PRODUÇÃO DE PÓLEN APÍCOLA

José Everton Alves
professoreverton@msn.com

A produção de pólen apícola nos apiários comerciais está cada vez mais em evidência no Brasil devido aos bons preços ofertados pelo produto no mercado consumidor nacional e por ser uma alternativa de diversificar os produtos obtidos nas colônias de abelhas africanizadas. O pólen é a célula reprodutiva masculina da maioria das plantas. A sua aparência é a de um pó colorido muito fino, de odor e sabor que variam conforme a flor que o forneceu. Segundo Bassi (1996), o pólen contém todos os elementos essenciais à vida vegetal e animal. O pólen é a única fonte natural de proteína e indispensável para as larvas e para as abelhas operárias adultas (ZERBO et al., 1991) e para a rainha (CRAILSHEIM, 1990). Portanto, a sua ausência pode levar ao extermínio da colônia. A coleta dos grãos de pólen é realizada pelas campeiras cobrindo os seus corpos de pólen no momento das visitas às flores para em seguida escovarem-se e alojarem o pólen em bolsas (corbículas) especializadas nas pernas posteriores juntamente com secreções de suas glândulas mandibulares (WINSTON, 1991). Estes grãos de pólen agregados em pelotas de diferentes tamanhos retirados das pernas das abelhas na entrada da colméia antes do mesmo ser depositado nos favos e levado a um processo de beneficiamento (secagem, limpeza, congelamento e embalagem) é chamado de pólen apícola. Verificamos que os grãos de pólen são ricos em proteínas (10 a 33%), carboidratos (20 a 40%), lipídeos (1 a 14%), minerais (2,5 a 3,5), sendo assim um produto de alto valor nutricional para os animais e em especial para os seres humanos (Tabela 1).

Tabela 1: Composição química media de 100g de pólen.
Componentes Proteínas Lipídeos Carboidratos Açúcares redutores Açúcares não redutores Fibras Sais minerais Aminoácidos livres pH (mEq./ml) % 10 a 33 1 a 14 20 a 40 24 a 36 2a4 3a5 2,5 a 3,5 10 a 13 4,5 a 5,2

Fonte: DONADIEU (1983).
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já que as campeiras reduzem ou param as atividades de coleta de pólen. durante a estação seca. sombreados e ventilados embora que protegidos de ventos demasiadamente fortes. não é aconselhável a extração deste produto nas colméias. ALCOFORADO FILHO & GONÇALVES.  Locais limpos. Ex: Sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia). é claro. goiabeira (Psidium guajava) (FREITAS. No período chuvoso.  Potencial para cada colônia produzir diariamente pelo menos 150g pólen/apícola na época mais propícia. a produção de pólen fica concentrada somente nas estações de transição seca-chuvosa.  Água de boa qualidade próxima ao apiário.  Distância mínima de 300 metros de estradas. 2000). A água das chuvas também pode afetar a qualidade do produto dentro do coletor de pólen. estábulos e currais. 1995). 1991. atenuiflora). na caatinga. as colônias devem estar populosas e bem nutridas. tornando-o impróprio para a comercialização devido à sua aparência e por favorecer a rápida proliferação de fungos. Na caatinga. Não podemos esquecer. Desta forma. receberem um manejo direcionado para a otimização da produção de pólen e abrigarem coletores de pólen.  Fácil acesso às colméias. 2 . Para que se tenha uma produção de pólen apícola satisfatória. Alguns critérios devem ser considerados na escolha do local para instalar um apiário destinado à produção de pólen:  Existência de flores que forneçam pólen em abundância próximo ao apiário. a produção de pólen é muito prejudicada com as chuvas.Apesar de haver flores fornecendo pólen por todo o ano em biomas como a caatinga. da vegetação que deve ser provida de uma grande quantidade de plantas que forneçam pólen para as abelhas. o que se verifica é uma sazonalidade na produção. pois há pouca oferta no campo e há uma grande necessidade dele para a alimentação das larvas no interior das colméias. ALVES (2000). jurema preta (M. estação chuvosa e estação de transição chuvosa-seca (LIMA.

Na troca da rainha. as colônias do apiário devem apresentar o mesmo tamanho da população. estas devem estar dispostas em cavaletes individuais. o apicultor terá que manejar quase que diariamente as suas colônias. O apicultor deve deixar sempre espaço para a rainha pôr seus ovos. Lembre-se que a produção de pólen retirada de uma colméia depende do manejo que é dado à mesma (Figura 1). 3 . Foto: José Everton Alves Figura 1: Em cima: gaveta retirada do coletor de pólen de uma colônia com baixa produção de pólen apícola. estarem bem alimentadas. Para evitar problemas de saque ou pilhagem. Em baixo: gaveta retirada do coletor de pólen de uma colônia com boa produção de pólen apícola. Os favos das colméias devem estar em perfeito estado. pois assim a rainha se estimula a aumentar a postura. a ventilação da colméia realizada pelas operárias em temperaturas elevadas. preferencialmente com cera nova. com seus favos construídos e com população adequada à produção de tamanho que não cause congestionamento no alvado. As colméias devem estar distantes pelo menos três metros uma das outras e não podem possuir orifícios que permitam o fluxo de operárias sem passarem pelo coletor de pólen. Em caso de haver excesso de mel. com o coletor de pólen. distribuídas de maneira que facilite o manejo diário da colheita de pólen. o apicultor poderá escolher filhas de colônias que apresentem maiores coletas de pólen.Quanto à instalação das colméias. As colônias devem apresentar boas condições de sanidade. o mesmo deverá ser retirado. Para isso o apicultor pode usar a prática de homogeneizar as populações. seria ideal que a rainha de cada colônia deva ser trocada anualmente. Em regiões com temperaturas médias acima de 36°C devem obrigatoriamente estar protegidas da incidência direta do sol já que a entrada da colméia irá obstruir. Para garantir bons níveis de postura. Lembre-se que para se explorar a produção de pólen apícola.

o apicultor pode retirar a grade de retenção de pólen a cada 2 dias. Para se obter grande quantidade de postura da rainha. Uma outra prática é usar coletores de pólen com uma eficiência de coleta de aproximadamente 70%. Para não faltar pólen na colméia. isto é. Foto: José Everton Alves Figura 2: Colméia com coletor de pólen instalado em época de produção. Quando o período de produção coincide com a época de chuvas. Estas larvas por sua vez. Para medir a eficiência. A instalação deve ocorrer preferencialmente nos períodos de abundância de flores. o apicultor deve colocar o coletor com a gaveta vazia. Na escolha do modelo a ser utilizado.A coleta de pólen por parte das operárias está diretamente relacionada com a postura da rainha. Em 4 . mas não foi encontrado pesquisa alguma que compare a diferença entre os diferentes tipos de coletores de pólen quanto à sua eficiência. permanecendo o coletor sem a mesma durante 1 dia. Existem vários modelos de coletores de pólen. maior a quantidade de feromônios que estimulam da coleta de pólen. 1993). deve-se então instalar os coletores de pólen nas colméias (Figura 2). Estando as colônias atendendo às boas condições de produção. o apicultor deve optar por um modelo que tenha a gaveta de armazenamento e a grade de retenção do pólen fáceis de serem removidas e inseridas. Quanto maior o número de larvas que necessitam de alimento. deve-se fornecer diariamente às colônias uma alimentação estimulante a base de xarope de água e açúcar e/ou mel (50% água e 50% açúcar e/ou mel). 70% do pólen coletado pelas operárias devem permanecer no coletor. o apicultor deverá proteger o coletor de pólen da água das chuvas. tornar-se-ão indivíduos adultos as quais integrarão uma força tarefa ainda maior para a captação do pólen presente nas flores (FREE.

Lembre-se que estes recipientes necessitam ser tampados.. p. Em seguida ele deve retirar a gaveta e contar as pelotas de pólen. França. para evitar contaminações do pólen. Teresina. 5 . Teresina: Confederação Brasileira de Apicultura. 23 de janeiro de 2001. p. Apidologie. preferencialmente no período da tarde. G. de 19 de janeiro de 2001.. o apicultor pode retirar a grade de retenção de pólen a cada 2 dias. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. 18 – 23. Seção 16-I. Para não faltar pólen na colméia. 140f.seguida o apicultor deverá esperar a entrada de 100 operárias com pólen nas corbículas. Paris.Universidade Federal do Ceará. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA. DF.. 21. Para a prática de colheita o apicultor devidamente protegido. L. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . Eficiência de cinco espécies de abelhas na polinização da goiabiera (Psidium guajava L. de forma moderada e nunca direcionada para o pólen. 1993. Instrução normativa N° 3. J. Diário Oficial da União [da] República Federativa do Brasil. com alça e não devem ser muito profundos para que as pelotas de pólen das camadas mais profundas não fiquem danificadas. FREE. deve utilizar a fumaça de origem vegetal de cor branca. 11. GONÇALVES. Flora apícola e mel orgânico.G. 2000. Anais. Fortaleza. p. E. Teresina: Embrapa Mio-Norte. K. 1996. densa e fria. 2000. BASSI. DONADIEUX. Os recipientes de coleta devem ser de cores claras. A. J.. Editora Librairie Maloine S. CRAILSHEIM. A coleta do pólen dever ser realizada diariamente. Insect Pollination of Crops. J. v. 1996. S. p. ALVES. 1990. Pólen apícola – Qualidade Total. permanecendo o coletor sem a mesma durante 1 dia. resistentes.). 1983. 48-59. E.A. de O. Y. Le pollen – Thérapeutique naturelle. The protein balance of the honey bee worker. o apicultor tem a possibilidade de controle de produção para eventuais estudos e tomadas de decisões. (org. Desta forma. B. Como o apicultor não deve usar muita fumaça. Na gaveta deverá ter aproximadamente 140 pelotas para atender os 70% de eficiência. Cadeia produtiva do mel no estado do Piauí. 2000. 6ª ed. e Alcoforado Filho.. 99p. C. Academic Press. In: Vilela. 417-429. F. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALCOFORADO FILHO.). 229-231. Brasília. Regulamento técnico de Identidade e Qualidade do Pólen Apícola. Uma boa prática seria a de marcar o número de cada colméia em cada recipiente de coleta e assim efetuar a colheita separadamente. BRASIL. F.. este deve retirar a gaveta com o pólen logo que se aproximar da colméia.

MORAES. A. 118p. M. S.. C. The biology of the honey bee. ZERBO. Biochemistry and Molecular Biology. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará. MA. WINSTON. 6 . USA. 1991. N. M. Harvard University Press: Cambridge. v. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará. L. Meliponinae): midgut proteolytic activity and pollen digestion. 140f. R. Fortaleza. Fortaleza. 1991. 139-147. M.. BROCHETTO-BRAGA. R. A.FREITAS. O. Potencial da caatinga para produção de pólen e néctar para exploração apícola. 129. Comparative Biochemistry and Physiology – Part B. M. 1991. Pólen coletado por abelhas africanizadas em apiário comercial na caatinga cearense. Protein requeriments in larvae and adults of Scaptotrigona postica (Hymenoptera: Apidia. p. L. LIMA. 2001. 281p. B. 1995. 1995.