TOPOGRAFIA/TEÓRICA Aula 2 - ESCALAS E MEDIDAS DE DISTÂNCIAS 1. ESCALAS 1.1.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

Na representação de uma parcela da superfície da terra (dimensões horizontais e verticais grandes) sobre uma folha de papel (dimensões pequenas), usa-se o Princípio da Proporcionalidade entre os lados homólogos das figuras semelhantes. 1.2. DEFINIÇÃO DE ESCALA

Denomina-se escala de um desenho a relação matemática constante entre o comprimento de uma linha medida (modelo) na planta (d) e o comprimento de sua medida homóloga no terreno (D).

Escala =

d 1 = = cons tan te D

Onde: N = fator de redução entre a grandeza gráfica e sua homóloga no terreno. 1.3. Interpretação das escalas

Uma escala de 1:500 informa que o comprimento de uma linha representada em uma planta, no terreno, este comprimento é quinhentas vezes maior. Ou seja, na escala de 1:500, têm-se: 1m em planta representa uma linha de 500m no terreno:

Escala =

1m 1 = → D = 1m.500 = 500m D 500

10 cm em planta representa uma linha de 5.000cm (= 50m) no terreno:

Escala =

10cm 1 = → D = 10cm.500 = 5000cm = 50m D 500

Quanto maior for o denominador da relação 1/N, tanto menor será a escala e menor o desenho. Escala Grande (EG): são aquelas que apresentam os menores denominadores (escalas topográficas); Escala Pequena (EP): são aquelas que apresentam os maiores denominadores (escalas cartográficas ou geodésicas) 1.4. Exemplos de escalas

. Escalas múltiplos de dez: 1:100(EG); 1:100.000 (EG); 1: 1.000.000(EP) . Escalas múltiplos de vinte: 1:200(EG); 1:2.000(EG); 1:20.000 (EP).
1

1.5.000(EG). Escala de Ampliação Quando as dimensões do desenho (d) são maiores que as dimensões homólogas do objeto original (D) (terreno) ( d > D) . com numerador igual a unidade: Escala ( E ) = onde: d 1 1 = = D d D M M = módulo da escala.000(EP).. 1:5.2. d = cons tan te < 1 D APRESENTAÇÃO DAS ESCALAS Em função de sua utilização no desenho. Escalas múltiplos de cinquenta: 1:50(EG).3. Escala = d = cons tan te > 1 D 1.000(EP). Escala de Redução Quando as dimensões do desenho (d) são menores que as dimensões reais do terreno (D): ( d < D ): Escala = 1. Escala Natural Quando as dimensões do modelo (d) são iguais às dimensões homólogas do objeto original (D): ( d = D) Escala = d = cons tan te = 1 D 1.1. 1. CLASSIFICAÇÃO DAS ESCALAS 1.5. a escala classifica-se em escala numérica e escala gráfica. Escalas Numéricas Usualmente são representadas por uma fração de mesmo valor.5. 1:500.6.6. 1. • Problemas relativos à relação: d 1 = D M 2 .5. 1:50. 1:500(EG).

quando comparada com as dimensões do papel do desenho. b) Conhecido M e D . finalidade do desenho. a precisão gráfica do desenho. Alguns fatores que influenciam no momento da escolha da escala: a extensão do terreno a representar.8. ou seja. obtém-se D (dimensões no terreno).mínima representação gráfica = 0.0002 m 3 . 1.6. a natureza e quantidade de detalhes que devem constar na planta topográfica. resultando em maior precisão nas determinações gráficas no qual o desenho foi realizado. obtém-se M. Precisão Gráfica de uma Escala É a menor dimensão gráfica percebida pela vista humana. Critérios para escolha da escala da planta Não existem regras rígidas para a escolha da escala.2. 1. menor dimensão capaz de ser representada em planta. sofrendo a mesma influência do calor ou da umidade que as dimensões do papel. Escala Gráfica Representação de uma escala numérica: a) Finalidade: seu uso acompanha a dilatação ou retração do papel. Norma Técnica .04m = 4cm D M 40 ` 1000 1. c) Conhecido D e d .7.a) Conhecido M (módulo) e d (dimensões do desenho). A escala do desenho topográfico depende da: precisão do levantamento. precisão dos instrumentos de medidas utilizados. e métodos empregados. Título = 1/N = 1/1000 Unidade escolhida: 40 m A divisão principal da escala será: d d 1 1 = → = → d = 0. Normalmente compete ao topógrafo sua determinação de acordo com as características e natureza do trabalho. a extensão da área levantada. b) Título da escala gráfica (1/N): é a grandeza de desenho que representa a unidade de comprimento real escolhida. obtém-se d .

80 1 = → → D M 200 250 b) Escolha da escala para as dimensões verticais: d 1 0.10 m 0.20 m 1. 4 .40m Dimensões do terreno: 200m 60m a) Escolha da escala para as dimensões horizontais: d 1 0.0002.02 m 0. 1.80m 0. M = denominador da escala adotada Exemplos: Se M = 100 (ea) = 0.100 = 0.02 m Escala 1/100 1/500 1/1000 1/5000 Conclusão: Não é possível representar detalhes com dimensões inferiores as dos erros da tabela acima.0002m.Erro admissível: (ea) = 0. Determinação de uma escala para desenho de um terreno Erro gráfico (ea) 0.M Onde. No Exemplo: EH = 1/250 e EV = 1/150.9.00 m Dimensões da folha: 0. a escala escolhida será 1/250.40 1 = → → D M 60 150 Escala escolhida: Escala de menor valor entre escalas (EH e EV).

será sempre a distância horizontal entre eles. Trena de fibra de vidro: é revestida de PVC.4. Trena de lona: é fabricada de PVC/tecido. 5 . ajuste do zero da fita no início do alinhamento. e da influência que esses erros possam ter na medida da grandeza. 2. 2. Unidades de medidas lineares TOPOGRÁFICAS Horizontais : alinhamentos. 2.2. 2.1.1.3. cotas e diferenças de nível. sem percorrer o alinhamento. ERROS COMETIDOS NAS MEDIÇÕES DIRETAS DAS DISTÂNCIAS 2. onde é efetuada a gravação. Erros Grosseiros Erros cometidos por falta de atenção do operador e podem ser evitados: engano no n° de trenadas. DEFINIÇÃO Consiste em obter os ângulos e as distâncias horizontais para a determinação das projeções dos pontos do terreno no plano topográfico. Possui grande coeficiente de dilatação linear e altera a medida com a umidade. PLANIMETRIA 2.3. Nas medições diretas das distâncias deve-se ter conhecimento da causa da ocorrência de erros. Instrumentos de Medidas de Comprimento Diastímetros: medem grandezas lineares diretas. Estadimétricos: usados quando as medidas são indiretas.1. Tipos de Diastímetros a) Trena: Quanto o material as trenas podem ser: • • • Trena de aço: produzidas com lâmina de aço flexível de alta qualidade. Na topografia. A unidade padrão para medida linear é o metro que corresponde à décima-milionésima parte do quadrante do meridiano terrestre (Assembléia Nacional da França – 23/03/1791) No Brasil.2. sentido de graduação da fita. anotações dos dados levantados.4. a distância D entre dois pontos A e B. independente da inclinação da superfície da terra. Verticais: visadas ou leituras na mira. somente a partir de 1874 foi criado por lei o SISTEMA MÉTRICO DECIMAL.

b) Erro devido à falta de alinhamento da fita Para a medida de uma linha.0 m. deve-se alinhar a trena com erro de ± 20 cm.20 m Conclusão: Para não se cometer um erro (c) maior que 1 mm na medida de uma distância (s) de 30. h = deslocamento do alinhamento. Distância corrigida = distância medida – correção do erro Exemplo: Se c= 1. no plano horizontal DH Plano horizontal dh DH = distância horizontal dh = desnível Distância corrigida = distância medida – correção (c) 6 .Os principais erros cometidos pelo operador são: a) Erro de leitura • Pode ser evitado com a execução de duas medidas (vante e ré).c = 0. h2 c= 2s s’ h B A s onde: c = correção do erro da medida. menor que o comprimento da trena a ser utilizada na medida. Um erro ‘h’ do alinhamento pode provocar um alongamento ‘C’ na medida.0 mm e S = 30. S = comprimento da linha.0 m h = 2.s. c) Erro devido à falta de horizontalidade da fita (inclinação) As medidas à trena devem ser efetuadas sempre que possível. fixam-se piquetes espaçados entre si de uma distância.

Exemplo: Uma distância (DH) de 30. Exemplo: Uma trena de 30. b) Erro de tensão Durante a medição. T = temperatura de trabalho. S = comprimento da trena.(t − to) qE Onde: S = comprimento da trena. Nos trabalhos de precisão deve-se então introduzir a correção de temperatura (dilatação) calculada por: C = S.0015 m. α = coeficiente de dilatação do material da trena.(t – to).4.30 2. em virtude da variação da força tensora pode ser calculada por: c= S . ocasiona um erro (c) de: 0. Erros Sistemáticos Erros resultantes de uma causa permanente e reproduzem sempre no mesmo sentido.α Onde: To = temperatura de graduação ou aferição. 7 . to = tensão de graduação da trena. qual o valor da correção? C = 30x(40 – 20)x0. e um desnível (dh) de 30 cm.0 m com temperatura de graduação de 20ºC. A variação do comprimento da trena.000012 = 7 mm. a trena deve ser submetida a mesma força tensora. a) Erro de aferição (temperatura) As trenas são graduadas na temperatura de 20º C e sob tensão de 10 à 15 kg. desta forma a correção será para mais: Distância corrigida = distância medida + correção da dilatação Nos trabalhos de precisão deve-se corrigir as medidas de dilatação da trena.3 2 dh 2 c= → c= = 0. temperatura de trabalho de 40ºC e coeficiente de dilatação de aço de 0.000012.2. 2 DH 2. Sabendo que a elevação da temperatura aumenta o comprimento da trena. a distância medida apresenta um erro para menos. adaptando-se um termômetro na caixa da trena para verificação da temperatura ambiente.0 m.

p = peso da trena. faz-se necessário uma correção de catenária. f 2 c= 3S Onde: f f = P . c) Erro de Catenária Quando a trena é aplicada suspensa e esticada à mão. q = seção da trena (em mm2). e assim a correção será para mais: Distância corrigida = distância medida + correção devido a tensão. o comprimento da trena aumenta.t = flecha da catenária. E = módulo de elasticidade por tração (E = 20. graduada sob tensão de to = 10 kg.E. Têm-se então: 8 .000 kg/ mm2) Exemplo: Para uma trena de 50.4 x12 x 20. S = comprimento da trena. Nos trabalhos de alta precisão deve-se empregar o dinamômetro para obter a tensão adequada a trena.8 x 20.000 c = 3 mm Quando se aplica uma tensão maior que a tensão padrão da trena.001 + to = + 10 = 12kg S 50 Quando a tensão for maior do que a tensão padrão (tensão de graduação).C 4.0 m com seção de 0.t = tensão de trabalho. qual será a variação de seu comprimento quando sofrer uma tensão de mais 5 kg ? c= 50 x(15 − 10) 0. A correção para uma trenada é calculada por: 8.4x12mmm.S 2 8 .000 x0. esta variação deve ser considerado em medida de precisão (trabalho destinados a montagem industrial) Para não se cometer erro de tensão superior a 1 mm. e a distância medida apresenta um erro pra menos. a tensão empregada na trena deverá ser de: t= q. t = tensão empregada na medida.

Este alinhamento é obtido através da Piquetagem e do Balizamento. BALIZAMENTO: determinar as direções dos alinhamentos por meio de balizas.30 3 c= = = 0. 2.02514m 24.5.052 kgf por metro linear. PIQUETAGEM: materializar as posições dos vértices da poligonal.5. 2.S 3 0. portanto o erro na medida é para mais e a correção será para menos: Distância corrigida = distância medida – correção da catenária Nos trabalhos de topografia a correção de curvatura é normalmente desprezada.p 2 .t 2 Exemplo: Para uma trena de 30 m de comprimento.112 O efeito da catenária encurta o comprimento da trena.S 3 c= 24. o instrumento medidor deve percorrer o alinhamento definido por esses pontos. peso de 0. o valor da correção da catenária será: p 2 .1.052 2 . atravês de fixação de piquetes e estacas.t 2 24. 9 . Balizamento de uma direção Os pontos extremos A e B de um alinhamento são visíveis Procedimentos de campo: C1 C O A C2 B a) Colocam-se as balizas verticalizadas entre os pontos A e B. e com tensão aplicada de 11 kgf. TRAÇADO DE ALINHAMENTO NO TERRENO NAS MEDIÇÕES DIRETAS Na medição direta de distância entre 2 pontos.

b) O operador de B. e) O porta baliza é então comunicado e este posiciona no ponto C. então a baliza C está fora de alinhamento. entre A e B. C e D. 10 . de forma que as 03 balizas apresentem a mesma face no plano vertical. por meio de sinal convencional. e assim sucessivamente. d) No final. determina que a baliza do ponto D seja alinhada segundo o alinhamento BC.b) Coloca-se outra baliza verticalizada em C. f) O ponto B do alinhamento não é vísivel do ponto A e vice-versa C D B A Procedimentos de Campo: a) Coloca-se as balizas. c) O operador de A determina que a baliza do C faça o seu deslocamento até que fique no alinhamento AD. c) do ponto O. observa-se às linhas de tangência das faces das balizas e C. inicialmente em A. observador de A irá ver a baliza de C no alinhamento AD e o operador de B irá ver a baliza de D no alinhamento BC. de tal forma que a baliza de C seja vista do ponto A e D seja vista por B. d) Se as faces das balizas A e C não tangenciarem a face da baliza B. B.