, procede-se assim:
z
1
z
2
=
a
1
+ jb
1
a
2
+ jb
2
=
(a
1
+ jb
1
)(a
2
−jb
2
)
(a
2
+ jb
2
)(a
2
−jb
2
)
=
=
(a
1
a
2
+ b
1
b
2
) + j(a
2
b
1
−a
1
b
2
)
(a
2
+ jb
2
)(a
2
−jb
2
)
=
a
1
a
2
+ b
1
b
2
a
2
2
+ b
2
2
+ j
a
2
b
1
−a
1
b
2
a
2
2
+ b
2
2
.
O n´ umero a
2
−jb
2
usado acima ´e o complexo conjugado de z
2
(indica-se z

2
). De modo geral,
se z = a + jb, ent˜ao
z

= a −jb, Re{z

} = Re{z}, Im{z

} = −Im{z}.
Note que sempre vale
1. z · z

= (Re{z})
2
+ (Im{z})
2
,
2. z + z

= 2Re{z},
3. z −z

= 2jIm{z}.
2.2 Plano complexo e forma polar
Pode-se representar um n´ umero complexo de forma gr´afica atrav´es do plano complexo, em
que o eixo das abcissas representa a parte real, e o das ordenadas, a parte imagin´aria (veja
a figura 5). A partir da figura, nota-se que o n´ umero complexo pode ser representado de
uma maneira alternativa: uma posi¸ c˜ao qualquer no plano complexo pode ser igualmente
6
Im
Re
a
z
φ
r
0
jb
Figura 5: Representa¸ c˜ao de z = a + jb no plano complexo.
fixada dadas tanto as coordenadas retangulares a e b quanto as coordenadas polares, r e φ.
Por conven¸ c˜ao φ ´e o ˆangulo medido em sentido anti-hor´ario, a partir do eixo das abcissas.
Portanto, ˆangulos medidos no sentido hor´ario a partir deste mesmo eixo ser˜ao negativos.
Para converter de um sistema para o outro, basta ver pela figura que o triˆangulo 0az ´e
retˆangulo, e portanto,
r =

a
2
+ b
2
, φ = arctan (b,a) ,
a = r cos(φ), b = r sen(φ),
Dois coment´arios sobre essas express˜oes:
1. O n´ umero r =

a
2
+ b
2
´e chamado m´odulo do n´ umero complexo, e ´e denotado pelo
s´ımbolo | · |:
z = a + jb ⇒|z| =

a
2
+ b
2
.
Repare que podemos escrever o quadrado do m´odulo usando o conjugado de um n´ umero
complexo:
|z|
2
= a
2
+ b
2
= z · z

.
2. Para um n´ umero complexo z, z
2
´e, em geral, diferente de |z|
2
! Por exemplo,
(1 + j2)
2
= 1 −4 + j(2 + 2) = −3 + j4,
mas
|1 + j2|
2
= 1
2
+ 2
2
= 5.
O n´ umero |z|
2
´e sempre real, enquanto que z
2
´e, na maior parte das vezes, um n´ umero
complexo, com parte imagin´aria diferente de zero.
7
3. Note que usamos um s´ımbolo um pouco diferente para o arco-tangente, tratando-o
como uma fun¸ c˜ao de 2 vari´aveis. Isto ´e necess´ario, pois a express˜ao usual arctan(b/a)
n˜ao diferencia pontos no primeiro quadrante de pontos sim´etricos com rela¸ c˜ao ao 0, no
terceiro quadrante; nem pontos no segundo quadrante de pontos no quarto quadrante.
Por exemplo, se a = 1 e b = 1 (z est´a no primeiro quadrante), temos φ = arctan(1/1) =
45

. No entanto, se a = −1 e b = −1 (z est´a no terceiro quadrante), arctan(−1/(−1)) =
45

novamente, mas na verdade dever´ıamos ter φ = −135

. Da mesma forma, se
z
1
= 1 − j ou z
2
= −1 + j, arctan(−1/1) = arctan(1/ − 1) = −45

, mas a fase de z
2
deveria ser +135

.
A fun¸ c˜ao arctan(b,a) ´e definida assim:
φ = arctan(b,a) =
_
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
_
arctan(b/a), se a > 0,
arctan(b/a) −sinal(b/a) · 180

, se a < 0,
90

, se a = 0 e b > 0,
−90

, se a = 0 e b < 0,
0, se a = b = 0.
Em diversas bibliotecas de compiladores, a fun¸ c˜ao acima ´e chamada de arctan2.
Para representar um n´ umero usando coordenadas polares (diz-se que o n´ umero est´a na
forma polar) usa-se a seguinte nota¸ c˜ao:
z = r|φ.
A distˆancia do ponto (a,b) `a origem do plano complexo ´e o m´odulo do n´ umero complexo,
como vimos acima. O ˆangulo φ ´e a fase do n´ umero complexo. Indica-se
r = |z|, φ = |z.
Note que o s´ımbolo para fase tem dois significados: |2 −j2 = −45

significa que a fase do
n´ umero complexo z = 2 − j2 ´e de −45

, enquanto que z
1
= 2|30

indica que a fase de z
1
´e
30

.
Em coordenadas polares tamb´em´e f´acil achar o conjugado de um n´ umero z: basta inverter
o sinal de φ (veja a figura 6):
z

= (r|φ)

= r|−φ.
Veja que usando coordenadas retangulares (a forma retangular do n´ umero complexo)
pode-se calcular facilmente somas e subtra¸ c˜oes de complexos. No entanto, multiplica¸ c˜oes e
divis˜oes s˜ao mais dif´ıceis de calcular na forma retangular. Por outro lado, com a forma polar,
opera¸ c˜oes de multiplica¸ c˜ao e divis˜ao s˜ao extremamente facilitadas (como veremos a seguir),
enquanto que somas e subtra¸ c˜oes ficam mais complicadas.
Para ver como ´e f´acil multiplicar ou dividir dois n´ umeros complexos na forma polar,
considere dois n´ umeros quaisquer, z
1
= r
1

1
e z
2
= r
2

2
. Lembrando que
a
1
= r
1
cos(φ
1
), b
1
= r
1
sen(φ
1
),
a
2
= r
2
cos(φ
2
), b
2
= r
2
sen(φ
2
),
8
Im
Re
a
z
*
−φ
z
φ
r
r
−jb
jb
Figura 6: Conjuga¸ c˜ao de z = r|φ no plano complexo.
vem
z
1
z
2
= r
1
r
2
_
_
cos(φ
1
) cos(φ
2
) −sen(φ
1
) sen(φ
2
)
_
+ j
_
cos(φ
1
) sen(φ
2
) + sen(φ
1
) cos(φ
2
)
_
_
.
Agora basta lembrar que
cos(φ
1
) cos(φ
2
) −sen(φ
1
) sen(φ
2
) = cos(φ
1
+ φ
2
),
cos(φ
1
) sen(φ
2
) + sen(φ
1
) cos(φ
2
) = sen(φ
1
+ φ
2
),
e conclu´ımos que
_
r
1

1
_
·
_
r
2

2
_
= r
1
r
2

1
+ φ
2
,
ou seja, para multiplicar dois n´ umeros complexos na forma polar, basta multiplicar os m´o-
dulos e somar as fases!
Usando este resultado, podemos facilmente achar a express˜ao para divis˜ao:
z
1
z
2
=
r
1

1
r
2

2
z

2
z

2
=
r
1
r
2

1
−φ
2
r
2
2

2
−φ
2
=
r
1
r
2

1
−φ
2
.
Conjugados, partes real e imagin´aria, e m´odulo de um complexo
Vamos mostrar aqui algumas propriedades que usaremos com freq¨ uˆencia. Primeiramente,
lembrando que, se z = a + jb, ent˜ao z

= a −jb, temos
Re{z} = a =
z + z

2
, Im{z} = b =
z −z

2j
. (2)
Escrevendo agora o complexo na forma polar, z = a + jb = r|φ, z

= r|−φ temos,
|z| = r =

a
2
+ b
2
=

z · z

. (3)
9
2.3 F´ormula de Euler
Uma rela¸ c˜ao muito ´ util une a fun¸ c˜ao exponencial `a forma polar de representa¸ c˜ao de com-
plexos: a f´ormula de Euler. Pode-se aceit´a-la de diversas maneiras, veremos duas agora.
Primeiro, considere a fun¸ c˜ao
e
ω
(t) = cos(ωt) + j sen(ωt).
A sua derivada ´e
d e
ω
d t
= −ω sen(ωt) + jω cos(ωt) = jω
_
cos(ωt) + j sen(ωt)
_
= jωe
ω
(t), (4)
ou seja, a derivada de e
ω
(t) ´e proporcional `a pr´opria e
ω
(t). Isso ´e muito semelhante a uma
propriedade da fun¸ c˜ao exponencial:
d e
at
d t
= ae
at
.
Vejamos outra propriedade de e
ω
(t):
e
ω
(t) · e
ν
(t) =
_
cos(ωt) + j sen(ωt)
¸
·
_
cos(νt) + j sen(νt)
¸
=
= cos(ωt) cos(νt) −sen(ωt) sen(νt) + j
_
cos(ωt) sen(νt) + sen(ωt) cos(νt)
¸
.
Lembrando que
cos(a) cos(b) =
1
2
_
cos(a −b) + cos(a + b)
_
,
sen(a) sen(b) =
1
2
_
cos(a −b) −cos(a + b)
_
,
sen(a) cos(b) =
1
2
_
sen(a −b) + sen(a + b)
_
,
(5)
podemos simplificar o resultado anterior assim:
e
ω
(t) · e
ν
(t) =
1
2
_
cos
_
(ω −ν)t
_
+ cos
_
(ω + ν)t
_
−cos
_
(ω −ν)t
_
+ cos
_
(ω + ν)t

+
+ j
1
2
_
sen
_
(ω −ν)t
_
+ sen
_
(ω + ν)t
_
+ sen
_
ν −ω)t
_
+ sen
_
(ν + ω)t

.
Agora vamos usar o fato de que sen(−a) = −sen(a) para cancelar os termos semelhantes:
e
ω
(t)e
ν
(t) = cos
_
(ω + ν)t
_
+ j sen
_
(ω + ν)t
_
= e
ω+ν
(t). (6)
Essa propriedade tamb´em lembra uma propriedade de fun¸ c˜oes exponenciais:
e
at
e
bt
= e
(a+b)t
.
Por analogia, chegamos `a f´ormula de Euler: definimos
e
jx

= cos(x) + j sen(x).
10
Vocˆe pode trabalhar com a fun¸ c˜ao e
jx
como trabalharia com uma exponencial comum, j´a
que as propriedades usuais da fun¸ c˜ao exponencial real ((4) e (6)) s˜ao satisfeitas tamb´em por
e
jx
.
Uma outra forma de se chegar `a f´ormula de Euler ´e usar a decomposi¸ c˜ao em s´erie de
MacLaurin do seno e do co-seno: sabe-se de C´alculo que
e
y
= 1 + y +
y
2
2!
+
y
3
3!
+
y
4
4!
+ . . .
cos(x) = 1 −
x
2
2!
+
x
4
4!

x
6
6!
+ . . .
sen(x) = x −
x
3
3!
+
x
5
5!

x
7
7!
+ . . .
Portanto, se expandirmos cos(x) + j sen(x) usando as express˜oes acima, obteremos
cos(x) + j sen(x) = 1 + jx −
x
2
2!
−j
x
3
3!
+
x
4
4!
+ . . .
Lembrando que j
2
= −1, j
3
= −j, j
4
= 1, etc, a s´erie acima fica
cos(x) + j sen(x) = 1 + (jx) +
(jx)
2
2!
+
(jx)
3
3!
+
(jx)
4
4!
+ . . .
Note que a s´erie `a direita ´e exatamente o que seria obtido se substitu´ıssemos formalmente
y = jx na s´erie para e
y
.
A representa¸ c˜ao de um n´ umero complexo na forma polar tem uma rela¸ c˜ao pr´oxima com
a f´ormula de Euler: podemos descrever um n´ umero complexo z como
z = x + jy = r|φ = r
_
cos(φ) + j sen(φ)
_
= re

.
Esta ´e a chamada forma exponencial do n´ umero complexo, que ´e obviamente essencialmente
a forma polar. Note que, como sen
2
(φ) + cos
2
(φ) = 1 para qualquer ˆangulo, |e

| = 1. Ou
seja, variando φ, e

percorre o c´ırculo unit´ ario no sentido anti-hor´ario, come¸ cando do ponto
z = 1 + j0 (veja a figura 7).
A utilidade da forma exponencial ´e que v´arias propriedades de senos, co-senos, e de
n´ umeros complexos na forma polar podem ser facilmente derivadas usando propriedades da
fun¸ c˜ao e
y
, como por exemplo, lembrando que
e
y
1
e
y
2
= e
y
1
+y
2
,
e que
e
y
1
e
y
2
= e
y
1
−y
2
,
chega-se facilmente `as express˜oes para multiplica¸ c˜ao e divis˜ao de n´ umeros complexos da
forma polar que vimos anteriormente:
_
r
1
e

1
_
·
_
r
2
e

2
_
= (r
1
r
2
)e
j(φ
1

2
)
,
11

e
Im
Re
−j=e
1=e
j=e
j0
−j90°
j90°
cos( ) φ
−j180°
−1=e
j180°
=e
1
φ
φ
j sen( )
Figura 7: C´ırculo unit´ario e e

.
e de maneira an´aloga para divis˜ao,
r
1
e

1
r
2
e

2
=
r
1
r
2
e
j(φ
1
−φ
2
)
.
Usando as rela¸ c˜oes entre parte real, parte imagin´aria e conjugados da equa¸ c˜ao (2), pode-
mos escrever senos e co-senos em fun¸ c˜ao da exponencial complexa (denominadas express˜oes
de De Moivre):
cos(φ) =
e

+ e
−jφ
2
= Re{e

}, sen(φ) =
e

−e
−jφ
2j
= Im{e

}. (7)
Estas rela¸ c˜oes podem ser entendidas tamb´em com a ajuda do c´ırculo unit´ario, veja a
figura 8, onde est˜ao marcados o n´ umero z = e

, seu conjugado z

= e
−jφ
, e −z

= −e
−jφ
=
(−1)e
−jφ
= e
−j(φ−180

)
(usamos a forma exponencial para o n´ umero −1: −1 = cos(180

) +
j sen(180

) = e
j180

).
Como exerc´ıcio, use as f´ormulas de De Moivre para provar as equa¸ c˜oes (5).
12
φ j −
e
φ j −
e
φ
−φ

e
φ
Im
Re
−j=e
1=e
j=e
−1=e
j180°
j0
−j90°
j90°
1
1
cos( ) φ
1
φ
φ −cos( )
φ jsen( )
jsen( )

Figura 8: Rela¸ c˜oes entre seno, co-seno e e

.
3 Fun¸ c˜oes senoidais e fasores
Agora podemos voltar ao nosso problema inicial: como calcular I
0
e φ
0
em (1) de maneira
simples. Usando a forma exponencial de n´ umeros complexos para representar fun¸ c˜oes senoi-
dais, tudo fica simples. Vamos come¸ car usando (7) para escrever
Acos(ωt + φ) = A
e
j(ωt+φ)
+ e
−j(ωt+φ)
2
= Re
_
Ae
j(ωt+φ)
_
. (8)
Vamos agora usar este resultado para resolver o exemplo da se¸ c˜ao 1. Quer´ıamos achar
I
0
e φ
0
que descrevessem a fun¸ c˜ao i
0
(t), que, como vimos na figura 4, ´e senoidal. Ou seja,
precisamos achar I
0
e φ
0
tais que
i
0
(t) = i
R
(t) +i
C
(t) = 0,18 cos(2π60t +30

) +0,06786 cos(2π60t −240

) = I
0
cos(2π60t +φ
0
).
Vamos escrever i
R
(t) e i
C
(t) usando (8):
i
R
(t) = 0,18 cos(2π60t + 30

) = Re
_
0,18e
j(2π60t+30

)
_
= Re
_
0,18e
j30

e
j2π60t
_
,
i
C
(t) = 0,06786 cos(2π60t −240

) = Re
_
0,06786e
j(2π60t−240

)
_
= Re
_
0,06786e
−j240

e
j2π60t
_
.
13
Somando os dois termos, e lembrando que Re{z
1
+ z
2
} = Re{z
1
} +Re{z
2
}, obtemos
i
0
(t) = Re
_
0,18e
j30

e
j2π60t
+0,06786e
−j240

e
j2π60t
_
= Re
_
_
0,18e
j30

+0,06786e
−j240

_
e
j2π60t
_
Somando agora os n´ umeros 0,18e
j30

e 0,06786e
−j240

, obtemos
0,18e
j30

+ 0,06786e
−j240

= 0,18
_
cos(30

) + j sen(30

)
_
+ 0,06786
_
cos(240

) + j sen(240

)
_
=
=
_
0,1559 + j0,09
_
+
_
−0,0339 + j0,0588
_
= 0,1220 + j0,1488 =
= 0,1924e
j50,6564

.
Portanto,
i
0
(t) = Re
_
0,1924e
j50,6564

e
j2π60t
_
= Re
_
0,1924e
j(2π60t+50,6564

)
_
= 0,1924 cos(2π60t+50,6564

).
Este exemplo nos mostra que, ao se somar duas fun¸ c˜oes senoidais de mesma freq¨ uˆencia
(este detalhe ´e importante!)
i
1
(t) = I
1
cos(ωt + φ
1
), e i
2
(t) = I
2
cos(ωt + φ
2
),
o resultado, i
3
(t) = i
1
(t) +i
2
(t) ser´a tamb´em uma fun¸ c˜ao senoidal com a mesma freq¨ uˆencia,
cujas amplitude I
3
e fase φ
3
podem ser calculadas assim:
I
3
cos(ωt + φ
3
) = Re
_
I
3
e

3
e
jωt
_
= Re
_
_
I
1
e

1
+ I
2
e

2
_
e
jωt
_
,
ou seja,
I
3
e

3
= I
1
e

1
+ I
2
e

2
.
Definimos ent˜ao os n´ umeros complexos
ˆ
I
1

= I
1
e

1
,
ˆ
I
2

= I
2
e

2
,
ˆ
I
3

= I
3
e

3
, denominados
fasores das fun¸ c˜oes senoidais i
1
(t), i
2
(t), e i
3
(t). De modo geral, dada uma fun¸ c˜ao
f(t) = F cos(ωt + φ),
o seu fasor correspondente ser´a o complexo
ˆ
F

= Fe

.
Veja que, conhecida f(t), o seu fasor correspondente est´a determinado. Analogamente,
conhecido o fasor
ˆ
F e a freq¨ uˆencia ω, a fun¸ c˜ao f(t) pode ser recuperada.
Opera¸c˜oes com fasores
Dadas as fun¸ c˜oes senoidais f
1
(t) = F
1
cos(ωt + φ
1
), f
2
(t) = F
2
cos(ωt + φ
2
), com os
respectivos fasores
ˆ
F
1
= F
1
e

1
e
ˆ
F
2
= F
2
e

2
,
1. se f(t) = f
1
(t) ±f
2
(t) = F cos(ωt + φ), ent˜ao
ˆ
F = Fe

=
ˆ
F
1
±
ˆ
F
2
,
14
2. se f(t) = c · f
1
(t), onde c ´e um n´ umero real, ent˜ao
ˆ
F = c
ˆ
F
1
=
_
(cF)e

1
, se c ≥ 0,
(|c|F)e
j(φ
1
+180

)
, se c < 0,
3. se
f(t) =
d f
1
(t)
d t
,
ˆ
F = jω
ˆ
F
1
= (ωF
1
)e
j(φ
1
+90

)
,
4. se
f(t) =
_
t
0
f
1
(λ) d λ + f
0
,
onde f
0
´e escolhido de forma que f(t) tenha m´edia nula, ent˜ao
ˆ
F =
1

ˆ
F
1
=
_
F
1
ω
_
e
j(φ
1
−90

)
.
Vemos que somas, subtra¸ c˜oes, derivadas e integrais
a
de sinais senoidais de uma
mesma freq¨ uˆencia resultam sempre em sinais senoidais com a mesma freq¨ uˆencia,
mas com amplitudes e fases distintas. As rela¸ c˜oes fasorias listadas acima podem ser
usadas para calcular essas amplitudes e fases rapidamente.
a
Integrais podem tamb´em dar origem a termos constantes, como veremos logo mais. Estamos
aqui fazendo a hip´ otese (freq¨ uentemente verdadeira) que os valores m´edios de todos os sinais s˜ ao
nulos (ou seja, que os termos constantes s˜ ao iguais a zero).
Verificar as duas primeiras propriedades fica como exerc´ıcio. Para a propriedade 3, temos
f(t) =
d f
1
(t)
d t
= −ωF
1
sen(ωt + φ
1
).
Lembrando que (esta rela¸ c˜ao tamb´em pode ser obtida diretamente do c´ırculo unit´ario)
−sen(x) = Im{−e
jx
} = Re{je
jx
} = Re{e
j(x+90

)
} = cos(x + 90

),
f(t) fica
f(t) = ωF
1
cos(ωt + φ
1
+ 90

),
ou seja,
ˆ
F = (ωF
1
)e
j(φ
1
+90

)
.
Para a propriedade 4, veja que
f(t) =
_
t
0
F
1
cos(ωλ + φ
1
) d λ + f
0
=
_
F
1
ω
sen(ωλ + φ
1
)
_
t
0
+ f
0
=
=
F
1
ω
sen(ωt + φ
1
) −
F
1
ω
sen(φ
1
) + f
0
.
15
Para o resultado ter m´edia nula, f
0
deve ser escolhido como
f
0
=
F
1
ω
sen φ
1
,
resultando em
f(t) =
F
1
ω
sen(ωt + φ
1
) =
F
1
ω
cos(ωt + φ
1
−90

),
em que usamos a rela¸ c˜ao sen(x) = cos(x −90

). Conclu´ımos que
ˆ
F =
_
F
1
ω
_
e
j(φ
1
−90

)
.
4 Rela¸c˜oes fasoriais nos bipolos R, L, e C ideais
Na figura 9 temos um resistor, um indutor e um capacitor ideais, com tens˜oes e correntes
medidas na conven¸ c˜ao do receptor. Vamos come¸ car com o resistor. Suponha que
v
R
(t) = V
R
cos(ωt + φ
R
),
ent˜ao, como deve ser v
R
(t) = Ri
R
(t) para todo t, temos
i
R
(t) +
V
R
R
cos(ωt + φ
R
).
Tomando os fasores de v
R
(t) e de i
R
(t), conclu´ımos que
ˆ
V
R
= V
R
e

R
ˆ
I
R
=
V
R
R
e

R
_

ˆ
V
R
ˆ
I
R
= R
v (t)
v (t)
v (t)
i (t)
i (t) i (t)
R
R
L
L
C
C
a) b) c)
Figura 9: Bipolos R, L, e C ideais.
Suponha que uma tens˜ao
v
C
(t) = V
C
cos(ωt + φ
C
)
seja aplicada ao capacitor. Ent˜ao, lembrando que
i
C
(t) = C
d v
C
d t
(t),
16
e usando a propriedade 3 vista anteriormente, conclu´ımos que
ˆ
V
C
= V
C
e

C
ˆ
I
C
= CjωV
C
e

C
_

ˆ
V
C
ˆ
I
C
=
1
jωC
Para o caso do indutor, podemos usar dualidade: se a corrente no indutor for
i
L
(t) = I
L
cos(ωt + φ
L
),
ent˜ao a tens˜ao ser´a
v
L
(t) = L
d i
L
d t
(t),
e novamente
ˆ
I
L
= I
L
e

L
ˆ
V
L
= LjωI
L
e

L
_

ˆ
V
L
ˆ
I
L
= jωL
Veja que as rela¸ c˜oes fasoriais para indutores e capacitores tˆem a mesma forma que a
Lei de Ohm! Chegamos ent˜ao a uma generaliza¸ c˜ao da Lei de Ohm para sinais senoidais, e
definimos a raz˜ao Z(jω) =
ˆ
V /
ˆ
I em um bipolo como a sua impedˆancia. Portanto, um resistor
ideal com resistˆencia R tem uma impedˆancia puramente real
Z
R
= R.
Um indutor com indutˆancia L tem uma impedˆancia imagin´aria
Z
L
= jωL,
em que ω ´e a freq¨ uˆencia do sinal senoidal (de tens˜ao ou de corrente) sendo aplicado ao
indutor. Finalmente, um capacitor C tem impedˆancia
Z
C
=
1
jωC
= −
j
ωC
.
Da mesma forma que a condutˆancia ´e o inverso da resistˆencia, define-se a admitˆancia de
um bipolo como o inverso de sua impedˆancia (ou, mais diretamente, como a raz˜ao Y (jω) =
ˆ
I/
ˆ
V ). Assim, a admitˆancia de um resistor ´e real e igual `a sua condutˆancia,
Y
R
=
1
R
= G,
a admitˆancia de um indutor ´e
Y
L
=
1
jωL
= −
j
ωL
,
e finamente, a admitˆancia de um capacitor ´e dada por
Y
C
= jωC.
Estas rela¸ c˜oes podem ser usadas para resolver diretamente circuitos com resistores, ca-
pacitores e indutores ideais em que todas as excita¸ c˜oes s˜ao senoidais e de mesma freq¨ uˆencia,
17
usando os mesmos m´etodos aplicados para resolver circuitos resistivos com excita¸ c˜ao cont´ı-
nua, mas trabalhando com n´ umeros complexos em lugar de n´ umeros reais. Vamos ver como,
resolvendo novamente o circuito da figura 2, agora usando fasores.
A tens˜ao do gerador era v(t) = 180 cos(2π60t+30

) (V,s), portanto temos
ˆ
V = 180e
j30

V =
180|30

V. Assim, usando as rela¸ c˜oes acima temos
ˆ
I
R
=
180|30

V
1kΩ
= 0,18|30

A,
ˆ
I
C
= j2π60(1µF)
_
180|30

_
= 0,06786|30

+ 90

= 0,06786|120

A.
e finalmente,
ˆ
I
0
=
ˆ
I
R
+
ˆ
I
C
= 0,1924|50,6564

A,
e
i
0
(t) = 0,1924 cos(2π60t + 50,6564

)(A,s).
Uma d´ uvida que pode surgir aqui ´e a seguinte: usando as rela¸ c˜oes de impedˆancia e
admitˆancia, obtivemos
ˆ
I
C
= 0,06786|120

, no entanto anteriormente hav´ıamos obtido
ˆ
I
C
=
0,06786|−240

! Nada est´a errado: volte para o c´ırculo unit´ario, e verifique que 120

= −240

.
5 S´erie de Fourier
Uma das raz˜oes para estudar a fundo como resolver circuitos com entradas senoidais ´e que
´e poss´ıvel escrever praticamente qualquer fun¸ c˜ao peri´odica como uma soma de sen´oides com
freq¨ uˆencias diferentes. A maneira normalmente mais f´acil de resolver um circuito (linear) em
que a entrada n˜ao ´e senoidal, mas ´e uma fun¸ c˜ao peri´odica qualquer, ´e decompor a entrada
em uma soma de sen´oides de freq¨ uˆencias diferentes, resolver o circuito separadamente para
cada freq¨ uˆencia, e depois somar os resultados parciais para se obter a sa´ıda.
Pode-se fazer isso porque circuitos formados apenas por geradores, resistores, indutores
e capacitores ideais tˆem essa propriedade chamada linearidade, que veremos mais adiante
no curso. O objetivo desta se¸ c˜ao ´e mostrar que formas de onda muito diferentes podem
ser descritas como somas de sen´oides, sem entrar em muitos detalhes sobre a matem´atica
(ou seja, n˜ao vamos mostrar como achar a s´erie de Fourier de um sinal). Isso ser´a visto no
curso de C´alculo IV e nos cursos de Circuitos El´etricos II e Sistemas e Sinais I. Ao longo dos
cursos de Circuitos El´etricos, vocˆe vai ver como usar a decomposi¸ c˜ao de um sinal peri´odico
em sen´oides para resolver circuitos.
Vamos mostrar alguns exemplos.
5.1 Onda triangular
Considere primeiro uma onda triangular, como a da figura 10.
A onda triangular ´e formada por infinitas sen´oides somadas, da seguinte maneira:
s

(t) =
8
π
2
sen(ω
0
t) −
8
(3π)
2
sen(3 · ω
0
t) +
8
(5π)
2
sen(5 · ω
0
t) + . . .
18
−2 −1 0 1 2 3 4 5 6
−1.5
−1
−0.5
0
0.5
1
1.5
t
Figura 10: Onda triangular.
A somat´oria pode tamb´em ser escrita apenas em termos de co-senos, lembrando que sen(a) =
cos(a −90

) e −sen(a) = sen(−a) = sen(a + 180

):
s

(t) =
8
π
2
cos(ω
0
t −90

) +
8
(3π)
2
cos(3 · ω
0
t + 90

) +
8
(5π)
2
cos(5 · ω
0
t −90

) + . . . (9)
A igualdade ´e exata no limite em que o n´ umero de sen´oides no lado direito tende a
infinito. Se tomarmos um n´ umero finito de sen´oides, vamos aproximando s

(t) melhor
`a medida que mais sen´oides s˜ao somadas, como veremos a seguir. Repare que todas as
sen´oides tˆem freq¨ uˆencias m´ ultiplas da freq¨ uˆencia ω
0
da onda triangular: um seno com a
mesma freq¨ uˆencia da onda triangular (chamada freq¨ uˆencia fundamental ), mais outro seno
com o triplo da freq¨ uˆencia (3
a
harmˆonica), mais outro com uma freq¨ uˆencia cinco vezes maior
(a 5
a
harmˆonica), e assim por diante.
Na figura 11 est´a desenhada a onda triangular (no tra¸ co grosso e mais claro) e o primeiro
termo da equa¸ c˜ao (9), no tra¸ co mais fino e escuro. A aproxima¸ c˜ao ainda n˜ao ´e muito boa,
mas melhora bastante na figura 12, que mostra novamente a onda triangular, e agora a soma
dos dois primeiros termos da equa¸ c˜ao (9): a primeira e a terceira harmˆonicas. Finalmente,
na figura 13 est˜ao somadas as harmˆonicas at´e a 19
a
. Veja como j´a ´e dif´ıcil disting¨ uir entre
os dois sinais: o erro de aproxima¸ c˜ao ´e bem pequeno.
Uma onda triangular com per´ıodo T e freq¨ uˆencia ω
0
= 2π/T ´e portanto composta pela
soma de infinitas sen´oides, cada uma com uma amplitude, uma fase e uma freq¨ uˆencia diferen-
tes. As freq¨ uˆencias que aparecem s˜ao todas m´ ultiplas de ω
0
: h´a uma sen´oide na freq¨ uˆencia
ω
0
(chamada de fundamental ), uma outra na freq¨ uˆencia 3ω
0
(a 3
a
harmˆonica), outra na
freq¨ uˆencia 5ω
0
(a 5
a
harmˆonica), e assim por diante. A onda triangular, por uma ques-
t˜ao de simetria, n˜ao possui nenhuma das harmˆonicas pares: as amplitudes das sen´oides de
freq¨ uˆencias 2ω
0
, 4ω
0
, . . . s˜ao todas nulas.
19
−2 −1 0 1 2 3 4 5 6
−1.5
−1
−0.5
0
0.5
1
1.5
t (s)
Figura 11: Onda triangular, aproximada por uma sen´oide.
−2 −1 0 1 2 3 4 5 6
−1.5
−1
−0.5
0
0.5
1
1.5
t (s)
Figura 12: Onda triangular, aproximada pelas 3 primeiras harmˆonicas.
20
−2 −1 0 1 2 3 4 5 6
−1.5
−1
−0.5
0
0.5
1
1.5
t (s)
Figura 13: Onda triangular, aproximada pelas 19 primeiras harmˆonicas.
5.2 Resposta de um circuito RC a uma onda quadrada
O segundo exemplo ´e a tens˜ao em um capacitor, em um circuito RC alimentado por uma
onda quadrada (veja o circuito na figura 14). A tens˜ao do gerador e a tens˜ao v
C
(t) sobre
o capacitor est˜ao representadas nas figuras 15 a 17, juntamente com a soma dos primeiros
termos da s´erie
v
C
(t) =
1
2
+0,5007 cos(ω
0
t−128,1

)+0,0829 cos(3ω
0
t−157

)+0,0314 cos(3ω
0
t−165,7

)+. . .
Novamente, devido `a simetria de v
C
(t) n˜ao aparecem as harmˆonicas pares, mas agora apa-
rece um termo constante (1/2) somado aos co-senos. Esse valor constante ´e chamado de
componente cont´ınua (ou CC, ou DC) do sinal, e ´e igual `a m´edia de v
C
(t) em um per´ıodo.
+

R
C e
q
(t) v
C
(t)
Figura 14: Circuito RC.
21
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
0.8
1
1.2
Figura 15: Sa´ıda do circuito RC, aproximada pela primeira harmˆonica mais o n´ıvel DC. Em
tracejado est´a a onda quadrada do gerador.
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
Figura 16: Sa´ıda do circuito RC, aproximada pelas primeira 3 harmˆonicas mais o n´ıvel DC.
22
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
Figura 17: Sa´ıda do circuito RC, aproximada pelas primeira 11 harmˆonicas mais o n´ıvel DC.
5.3 Sinal musical
Vamos ver outro exemplo: os sinais das figuras 18 a 22 s˜ao de uma nota d´o tocada em
um violino (curva clara), juntamente com suas aproxima¸ c˜oes por s´erie de Fourier com um
n´ umero crescente de harmˆonicas (curvas escuras). Observe como novamente as aproxima¸ c˜oes
v˜ao ficando melhores `a medida que o n´ umero de sen´oides ´e aumentado. A s´erie mostrada
nas figuras ´e
s
vio
(t) = 0,0998 cos(ω
0
t −124,56

) + 0,0413 cos(2ω
0
t + 143,73

)+
+ 0,1051 cos(3ω
0
t + 147,96

) + 0,0785 cos(4ω
0
t + 80,74

)+
+ 0,0260 cos(5ω
0
t −149,74

) + . . .
(10)
em que ω
0
= 2π · 263,022Hz.
5.4 Diferentes formas da s´erie de Fourier
´
E poss´ıvel escrever a s´erie de Fourier de um sinal de v´arias maneiras. Apesar de todas
fornecerem essencialmente a mesma informa¸ c˜ao, algumas apresentam a informa¸ c˜ao de ma-
neira mais clara, ou s˜ao mais convenientes para manipula¸ c˜ ao do que outras. Vamos ver aqui
algumas dessas formas da s´erie de Fourier.
A s´erie de Fourier ´e uma aplica¸ c˜ao de conceitos que vocˆe j´a viu em
´
Algebra Linear:
considere o conjunto L
2
(T) das fun¸ c˜oes s(t) peri´odicas com per´ıodo T e com potˆencia finita,
23
20 25 30 35 40 45
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
t (ms)
Figura 18: Sinal de violino, aproximado por uma sen´oide.
20 25 30 35 40 45
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
t (ms)
Figura 19: Sinal de violino, aproximado pelas 2 primeiras harmˆonicas.
24
20 25 30 35 40 45
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
t (ms)
Figura 20: Sinal de violino, aproximado pelas 4 primeiras harmˆonicas.
20 25 30 35 40 45
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
t (ms)
Figura 21: Sinal de violino, aproximado pelas 7 primeiras harmˆonicas.
25
20 25 30 35 40 45
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
t (ms)
Figura 22: Sinal de violino, aproximado pelas 20 primeiras harmˆonicas.
isto ´e, que satisfazem
s(t + T) = s(t) para todo t [periodicidade],
1
T
_
T
0
s
2
(t) d t < ∞ [potˆencia finita].
Esse conjunto forma um espa¸ co vetorial, pois se s
1
(t) e s
2
(t) pertencerem a L
2
(T), ent˜ao
αs
1
(t) +βs
2
(t) tamb´em pertencer´a a L
2
(T), para quaisquer α, β ∈ R. Vocˆe deve se lembrar
que ´e ´ util conhecer uma base para um espa¸ co vetorial. Acontece que as fun¸ c˜oes
x
0
(t) = 1, x
1
(t) = cos(ω
0
t), y
1
(t) = sen(ω
0
t), x
2
(t) = cos(2ω
0
t), y
2
(t) = sen(2ω
0
t), . . .
formam uma base para L
2
(T), se definirmos ω
0
= 2π/T. Mais do que isso, se vocˆe definir o
produto interno
< s
1
(t), s
2
(t) >=
1
T
_
T
0
s
1
(t)s
2
(t) d t,
´e f´acil ver que a base X =
_
x
0
(t), x
1
(t), y
1
(t), . . .
_
´e ortogonal isto ´e,
< x
n
(t), x
k
(t) > =
_
_
_
1, se k = n, = 0
1
2
, se k = n = 0,
0, se k = n
< y
n
(t), y
k
(t) > =
_
1
2
, se k = n = 0,
0, se k = n
< x
n
(t), y
k
(t) > = 0, para todo n ≥ 0,k ≥ 1.
26
A novidade ´e que precisamos de um n´ umero infinito de vetores (fun¸ c˜oes) em nossa base:
a dimens˜ao de L
2
(T) ´e infinita. No entanto, como em qualquer espa¸ co vetorial, X ser uma
base significa que qualquer fun¸ c˜ao de L
2
(T) pode ser escrita (de maneira ´ unica) como uma
combina¸ c˜ao linear dos elementos da base, isto ´e, dado s(t) ∈ L
2
(T), existe uma seq¨ uˆencia
´ unica de n´ umeros reais α
0
, α
1
, β
1
, α
2
, β
2
, . . . tal que
s(t) = α
0
x
0
(t) + α
1
x
1
(t) + β
1
y
1
(t) + α
2
x
2
(t) + β
2
y
2
(t) + . . . (11)
Isso parece bastante com a s´erie de Fourier, s´o que antes est´avamos escrevendo a fun¸ c˜ao
peri´odica como uma combina¸ c˜ao linear de termos A
k
cos(kω
0
t + φ
k
). Ora, lembrando de
fasores, ´e f´acil de ver que n˜ao h´a diferen¸ ca nenhuma:
α
n
cos(nω
0
t) + β
n
sen(nω
0
t) = A
n
cos(nω
0
t + φ
n
).
Como sen(ω
0
t) = cos(ω
0
t −90

), vale, usando os fasores correspondentes na express˜ao (11):
A
n
e

n
= α
n
e
j0
+ β
n
e
−j90

= α
n
−jβ
n
.
No curso de c´alculo vocˆe vai trabalhar com a s´erie de Fourier escrita em termos de senos e
co-senos com coeficientes α
n
e β
n
reais. Em Engenharia, ´e mais conveniente trabalhar com
a s´erie em termos de co-senos com amplitude e fase (A
n
e φ
n
reais), como na equa¸ c˜ao (10)
(pois ficamos com algo mais pr´oximo dos fasores). Como a transforma¸ c˜ao entre uma forma
e outra ´e simples, isso n˜ao deve causar nenhum problema.
Uma outra forma de escrever a s´erie de Fourier ´e ainda mais f´acil de usar: suponha que
uma certa fun¸ c˜ao f(t) tem a s´erie de Fourier
f(t) = A
0
+ A
1
cos(ω
0
t + φ
1
) + A
2
cos(2ω
0
t + φ
2
) + . . .
Podemos reescrever a s´erie acima em termos de exponenciais, usando as rela¸ c˜oes de De
Moivre: Lembre que
cos(nω
0
t + φ
n
) =
1
2
e
j(nω
0
t+φ
n
)
+
1
2
e
−j(nω
0
t+φ
n
)
=
1
2
e

n
e
jnω
0
t
+
1
2
e
−jφ
n
e
−jnω
0
t
.
Vamos definir constantes complexas c
n
, em que n ´e um n´ umero inteiro qualquer (positivo,
negativo ou zero):
c
0

= A
0
, c
1

=
A
1
2
e

1
, c
−1

=
A
1
2
e
−jφ
1
= c

1
,
c
2

=
A
2
2
e

2
, c
−2

=
A
2
2
e
−jφ
2
= c

2
, . . . .
Assim, podemos escrever f(t) como
f(t) = c
0
+ c
1
e

0
t
+ c
−1
e
−jω
0
t
+ c
2
e
j2ω
0
t
+ c
−2
e
−j2ω
0
t
+ . . .
ou, lembrando que c
−n
= c

n
,
f(t) = c
0
+ c
1
e

0
t
+ c

1
e
−jω
0
t
+ c
2
e
j2ω
0
t
+ c

2
e
−j2ω
0
t
+ . . .
27
Esta ´e a forma exponencial complexa da s´erie de Fourier (j´a que os coeficientes c
n
s˜ao n´ umeros
complexos), e ´e na verdade a maneira mais usual de se trabalhar com a s´erie em Engenharia
El´etrica. Vocˆe vai ver a utilidade de se usar essa forma ao longo deste e dos pr´oximos cursos.
Ao ler esta se¸ c˜ao, vocˆe pode ter ficado com a id´eia de que a s´erie de Fourier ´e apenas
uma ferramenta matem´atica, um truque para descrever um sinal qualquer como uma soma
de sen´oides. N˜ao ´e s´o isso: todas as sen´oides que comp˜oem uma onda triangular, por
exemplo, est˜ao realmente l´a no sinal que aparece no oscilosc´opio ou move o alto-falante
do seu r´adio. Entender isso vai ajudar vocˆe a entender como v´arios sistemas eletrˆonicos
diferentes funcionam. Vocˆe vai ver uma verifica¸ c˜ao experimental disso na experiˆencia 7 de
Pr´aticas de Eletricidade e Eletrˆonica I.
Nos cursos Sistemas e Sinais I e II, vocˆe vai ver que a id´eia de s´erie de Fourier pode
ser estendida tamb´em para sinais n˜ao peri´odicos: a´ı vocˆe n˜ ao vai mais escrever um sinal
como uma soma de sen´oides, mas sim como uma integral de sen´oides, e as id´eias que vocˆe
vai come¸ car a ver agora v˜ao poder ser estendidas para sinais de voz, m´ usica, sinais de
comunica¸ c˜oes de dados, e at´e para imagens.
Referˆencias
[1] PROAKIS, J. G. Digital Communications. [S.l.]: McGraw-Hill, 2001.
[2] ANTONIOU, A. Digital Filters: Analysis, Design, and Applications. 2nd. ed. [S.l.]:
McGraw-Hill, 1993.
[3] LEPAGE, W. R. Complex Variables and the Laplace Transform for Engineers. [S.l.]:
Dover, 1980.
28

pela fonte de tens˜o da figura 2, tamb´m um divisor de corrente, mas agora alternada. a e Como se sabe, a tens˜o fornecida pela rede de distribui¸˜o de energia el´trica ´ senoidal, a ca e e com freq¨ˆncia (no Brasil) de 60Hz. Essa ´ uma das raz˜es (h´ v´rias outras, que veremos ue e o a a ao longo deste e de outros cursos) para o interesse em se procurar formas simples de se analisar circuitos com alimenta¸˜o senoidal, ou seja, em que as tens˜es e correntes tˆm a ca o e forma (veja a figura 3) v(t) = Em cos(ωt + φ), em que • Em e Im s˜o as amplitudes dos sinais senoidais (medidas em volts ou amp`res, conforme a e o caso), • ω ´ a freq¨ˆncia angular do sinal (medida em radianos por segundo - rad/s). O per´ e ue ıodo do sinal senoidal ´ e 2π , T = ω e a freq¨ˆncia c´ ue ıclica (medida em hertz - Hz) ´ o inverso do per´ e ıodo: f= ω 1 = . T 2π i(t) = Im cos(ωt + θ),

i0
+ −

iR
~ E cos(ωt)

iC C

R

Figura 2: Circuito em corrente alternada Aten¸˜o para n˜o misturar f e ω! As unidades s˜o diferentes! ca a a • φ e θ s˜o as fases dos sinais (medidas em radianos ou em graus1 ). a

Repare que, como cos(θ) = cos(θ +k2π), para qualquer k inteiro, v´rios valores diferena tes de fase resultam essencialmente no mesmo sinal. Usualmente a fase ´ definida para e

1 Um costume bastante comum ´ misturar unidades e escrever, por exemplo, v(t) = 2 cos(2πt + 45◦ ) (V,s). e Nesta express˜o, a freq¨ˆncia angular ´ dada em radianos por segundo (ou seus m´ltiplos): ω = 2π rad/s, a ue e u ou f = 1Hz. No entanto, a fase ´ dada em graus! Para saber o valor da tens˜o em um dado instante de e a tempo, por exemplo, t = 1s, deve-se tomar cuidado para se usar apenas uma unidade. Assim, √ v(1) = 2 cos(2π.1 + 45.π/180) = 2 cos(2π + π/4) = 2V.

2

s). ela pode ser representada por um ue e a unico n´mero complexo. Uma tens˜o ou corrente a a cont´ ınua ´ definida por apenas um parˆmetro (um n´mero real). Como veremos a seguir. por exemplo). ca −π < θ ≤ π ou 0 ≤ θ < 2π.6 −0.s). normalmente e a ca pode-se trabalhar com apenas dois parˆmetros. Vamos ver como isso ´ feito em um exemplo: suponha que se saiba que a tens˜o v(t) do e a gerador da figura 2 seja v(t) = 180 cos(2π60t + 30◦ )(V.004 t (s) 0. Como −300 = 60 − 360. como iR (t) ´ a corrente em um resistor ideal.008 Período Amplitude 0. o ˆngulo ´ o mesmo nos dois casos. e a fase.18 cos(2π60t + 30◦ )(A. ou da conveniˆncia e para resolver um certo problema. isso torna a resolu¸˜o de circuitos RLC ´ u ca alimentados por geradores senoidais essencialmente igual ` resolu¸˜o de circuitos resistivos a ca em corrente cont´ ınua. e que R = 1kΩ.01 0.s).2 −0. a e S˜o portanto necess´rios trˆs parˆmetros para descrever uma tens˜o ou corrente senoidal: a a e a a a freq¨ˆncia. Quanto vale ent˜o i0 (t)? Podemos proceder assim: primeiraa mente.8 −1 0 0.2 Figura 3: Fun¸˜o senoidal v(t) = sen(400πt + 60◦ ) (V. amplitude e fase.006 0. a amplitude. sabemos que e iR (t) = v(t) 180 = cos(2π60t + 30◦ )(A. Como uma fun¸˜o senoidal e a u ca de uma dada freq¨ˆncia ´ definida por dois parˆmetros.s) = 0. mas uma amplitude ue a 3 . na figura 3.4 −θ (°) _____ ⋅ Período 360° 0 −0.4 −0. Como em diversas aplica¸˜es a freq¨ˆncia de todos os geue co ue radores ´ a mesma e n˜o varia (60 Hz para a rede de distribui¸˜o. dependendo do gosto de quem escreve.002 0. R R ou seja. mas o c´lculo indicado pelo gr´fico resultaria em uma fase de a a ◦ −300 . o sinal foi definido como tendo uma fase de 60◦ . Repare que.1 0.8 0. C = 1µF .6 0. a corrente no resistor tem as mesmas freq¨ˆncia e fase da tens˜o.

iC (t). Para calcular i0 (t).15 −0. e 4 . podemos escrever iC (t) = 21600πC cos(2π60t − 240◦ ) = 0.2π60C sen(2π60t + 30◦ ) = dt = 21600πC sen(2π60t − 150◦ ). apresentaıvel a a dos na figura 4.15 ir(t) iC(t) i0(t) 0.01 0.015 0.1 0. pode-se notar que i0 (t) ´ tamb´m um sinal senoidal.025 0. Agora variaram tanto a amplitude quanto a fase do co-seno.2 0. com a mesma freq¨ˆncia e e ue de iR (t) e de iC (t).igual a 180/R amp`res.05 0 −0. (1) O problema agora ´ determinar os valores de I0 e de φ0 de uma maneira simples e r´pida. Para calcular iC (t).03 Figura 4: Correntes i0 . e a 0.06786 cos(2π60t − 240◦ ). Deve portanto ser poss´ escrever ıvel i0 (t) na forma i0 (t) = I0 cos(2π60t + φ0 ).2 0 0. e iC (amp`res). ´ E poss´ simplificar esta express˜o? Vendo os gr´ficos de iR (t). mas novamente a freq¨ˆncia se ue manteve.02 0. basta fazer novamente i0 (t) = iR (t) + iC (t) = 0.05 −0. lembrando que sen(x) = e cos(x − 90◦ ). onde usamos o fato de − sen(x) = sen(x − 180◦ ).06786 cos(2π60t − 240◦ ). Al´m disso. basta usar a rela¸˜o e ca iC (t) = C d v(t) = −180. mas com amplitude e fase diferentes.18 cos(2π60t + 30◦ ) + 0. e de i0 (t).005 0.1 −0. iR .

e permite a generaliza¸˜o de v´rios o a ca a conceitos simples usados em corrente cont´ ınua para corrente alternada em regime senoidal. resulta em −1. definindo2 ca e j= ∆ √ −1. e escreve-se e a Re{z} = a. (x − xn ). u a ´ 2. e que pode ser fatorado na forma p(x) = (x − x1 )(x − x2 ) . A lista ´ longa. A parte real de z ´ a. No entanto. a u N´meros complexos tˆm v´rias outras utilidades: representar os sinais recebidos em u e a sistemas de comunica¸˜es digitais [1]. b. u z = a + jb. ou at´ mesmo voltar para casa com -1. 2 Im{z} = b. . . de modo u e a que. define-se j como sendo um n´mero que. representando um sinal senoidal qualquer por um n´mero complexo chamado u fasor. n´meros imagin´rios s˜o uteis porque o u a a ´ simplificam a resolu¸˜o de diversos problemas — um exemplo ´ a solu¸˜o de circuitos el´tricos ca e ca e com entradas senoidais. se o vendedor u a e a for paciente.Como veremos logo mais. c˜ ∆ 5 . Em seguida trataremos de diferentes formas de se “ver” (ou representar) um n´mero complexo. para n´meros reais a e b. a ca u 2 N´ meros complexos u Vamos come¸ar com uma recorda¸˜o r´pida de defini¸˜es e opera¸˜es que j´ devem ser c ca a co co a conhecidas de todos. vamos ` recorda¸˜o sobre n´meros complexos. mas n˜o h´ a a um sentido f´ ısico ´bvio para j bananas. Ou seja. Antes de vermos como fazer isso.1 Defini¸˜o e opera¸˜es b´sicas ca co a Defini¸˜o ca Vamos usar aqui a nota¸˜o usual em Engenharia El´trica. ´ poss´ determinar a amplitude e a fase de i0 (t) no nosso exemplo e ıvel diretamente atrav´s de rela¸˜es trigonom´tricas. Logicamente. propriedades de fun¸˜es de vari´veis complexas s˜o co co a a essenciais para se projetar filtros anal´gicos e digitais [2] e para encontrar integrais definidas o de fun¸˜es reais complicadas [3]. mas h´ diversos outros: usando n´meros imagin´rios podemos dizer a u a que todo polinˆmio p(x) = a0 + a1 x + · · · + an xn de grau n tem exatamente n ra´ o ızes. que ser˜o muito uteis no futuro. . No entanto. Isso n˜o seria verdade se os xk fossem restritos apenas a n´meros reais. e a parte imagin´ria. co e Um n´mero complexo z ´ composto por uma parte real e uma parte imagin´ria. .48 bananas (uma d´ e ıvida). j ´ u e chamado um n´mero imagin´rio: vocˆ pode ir ` feira e comprar 1. O s´ ımbolo = significa “igual por defini¸ao”.48 bananas. essa maneira simples e r´pida envolve a utiliza¸˜o de n´meros a ca u complexos. elevado ao quadrado. a representa¸˜o complexa e co e ca (fasorial) leva a express˜es muito f´ceis de lembrar.

2 2 (a2 + jb2 )(a2 − jb2 ) a2 + b 2 a2 + b 2 2 2 ∗ O n´mero a2 − jb2 usado acima ´ o complexo conjugado de z2 (indica-se z2 ). z + z ∗ = 2Re{z}. basta somar as partes reais e imagin´rias corresu a pondentes.2 Plano complexo e forma polar Pode-se representar um n´mero complexo de forma gr´fica atrav´s do plano complexo. Im{z ∗ } = −Im{z}. ent˜o a z3 = z1 + z2 = (a1 + a2 ) + j(b1 + b2 ). Im{z1 + z2 } = b1 + b2 . z · z ∗ = (Re{z})2 + (Im{z})2 . e o das ordenadas. subtra¸˜o. nota-se que o n´mero complexo pode ser representado de u uma maneira alternativa: uma posi¸˜o qualquer no plano complexo pode ser igualmente ca 6 . a parte imagin´ria (veja a a figura 5). e portanto. A partir da figura. ent˜o a ∆ Re{z1 + z2 } = a1 + a2 . ca Produto O produto de um n´mero complexo z = a + jb por um real c ´ definido por u e c · z = (c · a) + j(c · b). 3. multiplica¸˜o e divis˜o de n´meros comco ca ca ca a u plexos de maneira que todas as propriedades importantes dos n´meros reais sejam satisfeitas u tamb´m para os n´meros complexos. De modo geral. basta inverter os sinais de a2 e b2 . procede-se assim: a1 + jb1 (a1 + jb1 )(a2 − jb2 ) z1 = = = z2 a2 + jb2 (a2 + jb2 )(a2 − jb2 ) (a1 a2 + b1 b2 ) + j(a2 b1 − a1 b2 ) a1 a2 + b 1 b 2 a2 b 1 − a 1 b 2 = = +j . 2. z ∗ = a − jb. 1. Assim. Para a subtra¸˜o z1 − z2 . Note que sempre vale Re{z ∗ } = Re{z}. u e se z = a + jb. e o produto de dois n´meros complexos z1 = a1 + jb1 e z2 = a2 + jb2 ´ dado por u e z1 · z2 = a1 a2 + ja1 b2 + jb1 a2 + (j)2 b1 b2 = (a1 a2 − b1 b2 ) + j(a1 b2 + a2 b1 ). se z1 = a1 + jb1 e z2 = a2 + jb2 . As defini¸˜es adequadas s˜o: e u co a Soma e subtra¸˜o ca Para se somar dois n´meros complexos. em u a e que o eixo das abcissas representa a parte real. 2. z − z ∗ = 2jIm{z}.Pode-se definir opera¸˜es de adi¸˜o. Divis˜o e conjuga¸˜o a ca Para dividir z1 por z2 = 0.

na maior parte das vezes. ca fixada dadas tanto as coordenadas retangulares a e b quanto as coordenadas polares. u e . mas O n´mero |z|2 ´ sempre real. z 2 ´. b = r sen(φ). e portanto. um n´mero u e e u complexo. a √ r = a2 + b 2 . r e φ. com parte imagin´ria diferente de zero. diferente de |z|2 ! Por exemplo. em geral. e ´ denotado pelo u e o u e s´ ımbolo | · |: √ z = a + jb ⇒ |z| = a2 + b2 . ˆngulos medidos no sentido hor´rio a partir deste mesmo eixo ser˜o negativos. a a a Para converter de um sistema para o outro. a partir do eixo das abcissas. Por conven¸˜o φ ´ o ˆngulo medido em sentido anti-hor´rio. ca e a a Portanto. enquanto que z 2 ´. O n´mero r = a2 + b2 ´ chamado m´dulo do n´mero complexo. Repare que podemos escrever o quadrado do m´dulo usando o conjugado de um n´mero o u complexo: |z|2 = a2 + b2 = z · z ∗ . Dois coment´rios sobre essas express˜es: a o √ 1. φ = arctan (b. (1 + j2)2 = 1 − 4 + j(2 + 2) = −3 + j4.Im z r φ 0 a Re jb Figura 5: Representa¸˜o de z = a + jb no plano complexo. a 7 |1 + j2|2 = 12 + 22 = 5. Para um n´mero complexo z. a = r cos(φ).a) . 2. basta ver pela figura que o triˆngulo 0az ´ a e retˆngulo.

Por outro lado. se se se se se a > 0. nem pontos no segundo quadrante de pontos no quarto quadrante. se a = 1 e b = 1 (z est´ no primeiro quadrante). a = 0 e b < 0. a a e o u como vimos acima.    0.3. A fun¸˜o arctan(b. O ˆngulo φ ´ a fase do n´mero complexo. No entanto. com a forma polar. Veja que usando coordenadas retangulares (a forma retangular do n´mero complexo) u pode-se calcular facilmente somas e subtra¸˜es de complexos. a fun¸˜o acima ´ chamada de arctan2. Indica-se a e u r = |z|. . multiplica¸˜es e co co divis˜es s˜o mais dif´ o a ıceis de calcular na forma retangular. mas a fase de z2 deveria ser +135◦ . Por exemplo. temos φ = arctan(1/1) = a ◦ 45 . Da mesma forma. e a u considere dois n´meros quaisquer. 8 b1 = r1 sen(φ1 ). a2 = r2 cos(φ2 ). φ = arctan(b. se a = −1 e b = −1 (z est´ no terceiro quadrante). Note que o s´ ımbolo para fase tem dois significados: |2 − j2 = −45◦ significa que a fase do n´mero complexo z = 2 − j2 ´ de −45◦ . pois a express˜o usual arctan(b/a) ca a e a a n˜o diferencia pontos no primeiro quadrante de pontos sim´tricos com rela¸˜o ao 0. arctan(−1/1) = arctan(1/ − 1) = −45◦ . A distˆncia do ponto (a. No entanto. opera¸˜es de multiplica¸˜o e divis˜o s˜o extremamente facilitadas (como veremos a seguir). a < 0. Lembrando que u a1 = r1 cos(φ1 ). a = b = 0.a) =   −90◦ . a = 0 e b > 0. co ca a a enquanto que somas e subtra¸˜es ficam mais complicadas. Em diversas bibliotecas de compiladores. Isto ´ necess´rio. arctan(−1/(−1)) = a 45◦ novamente. φ = |z. b2 = r2 sen(φ2 ). ca e Para representar um n´mero usando coordenadas polares (diz-se que o n´mero est´ na u u a forma polar) usa-se a seguinte nota¸˜o: ca z = r|φ.a) ´ definida assim: ca e   arctan(b/a). enquanto que z1 = 2|30◦ indica que a fase de z1 ´ u e e 30◦ .b) ` origem do plano complexo ´ o m´dulo do n´mero complexo. co Para ver como ´ f´cil multiplicar ou dividir dois n´meros complexos na forma polar.    arctan(b/a) − sinal(b/a) · 180◦ . tratando-o como uma fun¸˜o de 2 vari´veis. no a e ca terceiro quadrante. se z1 = 1 − j ou z2 = −1 + j.  90◦ . mas na verdade dever´ ıamos ter φ = −135◦ . Note que usamos um s´ ımbolo um pouco diferente para o arco-tangente. Em coordenadas polares tamb´m ´ f´cil achar o conjugado de um n´mero z: basta inverter e e a u o sinal de φ (veja a figura 6): z ∗ = (r|φ)∗ = r|−φ. z1 = r1 |φ1 e z2 = r2 |φ2 .

e m´dulo de um complexo a o Vamos mostrar aqui algumas propriedades que usaremos com freq¨ˆncia. 2 Im{z} = b = z − z∗ . 2j (2) Escrevendo agora o complexo na forma polar. podemos facilmente achar a express˜o para divis˜o: a a ∗ r1 |φ1 z2 r1 r2 |φ1 − φ2 r1 z1 = |φ1 − φ2 . basta multiplicar os m´u o dulos e somar as fases! Usando este resultado. z ∗ = r|−φ temos. ca vem z1 z2 = r1 r2 cos(φ1 ) cos(φ2 ) − sen(φ1 ) sen(φ2 ) + j cos(φ1 ) sen(φ2 ) + sen(φ1 ) cos(φ2 ) . Primeiramente. = = 2 ∗ z2 r2 |φ2 z2 r2 |φ2 − φ2 r2 r1 |φ1 · r2 |φ2 = r1 r2 |φ1 + φ2 . ent˜o z = a − jb. partes real e imagin´ria. ue ∗ lembrando que. para multiplicar dois n´meros complexos na forma polar. e conclu´ ımos que ou seja. z = a + jb = r|φ.Im jb r φ −φ r −jb z* a Re z Figura 6: Conjuga¸˜o de z = r|φ no plano complexo. Conjugados. temos a Re{z} = a = z + z∗ . √ √ |z| = r = a2 + b2 = z · z ∗ . Agora basta lembrar que cos(φ1 ) cos(φ2 ) − sen(φ1 ) sen(φ2 ) = cos(φ1 + φ2 ). 9 (3) . cos(φ1 ) sen(φ2 ) + sen(φ1 ) cos(φ2 ) = sen(φ1 + φ2 ). se z = a + jb.

Isso ´ muito semelhante a uma e a o e propriedade da fun¸˜o exponencial: ca d eat = aeat . A sua derivada ´ e d eω = −ω sen(ωt) + jω cos(ωt) = jω cos(ωt) + j sen(ωt) = jωeω (t). veremos duas agora. Pode-se aceit´-la de diversas maneiras. a derivada de eω (t) ´ proporcional ` pr´pria eω (t). dt Vejamos outra propriedade de eω (t): eω (t) · eν (t) = cos(ωt) + j sen(ωt) · cos(νt) + j sen(νt) = Lembrando que 1 cos(a − b) + cos(a + b) .3 F´rmula de Euler o Uma rela¸˜o muito util une a fun¸˜o exponencial ` forma polar de representa¸˜o de comca ´ ca a ca plexos: a f´rmula de Euler. Essa propriedade tamb´m lembra uma propriedade de fun¸˜es exponenciais: e co eat ebt = e(a+b)t . 2 cos(a) cos(b) = podemos simplificar o resultado anterior assim: eω (t) · eν (t) = 1 cos (ω − ν)t + cos (ω + ν)t − cos (ω − ν)t + cos (ω + ν)t + 2 1 + j sen (ω − ν)t + sen (ω + ν)t + sen ν − ω)t + sen (ν + ω)t . o a Primeiro. 2 1 sen(a) sen(b) = cos(a − b) − cos(a + b) . 10 ∆ (6) . 2 = cos(ωt) cos(νt) − sen(ωt) sen(νt) + j cos(ωt) sen(νt) + sen(ωt) cos(νt) . Por analogia. chegamos ` f´rmula de Euler: definimos a o ejx = cos(x) + j sen(x). considere a fun¸˜o ca eω (t) = cos(ωt) + j sen(ωt). 2 1 sen(a) cos(b) = sen(a − b) + sen(a + b) .2. dt (4) ou seja. (5) Agora vamos usar o fato de que sen(−a) = − sen(a) para cancelar os termos semelhantes: eω (t)eν (t) = cos (ω + ν)t + j sen (ω + ν)t = eω+ν (t).

2! 3! 4! Note que a s´rie ` direita ´ exatamente o que seria obtido se substitu´ e a e ıssemos formalmente y = jx na s´rie para ey . Note que.. se expandirmos cos(x) + j sen(x) usando as express˜es acima. que ´ obviamente essencialmente e u e 2 2 a forma polar. A utilidade da forma exponencial ´ que v´rias propriedades de senos.. etc. 11 . Ou a jφ seja.. 3! 5! 7! ey = 1 + y + Portanto. 2! 3! 4! Lembrando que j 2 = −1.. 2! 4! 6! x3 x5 x7 sen(x) = x − + − + . y2 e chega-se facilmente `s express˜es para multiplica¸˜o e divis˜o de n´meros complexos da a o ca a u forma polar que vimos anteriormente: r1 ejφ1 · r2 ejφ2 = (r1 r2 )ej(φ1 +φ2 ) .. e que ey1 = ey1 −y2 . j 4 = 1. 2! 3! 4! x2 x4 x6 cos(x) = 1 − + − + . |ejφ | = 1. a s´rie acima fica e cos(x) + j sen(x) = 1 + (jx) + (jx)2 (jx)3 (jx)4 + + + . como sen (φ) + cos (φ) = 1 para qualquer ˆngulo. j 3 = −j.. j´ e ca a que as propriedades usuais da fun¸˜o exponencial real ((4) e (6)) s˜o satisfeitas tamb´m por ca a e ejx .. obteremos o cos(x) + j sen(x) = 1 + jx − x3 x4 x2 −j + + . como por exemplo.. e de e a n´meros complexos na forma polar podem ser facilmente derivadas usando propriedades da u fun¸˜o ey ..Vocˆ pode trabalhar com a fun¸˜o ejx como trabalharia com uma exponencial comum. e percorre o c´ ırculo unit´rio no sentido anti-hor´rio. Esta ´ a chamada forma exponencial do n´mero complexo. co-senos. variando φ. lembrando que ca ey1 ey2 = ey1 +y2 . Uma outra forma de se chegar ` f´rmula de Euler ´ usar a decomposi¸˜o em s´rie de a o e ca e MacLaurin do seno e do co-seno: sabe-se de C´lculo que a y2 y3 y4 + + + .. e A representa¸˜o de um n´mero complexo na forma polar tem uma rela¸˜o pr´xima com ca u ca o a f´rmula de Euler: podemos descrever um n´mero complexo z como o u z = x + jy = r|φ = r cos(φ) + j sen(φ) = rejφ . come¸ando do ponto a a c z = 1 + j0 (veja a figura 7).

o co 12 . parte imagin´ria e conjugados da equa¸˜o (2). 2j (7) Estas rela¸˜es podem ser entendidas tamb´m com a ajuda do c´ co e ırculo unit´rio. use as f´rmulas de De Moivre para provar as equa¸˜es (5). jφ2 r2 e r2 Usando as rela¸˜es entre parte real. podeco a ca mos escrever senos e co-senos em fun¸˜o da exponencial complexa (denominadas express˜es ca o de De Moivre): ejφ + e−jφ = Re{ejφ }. veja a a figura 8. a a r1 ejφ1 r1 = ej(φ1 −φ2 ) . onde est˜o marcados o n´mero z = ejφ .Im j=e j sen(φ ) 1 −1=e =e j180° −j180° j90° ej φ cos(φ) φ 1=ej0 Re −j=e −j90° Figura 7: C´ ırculo unit´rio e ejφ . a e de maneira an´loga para divis˜o. seu conjugado z ∗ = e−jφ . e −z ∗ = −e−jφ = a u ◦ (−1)e−jφ = e−j(φ−180 ) (usamos a forma exponencial para o n´mero −1: −1 = cos(180◦ ) + u ◦ j sen(180◦ ) = ej180 ). Como exerc´ ıcio. cos(φ) = 2 ejφ − e−jφ sen(φ) = = Im{ejφ }.

06786 cos(2π60t − 240◦ ) = I0 cos(2π60t + φ0 ). ´ senoidal. ◦ .18ej30 ej2π60t .Im −e −j φ j=e j90° jsen(φ ) 1 1 φ φ 1 jsen( −φ ) −j=e −j90° ej φ −1=e j180° φ −cos(φ ) cos(φ) 1=ej0 Re e −j φ Figura 8: Rela¸˜es entre seno. 2 (8) Vamos agora usar este resultado para resolver o exemplo da se¸˜o 1. Quer´ ca ıamos achar I0 e φ0 que descrevessem a fun¸˜o i0 (t). Ou seja. co 3 Fun¸˜es senoidais e fasores co Agora podemos voltar ao nosso problema inicial: como calcular I0 e φ0 em (1) de maneira simples.18ej(2π60t+30 ◦) = Re 0.06786e−j240 ej2π60t .18 cos(2π60t + 30◦ ) + 0. Usando a forma exponencial de n´meros complexos para representar fun¸˜es senoiu co dais. como vimos na figura 4.06786 cos(2π60t − 240◦ ) = Re 0. Vamos come¸ar usando (7) para escrever c A cos(ωt + φ) = A ej(ωt+φ) + e−j(ωt+φ) = Re Aej(ωt+φ) . que.06786ej(2π60t−240 13 iR (t) = 0. Vamos escrever iR (t) e iC (t) usando (8): iC (t) = 0. tudo fica simples.18 cos(2π60t + 30◦ ) = Re 0. ca e precisamos achar I0 e φ0 tais que i0 (t) = iR (t) + iC (t) = 0. co-seno e ejφ . ◦) ◦ = Re 0.

Analogamente. f2 (t) = F2 cos(ωt + φ2 ). o seu fasor correspondente est´ determinado.1924ej50.1488 = ◦ = 0. 14 I1 ejφ1 + I2 ejφ2 ejωt .1924ej50. conhecida f (t). conhecido o fasor F ue ca Opera¸˜es com fasores co Dadas as fun¸˜es senoidais f1 (t) = F1 cos(ωt + φ1 ).6564 ◦ ◦) ◦ ◦ = 0. obtemos u 0. I3 ejφ3 = I1 ejφ1 + I2 ejφ2 . i2 (t).0339 + j0. a ˆ e a freq¨ˆncia ω.1559 + j0.6564 ej2π60t = Re 0. a e ca ue cujas amplitude I3 e fase φ3 podem ser calculadas assim: I3 cos(ωt + φ3 ) = Re I3 ejφ3 ejωt = Re ou seja.06786e−j240 . 1. I2 = I2 ejφ2 . ao se somar duas fun¸˜es senoidais de mesma freq¨ˆncia co ue (este detalhe ´ importante!) e i1 (t) = I1 cos(ωt + φ1 ). De modo geral. e i2 (t) = I2 cos(ωt + φ2 ).09 + −0. o seu fasor correspondente ser´ o complexo a ˆ ∆ F = F ejφ . I3 = I3 ejφ3 .18ej30 + 0. ent˜o a ˆ ˆ ˆ F = F ejφ = F1 ± F2 .06786e−j240 ej2π60t ◦ ◦ Somando agora os n´meros 0. i0 (t) = Re 0.18 cos(30◦ ) + j sen(30◦ ) + 0. .18ej30 +0. o resultado. i3 (t) = i1 (t) + i2 (t) ser´ tamb´m uma fun¸˜o senoidal com a mesma freq¨ˆncia. dada uma fun¸˜o co ca f (t) = F cos(ωt + φ). e i3 (t). com os co ˆ ˆ respectivos fasores F1 = F1 ejφ1 e F2 = F2 ejφ2 .1924ej(2π60t+50.0588 = 0. obtemos i0 (t) = Re 0.06786e−j240 = 0.18ej30 ej2π60t +0.1220 + j0.06786e−j240 ej2π60t = Re ◦ ◦ ◦ ◦ 0. se f (t) = f1 (t) ± f2 (t) = F cos(ωt + φ). Este exemplo nos mostra que. e lembrando que Re{z1 + z2 } = Re{z1 } + Re{z2 }.6564 .06786 cos(240◦ ) + j sen(240◦ ) = = 0. denominados a u fasores das fun¸˜es senoidais i1 (t). Veja que.6564◦ ). ˆ ∆ ˆ ∆ ˆ ∆ Definimos ent˜o os n´meros complexos I1 = I1 ejφ1 . Portanto.18ej30 e 0. a fun¸˜o f (t) pode ser recuperada.1924 cos(2π60t+50.Somando os dois termos.

ue ue mas com amplitudes e fases distintas. onde c ´ um n´mero real. 4. ou seja. ◦ Vemos que somas. derivadas e integraisa de sinais senoidais de uma co mesma freq¨ˆncia resultam sempre em sinais senoidais com a mesma freq¨ˆncia. veja que F1 sen(ωλ + φ1 ) F1 cos(ωλ + φ1 ) d λ + f0 = f (t) = ω 0 F1 F1 = sen(ωt + φ1 ) − sen(φ1 ) + f0 . dt Lembrando que (esta rela¸˜o tamb´m pode ser obtida diretamente do c´ ca e ırculo unit´rio) a − sen(x) = Im{−ejx } = Re{jejx } = Re{ej(x+90 ) } = cos(x + 90◦ ). ent˜o e e a 1 ˆ ˆ F = F1 = jω F1 ω ej(φ1 −90 ) . Estamos e aqui fazendo a hip´tese (freq¨entemente verdadeira) que os valores m´dios de todos os sinais s˜o o u e a nulos (ou seja. que os termos constantes s˜o iguais a zero). Para a propriedade 4. j(φ1 +180◦ ) (|c|F )e . ω ω 15 t t ◦ ˆ F = (ωF1 )ej(φ1 +90 ) . ent˜o e u a ˆ ˆ F = cF1 = 3. temos f (t) = d f1 (t) = −ωF1 sen(ωt + φ1 ). Integrais podem tamb´m dar origem a termos constantes. se f (t) = c · f1 (t).2. subtra¸˜es. se c ≥ 0. se f (t) = (cF )ejφ1 . dt ◦ ˆ ˆ F = jω F1 = (ωF1 )ej(φ1 +90 ) . d f1 (t) . onde f0 ´ escolhido de forma que f (t) tenha m´dia nula. + f0 = 0 . como veremos logo mais. As rela¸˜es fasorias listadas acima podem ser co usadas para calcular essas amplitudes e fases rapidamente. ◦ f (t) fica f (t) = ωF1 cos(ωt + φ1 + 90◦ ). se f (t) = 0 t f1 (λ) d λ + f0 . Para a propriedade 3. se c < 0. a a Verificar as duas primeiras propriedades fica como exerc´ ıcio.

Suponha que ca c vR (t) = VR cos(ωt + φR ). lembrando que a iC (t) = C d vC (t). R Tomando os fasores de vR (t) e de iR (t). L.Para o resultado ter m´dia nula. Ent˜o. f0 deve ser escolhido como e f0 = resultando em F1 sen φ1 . Suponha que uma tens˜o a vC (t) = VC cos(ωt + φC ) seja aplicada ao capacitor. como deve ser vR (t) = RiR (t) para todo t. com tens˜es e correntes o medidas na conven¸˜o do receptor. Conclu´ ca ımos que f (t) = ˆ F = F1 ω ej(φ1 −90 ) . dt 16 . temos a iR (t) + VR cos(ωt + φR ). e C ideais co Na figura 9 temos um resistor. e C ideais. ω F1 F1 sen(ωt + φ1 ) = cos(ωt + φ1 − 90◦ ). Vamos come¸ar com o resistor. conclu´ ımos que ˆ VR = VR ejφR ˆ IR = VR ejφR R ⇒ ˆ VR =R ˆ IR iR(t) iL(t) iC (t) vR (t) a) b) vL (t) c) vC (t) Figura 9: Bipolos R. ent˜o. ◦ 4 Rela¸˜es fasoriais nos bipolos R. um indutor e um capacitor ideais. L. ω ω em que usamos a rela¸˜o sen(x) = cos(x − 90◦ ).

define-se a admitˆncia de a e e a um bipolo como o inverso de sua impedˆncia (ou. dt Veja que as rela¸˜es fasoriais para indutores e capacitores tˆm a mesma forma que a co e Lei de Ohm! Chegamos ent˜o a uma generaliza¸˜o da Lei de Ohm para sinais senoidais. Finalmente. caco pacitores e indutores ideais em que todas as excita¸˜es s˜o senoidais e de mesma freq¨ˆncia.e usando a propriedade 3 vista anteriormente. um resistor a a ideal com resistˆncia R tem uma impedˆncia puramente real e a ZR = R. e a ca ˆ ˆ definimos a raz˜o Z(jω) = V /I em um bipolo como a sua impedˆncia. mais diretamente. em que ω ´ a freq¨ˆncia do sinal senoidal (de tens˜o ou de corrente) sendo aplicado ao e ue a indutor. Portanto. podemos usar dualidade: se a corrente no indutor for iL (t) = IL cos(ωt + φL ). Um indutor com indutˆncia L tem uma impedˆncia imagin´ria a a a ZL = jωL. jωL ωL e finamente. Assim. a e a a YR = a admitˆncia de um indutor ´ a e 1 = G. co a ue 17 . R 1 j =− . jωC ωC Da mesma forma que a condutˆncia ´ o inverso da resistˆncia. a admitˆncia de um resistor ´ real e igual ` sua condutˆncia. um capacitor C tem impedˆncia a ZC = 1 j =− . a admitˆncia de um capacitor ´ dada por a e YL = YC = jωC. ent˜o a tens˜o ser´ a a a vL (t) = L e novamente ˆ IL = IL ejφL ˆ VL = LjωIL ejφL ⇒ ˆ VL = jωL ˆ IL d iL (t). como a raz˜o Y (jω) = a a ˆ ˆ I/V ). Estas rela¸˜es podem ser usadas para resolver diretamente circuitos com resistores. conclu´ ımos que ˆ VC = VC ejφC ˆ IC = CjωVC ejφC ⇒ ˆ 1 VC = ˆ jωC IC Para o caso do indutor.

06786|30◦ + 90◦ = 0. obtivemos IC = 0.1924 cos(2π60t + 50. da seguinte maneira: e o s∆ (t) = 8 8 8 sen(ω0 t) − sen(3 · ω0 t) + sen(5 · ω0 t) + .s). como a da figura 10. sem entrar em muitos detalhes sobre a matem´tica o a (ou seja.06786|120◦ A. indutores e capacitores ideais tˆm essa propriedade chamada linearidade. π2 (3π)2 (5π)2 18 . e verifique que 120 = −240◦ . ˆ ˆ ˆ I0 = IR + IC = 0. O objetivo desta se¸˜o ´ mostrar que formas de onda muito diferentes podem ca e ser descritas como somas de sen´ides. que veremos mais adiante e no curso. Isso ser´ visto no a e a curso de C´lculo IV e nos cursos de Circuitos El´tricos II e Sistemas e Sinais I.usando os mesmos m´todos aplicados para resolver circuitos resistivos com excita¸˜o cont´ e ca ınua.06786|−240 ! Nada est´ errado: volte para o c´ a ırculo unit´rio.18|30◦ A.6564◦ )(A. no entanto anteriormente hav´ a ◦ ◦ 0.1924|50. mas trabalhando com n´meros complexos em lugar de n´meros reais. agora usando fasores. . IR = 1kΩ ˆ IC = j2π60(1µF ) 180|30◦ = 0. usando as rela¸˜es acima temos co 180|30◦ V ˆ = 0.1 Onda triangular Considere primeiro uma onda triangular.06786|120◦ . n˜o vamos mostrar como achar a s´rie de Fourier de um sinal). Uma d´vida que pode surgir aqui ´ a seguinte: usando as rela¸˜es de impedˆncia e u e co a ˆ ˆ ıamos obtido IC = admitˆncia. portanto temos V = 180ej30 V = a 180|30◦ V. Pode-se fazer isso porque circuitos formados apenas por geradores. Vamos ver como. ◦ ˆ A tens˜o do gerador era v(t) = 180 cos(2π60t+30◦ ) (V. .s). A onda triangular ´ formada por infinitas sen´ides somadas. resolver o circuito separadamente para o ue cada freq¨ˆncia. vocˆ vai ver como usar a decomposi¸˜o de um sinal peri´dico e e ca o em sen´ides para resolver circuitos. ´ decompor a entrada a e e ca o e em uma soma de sen´ides de freq¨ˆncias diferentes. a 5 S´rie de Fourier e Uma das raz˜es para estudar a fundo como resolver circuitos com entradas senoidais ´ que o e ´ poss´ escrever praticamente qualquer fun¸˜o peri´dica como uma soma de sen´ides com e ıvel ca o o freq¨ˆncias diferentes. resistores. e depois somar os resultados parciais para se obter a sa´ ue ıda. e i0 (t) = 0. Ao longo dos a e cursos de Circuitos El´tricos. 5. mas ´ uma fun¸˜o peri´dica qualquer. e finalmente.6564◦ A. Assim. o Vamos mostrar alguns exemplos. u u resolvendo novamente o circuito da figura 2. A maneira normalmente mais f´cil de resolver um circuito (linear) em ue a que a entrada n˜o ´ senoidal.

mais outro com uma freq¨ˆncia cinco vezes maior ue o ue a (a 5 harmˆnica). 2 2 π (3π) (5π)2 (9) A igualdade ´ exata no limite em que o n´mero de sen´ides no lado direito tende a e u o infinito. ue a 19 .5 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 t Figura 10: Onda triangular. por uma quesue o t˜o de simetria. uma outra na freq¨ˆncia 3ω0 (a 3 harmˆnica). A somat´ria pode tamb´m ser escrita apenas em termos de co-senos.5 0 −0. Veja como j´ ´ dif´ disting¨ir entre a o e a e ıcil u os dois sinais: o erro de aproxima¸˜o ´ bem pequeno. lembrando que sen(a) = o e cos(a − 90◦ ) e − sen(a) = sen(−a) = sen(a + 180◦ ): s∆ (t) = 8 8 8 cos(ω0 t − 90◦ ) + cos(3 · ω0 t + 90◦ ) + cos(5 · ω0 t − 90◦ ) + .5 1 0.1. . cada uma com uma amplitude. e agora a soma dos dois primeiros termos da equa¸˜o (9): a primeira e a terceira harmˆnicas. . ca e Uma onda triangular com per´ ıodo T e freq¨ˆncia ω0 = 2π/T ´ portanto composta pela ue e soma de infinitas sen´ides. uma fase e uma freq¨ˆncia difereno ue tes. 4ω0 . ca c ca a e mas melhora bastante na figura 12. e assim por diante.5 −1 −1. . A onda triangular. As freq¨ˆncias que aparecem s˜o todas m´ltiplas de ω0 : h´ uma sen´ide na freq¨ˆncia ue a u a o ue a ω0 (chamada de fundamental ). Repare que todas as a o a sen´ides tˆm freq¨ˆncias m´ltiplas da freq¨ˆncia ω0 da onda triangular: um seno com a o e ue u ue mesma freq¨ˆncia da onda triangular (chamada freq¨ˆncia fundamental ). n˜o possui nenhuma das harmˆnicas pares: as amplitudes das sen´ides de a a o o freq¨ˆncias 2ω0 . . . e assim por diante. outra na ue o freq¨ˆncia 5ω0 (a 5a harmˆnica). o Na figura 11 est´ desenhada a onda triangular (no tra¸o grosso e mais claro) e o primeiro a c termo da equa¸˜o (9). mais outro seno ue ue com o triplo da freq¨ˆncia (3a harmˆnica). A aproxima¸˜o ainda n˜o ´ muito boa. Se tomarmos um n´mero finito de sen´ides. ca o a na figura 13 est˜o somadas as harmˆnicas at´ a 19 . s˜o todas nulas. como veremos a seguir. que mostra novamente a onda triangular. Finalmente. no tra¸o mais fino e escuro. vamos aproximando s∆ (t) melhor u o ` medida que mais sen´ides s˜o somadas.

5 −1 −1.1. o 20 . aproximada por uma sen´ide.5 −1 −1. aproximada pelas 3 primeiras harmˆnicas.5 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 t (s) Figura 11: Onda triangular.5 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 t (s) Figura 12: Onda triangular.5 0 −0.5 1 0.5 1 0.5 0 −0. o 1.

5 0 −0. Esse valor constante ´ chamado de e componente cont´ ınua (ou CC.5007 cos(ω0 t−128.5 −1 −1. aproximada pelas 19 primeiras harmˆnicas. o 5.2 Resposta de um circuito RC a uma onda quadrada O segundo exemplo ´ a tens˜o em um capacitor. 2 Novamente. 21 . e ´ igual ` m´dia de vC (t) em um per´ e a e ıodo.0314 cos(3ω0 t−165. em um circuito RC alimentado por uma e a onda quadrada (veja o circuito na figura 14).0829 cos(3ω0 t−157◦ )+0.5 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 t (s) Figura 13: Onda triangular.5 1 0. juntamente com a soma dos primeiros a termos da s´rie e vC (t) = 1 +0.1. A tens˜o do gerador e a tens˜o vC (t) sobre a a o capacitor est˜o representadas nas figuras 15 a 17. mas agora apaa a o rece um termo constante (1/2) somado aos co-senos. ou DC ) do sinal. devido ` simetria de vC (t) n˜o aparecem as harmˆnicas pares.1◦ )+0. R + eq (t) C vC (t) − Figura 14: Circuito RC.7◦ )+. . .

01 0.2 0. aproximada pela primeira harmˆnica mais o n´ DC.2 0 −0.025 Figura 15: Sa´ do circuito RC. aproximada pelas primeira 3 harmˆnicas mais o n´ DC.005 0.6 0.8 0.7 0.005 0.9 0.2 1 0.2 0 0. Em ıda o ıvel tracejado est´ a onda quadrada do gerador.1 0 0 0.015 0.6 0.025 Figura 16: Sa´ do circuito RC.02 0.8 0.3 0.1. a 1 0. ıda o ıvel 22 .01 0.5 0.015 0.02 0.4 0.4 0.

73◦ )+ + 0.2 0. Apesar de todas e a fornecerem essencialmente a mesma informa¸˜o. ou s˜o mais convenientes para manipula¸ao do que outras.9 0.7 0.01 0.0998 cos(ω0 t − 124.6 0.5 0.96◦ ) + 0. .022Hz.005 0.02 0.015 0.8 0. A s´rie mostrada a a u o e e nas figuras ´ e svio (t) = 0.0413 cos(2ω0 t + 143.4 0.4 Diferentes formas da s´rie de Fourier e ´ E poss´ ıvel escrever a s´rie de Fourier de um sinal de v´rias maneiras. (10) 5.1 0 0 0. Observe como novamente as aproxima¸˜es u o co v˜o ficando melhores ` medida que o n´mero de sen´ides ´ aumentado.025 Figura 17: Sa´ do circuito RC.74◦ ) + . ıda o ıvel 5. Vamos ver aqui a c˜ algumas dessas formas da s´rie de Fourier. e 23 . . e ´ A s´rie de Fourier ´ uma aplica¸˜o de conceitos que vocˆ j´ viu em Algebra Linear: e e ca e a considere o conjunto L2 (T ) das fun¸˜es s(t) peri´dicas com per´ co o ıodo T e com potˆncia finita. em que ω0 = 2π · 263.74◦ )+ + 0. algumas apresentam a informa¸˜o de maca ca neira mais clara.3 Sinal musical Vamos ver outro exemplo: os sinais das figuras 18 a 22 s˜o de uma nota d´ tocada em a o um violino (curva clara).0785 cos(4ω0 t + 80.56◦ ) + 0. aproximada pelas primeira 11 harmˆnicas mais o n´ DC.0260 cos(5ω0 t − 149.1 0. juntamente com suas aproxima¸˜es por s´rie de Fourier com um co e n´mero crescente de harmˆnicas (curvas escuras).1051 cos(3ω0 t + 147.3 0.

4 0. aproximado pelas 2 primeiras harmˆnicas.2 −0.8 20 25 30 35 40 45 t (ms) Figura 19: Sinal de violino.6 −0.4 0.6 0.2 0 −0.2 0 −0. o 0. aproximado por uma sen´ide.0.6 −0.4 −0.4 −0. o 24 .8 20 25 30 35 40 45 t (ms) Figura 18: Sinal de violino.6 0.2 −0.

4 0. aproximado pelas 7 primeiras harmˆnicas.2 0 −0. aproximado pelas 4 primeiras harmˆnicas.2 −0. o 0.0.8 20 25 30 35 40 45 t (ms) Figura 20: Sinal de violino.6 −0.6 0.4 −0.6 0.4 −0. o 25 .2 0 −0.8 20 25 30 t (ms) 35 40 45 Figura 21: Sinal de violino.2 −0.4 0.6 −0.

para todo n ≥ 0. e a e e   1. o isto ´.k ≥ 1. se vocˆ definir o e produto interno 1 T s1 (t)s2 (t) d t.2 0 −0. ent˜o c a αs1 (t) + βs2 (t) tamb´m pertencer´ a L2 (T ). = 0 1 . < s1 (t). aproximado pelas 20 primeiras harmˆnicas. formam uma base para L2 (T ). se k = n < yn (t).4 −0. 0. .0. yk (t) > = se k = n = 0. [potˆncia finita]. x2 (t) = cos(2ω0 t). . s2 (t) >= T 0 ´ f´cil ver que a base X = x0 (t). x1 (t) = cos(ω0 t).4 0. . pois se s1 (t) e s2 (t) pertencerem a L2 (T ).6 −0. y1 (t). e s2 (t) d t < ∞ Esse conjunto forma um espa¸o vetorial. se k = n.2 −0. 26 . < xn (t). yk (t) > = 0. Mais do que isso. se definirmos ω0 = 2π/T . xk (t) > =  2 0. Vocˆ deve se lembrar e a e que ´ util conhecer uma base para um espa¸o vetorial. y1 (t) = sen(ω0 t). se k = n = 0. Acontece que as fun¸˜es e´ c co x0 (t) = 1. 2 < xn (t). y2 (t) = sen(2ω0 t).8 20 25 30 35 40 45 t (ms) Figura 22: Sinal de violino.6 0. se k = n 1 . x1 (t). para quaisquer α. que satisfazem e s(t + T ) = s(t) para todo t 1 T T 0 [periodicidade]. ´ ortogonal isto ´. . . β ∈ R. .

No entanto. . Em Engenharia. como em qualquer espa¸o vetorial. . . lembrando que c−n = c∗ . . α2 . Como sen(ω0 t) = cos(ω0 t − 90◦ ). vale. 2 ∆ A2 −jφ2 = c∗ . Como a transforma¸˜o entre uma forma o ca e outra ´ simples. 1 2 . como na equa¸˜o (10) e ca (pois ficamos com algo mais pr´ximo dos fasores). X ser uma a e c base significa que qualquer fun¸˜o de L2 (T ) pode ser escrita (de maneira unica) como uma ca ´ combina¸˜o linear dos elementos da base. 2 2 2 2 Vamos definir constantes complexas cn . e u negativo ou zero): c 0 = A0 . β1 . em que n ´ um n´mero inteiro qualquer (positivo. .A novidade ´ que precisamos de um n´mero infinito de vetores (fun¸˜es) em nossa base: e u co a dimens˜o de L2 (T ) ´ infinita. usando as rela¸˜es de De e co Moivre: Lembre que 1 1 1 1 cos(nω0 t + φn ) = ej(nω0 t+φn ) + e−j(nω0 t+φn ) = ejφn ejnω0 t + e−jφn e−jnω0 t . usando os fasores correspondentes na express˜o (11): a An ejφn = αn ej0 + βn e−j90 = αn − jβn . 1 2 27 . n f (t) = c0 + c1 ejω0 t + c∗ e−jω0 t + c2 ej2ω0 t + c∗ e−j2ω0 t + . ou. 2 A1 jφ1 e . Assim. ´ mais conveniente trabalhar com e a s´rie em termos de co-senos com amplitude e fase (An e φn reais). . s´ que antes est´vamos escrevendo a fun¸˜o e o a ca peri´dica como uma combina¸˜o linear de termos Ak cos(kω0 t + φk )... No curso de c´lculo vocˆ vai trabalhar com a s´rie de Fourier escrita em termos de senos e a e e co-senos com coeficientes αn e βn reais. Podemos reescrever a s´rie acima em termos de exponenciais. . isto ´. existe uma seq¨ˆncia ca e ue unica de n´meros reais α0 . . Ora. . dado s(t) ∈ L2 (T ). e a Uma outra forma de escrever a s´rie de Fourier ´ ainda mais f´cil de usar: suponha que e e a uma certa fun¸˜o f (t) tem a s´rie de Fourier ca e f (t) = A0 + A1 cos(ω0 t + φ1 ) + A2 cos(2ω0 t + φ2 ) + . lembrando de o ca fasores. . c2 = ∆ ∆ ◦ c1 = c−2 A2 jφ2 e . ´ f´cil de ver que n˜o h´ diferen¸a nenhuma: e a a a c αn cos(nω0 t) + βn sen(nω0 t) = An cos(nω0 t + φn ). α1 . tal que ´ u s(t) = α0 x0 (t) + α1 x1 (t) + β1 y1 (t) + α2 x2 (t) + β2 y2 (t) + .. . (11) Isso parece bastante com a s´rie de Fourier. isso n˜o deve causar nenhum problema. β2 . podemos escrever f (t) como f (t) = c0 + c1 ejω0 t + c−1 e−jω0 t + c2 ej2ω0 t + c−2 e−j2ω0 t + . = e 2 2 ∆ c−1 = ∆ A1 −jφ1 e = c∗ .

Vocˆ vai ver uma verifica¸˜o experimental disso na experiˆncia 7 de e ca e Pr´ticas de Eletricidade e Eletrˆnica I. [2] ANTONIOU. 1993. e at´ para imagens. 1980. A. vocˆ vai ver que a id´ia de s´rie de Fourier pode e e e ser estendida tamb´m para sinais n˜o peri´dicos: a´ vocˆ n˜o vai mais escrever um sinal e a o ı e a como uma soma de sen´ides. 28 .]: McGraw-Hill. G. sinais de c a u comunica¸˜es de dados. Design. Complex Variables and the Laplace Transform for Engineers.]: McGraw-Hill. and Applications. J.]: Dover.l. e as id´ias que vocˆ o o e e vai come¸ar a ver agora v˜o poder ser estendidas para sinais de voz. N˜o ´ s´ isso: todas as sen´ides que comp˜em uma onda triangular. e ´ na verdade a maneira mais usual de se trabalhar com a s´rie em Engenharia e e El´trica. vocˆ pode ter ficado com a id´ia de que a s´rie de Fourier ´ apenas ca e e e e uma ferramenta matem´tica. 2001. R. e e o Ao ler esta se¸˜o. mas sim como uma integral de sen´ides.l. est˜o realmente l´ no sinal que aparece no oscilosc´pio ou move o alto-falante a a o do seu r´dio. [3] LEPAGE. Entender isso vai ajudar vocˆ a entender como v´rios sistemas eletrˆnicos a e a o diferentes funcionam. W. [S.Esta ´ a forma exponencial complexa da s´rie de Fourier (j´ que os coeficientes cn s˜o n´meros e e a a u complexos). Digital Filters: Analysis.l. por o a e o o o exemplo. a o Nos cursos Sistemas e Sinais I e II. um truque para descrever um sinal qualquer como uma soma a de sen´ides. [S. Vocˆ vai ver a utilidade de se usar essa forma ao longo deste e dos pr´ximos cursos. ed. m´sica. 2nd. co e Referˆncias e [1] PROAKIS. Digital Communications. [S.