Aspectos psicológicos no atendimento ao abusador sexual Meg Gomes Martins- Psicojur/IESB

Caso: K., 42 anos, compareceu ao atendimento psicológico, pois abusou sexualmente da enteada C., a primeira vez quando ela tinha 9 anos, e perdurou até ela completar 12 anos de idade. C. revelou o abuso à mãe B., recentemente, aos 17 anos, e logo começou a freqüentar psicoterapia. A mãe B. também procurou um psicólogo para si e para o marido K., que concordou em participar das sessões. Em relação ao abuso sexual, K. relatou que nunca houve penetração, que acontecia quando B. estava dormindo e C. pedia para dormir na cama com o casal. Ao perceber que B. dormia, K. introduzia o dedo na vagina da enteada e tocava seus seios. K. assumiu que iniciou a enteada na sexualidade com os toques, que foi tudo um deslize e que só aconteceu porque C. sempre foi precoce (menina com corpo de mulher), carinhosa e que, frequentemente, dormia na cama dos pais até os 13 anos de idade. Verbalizou que sentiu-se seduzido e afirmou que o abuso aconteceu apenas com a enteada e não com outras crianças. K. relatou que se sentia carente emocionalmente em relação a sua esposa B. e que existiam muitas discussões entre eles. Sentia-se cobrado e chateado. B. exigia atenção, sexo e que ele seguisse a religião dela. A relação conjugal sempre foi conturbada, desde os tempos de namoro, quando o sogro pressionava K. para se casar com B. revelando que B. tinha uma família muito protetora e que deixava K. acuado para tomar decisões. Percebia muitas diferenças entre ele e a mulher no campo intelectual, nas perspectivas de vida, nos planos futuros e na forma de conduzir o relacionamento. K. já tentou romper o relacionamento com B., mas confessa que tem pena da mulher que já tentou se matar ao ver a possibilidade de perder o marido. K. relatou que, primeiro, vai esperar B. se estruturar financeiramente para depois tentar um processo de separação novamente. Antes de se casar com B., K. estava separado há apenas 4 meses da primeira mulher com quem afirma ter vivido sua única paixão, tinha afinidade intelectual e sentia paz e liberdade. K. afirma que B. é muito carente e ele não. Não se sente satisfeito consigo mesmo, pois costumava ser brincalhão e alegre. Hoje não consegue mais ser dessa forma quando B. está presente. Apesar disso, assume que B. é excelente mãe, dona de casa e é uma pessoa admirável, mas não para ficar com ele. Gostaria de viver um amor apaixonado de homem e mulher. A literatura sobre abuso sexual demonstra muitas questões acerca do atendimento a criança vitimizada, todavia poucos textos mantêm o foco no atendimento ao abusador. Para exemplificar, a literatura na área de abuso sexual infantil, geralmente, apresenta os temas: conseqüências do abuso sexual a curto e a longo prazo para a criança abusada (Azevedo, Guerra & Vaiciunas, 2005; Furniss, 1993; Perrone & Nannini, 1997; Rouyer, 1997); síndrome de acomodação e do segredo desenvolvida pela criança (Furniss, 1993; London, Bruck, Ceci & Shuman, 2005); indicadores físicos, comportamentais e sexuais em crianças vítimas de abuso (Furniss, 1993; Perrone & Nannini, 1997); sentimentos desencadeados na criança como

cabe salientar que o senso comum acredita que não há tratamento ou intervenção eficaz para os abusadores. baixa auto-estima e dificuldades em registrar seu mal estar frente aos abusos (Ravazolla. explorada. montagem de quebra-cabeça. contrariando e tentando agregar conhecimentos. chocante e de grande comoção social.. a ciência analíticocomportamental pode contribuir para o estudo psicológico do abusador por tratar o abusar sexualmente como um comportamento como outros.. (. pela decepção de vê-lo praticado por aquele de quem deveria esperar proteção. 2005). este texto tem o objetivo de debater algumas questões pertinentes ao atendimento psicológico ao abusador sexual. 2005). Sabe-se que nem todas as crianças que foram vítimas de maus-tratos ou de violências em todas as suas formas se tornarão agressores. O assunto do comportamento do abusador remete a dor e sofrimento. Todos esses aspectos são muito relevantes.testes. mas usa o seu papel familiar ou social para ultrapassar limites e abusar de uma pessoa a quem deveria proteger. 2005). e que está reconhecidamente colocada numa situação de desigualdade de empoderamento. contextos que se assemelham. uso de instrumentais lúdicos para investigação . Esses devem ficar à míngua de um sistema punitivo. infância pobre. 1997). O analista do comportamento compreende o abusar sexualmente sendo composto por uma história biopsicossocial. Esse abusador [aquele desconhecido da vítima] não tem preocupação de não . 1997).) O abuso físico é considerado quando o corpo da criança sofreu danos físicos. O abuso sexual intrafamiliar cometido por pais e padrastos pode acarretar uma seqüela psicológica maior na criança ou adolescente. que foi estabelecido e é mantido no repertório comportamental de um indivíduo. invasivos ou patologizantes (Santos. fracassada (Azevedo & Guerra. 2002). tapas. dentre outros brinquedos e jogos (Calçada. Delville. Danos como pancadas. pintura. 2002). No entanto. com relacionamentos rígidos. Entretanto. Foram crianças emocional e afetivamente mal nutridas. leitura de livros infantis. o abuso sexual infantil é o uso da criança por parte do adulto para a própria estimulação sexual. Este tipo de abuso sexual nem sempre ocorre com força física. bonecos anatomicamente detalhados. beliscões. Inicialmente. diminuição para a criança do seu valor próprio. ontogenéticos e culturais importantes para sua análise. cortes. ambivalência de emoções e um grande sofrimento psíquico (Perroni & Nannini.confusão. e assemelhados. torturada. Para Born. mas que muitas vezes espantam por sua aparência saudável e imagem irretocável. Tratar do abusador é andar por um caminho que perpassa por trilhas de causalidades múltiplas. perplexidade. É geralmente cometido por alguém que deveria cuidar. Mercier. limitação de movimentos. Contudo. referências sociais e modelos de conduta para a vida (Roselli-Cruz. 2005). sendo controlado por contingências ambientais. imobilização forçada. carência ou inadequação de cuidados parentais. sem possibilidade de escolha por parte desta (citado em Padilha. Sand e Beeckmans. é observável que a maior parte dos agressores sexuais experienciaram em sua infância situações traumáticas. distantes. 1997). possuindo componentes filogenéticos. postura profissional na entrevista de avaliação do abuso sexual infantil e intervenção terapêutica junto à vítima (Ravazolla. culpa. principalmente a intervenção adequada que deve ser realizada com a vítima desse crime bárbaro. numa relação de poder exercido pelo adulto em direção à intimidade corporal da criança. O abuso está ligado a uma relação de poder. estudos epidemiológicos (Roig.

pois.77). ao contrário da pregação do senso comum.deixar marcas que possam evidenciar o abuso para a família. juizes. professores. podem ser abusadoras. O perigo de se traçar um perfil é a desqualificação de casos específicos em detrimento de uma generalização. não é só o homem. religião. Todavia. médicos. deputados. Síndrome de adicção e ressurgência O abuso é relatado.. empresários. policiais. o círculo explicativo do ‘abusa porque é . Ou seja. como psicopatas. irmãos. pais. Furniss (1993) afirma que a pessoa que abusa sexualmente precisa ser tratada como um alcoolista que admite pela primeira vez que bebe e diz que isso jamais acontecerá novamente. prefeitos. como abusadores sexuais. bispos. Assim sendo. sobrinhos. 81). Skinner (1953/1998) afirmou que não se pode esperar uma explicação adequada do comportamento sem analisar as relações desse com as variáveis ambientais. Traçar um perfil do abusador é um assunto que exige cautela. assim como em outras formas de adicção. dependendo da situação e da história clínica. profissão. Temos encontrado (. da criança e da família como um todo. qualquer pessoa pode ser um abusador sexual.. atletas. mas simplesmente rotulá-lo dessa maneira não contribui para o cessar deste. p. segundo o DSM-IV. desempregados. mesmo acima de qualquer suspeita. sexo. padres. louco ou homossexual que abusa. E ainda podem ser enquadrados. Muitas estatísticas apontam os pais ou padrastos como sendo os principais abusadores e que estão próximos das vítimas – as crianças e os adolescentes. Encontramos pessoas sem formação escolar e também aquelas com pós-graduação no exterior. primos. É necessário acreditar que as pessoas que cometem abuso sexual querem parar de abusar e a admissão inicial é a pré-condição para a terapia. Eles podem ser de qualquer idade.). entre outras psicopatologias (p. delegados de polícia. Assim. Roselli-Cruz (2005) corrobora essa idéia quando afirma que: a literatura científica e a crônica policial demonstram que não existe o perfil do abusador sexual. tios. é preferível afirmar que qualquer pessoa. funcionários. Os abusadores correm os riscos de recaída. 2005. por alguns estudiosos na área. padrastos. A ciência ainda não conseguiu descrever um perfil com as características de um abusador sexual. e todos esses vieses preconceituosos trazem complicações psicológicas e sociais para o entendimento do abuso sexual e para o atendimento do abusador. podem ser enquadrados como portadores de pedofilia. em geral (Roselli-Cruz. 1. Portanto. uma vez que não pretende mais aparecer para aquela vítima. mães. classe social ou nível intelectual. se não evitarem situações de alto risco. o comportamento abusivo pode ser considerado uma adicção. Em termos de diagnóstico. não se pode afirmar que elas não irão recair no abuso futuramente. como uma síndrome de adicção. nacionalidade. Há pessoas sem nenhum credo religioso e há também aquelas das mais variadas opções religiosas. vereadores. alcoolista.

em geral. reconhece como não sendo controladora de seus comportamentos. 1969/1984. dizemos que seu comportamento foi modelado por esta exposição passada (comportamento modelado por contingências) e. ontogenética e cultural o que fez a pessoa se tornar adicta. O alívio de uma tensão pela gratificação sexual do ato sexual é reforçado negativamente. 1985). estando na iminência de sair do encarceramento. o indivíduo formulará regras de modo a programar uma conseqüência similar para si no futuro (comportamento governado por regras) (Skinner. sob circunstâncias similares. pelo reaparecimento de respostas reforçadas no passado. e que em situações que sinalizem a oportunidade da emissão desse comportamento desviante. A interrupção da liberação de reforço. Para haver controle do comportamento é necessário discriminar as contingências controladoras. infelizmente. Epstein (1983. um procedimento de extinção. Furniss (1993) corrobora a idéia do parágrafo anterior quando afirma que as pessoas que abusam sexualmente sabem que o abuso é errado moralmente. pois sabia que cometeria o abuso novamente. pode ser estudado à luz da ressurgência de comportamentos. é adicto porque abusa’ não conduz e encobre a verdadeira análise dos fatores relacionados à emissão do comportamento abusivo. É fundamental a realização de uma análise funcional sobre quais são os estímulos envolvidos na emissão do abuso e quais são as conseqüências que controlam e mantém esse comportamento abusivo. verbalizou que precisava de atendimento. Baum. em uma dada situação. Quando o comportamento de um indivíduo é exposto a uma determinada contingência e reforçado. 1999). Um abusador. A segunda é sobre a rede de apoio ao sistema prisional. 1985) propôs o modelo de ressurgência induzida pela extinção no qual. é prejudicial à criança. Significa que as pessoas que abusam não ficam “curadas” depois de um tratamento bem sucedido. ou seja. o organismo como um todo traz para o seu novo ambiente sua história ontogenética e essa história se refletirá na sua capacidade de adaptação (Epstein. o abusador ‘corre o risco’ de abusar novamente. que ainda é medíocre. que fora punido ou extinto temporariamente. quando.abusar) tende a recorrer. mas serve como alívio de uma tensão e se caracteriza também por um fator compulsivo à repetição. provavelmente. Aqui cabem duas reflexões. por exemplo. a importância da análise da história particular de reforço de cada indivíduo. A primeira é que a própria pessoa abusadora. é um crime tipificado e antijurídico. assim como o genoma traz a história das espécies. mais uma vez. o que mantém esse comportamento de adicção. a extinção para o comportamento 2 é condição necessária para a ressurgência do comportamento 1. e que ocorre novamente. um comportamento recentemente reforçado (comportamento 2 – outras formas de práticas sexuais aprendidas) não é mais conseqüenciado e um comportamento previamente reforçado (comportamento 1 . para atender esse tipo de demanda. Dessa forma. Considerar que o comportamento abusivo é uma adicção não significa considerar que as pessoas que abusam não sofram e que não necessitam de ajuda especializada. ressaltando a importância de uma intervenção.adicto. Staddon e Simmelhag (1971) afirmaram que o aumento da variabilidade durante a extinção da resposta mais freqüentemente reforçada é acompanhada. muitas vezes. e mais ainda. A retirada da tensão pelo abuso é aprendida e se mantém por contingência de reforço ilustrando. é crucial sair desse círculo explicativo para buscar na história filogenética. . Esse comportamento abusivo.

como uma adicção. de ordem superior e relativo. o comportamento que hoje ressurge.. o comportamento abusivo. 1953/1998. ou seja. pois pode ocorrer a ressurgência do abusar. um antes e um depois. o comportamento de ontem e o de hoje dependem reciprocamente. servindo assim para se observar o comportamento que ressurgirá amanhã (Martins. É um conceito relacional no sentido da condição “se. e no futuro. não pode ser entendido sem um contexto que englobe um ontem e um hoje. esse comportamento outrora reforçado. o conceito de ressurgência é relacional. ao abusador. ou seja. 2002). 2006). relativo e de ordem superior. um fenômeno observado hoje (a ressurgência) nos remete a outro fenômeno que necessariamente deve ter ocorrido no passado para determinar que esse comportamento de hoje ressurja (Martins. e esse treinamento passa pela busca constante da literatura sobre o tema.então. O treinamento em reconhecer aspectos antecedentes e conseqüentes do abuso deve permear a sua vivência profissional.A ressurgência pode ser vista como um conceito relacional. O que fazemos ao lembrar dependerá. o pai e os irmãos. dentre outros importantes.. é tomado como referência comparativa para se estudar o comportamento que ressurge hoje e. a mãe. Ressurgência é um conceito relativo uma vez que serve para exprimir uma relação interdependente. ressurge. é um processo que envolve uma interação entre eventos antecedentes e conseqüentes (Matos. o comportamento de ontem que foi reforçado. porém extinto. Não se entende comportamento de uma forma isolada. pode ser exposto a contingências de reforçamento e extinção. 2. e exposto a extinção ou punição.. O comportamento de hoje (o ressurgido) não pode ser entendido sem se referir ao acontecimento de ontem (o comportamento previamente reforçado) (Martins. por vezes afirmado ser impossível de ser extinguido (Telles. 1999). 1997.” que descreve relações entre eventos. A capacitação do profissional que quer se dedicar à área do abuso sexual ou atende esses casos é de suma importância. Se uma pessoa aprende um dado comportamento e esse é exposto à extinção. Aspectos do atendimento 2. que deve primar pelo respeito a todos os membros da família. e muitos dos seus aspectos são presumivelmente modelados por contingências naturais (Catania.1 Do profissional e sua postura O aspecto mais importante no atendimento ao abusador sexual intrafamiliar é a atitude do profissional. deve estar constantemente monitorado pelo indivíduo abusador. Todorov. à punição.. de acordo com a definição conceitual exposta acima. Comportamento não é algo. e por tratar-se de um desvio de conduta difícil. desde a criança vítima. 2002). Dessa forma. da troca de experiências com outros . 1991). de conseqüências passadas do nosso lembrar. Skinner. Ressurgência também é um conceito de ordem superior no sentido que ao se referir a esse termo se remete a uma interação ocorrida no passado. resume um acontecimento. Mesmo o lembrar é uma classe de comportamentos de ordem superior. mesmo quando sob auto-controle. 2002). ou a mudança na exigência de respostas (aumento ou diminuição na freqüência ou topografia da resposta). e por isso. aonde este comportamento estava guardado? Ele ressurge de onde? Neste caso é necessário argumentar que na análise experimental do comportamento não nos referimos a lugares onde possam estar guardados os comportamentos. Isso quer dizer que. ao menos parcialmente.

Furniss (1993) afirma que essa postura de compreensão e demonstração de empatia em relação às pessoas que cometem abuso não significa desculpá-las e acusar a criança. mal estar. o profissional deve agir com imparcialidade e cautela. e numa perspectiva mais ampla. a postura deverá ser investigativa e não de intervenção. atenta e comprometida ao abusador. nojo. inicialmente. 1997). Assim sendo. impotência. que propiciam a atuação e intervenção nesses casos. Após uma análise pessoal. Existe uma distinção entre a intervenção legal e a psicológica. 2004). de oposição. no sentido de que acometem os profissionais enquanto pessoas que estão dentro de um processo de trabalho. Para Ravazolla (1997) são as emoções que causam desconforto ao profissional. de tentar alguma reação diferente que possibilite a interrupção do abuso. o profissional deve estar atento e aceitar o mérito de seus comportamentos encobertos desagradáveis como forma de agir contra o abuso e outras violências envolvidas. tanto da criança quanto do abusador. que tende a ser mantida em silêncio e segredo. os comportamentos privados podem “invadir” o atendimento. O imaginário sócio-cultural do “monstro” não pode desviar a atenção do profissional de que os abusadores . de qualquer julgamento sobre sua história de vida. demonstrando um possível envolvimento deste na dinâmica de segredo e anestesia estabelecida na família. ao invés de realizar uma escuta respeitosa. agressividade. de luta. é de grande relevância que o profissional busque identificar quais as emoções e sentimentos envolvidos no atendimento e de que forma podem influenciar a relação profissional-cliente. a intervenção efetiva junto ao abusador e a intervenção familiar (Ravazolla. Além disso. Ainda. Assim. seu cliente. A parte da responsabilização cabe à intervenção legal. Indignação. no momento em que diante de situações de violência e abuso. Sem esse reconhecimento e discernimento. angústia e pena são alguns sentimentos que arrebatam os profissionais ao conhecer e enfrentar situações de abuso sexual infantil.profissionais e da própria experiência em atendimentos dos casos que envolvem abusos. ao receber um indivíduo que cometeu abuso. raiva. Em casos de abuso sexual. o profissional não vivenciasse tais emoções. sendo necessária uma análise ou diagnóstico e. desânimo. a implementação de intervenções psicoterapêuticas. tais como mal estar. confundindo o profissional que. permitindo que se fale em voz alta sobre essa violência. medo. mas não totalmente neutros à história de sofrimento que está sendo relatada. horror despertadas das relações abusivas ocorridas na família. em segundo plano. segundo a autora. o problema seria se. a intensidade da violência e do abuso vivenciada pelas famílias se reflete nos profissionais que as atendem e reverberam neles sentimentos intensos com relação à situação das pessoas envolvidas em tais circunstâncias (Ribeiro. levando os profissionais a alguma forma de reação. dor. refletiria um processo de insensibilização e acomodação sociais frente à violência. Que o psicólogo possa intervir de modo a eximir-se de responsabilizar o indivíduo. prejudicando a proteção da criança. Os sentimentos ambíguos envolvidos entre a esquiva de uma pessoa que emitiu ou emite um comportamento repugnante e a necessidade de conhecê-lo e estabelecer vínculo terapêutico são naturais. Esses eventos encobertos também propiciam uma mobilização no sentido de buscar maneiras de ajudar as pessoas envolvidas nas relações abusivas. O ponto principal é não banalizar para não impedir a ação. raiva. evitando uma atitude policialesca. à criança ou à família acaba fazendo julgamentos. perguntas inadequadas e tomando decisões apressadas e independentes. ou que se suspeita ter emitido esse comportamento.

para a posteriori permitir o relato do fato. quando foi. com o objetivo de ser empático e facilitar o vínculo com o abusador. Alguns estudos comprovam que há um aumento considerável no percentual de falsas acusações. Furniss (1993) comenta que: os terapeutas estão comprometidos com o sigilo como parte do contrato terapêutico. 2. 96). Nesses casos existe a tentativa de destruição da figura parental nas falsas acusações de abuso sexual. por um mal-compreendido paradigma terapêutico de sigilo. Aqueles que não levam em conta o aspecto legal da proteção à criança no abuso sexual como síndrome de segredo podem expor a criança ao continuado abuso sexual. que se uniram ao sistema familiar de segredo que deixa a criança desprotegida (p. ou seja. uma vez que o estudo das OEs pode sinalizar as variáveis controladoras do comportamento. mas também são pessoas em sofrimento e sujeitos de direitos.) foram irresponsáveis e possuem problemas psicológicos. Um aspecto não comum. o que ele fez) é relevante. . 1993. mas deve ser feita em momento oportuno.e ambas as coisas devem ser igualmente tratadas (Furniss. para coleta de dados e fins terapêuticos. No atendimento psicológico com o abusador sexual também é digno de atenção o fato do profissional saber diferenciar sigilo de segredo. sendo uma das formas da Síndrome de Alienação Parental (Calçada. emocionais ou sexuais. sobre o porquê dos homens se comportarem da maneira como o fazem. Os terapeutas que. sobre o atendimento ao abusador sexual recai sobre os casos de utilização das acusações de abuso sexual como forma de afastamento do cônjuge não convivente. O segredo pode fortalecer o abuso. e por isso não podem escapar de sua responsabilização. também são sujeitos de deveres.2 Da investigação histórica Variáveis importantes a serem exploradas na investigação da história de vida do abusador dizem respeito as privações afetivas. que como crime continuado não é protegido pelo sigilo terapêutico.. É interessante que. com freqüência e tarde demais. As pessoas que abusam normalmente não são “loucas” ou “más”. tais como os sentimentos. p. 2005). que caberá aos órgãos legalmente instituídos para tanto. Uma análise das operações estabelecedoras (OEs) do comportamento de abusar permeia esse tema. percebe. A operacionalização do ato abusivo (como foi. querem guardar o sigilo para a criança e a família.cometeram uma violência. (. as emoções e os pensamentos ligados àquele momento do abuso.. mas importante. 95) A cautela no atendimento ao abusador sexual e a postura do profissional torna-se imprescindível quando há disputa de guarda de filhos. A existência de problemas psicológicos na pessoa que abusa não diminui sua responsabilidade. Por outro lado. o profissional comece explorando os eventos encobertos ligados ao abuso. O profissional precisa estar sensível de que é doloroso falar sobre o sofrimento e sobre algo que é um segredo intrafamiliar. quando essas são feitas durante uma disputa judicial entre pais separados e o genitor acusador tem motivo para se vingar ou excluir o outro genitor.

casamentos anteriores do abusador. no caso do comportamento abusivo sexual.276). Desse modo. Muitos abusadores possuem uma história de terem sido vítimas de abuso físico e/ou sexual grave na infância o que sinaliza um contexto de abuso transgeracional. 2005): história familiar com origem psicopatológica. O histórico de privações compreende. impulsividade. é importante também investigar: normas sociais da família acerca da nudez. uso do banheiro. existem pessoas que apresentam complicações psíquicas graves e cometem violência sexual (p. Outras privações perfazem o campo conjugal. p. dificuldade no interesse sexual em mulheres de idade apropriada. abuso ou dependência química não exime a pessoa de responsabilidade perante seus comportamentos. Cunha e Isidro (2005) relatam que. Outros indicadores a serem avaliados são apontados por Gardner (citado em Calçada. outros desvios sexuais.96)”. baixo nível de inteligência. a violência do abuso sexual é: praticada mais frequentemente por pessoas ‘normais’ do que por indivíduos com transtornos mentais. relacionamento com outras crianças próximas do abusador. cobrando-o sexo. B.” No caso relatado. colaboração ou não do abusador ao longo da entrevista o que pode sinalizar o senso de proteção dele(a) para com a criança.É claro que outras variáveis (história de reforçamento. comportamentos sexuais anormais do abusador. atenção e filiação a religião dela. quando a pessoa é considerada sem capacidade para compreender o caráter ilícito do fato e de determinar-se segundo este entendimento. “uma união conjugal sólida constitui um obstáculo natural ao incesto. história de impulsos sexuais muito fortes desde a infância. o indivíduo pode emitir “padrões de comportamento de insistência e cobrança queixosa em relação ao outro. escolha de carreira que propicie contato com . a clareza do papel dessa variável permitirá uma intervenção mais efetiva do terapeuta analítico-comportamental (Cunha & Isidro-marinho. De acordo com Calçada (2005).41). mas é notório o papel das OEs. De acordo com Perroni e Nannini (citado em Padilha. o uso. Segundo Telles (2006). como uso de pornografia infantil. queixava-se a K. por exemplo. psicose. potencial biológico) também participam do processo de produção de comportamento. 2002). discussões sexuais. relacionamento do abusador com a criança ou adolescente abusado. passividade e dificuldade de ser assertivo. capacidade de julgamento pobre. ou seja. Essas dificuldades conjugais podem ser trabalhadas em uma terapia de casal. A prática de violência sexual não é sinônimo de doença mental ou transtorno de personalidade. filhos de casamentos anteriores do abusador. no qual nota-se que muitas discussões permeavam o dia-dia do casal. e pode-se deduzir que tal união é incompatível com uma interação incestuosa (p. relacionamento do abusador com outras mulheres. Todavia. 2005. Todavia. quando há privação de contatos sociais (carência de atenção e de reconhecimento). com exceção dos casos nos quais há o nexo causal entre doença mental-cometimento do delito. sentimentos de inadequacidade. como ilustrado no caso introdutório a este texto. a carência de cuidados parentais nos quais podem ter sido rígidos e distantes. O uso de substâncias como o álcool e outras drogas também estão associados ao cometimento do abuso.

uso de racionalizações. a situação familiar disfuncional. permite aos pais a oportunidade de encobrir e negar seus problemas conjugais e sexuais (Furniss. Essa intervenção pode resolver a questão do abuso sexual na família. com o objetivo de puní-lo como se houvesse um agente monocausal para a ocorrência do abuso. As etapas da intervenção terapêutica primária seriam nessa ordem (Furniss. Ademais. “Na realidade. falhas no contracontrole ao incesto. com o fracasso materno em evitar o abuso e proteger a criança e com a competição entre a mãe e a criança como parceira emocional do pai. Atribuem o fracasso a ambos os pais em seu papel parental e conduz a revitimização da criança. mas o mais importante é que visa à modificação dos relacionamentos familiares sem dirigir a culpa pelo abuso a um membro específico diretamente. de modo a proteger a criança. com bastante cautela para não gerar . crenças disfuncionais e outros comportamentos antissociais.1 Bloquear a continuação do abuso sexual Geralmente pode requerer uma separação. contingências aversivas continuam sendo implementadas na clínica comportamental. a investigação histórica deve permitir a discriminação de contingências que envolvam o estresse. mas encobre os conflitos afetivos e sexuais pré-existente entre o par parental. inicial e temporária do abusador para com a criança. Pode ser interpretado pela criança como uma punição pelo seu comportamento de ter revelado o segredo do abuso. está incluído todas as práticas terapêuticas que visam à compreensão do estabelecimento e da manutenção do comportamento abusivo. Trabalha com os indivíduos inseridos no contexto abusivo. mas como parte de tratamentos mais amplos que envolvem reforçamento positivo em larga escala”. aluguel. atitudes moralistas excessivas e história de tendências psicopáticas. uma vez que essa é ameaçada com a remoção da família e de outras figuras de apego. A segunda intervenção profissional seria a intervenção primária protetora da criança que tem como alvo direto a vítima. Nessa. 2006). Os órgãos ligados à polícia e aos tribunais intervêm punitivamente. o afastamento do abusador é algo bastante complexo. abuso de substâncias. De fato. roupas. 1993): 2. 2. a intervenção mais adequada é a terceira forma denominada terapêutica primária.crianças. tais como os irmãos. luz. uma vez que o agressor sexual pode ser o provedor financeiro da família e o seu afastamento físico do lar pode comprometer a manutenção de despesas com alimentação. A primeira seria a intervenção punitiva primária que tem como alvo a pessoa que abusa. 1993). Essa intervenção punitiva não permite lidar com os aspectos do relacionamento entre a criança e a pessoa que cometeu o abuso. ainda. Segundo Hanson e Bussiére (citado em Telles. 2005).3. ou a ressurgência do comportamento. Essa intervenção permite lidar com o conflito emocional/sexual entre os pais. os amigos do bairro e a escola. escola. com objetivo de evitar a recidiva. dificuldades de relacionamento interpessoal. Cameschi e AbreuRodrigues (2005) relatam que o uso do controle aversivo (punição) como forma primária de intervenção caiu em desuso. reforçando um comportamento de mentir futuramente. etc (RoselliCruz. Essa intervenção seria dirigida contra os pais. E.3 Das intervenções Três tipos de intervenções profissionais no abuso sexual são comentados por Furniss (1993). rejeição recente e relações heterossexuais disfuncionais. água.

7 Trabalhar a díade pai-criança Após trabalhar as díades mãe-criança e mãe-pai. na posição de maridos. A experiência de relacionamentos emocionais de confiança com homens que não violam as fronteiras intergeracionais é importante para que a criança possa desenvolver relacionamentos de confiança com homens. é complicado para a criança discriminar esse fato. interesse em se envolver no processo e assumir a responsabilidade pelo cuidado parental de seus filhos. 2. Para o abusador. apesar de terem participado do abuso.sentimento de culpa na criança pelo afastamento do pai.3. para que possam falar abertamente sobre aspectos sexuais específicos do abuso e sobre as fantasias e crenças acerca de seus relacionamentos. 2. 2. na idade adulta. um trabalho preventivo. ela pode ter desempenhado papel ativo. A questão é se ambos os pais possuem manejo em comportamentos de cuidar. Como algumas mães ainda possuem apego pelo companheiro abusador e não estão preparadas para a solidão.3 Assunção da responsabilidade do abuso pelo pai O pai deve assumir total responsabilidade pelo ato e não a mãe ou a criança. é importante o ensinamento do contracontrole.4 Estabelecer a responsabilidade parental pelos cuidados gerais Debater com os pais a diferenciação entre papel parental e papel conjugal. 2. 2. sendo assim. é importante o manejo da reconstrução emocional e do relacionamento de confiança da díade pai-criança. Por isso. Requer que o profissional saiba falar sobre atos sexuais explícitos na frente da família.2 Estabelecer os fatos do abuso e o abuso como uma realidade familiar compartilhada A criança e a família precisam encontrar uma linguagem sexual que possa ser verbalizada para descrever eventos e operacionalizar comportamentos. enfrentar as esposas como parceiras.3. Elas devem ser ensinadas a discriminar os contextos abusivos de uma forma protetora. uma vez que o comportamento de manter segredo reforça o comportamento de abusar. por isso os abusadores devem ser atendidos.3. a separação e o divórcio de imediato não é interessante. pode ser aversivo. 2. nas suas experiências de vida.6 Trabalhar a díade mãe-pai Manejo das questões conjugais em terapia de casal. Todavia. O abusador geralmente aprendeu. Em abusos prolongados.5 Trabalhar a díade mãe-criança Objetiva tornar a mãe uma protetora da criança a quem ela possa confiar. 2. papel . afinal os pais podem deixar de ser parceiros. assim como é importante o desenvolvimento da confiança desta criança em relação ao cuidado emocional e proteção da figura paterna. família. Esse comportamento pode mostrar componentes emocionais mais profundos na perda de importantes vínculos e relacionamentos emocionais dessas mães. em separado.8 Outros Aspectos da Intervenção A reformulação de conceitos apresenta-se como uma intervenção específica muito necessária.3. por vezes. culminando em relacionamentos adultos abertos e confiáveis. certos conceitos de sociedade.3. independente de uma presente ou futura separação ou da manifestação do outro.3. Importante observar se existe uma forte rivalidade da mãe contra a criança. pois podem ser evocados sentimentos de culpa. pois podem ser motivados por expectativas moralistas ou do profissional. fracasso e menos-valia. A mãe demanda muita ajuda e apoio quando no momento da intervenção é necessário lidar com o seu papel no contexto abusivo intrafamiliar. mas sempre serão pais.3.

’.. o delito é desestruturante psicossocialmente. como muitos abusadores demonstram um medo de mulheres. cabe ressaltar que assumir a autoria de um abuso sexual como realidade psicológica pode submeter o comportamento do abusado a contingências extremamente . É o padrão inadequado se repetindo ao longo das gerações necessitando o rompimento desse ciclo disfuncional. ‘com essa saia curta estava querendo. Furniss (1993) afirma que os abusadores sexuais precisam de treino em habilidades sociais para lidar com a baixa autoestima e a imaturidade emocional que tornam difíceis a resolução dos conflitos conjugais e o atendimento das demandas pessoais. Não pode haver a continuidade da dissimulação. mas o não falar pode ser mais ainda. ‘ela também tem fantasias sexuais’. Entretanto. O abusador deve romper o segredo e nomear os fatos. em geral. Há que se relevar aspectos sobre o sistema familiar que o abusador estava (sua família originária) e está inserido (sua família atual). Alguns abusadores possuem uma história de dificuldades em ser assertivo. não conseguem perceber o outro como sujeito com suas próprias necessidades e idiossincrasias.da mulher. o abusador não aprendeu a ter os seus interesses respeitados. Os próprios conceitos de poder. de que está obtém “prazer sexual”. suas crenças sobre disciplina e respeito entre os membros familiares. ‘a criança tem o poder demoníaco’. Abusadores podem apresentar incapacidade de relacionar-se com pares do mesmo nível. e isso constitui um fator que indica uma operação estabelecedora da dificuldade para discriminar os interesses dos outros. Os comportamentos são justificados como “valor educativo” para a criança. gênero e hierarquias que são construídos socialmente. posicionando as crianças em lugar de anjo ou demônio. Ainda. No caso específico desse tipo de violência ocorrem também muitas desculpas clássicas ligadas às auto-regras incorretamente reforçadas socialmente e que devem ser desmistificadas. o grau de verticalidade do empoderamento dentro da família do abusador. tanto para a criança quanto para o abusador. o abusador possui um nível de imaturidade emocional semelhante ao de uma criança. sobre o histórico sociocultural da família patriarcal. e até mesmo de outros membros da família. A assertividade aqui deve ser dosada entre os direitos do abusador e os direitos da criança. assim como aprenderam em sua própria experiência. No campo do abuso sexual. Quando em caso de abuso transgeracional. De acordo com Santos (2002). faz-se necessário trabalhar a incapacidade de abordar e comunicar-se com mulheres adultas de maneira funcional. ou de que a criança foi “sexualmente provocante”. as crenças sociais e culturais sobre a infância contribuem em grande medida para a construção desse cenário de maus-tratos e desvalorização da infância. Embora possa ser questionável essa forma de repetição de ações que o feriram e o vitimizaram. Geralmente. ressalta-se que esta foi a forma aprendida de se relacionar. distorcendo suas reais necessidades. de construir relações afetivas maduras com adultos. tais como ‘a criança é culpada por seduzir o adulto’. papel da criança que não condizem com um harmonioso e pacificador relacionamento em sociedade. do adulto sobre a criança.. Agressores. devem ser trabalhados para romper com a crença e a ação prevalentes do mais forte sobre o mais fraco. que crescem nesse contexto têm seu desenvolvimento psicossocial comprometido e tornam-se pessoas adultas com grande dificuldade em se relacionar com outros indivíduos e. O treinamento de assertividade nesses casos deve buscar equilíbrio em reconhecer também os interesses dos outros e não apenas os de si próprio. ‘a criança me provocou’. machismo.

perda dos rendimentos. D. M. (1999). A. doméstica da mulher-criança e suas conseqüências psicológicas.E. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento (pp. pode ter desequilibrado uma família. 11. (Eds. (2005). In Associação de Pais e Mães Separados (Ed. A. . S. por conseguinte. própria história de abuso sexual. ser fortalecido como homem adulto e responsável pela vítima. N. M. A pessoa pode mentir e/ou negar para evitar punições positivas (quando a resposta produz estímulos aversivos) ou negativas (quando a resposta remove ou adia estímulos reforçadores). Referências Azevedo. A & Vaiciunas. and Law. 232-245). Porto Alegre: Equilíbrio. Public Policy. K. In Abreu-Rodrigues. M. V. reputação. apesar do pai ter sido uma pessoa que provocou um caos psicológico na vida de uma criança. As revelações sobre o abuso sexual podem desestruturar uma família.. 195-209).aversivas. 123144). Calçada. London. N. 2) familiar: perda da parceira. V. a assunção da autoria do abuso pode auxiliar no processo de autoconhecimento. Falsas acusações de abuso sexual: parâmetros iniciais para uma avaliação. As políticas sociais e a violência doméstica contra crianças e adolescentes: um desafio recusado em São Paulo? Infância vítima de violência. (Eds. 194–226. N. (2005). W. 4) social: retaliação. Cameschi. A & Guerra. Contingências aversivas e comportamento emocional. (1). estigma. W. qual seja a sua organização. Incesto ordinário: a vitimização sexual. & Guerra. social e financeiro. o abusador deve assumir a única responsabilidade pelo abuso. & Shuman. J. A. & Guerra. A. Enfim.R. São Paulo: Cortez. N. de controle de variáveis ligadas ao contexto abusivo e.). (2005). dos filhos. Baum. J. de prevenção a episódios de abusos sexuais posteriores. devemos saber que. Ceci. familiar. comportamento e cultura. psicológico. In Azevedo. Guarda compartilhada: aspectos psicológicos e jurídicos (pp. do apoio de outros parentes. Em suma. ele ainda é o pai. Azevedo. Entretanto. Guerra. Furniss (1993) enfatiza que a maioria das crianças que sofreu abuso sexual não quer que seu pai seja preso. M. incapacidade de enfrentar a adicção e alívio da tensão através do abuso. auto-respeito. O trabalho com o abusador deve considerá-lo como membro de uma família. qual seja a sua estrutura. na intervenção com o abusador existe um aspecto duramente perceptível pelo profissional. Segundo Furniss (1993) a esquiva em assumir o comportamento abusivo pode estar ligada a cinco aspectos: legal. 3) psicológica: suicídio. abandono da parceira. In Azevedo. Compreender o behaviorismo: ciência. elas querem que o abuso cesse.. M. M. aprender o autocontrole e não permitir situações que evoquem os comportamentos abusivos. além da nomeação do fato. 1) legal: o medo do encarceramento. (2005). A. incapacidade de lidar com a situação. consequenciando na evitação da ressurgência do comportamento abusivo. M. Um membro com comportamentos disfuncionais e que. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento (pp. Bruck. Não obstante a esses contextos aversivos. A. Porto alegre: Artes Médicas. querem ser protegidas e querem um pai.).). isolamento e 5) financeiro: perda do trabalho. & Abreu-Rodrigues. C. & Ribeiro. N. V. perda da licença profissional e perda da reputação. J. mas um pai que não abuse. Disclosure of child sexual abuse: what does the research tell us about the ways that children tell? Psychology. A. mas ainda assim é um membro dessa família. São Paulo: Cortez. (2005). V. medo da solidão e do isolamento.

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