Tahrir Square, Egipto, 25 de Janeiro de 2011.

Nível de mediatismo: Elevado Nível de Bom Jornalismo: Baixo Porquê esta disparidade? Estariam todos os órgãos de comunicação (ou a sua grande maioria) à espera que houvesse uma fonte inesgotável de informação sem reportar no local como no caso do “Wikileaks”? A verdade é que nos têm dito que comunicar, já não se faz ao mesmo nível que antes e talvez o hábito das redacções de clicarem numa página com domínio “.ch” e das mesmas só precisarem de 5 minutos em frente a um computador com Internet e um pouco de originalidade já lhes daria o dia ganho numas poucas manchetes a serem lançadas durante a semana. “Dez dias depois da revolta na Tunísia, que terminou com a partida do presidente Ben Ali para o exílio, milhares de egípcios saem dias consecutivos para a rua em protesto. O Governo cortou a Internet e a rede móvel, Hosni Mubarak anunciou que não se recanditará mas que não se demitirá até novas eleições. Os protestos sobem de tom e os tumultos provocam vítimas mortais.” JN – Infografia “Milhares exigem queda de Mubarak” Feio, muito feio Senhores jornalistas. Não foi só para isso que vos prepararam. Saem ao terreno agora e não sabem procurar a notícia, a essência de tudo aquilo. Em certas cadeias televisivas nacionais assistimos mesmo a directos que só gastam tempo útil a dizerem que não podem mostrar a cidade porque foram levados a ficar naquele local. A isto chamo a notícia do vazio. E durante o dia? Tiram-se umas férias que estão em débito? Directos são complementos do que se conhece na redacção, e se não se conhece nada mais fora da redacção deve-se a uma certa imobilidade destes gentlemen. Continuam a laurear a pevide ou num cenário mais tenebroso estão a ser marionetas do poder político. Os jornalistas por detrás das portas de hotéis, não mostram, não contam, não relatam. COPIAM. Existem públicos a quererem ser alimentados. Será mesmo? Tst tst. O que os públicos querem é ver ainda boa informação, não facilitismos e vídeos de ataques que foram captados num momento de sorte, e que depois se torna exclusivos. Queremos o local, tal como dizia Fatuma ao JN, queremos saber a verdade, a realidade. Não queremos o distanciamento comparado a alguém que tem lepra. Mas, este mediatismo todo, esta sede de não ficar atrás passados dias desaparecem. Hoje é 08 de Fevereiro e pouco ouvimos acerca do Egipto, de Tahrir. Noticia 0 – Dinheiro Muito. Esquecimento agora?

. já não é a história mais mediática. É um sinal de que a luta para o futuro do Egipto entrou numa espécie de compasso de espera. Além da praça. em resposta à primeira onda de protestos está lentamente a afiação de volta para alguma aparência de normalidade. Mas apesar disso o regime recuperou após o choque das primeiras manifestações que o haviam atordoado. Dezenas de milhares de manifestantes permanecem acampados.Num rápido exame dos jornais globais esta manhã e conseguiríamos ver o facto preocupante para o movimento democrático do Egito: a batalha de vontades/ideologias com o presidente Hosni Mubarak. sem conclusão aparentemente iminente. uma cidade que foi paralisada por bloqueio do regime. A mensagem do regime para os egípcios é que ele permanece no cargo. sim é uma grande vitória sobre os esforços do governo para expulsá-los. A história de Tahrir hoje começa a igualar-se com a história de Tahrir de ontem. e do dia anterior. já não provoca manchetes. e que a crise acabou.