Autor: Adroaldo Furtado Fabricio

Publicado em: 3/9/2005

justificação teórica dos procedimentos especiais*

Adroaldo Furtado Fabrício Doutor e Livre-Docente pela UFRGS; Advogado no Rio Grande do Sul

SUMÁRIO: 1. Ação, processo e procedimento. 2. Classificação dos procedimentos. 3. Critérios de eleição das causas. 4. Procedimentos especiais e juizados especiais. 5. Procedimentos especiais e autonomia do direito processual. 6. O sistema do CPC em tema de procedimento. 7. Procedimentos especiais na legislação extravagante. 8. Procedimentos especiais e cumulação de pedidos. 9. Conclusões.

1. Ação, processo e procedimento. Na doutrina como na própria legislação, a palavra ação tem-se prestado a variações tão notórias quanto indesejáveis do ponto de vista da precisão da terminologia, até mesmo quando empregada por juristas de tomo ou em um mesmo texto legal. Entre essas múltiplas acepções, mostra-se particularmente persistente na linguagem forense, conquanto já abandonada pelos especialistas, a de “conjunto ou complexo de atos que compõem o juízo”[1], à qual melhor corresponderia a palavra processo. Na busca de um conceito integrado e abrangente, cogitou-se de caraterizar a ação, segundo os cânones lógicos da Escolástica, através da quádrupla abordagem pelos ângulos subjetivo (em que aparece como atributo do sujeito e seria um direito do autor), objetivo (em perspectiva de causa final, na qual a ação é meio ou remédio jurídico), material (onde o conceito de ação se funde com o de pleito ou demanda) e formal (visualizando a ação como série de atos ordenados no sentido da solução do litígio). [2] Mais uma vez, como se pode ver neste último enfoque, recai-se na identificação entre ação e processo, que terminologia atualizada e cuidadosa não tolera. Servem essas considerações para lembrar a origem de expressões tantas vezes repetidas, como “ação ordinária”, “ação especial”, “ação sumária” e assim por diante -- que convém evitar, reservando-se o emprego do termo ao significado com o qual se tornou corrente na doutrina de hoje, ao menos entre os processualistas, a saber, o direito autônomo de agir em face do Estado-juiz a fim de pôr em movimento o aparelho judiciário relativamente a determinada situação jurídica concreta.[3] Há, pois, ações que dão origem a processos cuja tramitação se submeterá a procedimento ordinário, sumário ou especial.[4] Certo, pode-se aceitar, a bem da simplicidade, o emprego da palavra ação também no sentido correspondente ao enfoque “objetivo”, de causa final, da tetralogia escolástica, com o significado de meio ou remédio de que se serve alguém para buscar a tutela daquilo que pensa e afirma ser o seu direito. Visto assim, facilmente se confunde o conceito de ação com o de pretensão de direito material -- embora a distinção seja sempre possível e necessária. É assim que se explica, de resto, o uso repetido e geralmente aceito, no título I do Livro IV do Código de Processo Civil, do vocábulo ação seguido de expressão mais propriamente definidora do bem da vida cujo reconhecimento ou atribuição o autor persegue em juízo, ou da relação jurídico-material por ele afirmada: “ação de consignação em pagamento”, “ação de depósito”, “ação de usucapião” e assim por diante. Contudo, nota-se que a epígrafe do mesmo Livro anuncia procedimentos, nesse particular com impecável correção. Esse é um dos pontos em que o vigente Código se revela superior tecnicamente a toda a legislação precedente, que invariavelmente falava de “processos especiais”. É verdade que o emprego indiscriminado das duas palavras não é raro, mas a distinção existe e cumpre respeitá-la, a bem da clareza das idéias. Com efeito, o processo é o conjunto mesmo dos atos entre si encadeados e orientados no sentido da solução do litígio, ao passo que por procedimento se designam a forma, a ordem e a disposição dos mesmos na série, variáveis segundo as exigências da relação de direito material a ser tratada ou segundo outras necessidades e conveniências que ao legislador tenham impressionado. Com efeito, variáveis e multifários são os provimentos jurisdicionais que podem resultar do processo civil, e a essa multiplicidade corresponde, por vezes, a necessidade de também variarem a quantidade, a substância e a disposição dos atos conducentes àquele resultado. O número, a natureza e a posição relativa que tais atos assumem no conjunto afeiçoam-se às diferenciadas necessidades, determinando ritos ou procedimentos.[5] O procedimento é, pois, o conteúdo cujo continente é o processo; aquele é em relação a este como a dezena em face do número concreto -- que pode ser menor do que a dezena, ou conter mais de uma.[6] Não é correto, pois, afirmar-se que a distinção é meramente “externa e formal”. Ou que o discrime adotado no atual Código de Processo Civil, ao adotar a denominação de procedimentos para designar os de seu Livro IV, só se destinasse a sublinhar a presença, neles, como caraterística própria, de atos específicos que os extremam do “procedimento comum”. Não se perca de vista, aliás, que o diploma legal citado jamais fala de “processo comum”, mas sim e sempre de procedimento comum, inclusive quando cuida de sua subdivisão em ordinário e sumaríssimo. Há um trecho do citado Código onde se usa com exclusividade a palavra “procedimento”, sem jamais aludir a “processo” ou “ação”: o Título II do mesmo Livro IV, relativo à chamada jurisdição voluntária ou graciosa. Esse é um indicativo claro de que o legislador optou por uma diferenciação nítida entre os conceitos: com efeito, em se tratando de “processo” sem contraditório e sem partes, embora se haja tomado o partido, por razões históricas, de manter essas figuras paraprocessuais no Código, o mínimo a fazer-se era deixar clara a natureza atípica das mesmas. A inexistência aí de processo autêntico, concebido como actum tria personarum, com pressuposto na lide, obriga a admitir que só se trata de procedimento, não processo. Bem por isso, aliás, os textos submetidos àquele Título nunca aludem a partes, mas só a interessados. Falamos, pois, de procedimento no sentido em que o direito legislado emprega a palavra, significando forma de proceder. Não rejeitamos a sugestão da doutrina moderna no sentido de que “todo poder se exerce mediante um procedimento, caracterizando-se este como processo, desde que seja feito em contraditório.[7] Mas essa é, certamente, uma outra acepção, baseada em premissas metodológicas diversas daquelas do legislador do CPC e, pois, inadequadas à sua exegese: nessa perspectiva, seria necessário admitir-se que toda atividade estatal se traduzisse em procedimentos, alguns processuais, outros não.

2. Classificação dos procedimentos. Em tema de procedimento (ou rito, ou forma do processo), a técnica legislativa usual é a de começar-se pela definição de um modelo procedimental básico, destinado à adoção na generalidade dos casos, verdadeiro rito-padrão, para se estabelecerem depois, com base nele, as variações por supressão, acréscimo ou modificação de atos, donde resultarão procedimentos mais ou menos distanciados do modelo fundamental, segundo a intensidade e número dessas alterações. Em regra, o procedimento-tipo é formal e solene, procurando cercar o exercício da função jurisdicional das mais amplas garantias e franquear às partes os mais largos caminhos de discussão, de prova e de impugnação das decisões.[8] O procedimento assim estruturado - geralmente denominado comum ou ordinário - serve ao volume maior e principal das causas, às situações mais freqüentes e destituídas de peculiaridades aptas a justificar um tratamento diferenciado. Por outro lado, como já ficou brevemente mencionado, esse procedimento por assim dizer genérico funciona também como um standard básico, seja no sentido de que a partir dele se constróem os outros, específicos, seja porque em numerosos casos a diversidade destes em confronto com aquele é parcial e condicionada, de tal sorte que o trâmite processual, iniciado em forma diferenciada, retorna ao leito comum do rito básico a partir de certo momento ou a depender de uma dada condição. A tudo isso se acresça que, exatamente por terem sido fixados como um modelo, os termos do procedimento especial prevalecem também no especial, na medida em que as regras jurídicas a este pertinentes sejam omissas: vale dizer, as normas do rito genérico enchem os vazios da regulação dos especiais, a estes aplicando-se subsidiariamente. No vigente CPC, o princípio vem expressamente consagrado no seu art. 273. O ordinário (ou comum) não é somente o procedimento de mais largo uso. É também ele que fornece as regras aptas a reger, supletivamente, os demais ritos, nos aspectos em que estes não se achem especificamente disciplinados. Mais: sua caraterística de modelo fundamental e sua aptidão para assegurar as mais amplas garantias fazem dele o procedimento a ser adotado quando o autor pretenda cumular pedidos a que, em princípio, devam corresponder ritos diversos (CPC, art. 292, § 2º). Ao lado do procedimento ordinário ou comum (desconsiderada, neste passo, a terminologia do CPC, para tratamento do tema de lege ferenda), pode-se construir um sumário, ou mais de um, com diferentes graus de sumariedade. Busca-se atender, por essa via, a que, de um lado, em determinadas situações, a própria cognição é sumária, limitada ou provisória, podendo-se por isso dispensar solenidades, abreviar prazos e restringir atuações das partes (sumário substancial); ou, em outra vertente, a que a urgência da prestação jurisdicional em certas causas, a simplicidade real ou presumida de algumas ou a modesta expressão econômica e jurídica de outras apresentam-nas ao espírito do legislador como incompatíveis com a lenta, solene e onerosa tramitação ordinária (sumário formal)[9]. A rigor, no mais lato sentido da expressão, seriam também “especiais” os procedimentos assim construídos, sumários ou sumaríssimos, na medida em que

embora com algumas notas de suma originalidade. verificação das “condições da ação” e assim por diante. freqüentemente se reflete nos domínios do processo. sob os auspícios da respectiva Associação de Juízes (AJURIS). O segundo aspecto da crítica radica no insuperável e fascinante paradoxo de só se poder saber o que há para julgar depois que se julgou. de resto. Também não se nega que a complexidade crescente da economia. questionando em termos estritamente técnico-jurídicos a admissibilidade do procedimento especial como categoria. outrossim. a eventual interpenetração. em alguns casos. em tais casos. a possibilidade de uma correta sistematização. em parte deveras significativa. enriquecido de recursos tecnológicos de há muito disponíveis mas ainda não incorporados a ele. outrossim. qual em leito de Procusto. Para sustentar-se a autonomia do Direito Processual não é necessário negar-lhe o caráter instrumental que todos lhe reconhecem. E não apenas para a identificação do procedimento a ser seguido. particularmente o de Valência.[24] O primeiro ponto da objeção leva longe demais a idéia de autonomia. É bem provável. Aliás. que a rigidez característica dos procedimentos especiais limita a atividade do órgão jurisdicional. Tenha-se presente. que bem poderia seguir o procedimento-padrão. sendo busca da verdade. Nada há de estranho. inclusive com a extensão de sua competência. nos small claim courts da prática norte-americana e talvez nos multisseculares Tribunales de las Aguas de Espanha. até mesmo a simples impaciência do legislador frente à morosidade do aparelhamento judiciário em contraste com a pressão da demanda social . de resto. outrossim. necessidade ou não de oitiva do parquet. com a decorrente redução dos ritos especiais. Isso porque. ao contrário. No Direito Comparado. A crítica aduz. só estariam justificados quando aquele fosse absolutamente inadequado para o tratamento em juízo da matéria considerada. devem ser conduzidos por juízos também especiais. não fora o fato de incorporar medida de ordem nitidamente cautelar. sem dúvida. portanto.representam eles um desvio do modelo fundamental. Procedimentos especiais e juizados especiais. ou para as quais ele representa uma demasia. em um mesmo processo. No Brasil. vem-se impondo rapidamente uma nova categoria. assim como em tempos foi. que melhor se acomodaria no seu campo específico. Procedimentos especiais e autonomia do direito processual. à esfera criminal (Constituição da República. no atinente especificamente às fronteiras entre Direito Material e Direito Processual. verbi gratia. compensando-se-a. pois só ele se justifica plenamente do ponto de vista doutrinário. tudo a pressupor uma concepção também renovada da própria função jurisdicional. uma inesperada utilidade como fecundo laboratório de experiências para soluções e praxes que já começaram a ser absorvidas pelo processo civil “geral” e incorporadas ao dia-a-dia da prática judiciária. Não é provável que se possam sistematizar com êxito os vários motivos que podem levar o legislador à adoção de procedimentos especiais. pretensões de Direito Material). Embora pertença obviamente ao legislador do processo a escolha dessas causas. poderia contribuir para a redução numérica do elenco dos procedimentos especiais. processos da competência originária dos colegiados etc.[20] Mesmo despidos de qualquer autoridade formal. esta cada vez mais inclinada à redução numérica dos tipos procedimentais como imperativo da simplificação e da racionalização. umbilicalmente ligados ao procedimento que para eles se criou. seus equivalentes estariam. ainda em caráter absolutamente informal e sem respaldo legislativo. que a modernização do procedimento ordinário. Nem se defende o meter à força no trâmite ordinário. de mãos dadas com o crônico déficit de recursos materiais à disposição do Judiciário. Critérios de eleição das causas. envolvendo a criação de juízos imbuídos de novas concepções e mentalidade menos comprometida com o passado e com o tradicional. de invasão do processo de conhecimento por elementos pertencentes ao executório ou ao cautelar. E.[13] Não há negar.[23] 5. é que os legisladores não se orientam somente por essa diretriz. interpenetram-se e mutuamente se influenciam. A idéia se impôs pelos seus bons resultados.[14] [seja com base na idéia de “exceções reservadas”. seria incompatível com a idéia de autonomia a diferenciação de procedimento com base nas peculiaridades do direito subjetivo material afirmado pelo autor: representaria isso uma intromissão dos critérios do direito dito “substantivo” na solução de um problema estritamente processual. a mais de serem especiais. e assim precisa ser para . exatamente como fora previsto. razões de conveniência momentânea e local. Disso tivemos exemplo na velha “ação executiva” do nosso primeiro código nacional de processo.[21] como de igual modo antevista fora. de modo a impor a criação de modelos procedimentais igualmente novos. tem-se reservado aquela designação. a pioneira introdução desses procedimentos e juízos. Antes disso. na disciplina do procedimento. tornasse dispensáveis e superados alguns dos atuais procedimentos diferenciados. são seguramente responsáveis. como o da prova e o da legitimatio ad causam. de elementos de diversas modalidades de tutela jurisdicional (de cognição. a morosidade e a ineficiência do pesado e obsoleto processo comum. causas que não podem ser nele eficientemente tratadas. entretanto. a procedimentos instituídos de modo específico e individualizado para o trato de determinadas causas. À parte as objeções já lembradas à adoção de procedimentos especiais e sobretudo à sua descontrolada multiplicação . com a revisão dos procedimentos especiais cuja sobrevivência talvez já não corresponda a uma necessidade real e presente da vida. com vistas a um determinado objetivo e no pressuposto de que a operação de um supõe a presença do seu correspectivo. O peso da tradição histórica. a toda evidência.[11][ 3. Contudo. que talvez tornem a relação jurídico-substancial insuscetível de tratamento judicial eficiente e adequado dentro do procedimento genérico. Autonomia não é antinomia. também em outros aspectos. Assim. mas igualmente para uma vasta gama de efeitos outros: definição da competência do foro e do juízo. prendendo-a a regras rituais determinadas antes mesmo de se saber se as normas de Direito Material invocadas são efetivamente aplicáveis ao caso concreto. Não se trata de simples acréscimo à categoria dos processos que se precisavam acomodar formalmente à configuração diferenciada do órgão julgador (feitos da competência do Tribunal do Júri. influindo. Os campos. mutatis mutandis. a exemplo do Direito Português. por parte dos setores mais ortodoxos da doutrina processual e da comunidade forense. em antagonismo com a recomendação da doutrina. A especialidade do rito não é mais.[19] Não quer isso dizer que se haja optado por uma alternativa à jurisdição do tipo que vem sendo preconizado. em que se atenda. nessa matéria. pela proliferação dos ritos especiais onde nem sempre existe uma verdadeira incompatibilidade com aquele. eventualmente embaraçada por essa pletora de ritos e formas . nos processos submetidos a rito especial. os então chamados “conselhos” alcançaram notável êxito. cuja justificação se encontra na especificidade da relação jurídico-material a ser tratada. aquela dos procedimentos que.[18] O modelo adotado no Brasil corresponde. a eventuais particularidades do Direito Material segundo afirmado pelo autor. 98. Confirmando seu pioneirismo no assunto. submissa a razões sem qualquer compromisso científico.): aqui. O que acima ficou dito sobre a influência. ainda nos limites do aludido critério. continuamente aperfeiçoadas. tudo se tem de basear na razão afirmada pelo autor. A experiência viria a demonstrar que a idéia-força de melhorar as condições de acesso à jurisdição envolvia necessariamente uma nova postura. e por inércia ainda é. com a decorrente multiplicação dos tipos negociais e fatos jurídicos. buscada também por via de uma verdadeira mudança de cultura. o problema de ser ou não ser completa a cognitio não se acha envolvido. I).tudo influi no sentido de retirar da vala comum do rito ordinário um número crescente de “ações”. existindo ainda territórios disputados. em princípio. entretanto.244/84. se fez no Estado do Rio Grande do Sul.[16] O aprimoramento técnico da legislação processual. apenas para exemplificar. da especial configuração da relação jurídica material contenciosa apenas aponta o mais razoável dos critérios e o que talvez devesse ser o único. já não como simples autorização. mais.ligadas a aspectos eminentemente pragmáticos da atividade forense. nem sempre coevas e entre si coerentes. pela razão de ser por hipótese limitado o próprio objeto do pedido. em regra. com as complicações e incongruências decorrentes de múltiplas fontes de influência. Ao lado dos procedimentos especiais de que temos até aqui tratado. [12] A verdade. se isto não ocorre em alguns casos. isto sim. O que pode haver é limitação em extensão da cognitio. mas na figura de determinação imperativa de implantação dos novos órgãos judiciários. Vista desse ângulo a questão. por certo. a ponto de subir sua expressão legislativa à hierarquia de norma constitucional. por razões idênticas. art. a generalização do procedimento ordinário deveria ser a mais ampla possível. desenvolvida pelos mecanismos estatais voltados à composição dos litígios. dúvida que só o julgamento de mérito poderá suprimir em definitivo. especial e exclusivamente. Estes.[17] 4. Se é exato que o processo é eminentemente dialético.[10] Em regra.[15] O que não se pode aceitar é a proliferação caótica e indiscriminada. Estes são conseqüência. a tenaz resistência oferecida então e ainda hoje à inovação. escoimado de seus excessos de formalismo e de solenidade. nada mais é. dessa idéia extrai conseqüências que não são necessárias. e ainda o temos na ação de nunciação de obra nova. de execução e de cautela). Conviria. enquanto tramita. fixação do valor da causa. a mais outra tentativa de fuga à lentidão e complexidade do rito comum e ao congestionamento invencível dos tribunais ordinários. novamente com absoluta primazia nacional. com caráter meramente emergencial. é igualmente claro que só no Direito Material pode ele encontrar os elementos indicadores da necessidade ou conveniência de estabelecê-los em correspondência com determinadas “ações” (rectius. a forçada e indiscriminada adoção de ritos sumários sem a correspondente sumariedade da cognição. que elas nem sempre se apresentam precisas e nítidas. certos setores da doutrina vêem na existência de tais procedimentos uma concessão à idéia de subordinação do Direito Processual ao Direito Material.outra restrição já lhe foi feita no puro plano teórico. além de desconsiderar o grande paradoxo de que o processo. procedimento e juízo são especificamente criados um para o outro. Tal é o caso dos juizados especiais e de pequenas causas. o Rio Grande do Sul veio a ser também o primeiro Estado a editar lei local disciplinando o Sistema de Juizados de Pequenas Causas. suscitando um debate nacional donde se originou a edição da Lei nº 7. seja a partir da intrínseca irredutibilidade de certos procedimentos ao ordinário. tomada como se verdade fosse. que entraria em funcionamento efetivo em 1986. em que a pretensão jurídico-material apresenta peculiaridades tais que exijam uma particular forma de tratamento em juízo. um tanto apressadamente. costuma ser plena em profundidade e. ramos ou departamentos em que se distribui a ciência jurídica não são estanques e incomunicáveis. do que um sistema de verdades provisórias. que se resistisse mais a essa tendência multiplicadora. embora esta acabe por conduzir à suposta sumariedade de todo procedimento especial. uma nova filosofia e uma nova estratégia. do que um expediente de fuga aos inconvenientes do ordinário. o dado é meramente acidental. por alguns especialistas: a atividade da qual se cuida é rigorosamente jurisdicional.[22] Revelou o sistema. institucionalizadora dessa modalidade de prestação jurisdicional. na criação das formas sumárias. A cognição.

permanecendo em leis esparsas. ou para ele importados. Ainda pertencendo ao ramo do Direito cuja codificação se empreende. Disso resultou que muitas dessas regras. quer significar que o autor só será admitido a demandar sob tal procedimento descrevendo uma fattispecie correspondente a algum dos modelos abstratos inseríveis no rito considerado. fazer adotar para todos os pedidos em concurso o rito ordinário. se o pedido deverá ser julgado procedente)[25]. os interesses da economia. § 1º. Nessa perspectiva. Não há confundir a indagação sobre se o procedimento foi adequadamente escolhido (vale dizer. que a incongruência não constava do texto remetido ao Congresso Nacional: foi na Câmara dos Deputados que o artigo recebeu o esdrúxulo acréscimo da parte final. A primeira grande divisão se faz em procedimento comum e especial. Quando se fotografa uma realidade estática ou em movimento lentíssimo (uma montanha. 6. que a cumulação se dê ainda quando inexista tal identidade dos procedimentos prescritos desde que o autor. por vezes deveras surpreendentes e sob epígrafes de todo inadequadas. isto sim. Inexiste. uma vez mais. mas nunca pelo comum. sumário e especial. Pode-se lembrar. a um mínimo de estabilidade e fixidez. Pode suceder que o réu seja interessado. sem o que o réu sequer será citado (arts. que o procedimento especial das ações possessórias enseja ao réu. é consabido que determinados aspectos da realidade social podem achar-se. Outrossim. já se vê. até que se chegue a tal resultado. mediante leis especiais. embora por motivos diversos. art. mesmo que para possibilitar cumulação. 909 e 1. conquanto antiqüíssimos. podem ser em grande parte comprometidos pela existência de procedimentos diferenciados. um cômoro de areia). mediante opção pelo rito ordinário. e portanto disponível a líbito deste. Relativamente a qualquer ação submetida a determinado rito especial. Admite-se. entretanto. conquanto pertencentes ao ramo do Direito coberto pela codificação e razoavelmente estabilizados em sua evolução. de lex specialis de conteúdo misto. Anota-se. já que o autor do anteprojeto tem suportado sozinho e por vezes imerecidamente o peso da crítica. O sistema do Código cria dúvidas sobre qual seja esse standard: o procedimento comum ou o ordinário? Em regra. Não assim quando o objeto fotografado está em mutação ou em movimento rápido (o pôr-do-sol. porém. merecem uma especial atenção do Poder Público em razão da carga de interesse social que nele se envolve. a doutrina contemporânea da ação e de suas condições. o dado importante é a subsidiariedade do leito comum que é o procedimento-padrão: a ele retornam aqueles sempre que não haja regulação específica em sentido diverso. se está ajustado à espécie de pedido formulada) com esta outra sobre se o autor tem realmente o direito que invoca (isto é. das verdades provisórias oferecidas pelas partes. há exigência da prévia justificação de determinados pressupostos. relativamente a cada um deles. determinadas matérias podem e outras devem merecer regulação em separado. procedimento comum. na classificação dos procedimentos. e a de serem todos os procedimentos especiais redutíveis ao ordinário. na ação de substituição de título ao portador e nos embargos de terceiro: na estrutura dos correspondentes ritos especiais. que. o quarto. pois. 8. inc. ao do procedimento. esse papel possa ser desempenhado pelo sumário. que o condenável é o exagero e a desatenção do legislador ao interesse da sistematização e relativa uniformização dos procedimentos. exibe a epígrafe “Dos procedimentos especiais”. sendo. a locação residencial. Em casos como os apontados. por via dela. a fim de que não se caia na situação caótica denunciada por Ramos Méndez[28] e muito semelhante àquela que vivenciamos no Brasil. pode-se contar com a fidelidade da representação fotográfica ao modelo por longo tempo. E não. a extrema impropriedade do art. há um livro intitulado “Do processo de conhecimento” que inclui regras genéricas. Também a realidade social apreendida e normatizada pelo codificador permanecerá por maior ou menor tempo tal como se achava em tal momento. Essas originalidades podem dizer respeito ao Direito Material ou ao Processual. A regra jurídica em foco implica duas idéias: a de que todo procedimento especial é instituído em prol do autor. sem reconvir. Vem a ser essa uma outra e prolífica fonte de procedimentos especiais. condicionante da citação. antes de afirmar-se que o rito especial só interessa ao autor e por isso é sempre unilateralmente disponível. da simplificação e da prevenção de julgados conflitantes. inovou em relação à legislação precedente e até mesmo em face da doutrina assentada. III). nem sempre é de se admitir. pelo menos em teoria. mais especificamente. Cumpre advertir. Sucede que. faculta-se ao autor.[27] incorreto por colocar a categoria dos procedimentos especiais ao lado do processo de conhecimento. pela alusão ao Livro II. porque indispensáveis. mais. a cargo do autor. Há que pensar duas vezes. quiçá mais do que o autor. a essa vertente. desde que efetivamente se trate de institutos diferenciados por alguma das notas apontadas. naturalmente. que dita afirmação tenha de ser sempre verdadeira. mais extensa do que ela. 922). E daí sói resultar a edição. Do ponto de vista dos procedimentos especiais. Mas. verbi gratia.[26] Objeção semelhante pode ser feita ao art. em princípio. Por outro lado -. outro livro. a substituição do rito. O legislador do Código pensou poder prescindir de uma “parte geral” em que se reunissem as disposições aplicáveis à generalidade dos processos. Tanto em um como em outro caso. segundo o grau de estabilidade que tenha alcançado em cada um dos seus aspectos particulares. encerra proposição de todo em todo incorreta. é igualmente certo que eles se vocacionam a uma certa permanência temporal. pois as duas primeiras classes se agrupam sob a denominação de comum. Daí que a expressão procedimento comum não se refere a um determinado rito ou forma processual. o próprio legislador incidiu algumas vezes) que resulta da falsa sinonímia entre comum e ordinário: aquela classe contém esta subclasse. não é menos certo que lhe é impossível prescindir. aplicáveis inclusive a outros processos que não o de conhecimento. evitar a confusão (na qual. em que a angularização da relação processual só se pode dar após satisfeito algum requisito. Nenhuma vantagem prática se extrai dessa complicação classificatória. se o prefere. aliás. que faz entender seja o “procedimento ordinário” o mesmo para os processos de declaração e executório. só em um segundo momento. O sistema do CPC em tema de procedimento.há determinadas “ações” intrínseca e irredutivelmente submetidas ao procedimento especial. designa. merecem especial atenção alguns institutos recentemente elaborados pelo Direito legislado nacional. 270. Ora. Tendo em conta sobretudo o interesse da economia. o sistema incorporado ao CPC. Exemplo da primeira espécie poderia ser o contrato de alienação fiduciária: da segunda. é o que se dá. como se estes fossem todos estranhos ao processo de cognição. restaram perdidas e dispersas em vários pontos do texto. com as . que aqui nos interessam prioritariamente. vai surgir menção ao procedimento ordinário. É de justiça ressaltar. aliás. mas mesmo aquelas se comunicam inevitavelmente ao campo do processo e. do executório e do cautelar. em fase transitiva ou de rápida mutação. As codificações não costumam ser exaustivas. sem anuência do réu.e esse é o ponto que ora mais interessa -. Procedimentos especiais e cumulação de pedidos. Pode-se até admitir que. mais. Assim. portanto. 274. Bastaria lembrar um exemplo dramático: o mandado de segurança. Todos esses equívocos decorrem da inexistência de uma parte geral. pela razão já mencionada de não existir. tendo abrangência geral muitas de suas regras. postular a proteção interdital para a sua própria posse e a indenização de danos (art.050 do CPC). talvez residam todo o tormento e a glória toda dos operadores e estudiosos do processo. impraticável a conversão para o ordinário. embora tenham os Códigos também o escopo de reunir em um só corpo de normas. nem mesmo devem aspirar a semelhante objetivo. A própria menção ao Livro I é despropositada. Resulta. É igualmente exato que determinados institutos jurídicos. convém lembrar. e aludindo algumas outras. O ponto de contato entre os dois temas está em que a acumulação objetiva de demandas está condicionada à identidade de rito ao qual se deva submeter a tramitação de cada um dos pedidos formulados (CPC. quando a lei do processo remete ao Direito Material para a identificação das hipóteses do seu cabimento. Não se pode negar legitimidade. 7. o que desaconselharia a sua inclusão no código. Casos há. como se constituíssem aqueles uma quarta classe pertencente à mesma catalogação em que se inserem as demais. será o ordinário. um campo de neve). já que ali não se cuida apenas do procedimento ordinário. que elas são também inacumuláveis com outras sujeitas a diverso procedimento. pois. Nisso se baseia. regendo tanto os aspectos de Direito Material quanto aqueles pertinentes ao processo. a procedimento diverso do ordinário. enseje a uniformização procedimental. de resto. claramente. conquanto não esteja a opção condicionada à anuência do demandado. e por isso ainda em fase de desenvolvimento ou adaptação. é no modelo geral que se buscam as regras para encher os vazios da regulamentação dos especiais e é sobre a plataforma comum que se constróem as formas diferenciadas. além de absolutamente desnecessário. E nisso. como é da tradição e da doutrina. 292. Os resultados dessa salutar política legislativa. todas as disposições pertinentes a determinada área jurídica. pelo menos o segundo desses postulados não é de aceitar-se com tal amplitude. com implícita renúncia ao procedimento especial a priori indicado para algum ou alguns deles. Procedimentos especiais da legislação extravagante. a regulação dos institutos não se integra ao direito codificado. Como quer que seja. uma tripartição em ordinário. A esse resultado nosso Código só chega em duas etapas distintas de classificação. de modo ordenado e sistemático. as leis do processo autorizam e de certo modo estimulam a cumulação de pedidos no mesmo processo. para determinadas situações excepcionais. como subclassificação. na adoção de procedimento diverso do ordinário[29]. Importa. No fito de favorecer a cumulação e. são marcados por singularidades de tal ordem que não passariam sem dano pelo processo de uniformização sistêmica que a codificação supõe.alcançar seu objetivo final de superação do litígio segundo o Direito. no momento da codificação. como categoria concreta. Desnecessário porque não precisa a lei anunciar previamente do que vai tratar a seguir. Ou indagar-se da possibilidade de processar-se ordinariamente uma ação de usucapião. integrando juntamente com o sumaríssimo aquela primeira categoria. pois. bem como alguns outros que. uma categoria abstrata que abarca dois tipos de procedimento.

Fenech.. é que se mantenham procedimentos específicos para as causas submetidas aos juizados especiais e de pequenas causas. 1942. recuam frente a certas hipóteses[32]. nº 247. Porto Alegre. Fazzalari. Rio de Janeiro. Samuel Amaral. 1972. Barcelona. Pontes de. Montevidéu. Ronaldo Cunha. Cappelletti. O que se impõe é uma criteriosa seleção dos casos para os quais o trâmite ordinário seria realmente inadequado ou superabundante em atos e formalidades. 9. II. ––. Igualmente justificável. Milão. Cândido. 1990. a incidência do art. “Aspectos gerais dos procedimentos especiais em face do novo Código de Processo Civil”. Rivista Trimestrale di Diritto Pubblico. vol. 3ª ed.. El proceso penal. 2ª ed. “La reforma de los procesos civiles especiales”. 292. Conclusões. trad. trad. ou em contemplação do interesse público. Isso não significa. Comentários ao Código de Processo Civil.. Mario. III. Barcelona. independentemente do consensus partium.vale dizer. p. Istituzioni di diritto processuale. ou de ajustar ao procedimento genérico atos e prazos como os do seu art. Fundamentos do processo civil moderno. Também se justifica. o critério dessa seleção terá sempre de levar em conta as particulares necessidades do trato em juízo da relação de direito material considerada. parágr. Rio de Janeiro. Valencia. ––. Francisco Ramos. “Extinção do processo e mérito da causa”. El tribunal de las aguas de Valencia y su proceso. Aroldo Plínio..crítica . t. t. Fabrício. VIII. desde que essa é apenas uma das muitas e inevitáveis opções que só se podem fazer a partir dessa referência. João Mendes de. Direito processual civil. Rio de Janeiro. 3ª ed. em verdade. Dini. t. 1974. São Paulo.imanentes e impostergáveis providências do art. Revista Forense. Benvenutti. 1992. 1980. vol. Adroaldo Furtado . 1986. É do maior interesse. Luiz Antônio de.. Garth. Miranda. Alcides de Mendonça. 915. 1975. F. . Comentários ao Código de Processo Civil (de 1973). Madrid. Friedrich. procedimento. Código de processo civil. vol. Cappelletti. Guillén. § 2º. A acumulabilidade de ações a que correspondem diferentes formas de processo . 2ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil (de 1939). Rio de Janeiro. 1987. Temas del ordenamento procesal.exegese. Rio de Janeiro. de aparência igualmente liberal e irrestrita. Diritto processuale civile tedesco. p. IX. trad. 1974-1978. 1945. 1987. Rio de Janeiro. Justiça distributiva e aplicação do direito. Em princípio. A. Ricci. Não compromete de modo algum a autonomia do direito processual a existência de procedimentos cuja escolha se determina pela natureza da pretensão de direito material. Já o Código de 1939 continha norma similar à enfocada (art. 1969. Revista Brasileira de Direito Processual. e Garth. que os ritos especiais se reduzam a número bem menor do que o atualmente existente. Rio de Janeiro. ––. de acordo. 1973. no volume Saneamento do processo -. Lima. nº I. Gonçalves. ––. 4ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. La denunzia di dano temuto. Victor Fairén. São Paulo. aliás. Francesco.. Galeno Lacerda. João. “Processo. processo”. Barros. 1958-1962.só é possível. Andrade. 1983. Madrid. 1975. cumulações requeridas sob a invocação daquele dispositivo[31]. e por isso não codificados. Bryan. 1962. São Paulo. Carnelutti. Plauto Faracco de. 6ª ed. La Plata. Azevedo. ––. 2ª ed.. Bryan. Comentários ao Código de Processo Civil. Miguel. Aspectos e inovações do Código de Processo Civil. Técnica processual e teoria do processo. 1989. Instituciones del nuevo proceso civil italiano. El acceso a la justicia. A instrumentalidade do processo. 1983. 3ª ed. Rio de Janeiro. 1946. VIII. 44-45 (item 15). 1940 (também consultada a 2ª ed. 13. O Poder Judiciário e a nova Constituição. Pádua.estudos em homenagem ao Prof. Méndez. V. Campos. ––. II. 1918). 1978. não apenas a bem da simplificação e da operacionalidade do processo. Justicia. porém. ––. embora não na enorme quantidade hoje conhecida. 1994.. (Abril de 1994) BIBLIOGRAFIA Almeida Júnior. Dinamarco. e recomendável mesmo. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Couture. 1992. com máxima ênfase na simplificação. I. Rio de Janeiro. E mesmo os setores da doutrina que prestigiam sem ressalvas o chamado princípio da preferibilidade do rito ordinário e da plena disponibilidade do procedimento. Elio. único). São Paulo. Lima. Manual das pequenas causas. oralidade e busca da conciliação. 155. Nápoles. Bonumá. mas também na busca do aprimoramento técnico do sistema. Mauro. Lent. 3ª ed.. . Rio de Janeiro. 942 do CPC[30]. C. El juicio ordinario y los plenarios rápidos. ––. Lacerda. Proyecto de Código de Procedimiento Civil. Eduardo Juan. que se deva condenar ao desaparecimento essa categoria. “Funzione amministrativa. com uma tendência mundial. Paulo C. Guasp. 1989. Feliciano. vol. quando entre os procedimentos envolvidos não se ache nenhum dos irredutíveis ao ordinário ou dos instituídos também no interesse e benefício do demandado. Doutrina e prática do procedimento sumaríssimo. procedimento e direito material”. por impossibilidade de uniformização do rito. É aceitável que leis extravagantes regulem no mesmo texto os aspectos de direito material e aqueles de processo atinentes ao mesmo instituto. a prescrição legal de procedimentos especiais para determinadas causas ligadas a institutos de direito material ainda não completamente sedimentados na legislação nacional. Hamilton de Moraes e. Direito judiciário brasileiro. Galeno. 1952. 1953. Mas os tribunais cedo descobriram a irredutibilidade de alguns procedimentos especiais ao ordinário e tiveram de vetar.

e a excelente lição de Galeno Lacerda sobre o princípio da adequação. Rocha. 307-308. Miguel Fenech. Tourinho Filho. 13ª ed. Plauto Faracco de Azevedo. 2ª ed. AJURIS. Baptista da. Baptista da Silva. Comentários ao Código de Processo Civil. p. pedindo argumentos a Elio Fazzalari. Galeno Lacerda. A instrumentalidade do processo. 1968. Reis. procedimento. 272 e segs. Rezende Filho. Clóvis do Couto e. “Sobre el proyecto de nuevo Código de Procedimiento Civil uruguayo”. identificando sumariedade substancial nos procedimentos especiais. 129 e segs. Curso de Direito Processual Penal. “Procedimento e ideologia no direito brasileiro atual”. [1] Cf. Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. 9ª ed. Coimbra. [6] A metáfora é de Carnelutti. Rio de Janeiro. ––.. as ponderações de Ovídio A. Diccionario de Derecho Procesal Civil. Código de processo civil anotado. 1987. n. Magalhães. 1. Instituições de processo penal. [3] Ainda esse nível de precisão é insatisfatório: na verdade. Alexandre de. 22 e segs. Kazuo. Direito processual civil. 10ª ed. [8] “El juicio ordinario se basa y se ha basado siempre en el deseo de acabar para siempre con el litigio entre las partes de manera judicial. de tal modo que no sea posible un nuevo proceso sobre el punto resuelto (a excepción de los remedios extraordinarios de revisión).Moreira. Direito Judiciário Civil brasileiro. ps.20 anos de vigência do CPC. Por ello es de se desear en él la mayor extensión en el desarrollo de las pretensiones.estudos em homenagem ao Prof. 44-45 (item 15). Comentários ao Código de Processo Civil (Forense).04. Manual dos juizados especiais de pequenas causas. [10][10] A questão está aí colocada em termos ideais. in Rivista Trimestrale di Diritto Pubblico. El juicio ordinario y los plenarios rápidos. entre nós. Curso de Direito Processual Civil. dezembro de 1994. Rezende Filho. México. III. Carlos Alberto Alvaro de. Anuário do estrado em Direito da UFPE. 13. Oliveira. 244. 1953. Cândido Dinamarco. São Paulo. nos Comentários . cf. p. III. ps. I. El proceso penal. 11ª ed. “Prefácio” ao livro Manual das pequenas causas.. p.. “O processo das pequenas causas: relato da primeira experiência”. entretanto. São Paulo. 2. Vescovi. I. 1989. Ovídio A. XI. o direito de agir. Tornaghi. (Fairén Guillén. Instituições de processo penal. 247. no Anuário do Mestrado em Direito da UFPE. 6ª ed. Técnica processual e teoria do processo. Rogério Lauria. 227. e.. Eduardo Pallares . 1977. p. Viera. Derecho procesal civil. Por ello se permite a las partes completar del mejor modo posible sus sistemas de defensas. ps. Calmon de Passos. 2ª ed. Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros. Paula. vol. nosso “‘Extinção do processo’ e mérito da causa”. Procedimentos especiais -.. Mais recentemente. J. Procedimento é forma. João Bonumá. Curso de direito processual civil. 1989. 102 e segs. e a forma só é útil na medida em que serve à efetiva composição dos litígios segundo a lei (cf. Revista da Processo.adv. Processos especiais. por ello se da a elegir a las partes entre toda una diversidad de medios de prueba. 5. [11][11] Vejam-se. Gabriel José Rodrigues. nosso Doutrina e prática do procedimento sumaríssimo. Diccionario de derecho procesal civil. Procedimentos especiais . Istituzioni di Diritto Processuale. Fundamentos do processo civil moderno. [7] Cf. 1978.br) em 26. vol. “Sobre procedimentos especiais”. nº 4. Prática de processo penal. 171. Cândido Dinamarco. Enrique. nº 31. 1952..). é coisa diversa da ação. nº 5/92. de Cândido Dinamarco. ps. Rio de Janeiro. Passos.. Comentário ao Código de Processo Civil. Montevidéu. Silva. 1946. vol. 1978. Tucci. [12][12] Cf. 228. Guasp. p. AJURIS. João Mendes. Watanabe. p. necessariamente concreto. ––. São Paulo. processo”. vol. A essa sugestão aderiu José de Moura Rocha.. Na realidade do Direito legislado. Também Hamilton de Moraes e Barros. nº 5/92. São Paulo.. Calmon de. Noronha. 1985. descontando-se alguns exageros. 96. Tourinho Filho. Disso trataremos a seguir no texto. Reis. 142.) e 1956 (2º vol. Código de Processo Civil anotado. 185. ps. p.. ao lado desses procedimentos instituídos por necessidade ou em atenção a uma real conveniência. 17 e segs. Sobre isso. Revista Forense. de tal modo que todas las relaciones litigiosas sean resueltas. movimento físico que se passa no mundo dos fatos. Eduardo. p. p. Fernando da Costa. “Aspectos gerais dos procedimentos especiais em face do novo Código de Processo Civil”. p. Justiça distributiva e aplicação do direito. t. e a Feliciano Benvenutti. “Sobre procedimentos especiais”. 1989. São Paulo. p.mundojuridico. O conceito não é substancialmente diverso entre os processualistas penais: cf. ps. Instituciones del nuevo proceso civil italiano. São Paulo. E. alguns outros que só se conservam e se explicam por simples inércia histórica ou por razões ainda menos aceitáveis de lege ferenda. “Funzione amministrativa. José Alberto dos.). vol. freqüentemente aparecem. [4] Cf. São Paulo. Aroldo Plínio Gonçalves. Coimbra. José de Moura. abstrato e autônomo. José Carlos Barbosa. no volume Saneamento do processo . vol. vol. Rio de Janeiro. 126. 635. [2] A sugestão é de João Mendes de Almeida Jr. El conjunto justifica una copiosa serie de formalismos. J. 10 Id. Hélio. 1955 (1º vol. providencias jurisdiccionales etc. nº 33. Apody dos. 15 e segs. Curso de direito processual penal.exegese do Código de Processo Civil. II. ib. 2ª ed. p. Magalhães Noronha. trad.. Hélio Tornaghi. Pallares. com notável precisão. p. ps. 173. 54 e segs. Silva. 1980. Luiz Alberto. Cf. 178. preclusiones.. 1974-1979. p. Curso de processo civil. Porto Alegre. [4] Nesse sentido. Comentários ao código de processo civil (RT). 8ª ed . nº 26. p.. em seu Direito Judiciário Civil.exegese do Código de processo Civil. Prática de Processo Penal. 1977. também nosso citado Doutrina e prática do procedimento sumaríssimo. Coimbra. “Antecedentes da reforma processual e sistemática geral do novo Código de Processo Civil”. 53). ––. p.2003 -------------------------------------------------------------------------------* Conferência proferida no Congresso Nacional de Processo Civil . por ello son amplios los medios de impugnación y los plazos que los hacen accesibles.

para escândalo e alarme do grande jurista. nº 33. [14] Cf. p. publicado em 1945. t. VIII. 264. Com referência ao direito espanhol. vol. p. 943. a regra deveria figurar no início do Código.ao Código de Processo Civil. A. II. o TJSP inadmitiu a cumulação da ação de prestação de contas com a cominatória para prestação de fato (RT. Moura Rocha. 328. 241/304). t. nº 4. aliás. ps. retro citados à nota 11. Como quer que seja. p. pelo interessante fundamento da impossibilidade de manter-se o segredo de Justiça. [26] Cf. [24] [25] Sobre isso. Exemplo dramático nos dá também o ocorrido no Uruguai. cit. El acceso a la justicia. vol. I. sem êxito. o mesmo pretório recusou cumulabilidade à ação de perdas e danos com a cominatória (Rev. [18] A quase inacreditável experiência dessa jurisdição consentida e de seus magníficos resultados ao longo de um milênio foi analisada em detalhe por Fairén Guillén. que se observará o procedimento ordinário. onde tanto o embargo de obra nova como a caução de dano iminente têm tratamento típico de ações cautelares (cf. p. mas com pertinência universal. ps. é verdade. es decir. t. em nosso Doutrina e prática do procedimento sumaríssimo. t. in Revista Forense. nº 26. Diritto processuale civile tedesco. nessa página e nas antecedentes. Este último desenvolve a idéia também em seu Curso de processo civil. [29] Cremos havê-lo demonstrado. para saber qual es el procedimiento especial adecuado para cada situación. Rogério Lauria Tucci. 3. quanto aos casos do art. p. 14 a 16. . O tema foi também tratado pelo mestre de Coimbra em seu Comentário ao Código de Processo Civil.tudo no esforço de escapar aos pesados e morosos trâmites do velho Código. 7 e segs. La denunzia di danno temutto. Alcides de Mendonça Lima. Couture . [15] Cf. vol. [21] V. e no Código de Processo Civil anotado. e. são absolutamente irrefutáveis. p.em face da ação de amortização de cambial cumulada com a “ação executiva”. 1.” (“La reforma de los procesos civiles especiales”. t. o TJRJ (antigo) rejeitou o acúmulo de ação “executiva” com pedido de falência (RF. 60-61. Código de Processo Civil anotado. El tribunal de las aguas de Valencia y su proceso. [19] Cf. “O processo das pequenas causas: relato da primeira experiência”. 101 e segs. [31] Por exemplo. mas é óbvio que a regra jurídica só se pode referir à tramitação posterior às aludidas providências. p. o TJSC fulminou a cumulação de mandado de segurança e ação de reparação de danos (Alexandre de Paula. outras. como expediente de fuga ao procedimento ordinário. XIII. [23] Cf. un vademecum. se adotado o rito ordinário (Rev. ps. pelo TJSP: Comentários ao Código de Processo Civil de 1939... Código de Processo Civil -.. na Câmara Alta. 60/366). Apody dos Reis. nos primeiros capítulos de seu Manual dos juizados especiais de pequenas causas. e Ovídio Baptista. 144/370). passim. nº 31. 392. II. a observação de Clóvis do Couto e Silva. IV. ps. Moraes e Barros. e Calmon de Passos.. XI. Sin embargo. aliás. de Jurispr. Calmon de Passos. em prefácio ao livro Manual das pequenas causas. Baixe o artigo: texto278. in AJURIS. [13] Cf. p. Friedrich Lent. 16. quando em vigor o seu vetusto e só recentemente revogado estatuto processual. p. De resto. vol. p. O Supremo Tribunal Federal julgou incumulável ação possessória com a finium regundorum (RF. lo que necesitamos es un catálogo. p. (“Sobre el proyecto de nuevo código de procedimiento civil uruguayo”. 135/436). Semelhante. e de 1973. 289. vol. Pontes de Miranda. [28] Retro. in Revista de Processo. 653. 470 e segs. vol. cit. “Procedimento e ideologia no direito brasileiro atual”. vol. 28. ou da maioria deles. 101 e segs. 79 e segs. Paulo C. que a lei impõe à primeira. 2. nº 44). ao analisá-lo. 151. com razão. pois o processualista Luiz Alberto Viera. por Kazuo Watanabe. t. Já na vigência do atual Código. I. 53/311). vol. 58 e segs. 263). Temas del ordenamento procesal. Mario Dini. [20] Cf. parágr. Quanto à viabilidade da redução ao comum dos procedimentos interditais. in Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros. 13.. p. outras instituidoras de infindáveis procedimentos sumários formais. se pertinente. 378/190). Essas idéias foram defendidas. pelo então Deputado Célio Borja e. [16] Precisa. diz. ps. disserta com clareza e precisão inexcedíveis José Alberto dos Reis. com exemplar exatidão. in Revista AJURIS. ps. Francisco Ramos Méndez faz ácida crítica à proliferação desordenada dos procedimentos especiais -. g. Comentários e vol. Lima. admitida. da ação de interdição com outra de rito ordinário (RT. los Códigos no nos sirven porque la mitad de los procedimientos especiales no vienen en el catálogo y hay que ir buscarlos en leyes especiales. Comentários ao Código de Processo Civil (de 1973). Derecho Procesal Civil. Fartamente o exemplifica Fairén Guillén ao longo de seu excelente estudo citado à nota 7. I. 200/458). Fairén Guillén. p. III. pelo Senador Nélson Carneiro (cf. entretanto. a notável recorrência do tema nos pretórios e o profundo dissídio quando a algumas das soluções por si mesmos evidenciam não ter a regra legal em foco a generalidade que aparenta. a distinção entre o erro de forma e o erro de fundo. único. II. 6.). entre as teses sustentadas nesses acórdãos algumas podem ser deveras discutíveis. I. mais forte e incoercível se manifesta a tendência a desbordá-lo mediante a derivação para os ritos sumários formais ou especiais abreviados.doc Voltar . não ser função de um artigo de lei adiantar a matéria a ser tratada nos subseqüentes.que. Barbosa Moreira. [22] Por exemplo. “Sobre os procedimentos especiais”. nosso Doutrina e prática do procedimento sumaríssimo. é a solução italiana. Enrique Vescovi. [27] Luiz Antônio de Andrade ponderou. p. deu azo ao surgimento de uma pletora de leis especiais. I. 756 e 767. sobre esse mesmo trabalho. “Antecedentes da reforma processual e sistemática geral do novo Código de Processo Civil”. 391/129). O exemplo uruguaio é particularmente ilustrativo. na Exposición que acompanhou seu excelente mas malogrado Proyecto de Código de Procedimiento Civil.paladino da “preferibilidade do ordinário” . Comentários ao Código de Processo Civil. 275 do CPC. Processos especiais. 1990. nas quais se identifica precisamente o caráter especial do procedimento tratado no capítulo. Eduardo J. ele identifica como vezo comum aos países latinos: “En este momento. iniciado à p. 97. Comentários ao Código de Processo Civil. “Aspectos gerais dos procedimentos especiais”. p.). Mauro Cappelletti e Bryan Garth. da consignatória com a de rescisão de compromisso de compra e venda (RT.. 164 e segs. II. 6-7). v. muitas delas supressivas da cognição (mediante generosa e desordenada criação de títulos executivos extrajudiciais).exegese. nº 247. Certo. adianta que todos esses tentames revelaram-se improfícuos. O grande jurista disseca. nota 12. da ação investigatória de paternidade com a de alimentos (RT. 70.crítica -. ps. vol. no particular. p. foi oportunamente lembrada a inspiração nitidamente ideológica de alguns procedimentos diferenciados: Carlos Alberto Alvaro de Oliveira. de Cândido Dinamarco. ps. 41 e correspondente nota 45. in Justicia. O Poder Judiciário e a nova Constituição. o TJRS negou a cumulabilidade da especialíssima ação investigatória da Lei nº 883/49 com a de indenização dotal. 97 [16] Quanto mais lento e ineficiente seja o sistema processual como um todo. 136/163). 111) e tendo ultrapassado um século de vigência. aduzindo que. Já obsoleto ao nascer (cf. da ação de dissolução de sociedade com a de prestação de contas (RF. 32 e segs. p. [32] Tal é o caso de Pontes de Miranda. p. vol. Procedimentos especiais. [30] O art. p. outras ainda recorrendo ao uso e abuso do modelo monitório ou do encurtamento de prazos -. do aludido Tribunal.

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