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II SEMINÁRIO DE PESQUISA E EXTENSÃO RURAL – SEPEX

“A agricultura familiar no agronegócio”
Realização: Fundação Universidade Federal de Rondônia – Campus Rolim de
Moura
Curso de Agronomia – 14 de Junho de 2008

INFLUENCIA DO SOMBREAMENTO DAS PASTAGENS COM CASTANHA DO
BRASIL (Bertholletia excelsa) NA PRODUÇÃO DE LEITE DE VACAS
MESTIÇAS EM RONDÔNIA.

Ricardo Gomes de Araujo Pereira 1, Cláudio Ramalho Townsend 1 , Newton de Lucena Costa
2
e João Avelar Magalhães 3.

1-Zootecnista, D.Sc.Pesquisador CPAF-RO, EMBRAPA Rondônia. (69), 39012529
E-mail: ricardo@cpafro.embrapa.br
2 -Pesquisador da Embrapa Roraima, 3 -Pesquisador da Embrapa Meio Norte.

INTRODUÇÂO

Na região Amazônica existe um déficit na produção de leite durante todo o
ano. Em Rondônia esta situação é diferente porque o estado é auto suficiente na
produção de leite e seus derivados, entretanto, no período seco, particularmente,
na bacia leiteira de Porto Velho, a produtividade do rebanho leiteiro chega, a
números críticos. Medidas de manejo como o sombreamento têm sido utilizadas
para amenizar os efeitos adversos do ambiente. Nas altas temperaturas, é
constante observar-se declínio acentuado na produtividade animal, principalmente
quando tais temperaturas estão associadas a umidade elevada como acontece na
região Amazônica.
A sombra tem como principal função diminuir a incidência da radiação solar,
reduzindo assim, a temperatura ambiente e corporal sendo uma importante
medida de manejo, Falco, (1979). Nos bovinos não há alteração na produção de
leite quando as temperaturas variam de 5 a 210 C. Em temperaturas menores de
que 50 C há decréscimo ligeiro na produção de leite, acima de 270 C o declínio é
mais acentuado. Em umidade elevada acentua-se ainda mais o declínio, Muller
(1989).

As médias anuais oscilam entre 75 e 83%. em blocos casualizados. A umidade relativa do ar apresenta-se mais elevada no período de dezembro a maio. concluirão que a falta de sombra é fator limitante no desempenho produtivo dos animais desta raça. al.Rondônia cuja posição geográfica está definida pelas seguintes coordenadas: 7o5' e 13o45' de latitude sul e 66o47' e 59o55' de longitude oeste. variedade preto e branco. em Rondônia. A menor queda pluviométrica concentra-se no trimestre junho-agosto. onde foram utilizadas 18 vacas leiteiras da raça girolanda. (1996). máximas e mínimas oscilam entre 28 e 33oC. as alturas pluviométricas dos meses de maio e. A precipitação pluviométrica é em média 2. As temperaturas médias. sendo dezembro a março o período de maiores precipitações. observaram que vacas da mesma raça apresentaram capacidade de recuperação parcial ou total da produção de leite sob estresse térmico. II SEMINÁRIO DE PESQUISA E EXTENSÃO RURAL – SEPEX “A agricultura familiar no agronegócio” Realização: Fundação Universidade Federal de Rondônia – Campus Rolim de Moura Curso de Agronomia – 14 de Junho de 2008 Trabalhando com vacas em lactação da raça holandesa. Segundo a classificação de Koppen. Carvalho e Olivo (1996). alcançam freqüentemente valores inferiores a 50 mm. Entretanto. O experimento teve início no mês de julho com sete dias de adaptação seguidos de 14 dias de período pré experimental e 94 dias de período experimental. apresenta clima tropical chuvoso do tipo Am. O objetivo deste trabalho foi determinar a melhor condição de sombreamento utilizando-se a castanha do Brasil (Bertholletia excelsa) para a produção de leite. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi realizado na estação experimental da EMBRAPA .as vacas não tinham acesso a sombra (testemunha). notadamente de setembro. com dois tratamentos: T1 .100 mm A estação chuvosa tem início em setembro e prolonga-se até maio. T2 - . De acordo com o levantamento de solos efetuado pela EMBRAPA (1983). entretanto Aguiar et.

(figura I) deve-se ao aumento da temperatura ambiente que também foi observado por Aguiar et al.01). .55 litros/vaca/dia com um coeficiente de variação (C. Houve efeito significativo com relação a semana e ao horário (P<0.V. Estes resultados concordam com os resultados observados por Mc Falco (1979) e Aguiar et al. Este resultado também foi observado por Falco (1979).C. com um teor de gordura médio de 3.01) com relação a interação tratamento x horário. semanalmente eram coletadas amostras de leite das duas ordenhas diárias para analise de gordura. A produção de gordura foi significativa (P<0. RESULTADOS E DISCUSSÃO A produção média de leite foi de 4. Todas as vacas receberam ração calculada com base nas exigências de mantença e produção de leite estabelecidas pela N. Possivelmente o decréscimo inicial da produção de leite e o aumento durante o experimento. (figura 3). A produção de leite era avaliada por controle diário. cultivar Cameroon.=14%. II SEMINÁRIO DE PESQUISA E EXTENSÃO RURAL – SEPEX “A agricultura familiar no agronegócio” Realização: Fundação Universidade Federal de Rondônia – Campus Rolim de Moura Curso de Agronomia – 14 de Junho de 2008 as vacas pastavam em um piquete com 60% de sua área sombreado com castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa). Não apresentou efeito significativo (P>0.R. ração concentrada e mistura mineral à vontade.) de 17%. em duas ordenhas. Provavelmente os picos no comportamento das variáveis (figura 2).V. as vacas do tratamento sombreado apresentaram uma maior produção. trabalhando com vacas holandesas em Minas Gerais.05) com relação aos tratamentos entretanto. Ambos os piquetes eram formados de quicuio da Amazônia. (Brachiaria humidicola). devem ser associados às condições climáticas de cada semana. (1996).73% e um C. às 6:00 e às 16:00 horas.(1987) constituída de capim elefante napier. (1996).

T. Fortaleza. 33. mantidas ao sol e a sombra. F. Anais. Anais.S. Rio de Janeiro. N. FALCO. BACARI JR. (Nutrient Requirements of Dairy Cattle). de . Porto Alegre. 1996. A. 262p. MULLER.. favorecendo assim. EMBRAPA. CE. 3 P. Fortaleza. II SEMINÁRIO DE PESQUISA E EXTENSÃO RURAL – SEPEX “A agricultura familiar no agronegócio” Realização: Fundação Universidade Federal de Rondônia – Campus Rolim de Moura Curso de Agronomia – 14 de Junho de 2008 CONCLUSÕES A utilização da sombra na criação de vacas leiteiras no trópico úmido aumenta a produção de leite. C. B.. A sombra diminui stress calórico. S.. . . Tese de Mestrado. ao sol e em ambiente parcialmente sombreado. Fortaleza. 1979. quando se compara com criações criadas totalmente ao sol. 33. C. P. Viçosa. T. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (Rio de Janeiro). de e OLIVO.Z.Z. 3 P.Levantamento de reconhecimento de média intensidade dos solos e avaliação da aptidão agrícola das terras do estado de Rondônia. RS. N. F. I. 1989.B. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos 3ª Ed. Reações fisiológicas e ganho de peso corporal de novilhas leiteiras. 4 ed. R. In: REUNIÃO ANUAL DA S. Reações de vacas leiteiras mantidas a sombra.. 69p.B. F. 1987. P.. (CD ROM).J. Produção de leite de vacas holandesas em função da temperatura do ar e do índice de temperatura e umidade In: REUNIÃO ANUAL DA S. M. 558p.1983. Washington. Fortaleza. TORNERO. CE. Sulina. M. F. (CD ROM). 1996. GOTTSHALK. deixando os bovinos em melhores condições de conforto. a adaptação dos animais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. CARVALHO. Universidade Federal de Viçosa.WECHSLER.