PRODUÇÃO JORNALÍSTICA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO INSTITUTO DE ARTE E COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UFF

publicado em 8 de junho de 2012

Reuni em xeque
Larissa Morais e Ana Paula Bragaglia

Criado no primeiro ano do governo Lula com o objetivo de ampliar o acesso dos brasileiros à educação superior e divulgado desde então como ponto alto da plataforma petista para a área de Educação, o Reuni está posto em xeque na greve das universidades públicas.
A sigla quer dizer Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. A expansão de fato aconteceu, mas a reestruturação deixou a desejar. Para expor os problemas que universidades de todo o país estão enfrentando, a professora Kátia Lima, da Escola de Serviço Social, expôs o resultado de sua pesquisa sobre o tema no último dia 30 de maio, no Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs).

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Expansão sem estrutura
A professora, que é também diretora da Associação de Docentes da UFF (Aduff ), afirmou que boa parte dos problemas vividos hoje nas universidades públicas são consequência do Reuni, que promoveu uma expansão excessivamente acelerada e sem a infraestrutura necessária. O resultado, segundo ela, tem sido a precarização das condições do trabalho docente. Em relação à UFF, Kátia mostrou que o número de alunos matriculados saltou de 15.967 em 1995 (ainda no governo Fernando Henrique Cardoso) para 36.103 em 2010 – um crescimento de 126,11%. No mesmo período, o número de docentes aumentou somente 13,55%. Eram 2.572 em 1995 e 2.920 quinze anos depois. “De fato houve muitos concursos, mas a quantidade de professores que deixou a universidade também foi muito elevada”, explicou. Os dados impressionam: entre 2006 e 2010, foram nomeados 1.216 docentes na UFF. O problema é que, no mesmo período, 1.454 professores deixaram a universidade, por falecimento, aposentadoria ou vacância. O saldo das contratações foi de apenas 191.

Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) não teve calçamento em algumas partes, nem foi devidamente cercada, de modo que alunos e professores costumam cruzar com cavalos. De acordo com a professora, há também universidades construídas com material precário, com telhas de amianto. No campus da UFF em Rio das Ostras, os alunos têm aula em contêineres. Diversas unidades em construção nesse e em outros campi, como o do Gragoatá, não ficaram prontas. Em alguns novos cursos criados pelo Reuni um pequeno número de docentes precisa dar aulas para todas as turmas. “Assim, não há a menor condição de um professor viver, além da docência, a pesquisa e a extensão na universidade”.

Falta de critério na oferta de vagas
Outra crítica foi a desproporção na distribuição de novas vagas. Enquanto a oferta nos cursos de Serviço Social, Ciências da Computação e Nutrição, por exemplo, dobrou, Medicina continua recebendo o mesmo número de estudantes de antes do Reuni. A palestra foi parte de uma agenda de greve dos professores da Comunicação, que vem sendo organizada pelo professor Guilherme Nery. O próximo evento será dia 20, às 17h30, na sala 100 do Iacs: uma palestra com os professores Décio Roca e Bruno Deusdará, pesquisadores em Linguística e Análise do Discurso da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ambos são também da diretoria da Associação de Docentes da Uerj. Vão abordar “O discurso produtivista e o trabalho docente em pós-graduação strictu sensu”.

Condições precárias
Kátia Lima mencionou problemas em diversos campi e mostrou fotos para uma plateia de professores e alunos da Comunicação e do Serviço Social. A Universidade

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O vencimento básico de um professor 20h é menor do que o salário mínimo – cerca de R$ 540, contra R$ 622 do mínimo. Há um aumento de salário em função de titulação, de modo que os vencimentos de um professor com essa carga horária alcançam cerca de R$ 2.000, se ele tiver doutorado. A luta é para ampliar o piso. Os professores são contrários a uma proposta do governo federal que terá como consequência o achatamento do plano de carreira. Pela proposta, o professor concursado não poderia mais entrar na universidade direto como adjunto, que é a categoria de quem tem doutorado. Mesmo tendo o título, o docente iniciaria a carreira como auxiliar (atualmente, a categoria de quem tem apenas curso superior) e só depois de 16 anos poderia se tornar adjunto.

Os professores lutam contra a precarização do ensino observada em diversas instituições em todo o país, fruto de um crescimento desproporcional entre o número de alunos e as condições necessárias a atendê-los.

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