UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

BARREIRAS DOS EUA À EXPORTAÇÃO DO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO

MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO

Leonardo Carvalho da Rosa

Santa Maria, RS, Brasil 2011

BARREIRAS DOS EUA À EXPORTAÇÃO DO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO

Leonardo Carvalho da Rosa

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas.

Orientador: Prof. Dr. Paulo Ricardo Feistel

Santa Maria, RS, Brasil 2011

Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso de Ciências Econômicas
.

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova a Monografia de Graduação

BARREIRAS DOS EUA À EXPORTAÇÃO DO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO elaborada por Leonardo Carvalho da Rosa

Como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas

COMISSÃO EXAMINADORA:
___________________________________ Paulo Ricardo Feistel, Dr. (Presidente/Orientador) ___________________________________ Adayr da Silva Ilha, Dr. (UFSM)

___________________________________ Andréa Cristina Dörr, Dr.ª (UFSM)

Santa Maria, Dezembro de 2011

” Dominick Salvatore “Embora . elas na verdade são normalmente defendidas por aqueles grupos particulares que se beneficiam de tais restrições.as restrições comerciais sejam invariavelmente racionalizadas em termos do bem-estar nacional.

sem prejuízo a eficiência produtiva oriunda das trocas de comércio. Palavras-chave: Políticas Comerciais. Este trabalho apresenta as barreiras dos EUA frente às exportações de suco de laranja brasileiro. 5 de dezembro de 2011 Brasil e Eua são os principais mercados exportadores e consumidores de suco de laranja. verifica-se. Modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats. o modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats (1986) utilizado para mensurar os efeitos de uma desgravação tarifária total sobre as importações norte americanas deste produto. Dr. .RESUMO Monografia de Graduação Curso de Graduação em Ciências Econômicas Universidade Federal de Santa Maria BARREIRAS DOS EUA À EXPORTAÇÃO DO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO Autor: LEONARDO CARVALHO DA ROSA Orientador: PROF. bem como. Utilizando os dados coletados e a metodologia proposta. Suco de laranja. com base nos resultados apresentados a competitividade brasileira frente ao mercado protecionista norte americano. respectivamente. Se não houvessem barreiras comerciais os EUA substituiriam grande parte da produção doméstica de suco de laranja pelo produto importado do Brasil. PAULO RICARDO FEISTEL Data e Local da Defesa: Santa Maria.

Dr.S. U. Partial Equilibrium Model of Laird and Yeats.S. barriers against exports of Brazilian orange juice as well as the partial equilibrium model of Laird and Yeats (1986) used to measure the effects of a tariff reduction on the total North American imports of this product.ABSTRACT Monograph of Graduation Economics Course Federal University of Santa Maria BARRIERS TO U. Through the data collected and the proposed methodology.S. there would be. respectively. without the prejudice of productivity efficiency originated from exchanges of trade. In case the barriers no longer exist. domestic production of orange juice would be replaced for imported orange juice from Brazil. 2011.S. EXPORTS OF BRAZILIAN ORANGE JUICE Author: LEONARDO CARVALHO DA ROSA Mastermind: PROF. based on the results presented in relation to the Brazilian market competitiveness protectionist North American. December 5. and Brazil are the main export markets and consumers of orange juice. Key-words: Trade Policies. Orange Juice . This work presents the U. PAULO RICARDO FEISTEL Date and Place of the Defense: Santa Maria. the U.

que sempre me apoiaram. Adaurilio. primeiramente.DEDICATÓRIA Dedico este trabalho. Aos meus avós paternos Alicia (Memória) e Julio (Memória) e meus avós maternos Selmina (Memória) e Adão que estiveram presentes em toda a minha formação. nos momentos de alegria e tristeza nunca me deixaram faltar as ferramentas necessárias para seguir em frente e lutar pelos meus objetivos. Maria da Graça e meu pai. . a minha mãe.

AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus irmãos. Professor Paulo Ricardo Feistel. que fizeram parte de toda a minha vida me apoiando e me dando conselhos. Ao meu orientador. Ao Tio Cacalo e Tia Mana que me apoiaram em todos os momentos tristes e felizes da minha vida. colegas da economia. que fizeram parte desse pedaço da minha vida e tornaram mais agradável esse longo período de estudo. pessoas especiais da minha cidade natal Santana da Boa Vista. pessoal e profissional. sem a compreensão deles seria mais difícil esta caminhada. orientação e ensinamentos. Aos meus amigos. aos meus sobrinhos. que sempre pude contar. que estiveram sempre do meu lado quando precisei. . pela paciência. Aos meus amigos. Aos colegas de trabalho. disponibilidade.

.................36 TABELA 3 – Resultado das simulações das exportações de suco de laranja brasileiro para os EUA pós acordo comercial.......................................................................................................................LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Exportação de suco de laranja brasileiro com destino aos EUA.............46 ........35 TABELA 2 – Percentual da participação brasileira nas exportações de suco de laranja com destino aos EUA..

LISTA DE ANEXOS ANEXO A – Cálculos de Criação e Desvio de comércio utilizando o Modelo de Equilíbrio Parcial de Laird e Yeats ........................................55 ......................................

......................................2............................4......................1.........18 2....................................... Barreiras Tarifárias................................................1.42 4............2...........53 ........... BARREIRAS COMERCIAIS AO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO: O CASO DE BRASIL E EUA..2............. POLÍTICAS COMERCIAIS......42 5....Sumário 1................ Barreiras Não-Tarifárias (BNTs)....CONCLUSÃO........................................1......................................5.........................25 2......1.......... INTRODUÇÃO.......................................46 6..........................1................................................................................. METODOLOGIA.15 2.............................28 2.....3.................34 3............... Aplicação de tarifas e seus efeitos no comércio internacional............33 3.............................. Integração Econômica...............21 2............18 2....................................................4................................9 2....................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....2.20 2..15 2........50 7..........................46 5............................................................37 4........30 3.......... Subsídios às Exportações...............................2............................ Medidas Antidumping.......3......................................................1........................ Resultados e Discussões dos Cálculos de Desvio e Criação de Comércio...............................................2..................... Modelo Teórico de Equilíbrio Parcial de Laird e Yeats (1986)................. Aplicação de Barreiras Tarifárias e Não-Tarifárias ao Suco de Laranja Brasileiro: O protecionismo americano sobre as exportações de suco de laranja brasileiro.12 2........................................... RESULTADOS E ANÁLISES DOS DADOS.. Quotas de Importação..................................................... Protecionismo Como Política Comercial.......... Exportações Brasileiras de Suco de Laranja aos EUA................................ Restrições Voluntárias às Exportações (RVEs).....................2.............................................................................................................................................................................23 2.................. Metodologia e Fonte de Dados.....................1...

Especificamente neste mercado. Estas barreiras têm um enorme impacto. o qual sofre pesadas barreiras tarifárias e não tarifárias e tem sua entrada prejudicada em mercados desenvolvidos. como o dos EUA. (Maia. o setor citrícola brasileiro sofre inúmeras restrições de entrada e outras barreiras à exportação. as quais decorrem desde barreiras fitossanitárias a medidas antidumping. no estado de São Paulo. Somente no pós-guerra iniciaram as exportações do suco. enfatiza-se que foi com a grande geada da Flórida em 1962. A indústria do suco de laranja no Brasil começou em meio à 2º Guerra Mundial. com a Citrosuco o país enviava as primeiras 1000 toneladas de suco aos EUA. Nesse sentido. porém estas eram insuficientes para absorver toda laranja disponível em cada safra. principalmente no caso do suco de laranja. Em função das restrições. superando os EUA em volume. Já em 1961. o suco de laranja chega a ser tributado com tarifas próximas à metade do seu valor. A ideia da industrialização deste excedente ganhou vários adeptos. que o Brasil conseguiu enfim se estabelecer como um grande exportador do suco. com o reconhecimento de sua competitividade no âmbito internacional. gerando um entrave para o desenvolvimento do setor e perda de receita oriunda dessas exportações. está entre os três maiores exportadores de frutas do mundo e é o maior exportador de laranja e suco de laranja. INTRODUÇÃO O Brasil. No entanto. esta experiência fracassou por falta de mercado consumidor. acaba por gerar uma preocupação nos produtores e também nas autoridades governamentais. . reconhecido internacionalmente como um grande exportador de produtos primários. 1996) Hoje. denominada Companhia Mineira de Bebidas. Considerando que é um dos principais produtos da pauta de exportações agrícolas brasileiras. sendo este momento considerado o marco zero para essa indústria e um período de aprendizagem que durou até a década de 1980.9 1. e em 1959 instalou-se a primeira fábrica de suco concentrado no Brasil. o produto brasileiro perde competitividade no mercado internacional. com a finalidade de abastecer o mercado interno e evitar o desperdício da fruta. quando o Brasil se tornou o maior produtor de laranja.

o modelo teórico de equilíbrio parcial de Laird e Yeats (1986). no período de 1998 a 2008. demonstrando assim a extrema relevância da realização de estudos voltados à tentativa de entrave do progresso deste mercado pelos países desenvolvidos. foram coletados dados referentes ao suco de laranja. bem como. Desta forma. que é a identificação das barreiras comerciais norte americanas mais prejudiciais para o suco de laranja brasileiro e a análise do impacto nas exportações gerado na eliminação dessas barreiras. destaca-se que é de suma relevância o conhecimento deste tema. . aos altos níveis de proteções impostas pelos países desenvolvidos e às posições divergentes em relação a estas mesmas proteções. os modelos de integração econômica e. já que ele pode trazer esclarecimentos não só a respeito do suco de laranja e o mercado citrícola. menciona-se que o estudo a ser desenvolvido possui a importância de identificar os problemas relativos ao desenvolvimento das exportações brasileiras. barreiras não tarifarias. sua relevância para pesquisa. e o que já foi concretizado pelo governo brasileiro em relação aos embates com os EUA na OMC. Para que assim. Para a realização desta pesquisa.10 Nesse contexto. a importância do tema. a fim de obter uma redução tarifária para análise. a fim de verificar a real competitividade do suco de laranja frente ao produto dos países exportadores concorrentes. Além de trazer as perspectivas para o futuro. barreiras tarifárias. e para tratar esses dados. o qual passou a compor a pauta das conferências da OMC/GATT somente a partir da rodada do Uruguai (1986 – 1994). serão utilizadas a bibliografia selecionada e o modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats (1986) o qual será exposto no marco teórico e na metodologia. No primeiro capítulo do presente trabalho foi apresentada a parte histórica. mas também sobre o mercado internacional de produtos agrícolas. O segundo capítulo dedica-se às políticas comerciais em quase todas suas formas. a forma utilizada pelos governos para proteger a produção doméstica. utilizado na mensuração de reduções tarifárias oriundas de acordos de integração econômica. Com isso. torne-se possível proporcionar os devidos esclarecimentos em relação ao objetivo geral do presente estudo. para efeito de análise comparativa. Ressalta-se que este é o único setor em que os subsídios à produção são permitidos e que os produtos desse possuem proteções tarifárias superiores aos demais que compõem a pauta das discussões da OMC. destaca-se que setor citrícola é um dos mais competitivos e de maior potencial no agronegócio brasileiro.

11 a parte matemática (fórmulas) do modelo de equilíbrio parcial. expõe-se o trabalho com base na teoria e nos resultados alcançados no quinto capítulo. na OMC. sobre as medidas antidumping aplicadas sobre os exportadores brasileiros do suco de laranja. Por fim. Os capítulos quatro e cinco contemplam a metodologia e análise dos resultados. será exposta no quarto capítulo. No terceiro capítulo. respectivamente. a participação brasileira no mercado norte americano do suco de laranja. as barreiras de entrada utilizadas principalmente pelos EUA na tentativa de proteger sua produção local. Também. apresenta-se o fluxo internacional da cadeia citrícola. são descritas as várias negociações entre Brasil e EUA. . além do que já foi concretizado em relação a estas negociações no período de 1998 a 2008.

e é conhecida como o Paradoxo de Metzler. Nesse sentido. p. No entanto. as quais variam de importância e peso à medida que são avaliados os setores que mais necessitam de proteção e. o mesmo autor afirma que embora as restrições comerciais sejam invariavelmente racionalizadas em termos do bem estar nacional. Desta forma. Vale ressaltar que as principais formas de políticas comerciais ainda são as tarifas. No entanto. 117. já que também vem sendo utilizada como proteção à produção doméstica. Uma tarifa sobre um bem importado eleva o preço recebido pelos produtores domésticos sobre aquele mesmo bem. ele é possível na teoria. Essas restrições são geralmente conhecidas como Políticas Comerciais. POLÍTICAS COMERCIAIS Segundo Salvatore (2000). e normalmente são utilizadas como uma fonte de renda do governo. sua finalidade não tem sido somente a geração de receitas. o livre comércio maximiza a produção mundial e beneficia todas as nações. também os potenciais geradores de renda ao governo em questão. (Krugman. às vezes existem problemas na tentativa simplificada de quantificar a taxa de proteção. Lloyd Metzler. 2004) Contudo. Esse paradoxo tem aproximadamente a mesma conotação do crescimento empobrecedor e da transferência que deixa o receptor em pior situação: ou seja. uma tarifa pode ao invés de aumentar os preços do estrangeiro ter um efeito inverso. grifos do autor) . mas ocorrerá apenas sob condições extremas e na prática. quase todas as nações impõem restrições à entrada de produtos estrangeiros ao livre fluxo do comércio internacional. é o efeito principal esperado de uma tarifa por quem aplica este tipo de política comercial. elas são geralmente defendidas por grupos particulares que visam o seu benefício ao invés da nação como um todo. (Krugman. 2004.12 2. baixar os preços locais. A possibilidade de que as tarifas e os subsídios a exportações passem a ter efeitos perversos sobre os preços internos de um país foi apontada e demonstrada pelo economista da University of Chicago. compreende-se que as tarifas são a forma mais antiga de políticas comerciais.

quando são adiantados os valores para o próprio produtor ou à exportação. as medidas sanitárias e fitossanitárias. enquanto que o terceiro componente que é o governo. os subsídios à exportação têm o efeito inverso das tarifas. restrições voluntárias às exportações e ações antidumping. (Krugman. (Salvatore. sendo este um artifício muito utilizado nos EUA e na UE. entre outras. que o consumidor é prejudicado na aplicação da tarifa de importação devido ao preço mais elevado. uma tarifa quase sempre auxiliará o setor concorrente às importações na economia doméstica. 1 O Excedente do Consumidor mede a quantidade que o consumidor ganha em uma compra na forma da diferença entre o preço que ele paga e que estaria disposto a pagar. fitossanitárias. tais como as quotas de importação2. as licenças de importação. As barreiras não tarifárias (BNTs) são restrições de quantidades. 2007) as licenças de importação. já que o único beneficiário é o produtor (exportador).13 Desconsiderado o Paradoxo de Metzler. p. p. Tanto as barreiras tarifárias como as não tarifárias são negociáveis em acordos bilaterais. 1998) Quanto às barreiras não tarifárias também podem ser citados os contingenciamentos. Nesse contexto. 2004. que é uma exceção. causando o efeito inverso no setor de exportações do estrangeiro. grifo próprio) 2 A quota de importação é uma restrição direta à quantidade de algum bem que pode ser importada. (Viegas. enquanto os subsídios (domésticos e à exportação) e o uso abusivo de legislação antidumping são negociáveis na esfera multilateral. Assim. os contingenciamentos. Já o produtor. (Krugman. podendo ser citadas as quotas. Jank e Miranda. sendo que este caso é concedido na forma direta ou em créditos para a exportação. A restrição é normalmente executada por meio da emissão de licenças a alguns grupos de indivíduos ou empresas. Uma quota sempre eleva o preço doméstico do bem importado. também ganha com a aplicação da tarifa. aumenta o excedente e ganha com a tarifa devido ao mesmo motivo. Os subsídios podem ser domésticos. Segundo Krugman (2004). 199 e 200. à medida que se negociava no pós-guerra uma redução das tarifas. crescia a importância das barreiras comerciais não tarifárias. as medidas sanitárias e O subsídio é uma forma de auxílio à produção doméstica e/ou exportações. O Excedente do Produtor mede a quantidade que o produtor ganha na diferença do preço que ele vende e no que estaria disposto a vender. Krugman (2004) afirma através da análise do excedente do consumidor e do produtor1. 207) . composição e destino de produtos no comércio internacional. 2004.

que não eram tão regulamentadas quanto às tarifas. nas rodadas do GATT (Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio) foram impostas regras para a redução das tarifas alfandegárias. por meio de um processo praticamente judicial. durante a recessão dos países desenvolvidos na década de 1970. consumidores e sobre os 3 O dumping é a exportação de uma commoditie a um preço abaixo do custo ou a venda externa de uma commoditie com o preço abaixo do que é praticado internamente. Com o avanço das exportações dos novos países industrializados. Isso fez com que os países desenvolvidos buscassem novas formas de proteção. Durante este capítulo. e o governo tem que arcar com os custos do subsídio. o dumping é considerado uma prática desonesta de concorrência. (Castilho. (Krugman. Ao mesmo tempo. a definição legal da prática do dumping desvia-se completamente da definição econômica.14 considerando que aumenta os preços internos e diminui os externos. apresentam-se as principais barreiras tarifárias e não tarifárias. Talvez a proteção não tarifária mais importante para o estudo em questão seja a relacionada com as aplicações de tarifas antidumping. ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos para obter assistência. 150) De acordo com Krugman (2004). Além disto. e tendem a ter efeitos mais perversos. 2004. Nos Estados Unidos e em diversos outros países.1996 apud VIEGAS. nos quais os países em desenvolvimento são os mais competitivos. as quais são utilizadas pelos países que consideram que os preços aplicados pelos exportadores são menores que os aplicados internamente por estes países. caracterizando-se assim. Essas barreiras não tarifárias prejudicam principalmente os setores tradicionais. JANK E MIRANDA. p. 2007). devido à falta de transparência e à arbitrariedade de sua aplicação. 2004. ocorreu o crescimento da proteção à produção nacional das economias avançadas. (Krugman. as barreiras não tarifárias. As empresas norte-americanas que reclamam de terem sido prejudicadas por empresas estrangeiras que fazem dumping com os seus produtos no mercado doméstico a preços baixos podem apelar. o dumping3. tendo em vista que a discriminação de preços pode ser uma estratégia legítima de negócios. 150) . p. os economistas nunca se conformaram com a ideia de considerar o dumping uma prática ilegal. bem como seus efeitos sobre os produtores.

supere o valor tarifado. a divisão da tarifa pelo preço líquido da tarifa nos fornece o ad valorem equivalente. analisando o comércio de bens. já que estas delimitam bem o que será onerado. 2. ad valorem ou compostas. ou a diferença de preço nos dois mercados. a partir deste ponto se desenha a proteção nominal proporcionada pela tarifa. o exportador não transportará a não ser que o seu ganho. (Krugman. No entanto. a tarifa pode ser considerada semelhante ao custo de transporte. o mais importante neste caso é analisar quanta proteção realmente uma tarifa proporciona aos produtores domésticos. já que compreende a proteção da produção local ou a preservação de empregos domésticos e os consumidores que .15 países que comercializam bens entre si. sendo que esta última é a combinação das duas primeiras. expressa geralmente em porcentagem. se for específica. 2004) Assim. Aplicação de tarifas e seus efeitos no comércio internacional As tarifas são consideradas como a forma mais simples de políticas comerciais e de mais fácil compreensão quanto à sua abrangência.1. a “teoria do segundo melhor”. Para a base de análise tem-se o livre comércio. além do modelo teórico de equilíbrio parcial de Laird e Yeats. a própria alíquota já expressa a quantidade de proteção. enfatiza-se que o objetivo principal de uma tarifa é aumentar o preço do bem importado. No caso da aplicação de tarifa ad valorem. Na concepção de Krugman (2004). já que se o país importador impõe um imposto sobre determinada quantidade de produto importado. Classificando-se em específicas. Barreiras Tarifárias 2.1. destaca-se que uma análise dos efeitos das tarifas aplicadas a produtos importados pode ser muito complexa. que mostrará os efeitos hipotéticos de uma abertura comercial ou de uma simples desgravação tarifária.1. Nesse sentido. protegendo os produtores locais dos preços baixos resultantes da concorrência das importações. Será visto também.

porém impõe tarifas à entrada do produto concorrente ao produto final produzido com este insumo. (Salvatore. O custo do consumidor se refere à redução do excedente do consumidor resultante da tarifa. o qual é calculado somente sobre o produto final. talvez mais esclarecedor da real proteção ao produtor doméstico sob a aplicação de tarifas é o da taxa de proteção efetiva. 2000) Quando isso ocorre. Pois através desta. dá-se pelo cálculo do custo total do consumidor dividido pelo número de empregos domésticos preservados. a maioria das nações industrializadas possui uma estrutura tarifária “em cascata”. apresentam tarifas nominais muito baixas. distorce com este fato. Esse “Bem-Estar” interno provocado pela aplicação das tarifas se calcula com o quanto é gasto pelo consumidor local.16 são onerados com um preço mais alto do concorrente do bem importado. próximas de zero. a proteção nominal obtida com a tarifa. um ângulo mais abrangente e. com a implementação da tarifa. ou a ausência de tarifas. também chamado de custo de proteção ou perda de peso morto. Ainda. o valor da tarifa nominal é muito traiçoeiro e sequer permite uma ideia aproximada do grau de proteção efetiva que uma tarifa proporciona à commoditie que irá concorrer com os produtos importados. o país em questão importa o insumo sem restrições tarifárias. (Salvatore. a taxa de proteção efetiva excede o valor nominal da tarifa. ou seja. segundo Salvatore (2000). para a matéria-prima importada. A análise mais simplista do custo por emprego doméstico preservado com a implementação da tarifa. já que a partir deste fato deve-se considerar o que o produtor local está se beneficiando com a aplicação de tarifas baixas. àquela que aplica à importação da commoditie final produzida com o insumo importado. mas em compensação apresentam tarifas cada vez mais elevadas quanto mais avançado for o estágio de fabricação do produto. para que se proteja cada emprego. 2000) Desta forma. a receita da tarifa é a arrecadação obtida com ela pelo governo e o ganho do produtor se refere ao aumento do excedente do produtor resultante da tarifa. ou seja. Além desse fato. . um país que importa um produto utilizado como matériaprima isenta de impostos ou realiza aplicação de uma taxa alfandegária inferior sobre a importação de um insumo. no insumo importado e também está se beneficiando com a tarifa maior no produto final. a fim de estimular a produção doméstica do bem final e o emprego.

partindo da posição de livre comércio. é muito tênue. A tarifa ótima é aquele valor da tarifa que maximiza o benefício resultante da melhora dos termos de troca da nação. 2. Porém. reduzindo o bem-estar da nação. em contraposição ao efeito negativo resultante da redução do volume de comércio. já que deve ser analisado o quanto esta tarifa imposta nos produtos importados afeta a outra nação. tanto menor o da outra. Ou seja. à medida que a nação eleva o valor da tarifa. com a melhora dos termos de troca. p. O parceiro comercial se sentido prejudicado. quanto maior os termos de troca de uma nação. Eventualmente a nação será levada de volta ao ponto de economia fechada. 2000. Barreiras Comerciais Não-Tarifárias (BNTs) e outras Barreiras Comerciais 4 Segundo Krugman (2004. provavelmente buscará compensar o que está perdendo no comércio de determinado bem aplicando uma tarifa ótima em outro bem. o volume de comércio se reduz. os preços para o consumidor devem aumentar.2. com o volume de comércio reduzido. através de uma tarifa proibitiva. os termos de troca são a razão do preço das exportações de um país dividido pelo preço das importações. 141) Essa linha entre a tarifa ótima e a tarifa proibitiva citada por Salvatore. Mas até que ponto a nação é beneficiada apenas com o aumento dos termos de troca? Considerando-se que os termos de troca entre as nações que comercializam entre si são recíprocos. (Salvatore.17 Menciona-se que no momento em que um país impõe uma tarifa. ou seja. à medida que a tarifa aumenta para além do ótimo. deve ser visado o equilíbrio para que o livre comércio seja mantido em prol dos benefícios gerados para todas as nações que comercializam entre si. o seu bemestar cresce até um limite máximo (a tarifa ótima) e depois se reduz. E mesmo o parceiro comercial não retaliando. é usado para analisar os efeitos do comércio internacional sobre o bem-estar de uma nação. essa questão pode ser respondida através da ótica da tarifa ótima. porém os termos de troca4 da nação melhoram. em função disso.98). ou seja. tendese a aumentar o bem-estar geral da nação. tendo em vista que uma tarifa mesmo sendo baixa pode inviabilizar o comércio entre as duas nações. os ganhos da nação que aplicou a tarifa são menores que as perdas da outra nação. a chamada retaliação. .

18 Logo após a Segunda Guerra Mundial. podem ser até outros países membros do acordo. Essas novas barreiras não eram claras como as tarifas. essa restrição é geralmente aplicadan através da emissão de licenças para um grupo de empresas ou de indivíduos.1. e como as tarifas estavam sendo regularizadas. não havia mais espaço para excessivos impostos sobre bens importados. uma série de outras barreiras ao comércio. 207). proteção ao produtor local e ao emprego. ou como alguns políticos e economistas dizem. A partir deste ponto. e pelos países em desenvolvimento para estimular a . As quotas de importação se tornaram muito comuns na Europa logo após a Segunda Guerra Mundial. Este subcapítulo visa esclarecer como os países agem através das BNTs e qual a real proteção proporcionada por essas barreiras. além de trazer uma visão mais atual do chamado novo protecionismo aplicado pelos países desenvolvidos. iniciaram-se as negociações de reduções tarifárias no âmbito mundial. As quotas também podem ser atribuídas por questões relativas ao balanço de pagamentos. 2. Geralmente os produtos finais ou os bens em avançado estágio de fabricação eram os mais onerados com essas barreiras. Sendo assim. p. estes últimos são definidos previamente por acordos comerciais ou contratos. esses que recebem a licença podem exportar livremente para o país em questão. como ainda o são nas políticas comerciais mais atuais. foram implementadas principalmente pelos países desenvolvidos. Segundo Krugman (2004. cresceu de importância a aplicação das BNTs. considerando que dependiam de diversos fatores para sua análise. pois têm a sua produção protegida e os que recebem as licenças de exportação. Quotas de importação A quota de importação é uma restrição direta à quantidade de produto importado. A principal diferença entre a quota de importação e a tarifa é que com a quota o governo não obtém receita alguma. elas eram usadas pelos países desenvolvidos para proteger a sua agricultura.2. Os que ganham com a quota são os produtores locais.

207. os maiores beneficiados com as quotas são os detentores de licença para exportação. Quando os direitos de vender no mercado local são atribuídos aos governos dos países exportadores. é fundamental que se determine quem recebe as rendas. . porém resultará em consumo e importações mais elevados do que com a aplicação da quota. em consequência. tornando os custos de uma cota maiores que os da tarifa. pois ela transfere renda ao estrangeiro e sempre eleva o preço local do bem importado. a quota de importação limita as importações no nível especificado com clareza. os lucros recebidos por estas são chamados renda de quotas. Como já falado anteriormente. Já com a tarifa os resultados são bem diferentes. (Salvatore. Salvatore (2000) afirma que. dificultando precisar qual a melhor tarifa de importação a aplicar para o bem em questão. A razão principal disto é que geralmente as elasticidades da oferta e da demanda são desconhecidas. Para avaliar os custos e benefícios de uma cota de importação. (Krugman. a quota é mais prejudicial para o bem-estar do que a tarifa de importação. como as empresas de exportações locais. um aumento na demanda resultará em um preço local mais alto e uma produção doméstica superior aquela existente com uma tarifa de importação equivalente. 2004. a transferência de renda para o estrangeiro torna os custos de uma cota substancialmente mais elevados que os da tarifa equivalente. grifos do autor) Essas atribuições de licenças de importação a países estrangeiros levam os países que detêm as licenças a transferirem aos seus residentes. Como resultado geral. um aumento da demanda interna manterá os preços e a produção inalterados. Os lucros recebidos pelos detentores das licenças de importação são conhecidos como rendas de cotas. 2000) Os efeitos de uma cota podem ser mais prejudiciais para o bem-estar da nação que a impõe. Com uma determinada quota de importação.19 substituição de importação de produtos manufaturados e também por questões relativas ao balanço de pagamentos. fica mais difícil restringir as importações a um patamar desejável. Em uma análise geral entre tarifas e quotas. Como efeito aos consumidores internos. como ocorre frequentemente. enquanto o efeito de uma tarifa de importação é incerto. a renda oriunda das quotas é atribuída a empresas estrangeiras. p.

o volume de comércio pode se manter no mesmo nível anterior ao da aplicação da tarifa de importação. No entanto. as RVEs tem um custo muito alto para o país importador. Como a quota. Anos depois a Rodada do Uruguai viria a exigir a eliminação das RVEs em um período de dez anos. como elas são mais restritivas enfrentam uma resistência maior da sociedade.2. já que a relutância em ceder por parte dos países que sofrem tal pedido é muito grande e gerou diversas disputas no passado. automóveis. exportação de têxteis. Por esta análise. os exportadores podem “se adaptar” a tarifa. se referem ao caso em que um país importador induz a outra nação com a qual comercializa um determinado bem. além do mais os países que eram penalizados por restrições voluntárias geralmente achavam algum tipo de caminho para burlar este mecanismo. Prejudicando ainda mais o consumidor interno. caso isso aconteça. ao menos aparentemente. No início era usada para combater o excesso de exportações do Japão e da Coreia com destino à Europa e aos EUA. a diferença é que o responsável por administrar é o país exportador. aumentando sua eficiência operacional ou aceitando lucros mais baixos. Restrições Voluntárias às Exportações (RVEs) As restrições voluntárias às exportações. Essa restrição comercial começou a ser fortemente negociada entre os países no pós-guerra. se consolidou como uma forma segura e discreta de proteger as indústrias locais sem ferir.20 Além disso. costumam ter um efeito muito semelhante ao da quota. o princípio de livre comércio. (Salvatore. Porém. . a quota é mais fácil de ser implantada. existe uma obviedade que os produtores locais prefiram as quotas. como o próprio nome informa. a reduzir voluntariamente as suas exportações sob pena de sofrer retaliações comerciais. Quando aplicadas as RVEs. eletrônicos. consequentemente. de preço mais elevado. até por elas serem menos visíveis. 2. entre outros. aço. usando outros países para embarque do produto penalizado e preenchendo sua quota com o produto de qualidade maior e.2. 2000) Após. devido a transferência de renda para o estrangeiro.

porém foram substituídas rapidamente pelas medidas antidumping. que é a tendência contínua de um monopolista doméstico a maximizar os lucros através da venda de uma commoditie a um preço mais alto internamente. existem 3 tipos de dumping.3. e a um preço mais baixo no estrangeiro. logo após os preços sobem para que quem aplicou este dumping possa aproveitar o seu monopólio recém adquirido. sem ter de baixar os preços praticados internamente. 2000) 2. devido à concorrência dos outros países. O dumping é a exportação de uma commoditie a um preço abaixo do custo ou a venda externa de uma commoditie com o preço abaixo do que é praticado internamente. (Salvatore. Como elucida Salvatore (2000). Uma restrição desse tipo é sempre mais cara para o país importador do que uma tarifa que limita as importações na mesma grandeza. E por fim. o dumping esporádico que é a venda externa de uma commoditie a um preço abaixo do seu preço de custo ou a preço externo inferior ao interno.2. O dumping predatório que é a venda de uma commoditie temporariamente abaixo do seu preço de custo. devido a exigências da Rodada do Uruguai. . a fim de eliminar os concorrentes estrangeiros. pois não há concorrência. As RVEs foram praticamente extintas após 1992. Medidas Antidumping As barreiras comerciais podem ser também resultado de dumping. de modo que esta gera claramente uma perda para o país importador. A diferença é que o que seria receita por meio da cobrança da tarifa se torna renda recebida pelos estrangeiros sob a restrição. não-previsto. o persistente. devido ao dispêndio governamental alto e mais ineficiente que a própria quota de importação.21 Krugman (2004) afirma que o país que pretende utilizar uma RVE ao invés de uma tarifa deve ter muito cuidado. para que possa descarregar o excedente da produção.

podendo o caso ser levado a OMC (Organização Mundial do Comércio) e até mesmo haver. é necessário separar as formas de discriminação de preços.. Através da análise de Krugman (2004. [. as firmas normalmente se vêem com menos poder de monopólio. Uma vez que os mercados internacionais são integrados imperfeitamente por causa dos custos de transportes e das barreiras comerciais protecionistas.148). as firmas domésticas normalmente têm uma parcela maior dos mercados domésticos do que dos mercados estrangeiros. já que o dumping predatório deve ser punido. pois o benefício aos consumidores advindo dos preços inferiores. o país importador será alvo das outras nações prejudicadas. os custos são altos. E se os governos acatarem esses pedidos. Isso significa que normalmente suas vendas estrangeiras são mais afetadas por seus preços do que suas vendas domésticas. nas exportações do que nas vendas domésticas. Mas devido ao fato de serem casos muito semelhantes os produtores locais solicitam proteção sob qualquer forma de discriminação de preço. Portanto. já que é praticamente necessário que uma firma venda no mercado externo com um preço mais baixo que do que no mercado interno para poder “sobreviver” aos custos de transporte. a prática de dumping não é tão absurda.] a discriminação de preços a favor das exportações é mais comum. pois ele claramente impede o livre comércio eliminando a concorrência das firmas com menor potencial de produção e exportação. porém no comércio internacional é quase impossível precisar qual o tipo de dumping está sendo aplicado ou se está sendo aplicado. . gerando maior renda para seus produtores. O dumping predatório é o único passível de punição. Porém. Uma firma com uma parcela de 20% de mercado não necessita tanto reduzir seu preço para dobrar suas vendas como uma firma com parcela de 80%. na maioria dos casos excede a perda de produção dos produtores domésticos. E. desestimulam as importações e aumentam a produção interna. alegando a concorrência desleal externa. Porém. a concorrência estrangeira e as barreiras comerciais protecionistas.. o que alguns economistas chamam de efeito da reciprocidade de políticas comerciais. punição esta que toma a forma de um imposto antidumping. além disso. p.22 Esses três casos clássicos de dumping parecem ser de fácil identificação. e com um incentivo maior para manter seus preços baixos.

O subsídio pode ser específico ou ad valorem. Um subsídio às exportações é um pagamento governamental feito a uma empresa que embarca um produto para o exterior. é uma forma de incentivo para fomentar determinado setor da economia. os subsídios às exportações. uma análise a priori. Subsídios às Exportações Após serem analisadas as diversas facetas das políticas comerciais. em forma de barreiras tarifárias e não tarifárias. ironicamente.2. Porém. ou Acordo Antidumping. (Krugman. será imposta uma tarifa antidumping. também deve provar que o dano ou ameaça provém do dumping praticado pelo exportador. As medidas antidumping apenas serão impostas no caso do dumping causar ameaça de dano ou dano a indústria nacional. 2. chamado assim. se específico é pago uma determinada soma por unidade exportada. ou não. Para a aplicação de medidas antidumping o importador deve provar que existe dano ou ameaça de dano a indústria doméstica. o dumping não é proibido pelo acordo de Implementação do artigo VI do GATT 1994. Somente desta forma será aplicado a medida cabível ao produto importado.4.23 Como já exposto na introdução do capítulo. a análise é muito semelhante a das tarifas. Assim. de “preço honesto”. competitivo no mercado externo ou expandir seu mercado. que é igual à diferença do preço real do produto e o preço que deveria ser aplicado na exportação. é praticamente judicial. esse incentivo governamental tem por princípio tornar determinado setor da economia ou um bem específico. devido a suas particularidades de definição. segundo Sperandio (2008). mostra que os efeitos de um incentivo destes podem ser muito . caso ela seja considerada culpada. 2004) A grande questão dos subsídios são a sua forma de atuação. conforme citado anteriormente. este último chamado por Krugman. o processo que julga se uma empresa está praticando dumping. se ad valorem é pago uma por uma proporção do valor exportado. aparece talvez uma das barreiras não tarifárias mais peculiares por sua forma de atuação e também pelas disputas internacionais geradas em torno dela.

2004) Esse “efeito cascata” de barreiras é o maior problema a ser resolvido pelos órgãos competentes internacionais. porém o aumento do preço interno é menor que o subsídio concedido. tal excesso só consegue ser escoado com o auxílio de subsídios à exportação. tendo a questão dos subsídios como fator central que impede sua progressiva liberalização. baixando o preço da exportação no estrangeiro. Krugman (2004) mostra que os efeitos internos do subsídio no país exportador são desfavoráveis para os consumidores bem como para o governo. Contrariando os efeitos das tarifas. pois os subsídios distorcem as perdas do consumo e da produção. os custos excedem os benefícios. 2004) . após a concessão de um subsídio às exportações a determinada indústria. o governo gasta com o subsídio. os subsídios pioram os termos de troca.24 prejudiciais para a economia e sociedade como um todo. Daí se depreende a relevância das regras vigentes no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) que disciplinam a concessão de subsídios e da sua progressiva reforma visando sempre à maior eficácia na correção e prevenção das distorções dos mercados agrícolas mundiais. resultando em excesso produtivo. Com alta do preço interno. Pois. Como os preços mundiais são. o país exportador pode se tornar um alvo atrativo de empresas estrangeiras que queiram exportar sua produção. Ou seja. os preços locais sobem em decorrência da queda no estrangeiro. (Dantas. Assim. mais baixos do que os praticados no mercado interno. principalmente a OMC. proporcionado pelo subsídio às exportações. já que os poucos que obtêm lucro com ele não pretendem perder essa parcela de incentivo. podem entrar novamente as tarifas. Observa-se que os problemas do comércio agrícola mundial estão interligados. Ainda. (Dantas. nesse ponto. os consumidores são penalizados com um preço maior do bem e o único beneficiado é o produtor interno (ou exportador). as quotas e outras barreiras tarifárias ou não. para que isso não ocorra. tendo em vista que os elevados preços do mercado interno atraem importações. em geral. faz-se necessária a adoção de alguma forma de restrição para evitar que importações ameacem os objetivos que justificaram a adoção das medidas de apoio interno inicialmente. medidas de apoio doméstico estimulam a produção. na análise de Krugman. Com efeito. A perda líquida de bem-estar é semelhante a que a tarifa produz. Há uma necessidade de justificar a concessão de subsídios. outras medidas devem ser tomadas para que os subsídios sejam justificados.

3. as autoridades governamentais usam diversos discursos. Os empréstimos a juros baixos concedidos a compradores estrangeiros. a fim de incentivar as exportações do país. como necessidade de proteger a mão de obra doméstica mais cara. usando todos os meios possíveis para tal e. Na análise de Salvatore (2000). necessidade da . são uma forma muito utilizada pelos países desenvolvidos para estimular suas exportações e em alguns países chegaram a representar valores próximos de 40% dos financiamentos das exportações. O montante de subsídios é representado pela diferença entre os juros que teriam de ser pagos por um empréstimo comercial normal e o valor efetivamente pago à taxa subsidiada. se essas ações fazem sentido para melhorar o bem-estar da nação ou estão agindo apenas para proteger setores estratégicos da economia. E.25 Os subsídios às exportações pagos diretamente ao produtor ou exportador não são a única forma de subsídio. empréstimos subsidiados aos exportadores. as principais formas de políticas comerciais. principalmente entre EUA e União Europeia. (Salvatore. os subsídios entendidos desta forma podem ser considerados uma forma de dumping. como citado anteriormente. 2. Este subcapítulo visa esclarecer como os países agem para “defender” sua economia do acesso livre dos produtos estrangeiros. embora os subsídios tenham sido proibidos através de diversos acordos internacionais eles continuam sendo concedidos. empréstimos a juros baixos concedido aos importadores estrangeiros. os beneficiados e os prejudicados pelas ações dos órgãos responsáveis por elas. de forma discreta ou não. Protecionismo como Política Comercial Foram repassadas nos subcapítulos que antecederam este. 2000) Valores esses que geraram intensas disputas internacionais. as barreiras tarifárias e não-tarifárias. Para proteger uma economia da entrada de produtos estrangeiros mais baratos. eles podem ser concedidos através de isenção fiscal. afirma que.

Alguns desses argumentos são questionáveis. No argumento em favor do protecionismo para proteger a mão de obra doméstica mais cara. devido. como o desemprego doméstico. p.26 aplicação da tarifa “científica”. que igualaria os preços dos produtos na entrada do produto estrangeiro mais barato. Krugman (2004. da produção do bem intensivo em mão de obra. p. em consequência. necessidade de reduzir o desemprego doméstico ou sanar um déficit no balanço de pagamentos. ou corrigir o que outras políticas não corrigiram como o déficit no balanço de pagamentos. 232) aponta as falhas de mercado local como argumento para o protecionismo comercial. É possível na teoria. o comércio mutuamente benéfico poderia basear-se ainda nas vantagens comparativas. pelo menos parcial. em contrapartida. Mesmo se não fosse este o caso. . 2000) Já no caso de aplicação de barreiras para corrigirem falhas de mercado. insere-se numa esfera de análise mais complexa e repleta de divergências entre os economistas. a outra alternativa. a aplicação delas eliminaria a diferença de preços internacionais. citada por Salvatore. se esse bem fizer parte de algum setor estratégico. a questões políticas. pois o país deveria substituir a produção dele pelo produto importado. pode ser aceita se realmente a nação com mão de obra mais cara for mais produtiva. e alguns autores apontam formas alternativas ao protecionismo comercial para corrigir essas falhas ou necessidades. Esta alternativa. entre outros. os custos da mão-deobra doméstica podem ainda assim ser inferiores se a produtividade da mão-de-obra doméstica for suficientemente mais elevada do que a externa. principalmente. obrigaria a nação importadora a abrir mão. (Salvatore. a das vantagens comparativas. com a nação de mão-de-obra barata se especializando na produção e exportação das commodities intensivas em mão-de-obra e a nação de mão-de-obra cara se especializando na produção e exportação das commodities intensivas em capital. essa opção pode ser descartada. Salvatore (2000. eliminaria o comércio de produtos sujeitos a essas tarifas. mas não é o que aconteceria na realidade. 158) aponta como alternativa a produtividade maior da mão de obra doméstica ou até mesmo a economia se basear no princípio das vantagens comparativas para superar essa desigualdade. No caso das tarifas científicas. É um argumento forte contra esta aplicação. O motivo pelo qual este argumento é falacioso é que mesmo se os salários domésticos forem superiores aos salários no exterior.

cada um desses exemplos ocorre porque algum mercado dentro do país não está cumprindo sua função – o mercado de trabalho não está em equilíbrio. Seria melhor que se corrigisse o mercado de trabalho. Em consequência. Caso contrário. pois como exposto anteriormente.. [. gerando ineficiência no comércio internacional.] eles incluem a possibilidade de que o trabalho utilizado em um setor poderia de outro modo estar desempregado ou subempregado. . todos sairão perdendo. por exemplo. o governo deve intervir para corrigir essa falha. que seriam indesejáveis em uma economia de pleno emprego.. p. a intervenção em outros mercados pode ser a “segunda melhor” maneira de solucionar o problema.] se o mercado de trabalho não está funcionando adequadamente e não permite o pleno emprego. 232 e 233) ainda aponta que o argumento da falha de mercado local é um caso particular de um conceito mais geral conhecido na economia como teoria da segunda melhor alocação de recursos.] Ou seja. os termos de troca são recíprocos. mas. segundo ele. tornando os salários mais flexíveis.. ao induzir a substituição das importações por produção interna. pode haver retaliação por parte das outras nações. a existência de defeitos nos mercados de capitais ou de trabalho que inviabilizam a transferência rápida de recursos para setores que possibilitam grandes rendimentos e a possibilidade de difusão de tecnologia das indústrias novas ou particularmente inovativas. As análises feitas sobre as falhas de mercado local apontam alguns questionamentos favoráveis à proteção do mercado. se por qualquer motivo isso não pode ser feito. e ao final. Essa teoria. estabelece que uma política sem interferência seja desejável em um determinado mercado somente se todos os outros mercados estiverem funcionando corretamente.27 [. porém algumas linhas de defesa do livre comércio argumentam que essas falhas devem ser corrigidas por políticas domésticas e não por políticas de comércio internacional. Krugman (2004. Pois se a proteção pode reduzir o desemprego doméstico e o déficit no balanço de pagamentos. o mercado de capitais não está alocando recursos eficientemente e assim por diante.. uma política de subsídios às indústrias intensivas em mão-de-obra. ela está afetando diretamente outras nações com suas políticas protecionistas.. se tornaria uma boa sugestão.. [. podendo agir em outros mercados para compensar o mau funcionamento de um deles.

e que fará parte do restante do trabalho. com objetivos muito parecidos com os da ALC. Como ressalta Carbaugh (2004). a integração econômica é a união de duas ou mais economias nacionais por meio de um acordo comercial regional. já citada antes. Já a união aduaneira é um acordo entre dois ou mais países. as políticas comerciais com relação a terceiros devem ser idênticas entre eles. Integração Econômica Os acordos comerciais entre países que visam a diminuição das barreiras ao comércio. bem como da teoria de segundo melhor. um mercado comum ou uma união econômica. embora os custos possam não ser tão aparentes. comumente é citado na literatura como acordos de integração econômica. Os dois últimos modelos de integração são bem diferentes dos já citados. porém. porém. com certeza.28 Os formuladores de políticas deveriam pensar sempre em aplicar a “melhor política” e não a “segunda melhor”. cada membro conserva as suas políticas comerciais com relação a terceiros estranhos ao acordo. ainda menos desejável. que são medidos pela eliminação de barreiras ao comércio. o mercado comum representa um estágio mais completo de integração do que uma ALC ou uma união aduaneira. uma política comercial é. uma união aduaneira. Segundo Carbaugh (2004). o início das . qualquer política comercial aplicada deveria ser sempre comparada com uma política puramente doméstica para corrigir a mesma falha. que podem ser uma área de livre comércio (ALC). O próximo subcapítulo tratará dos modelos de integração econômica. permitindo. Pois se a política doméstica parece dispendiosa ou tem efeitos indesejáveis. 2. geralmente devido ao seu grau de integração. aos pagamentos e a mobilidade internacional de fatores de produção. a livre movimentação de bens e serviços entre os membros. Esses acordos comerciais tomam variadas formas. Mercado comum é um grupo de nações que comercializam entre si.4. uma ALC é a associação de países que comercializam cujos membros concordam em eliminar todas as barreiras comerciais entre eles. Como afirma Krugman (2004).

pois após o surgimento da teoria do “segundo melhor”5. entre países que se complementam ou são peças-chave de acordos entre vários países. p. 178). por exemplo. Essas posições irredutíveis 5 Segundo Salvatore (2000. Pode-se citar neste caso Brasil e EUA nas negociações da ALCA. não necessariamente levam ao livre comércio. que segundo Baumann. Canuto e Gonçalves (2004). pela incredulidade do Brasil de que os norte americanos seriam mais flexíveis nas negociações e. principalmente. vários analistas creditam o insucesso nas negociações do projeto da ALCA pelo resultado negativo entre as negociações de Brasil e EUA. E a união monetária é o último ponto para completar o processo de integração. o fato mais relevante das integrações econômicas são os seus efeitos. sobre as uniões aduaneiras. diminui as barreiras comerciais somente para os países membros do acordo. a teoria do segundo melhor. também pelas posições irredutíveis dos EUA frente as variadas tentativas de acordos parciais. . Os motivos que levam os países a se integrar são variados. Possibilidades de maior crescimento devido à união com países que se complementam. Incentivos de transferência de tecnologia e até controle de imigração. os países que fazem parte de um mercado comum evoluem para um estágio de união econômica. aumentando as restrições e dificultando o comércio com os demais países não membros do acordo. esses acordos andam no sentido contrário ao livre comércio. Portanto. dentre outros. Este insucesso ocasionado. podendo ser devido a: Receios de futuras políticas restritivas de comércio. a tentativa de satisfazer tantas dessas exigências quanto for possível não leva necessariamente. suas políticas fiscais. segundo esses autores.29 restrições comerciais aos não membros e a livre movimentação de fatores de produção pelas fronteiras nacionais. afirma que. ou de modo geral. monetárias e tributárias são integradas e administradas por uma instituição supranacional. que uma união aduaneira. se todas as condições necessárias para maximizar o bem-estar ou atingir o Ótimo de Pareto não podem ser satisfeitas. foi apontado no trabalho pioneiro de Viner em 1950. Muitos autores ainda falam sobre integrações tratadas através de acordos bilaterais. Porém. a segundo melhor posição em termos de bem-estar. e ratificada posteriormente por Meade (1955) e Lipsey e Lancaster (1956).

5. O Modelo Teórico de Equilíbrio Parcial de Laird e Yeats (1986) Como foi apresentada no subcapítulo anterior. porém beneficiados pelo diferencial de tarifas. existem as uniões aduaneiras que geram comércio e as que desviam comércio. que será explicado melhor adiante. algumas delas. as que criam o comércio são as consideradas pela literatura como bem sucedidas. e outras variáveis como preço. elasticidade de importações infinitas. 2007) Em 1986. (Júnior e Fonseca. 2) O modelo gravitacional. os quais serão mostrados no próximo subcapítulo e será objeto do trabalho nas análises finais.30 norte americanas foram. a integração econômica referese a uma situação de eliminação de barreiras e outros fatores que impedem a livre circulação de mercadorias e fatores produtivos. 3) O modelo das abordagens da elasticidade. por fornecedores menos eficientes. a literatura essencialmente menciona três abordagens: 1) Os modelos de crescimento da taxa de importação. Laird e Yeats desenvolveram um modelo de equilíbrio parcial dentro da abordagem das elasticidades. existem basicamente dois modelos: O de equilíbrio geral e o de equilíbrio parcial. com a finalidade de abstrair o que não é aparentemente importante. 2. através de um acordo firmado entre países. são consideradas constantes. estranhos ao acordo. se utiliza de funções de demanda e importações isoelásticas. . para análise. taxa de câmbio e renda. esse modelo parte da análise do equilíbrio parcial do bem-estar. Na mensuração dos efeitos de integração econômica sobre os fluxos de comércio. baseadas em afirmações sem análises mais profundas de criação e desvio de comércio. as que desviam comércio são tratadas como o efeito indesejado da integração por trocar fornecedores mais eficientes. inicialmente. Conforme afirma Salvatore (2000). Como o objeto do estudo será o de equilíbrio parcial. Essa geração e desvio de comércio são mensurados através de modelos estáticos de equilíbrio parcial. pois é um exemplo de eficiência nas trocas comerciais e.

Segundo os mesmos autores. em que representantes do governo norte americano afirmaram que o principal efeito do Mercosul foi o desvio do comércio. dentro de um bloco econômico. Exatamente por ser uma análise de equilíbrio parcial. a criação de comércio. Permite simular os efeitos individuais dos produtos. porém. ou ao acordo. não se pode afirmar com precisão sem apontar evidências que comprovem tal fato.31 É uma análise estática que calcula os efeitos de primeira ordem de reduções tarifárias diferenciadas durante acordos preferenciais de comércio. um dos principais argumentos contrários à criação de acordos regionais de integração comercial está na ocorrência de desvio de comércio. afeta apenas os preços dos bens sujeitos a ela. por um menos eficiente. segundo a teoria. é o efeito esperado das integrações comerciais. diminuindo assim o bem-estar da nação importadora e também o excedente do consumidor. porém beneficiado pelo diferencial de tarifas externas por ser pertencente ao acordo comercial. pela produção mais cara do novo parceiro comercial. e suas implicações na redução tarifária. substituindo a produção interna. Em contrapartida. dentre os efeitos de acordos desse tipo. A criação de comércio ocorre. Parte-se da suposição que a liberalização tarifária. não existem efeitos sobre os bens produzidos internamente. que é o aumento do volume do comércio devido à redução geral do nível de proteção. a literatura nos aponta. que é a substituição de um fornecedor mais eficiente externo ao bloco. consequentemente. exatamente por expor o contrário da criação de comércio. 2005) O modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats se baseia na criação e desvio de comércio. e de outros fornecedores não pertencentes ao acordo mais eficientes e. Segundo Nonnenberg e Mendonça (1999). Essas afirmações foram feitas nas negociações sobre a implantação da ALCA. que produzem a um custo mais baixo. (Fonseca e Hidalgo. Já o desvio de comércio é o efeito indesejado das integrações. quando os parceiros comerciais são competitivos antes do acordo e são complementares após o acordo. pois substituirão a produção interna mais cara pelo produto importado do parceiro por um preço mais baixo. Essas . há um receio pelos países desenvolvidos que acordos desse tipo proporcionem um desvio de comércio superior à criação de comércio.

a principal vantagem da utilização dessa abordagem é o pequeno volume de informações necessárias. as tarifas. Segundo Fonseca e Hidalgo (2005). Outra crítica ressaltada pelos autores. desvio de comércio e criação de comércio. Por exemplo. Neste trabalho será adotado o modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats devido ao fato de ser uma abordagem comumente utilizada na literatura sobre integrações econômicas para mensurar seus efeitos. Embora os modelos de equilíbrio parcial recebam as críticas já mencionadas.32 afirmações ratificam a necessidade de estudos a respeito dos principais efeitos das trocas comerciais oriundas de integrações econômicas ou de acordos comerciais. é que a análise do modelo de equilíbrio parcial não considera que os termos de troca sejam afetados pela desgravação tarifária. conforme apontado por Nonnenberg e Mendonça (1999). em razão de modificações na taxa de câmbio. descaracterizando o desvio de comércio. pode conduzir a alguns erros de interpretação. e não pelo benefício da desgravação tarifária ou da redução da proteção. Nesse modelo serão verificados apenas dois efeitos. já citados anteriormente. ainda são uma das melhores formas de simulação dos reais efeitos dos acordos comerciais sujeitos a reduções tarifárias ou eliminação total das barreiras. Existem alguns problemas na tentativa simplificada de examinar a variação da proporção entre as trocas intra regionais no total do comércio dos membros do bloco como indicativo de existência ou não de desvio de comércio. Comparativamente. a elasticidade preço da demanda de importações e a elasticidade de substituição. como a demanda de importações. provocada por queda de competitividade da produção doméstica. o aumento de participação das trocas intra regionais pode ser resultado de aumento da competitividade dos parceiros do bloco. . uma redução dessa participação pode ocasionar um aumento da demanda externa de um determinado produto.

2003) Essa evolução brasileira no setor citrícola deve-se principalmente a organização efetiva dos produtores e na ampla aprendizagem do comércio internacional que começou a acontecer a partir da década de 80. destaca-se como principal produto o suco de laranja. que em 2002 chegou a trazer para o Brasil mais de US$1 bilhão em divisas. Nassar e Neves. Um setor de amplo destaque nesta modernização é a cadeia citrícola. podendo ser na forma de isenção de tarifas. 1996) Dentro da cadeia citrícola. (Marino. começou a ser alvo de severas barreiras às exportações da laranja e do próprio suco. BARREIRAS COMERCIAIS AO SUCO DE LARANJA BRASILEIRO: O CASO DE BRASIL E EUA O setor agrícola brasileiro é um dos mais importantes para a economia brasileira. inseriram-se no contexto de barreiras também as não-tarifárias. a isenção de tarifas através de um acordo de liberalização comercial. regra geral. Um dos principais meios para corrigir esses impasses são acordos bilaterais. 2003) . (Reis e Campos. Desde que o Brasil se tornou o maior produtor de laranja na década de 80. alavancaria o setor. liberação das quotas. 2003) Em função das restrições. gerando empregos e melhorando o saldo da balança comercial brasileira. acordos de subsídios. com a maior regulamentação das tarifas nesse período. todas as barreiras existentes impedem que o Brasil atinja seu potencial máximo exportador. que é o responsável pela evolução constante e pela globalização do setor. o Brasil cresceu a cada ano o número de negócios internacionais. Nassar e Neves. E há alguns casos em que o produto brasileiro chega a ser penalizado com metade do seu valor. (Maia.33 3. (Marino. o produto brasileiro perde competitividade no mercado internacional. O nível de proteção ao mercado local entre os países varia mas. desde a modernização da agricultura na década de 70. para ser um dos setores mais assistidos. período que o setor citrícola deixou de ser um reclamante residual que ficava sempre em segundo plano nas exigências para o agronegócio brasileiro. dentre outros. entre tarifas e BNTs. Tendo os EUA como um dos principais destinos do suco de laranja brasileiros. reduzindo a entrada de divisas para o país.

Transformando assim os EUA no maior consumidor do suco de laranja brasileiro. valores próximos aos de meados da década de 90. 2003) O principal destino do suco de laranja brasileiro é a União Europeia. Os EUA já estavam. .000 toneladas exportadas por ano. chegando em 2000/2001 a uma marca próxima de 22% do total. o Brasil perde espaço no mercado americano de suco de laranja.000 toneladas. que é o principal produto desta cadeia. com exceção do ano de 2001. considerando que estes dois países são os principais portos distribuidores da UE. Mesmo assim. No início da década de 90. de suco de laranja concentrado. o que no início da década de 90. Exportações brasileiras de suco de laranja com destino aos EUA Inúmeros produtos compõem a pauta de exportações da cadeia citrícola brasileira. praticamente. (Reis e Campos. destruídos por grandes geadas e outros eventos climáticos desfavoráveis. nas décadas de 60 a 80. Os anos posteriores foram de recuperação. representava 350. já com a restauração integral dos pomares da Flórida. com aproximadamente 70% do escoamento. autossuficientes na produção da fruta. houve algumas desgravações tarifárias oriundas da Rodada Uruguai do GATT. voltando a exportar. porém será utilizado neste estudo os dados do suco de laranja. uma retração de 43%. devido também ao protecionismo elevado neste período.1. e o Brasil voltou a recuperar uma parcela maior do mercado americano. boa parte dessas importações não fica retida para consumo. o principal efeito do alto protecionismo desta década. foi redirecionar as exportações brasileiras para outros mercados. os EUA estão entre os 3 maiores importadores do suco brasileiro. em contrapartida. principalmente o europeu. se forem analisados os países em separado. Os maiores importadores individuais são a Bélgica e a Holanda.34 Neste capítulo serão vistos o fluxo internacional do suco de laranja brasileiro. caiu em 1995 para aproximadamente 200. 3. o protecionismo americano em relação ao seu setor citrícola e as principais negociações de comércio entre Brasil e EUA com relação ao suco de laranja. e é direcionada para outros países europeus.

000 tonelada/ano de suco exportado para os EUA.431. Segundo Reis e Campos (2003). o total exportado de suco de laranja brasileiro para os EUA num acumulado anual.75 960.739 270.1100 à 2009.535.00 191.48 Fonte: Sistema Alice Web do MDIC/SECEX *Dados do Sistema Harmonizado de 8 dígitos: 2009.611. os EUA no início dos anos 2000 produziam em torno de 75% do que era necessário para abastecer o seu mercado interno.355.141.291 252.00 119.298 292. Tabela 1 .371.615.1 milhões.730.623.047 177. US$445.00 235.00 192.00 445. uma economia que representa em média 1/5 das exportações totais desse produto.13 549. os . com pouca variação no preço a partir do ano 2000.667.00 Peso Líquido (KG) 186.119.00 150.153 216.810. sendo os EUA responsáveis por aproximadamente 20% desse valor.36 778.620.00 178.90 762.759.408.35 Segundo dados da SECEX.441.880. Parte desse ponto a análise da importância desse mercado para o suco de laranja brasileiro.811 352.260.Exportações brasileiras de Suco de Laranja para os EUA* Período 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 US$ (FOB) 203.76 631.36 654.714.258.272.206.477 213.290. Hoje o Brasil detém a incrível marca de 50% da produção mundial de suco de laranja e exporta 98% do que produz. 2010) Se forem analisados esses números.596.2 bilhões (FOB) em suco de laranja para o mundo. que não se manteve no ano seguinte.977.935.885 501.69 660.854.648.00 274.451.332.98 887. porém com um salto nas exportações em 2007. em 2007 o Brasil exportou um total de US$2. em dez anos.00 205.379 211. em números.961 US$/TON 1092. vê-se um número próximo de 250.176.910 301. Pode-se observar na tabela 1.89 781.82 713.413.00 112.151. vê-se a importância do Brasil nesse mercado. alcançando em torno de 85% de participação no mercado mundial. (Agrianual.1900 Analisando a Tabela 1.

nesse período a diminuição das exportações regulou o preço no mercado.25 milhões de toneladas.48 FONTE: Elaboração própria com dados da FAOSTAT e do MDIC/SECEX A Tabela 2 mostra claramente a relação Brasil-EUA no mercado de suco de laranja.00 191.858.811.36 outros 25% importava.120.47 61.151. Essas duas tabelas mostram o domínio das exportações brasileiras de suco para os EUA.12 67.00 178.372.00 254.000 (FOB) 337.612.00 286.315. E o Brasil era o grande responsável por abastecer este mercado devido a sua insuficiência relativa de produção. ou seja.00 150.00 119.00 224.620.00 192.00 112.18 Participação brasileira (%) 60. é .00 309.055.Percentual da participação brasileira nas exportações de Suco de Laranja com destino aos EUA Período 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 MÉDIA Exportações mundiais US$1.142. A Tabela 2 mostra as exportações mundiais de suco de laranja com destino aos EUA comparadas às exportações brasileiras e.55 Exportações brasileiras US$1.00 209.413.561.715.910.04 66.888.75 70. produziam entre 900 mil e 1 milhão de toneladas do suco.57 58.00 169.26 63.28 82.969.38 78.00 324.338.467.45 63.00 286.00 566.120. Tabela 2 . explicitando a participação da produção citrícola brasileira no mercado norte americano.00 467.00 445.00 235.00 274.707.172.73 67.441.00 183.00 205.615.00 303.000 (FOB) 203.160. contra um consumo interno de aproximadamente 1. 67% na média das importações americanas de suco de laranja do mundo.21 70. com uma queda nos anos de 2001 e 2004 principalmente aos baixos preços praticados no mercado internacional.

beneficiado pelo NAFTA. Segundo estes mesmos autores. principalmente.37 originária do Brasil. foi um acordo entre países industrializados para eliminar tarifas de produtos de 10 indústrias. começou a serem ampliadas. consegue se sobressair. às barreiras não tarifárias ao comércio. quando o Brasil de tornou o maior produtor de laranja. 3. Segundo Fonseca e Hidalgo (2005). Aplicação de Barreiras Tarifárias e Não-tarifárias ao Suco de Laranja Brasileiro: O protecionismo americano sobre as exportações de suco de laranja brasileiro A partir da década 80. entre as quais. será destacado neste trabalho. o que já era uma reivindicação antiga dos países que têm sua base da economia em produtos agrícolas. foi o “Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio” e o “Acordo das Medidas Sanitárias e Fitossanitárias”. a indústria de máquinas . com o Acordo de Marrakech. Serão vistas as principais tarifas e BNTs e o impacto gerado por elas. principalmente aplicadas pelo mercado americano. que há décadas alterna entre tarifas e BNTs na tentativa de proteção ao seu produtor local e na manutenção deles na sua parcela do mercado norte americano.2. principalmente pelos EUA e União Europeia. que dizem respeito. como o do México. houve uma redução de aproximadamente 40% das tarifas. A partir de 1994. devido principalmente a qualidade do produto e organização de sua cadeia produtiva. O próximo subcapítulo tratar-se-á das barreiras ao suco de laranja brasileiro. inclusive o suco. os EUA. Esse resultado explicita a importância e competitividade do setor citrícola brasileiro. o setor agrícola passou a ser assistido e começou a fazer parte das negociações nesta esfera das discussões sobre o comércio internacional. as barreiras à entrada dos produtos derivados da laranja brasileira. somente a partir da Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral de Políticas e Comércio). principalmente os países considerados em desenvolvimento. que mesmo com barreiras maiores que o dos outros mercados. o principal resultado da Rodada Uruguai. Dentre os principais protetores da sua produção doméstica.

o açúcar. diferentemente das aplicadas pelos EUA. mediante o qual cada um deles se compromete em não cobrar do outro. houve uma série de negociações para a criação da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). principalmente. (Fonseca e Hidalgo. principalmente. Mas esse fato não torna o Brasil um país mais protegido que o americano. na segunda até cinco anos. 2005) No final da década de 1990 e início dos anos 2000. que o tratamento concedido ao parceiro não seja menos favorável do que o concedido a qualquer outro país. as BNTs e outras variantes tarifárias tornam os EUA extremamente protegido. um terço das brasileiras. a eliminação dos subsídios às exportações agrícolas intra bloco e a regulamentação das BNTs. pois embora a carga tarifária seja relativamente baixa no mercado americano. ainda segundo Abreu. o óleo de soja chega a ser taxado 6 A “Cláusula da Nação Mais Favorecida” refere-se a um acordo comercial entre dois países. como observa Abreu (2001. sendo respeitado o princípio da Nação Mais Favorecida (NMF)6. não havendo. segundo dados da Embaixada do Brasil (2007). O principal objetivo da formação da ALCA seriam as desgravações tarifárias. segundo Fonseca e Hidalgo (2005). o objetivo é tornar a oferta apresentada a um país válida para todos. No caso do açúcar. Essas eliminações e regulamentações tinham prazo para acontecer. Porém. 2005). 2005) . É uma promessa que nenhum outro país receberá tratamento preferencial. devido ao excessivo protecionismo americano à sua produção doméstica. essas barreiras são principalmente os picos tarifários. Essa redução tarifária provocou um aumento da aplicação das BNTs. a tarifa média brasileira.7 por tonelada acima da cota. que apareceram como um obstáculo a mais para o livre comércio. exclusões. sofre um pico tarifário de US$338. as quotas tarifárias e outras barreiras não tarifárias. na média. o que é considerado um grande avanço para a agricultura. o Brasil se mostrou receoso e adotou uma postura de não-engajamento. na terceira até dez anos e na quarta após dez anos. ou seja. numa primeira fase as desgravações seriam imediatas. tarifas alfandegárias superiores às que cobra de qualquer outro país. apud Fonseca e Hidalgo. soja. as tarifas norte americanas que estão em discussão na OMC são. laranja e seus derivados. retrata com fidelidade a real proteção que goza o mercado interno frente às importações. sendo observados a sensibilidade de cada produto. Os EUA utilizam uma forma diferenciada de proteção à entrada dos produtos agrícolas brasileiros. que incidem principalmente sobre os produtos agrícolas e insumos industriais. (Fonseca e Hidalgo.38 agrícolas. No caso da ALCA. podendo apenas conter diferentes ritmos e prazos de desgravações de acordo o tratamento especial e diferenciado para economias menores.

correspondente a US$0.8% e o suco de laranja o pico é de US$0. O receio brasileiro em relação ao engajamento no projeto da ALCA. e uma avaliação das políticas comerciais dos EUA é extremamente importante. aprovada em 2002. além do programa de estímulo às exportações e o programa de acesso aos mercados. garantia de crédito aos exportadores e seguros agrícolas. que se tornam importantes obstáculos ao comércio. aproximadamente. é basicamente voltada pra o mercado externo. sobre os incentivos na produção e subsídios. Todas essas políticas comerciais americanas deixam claro que se trata de um mercado em que as negociações são demoradas. E apesar das tentativas de regulamentações da OMC. pois logo após as seguidas reuniões e tentativas de acordo de ambas as partes. como o de acessos a mercado. mais US$ 15 bilhões para outros programas da Farm Bill. (Embaixada do Brasil. devido à dificuldade de se cumprir todas as normas e regulamentos técnicos solicitados. a Farm Bill. Isso equivale a uma tarifa ad valorem média de 32% em 2006. os EUA continuam agindo abertamente ou não na proteção da sua produção local. uma ad valorem média de 16%. já para o suco não concentrado. citado anteriormente. uma volta mais do que declarada ao protecionismo agrícola. os EUA se utilizam de diversas barreiras técnicas. 2005). já que impacta diretamente no setor citrícola.0785 por litro do reconstituído (no caso de suco de laranja concentrado congelado). essa decisão afeta diretamente o Brasil. Conforme Coelho (2003. os EUA puseram em vigor a mais recente lei agrícola. um deles é a garantia de crédito ao setor privado por até sete anos. sendo o valor fixado. Para o caso em questão. A produção do suco de laranja no Brasil.39 em 20. ainda são destinados. Além desse valor. A competitividade do Brasil nesse complexo é afetada pela política de subsídios dos EUA destinada a apoiar seus produtores. apud Fonseca e Hidalgo. único setor em que os subsídios são permitidos pela OMC. a tarifa é de US$0. 2007) . Essa lei institui mais de doze programas voltados ao comércio internacional. Tal país também impõe altas tarifas aduaneiras.045 por litro. não é diferente. os efeitos duram pouco tempo e acontecem muitas mudanças no âmbito de comércio. tem suas justificativas. diferentemente do mercado americano. do suco de laranja. Além dessas barreiras formais. o governo americano autorizou mais de US$ 108 bilhões entre 2002 e 2007 em subsídios aos produtores agrícolas.0785 por litro do suco concentrado.

Entretanto. (Nassar.40 Não bastassem as altas tarifas aduaneiras aplicadas ao suco de laranja. o governo brasileiro questionava essa sobretaxa por não estar prevista nos acordos tarifários assumidos pelos EUA na OMC. 2005). houve um acordo judicial homologado entre Brasil e Estados Unidos da ação de 1994. onde foi concluído que as exportações feitas pelo Brasil causavam prejuízo grave à indústria doméstica americana. importadores americanos e citricultores brasileiros entraram com uma ação contra a cobrança da taxa na Justiça da Flórida. informando que um acordo mutuamente satisfatório havia sido realizado entre as partes e a disputa estava encerrada. utilizado para reduzir e fazer cessar o dano à indústria doméstica. (Sperandio. ambos os países encaminharam notificação conjunta ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC. (Embaixada do Brasil. as importações de suco de laranja brasileiro alcançaram valor superior a US$100 milhões no ano de 2004. apresentou na Organização Mundial do Comércio (OMC) pedido de consulta (Dispute DS382) aos Estados Unidos: Revisão Administrativa antidumping e outras medidas relacionadas à importação de determinados tipos de suco de Laranja do Brasil. Em 1994. Maia e Sampaio. houve redução da participação do Brasil no mercado mundial desse produto. na data de 27 de novembro de 2008. que duraram do ano de 1987 até 1º de Janeiro de 2000 e as medidas antidumping. 2004) . (Costa. através de uma votação no dia 8 de fevereiro de 2006. Os termos desse acordo foram incorporados ao Código Estadual de Cítricos em abril de 2004 e a partir de maio do mesmo ano. Visto que. 2008) O Brasil. Em 2002. 2009) Em 2006 foi imposta uma nova medida antidumping pelos EUA ao suco de laranja exportado pelo Brasil. valor que apresentou significativa queda se comparado ao ano de 2003. As medidas antidumping são os maiores alvos de disputas entre Brasil e EUA. Além disso. esse pedido ainda 7 O direito compensatório é um mecanismo de defesa comercial. sob a alegação que os proventos obtidos eram usados para promover o suco de laranja dos produtores da Flórida (seu maior concorrente). no importe de aproximadamente US$190 milhões. a medida foi imposta pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC). que começaram a partir de 1987. o setor citrícola brasileiro ainda sofre com os direitos compensatórios7. em decorrência de práticas desleais cometidas por empresas estrangeiras que recebem subsídios governamentais. o Brasil solicitou a abertura de um “painel” junto a Organização Mundial do Comércio (OMC) para julgar a referida taxa. Já em junho de 2003.

sobre como uma abertura econômica demasiada poderia prejudicar sua produção. 2005) Segundo Neves (2010). passando a produzir no mercado interno e assumindo o papel de compradores desse produto dentro dos EUA. e será estritamente medida para um único produto. Essa eliminação total das barreiras comerciais está baseada nos estudos sobre as negociações da ALCA. entre todas as medidas de proteção ao produtor local aplicadas pelos EUA em relação ao suco de laranja brasileiro. (Fonseca e Hidalgo. Com aumento de renda para o Brasil e. porém todos os pareceres foram favoráveis ao Brasil. Alguns autores defendem a integração econômica como alternativa para se retomar as negociações referentes aos produtos do setor.41 está sendo investigado. principalmente em reclamações internas. Em contrapartida.7%. (Sperandio. consequentemente. Ou seja. nesse caso o Brasil. no quarto capítulo. o suco de laranja. uma geração de empregos no setor citrícola. Há vários tipos de acordos sobre políticas econômicas entre Brasil e EUA. Antes. será visto os meios para se chegar ao resultado final e análises. um valor próximo da metade de todo o suco brasileiro que entra nos EUA é alvo de tarifas. medidas antidumping e outras BNTs. entre os produtores. mas os produtores agrícolas brasileiros estão quase sempre em desvantagem nessas negociações. 2008) Assim. medidas compensatórias. em função dos recursos externos que entrariam a mais no país ou pela possibilidade de aumento da demanda no mercado internacional com a diminuição do custo final do produto para o consumidor. esbarra em vários fatores. A eliminação dessas elevadas barreiras poderia trazer uma melhor remuneração para toda a cadeia produtiva. mas como o assunto é de extrema complexidade. . De acordo com Nassar (2004). O objetivo do capítulo 5 é mostrar como uma eliminação total das barreiras em relação ao suco de laranja brasileiro pode proporcionar aos produtores brasileiros e importadores americanos uma alavanca em seus negócios. somam um equivalente ad valorem de aproximadamente 44. a proteção ao suco de laranja foi um dos motivos que estimulou empresas do Brasil a realizar investimentos na indústria citricultora da Flórida. estão os produtores do país que sua produção é prejudicada devido aos altos níveis de barreiras à entrada.

00) e. como segue: O acordo comercial entre EUA e Brasil. no período de 1998 a 2008. partindo da hipótese formulada. Os dados coletados do suco de laranja do Alice Web foram do sistema harmonizado de 8 dígitos. Conforme apresentado anteriormente. Os dados coletados da FAOSTAT foram do total importado do mundo pelos EUA do suco de laranja não concentrado e concentrado.Suco de laranja congelado não fermentado (2009. bem como dados das exportações mundiais do suco de laranja com destino aos EUA. conforme segue: . -Suco de laranja não congelado. seguiu-se na tentativa de corroborá-la com o auxílio dos métodos e técnicas de pesquisa.1. . para mensuração dos efeitos de criação e desvio de comércio. Todos os dados coletados foram acumulados anuais do período de 1998 a 2008.42 4. os quais abrangem todos os dados de sucos coletados do Alice Web para as exportações do Brasil com destino aos EUA. com relação à desgravação tarifária sobre as exportações de suco de laranja brasileiro com destino aos EUA. A partir desta hipótese.00). gera uma criação de comércio superior ao desvio de comércio.12. METODOLOGIA 4.00). Metodologia e Fonte de dados O método de abordagem deste trabalho foi o indutivo. este modelo apresenta as seguintes fórmulas: . com valor brix menor ou igual a 20 (2009.11. Como proposta para análise.Outros sucos de laranja não fermentados (2009.19. utilizar-se-á o modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats (1986). Destaca-se que os locais de coleta foram o sistema Alice Web do MDIC/SECEX e FAOSTAT (Base de dados da Organização da Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). assumir-se-á a hipótese de eliminação total das barreiras comerciais norte americanas com relação ao suco de laranja brasileiro. Foram coletados dados sobre as exportações do suco de laranja brasileiro para os EUA.

Na maioria dos casos. ∆ti /(1+ti) (02) (01) A criação de comércio. É aceitável no caso de grandes economias. ∆ti /(1+ti) [1-(Emi/Exi)] CCi = criação de comércio do bem i. A equação de criação de comércio é calculada a partir de: CCi = Mi . o que implica um custo marginal constante no país exportador. transportes. ∆ti = variação da tarifa Admitindo que a elasticidade preço de exportação (Exi) tende para o infinito9. é razoável quando as exportações para os parceiros não tenham muito peso no total das importações do país em questão. 9 Segundo Visconti e Kume (2010). supõe-se que é infinita. incluindo o equivalente ad-valorem da tarifa específica8. Emi .43 Criação de Comércio A fórmula utilizada é a seguinte: CCi = Mi . Carvalho e Parente (1999 apud Fonseca e Hidalgo 2005) afirmam que esse modelo. além de outras BNTs. de acordo com esta equação. o termo Emi/Exi pode ser desconsiderado. Alguns autores preferem atribuir um valor “razoável” para esse parâmetro e efetuar exercícios com valores levemente superiores e inferiores para testar a sensibilidade dos resultados. já que as exportações de suco de laranja para os EUA possuem um peso pequeno nas exportações totais do Brasil. ti = tarifa ad-valorem. ocorre devido a uma redução tarifária que provoca uma variação no preço do bem i vendido ao país importador. resulta na variação do total importado. 8 . seguros e fretes. que multiplicada pela elasticidade-preço da demanda de importação deste bem e pelo valor das importações do ano base. como o Brasil. Exi = elasticidade preço das exportações. O equivalente ad valorem refere-se às incidências tarifárias. porém não é o caso deste trabalho. a falta de informações sobre a elasticidade-preço das exportações é uma das principais dificuldades na aplicação desse modelo. Emi = elasticidade-preço das importações. Mi = Valor das importações no ano base. o qual admite elasticidade da oferta das exportações é infinita. Emi .

mede o incremento nas importações decorrente da substituição das importações de fornecedores externos ao bloco pelas de seu parceiro do bloco. beneficiados pelo diferencial de tarifas. ESi. MRMi .44 Desvio de Comércio A equação conhecida como desvio de comércio.∆(PPi/ PRMi)] (03) DCi = desvio de comércio do bem i MPi = importação dos parceiros do bloco. PRMi = preço das importações do resto do mundo. o desvio de comércio mede o aumento das importações intra bloco em detrimento das importações oriundas de não parceiros do acordo. PPi = preço das importações dos parceiros do bloco. ESi = elasticidade de substituição. Apesar de ser uma equação mais complexa.∆(PPI/PRMi) / [MPi + MRMi + MPi . provoca uma mudança em favor das importações brasileiras. enquanto a criação de comércio significa apenas o aumento das importações do bem i pelo país importador. que multiplicado pela elasticidade de substituição e. . entretanto. não se verificará o desvio de comércio. e pode ser representada da seguinte forma (supondo também elasticidade-preço de exportação infinita): DCi = MPi . considerada a proporção das importações do Brasil e dos fornecedores do resto do mundo. O aumento das importações ocorre graças à substituição de fornecedores. Segundo Fonseca e Hidalgo (2005). se o país que recebe o benefício do diferencial de tarifas for o mais eficiente. ESi. MRMi = importação do resto do mundo. a interpretação é bastante simples: a redução da tarifa exclusiva sobre o suco de laranja proveniente do Brasil altera o preço relativo em relação às importações do resto do mundo.

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Assim, o impacto total da liberalização das importações (∆Mi) pode ser medido como: ∆Mi = CCi + DCi (04)

A equação (04) mostra a soma do aumento de comércio advindo da criação de comércio com o desvio de comércio, mostrando os efeitos totais das desgravações tarifárias10. Quanto a elasticidade-preço da demanda de importações do suco de laranja, foi utilizado uma proxy de acordo com resultados obtidos por Cline (1978, apud Fonseca e Hidalgo, 2005) para os EUA. Segundo os autores, as elasticidades dos EUA possuem valores maiores e aparentemente mais condizentes com a realidade.

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As deduções das fórmulas de criação e desvio de comércio podem ser encontradas em Laird e Yeats (1986) e Fonseca e Hidalgo (2005).

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5. RESULTADO E ANÁLISE DOS DADOS

5.1. Resultado e Discussões dos Cálculos de Criação e Desvio de Comércio

Para o desenvolvimento da análise dos resultados, assumiu-se a hipótese de eliminação de 100% das barreiras comerciais sobre as exportações de suco de laranja brasileiro para os EUA, no período de 1998 à 2008. Os resultados obtidos com o modelo estão explicitados na tabela abaixo.

Tabela 3 - Resultado das simulações das exportações do suco de laranja brasileiro para os EUA pós acordo comercial¹
Aumento com a Criação de Comércio (US$ milhões) 26.469,00 26.729,00 25.013,00 14.608,00 19.605,00 24.845,00 15.489,00 23.229,00 30.642,00 57.868,00 35.677,00 27.288,55 Aumento com o Aumento total Aumento Desvio de de comércio total Comércio (US$ de comércio (US$ milhões) (%) milhões) 18.195,00 17.983,00 16.827,00 9.983,00 12.883,00 16.357,00 9.972,00 14.944,00 19.351,00 35.375,00 24.437,00 17.846,09 44.664,00 44.712,00 41.840,00 24.591,00 32.488,00 41.202,00 25.461,00 38.173,00 49.993,00 93.243,00 60.114,00 45.134,64 21,94 21,75 21,74 21,88 21,54 21,56 21,37 21,37 21,21 20,95 21,90 21,56

Anos 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Média

Exportações do Brasil para os EUA antes do acordo (US$ milhões) 203.615,00 205.612,00 192.413,00 112.372,00 150.811,00 191.120,00 119.151,00 178.620,00 235.715,00 445.142,00 274.441,00 209.910,18

FONTE: Elaboração própria com dados do sistema Alice Web do MDIC/SECEX e da FAOSTAT NOTA: ¹Todos os dados são acumulados anuais para o período em questão. A escolha do período de 1998 a 2008 se deve pela intensificação das negociações da ALCA no início dos anos 2000, bem como as várias negociações no âmbito da OMC com relação às excessivas barreiras de entrada do suco de laranja brasileiro impostas pelos EUA, principalmente as medidas antidumping.

Postulou-se hipoteticamente a formação de um acordo comercial entre Brasil e EUA, com eliminação total das barreiras relativas ao suco de laranja brasileiro.

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Essa simulação foi semelhante às realizadas por diversos autores a fim de mensurar os efeitos da possível implantação da ALCA. Porém, este trabalho restringiu-se a análise para apenas um produto. Esses resultados hipotéticos tentam explicar, em parte, um resquício das negociações do projeto da ALCA, as negociações da cadeia citrícola, que se acentuaram após as várias rodadas de negociações sobre a implantação da Área de Livre Comércio das Américas. Salienta-se que este trabalho não visa estimar os possíveis efeitos da ALCA sobre as exportações do suco de laranja para os EUA, tendo em vista o fato de que as negociações para esse projeto terem sido praticamente encerradas. Objetivou-se explicar a competitividade do suco de laranja brasileiro, talvez, juntamente com o açúcar e o algodão, um dos produtos agrícolas mais visados pelas barreiras comerciais. A análise foi feita através da metodologia semelhante a utilizada por diversos autores com a finalidade de simular possíveis efeitos da ALCA na economia brasileira. O resultado mostra um aumento das importações norte americanas do suco de laranja advindo do Brasil em todos os anos pesquisados. Também se verifica que em todos os anos a criação de comércio foi superior ao desvio de comércio. Através da tabela 3, verifica-se que caso ocorresse a eliminação total das barreiras às importações do suco de laranja brasileiro em função do acordo comercial entre Brasil e EUA, estas aumentariam em média 21,56% entre 1998 a 2008. Um resultado muito próximo ao calculado por Fonseca e Hidalgo (2005), de 22% de aumento de comércio devido à criação e desvio de comércio, porém, salienta-se que o período utilizado por esses autores foi mais restrito, acumulado de 1999 a 2002. Observa-se um resultado promissor com relação ao aumento das importações oriundas da criação de comércio, significativamente maior que o aumento com o desvio de comércio. Conforme já destacado anteriormente, o receio dos países desenvolvidos era que ocorresse o contrário, distorcendo a eficiência das trocas comerciais ao substituir fornecedores mais eficientes por outros menos eficientes, porém beneficiados pelo diferencial das tarifas. Inicialmente, salientou-se que este trabalho não tem a intenção de avaliar os efeitos sobre os outros produtos agrícolas, apenas sobre o suco de laranja, por esse fato abstêm-se de comentários com relação a outros produtos e seus efeitos de criação e desvio de comércio sob as

obtiveram resultados significativamente diferentes. o efeito menos desejado. de aproximadamente 22%. o acordo comercial seria de extrema significância para o Brasil. E os 40% restantes. Neste sentido.134.48 mesmas condições. menciona-se que o efeito da criação de comércio superior ao desvio evidencia a competitividade brasileira nesse setor. com base de dados para implementação de choques. os quais realizaram uma mensuração de equilíbrio geral através do modelo computável Global Trade Analysis Project (GTAP).7% e o que foi ganho com a eliminação das BNTs 43%. para o período de 1999 a 2000. Percentual bem diferente do encontrado neste estudo. Com isso.64 milhões (média anual). As estimativas de Kume (2003) para o incremento de comércio no caso das eliminações totais das barreiras para o suco de laranja resultaram em 80% de aumento entre criação e desvio de comércio. 60% viriam do efeito criação de comércio. devido aos motivos já explicitados. com . Desse valor total. menciona-se também o estudo de Reis e Campos (2003). em virtude dos inúmeros ganhos advindos desse mercado. ou seja. o efeito oriundo do desvio de comércio pode induzir a várias interpretações incorretas. aproximadamente US$ 95 milhões. o mais desejado. O mais apropriado para a análise em questão foi o primeiro cenário. Os autores também salientam que Kume utilizou equivalentes tarifários mais adequados para o estudo de 92 produtos brasileiros. o que foi ganho com a eliminação das tarifas de 56. Porém. do desvio de comércio. Desta forma. Como referência. a produção doméstica pela importação do suco de laranja brasileiro. Outros estudos que utilizaram elasticidades-preço da demanda diferenciadas. dos quais 13. Também foi citado que a eliminação total das barreiras comerciais causaria um aumento de US$ 697 milhões nas exportações totais com destino aos EUA. como já foi citado no subcapítulo (2. os ganhos totais de comércio provindos dessa parceria seriam em torno de US$ 45. hipoteticamente. conforme apontado por Fonseca e Hidalgo (2005). os EUA substituiriam. um valor próximo de 22% de incremento de comércio.5).6% devido ao suco de laranja. sendo que alguns resultados para outros produtos podem ser vistos em Fonseca e Hidalgo (2005). O trabalho desses autores se baseou em três cenários de desgravações tarifárias para simular os possíveis efeitos na implementação da ALCA. podendo-se até serem mensurados com distinção.

os resultados animadores com relação a esses produtos não é suficiente para garantir um bom desempenho da balança comercial. Considerando que o modelo utilizado foi de equilíbrio parcial. isto devido principalmente ao fato de ser uma análise mais simples de eliminação total de barreiras. tanto em termos globais quanto em relação à economia norte americana. de 23% de aumento das importações do suco de laranja pelos EUA. mais precisamente sobre o suco de laranja. Cabe ressaltar que situações como essas . exposta apenas para verificar um resultado específico. referese à escassez de informações sobre as definições dos interesses nacionais disponíveis para orientação de um debate em um processo de liberalização comercial nas Américas. Enfatiza-se que o presente trabalho procurou lançar alguns esclarecimentos sobre os efeitos provenientes desses acordos. no período de 1999-2000.devem vir acompanhadas de uma exigência do país que a concede. não se buscou a análise mais abrangente do que seria essa exigência. sendo limitado ao setor citrícola. é que não foram analisadas as consequências de uma possível liberalização comercial para o suco de laranja em relação a outros setores. Dando seguimento ao trabalho. a formação da ALCA teria como principais beneficiados no complexo agroindustrial brasileiro (CAI) os produtores de açúcar e de suco de laranja. neste caso dos EUA. . não demonstrando pretensão de exaurir a discussão a respeito dos pontos positivos e negativos. salienta-se que além do período ser mais restrito. Desta forma. segundo os mesmos autores. apenas o volume de incremento de comércio para esse produto. pois caso contrário. os autores utilizaram dados apenas do suco de laranja concentrado congelado (SLCC). como ressaltam esses autores. se tornaria uma situação irrealista. destaca-se que uma das principais deficiências das políticas comerciais brasileiras. No entanto. Porém.de eliminações totais das barreiras comerciais para um produto . sendo que os autores supramencionados obtiveram um resultado muito semelhante ao deste trabalho. não foram mensurados esses impactos fora do setor do suco de laranja.49 desgravação total das barreiras. Conforme o estudo de Reis e Campos (2003). Desta forma. o que se tentou deixar claro. pois a competitividade desses mercados é tão alta que eles quase supririam as perdas de outros produtos.

praticamente eliminá-la. menciona-se que as discussões sobre a possível formação da ALCA criaram grandes expectativas entre os exportadores de produtos agrícolas brasileiros. Cumpriu-se os objetivos do estudo que eram identificar as barreiras comerciais norte americanas mais prejudiciais para o suco de laranja e analisar qual seria o impacto gerado na eliminação delas. Para os exportadores do suco de laranja brasileiro não foi diferente. colocando o Brasil com melhores “armas” para poder enfrentar politicamente a maior potência econômica mundial. O setor citrícola e o setor açucareiro são os mais penalizados pelas políticas comerciais adotadas pelos EUA. principalmente as da década de 90. via-se uma grande oportunidade de eliminação de barreiras comerciais e consolidação do seu produto em um dos principais mercados importadores. com uma média anual de aproximadamente 8% de aumento com o desvio de comércio e 14% de aumento com a criação de comércio. devido. a competitividade brasileira. Nesse contexto. dependendo do caso. CONCLUSÃO O período que compreendeu a década de 90 e os primeiros anos da década de 2000 foi marcado por inúmeras negociações de comércio envolvendo Brasil e EUA. Porém. de 1998 a 2008.50 6. Uma flexibilização de barreiras comerciais para esses setores poderia enfraquecer a produção doméstica norte americana e. sendo muitas destas realizadas com ampla desvantagem para os produtores brasileiros. além de corroborar a hipótese de que . verificou-se uma criação de comércio superior ao desvio de comércio em todos os anos pesquisados. com a finalidade de verificar a competitividade brasileira na produção dessa commoditie. houve uma melhora considerável a partir do ano 2000 e os anos subsequentes. pois começaram as rodadas de negociações sobre a implantação da ALCA que elucidaram melhor a real situação das aplicações de políticas comerciais dos EUA com relação ao resto da América. principalmente. sendo que utilizou-se como ferramenta de análise. pois conforme citado anteriormente. pois estava se abrindo a possibilidade de expansão de seus mercados. O resultado foi animador. O presente estudo mensurou o impacto da eliminação de barreiras comerciais dos EUA com relação ao suco de laranja brasileiro. o modelo de equilíbrio parcial de Laird e Yeats (1986).

Nesse sentido. enfatizando-se que a maioria das barreiras comercias impostas pelos EUA com a finalidade de impedir seu avanço dentro de suas fronteiras. segundo este estudo. ou seja. um aumento de aproximadamente 22% das exportações brasileiras desse produto. .51 sob a eliminação total das barreiras comerciais dos EUA. faz-se necessária uma ampliação das negociações internacionais referentes ao mercado citrícola. direta e indiretamente. Por fim. o suco de laranja brasileiro exportado para esse país geraria uma criação de comércio superior ao desvio de comércio. em prol da busca da eliminação. devido a sua importância para o agronegócio brasileiro. que a produção do suco de laranja brasileiro é extremamente competitiva e organizada. mostrou que Brasil e EUA são países competitivos e que se complementam no setor de suco de laranja. Reforçando o que já foi apresentado durante este trabalho. ressalta-se que os resultados desse trabalho corroboraram o que outros autores já haviam apresentado com metodologias diferentes. A eliminação das restrições comerciais dos EUA com relação ao suco de laranja brasileiro propiciaria. ao menos parcial. acredita-se que o governo brasileiro e a iniciativa privada devam atuar conjuntamente visando uma melhor eficiência nas negociações de comércio com outros países. um volume aproximado de US$ 45 milhões anuais. partiram desse pressuposto. do protecionismo comercial exagerado e descabido. em razão disso. a geração de receita e emprego.

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90 (2004) CC= 119.00 x 0.729.15 (1999) CC= 205. [∆ti /(1+ti)]11 (1998) CC= 203.00 x 0.260.00 x 0.00 x 0.119.451.608.355.996.413.00 x 0.13 = US$26.611.723.13 = US$24. Emi .013.377.516.371.489.13 = US$14.13 = US$26.596.564.469.00 x 0. .13 = US$19.151.13 = US$25.48 (2003) CC= 191.80 (2001) CC= 112.344.71 (2000) CC= 192.730.00 x 0.63 11 O termo [∆ti /(1+ti)] é eliminado devido ao cálculo ser de redução total de barreiras comerciais.615.55 Anexo A CÁLCULOS DE CRIAÇÃO E DESVIO DE COMÉRCIO UTILIZANDO O MODELO DE EQUILÍBRIO PARCIAL DE LAIRD E YEATS Criação de Comércio CCi = Mi .667.845.810.13 = US$15.40 (2002) CC= 150.880.688.605.

206.00 x 337.290.00 x 0.195. ESi.00 x 0.626.642.714.677.13 = US$35.615 + 337.141.13 = US$23.49 x 0.78 (2006) CC= 235. MRMi .367.868.00 x 0.00 + (203.49 x 0.615.441.00) .56 (2005) CC= 178.935.99 (2008) CC= 274.00 x 0.888.15 (em US$ 1.410.220.55 (2007) CC= 445. ∆(PPi/PRMi) _______________________________ MPi + MRMi + [MPi .00 x 0.3089) DC= US$18.3089 DC= __________________________________________ 203.620.00 x 0.615.13 = US$30.13 = US$57.000.70 Desvio de Comércio MPi . ESi. ∆(PPi/ PRMi)] DCi = (1998) 203.888.623.941.

3089) DC= US$16.00 + 286.055.49 x 0.00 x 0.372.48 (em US$ 1.000.3089 DC= __________________________________________ 192.49 x 0.42 (em US$ 1.00 x 0.00 + 303.3089) DC= US$16.00 x 0.3089 DC= __________________________________________ 205.811.00 + (150.00 x 0.858.338.000.00 + 183.49 x 0.372.00) (2002) 150.49 x 0.969.00 + (191.413.811.49 x 0.827.00 + 224.611.00 + 324.000.00) (2003) 191.983.00 x 224.120.055.49 x 0.3089 DC= __________________________________________ 112.57 (1999) 205.76 (em US$ 1.00 x 0.811.23 (em US$ 1.00 x 303.120.49 x 0.983.000.611.00 x 0.883.858.3089 DC= __________________________________________ 191.52 (em US$ 1.969.172.00 x 0.49 x 0.172.00 x 286.413.00 x 183.49 x 0.413.000.338.3089) DC= US$17.49 x 0.611.00 x 0.357.00 + (192.00 x 324.372.3089) DC= US$12.3089) DC= US$9.3089 DC= __________________________________________ 150.00 x 0.00 + (205.00) (2000) 192.00) (2001) 112.00 x 0.00 + (112.120.00) .

120.49 x 0.142.00 + (274.000.944.00 x 286.00) (2008) 274.00) .49 x 0.49 x 0.151.00 x 0.142.00 x 0.3089 DC= __________________________________________ 445.000.56(em US$ 1.3089) DC= US$35.00 x 0.3089 DC= __________________________________________ 119.00 x 169.000.00) (2006) 235.315.00 x 0.3089) DC= US$19.160.561.000.00 x 566.49 x 0.120.715.441.58 (2004) 119.49 x 0.620.351.00 + (178.142.97 (em US$ 1.3089) DC= US$24.00 + (235.375.00) (2005) 178.151.00 + 566.49 x 0.620.00 + (445.01(em US$ 1.90 (em US$ 1.972.441.561.00 x 0.00 x 254.151.441.3089 DC= __________________________________________ 178.49 x 0.49 x 0.00 x 0.00 x 0.00 + 467.00 + 254.00 + 169.00) (2007) 445.315.3089) DC= US$14.73 (em US$ 1.49 x 0.715.00 x 467.49 x 0.00 + 286.3089) DC= US$9.00 x 0.000.707.715.3089 DC= __________________________________________ 274.437.707.00 x 0.00 x 0.3089 DC= __________________________________________ 235.620.00 + (119.160.

59 .

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