ENVELHECIMENTO

UMA NOVA REALIDADE

Índice
1)Introdução………………………………………………………..…………………3 2)Desenvolvimento 2.1) Envelhecimento e saúde: diagnóstico atual….........................................3 2.2) Envelhecimento e saúde: que futuro?......................................................4 3)Conclusão…………………………………………………………………………...5 Referências Bibliográficas……………………………..……………………………..6

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1) INTRODUÇÃO Com a realização deste trabalho pretende-se caracterizar a população com 65 anos, ou mais, na freguesia de Rio de Mouro, Concelho de Sintra. A caracterização tem como finalidade perceber como é que este segmento da população vive, que tipo de ofertas de ocupação do tempo e de soluções para os seus problemas lhe são disponibilizadas, bem como avaliar a resposta do sistema de saúde a este segmento. Uma pesquisa na internet permitiu caracterizar de forma simples a evolução da população idosa em Portugal e apurar quais são as doenças que mais a afetam. Simultaneamente, procuraram-se soluções que garantissem uma melhor qualidade de vida a este segmento populacional sublinhando sempre a importância da prevenção, possibilitando, assim, a diminuição de situações que exigem tratamento. Os dados concretos para a população de Rio de Mouro foram obtidos através de entrevistas com técnicas sociais da junta de freguesia e do centro de saúde.

2) DESENVOLVIMENTO 2.1) Envelhecimento e saúde: diagnóstico atual É do conhecimento geral que Portugal, à semelhança de outros países, está a passar por uma profunda transformação demográfica determinada por um aumento progressivo da população adulta e idosa. Com base nos dados estatísticos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística – INE a população com 65 e mais anos cresceu cerca de 35% tendo passado de 14% para 17,6% e a população com 85 e mais anos quase duplicou passando a representar 1,7% da população total. Este fenómeno deve-se, principalmente, aos avanços económicos, sociais, científicos e tecnológicos que todos juntos proporcionaram condições para um aumento da esperança média de vida. No entanto, os anos que se ganham nem sempre são vividos com qualidade, ou pelo menos com a qualidade desejada. Associadas à idade vêm sempre algumas doenças tais como: diabetes tipo 2, hipertensão, doenças respiratórias, neoplasias, doenças coronárias, entre outras. Ainda assim, existem outras doenças que não são do foro patológico como é o caso da solidão, que ao contrário das doenças anteriormente apresentadas não é uma epidemia, mas sim um distúrbio psicológico associado a um problema social. As mudanças registadas nos estilos de vida e na organização familiar provocaram uma ruptura na teia de suporte familiar. Deste modo, as famílias

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não têm tempo, nem condições, para suportar os seus velhos, aumentando, por isso, as situações de abandono e de dependência que agravam o problema anteriormente referido: a solidão. Quanto à realidade da freguesia de Rio de Mouro, pouco diverge das situações descritas anteriormente relacionadas com Portugal no geral. Após a recolha de informação feita na junta de freguesia e no centro de saúde, foi possível constatar que face à população total da freguesia, este segmento representa cerca de 10%1. Este é um problema transversal que se coloca à sociedade portuguesa e que no futuro deverá ser ultrapassado com a criação e melhoramento das estruturas intersectoriais como é o caso da rede de cuidados continuados integrados. Esta rede, que ainda está nos seus primórdios, reveste-se de grande importância quando encarada como um processo de adaptação do sistema de saúde às necessidades sentidas por uma população envelhecida e carenciada afetada por doenças crónicas e muitas vezes incapacitantes. Deste modo, torna-se imprescindível estudarmos e compreendermos todas as mudanças registadas na área da saúde provocadas pelo envelhecimento da população, de forma a encontrar soluções e abordagens favoráveis à prevenção de situações de doença ou dependência.

2.2) Envelhecimento e saúde: que futuro? Face aos problemas anteriormente levantados há que refletir e propor soluções que garantam a todos os cidadãos uma vida longa, ativa e saudável. A Junta de Freguesia tem um papel fulcral no que toca ao apoio à população e, assim sendo, esta, para além de ter, obrigatoriamente, um papel activo no seio da sociedade, necessita de estar constantemente a apresentar soluções que vão ao encontro das necessidades dos cidadãos. Deste modo, e uma vez que a Junta de Freguesia é a primeira entidade a que a população recorre quando se depara com algum problema relacionado com o quotidiano, deverá ser esta a dar o primeiro passo, ou seja, esta deverá estar associada a todos os projectos apresentados. Um dos grandes problemas do sector sénior é a dependência, muitas vezes associada ao isolamento e à solidão. Quando confrontada com esta realidade, a sociedade assume que tudo fica resolvido quando coloca os seus idosos em instituições especializadas. Na verdade, o internamento em lares assegura-lhes acompanhamento e vigilância 24h por dia. Como é do conhecimento geral, essas infra-estruturas existem. Instituições como, Casa de Repouso O Sobreiro, Casa de Repouso das Robinias Lda e Lar Ferry, estão ao dispor das
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Censos 2001
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necessidades dos idosos de Rio de Mouro e das suas famílias. No entanto, nem todos os cidadãos têm capacidades financeiras para suportar esta despesa uma vez que a mensalidade por pessoa chega, nalguns casos, a ultrapassar os 1500€. Assim sendo, torna-se imprescindível a ajuda da Junta de Freguesia, que comparticipa a estadia dos idosos mais carenciados. Para os idosos cujo problema é apenas a falta de companhia achamos que o Núcleo de Voluntariado da Escola Secundaria de Leal da Câmara pode ser parte da solução. Este núcleo é composto por alunos que estão dispostos a despender do seu tempo para ajudar quem mais precisa. É neste contexto que pretendemos dinamizar a ideia de um projeto já criado: “Companhia e Recados”, na nossa freguesia. De acordo com a natureza deste projeto, os jovens integrados, deslocam-se às casas dos idosos fazendo-lhes companhia e alguns recados (ir às compras, pagar contas…) que estes já não conseguem realizar sozinhos. Outro projeto semelhante a este encontra-se em construção na escola Eb 2,3 Padre Alberto Neto. Consiste também no contacto entre alunos e idosos, mas neste caso o contacto é feito por telefone. Os alunos comprometem-se a ligar um certo número de vezes por semana ao idoso que lhes está associado, despertando alguma atividade. Apesar de todas as dificuldades associadas à idade, muitos são os idosos que recorrem à Junta de Freguesia em busca de formas de não ficarem isolados. A Junta, em resposta a estes pedidos, criou um projeto: “ Criar Afetos”, em que todos os idosos são bem-vindos e onde existem inúmeras actividades, passeios, colónias de férias, ginástica, hidroginástica, atelier de pintura, entre outras. Todas estas actividades permitem que os idosos convivam entre si, que se divirtam e essencialmente que não deixem de realizar tarefas, que os mantêm ativos.

3) CONCLUSÃO Não obstante a qualidade de vida ter melhorado de forma significativa nos últimos anos, provocando a subida da esperança média de vida, continuam a existir problemas para os quais não temos solução. Quando se atinge uma determinada idade, o corpo fraqueja e associada a esta debilidade permanente vêm inúmeros problemas de saúde, tanto de carácter físico como de carácter psicológico. Muitas das vezes estes problemas provocam dependência, sendo necessário que alguém apoie os idosos que já não estão aptos a realizar todas as tarefas necessárias à sua sobrevivência. No entanto, é difícil por parte da família dar um apoio constante ao seu idoso pois os ritmos de vida, atualmente, são muito diferentes dos ritmos de vida de há uns anos atrás. Antigamente os filhos tinham capacidade de tomar conta dos pais, muitas das vezes até viviam juntos, mas hoje em dia é raro isso acontecer. Com a mudança de mentalidades e de necessidades, as pessoas tendem a passar mais tempo fora de casa a trabalhar, do que com a família.
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Logo, as famílias que possuem idosos têm de arranjar soluções pois não têm capacidade de tomar conta deles. Quando têm possibilidades financeiras colocam-nos em lares, ou em centros de dia, quando não têm capacidade financeira para tal, os idosos ficam muitas vezes votados ao abandono. Os jovens dispõem de muito tempo livre que podem utilizar para ajudar os outros. Existem muitos núcleos de voluntariado. Por que não criar uma categoria de apoio aos idosos nesses núcleos? Assim, os jovens podem fazerlhes companhia, ajudá-los nas tarefas diárias e aprender muito com eles, pois apesar de não serem da mesma idade, todos temos histórias para contar, todos temos testemunhos interessantes para partilhar. Em suma, o mundo está a mudar drasticamente. Ainda assim, podemos dizer que o envelhecimento deve ser planeado ao longo da vida com uma atitude preventiva e de autonomia, nunca esquecendo que para um envelhecimento saudável é essencial manter a atividade e uma relação permanente com os outros. Talvez a escola tenha um papel a desempenhar na construção de laços entre as diferentes gerações. Os núcleos de voluntariado, e as próprias estruturas escolares, podem levar a cabo atividades que atraiam os idosos da freguesia, começando até pelos avós dos próprios alunos, promovendo encontros à volta da leitura, do teatro, da jardinagem, da partilha de saberes. As relações humanas entre gerações não têm de ser só problemáticas, podem ser muito produtivas se promovermos o diálogo e a troca de experiências, se promovermos o conhecimento e o respeito mútuo.

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Referências Bibliográficas

 http://www.observaport.org/node/6  http://www.acs.min-saude.pt  http://www.ipv.pt/millenium/Millenium27/14.htm  http://www.advita.pt/envelhecimento/portugueses-com-mais-de-65-anos  http://www.dgs.pt/

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