Os sete homens envolvidos na Barbárie Queimadas não vieram a primeira audiência

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Juíza deve ouvir hoje 16 pessoas, entre vítimas, testemunhas e os menores que já receberam suas sentenças
Lamartinne Miranda | Queimadas, PB 04.Jun.2012 | 08h00

FOTO: Divulgação Polícia Militar - Cinco dos sete acusados pelo estupro coletivo, entre eles dois menores envolvidos

Os irmãos Eduardo e Luciano Santos Pereira e os outros 5 acusados pelo crime barbaro que chocou o Brasil em fevereiro deste ano, não vieram a primeira audiência realizada hoje no fórum da cidade, o principal motivo para a ausência dos acusados, foi a rebelião ocorrida semana passada no presídio de segurança máxima PB1, em Jacarapé.

A ausência dos acusados se deu graças a um acordo com os advogados de defesa e acusação. No local, há cerca de 60 policiais cercando o prédio do Fórum Municipal e o clima é de tranquilidade. O advogado das vítimas, Felix de Araújo Filho, disse que tem uma prova de um exame que confirma que as balas encontradas nos corpos de Michele Domingos da Silva e da professora Isabela Jussara Frazão Monteiro são as mesmas encontradas no revólver que pertence a Eduardo Pereira. Serão ouvidas 16 pessoas, mas os adultos acusados de envolvimento no caso não participarão. Os menores de idade, as vítimas sobreviventes e as testemunhas estão depondo no Tribunal do Júri do Fórum e a audiência só deve terminar no início da noite de hoje. De acordo com a juíza Flávia Baptista Rocha, os acusados seriam levados para assistir à audiência, mas não iriam depor nesta segunda. Segundo ela, os acusados não compareceram ao Fórum por recomendação da direção do Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, PB1 e PB2. A direção orientou que eles não fossem retirados do presídio por causa da rebelião no local na semana passada. Os adolescentes, que apenas assistiriam à essa primeira fase, devem depor ainda nesta segunda. Além deles, das vítimas e das testemunhas, os advogados de defesa e acusação também falarão. Essa primeira audiência é de instrução e os adultos acusados só particparão da próxima, quando serão ouvidos. Nas duas audiências serão avaliados laudos e provas das participações de cada acusado. Depois da qualificação dos réus, a juíza decide se os eles serão levados a júri popular ou não. A audiência dos adultos acusados será marcada ao fim da que está acontecendo nesta segunda. "Vai demorar muito em função da complexidade do caso. Geralmente, as audiências acontecem em um dia, mas devido ao número de pessoas e do perfil dos crimes, não faremos em um só", disse a juíza. O promotor de acusação do caso, Márcio Teixeira, disse que a próxima audiência deve acontecer na segunda-feira (11). Todos os depoimentos serão filmados para agilizar a captação das informações. Segundo o promotor, depois que essa fase for concluída, o próximo passo do processo é o julgamento. Ele acredita que Eduardo, acusado de planejar a ação, será levado a júri popular. Todos os outros acusados serão julgados pela juíza Flávia Baptista, segundo ele.

Acusação Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, cinco mulheres foram estupradas e duas delas assassinadas durante uma festa. Para a polícia, os estupros teriam sido planejado pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam convidado amigos para abusar sexualmente de mulheres convidadas de uma festa promovida por eles. Os irmãos teriam simulado a chegada de assaltantes na casa e usado máscaras e capuzes para não serem reconhecidos. Duas das vítimas teriam conseguido ver as pessoas que as violentavam e por isso foram tiradas da casa e executadas.

Os dez rapazes estão sendo acusados por estupro, cárcere privado, lesão corporal, formação de quadrilha. Eduardo, no entanto, está sendo acusado isoladamente também por duplo homicídio e posse ilegal de arma. Os adolescentes podem passar até três anos internados no Lar do Garoto, em Lagoa Seca, mas a cada seis meses poderão ser reavaliados. Dependendo do comportamento dos menores de idade, o tempo de internação pode ser reduzido.

Manifestação A jovem Sara Raquel Gomes Vicente, falou a nossa reportagem no último sábado na Camara Municipal, onde aconteceu uma solenidade de condecoração dos políciais que capturaram os acusados pelos crimes. Sara afirmou que os familiares não estão organizando nenhuma manifestação, mas convoca a toda população que clama por justiça, para vestir branco, ou a camisa confeccionada com a foto de Isabella e Michelle para acompanhar o primeiro dia de audiência onde serão ouvidos as vitimas e testemunhas do caso. Um grupo de mulheres com caras pintadas, apitos e várias faixas, se organizaram e realizaram uma pequena mas contundente manifestação , nesta manhã nos arredores do forúm onde acontece a audiência

Redação Com informações do Portal Correio e G1PB

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