VI SEMEAD

ENSAIO FINANÇAS

CUSTOS: UMA VISÃO DA REALIDADE EM PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS BRASILEIRAS

Autores: Eric Kutchukian Graduando em Administração pela FEA-USP Endereço Postal: Rua Afonso de Freitas, 550 ap. 82 Bairro: Paraíso Cidade: São Paulo Estado: São Paulo CEP: 04006-052 Telefone: (011) 38850651 E-mail: ericfly@uol.com.br Fábio Berstecher Gehringer Graduando em Administração pela FEA-USP Endereço Postal: Rua Professor Nelson Álvaro Figueiredo Brito, 615 Bairro: Torres de São José Cidade: Jundiaí Estado: São Paulo CEP: 13214-530 Telefone: (011) 4582-9587 E-mail: gehri@terra.com.br

• Visitas a duas empresas e entrevistas com os responsáveis pela área de custos de cada uma delas. bem como buscando também situar o trabalho no contexto teórico de Contabilidade de Custos no qual está inserido. Introdução Nosso objetivo neste trabalho é estudar o sistema de contabilidade de custos utilizado por pequenas e médias empresas. sem o qual muitas pequenas empresas sequer teriam condições de usufruir as avançadas técnicas de custeio. Estão incluídos no trabalho trechos das entrevistas com os responsáveis pelas áreas acima citadas. buscando a obtenção de informações que levem à revelação de como o sistema de controle de custos se dá nas empresas bem como de como o controle de custos influencia as decisões estratégicas da empresa. Referencial Teórico* 2 . A elaboração de um trabalho escrito relatando o resultado das pesquisas e conclusões. Havendo diferentes níveis de desenvolvimento do custeio nas duas empresas. há a crescente necessidade de baixar custos a fim de buscar maior competitividade e a fim de que se possa crescer ou pelo menos sobreviver. sendo uma de panificação e outra de importação. Participaram da pesquisa as áreas de Custos e Controladoria e de Compras. bem como análises das mesmas.CUSTOS: UMA VISÃO DA REALIDADE EM PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS BRASILEIRAS Resumo Este estudo tem por objetivo identificar e analisar os benefícios. notando suas diferenças e analisando como estas diferenças afetam as decisões das empresas. ABC e Absorção. fazendo uma comparação entre dois diferentes métodos. e são abordadas neste trabalho duas das mais usadas: ABC (Activity Based Costing) e Custeio por Absorção. No atual mercado competitivo. limitações e problemas da aplicação da Contabilidade de Custos em empresas de pequeno e médio porte. analisamse também as vantagens trazidas ao sistema de custeio pelo emprego da informática. Metodologia A Metodologia utilizada para a elaboração desse estudo pode ser considerada como tendo três pontos fundamentais na constituição de sua base: • Uma revisão bibliográfica buscando consolidar as teorias de custos relevantes envolvidas no trabalho. bem como oferecendo uma análise da realidade dessas empresas. indústria e comércio. a saber. Há também a preocupação em analisar a visão dos gestores a respeito do controle de custos e também qual o retorno esperado por eles e o retorno alcançado. através de uma pesquisa em duas empresas. A Contabilidade de Custos é executada através de diversas técnicas e modelos que foram aprimoradas com o passar do tempo.

mas é reconhecido como custo no momento da utilização dos fatores de produção para a fabricação de um produto ou para a execução de um serviço. São itens que reduzem o patrimônio líquido e tem a característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas. É de grande importância notar que a classificação em Fixos e Variáveis leva em consideração a unidade de tempo. e só os de produção. Gasto Sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer. Já aqueles cujos valores independem da produção são chamados de Custos Fixos. bastando haver uma medida de consumo. são tratados como Custos Indiretos em função de sua irrelevância ou da dificuldade de sua medição. Não se trata. Divide basicamente os Custos em Fixos e Variáveis. Classificação dos custos diretos e indiretos Custos que podem ser diretamente apropriados ao produto. Perda Bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária.Custos dessa natureza são chamados. são chamados de Custos Diretos com relação aos produtos. no entanto. Despesas São bens ou serviços consumidos para a obtenção de receitas. Custeio por absorção Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados. ela é Direta quando diz respeito ao gasto com o pessoal que atua diretamente sobre o produto que está sendo elaborado e. Já aqueles que não oferecem condição de uma medida objetiva e para os quais qualquer tentativa de alocação tem de ser feita de maneira estimada e muitas vezes arbitrária são chamados de Custos Indiretos com relação aos produtos.Definição dos conceitos básicos em Contabilidade de Custos: Custo O custo é um gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Os custos que variam de acordo com a produção são chamados de Custos Variáveis. Outra Classificação dos Custos: Fixos e Variáveis Uma classificação usual é a que leva em consideração a relação entre os custos e o volume de atividade numa unidade de tempo. às vezes. Alguns Custos Diretos. 3 . de um relacionamento com a unidade produzida. como no caso da classificação de Diretos e Indiretos. sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro). semivariáveis ou semifixos. Todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos. ou até do interesse da empresa em ser mais ou menos rigorosa em suas informações. Com relação à Mão-de-Obra. Também é um gasto. Indireta quando diz respeito ao pessoal que não atua diretamente sobre o produto. o valor total de custos com um item nessa unidade de tempo e o volume de atividade. Alguns tipos de custos têm componentes das duas naturezas.

Análise dos Critérios de Rateio . Para a apropriação dos Custos Indiretos aos produtos. Departamentalização Departamento é a unidade mínima administrativa para a contabilidade de custos. 1º passo: A separação entre custos e despesas: 2º passo: A apropriação dos Custos Diretos 3º Passo: A Apropriação dos Custos Indiretos: Há diversas formas de se alocar os custos indiretos. procurar entre as diferentes alternativas a que traz consigo menor grau de arbitrariedade. 1º passo: separação entre custos e despesas.Esquema básico da Contabilidade de Custos. forma perfeita de se fazer essa distribuição. 2. que é a unidade mínima de custos indiretos de fabricação. Há outro tipo de alocação: a distribuição dos custos indiretos proporcionalmente ao tempo de fabricação.Custos Comuns Os custos indiretos. é necessário que todos estes custos estejam. só podem ser apropriados de forma indireta aos produtos. Não há. como também diminuir o grau de credibilidade com relação às informações de Custos. Mas vale lembrar que a primeira medida a ser tomada sempre será a separação entre Custos e Despesas. 4 . Critério de Rateio dos Custos Indiretos 1. 4º passo: Rateio dos Custos Indiretos comuns e dos da Administração Geral. podemos. Rateio dos Custos Sabemos que os Custos Comuns a vários departamentos são rateados mediante sua natureza. que desenvolvem atividades homogêeas A departamentalização é obrigatória em custos para uma racional distribuição dos Custos Indiretos. sobre os de Produção. nos Departamentos de Produção. 3º passo: Apropriação dos Custos Indiretos que pertencem visivelmente aos departamentos. Uma alternativa simplista seria a alocação aos produtos proporcionalmente ao que cada um já recebeu de custos diretos. 5º passo: Escolha da seqüência de rateio dos custos acumulados. devido a sua própria definição. e não há outra maneira mais objetiva de visualização de quanto dos indiretos poderia. ser alocado aos itens. 2º passo: Apropriação dos Custos Diretos diretamente aos produtos. representada por homens e máquinas (na maioria dos casos). sendo os critérios muitas vezes um pouco subjetivos e arbitrários. trabalhando-se com o Método de Custeio por Absorção. 6º passo: Atribuição dos Custos Indiretos que agora só estão nos Departamentos de Produção aos produtos segundo critérios fixados. e faz uso dos próprios valores em reais de mão-de-obra Direta. Cada departamento pode ser dividido em mais de um Centro de Custos. é necessário que todos os Custos dos Departamentos de Serviços sejam rateados de tal forma que recaiam. por ter sido esta calculada com base nesse mesmo tempo. Esse critério é relativamente usado quando os custos diretos são a grande porção dos custos totais. no máximo. entretanto. Dividem-se os Departamentos em Produção e Serviços. Esses valores de custos indiretos diferentes e conseqüentes custos totais também diferentes para cada produto podem não só provocar análises distorcidas. depois da seqüência de distribuições. Para isso. de forma menos arbitrária. na penúltima fase.

Mas depois que os Custos Indiretos estiverem atribuídos aos departamentos e precisarmos ratear os existentes nos de Serviços. 2. e quando utilizamos critérios variáveis no rateio de seus custos podemos criar situações ilógicas. no passado tolerados. 2. pois os pequenos graus de arbitrariedade e subjetividade. Importância do ABC O ABC é uma metodologia de custeio que busca reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. É importante observar que para cada atividade deveremos atribuir o respectivo custo e um direcionador.1. Importância da consistência nos Critérios A adoção de um ou outro critério de rateio é de influência vital no valor do custo final do produto. É por isso que precisamos de um bom conhecimento do processo produtivo antes de decidir que critério de rateio utilizar. Precisaremos analisar quais são as bases mais adequadas. Isso causou um problema. Custeio Baseado em Atividades (ABC) 1. 4. Influência dos Custos Fixo e dos Custos Variáveis Muitos departamentos possuem custos fixos. e que a diversificação destes fosse enorme. hoje podem causar grandes distorções. 3. Muitas vezes consegue-se agrupar vários itens de custos em um só para 5 . podendo a mudança de critérios provocar mudança no valor apontado como custo do produto.Identificação das atividades relevantes O primeiro passo para custeio ABC é identificar as atividades relevantes dentro de cada departamento. Não havendo predominância de nenhum dos dois pode-se fazer um rateio misto. e é também por isso que os critérios se diferenciam de empresa para empresa. É fácil de se verificar que uma regra simples de ser utilizada: departamentos cujos custos sejam predominantemente fixos devem ser rateados à base de seu potencial de uso. 5. não poderemos atribuir custo por custo. O mesmo acontecerá na apropriação dos Custos dos Departamentos de Produção para os produtos.2 Atribuição de Custos às atividades O custo de uma atividade compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para x’ desempenhá-la. O avanço tecnológico assim como a crescente complexidade dos sistemas de produção fez que os custos indiretos aumentassem muito. Aplicação do ABC 2. Vale lembrar ainda que o ABC pode ser utilizado no cálculo de custos diretos e até mesmo na gestão de custos. enquanto departamentos cujos custos sejam predominantemente variáveis devem ser rateados com base nos serviços prestados. sem que haja de fato modificações na produção. Conciliação entre Custos e Contabilidade Financeira Por último vale lembrar a importância da conciliação entre Contabilidade de Custos e Contabilidade Financeira para se evitarem distorções nas avaliações dos resultados de cada período e nas medidas dos estoques.

O ABC trabalha com o conceito de centro de atividades.Rastreamento (alocação com base na identificação da relação de causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração de custos) 3.Rateio (quando não é possível utilizar nenhum dos outros critérios descritos) Podemos perceber que a simples divisão dos departamentos em centros de custos já auxilia o processo. A atribuição de custos às atividades deve ser feita da maneira mais criteriosa possível. Porte: Médio a Grande Nº de funcionários: aproximadamente 700 Nº de clientes (estimado): difícil de ser mensurado. quando o objetivo do ABC é apenas custear produtos. 2. em várias filiais. Tempo de empresa: 24 meses Entrevista 6 . Tipo de empresa: Indústria e comércio no varejo Ano de fundação: dado indisponível no momento do contato Localização: Cidade de São Paulo Dados do Entrevistado Cargo: Coordenador de Custos e Orçamento Formação: Técnico contábil. faz-se necessário o levantamento da qualidade e quantidade de ocorrência dos direcionadores de atividades por período e por produto.Alocação direta (quando existe uma identificação clara. numa adaptação da teoria à prática. 2. para melhor evidenciar os recursos utilizados por diversas atividades. seus direcionadores de recursos e respectivos custos. e produção de certos artigos. ele é a verdadeira causa dos custos. basta apenas custear os produtos. da existência de seus custos.refletir a natureza do gasto pelo seu total. Já outras vezes pode ser recomendável desmembrar uma conta em várias. graduado em Administração. é possível aproximar centro de custos e atividades.3 Identificação e seleção dos Direcionadores de Custos Direcionadores de custos são os fatores que determinam a ocorrência de uma atividade. Entretanto.4 Atribuição dos custos das atividades aos produtos Depois de identificadas as atividades relevantes. ele deve refletir a causa básica da atividade e conseqüentemente. comércio no varejo. pois trabalha com varejo. Entrevistas ♦ Empresa A** Ramo de atividade: importação / exportação de produtos alimentícios. direta e objetiva). 2. pós-graduado em Finanças e Controladoria. Portanto. de acordo com a seguinte ordem de prioridade: 1. Para tal.

que está próximo da diretoria. Antes havia uma maior liberdade de compras e de atuação. praticando muitas vezes preços distorcidos da realidade em alguns produtos.Alguma. obedecendo aos procedimentos e normas do FISCO. mas agora há a necessidade de seguir essa formalização da operação. ou seja.Os custos na Empresa A** Qual o valor que a empresa dá à análise de custos? . ligados a tais dados. ou seja. Por tudo isso a empresa caracteriza a apuração de custos com formalização fiscal. o reflexo é em cima do consumidor final. por isso há um problema de procura. que agora está na versão 6. Nesses dois anos que eu estou aqui houve mudanças no sistema. Há muita dificuldade de obtenção de dados para o custeamento? . Então começamos a utilizar o sistema de absorção. por isso quanto melhor conseguirmos controlar e conhecer nossos custos. Agora que usamos o sistema Microsiga®. Qual a mudança influenciada pela análise de custos de maior destaque que o senhor se recorda? . O profissional de custos deve dominar todos os conceitos administrativos. pegando linha a linha para análise. automaticamente teremos um preço favorável para competição de mercado. agora estamos conseguindo extrair dados. através de estudos mês a mês. Há certa resistência da parte dos funcionários. não só para produtos. Até que ponto as informações providas pela análise de custo dos produtos provocaram a melhoria das decisões e a redução de custos? Nós tivemos a chance de conhecer mais profundamente nossa estrutura de custos. para geração e liberação das informações? 7 . daí vem a necessidade de um profissional de custos. mas também para novos projetos e novas negociações. há um grande trabalho para fazer com que o sistema de controle consiga efetivamente gerar dados seguros. Para isso eu trabalho com o sistema de controle da contabilidade e tento encontrar desvios operacionais que fazem com que o sistema não gere esses dados. buscando acompanhar a evolução dos custos. e quem não conhece seus custos não consegue tomar tais decisões. um problema de implementação. fazia-se um sistema de custeio variado.A aplicação de uma metodologia científica e racionalização na análise dos custos e na prática de preços que acarretou mudanças como a ampliação da cozinha e dos meios de produção que fez com que a produção fosse aumentada. você conhecendo melhor seus custos você consegue obter um preço mais competitivo no mercado. porque a dinâmica do mercado exige decisões rápidas. tudo era contabilizado no total e não por item. alguns custos exigem formas de rateio e conceitos de ponderação. porque apesar de termos custos facilmente identificáveis. o cadastro de produtos estava desestruturado. já que na antiga política da empresa com as notas fiscais. onde conseguimos separar melhor os custos entre cada setor e diminuir gastos exagerados de alguns setores.Faz parte da empresa uma política competitiva de preços. A empresa não tinha noção dos seus custos. A empresa busca aprimoramento contínuo do sistema de custos? .Sim. Sendo assim a área de custos é fundamental na empresa.0. Pelo lado fiscal foi possível adotar uma política de sociedade anônima onde saímos da contabilidade tradicional de apuração de custos que é estoque inicial mais compras menos estoque final. Sendo assim.

. É importante enfatizar os benefícios gerados pela introdução de um profissional de custos na empresa e a procura por um sistema de controle de custos que melhor se adapte à realidade da empresa. Deve-se salientar também que as vantagens trazidas por um sistema racional de custos não se limitam à própria empresa. podemos concluir que a empresa possui uma boa estrutura de custos e também consegue obter bons resultados e melhoras administrativas como conseqüências dessa boa estruturação do controle e da análise de seus custos. como formação de preços. e os nossos produtos são considerados diferenciados justamente por trabalhar com este padrão. Então para você adequar o melhor (o melhor aqui associado a um custo maior) e conseguir vender nos níveis que nós conseguimos aqui. Além disso. mas se estendem ao público consumidor. etc). Qual o critério de custos adotado na empresa? .. evidencia-se a importância da gestão estratégica de uma organização suportada por informações referentes aos custos. trabalhamos com matéria-prima de primeira qualidade: tanto em termos de mão-de-obra quanto em termos de matéria-prima em si. por isso é necessário treinamento. Metodologia de Custos. o aluguel por área utilizada.: MDO. Mas em termos de empresa há a necessidade sim de um controle do critério de rateio. é utilizado o sistema de absorção e de custeio variável. Nesse caso. Energia elétrica. aluguel etc) . mudanças no sistema de produção. etc.O custo e a satisfação do cliente. Há também o sistema de custeio variado em alguns setores. devido a esses dois sistemas atenderem às necessidades administrativas da empresa e às exigências do FISCO. O direcionamento ao consumidor e a 8 . Não existem dificuldades de relacionamento e sim de treinamento e evolução. Os produtos importados são os melhores. O que você considera como fator de diferenciação do seu produto no mercado? . Qual o critério de rateio dos custos indiretos?(ex: mdo.Houve um pouco de dificuldade por parte dos funcionários a se adaptar à nova tecnologia recém chegada. Há na empresa alguns estudos para começar a medir por setor.Utilizamos principalmente o critério de absorção. hora/máq.Na verdade nós fazemos o rateio de acordo com apontamentos de hora. Como é feito o controle dos fatores acima mencionados? (ex. lançamento ou remoção de um produto do mercado.Hoje não há um controle efetivo dos critérios de rateio. Ao final de todas essas análises. Essas informações influenciam em decisões administrativas estratégicas. isso porque nós adotamos um padrão. uma vez que possibilitam exercer preços mais competitivos e realistas. é só mesmo com um trabalho de custos. como vendas por metro quadrado. especificamente. Comentários Vários aspectos podem ser visualizados nessa entrevista: Primeiramente.

tanto quanto ao marketing.A empresa dá bastante valor. agora há também a possibilidade de consulta a dados de. as informações de custos não eram muito precisas. Há certa resistência da parte dos funcionários. pois antes de chegarmos na venda temos de fazer a análise dos custos do produto.busca por uma atualização constante de seu sistema de controle de custos são boas amostras da importância que a Contabilidade de Custos tem para essa empresa. o Natal passado. para geração e liberação das informações? .A informatização. Além disso. ligados a tais dados. temos de ter dados bem precisos. Empresa B** Ramo de atividade: Panificadora e Confeitaria Porte: Médio Nº de funcionários: 50 Nº de clientes (estimado): 1500/dia Tipo de empresa: Indústria e Comércio Ano de fundação: 1994 Localização: Cidade de São Paulo DADOS DO FUNCIONÁRIO Cargo: Sócio . e contando com o fato de tratarmos com produtos perecíveis.Não. Há muita dificuldade de obtenção de dados para o custeamento? . 9 . por exemplo.Não. Até que ponto as informações providas pela análise de custo dos produtos provocou a melhoria das decisões e a redução de custos? . pois não há uma avaliação precisa de cada atividade de cada funcionário. Qual a mudança influenciada pela análise de custos de maior destaque que o senhor se recorda? . Metodologia de Custos.Proprietário Formação: Graduado em Administração de Empresas Tempo de empresa: 8 anos Descrição básica de suas atividades: Compras QUESTIONÁRIO Os custos na Empresa B** Qual o valor que a empresa dá à análise de custos? . o que fez com que tal processo diminuísse nossas perdas. Por exemplo: sabemos que não podemos vender um pãozinho por menos de 30 centavos. porque utilizamos basicamente os dados do caixa e estoques.Ela nos mostra até quanto podemos abaixar o preço de venda do produto para que o negócio nos seja rentável. acarretando numa agilização do processo. porque antes desta.

tem grandes limitações. Como é feita a separação entre MOD e MOI (Mão de Obra Direta e Indireta) e seu controle? . 40% é responsabilidade da padaria. nada muito preciso. pois não há um medidor específico. 10 . Como são rateados os CIF’s (Custos Indiretos de Fabricação)? . na prática. Energia elétrica. mas que. etc).Atribuindo os custos a cada departamento e rateando os custos comuns. que consomem muita energia elétrica). tais como homens-hora e horas-máquina (como os fornos. Sem dúvida tudo se tornou mais fácil com a informatização. pois o processo tornou-se mais dinâmico e preciso. o que ocorre é o rateio dos custos por departamento. levando em conta observações pessoais. apenas através da intuição do gestor. mas sempre surgem dificuldades no começo.Não há um critério definido. Comentários Nesta empresa notamos que há um sistema. o que existe são alguns funcionários que às vezes fazem serviços para outros departamentos. é facilmente aplicado.O controle da mão-de-obra é feito pela folha de pagamento. que embora seja ABC. sem bases acuradas.a parte do balcão Como é efetuada a divisão dos custos diretos? . é oneroso? . hora/máq. no caso. Entretanto. O rateio dos custos indiretos e fixos é feita arbitrariamente.Através de um rateio não muito preciso. Como é feito o controle dos fatores acima mencionados? (ex. . tal sistema tem ajudado. o aluguel é distribuído pela área. reduzindo também as perdas. que viabilizou o processo a baixo custo. de acordo com os meus conhecimentos. esse número é uma estimativa do quanto se gasta de energia com a padaria. Qual a sua avaliação a respeito desse sistema de custos adotado na sua empresa? Ele tem alta precisão. Quais? Citá-las. a melhorar sensivelmente a análise dos produtos e do desempenho dos departamentos. aluguel etc) .Não há muita MOI. . O sistema de custos existe nesta empresa devido à informática. Qual o critério de custos adotado na empresa? .Eu acredito que vale a pena. é aplicado de maneira até certo ponto primitiva e superficial.Há cinco departamentos:  Padaria  Confeitaria  Rostisseria  Sanduicheria  Vendas . Não há medição da maioria dos custos variáveis.: MDO. a energia elétrica.Qual o critério de rateio dos custos indiretos?(ex: mdo.Utilizamos o ABC Identificação das atividades relevantes de cada departamento.

Deste modo. mas de extrema importância para as organizações do presente e do futuro. Um bom programa de esclarecimento e treinamento que traga às micros. o que os leva a não perceberem distorções em preços e em custos nessas organizações. em que as sobras se tornavam perdas. gerou-se um rico material de análise da realidade da situação de custos. Eliseu. devido ao rápido perecimento dos produtos. utilizam-se de um sistema de custeio bastante primitivo e obsoleto. pois. Por tudo aquilo que foi observado e constatado. houve uma maior aproximação ao sistema just-in-time. 2001 **Os nomes foram ocultados por discrição 11 . nota-se que o profissional com um conhecimento profundo nessa área possui uma ferramenta escassa. necessitando de maior aprofundamento nos custos. tal área de atuação constitui-se em uma grande oportunidade de atuação para um administrador. que são causadas pelo completo desconhecimento de seus sistemas de custos por parte de seus gestores. valiosa e um diferencial para um profissional da tão concorrida área da administração.possibilitando decisões e controle mais consistentes. A visão de que custos só devem ser mensurados com a finalidade de ajudar na formação do preço dos produtos ou com a finalidade de. ocasionadas por má coordenação da produção. O sistema também cortou consideravelmente as perdas. pequenas e médias empresas de nosso país uma proximidade maior da gestão estratégica de custos ajudaria muito essas empresas a se desenvolverem e evitaria a falência de muitas delas. para se criar condições de otimização do negócio. Contabilidade de Custos. Conclusões Por meio deste estudo. como comentado anteriormente. na realidade brasileira. * Para a execução dessa parte do trabalho. partindo geralmente de “conceitos” desenvolvidos pelo proprietário ou responsável pelo empreendimento. além de estar em pleno crescimento. Entretanto. São Paulo. Comentários Finais A Contabilidade de Custos na realidade do nosso país Através dessa pequena pesquisa pode-se ter uma pequena idéia da situação dos sistemas de custos em algumas pequenas e médias empresas de nosso país. compreensão e controle de custos. diminuindo os estoques e havendo uma melhor programação e controle da produção. ainda é um privilégio de empresas que já possuem algum porte. em algumas pequenas e médias empresas. mesmo que já atuem há algum tempo em seu ramo de mercado. atender às exigências do FISCO mostra que a gestão estratégica de custos é uma realidade bastante distante daquela vivida pelas pequenas e médias empresas de nosso país. essas são técnicas valiosas para a gestão de qualquer empresa. o sistema de custos desta empresa é ainda primitivo. Atlas. pôde-se perceber que um bom sistema de análise. E ao final desse estudo. pois é um ramo de atuação pouco explorado. Esse descaso ou desconhecimento dado a importância dos custos para a empresa é desanimador e preocupante. Assim. os autores basearam-se na obra: Martins. As pequenas empresas. A elaboração desse estudo serviu de incentivo ao estudo da análise de custos. de nosso país. no máximo.

ELISEU. Accoutant’s Handbook. JAY S. Contribuição ao estudo da gestão e mensuração de custos da qualidade. WIXON. PORTER. 2nd edition – New Jersey. S. Rio de Janeiro: Campus.Vantagem Competitiva. KELL. GERALDINE E.. Readings in Management Accounting. BEDFORD. 1970. São Paulo: Atlas. Custos: Planejamento. MARK. DOMINIAK. YOUNG. 12 . MICHAEL E. 2001. 1992. Implantação e Controle São Paulo: Atlas. 1992. Contabilidade de Custos. 1981. WALTER G.. ANTÔNIO. JOSEPH G. G. . New York: The Ronald Press Company. 1999. GEORGE S. no contexto da gestão estratégica de custos.. HOLMEN. Tese de doutorado em Contabilidade. LEONE. NORTON M. RUFUS. ROBLES Jr. LOUDERBACK. South-Western College Publishing – Thomson Learning.Bibliografia MARTINS. Managerial Accounting. 1997.