ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE COLATINA COORDENAÇÃO GERAL DE ENSINO MODULO DE PRODUÇÃO VEGETAL

GONÇALO TADEU ENGELHARDT

CULTIVO DA CANA-DE AÇÚCAR

2 COLATINA 2007 .

na Escola Agrotécnica Federal de Colatina. obtido na rede mundial internet. nas aulas do Módulo de Produção Vegetal. para ser utilizado como material didático pelo Professor Gonçalo Tadeu Engelhardt.GONÇALO TADEU ENGELHARDT CULTIVO DA CANA-DE AÇÚCAR Trabalho de elaboração. de produção e de publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA. disciplina Cultivo da Cana-de-Açúcar. .

4 COLATINA 2007 .

......2...............................ADUBAÇÃO MINERAL DE PLANTIO.................................................MATURADORES QUÍMICOS...DETERMINAÇÃO DO ESTÁGIO DE MATURAÇÃO....................12 12.................................................................CALAGEM 8 9....................................RENDIMENTO AGRÍCOLA...................SELEÇÃO DA ÁREA A SER CULTIVADA.................................................................ADUBAÇÃO 8 9.......................................................................................PLANTIO 10 9............................................................................................USO DE RESÍDUOS DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA........................................................................1..................2.......12 12..........7 5.............................................6 3..................................................PREPARO DO TERRENO.......................9 10..........................................REFERÊNCIAS.........................................................................................................................................................ESCOLHA DE CULTIVARES......................................................ÉPOCA DE PLANTIO..............................TRATOS CULTURAIS............................................6 4...................COLHEITA 12 12.....................................6 2.........................12 13......................CLIMA E SOLO........................10 11...........................................................9 9.......................................................PRODUÇÃO DE MUDAS..............................8 8..................OPERAÇÃO DE CORTE (MANUAL E/OU MECANIZADA)...............4..........................................ADUBAÇÃO MINERAL DA CANA-SOCA..............................................................INTRODUÇÃO.....13 15..........................................7 7......................12 14........................9 9.................................................................................1.............3....PRAGAS E DOENÇAS E SEUS CONTROLES..................11 12..........7 6...........13 .......................PREPARO DO SOLO.3..................................5 SUMÁRIO 1......

produção e longevidade do canavial. A cana-de-açúcar é cultivada em todos os estados brasileiros. conforme as exigências da cana-de-açúcar. Evitar áreas infestadas por cupins subterrâneos. lançar mão de práticas conservacionistas de solo. açúcar e álcool. 2. isto é. causando danos aos toletes utilizados no plantio e ao sistema radicular das plantas. sob a forma de forragem.6 1. CLIMA E SOLO A cana-de-açúcar é cultivada numa extensa área territorial. devido à sua rusticidade. A cana-de-açúcar é uma gramínea perene. perfilhamento e desenvolvimento vegetativo. de qualquer forma. com camada impermeável superficial ou mal drenados. declividade acima desse limite apresentam restrições às práticas mecânicas. para alimentação animal. como. Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas. com adoção de colheitadeiras automotrizes. atingindo rendimentos de massa verde superiores a 120 t ha-1 ano-1. Pernambuco tem 20% e Alagoas. é aconselhável proceder à coleta e análise de solo. que constituem a maioria das nossas explorações. Solos férteis. no início. officinarum com as outras espécies como Saccharum asperum. o limite máximo de . através de recruzamentos com as ascendentes. que visem diminuir os riscos de erosão. Saccharum villosum e. 17%. para proporcionar a germinação. apresentando melhor comportamento nas regiões quentes. se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis. para promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos. INTRODUÇÃO Originária do sudeste da Ásia. O clima ideal é aquele que apresenta duas estações distintas. Os trabalhos de melhoramento persistem até os dias atuais e conferem a todas as variedades em cultivo uma mistura das cinco espécies originais e a existência de cultivares ou variedades híbridas. Para culturas mecanizadas. a ligeiramente inclinada. seguido de outra fria e seca. Minas Gerais e Rio de Janeiro juntos têm 15% da área plantada. férteis e com boa capacidade de retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que. não devem ser indicados para a cana-de-açúcar. 3. Com o surgimento de tecnologia mais avançada exigiram a criação de novas variedades. No Nordeste. como os de cerrado. Saccharum baldwinii. podendo ser empregada in natura. a fim de determinar a necessidade ou não de correção e adubação. já que são de difícil controle e prejudicam seriamente a germinação. as quais foram obtidas pelo cruzamento da S. onde é cultivada desde épocas remotas. bem estruturados. pesados. ou como matéria prima para a fabricação de rapadura. plantio em curva de nível e terraceamento. mas é no estado de São Paulo que se concentra a maioria das lavouras dessa cultura: são mais de 40% da área de cana no Brasil. a exploração canavieira assentou-se. A sua importância pode ser atribuída à sua múltipla utilização. a declividade máxima deverá estar em torno de 12%. posteriormente. Solos profundos. Caso seja acidentada. embora aumente os custos de implantação. deverá apresentar topografia plana. compreendida entre os paralelos 35º de latitude Norte e Sul do Equador. profundos e não sujeitos a encharcamento são os mais recomendados. podendo produzir por 4 a 6 anos. uma quente e úmida. Solos rasos. melado. SELEÇÃO DA ÁREA A SER CULTIVADA Na seleção da área onde será estabelecido o canavial. Saccharum giganteum. sobre a espécie Saccharum officinarum. aguardente.

visando controle de pragas e de plantas invasoras. como geradora de massa verde e riqueza em açúcar. Isso não só pela sua importância econômica. ESCOLHA DE CULTIVARES Um dos pontos que merece especial atenção do agricultor é a escolha da cultivar para plantio. No caso de renovação do canavial.7 declividade cai para 8 a 10%. RB85-5453 e RB83-5054 • para meio de safra: SP79-1011. RIDESA: Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro. pois poderá comprometer a estrutura física do solo. Dentre as várias maneiras para classificação dos cultivares de cana. o preparo do solo deve ser profundo e esmerado. tendo cada uma seu sistema próprio. RB80-6043 e RB83-5486 caracterizam-se pela baixa exigência em fertilidade de solo. fácil despalha ou ausência de joçal e resistência à pragas e doenças. a gradagem visa erradicar a soqueira. com bastante antecedência do plantio. temos de considerar duas situações distintas: • a cana vai ser implantada pela primeira vez. Convém salientar que as unidades sucroalcooleiras não seguem uma linha uniforme de preparo do solo. Obs. SP79-2313. No preparo do solo. de forma a facilitar o plantio e evitar a ocorrência de depressões que possam acumular água. Caso seja constatada a existência de adensamento mais profundos. SP79-6192. tendo como principal objetivo romper as camadas adensadas da superfície do solo (20 a 35 cm de profundidade). RB 6. o total de gradagens não deve ser superior a quatro. • o terreno já se encontra ocupado com cana. efetuar a subsolagem. ausência de florescimento ou flechamento. devem apresentar as características como alto índice de produtividade. A aração deve ser feita. Quando apresentarem longo Período de Utilização Industrial (PUI). SP80-1816. mas também pelo seu processo dinâmico. além de melhorar as condições de aeração e infiltração de água no solo. As cultivares a serem escolhidas. 5. boa capacidade de rebrota. conforme a incidência de plantas invasoras. RB76-5418. empregando-se arados de disco ou de aiveca. sempre com melhorias tecnológicas quando comparadas com aquelas que estão sendo cultivadas. RB72-454. RB85-5113 e RB85-5536 • para fim de safra: SP79-1011. No primeiro caso. RB83-5486. pois anualmente surgem novas variedades. 4. variação essa que ocorre em função do tipo de solo predominante e da disponibilidade de máquinas e implementos. a indicação de alguns cultivares ocorrerá para mais de uma época. podendo ser repetida a cada 20 dias. serem adaptadas às condições edafoclimáticas da região. Poucos dias antes do plantio. Essa operação deverá ser realizada no final do período seco. entretanto. PREPARO DO TERRENO Tendo a cana-de-açúcar um sistema radicular profundo. um ciclo vegetativo econômico de quatro anos e meio ou mais e uma intensa mecanização que se processa durante esse longo tempo de permanência da cultura no terreno. RB78-5148. quando as condições de umidade do solo forem adequadas. faz-se uma aração profunda. visando . SP80-1842. a mais prática é quanto à época da colheita. RB78-5148. elevado teor de açúcar (sacarose). RB806043 e RB84-5257 Os cultivares SP79-2313. através de subsoladores. Atualmente os cultivares mais indicados para São Paulo e Estados limítrofes são: • para início de safra: SP80-3250. a superfície do solo será nivelada e destorroada. RB72-454. PREPARO DO SOLO Realizar ao preparo do solo empregando-se grade-aradora pesadas ou intermediárias.

Em solos argilosos é normal a existência de uma camada impermeável. que se dá entre os 12 e 18 meses. ÉPOCA DE PLANTIO O plantio da cana-de-açúcar deve ser realizado no inicio do período chuvoso (outubro /novembro). correspondente a estação seca (junho a setembro). sendo que. até antes da última gradagem de preparo do terreno. à menor regulagem e ao maior rendimento operacional. Observando-se esse período. 9. seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada. ou pelo penetrômetro. por meio de arado ou grade pesada. No entanto os cortes subseqüentes se darão nesta fase.8 à destruição. a qual pode ser detectada através de trincheiras abertas no perfil do solo. Essa operação pode ser feita por meio de aração rasa (15-20 cm) nas linhas de cana. quanto mais cedo executada maior será sua eficiência. conforme a variedade da cana. em ambas. passando por um período de repouso de quatro meses. Nas vésperas do plantio. Dentro desse período. visando ao acabamento do preparo do terreno e à eliminação de ervas daninhas. . A época mais indicada para aplicação do calcário vai desde o último corte da cana. seu rompimento se faz através de subsolagem. Se confirmada a compactação do solo. enxada rotativa ou uso de herbicida. Seguem-se as gradagens necessárias. O calcário deve ser aplicado o mais uniforme possível sobre o solo. Nas vésperas do plantio procede-se a uma aração profunda (25-30 cm). o primeiro corte pode ser feito em estádio avançado de maturação. desde que as condições de umidade do solo permitam seu adequado preparo e seja possível irrigar o canavial na seca. visando manter o terreno destorroado e apto ao plantio. Na segunda situação. o primeiro passo é a destruição da soqueira. seguida de gradagem. há uma tendência das grades pesadas substituírem o arado. Constatada a compactação do solo. que deve ser realizada logo após a colheita. CALAGEM A necessidade de aplicação de calcário é determinada pela análise química do solo. 7. que só é aconselhada quando a camada adensada se localizar a uma profundidade entre 20 e 50 cm da superfície e com solo seco. Se o teor de magnésio for baixo. faz-se nova gradagem. Plantios mais tardios podem ser adotados. a subsolagem torna-se necessária. adubação para cana-planta e para soqueiras. dar preferência ao calcário dolomítico. 8. Durante o primeiro ano de estabelecimento a cana se desenvolverá. Devido à facilidade de transporte. a quantificação será determinada pela análise do solo. devendo ser utilizado para elevar a saturação por bases a 60%. onde a cultura da cana já se encontra instalada. incorporação e decomposição dos restos culturais existentes. durante a reforma do canavial. ADUBAÇÃO Para a cana de açúcar há a necessidade de considerar duas situações distintas. retomando o seu crescimento na estação chuvosa subseqüente. com o objetivo de completar a primeira operação. quando os colmos apresentam maior concentração de sacarose. do primeiro ano de estabelecimento.

a adubação deve ser feita durante os primeiros tratos culturais. em cobertura.1-6. com teor muito baixo de P no solo. USO DE RESÍDUOS DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA . Aplicar mais 30 a 60 kg ha-1 de N.100 > 100 Fonte: RAIJ.0.5 5 0-0. Fonte: RAIJ.0 0 0 0 Produtividade esperada t ha-1 <100 100 . fósforo e potássio a serem aplicadas com base na análise do solo e de acordo com a produtividade esperada. van et al. durante o mês de abril. van et al. ADUBAÇÃO MINERAL DA CANA-SOCA Produtividade esperada t ha-1 < 60 60 . aplicar os nutrientes com a adubação de plantio. 0-6 P resina (mg/dm³) 7-15 16-40 P2O5 (kg ha-1) 180 100 60 180 120 80 * 140 100 >40 40 60 80 >6. B.0 3. de acordo com a análise do solo.8-1. superficialmente e misturado ao solo. 9. após a sua abertura.2. No quadro a seguir são indicados as quantidades de nitrogênio. Adubações pesadas de K2O devem ser parceladas.15 1.0 K2O (kg ha-1) 80 40 40 120 80 60 160 120 80 * Não é provável obter a produtividade dessa classe.outubro.2 0 Fonte: RAIJ.150 30 >150 30 Fonte: RAIJ. deve ser bem misturada com a terra ou alocada até a profundidade de 15 cm. em solo arenoso dividir a cobertura. 1996. van et al. 9.80 80 .5 0 > 0.0 K2O (kg ha-1) 90 60 30 110 80 50 130 100 70 150 120 90 Aplicar os adubos ao lado das linhas de cana.7 100 150 200 K+ trocável (mmolc/dm³) 0. aplicando metade do N em abril e a outra metade em setembro . 9. observando os resultados da análise de solo e de acordo com a produtividade esperada. ADUBAÇÃO MINERAL DE PLANTIO Produtividade Nitrogênio esperada -1 t ha N (kg ha-1) <100 30 100 .0 >3. 1996. B.1. no máximo a 10 cm de profundidade. 1996.5 1.3. o fertilizante deverá ser aplicado no fundo do sulco de plantio. Para soqueira. P resina (mg/dm³) Nitrogênio 0-15 >15 N (kg ha-1) P2O5 (kg ha-1) 60 30 0 80 30 0 100 30 0 120 30 0 K+ trocável (mmolc/dm³) 0. Se for constatada deficiência de cobre ou de zinco. nas quantidades indicadas a seguir: Zinco no solo Zn Cobre no solo Cu mg/dm³ kg ha-1 mg/dm³ kg ha-1 0-0. B. colocando no sulco de plantio até 100 kg ha-1 e o restante juntamente com o N em cobertura. em ambos os lados da linha de cana.9 Para cana-planta.6-3. ou por meio de adubadeiras conjugadas aos sulcadores em operação dupla. van et al. quando aplicada superficialmente. 1996. B.150 >150 0 . durante o mês de abril.2 4 > 0.5-3. Na adubação mineral da cana-soca aplicar as indicações do quadro a seguir.

através da aplicação de herbicidas em pré-emergência. com pequenas variações para mais ou para menos. PLANTIO Existem duas épocas de plantio para a região Centro-Sul: setembro-outubro e janeiro a março. Setembro-outubro não é a época mais recomendada. quer por comprometimento de safra devido à ocorrência de adversidade climática. logo após o plantio e em área total. van et al. TRATOS CULTURAIS Os tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das ervas daninhas. O plantio da cana de "ano e meio" é feito de janeiro a março. Os sistemas básicos de aplicação são por infiltração. no sulco de plantio (15-30 t ha-1) ou nas entrelinhas (40-50 t ha-1). Dependendo do tipo de solo e das condições climáticas reinantes. devido à concorrência de plantas invasoras. Além de não apresentar os inconvenientes da outra época.4. sempre cruzando a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados. corresponde a um gasto de 7-10 toneladas por hectare. (RAIJ. pragas. vai da emergência aos 90 dias de idade. em toletes de aproximadamente de três gemas. Em regiões quentes. com podão.40 m. O espaçamento entre os sulcos de plantio é de 1. com o emprego de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas. Plantios efetuados nessa época propiciam menor produtividade agrícola e expõem a lavoura à maior incidência de ervas daninhas. permite um melhor aproveitamento do terreno com plantio de outras culturas. Instalada a cultura.) 10. sendo indicada em casos de necessidade urgente de matéria prima. A torta de filtro (úmida) pode ser aplicada em área total (80-100 t ha-1). sendo complementado com carpa manual nas . cuja quantidade por hectare esta na dependência da composição química da vinhaça e da necessidade da lavoura em nutrientes. No que concerne à adubação em cobertura. por veículos e aspersão. A densidade do plantio é em torno de 12 gemas por metro linear de sulco. Metade do fósforo aí contido pode ser deduzida da adubação fosfatada recomendada. é o químico. que. infestação da gleba e eficiência do praguicida. pode haver uma variação na espessura dessa camada. assoreamento dos sulcos e retardam a próxima colheita.10 Atualmente há uma tendência em substituir a adubação química das socas pela aplicação de vinhaça. sendo o mais recomendado tecnicamente. B. Os colmos com idade de 10 a 12 meses são colocados no fundo do sulco. 9. essa época pode ser estendida para os meses subseqüentes. A partir dai a infestação de ervas é praticamente nula. como o oeste do Estado de São Paulo. quer por recente instalação ou ampliação do setor industrial. Dependendo das condições de aplicação. já foi visto no item adubação e a vigilância fitossanitária será comentada em doenças e seu controle. sua profundidade de 20 a 25 cm e a largura é proporcionada pela abertura das asas do sulcador num ângulo de 45º. em pré-plantio. após o surgimento do mato. O período crítico da cultura. há necessidade de uma ou mais carpas mecânicas e catação manual até o fechamento da lavoura. devendo ser ligeiramente compactada. dependendo da variedade e do seu desenvolvimento vegetativo. O controle mais eficiente das plantas invasoras. 1996. desde que haja umidade suficiente. dependendo da textura do solo. procede-se seu controle mecanicamente. adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária para controlar a incidência do carvão. nesse período. Outro método é a combinação de carpas mecânicas e manuais. sendo que cada sistema apresenta modificações. Os toletes são cobertos com uma camada de terra de 7 cm.

com o fungo Metarhizium anizoplae tem dado os melhores resultados. 11. Dependendo da espécie da praga presente no local. uma leguminosa. quatro ou seis ruas livres. Igualmente nessa região. o solo fica superficialmente compactado e impermeável à penetração de água. adubação e vigilância sanitária. cuja permanência prejudica a nova brotação e dificulta os tratos culturais. com reduções significativas nas produtividades agrícola e industrial dessa cultura. estria-vermelha. Diatraea spp) é a mais grave e comum em todas as regiões. fimbriolata) se destacam entre as pragas. Por ordem de importância. notadamente em solos arenosos de baixa fertilidade. A ocorrência de outras pragas. adubação. Devido ao rápido crescimento das soqueiras. Normalmente. O melhor meio de combater essas doenças é plantar variedades resistentes. é suficiente para manter a soqueira no limpo. cultivo e preparo do terreno para receber a carpa química. perdas de umidade e matéria orgânica do solo. PRAGAS E DOENÇAS E SEUS CONTROLES A cana-de-açúcar é atacada por cerca de 80 pragas. assim.11 linhas de plantio. podridão-abacaxi e podridão-vermelha. Lixophaga diatraea e Cotesia flavips C. diversos métodos e implementos podem ser usados. O enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço" deixando duas. Essa operação é repetida quantas vezes forem necessárias. normalmente três controles são suficientes. . bem como em Campos (RJ). escaldadura.. tem sido registrada. bem como do nível populacional dessa espécie. A mucunapreta. Após a colheita da cana. É realizado por enleiradeira tipo Lely. o assoreamento do sulco. já desenvolvidas por institutos de pesquisa. As soqueiras exigem enleiramento do "paliço". Os principais inimigos usados no controle biológico tem sido a mosca-do-amazonas (Metagonistylum minense T. ar e fertilizantes. Seu controle tem sido tentado fundamental mente por meio dos inimigos naturais criados artificialmente ou importados. essas práticas. afídeos. Existem no mercado implementos dotados de hastes semi-subsoladoras ou escarificadoras. o número de carpas exigido é menor que o da cana planta. Os dois últimos tratos culturais encontram-se em itens próprios.. carvão. Após a retirada da cana. folhas e pontas. seguida do cultivo químico. o emprego de cultivadores ou enxadas rotativas com tração animal ou mecânica apresenta bons resultados. ao passo que em São Paulo apenas na região de Ribeirão Preto essa praga provoca problemas sérios. adubadeiras e cultivadores que realizam simultaneamente. estas são as principais doenças predominantes na região CentroSul: mosaico. exigindo. Além desse sistema. porém pequeno número causa prejuízos à cultura. a broca (Diatraea sacharalis. porém com importância local e esporádica. formigas. ficam no terreno restos de palha. controle das plantas invasoras. quebra do equilíbrio biológico e problemas ambientais. tem-se mostrado muito eficiente no controle dos nematóides. A maneira de eliminar esse material (paliço) seria a queima pelo fogo. conhecidas como operação tríplice. O controle biológico. Visando a permeabilização do solo e controle das plantas invasoras iniciais. as cigarrinhas (Mahanarva posticata e M. Levantamentos recentes indicam o grande perigo de nematóides. Na região Nordeste.). como lagartas. Entre as pragas. as pragas de solo podem provocar importantes prejuízos à cana-de-açúcar. mancha-ocular. porém essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela acarreta. implemento leve com pouca exigência de potência. pelos altos prejuízos que pode causar. a Parathesia claripalpis W. principalmente dos gêneros Melodoigine e Pratylenchus. tratores de aproximadamente 90 HPs. dependendo da quantidade desse material. etc. permeabilização do solo. a broca-gigante (Casthia licus) assume grande importância. como falhas na brotação futura. operações de escarificação. para tanto. cupins. raquitismo-da-soqueira. evitando.

que fornece o quociente da relação. prolongando-se até novembro. DETERMINAÇÃO DO ESTÁGIO DE MATURAÇÃO O ponto de maturação pode ser determinado pelo refratômetro de campo e complementado pela análise de laboratório. Dentre os produtos comerciais utilizados como maturadores. Após o corte. por ser um período bastante chuvoso. ainda. A cana imatura apresenta valores bastante distintos nesses seguimentos. COLHEITA A colheita inicia-se em maio e em algumas unidades sucroalcooleiras em abril. sendo. Diquat. A maturação ocorre da base para o ápice do colmo.3.60 . Vêm sendo utilizados como um instrumento auxiliar no planejamento da colheita e no manejo varietal.85 cana em maturação 0.2.1. IM= Brix da ponta do colmo Brix da base do colmo Admitem-se para a cana-de-açúcar.1. a rigor. com rendimento operacional médio em condições normais de 20 t/hora. 12. ou mecanicamente. antecipar o fim da safra.60 cana verde 0. açúcares redutores e pureza) fornecem dados mais precisos da maturação. há necessidade de o produtor conciliar alta produtividade agrícola com elevado teor de sacarose na época da colheita. a cana-de-açúcar deve ser transportada o mais rápido possível ao setor industrial. Estudos sobre a época de aplicação e dosagens vêm sendo conduzidos com o objetivo de aperfeiçoar a metodologia de manejo desses produtos. uma confirmação do refratômetro de campo. pol. por meio de caminhão ou carreta tracionada por trator. o critério mais racional de estimar a maturação pelo refratômetro de campo é pelo índice de maturação (IM). ação dessecante. Existem basicamente dois tipos: colheitadeira para cana inteira. Há uma ação inibidora do florescimento. os seguintes estágios de maturação: IM Estágio de Maturação < 0. através de colheitadeiras. e colheitadeiras para cana picada (automotrizes). favorecendo a queima e diminuindo. período em que a planta atinge o ponto de maturação. viabilizando a utilização de variedades com este comportamento. em alguns casos. O refratômetro fornece diretamente a porcentagem de sólidos solúveis do caldo (Brix). 12. com um rendimento médio de 5 a 6 toneladas/homem/dia. que podem representar acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose. MATURADORES QUÍMICOS São produtos químicos que tem a propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana induzindo a translocação e o armazenamento dos açúcares.85 . sempre que possível.00 cana em declínio de maturação As determinações tecnológicas em laboratório (brix. Glifosato e Moddus. que dificulta o transporte de matéria prima e faz cair o rendimento industrial. Muitos compostos apresentam.0. Com a adoção do sistema de pagamento pelo teor de sacarose.12 12. Assim. O Brix esta estreitamente correlacionado ao teor de sacarose da cana. com rendimento de 15 a 20 t/hora. Polaris. Paraquat. 12. podemos citar: Ethepon. OPERAÇÃO DE CORTE (MANUAL E/OU MECANIZADA) O corte pode ser manual. RENDIMENTO AGRÍCOLA Em relação à produtividade e região de plantio. observamos que a produtividade está . devendo. os quais vão se aproximando no processo de maturação. portanto.00 cana madura > 1. 13. as impurezas vegetais.

Além dessas duas medidas fitossanitárias. Os fundamentos da cultura da cana. proporcionando melhor aproveitamento de máquinas e implementos.. como a despalha manual das mudas. A implantação da cultura é feita sem gasto financeiro correspondente ao preparo do solo. algumas recomendações agronômicas devem ser levadas em consideração. de A. Campinas: Fundação Cargill.. v. A boa qualidade das mudas é o fator de produção de mais baixo custo e que maior retorno econômico proporciona ao agricultor. no mínimo uma vez por mês. e este é dado por padrão do solo. SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. TORRES. quatro ou cinco cortes consecutivos.durante a reforma do canavial. (CATI. Anais: Piracicaba: FEALQ. R. exigindo grandes quantidades de mudas. o podão na solução. BOWEN. com idade de 10 a 12 meses. principalmente quando produzida por ele próprio. antes do início da colheita das mudas e do corte das mesmas em toletes. Amendoim e soja são as mais indicadas. Cana-de-açúcar: cultivo e utilização. deve-se mergulhar.formando o viveiro. Campinas: CATI. em rotação com a cana-de-açúcar. Uma desinfecção prática. a lavoura canavieira precisa ser renovada. eficiente e econômica é feita pela imersão do instrumento numa solução com creolina a 10% (18 litros de água + 2 litros de creolina) durante meia hora. A taxa de renovação está ao redor de 15 a 20% da área total cultivada. D. 1987.L. Piracicaba. menor densidade das mudas dentro do sulco e maior parcelamento do fertilizante nitrogenado. Antes e durantes estas operações deve-se desinfetar o podão. 40p. Além dos conhecidos benefícios agronômicos proporcionados pela rotação de culturas. havendo menor exposição do terreno à erosão e às ervas daninhas e diminuição da sazonalidade de empregos. J. Boletim Técnico.. a canade-açúcar permite a consorciação com outra cultura. A tecnologia empregada na produção de mudas é praticamente a mesma dispensada à lavoura comercial. Para a produção de mudas. .A. 140)..C. Piracicaba: POTAFOS. há necessidade de que o material básico seja de boa procedência. deve-se efetuar o plantio de culturas de ciclo curto.B. RESENDE. é um violento propagador da escaldadura e do raquitismo. em média. Rotação de culturas .1/2. proveniente de cana-planta ou primeira soca e que tenha sido submetido ao tratamento térmico. H. J. 1992. clima e nível tecnológico aplicado.13 estritamente relacionada com o ambiente de produção. PARANHOS. REFERÊNCIAS ANDERSON. torna-se imprescindível a realização de inspeções sanitárias freqüentes. através de álcool. 58p. formol.o podão utilizado na colheita de mudas e no seu corte em toletes. S. quando contaminado. 1979. PRODUÇÃO DE MUDAS Após. Durante essas duas operações. 1993.E. apenas com a introdução de algumas técnicas fitossanitárias. 177p. 14. JUNHO. In: DIAS. J. tais como: Desinfecção do podão . aproveitando o terreno numa época em que estaria ocioso. A finalidade dessas inspeções é a erradicação de toda touceira que exiba sintoma patológico ou características diferentes da variedade em cultivo. cresol ou fogo. Vigilância sanitária e "roguing" . Nutrição da cana-de-açúcar. freqüente e rapidamente. sadio. lisol. 15.C. Normas técnicas para produção de mudas selecionadas de cana-deaçúcar. no período em que o terreno permanece ocioso. coord.

100).ed. van et al. (IAC. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. Forrageira para o gado leiteiro. Campinas: IAC. 1997. São Paulo: Tortuga / Juiz de Fora: EMBRAPA: CNPGL. 285p. p. J. Boletim Técnico. B. .101-104. RAIJ. 1996.14 COSTA.L. org.