A tradução inter lingual, o processo tradutório processa-se no mesmo meio, porém em linguas diferentes, tendo por isso mesmo

, tendencia de despertar os sentidos latentes na lingua de partida. e estes sentidos estão nela representados através de sugestão alusnao e metáfora. Pelo contrário na Tradução Intersemiótica, como tradução entre diferentes sistemas de sígnos, torna-se relevantes as relações entre os sentidos meios e códigos. Do ponto de vista da produção signica, da sua materialidade, a distinção entre o autográfico e o alográfico parece-nos produtiva, pois os meios e procedimentos, se inscrevem no sígno delimitando consideravelmente os caracteres do seus Objetos Imediatos. Os caracteres autográficos( de auto= por si próprio, de si mesmo ) Os caracteres alográficos( de alo = outro, diferente ) As artes autograficas, a pintura por exemplo, produzem seu objeto em sistemas de esboços como cálulo pévio que antecede o projeto e que contém a expressnao autográfica de seu autor. Já as artes alográficas- música, literatura, arquitetura entre outras – produzem seus objetos dentro do sistema de notaçnao como sistemas sígnicos mais ou menos familiares e convencionais que possuem, por isso mesmo carater coletivo; sistemas de representação gráfica, notação musical, o alfabeto fonético, entre outros. Os caracteres autograficos tendem a produzir os caracteres da pessoa que os produz. O arttista autográfico está menos limitado do que o alografico ao expressar sua diferença com traços pessoais. É nesta fresta que o artista inscreve sua diferença como marca de si mesmo. OS SENTIDOS COMO PRODUTORES DOS OBJETOS IMEDIATOS DO SIGNO: OLHO

a área central e a reginao periférica( da qual decorre a visnao noturna e o movimento). entre outras coisas para ler. ao dar ênfase ao aspécto visual fóvico produziu a perspectiva. O ocidente . pelo que me diz respeito. Grande parte da nossa insensibilidade provem do emprego do ponto retiniano da fóvea. reproduz as sensações de branco e preto. A área periférica. Cabe ao público ver o que deseja ver.” Picasso sobre Guernica O sistema ocular ´constituido de tres areas bem diferentes com funções bem específicas: a fóvea. não produz sensaçnao de plástica de relevo mas é muito sensível ao movimento. vermelho e verde. Muito sensível também `a plasticidade e relevo do objeto. como produto da geometria euclidiana e da matemática. Assim o olho não é somente um receptor passivo. “São animais. Isso linearizou nossa percepçnao. mas formador de olhares. Ela capta o fundo. Já a area central e intermediária é sensível ao preto e branco. ( visnao de claro e escuro).Quando organizamos o signo estamos também organizando a construção do olhar. A fotografia privilegia a fóvea na focalização dos objetos. A fóvea capta o fundo e a central um sentido de figura. sem distiguir cada função separadamente. animais massacrados.azul. Só isso. ao amarelo e azul o homem usa esta área da visão. desenvolvida posteriormente pela óptica e pela fotografia. nos permite obter uma alta definiçano. ela é muito sensível as cores primarias (RGB no computador e monitores). tornando-a automática e privilegiou os códigos lógicos sobre os análogos . Os tres tipos são simultâneos e se misturam uns com os outros possibilitando-nos a ver de tres maneiras diferentes. formador de Objetos Imediatos da percepção. insensível a toda forma e cor. Pela fóvea focalizamos os objetos. “ Quando .

” Marshal McLuhan Com tantos pontos de vista. O poder visual nos capacita a isolar um único incidente no tempo e no espaço.65 mcluhan Estas linguagens transcodificadas efetivam a colaboração entre os diversos sentidos. Ao contrário. “ o hibrido ou encontro de dois meios constitui um momento de verdade e revelação do qual nasce a forma nova. o sentido visual engendra o hábito analítico de perceber facetas isoladas da vida nas formas. Isto é confirmado pela fotografia. o homem percebe as cores. além de nos tornar especialistas. A arte permite que os meios justifiquem os fins. o verbal. É pela visão fóvica que percebemos os detalhes. É esta mesma possibilidade alimentada pelos maneiristas e barrocos e realizada definitivamente pelos cubistas e o cinema de Eisenstein. MOVIMENTO DE HIBRIDIZAÇÃO TRADUTÓRIO O predomínio intencificado de um sentido. Todos snao todos relativos. o acústico e o tátil. Pela visão central. Traduzir criativamente é sobretudo. inteligir estruturas que visam a transformação de formas. nos embota e fecha aos outros sentidos. visto que esta coloca possibilidades infinitas de pontos de vista da construção do mundo e sua imagem através dos quais se pode tirar uma fotografia. O que faz um artista tecnológico não é mais do que deter o movimento progressivo centrífugo da comunicação simbólica e substituí-lo centrípeto: o ícoine. Na visão periférica percebemos os movimentos.” pag. possibilitando o trânsito intersemiótico e criativo entre o visual. como a arte figurativa. .estendido pela alfabetizacão fonética. não há mais pontos de vistas.

Com isso. com isso. o Vídeo. conduzido nossa reflexão acerca da correspondência entre as artes Dentro dessa perspectiva. com isso. as mídias impressas. pelo conhecimento do Outro. Observamos. Arquitetura). que o diálogo ou a corres. a correspondência era colocada em prática pelos artistas – de forma consciente ou não – de outro lado. sobre a correspondência interartística. Cinema. haveria um ponto de convergência entre essas práticas. temos assistido. O ut pictura poesis.A arte são todas as artes. por parte dos filósofos e pensadores. apesar das inúmeras divergências existentes. o Rádio. alem das várias mídias eletrônicas e digitais. o Cinema. há algum tempo. passa necessariamente. Esse conhecimento de si. então. entre mídias/médios. acabam por agregar as mídias e seus textos. uma vez que nesta. é importante apontarmos para a ampliação do campo de atuação dos Estudos Interartes sofrida. Neste ponto. por parte desses mesmos artistas e. não mais entre artes distintas. Etienne Souriau O aforismo de Etienne Souriau. História da Arte1. na medida em que este refere-se. Artes Plásticas. a necessida. houve. haja a perda da especi. a crescentes e produtivos intercâmbios e conjunções entre as diferentes artes. tomado em epígrafe. nas mais diversas formas. se de um lado. reconhecemos que. . a Televisão. Dança. principalmente. vemos figurar. juntas. Teatro. também. podemos verificar constantes correspondências interartísticas.ções para cada arte colocada em confronto sem que. a partir do qual. empreendido pelos artistas. em decorrência da introdução do conceito de intermidialidade. trabalhariam em nome de uma única Arte. correspondências que busca estabelecer a relação. mas. tem.ficidade. mais pontualmente. Pintura. também.pondência entre os diferentes fenômenos artísticos pode trazer valorosas contribui. elas. não apenas àquilo que tradicionalmente designamos como “artes” (Literatura. mas. que.de de se refletir. Música. lado a lado.

por meio da revisão his. p. literatura. refletindo sobre a arte vizinha e buscando. críticos e leitores.Há. Por último. vídeo.ia mesmo dizer que. cada um. com sondar essa misteriosa relação. Assim. poesia e. “comenta sobre a amiza. pois. Nesse sentido. quan. uma forte tendência de combinação entre diferentes linguagens. 350). os homens julgam poder chegar mais perto de todo fenômeno da inspiração artística (PRAZ. até mesmo. 01) A partir do Modernismo. não podemos deixar de mencionar que o advento das novas mídias proporcionou a re-discussão dos limites entre as artes plásticas. também. da célebre frase atribuída por Plutarco a Simonides de Céos – “A pintura é poesia muda e a poesia é uma pintura falante” ou.de de alguns pintores impressionistas com poetas. Estendendo esse raciocínio à Literatura. Paul Valéry. a essência de sua própria arte” . dentro de uma mesma arte. algo que apaixona e que se recusa a ser levianamente negligenciado.do registra que [.tórica. observamos que no decorrer dos diferentes movimentos artísticos. 2000. “o que caracteriza os movimentos modernos são actividades. proposto por Horácio. teatro. fotografia etc.mana desde a antiguidade remota que deve nela haver algo mais profundo que a mera especulação. Poder-se. que se intensificam as trocas e intercâmbios entre artes distintas. ainda.. hoje. música. 1982. pintura.. romance. programas e manifestos partilhados por artistas de vários campos” (CLUVER. emSouvenirs poétiques. assim. do adágio Ut pictura poesis. gravura e escultura já não são mais tão rígidos. crônica. se pensarmos nas artes plásticas. p. concordarmos com Mario Praz. por parte dos filósofos. por exemplo. observamos.] a idéia de artes irmãs está tão enraizada na mente hu. cinema. também. então. vemos que a proliferação da internet e dos blogs fez com que houvesse uma instabilidade nos limiares entre conto. discutindo questões estéticas. a correspondência fora praticada tanto por parte dos artistas como. pode.mos observar que os limites entre desenho.

evocamos Étienne Souriau. deveremos instituir toda uma disciplina. 2004.. pode e deve valerse de aportes teóricos provenientes dos mais diversos campos de pesquisa. na medida em que. ou – quem sabe? – descobrir leis de proporção ou esquemas de estrutura váli. motivos cujos princípios sejam os mesmos nas mais diversas técnicas. p. talvez in. quando. 1982. p. essa máxima traz implicações paradoxais. a Estética e. de um lado. seduzir e deixar ser seduzido pelas mais distintas disciplinas. e. “ao procurar a essência de seu próprio meio de produção. a Literatura Comparada.] contentar-se em afirmar globalmente esse parentesco. observará que: [. cada artista passou mais e mais a observar.sivo desejo de atravessar as fronteiras demarcadas entre campos de investigação ar. a Psicanálise. tomado por um obses. a Crítica de arte. ao discorrer sobre o método a ser empregado na comparação interartística. Por outro lado. para quem a máxima de Sócrates “Conhece-te a ti mesmo” tornou-se símbolo dos artistas modernos. Se quisermos penetrar até o âmago de cada arte.ÇALVES. Todavia.tísticos e não-artísticos. é ficar no limiar do problema. mais recentemente. colocar sua atenção no sistema vizinho” ( GON.. LENDO IMAGENS . last but not least. com vistas a aproximar-se desse novo objeto de estudo. a Fenomenologia. o pesquisador torna-se um mediador desse trânsito entre fronteiras. 18). 26) Diante da pluralidade das artes. destacam-se a Semiótica. aprender correspondências capitais. dentre os quais. Com isso. entendemos que a reflexão interartística. organizar um vocabulário comum. tal qual um Don Juan.ventar meios de exploração verdadeiramente paradoxais.ceitos novos. para ser produtiva. forjar con. das diferentes mídias. uma vez mais. essa correspondência.dos para a poesia e a arquitetura ou para a pintura e a dança. (SOURIAU.Wassily Kandinsky. Eis a tarefa do pesquisador.

ele também preservava os estilos sucessivos que ensaiava. a usurpação do modelo no grau permitido pela pintura ou a escultura. a . Em vez de sentir na sua própria mente e corpo. tinha razão. que dizia.. sempre o mesmo. e isso não lhe permitia retratar outro que não fosse ele mesmo. as pessoas são como aquelen pequenos grãos de poeira que flutuam na luz solar”. sempre desejavam ser médicos. a fotografia era uma arte “irrealizada” e o fotográfo. criando sentido gráfico a partir dos “pequenos grãos de poeira”. ele aparentemente acreditava que a fotografia não permitia como artista. Mesmo que existam retratos feitos pelo próprio Picasso . No que me diz respeito. Examinando uma fotografia primitiva de uma lavadeira de Newraven. algo que requer o nome da pessoa que então vivia. Para Picasso. conduzindo a outras formas e misturas desse estilo. Ao longo de toda sua vida . um artesão que aspirava inutilmente `a arte de pintor. Picasso guardou bugingangas como um avarento.. ele comparava os fotógrafos aos dentistas. Ele era um paradoxo: um artista claramente evolutivo para quem o tempo parecia parado. essa morte era essencial: o corpo tinha que morrer antes de ser cortado e ressucitado `a la Frankenstein. Em certo sentido. o teórico Walter Benjamin observou em 1931 que ali estava “algo que não atesta apenas a arte do fotógrafo [. algo que não deve ser silenciado. Para Picasso. disse certa vez a Françoise Gilot. Cada novo estilo que ele encontrava e depois incorporava a sua obra alimentava-se de seus estilo anteriores e enriquecia-os retrospectivamente. A evolução Pablo Picasso não foi linear. que mesmo agora ainda é real e jamais perecerá inteiramente na arte. Picasso avançava num lugar fixo. “ Ninguém tem real importância pra mim. Para Picasso.A linguagem humana é feita de palavras que se traduzem em imagens e de imagens que se traduzem em palavras – ambas são a matéria de que somos formados. Picasso foi incapaz de nutrir sentimentos profundos por outra pessoa. foi geométrica. Picasso parecia sentir na tela .].

ainda hoje. a representação da idéia do sofrimento. Uns se arriscam a dizer que a câmera enxerga melhor que nossos próprios olhos. de modo que a perspectiva do objeto vista na foto não era reprodutível na realidade. Como afirma o artista. pois a lente criara uma distorção na imagem. John Berger foi preciso ao escrever: “ Guernica é uma pintura sobre como Picasso imagina o sofrimento”: isto é. mas cria uma nova realidade que altera nossa maneira de ver aquilo que se impõe diante de nossos olhos. É a única imagem que informa de maneira absolutamente verdadeira. Será que essa busca ainda faz sentido? E no que o desenvolvimento da fotografia influencia a pintura contemporânea? Para tentar responder a essas indagações. artistas seguem buscando na pintura uma representação fidedigna do real. o pintor Gerhard Richter nos diz: “A foto substitui parte dos quadros. volto a me focar na fotografia: eu diria que ela não apenas capta a realidade. Sobre isso. ela se ocupa melhor que outras formas de arte da função de representar a realidade. eu estava tendo dificuldades para enquadrálo dentro da folha. No entanto. antes mesmo de ganhar status de arte. Isso ocorreu. porque vê „objetivamente‟. gerando um registro dessa. não consegui. sempre serviu como documento. Decidi então fotografá-lo para enxergar novos enquadramentos com o auxílio da câmera (nas disciplinas de desenho sempre se fala da diferença de desenhar um modelo real e uma fotografia do mesmo). Certa vez.fotografia se agarrava demasiado amorosamente `a carne viva. A fotografia. desenhos e ilustrações que informa sobre a realidade como um retrato da realidade. . não a expressão de uma emoção. mesmo que seja tecnicamente falha e que o retratado quase não seja reconhecível”. E é nisso que influencia a pintura hoje. Fotografei o objeto de diferentes ângulos e quando fui tentar observá-lo de um ângulo em que ele aprecia em determinada foto. é nela que se acredita primordialmente. ao desenhar um objeto. Essa função é preenchida pela foto de maneira mais confiável e aceitável do que qualquer outra imagem.

Consequentemente. Longa vida à pintura! . Enquanto a primeira existir. parece que. Gerhard Richter ilustra perfeitamente essa transformação em suas pinturas. com os avanços dessa.” É. a segunda seguirá se alimentando dela. mas pelo fato de que a fotografia.Contei essa história para ilustrar a ideia de que a fotografia nem sempre é uma cópia fiel da realidade e que. mas na fotografia. a pintura também se modifica: surge a pintura que não mais se baseia na realidade. Isso ocorre não apenas pelas diferenças entre a bidimensionalidade da foto e a tridimensionalidade do espaço real. Ele afirma :”(…) desenvolvo uma técnica racional. O pintor parte da fotografia e reproduz na tela efeitos que surgiram com ela. como o desfocado. que é racional porque pinto de maneira semelhante a uma câmera (…) meus quadros têm essa aparência porque aproveito o modo de ver que surgiu por meio da fotografia. a fotografia não veio substituir a pintura. a realidade. ao contrário do que se pensou tantas vezes ao longo da história da arte. Como mencionei antes. em seu registro. a nossa maneira de enxergar a realidade vem se modificando. pintar a partir da fotografia é completamente diferente de pintar a partir do real. em muitos casos. realmente altera.